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CONCEITO DE DIREITO ADMINISTRATIVO

É o conjunto de normas e princípios que rege a atividade adminis- trativa, as entidades, os órgãos e os agentes públicos, com o obje- tivo de atender aos interesses da coletividade.

PRINCíPIOS

• Princípio da supremacia do interesse público sobre o parti- cular: sendo o bem comum a finalidade única do Estado, em um eventual confronto entre interesse individual e interesse coletivo, deve prevalecer o segundo. Exemplo: desapropriação de imóvel contra a vontade de seu proprietário.

• Princípio da indisponibilidade do interesse público: determi-

na que o interesse público é indisponível, posto que não pertence

e sim à cole-

tividade. Exemplo: necessidade de licitação para contratar com terceiros.

à Administração e tampouco aos administradores,

• Princípio da legalidade: dispõe que a Administração Pública só pode fazer o que a lei determina ou permite (legalidade pública), ao contrário do particular, que pode fazer tudo o que a lei não proíbe (legalidade privada).

Princípio

• da impessoal idade: deve ser analisado sob dois as-

pectos:

a) Igualdade de tratamento aos administrados, propiciando oportu-

nidades iguais a todos: exemplo: concurso público. Mas nem toda discriminação pode ser considerada ilegal. Em matéria de concurso público, desde que o discrímen guarde relação de pertinência lógi- ca com o desempenho do cargo, não haverá ilegalidade. Exemplo:

não é possível a exigência de altura mínima para candidato a cargo de juiz de direito, mas é possível esta exigência para candidato a cargo de policial;

b) Neutralidade do agente em sua atuação: o agente público deve

atuar de forma neutra, sem favoritismos ou perseguições.

• Princípio da moralidade: impõe à Administração não apenas uma atuação legal, mas também moral, ou seja, caracterizada pela obediência à ética, à honestidade, à lealdade e à boa-fé. É a moral idade administrativa, ou seja, a busca pelo interesse público.

Exemplo: desapropriação realizada com o fim de prejudicar desa- feto político é imoral.

• Princípio da publicidade: exige que seja dada ampla divulga- ção dos atos da Administração Pública para que a coletividade tome conhecimento das suas atividades, podendo cumpri-Ias e/ ou impugná-Ias.

• Princípio da eficiência: impõe à Administração Pública a melhor atuação possível diante dos recursos disponíveis. Exemplo: não basta o fornecimento de água, mas há a necessidade de a água fornecida ser limpa.

• Princípio da autotutela: a Administração Pública deve controlar seus próprios atos, apreciando-os quanto ao mérito (oportunida- de e conveniência) e à legalidade. Este controle será feito da se- guinte forma:

a) Revogação: extinção do ato administrativo legal em razão de

inconveniência ou inoportunidade, feita apenas pela Administração Pública, com efeitos ex nunc; e

b) Anulação: extinção do ato administrativo ilegal, podendo ser

feita pela Administração Pública ou pelo Judiciário, com efeitos ex

tunc.

O Poder Judiciário pode controlar

discricionários

ministração Pública, anulando-os, desde

e atos vinculados da Ad-

atos

que este controle seja sobre a legalidade

de tais atos.

Inconveniência

Ilegalidade

Ex tunc

Administração Pública e Judi- ciário

ou

inoportunidade

Ex nunc

Administração

Pública

• Princípio da razoabilidade e proporcionalidade: A Adminis- tração Pública deve agir de forma razoável, ou seja, dentro de um padrão normal de comportamento, sem excessos, sem omissões, com meios e fins compatíveis (proporcional idade). Exemplo: viola o princípio da proporcional idade punir com demissão agente pú- blico que chegou atrasado.

PODERES DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

São prerrogativas e instrumentos dos quais se vale a Administra- ção Pública para promoção e defesa do interesse público. Cos- tumam ser chamados de poderes-deveres. A doutrina elenca os seguintes:

• Poder vinculado: no exercício da atividade pública, o agente público possui uma estreita margem de liberdade de atuação. A lei vincula a sua ação, ou seja, ela diz quando e como ele deve agir. Exemplo: licença para construir.

• Poder discricionário: presente quando o agente público tem uma margem de liberdade ditada pela lei para avaliar a situa- ção em que deve agir elou para escolher qual comportamento adotará. A atuação será pautada por um juízo de conveniência e oportunidade. Exemplo: autorização de uso de bem público.

