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NOÇÕES DE DIREITO

NOÇÕES DE DIREITO

Prof. Adriano Augusto Placidino Gonçalves NOÇÕES DE DIREITO Graduado pela Faculdade de Direito da Alta

Prof. Adriano Augusto Placidino Gonçalves

NOÇÕES DE DIREITO

Graduado pela Faculdade de Direito da Alta Paulista – FADAP. Advogado regularmente inscrito na OAB/SP

1. SOCIEDADE, ORDEM SOCIAL E ORDEM JURÍDICA. SOCIEDADE E ESTADO. ESTADO: ORIGEM, FORMAÇÃO, ELEMENTOS E FINALIDADE. ESTADO E DIREITO: DEMOCRACIA E REPRESENTAÇÃO POLÍTICA.

SOCIEDADE, ORDEM SOCIAL E ORDEM JURÍDICA.

Sociedade é toda forma de coordenação das atividades humanas objetivando um determinado fim e regulada por um conjunto de

normas (Celso Bastos). Por essa definição podemos identificar as características uma sociedade: união de pessoas dirigida a uma finali- dade, mediante ações coordenadas e reguladas por normas. “A sociedade é produzida por nossas necessidades e o governo por nossa perversidade” (Thomas Paine, Senso comum)

“A sociedade é feita e imaginada (

Origem da sociedade

)

portanto, ela pode ser refeita e reimaginada” (Roberto Mangabeira Unger, Política)

O homem: animal político. O ser humano é um ser social. Desde o nascimento, vive normalmente em sociedade: família, escola, clube, igreja, cidade, Estado (país), sociedade global. Embora a vida em sociedade traga restrições à liberdade, ser humano isolado é uma exceção. O que leva o homem a viver em sociedade? Por que vivemos em sociedade? Determinar o motivo pelo qual o ser humano vive em sociedade é importante para se determinar a posição do indivíduo na socie- dade: o ser humano foi feito para a sociedade ou a sociedade foi feita para o ser humano? O que é mais importante, a coletividade ou o indivíduo?‡

Teorias sobre a origem da sociedade

a) Ideia da Sociedade Natural: afirma a existência de fatores naturais determinando que o homem procure a permanente associa-

ção com outros homens, como forma normal de vida. A sociedade é o produto da conjugação de um simples impulso associativo natural

e da cooperação da vontade humana. Filósofos: Aristóteles, Santo Tomás de Aquino, Cícero, Oreste Ranelletti. “A sociedade que se formou da reunião de várias aldeias constitui a Cidade, que tem a faculdade de se bastar a si mesma, sendo

organizada não apenas para conservar a existência, mas também para buscar o bem-estar. Esta sociedade, portanto, também está nos

desígnios da natureza (

É, portanto, evidente que toda Cidade está na natureza e que o homem é naturalmente feito para a sociedade

)

política” (Aristóteles - 384 a.C. - 322 a.C.)

b) Ideia do Contrato Social: sustenta que a sociedade é o produto de um acordo de vontades, ou seja, de um contrato hipotético

celebrado entre os homens. Filósofos: Thomas Hobbes, John Locke, Montesquieu e Rousseau. Os contratualistas:

a) Thomas Hobbes (1588-1679): a natureza humana não muda, é sempre a mesma (conhece-te a ti mesmo). O homem é mau, inve- joso, ambicioso, cruel e não sente prazer na companhia do outro. O estado de natureza é uma “guerra de todos contra todos”, o “homem

é o lobo do homem”. Sem lei nem autoridade, todos têm direito a tudo. A vida é “solitária, pobre e repulsiva, animalesca e breve”. Para

fugir desse estado, reúnem-se em sociedade e firmam o contrato social, estabelecendo uma autoridade soberana com poder ilimitado e incontestável para impor a ordem (Estado - Leviatã). O pacto é de submissão e não pode ser quebrado. A obra de Hobbes serviu como justificação do absolutismo. Obra: O Leviatã. “Porque as leis de natureza (como a justiça, a equidade, a modéstia, a piedade, ou, em resumo, fazer aos outros o que queremos que nos façam) por si mesmas, na ausência do temor de algum poder capaz de levá-las a ser respeitadas, são contrárias a nossas paixões

naturais, as quais nos fazem tender para a parcialidade, o orgulho, a vingança e coisas semelhantes. E os pactos sem a espada não passam

À multidão assim unida numa só pessoa se chama Estado, em latim civitas. É esta a geração daquele grande Leviatã,

ou melhor (para falar em termos mais reverentes), daquele Deus Mortal, ao qual devemos, abaixo do Deus Imortal, nossa paz e defesa. Pois graças a esta autoridade que lhe é dada por cada indivíduo no Estado, é-lhe conferido o uso de tamanho poder e força que o terror assim inspirado o torna capaz de conformar as vontades de todos eles, no sentido da paz em seu próprio país, e da ajuda mútua contra os inimigos estrangeiros”.(Hobbes)

de palavras (

)

próprio país, e da ajuda mútua contra os inimigos estrangeiros”.(Hobbes) de palavras ( ) Didatismo e

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NOÇÕES DE DIREITO b) John Locke (1632-1704): inspirador da “Revolução Gloriosa”, que estabeleceu a monarquia

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b) John Locke (1632-1704): inspirador da “Revolução Gloriosa”, que estabeleceu a monarquia moderada na Inglaterra (1688-89).

Para Locke, o estado de natureza é pacífico, com os homens gozando dos direitos naturais à vida, à liberdade e aos bens. O contrato so- cial serve para a proteção desses direitos e o consentimento é a base da autoridade. O Estado, formado com base no contrato, tem poder limitado e baixo grau de intervenção na vida social (individualismo liberal). Caso o governo não cumpra o dever de proteger os direitos naturais, o povo possui direito à rebelião. Influiu na independência dos EUA. Obra básica: Segundo tratado sobre o governo.

“O poder político é o que cada homem possuía no estado de natureza e cedeu às mãos da sociedade e dessa maneira aos governantes,

que a sociedade instalou sobre si mesma, com o encargo expresso ou tácito de que seja empregado para o bem e para a preservação de

sua propriedade (

que empregar a força sobre o povo, sem autoridade e contrariamente ao encargo contratado, a quem assim procede, constitui estado de guerra com o povo, que tem o direito de restabelecer o poder legislativo ao exercício de seus poderes” (Locke)

Digo

)

Esse poder tem origem somente no pacto, acordo e assentimento mútuo dos que compõem a comunidade (

)

c) Barão de Montesquieu (1689-1755). Filósofo francês que elaborou a teoria da separação de poderes como forma de garantir a

liberdade. Para ele, o estado de natureza era pacífico. Os seres humanos se aproximam pelo medo e pela atração mútua. O estado de guerra começa depois do surgimento da sociedade, surgindo a necessidade do estabelecimento, por acordo, das leis e do Estado, que devem ser organizados de forma apropriada para cada sociedade, pois as leis são as ³relações necessárias que derivam da natureza das coisas´. Influência no constitucionalismo. Obra: O espírito das leis.

Semelhante não sentiria a princípio senão a sua fraqueza;

sua timidez seria extrema (

paz seria a primeira lei natural (

Os homens, tão logo se acham em sociedade, perdem o

sentimento de fraqueza; a igualdade, que existia entre eles, cessa; e o estado de guerra começa ( [de nação contra nação e indivíduo contra indivíduo] fazem estabelecer as leis entre os homens(

deve admitir-se, é aquele cuja disposição particular melhor corresponde à disposição do povo para o qual é estabelecido” (Montesquieu)

Nesse estado, cada qual sente-se inferior; mal percebe a igualdade. Nem procurariam pois atacar-se, e a

Mas as demonstrações de um temor recíproco fá-los-iam logo aproximar-se. Seriam levados talvez

pelo prazer que sente um animal à aproximação de outro da sua espécie (

Esses dois tipos de estado de guerra O governo mais conforme à natureza,

“O homem, no estado natural (

)

)

)

pensaria na conservação do seu ser (

)

)

)

)

d) Jean Jacques Rousseau (1712-1778). Filósofo suíço que viveu na França, sua obra, afirmando a soberania popular e os princípios

de liberdade e igualdade das pessoas, teve grande influência na democracia moderna. Precursor do Romantismo, para ele os seres hu- manos eram livres, iguais e bons no estado de natureza, mas perdem a liberdade e a igualdade após o estabelecimento de uma sociedade

baseada na propriedade. Prega, então, a necessidade de um contrato social legítimo, que garanta a liberdade e a igualdade de todos, com

a prevalência da soberania do povo (vontade geral). Influência na Revolução Francesa. Obras: ‘Discurso sobre a desigualdade’ e ‘O

Contrato Social’. “O primeiro que, tendo cercado um terreno, lembrou-se de dizer: “Isto é meu”, e encontrou pessoas bastante simples para crê-lo,

foi o verdadeiro fundador da sociedade civil. Quantos crimes, guerras, mortes, quantas misérias e horrores não teria poupado ao gênero humano aquele que, arrancando as estacas ou enchendo o fosso, tivesse gritado aos seus semelhantes: “guardai-vos de escutar este im-

“Encontrar uma forma de associação

que defenda e proteja, com a toda a força comum, a pessoa e os bens de cada associado, e pela qual cada um, unindo-se a todos, só obedece contudo a si mesmo, permanecendo assim tão livre quanto antes. É esse o problema fundamental ao qual o Contrato Social dá

a solução”. (Rousseau) Atualmente, predomina a ideia de que a sociedade é resultante de uma necessidade natural do homem, sem excluir a participação da consciência e da vontade humana.

postor; estais perdidos se esquecerdes que os frutos são para todos, e que a terra é de ninguém!”(

)

Ordem social e Ordem jurídica

Um dos princípios de ordem é o de organização, dentro de um meio. Essa organização é estabelecida através das necessidades dos

indivíduos que a constituem. Sabemos que o homem estabelecendo relações forma sociedade, e a coordenação de atividades objetivando um determinado fim, e o conjunto de normas que compactuam com seus interesses pontuando seus direitos e deveres, chegará ao bem comum. Dentro destes aspectos, à sociedade usa formas de ordens para que se mantenha certo equilíbrio na organização desse meio. A seguir veremos o significado dessas ordens e suas características:

Ordem social: é a forma de organização que à sociedade se utiliza para se organizar junto à suas regras, leis e normas, mantendo

assim o equilíbrio da sociedade.

Ordem jurídica: Tendo como complemento a denominação da ordem social acima descrito, vem com o intuito de organizar man-

ter, cuidar, das regras, leis e normas, fazendo-as ativas e impostas para a sociedade de uma forma a disciplinar e harmonizar o convívio entre os seus integrantes.

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a sociedade de uma forma a disciplinar e harmonizar o convívio entre os seus integrantes. -

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NOÇÕES DE DIREITO Podemos então dizer que as duas ordens estão intrinsecamente ligadas. É claro

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Podemos então dizer que as duas ordens estão intrinsecamente ligadas. É claro que nem sempre dentro da sociedade, haverá com- pletamente aceitação destas leis e normas, mas, em um modo geral se elas não foram formadas por um grupo de pessoas ou um poder cedido a alguém ou até mesmo imposto, essas formas de ordem no modo geral visam estabelecer o bem comum da maioria dos indiví- duos. Temos como exemplo “Os Três Poderes”, Poder Executivo (aplica as leis), Poder Legislativo (cria as leis e fiscaliza o executivo) e Poder Judiciário (julga as leis). Tais poderes variam de país para país, mas mantêm o mesmo intuito, que é o de organização e implicação das leis e normas estabelecidas dentro de qualquer sociedade, indiferentemente dos seus modelos de governo, para assim chegar o fim de harmonizar e gerar o bem comum.

Em virtude dos objetivos a que elas estão ligadas, tendo em conta a forma de que se revestem e as circunstâncias em que se verifi- cam, as manifestações de conjunto ordenados devem atender a três requisitos: reiteração, ordem e adequação.

Reiteração – é indispensável que os membros da sociedade se manifestem em conjunto reiteradamente, pois só através da ação conjunta, continuamente reiterada, o social terá condições para a consecução dos seus objetivos. Neste sentido, o que verdadeiramente importa é, de forma continuada, a sociedade, através dos seus elementos, realize manifestações de conjunto, visando a consecução da sua finalidade. Obviamente, para que haja o sentido de conjunto e para que se assegure um rumo certo, os atos praticados isoladamente devem ser conjugados e integrados num todo harmónico Daí a necessidade da existência de ordem, que pode ser natural e social ou humana.

Ordem – uma ordem é natural quando está submetida ao princípio de causalidade, ou seja, sempre que há uma condição, ocorrerá

a mesma consequência, não podendo haver qualquer interferência que altere a correlação. Uma ordem social ou humana é a que decorre

de todas as leis referentes ao agir do homem. Ela aplica-se ao princípio da imputação, cuja condição pode ou não gerar uma determinada consequência. A ordem social pode ser norma moral, norma jurídica e convencionalismos sociais. Observações:

- Norma moral é uma ordem social ou humana reconhecida por todos como desejável para uma boa convivência, quando contra- riada por alguém, este não pode ser compelido a proceder de outra forma, mesmo que incorra no desagrado de todos. Norma jurídica é uma ordem social que decorre de uma relação de direitos e deveres, ligando dois ou mais indivíduos, donde se atribui ao predicado ou a terceiro a faculdade de exigir o seu cumprimento ou a punição do infrator. - Convencionalismos sociais não são mais que preceitos de decoro, etiqueta, moda, cortesia, etc. Os convencionalismos sociais diferem da norma jurídica porque não têm atributividade, bem como, também, diferem da norma moral, pois esta exige interioridade, implicando retidão de intenção ou um propósito bom, enquanto os convencionalismos apenas impõem exterioridade, não se importando com bons ou maus propósitos do sujeito.

Adequação – este requisito traduz-se na observação de que cada indivíduo, ou cada grupo, ou a própria sociedade no seu todo, devem sempre ter em conta as exigências, as possibilidade e especificidade da realidade social, para que as ações não se desenvolvam em sentido oposto daquele que conduz efetivamente ao bem comum, ou para que a consecução deste bem comum não seja prejudicada pela utilização deficiente ou errónea dos recursos sociais disponíveis.

SOCIEDADE E ESTADO.

O conceito de Sociedade e Estado, na linguagem dos filósofos e estadistas, têm sido empregados ora indistintamente, ora em con-

traste, aparecendo então a Sociedade como círculo mais amplo e o Estado como círculo mais restrito. Sociedade vem primeiro; o Estado, depois.

A Sociedade, algo interposto entre o indivíduo e o Estado, é a realidade intermediária, mais larga e externa, superior ao Estado,

porém inferior ao indivíduo, como medida de valor.

O conceito de Sociedade tomou sucessivamente três caminhos no curso de sua caminhada histórica. Foi primeiro jurídico, com

Rousseau; depois econômico, com Marx e enfim, sociológico, com Comte. Rousseau foi o filósofo que distinguiu com mais acuidade a Sociedade do Estado. Por Sociedade, entendeu ele o conjunto daqueles grupos fragmentários, daquelas “sociedades parciais”, onde do conflito de interesses reinantes, só se pode recolher a vontade de todos,

ao passo que o Estado vale como algo que se exprime numa vontade geral, a única autêntica, captada diretamente da relação indivíduo- -Estado, sem nenhuma interposição ou desvirtuamento por parte dos interesses representados nos grupos sociais interpostos. Marx e Engels conservam a distinção conceitual entre Estado e Sociedade, deixando porém de tomar o Estado como se fora algo separado da Sociedade, que tivesse existência à parte, autônoma, como realidade externa, cujo exame já não lembrasse o que em si há de profundamente social, pois o Estado é produto da Sociedade, instrumento das contradições sociais, e só se explica como fase histórica,

à luz do desenvolvimento da Sociedade e dos antagonismos de classe. O Estado não está fora da Sociedade, mas dentro, posto que se distinga da mesma.

de classe. O Estado não está fora da Sociedade, mas dentro, posto que se distinga da

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NOÇÕES DE DIREITO A Sociologia, desde Comte, forceja por apagar a antinomia Estado e Sociedade.

NOÇÕES DE DIREITO

A Sociologia, desde Comte, forceja por apagar a antinomia Estado e Sociedade. Reduz o Estado a uma das formas de Sociedade,

caracterizada pela especificidade de seu fim - a promoção da ordem política, a organização coercitiva dos poderes sociais de decisão, em concomitância com outras sociedades, como as de natureza econômica, religiosa, educacional, linguística, etc.

A Sociedade, segundo Bobbio, tanto pode aparecer em oposição ao Estado como debaixo de sua égide. Daqui, portanto esse concei-

to de Sociedade: “Conjunto de relações humanas intersubjetivas, anteriores, exteriores e contrárias ao Estado ou sujeitas a este.”

No mundo moderno, o homem, desde que nasce e durante toda a existência, faz parte, simultânea ou sucessivamente, de diversas

instituições ou sociedades, formadas por indivíduos ligados por parentesco, interesses materiais ou objetivos espirituais. Elas têm por fim assegurar ao homem o desenvolvimento de suas aptidões físicas, morais e intelectuais, e para isso impõem certas normas, sancionadas pelo costume, a moral ou a lei.

A primeira em importância, a sociedade natural por excelência, é a família, que o alimenta, protege e educa. As sociedades de nature-

za religiosa, ou Igrejas, a escola, a Universidade, são outras tantas instituições em que ele ingressa; depois de adulto, passa ainda a fazer parte de outras organizações, algumas criadas por ele mesmo, com fins econômicos, profissionais ou simplesmente morais: empresas comerciais, institutos científicos, sindicatos, clubes, etc. O conjunto desses grupos sociais forma a Sociedade propriamente dita. Mas, ainda tomado neste sentido geral, a extensão e a compreensão do termo sociedade variam, podendo abranger os grupos sociais de uma cidade, de um país ou de todos os países, e, neste caso, é a sociedade humana, a humanidade. Contudo, há uma sociedade, mais vasta do que a família, menos extensa do que as diversas Igrejas e a humanidade, mas tendo sobre as outras uma proeminência que decorre da obrigatoriedade dos laços com que envolve o indivíduo; é a sociedade política, o Estado. Os grupos humanos a que aludimos são sociedades, porém nem todos os grupos humanos formam uma sociedade. Na acepção científica do termo, sociedade é uma coletividade de indivíduos reunidos e organizados para alcançar uma finalidade comum. De modo mais analítico, pode-se dizer que uma sociedade é a união moral de seres racionais e livres, organizados de maneira estável e eficaz para realizar um fim comum e conhecido por todos os interessados.

O Estado, portanto, é uma sociedade, pois se constitui essencialmente de um grupo de indivíduos unidos e organizados permanen-

temente para realizar um objetivo comum. E se denomina sociedade política, porque tendo sua organização determinada por normas de

Direito positivo, é hierarquizada na forma de governantes e governados e tem uma finalidade própria, o bem público. E será uma socie- dade tanto mais perfeita quanto sua organização for mais adequada ao fim visado e quanto mais nítida for, na consciência dos indivíduos,

a representação desse objetivo, a vontade com que a ele se dedicarem. Com exceção da família, a que, pelo nascimento, o homem forçosamente pertence, mas de cuja tutela se liberta com a maioridade, em todas as outras sociedades ele ingressa voluntariamente e delas se retira quando quer, sem que ninguém possa obrigá-lo a permane- cer. Da tutela do Estado, o homem não se emancipa jamais. O Estado o envolve na teia de laços inflexíveis, que começam antes de seu nascimento e se prolongam até depois da morte. No mundo moderno, o Estado é a mais formidável das organizações; a contextura das vidas humanas se insere solidamente no quadro das suas instituições, porque não existe esfera alguma de atividade, ao menos em teoria, que não dependa de sua autoridade. O Estado moderno é uma sociedade à base territorial, dividida em governantes e governados, e que pretende, nos limites do território que lhe é reconhecido, a supremacia sobre todas as demais instituições.

De fato, é o supremo e legal depositário da vontade social e fixa a situação de todas as outras organizações. Põe sob seu domínio todas as formas de atividade cujo controle ele julgue conveniente. Na lógica dessa supremacia, subtende-se que tudo quanto restar fora de seu controle é feito com sua permissão.

O Estado aparece, assim, aos indivíduos e sociedades, como um poder de mando, como governo e dominação. O aspecto coativo e

a generalidade são fatores que distinguem as normas por ele editadas; suas decisões obrigam a todos os que habitam o seu território. Não

se confunde, pois, nem com as sociedades em particular, nem com a Sociedade, em geral. Os seus objetivos são os de ordem e defesa social, e diferem dos objetivos de todas as demais organizações. Para atingir essa finalidade, que pode ser resumida no conceito de bem público, o Estado emprega diversos meios, que variam conforme as épocas, os povos, os costumes e a cultura. Mas o objetivo é sempre

o mesmo e não se confunde com o de nenhuma outra instituição. Subtende-se e supõe-se que o Estado assim procede para realizar o bem público; por isso e para isso tem autoridade e dispõe de poder, cuja manifestação concreta é a força. Sem dúvida, em outras formas de sociedade também existe a autoridade e o poder. Mas, o poder do Estado é o mais alto dentro de seu território, e o Estado tem o monopólio da força para tornar efetiva sua autoridade. As normas que organizam o Estado e determinam as condições sociais necessárias para realizar o bem público, constituem o Direito, que ao Estado incumbe cumprir e fazer cumprir. Logo, o Estado é a organização político-jurídica de uma sociedade para realizar o bem público, com governo próprio e território determinado.

de uma sociedade para realizar o bem público, com governo próprio e território determinado. Didatismo e

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ESTADO: ORIGEM, FORMAÇÃO, ELEMENTOS E FINALIDADE NOÇÕES DE DIREITO Sob o ponto de vista da

ESTADO: ORIGEM, FORMAÇÃO, ELEMENTOS E FINALIDADE

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Sob o ponto de vista da época do aparecimento do Estado, temos as seguintes posições:

1. Primeira Posição

Para muitos, o Estado, assim como a própria sociedade, sempre existiu, pois desde que o homem vive sobre a terra acha-se integrado numa organização social, dotada de poder e com autoridade para determinar o comportamento de todo o grupo. Entre os que adotam essa posição estão Eduard Meyer e Wilhelm Koppers. O primeiro define o Estado como o princípio organizador

e unificador em toda organização social da humanidade.

