O texto disponibilizado abaixo, foi originalmente publicado no livro "Projeto Ergonômico de Salas de Controle" editado pela Fundação Mapfré

do Brasil e é de autoria da Dra. Venétia Santos e da Dra. Maria Cristina Zamberlan que gentilmente permitiram a sua publicação neste espaço. CONFIGURAÇÃO DAS TELAS Segundo DE KEYSER (1980), seis fatores devem ser respeitados para se chegar a uma boa configuração da tela. A lógica da seqüência - Respeitar a lógica do operador na atividade que será cumprida e não impor a lógica rígida do programa. O espaço - Prever espaços e pontos de referência para reagrupar as informações em unidades de informação, aumentando a quantidade de informação tratada na unidade de tempo. O congestionamento de informações na diagramação da tela implicará em erros. A pertinência da informação retida - Uma das causas do congestionamento é o desejo do projetista em querer colocar tudo na tela. O objetivo é o de reduzir a informação ao que é pertinente ao sujeito e à tarefa exercida. A consistência - Trata-se da coerência interna das representações utilizadas no interior de cada tela e entre as telas. O agrupamento - Trata do agrupamento sobre a tela dos itens e dados em inter-relação. A simplicidade - As telas devem ser simplificadas ao máximo. Isto não significa dizer que elas não podem ter um nível alto de complexidade ou de detalhes, mas somente quando a tarefa exige. Pode ser útil prever uma estruturação de formatos, indo do mais geral e simplificado ao mais detalhado. Segundo DANIELLOU (1987), na configuração das telas deve-se respeitar regras. Regra 1 - Adaptação às características da população. Regra 2 - Ligação da informação com ação: os comandos e informações relativos a uma mesma manobra devem estar próximos. Regra 3 - Verificação: o agrupamento das informações deve favorecer o diagnóstico, quer dizer, facilitar a identificação das configurações significativas. Regra 4 - Evidenciar a informação: as informações mais importantes para a segurança e as informações mais consultadas devem se encontrar nas zonas freqüentemente percorridas pelos olhos na tela (quarto superior esquerdo, se a tela contém numerosas informações e, na parte central, se a tela não tem muitas informações). Regra 5 - Regra de homogeneidade:    as convenções utilizadas devem ser as mesmas para os dispositivos equivalentes; mesma estratégia de exploração visual; mesma graduação para todos os registradores, correspondendo a mesma mínima e máxima;

. Os grupos de dados devem ser espaçados de. A tecla de assistência (HELP) deve apresentar as regras do diálogo para uma fase particular. se não tiverem uma ordem natural. se for uma série de dez unidades. devem vir complementadas com ações passíveis de serem realizadas. Os códigos devem estar próximos da linguagem natural. o equivalente a um caracter. e os títulos sublinhados em negrito ou em maiúsculas. por acaso. no mínimo. deverá ser em blocos de três ou quatro unidades cada um. devem ser fixados da esquerda para a direita e do alto para baixo. no mínimo. Quando as mensagens com erro são apresentadas. a nível de tela (página). mesmas abreviações. A apresentação de cinco ou mais números. os dados de tabelas não devem se estender horizontalmente por mais de uma página (tela). Quando o programa efetua uma interpretação de uma instrução dada pelo usuário ele deve indicar esse fato e solicitar a validação. 3 (por exemplo: A62 4156 317). Quando a operação de um cálculo exigir um tempo de resolução superior a dez segundos. as colunas deverão ter uma apresentação idêntica em cada página. Os dados apresentados em quadros ou tabelas. se compor de grupos distintos de 3. na tela deverá aparecer a informação da etapa em que se encontra o cálculo. Diálogo com o Computador A utilização de códigos necessita de uma memorização complexa. Logo que um erro é detectado. os parágrafos devem ser separados por um espaço de. também é necessária para os dados.  mesmo sentido de variação. A estruturação necessária. Diagramação dos Dados na Tela A informação deve ser repartida em grupos. 4. Deve-se poder corrigir erros ou interromper a execução de um procedimento/ comandado incorreto. também. impõe uma memorização importante e torna difícil a constituição da representação do estado da unidade. o que é fonte de fadiga visual. se estenderem sobre mais de uma página (tela) na vertical. então a estrutura de apresentação deverá. o programa deve repor o diálogo da fase na qual o erro foi detectado. se. Deve-se detectar as ligações funcionais entre as informações. Se essa divisão for mal feita os usuários terão que trocar várias telas durante a resolução de um problema. Divisão das Informações na Tela A divisão das informações por telas é fundamental. para permitir ao usuário associar ou comparar classes de informações similares. uma linha.