Também existe discricionariedade quando a lei utiliza conceitos jurídicos indeterminados e, no caso concreto, a Administração depara-se com situações em que não existe a possibilidade de determinar, com certeza, a ocorrência ou não do enquadramento do fato ao conteúdo da norma. Exemplo: "boa-fé"; "decoro"; "bons costumes".

• Poder hierárquico: é conferido ao agente público para orga- nizar a estrutura da Administração e estabelecer relações de coordenação e subordinação. Exemplo: avocação ou delegação de atribuições.

• Poder disciplinar: utilizado pelo agente público para aplica- ção de sanções aos demais agentes, dada a prática de uma in- fração disciplinar funcional. Exemplo: aplicação de advertência por atrasos. Alguns autores defendem sua aplicação também na punição de pessoas sujeitas à disciplina da Administração, como no caso de estudantes de escola pública.

• Poder normativo ou regulamentar: conferido ao agente pú- blico para expedição de decretos, resoluções, portarias, instru- ções normativas etc. Alguns autores consideram o poder regu- lamentar como aplicável apenas à expedição de decretos.

• Poder de polícia: é o poder conferido ao agente público para limitar, restringir, frenar os direitos de liberdade e de proprieda- de e as atividades das pessoas, ajustando-as ao interesse coleti- vo. Exemplo: fiscalização de trânsito.

Os atributos do poder de polícia são:

a) Discricionariedade;

b) Coercibilidade; e

c) Autoexecutoriedade.

ABUSO DE PODER OU ABUSO DE AUTORIDADE

Ocorre quando a autoridade, embora competente para a prática do ato, ultrapassa os limites de suas atribuições ou se desvia de

sua finalidade única - o interesse público. poder é gênero do qual são espécies:

• Excesso de poder: a autoridade, embora competente para

praticar o ato, vai além

faculdades administrativas. Exemplo: fiscal de construções que

multa restaurante não só pela estrutura física do local, também por falta de higiene;

mas

do permitido e exorbita no uso de suas

• Desvio de finalidade

ou desvio de poder: a autoridade,

embora atuando nos limites de sua competência, pratica o ato por motivos ou com fins diversos dos objetivados pela lei ou exigidos pelo interesse público. Exemplo: desapropriação para beneficiar amigo.

ESTRUTURA DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

A Administração Pública direta envolve União, Estados, Distrito Federal e Municípios, enquanto na Administração Pública indireta temos as autarquias, fundações públicas, empresas públicas e so- ciedades de economia mista (estes descritos no Dec.-Iei 200/67). Também podemos acrescentar as agências reguladoras e agências executivas. Vale ressaltar que, de acordo com a Lei 11.107/05, os consórcios públicos, quando adquirem personalidade jurídica de direito público, passam a fazer parte da Administração indireta dos entes consorciados.

• Autarquias e fundações públicas: são pessoas jurídicas de direito público (alguns autores defendem que há fundações pú- blicas que podem assumir caráter de direito privado, como as fundações governamentais, as quais podem ser públicas e pri- vadas). Elas têm patrimônio próprio, autonomia administrativa e financeira e responsabilidade objetiva. Precisam licitar. Pos- suem prerrogativas processuais (prazos maiores; juízo privativo; recurso de ofício; execução fiscal de seus créditos). Seus bens são públicos e elas são imunes a impostos sobre o patrimônio, renda e serviços.

As autarquias são criadas por lei específica para executar ativida- des típicas da Administração Pública, enquanto as fundações são autorizadas por lei específica, cabendo a lei complementar definir as áreas de sua atuação.

• Empresas estatais ou governamentais: gênero do qual são espécies as empresas públicas e as sociedades de economia mista. Suas características comuns são: pessoas jurídicas de

direito privado; autorizadas por

como: a) Prestadoras de serviço público (exemplo: Correios)

econômica (exemplo: Pe-

trobras). em caráter suplementar, desde que necessário aos imperativos de segurança nacional (exemplo: fabricação de material bélico em caso de guerra) ou a relevante interesse coletivo (exemplo: fabricação de remédio para portadores de HIV); possuem patrimônio próprio; autonomia administrativa e financeira; responsabilidade objetiva, no caso das presta- doras de serviço público, e subjetiva, no caso das explora- doras de atividade econômica; não possuem prerrogativas processuais; apenas os bens afetados a prestação de serviço público são considerados como bens públicos; não possuem imunidade tributária (exceção: Correios).

