Autora: JOELMA RODRIGUES, ufpe (email: joelma.rdg@gmail.

com) LITERATURA E GÊNERO HUMANO: CONTROVÉRSIAS A função da Literatura é ser humana. Usando a simbologia bíblica do livro de João , “no princípio era o verbo”, eu poderia dizer que o verbo da Literatura é o humano, demasiado humano; portanto, quando Sócrates diz lá no Fédon que “o poeta, para ser poeta, deve compor fábulas em vez de dissertações”(PLATÃO, 2004, p.140) ele já anuncia as atmosferas sob as quais a Literatura deve distender: movimento e criatividade. De modo contrário, se pensarmos o poeta como um provedor de argumentos - que é o caso das dissertações em cujo alicerce se encontra o tratado de idéias -, iremos cometer o assassínio criativo, porque é na fábula que a linguagem plástica pode ser saboreada e a linguagem do poeta é a linguagem plástica. Desde o início há muita sabedoria em Sócrates porque ele não restringe o humano das pessoas em contenções especializadas, sua visão ampla acerca da vida o faz entender que mais importante que definir e limitar uma coisa e outra é com ela misturar-se e aprender com seu processo comum; sabendo que nada sabe, o poeta Sócrates engaja-se à vida; ao invés de controlar, ele cria, manuseia, experimenta e pode até errar: faz parte do aprendizado. Esse humano que é amplo e que pode imputar erros no seu saber pequeno é, portanto, a argila que trabalha o oleiro chamado escritor. Sendo o humano o verbo da literatura, no entanto, pouco se tem aprendido com os próprios erros, porque nossa história literária ainda não sofreu a catarse de seu processo de aprendizagem. A Literatura, como a imagem icônica da Justiça, tem seus olhos vendados não porque tenha receio de incorrer no erro de julgar de forma desigual os pares que se apresentam como instrumento de julgamento, mas porque muitas vezes não consegue ver realmente – o que não deixa de ocorrer corriqueiramente com a Justiça. A Literatura e sua história não conseguem ver, ainda, o que deixaram para trás ou puseram “singelamente” de lado, porque ainda é este homem alienado do qual Sócrates reclama pensar que sabe o que não sabe:
Ao retirar-me, ia concluindo de mim para comigo: Mais sábio do que esse homem eu sou; é bem provável que nenhum de nós saiba nada de bom, mas ele supõe saber alguma coisa e não sabe, enquanto eu, se não sei, tampouco suponho saber. Parece que sou um nadinha mais sábio que ele exatamente em não supor que saiba o que não sei (PLATÃO, 2004, p.17).

Ora, se o humano é o verbo da Literatura, onde temos conjugado tanto humano que não é visto? Onde estão as mulheres, os negros, deficientes físicos, portadores de necessidades especiais, homossexuais? Paremos um pouco para refletir sobre alguns argumentos em torno dessas categorias humanas excluídas do ambiente literário ocidental. Se tivermos a curiosidade de pegarmos artigos e resenhas literárias, e, mais que isso, observarmos os debates empreendidos em sala de aula e demais espaços de discussão, haverá sempre a mesma refutação acerca dessa humanidade excluída a que me referi acima: Literatura não é militância. Exatamente no argumento de defesa mora o revés de sua contradição. Ora, se a Literatura não é militante, por que é tão sectária quanto aos seus tipos? Por que defende tão proficuamente os dissabores e deleites humanos em personagens brancos, cuja relação amorosa é heterossexual – quando não, é comumente tratada como