mas aumenta a precisão das respostas. Os dados numéricos a serem examinados e comparados deverão ser apresentados sob forma gráfica ou de tabela. O menu deve facilitar a aprendizagem quando for necessário (passos detalhados para acesso e mudança de informações). O número ótimo de alternativas por página se situa entre 4 e 8.   as três primeiras consoantes. são executados mais rapidamente que a entrada dos caracteres. os dados alfanuméricos deverão ser justificados à esquerda. segundo sucessão da utilização no tempo).  Comandos por funções são recomendados em número limitado. fazer corresponder à organização espacial às funções de comandos (colocar os comandos da esquerda à direita. O número de letras deve ser inferior a três caracteres.  Comandos muito numerosos podem ter duas soluções (não exclusivas): combinar comandos funcionais por menu e por linguagem semi natural.  Facilitar a memorização dos comandos na tela/teclado através de sua organização funcional e espacial: utilização das cores para identificar comandos perigosos. A combinação das duas formas provoca uma diminuição da rapidez de leitura.As listagens devem ser alinhadas verticalmente e justificadas à esquerda.  Formatar de modo a minimizar os movimentos para posicionamento do cursor. se os itens do menu forem curtos. . mas deve possibilitar "queimar" etapas da seqüência de menus que são apresentados para o usuário experiente (preferência por linguagem de comando):  Dar flexibilidade de acesso por menu ou comando. O tamanho de um menu de cerca de trezentos caracteres é considerável aceitável. podem ser reagrupados em duas colunas. reagrupar comandos relacionados com o mesmo tipo de funcionalidade. utilizar apenas uma das regras acima para todos os comandos. os dados numéricos (sem decimais) à direita. Linguagem de Comando As abreviações devem conter o mínimo de letras possíveis e serem semanticamente significativas. se forem apresentadas sob forma de tabelas. escolhidos segundo as regras:  as três primeiras letras do nome que designa o comando.

azul Vermelho esverdeado. azul Vermelho esverdeado. utilizando os dois tipos de telas.  A organização por funcionalidade é mais eficaz se os comandos utilizados seqüencialmente são justapostos em blocos. entretanto. sendo maior a luminância da tela com contraste positivo. azul Amarelo Magenta. especialmente as mais idosas. Segundo esses autores. amarelo = texto).reagrupar os comandos por funcionalidade (por exemplo: comandos perigosos são isolados e as cores são associadas às funções: azul = documento. azul esverdeado Azul Branco. Fonte: ITSEMAP. Combinação de Cores para Caracteres e Fundo Cor de Fundo Cor do Caracter Utilizar Evitar Branco Magenta. já que as diferenças entre luminâncias são menores entre objetos e entre manuscritos e tela. alcançando uma maior profundidade de foco. verde Verde Amarelo. 1990. ZWAHLEN (1986) e BAUER (1986). azul Magenta.. o diâmetro da pupila do operador fecha e fica menor. deve-se observar. focar as trocas de objetos. Vários experimentos sobre visibilidade. vermelho. O desgaste com a adaptação dos olhos é menor. de maneira a serem acionados sem deslocamento da mão nem necessitar de um processo de busca visual. e os reflexos na tela perturbam menos o operador. . INTRODUÇÃO DE CORES NAS TELAS Escolha de Telas com Contraste Positivo ou Negativo Existem dois tipos de tela: as telas com contraste negativo (de fundo escuro e caracteres claros) e as telas com contraste positivo (de fundo claro e caracteres escuros). Segundo CHARNESS (1985). que como na tela com contraste positivo a cintilação da imagem é mais facilmente percebida pelos olhos.   Duração das operações é mais curta quando os ícones são funcionais. portanto. sendo mais fácil. branco Azul esverdeado. verde Vermelho Branco. branco. Esses facilitam a aquisição do modelo mental da estrutura do sistema informatizado e substituem uma frase com maior eficiência. Segundo KANAYA (1990). amarelo. verde Azul esverdeado Vermelho. azul Verde. a freqüência de cintilação tem que ser maior do que na tela com contraste negativo. Amarelo verde. vermelho Branco. foram realizados por KUCHUE et alli (1986). azul. porque a nitidez da visão é obtida pela contração da pupila por pessoas que necessitam de lentes corretivas. azul Eficiência visual segundo as cores dos caracteres nas telas. amarelo Magenta Azul. o diâmetro da pupila é um dos mais importantes índices fisiológicos.