ou b) Exploradoras de atividade

lei específica; podem atuar

As diferenças entre as empresas públicas e as sociedades de eco- nomia mista são:

   

SOCIEDADE DE

EMPRESA

PÚBLICA

ECONOMIA

MISTA

CAPITAL

Público

Misto

FORMA DE

Qualquer modalidade admitida em lei

Sociedade

CONSTITUiÇÃO

anônima

Justiça Federal

(empresas federais)

FORO

ou Estadual

Justiça Estadual

(empresas estaduais

ou municipais)

• Agências reguladoras: criadas para regular e fiscalizar deter- minados setores, são autarquias sob regime especial. No caso das agências reguladoras este regime especial está nas respec- tivas leis criadoras, e diz respeito à maior autonomia das agên- cias com relação à Administração Direta. Esta maior autonomia pode ser expressa, dentre outras características, no mandato fixo, na estabilidade e "quarentena" de seus dirigentes. Exem- plos: ANATEL; ANEEL; ANP.

• Agências executivas: é a qualificação dada à autarquia ou fundação pública que celebre contrato de gestão (mínimo de um ano) com o respectivo Ministério supervisor, tendo um pia- no estratégico de reestruturação e de desenvolvimenjo institu- cional em andamento (Lei 9.649/98).

• Entidades paraestatais ou entes de cooperação: são pes- soas jurídicas privadas que colaboram com o Estado, desem-

e não exclusiva do mesmo, e

às quais o Poder Público concede incentivos. Não fazem parte da Administração Indireta. São as chamadas entidades do ter- ceiro setor e dividem-se em: a) Serviços Sociais Autônomos (exemplo: SESC; SENAI; SESI); b) Organizações Sociais (Lei 9.637/1998); e c) Organizações da Sociedade Civil de Interes- se Público - OSCIP (Lei 9.790/1999). Alguns autores incluem as fundações de apoio (constituídas por servidores públicos a partir de convênio visando atuar junto a entidades específicas. Exemplo: FUVEST, FIPE).

penhando atividade não lucrativa

• Órgãos públicos: são centros de competência e não possuem personalidade jurídica. Exemplo: Ministérios.

• Descentralização e desconcentração:

Repartição externa envolvendo mais de uma pessoa jurídica.

Exemplo:

Repartição interna envolvendo uma única pessoa jurídica.

Exemplo:

criação de autarquias.

criação de órgãos.

Existe vinculação.

Existe subordinação.

ATOS ADMINISTRATIVOS

Podem ser conceituados como toda declaração unilateral do Es- tado ou de quem lhe faça as vezes, no exercício de prerrogativas públicas, destinada a cumprir concretamente a lei, e sujeita a con- trole de legitimidade pelo Judiciário.

• Elementos dos atos administrativos: também chamados de requisitos ou pressupostos, são as condições necessárias à cons- tituição do ato administrativo, à existência do ato.

a) Forma: modelo determinado pela lei para exteriorização do

ato administrativo. A regra para os atos administrativos é a forma escrita. No entanto, existem atos que são praticados de forma verbal, através de sinais (Ex.: semáforo) ou outros sons (Ex.: apito do guarda de trânsito).

b) Finalidade: bem tutelado, o objetivo almejado pelo Poder Pú-

blico com a prática do ato.

c) Competência ou sujeito:

administrativo.

d) Objeto: aquilo que o ato enumera, dispõe, declara, enuncia,

certifica, extingue, autoriza, modifica. É o efeito jurídico Exemplo: despacho de demissão - despacho é a forma, missão é o objeto.

e) Motivo: fato que autoriza ou determina a prática do ato

ministrativo.

se refere à pessoa que pratica o ato

do ato. e a de-

ad-

Segundo Hely Lopes Meirelles, a forma, finalidade e competência são sempre elementos vinculados.

