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E SCOAMENTO S OB P RESSÃO ; E SCOAMENTO S OB C ONDUTO L IVRE HIDRÁULICA
E SCOAMENTO S OB P RESSÃO ; E SCOAMENTO S OB C ONDUTO L IVRE HIDRÁULICA

ESCOAMENTO SOB PRESSÃO; ESCOAMENTO SOB CONDUTO LIVRE

HIDRÁULICA TEÓRICA GGOONNZZAALLEEZZ,, JJUULLIIOO DDEE AALLBBUUQQUUEERRQQUUEE

E SCOAMENTO S OB P RESSÃO ; E SCOAMENTO S OB C ONDUTO L IVRE HIDRÁULICA

ESCOAMENTO SOB PRESSÃO

[2]

1-

INTRODUÇÃO

3

1.1)

Histórico

4

1.2)

Definições

4

2-

CONDUTOS SOB

5

2.1)

Definição

5

2.2)

Perda de Carga

5

2.3)

Regra Geral

5

2.4)

Conceitos Fundamentais do Escoamento em Tubulações

6

2.5)

A Camada Limite

6

2.6)

8

2.7)

9

2.8)

Outras Fórmulas

10

2.9)

Escoamento sob pressão velocidades recomendadas

10

2.10)

Pré-dimensionamento de canalizações

11

2.11)

Traçado das tubulações

11

2.12)

Condutos Equivalentes

14

2.13)

Solução de Problemas

14

3-

DIAGRAMAS E TABELAS

15

3.1)

Diagrama de

15

3.2)

Diagrama de Rouse

16

3.3)

Coeficientes de perda de Carga Cde Hazen-Williams

17

3.4)

Coeficiente de Perda de Carga Localizada „k”

17

3.5)

Tabelas de comprimentos equivalentes

18

CONDUTOS LIVRES CANAIS - (ESCOAMENTO A CÉU ABERTO”)

1-

DEFINIÇÕES

19

2-

EMERGIA ESPECÍFICA

20

3-

ÁREA MOLHADA E PERÍMETRO MOLHADO

20

4-

RAIO HIDRÁULICO

20

5-

O NÚMERO DE REYNOLDS EM CANAIS

20

6-

CARACTERIZAÇÃO DA NATUREZA DO ESCOAMENTO

20

7-

PRINCIPAIS PARÂMETROS PARA DIMENSIONAMENTO

21

7.1)

Energia específica variação com a profundidade

21

7.2)

Profundidade Crítica

21

7.3)

Velocidade média crítica

21

7.4)

Declividade crítica

22

8-

RESSALTO HIDRÁULICO

22

9-

REMANSO HIDRÁULICO

22

10-

FÓRMULAS

23

10.1)

Fórmula deChézy

23

10.2)

Fórmula de Manning

23

10.3)

Fórmula de Hazen-Willians

23

10.4)

Fórmula de Forchheimer

23

10.5)

Fórmula Universal

23

11- PARÂMETROS CARACTERÍSTICOS DAS SEÇÕES USUAIS

 

24

ESCOAMENTO SOB PRESSÃO

1)

INTRODUÇÃO:

[3]

Escoamentos sob pressão tem “imenso significado prático em engenharia civil” (CHADWICK+MORFETT, p. 86), como pode ser apreciado no croqui abaixo:

BARRAGEM ADUTORA E.T.A. SISTEMA DE DISTRIBUIÇÃO REDE DE DISTRIBUIÇÃO USO DA ÁGUA SISTEMA DE COLETA DE
BARRAGEM
ADUTORA
E.T.A.
SISTEMA DE
DISTRIBUIÇÃO
REDE DE
DISTRIBUIÇÃO
USO
DA
ÁGUA
SISTEMA DE COLETA DE ÁGUAS
SERVIDAS (ESGOTO +ÁGUA
PLUVIAL)
E.T.E.
EMISSÁRIO
RIO

MAR

Por incrível que pareça, uma teoria abrangente a respeito do escoamento de fluidos em tubulações só apareceu no final de 1930, e métodos práticos para avaliação de descargas, pressões e perdas de cargas em fins de 1950 (1958, especificamente). (CHADWICK+MORFETT, p. 86)

[4]

1.1) Histórico A tabela a seguir apresenta, em ordem cronológica, os principais autores e suas contribuições ao estudo dos condutos sob pressão.

DATA

AUTORES

CONTRIBUIÇÃO

1839/1841

HAGEN+POISEVILLE

Equação para Escoamento Laminar

1850

DARCY+WEISBACH

Equação para Escoamento Turbulento

1884

REYNOLDS

Experiência de Reynolds; Distinção entre Escoamento Laminar e Turbulento

1913

BLASIUS

Equação Perda de Carga para Tubos Lisos

1914

STANTON+PANNELL

Valores experimentais de rugosidade (“fatores de atrito”) em tubos lisos

1930

NIKURADSE

Valores experimentais de rugosidade (“fatores de atrito”) para tubos

artificialmente rugosas

1930

PRANDTL+VON

Equações para “fatores de atrito” (rugosos; lisos)

KÁRMÁN

1937/1939

COLEBROOK+WHITE

Determinação experimental de “fatores de atrito” para tubulações comerciais Fórmula para Escoamento de Transição

1944

MOODY

Diagrama de Moody para tubulações comerciais

1958

ACKERS

Inglaterra Ábacos e tabelas para projeto de tubulações e canais

1975

BARR

 
 

Solução direta da equação de Colebrook - White FONTE: CHADWICK+MORFETT, p. 88

1.2) Definições:

TUBO: Uma só peça, geralmente cilíndrica e de comprimento limitado pelo tamanho de fabricação ou de transporte. Aplica-se a palavra tubo ao material fabricado de diâmetro não muito pequeno (tubo de ferro fundido; tubo de aço; tubo de PVC). TUBULAÇÃO: Conduto constituído de tubos ou tubulação contínua fabricada no local. Sinônimos são canalização, encanamento. CANO: Peça geralmente cilíndrica. Designação dada mais comumente ao material de pequeno diâmetro (cano de aço galvanizado, de PVC). Termo usado em instalações prediais.

