Você está na página 1de 27

Alteração das Propriedades da Água pela

Ação de Campos Magnéticos

Disciplina: Tópicos de Física da Matéria Condensada I

Aluno: Marco Antonio Barboza

RA 930364

As discussões experimentais aqui apresentadas são partes integrantes que irão compor futuramente minha dissertação de mestrado.

Alteração de propriedades da água pela ação do campo magnético

M. A. Barboza Mestrando na área de Físico-Química – Instituto de Química - UNICAMP

Apesar de ser uma área do conhecimento ainda incipiente, estudos da ação

de campos magnéticos em água e em soluções aquosas vem surgindo com maior freqüência na área da química, física, biologia e agricultura. De modo geral a ação de campos magnéticos altera as propriedades da água e de soluções aquosas de forma tão evidente que equipamentos comerciais utilizando esta técnica são oferecidos com vários propósitos, principalmente o de abrandar a dureza da água

e o de aumentar a produtividade agrícola. A água utilizada foi submetida a dois tratamentos distintos. Numa experiência de campo, a água flui pelo centro dos polos de um ímã e em seguida é utilizada para irrigar uma plantação de milho. No segundo tratamento, em laboratório, a água é deixada em um recipiente de vidro sobre o polo de um ímã permanente isotrópico por 48 horas. Após esta exposição é utilizada para germinação de sementes de rabanete e trigo. Em todos os casos foram feitas

medidas de tensão superficial, condutividade elétrica, absorção de luz ultra violeta

e visível paralelamente aos testes biológicos. Em todos os experimentos foram

mantidos grupos de controle. O primeiro tratamento não produziu alterações nas variáveis estudadas; por outro lado, observou-se uma notável inibição no crescimento e desenvolvimento das plantas irrigadas por esta água. No segundo tratamento notaram-se alterações na condutividade elétrica, tensão superficial e no espectro de absorção de ultra violeta. Sementes de trigo regadas com esta água apresentaram crescimento mais acelerado e quando plantadas no solo produziram espigas de maior tamanho. Sementes de rabanete não apresentaram diferenças na germinação, porém as plantas geradas se mostraram mais resistentes a condições não favoráveis de cultivo. As diferenças observadas entre as plantas irrigadas com a água que recebeu tratamento magnético e o grupo de controle foram registradas por fotos que evidenciam os relatos aqui mencionados. A ação da água exposta previamente a campos magnéticos afeta

claramente o desenvolvimento de vegetais. O efeito observado parece depender do tipo de vegetal e da maneira como é feita a exposição da água ao campo magnético. A observação de alterações físico-químicas na água tratada representa sem dúvida uma possibilidade de compreensão dos mecanismos que justifiquem este comportamento.

1. Introdução

Tudo que se encontra na superfície da terra está exposto naturalmente a um campo elétrico e magnético gerados pelo próprio planeta. O campo elétrico varia conforme a distância da superfície terrestre, as condições atmosféricas existentes e outros fatores 1 . O campo magnético terrestre é de baixíssima intensidade e da ordem de 10 -6 Tesla. Sua intensidade, direção e sentido variam conforme a localização no globo ou pontualmente por oscilações menores com certa periodicidade. O mapeamento e estudo destes campos começaram a ser formalizados no século XIX e vem se aprimorando até os dias de hoje 1 . No entanto, ainda pouco se sabe sobre a influência dos campos elétricos e magnéticos nos organismos vivos e nos sistemas inorgânicos. Tendo como referência várias evidências experimentais, publicadas na literatura científica indexada, desde 1890 até os dias atuais, sobre a ação de campo magnético na água e como consequência modificações de suas propriedades fisico-químicas e biológicas. E devido a grande controvérsia existente durante todos estes anos, iniciamos uma fase de investigações tentando confirmar alguns efeitos bem estabelecidos citados na literatura e como obetivo final tentar correlacionar as alterações fisico-químicas sofridas com as biológicas. Para isto precavendo-se com cuidados e condições experimentais bem apuradas, ao contrário do que acontece com alguns artigos, que são alvos de crítica e que negligenciam os bons hábitos experiemntais e a estatística de seus resultados. A água é a base da vida do planeta e de todo ser vivo que nele habita e por isso tem singular importância e certamente papéis ainda desconhecidos na natureza. Devido a sua configuração eletrônica, a molécula de água apresenta todos os eletrons emparelhados, e portanto apresenta propriedades diamagnéticas. Assim sendo, é sabido que a água repele as linhas de força de um campo magnético. Ou ainda, que esta tende a ser repelida por um campo magnético. Segundo Feynman 2 ao se aproximar átomos de uma sustância diamagnética de um campo magnético, este campo provocará, pela lei de indução, correntes elétricas, que pela lei de Lenz, tais correntes aparecerão no sentido a de formar um campo magnético que irá se opor ao aumento do campo aplicado 2 . Portanto, a substância seria repelida pelo campo, o mesmo acontece em

relação a molécula de água, porém esta não pode ser observada visualmente com campos baixos.

