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BOLETIM

INFORMATIVO
Valorsul apenas recicla 14%
dos resíduos recicláveis
Maioria dos resíduos é incinerada ou depositada em
aterro sem tratamento (p. 4)

Abelhas
e outros polinizadores gritam
SOCORRO!
(Espaço Jovem Atento, p. 8)

Editorial
Precisamos de ir mais longe isto se realmente amamos
as gerações mais novas e nos preocupamos com as futuras!
Transcrevo esta frase de um dos artigos nesta edição.
É com este pensamento que preparamos com muita atenção
e cuidado cada edição deste boletim, por isso esperamos
que quem nos lê se sinta inspirado e motivado a fazer parte de um
movimento de mudança que se crê para melhor!
Mais uma vez temos temas diversificados: resíduos, pesticidas,
agricultura familiar, regresso à aldeia, transgénicos, e chamo a atenção para o espaço
jovem atento, pois procuramos numa linguagem acessível aos mais novos abordar
assuntos que devem interessar a todos.
A presidente da direcção
Alexandra Azevedo

Nesta edição:
Últimas actividades

2

Um dia na Aldeia

3

Metas de reciclagem

4

Agricultura Familiar

5

Breves

6

Eco-Receita

7

Espaço Jovem Atento

8

Ano 10, N.º 32
Novembro de 2014

www.mpica.info

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BOLETIM INFORMATIVO MPI

n.º 32 - Novembro de 2014

ÚLTIMAS ACTIVIDADES

Alexandra Azevedo

Encontro de Áreas de Paisagem Protegida de âmbito Local
A convite da Câmara Municipal de Torres Vedras participei
em representação do MPI no dia 29 de Maio, com uma mostra
e degustação de várias propostas gastronómicas com ingredientes silvestres e tradicionais, como pão de bolota de lêveda natural, compota de
medronho com casca de laranja cristalizada, entre outros, que foi muito
apreciada pelos participantes. O objectivo foi demonstrar as potencialidades dos produtos locais e em especial das áreas de paisagem protegida
onde deverá ser preservada a rica biodiversidade autóctone e que esse
facto permita novas oportunidades de rendimento para as populações
locais, aliando a tradição à inovação gastronómica. Este encontro
constituiu o encerramento de mais um ciclo de conferências sobre
Ambiente e Qualidade de Vida que todos os anos a CMTV organiza. Poderão consultar uma pequena notícia
sobre estas conferências aqui: http://goo.gl/EFF1ZX

Oficina de preparação de Sementes
Integrado no Ano Internacional da Agricultura Familiar o parceiro Fundação
João XXIII/Casa do Oeste do CREIAS Oeste, do Movimento de Acção católica Rural, realizou a Festa da Família Rural, Casa do Oeste, no dia 1 de Junho,
em que durante a tarde dinamizei uma Oficina de Preparação de Sementes
para além de se ter reflectido sobre as profundas transformações
que ocorreram nas últimas décadas na actividade agrícola. A oficina foi muito
apreciada pelos participantes e já surtiu efeito pela constituição de uma rede
de troca de sementes na Casa do Oeste!

Comunicações sobre transgénicos
“Transgénicos: riscos para a agricultura e a saúde”, nas XIX Jornadas
sobre Ambiente e Desenvolvimento "Boas Práticas Agrícolas e Saúde:
Desafios no Século XXI” organizado pela OIKOS - Associação de Defesa
do Ambiente e do Património da Região Leiria, no dia 16 de Maio,
em representação da Plataforma Transgénicos Fora. A comunicação foi
muito apreciada pelos participantes, o que motivou mais convites para a
Plataforma abordar este tema noutros eventos.
“Transgénicos? Não, Obrigado!”, na rubrica “Dois dedos de ciência” do
ATV—Académico de Torres Vedras, no dia 4 de Outubro. O que são
transgénicos? Quais e como já os estamos a comer? Quais os seus riscos?
Precisamos mesmo de transgénicos para alimentar o mundo? Quais as alternativas? Foram algumas questões abordadas e são indispensáveis
melhor informados.