2. Segunda Posição

Uma segunda ordem de autores admite que a sociedade humana existiu sem o Estado durante um certo período. (Esta posição está ligada às causas do aparecimento do Estado).

3. Terceira Posição

A 3ª posição é a dos autores que só admitem como Estado a sociedade política dotada de certas características muito bem definidas.

Essas características, bem definidas, são relativas ao exercício da soberania – nascimento desta ideia, que só ocorre no século XVII, embora as cidades-Estados (Idade Antiga) tendo exercido uma espécie de soberania no sentido de ser exercício de poder.

Defensores:

® Karl Schmidt: trata da justificativa do Estado ter aparecido com o surgimento da soberania.

® Balladore Pallieri: indica a data de nascimento do Estado no ano de 1648 (a data oficial em que o mundo ocidental se apresenta

organizado em Estados é a de 1648, ano em que foi assinada a paz de Westfália).

Com relação às causas do aparecimento dos Estados temos:

a) Formação Originária dos Estados: partindo de grupos humanos não integrados em qualquer Estado.

b) Formação Derivada dos Estados: ou seja, novos Estados vão surgir a partir de outros preexistentes, podendo-se designar esta

forma como derivada.

Formação originária do Estado

Teoria da origem familiar

Esta teoria sustenta que o Estado deriva do núcleo familiar, adotando, portanto adota um fundo bíblico, na qual o Estado (a derivação

da

humanidade teria ocorrido de um casal originário) teria surgido de um casal originário.

 

Teoria patriarcal

Sustenta que o Estado surgiu de um núcleo familiar, cuja autoridade suprema pertenceria ao ascendente varão mais velho (patriarca).

O

Estado de Israel originou-se da família de Jacob, segundo a Bíblia.

O

principal defensor na Inglaterra foi Robert Filmer.

Rousseau, em harmonia com a doutrina de Aristóteles, afirmou que a família é mais unidade social do que propriamente política. E

o

Estado é mais um desenvolvimento da Tribo, unidade mais ampla, composta pela reunião de várias famílias. Teoria matriarcal

Defende que a primeira organização familiar teria sido baseada na autoridade da mãe, pois a mãe é sempre a mãe, do pai sempre se tem dúvida.

É importante salientar que o matriarcado, ou seja, o núcleo familiar que tem a mãe como dirigente e autoridade suprema das primi-

tivas famílias com a ginecocracia ou hegemonia política da mulher. Observa-se, no entanto, que foi a família patriarcal que exerceu crescente influência em todas as fases da evolução dos povos.

Teoria da origem do Estado pela força

Defendida por Thomas Hobbes, este afirma que os homens, em Estado de natureza, eram inimigos uns dos outros e viviam em constante guerra. E como toda guerra termina com a vitória dos mais fortes, o Estado teria surgido para organizar o grupo dominante, dando-lhes condições em manter o poder de domínio sobre os vencidos.

o grupo dominante, dando-lhes condições em manter o poder de domínio sobre os vencidos. Didatismo e

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Teoria da origem do Estado patrimonial ou em causas econômicas NOÇÕES DE DIREITO A gênese

Teoria da origem do Estado patrimonial ou em causas econômicas

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A gênese desta teoria está na obra “A República” de Platão, na qual relata um desenvolvimento da sociedade de tal sorte que todos

precisariam, por exemplo, dos benefícios da divisão do trabalho.

Hermann Heller, outro defensor da origem do Estado em causas econômicas ou patrimoniais, defende que a posse da terra gerou o poder, e a propriedade gerou o Estado.

A maior sustentação para a teoria da origem do Estado em causas econômicas foi disponibilizada por Marx e Engels. Este último

afirmando que o Estado não surgiu junto com a sociedade e que “este é antes um produto da sociedade, quando ela chega a determinado grau de desenvolvimento”. Uma minoria detentora precisava criar uma Instituição que protegesse essa minoria e que impusesse sua força, seu domínio sobre a classe não possuidora de poder econômico.

Teoria do Estado no desenvolvimento interno da sociedade

Defendida por Robert Lowie, afirma que o Estado surgiu espontaneamente, independente de fatores externos ou de interesses de indivíduos ou grupos de indivíduos, mas é o próprio desenvolvimento espontâneo da sociedade que dá origem ao Estado.

É preciso salientar que o Estado surge quando as sociedades atingem maior grau de desenvolvimento e alcançam uma forma com-

plexa tendo absoluta necessidade do Estado, e, então, ele se constitui.

FINALIDADE DO ESTADO

Dalmo Dallari, apoiado em Groppali, sustenta a idéia de que a finalidade é elemento essencial do Estado. Para Groppali e J. J. Go- mes Canotilho, o Estado tem como finalidades proporcionar a defesa, a ordem, o bem-estar e o progresso aos grupos sociais.

Finalidade e funções do Estado

Kelsen e Mortati não acreditam que seja função da Teoria do Estado se ocupar da finalidade do Estado. O primeiro, por entender que se trata de uma questão política, e o segundo, por entender que a finalidade do Estado é demasiado genérica, não havendo interesse em estudá-la. Para Alexandre Gropalli, é essencial a afirmação da existência da finalidade como elemento essencial do Estado, pois é absurdo recusar-se que a defesa, a ordem, o bem-estar e o progresso, que representam o fim supremo de qualquer Estado em qualquer tempo, sejam elevados a elementos formadores do Estado, uma vez que tais finalidades constituem o conteúdo de toda a atividade estatal, de- terminando mesmo a estrutura fundamental do Estado.

1. Classificação

a) Fins objetivos: prende-se à indagação sobre o papel representado pelo Estado no desenvolvimento da história da Humanidade.

Fins universais objetivos: fins comuns de todos os Estados de todos os tempos (Platão e Aristóteles e da maioria dos autores). Fins particulares objetivos: cada Estado tem seus fins particulares, que resultam das circunstâncias em que eles surgiram e se de-

senvolveram e que são condicionantes de sua história. Não é aceita essa teoria, porque esses fins se confundem com os interesses desses Estados, ou, até mesmo, de seus governos.

b) Fins subjetivos: Jellinek concorda com a ideia dos fins subjetivos, e o que se atêm aos fins subjetivos é o encontro da relação

entre o Estado e os fins individuais. Sob o ponto de vista do relacionamento do Estado com os indivíduos, encontra-se outra classificação para os fins do Estado:

c) Fins expansivos: aqui se enquadram todas as teorias que, dando grande amplitude aos fins do Estado, preconizam o seu cresci-

mento desmesurado a tal ponto que acaba anulando o indivíduo. Os fins expansivos se dividem em Utilitários e éticos.

- Utilitários: indicam como bem supremo o máximo desenvolvimento material, mesmo que isso se obtenha com o sacrifício da

liberdade e de outros valores fundamentais da pessoa humana. A idéia do Estado do bem-estar é uma das expressões dessa linha de pensamento, sustentando que a consecução de uma situação material bem favorável dará aos homens plena satisfação, desaparecendo todas as necessidades.

- Éticos: preconizam a absoluta supremacia de fins éticos, sendo este o fundamento do Estado ético. O que ocorre é um exagerado

moralismo, que fornece a base para a supremacia absoluta da vontade dos governantes, pois são estes que ditam as regras morais em

nome do Estado.

da vontade dos governantes, pois são estes que ditam as regras morais em nome do Estado.

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NOÇÕES DE DIREITO d) Fins limitados : são favoráveis aos fins limitados, reduzindo ao mínimo

NOÇÕES DE DIREITO

d) Fins limitados: são favoráveis aos fins limitados, reduzindo ao mínimo as atividades do Estado, todas aquelas teorias que dão ao

Estado a posição de mero vigilante da ordem social, não admitindo que ele tome iniciativas, sobretudo em matéria econômica.

e) Fins relativos: trata-se de uma nova posição, que leva em conta a necessidade de uma atitude nova dos indivíduos no seu rela-

cionamento recíproco, bem como nas relações entre o Estado e os indivíduos.

ESTADO E DIREITO: DEMOCRACIA E REPRESENTAÇÃO POLÍTICA

A concepção de Estado como pessoa jurídica representa um extraordinário avanço no sentido da disciplina jurídica do interesse

coletivo. Esta noção promove a conciliação do político com o jurídico.

A origem da concepção do Estado como pessoa jurídica pode ser atribuída aos contratualistas, bem como de uma vontade própria,

bem diversa das vontades de seus membros isoladamente considerados. Só no séc. XIX, é que se iria completar o desenvolvimento da ideia, admitindo-se aqueles temas, até então considerados essencialmente e exclusivamente políticos, fossem aceitos também como objeto da dogmática jurídica.

DEMOCRACIA

A Democracia surgiu na Grécia onde o governo era realmente exercido pelo povo, que fazia reuniões em praça pública para tratar

de vários assuntos e problemas, era a chamada Democracia Direta. Neste tipo de democracia, as decisões são tomadas em assembleias

públicas. Com o crescimento das populações, as reuniões em praça pública ficaram impossíveis de acontecer, surgiu, então um novo tipo de Democracia, a Democracia Representativa, onde o povo se reúne e escolhe – por meio do voto – os representantes que irão tomar decisões em seu nome. Este é o processo mais comum de tomada de decisão nos governos democráticos, também chamado de mandato político.

A democracia se opõe à ditadura e ao totalitarismo e reúne princípios e práticas que protegem a liberdade do ser-humano.

Em seu livro “Política”, o filósofo Aristóteles analisou vários sistemas de governo, chamou de injusta a democracia (demokratia) e de justa a República (politeia). A demokratia de Aristóteles se aproxima mais da democracia direta e a politeia da democracia repre- sentativa Alguns fundadores dos EUA usaram os termos “Democracia” e “República” de forma similar a usada por Aristóteles. “República” era usada para designar a democracia representativa, que na opinião deles era a única capaz de proteger os direitos dos cidadãos, já o termo “democracia” era usado para designar a democracia direta que para eles era sinônimo de tirania e injustiça. Muitos cientistas políticos usam o termo “democracia” para caracterizar um governo que atua em favor do povo (direto ou repre- sentativo), enquanto que “Republica”, seria o sistema político onde o chefe de estado é eleito por um determinado período de tempo. Os comunistas costumam dizer que as democracias não são democráticas, pois para eles, a classe dominante é que exerce o poder. Na opinião deles, o povo é manipulado pela mídia, que faz com que a classe trabalhadora seja influenciada na hora de votar. Os comunistas acreditam que, somente em um regime socialista é que haveria uma verdadeira democracia. Não é possível contabilizar quantas democracias existem no mundo, mas estima-se que existam mais de 120.

A base do conceito de Estado Democrático é, sem dúvida, a noção de governo do povo, revelada pela própria etimologia do termo democracia. Houve influência das ideias gregas, no sentido da afirmação do governo democrático equivalendo ao governo de todo o povo, neste se incluindo, porém, uma parcela muito mais ampla dos habitantes do Estado, embora ainda se mantivesse algumas restri- ções.

O Estado Democrático moderno nasceu das lutas contra o absolutismo, sobretudo através da afirmação dos direitos naturais da

pessoa humana. Daí a grande influência dos jusnaturalistas, como Locke e Rousseau, que diz que “um povo que governar sempre bem não necessitará de ser governado”, acrescentando que jamais existiu verdadeira democracia, nem existirá nunca. E sua conclusão é fulminante: “se existisse um povo de deuses, ele se governaria democraticamente”. Apesar disso tudo, foi considerável a influência de Rousseau para o desenvolvimento da ideia de Estado Democrático podendo-se mesmo dizer que estão em sua obra, claramente expres- sos, os princípios que iriam ser consagrados como inerentes a qualquer Estado que se pretenda democrático.

ALGUMAS CARACTERÍSTICAS DE UMA DEMOCRACIA

- liberdade individual

- igualdade perante a lei sem distinção de sexo, raça ou credo

- liberdade individual - igualdade perante a lei sem distinção de sexo, raça ou credo Didatismo

Didatismo e Conhecimento

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- direito ao voto
- direito ao voto

- educação

- direito ao livre exercício de qualquer trabalho ou profissão

NOÇÕES DE DIREITO

Hoje, todas as pessoas podem exercer o direito ao voto, sem nenhum tipo de preconceito. No Brasil, os cidadãos a partir de 16 anos já podem votar, com exceção dos prisioneiros. Em alguns países mesmo após a liberdade, dependendo do crime cometido, os detentos continuam sem o direito de votar.

É preciso cultivar a chamada “consciência política” em todos os cidadãos, não só nos dias de eleição, nem na época da campanha

eleitoral. A medida em que o povo for adquirindo essa consciência política, nosso regime democrático vai melhorando. Na modernidade, o conceito de representação política está associado ao consentimento da população. Por essa lógica, o represen- tante do povo seria o agente autorizado a agir em seu nome e a defender seus interesses.

REPRESENTAÇÃO POLÍTICA

O Estado Moderno partiu de um misto de representação de interesses e representação política, fixando-se nesta. Em face de

graves deficiências e de dificuldades praticamente insuperáveis, surgiram sérios opositores da representação política propondo-se outras bases de representação. Foi assim que se propôs no séc. XIX, a base profissional, construindo-se a teoria da representação profissional ou sindical. Segundo Duverger, dá-se o nome de partidos às facções que dividiam as Repúblicas antigas, aos clãs que se agrupavam em torno de um condutor na Itália da Renascença, aos clubes onde se reuniam os deputados às assembléias revolucionárias, aos comitês que pre- paravam as eleições censitárias das monarquias constitucionais, assim como às vastas organizações populares que enfeixam a opinião pública nas democracias modernas. Essa identidade nominal – admite ele – justifica-se de um lado, pois traduz certo parentesco profun- do, uma vez que todas essas instituições desempenharam o mesmo papel, que é o de conquistar o poder político e exerce-lo. Entretanto no seu entender, os partidos políticos, no sentido moderno, só aparecem a partir de 1.850. Outros autores, entre os quais Ostrogorski, Erskine May, Afonso Arinos e William Bennet Munro, vêem o nascedouro dos modernos partidos políticos na Inglaterra, desde a luta entre os direitos do parlamento e as prerrogativas da coroa, no séc. XVII, afirmando Munro que foi a partir de 1.680 que se definiu a noção de oposição política, isto é, a doutrina, básica na democracia, de que os adversários do governo não são inimigos do Estado e de que os opositores não são traidores ou subversivos. Diz Hume que as facções podem ser pessoais, quando baseadas em amizade pessoal ou animosidade entre os que compõem os partidos em luta, e reais, quando fundadas em alguma diferença real de sentimento ou interesses. As facções reais, por sua vez, podem ser de três espécies: de interesse, quando duas ordens de homens como os nobres e o povo possuem autoridade distinta, em um governo não muito exatamente equilibrado e formado, naturalmente seguem interesses distintos; os partidos de princípio, esclarece Hume, espe- cialmente princípio abstrato especulativo, somente nos tempos modernos se conhecem e são talvez, o fenômeno mais extraordinário e difícil de justificar que até agora surgiu no negócios humanos; os partidos de afeição são os que se baseiam nas diferentes ligações dos homens para com as famílias particulares ou pessoas que desejam ver a governa-los. Foram os partidos de princípios os que mais se desenvolveram, absorvendo os grupos de interesses. No final do séc. XVIII, Edmund Burke já se referia ao partido como “um corpo de homens que se unem para colocar seus esforços comuns a serviço do interesse na- cional, sobre a base de um princípio ao qual todos aderem”. A crítica de Ostrogorski a esse conceito é que ele, além de dar ao partido o caráter de agrupamento particular, considera-o resultante de acordo sobre um princípio determinado. Os partidos acabaram impondo-se como entidades públicas, objetivando a totalidade da vida social. Benjamim Constant, escrevendo no início do séc. XIX, conceituava

o partido como “uma reunião de homens que professam a mesma doutrina política”, o que pareceu a Burdeau excessivamente restrito,

pois tal reunião é apenas um meio necessário de objetivos muito mais amplos. Quanto à natureza jurídica dos partidos Santi Romano e Biscaretti Di Ruffia atribuíram a eles a natureza de entes auxiliares do Esta- do que são “entidades sociais tendentes a transformarem-se em instituições”. Ferreira Filho vai mais além, considerando que os partidos são instituições, dotadas de personalidade jurídica e situadas no âmbito do direito público interno, sendo esta a conclusão predominante entre os modernos autores. Tendo-se afirmado no início do séc. XIX como instrumentos eficazes da opinião pública, os partidos políticos se impuseram como

o veículo natural da representação política.

Considerando alguns dos aspectos fundamentais, é possível fazer-se uma classificação dos sistemas partidários quanto a organiza- ção interna:

- Partidos de quadros, quando, mais preocupados com a qualidade de seus membros do que com a quantidade deles, não buscam reunir o maior número possível de integrantes, preferindo atrair as figuras mais notáveis, capazes de influir positivamente no prestígio do partido, ou dos indivíduos mais abastados dispostos a oferecer contribuição econômico-financeira substancial à agremiação partidária.

a oferecer contribuição econômico-financeira substancial à agremiação partidária. Didatismo e Conhecimento 8

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NOÇÕES DE DIREITO - Partidos de massas, quando, além de buscarem o maior número possível

NOÇÕES DE DIREITO

- Partidos de massas, quando, além de buscarem o maior número possível de adeptos, sem qualquer espécie de discriminação,

procuram servir de instrumento para que indivíduos de condição econômica inferior possam aspirar às posições de governo. Quanto à organização externa, os sistemas de partidos podem ser:

- De partido único, caracterizados pela existência de apenas um só partido no Estado.

- Bipartidários, que se caracterizam pela existência de dois grandes partidos que se alternam no governo do Estado. Dois pontos são

básicos para caracterizar o sistema: em primeiro lugar, a predominância de dois grandes partidos, sem exclusão de outros; em segundo,

a autenticidade do sistema, que decorrer de circunstâncias históricas, em função das quais, a maioria do eleitorado se concentra em duas grandes correntes de opinião.

- Pluripartidários, que são a maioria, caracterizando-se pela existência de vários partidos igualmente dotados da possibilidade

de predominar sobre os demais. O pluripartidarismo tem várias causas, ente elas o fracionamento interior das correntes de opinião e a superposição de dualismos. Verifica-se também que num mesmo povo é comum a existência concomitante de várias opiniões quanto ao fator social prepon- derante. E relativamente a cada um desses fatores existe um dualismo, havendo sempre duas posições fundamentais e opostas quanto

a cada um deles. Se houver absoluta predominância de um dualismo, forma-se um sistema bipartidário. Entretanto, quando coexistem

vários dualismos com significação política semelhante, todos eles darão margem ao aparecimento de dois partidos, havendo, portanto, a pluralidade partidária. Essa tendência à multiplicação de partidos, quando exagerada, pode levar a uma excessiva divisão do eleitorado, sendo impossível a qualquer partido obter sozinho o governo, donde resulta a necessidade de acordos eleitorais e de outros artifícios destinados a compor maiorias, quase sempre em dano de interesse público.

Quanto ao âmbito de atuação:

- De vocação universal, quando pretende atuar além das fronteiras dos Estados, baseando-se a solidariedade entre seus membros numa teoria política de caráter universal.

- Nacionais, quando têm adeptos em número considerável em todo o território do Estado. O que importa é que a soma de seus elei- tores e a sua presença em todos os pontos do Estado confiram-lhe expressão nacional.

- Regionais, são aqueles cujo âmbito de atuação se limitam a determinada região do Estado.

- Locais, são os de âmbito municipal.

A favor dos partidos políticos, argumenta-se com a necessidade e as vantagens do agrupamento das opiniões convergentes, criando- -se uma força grupal capaz de superar obstáculos e de conquistar o poder político, fazendo prevalecer no Estado a vontade social pre- ponderante. Contra a representação política, argumenta-se que o povo, mesmo quando o nível geral de cultura é razoavelmente elevado, não tem condições para se orientar em função de ideias e não se sensibiliza por debates em torno de opções abstratas. Assim sendo, no momento de votar são os interesses que determinam o comportamento do eleitorado, ficando em segundo plano a identificação do partido com determinadas ideias políticas.

2. ESTADO E CONSTITUIÇÃO. O ESTADO FEDERAL. O FEDERALISMO BRASILEIRO.

ESTADO E CONSTITUIÇÃO

Com o propósito de melhor entender o fenômeno estatal, afigura-se imprescindível examinar alguns aspectos que o circundam. O conceito do que é Estado flutuará consoante o proponente compulsado. “Encontrar um conceito de Estado que satisfaça a todas as

correntes doutrinárias é absolutamente impossível, pois sendo o Estado um ente complexo, que pode ser abordado sob diversos pontos de vista e, além disso, sendo extremamente variável quanto à forma por sua própria natureza, haverá tantos pontos de partida quantos

Assim, pois, por mais que os autores se esforcem para chegar a um conceito

objetivo, haverá sempre um quantum de subjetividade, vale dizer, haverá sempre a possibilidade de uma grande variedade de conceitos” (DALLARI, 2003, p. 115). Feito esse lembrete impostergável, adota-se, para fins do presente estudo, a conceituação de Estado engendrada por Reinhold Zippe- lius (1997, p. 61): “A comunidade estatal é uma totalidade de indivíduos cujas condutas são coordenadas de maneira específica: a comu- nidade, no fundo, constitui-se como estrutura de condutas orientadas por um determinado sentido, e a comunidade estatal, em especial,

forem os ângulos de preferência dos observadores. [

].

constitui-se como estrutura de ação juridicamente organizada. Desta concepção de Estado aproxima-se um dos significados originários do vocábulo ‘status’ que designa um estado, uma determinada ‘constituição’ de convivência.”

‘status’ que designa um estado, uma determinada ‘constituição’ de convivência.” Didatismo e Conhecimento 9

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Assim, na esteira do escólio de Zippelius, pode-se definir sucintamente o Estado como “[ organizados

Assim, na esteira do escólio de Zippelius, pode-se definir sucintamente o Estado como “[

organizados [

]”

(MIRANDA, 2005, p. 171).