O efeito do diamagnetismo da água é resaltado por N. Hirota et al 3 , em 1995, que aproximou um campo magnético de 10 T ao da superficie da água pura contida em um recepiente. Verificou um abaixamento de 38,9 mm da superfície da água. Segundo o autor é a primeira demonstração sistemática de como uma superfície de um líquido pode subir, ou descer frente a um campo magnético aplicado sobre ela, dependendo do sinal de sua susceptibilidade magnética ( c). Alguns experimentos têm mostrado que na sua forma líquida a água sofre algum tipo de alteração quando exposta a diferentes campos elétricos e principalmente magnéticos. Tais alterações podem ser evidenciadas nas propriedades físico-químicas e na suas atividades biológicas. O fenômeno mencionado tem sido relatado em uma variedade de revistas científicas correntes, e tem adquirido relevância principalmente pela suas aplicações e possibilidades tecnológicas nos mais diversos setores da sociedade, seja na melhoria agropecuária, na área médica, no tratamento de efluentes industriais, no controle de microorganismos e nos mais diversos ramos da química onde a água é uma substância presente. O número de artigos e patentes encontrados sobre este assunto tem aumentado com o tempo. Algumas destas publicações de expressiva relevância são relatadas a seguir. Na química os principais efeitos observados devido a ação de campos magnéticos são: a modificação de algumas propriedades físico-químicas da água pura, de soluções, a solubilidade de sais, o abrandamento de águas pesadas, alterações no crescimento de cristais, mudanças no espectro de absorção de ultra-violeta, no infravermelho e no abaixamento do ponto de congelamento de soluções. Gehr-R et al. 4 verificaram a redução de minerais solúveis e do potencial zeta de uma solução aquosa saturada de sulfato de cálcio devido ao uso de campos magnéticos 3 de altíssima intensidade (o núcleo de um aparelho de RMN, 4,75 T). Também utilizando campo alto (18,6 T) Dalas e Koutsoukos 5 verificaram o aumento da velocidade de cristalização do carbonato de cálcio a partir de uma solução supersaturada do mesmo. Resultados opostos são mostrados por vários autores utilizando campos menores, (sempre inferiores a 0,5 T), nestes após o tratamento em campos magnéticos a solubilidade de minerais aumenta, abrandando a dureza da água, 6 - 19 existem diversos questionamentos em

relação a avaliação estatística destes últimos, no entanto a existência de patentes e inúmeros equipamentos comerciais baseados nestes princípios indicam uma provável eficiência destes processos. 10 - 19 Vermeiren, na Bélgica 20 em 1945 foi quem primeiro patenteou o uso de tratamento magnéticos para previnir e remover a formação de depósitos de minerais em superfícies (Scale). Gehr-R et al. 3 , já citado anteriormente, e outros autores criticam a confiabilidade dos equipamentos que prometem abrandar a dureza da água devido ao aumento da solubilidade de sais. Pois, mostram que a solubilidade diminui, no entanto utilizam montagens experimentais completamente diferentes daquelas utilizadas com a finalidade de abrandar adureza da água. Ou seja, o campo utilizado por Geher et al. e outros autores que defendem a mesma idéia é pelo menos 10 vezes maior, e a dinâmica do líquido quando está exposto ao campo também é completamente diferente. No entanto, a critica é infundada uma vez que o arranjo experimental é outro. Este mesmo ponto de vista está em acordo com o estudo feito em 1995 por Baker, S. e Judd, S. J. 21 que fazem uma revisão sobre o uso de dispositivos magnéticos no abrandamento de água pesada e formação de encrostações e chegam as seguintes conclusões: realmente há um efeito positivo no que diz respeito ao abrandamento de águas pesadas e a formação de encrostações; Eles reúnem evidências que levam a concluir que os efeitos não são simplesmente casuais como sugerem alguns autores. E que o resultado obtido depende sobre tudo do arranjo experimental, da orientação do campo magnético, de sua intensidade, do tempo de exposição ao campo, da temperatura, e do tipo de fluxo (laminar ou turbulento) da água que flui pelo dispositivo magnético. Segundo Baker e Judd a falta de aceitabilidade destes fenômenos é devido a ausência de mecanismos compreensíveis que expliquem como estes processos funcionam. E afirmam que os experimentos realizados com os parâmetros citados estritamente controlados certamente tem resultados sem ambigüidades. Em relação a modificações de propriedades físico-químicas Fujiwara-S e Nishimoto-Y 22, 23 verificaram abaixamento no ponto de congelamento de soluções de cloreto de sódio na presença de oxigênio devido a influência de campos magnéticos, e também mostraram que a utilização de campo magnético pode ajudar na diferenciação de isômeros enantioméricos de aminoácidos em soluções de cloreto de potássio; Katsuki-A e