uma ocasião ou pretexto para um tipo específico do exercício formal” (EAGLETON. naquela em que são cercadas pela aranha e se tornam sua presa: imóvel e sem esperança. e isto é verdade. quando seus olhos só enxergam sob um mesmo prisma eles não só escrevem o que vêem. Negando. poetas e críticos caem na pior parte dessa teia. a ideologia como substrato de qualquer mensagem e formação de um texto literário. que se relacionam de alguma forma com a manutenção e reprodução do poder social” (EAGLETON. são anormais e instrumentos patológicos do destino. é uma negação de si mesmo: “Não entendo por “ideologia” apenas as crenças que têm raízes profundas. é feito de forma bastante incipiente na Literatura: o Cinema: especialmente destacando as produções mais recentes. mais particularmente. E por quê? Porque temos medo de nos tornarmos “ideólogos”. embora procuremos sedimentá-lo sob os mesmos alicerces: o padrão prevalecente. a preocupação da Literatura? Eis a resposta simples que se dá. É interessante se pensarmos que esse “normal” há muito vem sendo questionado por outras instâncias das artes e ciências humanas. como sendo os modos de sentir. considero-a. mas contribuem para o estabelecimento prevalecente desse conteúdo. A meu ver. 2) Psicologia: com a gestalt-terapia há o destronamento do sujeito racional e formalizado pelos padrões sociais. nem mesmo dos cânones literários. pois. e ideologia. nem quando cria sobre outros padrões de existência. De forma concreta temos trabalhos publicados como as histórias das mulheres. escritores. p. e. Garota Interrompida. para uma pergunta bastante complexa: a preocupação da Literatura é a linguagem. p. É importante. p. é uma palavra que não deve ser dita. comungar com o estabelecido? De praxe. 3) História: temos a reescrita da própria História. há muito mais pedras nesse castelo.20-21). o escritor não deixa de fazer seu papel quando atenta para o uso poético da linguagem. 2003. “o historiador vive de passado”. haverá uma resposta: “isso não é a preocupação da Literatura”. “porque o escritor não tem a obrigação de quebrar a norma”: ouvimos muito esta frase! Eu pergunto então: devemos. se dá entre um homem e uma mulher. Na Literatura criamos tipos e personagens. Essa questão é tão séria quanto o assassínio que Édipo cometeu: ao tomar consciência do . ou como desvio social -. geralmente. 2003. E qual é. que. sobre eles. e. nesse contexto. a lição do poeta Sócrates sobre os poetas como construtores de fábulas para não esquecermos que essa plasticidade – uma plasticidade que atinge forma e conteúdo . deixam de cumprir seu destino sendo mutiladas pela negação. essenciais no processo de construção de uma poética. quando metidos num desequilíbrio mental. militante da normalidade e que Mary Russo tão simplesmente define: “O normal nada mais é do que o padrão prevalecente” (2000. ao contrário.04). temos filmes e documentários como A janela da alma VER QUEM FEZ. VER OUTROS. então. “a sociologia estuda o social” etc. dando-lhes o direito de aparecer e serem vistos. em Literatura. Meu pé esquerdo. dos jovens e da vida privada.um discorrer sigiloso que fica a cargo de quem o interpreta. e são muitas vezes inconscientes.não é uma dádiva de todos. passeamos restritivamente entre as envergaduras humanas. no entanto. pois.07). Imagino. perseguida ou não pela infidelidade. como por exemplo: “a psicologia estuda os doidos”. e. Se nós definirmos que a preocupação da Literatura é simplesmente a linguagem incorreremos no mesmo erro dos formalistas russos que transformaram o conteúdo literário numa “motivação” da forma. Dessa maneira. isto é ser militante. assim. isto é. A Literatura não é este pretexto formalizado em linguagem “estranha” e aversivo à linguagem cotidiana. perfeitamente aptos a andar e procriar. que as atmosferas do movimento e criatividade. perceber e acreditar. em última instância. avaliar. mas não é todo verdade: aí caímos na apreensão comum que se dá a vários campos de estudo.

