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Marcos Ubirajara de Carvalho e Camargo

Eu sou IZ, o Interlocutor Zen. Sou Mente! Eu sou PI, o Princi- piante Incauto. Sou
Eu sou IZ, o
Interlocutor Zen.
Sou Mente!
Eu sou PI, o Princi-
piante Incauto. Sou
Boca!
Marcos Ubirajara de Carvalho e Camargo Eu sou IZ, o Interlocutor Zen. Sou Mente! Eu sou

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Marcos Ubirajara de Carvalho e Camargo Eu sou IZ, o Interlocutor Zen. Sou Mente! Eu sou

Copyright © 2009 por Marcos Ubirajara de Carvalho e Camargo

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto

Marcos Ubirajara de Carvalho e Camargo

Conteúdo

A História do Interlocutor Zen e o Principiante Incauto

7

Em ‘Um Diálogo Frívolo Acerca da Grande Lei’

 

9

A Retroação de PI

 

13

O

Regresso de

PI

15

O Vazio Como ‘Não-É’

 

16

O Vazio Como ‘Não-É’ - Nirvana

16

O Vazio Como ‘Não-É’ - Luz

17

 

18

18

O Vazio Como ‘Não-É’ – Três Coisas

.................................................................

18

O Vazio Como ‘Não-É’ – Desimpedimento

18

O Vazio Como ‘Não-É’ – Co-Existência

 

19

O Vazio Como ‘Não-É’ – Eterno

19

O Vazio Como ‘Não-É’ – Dual

19

O Vazio Como ‘Não-É’ – Direção

20

 

21

Em

‘O

Nirvana Provisório’

23

Em

‘A

31

Em ‘A Marca da Extinção Tranquila’

....................................................................

35

Em ‘A Purificação do Carma’

39

Em ‘Ciência Humana’

..........................................................................................

45

 

A Prajna Literária, a Contemplativa, e a Marca Real

48

O

Verso Adamantino

49

 

Em ‘Bases’

...........................................................................................................

51

 

Distorção do Espaço-Tempo

53

Em ‘Cristal Perfeito’

57

 

A Via

Recíproca

59

Em ‘PI e o Pé de Feijão – Episódio 1’

63

 

O

Cristalino

65

O Ensino do Sutra de Lótus

66

O Ensino do Grande Nirvana

67

Em ‘PI e o Pé de Feijão – Episódio 2’

69

Em ‘PI e o Pé de Feijão – Episódio 3’

73

Em ‘PI e o Pé de Feijão – Episódio 4’

77

Em ‘PI e o Pé de Feijão – Episódio 5’

81

Em

‘A Simetria Pura’

85

Em ‘Cultivares de um Sábio para a Sabedoria Insuperável’

89

 

O Brilho da Sabedoria

92

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto

A História do Interlocutor Zen e o Principiante Incauto

Essa é uma edição comemorativa dos 7 anos de Cristal Perfeito no Wordpress.com, os quais se completaram a 17 de janeiro de 2014. Por que comemorativa? Porque foi difícil, e naquela ocasião o Prin- cipiante Incauto era eu.

Em meados do ano de 2006, quando concluí a tradução do Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa, enviei um e-mail para muitas pes- soas relacionadas com o Budismo no Brasil anunciando a conclusão do trabalho e a criação de um blog chamado Cristal Perfeito sobre Budismo e Reflexões acerca dos paralelos deste com a Física do Es- tado Sólido. Desnecessário dizer, o retorno foi pífio, poucos respon- deram. Mas vejam que interessante essa breve troca de mensagens:

<gustavomokusen@

br>

28 de julho de 2006 17:00

Para: muccamargo@

...

br

marcos,

o que há de comum entre a física e o budismo?

g.

muccamargo@

...

br

escreveu:

Gustavo, O vazio imponderável inerente a todos os fenômenos. Marcos Ubirajara.

<gustavomokusen@ ... br> 28 de julho de 2006 17:38
<gustavomokusen@
...
br>
28 de julho de 2006 17:38

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto

Para: muccamargo@ br ...

se o vazio é imponderável, como você pôde ter me dado essa respos- ta?

g.

muccamargo@

br

escreveu:

 

Parece que a palavra "imponderável" sobrou na minha resposta. Mas, também não faz falta.

O vazio inerente a todos os fenômenos.

Se preferir, exclua uma a uma daquelas palavras e você chegará à resposta final.

Marcos.

<gustavomokusen@

br>

28 de julho de 2006 21:04

...

br

então por que você me respondeu?

 

g.

E esse diálogo deu origem ao primeiro episódio do Interlocutor Zen e o Principiante Incauto, cuja edição na forma de livro me traz a lembrança daqueles momentos iniciais. Os demais episódios segui- ram essa linha e foram agrupados numa antiga categoria do blog Cristal Perfeito chamada “A Física do Estado Insólito”. Agora dá pa- ra entender, não é?

Espero que gostem!

Marcos Ubirajara de Carvalho e Camargo.

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto Para: muccamargo@ br ... se o vazio é imponderável,

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto

IZPI_001

Em ‘Um Diálogo Frívolo Acerca da Grande Lei’

PI, o que há de comum entre a física e o budismo?
PI, o que há de
comum entre a
física e o budismo?
O imponderável va- zio inerente a todos os fenômenos.
O imponderável va-
zio inerente a todos
os fenômenos.

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Se o vazio é impon- derável PI, como você pôde me dar essa resposta?
Se o vazio é impon-
derável PI, como
você pôde me dar
essa resposta?
Parece que a palavra "imponderável" so- brou na minha respos- ta. Mas, também não faz falta.
Parece que a palavra
"imponderável" so-
brou na minha respos-
ta. Mas, também não
faz falta. Poderíamos
dizer ...

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O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto IZPI_001 Em ‘Um Diálogo Frívolo Acerca da Grande Lei’

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto Cristal Perfeito http://muccamargo.com Página 10

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto

IZPI_002

 
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“O vazio inerente a todos os fenômenos”. Ou exclua as palavras, uma a uma, da última
“O vazio inerente a
todos os fenômenos”.
Ou exclua as palavras,
uma a uma, da última
à primeira, e chegará à
resposta.
 
? “O vazio inerente a todos os fenômenos”. Ou exclua as palavras, uma a uma, da
 
? “O vazio inerente a todos os fenômenos”. Ou exclua as palavras, uma a uma, da
? “O vazio inerente a todos os fenômenos”. Ou exclua as palavras, uma a uma, da

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Então, por que você me respondeu, PI?
Então, por que
você me respondeu,
PI?
Nihi! Provavelmen- te por vaidade. É comum nos apren- dizes, IZ.
Nihi! Provavelmen-
te por vaidade. É
comum nos apren-
dizes, IZ.
 
? “O vazio inerente a todos os fenômenos”. Ou exclua as palavras, uma a uma, da
? “O vazio inerente a todos os fenômenos”. Ou exclua as palavras, uma a uma, da
? “O vazio inerente a todos os fenômenos”. Ou exclua as palavras, uma a uma, da

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O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto IZPI_002 ? “O vazio inerente a todos os fenômenos”.

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A Retroação de PI

Naquela ocasião, PI era uma jovem entusiasta, mas diante da per- plexidade da situação criada por IZ, com o orgulho ferido, retroagiu, ficou de lado e desapareceu do cenário, acredita-se que durante muitos séculos, selando um longo e profundo silêncio. Esse é um problema de todos os ideogramas quando se colocam de lado ou se deitam. Acontece também quando se lhes olha de forma unilateral.

Durante aquele tempo, PI vagou entre muitas culturas, outras terras, outros mundos, tendo seu significado não compreendido e corrom- pido, ao ponto de ser considerado uma importante grandeza da ma- temática, uma constante universal, mas vejam: uma dízima não- periódica, constante mas inexata, um ícone da imperfeição.

Não era isso que PI almejara e buscara em seus “insights”. Aliás, ob- servem a sua semelhança com IZ. Pode-se dizer que possuem a mesma natureza. A diferença mais notável é que, ao contrário de IZ, a mente de PI é obliterada por uma espécie de laje sobre si, a qual se diz ser muito pesada. Por essa razão, de há muito PI vinha buscando caminhos para remover essa obstrução e, colocados os “pingos nos is”, tornar-se plural e desobstruído como IZ.

Em suas andanças, certo dia, PI encontrou uma antiga escritura inti- tulada “O Sutra de Lótus”, da qual já havia ouvido falar, mas que lhe parecia muito distante. Dado à sua angustia, mergulhou em seu es- tudo, onde viria a ler:

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto A Retroação de PI Naquela ocasião, PI era uma

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto

“Honrado pelo Mundo, em razão dos três tipos de sofrimentos, te- mos passado muitos tormentos entre os nascimentos e as mortes. Enganados e ignorantes, apegamo-nos às Leis menores.”

“Hoje, o Honrado pelo Mundo forçou-nos a pensar sobre abando- narmos o estrume das discussões frívolas sobre a Lei. Aumentamos a nossa capacidade para merecer o pagamento do dia do Nirvana. Tendo alcançado isto, nossas mentes exultaram enormemente, fica- mos contentes, dizendo para nós mesmos que, através da diligência e do vigor, aquilo que tínhamos ganhado na Lei do Buda era abun- dante.”

“Todavia, o Honrado pelo Mundo, tendo conhecimento pleno de que nossos pensamentos estavam apegados aos desejos inferiores e se deleitavam nas Leis menores, deixou-nos seguir nossos próprios ca- minhos e não especificou para nós dizendo: ‘Todos vocês terão uma parte no tesouro da sabedoria e da visão do Tathagata’.”

“O Honrado pelo Mundo, usando o poder dos meios hábeis, falou da sabedoria do Tathagata. Ao ganhar do Buda o pagamento do dia do Nirvana, tomamo-lo como se fosse uma grande conquista, não tendo mais ambição de buscar o Grande Veículo. Ademais, a sabedoria do Tathagata era empregada em prol dos Bodhisattvas, e assim não tínhamos expectativas com relação a ela. Qual é a razão? O Buda sabia que nossos pensamentos se deleitavam nas Leis menores. En- tão, ele se utilizou dos meios hábeis para nos ensinar da maneira apropriada, e nós não compreendemos que éramos verdadeiramente os filhos do Buda.”