colaboradores 24 verificaram que altos campos magnéticos influenciavam o crescimento dos cristais de benzofenona; Ozeki-S e col. 25 mostraram que campos magnéticos podem influenciar a absorção e adsorção de água em sólidos; Zhao-Y et al. 26 verificaram a mudança na entalpia de solução aquosa de cloreto de potássio devido ao efeito do campo magnético. Porto e Faigle 27 mostram a diminuição da tensão superficial, aumento da condutividade elétrica, diminuição da presão de vapor da água pura após submetida a um certo arranjo de campo magnético. Verificaram também mudança na intensidade da banda de estiramento de OH na faixa entre 3000 a 3500 cm -1 , no infravermelho, utilizando técnica de ATR, e alterações nas propriedades biológicas desta água e correlacionaram algumas das mudanças físicas com as biológicas. Rai, S. et al. 28 expuseram água pura (0,5 US) a polos de um ímã de 0,3T por períodos de 1 a 6 horas. Obtiveram bandas de absorção positiva e negativa em relação a água padrão, na região de 200 a 400 nm. Mostraram que o aparecimento de determinadas bandas dependiam do tempo de exposição

e do pólo utilizado. O mesmo efeito foi relatado por ele mostrando que a banda Raman da

água se desloca quando a amostra de água tratada magneticamente era excitada em 350nm Na área biológica e agropecuária os efeitos observados pela ação de campo elétricos

e magnéticos são bem diversificados. Kolossova et al. 29 demonstrou que ratos expostos a

ondas eletromagnéticas de baixa intensidade apresentam aceleração no processo de regeneração das fibras nervosas. Em 1991 na Unicamp, Camargo Jr. 30 utilizou técnicas de estimulação eletromagnética pulsátil (EEMP) no tratamento de fraturas não consolidadas em prazo normal e observou resultados positivos de 80% de cura dos casos tratados. Vladmirski et al. 31 desenvolveu um método para diagnóstico de tuberculose que utiliza partículas ferromagnéticas para concentrar a M. tuberculosis em amostras de saliva; esse método se mostrou bem mais eficiente do que o método de cultura normalmente utilizado. Sidaway 32 mostrou alguns experimentos, com base estatística, onde a germinação de sementes pode ser acelerada e outros retardada pelo efeito do campo elétrico aplicado a estas. Murr 33 , também relatou evidências concordantes com Sidaway; Burchard 35 et al acompanhou a variação de diversos indicadores do estado de saúde e desenvolvimento de

bovinos expostos a um campo magnético de baixíssima intensidade (2 mT) e campo elétrico de baixa frequencia, simulando uma linha de transmissão de eletricidade no Canadá e percebe que estes campos afetaram significativamente o índice de gordura do leite

produzido e o nível de progesterona no sangue, e que diversos outros fatores examinados não tiveram mudanças. Na agricultura, Lin e Yotvat 35 expuseram água que seria utilizada na irrigação e para

o consumo de animais a um campo magnético controlado e verificaram um aumento na produção de melões e no teor de açúcar das frutas. Notaram também que bezerros que

ingeriram essa água apresentaram 12% de aumento em seu crescimento. Trataram também cabras, ovelhas, galinhas, gansos e perus, obtendo em todos os casos aumento no ganho de massa dos filhotes. Bogatin, J. 36 em 1999 estudou algumas mudanças constatadas na água de irrigação quando tratadas pelo equipamento comercial Magnalawn 2000 e outros tipos. Realizou diversos testes de plantio em campo em área sempre superiores a 2 Km 2 na região da Armênia, Azerbaijão e outros. Foi verificado um aumento de permeabilidade de água nestes solos e uma conseqüente economia de 25 % na água utilizada. Constatou também que em solo alcalino este efeito é mais pronunciado, sendo que nestes a concentração de carbonatos aumenta e a alcalinidade diminui. Em outro experimento que foi conduzido na Rússia, em área de 100 Km 2 , 20 tipos de grãos e melões foram plantados e irrigados por este sistema, como resultado obteve-se uma elevação de 15 % na produtividade e um aumentando na qualidade dos produtos. Segundo o autor resultados semelhantes também foram obtidos na Espanha, Bulgária, Eslováquia, Romênia e Israel. Em laboratório ele obteve, também com

