Universidade Aberta do Brasil (UAB

)
Universidade de Brasília – (UnB)

Pólo Ipatinga MG
Instituto de Letras (IL)

Curso de Licenciatura em Letras – Português
2014 – 7º período
2º bim – Semana 06

Disciplina: Impasse na Construção do Personagem Brasileiro
Professor: Augusto Rodrigues da Silva Junior
Tutora: Ana Beatriz Cabral
Aluno: Rubem Leite (Rubem Rezende Leite Junior)
Número: 11/0051726
Atividade: Análise Literária: a literatura na internete

<p>O aluno deverá localizar um blog literário, isto é, em que se
produza literatura, mapear suas narrativas e fazer a análise de um
ou mais personagens em contos e/ou romances.</p>
<p><strong>Critérios:</strong>
Serão
consideradas,
a
qualidade da pesquisa, a menção a obras literárias e críticas,
comentários pertinentes e relevantes que demonstrem proximidade
junto ao tema estudado. É importante que todas as referências e
endereços eletrônicos estejam dentro das normas da ABNT.</p>
O trabalho deve ser enviado em formato de micro-artigo, em
arquivo word ou rtf, com dimensão entre 2 e 3 laudas que abordem
aspectos diversos do blog analisado.

O blogue analisado é Mingau Ácido,
de Marcelo Garbine. O autor e eu somos
amigos e ambos, escritores.
Mora no estado de São Paulo.
Sua escrita é diversificada. Veja o
endereço: http://mingauacido.com.br/
Segundo as palavras do autor:
Mingau Ácido é o alter ego irônico, sarcástico e politicamente incorreto do
escritor, poeta e letrista de música Marcelo Garbine. Mingau Ácido se rasteja
e corre – humilhantemente – a sacolinha, implorando encarecidamente para
que vocês o sigam no Twitter: @mingauacido. No facebook Marcelo Garbine
Mingau Ácido, você será recebido de braços abertos e, se do sexo feminino
fosse, apelaria ao ponto de ficar de pernas abertas, também. Quando criança,
Mingau Ácido sofria bullying na escola por ser herege, abominável e
escrotinho. Foram tantos os traumas de infância, que Mingau pouco evoluiu,
conservando hábitos pueris, como o de comer mingau, compulsivamente.
Mingau Ácido poderia estar roubando, poderia estar matando ou poderia
estar comendo a sua mulher. Mas não, Mingau Ácido está aqui, suando e
trabalhando duro, escrevendo suas crônicas de humor ácido para, depois,
passar por baixo de uma catraca de ônibus para vendê-las a preço de banana
para comprar feijão ou disponibilizá-las gratuitamente no blog Geração X2
para ganhar brisa na alma. Mingau Ácido já tomou três bolsadas na cara,
enquanto fazia suas compras no supermercado, de respeitosas senhoras
ofendidas, que leram as suas crônicas, viram sua foto no blog Geração X2 e o
reconheceram. Freud explica por que Mingau Ácido sempre comeu mingau,
no café da manhã, com tanta frequência a ponto de incorporar essa alcunha. E
Lavoisier explica por que Mingau Ácido é ácido, correndo o risco de corroer
a mandíbula de todos os que cometerem a imprudência de ingerir os seus
chocantes escritos. Se mesmo assim, quiseres deglutir as palavras malversas

de Mingau Ácido, não aceitaremos devolução, mesmo porque isso seria
muito nojento.

Embasado em três textos de Marcelo [As Vaginas que Nasceram no meu Rosto
(que chamarei VN); Doutora Sandra Cobra R$490,00 (que denominarei DS); e Como
Comer a Garçonete de um Bistrô (que designarei CC)] executarei o trabalho proposto.
A personagem dos textos é o próprio Marcelo, que executa as profissões de
autor, personagem e narrador. Pode-se dizer ou ao menos pensar que ele executa tripla
jornada; o que poderia lhe dar direito a aposentadoria mais cedo... Mas “Esse negócio
de ficar muito tempo pensando, mergulhado no meu mundo introspectivo, custa-me
muito caro. Pouco tempo sobra para fazer as tarefas básicas do dia-a-dia” (VN) o
desmerece e não deixa o pobre autor se lambuzar na fartura salarial dos aposentados.
O Marcelo personagem ou, como chamarei doravante, MM (Marcelo Mingau)
não sente satisfação na realização pelas necessidades básicas. Mas quem gosta?
Uma voraz reflexão toma conta de todo o meu ser: se Deus foi tão caprichoso
a ponto de ter arquitetado um corpo humano tão perfeito, por que raios não
caprichou um pouquinho mais e nos deu [...] uma tarefa tão complicada como
fazer a barba? O quê? Não é complicada? Pode ser vexatório, mas tarefas
simples pra todo mundo são complicadas pra mim. A minha barba é muito
grossa e cresce muito rápido. Isso acabou fazendo com que eu cultivasse o
hábito de delegá-la a terceiros. Eu perdi, completamente, a habilidade com
um gilete. (VN)

