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Guia para o professor Projeto de leitura 7 LENDAS E OUTRAS 70 SABEDORIAS DO FOLCLORE

Guia para o professor

Projeto de leitura

7 LENDAS E OUTRAS 70 SABEDORIAS

DO FOLCLORE BRASILEIRO

ZULEIKA DE ALMEIDA PRADO Ilustração: Tatiana Paiva

A OBRA Indicação de leitura: leitor em processo (9 a 10 anos) Resumo: nessa coletânia,
A OBRA
Indicação de leitura: leitor em processo (9 a 10 anos)
Resumo: nessa coletânia, a autora reuniu lendas, parlendas, ditados populares,
nomes de seres apavorantes, brincadeiras, simpatias e provérbios para mostrar
como o folclore brasileiro é rico e cheio de surpresas. Eles são apresentados de
sete em sete – sete lendas, sete parlendas, sete ditados etc. –, número “perfei-
to” segundo a tradição popular.
Eixos temáticos: folclore, lendas, mitos, parlendas, adivinhas, quadrinhas, brincadeiras
Interdisciplinaridade: língua portuguesa, geografia, história
Tema transversal: pluralidade cultural, ética, meio ambiente
transversal: pluralidade cultural, ética, meio ambiente Formato: 21x28 cm • 40 páginas ISBN: 978-85-617-3016-1

Formato: 21x28 cm • 40 páginas ISBN: 978-85-617-3016-1

POR QUE LER

Porque o folclore representa a cultura de um povo, sua sabedoria, seu modo de fazer e de ser no mundo. Conhecer nossa própria herança cultural e a de outros povos permite nos reconhecermos como parte de uma comunidade e respeitarmos outras ideias e costumes.

Estrutura da obra

A narração das sete lendas, que sustenta a estrutura do livro, é intercalada com adivinhas, ditos populares, par- lendas, quadrinhas e brincadeiras.

Principais conceitos

Folclore

Arte

Diversidade Cultural

ANTES DE LER

As lendas são uma forma de explicar o desconhecido e carregam em si séculos de sabedoria popular acumulada.

• Escureça a sala o máximo que puder e convide seus alu- nos a formar uma roda. Explique a eles que conversar

e contar histórias à noite, ao redor de uma fogueira,

após um dia de trabalho era costume de muitos povos.

Relatar como foi o dia e contar causos, histórias reais ou inventadas era uma forma de manter a comunidade unida e de transmitir aos mais novos os conhecimentos

e histórias de seu povo. Pergunte a seus alunos como

isso é feito hoje em dia: será que os livros, a televisão e

a internet cumprem esse papel? Na atualidade, quan- do a família se reúne para conversar?

• Acenda uma vela no meio da roda e diga que vocês vão vivenciar esse antigo costume. Pergunte se al- guém quer contar alguma coisa para o grupo, se al- guém conhece uma parlenda ou quadrinha. Ensine algumas (veja no próprio livro e consulte nos sites sugeridos em “Conecte-se”). Depois, diga a seus alu- nos que o fogo era muito importante para nossos an- cestrais: com o fogo, eles cozinhavam, iluminavam o ambiente durante a noite, se aqueciam do frio e afas- tavam os animais ferozes. Mas muito antigamente os povos tinham dificuldade para fazer fogo e dominá-lo. Por isso, há uma lenda indígena que explica simbolica- mente como o fogo passou a pertencer àquele povo. Convide-os a ouvir a sua leitura da lenda “Como é que o fogo foi roubado” (página 24).

DURANTE A LEITURA

Leia a história para seus alunos (você pode também en- siná-los a cantar a música “Sapo cururu”). Explique que essa lenda foi uma forma de o povo indígena explicar a origem do uso do fogo. Leia para seus alunos os títulos das outras lendas e pergunte se eles querem conhecer mais uma. Depois convide-os a fazer a leitura silenciosa de todo o livro.

Como ler as ilustrações

A ilustradora usa a técnica da colagem de tecido, ren-

das, lã e papel para fazer as ilustrações. Chame a aten- ção dos seus alunos para os efeitos que ela conseguiu e peça a eles para tentar identificar os materiais usados nas ilustrações. Por exemplo, na página 14, ao fazer

a folhagem da árvore, ela usou linhas. Na página 17,

explique o efeito de transparência que a ilustradora ob- teve pela colagem de telas para representar o fogo. Na

página 22, mostre o belo resultado estético nas roupas das moças (ajude-os a perceber que a cor verde de suas

roupas e as penas nos brincos e na cintura remetem ao fato de que elas são papagaias transformadas). Nas páginas 30 e 31, pergunte às crianças de que material foram feitos os ninhos (fiapos de tecido marrom). Na página 35, observem o halo ao redor da lua, também feito com tela para dar efeito de transparência.

CONECTE-SE

Usando outras fontes de pesquisa, você enriquece sua aula e a torna mais interessante e divertida.

