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ESTÉTICA

Capítulo 15

Resinas Compostas em Dentes Anteriores - Princípios Estéticos

Darlon Martins Lima Daniele Meira Conde Karina Gama Kato Carneiro José Roberto de Oliveira Bauer

INTRODUÇÃO

Um dos grandes desafios da Odontologia Restauradora é realizar restaurações semelhantes à estrutura dental, uma vez que os dentes naturais são estruturas policromáticas, com sobreposição do esmalte na dentina, dois tecidos que desempenham papéis distintos e complementares na expressão da cor . A cor pode ser dividida basicamente em três dimensões – matiz, croma e valor. Matiz é a primeira dimensão da cor e distingue uma família de cor da outra, ou seja, é o “nome da cor” (p.e. vermelho, azul, amarelo). A segunda dimensão, o croma, pode ser definida como a intensidade de uma cor ou a saturação do matiz (p.e. vermelho claro, vermelho escuro). Em resinas compostas, o matiz está representado pelas letras A, B, C e D, que correspondem, respectivamente, ao marrom, amarelo, cinza e vermelho e o croma por números, que vão do 1 (mais claro) ao 7 (mais escuro) . O valor corresponde ao brilho ou luminosidade da cor e é o mais importante das três dimensões no efeito policromático. Se o valor for baixo, o dente vai apresentar aspecto escuro. Um valor muito alto, por sua vez, torna o dente branco . Entretanto, outros fatores devem ser considerados para o alcance da excelência estética em restaurações diretas de resina composta, como o conhecimento das propriedades ópticas dos tecidos dentais - translucidez, opalescência e fluorescência - e das propriedades inerentes dos materiais restauradores estéticos1, que devem idealmente reproduzir as características dos tecidos comprometidos . Existe atualmente uma diversidade de sistemas de resinas diretas, com novas opções, que podem gerar dúvidas sobre qual material deve ser utilizado . Este capítulo tem o objetivo de descrever as características ópticas inerentes às estruturas dentárias e fazer uma abordagem dos tipos de resina utilizados para dentes anteriores. Também ilustra o protocolo clínico a ser seguido, a fim de conferir à restauração características semelhantes às do dente natural, atendendo tanto requisitos funcionais quanto estéticos, necessários para o sucesso clínico.

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CARACTERÍSTICAS ÓPTICAS DAS ESTRUTURAS DENTAIS

Translucidez e opacidade Translucidez pode ser definida como a propriedade em que um corpo permite a passagem de luz, mas a dispersa de modo que os objetos não possam ser completamente vistos através dele. O esmalte é um tecido altamente translúcido e pouco saturado, atuando

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22 Figura 1 - Translucidez do esmalte. Identificação dos mamelos dentinários (M) e halo opaco (H).

Figura 1 - Translucidez do esmalte. Identificação dos mamelos dentinários (M) e halo opaco (H).

dos mamelos dentinários (M) e halo opaco (H). Figura 2 - Opalescência: luz direta (aspecto azulado).

Figura 2 - Opalescência: luz direta (aspecto azulado).

(H). Figura 2 - Opalescência: luz direta (aspecto azulado). Figura 3 - Opalescência: transiluminação (aspecto

Figura 3 - Opalescência: transiluminação (aspecto alaranjado).

como um filtro que permite a visualização da cor dentinária, sendo o principal responsável pelo valor dos dentes naturais. Quando a

luz é incapaz de atravessar um objeto, sendo totalmente absorvida e/ou refletida, este é considerado opaco .Adentina apresenta esse comportamento óptico, uma vez que tem baixa translucidez e alta saturação, sendo a principal responsável pelo matiz e croma básico dos dentes .

O grau de translucidez de um objeto depende da sua espessura. Na dentição natural, a espessura do esmalte varia ao longo de sua

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extensão, é maior no terço incisal, e diminui gradualmente para o terço cervical . Dessa forma, a translucidez do esmalte na região

cervical é alta, permitindo uma percepção mais clara da dentina . No terço incisal a cor é definida, basicamente, pelas características do esmalte. Nessa região, a dentina é delgada e disposta em projeções digitiformes, conhecidas como mamelos (Figura 1). A sobreposição do esmalte sobre a dentina em diferentes espessuras, de acordo com a região do dente, é a grande responsável pelo policromatismo observado nos dentes .