Eu, Rubem, também não suporto. Custei a me conformar com a “perda de
tempo” que são comer e defecar. Tanto que até hoje costumo ler enquanto faço um e
outro para usar o tempo de modo mais produtivo. Ou como um amigo meu, Érikis, que
se impacienta com o sono.
MM aprendeu na faculdade de economia a questão do excedente do consumidor
e assim ele mata “dois politicamente corretos com um único sarcasmo” (VN). Com tal
política ele não perde tempo com as necessidades básicas, impede que seu rosto seja
corrompido por vulvas urinantes, faz consulta psicológica em uma longínqua cidade,
esnoba e “transa” com uma ex-coleguinha de infância. Na verdade sua prática denota
alegria de bobo, mas quem é Rui Barbosa o tempo todo? Eu é que não sou.
E ao falar na Águia de Aia faço minha a indagação de MM, “O que nos
diferencia dos bichos?” (DS). Talvez, quem sabe, o raciocínio... Mas há inteligência nas
cabeças portadoras de ideias encaixotadas? E naquelas que aspiram aos gases dos
tartufos ou acreditam na política (não é por acaso que política e titica rimam...)

To be or not to be… Tupi ou não tupi... Ser ou não ser os bichinhos mal
cheirosos de Darwin ou um Adãozinho cheiroso... MM nos inquieta. E para calar nossa
“cachola” um poemeto “à moda de Marta Suplicy” nos ajuda a “relaxar e gozar” (VN):
Ao olhar-me no espelho
Logo vejo meu reflexo
Na falta de mulher
Com ele faço sexo.
Só eu e o espelho,
Não pára! Não pára! Não pára! Oyeh!
Entre um contra cinco e outro cinco contra um realizar um laboratório para
ampliar os conhecimentos é boa pedida. Mas pode ser em um bistrô, no blog ou “Na
minha casa ou na sua?” (CC).
Referências bibliográficas
GARBINE, Marcelo. As Vaginas que Nasceram no meu Rosto. Publicado em 08 de
abril de 2014. Acesso 25 Jun.2014, 07:45h. http://mingauacido.com.br/cronicas/2-asvaginas-que-nasceram-no-meu-rosto
_____. Doutora Sandra Cobra R$490,00. Publicado 08 de abril de 2014. Acesso 25
Jun. 2014m 08:00h. http://mingauacido.com.br/cronicas/6-doutora-sandra-cobra-r-49000
_____. Como Comer a Garçonete de um Bistrô. Publicado 06 de maio de 2014. Acesso
25 Jun. 2014m 08:23h.
Universidade Aberta do Brasil (UAB)
Universidade de Brasília – (UnB)

Pólo Ipatinga MG
Instituto de Letras (IL)

Curso de Licenciatura em Letras – Português
2014 – 7º período
2º bim – Semana 07

Disciplina: Impasse na Construção do Personagem Brasileiro
Professor: Augusto Rodrigues da Silva Junior
Tutora: Ana Beatriz Cabral
Aluno: Rubem Leite (Rubem Rezende Leite Junior)
Número: 11/0051726
Atividade: Exercício comparativo – mapa de personagens

5,00 / 5,00
Rubem,
Você foi além do solicitado na atividade e já tem o artigo pronto.
Excelente análise.
Abraços,

Ana Beatriz Cabral – terça, 8 julho 2014, 18:53
Analisar duas obras literárias trabalhadas e discutidas e
comparar personagens.
Procedimentos:
Escolher duas obras literárias trabalhadas e discutidas ao
longo das disciplinas e fazer um exercício comparativo entre
os personagens presentes nas duas obras.
O aluno poderá fazer este trabalho em forma de quadro
comparativo. Nesta ordem, devem ser considerados:
1) Personagens Principais;
2) Antagonistas (quando houver)
3) Personagens secundários e tipos da cultura brasileira.

