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FUNDADOR dos MISSIONÁRIOS XAVERIANOS
FUNDADOR dos
MISSIONÁRIOS
XAVERIANOS

discípulos-missionários-mártires

O Crucificado é o grande livro pelo qual os Santos se formaram, e pelo qual

O Crucificado é o grande livro pelo qual

os Santos se formaram, e pelo qual devemos nos formar também. Todos os ensinamentos contidos no santo Evangelho estão compendiados no Crucificado. Ele nos fala com uma eloqüência sem igual, com a eloqüência do sangue. Inculca- nos a humildade, a pureza, a mansidão, o desapego de todas as coisas terrenas, a conformação à vontade divina, e, sobretudo, a caridade com relação a Deus e aos irmãos. Com sua crucifixão, Jesus reconciliou a humanidade com Deus e uniu, por meio de um vínculo único de amor, todos os filhos dispersos do primeiro pai. Santo Afonso com razão pode escrever, aos pés de um crucifixo, estas palavras: Assim se ama!

O Crucificado, porém, nos ensina outras

três grandes lições. Diz-nos o quanto é excelente a graça santificante, reconquistada ao preço da imolação, quão preciosa é nossa alma, recomprada com o sangue divino, e que grande mal é o pecado, causa da morte do Homem-Deus.

B em se compreende como o Doutor Seráfico, a quem perguntaram um dia onde havia adquirido toda aquela sapiência celeste que transcrevera em seus sábios livros, pôde responder, sem hesitar: no Crucificado. No mundo sobrenatural, ele é o ponto mais elevado, que abre imensos horizontes para o olhar. É o livro mais sublime sobre o qual devemos meditar continuamente, a fim de encontrar a explicação satisfatória de todas as questões de ordem moral. Nenhum outro livro pode falar com maior eficácia à nossa mente e coração, nenhum outro livro pode nos fazer conceber propósitos mais generosos e reavivar em nós todas as energias necessárias para

colocá-los em prática, mesmo à custa das maiores renúncias e dos mais duros sacrifícios.

Por isso, ao missionário que parte para terras longínquas, a fim de anunciar a Boa Nova, não é entregue outra arma além do Crucifixo, porque este possui o poder de Deus e, por ele, triunfará sobre tudo e sobre todos, depois de ter triunfado sobre si mesmo.

( Guido Maria Conforti)

Mártires da caridade pastoral

Decidiram positiva e conscientemente de ficar. Frei Vitório Facim (1934-1964), Pe. Luigi Carrara (1933-1964) e Pe. Giovanni Didoné (1930-1964) missionários xaverianos no Zaire, atual República Democrática do Congo, sabiam o perigo, sabiam que permanecer significaria riscar ser mortos, mas quiseram ficar como o bom Pastor que não foge quando chega o lobo. “Fiquem sabendo – escrevia pe. Giovanni dois dias antes de ser morto – que os padres não voltam às suas terras; eles antes de vos abandonar, preferem morrer”. Na aldeia de Baraka os militares mataram o irmão Vitório. Pe. Luigi estava na Igreja celebrando o sacramento do perdão. Aos disparos, saiu para socorrer o irmão. Foi preso. “Se quiser me matar deixe-me morrer perto do meu irmão”. Ajoelhou-se em oração. Não demorou a chegar uma rajada de tiros. Os militares foram até Fizi onde atiraram em Pe. Giovanni e em Pe. Atanásio Jubert, um padre diocesano. Pastores cuja caridade pastoral os levou a doar a vida pelas suas ovelhas.

o C RUCIFICAD O o Grande Livro da Missão Encontro Era menino de 10-12 anos,
o C RUCIFICAD O
o Grande Livro da Missão
Encontro
Era menino de 10-12 anos, mas não
é aos pequenos que são revelados os
mistérios do Reino?
Eu acredito que naqueles encontros
houve algo de extraordinário, uma
experiência mística e uma efusão de
Espírito e de seus santos dons que
ficaram com ele para todo o correr
d o s s e u s 6 6 a n o s d e v i d a
(1865-1931).
Ao longo da estrada que levava o

adolescente Guido Maria Conforti da casa onde morava à escola havia uma capela: Nossa Senhora da paz. No altar um grande crucifixo parecia dominar e tomar o espaço todo. Pregado nele o Crucificado, morto, pois já tinha a ferida no lado, mas com os olhos semi-abertos.

Ele fixava seu olhar em mim e eu

também olhava para Ele”. Com estas palavras Guido Maria, já idoso lembrava aqueles encontros. Olhar no olhar, e uma conversa: “Jesus me ”

falava muitas coisas

O evangelho diz que ao encontrar

o jovem rico “Jesus, olhando bem

para ele, disse-lhe com amor:

Vem e

segue-me”. Encontro e escuta. O jovem rico Guido Maria escutou! Sim, era rico, o pai dono de cinco fazendas.

