Você está na página 1de 6

Superior Tribunal de Justiça

RECURSO EM MANDADO DE SEGURANÇA Nº 15.706 - PA (2002/0165272-6)

RELATOR RECORRENTE :

: MINISTRO JOÃO OTÁVIO DE NORONHA ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL-SEÇÃO DO PARA

:

:

:

:

ADVOGADO

MARCELO LAVOCAT GALVÃO

T. ORIGEM

TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARÁ

IMPETRADO

JUÍZO DE DIREITO DA 2A VARA CÍVEL DE BELÉM - PA

RECORRIDO

ESTADO DO PARÁ

PROCURADOR :

CELSO PIRES CASTELO BRANCO E OUTROS EMENTA

1. viola o art. 7º, inciso VIII, da Lei n. 8.906/94. 2. Recurso ordinário provido.
1.
viola o art. 7º, inciso VIII, da Lei n. 8.906/94.
2. Recurso ordinário provido.
ACÓRDÃO

ADMINISTRATIVO. RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA. DELIMITAÇÃO DE HORÁRIO PARA ATENDIMENTO A ADVOGADOS. ILEGALIDADE. ART. 7º, INCISO VIII, DA LEI N. 8.906/94. PRECEDENTES.

A delimitação de horário para atendimento a advogados pelo magistrado

Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, dar provimento ao recurso ordinário nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Castro Meira, Francisco Peçanha Martins, Eliana Calmon e Franciulli Netto votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro João Otávio de Noronha. Brasília, 1º de setembro de 2005 (data do julgamento).

MINISTRO JOÃO OTÁVIO DE NORONHA Relator

Superior Tribunal de Justiça

RECURSO EM MANDADO DE SEGURANÇA Nº 15.706 - PA (2002/0165272-6)

RELATÓRIO

O EXMO. SR. MINISTRO JOÃO OTÁVIO DE NORONHA:

Trata-se de recurso ordinário em mandado de segurança interposto pela ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL - SEÇÃO DO PARÁ com fulcro no art. 105, inciso II, alínea "b", da Constituição Federal, contra acórdão do Tribunal de Justiça do Estado do Pará assim ementado:

Nº E
E

"MANDADO DE SEGURANÇA - DIREITO CONSTITUCIONAL - LEI 1.533/51 - LEI Nº 8.906/94. LEI ESTADUAL 5.008/81.

É LÍCITO AO JUIZ ESTABELECER UMA DISCIPLINA EM SEU LOCAL DE TRABALHO VISANDO UMA PRESTAÇÃO JURISDICIONAL

MAIS RÁPIDA E EFICAZ, NÃO CONFIGURANDO A PROVIDÊNCIA RESTRIÇÃO AO ATENDIMENTO DOS ADVOGADOS E CONSEQUENTEMENTE NÃO HAVENDO VIOLAÇÃO A DIREITO LÍQUIDO

CERTO E NEM ABUSO OU DESVIO DE PODER POR PARTE DA

MAGISTRADA. SEGURANÇA DENEGADA. DECISÃO UNÂNIME."

Colhe-se dos autos que o mandado de segurança foi impetrado contra ato da Juíza de Direito da 2ª Vara Cível da Comarca de Belém-PA, objetivando a suspensão dos efeitos da determinação que regulamentou horário de atendimento a advogados.

O Tribunal de origem, denegando a segurança, asseverou inexistir ilegalidade na portaria editada pela magistrada.

Colacionando julgados desta Corte e do STF e com fundamento no art. 5º, incisos IV e IX, da Constituição Federal, a recorrente alega que o acórdão recorrido, ao considerar lícita a fixação de horário para atendimento a advogados, violou o art. 7º, inciso VIII, da Lei n. 8.906/94, uma vez que impossibilita aos advogados o desempenho de seu múnus público com zelo e diligência, causando prejuízos às partes que perseguem a tutela jurisdicional.

Em adição, argumenta que o advogado é livre no exercício de sua profissão e integra o equilíbrio da prestação jurisdicional pelo Estado, de modo que "fica evidente que a restrição imposta à classe advocatícia vai de encontro à previsão legal que veda procedimentos atentatórios à boa administração da justiça".

Contra-razões do Estado do Pará às fls. 63-65.

Superior Tribunal de Justiça

Às fls. 75-77, o Ministério Público Federal exarou parecer pelo provimento do recurso ordinário.

É o relatório.

pelo provimento do recurso ordinário. É o relatório. Documento: 574887 - Inteiro Teor do Acórdão -

Superior Tribunal de Justiça

RECURSO EM MANDADO DE SEGURANÇA Nº 15.706 - PA (2002/0165272-6)

EMENTA

ADMINISTRATIVO. RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA. DELIMITAÇÃO DE HORÁRIO PARA ATENDIMENTO A ADVOGADOS. ILEGALIDADE. ART. 7º, INCISO VIII, DA LEI N. 8.906/94. PRECEDENTES.

1. A delimitação de horário para atendimento a advogados pelo magistrado

viola o art. 7º, inciso VIII, da Lei n. 8.906/94.

2. Recurso ordinário provido.

VOTO O apelo merece prosperar.
VOTO
O apelo merece prosperar.

O EXMO. SR. MINISTRO JOÃO OTÁVIO DE NORONHA (RELATOR):

O objeto da controvérsia suscitada no presente recurso especial cinge-se à

discussão quanto à legalidade de ato de Juiz de Direito mediante o qual foi estabelecido o

horário das 12 horas às 13 horas para atendimento a advogados.

Com efeito, a Carta Magna e o Estatuto da Advocacia e da Ordem dos Advogados

do Brasil garantem ao advogado ampla e merecida proteção no pleno exercício da sua

atividade profissional, sendo-lhe assegurado o direito de "dirigir-se diretamente aos

magistrados nas salas e gabinetes de trabalho, independentemente de horário previamente

marcado ou outra condição, observando-se a ordem de chegada" (art. 7º, inciso VIII, da Lei n.