o mesmo sistema, uma modificação no crescimento dos cristais de carbonato de Cálcio, no

hábito aragonita e calcita. Garg et al. 37 relacionaram os efeitos causados pela água após expostas a diferentes períodos e pólos magnéticos, nas células hepáticas do peixe gato. Verificou diferenças degenerativas nas células e correlacionou com o tipo de tratamento magnético empregado. Rai, S. 38 também testou o efeito da água tratada em diferentes períodos de exposição e polos magnéticos, na germinação de 8 tipos de fungos e notou que todos os tipos de fungos foram inibidos pela maioria dos tratamentos. Prova também que a água mantém-se estável com suas propriedades biológica e físico-químicas alteradas pelo menos algumas horas depois de sair do campo. 28

Ainda nos dias de hoje não há uma teoria que explique bem o mecanismo de ação

de águas tratadas por campos magnéticos em sistemas biológicos, e nem que explique as modificações físico-químicas que estas apresentam. Primeiramente seria necessário que se entendesse a dinâmica que rege a estabilidade da água na fase líquida, principalmente no que diz respeito a sua estrutura intermolecular. Com certeza, o estudo e entendimento da água na fase líquida permitirá avanços para se entender os mecanismos de formação e ação da água tratada por campos magnéticos. Existem dois modelos principais que se propõem descrever a estrutura e os arranjos das moléculas de água na fase líquida. Um é o modelo contínuo, proposto por Pople 39 em 1950

e outro é o modelo de misturas proposto por Frank e Wen 40 em 1957. O modelo de Pople 39 trata a água como uma rede tridimensional contínua de moléculas de água, interligadas entre si por “pontes” (hoje se sabe que são ligações) de hidrogênio. E o modelo de Frank e Wen 40 vê a água líquida como duas espécies distintas que interconvertem-se uma na outra. As espécies são :

Monômeros de água: moléculas de água na forma de monômeros que tem interações com sua vizinhança. Clusters: formado por arranjos poliméricos de moléculas de água que se associam por meio de ligação de hidrogênio. Sendo que, existe um equilíbrio entre os clusters formados e os monômeros de água. No modelo de Frank e Wen a água tem um número maior de graus de liberdade: as moléculas de água , monômeros ou clusters tem mobilidade muito maior do que no modelo de Pople, portanto a componente entrópica do sistema é muito favorecida. Além disso, a formação de ligações entre as moléculas de água, para formar cluster e outras interações intermoleculares, contribuem para a componente entálpica. O modelo de Pople, por sua vez, favorece mais a componente entálpica porque todas as moléculas de água formam ligações entre si. Infelizmente não se consegue fazer a somatória de energia para responder

a questão, pois existem vários fatores desconhecidos. O crescimento do número de artigos na literatura tratando do arranjo das moléculas da água é exponencial nos últimos dez anos, no que diz respeito a formação de clusters de água e de sua estabilidade, seja na forma de vapor ou líquido, uma vez que no estado sólido

é relativamente bem conhecida.

Normalmente a previsão dos tipos de clusters possíveis e sua estabilidade energética é feita por modelagens matemáticas utilizando as funções de potenciais. Alguns autores ainda complementam as previsões levando em conta a mecânica estatítica que consegue levar em conta fatores entrópicos e estimar a energia livre desses arranjos. A conclusão geral encontrada é que os agrupamentos de moléculas de água formando clusters é favorecido por cerca de alguns kJ por mol de água. 41, 42 E que o aumento de temperatura faz os clusteres maiores se fundirem. 42 Além disso, há alguns números “mágicos” de moléculas de água que se agrupam preferencialmente, normalmente 5 e 8 moléculas no caso de líquido a temperatura ambiente e 21 no caso de vapor de água. 41, 42,43 ( Algumas estruturas de clusters são mostradas nas figuras 1 e 2). Estes números “mágicos” podem ser entendidos lembrando que o sistema sempre tende a um menor estado de energia livre (DG<0) e que isto depende de um compromisso entre entalpia (favorecida pela associação das moléculas) e entropia (favorecido pelo aumento do caos no sistema). Portanto, na parte que se segue o objetivo é o de mostrar alguns resultados preliminares obtidos utilizando água tratada em campos magnéticos sem se preocupar por hora de desvendar o mecanismo que explica tal fenômeno.