 

NO ATO

NO ATO

ELEMENTO

VINCULADO

DISCRICIONÁRIO

FORMA

Vinculada

Vinculada

FINALIDADE

Vinculada

Vinculada

COMPETÊNCIA

Vinculada

Vinculada

OBJETO

Vinculado

Discricionário

MOTIVO

Vinculado

Discricionário

• Atributos do ato administrativo: também chamados carac- terísticas, são as qualidades dos atos administrativos.

a) Presunção de legitimidade: atos administrativos são, presu-

midamente, verdadeiros (reais) e legais. Trata-se de uma presun-

ção relativa.

os atos administrativos serão impostos a

terceiros de forma unilateral. Exceções: atos que dependam da

provocação do interessado (exemplo: certidão).

c) Autoexecutoriedade:

a necessidade de se socorrer ao Poder Judiciário. Só é permitida

quando existe autorização legal ou em caso de medida de urgên- cia. Exceção: multas de trânsito.

d) Tipicidade: atos administrativos devem corresponder a figu-

ras previamente estabelecidas em lei. Poucos autores elencam

este atributo.

b) Imperatividade:

permite que o ato seja executado sem

• Classificação dos atos administrativos:

a) Quanto à estrutura: ato concreto (exaure-se em uma única

aplicação. Exemplo: concessão de férias) e ato abstrato (compor- ta reiteradas aplicações, sempre que se apresente a hipótese nele prevista. Exemplo: decreto determinando a punição de quem chega atrasado).

b) Quanto à margem de liberdade de atuação do agente:

- (a lei determina quando e como o agente deve

agir. Exemplo: aposentadoria compulsória do servidor público

aos 70 anos de idade) e ato discricionário (a lei confere ao agente uma margem de liberdade para, mediante juízo de conveniência

e oportunidade

escolher o melhor comportamento a ser tomado. Exemplo: no-

meação para cargo em comissão).

ato vinculado

- mérito administrativo

-, avaliar a situação e

c) Quanto à formação da vontade: ato simples

declaração de vontade de uma pessoa ou de um órgão, sim-

(decorre da

pies ou colegiado. Exemplo: multa de trânsito; nomeação feita

pelo prefeito); ato complexo (decorre da manifestação de duas

ou

ou mais vontades homogêneas que se fundem para formar um único ato. Exemplo: portarias conjuntas); ato composto (decorre da manifestação de duas ou mais vontades dentro de um mesmo órgão, sendo uma instrumental à outra. São duas ou mais vonta- des, sendo uma vontade principal e outra secundária. Exemplo:

mais vontades produzidas por mais de um órgão. São duas

autorização - vontade principal- que depende de visto - vonta- de acessória - da autoridade superior).

• Formas de extinção dos atos administrativos:

a) Renúncia (beneficiário abre mão da vantagem concedida);

b) Cumprimento de seus efeitos;

c) Desaparecimento do sujeito ou do objeto;

d) Contraposição ou derrubada (extinção em razão da prática de

um outro ato antagônico ao primeiro);

e) Cassação (extinção em razão de o particular não ter cumprido

com seus deveres);

1) Caducidade (extinção em razão de uma lei não mais permitir a prática do ato);

g) Revogação; e

h) Anulação.

LICITAÇÃO

Procedimento administrativo regido pela Lei 8.666/93, tem como objetivo a escolha da proposta mais vantajosa para a Administra- ção e a observância do princípio da isonomia.

• Princípios específicos da licitação:

a) Vinculação

tração quanto os licitantes devem obedecer ao contido no edital ou carta-convite;

ao instrumento convocatório: tanto a Adminis-

b) Julgamento objetivo: de acordo com os termos do edital;

c) Adjudicação compulsória ao vencedor: o vencedor da li-

citação tem o direito de não ser preterido caso a Administração decida pela contratação;

d) Procedimento formal;

li

e) Sigilo das propostas.

• Exceções ao dever de licitar: a regra é a necessidade de li- citação para obras, serviços, compras, alienações, concessões, permissões e locações da Administração Pública, mas temos as exceções:

a) Inexigibilidade: ocorre nas hipóteses em que a competição

é inviável. O art. 25 da Lei 8.666/93 traz um rol exemplificativo

com três situações: 1) Produtor ou vendedor exclusivo; 2) Servi- ços técnicos profissionais especializados (art. 13 da Lei 8.666/93), de natureza singular e prestados por profissional de notória espe- cialização; e 3) Contratação de artistas consagrados;

b) Dispensa: ocorre nas hipóteses em que, em tese, é possível a

licitação, mas a lei, diante de razões de interesse público, diz não

ser necessário licitar. As hipóteses de dispensa se dividem em: 1) Licitação dispensável: o administrador decidirá se irá ou não lici- tar. As hipóteses estão no rol taxativo do art. 24 da Lei 8.666/93; 2) Licitação dispensada: não é permitido ao administrador decidir

pela realização ou não da licitação; a lei não permite este juízo de conveniência e oportunidade para avaliar se será feita ou não a

taxativo do art. 17, I e

licitação. São as hipóteses trazidas no rol 11, da Lei 8. 666/93.