para

cidadãos/consumidores

Eco-Oficina de Cozinha
“Surpreendentes receitas com tremoço”Em parceria com a
Leader Oeste, dinamizei esta oficina no Mercado Eco-Rural
do Cadaval, no sábado 23 de Agosto, na Praça da República, com o
objectivo de divulgar receitas saudáveis com os produtos vendidos
pelos produtores locais. Desta vez o tremoço foi o ingrediente
principal e foi possível a degustação de 3 receitas. Foi mais uma
actividade no âmbito do CREIAS Oeste e mais uma vez foi muito
apreciada pelos participantes. Mais informações sobre este mercado
no site oficial: http://www.mercadosecorurais.com.pt

n.º 32 - Novembro de 2014

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UM DIA NA ALDEIA
… UM ENCONTRO BEM À NOSSA MEDIDA E POSSIBILIDADE, POUCO PRETENSIOSO MAS SEM MEDO DE
SONHAR, EM PROL DE UMA COEXISTÊNCIA MAIS CÚMPLICE ENTRE A NATUREZA E ENTRE AS PESSOAS.

Caetana Serôdio

O dia 14 de Junho marcou uma nova etapa naquele que tem sido um processo de dinamização da aldeia do
Pereiro, na serra do Montejunto, pela Mudar para o Campo e ES Associação – Energia Sustentável.
Desta vez foi para que gente de fora pudesse vir e conhecer este precioso canto da serra, ajudar a pensar
possíveis recursos e destinos para a comunidade. A ideia era reconhecer vontades que co-existem na zona
e preparar o solo para a sementeira de sonhos. Algum trabalho já tem sido feito ao nível da consciência
comunitária da aldeia, essencialmente de levantamento de recursos, memórias, tradições e desejos para o futuro
com um pequeno questionário realizado porta-a-porta. Que sentimentos existem nesta comunidade tradicional?
Já dizia o nosso Gonçalo Ribeiro Teles: “As paisagens em Portugal são, talvez, os mais expressivos valores da
nossa cultura. Elas representam o esforço colectivo e solidário de sucessivas gerações da mesma gente. São a
realidade física, biológica e cultural em que vivemos, quadro vivo do quotidiano, herança transmitida a defender
e legar aos vindouros. São memória, presente e ponto de partida para o futuro.”
Cada vez mais são os que fogem dos escapes, do stress e da formatação para a infelicidade das grandes
cidades. A procura de refúgio mais perto da Terra tem sido um sinal dos nossos tempos e muitos projectos novos
e altamente inovadores têm despertado pelo território português como cogumelos (que lentamente
se alimentam do que já não serve, como força de vida, contrapondo-se à destruição). Como a Carochinha, diz a
Pereira, comunidade intencional que dá o braço ao seu irmão Pereiro:
“Quem quer casar com a Pereirinha, tão bonita e pequenina; e criar um espaço bom para ser e crescer?”.
Assim nasce o Um Dia na Aldeia, um encontro bem à nossa medida e possibilidade, pouco pretensioso mas sem
medo de sonhar, em prol de uma coexistência mais cúmplice entre a natureza e entre as pessoas.
E, dadas estas premissas, a proposta foi esta (e correu bem bem): O sr. Zé Moleiro (do Vilar)
mostrou-nos o moinho e deu-nos conversa (quanto valem os seus ensinamentos?); já na adega “a cooperativa”
do Pereiro conversámos, discutimos, sonhámos e comemos pizza em forno de lenha com produtos locais
( farinha, chouriços, e vinho do Vilar e da Vermelha, queijo de Pragança, fruta e legumes do Pereiro e Murteira e
cogumelos de Pêro Moniz). Para lanchar aprendemos a fazer pão com a Cremilde. O “iced tea” era chá fresco,
caseiro, local.
Pretende-se que esta partilha do Dia na Aldeia seja regular, animada, viva e que assim se possa propagar
sementes de mudança com gérmen de conhecimento secular. Assim que temos esta como uma das nossas
máximas: “Se o velho pudesse e o jovem soubesse não havia nada que não se fizesse”. E os três princípios da
Permacultura tomámos como nossos “cuidar da Terra”, “cuidar das pessoas” e “partilhar excedentes”.
Nesta partilha de excedentes e para terminar, basta explicar que este pequeno evento se financiou
através da economia da dádiva.
“A Economia do Dom, da Doação, Economia da Dádiva ou Cultura da Dádiva consiste numa forma de organização social e não um contracto formal. Baseia-se no valor de uso dos objectos ou acções, contrapondo-se à
economia de mercado, que se baseia no valor de troca. Resgatar a economia da dádiva é restaurar o valor da
pessoa e a qualidade da relação entre indivíduos e grupos. A emergência de um paradigma da dádiva deve ser
vista como expressão de uma reacção que se faz lentamente a favor de uma re-humanização que recoloque a
inovação tecnológica, a riqueza e o poder a serviço de um ser humano compreendido na sua totalidade. Todos
temos algo para dar, por vezes só temos que encontrar em nós o
que temos para dar e estarmos dispostos a dá-lo. E também estar
dispostos a receber abertamente. Apenas pelo resgate da força
simbólica contida nas práticas sociais e pela consciência do risco
que significa se relacionar com outro ou outros (pela doação, pela
recepção e pela retribuição) podemos realçar a actualidade
de temas como confiança, reconhecimento, auto-estima, carácter e
solidariedade. As economias de oferta, pela sua criatividade,
liberdade e valorização do todo, devem ser vistas como economias
de abundância, e não de escassez.”

