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DCAR 03A/2008 1

MINISTÉRIO DA DEFESA
COMANDO DA AERONÁUTICA
COMANDO-GERAL DE OPERAÇÕES AÉREAS

DOCUMENTO Nº GRAU DE SIGILO EMISSÃOVALIDADE


DCAR 03A OSTENSIVO 19 DEZ 2008
PERMANENTE
ASSUNTO: DISTRIBUIÇÃO
COMGAR VII COMAR
GERENCIAMENTO DE RECURSOS DE CABINE - CRM I COMAR COMDABRA
ANEXOS: II COMAR I FAE
A - Modelo de Cartão de CRM III COMAR II FAE
B - Programa Básico (mínimo) de Treinamento de CRM IV COMAR III FAE
V COMAR V FAE
VI COMAR

1 DISPOSIÇÕES PRELIMINARES

1.1 FINALIDADE

Orientar as Organizações subordinadas quanto à aplicação de instrução de


Gerenciamento de Recursos de Tripulação - “Crew Resource Management” (CRM).

1.2 OBJETIVO

1.2.1 Melhorar o processo decisório das tripulações.

1.2.2 Tornar o vôo mais seguro e evitar perdas humanas e de material.

1.3 RESPONSABILIDADE

Os Comandantes dos Comandos Aéreos e Forças Aéreas são responsáveis pelo


cumprimento desta Diretriz.

Todos os tripulantes das Organizações subordinadas ao COMGAR estão


sujeitos às regras estabelecidas, independentemente de posto ou graduação.

1.4 ÂMBITO

Todas as Organizações subordinadas ao COMGAR.

2 CONSIDERAÇÕES INICIAIS

Apesar da proficiência técnica das tripulações, aspectos relacionados com


fatores humanos como relacionamento interpessoal, capacidade de decisão, comunicação e
priorização de tarefas, dentre outros, foram responsáveis por acidentes e incidentes
aeronáuticos.
2 DCAR 03A/2008

Nesse contexto, surgiu o CRM ou Cockpit Resource Management, um tipo de


treinamento voltado para os pilotos, com vistas a preencher esta lacuna nos esforços da
prevenção de acidentes aéreos. O CRM ganhou espaço e notoriedade, evoluindo de Cockpit
para Crew, ou seja, o gerenciamento passou a abranger toda a tripulação de vôo. Hoje, já se
fala em Company, embora não seja a pauta desta Diretriz.

O “conceito CRM” consiste, basicamente, em um conjunto de idéias aplicáveis


aos recursos disponíveis à tripulação e que visa, em essência, melhorar o desempenho da
tripulação, como equipe, e os processos de tomada de decisão desta.

O “treinamento de CRM” visa melhorar o processo decisório na cabine e


concentra-se nas atitudes e no comportamento dos membros da tripulação, bem como em suas
repercussões em matéria de segurança, aumentando a percepção dos fatores que podem levar
à perda de coordenação e ao acidente.

Em 1998 deu-se início à implantação do treinamento de CRM em todas as


unidades do COMGAR e em 2008, com o apoio do CENIPA, ao realizar cinco cursos
Itinerantes de Facilitadores de CRM, pode-se considerar que todas as unidades subordinadas
possuem militares capacitados para disseminarem os conhecimentos.

“Tripulações treinadas demonstram maior eficiência no gerenciamento de


tarefas críticas na condução de eventos inesperados”.

3 DISPOSIÇÕES GERAIS

3.1 O vôo, que pode se desenrolar sob condições de estresse e muita carga de trabalho,
exigem dos tripulantes militares a coordenação tanto interna na cabine como entre as
aeronaves da formação.

3.2 O CRM deve ser voltado para redução das falhas humanas em incidentes e acidentes
através de melhoramentos do processo decisório, a ser treinado em equipe ou voltado para a
antecipação de situações e estudo organizacional da missão.

3.3 Os Comandantes devem perceber a importância do treinamento de CRM na prevenção de


acidentes e de incidentes.

3.4 Tendo em vista que o CRM complementa a formação técnica dos tripulantes e capacita-os
a gerenciar os recursos disponíveis a bordo, de forma a melhorar o processo de tomada de
decisão e aumentar os níveis de segurança das operações, as Unidades Aéreas deverão:

a) manter um Programa anual de reciclagem do seu QT, só permitindo que o


tripulante participe da atividade aérea estando em dia com a instrução de
CRM;
b) abranger todos os tripulantes na instrução, por se tratar de um método para
melhorar a integração na cabine;
c) promover a formação de novos instrutores capacitados a transmitir a
filosofia do programa aos demais tripulantes, tendo em vista a necessidade
de capacitação de recursos humanos para o desenvolvimento do CRM;
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d) estabelecer um padrão de diálogo entre as tripulações;


e) aumentar o nível de informações oriundas dos diversos setores da aeronave
por meio de seus tripulantes;
f) desenvolver habilidades em seus aeronavegantes para o trabalho em equipe;
e
g) adotar uma cultura de segurança de vôo com enfoque em sua integração em
todos os aspectos de qualquer operação.