• Fases da licitação:

a) Fase interna: a autoridade competente

ção, define seu objeto e indica os recursos para a despesa;

determina sua realiza-

b) Fase externa: composta das subfases: 1) Publicação do edital

ou envio da carta-convite (convocação dos interessados); 2) Ha- bilitação (análise das qualificações); 3) Julgamento e classificação das propostas (os habilitados terão seus envelopes abertos e as propostas julgadas e classificadas); 4) Homologação (autoridade atesta regularidade do procedimento); e 5) Adjudicação (seleção do licitante com a proposta mais vantajosa).

• Modalidades de licitação:

a) Concorrência: destinada a transações de maiores valores, devendo ser precedida de ampla publicidade. Podem concorrer quaisquer interessados que preencham as condições estabeleci- das no edital;

b) Tomada de preços: destinada a transações de valores médios,

podendo concorrer apenas os interessados que estejam previa- mente inscritos em cadastro administrativo organizado em fun- ção de ramos de atividade ou aqueles que até o 3. 0 dia anterior à data do recebimento das propostas preencham todas as condi- ções de cadastramento;

c) Convite: destinada a contratações de valores baixos, em que

Administração convidará pelo menos três pessoas do ramo, cadastradas ou não, estendendo o convite aos cadastrados do ramo que se interessarem em até 24 horas da apresentação das propostas. Se há mais de três interessados na praça, a cada novo convite deve-se chamar um que ainda não foi coavidado, até que todos os cadastrados sejam convidados. Não requer pu-

blicidade, apenas afixação em local apropriado do instrumento do convite;

d) Concurso: modalidade destinada à disputa entre interessa-

dos que possuam a qualificação exigida para escolha de trabalho técnico, científico ou artístico, com a instituição de prêmio ou remuneração aos vencedores;

e) Leilão: modalidade destinada à alienação de bens móveis in-

servíveis ou apreendidos pela Administração, e à alienação de bens imóveis cuja aquisição tenha derivado de procedimentos judiciais ou dados em pagamento;

f) Pregão: modalidade prevista na Lei 10.520/02, destina-se à

aquisição de bens e serviços comuns, não havendo limitação de valores. Tem as seguintes características: inverte a ordem pro-

cedimental (verifica-se a melhor proposta para depois conferir

a habilitação do vencedor; se este não for habilitado, chama-se

o segundo colocado); o julgamento será feito em única sessão, na qual o pregoeiro recebe as declarações e os envelopes com

propostas, abre-os, classifica-as e adjudica;

com a particularidade de que, após a clas-

sificação prévia das propostas, pode o licitante que apresentar

a proposta de menor valor e os demais cujas propostas sejam

o de menor preço,

o tipo de licitação é

de valor até 10% superior àquela (ou, no mínimo, o das três

primeiras ofertas) procederem a lances verbais e sucessivos, até

a proclamação do vencedor, em continuação ao processo de seleção da proposta.

• Tipos de licitação: Relacionados ao critério de julgamento adotado para selecionar a proposta mais vantajosa em uma modalidade. São eles: menor preço; melhor técnica; técnica e preço e maior lance ou oferta.

CONTRATOS ADMINISTRATIVOS

São acordos de vontade entre a Administração Pública e terceiros, regidos por normas de direito público específicas.

• Características

a) Cláusulas exorbitantes: são prerrogativas da Administração em razão de sua posição de supremacia em relação à parte con- tratada. Estão dispostas no art. 58 da Lei 8.666/93. Exemplo: al- teração e extinção unilateral do contrato;

b) Manutenção do equilíbrio econômico-financeiro: o par- ticular terá direito à manutenção do equilíbrio econômico-finan- ceiro inicial do contrato, de maneira que, alterada uma condição, este particular poderá solicitar a alteração contratual visando manter esse equilíbrio.

• Teoria da imprevisão:

ocorre quando, no curso do contrato,

ocorrem eventos excepcionais e imprevisíveis que desequilibram a

equação econômico-financeira do contrato. O evento imprevisto oode ocorrer:

a) or motivo de força maior ou caso fortuito;

é o fato geral do Poder Público que afeta

rancialmente o contrato, apesar de não se direcionar especifi- '""" nte a ele. Exemplo: desvalorização da moeda afetará contrato ~~e envolva utilização de insumos importados;

) Fato do príncipe:

Fato da administração: toda ação ou omissão da Administra-

9 3 0 que se dirige e incide direta e especificamente sobre o contrato,

'F' ardando

4Jblico na entrega do imóvel para realização de uma obra contra- : f i a com o particular;

ou impedindo sua execução. Exemplo: atraso do Poder

Sujeições ou interferências imprevistas: é a descoberta de óbice natural ao cumprimento do contrato. Exemplo: desco- ra de lençol freático no terreno em que será construída a obra.