NOÇÕES DE DIREITO

]

comunidade e poder juridicamente

O problema da justificação do Estado é complexo e não pode nesta seara ser aprofundado. Todavia, mister é registrar a multiplici-

dade de correntes teóricas relativas à justificação do Estado. Conforme sistematização de autoria de Sahid Maluf (1998, p. 60), o Estado

pode justificar-se: (i) em teorias teológico-religiosas, segundo as quais o Estado é dado por um ente divino; (ii) teorias racionalistas, que se bifurcam em jusnaturalismo e contratualismo, pelas quais o Estado não é dado, mas construído pela razão humana; (iii) teorias idealistas, que em síntese enxergam o Estado como uma construção orgânica, viva; (iv) teorias socialistas, que advogam o Estado como arranjo tipicamente capitalista pelo qual ocorre a dominação de uma classe sobre outra; o Estado, então, é fruto da luta entre classes; e (v) as teorias sociais democráticas, em que o Estado desvela-se como resultado de um confronto de vontades, a dos governantes e a dos

governados.

Bosquejadas, ainda que em resumo, as várias teorias que circundam a justificação estatal, chega-se, assim, aos elementos caracteri-

zadores do Estado. Estes são: (i) povo; (ii) poder; (iii) território; e (iv) finalidade. “A Teoria do Estado está essencialmente vinculada ao Direito Político, que lhe fornece o substrato para a compreensão do Estado contemporâneo. Assim, ao delinear a sua teoria da realidade do Estado, Stein considera que o Estado torna-se mais visível no aparato estatal, quando representado como pirâmide de poder: a direção do Estado (localizado em seu vértice): toma decisões políticas fundamentais, geralmente, em forma de lei; o corpo do Estado: órgãos administrativos, que executam decisões políticas fundamentais, e tribunais, que decidem sobre a observância da lei; a base do Estado (objeto do poder do Estado): população e território” (SOARES, 2008, p. 88, grifos do autor). Vista essa correlação sistemática entre os elementos, analisemo-los apartadamente. Povo é um conceito jurídico que denota o entre- laçamento de um conjunto de pessoas a uma determinada ordem normativa. Assim, povo distingue-se de população e de nação. Popula- ção é conceito numérico: expressa o número de pessoas estabelecidas no território, ainda que temporariamente. Nação, por assim dizer,

é um conceito afetivo: designa um conjunto de pessoas entrelaçadas não por uma ordem normativa, mas por laços culturais comuns,

tais como língua, literatura, costumes etc. Importante salientar que o chamado princípio das nacionalidades – segundo o qual toda nação constitui um Estado e todo Estado constitui uma nação (AZAMBUJA, 2008, p. 40) – não encontra hodiernamente ancoragem empí- rica: basta citar os chamados Estados Plurinacionais, ou seja, Estados que albergam, em razão de suas estruturas heterogêneas, várias nacionalidades, como, por exemplo, a Bolívia atual. Para maiores detalhes sobre o Estado Plurinacional, consultar José Luiz Quadro de Magalhães (2011).

A intelecção do que é poder – ou, na dicção de outros, soberania ou governo – é extremamente escorregadia. Não se adentrará aqui

as inúmeras concepções que vicejam nesse campo. “Para a maior parte dos autores o poder é um elemento essencial ou uma nota carac-

terística do Estado. Sendo o Estado uma sociedade, não pode existir sem um poder, tendo este na sociedade estatal certas peculiaridades que o qualificam, das quais a mais importante é a soberania” (DALLARI, 2003, p. 110).

O que se pode dizer sobre o poder – e que atende às necessidades desta pesquisa – é que se trata de uma força capaz de ordenar a

conduta alheia. O poder, assim, assume características historicamente imputadas à soberania, mas que se distingue desta por ser juridi- camente delimitado; a soberania, ao reverso, não encontraria peias jurídicas. Território, conforme apontam Lenio Luiz Streck e José Luis Bolzan de Morais (2006, p. 164) é o locus onde (i) está assentado o povo

e (ii) onde se exerce o poder político. É também no território que se busca a finalidade de um povo. Por fim, tem-se a finalidade. O Estado não atua no vazio: mister é que haja uma finalidade orientadora da atuação estatal. É prati- camente consenso entre os tratadistas do Estado que a finalidade deste consiste, basicamente, em buscar o bem comum de um povo em

certo território. “Assim, pois, o desenvolvimento integral da personalidade dos integrantes desse povo é que deve ser seu objetivo, o que determina uma concepção particular de bem comum para cada Estado, em função das peculiaridades de cada povo” (DALLARI, 2003,

p. 107).

CONSTITUIÇÃO

A concepção do que é constituição é inseparável de seu conceito: a primeira determina o conteúdo do segundo. Jorge Miranda (2005,

p. 341-342) bem sintetizou as grandes correntes doutrinais referentes às concepções constitucionais:

a) concepções jusnaturalistas: a constituição denota a superioridade dos direitos naturais, mormente os direitos fundamentais dos

homens;

b) concepções positivistas: a constituição é uma lei dotada de superioridade hierárquica, não se perquirindo de eventual posição

axiológica dentro do ordenamento jurídico. Principais defensores: Laband, Jellinek, Carré de Malberg e Kelsen;

c) concepções historicistas: a constituição expressa, na verdade, o desenvolvimento histórico-jurídico de um povo, lastreando-se

principalmente em seus costumes. Principais defensores: Burke, De Maistre e Gierke;

d) concepções sociológicas: a constituição é documento que organiza e disciplina os fatores reais de poder, bem como suas intera-

ções recíprocas. Principais defensores: Lassalle, Sismondi e von Stein;

como suas intera - ções recíprocas. Principais defensores: Lassalle, Sismondi e von Stein; Didatismo e Conhecimento

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NOÇÕES DE DIREITO e) concepções marxistas: a constituição é uma superestrutura jurídica predisposta a ser

NOÇÕES DE DIREITO

e) concepções marxistas: a constituição é uma superestrutura jurídica predisposta a ser um instrumento de dominação ideológica da

uma classe sobre outra. Principais defensores: Marx, Lênin;

f) concepções institucionalistas: a constituição expressa a organização da sociedade, demonstrando suas idiossincrasias ou suas aspirações institucionais ou políticas. Principais defensores: Hauriou, Renard, Burdeau, Santi Romano e Mortati;

g) concepção decisionista: a constituição revela uma decisão política fundamental assumida pelo poder constituinte, que acolhe, em

si mesma, outras decisões. Principal defensor: Carl Schmitt; h) concepções decorrentes da filosofia dos valores: a constituição é uma ordem de valores; estes, por seu turno, teriam existência an-

terior à própria constituição; a constituição, assim, é um acolhimento jurídico de valores sociais. Principais defensores: Maunz e Bachof;

i) concepções estruturalistas: a constituição descortina estruturas sociais historicamente situadas, sendo ponto de equilíbrio dessas estruturas. Principais defensores: Spagna Musso e José Afonso da Silva.

Como já evidente, a adoção de uma determinada concepção de constituição condicionará seu conceito. Vejamos alguns conceitos. “A constituição do Estado, considerada sua lei fundamental, seria, então, a organização dos seus elementos essenciais: um sistema de normas jurídicas, escritas ou costumeiras, que regula a forma do Estado, a forma de seu governo, o modo de aquisição e o exercício do

poder, o estabelecimento de seus órgãos, os limites de sua ação, os direitos fundamentais do homem e as respectivas garantias. Em sínte-

] Constituição

se, a constituição é o conjunto de normas que organiza os elementos constitutivos do Estado” (SILVA, 2005, p. 37-38). “[

deve ser entendida como lei fundamental e suprema de um Estado, que contém normas referentes à estruturação do Estado, à formação dos poderes públicos, forma de governo e aquisição do poder de governar, distribuição de competências, direitos, garantias e deveres dos cidadãos” (MORAES, 2006, p. 2).

Dos dois conceitos colacionados, constata-se a posição de destaque conferida ao elemento poder: ora, forma de Estado, forma de governo, aquisição e exercício do poder, estabelecimento de órgãos do poder, limites de atuação do poder, direitos fundamentais do ho- mem, garantias fundamentais do homem, formação dos poderes públicos e distribuição de competência referem-se, em síntese, ao poder. É que, conforme averba Jorge Miranda (2005, p. 329) onde está o fenômeno político vislumbra-se o fenômeno constitucional. Assim, no conceito de constituição verifica-se, necessariamente, a disciplina normativa do poder, exercido sobre um povo, em um dado território. Assim sendo, o objeto das constituições é: forma de Estado, forma de governo, aquisição e exercício do poder, estabelecimento de órgãos do poder, limites de atuação do poder, direitos fundamentais do homem, garantias fundamentais do homem, formação dos pode- res públicos e distribuição de competência. Consoante aponta José Afonso da Silva (2005, p. 43) o objeto das constituições vem sendo ampliado com o tempo.

ESTADO FEDERAL

Nas classificações tradicionais, os Estados são considerados unitários quando têm um poder central que é a cúpula e o núcleo do poder político. E são federais quando conjugam vários centros de poder político autônomo. Modernamente alguns autores sustentam a existência de uma terceira espécie, o Estado regional, menos centralizado do que o unitário, mas sem chegar aos extremos de descen- tralização do federalismo. O Estado Federal indica, antes de tudo, uma forma de Estado, não de governo. O Estado Federal é uma aliança ou união de Es- tados. A organização federativa favorece a preservação das características locais e regionais, promovendo a integração e transformando as oposições naturais em solidariedade, afirmando-se assim que o Estado seria mais democrático, e seria maior a dificuldade para con- centração do poder. O Estado Federal nasceu, realmente, com a constituição dos Estados Unidos Da América, em 1.787, celebrando um tratado conhe- cido como Artigos De Confederação, aliando-se para uma ação conjunta visando à preservação da independência. Embora houvesse um sentimento de solidariedade generalizado, havia também conflitos de interesses, que prejudicavam a ação conjunta e ameaçavam a própria subsistência da confederação. Propuseram então, que a confederação se convertesse em federação, constituindo-se um Estado Federal. Essa ideia provocou acalorados debates. Fortemente influenciados por Montesquieu, os constituintes norte-americanos acreditavam fervorosamente no principio da sepa- ração de poderes, elaborou-se então, o sistema chamado de freios e contrapesos, com os poderes Legislativo, Executivo e Judiciário, independentes e harmônicos entre si.

Características fundamentais do Estado Federal:

- A união faz nascer um novo Estado e, concomitantemente, aqueles que aderiram à federação perdem a condição de Estados;

- A base jurídica do Estado Federal é uma Constituição, não um tratado;

- Na federação não existe direito de secessão, uma vez efetivada a adesão de um Estado este não pode mais se retirar por meios legais;

uma vez efetivada a adesão de um Estado este não pode mais se retirar por meios

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NOÇÕES DE DIREITO - Só o Estado Federal tem soberania; - No Estado Federal as

NOÇÕES DE DIREITO

- Só o Estado Federal tem soberania;

- No Estado Federal as atribuições da União e das unidades federadas são fixadas na Constituição, por meio de uma distribuição de

competências;

- A cada esfera de competências se atribui renda própria;

- O poder político é compartilhado pela União e pelas unidades federadas;

- Os cidadãos do Estado que adere à federação adquirem a cidadania do Estado Federal e perdem a anterior;

FEDERALISMO BRASILEIRO.

De um ponto de vista formal, a análise do federalismo brasileiro começa, evidentemente, com a adoção da forma federal de estado,

a partir da implantação da república. No entanto, a restrição do campo de estudo baseada nesse critério colide com a preocupação de não

ocultar o pano de fundo das discussões sobre confederação, federação e estado unitário. Afinal, no período imperial já havia processos de centralização e descentralização espacial de poder. Na verdade, do ponto de vista econômico (e mesmo social e político), o Brasil recém-autonomizado de Portugal dificilmente seria considerado uma unidade. Durante todo o período colonial, apesar do processo lento de criação de liames internos, as regiões econo- micamente mais relevantes estavam muito ligadas à Europa (por exemplo, como supridoras de matérias-primas) e pouco ligadas entre si. Tanto que as tentativas de independência em relação a Portugal eram quase sempre limitadas às regiões em que se localizavam as “rebeliões”. Nem mesmo do ponto de vista formal, a colônia sul-americana representava para Portugal uma unidade. O romancista e pesquisa- dor Márcio Souza chamou a atenção, recentemente, na Câmara dos Deputados, para o fato de que “Portugal mantinha duas colônias na América do Sul, uma com a capital na Bahia, e depois no Rio de Janeiro, a Colônia Brasil, que foi o vice-reino do Brasil; outra, chamada Grão-Pará, depois Grão-Pará e Rio Negro, sempre com a capital em Belém”. As pretensões autonomistas das várias regiões que compunham o novo país vieram à tona, diversas vezes, nos primeiros anos após a separação de Portugal. Com isso, as forças políticas que conduziram o processo de independência se aferraram cada vez mais ao regime imperial como forma de garantir a unidade do país. Essa primeira etapa de nossa história independente corresponde, grosso modo, à passagem, nos Estados Unidos, da confederação para a federação. Ou seja, o problema político principal era garantir a centralização de

um poder político que tenderia, espontaneamente, para a descentralização, dada a relativa falta de unidade econômica do país. No Brasil,

a fórmula adotada foi a do estado unitário. Essa fórmula, contudo, não foi acolhida sem resistências. Na própria constituinte de 1823, causou celeuma a emenda proposta pelo sr. Antônio Ferreira França, que defendia a ideia de que o império brasileiro “compreende confederalmente as províncias”. Tal emenda foi rejeitada sob a alegação de que haveria incompatibilidade entre o sistema monárquico e a forma de estado não-unitária. Na verdade, a proposta vencida na constituinte correspondia mais a uma espécie de federação monárquica que a uma confederação. Mas a Confederação do Equador (1824/25, Pernambuco) visava efetivamente, de acordo com os ideais de seu principal ideólogo, frei Caneca, ao que seu nome expressava (nas palavras de J. G. Lemos Brito, “prefere a organização norte-americana anterior à federação”). Duas faculdades fundamentais seriam negadas ao poder central ou nacional, a faculdade de tributar e a de dispor de contingentes mili- tares próprios. Aparentemente, ambas as limitações foram pensadas para manter a capacidade das províncias de se auto-excluírem da união. A preocupação seria evitar que, pelo enfraquecimento econômico e militar, as províncias se tornassem incapazes de resistir às decisões do poder central. Ao longo do período imperial, houve sempre certa contradição entre a relativa autonomia efetiva das regiões e a concentração de poder político nas mãos da corte imperial, tanto que muitas vezes as pretensões autonomistas das províncias se fizeram sentir. No en- tanto, não se deve entender que havia uma contraposição absoluta entre as duas tendências. O próprio poder central era constituído, em parte, como uma espécie de condomínio dos potentados regionais, em particular das regiões mais ricas. Os órgãos que representavam, por excelência, esse condomínio político eram o senado vitalício e o importantíssimo conselho de estado. O poder central não apenas apoiava as oligarquias locais quando confrontadas com eventuais rebeliões populares como constituía uma forma de garantia, em última instância, do regime escravista. A mudança para a república e para a federação se deu a partir da confluência de alguns fatores. A unidade territorial do país já estava relativamente assegurada; havia uma mudança do peso relativo das províncias, em especial com o crescimento econômico de São Paulo, que se mostrava pouco compatível com um poder central em que a influência de províncias economicamente declinantes era arraigado;

o fim do regime escravista eliminara um dos sustentáculos principais do império. Tal qual acontecera nos Estados Unidos, passado o período inicial de centralização política subsequente à independência, uma postura mais liberal, inerente à situação das oligarquias brasileiras no mercado mundial, pôde ganhar espaço ideológico e institucional. Naquele contexto, a descentralização do poder, ou a redistribuição do poder político entre as regiões, era mais importante até do que a contraposição entre república e monarquia.

as regiões, era mais importante até do que a contraposição entre república e monarquia. Didatismo e

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NOÇÕES DE DIREITO Com o advento da república, aspectos importantes do direito constitucional estadunidense foram

NOÇÕES DE DIREITO

Com o advento da república, aspectos importantes do direito constitucional estadunidense foram incorporados pela constituição brasileira de 1891. Essas aquisições permanecem vigentes, ainda hoje, atravessando as sucessivas leis fundamentais de que o país já foi dotado. A República do Brasil adota o regime federativo; cada nível da federação exerce sua competência através de um corpo adminis- trativo próprio; a Constituição é a lei suprema para todos os poderes em todos os níveis da federação; o controle da constitucionalidade de qualquer ato cabe aos tribunais, sendo o Supremo Tribunal Federal a última instância; representação paritária dos estados no Senado Federal, uma das casas do Congresso Nacional. Se é possível afirmar que o Império, no Brasil, exerceu função semelhante à das primeiras decisões da Suprema Corte americana, quando presidida pelo juiz John Marshall — pois, aqui como lá, tratava-se de consolidar uma nação de dimensões continentais, ainda em embrião, pelo reforço das tendências centralizadoras --, vislumbram-se, também, afinidades entre a posição da Suprema Corte durante o predomínio da tendência descentralizadora posterior, sob a influência da doutrina do laissez faire, e a descentralização que tomou, no Brasil, a forma da chamada “política dos governadores”, durante a Primeira República. Como se sabe, nesse período, o poder político em nosso país esteve sob controle de oligarquias rurais, em especial as exportadoras, interessadas em políticas econômicas liberais.

Mais uma vez, contudo, não se deve tomar a tendência dominante por regra absoluta. Na verdade, a política de governadores tem aspectos que relativizam a ideia de inexistência de um poder central forte. A partir de uma base econômica e social avassaladora, o

controle da oligarquia cafeeira sobre as decisões do estado não tem talvez paralelo na história do país. Se é certo que havia um pacto de não intervenção nos assuntos internos dos estados, tal pacto só valia na medida em que sua evolução política interna não se mostrasse incômoda para os interesses do “centro”. Fora do eixo São Paulo-Minas, o único estado capaz de resistir a intervenções externas era o Rio Grande do Sul.

O período seguinte — caracterizado, nos Estados Unidos, pela decisão centralizada, sob a égide do new deal, de políticas econô-

mico-sociais de âmbito nacional - corresponde à forte centralização administrativa promovida no Brasil a partir da ascensão de Getúlio

Vargas à presidência da república, em 1930, e reforçada, no plano político, pelo estabelecimento do regime autoritário do Estado Novo, em 1937.

A depressão econômica mundial enfraquecera as oligarquias exportadoras, cuja pujança econômica dependia, obviamente, da ca-

pacidade externa de absorção de seus produtos. Abriu-se, assim, espaço para a ascensão dos setores ligados à produção para o mercado interno. A liderança do processo coube à oligarquia agrária do Rio Grande do Sul, tradicional supridora de bens de consumo para as fazendas exportadoras de outros estados, mas logo foi apoiada pelas lideranças industriais, que perceberam o potencial de crescimento

que o novo regime lhes assegurava. Ademais, as classe médias urbanas — já mobilizadas, nos anos anteriores, pela campanha civilista e, no campo militar, pelo tenentismo — apoiaram e deram suporte de massas para o movimento, vislumbrando, nas promessas de eleições limpas e de concursos públicos para a ocupação de cargos na máquina estatal, oportunidade de ascensão social e de obtenção de alguma autonomia frente às oligarquias rurais.

A liderança gaúcha contribuiu fortemente para a feição adotada pelo regime de 30. No Rio Grande do Sul da Primeira República, a

inspiração positivista somara-se a condições locais para sustentar os governos extremamente centralizadores de Júlio de Castilhos e do Partido Republicano Rio-Grandense.

O anti-individualismo, a preocupação com a segurança do estado, a pretensão de progressiva educação cívica e moralizadora do

povo, a ambição industrializante, tudo isso (e mais) se conjugara para viabilizar um projeto de modernização da economia do Rio Grande

do Sul em moldes capitalistas. Do ponto de vista institucional, a ditadura castilhista repousava sobre a permissão de reeleições sucessivas do governador e a virtual inexistência de um poder legislativo autônomo.

A partir de 1930, repetiu-se, no plano nacional, parte da fórmula rio-grandense. Para tanto, foi necessário eliminar o componente

federalista do castilhismo. Se a autonomia dos estados era importante para o governo gaúcho na República Velha — pois garantia ao

Partido Republicano Rio-Grandense liberdade de ação, segundo parâmetros próprios, pelo menos no interior do estado, já que não podia ameaçar a supremacia nacional da oligarquia cafeeira —, essa autonomia seria naturalmente desfavorável à implantação do mesmo estilo de governo, para todo o país, por Getúlio Vargas.

O regime getulista chegou ao extremo de transferir ao governo federal a prerrogativa de nomear os governadores de estados e os

prefeitos em todo o país. De uma perspectiva mais geral, contudo, o elemento determinante desse período é o esforço de criação de um

mercado interno unificado. Para tanto, era fundamental dificultar as relações econômicas com o exterior, por meio de taxas alfandegárias ou instrumentos semelhantes, e facilitar a circulação de mercadorias e capitais dentro do território nacional. Esse processo de fundo subsistiu à queda do Estado Novo, em 1945.