O mesmo princípio aplica-se à idade do paciente. Dentes mais velhos apresentam esmalte mais fino e mais translúcido, como

resultado do desgaste fisiológico, tornando-se, ao longo do tempo, quase transparentes. A dentina também sofre modificações decorrentes de sua deposição contínua e aumento da mineralização, o que afeta as propriedades ópticas do tecido, que se torna mais

saturado. Dessa forma, dentes mais velhos apresentam-se mais amarelados. Por outro lado, dentes jovens aparentam ser brancos e

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luminosos, uma vez que a maior espessura de esmalte atenua a cor da dentina e sua textura aumenta a dispersão e reflexão da luz . As resinas compostas atuais apresentam diferentes matizes e opacidades que imitam a cromaticidade e a translucidez do esmalte e da dentina , o que permite a criação de várias tonalidades, que vão desde o muito translúcido, necessário para reconstrução de bordas incisais e camadas externas de esmalte, ao muito opaco, fundamental para uma restauração que substituirá a dentina . Opalescência

A opalescência é a propriedade óptica referente à transmissão seletiva de ondas longas e reflexão de ondas curtas por um material

transparente ou translúcido. Essa característica ocorre em todo o esmalte dentário, sendo mais evidente no terço incisal, onde existe

maior espessura deste tecido e pouca ou nenhuma quantidade de dentina . É mais visível em dentes jovens e praticamente inexistente nos mais velhos por causa do desgaste incisal e da falta de espessura suficiente de esmalte .

A opalescência confere ao esmalte a característica de possuir diferentes colorações sob diferentes orientações dos raios luminosos.

Devido à opalescência, uma região pode parecer azulada, quando observada sob luz direta, e alaranjada, quando observada sob transiluminação (Figuras 2 e 3). Esse comportamento da luz na estrutura do esmalte pode ser explicado pela sua composição. Os cristais de hidroxiapatita são seletivos para os diferentes comprimentos de onda que compõem a luz visível, permitem a passagem das ondas longas, principalmente o vermelho e o laranja, que atingem a interface palatal do dente, e refletem as ondas curtas (verde, violeta e azul) . Dessa forma, durante a restauração, a área incisal não deve ser feita com pigmentos que confiram caráter estático e permanente, e

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sim com materiais opalescentes, capazes de conferir naturalidade à restauração . A opalescência é reproduzida por agentes opalescentes, que são partículas finas ou extrafinas, incorporadas à resina composta, responsáveis pela dispersão da luz dentro da estrutura dental. O grau de dispersão da luz, e consequentemente de opalescência do material restaurador, varia de acordo com o tamanho e quantidade dessas partículas . As gradações de cores mais encontradas vão do azul em crianças, cinza em adultos e

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23 Figura 4 - Fluorescência. 14 âmbar nos dentes mais velhos . Halo opaco Ainda no

Figura 4 - Fluorescência.

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âmbar nos dentes mais velhos . Halo opaco Ainda no terço incisal, na região da borda, é possível visualizar uma linha opaca, conhecida como halo opaco, que varia em espessura, contorno e extensão proximal de dente para dente (Figura 1). Esse fenômeno óptico é decorrente da angulação do esmalte na borda incisal, que modifica a forma como a luz é refletida e refratada , assumindo coloração diferente, que geralmente varia com a idade do dente. Fluorescência Fluorescência é um tipo de fotoluminescência em que um corpo absorve energia de uma fonte luminosa fora do espectro visível do olho humano e emite luz visível . Nos dentes naturais, a fluorescência é caracterizada pela absorção de luz ultravioleta - contida na luz solar e no espectro emitido por lâmpadas especiais como a “luz negra” - invisível aos olhos humanos, seguida da emissão de luz visível, de cor azulada . (Figura 4). Embora tanto o esmalte quanto a dentina apresentem fluorescência, esse fenômeno manifesta-se principalmente na dentina devido à presença de maior quantidade de pigmentos orgânicos que são fotossensíveis aos raios ultravioletas . A fluorescência natural dos tecidos dentários é uma característica importante que deve ser reproduzida em restaurações de resina composta, atribuindo-as vitalidade e luminosidade . Embora os componentes básicos das resinas compostas não apresentem fluorescência, esta qualidade pode ser alcançada através da agregação de substâncias fluorescentes à sua composição, em maior ou menor quantidade, como óxidos de terras raras, que podem atribuir alta, média ou baixa fluorescência à resina .