Figura 1: Visão estereoespacial da otimização da geometria dos clusters de água formados por 2

Figura 1: Visão estereoespacial da otimização da geometria dos clusters de água formados por 2 até 10 moléculas de água. Previsões feitas por Pillardy et al. 41

11

Figura 2: Otimização de possíveis arranjos de moléculas de água. 4 2 12

Figura 2: Otimização de possíveis arranjos de moléculas de água. 42

2. Materiais e Métodos

Utilizando-se diferentes arranjos experimentais montou-se alguns sistemas para

expor a água pura (deionizada – 0,5mS), ou da rede publica, a campos magnéticos e

acompanhar os seus efeitos na germinação de sementes e possivelmente nas propriedades

físico-químicas desta água tratada. No presente trabalho apenas alguns arranjos e resultados

serão apresentados.

Nesta fase o principal objetivo é o de verificar evidências experimentais qualitativas

e reprodutivas para se nortear o desenvolvimento do trabalho.

Dois tratamentos distintos foram realizados. Numa experiência de campo, a água

flui pelo centro dos pólos de um ímã (Figura 3 e 3a) e em seguida é utilizada para irrigar

uma plantação de milho (Figura 4). A água utilizada neste experimento é proveniente da

rede pública, passando por um sistema de filtragem para minimizar a quantidade de

resíduos moleculares e de partículas, possivelmente presentes. A vazão da mesma foi

controlada em 3 L/min.

presentes. A vazão da mesma foi controlada em 3 L/min. Figura 3: Dispositivo magnético: h ímã

Figura 3: Dispositivo magnético: h ímã isotrópico de 2000 Gauss, i mangueira de PVC flexível; A água da rede pública passa com vazão de 3 L/min após Ter passado por um sistema de filtragem convencional.

após Ter passado por um sistema de filtragem convencional. Figura 3 a : Ilustração do dipositivo

Figura 3 a: Ilustração do dipositivo utilizado, e as linhas de campo magnético formada entre eles.

X X X X X X X X a X X X X b X
X
X
X
X
X
X
X
X
a
X
X
X
X
b
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
c

Figura 4: Sistema de irrigação utilizando dois aspersores (a e b) em quatro canteiros de semeadura de milho. a asperge a água tratada magneticamente (Figura 3); b asperge água sem tratamento magnético; c é o sistema de filtração de água.

Foram utilizadas sementes da mesma variedade, e a semeadura foi feita em solo sem nenhum tratamento especial.

A irrigação foi feita por períodos de 40 min, uma vez por dia durante 30 dias. Após

este período a irrigação passou a ser feita sem nenhum tipo de tratamento, no mesmo

sistema de irrigação sem os ímãs.

É importante notar que os canteiros 1, 2 e 3 eram irrigados pelo aspersor “a” e os

canteiros 2, 3 e 4 pelo aspersor “b”. Portanto, os canteiros 2 e 3 receberam água dos dois aspersores proporcionalmente a sua distância.

No segundo tratamento, em laboratório, água deionizada é deixada em um recipiente de vidro sobre o pólo de um ímã permanente isotrópico por 48 horas (Figura 5). Após esta exposição, a água tratada é diluída 50 vezes em água deionizada e utilizada para germinar sementes de trigo (Embrapa - Br101) e rabanete. No experimento com rabanete foram utilizadas placas de petri estéreis e algodão como substrato. Em cada uma utilizou-se 100 sementes de rabanete da mesma variedade. Os testes sempre foram feitos em quadruplicata. O experimento com trigo foi feito em estufas de germinação a 15 o C, umidade saturada e iluminação constante e ininterrupta. (10) Simultaneamente, foram mantidas unidades de controle com água deionizada. Foram realizadas medidas de tensão superficial, condutividade elétrica, absorção de radiação no ultravioleta e visível, ponto de ebulição e fusão, procurando-se modificações na água tratada quando comparada a não tratada.

na água tratada quando comparada a não tratada. Figura 5: Dispositivo magnético: a Frasco âmbar de

Figura 5: Dispositivo magnético: a Frasco âmbar de 12 mL preenchido com água deionizada, b lâmina de borracha, c ímã isotrópico de campo de 2000 Gauss com a face norte voltada para cima.

2-Resultados e Discussão :

2.1 Mudanças nas Propriedades Físico-Químicas da Água :

Nas propriedades físico químicas estudadas notou-se um aumento da condutividade

elétrica, e um significativo aumento de absorção de radiação na faixa de 190 a 400 nm pela

água tratada em campo magnético, segundo a montagem mostrada na Figura 5. O espectro

diferencial de UV/ visível da água tratada em relação à água deionizada é mostrado pela

Figura

6.

Nas

significativas.

demais

propriedades

estudadas

não

se

observaram

modificações

A fim de minimizar os erros experimentais intrínsecos e indeterminados do processo todas as medidas feitas foram comparadas às de um grupo de controle que sofre as mesmas manipulações, menos a exposição ao campo magnético.