Execução do contrato: dispõe o art. 66 da Lei 8.666/93 que o contrato deverá ser executado fielmente pelas partes. A Adminis- tração deverá manter um representante para fiscalizar a execução os contratos, enquanto o contratado deve indicar um preposto, aceito pela primeira, para acompanhar a execução do ajuste. O contratado não pode deixar de cumprir com suas obrigações por suspensão do contrato de até 1 20 dias, bem como por atraso no

seu pagamento por até 90 dias. Portanto, a exceção de contrato ão cumprido não pode ser alegada pelo particular em tais con- dições, embora possa ser alegada pelo Poder Público, se a culpa é

o particular. Na execução do contrato,

o particular é responsável

~ as obrigações que contrair, as quais não poderão ser imputa- oas ao Poder Público.

• Formas de extinção do contrato: advento do termo; conclusão objeto; unilateral; bilateral e judicial.

CERIA PÚBLICO-PRIVADA

i tuí d a pela Lei 11 . 0 7 9 / 04 , a PPP pode ser conceituada como ato administrativo de concessão especial. Pode existir nas mo-

~~ idades:

• Patrocinada: quando envolver, adicionalmente à tarifa cobrada dos usuários, contra prestação pecuniária do parceiro público ao oarceiro privado;

• dministrativa:

quando a Administração Pública seja a usuária

- e a ou indireta, ainda que envolva execução de obra ou forne- ento e instalação de bens.

a presença da contraprestação do privado e o risco compartilhado.

~ ada a celebração de contrato de parceria público-privada a) ~;jjo valor do contrato seja inferior a R$ 20 . 000.000,00; b) Cujo eríodo de prestação do serviço seja inferior a cinco anos; c)

É

regime das PPPs, temos erceiro público ao parceiro

e tenha como objeto único o fornecimento

de mão de obra,

o fornecimento e instalação de equipamentos ou a execução de obra pública.

A contratação de concessão sujeita ao regime das PPPsdeverá ser

precedida de licitação na modalidade concorrência. Quanto à con- traprestação do parceiro público, pode ser ordem bancária; cessão de créditos não tributários; outorga de direitos em face da Adminis-

de direitos sobre bens públicos dominicais e

outros meios admitidos em lei.

tração Pública; outorga

CONSÓRCIOS PÚBLICOS

C riados pela Lei 11.1 07/05 , os consórcios serão constituídos atra-

vés de contratos cuja celebração dependerá da prévia subscrição de protocolo de intenções, podendo ser realizados entre entes de níveis federativos distintos. Exemplo: consórcio envolvendo União, Estado e Município.

Os consórcios adquirirão personalidade jurídica, podendo cons- tituir associação privada ou pessoa jurídica de direito público (e, neste caso, integra a administração indireta dos entes consorcia- dos). É dispensado da ratificação o ente que, antes de subscrever

o protocolo de intenções, disciplinar por lei a sua participação no consórcio público.

EDITaRAm REVIS T A DOS TRIBUNAIS

COLEÇÃO RETA FINAL

Coordenação: Marco Antonio Araujo Junior e Darlan Barroso

Direito Administrativo

- Parte I

4.' edição reformulada da Coleção Resumo de Bolso

Flávia Cristina Moura de Andrade

© desta edição [2010J Publicação licenciada mediante contrato.

Criação: Equipe RT • Diagramação: Linotec • Impressão: Gráfica Ripress

EDITORA REVISTA DOS TRIBUNAIS LTDA_ Diretor responsável:

Carlos Henrique de Carvalho Filho

Rua do Bosque, 820 - Barra Funda Tel. 11 3613.8400 - Fax 11 3613.8450 CEP 01136-000 - São Paulo, SP, Brasil ISBN 978-85-203-3235-1

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Impresso no Brasil [05-201OJ Fechamento desta edição: [10.04.2010]

IRErrOS RESERVADOS. Proibida a reprodução total ou parcial. por qualquer meio ou processo - Lei 9.610/98.

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