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n.º 32 - Novembro de 2014

PLATAFORMA AMBIENTAL PELA RECICLAGEM NA VALORSUL
EXIGE MELHOR META DE RECICLAGEM NO NOVO

PERSU

VALORSUL APENAS RECICLA 14% DOS RESÍDUOS RECICLÁVEIS
Em comunicado emitido a 29 de Setembro, a Plataforma Ambiental pela Reciclagem na Valorsul, que integra
a ADAL – Associação de Defesa de Ambiente de Loures, o MPI e a Quercus, denunciam a baixa taxa
de reciclagem que o governo pretende exigir à Valorsul na proposta do novo PERSU (Plano Estratégico para os
Resíduos Sólidos Urbanos para o período 2014 – 2020), tendo como principal condicionante a meta comunitária
de 50% de reciclagem dos materiais recicláveis em 2020.

A consulta pública do novo PERSU a 8 de Setembro, ou seja decorreu durante o período habitual de férias,
e sendo sobre uma matéria tão importante para a sociedade portuguesa revela falta de respeito do Ministério do
Ambiente para com os cidadãos.
A meta de reciclagem prevista para a Valorsul é de apenas 42%, o que para nós é inaceitável!
Segundo dados de 2013 a Valorsul recicla apenas 14% dos resíduos recicláveis, estimando-se que 73% do total
dos resíduos urbanos são recicláveis. Ora, a Valorsul gere cerca de um quinto do total de RSU produzidos em
Portugal, e outro grande sistema, também com incineradora, a Lipor (área metropolitana do Porto), as metas
previstas na proposta para estes sistemas são consideravelmente abaixo dos 50%; 42% e 35% respectivamente,
fazendo assim recair injustamente um esforço acrescido nos sistemas que já têm Tratamento Mecânico
e Biológico (TMB), e que sempre defendemos que deveria existir no Oeste, para que a nível nacional se tente o
cumprimento da meta exigida. A título de exemplo, a taxa de reciclagem proposta pelo Ministério do Ambiente
para os sistemas que possuem unidades de TMB é de 80%!

Com esta estratégia ardilosa, dá o Ministério do Ambiente razão às associações de defesa do ambiente, que
sempre defenderam que a incineração compromete a reciclagem e que a melhor solução para a gestão dos RSU
assenta no TMB. Para além do tratamento dos resíduos é ainda necessário alargar a recolha selectiva
porta-a-porta, na área servida pela Valorsul, em que actualmente apenas é praticada em Lisboa e em Óbidos,
sendo a taxa de recicláveis muito superior aos ecopontos.
Por uma questão de justiça e legalidade, a Plataforma
Ambiental pela Reciclagem na Valorsul só pode esperar
que a situação seja devidamente considerada
no pressuposto da boa-fé do Ministério do Ambiente.