o tempo durante o qual a intensidade luminosa caia de 1 a 37% do valor inicial. A persistência do fósforo é classificada: em baixa. ele começa a desaparecer a uma velocidade que depende da persistência do fósforo. utilizando uma trama entrelaçada combinando com os fósforos de persistência média. ou seja. Ainda que essa classificação seja arbitrária. média e alta persistência. Persistência e Cintilação da Imagem Segundo CAKIR (1980). O ritmo de renovação do fósforo é a freqüência com a qual cada parte da superfície do tubo é novamente iluminada pelos feixes de elétrons. o período de fosforescência não dura mais que 1 milisegundo. Isto não só distrai a atenção mas pode perturbar a visão do usuário.   O uso do contraste positivo das telas é cada vez mais freqüente. sendo o caso de terminais alfanuméricos. o caracter deve ser constantemente regenerado. O autor mostrou a relação entre as freqüências mínimas. Essa freqüência é indispensável para evitar a percepção da cintilação e depende da remanescência do fósforo. se a imagem não é suficientemente regenerada ela parecerá piscar. Em relação a cintilação da tela positiva. Os fósforos de média remanescência. Ao contrário. Para os fósforos de baixa persistência. que não proporcionam cintilação. Para manter a imagem visível na tela. do tempo que o fósforo permanecerá luminoso após a excitação do feixe de elétrons. logo que um caracter é projetado na tela de um tubo catódico. . para que a cintilação não possa ser percebida na tela. Pode-se obter uma imagem estável de três maneiras:  utilizando um fósforo de alta persistência. quer dizer.Explicaremos melhor esse mecanismo no item a seguir. Utiliza-se fósforos de baixa e média persistência quando a imagem é estática. os receptores de televisão tem obrigatoriedade de usar fósforos de baixa persistência para permitir a mobilidade da imagem na tela. 2 segundos e os fósforos de alta remanescência muitos segundos. a persistência pode ser descrita como uma constante de tempo do fósforo. utilizando um fósforo de baixa ou média persistência com uma freqüência de refrescamento elevada de ordem de 50 a 60 Hz. e a luminância da tela. média e alta. quando as características do fósforo são de baixa. OHTAKE et alli (1985) conduziu um experimento para determinar o limite mínimo da freqüência da tela. utilizando uma freqüência de refrescamento baixa.

como vermelho ou verde. do escuro ao alto brilho. Um objeto que se distingue do seu fundo a partir da luminosidade. bem como. tal como o preto ou o cinza. de alguma maneira. ser diferente do fundo. pelo menos. meio através do qual a luz percorre. a diferenciação entre figuras e o seu fundo. bem como. tem uma cor acromática. vermelho e verde. A forma como os indivíduos percebem as cores resulta de.  A experiência prévia do indivíduo com o objeto ou sensação. tem uma cor cromática. segundo MURCH (1987). As propriedades dos entornos do objeto. ele vem sendo efetivamente estendido às cores denominadas neutras (preto. da diferença de luminosidade. ou a partir das duas coisas. As figuras podem ser percebidas somente a partir das diferenças de matizes. Os fósforos são compostos que emitem luz quando bombardeados por elétrons. de forma que possa ser discriminada dele. Tanto telas de computadores. Embora o termo cor seja geralmente utilizado para descrever atributos como. As cores cromáticas e acromáticas podem também apresentar vários níveis de brilho.  As características de transmissão das células receptoras e dos centros neutros. formas que são diferenciadas do fundo a partir de cores. a superfície de uma tela colorida é formada de centenas de pequenos pontos de fósforo. a distância percorrida através do meio. Percepção da cor cromática Segundo MURCH (1987). linhas.   As condições biomecânicas dos olhos e do sistema visual no momento do estímulo. O estímulo que permite a formação da percepção contêm contornos e limites criados pelas diferenças de luminosidade. em uma definição simples. Um objeto que possui um matiz específico. quanto as cópias impressas contém figuras. por exemplo. .   As propriedades da fonte luminosa que ilumina o objeto. As diferenças das cores provêm meios para essa discriminação entre figura e fundo: os contornos externos dos objetos. sete fatores:  As características físicas do próprio objeto e a capacidade de refletir e absorver certos comprimentos de onda da luz. os contornos internos são como margens delimitadas pelas diferenças de cores. brilho e matiz. As imagens geradas pelos computadores também funcionam assim. margens. é. A quantidade de luz emitida depende da energia do feixe de elétrons. cinza etc). Isso significa que a figura deve.As Cores A cor e o computador A percepção.