É sabido que o projeto centralizante teve continuidade, no plano administrativo, mesmo durante o período de 1945-64, em que o

funcionamento regular dos mecanismos eleitorais de escolha de representantes, nos três níveis da federação, potenciou o federalismo no plano político. Aliás, a tendência centralizadora tivera início e continuidade nos Estados Unidos, a partir da depressão de 30, sem o concurso de qualquer ruptura do regime representativo. No Brasil, a força desse padrão administrativo é mostrada pela volta de Getúlio Vargas à presidência, pelo voto, no começo da década de 50.

pela volta de Getúlio Vargas à presidência, pelo voto, no começo da década de 50. Didatismo

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NOÇÕES DE DIREITO A tendência à centralização, que não se perdera totalmente sob a vigência

NOÇÕES DE DIREITO

A tendência à centralização, que não se perdera totalmente sob a vigência da constituição de 1946, viu-se, ainda, fortalecida, a partir

da década de 60, quando o estado de direito foi substituído por um ambicioso projeto de reordenamento administrativo do estado, a partir do centro, com recurso, mais uma vez, ao autoritarismo político. Ao mesmo tempo, a economia brasileira se integrou à dinâmica ditada pelo centro industrial do sudeste - em particular de São Paulo. Todo um sistema de subsídios foi montado para levar empresas dessa região a se instalarem no norte e no nordeste, incorporando os processos produtivos, em dimensão nacional, a uma única lógica. Mas a base social de sustentação do regime de 64 diferia, em grande medida, da base getulista. Apesar do reforço do poder estatal, do slogan de Brasil potência e de algumas políticas nacionalistas de longo alcance, o novo regime autoritário se pautava por uma con- cepção muito menos desconfiada em relação ao capital internacional. Daí a interpretação, mais ou menos corrente, de que o golpe de 64 explicitou a adesão da burguesia nacional a uma aliança, em posição subordinada, com o capital internacional. Também por isso, ao contrário do getulismo, o regime empresarial-militar foi avesso à mobilização popular, o que enfraquecia seu eventual nacionalismo. No nível político-institucional, a centralização de poder própria do regime autoritário já chegou ao fim, a partir da tentativa embrio- nária, representada pela constituição de 1988, de repartição de poderes, descentralização de decisões e, naturalmente, recuperação da estrutura e dos ideais federativos. Soma-se a isso um fator de descentralização mais estrutural. As décadas de internacionalização produtiva acabaram por inverter a tendência para a integração da economia brasileira. Essa relativa fragmentação pode vir a desconcentrar poder econômico, em detrimen- to dos estados cuja industrialização deveu parte de sua força aos mercados cativos em outras regiões do país. A contrapartida é a guerra fiscal, em que os estados entram em disputas fratricidas por investimentos, principalmente externos. Por outro lado, medidas de concentração de recursos na União têm sido tomadas pelo governo federal ao longo dos últimos anos. Em

exposição sobre a necessidade de rediscussão permanente do pacto federativo, a importância, tanto da guerra fiscal, quanto das políticas tributárias concentradoras, foi bem destacada, recentemente, na Câmara dos Deputados, pelo cientista político Otávio Dulci. Disse ele,

sobre a segunda questão: “o Fundo Social de Emergência, depois rebatizado com outros nomes, (

retém, em mãos da União, parcela

considerável de recursos destinados aos estados e municípios. Além disso, com o tempo, o governo federal caminhou sem rebuços para

uma nova centralização fiscal, fazendo aprovar taxas e contribuições, como a CPMF, que não precisam ser rateadas com os outros entes da federação”. Temos atualmente, portanto, uma situação em que a ordem constitucional formal foi pensada para reforçar a desconcentração de poderes e recursos e em que tendências descentralizadoras importantes decorrem da própria internacionalização produtiva, remetendo as regiões brasileiras para relações diretas com o exterior. Ao mesmo tempo, os últimos anos foram caracterizados por algum retorno ao padrão anterior de concentração de recursos na União. Mostra-se vigente, como não poderia deixar de ser em uma situação real, a tradicional contradição dinâmica entre centralização e descentralização de poderes.

A avaliação do momento torna-se ainda mais difícil quando se tem em conta que descentralização nem sempre coincidiu, no Brasil,

com democracia e liberdade. Deve-se até recordar que a concentração de poderes, entre nós, algumas vezes contribuiu para o enfraque- cimento dos despotismos locais e para a modernização das relações sociais. De qualquer maneira, parece que o Brasil está no melhor momento de sua história em termos de oportunidades para a construção de um pacto federativo que resulte da soma de poderes locais democraticamente construídos. Trata-se, no entanto, de processo que apenas se inicia.

)

3. PODER LEGISLATIVO DO ESTADO:

ORGANIZAÇÃO E ATRIBUIÇÕES. DEPUTADOS. MESA DA ASSEMBLEIA. COMISSÕES. PROCESSO LEGISLATIVO.

ORGANIZAÇÃO E ATRIBUIÇÕES

A Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais é o órgão de representação do Poder Legislativo por meio dos deputados esta-

duais, representantes do povo mineiro, eleitos para mandato de 4 anos. Sua organização e atribuições encontram-se elencadas na Constituição do Estado de Minas Gerais e no Regimento Interno da As- sembleia Legislativa. Em seguida vamos acompanhar o que dispõe a Constituição Estadual acerca do assunto:

CAPÍTULO II DA ORGANIZAÇÃO DOS PODERES SEÇÃO I - DO PODER LEGISLATIVO SUBSEÇÃO I - DA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA

DOS PODERES SEÇÃO I - DO PODER LEGISLATIVO SUBSEÇÃO I - DA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA Didatismo e

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NOÇÕES DE DIREITO Art. 52 - O Poder Legislativo é exercido pela Assembleia Legislativa, que

NOÇÕES DE DIREITO

Art. 52 - O Poder Legislativo é exercido pela Assembleia Legislativa, que se compõe de representantes do povo mineiro, eleitos na forma da lei.

§ 1º - O número de Deputados corresponde ao triplo da representação do Estado na Câmara dos Deputados e, atingido o número de trinta e seis, será acrescido de tantos quantos forem os Deputados Federais acima de doze.

§ 2º - O número de Deputados não vigorará na legislatura em que for fixado.

§ 3º - Cada legislatura terá a duração de quatro anos.

Art. 53 - A Assembleia Legislativa se reunirá, em sessão ordinária, na Capital do Estado, independentemente de convocação, de primeiro de fevereiro a dezoito de julho e de primeiro de agosto a vinte de dezembro de cada ano.

§ 1º - As reuniões previstas para as datas fixadas neste artigo serão transferidas para o primeiro dia útil subsequente, quando recaírem em sábado, domingo ou feriado.

§ 2º - A sessão legislativa ordinária não será interrompida sem a aprovação do projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias nem encerrada sem que seja aprovado o projeto da Lei Orçamentária Anual.

§ 3º - No início de cada legislatura, haverá reuniões preparatórias, entre os dias primeiro e quinze de fevereiro, com a finalidade de:

I - dar posse aos Deputados diplomados;

II - eleger a Mesa da Assembleia para mandato de dois anos, permitida uma única recondução para o mesmo cargo na eleição sub-

sequente, na mesma legislatura ou na seguinte.

§ 4º - Por motivo de conveniência pública e deliberação da maioria de seus membros, poderá a Assembleia Legislativa reunir-se, temporariamente, em qualquer cidade do Estado.

§ 5º - A convocação de sessão extraordinária da Assembleia Legislativa será feita:

I - pelo Governador do Estado, em caso de urgência ou de interesse público relevante, com a aprovação da maioria dos membros da Assembleia Legislativa;

II - por seu Presidente, quando ocorrer intervenção em Município, para o compromisso e a posse do Governador e do Vice– Gover-

nador do Estado, ou, em caso de urgência ou de interesse público relevante, a requerimento da maioria de seus membros.

§ 6º - Na sessão extraordinária, a Assembleia Legislativa somente deliberará sobre a matéria para a qual tenha sido convocada, vedado o pagamento de parcela indenizatória em razão da convocação.

§ 7º - (Suprimido pelo art. 1º da Emenda à Constituição nº 21, de 3/7/1997.)

Art. 54 - A Assembleia Legislativa ou qualquer de suas comissões poderão convocar Secretário de Estado, dirigente de entidade da

administração indireta ou titular de órgão diretamente subordinado ao Governador do Estado para prestarem, pessoalmente, informações sobre assunto previamente determinado, sob pena de responsabilidade, no caso de ausência injustificada.

§ 1º - O Secretário de Estado poderá comparecer à Assembleia Legislativa ou a qualquer de suas comissões, por sua iniciativa e após entendimento com a Mesa da Assembleia, para expor assunto de relevância de sua Secretaria.

§ 2º - A Mesa da Assembleia poderá encaminhar ao Secretário de Estado pedido escrito de informação, e a recusa, ou o não– aten-

dimento no prazo de trinta dias, ou a prestação de informação falsa importam crime de responsabilidade.

§ 3º - A Mesa da Assembleia poderá encaminhar pedido de informação a dirigente de entidade da administração indireta, ao Coman-

dante-Geral da Polícia Militar e a outras autoridades estaduais, e a recusa, ou o não-atendimento no prazo de trinta dias, ou a prestação de informação falsa constituem infração administrativa, sujeita a responsabilização.

Art. 55 - Salvo disposição constitucional em contrário, as deliberações da Assembleia Legislativa e de suas comissões serão tomadas por maioria de votos, presente a maioria de seus membros.

Art. 56 - O Deputado é inviolável, civil e penalmente, por quaisquer de suas opiniões, palavras e votos.

§ 1º - O Deputado, desde a expedição do diploma, será submetido a julgamento perante o Tribunal de Justiça.

§ 2º - O Deputado não pode, desde a expedição do diploma, ser preso, salvo em flagrante de crime inafiançável.

§ 3° - Na hipótese prevista no § 2° deste artigo, os autos serão remetidos dentro de vinte e quatro horas à Assembleia Legislativa, para que esta, pelo voto da maioria de seus membros, resolva sobre a prisão. (Parágrafo com redação dada pelo art. 11 da Emenda à Constituição nº 84, de 22/12/2010.)

§ 4º - Recebida a denúncia contra Deputado, por crime ocorrido após a diplomação, o Tribunal de Justiça dará ciência à Assembleia

Legislativa, que, por iniciativa de partido político nela representado e pelo voto da maioria de seus membros, poderá, até a decisão final, sustar o andamento da ação.

§ 5º - O pedido de sustação será apreciado pela Assembleia Legislativa no prazo improrrogável de quarenta e cinco dias do seu recebimento pela Mesa.

§ 6º - A sustação do processo suspende a prescrição, enquanto durar o mandato.

Mesa. § 6º - A sustação do processo suspende a prescrição, enquanto durar o mandato. Didatismo

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NOÇÕES DE DIREITO § 7º - O Deputado não será obrigado a testemunhar sobre informação

NOÇÕES DE DIREITO

§ 7º - O Deputado não será obrigado a testemunhar sobre informação recebida ou prestada em razão do exercício do mandato, nem

sobre pessoa que a ele confiou ou dele recebeu informação.

§ 8º - Aplicam-se ao Deputado as regras da Constituição da República não inscritas nesta Constituição sobre sistema eleitoral, in- violabilidade, imunidade, remuneração, perda de mandato, licença, impedimento e incorporação às Forças Armadas.

Art. 57 - O Deputado não pode:

I - desde a expedição do diploma:

a) firmar ou manter contrato com pessoa jurídica de direito público, autarquia, empresa pública, sociedade de economia mista ou

empresa concessionária de serviço público, salvo quando o contrato obedecer a cláusulas uniformes;

b) aceitar ou exercer cargo, função ou emprego remunerado, incluídos os de que seja demissível ad nutum, nas entidades indicadas

na alínea anterior;

II - desde a posse:

a) ser proprietário, controlador ou diretor de empresa que goze de favor decorrente de contrato com pessoa jurídica de direito públi-

co, ou nela exercer função remunerada;

b) ocupar cargo ou função de que seja demissível ad nutum nas entidades indicadas no inciso I, a;

c) patrocinar causa em que seja interessada qualquer das entidades a que se refere o inciso I, a;

d) ser titular de mais de um cargo ou mandato público eletivo.

Art. 58 - Perderá o mandato o Deputado:

I - que infringir proibição estabelecida no artigo anterior;

II - cujo procedimento for declarado incompatível com o decoro parlamentar;

III - que deixar de comparecer, em cada sessão legislativa, à terça parte das reuniões ordinárias, salvo licença ou missão autorizada

pela Assembleia Legislativa;

IV - que perder os direitos políticos ou os tiver suspensos;

V - quando o decretar a Justiça Eleitoral, nos casos previstos na Constituição da República;

VI - que sofrer condenação criminal em sentença transitada em julgado.

§ 1º - É incompatível com o decoro parlamentar, além dos casos definidos no Regimento Interno, o abuso de prerrogativa assegurada ao Deputado ou a percepção de vantagem indevida.

§ 2º - Nos casos dos incisos I, II e VI, a perda de mandato será decidida pela Assembleia Legislativa por voto secreto e maioria de seus membros, por provocação da Mesa ou de partido político representado na Assembleia Legislativa, assegurada ampla defesa.

§ 3º - Nos casos dos incisos III, IV e V, a perda será declarada pela Mesa da Assembleia, de ofício ou por provocação de qualquer

de seus membros ou de partido político representado na Assembleia Legislativa, assegurada ampla defesa.

§ 4° - A renúncia de parlamentar submetido a processo que vise ou possa levar à perda do mandato, nos termos deste artigo, terá seus efeitos suspensos até as deliberações finais de que tratam os §§ 2° e 3°.

Art. 59 - Não perderá o mandato o Deputado:

I - investido em cargo de Ministro de Estado, Governador de Território, Secretário de Estado, do Distrito Federal, de Território, de Prefeitura de Capital ou de chefe de missão diplomática temporária;

II - licenciado por motivo de doença ou para tratar, sem remuneração, de interesse particular, desde que, neste caso, o afastamento

não ultrapasse cento e vinte dias por sessão legislativa. § 1º - O suplente será convocado nos casos de vaga, de investidura em cargo mencionado neste artigo, ou de licença superior a

cento e vinte dias.

§ 2º - Se ocorrer vaga e não houver suplente, far-se-á eleição para preenchê-la, se faltarem mais de quinze meses para o término do mandato.

§ 3º - Na hipótese do inciso I, o Deputado poderá optar pela remuneração do mandato.

SUBSEÇÃO III - DAS COMISSÕES

Art. 60 - A Assembleia Legislativa terá comissões permanentes e temporárias, constituídas na forma do Regimento Interno e com as atribuições nele previstas, ou conforme os termos do ato de sua criação.

§ 1º - Na constituição da Mesa e na de cada comissão é assegurada, tanto quanto possível, a participação proporcional dos partidos políticos ou dos blocos parlamentares representados na Assembleia Legislativa.

§ 2º - Às comissões, em razão da matéria de sua competência, cabe:

Legislativa. § 2º - Às comissões, em razão da matéria de sua competência, cabe: Didatismo e

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NOÇÕES DE DIREITO I - discutir e votar projeto de lei que dispensar, na forma

NOÇÕES DE DIREITO

I - discutir e votar projeto de lei que dispensar, na forma do Regimento Interno, a competência do Plenário, salvo se houver recurso de um décimo dos membros da Assembleia;

II - realizar audiência pública com entidade da sociedade civil;

III - realizar audiência pública em regiões do Estado, para subsidiar o processo legislativo, observada a disponibilidade orçamen-

tária;

IV - convocar, além das autoridades a que se refere o art. 54, outra autoridade estadual para prestar informação sobre assunto ineren-

te às suas atribuições, constituindo infração administrativa a recusa ou o não-atendimento no prazo de trinta dias;

V

- receber petição, reclamação, representação ou queixa de qualquer pessoa contra ato ou omissão de autoridade ou entidade pú-

blicas;

VI

- solicitar depoimento de qualquer autoridade ou cidadão;

VII - apreciar plano de desenvolvimento e programa de obras do Estado, de região metropolitana, de aglomeração urbana e de

microrregião;

VIII - acompanhar a implantação dos planos e programas de que trata o inciso anterior e exercer a fiscalização dos recursos estaduais

neles investidos.

§ 3º - As Comissões Parlamentares de Inquérito, observada a legislação específica, no que couber, terão poderes de investigação

próprios das autoridades judiciárias, além de outros previstos no Regimento Interno, e serão criadas a requerimento de um terço dos membros da Assembleia Legislativa, para apuração de fato determinado e por prazo certo, e suas conclusões, se for o caso, serão enca- minhadas ao Ministério Público, ou a outra autoridade competente, para que se promova a responsabilidade civil, criminal ou adminis- trativa do infrator.

SUBSEÇÃO IV - DAS ATRIBUIÇÕES DA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA

Art. 61 - Cabe à Assembleia Legislativa, com a sanção do Governador, não exigida esta para o especificado no art. 62, dispor sobre todas as matérias de competência do Estado, especificamente:

I - plano plurianual e orçamentos anuais;

II - diretrizes orçamentárias;

III - sistema tributário estadual, arrecadação e distribuição de rendas;

IV - dívida pública, abertura e operação de crédito;

V - plano de desenvolvimento;

VI - normas gerais relativas ao planejamento e execução de funções públicas de interesse comum, a cargo da região metropolitana,

aglomeração urbana e microrregião;

VII - fixação e modificação dos efetivos da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros Militar;

VIII - criação, transformação e extinção de cargo, emprego e função públicos na administração direta, autárquica e fundacional e

fixação de remuneração, observados os parâmetros estabelecidos na Lei de Diretrizes Orçamentárias;

IX - servidor público da administração direta, autárquica e fundacional, seu regime jurídico único, provimento de cargos, estabili-

dade e aposentadoria de civil e reforma e transferência de militar para a inatividade;

X - fixação do quadro de empregos das empresas públicas, sociedades de economia mista e demais entidades sob controle direto ou

indireto do Estado;

XI - criação, estruturação, definição de atribuições e extinção de Secretarias de Estado e demais órgãos da administração pública;

(Inciso com redação dada pelo art. 13 da Emenda à Constituição nº 84, de 22/12/2010.)

XII - organização do Ministério Público, da Advocacia do Estado, da Defensoria Pública, do Tribunal de Contas, da Polícia Militar, da Polícia Civil e dos demais órgãos da Administração Pública;

XIII - organização e divisão judiciárias;

XIV - bens do domínio público;

XV - aquisição onerosa e alienação de bem imóvel do Estado;

XVI - transferência temporária da sede do Governo Estadual;

XVII - matéria decorrente da competência comum prevista no art. 23 da Constituição da República; XVIII - matéria de legislação concorrente, de que trata o art. 24 da Constituição da República;

XIX - matéria da competência reservada ao Estado Federado no § 1º do art. 25 da Constituição da República.

XX - fixação do subsídio do Deputado Estadual, observado o disposto nos arts. 24, § 7°, e 53, § 6°, desta Constituição, e nos arts.

27, § 2°; 150, “caput”, II, e 153, “caput”, III, e § 2°, I, da Constituição da República; (Inciso acrescentado pelo art. 13 da Emenda à Constituição nº 84, de 22/12/2010.)

(Inciso acrescentado pelo art. 13 da Emenda à Constituição nº 84, de 22/12/2010.) Didatismo e Conhecimento

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NOÇÕES DE DIREITO XXI - fixação dos subsídios do Governador, do Vice-Governador e dos Secretários

NOÇÕES DE DIREITO

XXI - fixação dos subsídios do Governador, do Vice-Governador e dos Secretários de Estado, observado o disposto no art. 24, §§ 1°

e 7°, desta Constituição, e nos arts. 150, “caput”, II, e 153, “caput”, III, e § 2°, I, da Constituição da República (Inciso acrescentado pelo art. 13 da Emenda à Constituição nº 84, de 22/12/2010.)

Art. 62 - Compete privativamente à Assembléia Legislativa:

I - eleger a Mesa e constituir as comissões;

II - elaborar o Regimento Interno;

III - dispor sobre sua organização, funcionamento e polícia;

IV - dispor sobre a criação, a transformação ou a extinção de cargo, emprego e função de seus serviços e de sua administração indi-

reta; (Inciso com redação dada pelo art. 14 da Emenda à Constituição nº 84, de 22/12/2010.)

V - aprovar crédito suplementar ao orçamento de sua Secretaria, nos termos desta Constituição;

VI - resolver sobre prisão e sustar o andamento de ação penal contra Deputado, observado o disposto no art. 56; (Inciso com redação

dada pelo art. 14 da Emenda à Constituição nº 84, de 22/12/2010.)

VII - (Revogado pelo art. 49 da Emenda à Constituição nº 84, de 22/12/2010.)

VIII - (Revogado pelo art. 49 da Emenda à Constituição nº 84, de 22/12/2010.)

IX - dar posse ao Governador e ao Vice-Governador do Estado;

X - conhecer da renúncia do Governador e do Vice-Governador do Estado;

XI - conceder licença ao Governador do Estado para interromper o exercício de suas funções;

XII - autorizar o Governador a ausentar-se do Estado, e o Vice-Governador, do País, quando a ausência exceder quinze dias;

XIII - autorizar, por dois terços de seus membros, a instauração de processo contra o Governador e o Vice-Governador do Estado,

nos crimes de responsabilidade, e, contra o Secretário de Estado, nos crimes de responsabilidade não conexos com os do Governador;

XIV - processar e julgar o Governador e o Vice-Governador do Estado nos crimes de responsabilidade, e o Secretário de Estado nos

crimes da mesma natureza conexos com aqueles;

XV - processar e julgar o Procurador-Geral de Justiça e o Advogado-Geral do Estado nos crimes de responsabilidade;

XVI - aprovar, por maioria de seus membros e por voto secreto, a exoneração, de ofício, do Procurador-Geral de Justiça, antes do

término de seu mandato;

XVII

- destituir, na forma da lei orgânica do Ministério Público, por maioria de seus membros e voto secreto, o Procurador– Geral

de Justiça;

XVIII

- destituir do cargo o Governador e o Vice-Governador do Estado, após condenação por crime comum ou de responsabilidade;

XIX - proceder à tomada de contas do Governador do Estado não apresentadas dentro de sessenta dias da abertura da sessão legis-

lativa;

XX - julgar, anualmente, as contas prestadas pelo Governador do Estado, e apreciar os relatórios sobre a execução dos planos de governo;

XXI - escolher quatro dos sete Conselheiros do Tribunal de Contas; (Inciso com redação dada pelo art. 14 da Emenda à Constituição

nº 84, de 22/12/2010.)