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TIPOS DE RESINAS COMPOSTAS PARADENTESANTERIORES

Os primeiros sistemas resinosos introduzidos no mercado odontológico apresentavam basicamente na parte orgânica uma matriz polimérica constituída de Bis-GMA, que associa o metacrilato de glicidila a um bisfenol, conferindo maior viscosidade ao sistema. A porção inorgânica possuía partículas de carga, previamente silanizadas, proporcionando melhor interação entre as moléculas. Caracterizavam-se por apresentar baixa resistência ao desgaste, alta rugosidade superficial e escassas opções de matiz e croma. Associado a isso, a contração resinosa resultante da aproximação atômica após a conversão de monômeros em polímeros, era um desafio responsável pela microinfiltração marginal, formação de fendas, descoloração de margens, sensibilidade pós-operatória e consequente insucesso da longevidade da restauração . Ao longo dos últimos 50 anos os aprimoramentos resultaram em sistemas de menor contração da cadeia polimérica, os quais associados a técnicas de aplicação e ativação melhoram o desempenho clínico dos materiais restauradores estéticos . A redução das partículas da matriz resinosa confere menor espaço para contração interna, e a maior quantidade de carga relaciona-se com a resistência intrínseca do compósito . Sendo assim, conhecer as características físico-químicas mediante a composição e o desempenho clínico dos materiais favorece a escolha do sistema correto para determinada indicação . As resinas compostas para dentes anteriores podem ser classificadas em:

-Macropartículas

-Micropartículas

-Microhíbridas

- Nanopartículas

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24 Figuras 5 e 6 - Fratura de incisivo central superior. Vista vestibular e lateral. Figura
24 Figuras 5 e 6 - Fratura de incisivo central superior. Vista vestibular e lateral. Figura

Figuras 5 e 6 - Fratura de incisivo central superior. Vista vestibular e lateral.

de incisivo central superior. Vista vestibular e lateral. Figura 8 - Isolamento absoluto modificado. Bisel

Figura 8 - Isolamento absoluto modificado. Bisel confeccionado.

8 - Isolamento absoluto modificado. Bisel confeccionado. Figura 9 - Condicionamento com ácido fosfórico e
8 - Isolamento absoluto modificado. Bisel confeccionado. Figura 9 - Condicionamento com ácido fosfórico e

Figura 9 - Condicionamento com ácido fosfórico e proteção dos dentes vizinhos.

com ácido fosfórico e proteção dos dentes vizinhos. Figuras 11 e 12 - Matriz de silicone

Figuras 11 e 12 - Matriz de silicone utilizada para acomodação da primeira camada de esmalte.

utilizada para acomodação da primeira camada de esmalte. F i g u r a 7 -

Figura 7 - Seleção de cor.

a 7 - S e l e ç ã o d e c o r .

Figura 10 - Modelo de estudo com enceramento diagnóstico.

. Figura 10 - Modelo de estudo com enceramento diagnóstico. Figura 13. Parede palatina reconstruída. Macropartículas

Figura 13. Parede palatina reconstruída.