Cinema

Pequenas histórias (Imagem filmes, 2007) – Uma se- nhora contadora de histórias, costurando retalhos de pano, conta quatro histórias do folclore.

Literatura

A casa das dez Furunfunfelhas, de Lenice Gomes, ilus-

trado por Romont Willy (Mundo Mirim, 2010). Na casa cheia de fitas, vivem as dez Furunfunfelhas. A autora se utiliza de tangolomangos (espécie de conto cumula- tivo) para contar a história das irmãs. Além disso, traz trava-línguas e adivinhas.

Amigos do folclore brasileiro, de Jonas Ribeiro, ilustra- do por Nilton Bueno (Mundo Mirim, 2010). O autor reuniu doze lendas brasileiras, distribuídas de acordo com a região em que estão mais presentes.

Saci, de Mouzar Benedito (org.) (Mundo Mirim, 2011). Este livro reúne relatos de pessoas que garantem que já viram sacis nos lugares mais inusitados. Pelas histó- rias das aparições, o leitor pode descobrir as várias fa- cetas desse personagem, símbolo da cultura brasileira.

Minha avó dizia, de Débora Slikita (Mundo Mirim, 2011). Este livro resgata crenças e sabedorias popula- res, desvendando sua origem e o que há de científico em cada uma delas.

Na série “Contos de fadas em cordel”, da Mundo

Mirim, o leitor aprende sobre essa forma de literatura bem brasileira e conhece contos tradicionais de todo

o mundo:

João e o pé de feijão em cordel, de César Obeid, ilustra- ções de Eduardo Ver.

O soldado que assustou a morte, de Fábio Sombra.

O patinho feio em cordel, de César Obeid, ilustrações de Eduardo Ver.

A Bela e a Fera em cordel, de Claro Rosa Cruz Gomes, ilustrações de Eduardo Ver.

O

Nireuda

rouxinol

e

o

imperador

em

cordel,

de

Longobardi.

Na série “Lendas do Mundo”, da Editora Mundo Mirim,

o leitor tem contato com a cultura de diversos povos ao redor do mundo:

Como o criador fez surgir o homem na Terra e outras histórias da tradição Zulu, de Júlio e Débora D’Zambê, ilustrado por Maurício Veneza – o livro traz lendas da tradição Zulu, cheias de mistério e fantasia que des- pertam a imaginação e a sensibilidade.

DEPOIS DE LER

As lendas explicam a origem do mundo e/ou procuram transmitir valores morais:

• Na lenda “As noivas da estrela-d’alva”, converse com seus alunos sobre o comportamento de Denakê: a princípio ela se ofereceu em casamento com pena de Tahina-Can, mas logo viu que ele, mesmo idoso, po- dia trabalhar e inclusive plantar alimentos que eles ainda nem conheciam, valorizando sua experiência. Converse também sobre o sentimento de inveja de Imaerô. Esse conto explica como os índios Carajás aprenderam a cultivar alimentos.

• Em “O dia em que a vitória-régia foi morar no céu”, podemos ver a busca da vitória-régia para encontrar seu lugar no mundo. Ele explica a origem e as cores da estrela vespertina, a primeira a aparecer no céu quando anoitece (planeta Vênus).

• Em “Como surgiram os diamantes”, podemos ver a cobiça e o sentimento de união. Ele explica como os diamantes surgiram e se espalharam pelo Brasil.

• Em “Os papagaios encantados”, temos o tema do “tra- balho” e do “amor”. Ele explica porque o sol aparece de dia, e a lua, de noite.

• Em “Como é que o fogo foi roubado” temos a valentia de Baíra e a solidariedade dos animais. A lenda expli- ca como os indígenas dominaram o fogo.

• “O casamento da dona Chupim” trata da responsabi- lidade. A lenda explica porque os chupins botam seus ovos em ninhos alheios.

• Em “Chora-lua”, é tratado o sentimento de rejeição. Ele explica o hábito noturno, o aspecto e o canto da ave chora-lua.

Essas lendas são importantes também porque marcam valores, como honestidade e perseverança, e oferecem caminhos para se aprender a lidar com os sentimentos negativos, como a raiva e a inveja. Pergunte: “Os valores importantes para esses povos antigos continuam importantes hoje?” (Encoraje seus alunos a perceberem como muitos desses valores são universais e válidos até hoje.) “Ainda explicamos as coisas com lendas?” (Lembre-os das lendas urbanas, histórias inventadas ainda hoje para explicar fenômenos que não conseguimos entender pela razão.) “Que outros modos temos de explicar o mundo?” (A ciência é um desses modos.) Converse com seus alunos sobre isso.

ASSUNTO PUXA ASSUNTO

O folclore não é um tema distante da vida cotidiana. Brincadeiras, lendas (tradicionais ou urbanas) e di- tos populares estão presentes na vida de todos nós. Reconhecer-nos como elo de uma corrente, como gera- ção que recebe e transmite sabedoria acumulada, nos faz mais responsáveis pelo patrimônio material e ima- terial, mais orgulhosos do que somos e mais capazes de respeitar o que é diferente de nós, porque também enxergamos outras culturas como parte importante de nossa civilização.