3 JULHO - DIA INTERNACIONAL SEM SACOS DE PLÁSTICO
Estabeleceu-se este dia com o objectivo de alertar
a sociedade para a necessidade de reduzir o consumo
e utilização excessiva de sacos de plástico descartáveis, o
qual tem sido cada vez mais elevado. Estima-se que cada
cidadão europeu consome, em média, 198 sacos de plástico/
ano. Segundo a Comissão Europeia, o consumo de sacos de
plástico descartáveis (denominados por sacos leves)
em Portugal, ronda os 466 sacos/habitante/ano.
Na maioria das vezes os sacos terminam no lixo após
uma única utilização, ou acabam por ser libertados no ambiente, constituindo um problema ambiental grave em termos
de poluição, principalmente dos meios marinhos, com impactes directos e indirectos para a saúde e economia.
A Quercus e a Associação Portuguesa de Lixo Marinho fizeram uma acção de rua colocando à porta
da Assembleia da República 466 sacos descartáveis, e entregando um parecer sobre os impactos e propostas para
reduzir o consumo e a distribuição gratuita de sacos descartáveis.
Medidas como o pagamento de 0,02€/saco aumenta para 50% a taxa de reutilização e contribui para
uma optimização do seu uso em 20%. No entanto, precisamos de ir mais longe se realmente amamos as gerações
mais novas e nos preocupamos com as futuras!
É preciso que todos contribuam para resolver este problema. É indispensável mudar hábitos e levar sempre
sacos quando vamos às compras, de preferência de pano ou outros materiais duradouros!

n.º 32 - Novembro de 2014

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2014 - ANO INTERNACIONAL DA AGRICULTURA FAMILIAR

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Alexandra Azevedo

A agricultura de base familiar para auto consumo ou para comércio de
proximidade é a forma agrícola predominante no sector de produção
alimentar mundial.
Apesar da industrialização da agricultura, que se intensificou no pós-2ª
guerra mundial, a agricultura de subsistência ainda é predominante.
Assim, na 66ª sessão plenária da Assembleia Geral das Nações Unidas
(ONU), decidiu-se dedicar o ano 2014 à agricultura familiar.
A agricultura familiar e de pequena escala está, intimamente, ligada
à segurança alimentar mundial. Este tipo de produção tem muito mais
baixos impactos ambientais, preserva os alimentos tradicionais, cuida
a paisagem, respeita os ciclos naturais, para além de contribuir para a protecção da biodiversidade, de sementes
e variedades autóctones. Impulsiona as economias locais e regionais.
Agricultura familiar em números
Há mais de 570 milhões de explorações agrícolas no mundo. 500 milhões dessas explorações pertencem
a famílias e são responsáveis por pelo menos 56% da produção agrícola mundial.
Na Europa a agricultura familiar representa 68% da produção.
Em Portugal e na nossa região oeste a agricultura familiar confunde-se com a agricultura nacional, uma vez
que 96% das explorações agrícolas são familiares.
E a posse da terra? Bem, aí os números divergem. Para a FAO – Organização para a Alimentação e Agricultura
e outras agências da ONU apontam 60 a 70% da posse da terra arável mundial aos pequenos agricultores
e camponeses, mas as suas organizações apontam números bem inferiores.
Com fome de terras: os povos indígenas e agricultores alimentam o mundo com menos de um quarto
das terras agrícolas do mundo
Este é o título de uma análise bastante exaustiva da GRAIN, uma organização internacional que apoia
camponeses e movimentos sociais que lutam por sistemas alimentares baseados na biodiversidade e controlados
comunitariamente, que denuncia várias situações de expulsão de povos indígenas, camponeses e agricultores das
suas terras. A terra arável está cada vez mais concentrada nas mãos dos ricos e poderosos, não nos camponeses e
povos indígenas.
Se a comemoração deste ano poderia ser um bom sinal de que se pretende inverter a trajectória das últimas
décadas, em políticas que têm favorecido o abandono da agricultura pelas condições de mercado acessíveis só
aos grandes produtores e empresários agrícolas, os quais já perderam muitas das características de agricultor, no
verdadeiro sentido da palavra; nomeadamente o contacto e o respeito pela terra, mas ao invés, usam maquinaria
pesada e envenenam permanentemente o ambiente e os alimentos com as aplicações frequentes de fertilizantes
químicos e toda a espécie de pesticidas; por outro sente-se que os verdadeiros responsáveis, políticos dos países
do Primeiro Mundo ou mais industrializados, nomeadamente a Comissão Europeia, não estão seriamente
comprometidos nesta mudança, como se não bastasse décadas de políticas e financiamentos no âmbito da PAC
ruinosos para a pequena produção, e países como Portugal foram dos que mais se ressentiram, e não o fez por
falta de aviso, dos mais diversos quadrantes, prepara-se agora para um acordo de livre comércio transatlântico
com os Estados Unidos da América que será a “cajadada final”, caso venha a ser aprovado.
Em conclusão
A agricultura familiar precisa de ter acesso à terra, acesso ao mercado, dispensa os transgénicos e precisa,
como de "pão para a boca", de sementes de polinização livre e de recuperar a agrobiodiversidade que ainda for
possível, para uma produção mais resiliente aos desafios que se irão colocar no actual cenário de alterações
climáticas!
Todos nós, como cidadãos e consumidores, podemos fazer a diferença ao preferir comprar o mais directamente possível ao produtor. Já há algumas alternativas na nossa região, como o mercado Eco-Rural no Cadaval,
mercados de produtores em Torres Vedras, Biofrade na Lourinhã, o PROVE (um projecto de venda directa com
entrega de cabazes ao domicílio ou em locais estabelecidos que já são em vários pontos do país, estando na nossa
região em Alenquer, Caldas da Rainha, Mafra e Torres Vedras (www.prove.com.pt). Quanto mais os apoiarmos,
mais diversidade de produtos e locais onde os comprar teremos.
Fontes: Debate A AGRICULTURA FAMILIAR E OS NOVOS DESAFIOS, Festa da Família Rural, Fundação João XXIII-Casa do
Oeste, 1 de Junho de 2014) e http://goo.gl/VKcxVA