Macropartículas Referenciada segundo alguns autores como convencionais, foi inicialmente constituída de Bis-GMA e posteriormente associada a monômeros de baixo peso molecular como o TEG-DMA (Trietileno glicidil dimetacrilato) e ao UDMA (Uretano dimetacrilato) para melhorar sua fluidez e o manuseio . Apresentavam partículas com tamanho médio de 15um e 70% a 80% de peso em carga inorgânica, geralmente constituída de quartzo.Adaptic (Jonhson & Jonhson) e Concise (3M) são exemplos comerciais . Essas resinas possuíam baixa resistência ao desgaste, elevada rugosidade superficial e porosidades internas que comprometiam a saúde periodontal pelo acúmulo de placa. Apresentavam sistema de polimerização química e durante a manipulação, bolhas eram incorporadas, além de possuírem tempo de trabalho limitado. Tais características culminaram na modificação desses compósitos . Micropartículas Seguindo a evolução dos compósitos resinosos, na tentativa de amenizar a rugosidade das resinas convencionais, resinas com partículas de menor tamanho foram introduzidas no mercado. A sílica coloidal constitui a parte inorgânica com 40 a 50% do peso total, tamanho de 0,01 a 0,1um, formato esférico e regular, o que facilitou a manipulação e proporcionou maior lisura de superfície após o polimento. Essas características fizeram com que essas resinas fossem indicadas para restaurações anteriores . Porém, a redução da quantidade de carga acarretou em maior deformação sob tensão, redução do módulo de elasticidade e rápida alteração de cor. Sendo assim, a longo prazo a desadaptação marginal favorece o aparecimento de recidiva de cáries e manchamento, pelo aumento da sorção de água .

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25 Figura 14 - Reprodução dos mamelos dentinários. Figura 17 - Inserção da resina para efeito

Figura 14 - Reprodução dos mamelos dentinários.

25 Figura 14 - Reprodução dos mamelos dentinários. Figura 17 - Inserção da resina para efeito

Figura 17 - Inserção da resina para efeito opalescente.

Figura 17 - Inserção da resina para efeito opalescente. Figua 20. Esmalte vestibular reconstruído. Figura 15

Figua 20. Esmalte vestibular reconstruído.

opalescente. Figua 20. Esmalte vestibular reconstruído. Figura 15 - Reconstrução do halo opaco. Figura 18 -

Figura 15 - Reconstrução do halo opaco.

reconstruído. Figura 15 - Reconstrução do halo opaco. Figura 18 - Resina de efeito opalescente aplicada.

Figura 18 - Resina de efeito opalescente aplicada.

opaco. Figura 18 - Resina de efeito opalescente aplicada. Figura 21 - Borrachas abrasivas e escova

Figura 21 - Borrachas abrasivas e escova de carbeto de silício utilizadas na fase de acabamento e polimento.

de silício utilizadas na fase de acabamento e polimento. Figura 16 - Extensão do halo opaco

Figura 16 - Extensão do halo opaco para proximal.

Figura 16 - Extensão do halo opaco para proximal. Figura 19 - Inserção da resina de

Figura 19 - Inserção da resina de esmalte.

para proximal. Figura 19 - Inserção da resina de esmalte. Figura 22 - Aspecto final após

Figura 22 - Aspecto final após acabamento e polimento. Características dentais reproduzidas.

Suas partículas extremamente pequenas e em pouca quantidade permitem que o feixe de luz atravesse o corpo do material, o que lhes confere alto grau de translucidez. Entretanto, podem apresentar opacidade desde que pigmentos brancos sejam incorporados, oferecendo assim uma barreira para o feixe de luz . Micro-híbridas Resultaram da necessidade em associar a qualidade estética das resinas de micropartículas e a resistência das resinas de macropartículas, associando o aumento da quantidade de carga em peso e o tamanho das partículas de sílica de 0,4 -1,0um, as quais apresentam porções pré-polimerizadas que favorecem a qualidade da longevidade da restauração. São considerados sistemas universais, pois sua indicação clínica abrange dentes anteriores e posteriores, combinando resistência ao desgaste e polimento satisfatórios . Nanopartículas Essas resinas apresentam características clínicas favoráveis semelhantes às microhíbridas, sendo consideradas a evolução desses sistemas . Caracterizam-se por demonstrar uma excelente qualidade estética, pois possuem alto grau de polimento, devido ao tamanho de suas partículas (5 a 100nm = 0,1um) e elevada resistência ao desgaste, pela maior incorporação de carga (aproximadamente 78% em peso). A introdução da nanotecnologia na confecção da matriz resinosa proporcionou uma redução na contração polimérica, uma vez que a área de contato entre as nanopartículas é maior, pelo seu tamanho reduzido e formato esférico.