Existem, embutidos nesta tabela, três conceitos importantes, a saber:

1)

distinção entre escoamentos laminares e turbulentos;

2)

distinção entre tubos lisos e rugosos;

3)

distinção entre tubos artificialmente rugosos e tubos comerciais.

a.) Escoamentos laminar e turbulento: como já visto, a experiência de Reynolds demonstrou que existem dois tipos de escoamento (laminar; turbulento). Ainda mais, que a passagem de laminar para turbulento ocorre a uma “velocidade crítica”, relacionada à tubulação e ao fluido. A partir da definição de um parâmetro

(número de Reynolds) que para tubos é

Dv Re   
Dv
Re 

, Reynolds descobriu que:

  • se Re < 2000, o escoamento é sempre laminar;

  • se Re > 4000, o escoamento é sempre turbulento.

No caso do número de Reynolds compreendido entre estes dois valores, o escoamento poderia ser tanto

laminar quanto turbulento (“REGIÃO DE TRANSIÇÃO”).

Em outro conjunto de experimentos, Reynolds encontrou que em escoamentos laminares a perda de carga era proporcional à velocidade; para escoamentos turbulentos a perda de carga era proporcional ao quadrado da velocidade.

NOTA: Estes resultados já tinham sido previamente encontrados (Hogen-Poiseville; Darcy-Weisbach), porém foi Reynolds quem colocou estas equações no contexto do escoamento laminar e turbulento.

2)

CONDUTOS SOB PRESSÃO

[5]

2.1) Definição: (Trindade Neves): são canalizações onde o líquido escoa sob uma pressão diferente da atmosférica. As seções destes condutos são sempre fechadas, e o líquido escoa enchendo-as totalmente. Em geral, apresentam-se de seção circular. Em casos especiais galerias centrais hidrelétricas ou em grandes aquedutos, podem se apresentar de outras formas.

2.2) Perda de Carga Conceituação:

Quando a água escoa por um conduto sob pressão, a velocidade de propagação é gerada pelo “peso” da água que existe a montante desta seção. Em um sistema dinâmico (com água em movimento), a pressão diminui ao longo do comprimento da tubulação, onde a linha Piezométrica indica esta diminuição.

Esta “perda de carga” (perda de carga hidráulica) é gerada e é influenciada pelos seguintes componentes:

rugosidade da tubulação, comprimento da tubulação, diâmetro da tubulação e velocidade do escoamento.

2.2.1) Perda de carga contínua A perda de carga contínua se deve, principalmente ao atrito interno entre partículas escoando em diversas velocidades. As causas dessas variações de velocidades são a viscosidade do líquido e a rugosidade da

tubulação e . A razão entre a perda de carga contínua h' e o comprimento do conduto L representa o

gradiente ou a inclinação da linha de carga e é denominado por perda de carga unitária J:

 h ' J  L
h
'
J 
L

2.2.2) Perdas de Carga Localizadas

São as perdas decorrentes especificamente de singularidades (pontos ou partes bem determinadas) da tubulação. Estas singularidades podem ser: curvas, junções, alargamentos, estreitamentos, válvulas, entre outras. As perdas de carga localizadas são devidas à formação de turbilhões nessas singularidades.

NOTA: No caso de tubulações largas (L > 4000 D) de grande diâmetro as perdas de carga são negligenciáveis; o mesmo não ocorre em tubulações curtas de grande diâmetro ou em sistemas de tubulações

de pequeno diâmetro. (Segundo A. Netto, “podem não ser levadas em conta nos cálculos das linhas adutoras, redes de distribuição, etc”)

Não existe um tratamento teórico geral para o problema. Admitindo, porém, um escoamento

turbulento, a parede de carga localizada pode ser encontrada através da seguinte equação:

h

f

K

2

v

2 g

. O valor de K é função das características da singularidade (vide Tab. 7.2, pág. 122,

A. Netto; ou Quadros 3.5 a 3.9, pág. 79/80, Baptista)

Para o cálculo da perda de carga localizada utiliza-se, além desta expressão geral, outro processo

denominado

“Método dos Comprimentos Virtuais”

, que consiste em substituir as singularidades, para efeito

de cálculo, por tubo de diâmetro, rugosidade e comprimento tal que proporcione a mesma perda de carga original (das singularidades). Ver tabela.

2.3) Regra Geral:

1.) Rugosidade: existe, independente do tipo de material, e é uma grandeza variável com o grau de corrosão e com o tempo; 2.) Comprimento: quanto maior o comprimento maior o “atrito”, isto é, a resistência ao escoamento; 3.) Diâmetro: quanto menor o diâmetro, maior a resistência ao escoamento; 4.) Velocidade: quanto maior a velocidade do escoamento, maior a turbulência do escoamento, e, portanto maior a perda de carga. Então, o termo cinético da energia carga de velocidade é responsável pela perda de caga do escoamento.

Desta forma, se tem que a PERDA DE CARGA é

f

 

r

(*)

;

L

;

1

v

2

;

d

2

g

 

[6]

NOTA: a rugosidade é um parâmetro que também pode ter uma analogia com perímetro do conduto, já que

quanto maior for o perímetro maior será a superfície de contato (“SUPERFÍCIE ATRITANTE”).

2.4) Conceitos Fundamentais do Escoamento em Tubulações:

Um escoamento na vizinhança de uma fronteira sólida dá lugar ao desenvolvimento de forças de contato com componentes tangencias à superfície. Admitindo um trecho de comprimento L de um escoamento uniforme num conduto (ou mesmo num canal) e, designando R x a força de arrasto, isto é, a resultante das componentes tangenciais das forças

exercidas sobre a parede e sendo P o perímetro molhado

L
L

R A

, pode-se calcular o valor de

 0
0

(tensão

tangencial média) como:

0

R

x

P

L

  • em condutos de seção circular, a tensão tangencial distribui-se uniformemente pelo perímetro

molhado e coincide com o valor de

0

R

x

P

L

;

  • em condutos de seção não-circular e em canais, a tensão tangencial tem uma distribuição não-

uniforme e

 0
0

representa seu valor médio no perímetro molhado.