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto “Honrado pelo Mundo, em razão dos três tipos de

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto

“Agora, sabemos que o Honrado pelo Mundo não é de forma alguma egoísta com a sabedoria do Buda. Por quê? Desde os primórdios, éramos verdadeiramente os filhos do Buda, mas, mesmo assim, de- leitávamos somente nas Leis menores. Se tivéssemos pensado em deleitar na Grande Lei, o Buda então teria pregado para nós a Lei do Grande Veículo. Este Sutra prega somente o Veículo Único. No pas- sado, na presença dos Bodhisattvas, o Buda havia depreciado os Ou- vintes que deleitavam nas Leis inferiores, mas ele efetivamente esta- va empregando o Grande Veículo no ensinamento e conversão de- les.”

Sutra de Lótus – Capítulo 4 – Fé e Compreensão.

PI lia e relia esse trecho do sutra. Perguntava-se: ‘Por onde andei?’ E passou a meditar: ‘Fui um tolo ao sentir meu orgulho ferido, e me deixar levar daquela maneira por um sentido de autoimportância desmedida. Por que agi daquela forma com IZ? Dei-lhe o flanco, saí de cena, sem sequer lhe dar a oportunidade de me ensinar. Devo procurá-lo agora mesmo’.

O Regresso de PI

Então, PI partiu em busca de IZ. Não era uma tarefa fácil encontrá-lo, uma vez que somente em uma direção de aproximação o seu agora “Bom Amigo da Via” poderia ser reconhecido. Pois, como ele pró- prio, IZ era um ideograma, o qual não se reconhece pelo flanco, con- forme dito antes. Diz-se que essa busca durou séculos, até que certo dia um mercador de ‘letras vulgares de pouco significado’ lhe apon- tou a direção de um Ideograma Sábio, reconhecido no mundo das

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto “Agora, sabemos que o Honrado pelo Mundo não é

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto

letras, e que prelecionava sobre um ensino superior chamado Gran- de Nirvana. Seu nome era IZ. Com incontida alegria, PI seguiu a dire- ção apontada pelo mercador e o encontrou. Prestou homenagem ao seu Mestre, acomodou-se entre os demais, e ouviu a seguinte prele- ção.

14/01/2014.

O Vazio Como ‘Não-É’

O Bodhisattva Kashyapa disse ao Buda: “Oh Honrado pelo Mundo! No mundo, não temos os negativos apropriados [opostos, antôni- mos] dos quatro grandes elementos. No entanto, dizemos que exis- tem os quatro grandes elementos. Por que não podemos chamar algo que existe de impertinência do Vazio?”.

O Vazio Como ‘Não-É’ - Nirvana

O Buda disse: “Oh bom homem! Você pode dizer que Nirvana não cai na categoria dos Três Tempos e desse modo é Vazio. Mas isto não é assim. Por que não? ‘Nirvana é uma existência, algo visível, aquilo que é verdadeiro, matéria, a pegada (impressão do pé), a sentença e a palavra, aquilo que é, características, o por causa, o refúgio que se toma, quietude, luz, paz, e a outra margem’. Esse é o porquê pode- mos dizer que ele não cai dentro da categoria dos Três Tempos. Com a natureza do Vazio, não há nada assim. Esse é o porquê dizemos ‘não-é’. Caso houvesse qualquer outra coisa senão isto (um ‘não-é’), poderíamos perfeitamente dizer que ele cai na categoria dos Três Tempos. Se a Vacuidade fosse uma coisa do ‘é’, ela não poderia ser outra coisa senão algo da categoria dos Três Tempos. Oh bom ho- mem! As pessoas do mundo falam da vacuidade como não-matéria,

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto letras, e que prelecionava sobre um ensino superior chamado

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como algo que não tem oposto, e é invisível. O caso é assim. Se ela não é matéria, algo sem oposto, e invisível, ela deve ser caitasika [ou cetasika = fatores mentais: São os fatores mentais que estão associ- ados e que surgem em concomitância com a consciên- cia (citta=viññana) e que são condicionados pela presença desta. Enquanto que nos sutras todos os fenômenos da existência são agru- pados em 5 agregados: forma (rupa), sensação (vedana), percep- ção (sañña), formações mentais(sankhara), consciência (viññana), o Abhidhamma, como regra, trata os fenômenos sob um aspecto mais filosófico em três aspectos: consciência (citta), fatores mentais (ceta- sika) e forma (rupa). Dessa forma, os fatores mentais compreendem a sensação, percepção e 50 outros fatores, o que no todo resulta em 52 (cinquenta e dois) fatores mentais 1 . Se a Vacuidade é da categoria dos caitasika, ela não pode ser diversa da categoria dos caitasika. Se for da categoria dos Três Tempos, não pode ser diversa dos quatro agregados [skandhas]. Portanto, com exceção dos quatro agregados, não pode haver Vacuidade.

O Vazio Como ‘Não-É’ - Luz

Também, além disso, oh bom homem! Todos os tirthikas dizem que o Vazio é luz. Se for luz, é matéria. Se o Vazio é matéria, ele é não- eterno. Se não-eterno, ele cai na categoria dos Três Tempos. Como os tirthikas podem dizer que ele não é dos Três Tempos? Se for dos Três Tempos, não é o Vazio. E como alguém pode dizer que o Vazio é não- Eterno?

1 Ver em www.acessoaoinsight.net/glossario.php#C.

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto como algo que não tem oposto, e é invisível.

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto

O Vazio Como ‘Não-É’ - Lugar

Oh bom homem! E alguém diz que o Vazio é um lugar onde se vive. Se for um lugar onde se vive, é matéria. E todos os lugares são não- sencientes e caem na categoria dos Três Tempos. Como poderia o Vazio não ser Eterno e não cair na categoria dos Três Tempos? Se há algum lugar sobre o qual falar, dever-se-ia saber que não pode existir o Vazio [lá].

O Vazio Como ‘Não-É’ – Gradual

Também, algumas pessoas dizem que o Vazio é gradual. Se for gra- dual, pode ser um caitasika (fator mental). Se for contável (mensurá- vel), ele cai na categoria dos Três Tempos. Se ele pertence aos Três Tempos, como ele pode ser Eterno?

O Vazio Como ‘Não-É’ – Três Coisas

Oh bom homem! Também, algumas pessoas dizem: ‘Ora, o Vazio nada mais é que essas três coisas: 1) Vazio, 2) Real, e 3) Vazio-Real’. Se dissermos que isto é o Vazio, dever-se-ia saber que o Vazio é não- eterno. Por quê? Porque ele não tem um lugar efetivo para existir. Se for dito que ele realmente é isto, devemos saber que o Vazio é não- eterno. Por quê? Porque não é nulo (vago). Se dissermos ‘Vazio-Real’, podemos saber que o Vazio é não-eterno. Por quê? Porque nada po- de existir em dois lugares. Por isso, o Vazio é nulo.

O Vazio Como ‘Não-É’ – Desimpedimento

Oh bom homem! As pessoas do mundo podem dizer: ‘Qualquer lugar do mundo onde não haja impedimento [obstáculo] é o Vazio’. Um lugar onde não há nada para obstruir é um completo ‘é’. Como pode

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto O Vazio Como ‘Não-É’ - Lugar Oh bom homem!

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto

qualquer existência ser parcial? Se for um completo ‘é’, pode-se sa- ber que não há Vazio em outros lugares. Se for parcial, isso é uma coisa contável. Se contável, é não-eterna.

O Vazio Como ‘Não-É’ – Co-Existência

Oh bom homem! Uma pessoa pode dizer: ‘O Vazio co-existe com o ‘é’ desobstruído’. Ou alguém pode dizer: ‘O Vazio existe dentro de uma coisa. É como o fruto dentro de um recipiente’. Nenhum deles é o caso. Há três tipos de co-existência, a saber: 1) coisas feitas diferen- temente tornam-se unas, como no caso dos pássaros voando que se juntam numa árvore; 2) duas coisas comuns entre si tornam-se unas, como no caso de duas ovelhas que entram em contato; 3) co- existência de pares daqueles que se reúnem para existir no mesmo lugar. Dizemos ‘diferentes coisas se juntam’. Há dois tipos de diferen- ças. Um é uma ‘coisa’ (objeto), e o outro é o Vazio (como no caso do par lacuna-intersticial). Se a Vacuidade se junta com a coisa, essa Vacuidade deve ser não-eterna. Se uma coisa se junta com o Vazio, a coisa deixa de ser unilateral (individual, desigual, assimétrica). Se já não há nada que seja unilateral, novamente é não-eterno.

O Vazio Como ‘Não-É’ – Eterno

Uma pessoa pode dizer: ‘O Vazio é eterno; e a sua natureza é imóvel. Esta (natureza) se junta com o que se move’. Mas, isto não é assim. Por que não? Se o Vazio é eterno, a matéria, também, deveria ser eterna. Se a matéria é não-eterna, o Vazio, também, deve ser não- eterno.

O Vazio Como ‘Não-É’ – Dual

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto qualquer existência ser parcial? Se for um completo ‘é’,

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto

Uma pessoa pode dizer: ‘O Vazio é, também, tanto o eterno como o não-eterno’. Isto está em desacordo com a razão. Uma pessoa pode dizer que coisas com partes comuns se juntam. O caso não é assim. Por que não? O Vazio é onipenetrante. Se ele junta-se com o que é criado, o que é criado também deveria tornar-se onipenetrante. Se ele penetra, tudo deve ser penetrante. Se tudo for onipenetrante, tudo pode ser juntado em um. Não podemos dizer que ambos pos- sam existir, junção e não-junção. Uma pessoa pode dizer: ‘Aquilo que esteve junto, junta-se novamente, como no caso de dois dedos que se unem’. Mas, isto não é assim. Por que não? A união não pode prece- der (anteceder). A união surge depois. Se o que não existia antes vem a existir, isto é nada mais que o não-eterno. Por isso, não podemos dizer: ‘O Vazio é aquilo que já esteve junto e [que agora] se junta’. O que se obtém no mundo é aquilo que não existia antes, mas que de- pois surge. Isto é como com uma coisa que não tem eternidade. Se o Vazio se situa numa coisa como o fruto dentro de um recipiente, se for assim, ele também deve ser não-eterno. Uma pessoa pode dizer que se o Vazio se situa numa coisa, ele é como o fruto num recipien- te. Mas, isto não é assim. Por que não? Onde o Vazio em questão poderia existir, não tendo o recipiente às mãos? Se há qualquer lugar [para ele] existir, o Vazio teria que ser muitos. Se muitos, como dirí- amos eterno, uno, e onipenetrante? Se o Vazio existe em lugares fora do Vazio, então uma coisa poderia perfeitamente subsistir sem o Vazio. Assim, saiba-se que não pode haver tal coisa (dual) como (sendo) o Vazio.