8.906/94).

No presente caso, a delimitação do horário para atendimento a advogados, a

despeito da douta Juíza, autoridade coatora, objetivar maior produtividade no trabalho que

desempenha, viola o aludido art. 7º, inciso VIII, do EOAB, porquanto o advogado é essencial

à administração da justiça (art. 133 da Constituição Federal de 1988) e deve ter as suas

prerrogativas respeitadas.

Ademais, o excesso de trabalho no Poder Judiciário não pode ser imputado ao

advogado, de modo a prejudicar o acesso aos magistrados, impedindo, assim, o bom

funcionamento da prestação jurisdicional.

Superior Tribunal de Justiça

Nesse sentido, reporto-me ao bem lançado parecer do parquet seguintes termos:

federal nos

"O excesso de trabalho da magistrada não justifica a violação à lei federal,

pois o advogado não pode ter suas prerrogativas solapadas pelo Poder Judiciário em virtude da enorme quantidade de processos em curso, em contraposição à conhecida escassez de juízes."

Corroborando essa tese, confiram-se os seguintes julgados:

"ADVOGADO - DIREITO DE ENTREVISTAR-SE COM MAGISTRADO

- FIXAÇÃO DE HORÁRIO - ILEGALIDADE - LEI 8.906/94 ART. 7º, VIII).

É REPARTIÇÕES PÚBLICAS - (LEI 4215 - ART. 89, VI, C). A PRESTADOS PELO ESTADO.
É
REPARTIÇÕES PÚBLICAS - (LEI 4215 - ART. 89, VI, C).
A
PRESTADOS PELO ESTADO.
O
O
A

nula, por ofender ao Art. 7º, VIII da Lei 8.906/94, a Portaria que

estabelece horários de atendimento de advogados pelo juiz." (Primeira Turma, RMS n. 13.262/SC, relator Ministro Garcia Vieira, relator para acórdão Ministro Humberto Gomes de Barros, DJ de 30.9.2002.)

"ADMINISTRATIVO - ADVOGADO - DIREITO DE ACESSO A

ADVOCACIA E SERVIÇO PÚBLICO, IGUAL AOS DEMAIS,

ADVOGADO NÃO É MERO DEFENSOR DE INTERESSES

PRIVADOS. TAMPOUCO, E AUXILIAR DO JUIZ. SUA ATIVIDADE, COMO

'PARTICULAR EM COLABORAÇÃO COM O ESTADO' E LIVRE DE QUALQUER VÍNCULO DE SUBORDINAÇÃO PARA COM MAGISTRADOS E AGENTES DO MINISTÉRIO PÚBLICO.

DIREITO DE INGRESSO E ATENDIMENTO EM REPARTIÇÕES

PÚBLICAS (ART. 89, VI, 'C' DA LEI N. 4215/63) PODE SER EXERCIDO EM

QUALQUER HORÁRIO, DESDE QUE ESTEJA PRESENTE QUALQUER SERVIDOR DA REPARTIÇÃO.

CIRCUNSTÂNCIA DE SE ENCONTRAR NO RECINTO DA

REPARTIÇÃO NO HORÁRIO DE EXPEDIENTE OU FORA DELE - BASTA PARA IMPOR AO SERVENTUÁRIO A OBRIGAÇÃO DE ATENDER AO ADVOGADO. A RECUSA DE ATENDIMENTO CONSTITUÍRA ATO ILÍCITO. NÃO PODE O JUIZ VEDAR OU DIFICULTAR O ATENDIMENTO DE ADVOGADO, EM HORÁRIO RESERVADO A EXPEDIENTE INTERNO. RECURSO PROVIDO. SEGURANÇA CONCEDIDA." (Primeira Turma, RMS n. 1.275/RJ, relator Ministro Humberto Gomes de Barros, DJ de 23.3.1992.)

Ante o exposto, dou provimento ao recurso ordinário.

É como voto.

Superior Tribunal de Justiça

CERTIDÃO DE JULGAMENTO SEGUNDA TURMA

Número Registro: 2002/0165272-6

Número Origem: 2001303874

PAUTA: 01/09/2005

RMS

15706 / PA

JULGADO: 01/09/2005

Relator Exmo. Sr. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA

Presidente da Sessão Exmo. Sr. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA

AUTUAÇÃO : : : : : CERTIDÃO
AUTUAÇÃO
:
:
:
:
:
CERTIDÃO

Subprocuradora-Geral da República Exma. Sra. Dra. DULCINÉA MOREIRA DE BARROS

Secretária Bela. VALÉRIA ALVIM DUSI

RECORRENTE :

ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL-SEÇÃO DO PARA MARCELO LAVOCAT GALVÃO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARÁ JUÍZO DE DIREITO DA 2A VARA CÍVEL DE BELÉM - PA ESTADO DO PARÁ CELSO PIRES CASTELO BRANCO E OUTROS

ADVOGADO

T. ORIGEM

IMPETRADO

RECORRIDO

PROCURADOR

ASSUNTO: Administrativo - Exercício Profissional - Restrição

Certifico que a egrégia SEGUNDA TURMA, ao apreciar o processo em epígrafe na sessão realizada nesta data, proferiu a seguinte decisão:

"A Turma, por unanimidade, deu provimento ao recurso ordinário, nos termos do voto do Sr. Ministro-Relator." Os Srs. Ministros Castro Meira, Francisco Peçanha Martins, Eliana Calmon e Franciulli Netto votaram com o Sr. Ministro Relator.

Brasília, 01 de setembro de 2005

VALÉRIA ALVIM DUSI Secretária