porque o seu inimigo foi condenado à reclusão perpétua num hospício (FLAUBERT. pouco depois o soltaram. 1973. cega-se. Ele recomeçou. o fundo para o farmacêutico Homais (que é a figura) é o cego que ele não conseguira curar. quando aparecem. Era uma luta. na encosta do Bosque Guillaume. E por que a pergunta sobre a existência de um tipo de escrita recai sobre o feminino? Bem. no entanto. sempre existiram as chamadas “minorias sociais” em todos os tempos da história humana. Assim. reduzida ao mundo . grotesco: Alfredo Bosi o diz com relação à Inocência do escritor Visconde de Taunay: “Taunay sabia explorar na medida justa o cômico dos tipos como o naturalista alemão à cata de borboletas. (. Concretamente falando.alvo de seu ato e da conjuntura em que se meteu. num miserável enfermo com uma horrível chaga facial. mesmo quando ocupam o papel de figura: é o caso dO Mulato. o masculino: “não se pode ignorar que. prepara uma cilada para o cego: Durante seis meses consecutivos. a dois destinos: Ou de um destino trágico. em seguida à questão da existência ou não do gênero em Literatura. cegos. porque a escrita. em Madame Bovary. sem qualquer epíteto que a siga (masculina. foi o farmacêutico quem venceu. liam-se no Farol de Ruão notícias como esta: “Todas as pessoas que se dirigem para as férteis regiões da Picardia tem por certo reparado. gays. por assim dizer. Assim. a quem cabe apressar o desenlace. 2007). pela freqüência como aparecem nas obras literárias. Ou seja.. sociológicos e históricos a mulher foi excluída do mundo da escrita – só podendo introduzir seu nome na história européia. passa a tê-lo no momento em que revelamos essa inquietação com a pergunta que sempre se segue à primeira: existe uma escrita feminina? Raramente ouvi algum professor ou teórico literário questionar ambos os tipos de escrita. alternadamente (ou não). e por outras não. Os relatos mais remotos que temos de parte dessa minoria – cegos. são parte desse fundo ofuscado pela figura. que é o fundo. antropológicos. isenta e não militante? Outra questão muito debatida em Literatura e que é importante trazer para nosso contexto é a seguinte: a escrita tem gênero? Penso que. quase exclusivamente. parecem ter surgido no século passado. Afinal. Este. p. negros. ou o patético de algumas cenas perfeitas como a fuga do leproso para a mata e a morte solitária de Cirino” (2001. por motivos mitológicos. feminina. As minorias. Normalmente. o grotesco sombrio do anão Tico. através de arestas e frestas que conseguiu abrir através de seu aprendizado de ler e escrever em conventos” (LOBO. Afinal. por vezes involuntariamente. para estabelecer o controle.) Tanto fez que o internaram. se não o tem. prostitutas – encontram-se nas obras literárias como a relação de figura e fundo que encontramos na gestalt-terapia: a figura é aquilo que se torna “pregnante” para o sujeito imerso num ambiente.145). volta para a encosta de um bosque para desautorizar o farmacêutico junto aos viajantes que por ali passavam. tem como referência. Homais recomeçou também. transgênero). ato que cometemos em Literatura. em primeiro lugar. de fato. quando essas minorias aparecem nos textos literários são relegadas. de Aluísio Azevedo. este homem. vem essa outra sobre a escrita feminina. irregular.255). uma representante do “normalmente viável”. tomado de astúcia e desejo de vingança. p. ou de um ser destoante. anões e leprosos não podem ter uma vida social comum? Por que sempre têm de estar cercados de tragédias e situações burlescas? Esta é a Literatura imparcial. acredito que. com a pomada canastrã de Homais. e a figura é..

Política. de fato. a forma como escrevemos está ligada a algo muito mais amplo que o sexo. sendo poder exercido e em exercício. Em segundo lugar. Bons exemplos podem ser encontrados no ensaio A literatura de autoria feminina na América Latina. a harmonia. o martírio materno etc. a composição biológica e sua relação com o mundo e todo o seu complexo. Molière. a abnegação. um homem que tanto foge da perfídia de um coração feminino que acaba maculado por ele (em sua pobre inocência!): assim diz o personagem Arnolfo à sua futura esposa Inês: A condição de esposa traz deveres austeros. antes de tudo. só para ter a liberdade de escrever e estudar na sua cela no Convento das Dominicanas. a forma que iremos escrever e os conteúdos que criaremos – nem mesmo a forma como sou mulher ou homem é determinada por um complexo biológico. mas. Desde Homero a mulher causa destruição e engano – não foi assim com Helena de Tróia? Passeando pelos maiores escritores que a história literária já conheceu. Basta olharmos para a história literária secular. não deixando-se absorver tão somente como mão-de-obra doméstica e não remunerada e/ou máquina reprodutora. o desprendimento. quando falamos de uma escrita feminina. educação. política) é masculino. Seu sexo nasceu pra dependência. a criação dos filhos. na figura de seu protagonista. isto inclui. 