Água tratada Água deionizada
Água tratada
Água deionizada

Figura 6: Espectros diferenciais de absorção de Uv/visível da água tratada, segundo a montagem mostrada na figura 5, menos água deionizada.

2.2 Pr’opriedades Biológicas :

2.2.1 Teste de Campo :

Na experiência de campo com milho, as plantas irrigadas com água tratada, apesar

de apresentarem maior taxa de germinação do que as outras, tinham altura final cerca de 40

% inferior à das irrigadas com água comum. Estas diferenças podem ser melhor

visualizadas na Figura 7.

1 2 3 4 a b h =1.04 h = 0,85 h =1,20 h =1,90
1
2
3
4
a
b
h =1.04
h = 0,85
h =1,20
h =1,90
c

Figura 7: Ilustração do resultado obtido após 4 meses de plantio das sementes. Cada losango amarelo representa uma planta, o número de losangos e sua área são proporcionais ao obtido no sistema real. 1,2,3 e 4 são canteiros de tamanhos iguais, com mesmo tipo de solo e iluminação; a e b são aspersores fixos idênticos, exceto pelo campo magnético colocado antes do aspersor a; c é o sistema de filtração; h é a altura de cada planta em metros.

As plantas que receberam maior volume de água tratada produziram espigas anormais, menores e com menos “vitalidade” (mal formadas e vulneráveis a ataques de insetos). As Figuras 8, 9, 10 e 11 permitem verificar estas diferenças.

Figuras 8, 9, 10 e 11 permitem verificar estas diferenças. Figura 8: Amostra representativa das espigas

Figura 8: Amostra representativa das espigas produzidas nos canteiros 1, 2, 3, 4 respectivamente.

espigas produzidas nos canteiros 1, 2, 3, 4 respectivamente. Figura 9: Foto comparativa de uma amostra

Figura 9: Foto comparativa de uma amostra representativa das espigas colhidas: a esquerda no canteiro 1, ao centro no canteiro 3 e a direita no canteiro 4.

Figura 10: Amostra representativa das espigas produzidas no canteiro 1. Figura 11: Amostra representativa das

Figura 10: Amostra representativa das espigas produzidas no canteiro 1.

Amostra representativa das espigas produzidas no canteiro 1. Figura 11: Amostra representativa das espigas produzidas

Figura 11: Amostra representativa das espigas produzidas nos canteiros 2 e 3.

Para se montar, acompanhar e colher estes resultados foram gastos quase 5 meses, pois além da dificuldade de se encontrar um local adequado cuja, ventilação, luminosidade foscem semelhantes para todos os canteiros, é necessário aguardar todo o ciclo do milho que é por volta de 4 meses. O solo utilizado também foi escolhido. Procurou-se um terreno que a muitos anos não viesse sendo utilizado para agricultura, evitando com isso a existência de compostos químicos que podessem interferir no experimento. Embora o solo utilizado estava empobrecido preservava suas características naturais e para a dimensão ocupada tinha grande homogeneidade. O solo foi arado manualmente, e misturado de maneira que a granulação deste fosce igual em todos os canteiros. Talvez um próximo passo fosce repetir o experimento com um número maior de canteiros e plantas, utilizando o padrão agrícola para testes semelhantes a este. Poderia ainda, simplesmente inverter o sistema de asperção (com e sem ímã) e verificar se o mesmo comportamento seria observado.

2.2.2 Testes de Laboratório :

Sementes de rabanete, tratadas com água deionizada resultante do tratamento mostrado na Figura 5, não apresentaram diferença na taxa de germinação em relação ao grupo controle. Porém, as plantas produzidas mostraram-se com maior vigor, uma vez que no sexto dia após o plantio estas plantas encontravam-se eretas (permanecendo assim até o oitavo dia), enquanto que as do grupo controle passaram por um processo de desidratação e tombamento (Figuras 12 e 13).

processo de desidratação e tombamento (Figuras 12 e 13). Figura 12: Foto de uma amostra dos

Figura 12: Foto de uma amostra dos brotos de rabanete após 6 dias de germinação; à esquerda: grupo controle (broto resultante do sistema regado com água deionizada); à direita: broto resultante do sistema regado com água exposta a campo magnético conforme figura 5, em diluição 1:50.

FIGURA 13: Brotos de rabanete após 6 dias do plantio. À esquerda: grupo controle (sementes

FIGURA 13: Brotos de rabanete após 6 dias do plantio. À esquerda: grupo controle (sementes regadas com água deionizada); à direita: sementes tratadas com água exposta a campo magnético conforme figura 5, em diluição 1:50.