O Vazio Como ‘Não-É’ – Direção

Oh bom homem! Se uma pessoa diz: ‘O lugar que se pode apontar é Vazio’, saiba que o Vazio é algo não-eterno. Por quê? Temos quatro direções para apontar. Se há os quatro quadrantes, saiba que o Vazi-

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto Uma pessoa pode dizer: ‘O Vazio é, também, tanto

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto

o, também, deveria possuir as quatro direções. Tudo o que é eterno não tem direção para apontar. Ter direções significa que o Vazio, por conseguinte, é não-eterno. Se não-eterno, não está distante dos cin- co skandhas. Se alguém dissesse que certamente há separação dos cinco skandhas, não haveria lugar para (ele) existir. Oh bom homem! Se existe alguma coisa através de relações causais, podemos saber que tal coisa é não-eterna. Oh bom homem! Por exemplo, todos os seres e árvores se apóiam no chão. Como o chão é não-eterno, o que se apoia no chão é, por conseguinte, não-eterno.

O Vazio Como ‘Não-É’ – Elemento

Oh bom homem! A terra está sobre a água. Como a água é não- eterna, a terra, também, é não-eterna. A água paira sobre o vento, e como o vento é não-eterno, a água, também, é não-eterna. O vento repousa sobre o espaço, e como o espaço é não-eterno, o vento, também, é não eterno. Se é não-eterno, como podemos dizer: ‘O Va- zio é eterno e preenche o espaço’? Como o Vazio é nulo, ele não tem passado, futuro ou presente. Como os chifres de uma lebre não são uma coisa, eles não têm passado, futuro ou presente. As coisas são assim. Portanto, Eu digo: ‘Como a Natureza de Buda é eterna, ela não cai dentro da categoria dos Três Tempos. Como o Vazio é Vazio, ele não cai dentro da categoria dos Três Tempos’.

Oh bom homem! Eu nunca brigo com o mundo. Por que não? Se o conhecimento mundano diz ‘é’, Eu digo ‘é’; se o conhecimento mun- dano diz ‘não-é’, Eu, também, digo ‘não-é’.”

Sutra do Nirvana – Capítulo 42 – Sobre o Bodhisattva Kashyapa 3.

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto o, também, deveria possuir as quatro direções. Tudo o

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto

PI ficou encantado. Se outrora houvesse aguardado pelo ensino, não teria divagado por tantos séculos neste mundo. Não continha a sua alegria e, no dia seguinte, antes mesmo do alvorecer, entrou no Grande Salão das preleções. Embora já decidido a empreender es- forços em prol da Via, PI continuava o mesmo: Boca!

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto PI ficou encantado. Se outrora houvesse aguardado pelo ensino,

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto

IZPI_003

Em ‘O Nirvana Provisório’

 
Não acredito IZ! Vo- cê conseguiu! Eu sa- bia que você conse- guiria. Não o vejo
Não acredito IZ! Vo-
cê conseguiu! Eu sa-
bia que você conse-
guiria. Não o vejo em
parte alguma. Seria o
Nirvana, IZ?
 
Nihi!!!
Nihi!!!
Em ‘O Nirvana Provisório’ Não acredito IZ! Vo- cê conseguiu! Eu sa- bia que você conse-
 
Em ‘O Nirvana Provisório’ Não acredito IZ! Vo- cê conseguiu! Eu sa- bia que você conse-
Em ‘O Nirvana Provisório’ Não acredito IZ! Vo- cê conseguiu! Eu sa- bia que você conse-

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Em ‘O Nirvana Provisório’ Não acredito IZ! Vo- cê conseguiu! Eu sa- bia que você conse-
 
 
Em ‘O Nirvana Provisório’ Não acredito IZ! Vo- cê conseguiu! Eu sa- bia que você conse-
Em ‘O Nirvana Provisório’ Não acredito IZ! Vo- cê conseguiu! Eu sa- bia que você conse-
 
 
Em ‘O Nirvana Provisório’ Não acredito IZ! Vo- cê conseguiu! Eu sa- bia que você conse-
Saia de cima de mim, PI.
Saia de cima de mim,
PI.
Nu!!! (2)
Nu!!! (2)
O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto IZPI_003 Em ‘O Nirvana Provisório’ Não acredito IZ! Vo-

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto Cristal Perfeito http://muccamargo.com Página 24

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto

Falando ternamente, IZ admoestou PI, dizendo-lhe: “PI, não use mais tão descuidadamente a palavra Nirvana. Ouça atentamente as pas- sagens seguintes, encontradas no Sutra de Lótus, sobre as quais vo- cê deve basear-se doravante”.

Naquele momento, Shariputra, desejando enfatizar o significado de suas palavras, falou em versos dizendo:

“Ouvindo este som da Lei, obtive o que nunca antes obtivera; meu coração está transbordando de alegria, e a malha de dúvidas em meu pensamento dissipou-se.

Desde há muito tempo, beneficiado pelos ensinamentos do Buda, nunca perdi o Veículo Maior. O som do Buda é extremamente raro de ouvir, e pode livrar todos os seres das suas aflições. Já havia eliminado todas as falhas, mas ouvindo-o, as minhas aflições também se dissiparam.

Quando residi nos vales das montanhas, às vezes aos pés das árvores, sentado ou caminhando, constantemente pensava a respeito deste assunto:

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto Falando ternamente, IZ admoestou PI , dizendo-lhe: “ PI

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto

‘Ah, chorei amargamente em autorreprovação, por que me enganei tanto?’. Nós também somos discípulos do Buda e igualmente entramos na Lei sem falhas; contudo, no futuro não estaremos aptos a proclamar a via insuperável.

A cor dourada do ouro, os trinta e dois sinais, os Dez Poderes e todas as emancipações, estão juntas numa única Lei, mas não obtive essas coisas. As oitenta características maravilhosas, as dezoito Leis (propriedades) exclusivas, virtudes de tais qualidades, perdi-as todas.

Quando caminhava solitário, eu via o Buda na Grande Assembleia, sua fama preenchendo as dez direções, beneficiando amplamente todos os seres. Sentia ter perdido esse benefício, tendo iludido a mim próprio.

Constantemente, dia e noite,

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto ‘Ah, chorei amargamente em autorreprovação, por que me enganei

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto

pensava sobre esse assunto e desejava indagar o Honrado pelo Mundo, se o havia perdido ou não. Frequentemente, via o Honrado pelo Mundo elogiando todos os Bodhisattvas, e assim foi, por dias e noites, em que ponderava sobre assuntos como este.

Agora eu ouvi o som do Buda, oportunamente pregando a Lei que não tem falhas, difícil de conceber, e que conduz os seres viventes ao lugar da iluminação.

Outrora, eu era apegado às visões distorcidas, e era um professor de Brahmanes. Todavia, o Honrado pelo Mundo, conhecendo a minha intenção, erradicou minhas visões errôneas ensinando-me o Nirvana.

Libertei-me das visões errôneas, certifiquei-me da Lei da vacuidade, e então disse para mim mesmo que havia alcançado a extinção.

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto pensava sobre esse assunto e desejava indagar o Honrado

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto

Agora, finalmente compreendo que esta não é a verdadeira extinção, pois quando me tornar um Buda, completo com as Trinta e Duas Marcas Distintivas, reverenciado por seres celestiais, humanos, multidões de Yakshas, dragões, espíritos e outros, então poderei dizer:

‘Esta é a extinção eterna, sem resíduos’.

O Buda, em meio à Grande Assembleia, disse que eu me tornaria um Buda. Ouvindo o som de uma Lei como essa, todas as minhas dúvidas se dissiparam”.

Sutra de Lótus – Capítulo 3 – A Parábola.

“Eu também sou assim, eu sou o guia de todos. Vendo aqueles que buscam a via, cansados no meio da viagem, incapazes de superar os perigosos caminhos do nascimento, da morte e da aflição; eu uso, então, o poder dos meios hábeis para pregar o Nirvana

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto Agora, finalmente compreendo que esta não é a verdadeira

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto

e prover-lhes um descanso, dizendo:

‘Seus sofrimentos terminaram. Vocês fizeram o que tinha de ser feito’.

Então, sabendo que eles encontraram o Nirvana e todos se tornaram Arhats, eu os reúno para ensinar-lhes a genuína Lei.

Os Budas usam o poder dos meios hábeis para discriminar e pregar os Três Veículos, mas há somente o Veículo Único do Buda. Os outros dois foram pregados como um lugar de descanso.

O que estou lhes dizendo agora é a verdade; o que vocês obtiveram não é a extinção. Em prol da sabedoria de todos os Budas, vocês devem empenhar-se com grande vigor.

Quando vocês estiverem certificados de todas as sabedorias, possuírem os Dez Poderes e outras Leis do Buda, tendo obtido as Trinta e Duas Marcas distintivas, então aquela é a genuína extinção.

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto e prover-lhes um descanso, dizendo: ‘Seus sofrimentos terminaram. Vocês

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto

Os Budas, os mestres-guia, pregam o Nirvana para prover um descanso aos seres viventes, mas somente os Budas sabem que, quando eles estiverem descansados, eles os conduzirão à sabedoria dos Budas

Sutra de Lótus – Capítulo 7 – A Parábola da Cidade Fantasma.

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto Os Budas, os mestres-guia, pregam o Nirvana para prover

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto

IZPI_004

Em ‘A Pluralidade Contida no Singular’ Você é tão calado, IZ! Você poderia ter mais expressões,
Em ‘A Pluralidade Contida no Singular’
Você é tão calado, IZ!
Você poderia ter mais
expressões, traduzir
mais sentimentos e
coisas afins, caras e
bocas, entende?
Quem sabe não se
transformasse num
livro com muitas fa-
cetas, capítulos, mui-
tas páginas.
̀Π ́
̀Π ́
Estou bem como
um simples ideo-
grama, PI.
̀ĐĐ ́
̀ĐĐ ́
O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto IZPI_004 Em ‘A Pluralidade Contida no Singular’ Você é

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto Cristal Perfeito http://muccamargo.com Página 32

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto

Sempre ternamente, IZ se dirigiu a PI com as seguintes palavras: “PI, há um Sutra Chamado Diamante – Vajra Prajna Paramita, e as consi- derações abaixo são do Venerável Mestre Hsüan Hua em suas expla- nações”.

“Vajra (Diamante) é uma analogia. Prajna Paramita (Consecução Plena da Grande Sabedoria) é um dharma. Assim, o título do Sutra é estabelecido com referência ao dharma e à analogia.