O Rei Midas e a Princesa Lia, de Eliana Martins, ilustra-

do por Tatiana Paiva – versão do mito grego ‘O toque de Midas’, que conta a história de um rei que queria ficar cada vez mais rico e que recebe o poder de trans- formar tudo o que toca em ouro.

A princesa vampira, de Jonas Ribeiro, ilustrado por

Adriana Vegas e Roger Marmo – versão bem-humo- rada de uma lenda espanhola que conta a história de uma anti-heroína: uma princesa que, ao invés de bus- car um príncipe para se casar, sai em busca de vítimas

para devorá-las, literalmente.

Tanabata, de Sylvia Manzano, ilustrado por Tati Móes

– versão de uma lenda japonesa que conta a origem

do festival de Tanabata, comemorado no Brasil no mês

de julho.

O nascimento dos Andes e outras lendas pré-colombianas,

de Eraldo Miranda, ilustrado por Oriol San Julián – em três fascinantes histórias da literatura oral pré-colom- biana, você vai encontrar personagens e muitos traços culturais desses povos misteriosos e lendários. Assim, seus alunos conhecem e respeitam o modo de ser e viver de outros povos.

Internet

www.jangadabrasil.com.br/galeriademitos/ Site com a descrição de várias criaturas do folclore. Esta fonte pode ser usada para fazer personagens de fan- toche ou criar outros misturando suas características.

www.cnfcp.gov.br/ Site do Museu do Folclore. Aqui

o internauta pode fazer uma visita virtual pelo museu, baixar arquivos e obter informações sobre alguns te- mas da cultura popular.

augustopessoacontadordehistorias.blogspot.com/ Este site traz contos folclóricos e ensina a fazer alguns brinquedos populares.

revistaescola.abril.com.br/folclore/ – Este site traz in- formações interessantes sobre folclore e como traba- lhar o assunto em sala de aula.

•Procurem conhecer a cultura popular da onde vocês moram. Se houver uma lenda sobre determinado local, visite-o com seus alunos. Se for possível, converse com moradores antigos. Apresente a seus alunos artesana-

isso

faz parte do patrimônio cultural de um povo. Faça um livro sobre o que vocês conseguiram descobrir.

•Pesquisem também lendas do mundo inteiro. Os alu- nos podem se dividir em grupos para pesquisar regiões diferentes. Depois vocês podem conversar sobre cada lenda naquela cultura. Por exemplo, entre os indígenas ou tribos africanas, o trabalho é feito em grupo e todos dependem de todos. Então, histórias que falam de co- operação e altruísmo transmitem valores importantes para a sobrevivência daquele povo.

•As lendas se espalham de boca em boca e, assim, se modificam. Afinal, “quem conta um conto aumenta um ponto”. Que tal seus alunos procurarem outras versões das lendas do livro e compará-las? Como parte dessa mesma atividade, reúna vários tipos de materiais, se- melhantes ou diferentes dos usados pela ilustradora, e proponha aos alunos criarem suas próprias ilustrações para as histórias que encontraram. Eles podem tam- bém criar novas versões sobre o mesmo assunto ou en- tão criarem lendas “explicando” a origem do mar, de algum animal ou planta. Por exemplo, nas páginas 28 e 29, temos seres apavorantes e encantadores do nosso folclore. Seus alunos podem criar outros seres, pensar em suas características, fazer fantoches utilizando a técnica da colagem e encenar histórias criadas por eles.

•O livro fala do pião (página 37), um brinquedo popular que talvez seus alunos não conheçam. Façam uma pes- quisa sobre brinquedos populares (peteca, bilboquê, barangandão, pipa etc.) e montem uma grande oficina, onde os alunos ensinam uns aos outros como fazer es- ses brinquedos tradicionais e como brincar com eles.

to, receitas, danças, músicas, festas típicas

Tudo

SOBRE A ESCRITORA Zuleika de A. Prado é professora e incentivadora da leitura. Por isso fundou o “Clube do Livro 6 aos 16” em Junqueirópolis (SP). Adora crianças, livros e animais. Escreveu mais de 20 livros infantis. Interessa-se pelo folclore e mitologia de uma maneira geral. Recebeu o prêmio Jabuti pelo livro “Nosso folclore”. SOBRE OS ILUSTRADORES Tatiana Paiva é paulista. Desde criança já gostava de desenhar. Formou-se em Comunicação Visual na FAAP. Conheça mais seu trabalho em: www.tatipaiva.com.br/br/index.html

ELABORADO POR SIMONE BIBIAN – escritora, dramaturga, pedagoga. Especialista em psicopedagogia e em literatura infantojuvenil, é professora de oficina de leitura para crianças e jovens e educadora do Museu Nacional de Belas Artes (RJ). Blog: simonebibian.blogspot.com