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26 Figuras 23 e 24 - Aspectos laterais da restauração finalizada. Contorno e forma devolvidos. Figuras
26 Figuras 23 e 24 - Aspectos laterais da restauração finalizada. Contorno e forma devolvidos. Figuras

Figuras 23 e 24 - Aspectos laterais da restauração finalizada. Contorno e forma devolvidos.

da restauração finalizada. Contorno e forma devolvidos. Figuras 25 e 26 - Restauração concluída. Dessa forma,
da restauração finalizada. Contorno e forma devolvidos. Figuras 25 e 26 - Restauração concluída. Dessa forma,

Figuras 25 e 26 - Restauração concluída.

Dessa forma, apresentam menor espaço para a aproximação atômica quando polimerizadas . As partículas nanoméricas permitem a transmissão de luz, o que resulta na alta translucidez dessas resinas13. Possuem indicação universal e podem ser utilizadas tanto na reprodução de esmalte como de dentina. Algumas apresentações comerciais recebem a denominação de nano-híbridas (Grandio, VOCO e Premise, Kerr) , e são caracterizadas pela incorporação de partículas pré-polimerizadas à matriz resinosa .

A análise do comportamento óptico da dentição natural, bem como o uso de materiais restauradores apropriados, entretanto, não

proporciona necessariamente um resultado estético favorável. É necessário aplicar uma técnica que permita o desempenho satisfatório do material restaurador, de forma que o profissional consiga reproduzir as características dos dentes naturais5. Protocolo Clínico Para que as restaurações de resina composta em dentes anteriores tenham um bom desempenho clínico, todos os passos operatórios

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devem ser respeitados, dando a cada um a sua devida importância . Torna-se necessário um planejamento restaurador adequado, que inclui informações adquiridas durante a anamnese, exame clínico, radiografias, fotografias e modelos de estudo detalhados. A sequência clínica a seguir descreve um caso de reconstrução de dente anterior fraturado (Figuras 5 e 6), que pode servir como base para outros tipos de restauração. Inicialmente, uma profilaxia deve ser realizada, a fim de promover a melhor visualização do campo operatório e facilitar a escolha da cor. A seleção de cor pode ser feita por meio de escalas disponíveis no mercado. A escala Vitapan Classical (Vita) é a mais utilizada pelos fabricantes de resinas compostas como padrão de referência26. Outra forma de realizar esse procedimento é utilizando pequenos incrementos de resina composta sobre a estrutura dental a ser restaurada (Figura 7). É importante que a resina seja polimerizada, pois uma leve alteração de cor é percebida após sua polimerização. Assim como a superfície dental, a resina também deve estar úmida. Um aspecto importante a ser observado é que a seleção de cor deve ser feita idealmente sob luz natural .

O isolamento do campo operatório é de fundamental importância para a manutenção de um campo limpo e livre de fluidos orais,

uma vez que a contaminação pode levar a falhas de adesão, com consequente sensibilidade pós-operatória, microinfiltração

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marginal e manchamento .

O biselamento do ângulo cavossuperficial do esmalte vestibular é um passo importante a ser considerado, uma vez que favorece a

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adaptação da resina e promove um melhor resultado estético (Figura 8). Para a confecção do bisel pode ser utilizada uma ponta diamantada cilindro-cônica “ponta de lápis” número 2200 ou uma ponta diamantada 1111, em forma de “chama de vela”, posicionada sobre a superfície do esmalte, numa angulação de 45°.