Deste encontro nasceu uma

amizade que ninguém conseguiu abrandar: “Este Crucificado me deu a vocação” confidenciava a um amigo.

o encontro che marcou a vida toda de um jovem

Não somente a vocação.

O Crucificado deu-lhe a força de

enfrentar todas as lutas da vida a começar da resistência do pai à sua vocação sacerdotal. Aquele olhar lhe transmitiu a necessária paciência e perseverança quando a doença parecia afastá-lo do sacerdócio, e lhe deu coragem e força para encarar todas as dificuldades que iam se deparando em frente dele quando da fundação da congregação dos Missionários Xaverianos.

A quele homem misterioso, grande

demais para ele tão pequeninho, pregado na cruz lhe brindou a clareza de visão e a humildade quando decidiu renunciar ao bispado de Ravenna, aos 41 anos, assim como lhe deu a força de arcar por anos a fio o trabalho de pastor da Igreja de Parma, sem por isso

abandonar o compromisso com sua congregação e com as missões.

Dia após dia, à sombra luminosa

do crucificado seu amigo, sua força,

seu consolo até à morte. Alias, nem mesmo a morte os separou; esta uniu para sempre um menino com o seu amigo cr ucificado. “Vou encontrar o Senhor, meu salvador”, foram suas últimas palavras. Força. Paciência, Perseverança, Coragem,

humildade e discernimento

Olhos

fixos em Jesus. Um padre, seu amigo e confidente testemunhou: “Do crucificado recebeu a primeira inspiração e a vocação missionária

Ele me dizia que

desde a infância

ainda menino costumava entrar na igrejinha para rezar aos pés do crucificado. Nestes encontros escutou as primeiras vozes internas que o chamavam para ir às missões ou ao menos fazer alguma obra missionária importante”.

as primeiras vozes internas que o chamavam para ir às missões ou ao menos fazer alguma

Um livro de missiologia

Nos diálogos com o Crucificado

Guido Maria aprendeu que o ponto de

p a r t i d a p a r a v i v e r u m a

espiritualidade missionária é o amor

que o Pai revelou no Filho quando pregado na cruz: “Este é amor!”

“Amou-nos até o fim”. Aos seus missionários de saída para a China dizia: “A vossa missão e o vosso programa de ação são muito bem

resumidos no Crucifixo (

adorável imagem Ele vos dirige aquelas palavras que, há dezenove séculos, dirigia aos Apóstolos e às multidões para provar a divindade de sua missão: Quando eu serei elevado da terra, sobre a cruz, atirarei a mim todas as coisas (Jo 12,32.). Nestas palavras está resumida a finalidade de sua missão e o segredo das suas vitórias. E a missão de Cristo, é a vossa missão, o segredo das suas vitórias deve ser também o segredo dos vossos sucessos; a cruz, o sacrifício de vós mesmos” (13 de março de 1927).

Desta

)

Contemplando o Crucificado,

Guido Maria Conforti aprende que fonte e origem da missão é o encontro com Jesus, o método e a estratégia o amor e dom de si mesmo, o objetivo reunir o mundo em volta de Jesus, irmãos na casa do Pai.

A Vª Conferência de Aparecida

resgatou esta experiência que nos revela a raiz da missão: “O encontro

com Cristo é fundante e vivificante, é

o encontro mais importante e decisivo

de nossa vida que preenche de luz, de

força e de esperança: o encontro com Jesus, sua rocha, sua paz, sua vida” (DAp 13.21).

Desse encontro nasce a urgência

de evangelizar: “Desejamos que a

nasce a urgência de evangelizar: “Desejamos que a alegria que recebemos no encontro Cristo , a

alegria que recebemos no encontro Cristo, a quem reconhecemos como o Filho de Deus encarnado e redentor, chegue a todos os homens e mulheres feridos pelas adversidades; desejamos que a alegria da boa nova do Reino de Deus, de Jesus Cristo vencedor do pecado e da morte, chegue a todos quantos jazem à beira do caminho, pedindo esmola e compaixão. A alegria do discípulo é antídoto frente a um mundo atemorizado pelo futuro e agoniado pela violência e pelo ódio. A alegria do discípulo não é um sentimento de bem-estar egoísta, mas uma certeza que brota da fé, que serena o coração e capacita para anunciar a boa nova do amor de Deus. Conhecer a Jesus é o melhor presente que qualquer pessoa pode receber; tê- lo encontrado foi o melhor que ocorreu em nossas vidas, e fazê-lo conhecido com nossa palavra e obras é nossa alegria” (DAp 32).