esses três fatores são determinados por características do hardware. Na medida que os comprimentos de ondas das cores apresentadas na tela se diferenciam. se reduz principalmente nos campos pequenos. por exemplo. Para apresentar um objeto vermelho na tela. a capacidade de discriminação se torna mais apurada. pureza e luminância. . os vermelhos. bem como. os verdes. Para uma boa discriminação das imagens. das características do seu entorno. Objetos verdes e azuis são apresentados na tela num processo semelhante a esse. Em geral. figuras com tamanhos menores do que 15 minutos de arco visual ficam prejudicadas com relação a percepção de cor e discriminação. O aumento na pureza das cores apresentadas na tela maximiza a sua percepção. Diferenciação das cores nas telas Segundo SILVERSTEIN (1987). particularmente dentro da faixa entre azuis e amarelos. Mudanças na luminância de uma imagem em cores. As imagens coloridas tendem a ser percebidas como acromáticas a níveis ou muito baixos ou muito altos de luminância. Os principais fatores que influenciam a discriminação de cores na tela são: comprimento de onda. com um fósforo emitindo comprimentos de ondas luminosas longos. e o terceiro emitindo comprimentos de ondas luminosas curtos.Os fósforos são distribuídos na tela em grupos de três (tríade). Tamanho do campo colorido O tamanho do campo colorido é muito importante na percepção da cor. acarretam mudanças na percepção de sua cor e saturação. A pureza da cor se comporta de forma semelhante. deve ser considerado como campo mínimo 20 minutos de arco. na faixa entre os amarelos e azuis. os azuis. a qualidade da informação codificada por cores numa tela depende da efetiva diferenciação entre as cores. a partir dos quais a percepção acromática começa a cair. A habilidade de discriminação entre cores. depende do tamanho da imagem. O aumento da luminância da cor no display ou o aumento do seu brilho geralmente resulta na melhoria da percepção e discriminação da cor. todos os fósforos vermelhos que formam o contorno e o interior do objeto são estimulados a emitir luz. Também os níveis. outro emitindo comprimentos de ondas luminosas médios.

Adaptação do nível de brilho O nível de adaptação ao brilho. 1978. Na medida em que se aumenta o número de cores. quando as cores forem utilizadas com o propósito de codificar informações (HAEUSING. Símbolos coloridos apresentados num fundo claro são percebidos como mais saturados do que os mesmos símbolos coloridos apresentados num fundo escuro (FARREL & BAOTH. tanto uma quanto outra. capazes de perceberem e diferenciarem as cores. é limitada numa área de 1 a 2 graus do ângulo visual e contém somente receptores cones. KINNEY. 1975. 1974). KREBS et alli. A figura a seguir mostra a distribuição dos receptores cones e dos receptores bastonetes na retina. 1979). PITT & WINTER. Fundo da tela Os efeitos do fundo da tela estão relacionados ao nível de adaptação do observador e ao contraste de luminância da tela em questão. diminuem em número na periferia da retina. requerendo um controle das cores mais rígido (KREBS et alli. e pioram. 1979. Observa-se que a densidade de receptores cones. por parte do observador da tela do computador. Localização do estímulo da cor A região da retina atingida por meio do estímulo visual afeta profundamente a percepção das cores (HURVICH. varia em função da luminância da imagem na tela. 1978. KINNEY. 1981. da luminância do fundo da tela e da luminância do campo visual em torno da tela. Se a adaptação do observador é o resultado da luminância emitida e refletida pela tela. TEICHNER. SILVERSTEIN & MERRIFIELD. Sendo assim. A percepção das cores e a acuidade visual são maiores na fóvea. 1985). 1979). SILVERSTEIN & MERRIFIELD. A área de visualização direta. Recomenda-se o uso de três a sete cores numa mesma tela. a fóvea. 1981 e 1985. na medida em que o que deve ser visualizado se afasta dessa região central. A capacidade de discriminação de cores aumenta na medida em que a luminância do ambiente e da imagem aumentam sincronizadamente. Número de cores na tela O número de cores usadas para codificar informações afeta profundamente a discriminação das cores (SEMPLE et alli. . a percepção da cor aumentará na medida que o nível de adaptação aumenta. O aumento da sensibilidade cromática resultante de um entorno luminoso geralmente facilita a discriminação da cor. 1971). o aumento do número de cores afeta o hardware em termos da capacidade de produção de cores e da estabilidade das cores produzidas. a discriminação se torna mais difícil. 1976.