Há Três Tipos de Prajna (Sabedoria): a prajna literária; a prajna con- templativa, e a prajna da marca real. A prajna literária se refere ao Sutra. Com a prajna literária você pode dar origem à prajna contem- plativa, que por seu turno habilita alguém a penetrar a prajna da marca real. Marca Real é nenhuma marca, mas não é sem marcas. Não é marca e nem sem marcas.

Embora não mais que um tipo de prajna exista, ela pode ser dividida em três aspectos: literária, contemplativa e marca real. Prajna é uma designação para uma substância básica que é vazia em si, que é falsa em si (não substancial), e que é o Caminho Médio em si. Sem apego a ela, ela é vazia. Sem apego à vacuidade, ela é falsa. Residência na vacuidade e falsidade sem apego é o Caminho Médio”

Sutra Diamante – Capítulo 13 – Receber e Manter o Dharma Assim – Explanações do Venerável Mestre Hsüan Hua.

PI, se os sutras pregados pelo Buda se colocam nessa ordem, que dirá a literatura secular, mormente aquela que busca a fama e a for- tuna”.

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto Sempre ternamente, IZ se dirigiu a PI com as

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto

IZPI_005

Em ‘A Marca da Extinção Tranquila’

As trinta e duas marcas distintivas PI, de fato, estão em apenas uma: a marca da
As trinta e duas marcas
distintivas PI, de fato, estão
em apenas uma: a marca da
extinção tranquila.
As trinta e duas marcas distintivas PI, de fato, estão em apenas uma: a marca da

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Em ‘A Marca da Extinção Tranquila’ As trinta e duas marcas distintivas PI, de fato, estão
 
Em ‘A Marca da Extinção Tranquila’ As trinta e duas marcas distintivas PI, de fato, estão

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O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto IZPI_005 Em ‘A Marca da Extinção Tranquila’ As trinta

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto

IZ prosseguiu: PI, por que me olha de cima abaixo, como se estivesse a sondar o que é insondável pelos olhos humanos. Não procure essa ou aquela marca distintiva do Tathagata nesta ou naquela pessoa. Ouça atentamente, mais uma vez:

“Se, quando eu me reúno com seres viventes, ensino-lhes apenas o Caminho do Buda, aqueles de pouca sabedoria ficarão perplexos; e, confusos, eles não aceitarão o ensinamento.

Eu sei que esses seres viventes nunca cultivaram boas raízes. Eles estão fortemente apegados aos cinco desejos e, em consequência da estupidez e da ansiedade, tornam-se aflitos.

Em razão de todos os seus desejos, eles caem nos três maus caminhos, girando nos seis mundos inferiores e sofrendo toda a espécie de dor e miséria.

Eles vêm de uma minúscula forma no ventre materno e, vida após vida, eles vêm a crescer. Pobres na virtude e possuindo poucos méritos, eles são oprimidos por inúmeros sofrimentos e, adentrando a imensa floresta das visões distorcidas sobre a existência ou não dos fenômenos e das coisas afins, tornam-se prisioneiros daquelas visões, sessenta e duas (visões) ao todo.

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto IZ prosseguiu: PI , por que me olha de

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto

Profundamente presos às doutrinas ilusórias, eles apegam-se a elas firmemente e não podem levá-las adiante.

Arrogantes, jactam-se da sua superioridade, são bajuladores; e seus corações, insinceros. Através de dez bilhões de kalpas, eles nunca ouvirão o nome do Buda nem ouvirão a Verdadeira Lei. Certas pessoas são difíceis de serem salvas.

Portanto, Shariputra, faço uso dos meios hábeis para eles, pregando de forma a cessar o seu sofrimento e mostrando-lhes o Nirvana. Embora eu fale do Nirvana, esta não é ainda a verdadeira extinção.

Todos os fenômenos, desde o seu surgimento, estão sempre marcados pela extinção tranquila. Uma vez que os discípulos do Buda tenham percorrido esse Caminho, então, numa era posterior, eles se tornarão Budas”.

Sutra de Lótus – Capítulo 2 – Meios Hábeis.

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto Profundamente presos às doutrinas ilusórias, eles apegam-se a elas

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto

IZPI_006

Em ‘A Purificação do Carma’

IZ! Como posso pu- rificar o MEU carma num mundo tão agi- tado?
IZ! Como posso pu-
rificar o MEU carma
num mundo tão agi-
tado?
Mas, ...?
Mas, ...?
̀Π ́

̀Π ́

A cada ação que esti- ver para perpetrar, PI, verifique se ela é compassiva para com
A cada ação que esti- ver para perpetrar, PI, verifique se ela é compassiva para com
A cada ação que esti-
ver para perpetrar, PI,
verifique se ela é
compassiva para com
todos os seres. Eis um
bom começo!
Em ‘A Purificação do Carma’ IZ! Como posso pu- rificar o MEU carma num mundo tão

̀Π ́

Certamente não será pensando em si, PI.
Certamente não
será pensando
em si, PI.
 

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̀ĐĐ ́

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto IZPI_006 Em ‘A Purificação do Carma’ IZ! Como posso

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto Cristal Perfeito http://muccamargo.com Página 40

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto

“Oh bom homem! Dentre os dez poderes do Buda, o poder do carma tem peso maior”.

Sutra do Nirvana – Capítulo 38 – Sobre o Bodhisattva Rugido do Leão 6.

PI, ao pensar apenas em si, será possível amenizar os resultados cármicos devidos às ações do passado, através das boas ações no presente. Mas esse será o novo carma de um Sravaka, Pratyekabuda ou, quem sabe, uma razão para o nascimento nos céus? Porém, a ação baseada na Grande Compaixão determinará o carma de um Bodhisattva, cujo mérito será transferido para o Annutara-Samyak- Sambodhi (Iluminação Insuperável) de todos os seres. Isto sim tem um peso maior, uma vez que o verdadeiro ensino do Grande Veículo destina-se aos Bodhisattvas, os verdadeiros e reais discípulos do Bu- da.

Você falou sobre Purificação do Carma, o que literalmente significa Purificação das Ações ou a prática de Ações Puras. O que são Ações Puras? No Todo-Maravilhoso Sutra do Grande Nirvana, o Buda fala extensivamente sobre essas ações. Lá, no TOMO II - Capítulo 21 – Sobre Ações Puras 1, você encontrará os seguintes ensinamentos:

“Existem as ações puras, que são: amor-benevolente [‘maitri’], com- paixão [‘karuna’], intenção amável (acolhedora) [‘mudita’], e equa- nimidade [‘upeksha’].”

Também naquele capítulo, mais adiante, você saberá sobre a prática do amor-benevolente, a qual abrange todas as outras:

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto “Oh bom homem! Dentre os dez poderes do Buda,

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto

A Prática do Amor-Benevolente

E para o benefício de Kashyapa, ele disse num gatha:

“Se não se sente a ira, mesmo contra um simples ser, e roga-se para dar felicidade a esses seres, isto é amor-benevolente. Se sente-se compaixão por todos os seres, isto é a semente sagrada. Interminável é a recompensa. Mesmo que os Rishis (Grandes Sábios) dos cinco poderes preenchessem essa terra e dessem a Mahesvara (Grande Lorde) elefantes, cavalos e suas várias posses, a recompensa ganha não seria igual a uma décima-sexta parte de um [impulso de] amor-benevolente que seja praticado.”

“Oh bom homem! A prática do amor-benevolente é verdadeira e não provém de um pensamento falso. É claramente a verdade. O amor- benevolente dos Sravakas e Pratyekabudas é aquele que é falso. Com todos os Budas e Bodhisattvas, o que existe é o verdadeiro, e não o que é falso. Como sabemos isso? Oh bom homem! Como o Bodhi- sattva-Mahasattva pratica a Via do Grande Nirvana, ele medita so- bre a terra e [mentalmente] a transforma em ouro, e medita sobre o ouro e o transforma em terra, terra em água, água em fogo, fogo em água, terra em vento (ar), e vento em terra. Tudo aparece como de- sejado e nada é falso. Ele medita sobre seres reais e transforma-os

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto A Prática do Amor-Benevolente E para o benefício de

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto

em não-seres, e transforma não-seres em seres reais. Tudo aparece como desejado e nada é falso. Oh bom homem! Saiba que as quatro mentes ilimitadas de um Bodhisattva vêm de um pensamento verda- deiro e não são o que é falso.

Também, além disso, oh bom homem! Por que é chamado pensa- mento verdadeiro? Porque ele acaba completamente com todas as impurezas. Oh bom homem! Ora, uma pessoa que pratique amor- benevolente erradica toda a cobiça; alguém que pratique a compai- xão erradica a ira; alguém que pratique a intenção-amável (alegria- simpática) erradica a infelicidade; alguém que pratique equanimida- de erradica a cobiça, a ira e todos os aspectos das coisas que os seres têm. Por essa razão, chamamos isto de pensamento verdadeiro.

Também, além disso, oh bom homem! As quatro mentes ilimitadas de um Bodhisattva-Mahasattva constituem a raiz de todas as boas ações. Oh bom homem! Se um Bodhisattva-Mahasattva não vê um ser oprimido pela pobreza, não poderá haver qualquer surgimento da compaixão. Se a mente compassiva não surge, não surgirá qual- quer pensamento de doação. Através das relações causais da doa- ção, ele concede aos seres paz e felicidade. Trata-se de bebida, comi- da, veículos, roupas, flores, incenso, camas, casas e lâmpadas.

Quando a doação é feita dessa maneira, não existe apego na mente e nenhuma cobiça surge. Ele definitivamente transfere o mérito dis- to para a Iluminação Insuperável. A mente não para no tempo. Aca- ba-se com o pensamento falso para sempre; aquilo que é feito não é por medo, por fama ou por lucro. Não visa o mundo dos humanos ou dos deuses; qualquer prazer que seja ganho não suscita a arrogân-

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto em não-seres, e transforma não-seres em seres reais. Tudo

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto

cia; não visa recompensas; a doação não é feita para enganar os outros; não busca a riqueza ou o respeito. Quando a doação é reali- zada, nenhuma discriminação [distinção] é feita quanto a saber se o destinatário tem observado os preceitos morais ou os têm transgre- dido, se ele é um verdadeiro campo de prosperidade ou um mau campo de prosperidade, se é instruído ou iletrado.