Num escoamento uniforme sob pressão ou à superfície livre a tensão tangencial média na parede,

 0
0

, se

relaciona com a perda de carga unitária por:

unitária; R raio hidráulico.

 0
0

J R , onde peso específico; J perda de carga

  • esta equação explica a importância que o raio hidráulico assume na representação da influência da forma de seção transversal nas leis de resistência dos escoamentos uniformes;

  • pode ser deduzida pela aplicação do Teorema de Euler equação do movimento a um trecho de escoamento em regime uniforme, e vale tanto para escoamento sob pressão quanto para escoamentos à superfície livre.

2.5) A Camada Limite Conceituação:

Considere um escoamento passando sobre uma superfície plana, paralela ao escoamento, que se apresenta com velocidade uniforme U .

U
U
Desta forma, se tem que a PERDA DE CARGA é f    r (*)

Ao entrar em contato com a superfície, a camada de fluido imediatamente adjacente à superfície desacelera (devido à viscosidade) até o repouso. Este fato decorre que em fluidos viscosos (fluidos reais) uma fina camada de fluido praticamente “adere” à superfície sólida. Como o fluido é viscoso, desenvolve-se uma tensão tangencial entre as camadas de fluido junto à placa e a imediatamente adjacente. Esta segunda camada, portanto, também é forçada a desacelerar, e assim por diante em camadas sucessivas. Durante o escoamento do fluido sobre a placa, a quantidade de camadas sofrendo esta influência vai aumentando.

U
U

[7]

A linha que define esta camada é chamada de “CAMADA LIMITE”, e fora desta camada limite o escoamento se vê relativamente livre do desenvolvimento destas tensões tangenciais e, assim, o fluido não se encontra sujeito a forças de viscosidade.

Considera-se, assim, que fora da camada limite, o comportamento do fluido se assemelha ao comportamento de um fluido ideal.

Como em qualquer escoamento real, no interior da camada limite o escoamento pode ser laminar ou

turbulento, dependendo do valor do número de Reynolds

Re

Dv

.

ESTRUTURA DA CAMADA LIMITE CAMADA LIMITE ZONA TURBULENTA ZONA LAMINAR
ESTRUTURA DA
CAMADA LIMITE
CAMADA LIMITE
ZONA TURBULENTA
ZONA LAMINAR

SUB - CAMADA LAMINAR

A partir desta conceituação, é possível determinar, em função da natureza do escoamento (laminar ou turbulento), a espessura da camada limite , a influência que esta espessura tem no deslocamento das

linhas de corrente nas proximidades da camada limite, o cálculo de superfície sólida) e os respectivos perfis de velocidade.

 0
0

(tensão entre o escoamento e

Do ponto de vista de engenharia, a conceituação da camada limite permite o entendimento teórico de alguns fenômenos, tais como:

  • deslocamento da linha de corrente ao encontrar objetos em seu caminho ocasionando diferentes pressões sobre a superfície do objeto;

[7] A linha que define esta camada é chamada de “ CAMADA LIMITE ”, e fora
  • relações entre a rugosidade da parede e o desenvolvimento da camada limite; diferentes materiais tem diferentes rugosidades; até que ponto isto influencia a camada limite.

    • escoamentos laminares: a tensão é função exclusiva da viscosidade; a natureza da superfície não tem influencia significativa no desenvolvimento da camada limite.

    • escoamentos turbulentos: uma sub-camada laminar se forma junto a superfície da parede, se a rugosidade da parede for menor do que a espessura desta camada, não há influência sobre o escoamento; se a espessura for maior, atingindo a zona turbulenta, irá causar vórtices adicionais e conseqüentemente maior turbulência no escoamento.

  • em escoamentos em tubulações e em canais, o desenvolvimento da camada limite tende a atingir

  • toda a dimensão do escoamento; nestes casos é usual que a tensão tangencial junto à parede seja

    expressa em termos de um “coeficiente de atrito”, definido da seguinte forma:

    • C f

    0

    Q

    • 1  

    • 2

    v

    2

     

    v

    A

    1   C   v 2 0 f 2
    1
      C   v
    2
    0
    f
    2

    Portanto, o coeficiente de atrito é f (escoamento ou do número de Reynolds).

    [8]

    A partir, ainda, deste conceito de camada limite se demonstra que:

    • a) escoamentos laminares: perda de carga é diretamente proporcional à velocidade do escoamento

    h

    f

    32   L V

    g

    D

    2

    equação de Hagen-Poiseville

    0

    4

    V  R 
    V
    R

    R raio hidráulico

    • b) escoamentos turbulentos:

    perda de carga é diretamente proporcional ao quadrado da velocidade.

    h

    f

    L V

    2

    2 gD

    equação de Darcy-Weisbach (“EQUAÇÃO UNIVERSAL”), onde

    é o fator de atrito do conduto]

    0

    K v

    2

    L

    g

    R

    2

    R raio hidráulico

    h

    f

    Kv

    2

    2.6) À Experiência de Nikuradse ÁBACOS DE NIKURADSE:

    Nikuradse publicou, em 1930, os resultados de suas pesquisas com tubos circulares, de diâmetro D, lisos e com rugosidade uniforme (rugosidade artificial criada por grãos de areia de diâmetro K justapostos). Estes

    resultados são resumidos num ábaco designado por “HARPA DE NIKURADSE”.

    f Re =64 0,10 f 0,08 D/K=30,0 0,06 61,2 0,04 120,0 252,0 0,02 504,0 1014,0 0,01
    f Re =64
    0,10
    f
    0,08
    D/K=30,0
    0,06
    61,2
    0,04
    120,0
    252,0
    0,02
    504,0
    1014,0
    0,01
    3
    6
    10
    10 4
    10 5
    10
    Re
    2x10 3
    O resultado da “HARPA” nos mostra que:
    • até determinados valores de número de Reynolds, o fator de resistência ao escoamento f é função do valor de Re (regime dos tubos lisos ou regime turbulento liso);

      • a partir de certos limites de número de Reynolds, a resistência ao escoamento é condicionada

    unicamente pela turbulência. O fator de resistência „f‟ é, então, independente de Re e apenas função da

    rugosidade relativa de

    K

    ou

    D

    • D K

    (regime turbulento rugoso ou puramente turbulento).