3.5 O treinamento, apoiado na habilidade de pilotar e no perfeito conhecimento dos sistemas


da aeronave, deve ser complementado com o CRM conduzido em três fases: instrução formal
em sala de aula (conscientização); exercitação usando simulações; e reforço e reciclagem
anual.

3.6 Todos os tripulantes devem conhecer os conceitos básicos e os objetivos do CRM, com
enfoque à comunicação eficaz, ao trabalho de equipe, à consciência situacional e ao processo
decisório. Assim, poderão adequar o treinamento recebido à sua própria realidade
operacional.

3.7 Durante o treinamento deverão ser desenvolvidos trabalhos de grupo, estudos, exercícios e
vídeos envolvendo o briefing e o debriefing, a crítica, a solução de conflitos, a dinâmica da
tripulação, a assertividade, a consciência situacional, o relacionamento interpessoal e a
liderança.

3.8 Para possibilitar a melhor decisão, por meio da liderança ou supervisão, os “comandantes
de aeronaves” deverão ser orientados a melhor delegar tarefas e responsabilidades, estabelecer
prioridades, comunicar planos e intenções, utilizar os dados disponíveis e a monitorar
adequadamente o desempenho dos outros tripulantes.

3.9 Os Comandantes de Bases e Unidades Aéreas deverão instituir, para a instrução de


Gerenciamento de Recursos de Tripulação, um cartão de CRM, com validade de um ano,
conforme o modelo do Anexo A, sem o qual o aeronavegante não estará habilitado a exercer
função a bordo de aeronaves.

3.10 Os COMAR e as FAE deverão apoiar as Unidades Aéreas subordinadas no sentido de


planejarem e ministrarem instrução de CRM para todos os aeronavegantes envolvidos com a
atividade aérea.

3.11 Esta Diretriz não aborda, mas incentiva iniciativas em atividades de Gerenciamento de
Recursos de Manutenção (MRM) e de Tráfego Aéreo (TRM) - Team (Equipe), cujos
objetivos também são a redução dos efeitos do erro humano e o aumento da consciência
situacional individual e do grupo (Team Situational Awareness).

3.12 No Anexo B consta o programa básico (mínimo) para aplicação de Curso de CRM e suas
reciclagens, o qual aborda um modelo de questionário para diagnóstico da situação
operacional das Bases/UAe, além da grade de aulas a serem ministradas.
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4 DISPOSIÇÕES FINAIS

4.1 A presente Diretriz entrará em vigor na data de sua emissão, revogando a DCAR 003, de
14 Dez. 04.

4.2 Os casos não previstos nesta DCAR serão resolvidos pelo Exmo. Sr. Comandante-Geral
de Operações Aéreas.

Ten Brig Ar JOÃO MANOEL SANDIM DE REZENDE


Comandante-Geral de Operações Aéreas
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ANEXO A - Modelo de Cartão de CRM

MINISTÉRIO DA DEFESA
COMANDO DA AERONÁUTICA
COMANDO-GERAL DE OPERAÇÕES AÉREAS
CARTÃO DE CRM nº 001
Nome: Carlos Alberto dos Santos 5,5 cm
Posto/Graduação UAe Expedida em Validade
Ten Cel Av 6º ETA 19/12/08 19/12/09

___________________________________
Cmt do 6º ETA

8,5 cm
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ANEXO B - PROGRAMA BÁSICO (MÍNIMO) DE TREINAMENTO DE CRM

OBJETIVO:

O principal objetivo do treinamento de CRM é a diminuição da incidência de


falhas humanas na operação, através da melhoria do processo decisório na cabine de vôo.

PASSOS A SEREM SEGUIDOS:

1. Promover o levantamento das condições operacionais (diagnóstico) da Base/UAe


através de

a) Formulação de questionário a ser distribuído a todo o efetivo;


b) Análise dos Relatórios de Prevenção elaborados nos últimos anos;
Ex: Perigo aviário, F.O.D., Esquecimento de item de check-list, Tráfego Aéreo,
Falhas na manutenção e/ou supervisão.
c) Entrevista com 10 % do efetivo, a fim de avaliar o nível de satisfação
pessoal e profissional, bem como o ambiente operacional da Base/UAe;
d) Análise das punições aplicadas em face de violações operacionais de vôo
dos últimos anos;
e) Avaliação dos resultados alcançados pelas contramedidas empregadas nos
últimos anos, com o fim de mitigar as ameaças reveladas neste período; e
f) Avaliação da retenção de conhecimento operacional, alcançado através da
prática dos procedimentos operacionais padrão.

2. Identificar o grau de experiência de todos os tripulantes (oficiais e graduados)

a) IN, 1P, 2P, AL (oficias e graduados);


b) Tripulantes Operacionais – Observadores, Mecânicos, navegadores e outros;
e
c) Médicos e Enfermeiros.