XXII - apreciar, anualmente, as contas do Tribunal de Contas;

XXIII - aprovar, previamente, por voto secreto, após argüição pública, a escolha:

a) dos Conselheiros do Tribunal de Contas indicados pelo Governador do Estado;

b) dos membros do Conselho de Governo indicados pelo Governador do Estado, do Conselho Estadual de Educação e do Conselho

de Defesa Social;

c) de Interventor em Município;

d) dos Presidentes das entidades da administração pública indireta, dos Presidentes e dos Diretores do sistema financeiro estadual;

(Declarada a inconstitucionalidade da expressão “dos Presidentes das entidades da administração pública indireta” - ADIN 1642-3. Acórdão publicado no Diário da Justiça em 19/9/2008)

e) de titular de cargo, quando a lei o determinar.

XXIV - eleger os quatro membros do Conselho de Governo a que se refere o inciso V do art. 94;

XXV - (Inciso declarado inconstitucional em 7/8/1997 - ADIN 165. Acórdão publicado no Diário da Justiça em 26/9/1997.)

XXVI - aprovar convênio intermunicipal para modificação de limites;

XXVII - solicitar a intervenção federal; XXVIII - aprovar ou suspender a intervenção em Município; XXIX - suspender, no todo ou em parte, a execução de ato normativo estadual declarado, incidentalmente, inconstitucional por

decisão definitiva do Tribunal de Justiça, quando a decisão de inconstitucionalidade for limitada ao texto da Constituição do Estado;

XXX - sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa;

Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa; Didatismo e Conhecimento

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NOÇÕES DE DIREITO XXXI - fiscalizar e controlar os atos do Poder Executivo, incluídos os

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XXXI - fiscalizar e controlar os atos do Poder Executivo, incluídos os da administração indireta;

XXXII - dispor sobre limites e condições para a concessão de garantia do Estado em operações de crédito;

XXXIII - zelar pela preservação de sua competência legislativa em face da atribuição normativa dos outros Poderes;

XXXIV - aprovar, previamente, a alienação ou a concessão de terra pública, ressalvados:

a) os casos previstos no § 2º do art. 246 e nos §§ 3º e 8º do art. 247;

b) a alienação ou a concessão de terras públicas e devolutas rurais previstas no art. 247, com área de até 100ha (cem hectares);

XXXV - mudar temporariamente sua sede;

XXXVI - dispor sobre o sistema de previdência e assistência social dos seus membros e o sistema de assistência social dos servido-

res de sua Secretaria; (Inciso com redação dada pelo art. 14 da Emenda à Constituição nº 84, de 22/12/2010.) XXXVII - manifestar-se, perante o Congresso Nacional, após resolução aprovada pela maioria de seus membros, na hipótese de

incorporação, subdivisão ou desmembramento de área do território do Estado, nos termos do art. 48, VI, da Constituição da República.

XXXVIII - autorizar referendo e convocar plebiscito nas questões de competência do Estado.

§ 1º - No caso previsto no inciso XIV, a condenação, que somente será proferida por dois terços dos votos da Assembleia Legisla-

tiva, se limitará à perda do cargo, com inabilitação, por oito anos, para o exercício de função pública, sem prejuízo das demais sanções judiciais cabíveis.

§ 2º - A representação judicial da Assembleia Legislativa é exercida por sua Procuradoria-Geral, à qual cabe também a consultoria jurídica do Poder Legislativo.

§ 3º - O não-encaminhamento, à Assembleia Legislativa, dos convênios a que se refere o inciso XXV, nos dez dias úteis subsequen- tes à sua celebração, implica a nulidade dos atos já praticados em virtude de sua execução.

§ 4º - O exercício da competência a que se refere o inciso XXXVIII dar-se-á nos termos da lei.

SUBSEÇÃO V - DO PROCESSO LEGISLATIVO

Art. 63 - O processo legislativo compreende a elaboração de:

I - emenda à Constituição;

II - lei complementar;

III - lei ordinária;

IV - lei delegada; ou

V - resolução.

Parágrafo único - Lei complementar disporá sobre a elaboração, redação, a alteração e a consolidação das leis.

Art. 64 - A Constituição pode ser emendada por proposta:

I - de, no mínimo, um terço dos membros da Assembleia Legislativa;

II - do Governador do Estado; ou III - de, no mínimo, 100 (cem) Câmaras Municipais, manifestada pela maioria de cada uma delas.

§ 1º - As regras de iniciativa privativa pertinentes a legislação infraconstitucional não se aplicam à competência para a apresentação da proposta de que trata este artigo.

§ 2º - A Constituição não pode ser emendada na vigência de estado de sítio ou estado de defesa, nem quando o Estado estiver sob intervenção federal.

§ 3º - A proposta será discutida e votada em dois turnos e considerada aprovada se obtiver, em ambos, três quintos dos votos dos membros da Assembleia Legislativa.

§ 4º - A emenda à Constituição, com o respectivo número de ordem, será promulgada pela Mesa da Assembleia.

§ 5º - A matéria constante de proposta de emenda rejeitada ou havida por prejudicada não pode ser reapresentada na mesma sessão

legislativa. Art. 65 - A iniciativa de lei complementar e ordinária cabe a qualquer membro ou comissão da Assembleia Legislativa, ao Gover-

nador do Estado, ao Tribunal de Justiça, ao Tribunal de Contas, ao Procurador-Geral de Justiça e aos cidadãos, na forma e nos casos definidos nesta Constituição.

§ 1º - A lei complementar é aprovada por maioria dos membros da Assembleia Legislativa.

§ 2º - Consideram-se lei complementar, entre outras matérias previstas nesta Constituição:

I - o Código de Finanças Públicas e o Código Tributário;

II - a Lei de Organização e Divisão Judiciárias;

III - o Estatuto dos Servidores Públicos Civis, o Estatuto dos Militares e as leis que instituírem os respectivos regimes de previdên-

cia; (Inciso com redação dada pelo art. 15 da Emenda à Constituição nº 84, de 22/12/2010.)

IV - as leis orgânicas do Ministério Público, do Tribunal de Contas, da Advocacia do Estado, da Defensoria Pública, da Polícia Civil

e da Polícia Militar.

da Advocacia do Estado, da Defensoria Pública, da Polícia Civil e da Polícia Militar. Didatismo e

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NOÇÕES DE DIREITO Art. 66 - São matérias de iniciativa privativa, além de outras previstas

NOÇÕES DE DIREITO

Art. 66 - São matérias de iniciativa privativa, além de outras previstas nesta Constituição:

I - da Mesa da Assembleia:

a) o Regimento Interno da Assembleia Legislativa;

b) o subsídio do Deputado Estadual, observado o disposto nos arts. 27, § 2°; 150, “caput”, II, e 153, “caput”, III, e § 2°, I, da Cons-

tituição da República; (Alínea com redação dada pelo art. 16 da Emenda à Constituição nº 84, de 22/12/2010.)

c) os subsídios do Governador, do Vice-Governador e do Secretário de Estado, observado o disposto nos arts. 150, “caput”, II, e

153, “caput”, III, e § 2°, I, da Constituição da República; (Alínea com redação dada pelo art. 16 da Emenda à Constituição nº 84, de

22/12/2010.)

d) a organização da Secretaria da Assembleia Legislativa, seu funcionamento e sua polícia, a criação, a transformação ou a extinção

de cargo, emprego e função e o regime jurídico de seus servidores; (Alínea com redação dada pelo art. 16 da Emenda à Constituição nº 84, de 22/12/2010.)

e) a criação de entidade da administração indireta da Assembleia Legislativa;

f) a autorização para o Governador ausentar-se do Estado, e o Vice-Governador, do País, quando a ausência exceder quinze dias;

g) a mudança temporária da sede da Assembleia Legislativa;

h) a remuneração dos servidores da Secretaria da Assembleia Legislativa, observados os parâmetros estabelecidos na Lei de Dire-

trizes Orçamentárias e o disposto nos arts. 24 e 32 desta Constituição (Alínea acrescentada pelo art. 16 da Emenda à Constituição nº 84, de 22/12/2010.)

II - do Tribunal de Contas, por seu Presidente, a criação e a extinção de cargo e função públicos e a fixação do subsídio de seus

membros e da remuneração dos servidores da sua Secretaria, observados os parâmetros da Lei de Diretrizes Orçamentárias; (Inciso com redação dada pelo art. 16 da Emenda à Constituição nº 84, de 22/12/2010.)

III - do Governador do Estado:

a) a fixação e a modificação dos efetivos da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros Militar;

b) a criação de cargo e função públicos da administração direta, autárquica e fundacional e a fixação da respectiva remuneração,

observados os parâmetros da Lei de Diretrizes Orçamentárias;

c) o regime de previdência dos militares, o regime de previdência e o regime jurídico único dos servidores públicos da administração

direta, autárquica e fundacional, incluídos o provimento de cargo e a estabilidade; (Alínea com redação dada pelo art. 16 da Emenda à Constituição nº 84, de 22/12/2010.)

d) o quadro de empregos das empresas públicas, sociedades de economia mista e demais entidades sob controle direto ou indireto

do Estado;

e) a criação, estruturação e extinção de Secretaria de Estado, órgão autônomo e entidade da administração indireta;

f) a organização da Advocacia do Estado, da Defensoria Pública, da Polícia Civil, da Polícia Militar e dos demais órgãos da Admi-

nistração Pública, respeitada a competência normativa da União;

g) os planos plurianuais;

h) as diretrizes orçamentárias;

i) os orçamentos anuais;

IV - do Tribunal de Justiça, por seu Presidente:

a) a criação e a organização de juízo inferior e de vara judiciária, a criação e a extinção de cargo e função públicos e a remuneração

dos seus serviços auxiliares e dos juízos que lhe forem vinculados, bem como a fixação do subsídio de seus membros e dos juízes, ob- servados os parâmetros estabelecidos na Lei de Diretrizes Orçamentárias e o disposto nos arts. 24 e 32 desta Constituição; (Alínea com redação dada pelo art. 16 da Emenda à Constituição nº 84, de 22/12/2010.)

b) a criação, a transformação ou a extinção de cargo e função públicos de sua Secretaria e da Secretaria do Tribunal de Justiça Militar

e a fixação da respectiva remuneração, observados os parâmetros estabelecidos na Lei de Diretrizes Orçamentárias e o disposto nos arts. 24 e 32 desta Constituição; (Alínea com redação dada pelo art. 16 da Emenda à Constituição nº 84, de 22/12/2010.)

c) a organização e a divisão judiciárias e suas alterações.

§ 1° - A iniciativa de que tratam as alíneas “a”, “d”, “e”, “f” e “g” do inciso I do “caput” será formalizada por meio de projeto de

resolução. (Parágrafo com redação dada pelo art. 16 da Emenda à Constituição nº 84, de 22/12/2010.)

§ 2° - Ao Procurador-Geral de Justiça é facultada, além do disposto no art. 125, a iniciativa de projetos sobre a criação, a transfor-

mação e a extinção de cargo e função públicos do Ministério Público e dos serviços auxiliares e a fixação da respectiva remuneração, observados os parâmetros estabelecidos na Lei de Diretrizes Orçamentárias e o disposto nos arts. 24 e 32 desta Constituição (Parágrafo com redação dada pelo art. 16 da Emenda à Constituição nº 84, de 22/12/2010.)

Art. 67 - Salvo nas hipóteses de iniciativa privativa e de matéria indelegável, previstas nesta Constituição, a iniciativa popular pode ser exercida pela apresentação à Assembleia Legislativa de projeto de lei, subscrito por, no mínimo, dez mil eleitores do Estado, em lista organizada por entidade associativa legalmente constituída, que se responsabilizará pela idoneidade das assinaturas.

associativa legalmente constituída, que se responsabilizará pela idoneidade das assinaturas. Didatismo e Conhecimento 20

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NOÇÕES DE DIREITO § 1º - Das assinaturas, no máximo vinte e cinco por cento

NOÇÕES DE DIREITO

§ 1º - Das assinaturas, no máximo vinte e cinco por cento poderão ser de eleitores alistados na Capital do Estado.

§ 2º - (Suprimido pelo art. 1º da Emenda à Constituição nº 32, de 18/3/1998.)

Art. 68 - Não será admitido aumento da despesa prevista:

I - nos projetos de iniciativa do Governador do Estado, ressalvada a comprovação da existência de receita e o disposto no art. 160,

III;

II - nos projetos sobre organização dos serviços administrativos da Assembleia Legislativa, dos Tribunais e do Ministério Público.

Art. 69 - O Governador do Estado poderá solicitar urgência para apreciação de projeto de sua iniciativa.

§ 1º - Se a Assembleia Legislativa não se manifestar em até quarenta e cinco dias sobre o projeto, será ele incluído na ordem do dia, sobrestando-se a deliberação quanto aos demais assuntos, para que se ultime a votação.

§ 2º - O prazo estabelecido no § 1º não corre em período de recesso da Assembleia Legislativa nem se aplica a projeto que dependa

de quorum especial para aprovação, a projeto de lei orgânica, estatutária ou equivalente a código e a projeto relativo a plano plurianual, diretrizes orçamentárias, orçamento anual ou crédito adicional.

Art. 70 - A proposição de lei, resultante de projeto aprovado pela Assembleia Legislativa, será enviada ao Governador do Estado, que, no prazo de quinze dias úteis, contados da data de seu recebimento:

I - se aquiescer, sancioná-la-á; ou

II - se a considerar, no todo ou em parte, inconstitucional ou contrária ao interesse público, vetá-la-á total ou parcialmente.

§ 1º - O silêncio do Governador do Estado, decorrido o prazo, importa sanção.

§ 2º - A sanção expressa ou tácita supre a iniciativa do Poder Executivo no processo legislativo.

§ 3º - O Governador do Estado publicará o veto e, dentro de quarenta e oito horas, comunicará seus motivos ao Presidente da As-

sembleia Legislativa.

§ 4º - O veto parcial abrangerá texto integral de artigo, de parágrafo, de inciso ou de alínea.

§ 5º - A Assembleia Legislativa, dentro de trinta dias contados do recebimento da comunicação do veto, sobre ele decidirá, em es-

crutínio secreto, e sua rejeição só ocorrerá pelo voto da maioria de seus membros.

§ 6º - Se o veto não for mantido, será a proposição de lei enviada ao Governador do Estado para promulgação.

§ 7º - Esgotado o prazo estabelecido no § 5º sem deliberação, o veto será incluído na ordem do dia da reunião imediata, sobrestadas

as demais proposições, até votação final, ressalvada a matéria de que trata o § 1º do artigo anterior.

§ 8º - Se, nos casos dos §§ 1º e 6º, a lei não for, dentro de quarenta e oito horas, promulgada pelo Governador do Estado, o Presidente da Assembléia Legislativa a promulgará, e, se este não o fizer em igual prazo, caberá ao Vice-Presidente fazê-lo.

Art. 71 - A matéria constante de projeto de lei rejeitado somente poderá constituir objeto de novo projeto na mesma sessão legislativa por proposta da maioria dos membros da Assembleia Legislativa.

Art. 72 - As leis delegadas serão elaboradas pelo Governador do Estado, por solicitação à Assembleia Legislativa.

§ 1º - Não podem constituir objeto de delegação os atos de competência privativa da Assembleia Legislativa, a matéria reservada a lei complementar e a legislação sobre:

I - organização do Poder Judiciário, do Ministério Público e do Tribunal de Contas, a carreira e a garantia de seus membros, bem assim a carreira e a remuneração dos servidores de suas Secretarias;

II - planos plurianuais, diretrizes orçamentárias e orçamentos.

§ 2º - A delegação ao Governador do Estado terá a forma de resolução da Assembleia Legislativa, que especificará seu conteúdo e

os termos de seu exercício.

§ 3º - Se a resolução determinar a apreciação do projeto pela Assembleia Legislativa, esta o fará em votação única, vedada qualquer emenda.

SUBSEÇÃO VI - DA FISCALIZAÇÃO E DOS CONTROLES

Art. 73 - A sociedade tem direito a governo honesto, obediente à lei e eficaz.

§ 1º - Os atos das unidades administrativas dos Poderes do Estado e de entidade da administração indireta se sujeitarão a:

I - controles internos exercidos, de forma integrada, pelo próprio Poder e a entidade envolvida;

II - controle externo, a cargo da Assembleia Legislativa, com o auxílio do Tribunal de Contas; e

- controle externo, a cargo da Assembleia Legislativa, com o auxílio do Tribunal de Contas; e

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NOÇÕES DE DIREITO III - controle direto, pelo cidadão e associações representativas da comunidade, mediante

NOÇÕES DE DIREITO

III - controle direto, pelo cidadão e associações representativas da comunidade, mediante amplo e irrestrito exercício do direito de

petição e representação perante órgão de qualquer Poder e entidade da administração indireta.

§ 2º - É direito da sociedade manter-se correta e oportunamente informada de ato, fato ou omissão, imputáveis a órgão, agente polí- tico, servidor público ou empregado público e de que tenham resultado ou possam resultar:

I - ofensa à moralidade administrativa, ao patrimônio público e aos demais interesses legítimos, coletivos ou difusos;

II - prestação de serviço público insuficiente, tardia ou inexistente;

III - propaganda enganosa do Poder Público;

IV - inexecução ou execução insuficiente ou tardia de plano, programa ou projeto de governo e de programas e projetos priorizados

em audiências públicas regionais; ou

V - ofensa a direito individual ou coletivo consagrado nesta Constituição.

§ 3º - Os Poderes do Estado, seus órgãos e entidades, o Tribunal de Contas e o Ministério Público divulgarão, no órgão oficial de

imprensa do Estado e por meio eletrônico de acesso público, até o vigésimo dia do mês subseqüente ao trimestre vencido, demonstrativo da despesa mensal realizada no trimestre anterior com remuneração, subsídio e verbas indenizatórias, incluídas as vantagens de natureza pessoal ou de qualquer outra natureza, de seus servidores, empregados públicos e agentes políticos, ativos e inativos, discriminada por unidade orçamentária e por cargo, emprego ou função e respectivos números de ocupantes ou membros.

Art. 74 - A fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial do Estado e das entidades da administração

indireta é exercida pela Assembleia Legislativa, mediante controle externo, e pelo sistema de controle interno de cada Poder e entidade.

§ 1º - A fiscalização e o controle de que trata este artigo abrangem:

I - a legalidade, legitimidade, economicidade e razoabilidade de ato gerador de receita ou determinante de despesa e do de que re- sulte nascimento ou extinção de direito ou obrigação;

II - a fidelidade funcional do agente responsável por bem ou valor públicos; e

III - o cumprimento de programa de trabalho expresso em termos monetários, a realização de obra, a prestação de serviço e a exe-

cução orçamentária de propostas priorizadas em audiências públicas regionais.

§ 2º - Prestará contas a pessoa física ou jurídica que:

I - utilizar, arrecadar, guardar, gerenciar ou administrar dinheiro, bem ou valor públicos ou pelos quais responda o Estado ou enti- dade da administração indireta; ou

II - assumir, em nome do Estado ou de entidade da administração indireta, obrigações de natureza pecuniária.

§ 3º - As unidades administrativas dos Poderes do Estado e as entidades da administração indireta publicarão, mensalmente, no

órgão oficial e, facultativamente, em jornais locais, resumo do demonstrativo das despesas orçamentárias executadas no período.

Art. 75 - As disponibilidades de caixa do Estado e dos órgãos ou entidades da administração direta e indireta serão depositadas nas instituições financeiras oficiais, ressalvados os casos previstos em lei federal. (Artigo com redação dada pelo art. 17 da Emenda à Cons- tituição nº 84, de 22/12/2010.)

Art. 76 - O controle externo, a cargo da Assembleia Legislativa, será exercido com o auxílio do Tribunal de Contas, ao qual compete:

I - apreciar as contas prestadas anualmente pelo Governador do Estado e sobre elas emitir parecer prévio, em sessenta dias, contados de seu recebimento;

II - julgar as contas dos administradores e demais responsáveis por dinheiro, bem ou valor públicos, de órgão de qualquer dos

Poderes ou de entidade da administração indireta, facultado valer-se de certificado de auditoria passado por profissional ou entidade habilitados na forma da lei e de notória idoneidade técnica;

III - fixar a responsabilidade de quem tiver dado causa a perda, extravio ou outra irregularidade de que tenha resultado prejuízo ao

Estado ou a entidade da administração indireta;

IV - promover a tomada de contas, nos casos em que não tenham sido prestadas no prazo legal;

V - apreciar, para o fim de registro, a legalidade dos atos de admissão de pessoal, a qualquer título, pelas administrações direta e

indireta, excluídas as nomeações para cargo de provimento em comissão ou para função de confiança;

VI - apreciar, para o fim de registro, a legalidade dos atos de concessão de aposentadoria, reforma e pensão, ressalvadas as melhorias

posteriores que não tenham alterado o fundamento legal do ato concessório; VII - realizar, por iniciativa própria, ou a pedido da Assembleia Legislativa ou de comissão sua, inspeção e auditoria de natureza

contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial em órgão de qualquer dos Poderes e em entidade da administração indireta; VIII - emitir parecer, quando solicitado pela Assembleia Legislativa, sobre empréstimo e operação de crédito que o Estado realize,

e

fiscalizar a aplicação dos recursos deles resultantes;

IX

- emitir, na forma da lei, parecer em consulta sobre matéria que tenha repercussão financeira, contábil, orçamentária, operacional

e

patrimonial;

tenha repercussão financeira, contábil, orçamentária, operacional e patrimonial; Didatismo e Conhecimento 22

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NOÇÕES DE DIREITO X - fiscalizar as contas estaduais das empresas, incluídas as supranacionais, de

NOÇÕES DE DIREITO

X - fiscalizar as contas estaduais das empresas, incluídas as supranacionais, de cujo capital social o Estado participe de forma direta

ou indireta, nos termos do ato constitutivo ou de tratado;

XI - fiscalizar a aplicação de quaisquer recursos repassados ou recebidos pelo Estado, por força de convênio, acordo, ajuste ou

instrumento congênere;

XII - prestar as informações solicitadas pela Assembléia Legislativa, no mínimo por um terço de seus membros, ou por comissão

sua, sobre assunto de fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial, e sobre os resultados de auditoria e ins- peção realizadas em órgão de qualquer dos Poderes ou entidade da administração indireta;

XIII - aplicar ao responsável, em caso de ilegalidade de despesa ou irregularidade de contas, a sanção prevista em lei, que estabele-

cerá, entre outras cominações, multa proporcional ao dano causado ao erário;

XIV - examinar a legalidade de ato dos procedimentos licitatórios, de modo especial dos editais, das atas de julgamento e dos con-

tratos celebrados;

XV - apreciar a legalidade, legitimidade, economicidade e razoabilidade de contrato, convênio, ajuste ou instrumento congênere que

envolvam concessão, cessão, doação ou permissão de qualquer natureza, a título oneroso ou gratuito, de responsabilidade do Estado, por qualquer de seus órgãos ou entidade da administração indireta;

XVI - estabelecer prazo para que o órgão ou entidade tome as providências necessárias ao cumprimento da lei, se apurada ilegali-

dade;

XVII - sustar, se não atendido, a execução do ato impugnado e comunicar a decisão à Assembleia Legislativa; XVIII - representar ao Poder competente sobre irregularidade ou abuso apurados;

XIX - acompanhar e fiscalizar a aplicação das disponibilidades de caixa do Tesouro Estadual no mercado financeiro nacional de

títulos públicos e privados de renda fixa, e sobre ela emitir parecer para apreciação da Assembléia Legislativa.