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BREVES
Campanha contra Herbicidas em Espaços Públicos
Dia 24 de Outubro foi publicamente divulgada a autarquias que subscreveram o manifesto “Autarquia sem
glifosato” ou seja, que assumem formalmente o compromisso de eliminar ervas através de alternativas
mais ecológicas. São elas:
– Municípios: Castelo de Paiva, S. Vicente e Vila Real de Trás-os-Montes.
– Freguesias: Carvalheira (em Terras de Bouro), Estrela (em Lisboa), Cinfães, Oliveira do Douro, S. Cristóvão de Nogueira e Tarouquela (todas em Cinfães)
Todas as autarquias optaram por meios de monda manual (à mão e enxada) e mecânica (moto roçadora e destroçador), e algumas ponderam outras opções, nomeadamente métodos térmicos (as diversas alternativas estão
descritas em http://tinyurl.com/p5bgcwn). Em “Comunicado: Primeiras autarquias avançam no combate a herbicidas em espaços públicos, Quercus e Plataforma Transgénicos Fora, 24/10/2014.
Cientistas pedem a suspensão dos transgénicos em todo o mundo
Numa carta aberta assinada por 815 cientistas de 82 países dirigida a todos os governos. Estão extremamente
preocupados com os perigos que os transgénicos representam para a biodiversidade, a segurança alimentar, a
saúde humana e animal. Opõem-se aos cultivos transgénicos que intensificam o monopólio corporativo,
exacerbam as desigualdades e impedem a mudança para uma agricultura sustentável que garanta a segurança
alimentar e a saúde em todo o mundo. Apelam ainda à proibição de qualquer tipo de patentes de formas de vida
e processos vivos e querem apoio maior à pesquisa e ao desenvolvimento de uma agricultura não corporativa,
sustentável, que possa beneficiar as famílias de agricultores em todo o mundo.
Fonte: http://goo.gl/5H9VXz
Venezuela prepara legislação para proteger os seus agricultores e a soberania alimentar.
A Assembleia Nacional da Venezuela elabora um anteprojecto de lei para proibir o uso e consumo
de alimentos transgénicos no país. O ministro de Agricultura e Terras, Yván Gil, afirmou que o anteprojecto da
Lei de Sementes “garantirá a participação dos camponeses e do produtor agrícola nos planes de produção de
alimentos” e lhes oferecerá um “marco legal para se defenderem das empresas transnacionais”.
Fonte: http://www.librered.net/?p=30043
México proíbe milho transgénico
Um tribunal federal ordenou à secretaria de agricultura e à secretaria do ambiente do México para suspender
imediatamente todas as actividades que envolvam a plantação de milho transgénico no país e acabar
com a permissão para campos de ensaio e plantações comerciais piloto.
A proibição sem precedentes foi concedida pelo 12º Tribunal Distrital Federal de Assuntos Civis da Cidade
do México. Juiz Jaime Eduardo Verdugo J. escreveu a opinião e citou "o risco de dano iminente
ao meio ambiente" como base para a decisão.
Esta notícia é ainda mais importante pelo facto do México ser o berço do milho no Mundo e há evidência
científica desde 2001 da existência de contaminação de variedades de milho nativo contaminado por milho
transgénico.
Fonte: http://goo.gl/Uuloi0
França contra os transgénicos:
- Governo francês lança estudo sobre efeitos de longo prazo dos transgénicos e proibiu o cultivo de milho
transgénico (MON 810)
Duas excelentes notícias que animam a luta anti-OGM! O governo francês não esperou pela Comissão
e lançou em Julho de 2013 o seu próprio estudo sobre os efeitos de longo prazo dos transgénicos e em Março de
2014 proibiu o cultivo milho transgénico (MON 810) justificando que o seu cultivo, "sem medidas de gestão
adequadas, representaria riscos graves para o ambiente, assim como perigo de propagação de organismos danosos".
Fontes: Actu-Environnement, July 15, 2013 http://goo.gl/ndSTq4 e http://goo.gl/1SCJzX