Quando a doação é realizada, nenhuma discriminação é feita entre o certo e o errado do repositório; nenhuma diferença é vista entre o tempo ou o lugar certo ou errado. Não se pensa sobre se existe fome ou fartura das coisas e felicidade. Nenhuma discriminação é feita quanto à causa ou o resultado (efeito) disto, ou preocupação quanto àquilo que é certo [meritório] ou não com relação ao destinatário (repositório), ou se ele é rico ou não. Também, o Bodhisattva não se dá o trabalho de olhar qualquer diferença como se o destinatário é uma pessoa que dá ou alguém que recebe, o que é dado ou cedido, ou a recompensa por aquilo que é dado. A única coisa que se faz é que a doação seja realizada sem cessação.

Oh bom homem! Se o Bodhisattva olhasse para a observância ou infração dos preceitos, ou os seus resultados, não poderia haver qualquer doação até o fim. Se não há doação, não pode haver reali- zação do danaparamita [doação transcendente]. Se não há danapa- ramita, não pode haver qualquer chegada à Iluminação Insuperável.

Sutra do Nirvana – TOMO II – Capítulo 21 – Sobre Ações Puras 1.

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto cia; não visa recompensas; a doação não é feita

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto

IZPI_007

Em ‘Ciência Humana’

 
IZ, a Ciência Hu- mana patina em seus próprios con- ceitos.
IZ, a Ciência Hu-
mana patina em
seus próprios con-
ceitos.

̀Π ́

̀ĐĐ ́

Em ‘Ciência Humana’ IZ, a Ciência Hu- mana patina em seus próprios con- ceitos. ̀Π ́
Em ‘Ciência Humana’ IZ, a Ciência Hu- mana patina em seus próprios con- ceitos. ̀Π ́
 
Patina porque é um meio.
Patina porque
é um meio.
Mas, a Sabedoria não é um fim em si?
Mas, a Sabedoria
não é um fim em si?
Sim, e a Ciência é um meio. ̀ĐĐ ́ Nihi!!!
Sim, e a Ciência é um
meio.
̀ĐĐ ́
Nihi!!!
Em ‘Ciência Humana’ IZ, a Ciência Hu- mana patina em seus próprios con- ceitos. ̀Π ́
Em ‘Ciência Humana’ IZ, a Ciência Hu- mana patina em seus próprios con- ceitos. ̀Π ́
Em ‘Ciência Humana’ IZ, a Ciência Hu- mana patina em seus próprios con- ceitos. ̀Π ́

̀Π ́

̀Π ́

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto IZPI_007 Em ‘Ciência Humana’ IZ, a Ciência Hu- mana

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto Cristal Perfeito http://muccamargo.com Página 46

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto

A ciência humana ocupa-se com a observação e compreensão dos dharmas (fenômenos), os quais são essencialmente impermanentes e transitórios. Ademais, toda a sua lógica, desde os princípios mais elementares, baseia-se na discriminação e na diferenciação daquilo que se entende como matéria e forças, portanto é uma ciência do ´é´ ou ´não é´, brutalmente apegada às marcas da existência ou não dos fenômenos que ela mal compreende. Patina sobre si mesma.

A substância do prajna da marca real é sem a menor desigualdade.

Sutra Diamante - Capítulo 3 – A Doutrina Ortodoxa do Grande Veí- culo.

Falemos sobre a Sabedoria (Prajna). Como citado anteriormente:

Há Três Tipos de Prajna (Sabedoria): a prajna literária; a prajna con- templativa, e a prajna da marca real. A prajna literária se refere ao Sutra. Com a prajna literária você pode dar origem à prajna contem- plativa, que por seu turno habilita alguém a penetrar a prajna da marca real. Marca Real é nenhuma marca, mas não é sem marcas. Não é marca e nem sem marcas.

Sutra Diamante – Capítulo 13 – Receber e Manter o Dharma Assim – Explanações do Venerável Mestre Hsüan Hua.

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto A ciência humana ocupa-se com a observação e compreensão

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto

A Prajna Literária, a Contemplativa, e a Marca Real

Sutra:

Como ela deveria ser explicada para outros? Sem apego às marcas:

assim, assim, imóvel. E por quê?

Todos os dharmas condicionados são como sonhos, ilusões, bolhas, sombras, como gotas de orvalho e um lampejo:

contemple-os assim.

Comentário:

Explicá-los extensivamente para outros refere-se à prajna literária. Sem apego às marcas refere-se à prajna contemplativa. Assim, as- sim, imóvel refere-se à prajna da marca real. A prajna foi discutida no início do sutra, e no fim o texto novamente faz referência à praj- na.

Quando você explica um sutra para outros, você não deve apegar-se às marcas. Você não deve pensar: “Eu estou ganhando um bocado de mérito e virtude ao explicar esse verso de quatro linhas para eles”. Embora você esteja certo que seu mérito e virtude são grandes, você não deve nutrir uma marca do seu tamanho. Se o fizer, você adere às marcas e torna-se apegado a elas. Se você for capaz de evitar a ade- são às marcas, então o existente é como se não-existente, e o real é como se fosse vazio. Basicamente, alguém com virtude da Via é co-

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto A Prajna Literária, a Contemplativa, e a Marca Real

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto

mo se fosse destituído da virtude da Via. Uma pessoa verdadeira- mente educada é como se fosse destituída de educação. Isso significa que em todas as ocasiões, em todos os lugares, você deve estar livre da marca de um ‘eu’.

Assim, Assim, Imóvel é a prajna da marca real. É a verdadeira, real sabedoria. Através do princípio da talidade pode-se compreender a sabedoria da talidade, e com a sabedoria da talidade, pode-se com- preender o princípio da talidade. Não há dharma que não seja assim:

isso é a prajna da marca real.

O Verso Adamantino

E por quê? Por que se necessita da prajna literária, da contemplativa, e da marca real? O Buda Shakyamuni falou um verso de quatro li- nhas que aqueles que estudam o Sutra Diamante devem recitar re- gularmente:

Todos os Dharmas Condicionados, São Como Sonhos, Ilusões, Bolhas, Sombras, Como Gotas de Orvalho e um Lampejo:

Contemple-os assim.

Tudo é dharma condicionado. Comer, vestir, caminhar, parar, sentar, reclinar, tocar um negócio – todas as atividades são dharmas condi- cionados. Aqueles são exemplos de dharmas condicionados externos. Há também os Cinco Skandhas: forma, sentimento, pensamento, atividades, e consciência; os quais são dharmas condicionados. Os quatro elementos principais: terra, água, fogo e ar são dharmas con-

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto mo se fosse destituído da virtude da Via. Uma

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto

dicionados. As seis raízes, as seis poeiras, os doze lugares, e os dezoi- to reinos são todos dharmas condicionados. Todos esses dharmas, quer sejam externos ou internos, são como sonhos, ilusões, bolhas, sombras.

Sutra Diamante – Capítulo 32 – Os Corpos de Retribuição e de Transformação são Ilusórios – Explanações do Venerável Mestre Hsüan Hua.

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto dicionados. As seis raízes, as seis poeiras, os doze

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto

IZPI_008

 

Em ‘Bases’

IZ, como um simples ideaograma pensa em abalar as bases da ciência humana?
IZ, como um simples
ideaograma pensa em
abalar as bases da
ciência humana?

̀Π ́

̀ĐĐ ́

PI, a ciência humana admite desconhecer os aspectos do vazio. Então, ela não possui bases.
PI, a ciência humana
admite desconhecer os
aspectos do vazio.
Então, ela não possui
bases.
Mas, IZ, sendo vazio, possui as- pectos?
Mas, IZ, sendo
vazio, possui as-
pectos?
Sim, possui simetria e ordem de longo alcance. Por que os corpos estelares pos- suem forma?
Sim, possui simetria
e ordem de longo
alcance. Por que os
corpos estelares pos-
suem forma?
Em ‘Bases’ IZ, como um simples ideaograma pensa em abalar as bases da ciência humana? ̀Π
Em ‘Bases’ IZ, como um simples ideaograma pensa em abalar as bases da ciência humana? ̀Π
Em ‘Bases’ IZ, como um simples ideaograma pensa em abalar as bases da ciência humana? ̀Π

̀Π ́

̀ĐĐ ́

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto IZPI_008 Em ‘Bases’ IZ, como um simples ideaograma pensa

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto Cristal Perfeito http://muccamargo.com Página 52

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto

Distorção do Espaço-Tempo

Sonda espacial dadadada Nasa comprova teoria Sonda Sonda espacial Sonda espacial espacial Nasa Nasa comprova Nasa
Sonda espacial dadadada Nasa comprova teoria
Sonda
Sonda espacial
Sonda espacial
espacial
Nasa
Nasa comprova
Nasa comprova teoria dededede Einstein
comprova teoria
teoria
Einstein Einstein
Einstein
Cientistas
Cientistas
Cientistas
Cientistas conseguiram
conseguiram
conseguiram
conseguiram provar
provar
provar
provar que
que
que
que Terra
Terra
Terra
Terra distorce
distorce
distorce
distorce lilililigeiramente
geiramente
geiramente
geiramente oooo
espaço
espaço
espaço aoaoaoao seu redor, devido
espaço
seu
seu redor, devido àààà sua gravidade.
seu redor,
redor, devido
devido
sua
sua gravidade.
sua gravidade.
gravidade.
AFP AFP AFP AFP | 04/05/2011 19:03 Foto: NASA Ilustração da sonda GP-B orbitando a Terra
AFP
AFP
AFP
AFP | 04/05/2011 19:03
Foto: NASA
Ilustração da sonda GP-B orbitando a Terra para medir o espaço-
espaço espaço espaço---
tempo
tempo,
tempo uma descrição de quatro dimensões do universo, incluindo
tempo
altura, largura, comprimento e tempo.
O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto Distorção do Espaço-Tempo Sonda espacial dadadada Nasa comprova teoria

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto

A força da gravidade dos grandes corpos do Universo distorcem o

tempo e o espaço, afirmaram cientistas nesta quarta-feira (4) após

uma sonda da Nasa confirmar dois elementos fundamentais da teo-

ria geral da relatividade de Albert Einstein.

blá, blá, blá …

“No Universo de Einstein, o tempo e o espaço são deformados pela

gravidade. A Terra distorce ligeiramente o espaço ao seu redor, de-

vido à sua gravidade”, disse, explicando a teoria que o físico judeu

alemão observou há quase 100 anos, muito antes de existir a tecno-

logia necessária para observá-la.

blá, blá, blá …

As medições da sonda se aproximam notoriamente das projeções de

Einstein, segundo as descobertas publicadas na revista científi-

ca Physical Review Letters.

N.T. Muito bem senhores! Nada mais notório que o conceito de que-

N.T. N.T.