    A partir destas conclusões e baseado em outras considerações teóricas, Von KARTITAN e PRANDTL apresentaram as seguintes leis:

    • em regime turbulento liso, a fórmula de Kaiman-Prandtl é:

    1  2log    Re 2,51 f   ou    
    1
     2log    Re 2,51 f
     
    ou
     
    em regime turbulento rugoso:
    1
    3,7 D
    2
    log
    k
    ou

    1

     

    0,8

    2log Re

    1

    1,14

    2

    log

    f   D     k 
    f 
    D
    k

    [9]

    NOTA: O fato de tubos com rugosidade terem, até determinados limites de Re , a lei de resistência ao escoamento como tubos lisos (tubos de rugosidade muito baixa vidro; cobre; chumbo) é explicado pela existência da sub-camada laminar (vide “camada limite). Junto às paredes do tubo se forma uma película laminar muito fina onde o escoamento é laminar. Assim os tubos comportam-se como lisos enquanto a rugosidade da parede está compreendida por esta sub-camada laminar.

    No regime puramente turbulento (elevados valores de

    Re )

    o

    fator

    resistência f 0 independe de

    Re

    (relaciona F inércia

    e

    F

    viscosidade ),

    pois as tensões tangenciais

    devidas à viscosidade se tornam

    negligenciáveis face às originárias da turbulência do escoamento.

    Voltando, então, às fórmulas para determinação das perdas de carga em escoamentos sob pressão, se tem

    L  v N h  k que f D P , onde:
    L
    v
    N
    h
    k
    que
    f
    D
    P
    , onde:

    K leva em consideração a natureza da tubulação; L comprimento; v velocidade de escoamento D diâmetro da tubulação.

    Portanto, para se determinar o valor h f , é necessário se conhecer os valores de K, N e P.

    Por volta de 1850, Darcy e Weisbach sugeriram para

    P N   1 2

    ;

    k

    f
    f

    2 g

    , onde „f‟ seria um coeficiente de

    resistência – e a equação ficou conhecida por “fórmula de Darcy-Weisbach”, ou, ainda, fórmula Universal:

    2 h  f  f 2 L g  v D  1
    2
    h
    f
    f
    2 L g 
    v D
    1

    NOTA: adimensional / adequada para regimes turbulentos, para regimes laminares,

    f

    64

    .

    Re

    2.7) Escoamentos turbulentos em tubos circulares comerciais:

    Colebrook propôs, em 1939, uma lei única para os tubos comerciais circulares em regime de escoamento turbulento:

    1  k 2,51     2 log    f 3,7 D
    1
    k
    2,51
      
    2
    log 
    f
    3,7 D
     
    Re 
    f  

    , que ficou conhecida como fórmula de COLEBROOK - WHITE, e

    onde k representa uma rugosidade absoluta equivalente; por exemplo: VIDRO : K = 0,003 mm; fibracimento : 0,02 mm; ferro fundido novo : 0,25 mm; enferrujado 1 a 1,5 mm; galerias em rocha : 90 a 600 mm. Esta fórmula tem sido traduzida por vários ábacos, o mais conhecido sendo o diagrama de Moody 2 (pág. 167, A. Netto). Neste ábaco podem ser reconhecidos os três tipos de escoamento turbulento que podem ocorrer em tubulações rugosas (rugosidade equivalente não nula).

    escoamento turbulento liso k 0

    escoamento turbulento rugoso f independe de Re ; só f

    escoamento turbulento de transição zona intermediária.

    k D
    k
    D

    • 1 Como se verá adiante esta formula pode ser utilizada até hoje

    2

    f

    JD v 2 2 g
    JD
    v
    2
    2 g

    no diagrama resulta na fórmula Universal.

    [10]

    Os tipos de problemas a serem resolvidos em escoamentos sob pressão com o auxílio de um diagrama como o de Moody (tem também o de Rouse) são:

     

    DADO

    DETERMINAR

    EQUIVALENCIA COM A. NETTO (p. 168)

     

    (Q) D e k

    • 1 J

    v

     

    Tipo I, p. 169

     

    v

    (Q) J e k

    • 2 Tipo III, p. 170

    D

     

    3

    D; J e k

    v

    (Q)

    Tipo II, p. 169/170

     
    • 4 (Q) D e J

    v

    K

    Tipo IV, p. 171

    Nos problemas onde é conhecido o valor de D, a solução é imediata.

    2.8) Outras Fórmulas: com o passar dos anos, e com o desenvolvimento de pesquisas hidráulicas por várias Escolas/Laboratórios, foram estabelecidas várias fórmulas empíricas para representar as leis de resistência dos escoamentos turbulentos rugosos no interior de tubos. As fórmulas deste tipo de uso corrente, no Brasil, são:

    • a) Fórmula de CHÉZY (1775 Paris) (pág. 136):

    V  C  R  J H
    V
     C  R  J
    H

    C coeficiente de Chézy

    Esta fórmula, de caráter bastante geral, tem a vantagem de ter sido aprimorada com o passar dos tempos por outros pesquisadores, que exprimiram o valor de C não apenas em função da rugosidade da parede, mas pelo efeito global na resistência ao escoamento.

    • b) Fórmula de POISEVILLE para escoamentos laminares

    J

    h

    f

    L

    32

     

    D v

    2

    (para Re 1000 )

    • c) Fórmula de Hazen-Willians bastante utilizado pela Escola Norte-Americana

    J

    h

    f

    L

    10,643

      

    Q

    C

      

    1,85

    D

    4,87

    Q

    0,849 C

    A

    R

    0,63

    H

    J

    0,54

    V

    0,849 C

    R

    0,63

    H

    J

    0,54

    C = f (material; tempo de uso)

    Esta fórmula tem sido largamente empregada, sendo aplicável a condutos de seção circular com diâmetro superior a 50 mm, conduzindo somente água.

    NOTA: O chamado “método racional” – utilizando-se a fórmula Universal, com a determinação do coeficiente de perda de carga f obtido, por exemplo, da equação de Colebrook-White (Diagrama de Moody), não se mostra prático para uso em sistemas de tubulações mais complexos. Por esta razão as “fórmulas práticas” (Hazen-Willians) ainda são muito utilizadas.