4) Os ambientes narrativos: o espaço doméstico. eu responderia numa linguagem jurídica que existe gênero na escrita. a espera de um amor perfeito. em primeiro lugar que não existe um gene que determina. mas não de direito. Religião. também. que é. A onipotência é para quem tem barba. veremos sempre a sombra ou figura encarnada da Eva que obrigou Adão a comer o fruto do pecado. século XVII que “precisou declinar da possibilidade de um casamento ou do trabalho de dama de companhia da corte do vice-reinado. a mulher procurou criar seu espaço de inteligência.” Em segundo lugar porque o mundo externo (cultura. as duas partes não são nada iguais. e não homens que escrevem! – que se concretiza em narrativas com as seguintes características: 1) Psicológicas e emotivas: bem longe da precisão e exaustão laboriosa de um Flaubert. no que seguem a proteção. Ainda que sejamos duas partes de um mesmo todo. mas também enquanto sujeito da cultura e do pensamento. de Luiza Lobo: é o caso da freira mexicana Sóror Juana Inês de la Cruz.privado. é que estabelece minha forma de ser mulher ou homem. os segredos sexuais. debatendo sobre a mesma questão da existência ou não de gênero em literatura. que. não quer deixar de sê-lo. a escrita feminina é reconhecida nesses âmbitos. não pretendo erguê-la a essa posição para deixá-la livre aproveitando a vida. 3) Valores tradicionalmente femininos: os textos de escrita feminina são também conhecidos por serem mais intimistas e elaborarem em seus enredos valores tomados como femininos. e por conseqüência. o estereótipo. Depois. Grosso modo. há sempre piadinhas e fórmulas para precaver-se da lascívia feminina. da casa ao convento. referimo-nos diretamente à forma e estilo usados pela mulher que é escritora – o gênero feminino é posto em evidência. de outra forma. o romantismo. Moral. De outra maneira. ao nascermos homens ou mulheres. Portanto. essa repetição estabelecida socialmente pela Cultura. 2) A mulher tem papel de destaque: em textos onde a mulher ganha espaço. Uma . não só como personagem coadjuvante e errante. por exemplo. esses papéis definidos dão o tom de sua separação. nosso olhar não deixa de ser fragmentado na própria construção da experiência literária. trabalho. é claro. enquanto os homens são só escritores. em Escola de Mulheres faz correntemente. lazer. desempenhando papel de destaque e honradez. Ou seja. O que eu quero dizer com este trocadilho? Bem.

92) Assim. publica um livro com temática homossexual. como já revelei no início da argumentação. que ultrapassaram de fato suas escritas masculinas ou femininas para expressarem a humanidade: Machado de Assis. tem que submeter-se à outra.41). e mal conseguem ver – se é que querem fazê-lo – que transportam como verdade. categoricamente. Para quem acha os chifres a suprema vergonha. E a resposta é sim. Henry James. à docilidade. como muitos escritores o são. Aquela frase axiomática que aprendemos logo nos primeiros riscados da hermenêutica literária quando abordamos acerca do que seja literatura. não há por que questionar: . mas não tantos. só passamos a perguntar se tal autor é ou não gay se ele. subjaz o preconceito. subalterna. culturalistas. Assim. seria apenas uma coincidência a maneira como os escritores criam suas personagens femininas. conclui o outro personagem. Não é uma coincidência.é suprema. Clarice Lispector. há muitos. 1996. igualmente não muitos. um axioma. Não de direito. seu interesse ou preferência sexual pode recair sobre os temas que escolhe. Shakespeare. Há muitos escritores considerados “grandes” que não expressaram “os sentimentos universais da humanidade”. em tudo. mesmo nessa discussão impertinente. chamo isso de erro porque o direito da literatura é a expressão do seu verbo. Virgínia Woolf. A obediência que o soldado bem disciplinado deve a quem comanda. como uma lente fotográfica que em perspectiva faz ocupar seu maior espaço enquadrado numa apologética imagem. contudo. que o criado demonstra ao seu patrão. Da mesma forma que a relação de gênero na escrita se faz a partir do prevalecente. humano. ainda bastante singulares. não pode nem sequer se comparar à obediência. definitivamente. senhor e dono! (MOLIÈRE. em que diz “a grande literatura expressa os sentimentos universais da humanidade”. Dostoiévski. 