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Após condicionamento ácido da estrutura dental (Figura 9), aplicação e fotopolimerização do sistema de união de acordo com as recomendações do fabricante, segue-se a inserção do primeiro incremento de resina composta. Para tal, pode ser utilizada uma

matriz de silicone, feita a partir do modelo de estudo encerado, com a finalidade de auxiliar a acomodação da resina, dando contorno

e forma à restauração. Um incremento de resina composta de esmalte deve ser aplicado na matriz e esta posicionada e adaptada na

estrutura dental que receberá o material restaurador.Após fotoativação da resina a matriz pode ser retirada (Figuras 10 a 13).

O próximo passo é a inserção de uma resina composta opaca para a reconstrução da dentina, aplicada sobre a parede de esmalte

palatina reconstruída. Nesta etapa os mamelos devem ser reproduzidos (Figura 14). É importante lembrar que eles não são regulares, sendo alguns mais baixos e outros mais altos e respeitar essa característica confere aspecto de naturalidade. Uma margem

de aproximadamente 2mm deve ser deixada entre a ponta dos mamelos e a borda incisal para que as características incisais possam

ser reproduzidas .

Após a fotoativação da camada de dentina, um fino incremento de resina opaca em forma de tira deve ser inserido na borda incisal

da restauração (Figura 15) e ligeiramente estendido às margens proximais a fim de reproduzir o halo opaco (Figura 16). Em seguida,

deve ser fotoativado. Posteriormente, uma camada de resina translúcida com características opalescentes deve ser aplicada de forma a preencher a região entre os mamelos, bem como o espaço compreendido entre as pontas destes e o halo incisal (Figuras 17 e 18). O uso de um compósito com alta opalescência é de fundamental importância para que essa característica óptica, bastante evidente no terço

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incisal, possa ser reproduzida de maneira adequada. Segue-se a fotoativação . Uma última camada de resina composta de esmalte é inserida de forma a reconstruir o esmalte vestibular (Figuras 19 e 20). Um pincel de ponta chata deve ser utilizado para facilitar a acomodação do material restaurador na superfície dental. Segue-se novamente com a fotoativação. Os excessos podem ser retirados nesta sessão com o auxílio de lâminas de bisturi número . Os pontos de contato oclusais devem ser verificados com papel carbono e os proximais com fio dental, que deve deslizar sobre a superfície sem desfiar. Durante todo o procedimento restaurador alguns cuidados devem ser levados em consideração, como a inserção de incrementos em camadas únicas de no máximo dois milímetros de espessura, o que garante uniformidade à restauração e completa polimerização

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das camadas, respectivamente . Outro fator importante a ser observado é a espessura das camadas de esmalte e dentina, uma vez que camadas espessas em uma região que requer pouco material ou camadas delgadas em região que requer muito material podem alterar a cor final da restauração .

O acabamento e polimento devem ser executados 48 horas após o procedimento restaurador. Pontas diamantadas de granulação

fina e extrafina podem ser utilizadas para a texturização da superfície vestibular de esmalte. O acabamento pode ser finalizado com pontas de borracha ou discos de diferentes granulações. O polimento pode ser executado com discos de feltro associados a pasta diamantada, pontas de silicone específicas e escova de carbeto de silício (Figura 21). Tiras abrasivas devem ser utilizadas para o acabamento e polimento das áreas interproximais. É importante ressaltar que o acabamento e o polimento são passos de extrema importância para a obtenção de uma restauração imperceptível, com características - lisura, macro e micromorfologia – semelhantes às dos dentes vizinhos (Figuras 22 a 26). Ainda,

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a escolha pelo tipo de material depende da necessidade de cada caso e da preferência do profissional .

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os materiais restauradores atuais possibilitam a reprodução das características ópticas das estruturas dentais, permitindo a obtenção de um resultado estético satisfatório. Entretanto, para que esses efeitos possam ser reproduzidos, o conhecimento das características do material e o domínio da técnica são indispensáveis. A cada etapa do procedimento restaurador - desde um bom planejamento ao adequado acabamento e polimento - deve ser dada a devida importância. Negligenciar qualquer detalhe, por mais simples que pareça, pode levar a resultados não esperados.

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