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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO

NORTE

CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE

DEPARTAMENTO DE ODONTOLOGIA

DISCENTE: DIEGO DANTAS DE ARAÚJO

TEMA: POLÍTICAS PÚBLICAS NA ERA VARGAS.

A era Vargas (1930-1945), como é conhecido essa época, foi um


episódio muito conturbado e marcante da história da política brasileira. Foi o
período que substitui a República Velha, isto é, período que os grandes
latifundiários do café-com-leite de Minas Gerais e São Paulo dominavam o
país. Como vimos nas discussões passadas, do final do século XIX até início
do século XX não existiam políticas públicas concretas no Brasil, e sim ações
momentâneas para o combate a surtos de doenças e para alguma melhoria
do saneamento básico local das principais cidades do país. Quando Vargas
assumiu a presidência da República tinha poderes quase ilimitados para
fazer o que quisesse, e acabou realizando alguns projetos de modernização
no país. Ele criou os ministérios do Trabalho, Indústria e Comércio; e os
ministérios da Educação e Saúde; atendeu algumas exigências da elite
cafeeira, criou a lei de sindicalização, estabeleceu a CLT (consolidação das
leis de trabalho), dentre muitas outras medidas. Contra isso, houve muitas
tentativas por parte da oposição de tirá-lo do poder, principalmente no
Estado de São Paulo, mas nenhuma delas foi eficaz a ponto de cumprir com
seus objetivos.

Em 1933, Getúlio Vargas convocou a Assembléia, visando a


construção de uma nova Constituição que estaria pronta em 16 de Julho de
1934. A mesma trazia novidades como o voto secreto e feminino, sendo o
fim do voto aberto como existia na República Velha. Posteriormente, com
fortes ameaças de derrubada do governo por grupos socialistas, Getúlio,
apoiado pelos militares e pelo povo, derruba a constituição e declara o
Estado Novo (1937-1945), período esse de caráter extremamente
centralizador. Nele, os prefeitos eram eleitos pelo governador, e estes por
sua vez, pelo presidente. Durante a segunda Guerra Mundial, Getúlio
chegou a enviar tropas para a Europa em favor dos Aliados, e firmou um
acordo com o presidente Roosevelt dos Estados Unidos, onde o Brasil
enviaria Látex para as forças aliadas. Nesse período foi criado o Serviço
Especial de Saúde Pública (SESP), que funcionava com capital
estrangeiro (EUA) e Nacional, tendo como objetivo criar condições sanitárias
adequadas nos vales do Amazonas e do Rio Doce que garantissem o
provimento de matérias-primas cruciais aos esforços militares dos Estados
Unidos na Guerra.

Vargas tinha como objetivo a construção de um Estado Nacional,


centralizador e intervencionista, que respondesse com políticas sociais aos
conflitos urbanos por meio do MTIC (ministério do trabalho, indústria e
comércio), ou, a partir do MESP (ministério da educação e saúde pública),
contemplasse as populações rurais, fora do âmbito do mercado formal de
trabalho. A bandeira do saneamento, agitada pelos sanitaristas e por
intelectuais da Primeira República, foi incorporada e reelaborada sob a ótica
do MESP, acompanhando o desenvolvimento econômico e burocrático,
adaptando novas instituições e agentes ao novo arcabouço institucional de
saúde. Em torno das concepções de prevenção definiam-se as estratégias
de ação e prioridades a doenças e regiões, bem como a formação das
especializações profissionais. Não houve, nesse contexto, ruptura com o que
se passava na Primeira República, sendo que esses rumos foram
impulsionados em 1941, pela criação de serviços nacionais de saúde, cujos
parâmetros universalistas diferiam da política previdenciária, lançada em
bases mais restritivas. Em 1937 foi lançado o projeto “Capanema”,
responsável pela realização de conferências nacionais de saúde e de
educação, que eram marcos de debate e participação dos novos
profissionais no âmbito do ministério. Em pauta nas conferências, o tema do
alcance ou cobertura populacional das políticas sanitárias ganhava cada vez
mais espaço, pela superação do atraso e da pobreza no interior do país.
Em compensação foi criada no Brasil uma mentalidade tal qual políticas
assistencialistas de saúde eram tidas como “bondade” da política
paternalista de Vargas, e não como obrigação do Estado.

Em 1945 Getúlio Vargas foi deposto por um golpe militar, onde


posteriormente, em 1951 seria eleito mais uma vez, dessa vez por voto
popular. Após ser muito pressionado, Getúlio Vargas não suportou e
(supostamente) suicidou-se com um tiro no peito em 24 de agosto de 1954.
Teria escrito uma carta-testamento onde dizia como sempre pertenceu ao
povo e um dos últimos trechos, havia a frase: "… Serenamente dou o
primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na
História.".