    2.9) Escoamento sob pressão velocidades recomendadas:

    Muitos problemas em tubulações estão associados às velocidades dos escoamentos dos líquidos nos condutos. a.) Velocidade mínima: objetivando evitar deposição nas tubulações, uma velocidade mínima deve ser fixada. A deposição de sedimentos na parede do tubo, por exemplo, pode provocar incrustações de partículas na parede do tubo, reduzindo sua seção de escoamento e conseqüente capacidade de vazão. Outro problema relativo à velocidade baixa é a retenção de ar na tubulação que provoca um efeito semelhante ao do aumento das perdas de carga, reduzindo a eficiência do escoamento.

    [11]

    Para evitar deposição de sedimentos: V min entre 0,25m/s e 0,40m/s (esgotos V min = 0,50m/s);

    Para sistemas de distribuição de água potável: V min = 0,60 m/s (NBR 12218);

    Para remoção de ar da tubulação: V min entre 0,60 m/s e 0,90 m/s, dependendo da inclinação da tubulação.

    b.) Velocidade máxima: depende de vários fatores (vide A. Netto, pág. 223). Deve ser limitado superiormente, pois velocidades muito elevadas também representam aumentos na perda de carga (vide fórmulas anteriores de h f ). Velocidades altas também podem causar os fenômenos de cavitação e golpe de aríete, provocando ruídos, vibrações e choques que danificam rapidamente as instalações. Os limites máximos recomendados são:

    Sistemas de abastecimento de água: V max = 0,60 + 1,5 D; D em metro, V max em (m/s);

    V 14 max  Instalações hidráulicas prediais (NBR 5626): V D (D em metros); max 
    V
    14
    max
    Instalações hidráulicas prediais (NBR 5626):
    V
    D (D em metros);
    max
    Linhas de recalque:
     2,40m s (sempre superior a 0,80 m/s);
    Condutos forçados de usinas hidrelétricas (“penstocks”): entre 1,50 m/s e 4,50 m/s, dependendo dos
    dispositivos reguladores das turbinas (em Cubatão, excepcionalmente, 7 m/s);
    Instalações industriais: entre 1,0 m/s e 2,0 m/s.
    2.10) Pré-dimensionamento de canalizações: com base nos valores limites já apresentados e na equação da
    continuidade, é possível estabelecer a capacidade de vazão máxima das tubulações usuais. Este “pré-
    dimensionamento” a partir do critério da vazão máxima permite a escolha do menor diâmetro e,
    portanto, o mais econômico. “Vale lembrar, entretanto, que o dimensionamento só estará completo após
    a verificação das pressões disponíveis”.
    NOTA: Tabela 9.2 – A. Netto, pág. 224;
    Quadros 3.12 e 3.13 – Baptista, pág. 86.
    2.11) Traçado das tubulações: no caso geral do escoamento em tubulações, podem ser considerados dois
    planos de carga: o ABSOLUTO, em que se considera a pressão atmosférica; o EFETIVO, referente ao
    nível de montante. Correspondentemente consideram-se as LINHAS PIEZOMÉTRICAS (ou linhas de
    carga) absoluta e efetiva.
    Devido principalmente à topografia do terreno disponível, os condutos podem estar totalmente
    abaixo, coincidentes ou acima, em alguns pontos. Serão analisadas as posições possíveis da
    canalização, conforme a seguir:
    I.
    Canalização assenta abaixo da L.C.E. em toda a sua extensão
    Na prática procura-se manter a canalização pelo menos 4 metros abaixo da L.P.E.
    É a posição ótima para o conduto. O escoamento será normal e a vazão real corresponderá à vazão calculada.
    Nos pontos mais baixos devem ser previstas descargas com registros para limpeza (e eventual esvaziamento).
    Nos pontos mais elevados devem ser instaladas ventosas – que são válvulas que possibilitam o escapamento
    de ar acumulado.
    P.C.A.
    P.C.E.
    L.P.A./L.C.A.
    L.P.E./L.C.E.
    D
    Para que o ar se localize em determinados
    pontos mais elevados, declividade > 1/2000D

    denomina-se "SIFÃO INVERTIDO" aos trechos baixos das canalizações, onde atuam pressões elevadas.

    [12]

    II. Canalização coincide com a L.C.E. (L.P.E.) Neste caso, a carga dinâmica é nula, e o
    II.
    Canalização coincide com a L.C.E. (L.P.E.)
    Neste caso, a carga dinâmica é nula, e o escoamento não é mais sob pressão – trata-se de um conduto livre
    (ou “escoamento a céu aberto”).
    P.C.A.
    P.C.E.
    L.P.A./L.C.A.
    L.P.E./L.C.E.
    Atenção: na prática (por uma questão de segurança) deve-se procurar executar as canalizações segundo uma
    destas duas posições. Sempre que a canalização cortar a linha de carga efetiva, as condições de
    funcionamento não serão satisfatórias. Por isso, nos casos em que se torne impraticável manter a canalização
    sempre abaixo da LPE, cuidados especiais deverão ser tomados.
    III.
    Canalização acima da L.P.E., mas abaixo da L.P.A.
    Neste caso, a pressão efetiva assume valor negativo, e nos trechos acima da L.P.E. ocorreriam bolsas de ar.
    Como a pressão seria menor que a pressão atmosférica, as ventosas não funcionariam adequadamente, e em
    conseqüência do ar na tubulação a vazão se reduziria. É o caso de “SIFÃO VERDADEIRO” (em
    contraposição ao sifão invertido), e seria necessária a remoção do ar acumulado (ESCORVA).
    P.C.A.
    P.C.E.
    L.P.A./L.C.A.
    L.P.E./L.C.E.
    Bolhas de Ar
    IV.
    Canalização acima da L.P.A., mas abaixo da P.C.E.

    Neste caso, podem ser considerados dois trechos de canalização com funcionamento distinto. Entre R 1 e T, o escoamento seria em carga (reduzida, mas em carga). Entre T e R 2 , o escoamento seria como em vertedor. Trata-se de um lançamento de tubulação defeituoso, e a vazão seria reduzida e imprevisível.