Crucificado que envia

O Crucificado, na visão de Guido

Maria, não está calado, nem sequer está parado. No silêncio da morte fala com a “eloqüência do sangue”: “Este é meu sangue, derramado para vós e

para todos”. Jesus morreu para todos e ama a todos, por isso (na experiência de Guido Maria) o crucificado, numa atitude incomum e impossível, desprende a mão da cruz e aponta o mundo: “Vá, anuncia o meu amor para todos, anda pelas estradas do mundo e proclame: Eu tenho outras ovelhas que não são deste aprisco, preciso chamar elas também, para reunir num só rebanho e um só pastor” (Cf. Jo 10, 15). É a “Palavra da cruz”! (1Cor

1,18)

O Crucificado do Conforti orienta

para o mundo dos não cristãos. O menino Guido olha com atenção e repara que Jesus faz um gesto

indicando o mundo e

falasse muitas coisas”. O Crucificado

encontrado pelo menino Guido Maria não chama a atenção sobre suas

f e r i d a s , s e u s o f r i m e n t o , s e u

abandono

mundo, é

Guido Maria escuta e responde fazendo crescer nele “o ímpeto de comunicar a todos o dom desse encontro” e seguindo o Mestre em seu trabalho pastoral como bispo de uma diocese “saiu ao encontro de pessoas

“Parecia me

Chama a atenção sobre o Livro que fala e envia!

em situações muito diferentes: homens e mulheres, pobres e ricos, judeus e

estrangeiros, justos e pecadores

apenas em sua diocese, mas andou por meio de seus missionários até os confins da terra.

Não

.

justos e pecadores apenas em sua diocese, mas andou por meio de seus missionários até os

Profeta de Aparecida

A gente fica impressionado em

constatar como São Guido Maria

realizou as orientações do documento

de Aparecida dezenas de anos antes

d e e s t e s e r e s c r i t o . “ S o m o s

testemunhas e missionários: nas grandes cidades e nos campos, nas montanhas e florestas de nossa América, em todos os ambientes da convivência social, nos mais diversos “lugares” da vida pública das nações, nas situações extremas da existência, assumindo ad gentes nossa solicitude pela missão universal da Igreja ”. (DdA 548)

S ão Guido Maria andou pelas

montanhas de sua diocese, pelas

campinas de suas paróquias, nas favelas de sua cidade ainda quando grupos armados ameaçavam guerras

e d e r r a m a m e n t o d e s a n g u e . Conseguiu levar a paz àqueles bairros, não com métodos políticos ou ideológicos, mas com o método de Cristo. Assim falava aos seus missionários: “Não levem consigo nem ouro nem prata, mas somente um grande coração disponível a enfrentar todas as provas para a dilatação do Reino de Cristo”. “Não procurem ouro

Não

ou pedras preciosas ou marfim

v ã o a r m a d o s d e e s p a d a e d e

espingarda cruz de Cristo

Enfim “Conseguirão

Mas sim unicamente da ”

sem a força das armas, sem o poder das riquezas, sem a aliança com os poderosos, mas somente pela confiança em Deus que transporta as montanhas e opera maravilhas.

s e u s

missionários de saída para a China, assim São Guido viveu sua existência cristã.

A s s i m

e n s i n a v a

a o s

a vida de Eloisa: um milagre! A menina não chorava algo de grave estava acontecendo.
a vida de Eloisa: um milagre!
A menina não chorava algo de grave estava
acontecendo. O ginecologista verificou que a menina não
respirava, os batimentos cardíacos inexistentes. Massagens,
entubação, e respiração artificial. Os médicos falam
claramente de não ter mais esperança, de fato pedem à mãe
de rezar: Só um milagre pode salvar a menina. Sentenciam.
Inicia a intensa oração, com escalas pará
continuamente rezar o santo terço. Nestes momentos
dramáticos a mãe lembra que entre os seus pacientes se
encontra o pe. Lourenço Mattiussi, xaveriano. Consultado,
aconselha de batizar a menina sem mais, mas também de
iniciar uma novena ao bem-aventurado Guido Maria
Conforti, fundador de sua família missionária. Parentes,
amigos e uma comunidade de Jovens, que se inspiram à
espiritualidade do beato Guido Maria, iniciam a novena.No
quinto dia, enquanto o grupo estava rezando com a oração da
novena a menina abriu os olhos. No sétimo dia a criança
inicia a respirar sem instrumentos artificiais e ao correr do
nono dia, último da novena, a menina sai do UTI infantil.
A mãe, doutora Vânia Regina Steca, de Londrina,
(Paraná), nos escreveu uma longa e apaixonada carta com a
descrição pormenorizada do caso agradecendo a Deus Pai, a
seu filho Jesus Cristo, a Maria sua mãe e em especial modo o
santo fundador dos missionários xaverianos: São Guido
Maria Conforti.
“como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós” Cristo se revela realmente
“como o Pai Me enviou,
também Eu vos envio a vós”
Cristo se revela realmente a
salvação de todas as nações
(Jo 20,21)
O Crucificado nos chama e nos
convida a segui-lo para assumir
com ele a missão