seguida por um declínio gradual que se acentua em torno dos 65 anos (BURNHAM et alli. Fadiga visual Atividades que demandem a visualização de uma tela em cores. 1981). é determinante na distinção de cores em telas. Demanda de desempenho O tipo de desempenho de discriminação de cor. o livro ou a linha de montagem é semelhante. KINNEY. O número de cores discrimináveis e a exatidão e confiabilidade dos julgamentos de cor são consideravelmente maiores em situações comparativas do que em situações que requeiram um julgamento absoluto e individual da cor (HAEUSING. SILVERSTEIN & MERRIFIELD. 1981. 1978). As figuras a seguir mostram os resultados de um estudo de KINNEY (1979). aproximadamente. na medida em que ela seja bem projetada. O tipo de desempenho requerido é determinado pelo tipo de aplicação da tela e pelo método de codificação de cor empregado. Mudanças na pigmentação ocular. Quando a demanda for a discriminação comparativa. 1963). Essa diferença básica de desempenho se mantém independentemente do tipo de figura. na medida que se requeira o julgamento absoluto da cor. que ilustra a deterioração do julgamento de cores (vermelho. numa faixa entre 10 e 15 graus na periferia visual da fóvea. com o aumento da idade e a redução progressiva de tansmissão nos meios oculares. amarelo). Os resultados dos gráficos indicam que a cor pode ser efetivamente usada para codificar os displays. sejam superfícies coloridas.As zonas de percepção das cores na retina não são simétricas: a sensibilidade ao azul e amarelo abrange mais a periferia visual da retina do que a sensibilidade ao vermelho e verde (HURVICH. A discriminação absoluta de cor envolve o reconhecimento e a identificação de amostras de cor individualmente. demandado ao observador. 1979). Para telas em cores utilizadas em meios operacionais. 1976. esse número pode ser elevado a seis ou sete cores. A discriminação comparativa ou relativa requer a detecção de diferenças simultaneamente apresentadas em amostras de cores. pode ser usado um repertório de três ou quatro cores. . Características visuais da população usuária O último fator a ser considerado são as características da população usuária. (HAEUSING. KREBS et alli. resultam numa diminuição da sensibilidade ao contraste e há perdas especialmente na sensibilidade à luz em Comprimentos de onda curtos. sinais luminosos ou imagens geradas em telas de computadores. A distância dos olhos até a tela. 1976. A boa discriminação das cores se mantém até. verde. azul. os 25 anos. acarretarão um esforço visual semelhante à leitura de um livro ou ao trabalho numa linha de montagem onde tenham que ser observados detalhes. e geralmente se dá em condições visuais também semelhantes. que ocorre para um grau de estímulo à cor localizado em vários graus de excentricidade a partir da fóvea. A visão das cores varia em função da idade do observador.