    P.C.A.

    P.C.E. R 1 T L.P.A. L.P.E. R 2
    P.C.E.
    R 1
    T
    L.P.A.
    L.P.E.
    R 2

    [13]

    Solução: estabelecer em seu ponto mais alto (da canalização) uma comunicação com o exterior (fazer a água entrar em contato com a p atm ); isto se faz executando-se uma caixa de transição (caixa de passagem); a canalização passará a funcionar com dois trechos distintos, indo de R 1 até a caixa de transição em escoamento sob carga reduzida correspondente a este ponto; da caixa até o reservatório R 2 em escoamento sob a carga restante.

    • V. Canalização corta a L.P.E. e o P.C.E., mas fica abaixo da L.P.A.

    Trata-se de um sifão funcionando em condições precárias, exigindo escorva sempre que entrar ar na canalização.

    P.C.A.

    P.C.E. R 1 T L.P.A. L.P.E. R 2
    P.C.E.
    R 1
    T
    L.P.A.
    L.P.E.
    R 2

    NOTA: se a canalização estiver acima do P.C.E. e da L.P.A., mas abaixo do P.C.A. (vide partilhado), a situação é a mesma, mas as condições de funcionamento são as piores possíveis.

    Observação, segundo A. Netto, “na prática executam-se, algumas vezes, sifões verdadeiros para atender

    condições especiais. Nestes casos, são tomadas as medidas necessárias para o escorvamento por meio de

    dispositivos mecânicos”.

    VI.

    Canalização corta o P.C.A.

    Neste caso, o escoamento por gravidade entre R 1 e T é impossível há necessidade de recalque. Entre T e R 2 o escoamento volta a ser feito sob pressão.

    P.C.A. T P.C.E. R 1 T L.P.A. L.P.E. R 2
    P.C.A.
    T
    P.C.E.
    R 1
    T
    L.P.A.
    L.P.E.
    R 2

    2.12) Condutos Equivalentes:

    [14]

    Um conduto é equivalente a outro(s) quando transporta a mesma vazão sob a mesma perda de carga.

    Este conceito é utilizado para simplificar os cálculos hidráulicos de tubulações interligadas, cujas características são diferentes (tanto pelo coeficiente de perda de carga quanto pelo seu diâmetro) o que acontece em condutos ligados em série ou em paralelo. Segundo esse conceito, essas tubulações podem para efeito de cálculo, serem transformados em condutos simples, cuja maneira de calcular já foi vista.

    3.5.1)

    Condutos em série: seja um trecho de tubulação com três tipos de trechos com características distintas. Para a substituição desses três condutos por outro equivalente deve ser obedecida a expressão:

    e

    L

    e

    D

    m

    e

    1

    L

    1

    m

    D

    1

    2

    L

    2

    D

    m

    2

    3

    L

    3

    m

    D

    3

    A metodologia consiste em adotar valores convenientes de atender à expressão.

    e

    e D e , calculando-se L e de forma a

    3.5.2)

    Condutos em paralelo: são aqueles cujas extremidades fr montante e de jusante se reúnem em mesmos locais. Assim, a vazão é dividida entre as tubulações em paralelo a montante, e unindo novamente a jusante. Neste caso,

    h  h  h  h 3 ; e 1 2 A expressão a ser
    h  h  h  h 3 ;
    e
    1
    2
    A expressão a ser obedecida é:
    1
    1
    D
    m
    n
    D
    m
    n
    e
    1
      
     L
      
      
     L
      
      
    e
    e
    1
    1
    Q  Q  Q  Q e 1 2 3 . 1 1 D m
    Q
     Q  Q  Q
    e
    1
    2
    3
    .
    1
    1
    D
    m
    n
    D
    m
    n
    2
    3
     L
     
     
     L
     
    2
    2
    3
    3

    2.13) Solução de Problemas:

    Os problemas de escoamento sob pressão envolvem: perda de carga (declividade da linha piezométrica); vazão; diâmetro do conduto e velocidade do escoamento.

    Podem ser problemas “Hidraulicamente Determinados” ou “Hidraulicamente Indeterminados”.

    Problemas hidraulicamente determinados são aqueles em que, a partir dos dados, determina-se a incógnita, com o uso das equações da continuidade e do movimento. Nos problemas hidraulicamente indeterminados o valor da incógnita depende de outros aspectos m especial econômicos e de disponibilidade do material.

    Os instrumentos a serem utilizados isto é, as fórmulas dependerão do regime do escoamento.

    • Escoamento Laminar: Re 2000; tubos circulares; utiliza-se a fórmula de Poiseville.

    • Escoamento “de Transição”: 2000 Re 4000 ; utiliza-se o diagrama de Rouse ou o Diagrama de Moody.

    • Escoamentos Turbulentos: Re 4000; utiliza-se a fórmula Universal ou a fórmula de HAZEN- WILLIAMS.

    3)

    Diagramas e Tabelas

    3.1) Diagrama de Moody

    [15]

    3) Diagramas e Tabelas 3.1) Diagrama de Moody [15]

    3.2) Diagrama de Rouse

    [16]

    3.2) Diagrama de Rouse [16]

    [17]

    3.3) Coeficientes de perda de Carga C da fórmula de Hazen-Williams

    [17] 3.3) Coeficientes de perda de Carga C da fórmula de Hazen-Williams (Fundamentos de Engenharia Hidráulica

    (Fundamentos de Engenharia Hidráulica 2ªed. Márcio Baptista/Márcia Lara)

    3.4) Coeficiente de Perda de Carga Localizada „k”

    [17] 3.3) Coeficientes de perda de Carga C da fórmula de Hazen-Williams (Fundamentos de Engenharia Hidráulica

    (Fundamentos de Engenharia Hidráulica 2ªed. Márcio Baptista/Márcia Lara)

    3.5) Tabelas de comprimentos equivalentes

    [18]

    3.5) Tabelas de comprimentos equivalentes [18] (Fundamentos de Engenharia Hidráulica 2ªed. – Márcio Baptista/Márcia Lara) (Fundamentos

    (Fundamentos de Engenharia Hidráulica 2ªed. Márcio Baptista/Márcia Lara)

    3.5) Tabelas de comprimentos equivalentes [18] (Fundamentos de Engenharia Hidráulica 2ªed. – Márcio Baptista/Márcia Lara) (Fundamentos

    (Fundamentos de Engenharia Hidráulica 2ªed. Márcio Baptista/Márcia Lara)

    [19]

    CONDUTOS LIVRES CANAIS - (ESCOAMENTO A CÉU ABERTO”)

    1)

    Definições

    Define-se como “CONDUTO LIVRE” os condutos que escoam água sob pressão atmosférica – daí também a denominação “escoamento a céu aberto”. Em inglês este tipo de escoamento é denominado “OPEN CHANNEL FLOW”.