3. Mobilizar o Comando da Organização

a) Definir com o Comandante, objetivando seu envolvimento e mobilização,


através de publicação em Boletim Interno e inclusão do treinamento CRM
no programa de cursos anual da Base/UAe, dando o caráter oficial que o
treinamento requer.

4. Modelo básico de questionário a ser aplicado ao efetivo para diagnose das condições
operacionais

a) Nome:
b) Posto ou Graduação:
c) Idade:
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d) Tempo de serviço:
e) Tempo na Unidade:
f) Horas de Vôo:
g) Função que desempenha na Base/UAe:
h) Escala de serviço que cumpre:
i) Você se sente valorizado na função que exerce: sim ( ) não ( )
j) Você entende que os treinamentos operacionais oferecidos atendem as
necessidades técnicas da Base/UAe: sim ( ) não ( )
k) A sua atividade profissional exerce alguma influência negativa na sua vida
familiar: sim ( ) não ( )
l) O fluxo de informações (a comunicação) na sua rotina de trabalho é
eficiente: sim ( ) não ( )
m) O seu relacionamento profissional com superiores é satisfatório:
sim ( ) não ( )
n) O seu relacionamento profissional com subordinados é satisfatório:
sim ( ) não ( )
o) Sua atividade profissional exige cumulatividade de atribuições:
sim ( ) não ( )
p) Caso tenha assinalado sim no item anterior, considera que isso influência
negativamente seu desempenho no trabalho: sim ( ) não ( )
q) O seu uniforme de serviço é adequado para o exercício de suas atividades:
sim ( ) não ( )
r) As instalações da sua unidade são apropriadas para a sua permanência e
exercício das suas funções: sim ( ) não ( )
s) Comentários adicionais:

5. Como é conduzido o treinamento

O treinamento deve ser conduzido em 03 fases:


1- Conscientização – onde são disseminados os conceitos que fundamentam o
CRM, na qual é realizada a instrução formal em sala de aula;
2- Exercitação – na qual se faz um treinamento prático, normalmente usando
simulações filmadas, práticas de trabalho em equipe e etc.; e
3- Reciclagem – onde se busca reforçar e sedimentar os conceitos e as
mudanças de atitudes.

6. Temas básicos a serem abordados

Os temas abordados no CRM serão definidos após análise do diagnóstico,


sendo analisados, também, os pontos sensíveis da atividade operacional. Os temas básicos do
treinamento CRM, a princípio são:
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a) Introdução;
b) Comunicação
c) Dinâmica da tripulação
d) Consciência Situacional
e) Processo Decisório;
f) Doutrina de Segurança de Vôo; e
g) LOFT

Matéria: Introdução
Objetivo:
Os alunos serão capazes de valorizar a importância do programa de treinamento do CRM.

Conteúdo básico:
Conceito; Origem de CRM; e Estatísticas

Matéria: Comunicação
Objetivo:
Os alunos serão capazes de valorizar a importância do processo de comunicação para o
gerenciamento de recursos de tripulação.
Conteúdo básico:
Elementos da comunicação; Barreiras; Filtros; Briefing e Debriefing; Crítica;
Assertividade; e Relacionamento Interpessoal
Matéria: Dinâmica da Tripulação
Objetivo:
Os alunos serão capazes de identificar as corretas técnicas de trabalho em equipe, visando
otimizar o gerenciamento de recursos de tripulação.
Conteúdo básico:
Liderança; Equipe / Grupo; e Cooperação
Matéria: Consciência Situacional (CS)
Objetivo:
Os alunos serão capazes de valorizar a consciência situacional como um importante fator de
redução de acidentes.
Conteúdo básico:
Dinâmica da CS; Cadeia de erros; e Fatores de diminuição da CS.
Matéria: Processo Decisório
Objetivo:
Os alunos serão capazes de identificar todos os elementos do processo decisório,
relacionando-os com o gerenciamento de recursos de tripulação.
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Conteúdo:
Elementos do Processo decisório; e Atitudes perigosas
Matéria: Doutrina de Segurança de Vôo
Objetivo:
Os alunos serão capazes de valorizar a Segurança de Vôo como um importante fator de
redução de acidentes.
Conteúdo básico:
Filosofia SIPAER; Cultura Organizacional; e Apresentação de um acidente
Matéria: LOFT
Objetivo:
Os alunos conhecerão o conceito de LOFT, bem como compreenderão sua importância como
meio de avaliação dos conceitos adquiridos no treinamento de CRM.
Conteúdo:
Conceito; Cenário ; Briefing; e Debriefing

Obs:

a) O Treinamento de LOFT deverá ser aplicado sem a presença de pessoas que


não estejam envolvidas na simulação;

b) Não há a necessidade de que o treinamento seja realizado ao fim do Curso


ou Reciclagem, mas que necessariamente seja realizado apenas por aqueles
que participaram do curso teórico; e

c) Os pontos positivos e negativos dos treinamentos deverão ser apresentados


no debriefing para todos os tripulantes da UAe.

7. Reciclagem

A reciclagem do curso de CRM será realizada a cada 01 ano, com reciclagem


teórica e treinamento de LOFT.