n.º 32 - Novembro de 2014

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- Estado francês destruiu um campo de milho OGM na região Tarn-et-Garonne. A policia foi chamada
a intervir para afastar alguns agricultores que se encontravam no local e que pretendiam impedir que o tractor
destrui-se o campo de milho transgénico.
Fonte: http://goo.gl/yBQ8Nq

- Tribunal ilibou 54 activistas que tinham destruído um campo de vinha transgénica. Os juízes decidiram que
a autorização ministerial para permitir que um órgão de pesquisa do governo, INRA (Instituto Nacional
de Pesquisa Agronómica), para testar as culturas numa área rodeada por outros vinhedos era "ilegal".
Fonte: http://goo.gl/gtx377

Rússia adia cultivo OGM por três anos
O Primeiro Ministro russo Dmitry Medvedev afirmou que “Nós [russos] podemos alimentar-nos
com produtos normais, comuns, não geneticamente modificados. Se os americanos gostam de comer tais
produtos, eles que comam. Nós não precisamos de fazer isso; temos espaço suficiente e oportunidades para a
produção de alimentos biológicos”.
Fonte: http://rt.com/news/154032-russia-gmo-food-ban/

Transgénicos estão proibidos nos refeitórios dos militares chineses
Esta decisão vem na sequência da publicação de um artigo escrito por Mi Zhen-Yu, ex-vice-presidente da
Academia de Ciências Militares da China, alertando para os riscos de saúde de soja GM para o povo chinês.
Fonte: http://goo.gl/8yLYcq

ECO-RECEITA: CROQUETES DE TREMOÇO

Alexandra Azevedo

Ingredientes: 400g de tremoço cozido e descascado,1 cebola
(cerca de 150g), 3 ovos, cerca de 70g de pão ralado, 2 - 3 dentes de
alho, sal, orégãos e óleo.
Modo de preparação: Triturar o tremoço na picadora 1,2,3. Picar
muito finamente a cebola e o alho. Misturar estes ingredientes, o pão
ralado, os ovos e temperar com sal e orégãos. A mistura tem de permitir a moldagem dos croquetes. Rolar em pão ralado e fritar.
Como preparar o tremoço seco: demolhar 24 horas. Cozer durante
30 minutos temperando a água com um dente de alho e um raminho
de orégãos. Mudar a água todos os dias, de preferência 2 vezes por
dia, até o tremoço perder o sabor amargo, o que demorará cerca de 5 a 7 dias. Na última água temperar com sal
para conservação do tremoço.
Sabia que o tremoço:
- é bastante rico nutricionalmente em proteína, fósforo, cálcio, vitaminas E e do complexo B, potássio, ácidos
gordos insaturados (ómega 3 e 6), ferro e fibras?
- auxilia o controlo da glicémia (teor de açúcar no sangue)?
- reduz o apetite?
- tem propriedades emolientes, diuréticas e cicatrizantes que favorecem a renovação das células?
As potencialidades gastronómicas do tremoço são inúmeras e há muito por explorar!