N.T.

bra de simetria, o qual também repousa nas idéias de Einstein (“a

matéria é uma distorção local”). Mas, quebra de simetria de quê?

Distorção de quê? A propósito dos posts anteriores, versando sobre

o “Vazio

Vazio como Não--É-ÉÉÉ, a Terra, bem como outros corpos estelares e

Vazio como Não

Vazio

como

como Não-

Não

planetários, repousa nesse espaço-tempo (o qual, em si, é uma dis-

torção local). Como o espaço-tempo é não-eterno, a Terra deve ser

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto A força da gravidade dos grandes corpos do Universo

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto

não-eterna, como já sabemos. Ambos caem na categoria dos Três

Tempos, e esse espaço-tempo não é o Vazio sobre o qual falamos, o

Trono do Leão, o assento do Tathagata, Sagrado como um Cristal

Cristal Cristal Cristal

Perfeito inconcebível Residência Honorífica do Buda.

Perfeito,

Perfeito

Perfeito

Marcos Ubirajara, em 04/05/2011.

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto não-eterna, como já sabemos. Ambos caem na categoria dos

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto

IZPI_009

 

Em ‘Cristal Perfeito’

 

̀Π ́

Um Buda não se extingue, PI. É a imperfeição que retorna ao seu esta- do de
Um Buda não se
extingue, PI. É a
imperfeição que
retorna ao seu esta-
do de pureza.

̀ĐĐ ́

IZ, fale-me sobre a extinção do Buda.
IZ, fale-me sobre a
extinção do Buda.
Essa é a extinção tranqüla, da qual apenas Budas compartilham.
Essa é a extinção
tranqüla, da qual
apenas Budas
compartilham.
PI, o Buda só se faz manifesto neste mundo como uma imperfeição, o Bodhisattva. Esse é
PI, o Buda só se faz
manifesto neste mundo
como uma imperfeição,
o Bodhisattva. Esse é
o seu veículo, um meio
hábil.
Nihi!!!

̀ĐĐ ́ ́

Mas, os Budas falam da sua extinção.
Mas, os Budas falam
da sua extinção.
 

̀Π ́

̀ĐĐ ́

̀Π ́

28/02/2008 – 21:00 hs

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto IZPI_009 Em ‘Cristal Perfeito’ ̀Π ́ Um Buda não

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto Cristal Perfeito http://muccamargo.com Página 58

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto

A Via Recíproca

“Shariputra, qual é o significado de ‘Todos os Budas, os Honrados pelo Mundo, somente aparecem no mundo em razão de causas e condições de uma grande importância?’. Os Budas, os Honrados pelo Mundo, aparecem no mundo porque desejam levar os seres viventes a vislumbrarem a sabedoria e a visão dos Budas e a purificarem-se. Eles aparecem no mundo porque desejam demonstrar a todos os seres viventes a sabedoria e a visão dos Budas. Eles aparecem no mundo porque desejam levar os seres viventes a despertarem para a sabedoria e para a visão dos Budas. Eles aparecem no mundo porque desejam levar os seres viventes a entrarem no Caminho da sabedoria e da visão dos Budas 2 .

“Shariputra, essas são as causas e as condições de grande importân- cia pelas quais todos os Budas aparecem no mundo.”

O Buda disse a Shariputra: “Todos os Budas, Tathagatas, ensinam e convertem somente Bodhisattvas. Todas as suas ações são sempre

2 Essa passagem estabelece inequivocamente o Veículo Único do Buda, que signifi-

ca haver somente uma Via para a consecução do estado de Buda: a Via do Bodhi-

sattva (o mortal comum que se tornará Buda). Esse intérprete refere-se à essa Lei

sutil do Veículo Único do Buda como Via Recíproca, porque ela é biunívoca, signifi-

cando que existe somente uma Via para o aparecimento do Buda nesse mundo: a

Via do Bodhisattva (o Buda tornado mortal comum). Essa é a Verdadeira Joia Real

deste Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa, que nos revela que a verdadeira e

única causa para o aparecimento do Buda nesse mundo é tornar os seres viventes

iguais a Ele.

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto A Via Recíproca “Shariputra, qual é o significado de

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto

visando a um único interesse, que é unicamente demonstrar e ilumi- nar os seres viventes para a sabedoria e visão do Buda. Eles usam somente o Veículo Único do Buda. Não há outros veículos, nem se- quer dois ou três. Shariputra, a Lei de todos os Budas das dez dire- ções é assim 3 ”.

“Shariputra, os Budas do passado utilizaram-se de ilimitados, incon- táveis meios hábeis, várias causas e condições, analogias e parábolas para expor suas Leis para os seres viventes. Aquelas Leis eram todas em prol do Veículo Único do Buda. Todos aqueles seres viventes, ou- vindo a Lei dos Budas, finalmente atingiram a Sabedoria que Abarca Todas as Espécies”.

“Shariputra, quando os Budas do futuro fizerem seu advento no mundo, eles também se utilizarão de ilimitados, incontáveis meios hábeis, várias causas e condições, analogias e parábolas, procla- mando todas as Leis para os seres viventes. Essas Leis serão todas em prol do Veículo Único do Buda. Ouvindo a Lei dos Budas, todos aqueles seres viventes finalmente atingirão a Sabedoria que Abarca Todas as Espécies”.

“Shariputra, presentemente, todos os Budas, Honrados pelo Mundo, através das dez direções das ilimitadas centenas de milhares de mirí- ades de milhões de Terras Búdicas, beneficiam enormemente os se-

3 Esta passagem descredencia os ensinos provisórios dos Três Veículos como um

caminho para compreender a Grande Lei, reputando-os meramente como meios

hábeis ou preparatórios.

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto visando a um único interesse, que é unicamente demonstrar

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto

res viventes e trazem-lhes paz e felicidade. Esses Budas também pro- clamam todas as leis para os seres viventes através de ilimitados, incontáveis meios hábeis, várias causas e condições, analogias e pa- rábolas. Essas Leis são todas em prol do Veículo Único do Buda. To- dos esses seres viventes, ouvindo a Lei dos Budas, finalmente atingi- rão a Sabedoria que abarca Todas as Espécies.”

“Shariputra, todos os Budas somente ensinam e convertem Bodhi- sattvas 4 porque eles desejam demonstrar aos seres viventes a sabe- doria e a visão do Buda, porque eles desejam despertar os seres vi- ventes para a sabedoria e a visão do Buda e porque eles desejam levar os seres viventes a entrar na sabedoria e na visão do Buda.”

Sutra de Lótus – Capítulo 2 – Meios Hábeis.

4 Os Budas do passado, do futuro e do presente ensinam e convertem somente

Bodhisattvas, sendo este o único veículo para atingir a Iluminação. Por essa razão,

o Buda afirma: “Essas Leis são todas em prol do Veículo Único do Buda”.

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto res viventes e trazem-lhes paz e felicidade. Esses Budas

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto

IZPI_010

Em ‘PI e o Pé de Feijão – Episódio 1’

 
   

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IZ! Qual é a diferen- ça entre um grão de feijão e um grão de milho?
IZ! Qual é a diferen-
ça entre um grão de
feijão e um grão de
milho?
Dados os 5 elementos (terra, água, fogo, ar e kuu), que compõem as entidades de classe
Dados os 5 elementos
(terra, água, fogo, ar e
kuu), que compõem as
entidades de classe supe-
rior, resta atribuir a dife-
rença ao aspecto não
substancial, o kuu, um
código que individualiza
essas entidades.
Em ‘PI e o Pé de Feijão – Episódio 1’ ̀ĐĐ ́ IZ! Qual é a
Em ‘PI e o Pé de Feijão – Episódio 1’ ̀ĐĐ ́ IZ! Qual é a
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O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto IZPI_010 Em ‘PI e o Pé de Feijão –

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto Cristal Perfeito http://muccamargo.com Página 64

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto

(*) Hum! Parece que há uma Lei atuando sobre os 5 elementos. A entidade é individualizada por um tipo de harmonia entre os ele- mentos, estabelecida pela Lei. A manifestação da Lei na entidade, entretanto, lhe dá uma natureza inerente única.

Isto significa que na formação da entidade, a Lei não apenas atua sobre os elementos, mas funde-se com eles nessa formação. Gente, que Lei é essa?

Muito provavelmente é o Carma. E isso é um ponto crucial neste livro. Por quê? Porque IZ (o Interlocutor Zen) e PI (o Principiante In- cauto) não são feitos daqueles cinco elementos (terra, água, fogo, ar e kuu), são ideogramas. A tinta e o papel, que aqui podemos chamar de veículos, é que são feitos daqueles elementos, e utilizados para lhes atribuir uma expressão material. Este é o profundo significado da Prajna Literária (os sutras), sobre a qual já falamos, e que o Buda nos concede através de meios habilidosos, mas que constitui apenas um aspecto da Grande Sabedoria.

O Cristalino

Na verdade, aqueles cinco elementos constituem impurezas num estágio superior, pois seus microconstituintes, moléculas – átomos – partículas elementares, já o são num grau mais fundamental, a partir das quais se descrevem todos os fenômenos do universo conhecido. Há uma analogia que considero muito pertinente no modelo do cris- talino. Naquele modelo, as assim chamadas impurezas estão para além da ideia de partículas elementares, abrangendo também dis- torções no espaço-tempo, discordâncias, e tudo que possa represen-

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto (*) Hum! Parece que há uma Lei atuando sobre

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto

tar a quebra da simetria fundamental. A síntese dessas ideias pode ser vista no tópico chamado O Universo de Defeitos em Cristais de- senvolvido no Cristalino. Entretanto, não é propósito deste livro se- quer suscitar uma discussão mais aprofundada sobre isso.

O Ensino do Sutra de Lótus

No ensino do Lótus, esses cinco elementos constituem o lodo do qual emerge o Lótus Imaculado. Isto é uma metáfora, um meio hábil utilizado pelo Buda para expor a Via. No contexto desse ensino cabe perfeitamente a história da Vida do Buda, também consumada em um livro, que conta a saga do Príncipe Siddhartha Gautama, filho do Rei Suddhodana e da Rainha Maia, em busca da Grande Sabedoria e que, ao atingi-la, torna-se o Buda histórico Todo-Iluminado. Não há razões e nem espaço para dúvidas quanto à legitimidade (entenda- se como conformidade com o Dharma Maravilhoso) desse ensina- mento, o qual é reputado por muitos como o mais elevado de todos os ensinos. E como um endosso, gostaria de citar, abaixo, uma pas- sagem do Sutra de Lótus:

“Kashyapa, saiba que o Tathagata é o Rei de todas as Leis. Nada da- quilo que ele ensina é falso. Ele proclama extensivamente todas as Leis através da sabedoria e dos meios hábeis, e quaisquer que sejam as Leis que ele prega, todas elas conduzem à mais profunda de todas as sabedorias.”