Embaso-me na aula 3 (Pessoa – personagens em poesia) e na aula 6 (a prosa
digital) para execução da tarefa.
A narrativa não se esquiva enquanto se insinua desafiadora na relação entre
personagem, sujeito, mundo, fala e linguagem. Assim, Bernardo Soares (Fernando
Pessoa) apresenta sua personagem em “Cruz na porta da tabacaria”. Um sujeito que se
percebe no mundo e se vê como preterível. “Se morrer, não falto, e ninguém diria”.
José Mauro de Vasconcelos igualmente nos apresenta Nininha, uma árvore que
nasceu muito próxima do rio. E à medida que amadurecia ia percebendo o perigo que
corria. “O rio crescia tanto, que tocava nas raízes de Nininha. Não sentia o frio das
águas e sim de sua angústia, porejando em todo o seu ser”.
Mais alguém nos oferece personagens interessantes? Muitos! Entre eles,
Muralha. O que ele nos oferece em sua poesia descritiva? Encantamento! Não que os
demais nos reneguem maravilhas. O que aponto é a personagem de Muralha que se
torna visível como num retrato falado. “Brinca nas flores \ um saí divertido \ de sete
cores \ vestido”. Com ele o abstrato se torna não apenas legível, mas visível.
Se Soares e Vasconcelos expõem personagens cônscias de si, Muralhas nos dá
uma personagem que vive por si; que não busca refletir ou se conhecer. Mas,
espantosamente, através dos três autores o leitor se vê enquanto observa o mundo.
Pensemos agora em Álvaro Campos, outro heterônimo de Fernando pessoa. Em
sua “Tabacaria” a personagem, o narrador e o autor são a mesma pessoa: Álvaro de
Campos. Sua personagem se vê e se reconhece em baixa conta. Talvez o leitor não
possa saber se a história é real, fundamentada na vida do autor Campos-Pessoa, mas
pode ver as inúmeras vezes que ele, leitor, falhou na vida ou no “campo pessoal”.
Referindo-me não apenas aos poemas, mas ao poíesis, eis o poder e o perigo do
livro: o leitor se ver – suas feiuras e belezas. Porque se Campos e Pessoa estão presos à

época em que viveram e pela soma de tudo que formou Portugal e Europa, seus escritos,
por sua vez, percorrem e percorrerão o tempo e o espaço. Redigo, a história, a geografia,
a política, a cultura, a economia e o que mais permeou e costurou a sociedade em
uníssono à família do(s) autor(es) afetaram a forma e o conteúdo de suas escritas. Tal
regra se aplica também a Soares, Vasconcelos, Muralha e todo e qualquer outro escritor.
Então a humanidade – onde quer que esteja e quando quer que seja – ao se aproximar da
literatura vai se afastar dela um outro ser.
E para que a literatura cumpra o vaticínio de seus autores com o mínimo de
percalços desnecessários é função de o professor apresentar os livros aos educandos.
Fornecer o direito humano de gostar ou não da literatura. Sim. O ser é livre para rejeitar
a leitura. Mas não é tolerável que o humano não possa conhecê-la e ser personagem de
suas histórias.
E é preciso coragem para enfrentar o poíesis.
Soares... Vasconcelos... Muralha... Pessoa-Campos... e Marcelo Garbine.
Embasado em três textos de Garbine [As Vaginas que Nasceram no meu Rosto
(que chamarei VN); Doutora Sandra Cobra R$490,00 (que denominarei DS); e Como
Comer a Garçonete de um Bistrô (que designaria CC)] continuarei e encerrarei o
trabalho proposto.
Em geral, Garbine se assemelha a Álvaro de Campos pelo menos na questão de
ser autor e personagem. Assemelha-se porque “Esse negócio de ficar muito tempo
pensando, mergulhado no meu mundo introspectivo, custa-me muito caro. Pouco tempo
sobra para fazer as tarefas básicas do dia-a-dia” (VN). Em “Tabacaria” e nos três textos
de Garbine, as personagens são pensadoras; distinguindo-os do saí de Muralha.
A personagem-Garbine não sente satisfação na realização pelas necessidades
básicas. Mas quem gosta? Eu não suporto. Custei a me conformar com a “perda de
tempo” que são comer e defecar. Tanto que até hoje costumo ler enquanto faço um e
outro para usar o tempo de modo mais produtivo.
Mais uma vez o leitor pode se identificar com as personagens de Garbine e
Campos. Na impaciência. Seja em relação com as necessidades básicas ou com a
“infrutividade” da falta de razão:
Ele morrerá e eu morrerei.
Ele deixará a tabuleta, e eu deixarei versos.
A certa altura morrerá a tabuleta também, e os versos também.
Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
E a língua em que foram escritos os versos.
Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.

Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como
tabuletas,
CAMPOS

Todavia, o leitor é necessariamente obrigado a concordar com tal visão de vida?
A personagem-Garbine aprendeu na faculdade de economia a questão do excedente do
consumidor e assim ele mata “dois politicamente corretos com um único sarcasmo”
(VN). Com tal política ele não perde tempo com as necessidades básicas, impede que
seu rosto seja corrompido por vulvas urinantes, faz consulta psicológica em uma
longínqua cidade, esnoba e “transa” com uma ex-coleguinha de infância. Na verdade
sua prática denota alegria de bobo, mas quem é Rui Barbosa o tempo todo? Eu é que
não sou.
E ao falar na Águia de Aia faço minha a indagação da personagem-autorGarbine, “O que nos diferencia dos bichos?” (DS). Talvez, quem sabe, o raciocínio...
Mas há inteligência nas cabeças portadoras de ideias encaixotadas? E naquelas que
aspiram aos gases dos tartufos ou acreditam na política (não é por acaso que política e
titica rimam...)
To be or not to be… Tupi ou não tupi... Ser ou não ser os bichinhos mal
cheirosos de Darwin ou um Adãozinho cheiroso... a personagem-Garbine nos inquieta.
Resumindo, através das personagens de Soares, Vasconcelos, Muralha, Campos,
Garbine, o leitor, caso se permita a isso, pode ler o que não está escrito apesar de está
dito. Pode pensar e sentir sua história na história que está lendo (ou que foi lida).
Referências bibliográficas:
BRENMAN, Ilan. Através da Vidraça da Escola. 2. ed. – Belo Horizonte: Aletria,
2012.
CADEMARTORI, Lígia. O Professor e a Literatura: para pequenos, médios e grandes.
2ª ed. – Belo Horizonte: Autêntica, 2012 (série Conversas com o Professor, 1).
FERNANDES, Ronaldo Costa. A Personagem de Ficção. A ideologia do personagem
brasileiro.
GARBINE, Marcelo. As Vaginas que Nasceram no meu Rosto. Publicado em 08 de
abril de 2014. Acesso 25 Jun.2014, 07:45h. http://mingauacido.com.br/cronicas/2-asvaginas-que-nasceram-no-meu-rosto
_____. Doutora Sandra Cobra R$490,00. Publicado 08 de abril de 2014. Acesso 25
Jun. 2014m 08:00h. http://mingauacido.com.br/cronicas/6-doutora-sandra-cobra-r-49000

_____. Como Comer a Garçonete de um Bistrô. Publicado 06 de maio de 2014. Acesso
25 Jun. 2014m 08:23h.
MURALHA, Sidonio. A Dança dos Picapaus. Rio de Janeiro: Nórdica: 1976.
Poesias de Álvaro de Campos. Fernando Pessoa. Lisboa: Ática, 1944 (imp. 1993): 252.
Coimbra: Jul. 1933. Trechos do poema Tabacaria.
PENNAC, Daniel. Como Um Romance. Rio de Janeiro: Rocco, 1995.
PESSOA, Fernando. Dividiu Aristóteles a poesia em lírica, elegíaca, épica e dramática.
http://arquivopessoa.net/textos/4306
VASCONCELOS, José Mauro de. Rosinha, Minha Canoa: romance em compasso de
remo. São Paulo: Melhoramentos, 2005. Cap. Olhos Vegetais.

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