    EXEMPLOS:

    cursos d‟água naturais; coletores de esgotos; galeria de águas pluviais; túneis-canais; calhas;

    canaletas.

    É comum generalizar e chamar de “CANAL” o conduto que escoa água sob pressão atmosférica.

    [19] C ONDUTOS L IVRES – C ANAIS - ( ESCOAMENTO A “ CÉU ABERTO ”)
    [19] C ONDUTOS L IVRES – C ANAIS - ( ESCOAMENTO A “ CÉU ABERTO ”)

    P atm

    [19] C ONDUTOS L IVRES – C ANAIS - ( ESCOAMENTO A “ CÉU ABERTO ”)

    Mecanismos de escoamento:

    como prof=cte e p= p atm não há gradiente de pressão para atuar como força geradora do escoamento;

    a energia necessária é fornecida pela parcela de velocidade

     v 2 2 g ;
    v
    2
    2 g
    ;

    os princípios básicos da Hidráulica, no entanto, continuam válidos;

    como as paredes se apresentam com rugosidade, existe uma perda de carga que tende a reduzir e até anular a “carga de velocidade”;

    por este motivo é necessário que haja uma variação de nível (uma “INCLINAÇÃO”) para que se produza escoamento: todos os sistemas hidráulicas a céu aberto (naturais ou não) se apresentam com alguma inclinação de fundo;

    esta inclinação tem como valor mínimo o valor da perda de carga;

    portanto, em situações de escoamento permanente, a inclinação do canal é paralela à superfície (ou a superfície é paralela ao fundo) e ambas são paralelas à linha de carga:

    v 2 /2g v 2 /2g y Z 1 Z 2
    v 2 /2g
    v 2 /2g
    y
    Z 1
    Z 2

    [20]

    2) ENERGIA ESPECÍFICA: a carga total em cada seção do contudo, isto é, em cada seção do canal é

    H

    T

    Z

      

    y

    2

    v

    2

    g

    ;

    , na prática, é igual a 1. Tomando como referência o fundo do canal, se

    define Energia Específica como

    H

    e

     

    y

    2

    v

    2 g

    .

    3)

    ÁREA MOLHADA E PERÍMETRO MOLHADO

    Área molhada é a área útil de escoamento numa seção transversal.

    Perímetro molhado é a linha que limita a área molhada junto às paredes e no fundo do conduto. Não abrange, portanto, a superfície das águas.

    S A
    S
    A
    perímetro molhado P
    perímetro
    molhado
    P

    4)

    RAIO HIDRÁULICO: grandeza de dimensão linear, é definida como a relação entre a área molhada e perímetro molhado. Não tem significado físico.

    A R  MOLHADA H P MOLHADO
    A
    R
    MOLHADA
    H
    P
    MOLHADO
    VIDE QUADRO (Item 11)
    VIDE QUADRO (Item 11)

    5) O NÚMERO DE REYNOLDS EM CANAIS: conforme visto anteriormente, o número de Reynolds é uma grandeza que caracteriza o regime do escoamento, levando em consideração as características geométricas do conduto. Assim, em condutos sob pressão, com seção circular,

    v  D Re   . Considerando a definição A  D 2 4 D
    v  D
    Re 
    .
    Considerando
    a
    definição
    A
    D
    2
    4
    D
    R
    MOLHADA
    H
    P
    D
    4
    MOLHADO

    de

    raio

    hidráulico,

    para

    condutos

    circulares,

    e

    seção

    cheia,

    .

    Em canais, adota-se, freqüentemente, como dimensão linear característica, o valor

    número de Reynolds passa a ser: 4 R  v Re  H  Re 
    número de Reynolds passa a ser:
    4 R
     v
    Re 
    H
    Re
     500
    Re
     2000
    Escoamento Laminar
    canal canal
    Escoamento Turbulento

    D

    4

    R

    H

    . Portanto, o

    6)

    CARACTERIZAÇÃO DA NATUREZA DO ESCOAMENTO EM CANAIS:

    o

    escoamento

    em

    canais pode ser realizar de várias maneiras. Pode ser permanente ou variável (não permanente).

    6.1) Permanente: se, em uma dada seção, o vetor velocidade não se alterar ao longo do tempo (em módulo e em direção). Neste caso, a vazão permanece constante ao longo do tempo.

    [21]

    6.2) Variável (não permanente): vetor velocidade se altera ao longo do tempo.

    permanece constante ao longo do tempo.

    Neste caso, a vazão não

    No caso dos escoamentos permanentes se as características hidráulicas em cada seção não se alterarem com o tempo, o movimento será uniforme. Caso contrário o movimento será variado (acelerado ou retardado).