Sutra de Lótus – Capítulo 5 – Ervas Medicinais.

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto tar a quebra da simetria fundamental. A síntese dessas

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto

O Ensino do Grande Nirvana

No ensino do Grande Nirvana, esses cinco elementos constituem o Grande Veículo do Bodhisattva, o qual, através da prática das Ações Puras, atinge o Insuperável Bodhi. Naquele ensino, o Buda expõe o Supramundano, que está para além das marcas do ´é´ e do ´não-é´ do mundo secular. Lá, bem como já ocorrera no ensino essencial do Sutra de Lótus, o Buda descarta os meios hábeis dos ensinos provi- sórios e prega a Paramartha-satya (ou Realidade Última).

Você pergunta que Lei é essa, PI? Vamos chamá-la de Lei do Carma.

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto O Ensino do Grande Nirvana No ensino do Grande

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto

IZPI_011

Em ‘PI e o Pé de Feijão – Episódio 2’

 
   

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IZ! Este grão de feijão, isolado, é capaz de transfor- mar-se?
IZ! Este grão de
feijão, isolado, é
capaz de transfor-
mar-se?
IZ! Este grão de feijão, isolado, é capaz de transfor- mar-se?
IZ! Este grão de feijão, isolado, é capaz de transfor- mar-se?
Em ‘PI e o Pé de Feijão – Episódio 2’ ̀ĐĐ ́ IZ! Este grão de
Não! Ele precisa entrar em contato com os cinco elementos de sua formação. Não só isso!
Não! Ele precisa entrar
em contato com os
cinco elementos de sua
formação. Não só isso!
Os elementos têm que
estar em tal harmonia
que proporcione a
transformação.
Em ‘PI e o Pé de Feijão – Episódio 2’ ̀ĐĐ ́ IZ! Este grão de
Em ‘PI e o Pé de Feijão – Episódio 2’ ̀ĐĐ ́ IZ! Este grão de

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Em ‘PI e o Pé de Feijão – Episódio 2’ ̀ĐĐ ́ IZ! Este grão de
 
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O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto IZPI_011 Em ‘PI e o Pé de Feijão –

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto Cristal Perfeito http://muccamargo.com Página 70

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto

(*) Hum! Então, a transformação de uma entidade é proporcionada pelo meio-ambiente. Essa dosagem, esse equilíbrio na natureza seria ao acaso? Não! O desabrochar para vida parece ser dado por um único evento: causa e efeito simultâneos.

Muito bem, PI. Mas vamos chamar meio-ambiente de relações cau- sais, e causa e efeito simultâneos de Lei do Carma. Fica melhor, você não acha?

Essa semente, por si só, não pode transformar-se, significando que ela não possui uma natureza própria, dependente que é das relações causais. Há uma passagem no Sutra do Nirvana que diz:

“Oh bom homem! Quer vejamos ou não, todas as coisas dependem das relações causais, e não pode haver qualquer conversa sobre algo que tenha sua natureza própria.

Oh bom homem! Se você diz que todas as coisas têm a sua própria natureza, e que não há relações causais, como você pode explicar os cinco grandes elementos? Esses cinco grandes elementos são nada mais que o resultado (produto) de relações causais”.

Sutra do Nirvana – Capítulo 46 – Sobre Kaundinya 2.

Vejamos, então, como as coisas se procedem:

Aquela semente é um fruto (ou produto) das relações causais do passado, quais sejam a planta, a espécie, as condições e proporções

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto (*) Hum! Então, a transformação de uma entidade é

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto

com as quais contribuíram os cinco grandes elementos. Podemos dizer, segundo a Lei do Carma, que essas relações causais do passa- do estão inscritas indelevelmente naquela semente, e a isso chama- mos de carma passado. No presente, a depender das novas relações causais, poderá desenvolver-se uma nova planta, a qual, ao frutifi- car, lançará as sementes do futuro, perpetuando o ciclo do nasci- mento e da morte. Então, o carma passado e a causa presente cons- tituirão o carma passado da futura semente. Essas são as condições para a transformação, à qual chamamos vida, e que é um produto das relações causais.

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto com as quais contribuíram os cinco grandes elementos. Podemos

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto

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Em ‘PI e o Pé de Feijão – Episódio 3’

 
IZ! Todos os pés de feijão são iguais?
IZ! Todos os pés de
feijão são iguais?
IZ! Todos os pés de feijão são iguais?
 

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Não! Diferem entre si pelo tipo de relação mantida com os cinco elementos no seu cres-
Não! Diferem entre si
pelo tipo de relação
mantida com os cinco
elementos no seu cres-
cimento; ou seja, com
o meio-ambiente.
 
Em ‘PI e o Pé de Feijão – Episódio 3’ IZ! Todos os pés de feijão
Em ‘PI e o Pé de Feijão – Episódio 3’ IZ! Todos os pés de feijão

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O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto IZPI_012 Em ‘PI e o Pé de Feijão –

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto Cristal Perfeito http://muccamargo.com Página 74

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto

(*) Ahá! Essa relação é ótima na presença da fertilidade, que é uma propriedade da semente, mas também do meio-ambiente. A fertili- dade pode ser entendida como uma harmonia capaz de adornar a vida da planta com robustez, beleza e potencial de propagação da sua própria natureza. Essa harmonia é conferida pela Lei, mas deve ser buscada. Nihi!!!

Sim, PI. Bem falado! A fertilidade como uma propriedade inerente da semente é o seu carma passado, inscrito pelas relações causais de outrora. A fertilidade como uma propriedade do meio-ambiente é a causa presente devido às relações causais de agora. E você toca num ponto muito importante ao colocar a fertilidade, ou o conjunto das ações que operam no presente, como uma harmonia capaz de ador- nar a vida de um ser. Poderíamos chamar essa harmonia de ´boas ações´ na cultivação da planta, e que guarda um paralelo perfeito com todas as outras formas de vida. Como? Ora, feijão é um alimen- to, e alimento é vida para outras formas como a humana, apenas como exemplo. E mais sutilmente, a frase ´essa harmonia é conferida pela Lei, mas deve ser buscada´, nos diz que um bom carma passado (conferido pela Lei do Carma) pode trazer más retribuições caso não se busque as boas ações no presente. E quando se pratica a Via Sa- grada, pode-se cortar eternamente os laços de servidão que nos prendem ao ciclo do nascimento e da morte anunciado acima. E para respaldar esse ponto, recorro novamente ao Sutra do Grande Nirva- na, onde se lê:

“Oh você! Saiba que todos os seres têm carma do passado e a causa do presente. Embora os seres tenham o carma da vida passada, eles têm que depender das relações causais do alimento na presente vida. Oh você! Pode-se dizer que os seres sofrem as aflições e são abenço-

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto (*) Ahá! Essa relação é ótima na presença da

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto

ados com felicidade, e que tudo está definitivamente baseado nas causas cármicas originais da vida passada. Mas a situação não é assim. Por que não? Oh você! Por exemplo, é como quando uma pes- soa acaba com o inimigo do Rei, em consequência do que ela ganha um tesouro e é abençoada com felicidade na vida presente. Essa pes- soa gera a causa da felicidade nesta presente vida e colhe a recom- pensa da felicidade nesta presente vida. Por exemplo, isto é análogo a um homem que mata o filho do Rei e através disto perde sua vida. Essa pessoa engendra a causa do sofrimento agora, e colhe a retribu- ição cármica nesta presente vida. Oh você! Todos os seres, agora nesta presente vida, encontram o sofrimento e a felicidade dos qua- tro grandes elementos, as estações, a terra, e o povo. Esse é o por- quê Eu digo que todos os seres não colhem necessariamente o sofri- mento e a felicidade principalmente do seu carma passado. Oh você! Se uma pessoa pode chegar à Emancipação através das relações causais de cortar o carma, poderíamos dizer que todos os sábios não podem alcançá-la. Por que não? Porque o carma original dos seres não tem início e nem fim. Esse é o porquê Eu digo que quando se pratica a Via Sagrada, essa Via realmente acaba com o carma que não tem cabeça nem cauda.

Sutra do Nirvana – Capítulo 46 – Sobre Kaundinya 2.

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto ados com felicidade, e que tudo está definitivamente baseado

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto

IZPI_013

Em ‘PI e o Pé de Feijão – Episódio 4’

 

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Em ‘PI e o Pé de Feijão – Episódio 4’ ̀Π ́ ̀ĐĐ ́ Não! Depende
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Não! Depende das qualidades da planta que os produziu, e dos cuidados nos processos de colheita,
Não! Depende das qualidades da planta que os produziu, e dos cuidados nos processos de colheita,
Não! Depende das
qualidades da planta
que os produziu, e dos
cuidados nos processos
de colheita, secagem e
acondicionamento.
IZ! Todos os grãos de feijão são boas sementes?
IZ! Todos os grãos
de feijão são boas
sementes?
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Em ‘PI e o Pé de Feijão – Episódio 4’ ̀Π ́ ̀ĐĐ ́ Não! Depende
Em ‘PI e o Pé de Feijão – Episódio 4’ ̀Π ́ ̀ĐĐ ́ Não! Depende

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O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto IZPI_013 Em ‘PI e o Pé de Feijão –

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto Cristal Perfeito http://muccamargo.com Página 78

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto

(*) Então, a boa semente é resultado de uma boa relação entre a fruta e os cinco elementos. De novo o meio-ambiente? Sim, e mais os cuidados com a seleção do tempo certo para a colheita, o qual deverá estar em harmonia com os cinco elementos. Sem dúvida, essa harmonia deve ser buscada significando, então, uma ação cor- reta. Nihi!!!

E novamente você falou bem, PI! Seleção do Tempo. Há o tempo correto para o plantio, para a irrigação, adubação, escoramento e todas as demais ações de proteção; bem como o tempo correto para a ceifa, colheita, secagem e acondicionamento. O cultivador sábio conhece esse tempo.

Também o Bodhisattva, como cultivador da Via, conhece bem o tempo. A passagem abaixo fala dessa sabedoria:

“Oh bom homem! O Bodhisattva-Mahasattva conhece bem o tempo para meditação, o tempo para a Sabedoria, e o tempo para a equa- nimidade; ele sabe bem o que não é oportuno. Isto é como o Bodhi- sattva pratica bem a Via do Bodhi.”