§ 1º - No caso de contrato, o ato de sustação será praticado diretamente pela Assembleia Legislativa, que, de imediato, solicitará ao

Poder competente a medida cabível.

§ 2º - Caso a medida a que se refere o parágrafo anterior não seja efetivada no prazo de noventa dias, o Tribunal decidirá a respeito.

§ 3º - A decisão do Tribunal de que resulte imputação de débito ou multa terá eficácia de título executivo.

§ 4º - O Tribunal encaminhará à Assembleia Legislativa, trimestral e anualmente, relatórios de suas atividades.

§ 5º - O Tribunal prestará contas à Assembleia Legislativa.

§ 6º - (Revogado pelo art. 3º da Emenda à Constituição nº 78, de 5/10/2007.)

§ 7º - O Tribunal de Contas, no exercício de suas competências, observará os institutos da prescrição e da decadência, nos termos da legislação em vigor.

Art. 77 - O Tribunal de Contas, com sede na Capital do Estado, é composto de sete Conselheiros e tem quadro próprio de pessoal e jurisdição em todo o território do Estado.

§ 1º - A lei disporá sobre a organização do Tribunal, que poderá ser dividido em Câmaras, cuja composição será renovada periodi- camente.

§ 2º - (Revogado pelo art. 3º da Emenda à Constituição nº 78, de 5/10/2007.)

§ 3º - Ao Tribunal de Contas compete privativamente:

I - elaborar seu Regimento Interno, por iniciativa de seu Presidente, eleger seu órgão diretivo e organizar sua Secretaria;

II - submeter à Assembleia Legislativa projeto de lei relativo a criação e extinção de cargo e a fixação do subsídio de seus membros

e da remuneração dos servidores de sua Secretaria, observados os parâmetros estabelecidos na Lei de Diretrizes Orçamentárias; (Inciso com redação dada pelo art. 18 da Emenda à Constituição nº 84, de 22/12/2010.)

III

- conceder licença, férias e outros afastamentos a seus membros, aos seus servidores e aos que lhe forem imediatamente vincu-

lados.

§

4º - Haverá um Ministério Público junto ao Tribunal de Contas, ao qual se aplicam os princípios institucionais da unidade, da

indivisibilidade e da independência funcional e ao qual incumbe, na forma de lei complementar, a guarda da lei e a fiscalização de sua execução.

§ 5º - O Ministério Público junto ao Tribunal de Contas compõe-se de Procuradores, brasileiros, bacharéis em Direito, aprovados em

concurso público de provas e títulos e nomeados pelo Governador do Estado, que também escolherá e nomeará o seu Procurador-Geral dentre aqueles indicados em lista tríplice elaborada e composta pelos integrantes da carreira, para mandato de dois anos, permitida uma recondução, na forma de lei complementar.

Art. 78 - Os Conselheiros do Tribunal de Contas são escolhidos dentre brasileiros que satisfaçam os seguintes requisitos:

I - mais de trinta e cinco e menos de sessenta e cinco anos de idade;

II - idoneidade moral e reputação ilibada;

cinco e menos de sessenta e cinco anos de idade; II - idoneidade moral e reputação

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NOÇÕES DE DIREITO III - notórios conhecimentos jurídicos, contábeis, econômicos, financeiros ou de administração

NOÇÕES DE DIREITO

III - notórios conhecimentos jurídicos, contábeis, econômicos, financeiros ou de administração pública; e

IV - mais de dez anos de exercício de função ou de efetiva atividade profissional que exijam os conhecimentos mencionados no

inciso anterior.

§ 1º - Os Conselheiros do Tribunal de Contas são nomeados:

I - dois pelo Governador do Estado, precedida a nomeação de aprovação da Assembleia Legislativa; e

II - cinco pela Assembleia Legislativa.

§ 2º - Alternadamente, cabe ao Governador prover uma e à Assembleia duas ou três vagas de Conselheiro. (Expressão “ou três”

declarada inconstitucional em 06/10/2005 - ADIN 2.959.)

§ 3º - (Parágrafo declarado inconstitucional em 06/10/2005 - ADIN 153 e ADIN 3.361.)

§ 4° - O Conselheiro do Tribunal de Contas tem as mesmas garantias, prerrogativas, impedimentos e subsídio do Desembargador,

aplicando-se-lhe, quanto a aposentadoria e pensão, as normas constantes no art. 36 desta Constituição. (Parágrafo com redação dada pelo art. 19 da Emenda à Constituição nº 84, de 22/12/2010.)

Art. 79 - Os Auditores do Tribunal de Contas, em número de sete, são nomeados pelo Governador do Estado, depois de aprovada a

escolha pela Assembleia Legislativa, cumpridos os seguintes requisitos: (Caput e primeira expressão “os mesmos direitos” contida no § 1º declarados inconstitucionais em 5/3/1997 - ADIN 1.067. Acórdão publicado no Diário da Justiça em 21/11/1997.)

I - ter título de curso superior de Direito, Ciências Econômicas, Ciências Contábeis ou Administração Pública;

II - ter mais de cinco anos de exercício de função ou de efetiva atividade profissional que exijam os conhecimentos da formação

mencionada no inciso anterior;

III - ter idoneidade moral e reputação ilibada; e

IV - ter, no mínimo, trinta e, no máximo, sessenta e cinco anos de idade na data da indicação.

§ 1º - O Auditor tem os mesmos impedimentos e garantias do Juiz de Direito de entrância mais elevada e, quando em substituição a Conselheiro, os mesmos impedimentos e garantias deste.

§ 2º - O Auditor somente pode aposentar-se com as vantagens do cargo quando o tiver efetivamente exercido, no Tribunal de Contas, por mais de cinco anos.

§ 3º - Os Auditores do Tribunal de Contas, em número de quatro, serão nomeados após aprovação em concurso público de provas e

títulos, observada a ordem de classificação e os requisitos previstos na Lei Orgânica do Tribunal de Contas.

§ 4º - Sempre que ocorrer a vacância de cargo de Auditor do Tribunal de Contas, será realizado concurso público para seu provi-

mento.

§ 5º - O edital do concurso público a que se refere o § 4º deste artigo será publicado no prazo de cento e oitenta dias contados da ocorrência da vacância.

Art. 80 - A Comissão Permanente a que se refere o art. 164 pode, diante de indício de despesa não autorizada, ainda que sob a forma

de investimento não programado ou de subsídio não aprovado, solicitar à autoridade responsável que, no prazo de cinco dias, preste os esclarecimentos necessários.

§ 1º - Não prestados os esclarecimentos, ou considerados insuficientes, a Comissão solicitará ao Tribunal de Contas pronunciamento conclusivo sobre a matéria, no prazo de trinta dias. § 2º - Se o Tribunal entender irregular a despesa, a Comissão proporá à Assembleia Legislativa a sua sustação.

Art. 81 - Os Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário e as entidades da administração indireta manterão, de forma integrada, sistema de controle interno, com a finalidade de:

I - avaliar o cumprimento das metas previstas nos respectivos planos plurianuais e a execução dos programas de governo e orça- mentos;

II - comprovar a legalidade e avaliar os resultados, quanto à eficácia e eficiência, da gestão orçamentária, financeira e patrimonial

dos órgãos da administração direta e das entidades da administração indireta, e da aplicação de recursos públicos por entidade de direito privado;

III - exercer o controle de operações de crédito, avais e garantias e o de seus direitos e haveres;

IV - apoiar o controle externo no exercício de sua missão institucional.

Parágrafo único - Os responsáveis pelo controle interno, ao tomarem conhecimento de qualquer irregularidade ou ilegalidade, dela darão ciência ao Tribunal de Contas, sob pena de responsabilidade solidária.

Art. 82 - Qualquer cidadão, partido político, associação legalmente constituída ou sindicato é parte legítima para, na forma da lei, denunciar irregularidade ou ilegalidade de ato de agente público.

para, na forma da lei, denunciar irregularidade ou ilegalidade de ato de agente público. Didatismo e

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NOÇÕES DE DIREITO Parágrafo único - A denúncia poderá ser feita, em qualquer caso, à

NOÇÕES DE DIREITO

Parágrafo único - A denúncia poderá ser feita, em qualquer caso, à Assembleia Legislativa, ou, sobre assunto da respectiva compe- tência, ao Ministério Público ou ao Tribunal de Contas.

Caro candidato, em seguida abordaremos o que dispõe o Regimento Interno da Assembleia Legislativa sobre “Deputados, Mesa da Assembleia, Comissões e Processo Legislativo”.

TÍTULO III DOS DEPUTADOS CAPÍTULO I DO EXERCÍCIO DO MANDATO

Art. 45 – O exercício do mandato se inicia com a posse.

Art. 46 – São direitos do Deputado, uma vez empossado:

I – integrar o Plenário e as comissões, tomar parte nas reuniões e nelas votar e ser votado;

II – apresentar proposições, discutir e deliberar sobre matéria em tramitação;

III – encaminhar, por meio da Mesa da Assembleia, pedido escrito de informação;

IV – usar da palavra, pedindo-a previamente ao Presidente da Assembleia ou ao de comissão;

V – examinar documentos existentes no arquivo;

VI – requisitar das autoridades, por intermédio da Mesa da Assembleia ou diretamente, providências para garantia de suas imuni-

dades;

VII – utilizar-se dos serviços da Secretaria da Assembleia para fins relacionados com o exercício do mandato; VIII – receber, diariamente, a edição do órgão oficial dos Poderes do Estado;

IX – retirar, mediante recibo, documentos do arquivo ou livros da biblioteca.

Parágrafo único – O Deputado não poderá presidir os trabalhos da Assembleia Legislativa ou de comissão, nem ser designado rela- tor, quando se estiver discutindo ou votando assunto de seu interesse pessoal ou quando se tratar de proposição de sua autoria.

Art. 47 – O Deputado é inviolável por suas opiniões, palavras e votos.

§ 1º – O Deputado não pode, desde a expedição do diploma, ser preso, salvo em flagrante de crime inafiançável, nem processado criminalmente, sem prévia licença da Assembleia Legislativa.

§ 2º – O indeferimento do pedido de licença ou a ausência de deliberação suspende a prescrição, enquanto durar o mandato.

§ 3º – No caso de flagrante de crime inafiançável, os autos serão remetidos, dentro de 24 (vinte e quatro) horas, à Assembleia Legis- lativa, para que, pelo voto secreto da maioria de seus membros, decida sobre a prisão e autorize ou não a formação de culpa.

§ 4º – O Deputado será submetido a julgamento perante o Tribunal de Justiça.

§ 5º – O Deputado não será obrigado a testemunhar sobre informação recebida ou prestada em razão do exercício do mandato nem

sobre as pessoas que lhe tenham confiado ou dele recebido informação.

§ 6º – Aplicam-se ao Deputado as regras da Constituição da República não inscritas na Constituição do Estado sobre sistema eleito- ral, inviolabilidade, imunidade, remuneração, perda de mandato, licença, impedimento e incorporação às Forças Armadas.

Art. 48 – O Deputado que se desvincular de seu partido perde o direito de ocupar cargo ou exercer função destinados à sua Bancada, salvo se membro da Mesa da Assembleia. Art. 49 – O Deputado sem filiação partidária não poderá candidatar-se a eleição para cargos da Mesa da Assembleia nem ser desig- nado membro de comissão.

CAPÍTULO II DA VAGA, DA LICENÇA, DO AFASTAMENTO E DA SUSPENSÃO DO EXERCÍCIO DO MANDATO

Art. 50 – A vaga na Assembleia Legislativa verificar-se-á por falecimento, renúncia ou perda do mandato. Parágrafo único – A ocorrência de vaga será declarada pelo Presidente, em Plenário, durante reunião, ou durante o recesso mediante ato publicado no órgão oficial dos Poderes do Estado. (Vide Art. 10 da Resolução da ALMG nº 5.349, de 19/12/2011.)

Art. 51 – A renúncia ao mandato deve ser manifestada por escrito ao Presidente da Assembleia e se tornará efetiva e irretratável depois de lida em Plenário ou publicada no órgão oficial dos Poderes do Estado. (Vide Art. 10 da Resolução da ALMG nº 5.349, de

19/12/2011.)

oficial dos Poderes do Estado. (Vide Art. 10 da Resolução da ALMG nº 5.349, de 19/12/2011.)

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NOÇÕES DE DIREITO Art. 52 – Considera-se haver renunciado: I – o Deputado que não

NOÇÕES DE DIREITO

Art. 52 – Considera-se haver renunciado:

I – o Deputado que não prestar compromisso na forma e no prazo previstos, respectivamente, nos arts. 6º e 7º;

II – o suplente que, convocado, não entrar no exercício do mandato nos termos deste Regimento.

Art. 53 – Perderá o mandato o Deputado:

I – que infringir proibição estabelecida no art. 57 da Constituição do Estado;

II – cujo procedimento for declarado incompatível com o decoro parlamentar;

III – que deixar de comparecer, em cada sessão legislativa ordinária, a 1/3 (um terço) das reuniões ordinárias, salvo em caso de

licença ou missão autorizada pela Assembleia Legislativa;

IV – que perder os direitos políticos ou os tiver suspensos;

V – quando o decretar a Justiça Eleitoral, nos casos previstos na Constituição da República;

VI – que sofrer condenação criminal em sentença transitada em julgado;

VII – quando o decretar o Poder Judiciário, em sentença transitada em julgado, nos casos previstos na Constituição da República.

§ 1º – Nos casos previstos nos incisos I, II e VI, a perda de mandato será decidida, à vista de provocação da Mesa ou de partido

representado na Assembleia Legislativa, por voto secreto da maioria dos Deputados, assegurada ampla defesa e observado o seguinte procedimento:

I

– a representação será encaminhada à Comissão de Constituição e Justiça, que a receberá, processará e fornecerá cópia ao Depu-

tado;

 

II

– o Deputado terá o prazo de 10 (dez) dias para apresentar defesa escrita e indicar provas;

III – não oferecida a defesa, o Presidente da Comissão nomeará defensor dativo para fazê-lo em prazo igual ao estabelecido no inciso

anterior;

IV – oferecida a defesa, a Comissão, no prazo de 15 (quinze) dias, procederá à instrução probatória e emitirá parecer concluindo

pela apresentação de projeto de resolução que disponha sobre a perda do mandato, se procedente a representação, ou pelo arquivamento

desta;

V

– o parecer da Comissão de Constituição e Justiça será encaminhado à Mesa da Assembleia e incluído em ordem do dia.

§ 2º – Nos casos dos incisos III, IV e V deste artigo, a perda será declarada pela Mesa da Assembleia, de ofício ou por provocação de qualquer dos Deputados ou de partido representado na Assembleia Legislativa, assegurada ampla defesa.

§ 3º – No caso de incapacidade civil absoluta, a suspensão do exercício do mandato não implica a perda da remuneração.

Art. 54 – Será dada licença ao Deputado para:

I – chefiar missão temporária de caráter diplomático;

II – participar de curso, congresso, conferência ou reunião considerados de interesse da atividade parlamentar;

III – tratar da saúde, quando, por motivo de doença comprovada, se encontrar impossibilitado de cumprir os deveres decorrentes do

exercício do mandato;

IV – tratar, sem remuneração, de interesse particular, desde que o afastamento não ultrapasse 120 (cento e vinte) dias por sessão

legislativa ordinária.

§ 1º – A licença depende de requerimento fundamentado, dirigido ao Presidente da Assembleia Legislativa.

§ 2º – A licença será concedida pelo Presidente, de ofício ou a requerimento, exceto nas hipóteses dos incisos I e IV, em que a decisão caberá à Mesa da Assembleia.

 

§

3º – O Deputado licenciado nos termos dos incisos I, III e IV do “caput” poderá exercer os direitos assegurados nos incisos V, VI,

VIII

e IX do art. 46, ficando suspensos os enumerados nos demais incisos, e o Deputado licenciado nos termos do inciso II do “caput” po-

derá

exercer os direitos assegurados no art. 46. (Parágrafo com redação dada pelo art. 1º da Resolução da ALMG nº 5.344, de 4/3/2011)

§ 4º – O Deputado não poderá reassumir o mandato antes de findo o prazo da licença, quando esta houver ensejado a convocação de suplente.

§ 5º – Para se afastar do território nacional, o Deputado dará prévia ciência à Assembleia Legislativa, por intermédio do Presidente, indicando a natureza e a duração do afastamento.

§ 6º – Não será subvencionada viagem de Deputado, ressalvado o disposto no inciso XXVI do art. 120 ou na hipótese de represen-

tação da Assembleia Legislativa por determinação da Mesa da Assembleia.

§ 7º – Para obtenção ou prorrogação da licença médica, será necessário laudo de inspeção de saúde, firmado por 3 (três) médicos integrantes do serviço competente da Secretaria da Assembleia.

Art. 55 – Ao se afastar do exercício do mandato para ser investido no cargo de Ministro de Estado, Secretário de Estado, Secretário do Distrito Federal ou de Município que seja Capital de Estado, bem como ao reassumir suas funções, o Deputado deverá fazer comu- nicação escrita à Mesa da Assembleia.

suas funções, o Deputado deverá fazer comu - nicação escrita à Mesa da Assembleia. Didatismo e

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NOÇÕES DE DIREITO § 1º – No caso do afastamento de que tratam este artigo

NOÇÕES DE DIREITO

§ 1º – No caso do afastamento de que tratam este artigo e o inciso I do art. 54, o Deputado poderá optar pela remuneração do man-

dato.

§ 2º – A apresentação da comunicação de que trata este artigo implica perda dos lugares que o Deputado ocupe nas comissões.

Art. 56 – As imunidades constitucionais dos Deputados subsistirão durante o estado de sítio, só podendo ser suspensas depois de decisão tomada em escrutínio secreto, mediante o voto de 2/3 (dois terços) dos membros da Assembleia Legislativa, restrita a suspensão aos atos que, praticados fora do recinto da Casa, sejam incompatíveis com a execução da medida. Parágrafo único – A mensagem que solicita a suspensão será remetida à Comissão de Constituição e Justiça para receber parecer.

CAPÍTULO III DA LICENÇA PARA INSTAURAÇÃO DE PROCESSO CRIMINAL CONTRA DEPUTADO

Art. 57 – A solicitação do Presidente do Tribunal competente para instaurar processo criminal contra Deputado será instruída com cópia integral dos autos.

Art. 58 – A solicitação de licença será submetida a exame preliminar pelo Corregedor da Assembleia, que emitirá parecer sobre o aspecto formal do pedido. §1º – Quando o parecer concluir pelo não- atendimento dos pressupostos para o seu recebimento, a solicitação será devolvida ao Tribunal competente para as providências cabíveis.

§ 2º – Verificado o atendimento dos pressupostos, o Presidente despachará o expediente à Comissão de Constituição e Justiça, ob- servadas as seguintes normas:

I – no caso de flagrante, a Comissão resolverá preliminarmente sobre a prisão, devendo:

a) ordenar a apresentação do réu preso, que permanecerá sob custódia da Assembleia Legislativa até o pronunciamento desta sobre

o relaxamento ou não da prisão;

b) facultar ao réu ou ao seu defensor o oferecimento de alegações orais ou escritas em reunião expressamente convocada para essa

finalidade, dentro de 48 (quarenta e oito) horas do recebimento dos autos;

c) oferecer, em 24 (vinte e quatro) horas, parecer sobre a manutenção ou não da prisão, a ser submetido ao Plenário, que decidirá,

em sua primeira reunião, pela maioria dos membros da Assembleia Legislativa, em escrutínio secreto, dando-se, em qualquer hipótese, prosseguimento ao processo, na forma prevista para pedido de licença, para o fim de autorização ou não da formação de culpa; II – no caso de solicitação de licença, será observado o seguinte:

a) a Comissão deliberará preliminarmente, no prazo de 20 (vinte) dias, sobre a possibilidade de sua concessão, tendo em vista a

imunidade conferida ao Deputado pelo art. 56 da Constituição do Estado;

b) verificando que os atos imputados ao Deputado se incluem entre as hipóteses de inviolabilidade parlamentar, a Comissão emitirá

parecer, a ser submetido ao Plenário, pela impossibilidade de deliberação sobre a matéria e pela consequente devolução do pedido ao Tribunal competente;

c) não se verificando a hipótese da alínea anterior, a Comissão fornecerá cópia do pedido de licença ao Deputado denunciado, que

terá o prazo de 15 (quinze) dias para apresentar defesa escrita e indicar provas;

d) não apresentada a defesa, o Presidente da Comissão nomeará defensor dativo para oferecê-la em prazo igual ao estabelecido na

alínea anterior;

e) apresentada a defesa, abrir-se-á a fase de instrução probatória, por prazo não excedente a 10 (dez) dias, passando-se à emissão de

parecer, nos 5 (cinco) dias seguintes, em que se concluirá pelo deferimento ou indeferimento do pedido de licença, ou pela autorização ou não da formação de culpa, no caso de flagrante;

f) o processo lacrado e rubricado será encaminhado à Mesa da Assembleia para inclusão do parecer em ordem do dia;

g) se, pelo voto secreto da maioria dos membros da Assembleia Legislativa, for admitida a acusação, considerar-se-á concedida a

licença para instauração do processo ou autorizada a formação de culpa, dando o Presidente da Assembleia, em qualquer hipótese, ciên- cia imediata da decisão ao Tribunal competente.