    ESCOAMENTO CRÍTICO RESSALTO REMANSO MOVIMENTO HIDRÁULICO UNIFORME MOVIMENTO GRADUALMENTE MOVIMENTO MOVIMENTO VARIADO BRUSCAMENTE GRADUALMENTE (ACELERADO) VARIADO
    ESCOAMENTO CRÍTICO
    RESSALTO
    REMANSO
    MOVIMENTO
    HIDRÁULICO
    UNIFORME
    MOVIMENTO
    GRADUALMENTE
    MOVIMENTO
    MOVIMENTO
    VARIADO
    BRUSCAMENTE
    GRADUALMENTE
    (ACELERADO)
    VARIADO
    VARIADO
    (RETARDADO)

    7)

    PRINCIPAIS PARÂMETROS PARA DIMENSIONAMENTO DE CANAIS

    7.1) Energia

    específica

    variação

    com

    a

    profundidade:

    definida

    anteriormente,

    tem

    a

    fórmula

    H   y v 2 e 2 g varia de forma:
    H
     
    y
    v
    2
    e
    2 g
    varia de forma:

    . Este valor varia, para cada seção, com os valores de (y) e (v). A energia específica

    • quando y > y 0 , v < v c (regime sub-crítico);

    • quando y < y 0 , v > v c (regime super-crítico)

    y (m) v c 2 /2g y c y c o 45
    y (m)
    v c 2 /2g
    y c
    y c
    o
    45
    H e /c H e (m) v F  NOTA: número de FROUDE R gy H
    H e /c
    H e (m)
    v
    F
    NOTA: número de FROUDE
    R
    gy
    H
    e
    7.2) Profundidade Crítica – é o valor da profundidade para o qual
    c
    é mínima. De uma maneira geral,
    Q  A 
    gh
    C
    mc
    h mc – profundidade crítica (média)
    Q
    A
    Q
    2
    B
    V
    gh
     1
    7.3) Velocidade média crítica –
    C
    A
    h
    C
    mc
    como
    mc
    B
    A
    3
    g
    C
    C
    (
    l
    arg
    ura
    )
    B h m
    B
    h m

    “A vazão máxima em uma seção é alcançada quando a velocidade do escoamento igualar a velocidade crítica”.

    [22]

    7.4) Declividade crítica sempre que a declividade de um canal ultrapassar

    a declividade crítica (I c ), a

    profundidade nesse canal será inferior a profundidade crítica, e o movimento da água será “torrencial”

    (super-crítico). gh I  mc c C 2  R H
    (super-crítico).
    gh
    I
    mc
    c
    C
    2
    R
    H

    O escoamento pode entrar em regime supercrítico alterando-se bruscamente a seção ou a declividade.

    “Para que ocorra um ressalto hidráulico, é necessário que a velocidade de montante seja supercrítica”.

    A profundidade crítica é o parâmetro que estabelece a natureza do regime de escoamento. Para uma mesma carga específica:

    Se y > y c o regime é sub-crítico (fluvial; tranqüilo); (F R < 1); Se y < y c o regime é supercrítico (torrencial); (F R > 1);

    8) RESSALTO HIDRÁULICO: é a sobre-elevação brusca da superfície líquida. Correspondente a mudança de regime de uma profundidade menor que a crítica para outra maior do que a crítica, em conseqüência do retardamento do escoamento (passagem do regime supercrítico para o subcrítico).

    h2 h1 v F   1 NOTA: para y = y c , R g
    h2
    h1
    v
    F
     1
    NOTA: para y = y c ,
    R
    g
    y
    c

    Exemplo:

    Para um salto; para um canal retangular:

     

    2

    2

    h

    h

    1

      

    2

    v

    1

    h

    1

    h

    1

    2

    2
    2

    g

     

    4

    e

     

    H

    v

    2

    1

    2

    g

      v

    2

    2

    2 g

    h   

    1

    h

    2

    9) REMANSO: caracteriza-se pelos efeitos causados pela existência de obstáculos (de proporções) ao escoamento da água. Este obstáculo causa mudanças na velocidade de propagação, causando uma sobre-elevação do nível d‟água para montante. Esta elevação se propaga por distâncias bastante razoáveis, e se denomina “CURVA DE REMANSO

    “O traçado da curva de remanso constitui importante problema de engenharia hidráulica, relacionado a

    questões tais como: delimitação das áreas inundadas, volumes de água acumulados, variação de

    profundidades, etc”.

    [23]

    Altura do remanso: Aproximação parabólica (método de Poireé)

     x2py 2  X r C B (h o riz O H  A
    x2py
    2
    X
    r
    C
    B
    (h o riz
    O
    H
    A

    o n ta l)

    H  y OB  OA  y c o ; ; do triângulo ABC: AB
    H  y
    OB  OA  y
    c
    o
    ;
    ; do triângulo ABC:
    AB
    2 y
    2 y
    tg
     
    I
    o
    X 
    o
    BC
    X
    I
     4
     y
    x
    2
     2 
    p
    y
     
    o
     y
    I
    2

    A elevação r do nível da água acima da profundidade do regime uniforme (H), à distância x da barragem,

    pode ser calculada pela fórmula: ( I  x  2 y ) 2 r 
    pode ser calculada pela fórmula:
    (
    I
    x
    2
    y
    ) 2
    r 
    o
    4 y
    o

    Que se obtém tirando o valor de y da expressão da parábola:

    10) FÓRMULAS PARA CANAIS:

    2

    x

    4 y

     

    o

    I

    2

     y

    10.6) Fórmula deChézy

    v  C R  I H
    v  C
    R
     I
    H

    C coeficiente de Chezy (Quadro 16.1; pág. 418)

    10.7) Fórmula de Manning (1890)

    1 2 1 v   0,397  D 5  I 2 n „n‟ –
    1
    2
    1
    v
    0,397
    D
    5
    I
    2
    n
    „n‟ – coeficiente de Manning (quadro 16.2; pág. 419, figura 5 da pág. 421)
    1
    8
    1
    Q
    0,312
    D
    3
    I
    2
    n
    10.8) Fórmula de Hazen-Willians (1920)
    v
    0,85
    C  R  I
    0,63
    0,54
    H
    (Quadro 8.3; pág. 150)

    10.9) Fórmula de Forchheimer (1923)

    (fórmula de Manning modificada)

    v

    I

    0,5

    n R

    H

    0,7

    (n coeficiente de Manning)

    10.10) Fórmula Universal (1940)

    v C

    R

    H

    I

    , para

    C

    17,7 log

    4 R

    H

    e

    10,09

    [24]

    11) PARÂMETROS CARACTERÍSTICOS DAS SEÇÕES USUAIS

    [24] 11) PARÂMETROS CARACTERÍSTICOS DAS SEÇÕES USUAIS (Fundamentos de Engenharia Hidráulica 2ªed. – Márcio Baptista/Márcia Lara)

    (Fundamentos de Engenharia Hidráulica 2ªed. Márcio Baptista/Márcia Lara)