Ficha técnica
Directora: Alexandra Azevedo / Paginação: Nuno Carvalho / Colaboraram nesta edição:
Alexandra Azevedo, Caetana Serôdio
Impressão com o apoio da Junta de Freguesia de Vilar
Propriedade: MPI - Movimento Pró-Informação para a Cidadania e Ambiente
Largo 16 de Dezembro, 2 / Vilar / 2550-069 VILAR CDV
tel:/fax: +351 262 771 060 email: mpicambiente@gmail.com
Web site: http://mpica.info

espaço

Alexandra Azevedo

Jovem Atento
Abelhas e outros polinizadores gritam
SOCORRO!
O que seria de nós sem as abelhas? Morreríamos de fome L, porque são elas, que em primeiro lugar,
contribuem para a polinização, isto é, fazem com que as plantas produzam frutos, o que inclui a nossa comida!
Mas há mais insectos que também ajudam na polinização. Sabes quais são? Não? Nós ajudamos: os abelhões, as borboletas, os besouros, as joaninhas, as vespas e … até as moscas! Quem diria? E há muitos mais, mas
de todos não há dúvida que as abelhas ganham, porque têm umas patas especiais para carregar o pólen,
e embora a principal preocupação das abelhas seja … comê-lo e levá-lo para a colmeia, vão sempre deixando cair
algum pólen durante o caminho nas outras flores e por isso são grandes polinizadoras.
Mas, há muitas ameaças à sobrevivência de muitos destes insectos: a destruição das florestas, o uso de
pesticidas que matam ervas (e logicamente as suas flores) e insectos, os transgénicos, … Eles gritam por SOCORRO! Vamos ajudá-los? Vamos ajudar os polinizadores!
Armadilhas para insectos praga
Em vez de pulverizarmos com produtos venosos as nossas árvores de
fruto podemos pendurar nos seus ramos armadilhas para os insectos que
podem causar problemas, como a mosca da fruta. É muito fácil, mas é melhor pedires a ajuda de um adulto.
Material necessário:
- Uma garrafa de plástico de 1,5 litros
- Uma tesoura com uma ponta afiada
- Um pedaço de corda de meio metro
- 3 dl de líquido atractivo: Urina ou uma mistura de 2,5dl de água +
25 ml de vinagre + 25 g de açúcar
Como construir?
Basta cortar com a tesoura a parte de cima da garrafa, mais ou menos 10 cm abaixo do gargalo. Fazer um buraco de cada lado na parte debaixo e na parte de cima da garrafa,
com a ponta afiada da tesoura. Virar a parte de cima da garrafa para baixo e encaixar na parte de cima. Passar
a corda dando um nó em cada ponta para segurar as duas partes e servir de alça para pendurar a nossa
armadilha. Depois basta colocares um pouco da tua própria urina ou a mistura de água, açúcar e vinagre. As
moscas irão entrar, mas não vão conseguir sair.
E já está! Agora é só pendurares na árvore. Quantas mais armadilhas colocares mais eficaz será
este método.
Abrigos para insectos
Tal como nós os insectos precisam de uma “casa”. Para eles é mais simples, porque bastam ramos secos,
palha, pedaços de madeira, telhas velhas, tijolos, canas ou cartão para se fazerem abrigos perfeitos. Como cada
insecto tem as suas preferências devemos usar materiais diversos para agradar ao maior número possível de
espécies diferentes. Se pesquizares na internet “Hotel para insectos” vão aparecer boas ideias para construíres.
Muitas flores
Os nossos jardins, as nossas hortas e os campos agrícolas devem
ter muitas flores e durante a maior parte do ano para os polinizadores
terem sempre comida por perto, por isso é importante termos muita
diversidade, não matar nem limpar todas as ervas que chamamos de
daninhas, plantar árvores ou arbustos diversos. A nossa paisagem
ficará muito mais bonita e cheia de vida!