As condições de umidade, temperatura e luminosidade não foram controladas, mas foram idênticas para o grupo de controle e o tratado. O fato de se trabalhar fora de condiçoes planejadas para a germinação e desenvolvimento das sementes de rabanete e mais perto de uma variação climática natural é proposital, pois observa-se em experimentos prévios que as diferenças se acentuam em sistemas fora de suas condições otimizadas. No experimento controlado, utilizando-se condições controladas para a germinação de sementes de trigo, observou-se que as sementes que receberam água tratada produziram, na fase de germinação, 76% de plantas normais 44 , enquanto que o grupo controle (água deionizada) apresentou uma média de 68%. Em um outro experimento utilizando também sementes de trigo e a água tratada na montagem mostrada na figura 5, foi conduzido diretamente no solo seguindo as orientações tecnicas da EMBRAPA 45 para avaliação da germinação e vigor de semnetes de trigo. Utilizando para isto 1metro quadrado de área para cada experiemnto (Controle e Teste). Foi feito o tratamento até 20 dias após ao plantio e acompanhou-se as plantas até o final do ciclo. Os resultados são mostrados na Figura 14.

Figura 14: Espigas colhidas ao final do ciclo do trigo. Nas laterais: grupo de controle,
Figura 14: Espigas colhidas ao final do ciclo do trigo. Nas laterais: grupo de controle,

Figura 14: Espigas colhidas ao final do ciclo do trigo. Nas laterais: grupo de controle, regada com água filtrada nos primeiros 10 dias; ao centro: grupo de sementes regadas com a diluição da água submetida ao efeito de campos magnéticos conforme figura 5.

4. Conclusão Apesar dos experimentos realizados serem de caráter preliminar, percebe-se claramente que a água após ser exposta a campos magnéticos sofre alterações.

Não necessariamente estas alterações são observadas nas propriedades físico- químicas da água, porém sua ação biológica, no caso o desenvolvimento de plantas, é evidente No caso do milho, a água tratada prejudicou notavelmente o desenvolvimento normal destas plantas. Este efeito fica mais evidente ainda quando se observa que a proporção de água tratada e água normal influenciam proporcionalmente o

desenvolvimento das

Um efeito contrário foi notado nos outros experimentos Pode-se notar algumas melhorias em diferentes experimentos nos lotes tratados com água exposta ao campo magnético: plantas novas de rabanete apresentaram maior resistencia a condições ruins para o seu desnvolvimento (Figura 12 e 13) ; o trigo teve sua produtividade e o tamanho das espigas finais obtidas melhoradas em teste realizado no solo (Figura 14); Em laboratório

utilizando-se método padrão para o teste percebe-se aumento de 8% na produção de sementes normais de outro lote de sementes de trigo. Apesar de não se conseguir relacionar ainda as alterações das propriedades físico- químicas com os efeitos biológicos observados, os resultados são expressivos e sugerem experimentos complementares, a fim de se começar a parametrizar o sistema, já que se desconhece quase que totalmente o comportamento das variáveis envolvidas. Por experimentos prévios e pela literatura, sabe-se que alguns dos fatores a serem estudados são: tempo de exposição da água ao campo magnético, intensidade, geometria e direção do campo, temperatura de exposição, diluição e estabilidade da água obtida. O espectro de UV mostrado na Figura 6 mostra uma evidente modificação na estrutura da água exposta ao campo magnético na montagem exibida na figura 5. O aumento da absorção de UV pela água sugere que a formação de arranjos de moléculas de água absorvedores de menores comprimentos de onda estejam sendo favorecidos.

plantas.

.(Figuras 8 a 11)