Sutra do Nirvana – Capítulo 38 – Sobre o Bodhisattva Rugido do Leão 6.

Na nossa analogia do cultivo da Via Sagrada, esse conhecimento do tempo é imprescindível para a Ação Correta que, neste caso, repre- senta o Nobre Caminho Óctuplo, exultado por todos os Budas. Mais uma vez, recorro aos ditos dourados para respaldar essa afirmação:

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto (*) Então, a boa semente é resultado de uma

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto

“Oh bom homem! Como uma ilustração: um homem está viajando através do deserto e sente sede, quando ele depara com um poço. Este é muito profundo, de tal forma que ele não pode ver a água. Mas, podemos nos certificar de que existe água lá. Se a pessoa en- contrar os meios de capturar a água com uma corda e um balde, a água seguramente estará lá. É o mesmo, também, com a Natureza de Buda. Todos os seres a possuem. Mas somente através da prática do imaculado Nobre Caminho Óctuplo 5 alguém poderá realmente vê-la”.

Sutra do Nirvana – Capítulo 39 – Sobre o Bodhisattva Rugido do Leão 7.

5 Nobre Caminho Óctuplo: Pensamento Correto, Fala Correta, Ação Correta, Meio

de Vida Correto, Esforço Correto, Atenção Correta, Concentração Correta.

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto “Oh bom homem! Como uma ilustração: um homem está

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto

IZPI_014

Em ‘PI e o Pé de Feijão – Episódio 5’

 

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(*) O ciclo se fecha. Saímos da

(*) O ciclo se fecha. Saímos da

semente e retornamos à ela.

semente e retornamos à ela.

Houve uma Lei que atuou no passado na formação da enti- dade. Essa Lei atua no presen-

Houve uma Lei que atuou no passado na formação da enti- dade. Essa Lei atua no

te na transformação da entida- de. Essa mesma Lei atuará no retorno da entidade à sua forma inicial, propagando-se para o futuro. Uma Lei inexorável de inseparabilidade entre o ser e o meio-ambiente; ou seja, há uma interdependência entre o ser individual e todos os outros seres formados a partir dos cin-

Você o diz, PI! Não sou dono do que pen- saste. Sou apenas um ideograma desprovido
Você o diz, PI! Não
sou dono do que pen-
saste. Sou apenas um
ideograma desprovido
do aspecto da dualida-
de.

co elementos, através do pas- sado, do presente e do futuro. Então, é isso IZ?

Nihi!!!
Nihi!!!
co elementos , através do pas- sado, do presente e do futuro. Então, é isso IZ
Em ‘PI e o Pé de Feijão – Episódio 5’ ̀Π ́ (*) ... ̀ĐĐ ́
   
Em ‘PI e o Pé de Feijão – Episódio 5’ ̀Π ́ (*) ... ̀ĐĐ ́
Em ‘PI e o Pé de Feijão – Episódio 5’ ̀Π ́ (*) ... ̀ĐĐ ́

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O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto IZPI_014 Em ‘PI e o Pé de Feijão –

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto Cristal Perfeito http://muccamargo.com Página 82

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto

Chamamo-la Lei do Carma. É inexorável no sentido que aparte das relações causais, o meio-ambiente se assim o prefere, não há ne- nhum ser sobre o qual falar, e há sim uma interdependência entre todos os seres através do passado, do presente e do futuro. Essa interdependência também pode ser atribuída à Lei do Carma, ou Lei da Causalidade, ou Lei da Causa e Efeito.

Só não concordo com a ideia de que o ciclo se fecha inexoravelmen- te. Isto ocorrerá sempre nas vidas dos mortais comuns, atados ao ciclo do nascimento e da morte pelo desejo, e que não conseguem atravessar o mar do sofrimento. Mas, podemos dizer que saímos da semente e terminamos no Nobre Caminho Óctuplo, não podemos? Aí o ciclo se abre, rompem-se as amarras da ilusão, atinge-se a outra margem, escapa-se do sofrimento e servidão do ciclo do nascimento e da morte. Esse é o ensinamento consubstanciado aqui, nesta sim- ples história em quadrinhos protagonizada por dois simples ideo- gramas.

Sabe! Estou bem como um simples ideograma, PI.

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto Chamamo-la Lei do Carma . É inexorável no sentido

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto

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Em ‘A Simetria Pura’

IZ! A simetria pode existir num estado de pureza?
IZ! A simetria
pode existir num
estado de pureza?

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Sim, PI. Se dis- sociada da im- perfeição.
Sim, PI. Se dis-
sociada da im-
perfeição.
E o que você chama imperfeição?
E o que você chama
imperfeição?
Tudo que emerge da quebra da simetria pura, o mundo dos fenômenos.
Tudo que emerge da
quebra da simetria
pura, o mundo dos
fenômenos.

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Em ‘A Simetria Pura’ IZ! A simetria pode existir num estado de pureza? ̀Π ́ ̀ĐĐ
Mas, a forma ... Isto é, Nihi!!! ̀Π ́
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O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto IZPI_015 Em ‘A Simetria Pura’ IZ! A simetria pode

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto Cristal Perfeito http://muccamargo.com Página 86

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto

PI, a Simetria Pura é uma propriedade do Cristal Perfeito, portanto, inconcebível. O Cristal Perfeito não tem bordas ou arestas, nem pe- so, nem medida em quaisquer direções, nem discordâncias, nem impurezas, nem lugares próprios, nem lacunas ou intersticiais; por- tanto, inconcebível.

Simetria Pura é Equanimidade que, para nós humanos, é inconcebí- vel. Como já mencionada aqui, a equanimidade é uma das quatro mentes ilimitadas, a saber:

“Existem as ações puras, que são: amor-benevolente [‘maitri’], com- paixão [‘karuna’], intenção amável (acolhedora) [‘mudita’], e equa- nimidade [‘upeksha’].”

Isto pertence ao mundo dos Budas e Bodhisattvas. A passagem do Sutra do Nirvana abaixo nos lembra disto:

Quando o Bodhisattva-Mahasattva pratica a mente de equanimi- dade, ele atinge o estágio do Todo-Vazio Todo-Igual, e torna-se como Subhuti. Oh bom homem! Quando o Bodhisattva-Mahasattva reside no ‘bhumi’ do Todo-Vazio Todo-Igual, ele não mais vê pais, irmãos, irmãs, filhos, parentes, bons amigos da Via, inimigos, aqueles que são hostis ou amigáveis, aqueles que nem são amigáveis e nem an- tagônicos, até os cinco skandhas, os dezoito reinos, as doze esferas, seres, e vida. Oh bom homem! Como uma ilustração, é como o espa- ço, no qual não vemos pais, irmãos, esposa e filhos, até seres e vida. O mesmo é o caso com relação a todas as coisas. Não pode haver pais e vida. Assim o Bodhisattva-Mahasattva vê todas as coisas. Sua

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto PI , a Simetria Pura é uma propriedade do

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto

mente é toda-igual (equânime) como o espaço. Por quê? Porque ele pratica completamente o Dharma do Vazio [‘shunyata’].”

Sutra do Nirvana, Capítulo 22 – Sobre Ações Puras 2.

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto mente é toda-igual (equânime) como o espaço. Por quê?

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto

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Em ‘Cultivares de um Sábio para a Sabedoria Insuperável’

IZ! Em quais co- nhecimentos deverá se basear um sábio para alcançar Sabe- doria Insuperável?
IZ! Em quais co-
nhecimentos deverá
se basear um sábio
para alcançar Sabe-
doria Insuperável?
Na Fé, na Coragem e, acima de tudo, na Paciência!
Na Fé, na Coragem
e, acima de tudo, na
Paciência!

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Mas ... , é ... , Nihi!
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O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto IZPI_016 Em ‘Cultivares de um Sábio para a Sabedoria

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto Cristal Perfeito http://muccamargo.com Página 90

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto

PI, quando você fala conhecimento, pode dar a impressão de que se trata de algum grau de desenvolvimento intelectual, ou algo que se possa encontrar em obras literárias mundanas, ou até mesmo nos sutras.

PI, esse conhecimento que conduz à Sabedoria Insuperável vem por si próprio. É fruto da observação, meditação e apreensão dos ensi- namentos budistas. A raiz desse conhecimento está na da pessoa que procura um Bom Mestre da Via, acata e respeita as injunções que lhe são impostas, e pratica a meditação, seja essa meditação ativa ou passiva (silenciosa). Tudo isto acontece se a pessoa tiver uma grande . Por quê? Porque a prática requer esforços continua- dos, para os quais, nem sempre, se obtém uma resposta na forma de benefícios conspícuos. Portanto, .

O cultivo de uma genuína requer Coragem. Por quê? Porque a Prática da Via Sagrada abre os olhos da pessoa, e apura os seus de- mais sentidos, expondo-lhe uma verdade nunca dantes conhecida, e que pode desfazer as muitas ilusões que acalentam os sonhos da- quela pessoa. Todavia, e dentro das Quatro Nobres Verdades, a Prá- tica da Via expõe-lhe o caminho para uma Felicidade verdadeira e duradoura.

Por que Paciência? Porque essa Sabedoria vem por si própria. E a- qui, oportunamente, gostaria de citar uma passagem do Sutra do Grande Nirvana, a qual diz respeito à consecução do Brilho da Sabe- doria.

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto PI , quando você fala conhecimento, pode dar a

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto

O Brilho da Sabedoria

“Oh bom homem! A pessoa sábia pensa profundamente sobre o mundo. Ela vê: ‘Ele não é um lugar para se refugiar, para adquirir Emancipação, quietude, amor, não é a outra margem, e nada tem do Eterno, Êxtase, do Eu, e do Puro. Se eu procurar o mundo avidamente, como posso afastar-me dele? Isto é como com um homem que, abominando a escuridão, busca a luz e, no entanto, volta novamente para a escuridão. A escuridão é o mundo; a luz é o Supramundano. Se eu aderir ao mundo, mergulharei na escuridão e me afastarei da luz. Escuridão é ignorância, e luz é o Brilho da Sabedoria. A causa do Brilho da Sabedoria é a imagem onde não se sente qualquer expectativa de deleitar-se nas coisas mundanas. Toda a cobiça nada mais é que o laço da impureza. Agora buscarei avidamente a luz da Sabedoria, e não o mundo’. A pessoa sábia medita assim. Essa é a imagem onde não se busca (nada) para si.”

Sutra do Nirvana, CAP. 44 – O Bodhisattva Kashyapa 5.

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto O Brilho da Sabedoria “Oh bom homem! A pessoa

O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto

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