A fadiga induzida pela tarefa é. A fadiga visual pode ser definida como um efeito funcional. ou como a perda temporária da capacidade de resposta ou reação devido a uma estimulação contínua. quando se executa uma atividade monótona. O termo "fadiga" pode ser definido como a saturação de um organismo devido ao esforço. alteração das cores dos objetos. As funções geralmente vulneráveis aos efeitos da fadiga são o sistema focal dos olhos. Dirigir por longos períodos de tempo em condições visuais inadequadas. Pesquisas acerca da fadiga visual indicam que ela pode ser aguda ou induzida pela tarefa. não são atenuados pelo repouso. por um longo período. excessiva ou difícil dos músculos oculares com o objetivo de manter o foco visual apurado. decorrente da contração prolongada. Pode ser caracterizada como aguda. . fisiológico e rapidamente reversível. o que pode ser rapidamente revertido por uma mudança de atividade de trabalho. embora alguns dos sintomas da fadiga visual possam ser decorrentes dos esforços perceptivos.Segundo SMITH (1987). confusão de imagens e visão dupla. Isso indica que ela pode ser causada pelo trabalho dos músculos oculares ou pela redução da capacidade mental. numa estrada com neblina à noite. crônica ou induzida pela tarefa. A fadiga ocorre. Os sintomas dessa fadiga são nitidez anormal devido a incapacidade de manter o foco e a fixação do olhar. a fadiga visual pode se manifestar pelo desempenho. Entretanto. ler um livro durante mais de três horas. e pode ser atenuada por meio de repouso. A fadiga perceptiva pode ocorrer acompanhada ou não da fadiga muscular dos olhos. a sensibilidade retiniana. enquanto a fadiga perceptiva resulta de esforços prolongados de interpretação de imagens visuais. A fadiga crônica implica em fenômenos fisiológicos que são cumulativos e. Esses sintomas parecem também ocorrer quando nos ocupamos em algumas atividades por longos períodos de tempo. por exemplo. Não dormir por vários dias. tal como. por fatores subjetivos ou por mudanças a nível fisiológico. em condições tais como:     Visualizar objetos próximos. em alguns casos. produzida ou induzida pelo trabalho numa tarefa específica. temporariamente. a fadiga visual vem sendo entendida por muitos pesquisadores como sendo uma combinação entre a fadiga dos músculos oculares e a fadiga perceptiva. turvamento e embaçamento da visão. Os sintomas da fadiga visual variam de acordo com as características pessoais. Visualizar e discriminar imagens pouco nítidas por longos períodos. A primeira se refere a movimentação dos olhos (sistemas de fixação e de focalização). cujos primeiros efeitos são a nível muscular. A fadiga aguda é caracterizada pelos sintomas produzidos pelas atividades fatigantes de trabalho de curta duração. tal como. a recepção e a percepção das imagens visuais no cérebro e a eficiência muscular de controle de movimentação e fixação do olhar.

A dor de cabeça pode ser atribuída às condições de visualização da tela do computador. 1981). cores altamente saturadas para a codificação das informações (BEYER. decorrente da rigidez da posição do pescoço. preferiam telas em cores para o comando de aviões e selecionavam. ou não. Os músculos posteriores do pescoço podem estar comprimindo os nervos que se irradiam para a cabeça.O conceito de fadiga mental cognitiva é. entretanto. apesar de não se poder mensurar essa melhoria de desempenho. as telas em cores eram de uso mais natural e aumentavam sua capacidade de detecção de detalhes. cinco pesquisas. com ambiente físico adequado e condições administrativas de trabalho satisfatórias. produzir vantagens significativas de desempenho em relação a uma tela monocromática. mas pode. até o presente momento. para eles. Segundo SILVERSTEIN (1987). os usuários tendem a preferir o uso de telas cromáticas ao invés de telas monocromáticas. as queixas acerca do estresse visual se reduzem significativamente. Estudos realizados com pilotos indicaram que eles. Alguns dos indicadores da fadiga mental são a fusão e tremulação críticas de visão. Segundo esses operadores o uso de telas em cores era menos monótono e proporcionava menos fadiga mental e visual. um indivíduo pode estar exposto à fadiga postural devido ao trabalho estático dos músculos. outras formas de fadiga ou estresse são confundidas com a fadiga visual. levando à má postura e à compressão dos músculos do pescoço. ser decorrente da posição relativa da cadeira. que levaram em conta índices subjetivos de preferência e respostas a questionários. Segundo CHRIST (1975). A fadiga visual pode ser medida por meio da avaliação dos mesmos índices da fadiga mental. a preferência dos operadores pelo uso de telas em cores para a codificação das informações deve ser considerada como um critério válido no momento de decisão de usá-las ou não. confundido com o da fadiga visual. 1971. se sentiam mais seguros com a codificação por cores. o índice de piscamento dos olhos e o diâmetro da pupila. Em muitos casos. sistematicamente. Quando os usuários dos terminais dispõem de mobiliário ajustável e bem projetado. muitas questões acerca do impacto do uso das telas em cores ainda permanecem sem resposta. Os operadores sob estudo. nessas cinco pesquisas. Entretanto. Por exemplo. . SILVERSTEIN & MERRIFIELD. Conseqüências do uso de telas em cores sobre o operador A informação obtida por meio de telas em cores pode. causando dores de cabeça. indicavam uma forte tendência ao uso de telas em cores. na medida em que. uma vez projetada. mas. também. de fato.