5. Referências Bibliográficas

1. Fleming,J.A.; Physics of the Earth Vol. VIII Terrestrial Magnetism and Electricity; pp. 1-8; McGraw-Hill; 1939.

2. Feyman, R. P.; Leighton, R.B.; Sands, M., Lectures in Physics, V II, 34, Massachutts, ed. by Addison Wesley, 1977

3. Hirota, N. et al; Jpn. J. Appl. Phys. 1995, V 34, Pt.2, 8 A

4. Gehr, R.; Zhai, Z. A.; Finch, J. A.; Rao, S. R.; Water Res., 1995,29 (3), 993-940.

5. Dalas E. and Koutsoukos P.G. J. Cryst. Growth, 1989, 96, 802-806.

6. Szostak, R.J. and Toy D. A. Chem. Proc. Chicago, 1985, 48, 44-45.

7. Lloyd, D. J.; Water (Australia), 1991, 18, 39-40.

8. Spear, M.; Process Engng., 1992, May, 143.

9. Darvill, M.; Wat. Waste Treat., 1993, July, 40.

10. Deren, E.; L’Éau, L’Industrie, Les Nuisances, 1985, 91, 49-52.

11. Duffy, E.A.; Investigations of water treatment devices. Ph.D. thesis at Clemson University, Clemson, S.C., 1977.

12. Donaldson, J. D. Tube Int., 1988, Jan., 39-49.

13. Industrial Water Society News; Waterline, 1994, 98-99.

14. Szostak, R.J.; Toy D.A.; Chem. Proc. Chicago, 1985, 48, 44-45.

15. Ellingsen, F.T.; Vik, E.A.; Proc. 14 th World Congr. Int. Wat. Suppl. Assoc., 1982, Zurich SS8, 12-25.

16. Das, C.R. Misra, H.P.; J. Inst. Engng. India, 1982, 63, 30-31.

17. Hogan, V.; Mason, S.E.; Campbell, S.A.; Walsh, F.C.; Eurocorr 94/UK Corrosion, 1994, Bournemouth, U.K.

18. Grutsch, J.F.; McCLintock, J.W.; Paper no. 330, Corrosion 84, 1984, National Association of Corrosion Engineers, New Orleans.

19. Raisen E.; Paper no. 117, Corrosion 84, 1984, National Assotiation of Corrosion Engineers, New Orleans.

20. Vermeirem, J.; 1945; citados na refêrncia 2.

21. Baker S. J. and Judd, S.; Wat. Res., 1996, 30, 2, 247-260

22.

Fujiwara,S., Nishimoto,Y.; Analytical Sciences, 1992, Vol 8, Iss 6, pp 873-874

23. Fujiwara,S., Nishimoto,Y.; Analytical Sciences, 1992, Vol 8, Iss 6, pp 875-876.

24. Katsuki,A., Tokunaga,R.,Watanabe,S.,Tanimoto,Y.; Chem. Lett.; 1996, Iss.8 pp607-

608.

25. Ozeki, S.; Miyamoto, J.; Ono S.;Wakai, C.; Watanabe, T.; J.Phys. Chem.,1996, 100,

4250-4212.

26. Zhao, Y. Zhao L. A.; Wei, X.; Han, B. H.; Yan, H. K.; J. Therm. Anal.,1995, 45, 13-16.

27. Porto, M. E. G.; Dissertação de mestrado – “Alterações de Propriedades Biológicas e

Físico-químicas da Água, Induzidas pela Ação de Campos Magnéticos.”; Universidade estadual de Campinas – IQ _ Campinas, 1998. 28. Rai, S.; Singh, N. N. ; Mishra, R. N., Med. Biol. Eng. Comput., 1995, 33, 614-617.

S.;

29. Kolosova, L. I.; Akoev, G. N.; Avelev, V. D.; Riabchokova, Bioeletromagnet., 1996, 17, 44-47.

30. Camargo, Jr.; J.N.; Ver. Bras. Ortoped., 1991, 26, 373-380.

31. Vladimirsky, M. A.; Kusnetzov, A. A.; Philippov, V. I.; J.Magn. Mater., 1993, 122,

V.;

Baku,

K.

371-373.

32. Sidaway, G., H.; Nature, 1966, 211, 303

33. Murr, L.E.; Nature, 1963, 200, 490

34. Burchard, J. F.; Nguyen, D. H.; Richard, L.; Block, E.; J. Dairy Sci., 1996, 79, 1549-

1554.

35. Lin, I. J., Yotvat, J.; J. Magn. Mater., 1990, 83 (1-3), 525-526.

36. Bogatin, Jacob; Env. Sci. Tech., 1999, 33, 1280-1285

37. Garg, T. K., Agarwal, N., Rai, S., Elect. And Magnet. Biol., 1995, 14 (2), 107-115.

38. Rai, S.; Elect. And Magnet. Biol., 1994, 13 (3), 237-246.

39. Pople, J. A.; Proc. R, Soc. London, 1951, A205, 163-178.

40. Frank, H. S.; Wen, W.Y.; Discuss. Faraday Soc., 1957, 24, 133-140.

41. Pillardy,J. et al, J. of Mol. Struct., 1992, 270, 277-285

42. Gonzalez, E. H. et al, J. of Structural Chem., 1994, 35 (6), 851-858.

43. Shi, Z., et al., J. Chem. Phys. 1993, 99 (10), 8009-8015.

44. Ministério da Agricultura e Reforma Agrária, Regras para Análise de Sementes,

Brasília , 79-138, 229-254, 1992

45. Silva, B. D., e colaboradores, Trigo para o Abastasecimento Familiar, EMBRAPA-SPI,

Brasília,

, 1996