§ 3º – Aprovada pelo Plenário solicitação de urgência de iniciativa do Corregedor ou de outro Deputado, aplicar-se-á ao procedi- mento estabelecido no inciso II deste artigo a regra prevista no art. 273.

ao procedi - mento estabelecido no inciso II deste artigo a regra prevista no art. 273.

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CAPÍTULO IV DO DECORO PARLAMENTAR NOÇÕES DE DIREITO Art. 59 – O Deputado que descumprir

CAPÍTULO IV DO DECORO PARLAMENTAR

NOÇÕES DE DIREITO

Art. 59 – O Deputado que descumprir os deveres decorrentes do mandato ou praticar ato que afete a dignidade da investidura estará sujeito a processo e penalidades previstos neste Regimento.

§ 1º – Constituem penalidades:

I – censura;

II – impedimento temporário do exercício do mandato, não excedente a 30 (trinta) dias;

III – perda do mandato.

§ 2º – Considera-se atentatório ao decoro parlamentar o uso, em discurso ou proposição, de expressões que configurem violação dos direitos constitucionais.

§ 3º – É incompatível com o decoro parlamentar:

I – o abuso das prerrogativas constitucionais;

II – a percepção de vantagens indevidas;

III – a prática de irregularidades graves no desempenho do mandato ou de encargos dele decorrentes;

IV – a prática de ofensa à imagem da instituição, à honra ou à dignidade de seus membros.

Art. 60 – A censura será verbal ou escrita.

§ 1º – A censura verbal é aplicada, em reunião, pelo Presidente da Assembleia ou pelo de comissão ao Deputado que:

I – deixar de observar, salvo motivo justificado, os deveres decorrentes do mandato ou os preceitos deste Regimento;

II – perturbar a ordem ou praticar atos que infrinjam as regras de boa conduta no recinto da Assembleia Legislativa ou em suas

demais dependências.

§ 2º – A censura escrita será imposta pela Mesa da Assembleia ao Deputado que:

I – reincidir nas hipóteses previstas no parágrafo anterior;

II – usar, em discurso ou proposição, expressões atentatórias ao decoro parlamentar;

III – praticar ofensas físicas ou morais em dependências da Assembleia Legislativa ou desacatar, por atos ou palavras, outro Depu-

tado, a Mesa da Assembleia ou comissão e respectivas Presidências ou o Plenário.

Art. 61 – Considera-se incurso na sanção de impedimento temporário do exercício do mandato o Deputado que:

I – reincidir nas hipóteses previstas no § 2º do artigo anterior;

II – praticar transgressão grave ou reiterada aos preceitos deste Regimento;

III – revelar conteúdo de debate ou deliberação que, por decisão do Plenário ou de comissão, deva permanecer sigiloso;

IV – revelar informação ou conteúdo de documento oficial de caráter sigiloso de que tenha tido conhecimento.

Parágrafo único – Nos casos previstos neste artigo, a penalidade será aplicada pelo Plenário, em escrutínio secreto e por maioria simples, assegurada ao infrator ampla defesa.

Art. 62 – O Deputado acusado da prática de ato que ofenda a sua honorabilidade poderá requerer ao Presidente da Assembleia que mande apurar a veracidade da arguição e, não provada a procedência, imponha ao Deputado ofensor a penalidade regimental cabível.

CAPÍTULO V DA CONVOCAÇÃO DE SUPLENTE

Art. 63 – O Presidente convocará suplente de Deputado, no prazo de 48 (quarenta e oito) horas, nos casos de:

I – ocorrência de vaga;

II – investidura do titular nas funções indicadas no art. 55;

III – licença para tratamento de saúde do titular por prazo superior a 120 (cento e vinte) dias, vedada a soma de períodos para esse

efeito, estendendo-se a convocação por todo o período de licença e de suas prorrogações;

IV – licença para chefiar missão temporária de caráter diplomático, atendido o disposto no inciso anterior;

V – não-apresentação do titular à posse no prazo regimental, observado o disposto no “caput” e no § 1º do art. 7º.

Parágrafo único – O suplente de Deputado, quando convocado em caráter de substituição, não poderá ser eleito para os cargos da Mesa da Assembleia.

Art. 64 – Se ocorrer vaga e não houver suplente, far-se-á eleição para preenchê-la, se faltarem mais de 15 (quinze) meses para o término do mandato, cabendo ao Presidente da Assembleia comunicar o fato à Justiça Eleitoral.

do mandato, cabendo ao Presidente da Assembleia comunicar o fato à Justiça Eleitoral. Didatismo e Conhecimento

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NOÇÕES DE DIREITO CAPÍTULO VI DA REMUNERAÇÃO E DA AJUDA DE CUSTO Art. 65 –

NOÇÕES DE DIREITO

CAPÍTULO VI DA REMUNERAÇÃO E DA AJUDA DE CUSTO

Art. 65 – A remuneração e a ajuda de custo do Deputado serão estabelecidas, no final de cada legislatura, para a subsequente. Parágrafo único – O pagamento da remuneração corresponderá ao comparecimento efetivo do Deputado às reuniões e à sua parti- cipação nas votações.

CAPÍTULO VII DAS LIDERANÇAS

SEÇÃO I

DA BANCADA

Art. 66 – Bancada é o agrupamento organizado de, no mínimo, 5 (cinco) Deputados de uma mesma representação partidária.

Art. 67 – Líder é o porta-voz da Bancada e o intermediário entre esta e os órgãos da Assembleia Legislativa.

§ 1º – Cada Bancada indicará à Mesa da Assembleia, até 5 (cinco) dias após o início da sessão legislativa ordinária, o nome de seu

Líder, que será escolhido em reunião por ela realizada para esse fim e cujas prerrogativas legais observarão a proporção fixada no § 4º deste artigo.

§ 2º – A indicação de que trata o parágrafo anterior será formalizada em ata, cuja cópia será encaminhada à Mesa da Assembleia.

§ 3º – Enquanto não for feita a indicação, considerar-se-á Líder o Deputado mais idoso.

§ 4º – Cada Líder poderá indicar Vice-Líderes, na proporção de um por cinco Deputados, ou fração, da respectiva Bancada, limita-

dos a cinco Vice-Líderes por Bancada, ressalvado o disposto no parágrafo único do art. 68 e no § 2º do art. 72. (Parágrafo com redação dada pelo art. 2º da Resolução da ALMG nº 5.344, de 4/3/2011.)

§ 5º – Os Líderes e os Vice-Líderes não poderão ser membros da Mesa da Assembleia.

Art. 68 – Haverá Líder do Governo se o Governador do Estado o indicar à Mesa da Assembleia. Parágrafo único – Poderão ser indicados pelo Líder do Governo até cinco Vice-Líderes. (Parágrafo com redação dada pelo art. 3º da Resolução da ALMG nº 5.344, de 4/3/2011)

Art. 69 – Além de outras atribuições regimentais, cabe ao Líder: I – inscrever membros da Bancada ou do Bloco Parlamentar para discutirem matéria constante na pauta e falar na terceira parte da reunião; II – indicar candidatos da Bancada ou do Bloco Parlamentar para concorrerem aos cargos da Mesa da Assembleia;

III – indicar à Mesa da Assembleia membros da Bancada ou do Bloco Parlamentar para comporem as comissões e, nos termos do

art. 117, propor substituição;

IV – cientificar a Mesa da Assembleia de qualquer alteração nas Lideranças.

Art. 70 – Será facultado ao Líder, em caráter excepcional, usar da palavra pelo tempo que o Presidente da Assembleia prefixar, a fim de tratar de assunto relevante e urgente ou responder a crítica dirigida à Bancada ou ao Bloco Parlamentar a que pertença.

§ 1º – Quando o Líder não puder ocupar a tribuna, poderá transferir a palavra a um dos seus Vice-Líderes ou a qualquer de seus liderados.

§ 2º – A palavra somente será concedida, em ambas as fases da Ordem do Dia, depois de discutidas ou votadas as matérias nelas constantes.

SEÇÃO II DOS BLOCOS PARLAMENTARES

Art. 71 – É facultado às representações partidárias, por decisão da maioria de seus membros, constituir Bloco Parlamentar, sob liderança comum, vedada a participação de cada uma delas em mais de um Bloco.

§ 1º – A constituição do Bloco Parlamentar e as alterações nele verificadas serão comunicadas à Mesa da Assembleia, para registro e publicação. (Vide Art. 10 da Resolução da ALMG nº 5.349, de 19/12/2011.)

§ 2º – O Bloco Parlamentar terá o tratamento dispensado às Bancadas.

§ 3º – A escolha do Líder será comunicada à Mesa da Assembleia até 5 (cinco) dias após a constituição do Bloco Parlamentar, em documento subscrito pela maioria dos membros de cada representação partidária que o integre.

subscrito pela maioria dos membros de cada representação partidária que o integre. Didatismo e Conhecimento 29

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NOÇÕES DE DIREITO § 4º – As Lideranças de Bancadas coligadas em Bloco Parlamentar têm

NOÇÕES DE DIREITO

§ 4º – As Lideranças de Bancadas coligadas em Bloco Parlamentar têm suspensas suas atribuições, direitos e prerrogativas regi- mentais e demais prerrogativas legais.

§ 5º – Não será admitida a constituição de Bloco Parlamentar integrado por menos de 1/5 (um quinto) dos membros da Assembleia Legislativa.

§ 6º – Se o desligamento de uma representação partidária implicar composição numérica menor que a fixada no parágrafo anterior, extinguir-se-á o Bloco Parlamentar.

§ 7º – O Bloco Parlamentar tem existência por sessão legislativa ordinária e persiste durante a convocação extraordinária da Assem- bleia Legislativa.

§ 8º – Dissolvido o Bloco Parlamentar ou modificada sua composição numérica, será revista a participação das representações

partidárias ou dos Blocos nas comissões, para o fim de redistribuição de lugares, consoante o princípio da proporcionalidade partidária.

§ 9º – A representação partidária que se tenha desvinculado de Bloco Parlamentar ou a que tenha integrado Bloco posteriormente dissolvido não poderá participar de outro na mesma sessão legislativa ordinária.

SEÇÃO III DA MAIORIA E DA MINORIA

Art. 72 – Constitui a Maioria a Bancada ou o Bloco Parlamentar integrado pelo maior número de membros, considerando-se a Mi-

noria a Bancada ou o Bloco Parlamentar de composição numérica imediatamente inferior que, em relação ao Governo, expresse posição oposta à da Maioria.

§ 1º – As Lideranças da Maioria e da Minoria são constituídas segundo os preceitos deste Regimento aplicáveis à Bancada e ao Bloco Parlamentar.

§ 2º – Não haverá Vice-Líder da Maioria nem da Minoria.

SEÇÃO IV DO COLÉGIO DE LÍDERES

Art. 73 – Os Líderes da Maioria, da Minoria, das Bancadas e dos Blocos Parlamentares constituem o Colégio de Líderes.

§ 1º – Os Líderes de Bancadas que participem de Bloco Parlamentar e o Líder do Governo terão direito a voz, mas não a voto, no Colégio de Líderes.

§ 2º – O voto de Líder de Bloco Parlamentar terá peso correspondente ao número de representações partidárias que integrem o

Bloco.

§ 3º – As deliberações do Colégio de Líderes serão tomadas por maioria absoluta.

§ 4º – O Acordo de Líderes que vise a alterar procedimento específico na tramitação de matéria somente será recebido se subscrito pela totalidade dos membros do Colégio de Líderes.

§ 5º – O Acordo de Líderes não será recebido se visar a alterar essencialidades do processo legislativo.

TÍTULO IV DA MESA DA ASSEMBLEIA

CAPÍTULO I DA COMPOSIÇÃO E DA COMPETÊNCIA

Art. 74 – À Mesa da Assembleia, na qualidade de comissão executiva, incumbe a direção dos trabalhos da Assembleia Legislativa.

Art. 75 – A Mesa da Assembleia é composta do Presidente, de 3 (três) Vice-Presidentes e de 3 (três) Secretários.

Art. 76 – Tomarão assento à mesa, durante as reuniões, o Presidente da Assembleia e os 2 (dois) Secretários. Parágrafo único – O Presidente da Assembleia convidará Deputados para exercerem a função de Secretário, na ausência eventual dos titulares. Art. 77 – O mandato dos membros da Mesa da Assembleia, que termina com a posse dos sucessores, é de dois anos, permitida uma única recondução para o mesmo cargo na eleição subsequente, na mesma legislatura ou na seguinte.

Art. 78 – Os membros da Mesa da Assembleia não poderão ser indicados Líderes de Bancada ou de Bloco Parlamentar nem fazer parte de comissão permanente, especial ou de inquérito.

ou de Bloco Parlamentar nem fazer parte de comissão permanente, especial ou de inquérito. Didatismo e

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NOÇÕES DE DIREITO Art. 79 – À Mesa da Assembleia compete, privativamente, entre outras atribuições:

NOÇÕES DE DIREITO

Art. 79 – À Mesa da Assembleia compete, privativamente, entre outras atribuições:

I – dirigir os trabalhos legislativos e tomar as providências necessárias a sua regularidade;

II – promulgar as emendas à Constituição;

III – dar conhecimento ao Plenário, na última semana da sessão legislativa ordinária, do relatório das atividades da Assembleia

Legislativa;

IV – definir limites e competência para ordenar despesas, dentro da previsão orçamentária, e autorizar celebração de contrato;

V – orientar os serviços administrativos da Assembleia Legislativa, interpretar o regulamento e decidir, em grau de recurso, acerca

de matéria relativa aos direitos e aos deveres dos servidores;

VI – nomear, promover, comissionar, conceder gratificações e fixar seus percentuais, salvo quando expressos em lei ou resolução,

conceder licença, pôr em disponibilidade, exonerar, demitir e aposentar o servidor da Secretaria da Assembleia, assinando o Presidente

o respectivo ato;

VII – apresentar projeto de resolução que vise a:

a) dispor sobre o Regimento Interno e suas alterações;

b) fixar a remuneração do Deputado, em cada legislatura, para a subsequente;

c) fixar a remuneração, para cada exercício financeiro, do Governador, do Vice-Governador e de Secretário de Estado;

d) dispor sobre o regulamento geral da Secretaria da Assembleia, sua organização, seu funcionamento e sua polícia, bem como suas

alterações;

e) dispor sobre criação, transformação ou extinção de cargo, emprego ou função, plano de carreira, regime jurídico dos servidores

da Secretaria da Assembleia e fixação de sua remuneração, observados os parâmetros estabelecidos na Lei de Diretrizes Orçamentárias;

f) criar entidade da administração indireta da Assembleia Legislativa, observado, no que couber, o disposto nas alíneas “d” e “e”;

g) conceder licença ao Governador do Estado para interromper o exercício de suas funções;

h) conceder licença ao Governador para ausentar- se do Estado e, ao Vice-Governador, do País, quando prevista ausência superior

a 15 (quinze) dias;

i) dispor sobre mudança temporária da sede da Assembleia Legislativa;

j) abrir crédito suplementar ao orçamento da Assembleia Legislativa, nos termos da Constituição do Estado, e propor a abertura de

outros créditos adicionais;

VIII – emitir parecer sobre:

a) matéria de que trata o inciso anterior;

b) requerimento de inserção de documentos e pronunciamentos não oficiais nos anais da Assembleia Legislativa;

c) requerimento de informações às autoridades estaduais, somente o admitindo quanto a fato relacionado com matéria legislativa em

trâmite ou quanto a fato sujeito a controle e fiscalização da Assembleia Legislativa;

d)

constituição de comissão de representação que importe ônus para a Assembleia Legislativa;

IX

– decidir sobre a solicitação a que se refere o art. 308;

X – declarar a perda do mandato de Deputado, nos casos previstos nos incisos III, IV e V do art. 53, na forma do disposto no § 2º

do mesmo artigo;

XI – aplicar a penalidade de censura escrita a Deputado, consoante o § 2º do art. 60;

XII – aprovar a proposta do orçamento anual das administrações direta e indireta da Assembleia Legislativa e encaminhá-la ao Poder

Executivo;

XIII – encaminhar ao Tribunal de Contas a prestação de contas da Secretaria da Assembleia referente a cada exercício financeiro,

para parecer prévio;

XIV – publicar mensalmente, no órgão oficial dos Poderes do Estado, resumo do demonstrativo das despesas orçamentárias execu-

tadas no período pelas unidades administrativas diretas e indiretas da Assembleia Legislativa; (Vide Art. 10 da Resolução da ALMG nº

5.349, de 19/12/2011.)

XV – autorizar aplicação de disponibilidades financeiras das administrações direta e indireta da Assembleia Legislativa, mediante

depósito em instituições financeiras oficiais do Estado, ressalvados os casos previstos em lei federal;

XVI – conceder licença a Deputado nas hipóteses previstas nos incisos I e IV do art. 54.

Parágrafo único – As disposições relativas às comissões permanentes aplicam-se, no que couber, à Mesa da Assembleia.

Art. 80 – A Mesa da Assembleia, por iniciativa própria ou a requerimento de Deputado ou comissão, exercerá a competência prevista no art. 103 da Constituição da República e no art. 118 da Constituição do Estado.

no art. 103 da Constituição da República e no art. 118 da Constituição do Estado. Didatismo

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NOÇÕES DE DIREITO CAPÍTULO II DO PRESIDENTE E DOS VICE-PRESIDENTES DA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA Art. 81

NOÇÕES DE DIREITO

CAPÍTULO II DO PRESIDENTE E DOS VICE-PRESIDENTES DA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA

Art. 81 – A Presidência é o órgão representativo da Assembleia Legislativa e responsável pela direção dos trabalhos institucionais e por sua ordem.

Art. 82 – Compete ao Presidente da Assembleia, além de outras atribuições:

I – abrir, presidir e encerrar as reuniões da Assembleia Legislativa;

II – determinar a leitura das atas pelo 2ºSecretário, submetê-las a discussão e assiná-las, depois de aprovadas;

III – receber a correspondência destinada à Assembleia Legislativa;

IV – determinar a leitura da correspondência pelo 1º-Secretário;

V – anunciar o número de Deputados presentes à reunião;

VI – autenticar, juntamente com o 1º-Secretário, a lista de presença dos Deputados;

VII – organizar e anunciar a ordem do dia, podendo ouvir as Lideranças;

VIII – determinar a retirada de proposição da ordem do dia;

X

– submeter a discussão e votação a matéria em pauta;

X

– anunciar o resultado da votação;

XI – anunciar o projeto de lei apreciado conclusivamente pelas comissões e a fluência do prazo para interposição do recurso a que

se refere o inciso I do § 2º do art. 60 da Constituição do Estado;

XII – decidir sobre requerimento sujeito a seu despacho;

XIII – determinar a anexação, o arquivamento ou o desarquivamento de proposição;

XIV – declarar a prejudicialidade de proposição;

XV – interpretar o Regimento Interno da Assembleia e decidir sobre questão de ordem;

XVI – prorrogar, de ofício, o horário da reunião;

XVII – convocar sessão legislativa extraordinária e reunião da Assembleia Legislativa;

XVIII – determinar a publicação dos trabalhos da Assembleia Legislativa; (Vide Art. 10 da Resolução da ALMG nº 5.349, de

19/12/2011.)

XIX – designar os membros das comissões;

XX – constituir comissão de representação;

XXI – declarar a perda da qualidade de membro de comissão, por motivo de falta, nos termos do § 2º do art. 116;

XXII – distribuir matéria às comissões;

XXIII – indeferir requerimento de audiência de comissão, quando for impertinente ou quando sobre a proposição já se tenham pro-

nunciado 3 (três) comissões, salvo o disposto no art. 204;

XXIV – decidir sobre recurso de decisão de questão de ordem arguida em comissão;

XXV – presidir as reuniões da Mesa da Assembleia, com direito a voto;

XXVI – dar posse aos Deputados;

XXVII – conceder licença a Deputado, exceto nas hipóteses previstas nos incisos I e IV do art. 54;

XXVIII – assinar as proposições de lei;

XXIX – promulgar:

a) resolução legislativa, ressalvada a hipótese prevista no art. 197;

b) lei resultante de sanção tácita, transcorrido o prazo previsto no § 8º do art. 70 da Constituição do Estado;

c) lei ou disposição legal resultante de rejeição de veto, transcorrido o prazo previsto no § 8º do art. 70 da Constituição do Estado;

XXX – encaminhar pedido de informação e reiterá-lo, se não for atendido no prazo de 30 (trinta) dias;

XXXI – encaminhar aos órgãos ou às entidades referidos no art. 114 as conclusões de comissão parlamentar de inquérito;

XXXII – assinar a correspondência oficial destinada ao Presidente da República, aos Governadores de Estado e do Distrito Federal,

aos Ministros e aos Secretários de Estado, aos Presidentes do Congresso Nacional, da Câmara dos Deputados, do Senado Federal, das Assembleias Legislativas e dos Tribunais, bem como a autoridades diplomáticas e religiosas;

XXXIII – comunicar a existência de vaga de Conselheiro do Tribunal de Contas, para os fins da escolha prevista no inciso II do § 1º

do art. 78 da Constituição do Estado;

XXXIV – exercer o Governo do Estado no caso previsto no art. 87 da Constituição do Estado;

XXXV – zelar pelo prestígio e pela dignidade da Assembleia Legislativa, pelo respeito às prerrogativas constitucionais de seus

membros e pelo decoro parlamentar;

XXXVI – dirigir a polícia da Assembleia Legislativa.

membros e pelo decoro parlamentar; XXXVI – dirigir a polícia da Assembleia Legislativa. Didatismo e Conhecimento

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NOÇÕES DE DIREITO Art. 83 – Ao Presidente, como fiscal da ordem, compete tomar as

NOÇÕES DE DIREITO

Art. 83 – Ao Presidente, como fiscal da ordem, compete tomar as providências necessárias ao funcionamento normal das reuniões, especialmente:

I – fazer observar as leis e este Regimento;

II – recusar proposição que não atenda às exigências constitucionais ou regimentais;

III – interromper o orador que se desviar do ponto em discussão, falar sobre matéria vencida, bem como faltar à consideração para

com a Assembleia Legislativa, sua Mesa, suas comissões ou algum de seus membros e em geral com representantes do poder público, chamando-o à ordem ou retirando- lhe a palavra;

IV – convidar a retirar-se do recinto do Plenário o Deputado que perturbar a ordem;

V – aplicar censura verbal ao Deputado;

VI – chamar a atenção do Deputado, ao esgotar-se o prazo de sua permanência na tribuna;

VII – não permitir a publicação de expressões vedadas por este Regimento;

VIII – suspender a reunião ou fazer retirar pessoas das galerias, se as circunstâncias o exigirem.

