Você está na página 1de 3

NEGÓCIO JURÍDICO

FATOS JURÍDICOS

FATO = qualquer ocorrência. A partir do momento em que esse fato está qualificado pelo fenômeno jurídico ele passa a ser um fato jurídico

FATO + FENÔMENO JURÍDICO = FATO JURÍDICO LATO SENSU

FATO JURÍDICO LATO SENSU

A) FATO NATURAL OU FATO JURÍDICO STRICTO SENSU

a. ORDINÁRIO

i. Ex. decurso do tempo, nascimento, morte.

b. EXTRAORDINÁRIO

i. Ex. Caso fortuito e força maior Orlando Gomes diz que caso fortuito é evento imprevisível e força maior é evento previsível, mas incontrolável. B) ATO JURÍDICO LATO SENSU = FATO HUMANO OU FATO JURÍGENO (Presença da Vontade)

a.

Lícito

i.

Negócio Jurídico composição de interesses com finalidade específica. Ex. casamento e compra e venda. Principal forma de exercício da autonomia privada, como diz ANTONIO JUNQUEIRA DE AZEVEDO. Hoje se fala em autonomia privada e não em autonomia da vontade. Autonomia não é bem da vontade, a autonomia é da pessoa. Hoje nós vemos o fenômeno dos contratos modelos (standartização), como diz Enzo Roppo. Assim, pela chamada crise da vontade, Fernando Noronha e Francisco Amaral falam que a autonomia privada substituiu a autonomia da vontade.

ii.

Ato jurídico em sentido estrito Não há composição de interesse com finalidade específica. Temos somente efeitos legais. Ex. reconhecimento de filho. PONTES DE MIRANDA divide em 3 planos o Negócio Jurídico. A doutrina chama de escada ponteana. O primeiro degrau é o da existência, o segundo o da validade, o terceiro o da eficácia. Esse esquema gráfico é perfeitamente lógico. Para que o NJ gere efeitos, ele deve existir e ser válido. Para que ele seja válido, ele deve existir. Mas como exceção, o negócio pode existir, ser inválido e gerar efeitos. Exemplo: contrato anulável antes da propositura da ação anulatória. Se a ação anulatória não for proposta no prazo, ele passará a ser válido. Trata-se do fenômeno da convalidação. È como se não tivesse o 2º degrau e ele reaparecesse. No 1º plano estão os elementos mínimos do NJ: os pressupostos de existência. Nós temos nesse plano substantivos sem adjetivos: partes, vontade, objeto e forma. O CC não adotou formalmente o plano da inexistência. O CC 104 já trata do plano de validade. 166 e 167 tratam de nulidade e de anulabilidade (171). O plano da existência está embutido no da

validade. Silvio Rodrigues dizia que o plano da existência é inútil, inexato e inconveniente porque com o plano da validade se resolve todos os problemas. Mas apesar dessa crítica de SR, muitos autores são adeptos da teoria da inexistência. JUNQUEIRA, STOLZE, VILLAÇA. Tartuce entende que não há plano da existência. No plano da validade, aqueles substantivos recebem adjetivos: partes capazes; vontade livre objeto lícito, possível determinada ou determinável; forma prescrita ou não defesa em lei. O CC adotou o plano da validade. Se eu tenho um vício de validade, o NJ será nulo ou anulável. A invalidade engloba a nulidade absoluta ou nulidade relativa. O terceiro degrau é o plano da eficácia. Nesse plano, estão as consequências do NJ. Elementos acidentais: condição (evento futuro e incerto - se ou enquanto), termo (evento futuro e incerto - quando) e encargo (ônus introduzido em liberalidade). O NJ quanto à validade segue a norma da produção. Com relação ao plano da eficácia norma do momento da produção dos efeitos (art. 2035, CC). O CC 1639, § 2º fala em ação de alteração de regime de bens. Essa ação está no plano da eficácia (linha de Giselda Hironaka). Logo, é possível alterar regime de bens de casamento celebrado sobre

a vigência do CC 1916. O STJ já decidiu assim. Outro exemplo: multa de condomínio. Está no plano da eficácia. A multa moratória no CC 1916 era de 10%. Caiu no CC 2002 para 2%. Se o condomínio se constituiu na vigência do CC 1916, mas o inadimplemento se deu agora, a multa

é de 2%. Art. 977, CC O art. 977 do CC proíbe que cônjuges casados

pelo regime da comunhão universal e da separação obrigatória não podem celebrar sociedade. Está no plano da validade. A sociedade constituída na vigência da lei anterior, quando a proibição não existia, continua valida, pois está no plano da validade. Logo, somente se aplica para sociedades constituídas depois da vigência do CC. É o enunciado 204 da CJF. Cláusula penal está no plano da eficácia. O art. 413 prevê a redução da cláusula penal como dever do magistrado, de ofício. Se o contrato celebrou-se antes do novo CC, mas se cláusula está no plano da eficácia, pode-se aplicar. Juros. A taxa de juros moratórios no CC 1916 era de 6% ao ano. O CC 406 alterou. Há quem diga que é 12% ao ano e há quem diga que é a SELIC. Plano de eficácia. Para o inadimplemento que ocorreu na vigência do CC 1916 aplica-se 6% ao ano. Se ocorreu na vigência do CC 2002, 12% ao ano. É o enunciado 164 da CJF. Outorga conjugal pelo CC 1916 a falta da outorga gerava nulidade. Na vigência do CC 2002 gera anulabilidade.

É IMPORTANTE SITUAR:

Existência não existe ou existe Validade nulo ou anulável Eficácia o que sobrar vai para a eficácia

iii.

Ato-fato jurídico Ato jurídico qualificado numa vontade que num primeiro momento não é relevante, mas em um segundo momento se mostra relevante. Ex. menor que compra um refrigerante.

b. Ilícito (186, CC) Dano + Lesão de direito

Há discussão se o ato ilícito é ato jurídico ou não. Questão polêmica. Zeno Veloso diz que não é ato jurídico, mas o CC adotou a ideia de Moreira Alves, de que é ato jurídico.