1996. p. questões balizadas sobre biografismos sexuais – outra fofoca correntemente velada. E. chefe. isto é. mas disto dependerá seu talento em ser “grande” e não excludente. a desigualdade de papéis sexuais é bem patente. com qualquer outro autor. Contudo. quando não vemos o “desvio”. não casar é a única maneira de estar bem seguro. seu amigo. formalistas e tantos mais –istas. e estes realmente podem ser considerados grandes. entre outros. se tal escritor é ou não gay. incorremos nesse erro. que é o humano. é. no mundo. por nome Crisaldo: “Arnolfo. a sorte é sua. o comportamento masculino dominante. mas de fato. Os militantes disfarçados apontam com um enorme dedo indicador para as “literaturas tendenciosas” feministas. que comanda. de repente. e a referência é sempre o sujeito dominante. pós-modernistas. p. Uma. ofuscado e só raramente perpetrado em escritas sui generis. excessivamente lascivas e incontidas. a imagem dos sexos socializados ofusca-se e permanece fragmentada: o homem escreve sob a perspectiva masculina. mas falada entre corredores acadêmicos . Fora do mundo dos grandes. Guimarães Rosa. estruturalistas. Na outra ponta. e isto se reflete na escrita e seus conteúdos: uma realidade que não quer ser enxergada pelos édipos voluntários. não fique triste não. e a mulher sob a perspectiva feminina. um frade a seus superiores. à humildade e ao profundo respeito que a mulher tem que ter pelo marido. a criança a seu pai. por demais estereotipadas em criaturas mentalmente desequilibradas. entre outros. e.ou seja. outra. também questionamos aqui o desvio. tem tanta importância quanto o já discutido acima.”(MOLIÈRE. traído pela “ingenuidade” confiada à futura esposa. para suas literaturas “isentas” e “literárias”. Proust. no Brasil. ainda está aí. intelectualmente inferiores? A resposta é não. Muita coisa acontece até Arnolfo ver-se em maus lençóis.

segundo. Quanto menos dialogarmos com o outro. 38ª.A. 2001. Millôr Fernandes.ed. 2003. O fato é que esses acirramentos humanos.tripod.html. utopicamente. Jaime Bruna. a literatura feminista. Trad. porém. Luiza. 5ª. A literatura de autoria feminina na América Latina. Tal expressão literária. São Paulo: Cultrix. a literatura gay etc. PLATÃO. quando as relações entre os sexos se tornarem dialógicas – e isto nas suas mais diversas manifestações e possibilidades. muitos já levantaram suas próprias bandeiras. Terry. História concisa da literatura brasileira. 2000. Disponível em: http://members. LOBO. Waltensir Dutra. A meu ver. Mary. da Literatura. Gustave. e não mais desiguais. 2004. vício de linguagem. isenção que ecoa silenciosamente na terminação da frase com as palavras “isentos como nós somos”. E se esta reflexão é apenas um devaneio absurdo de minha parte. sendo vista em alguns escritores que tornam esse diálogo possível. MOLIÈRE. retratos da partição social. não é impossível. excesso e modernidade. 1996. Alfredo. Rio de Janeiro: Paz e Terra. o diferente de mim. Círculo do livro S. O grotesco feminino: risco. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BOSI. Diálogos. Teoria da literatura: uma introdução. desaguados em questões teórico-literárias usadas acima como exemplo.ed. RUSSO. São Paulo: Cultrix.inexiste. Rio de Janeiro: Rocco. neste caso. no caso específico. quando forem. São Paulo: Martins Fontes. antes de tudo. não menos justas. Porque não se vêem retratados na Literatura. mais dividiremos nossos espaços em bandeiras individuais. acesso em 25/05/2007. há somente duas possibilidades de não impetrarmos aos guetos a via de expressão literária das minorias: primeiro. O não reconhecimento do outro transparece na forma de divisões literárias que são. Madame Bovary. As minorias não se reconhecem aqui .pelo menos não nesta realizada até os dias de hoje. FLAUBERT.com/~lfilipe/LLobo. demonstram que a divisão dos papéis e funções sexuais interferem nas produções intelectuais. EAGLETON. a esses dei o nome de grandes. por exemplo. embora esteja bastante longe da realidade. 1973. a literatura do negro. igualitárias. Trad. Trad. por que alguns professores e alunos – como testemunhei várias vezes ao longo de minha formação acadêmica (graduação e pós-graduação) – regozijam-se em lembrar que “tal” teórico é gay.. “aquela” outra lésbica e por isso não conseguem ser “isentas(os)”. . Escola de mulheres.

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