Art. 84 – Para tomar parte na discussão de qualquer assunto, o Presidente passará a Presidência a seu substituto.

§ 1º – O Presidente votará nos casos de escrutínio secreto e de desempate nas demais votações, contando-se a sua presença, em qualquer caso, para efeito de “quorum”.

§ 2º – Nas votações secretas, havendo empate, este será resolvido pela repetição da votação.

Art. 85 – Na ausência ou no impedimento do Presidente, o 1º-Vice-Presidente o substituirá e, na falta deste, o 2º-Vice- Presidente.

CAPÍTULO III DOS SECRETÁRIOS

Art. 86 – Compete ao 1º-Secretário:

I – inspecionar os trabalhos da Secretaria da Assembleia e fiscalizar-lhe as despesas;

II – fazer a chamada dos Deputados;

III – ler, na íntegra, os ofícios das altas autoridades e as proposições para discussão ou votação, bem como, em resumo, qualquer

outro documento;

IV – despachar a matéria do Expediente;

V – fazer a correspondência oficial da Assembleia Legislativa, assinando a que não for atribuída ao Presidente;

VI – formalizar, em despacho, a distribuição de matéria às comissões;

VII – assinar, depois do Presidente, as proposições de lei, bem como as leis e as resoluções legislativas que este promulgar;

VIII – proceder à contagem dos Deputados, em verificação de votação;

IX – providenciar a entrega de cópia das proposições em pauta aos Deputados;

X – anotar o resultado das votações;

XI – autenticar, junto com o Presidente, a lista de presença dos Deputados.

Art. 87 – Compete ao 2º-Secretário:

I – fiscalizar a redação das atas e fazer a sua leitura no Plenário;

II – assinar, depois do 1º-Secretário, as proposições de lei, bem como as leis e as resoluções legislativas que o Presidente promulgar;

III – redigir a ata das reuniões secretas;

IV – auxiliar o 1º-Secretário na verificação de votação.

Art. 88 – Os Secretários substituir-se-ão pela ordem de sua enumeração e substituirão o Presidente na falta ou no impedimento dos Vice-Presidentes.

CAPÍTULO IV DA POLÍCIA INTERNA

Art. 89 – Compete privativamente à Mesa da Assembleia o policiamento do Palácio da Inconfidência e das demais dependências da Assembleia Legislativa.

Art. 90 – É proibido o porte de arma em recinto da Assembleia Legislativa.

Art. 91 – (Revogado pelo art. 28 da Resolução da ALMG nº 5.207, de 10/12/2002).

Art. 91 – (Revogado pelo art. 28 da Resolução da ALMG nº 5.207, de 10/12/2002). Didatismo

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NOÇÕES DE DIREITO Art. 92 – (Revogado pelo art. 28 da Resolução da ALMG 5.207,

NOÇÕES DE DIREITO

Art. 92 – (Revogado pelo art. 28 da Resolução da ALMG 5.207, de 10/12/2002).

Art. 93 – Será permitido a qualquer pessoa decentemente trajada ingressar e permanecer nas dependências da Assembleia Legisla- tiva, salvo nos recintos de uso privativo, e assistir às reuniões do Plenário e das comissões. Parágrafo único – O Presidente fará sair das dependências da Assembleia Legislativa a pessoa cujo traje estiver em desacordo com

o disposto neste artigo ou que perturbar a ordem.

Art. 94 – Durante as reuniões, somente serão admitidos no Plenário os Deputados e os funcionários da Secretaria da Assembleia em

serviço no apoio ao processo legislativo, não sendo permitidos, no recinto, o fumo, as conversações que perturbem os trabalhos ou as atitudes que comprometam a solenidade, a ordem e o respeito.

§ 1º – Poderão permanecer, nas dependências contíguas ao Plenário, 1 (um) funcionário por Bancada e jornalistas credenciados.

§ 2º – As Lideranças da Maioria e da Minoria terão, no recinto do Plenário, durante as reuniões, assessoramento técnico-legislativo de 1 (um) servidor, exceto no decurso do processo de votação.

Art. 95 – Se algum Deputado cometer ato suscetível de repressão disciplinar, o Presidente da Assembleia conhecerá do fato e pro- moverá a abertura de sindicância ou de inquérito destinados a apurar responsabilidades.

TÍTULO V

DAS COMISSÕES

CAPÍTULO I DISPOSIÇÕES GERAIS

Art. 96 – As comissões da Assembleia Legislativa são:

I – permanentes, as que subsistem nas legislaturas;

II – temporárias, as que se extinguem com o término da legislatura ou antes dele, se atingido o fim para que foram criadas ou findo

o prazo estipulado para seu funcionamento.

Art. 97 – Os membros das comissões são designados pelo Presidente da Assembleia, por indicação dos Líderes das Bancadas ou dos Blocos Parlamentares, na forma do inciso III do art. 69.

§ 1º – O número de suplentes nas comissões é igual ao de efetivos, ressalvado o disposto no § 2º do art. 115.

§ 2º – O membro efetivo será substituído, em suas faltas e impedimentos, pelo suplente.

Art. 98 – Na constituição das comissões, é assegurada, tanto quanto possível, a representação proporcional das Bancadas ou dos Blocos Parlamentares.

§ 1º – A participação proporcional é determinada pela divisão do número de Deputados pelo número de membros de cada comissão,

e do número de Deputados de cada Bancada ou Bloco Parlamentar pelo quociente assim obtido, indicando o inteiro do quociente final, chamado quociente partidário, o número de membros de Bancada ou do Bloco Parlamentar na comissão.

§ 2º – As vagas remanescentes, uma vez aplicado o critério previsto no parágrafo anterior, serão destinadas às Bancadas ou aos

Blocos Parlamentares, levando-se em conta as frações do quociente partidário, das maiores para as menores.

§ 3º – Em caso de empate na fração referida no parágrafo anterior, as vagas a serem preenchidas serão destinadas às Bancadas ou

aos Blocos Parlamentares ainda não representados na comissão.

§ 4º – As vagas que sobrarem, uma vez aplicados os critérios anteriores, serão preenchidas mediante acordo das Bancadas ou dos

Blocos Parlamentares interessados, que, no prazo de 3 (três) dias, farão as indicações respectivas.

§ 5º – Esgotando-se, sem indicação, o prazo a que se referem o parágrafo anterior e o art. 106, o Presidente da Assembleia designará os Deputados para o preenchimento das vagas.

Art. 99 – O Deputado que não for membro da comissão poderá participar das discussões, sem direito a voto.

Art. 100 – Às comissões, em razão da matéria de sua competência, da matéria compreendida em sua denominação ou da finalidade de sua constituição, cabe:

I – discutir e votar proposições, dispensada a apreciação do Plenário, nos termos do art. 103;

II – apreciar os assuntos e as proposições submetidos ao seu exame e sobre eles emitir parecer;

III – iniciar o processo legislativo;

submetidos ao seu exame e sobre eles emitir parecer; III – iniciar o processo legislativo; Didatismo

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IV – realizar inquérito; V – realizar audiência pública com entidades da sociedade civil; NOÇÕES

IV – realizar inquérito;

V – realizar audiência pública com entidades da sociedade civil;

NOÇÕES DE DIREITO

VI – realizar audiência pública em regiões do Estado, para subsidiar o processo legislativo, observada a disponibilidade orçamen-

tária;

VII – convocar Secretário de Estado, dirigente de entidade da administração indireta ou titular de órgão diretamente subordinado ao

Governador do Estado para prestar, pessoalmente, informação sobre assunto previamente determinado, sob pena de responsabilidade no caso de ausência injustificada;

VIII – convocar, além das autoridades a que se refere o inciso anterior, outra autoridade estadual para prestar informação sobre

assunto inerente às suas atribuições, constituindo infração administrativa a recusa ou o não-atendimento, no prazo de 30 (trinta) dias;

IX – encaminhar, por intermédio da Mesa da Assembleia, pedido escrito de informação a Secretário de Estado, a dirigente de enti-

dade da administração indireta, ao Comandante-Geral da Polícia Militar e a outras autoridades estaduais;

X – receber petição, reclamação, representação ou queixa de qualquer pessoa contra ato ou omissão de autoridade ou entidade

públicas;

XI – solicitar depoimento de qualquer autoridade ou cidadão, na forma do inciso VI do § 2º do art. 60 da Constituição do Estado;

XII – apreciar plano de desenvolvimento e programa de obras do Estado, de região metropolitana, de aglomeração urbana e de

microrregião;

XIII – acompanhar a implantação dos planos e dos programas de que trata o inciso anterior e exercer a fiscalização dos recursos

estaduais neles investidos;

XIV – exercer o acompanhamento e a fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial das unidades admi-

nistrativas dos Poderes do Estado, do Ministério Público e do Tribunal de Contas, das entidades da administração indireta, inclusive das

fundações e das sociedades instituídas e mantidas pelo Estado, e das empresas de cujo capital social ele participe;

XV – determinar a realização de diligência, perícia ou inspeção de auditoria nas entidades indicadas no inciso anterior, podendo,

para isso, solicitar o auxílio do Tribunal de Contas;

XVI – exercer a fiscalização e o controle dos atos da administração pública;

XVII – propor a sustação dos atos normativos do Poder Executivo que exorbitem da competência regulamentar ou dos limites de delegação legislativa, elaborando o respectivo projeto de resolução; XVIII – estudar qualquer assunto compreendido no respectivo campo temático ou área de atividade, podendo promover, em seu âmbito, conferência, exposição, seminário ou evento congênere;

XIX – realizar, de ofício ou a requerimento, audiência com órgão ou entidade da administração pública direta ou indireta e da socie-

dade civil, para elucidação de matéria sujeita a seu parecer ou decisão, ou solicitar colaboração ou informação para a mesma finalidade, não implicando a diligência dilação dos prazos, ressalvado o disposto nos §§ 3º e 5º do art. 135 e nos arts. 300 e 301. Parágrafo único – As atribuições contidas nos incisos III, IX, XVI, XVII e XIX não excluem a iniciativa concorrente de Deputado.

CAPÍTULO II DAS COMISSÕES PERMANENTES

SEÇÃO I DA DENOMINAÇÃO E DA COMPETÊNCIA

Art. 101 – São as seguintes as comissões permanentes:

I – de Administração Pública;

II – de Assuntos Municipais e Regionalização;

III – de Constituição e Justiça;

IV – de Defesa do Consumidor e do Contribuinte;

V – de Direitos Humanos;

VI – de Educação, Ciência e Tecnologia;

VII – de Fiscalização Financeira e Orçamentária;

VIII – de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável;

IX – de Política Agropecuária e Agroindustrial;

X – de Redação;

XI – de Saúde;

XII – de Transporte, Comunicação e Obras Públicas;

XIII – de Turismo, Indústria, Comércio e Cooperativismo;

XIV – do Trabalho, da Previdência e da Ação Social;

Comércio e Cooperativismo; XIV – do Trabalho, da Previdência e da Ação Social; Didatismo e Conhecimento

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NOÇÕES DE DIREITO XV – de Segurança Pública; XVI – de Participação Popular; XVII –

NOÇÕES DE DIREITO

XV – de Segurança Pública;

XVI – de Participação Popular;

XVII – de Cultura;

XVIII – de Minas e Energia;

XIX – De Esporte, Lazer e Juventude.

XX – de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência.

XXI – de Prevenção e Combate ao Uso de “Crack” e outras Drogas. (Inciso acrescentado pelo art. 1º da Resolução da ALMG nº

5.387, de 7/3/2013.)

Art. 102 – São matérias de competência das comissões permanentes, observado o disposto no art. 100, especificamente:

I – da Comissão de Administração Pública:

a) a organização dos Poderes Executivo e Judiciário, do Tribunal de Contas, do Ministério Público, da Advocacia do Estado, da

Defensoria Pública, das Polícias Militar e Civil e do sistema de defesa civil;

b)

o regime jurídico e o estatuto dos servidores públicos civis e militares;

c)

os quadros de pessoal das administrações direta e indireta;

d)

a política de prestação e concessão de serviços públicos;

e)

o direito administrativo em geral;

II

– da Comissão de Assuntos Municipais e Regionalização:

a)

a divisão administrativa e judiciária;

b)

a criação, a incorporação, a fusão e o desmembramento de municípios e a alteração de limites e topônimos municipais;

c)

as normas gerais de criação, organização e supressão de distrito;

d)

o direito urbanístico;

e)

a política de desenvolvimento urbano;

f)

a região de desenvolvimento, a região metropolitana, a aglomeração urbana e a microrregião;

III – da Comissão de Constituição e Justiça:

a) os aspectos jurídico, constitucional e legal das proposições;

b) a representação que vise à perda de mandato de Deputado, nos casos previstos no § 1º do art. 53;

c) o pedido de licença para processar Deputado e Secretário de Estado;

d) o recurso de decisão de questão de ordem, na forma do § 1º do art. 167, de decisão de não-recebimento de proposição por incons-

titucionalidade e o recurso de que trata o § 3º do art. 112;

e) a adequação de proposição às exigências regimentais, nos termos do disposto no § 5º do art. 173 e no § 2º do art. 288;

IV – da Comissão de Defesa do Consumidor:

a) as relações de consumo, a intermediação de conflitos e as medidas de proteção e defesa do consumidor;

b) a orientação e a educação do consumidor;

c) a economia popular e a repressão ao abuso do poder econômico;

d) a composição, a qualidade, a apresentação, a publicidade e a distribuição de bens e serviços;

e) a política de abastecimento;

f) as relações entre o fisco e o contribuinte, com vistas à promoção de um relacionamento fundado em cooperação, respeito mútuo

e parceira;

g)

a orientação e a educação do contribuinte;

h)

a fiscalização do cumprimento, pelo poder público estadual, das normas constitucionais de defesa dos direitos do contribuinte.

V

– da Comissão de Direitos Humanos:

a)

a defesa dos direitos individuais e coletivos;

b)

a defesa dos direitos políticos;

c)

a defesa dos direitos das etnias, das mulheres e dos

grupos sociais minoritários;

d)

(Revogada pelo art. 2º da Resolução da ALMG nº 5.204, de 3/7/2002.)

e)

a promoção e a divulgação dos direitos humanos;

VI

– da Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia:

a)

as políticas de educação básica, profissional e superior;

b)

os programas suplementares de apoio à educação;

c)

a diversidade e a inclusão educacional;

d)

as políticas de desenvolvimento da ciência, da tecnologia e da inovação.”.

VII – da Comissão de Fiscalização Financeira e Orçamentária, sem prejuízo da competência específica das demais comissões:

Financeira e Orçamentária, sem prejuízo da competência específica das demais comissões: Didatismo e Conhecimento 36

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NOÇÕES DE DIREITO a) o plano plurianual, as diretrizes orçamentárias, o orçamento anual, o crédito

NOÇÕES DE DIREITO

a) o plano plurianual, as diretrizes orçamentárias, o orçamento anual, o crédito adicional e as contas públicas, destacadamente as

apresentadas anualmente pelo Governador do Estado;

b) o acompanhamento da execução de políticas públicas e a fiscalização de investimentos;

c) o sistema financeiro e a matéria tributária; (Vide Decisão Normativa da Presidência da ALMG nº 18, de 25/10/2011).

d) a repercussão financeira das proposições;

e) a comprovação de existência e disponibilidade de receita, nos termos do inciso I do art. 68 da Constituição do Estado;

f) a matéria de que tratam os incisos XIV e XVI do art. 100;

g) as subvenções sociais;

VIII – da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável:

a)

a política e o direito ambientais;

b)

a preservação da biodiversidade;

c)

a proteção, a recuperação e a conservação dos ecossistemas;

d)

o controle da poluição e da degradação ambientais;

e)

a proteção da flora, da fauna e da paisagem;

f)

a educação ambiental;

g)

os aspectos climáticos;

IX

– da Comissão de Política Agropecuária e Agroindustrial:

a) o fomento da produção agropecuária;

b) a agroindustrialização e o desenvolvimento do negócio agrícola;

c) a política fundiária;

d) a promoção do desenvolvimento rural e do bem-estar social no campo;

e) a alienação e a concessão de terras públicas;

X – da Comissão de Redação, a redação final das proposições;

XI – da Comissão de Saúde:

a) a saúde;

b) a assistência médica, hospitalar e sanitária;

c) a prevenção das deficiências física, sensorial e mental;

d) o saneamento básico;

XII – da Comissão de Transporte, Comunicação e Obras Públicas:

a) a política estadual de planejamento, gerenciamento, construção e manutenção dos sistemas de transporte rodoviário, ferroviário,

hidroviário e aeroviário;

b) a política de ordenação e exploração dos serviços de transporte intermunicipal;

c) a política de concessão e funcionamento dos terminais e vias de transporte;

d) a política de educação para segurança no trânsito;

e) os meios de comunicação social e a liberdade de imprensa;

f) a política de informática, automação e comunicação;

g) os assuntos atinentes a obras públicas;

XIII – da Comissão de Turismo, Indústria, Comércio e Cooperativismo:

a) a política e o sistema regional de turismo;

b) o fomento da produção industrial, do comércio, do turismo e do cooperativismo;

c) a política econômica, os planos e os programas estaduais, regionais e setoriais de desenvolvimento integrado do Estado;

d) as relações internacionais que envolvam negociações nas áreas de turismo, indústria e comércio, bem como a participação no

Mercado Comum do Sul – MERCOSUL – e em outros blocos econômicos;

XIV – da Comissão do Trabalho, da Previdência e da Ação Social:

a) a defesa e a promoção do trabalho;

b) a assistência social e a previdenciária;

c) a proteção à família, à criança, ao adolescente e ao idoso;

d) (Revogada pelo art. 6º da Resolução da ALMG nº 5.344, de 4/3/2011.)

XV – da Comissão de Segurança Pública:

a) a política de segurança pública;

b) a política de combate ao crime organizado;

c) a política carcerária;

d) a política de recuperação e de reintegração social de egressos do sistema prisional;

e) a defesa civil.

recuperação e de reintegração social de egressos do sistema prisional; e) a defesa civil. Didatismo e

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NOÇÕES DE DIREITO XVI – da Comissão de Participação Popular: a) a proposta de ação

NOÇÕES DE DIREITO

XVI – da Comissão de Participação Popular:

a) a proposta de ação legislativa encaminhada à Assembleia Legislativa, nos termos do art. 289;

b) a realização, com a concordância prévia da Mesa da Assembleia, de consulta pública sobre assunto de relevante interesse;

c) a sugestão popular visando a aprimorar os trabalhos parlamentares.

XVII – da Comissão de Cultura:

a) garantia do exercício dos direitos culturais e a promoção do livre acesso às fontes da cultura mineira;

b) o estímulo ao desenvolvimento cultural, à valorização e à difusão do conjunto das manifestações culturais mineiras;

c) a política de incentivo à regionalização da criação cultural e de intercâmbio entre as diversas formas de manifestação cultural do

Estado;

d) a política de proteção do patrimônio cultural mineiro, assim entendidos os bens de natureza material e imaterial que contenham

referência à identidade, à ação e à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade mineira. XVIII – da Comissão de Minas e Energia:

a) a política de recursos atmosféricos, hídricos, energéticos, minerários e de solos;

b) o direito minerário;

c) as políticas públicas destinadas ao fomento e à regulação da cadeia produtiva dos recursos minerais no Estado, da prospecção à

indústria de transformação mineral;

d) a política de pesquisa, extração e comercialização de águas minerais;

e) os assuntos atinentes a estâncias hidrominerais.

XIX – da Comissão de Esporte, Lazer e Juventude: (Inciso com redação dada pelo art. 5º da Resolução da ALMG nº 5.344, de

4/3/2011.)

a) a promoção do esporte educacional, de participação e de rendimento e do lazer;

b) o incentivo à valorização e à difusão da prática esportiva e do lazer;

c) a inclusão social por meio do esporte e do lazer;

d) a intersetorialidade das políticas de esporte e de lazer.

e) a integração e a participação do jovem no processo social, econômico, político e cultural do Estado; (Alínea acrescentada pelo art.

5º da Resolução da ALMG nº 5.344, de 4/3/2011.)

XX – da Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência:

a) a defesa dos direitos da pessoa com deficiência;

b) as políticas de integração social da pessoa com deficiência, em especial as políticas de acessibilidade;

c) a fiscalização e o acompanhamento dos programas governamentais relativos aos direitos da pessoa com deficiência;

d) a promoção e a divulgação dos direitos da pessoa com deficiência. (Inciso acrescentado pelo art. 5º da Resolução da ALMG nº

5.344, de 4/3/2011.)

XXI – da Comissão de Prevenção e Combate ao Uso de “Crack” e outras Drogas:

a) a política de prevenção ao uso de “crack” e outras Drogas;

b) o tratamento e a recuperação do usuário de “crack” e de outras drogas;

c) a política de reinserção social do usuário de “crack” e de outras drogas;

d) a fiscalização e o acompanhamento dos programas governamentais relativos à prevenção e ao combate ao uso de “crack” e outras

drogas;

e) a política de prevenção ao tráfico de “crack” e outras drogas. (Inciso acrescentado pelo art. 2º da Resolução da ALMG nº 5.387,

de 7/3/2013.)

Art. 103 – Compete às comissões permanentes apreciar, conclusivamente, em turno único, as seguintes proposições, ressalvado o disposto no art. 104:

I – projetos de lei que versem sobre: