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FICHA TÉCNICA

Quiroca, Adrian H. Q48n Novo Testamento II / Adrian H. Quiroca, Santiago

Berechee, J. Victor Riofrio.

Nazarena de Publicações no Brasil, 2010. – (Série Programa Educacional Seminário sem Fronteiras, 4).

– Campinas: STNB / Casa

Tradução de : Nuevo testamento II. Bibliografia. ISBN 978-85-89081-47-4

1. Bíblia – Novo Testamento – Estudo e ensino.

CDD: 225.7

Seminário Teológico Nazareno do Brasil Programa de Formação Ministerial Reitor: Dr. Geraldo Nunes Filho Tradução: Dr. Geraldo Nunes Filho Revisão do Português: Ruth Hayashi Yamamoto Diagramação: Daniel Lima: daniel@nazareno.com.br (19) 9107-9597 Capa: Francisco Borges Coordenadora Editorial: Ebe Ferreira de Souza Acompanhamento Gráfico: Marcos Adelino Lucas 1ª Edição: Março 2010 Tiragem: Sob demanda Impressão: Gráfica Bandeirantes Direitos autorais da Edição em Português:

Seminário Teológico Nazareno do Brasil Campinas – SP – Brasil Telefone: (19) 3287-7360 Site: www.etedbrasil.com.br Parceria: Casa Nazarena de Publicações no

Brasil Rua Professor Luiz Rosa, 242 – Botafogo Campinas – SP – Brasil – 13020-260 Telefone: (19) 3234-7880 www.casanazarena.com.br administrativo@casanazarena.com.br

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Índice

UNIDADE I – EPÍSTOLAS PAULINAS

17

CLASSIFICAÇÃO DAS EPÍSTOLAS PAULINAS

21

1 TESSALONICENSES

26

2 TESSALONICENSES

36

1 CORÍNTIOS

40

2 CORÍNTIOS

50

 

GÁLATAS

57

ROMANOS

68

 

FILEMOM

77

COLOSSENSES

82

 

EFÉSIOS

88

FILIPENSES

94

1

TIMÓTEO

100

TITO

105

2

TIMÓTEO

110

ATIVIDADES DA UNIDADE I

115

UNIDADE II – EPÍSTOLAS GERAIS

117

TIAGO

118

HEBREUS

123

1 PEDRO

130

2 PEDRO

137

JUDAS

141

Novo Testamento II

UNIDADE III – EPÍSTOLAS JOANINAS E APOCALIPSE

147

1 JOÃO

148

2 JOÃO

153

3 JOÃO

156

APOCALIPSE

160

ATIVIDADES DA UNIDADE III

171

BIBLIOGRAFIA

173

UNIDADE

Prefácio

A edição dos trinta livros que formam o Curso de Formação Ministerial é o resultado de diálogos com pessoas que trabalham com a tarefa de capacitar os chamados para o ministério, para que cheguem à ordenação na Igreja do Nazareno. Esta coleção de Livros é o trabalho de amor que demandou labuta e responsabilidade da parte de cada um dos envolvidos nes- ta tarefa. A seguir, a relação dos autores dos livros do aluno e pro- fessor; Jorge L. Julca, que desempenhou o cargo de Coordenador didático dos livros do professor que acompanham esta coleção; J.Victor Riofrío que foi o Editor Geral da Segunda parte desse projeto; Adrian H. Quérula, que colaborou com o trabalho edito- rial. Damos graças a Deus pelo profissionalismo dessas pessoas, que zelaram por cumprir e manter o equilíbrio de um trabalho acadêmico sério, adequando as necessidades dos estudantes às dos que se esmeram no ensino. Agradeço a Harvest Partners (parceiros na colheita), que tem respaldado este projeto com sua contribuição financeira e com uma grande disposição para investir em homens e mulheres, a quem Deus tem chamado para serem pastores e líderes de nossa igreja. Muitas vezes os irmãos que estudam e ensinam em lugares distantes sentem-se isolados e sozinhos; se este é o caso de algum leitor, aproveito a oportunidade para animá-lo; existem pessoas que oram a cada dia por você. Este livro que hoje está em suas

Novo Testamento II

mãos é evidência de que há pessoas e instituições que querem acompanhá-lo, contribuindo para a sua formação ministerial. O mais importante é que Deus está com você; se ele o tem chamado, também o acompanhará. Somos gratos por responde- rem ao chamado de Deus. A educação não é algo separado da formação ministerial, é parte da mesma. Desejo que Deus o aben- çoe ricamente e que este livro lhe sirva de apoio para o que Deus está fazendo e haverá de fazer em seu ministério.

Jorge Julca Coordenador Regional de Educação Teológica Igreja do Nazareno Sul Americana

UNIDADE

Apresentação

O Curso de Formação Ministerial é uma coleção de trinta li-

vros básicos, elaborados de acordo com os parâmetros estabeleci-

dos pelo Guia de Desenvolvimento Ministerial (2003/2007) da Igreja do Nazareno para a Região América do Sul. Todo o material está baseado nas quatro dimensões da prepa-

ração ministerial, estabelecidas pelas associações internacionais de educação teológica (Conteúdo, Capacidade, Caráter, Contexto). Os trinta livros que compõem esta coleção constituem o requisito educativo para a ordenação do estudante nazareno ao ministério cristão.

A Assembléia Geral de 1997 estabeleceu que o Sistema

Nazareno de Educação integrasse estas dimensões em cada curso. O Manual da Igreja do Nazareno 2001-2005, Artigo 424.3, registra esta disposição da seguinte maneira: “O caráter do instrutor, o

relacionamento dos estudantes com o instrutor, do ambiente e experiências anteriores dos estudantes, aliam-se ao conteúdo do curso para formar a totalidade do currículo. Diferenças culturais e uma variedade de recursos requererão detalhes diferenciados na elaboração do currículo. Entretanto, todos os programas que vi-

sem a prover bases educacionais ao ministério ordenado, (

) de-

vem dar atenção cuidadosa ao conteúdo, capacidade, caráter e contexto. Todos os cursos envolvem os quatro elementos, em graus distintos.”

Novo Testamento II

O Estudo do Novo Testamento faz parte do Programa de Pre- paração Ministerial. Para maior efetividade foi dividido em dois livros: Este é o livro texto para o Curso de Novo Testamento II; trata-se de uma introdução aos livros históricos, literários e teoló- gicos das Epístolas Paulinas, Epístolas Gerais, Epístolas Joaninas e do Apocalipse.

Geraldo Nunes Filho Diretor Geral

UNIDADE

Conteúdo Programático

DESCRIÇÃO DO CURSO

Compreende o estudo introdutório dos aspectos históricos, literários e teológicos das Epístolas Paulinas, Epístolas Gerais, Epístolas Joaninas e o livro de Apocalipse.

FUNDAMENTO DO CURSO

No estudo dos livros acima listados, levou-se em consideração a importância do contexto histórico e literário no período de ex- pansão da igreja primitiva, ao abordar especialmente os temas teo- lógicos mais relevantes que refletem as tensões e os desafios da época em que foram escritos. O contexto histórico servirá para elucidar questões que po- dem suscitar dúvidas e também permitirá familiarizar-se com o léxico, os estilos literários e a estrutura dos escritos neotestamen- tários, provendo, desta forma, fundamentos que proporcionarão ao aluno o desenvolvimento de estudos para uma prática eficaz, ao longo do seu ministério.

OBJETIVOS GERAIS

Ao concluir este curso o aluno estará em condições de:

1. reconhecer os aspectos históricos, literários e teológi- cos mais relevantes das Epístolas Paulinas;

Novo Testamento II

2. compreender os aspectos históricos, literários e teoló- gicos das Epístolas Gerais;

3. entender os aspectos históricos, literários e teológicos das Epístolas Joaninas e do Apocalipse.

DESENVOLVIMENTO TEMÁTICO

UNIDADE I: ASPECTOS HISTÓRICOS, LITERÁRIOS E TEOLÓGICOS DAS EPÍSTOLAS PAULINAS.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS:

Ao terminar esta unidade, o aluno estará em condições de:

A. distinguir as características do gênero epistolar paulino;

B. explicar o contexto histórico, os aspectos literários e os temas teológicos básicos das Epístolas Paulinas em or-

dem cronológica;

C. estabelecer diretrizes pertinentes à vida pessoal e minis- terial no contexto da América Latina.

TEMAS:

A. GÊNERO EPISTOLAR PAULINO.

B. 1 Tessalonicenses.

C. 2 Tessalonicenses.

D. 1 Coríntios.

E. 2 Coríntios.

F. Gálatas.

G. Romanos.

H. Filemon.

I. Colossenses.

J. Efésios.

K. Filipenses.

L. 1 Timóteo.

M. Tito.

N. 2 Timóteo.

Novo Testamento II

UNIDADE II: ASPECTOS HISTÓRICOS, LITERÁRIOS E TEOLÓGICOS DAS EPÍSTOLAS GERAIS.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS:

Ao terminar esta unidade, o aluno estará em condições de:

A. analisar os aspectos geográficos, eclesiásticos, sociais, políticos e religiosos que configuraram o contexto histó- rico da cada carta geral;

B. diferenciar os aspectos literários (autoria, destinatários, ocasião e propósito, data e lugar de redação, tema princi- pal e estrutura) de cada uma das epístolas em estudo, em ordem cronológica;

C. analisar teologicamente os temas centrais dos livros bí-

blicos que compreendem esta unidade, buscando aplica- ções práticas para vida pessoal e ministerial. TEMAS:

A. Tiago

B. Hebreus

C. 1 Pedro

D. 2 Pedro

E. Judas

UNIDADE III: ASPECTOS HISTÓRICOS, LITERÁRIOS E TEOLÓGICOS DAS EPÍSTOLAS JOANINAS E DE APOCALIPSE.

Ao terminar esta unidade, o aluno estará em condições de:

A. examinar os aspectos geográficos, eclesiásticos, sociais, culturais, políticos e religiosos que configuraram o con- texto histórico das Epístolas Joaninas e de Apocalipse;

B. caracterizar os aspectos literários (autoria, destinatários, ocasião e propósito, data e lugar de redação, tema princi- pal e esboço) de cada um dos livros em questão;

C. valorizar e aplicar à vida da Igreja os temas teológicos mais relevantes das Epístolas Joaninas e do livro de Apocalipse.

Novo Testamento II

TEMAS:

A. 1 João

B. 2 João

C. 3 João

D. Apocalipse

BIBLIOGRAFIA BÁSICA

BELL, JR, Albert A. Explorando o Mundo do Novo Testamento. Belo Horizonte: Editora Atos, 2001. BRUCE, F.F. Romanos: introdução e Comentário. 4ed. São Paulo:

Vida Nova e Mundo Cristão, 1988. BROADUS, David Hale, Introdução ao Estudo do Novo Testa- mento. Rio de Janeiro: JUERP, 1986. CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpreta- do Versículo por Versículo. São Paulo: Milenium, 1986. DINKINS, Frederico. Leitura Analítica e Interlinear do Novo Testamento: Cartas Joaninas. Patrocínio: CEIBEL, 1962. FOULKES, Francis. Efésios: Introdução e Comentário. São Pau- lo: Vida Nova e Mundo Cristão, 1981. GOURGUES, Michel A. A Vida Futura Segundo o Novo testa- mento. São Paulo: Paulinas: 1986. GUTHRIE, Donald. Hebreus: Introdução e Comentário. São Pau- lo: Vida Nova e Mundo Cristão, 1984. Gálatas: Introdução e Comentário. São Paulo: Vida Nova e Mundo Cristão, 1984. GREEN, Michael. II Pedro e Judas: Introdução e Comentário. São Paulo: Vida Nova e Mundo Cristão, 1983. GUNDRY, Robert H. Panorama do Novo Testamento. 4ed. São Paulo: Vida Nova, 1987. HALLEY, Henry H. Manual Bíblico: Um Comentário Abreviado da Bíblia. 24 ed. São Paulo: Vida Nova, 1983. HENDRIKSEN, William. Comentário do Novo Testamento:

Exposição de Efésios. São Paulo: Casa Editora Presbiteriana, 1992.

Novo Testamento II

Comentário do Novo Testamento: Exposição de Filipenses. São Paulo: Presbiteriana, 1992. KELLY, J. N. D. I e II Timóteo e Tito: Introdução e Comentário. São Paulo: Vida Nova e Mundo Cristão, 1983. KRUSE, Colin, II Coríntios: Introdução e Comentário. São Paulo:

Vida Nova e Mundo Cristão, 1994. LADD, George. Apocalipse: Introdução e Comentário. São Paulo:

Vida Nova e Mundo Cristão, 1980. MARSHALL, I. Howard. I e II Tessalonicenses: Introdução e Co- mentário. São Paulo: Vida Nova e Mundo Cristão, 1984. Atos: Introdução e Comentário. São Paulo: Mun- do Cristão, 1985. MARTIN, Ralph P. Colossences e Filemon: Introdução e Comentá- rio. São Paulo: Vida Nova e Mundo Cristão, 1984. Filipenses: Introdução e Comentário. São Paulo:

Vida Nova e Mundo Cristão, 1985. MEEKS, Wayne. Os Primeiros Cristãos Urbanos: O Mundo Soci- al do Apóstolo Paulo: São Paulo: Paulinas, 1992. MORRIS, Leon. I Coríntios: Introdução e Comentário. São Pau- lo: Vida Nova e Mundo Cristão, 1981. MOO, Douglas J. Tiago: Introdução e Comentário. São Paulo:

Vida Nova e Mundo Cristão, 1990. MUELLER, Ênio R. I Pedro: Introdução e Comentário. São Pau- lo: Vida Nova e Mundo Cristão, 1988. II Pedro: Introdução e Comentário. São Paulo: Vida Nova e Mundo Cristão, 1988. PAROSCHI, Wilson. Crítica textual do Novo Testamento. 2ed. São Paulo: Vida Nova, 1999. SCHWARZ, John. Manual da Fé Cristã. Belo horizonte:

Betânia, 2002. STOTT, John R.W. I, II e III João: Introdução e Comentário. São Paulo: Vida Nova e Mundo Cristão, 1982. TAYLOR, William Carey. Introdução ao Estudo do Novo Testa- mento grego: Gramática. Rio de Janeiro: JUERP, 2000.

Novo Testamento II

TENNEY, Merrill C., O Novo Testamento: Sua Origem e Análi- se. São Paulo: Vida nova, 1985.

UNIDADE I – Epístolas Paulinas

UNIDADE I
UNIDADE
I

Epístolas Paulinas

Grande parte do Novo Testamento foi escrito por um homem cheio de visão evangélica e grande amor pela obra de Deus. Este homem se chamava Saulo (nome hebreu), nascido em Tarso. Seu pai e sua mãe eram judeus, da tribo de Benjamin (Romanos 11.1, Filipenses 3.5). Desde jovem foi instruído na doutrina dos fariseus, à qual estava zelosamente apegado. Seu mestre foi Gamaliel. Saulo, em seu ardor judaico, dedicou-se a perseguir e matar todos os que confessavam a Jesus como o Messias. Irritado pela propagação acelerada dos cristãos, começou sua perseguição em Palestina. Seu objetivo era eliminar essa “seita”. Entrava nas casas dos crentes e no templo e os prendia. No afã de combater a Igreja de Cristo, Saulo conseguiu cartas de autorização do Sumo Sacerdote para perseguir os cristãos. Des- ta maneira, para cumprir o seu propósito, um dia saiu de viagem até Damasco. O que ele não sabia é que nessa ocasião teria uma experiência que transformaria toda a sua vida (Atos 9.1-2). Enquanto Saulo viajava, “seguindo ele estrada fora, ao aproximar-se

de Damasco, subitamente uma luz do céu brilhou ao seu redor, e, caindo por

terra, ouviu uma voz que lhe dizia

ressuscitado lhe apareceu, indagando por que o perseguia. (Atos 9.4b-5) Deus o havia escolhido para levar seu nome à presença dos gentios, de reis e dos filhos de Israel (Atos 9.15). A Bíblia disse que

” (Atos 9.3-4a). O próprio Senhor

Novo Testamento II

em seguida “pregava nas sinagogas a Jesus, afirmando que é o Filho de Deus” (Atos 9.20). Depois de alguns anos, Paulo se encontrava em pleno desen- volvimento ministerial, em Antioquia de Síria, ensinando e fortale- cendo a fé dos crentes. Um dia, enquanto os líderes ministravam e adoravam ao Senhor, o Espírito Santo disse à congregação que separassem Paulo e Barnabé para uma obra especial em todo o mundo conhecido. Foi-lhe confiada a obra missionária à qual Pau- lo se dedicou intensamente, com muito amor. O apóstolo percorreu vastas regiões, pregando o evangelho, fundando igrejas e fortalecendo os crentes. Sua visão era evangelizadora, mas também consoladora, já que, tendo oportuni- dade ou percebendo conflitos nas igrejas cristãs, não se mantinha à margem: por meio de visitas pessoais, envio de seus colaborado- res ou por cartas procurou estabelecer a paz, a unidade e o amor entre os crentes. Na primeira parte deste capítulo dedicar-se-á um espaço ao estudo do gênero epistolar Do Apóstolo Paulo. Suas cartas foram “oriundas de circuns- tâncias e necessidades de pessoas e comunidades reais que deter- minaram seu conteúdo.” 1

GÊNERO EPISTOLAR PAULINO

Os críticos do Novo Testamento observam uma diferença en- tre o que é o gênero “epístola” e o gênero “carta” nos tempos neotestamentários. Percebe-se claramente a diferença, quando se comparam os numerosos exemplares de epístolas e cartas que nos têm chegado, por meio de descobertas arqueológicas. A distinção radical está nas motivações que o autor teve, ao escrevê-las, o que anelava que se fizesse com esse escrito e o público ao qual as diri- gia. Luis Rivas expõe as diferenças que sobressaem em cada gêne- ro: Tem-se discutido muito se as cartas de Paulo pertencem ao gênero “epístola” ou ao gênero “carta”.

Epístolas Paulinas

Por “epístola” entende-se um escrito formal em que um reme- tente escreve a um destinatário ou a um grupo de pessoas, desen- volvendo um tema com especial cuidado, de forma literária. Está destinada a ser lida e também publicada, para que chegue ao conhecimento de outros. É algo semelhante ao que hoje seriam as “encíclicas” dos papas. A “carta”, por outro lado, é o escrito de um remetente a um destinatário, para tratar de algum tema mais pessoal; pode ser que não se expresse especialmente de forma literária e originariamente não se destina à publicidade. 2 Deve-se destacar que os dois gêneros eram usados naquela época. Como existem dúvidas sobre se é “epístola” ou “carta”, o certo é que os escritos de Paulo não podem ser definidos por um único estilo, visto serem encontradas neles características do gêne- ro “epístola” e do gênero “carta”. Neste livro serão usados deliberadamente os termos “epísto- la” ou “carta” com significados semelhantes.

FORMA DAS EPÍSTOLAS PAULINAS

A importância dos escritos Paulinos se evidencia decisivamen- te, por sua inclusão no cânon bíblico. Isto se demonstra simples- mente, quando se nota que dos vinte e sete livros que contém o Novo Testamento treze foram escritos por Paulo. Suas epístolas foram dirigidas a igrejas distintas em todo o continente euro-asiá- tico, a pastores e líderes de congregações conhecidas e ainda àque- las igrejas às quais não tinha podido chegar pessoalmente. Em cada carta, o apóstolo, de uma forma muito particular, comunicava aos seus receptores o conteúdo da revelação que lhe tinha sido dada por Deus, como também fortalecia e combatia as heresias próprias daquela época. A forma como Paulo escreveu as suas cartas não foi muito diferente da época dos greco-romanos. Quanto a isto, Earle men- ciona o seguinte:

Novo Testamento II

“As Epístolas de Paulo seguem uma forma bastante uni- forme: em primeiro lugar vem a saudação que inclui:

nome, ao qual freqüentemente se adiciona o de mais um de seus colegas; nome da pessoa ou igreja a que se dirigia a carta, e a saudação que geralmente é ‘graça e paz’, logo vem a ação de graças. Em seguida, a seção doutrinária que geralmente é a porção maior da Epístola. Por fim, aparece a seção prática que, frequentemente, também é de regular tamanho. Geralmente as Epístolas terminam com uma saudação pessoal ou uma bênção. 3 Nas cartas aos judeus, em geral a saudação tradicional era “paz” (shalom) e nas cartas greco-romanas era “alegrar-se” (xaípete), transliterando chaírete. Paulo combina o termo judeu “paz” (Shalon) com o grego graça” (xápis) trarnsliterando cháris. Isto significa que Paulo inventou uma nova saudação, levando em conta a tradição judia e a greco-romana. Nas epístolas paulinas não aparece a seção “notícias pessoais” que se incluíam nas cartas seculares greco-romanas. A forma das epístolas também depende de quem era o autor, quem era o redator e que materiais eram usados. Rivas descreve bem estes aspectos:

“Com frequência, o remetente ditava a carta a um escriba [amanuense] ou o encarregava de escrever, dando-lhe somente as idéias (Romanos 16.22). Para atestar a auten- ticidade e a aprovação, o remetente escrevia as saudações com sua própria mão, o que equivalia a nossa “firma”. (Gálatas 6.11; Colossenses 4.18; 2 Tessalonicenses 3.17) Escreviam-se as cartas sobre folhas de papiro, uma subs- tância que se fabrica com fibras de origem vegetal, de superfície algo rugosa. Utilizava-se um só lado da folha. Como instrumentos para escrever, usavam-se canas ou plumas de ganso cortadas em forma oblíqua, de modo que terminavam em uma ponta. A tinta era preta e se

Epístolas Paulinas

fabricava com fuligem ou preto de húmus mesclado com goma. O traçado das linhas não era firme. 5 Mas talvez o mais relevante da forma das cartas de Paulo é que

foi ele o primeiro a incluir o nome de Jesus Cristo na introdução e na conclusão, conforme Wikenhauser e Schmid: Paulo cristianizou

o principio e o final das cartas” 6 .

CLASSIFICAÇÃO DAS EPÍSTOLAS PAULINAS

A cronologia dos escritos Paulinos tem sido tema de intermi- náveis discussões e variadas opiniões entre os críticos bíblicos. O problema surge quanto ao ano em que esteve prisioneiro em Roma;

a quantidade de vezes que esteve em Roma e a data de redação de

1 Tessalonicenses e Gálatas. As opiniões são muito variadas e for-

temente fundamentadas. Mesmo assim, podem-se ordenar as epís- tolas paulinas de duas formas: A primeira tem a ver com a ordem cronológica que, como bem indica a palavra, é determinada pela

data da redação; e a segunda tem a ver com a ordem canônica, isto

é, tal como aparece atualmente em nossas Bíblias.

Ordem cronológica

a segunda tem a ver com a ordem canônica, isto é, tal como aparece atualmente em

Novo Testamento II

Ordem canônica

Novo Testamento II Ordem canônica Divisão das epístolas conforme a atividade paulina e conteúdo Na classificação

Divisão das epístolas conforme a atividade paulina e conteúdo

Na classificação das epístolas observa-se uma divisão particu- lar detalhada em três grupos importantes, o que se deduz por meio da atividade paulina e do conteúdo das epístolas. C. Perrot sugere:

Estes escritos se classificam da seguinte maneira: as gran- des epístolas, escritas durante a atividade missionária do apóstolo (Romanos, 1 e 2 Coríntios, Gálatas, 1 e 2 Tessalonicenses); as cartas do cativeiro, escritas na prisão [Roma] (Filipenses, Colossenses, Filemom e Efésios); as cartas pastorais, relativas à disciplina pessoal e comunitá- ria (1 e 2 Timóteo e Tito) 7 As grandes epístolas. Paulo foi um missionário extraordinário em seu tempo, não somente pelas vastas regiões percorridas, mas tam-

Epístolas Paulinas

bém pelo interesse que demonstrava ter por seus “filhos espiritu- ais”, interesse que se vê refletido em cada carta deste grupo. Ele pregava o evangelho e também pastoreava, ensinava e instruía os crentes sobre a vida nova para a qual tinham sido chamados. Estas cartas foram escritas, enquanto o apóstolo estava em plena ativida- de missionária. São chamadas “grandes epístolas” por seu denso conteúdo doutrinário, pela profundidade de seus pensamentos, revelações quanto à Igreja de Jesus Cristo e pelo caráter prático que Paulo inseriu nelas. Com o decorrer do tempo, estas cartas passaram a ser as colunas da doutrina cristã. As epístolas da prisão. Este título indica a condição do apóstolo no momento de escrever estas cartas. O conteúdo delas não repre- senta o melhor da vida e ministério de Paulo, no entanto, em cada uma delas, percebe-se uma atitude de gozo diante das situações adversas que estava vivendo. Os historiadores asseguram que o Apóstolo Paulo esteve prisi- oneiro duas vezes em Roma. Uma é a que conhecemos pelo relato bíblico em Atos 28, quando Paulo, depois de sua aventura maríti- ma, chega como prisioneiro a Roma, onde permanece por “dois anos” (Atos 28.30). O outro momento é situado por alguns auto- res depois do relato de Atos. Acredita-se que, passados dois anos de Atos 28.30, Paulo foi colocado em liberdade entre os anos 62 e 63 d.C. Isto lhe permitiu continuar as viagens missionárias, che- gando até a Espanha inclusive. É necessário recordar também que esta informação não é confirmada definitivamente, sendo que até agora se tem apresentado apenas como uma hipótese. Considera-se, geralmente, que estas epístolas foram escritas durante o primeiro período do encarceramento de Paulo, ou seja, durante os dois anos em que esteve prisioneiro em Roma. O que se sabe pelo livro de Atos, acerca deste primeiro encarceramento, é que ele recebia a todos os irmãos (28.30), pregava e ensinava o evangelho. Talvez aqui tenha recebido também os líderes de igre- jas visitadas ou fundadas por ele, como é o caso da carta aos filipenses. Nela menciona Epafrodito (Filipenses 2.25-30), segun-

Novo Testamento II

do se crê, um ministro desta igreja que tinha viajado a Roma para confortar o apóstolo, com uma oferta de amor de sua igreja. Em Colossenses também se menciona a presença de um tal Epafras que também visitou Paulo em Roma (4.12). Nestas cartas encontram-se revelações profundas quanto à Igre- ja, mas também uma atitude decidida do apóstolo em combater as heresias dessa época. Nelas permanecem o gozo e a esperança de ser liberado de suas cadeias. As epístolas pastorais. O nome deste grupo de epístolas se deve aos destinatários das mesmas e ao conteúdo. Timóteo e Tito eram pastores que haviam sido encomendados à obra pelo apóstolo, em igrejas determinadas. Timóteo desenvolvia seu ministério pastoral em Éfeso (1 Timóteo 1.3) e Tito, na ilha de Creta (Tito 1.5). Paulo encarrega Timóteo de ajudar os fiéis a não prestarem atenção às falsas doutrinas que estavam enraizando-se na Igreja de Éfeso, mas também lhe escreve com o propósito de que saiba como “condu- zir-se na casa de Deus” (1 Timóteo 3.14-15). A Tito encarrega-o de corrigir o irmão faltoso e estabelecer anciãos em cada igreja, seguindo as instruções expressas na carta. Nestas epístolas encontram-se a organização da igreja e as ati- vidades que esta deveria desenvolver em prol da comunidade e dos membros da mesma. Paulo também conclama os ministros a permanecerem atentos às falsas doutrinas que nela se manifesta- vam, mas também os anima a combater o erro e não manter uma atitude passiva.

ESTILO PAULINO

O Apóstolo Paulo comunicava seus pensamentos e instruções

de uma maneira muito particular. Podia ser um pai amoroso e ter- no que abria seu coração àqueles que eram os destinatários e re- partir-lhes, com paciência, a maravilhosa experiência de conhecer

a Cristo e seguir suas pisadas, ou ser aquele pai duro que corrige os defeitos de seus filhos, os quais, com o decorrer do tempo, tendem

a valorizar as coisas fúteis e transitórias.

Epístolas Paulinas

As igrejas que serviam como destinatárias dos escritos de Pau- lo eram congregações já estabelecidas. Eram lugares propícios à leitura da Palavra e à comunhão. Oferecia um espaço excelente para que a mensagem escrita chegasse com maior eficácia e comu- nicasse os ensinamentos relevantes da fé cristã. Além disso, Paulo “podia desempenhar seu ofício de orador-profeta e de doutor cris- tão. Conforme a circunstância utilizava todos os recursos estilísticos amplamente praticados naquela época: o paralelismo, a antítese, o paradoxo e a metáfora” 8 . Paulo escrevia a seus leitores, apontando soluções para as in- terrogações que o mundo grego propunha ao evangelho, pergun- tas sobre a ressurreição dos mortos, a vida moral sexual e a escravidão. Todas estas práticas eram comuns no mundo em que o evangelho se estava desenvolvendo. Paulo não estava consciente de que estava escrevendo para a Igreja Universal, 2.000 anos depois. Ele estava tratando de necessi- dades e situações locais, mesmo que suas cartas não deixassem de ser, ao mesmo tempo, tratados teológicos importantes. Paulo via a si mesmo como ponto de tensão entre a tradição e a inovação. Por um lado, Paulo insiste em que ele prega o que já tinha recebido (Gálatas 1.9, 1 Coríntios 15) e, por outro lado, insis- te no caráter único e sem mediação de seu evangelho (Gálatas 1.11- 12 e 15-20; 2.6-10). A resolução desta tensão em Paulo, entre a tradição e a inova- ção, parece estar na frase: “que eu pregasse entre os gentios” (Gálatas 1.16). O evangelho que Paulo recebeu por revelação, não era os atos da fé histórica e o seu significado. Paulo não necessitou de um anjo que viesse e contasse o que Jesus disse e fez. Havia muitas pessoas que podiam contar-lhe isso. A parte distintiva de seu evangelho não era a inclusão dos gentios, mas a essência da diferença estava na verdade de que os gentios deviam ser incorpo- rados pelo fundamento “da fé,”isto é, mesmo que não fossem ju- deus, poderiam ser salvos. Este é o Evangelho de Paulo, o evangelho que lhe havia sido confiado, como se vê em Gálatas 3.1-10.

Novo Testamento II

Não é fácil mencionar todos os detalhes do estilo Paulino. Qualquer exposição estaria de uma ou outra forma inconclusa. Contudo Paniagua, de alguma maneira, completa a descrição do Apóstolo Paulo como pensador e escritor:

Sem dúvida, resulta impactante encontrar em Paulo um teólogo de aguda visão e profunda análise, mais livre da frieza intelectual que se esperaria num homem de tais características. Por outro lado, produz uma grande admi- ração o ver neste cristão uma engenhosa combinação de missionário incansável e pastor de coração emotivo. Em Paulo se aprecia tanto a exposição detalhada e inteligível da fé como a versatilidade de sua estratégia discipuladora. 9

1 TESSALONICENSES

Antes de continuar este estudo, fique claro que se levará em conta a forma cronológica anteriormente exposta, para desenvol- ver uma análise das cartas de Paulo. Isto nos leva a começar com 1 Tessalonicenses. Segundo variadas opiniões, esta seria a primeira carta dos escritos paulinos.

Contexto Histórico

Os dados abaixo pertencem tanto à primeira como à segunda carta aos Tessalonicenses.

A cidade

De todas as cidades circunvizinhas, Tessalônica era a mais pro- eminente na região, a mais influente. A cidade foi fundada no ano 315 a.C. por Cassandro, um oficial a mando do grande Alexandre, o Magno. Este oficial casou-se com a meia-irmã de Alexandre, de nome Tessalônica – um gesto meramente político. Pela cidade passava a famosa Via Ignácia, fazendo uma grande ponte entre Roma e Bizâncio, entre Oriente e Ocidente. Quando Roma começou a exercer poder no que hoje é a Europa, conquis- tou Macedônia e a dividiu em quatro regiões. Tessalônica foi feita

Epístolas Paulinas

capital de uma destas regiões, porém, mais tarde, talvez no ano 146 a.C., esta cidade chegou a ser a capital de toda a província de Macedônia. No ano 42 a.C. começou um conflito civil entre Júlio César e Pompeu. Tessalônica tomou o lado de Júlio César que ganhou o conflito. Esta lealdade não foi esquecida por Júlio César que a teria convertido em uma cidade livre, a qual obteve um considerável grau de autonomia. Nos tempos de Paulo, Tessalônica era a princi- pal cidade de Macedônia, um grande centro de exportação maríti- ma, com cerca de 200.000 habitantes. Como centro comercial no Mar Egeu, os únicos rivais de Tessalônica eram Corinto, ao sul, e Éfeso, a leste. A história da cidade é marcada de eventos trágicos, de con- quistas e busca da independência. No ano 390 d.C. o imperador Teodósio mandou matar 7.000 cidadãos tessalônicos, por terem participado de uma sedição ocorrida ali; este evento levou em con- sideração a lealdade da capital do império e os sediciosos foram massacrados, sem importar o sexo, classe ou posição social. Depois de um tempo considerável de disputa pelo poder da cidade entre os turcos e os otomanos, no ano 1430 veio a cair no poder destes últimos, o que se estenderia até 1912, quando, em uma campanha militar chamada Campanha de Salónica, os gregos recuperaram sua antiga cidade. Sob os otomanos, a cidade se cha- mou Salónica até 1937 e, a partir daí, foi restaurado o seu antigo nome: Tessalônica.

A Igreja

Durante sua segunda viagem missionária, Paulo fundou a Igreja em Tessalônica. A narração do capítulo 17 de Atos indica que a Igreja era composta, em sua maioria, por gentios, pois os judeus haviam rechaçado o evangelho. Várias referências na própria Epís- tola o confirmam, pois demonstram que Paulo estava escrevendo principalmente a gentios.

Novo Testamento II

Aspectos políticos sociais e religiosos

Tessalônica era uma cidade muito diferente quanto a culturas, tais como a dos romanos, orientais e judeus, para mencionar algu- mas delas. Os judeus constituíam uma comunidade muito influente nesta cidade, tanto no âmbito comercial como também religioso. Estes construíram na cidade uma sinagoga à qual Paulo se dirigiu para pregar o evangelho. Por estar em um ponto estratégico, Tessalônica se convertia em uma cidade com um comércio muito próspero. Dois fatores contribuíram para manter um mercado crescente e estável: a Via Ignácia e o porto que ficava na costa do Golfo Tér- mico, no mar Egeu. O império classificou Tessalônica como cidade senatorial. Gra- ças a isto e o favor de Júlio César, gozava de liberdade e possuía sua própria administração. Também possuía tribunais onde se jul- gavam os casos de delito. Os agentes de segurança se chamavam politarcas e as Escrituras falam sobre eles, quando Jasom e alguns irmãos foram arrastados. (Atos 17.4)

Aspectos Literários

Autoria

A evidência interna confirma desde o começo da carta que Paulo é seu autor. (1 Tessalonicenses 1.11) A evidência externa a favor de Paulo como autor de 1 Tessalonicenses é muito forte. Os pais da igreja como Ignácio de Antioquia e Policarpo em O Pastor de Hermas usaram esta carta, e reconheceram como seu autor o Apóstolo Paulo. Até o ano 215 d.C., Clemente de Alexandria admitia ser paulina esta carta. O mesmo fez Ireneu 10 .

Destinatários

Os destinatários de 1 Tessalonicenses eram muito amados por Paulo e seus colaboradores, de forma que desejariam não só entre-

Epístolas Paulinas

gar-lhes o evangelho, mas também suas vidas. (2.8) A tarefa de encontrar estes amados destinatários não é difícil, já que Paulo mesmo os menciona na introdução de sua carta. (1.1)

Ocasião e propósito

Pelo que se sabe do relato de Lucas em Atos, Paulo chegou a Tessalônica depois de um tempo não muito feliz em Filipos, onde foi preso. Deste lugar se dirigiu, através da Via Ignácia, primeiro até o sul e depois até o oeste. Depois de passar por Anfípolis e Apolônia, chegaram a Tessalônica. Lá, como de costume, o após- tolo se dirigiu a uma sinagoga judia para anunciar que Deus já havia enviado o Messias, e que esta promessa encontrou seu cum- primento em Jesus.

O evangelho que Paulo pregava não gozou de grande aceita-

ção entre os judeus daquela cidade, pois iniciaram uma revolta con- tra o apóstolo. No meio desta situação, Paulo e Silas foram enviados

pelos irmãos, de noite, até Beréia, uma cidade a uns 70 km de Tessalônica. Chegando lá, o espírito evangelizador de Paulo impe- liu-o a pregar o evangelho entre os judeus. Estes foram mais sen- satos que os de Tessalônica. Mas até lá chegou a oposição dos judeus tessalônicos; o que obrigou Paulo a partir novamente, in- terrompendo sua obra em Tessalônica e em Beréia.

O apóstolo não estava tranquilo, sabendo que a obra em

Tessalônica não havia sido fortalecida. A preocupação por seus amados infundia-lhe uma tremenda necessidade de alentar os cren-

tes que talvez estivessem sendo perturbados pelos judeus. Para ali- viar esta preocupação (3.5), o apóstolo envia Timóteo a Tessalônica para o animar e informar sobre a situação e o estado daquela obra.

A estada de Paulo em Atenas não foi muita longa; depois de

alguns dias, dirigiu-se a Corinto, cidade onde Timóteo se encontrou com Paulo, logo depois de regressar de Tessalônica, para trazer as notícias tão esperadas para o apóstolo. O relatório foi alentador para Paulo, já que a obra ali continuava, apesar da oposição. Os irmãos cresciam na fé e no testemunho cristão. Neste relatório Timóteo

Novo Testamento II

apresentou a Paulo a inquietação de alguns irmãos quanto à vinda do Senhor. Ao que parece, alguns crentes estavam morrendo antes de chegar o tão esperado dia do Senhor, o que suscitava dúvidas se participariam com Ele neste evento grandioso. Fazendo uso do seu precioso dom, o apóstolo redige o que hoje se observa em nossas Bíblias. Elogiou os seus irmãos pela dedicação a Cristo em meio às grandes oposições, pelo progresso do Evangelho, pela fé e amor que esta comunidade estava demons- trando. Diante do que foi exposto, parece claro que Paulo teve três propósitos, ao escrever aos tessalonicenses:

• defender seu próprio ministério em Tessalonica; em es- pecial para assegurar aos crentes a respeito do seu amor e interesse por eles;

• consolar e estimular os cristãos em Tessalonica a viver vidas santas e agradáveis ao Senhor, em meio às perse- guições que estavamsofrendo;

• Corrigir uma falsa impressão com respeito à segunda vin- da de Cristo. Sobre isto, assegurou-lhes que os seus entes queridos já mortos participariam de tal evento.

Data e lugar de redação

De Tessalônica, Paulo se dirigiu a Beréia (Atos 17.10), depois a Atenas (Atos 17.15) e finalmente a Corinto (Atos 18.1), donde se deduz que esta primeira epístola aos Tessalonicenses deva ter sido escrita por volta do ano 50 d.C. (3.6; cf. Atos 18.5). A época em que foi escrita esta epístola tem suscitado variadas opiniões; o mesmo não acontece quanto ao lugar, já que as evidên- cias encontradas no livro dos Atos e na mesma carta aos Tessalonicenses são muito favoráveis a que Corinto seja a cidade de onde ele a escreveu. Paulo menciona em 1 Tessalonicenses a ”

ação: “mas quando Timóteo voltou a nós

(3.6); isto quer dizer

“quando se reuniu de novo conosco”. Atos menciona o lugar onde se realizou esta ação: “Depois destas coisas, Paulo saiu de Atenas e

Epístolas Paulinas

foi a Corinto” (18.1), e “quando Silas e Timóteo vieram de

Macedônia

.”

Tema principal

O tema da vinda do Senhor está presente nos cinco capítulos

(1.10; 2.19; 3.13; 4.13-17; 5.1-11), colocando-o em posição de tema principal de toda a carta. Não somente fala do que está por vir,

como também da maneira de viver aqui e agora (a vida de santida- de) 11 .

Esboço

Para uma compreensão melhor desta carta, é necessário consi- derar o seguinte esboço: 12

A. Introdução (11.1)

B. Reflexões pessoais (1.2-3.13)

1. Louvor da igreja (1.2-10)

2. Fundação da igreja (2.1-16)

3. Timóteo fortalece a igreja (2.17-3.13)

C. Exortações práticas (4.1-5.22)

1. Abster-se da imoralidade (4.1-8)

2. Amar uns aos outros (4.9, 10)

3. Ocupar- se com o próprio trabalho (4.11,12)

4. Consolar uns aos outros com a esperança da segunda vinda (4.13-18)

5. Viver como filhos do dia (5.1-11)

6. Abster-se do mal; abraçar o bem (5.12-22)

D. Conclusão (5.23-28).

Personagens Principais

Silas

É provável que Silas seja a forma aramaica de “Saul”. Este

nome latinizado seria Silvano, o que explicaria a diferença entre o

livro de Atos e as epístolas quanto a este personagem. Foi um

Novo Testamento II

crente proeminente na Igreja de Jerusalém. Atos dá testemunho de que era um homem notável (Atos 15.22). Foi comissionado para acompanhar Paulo e Barnabé até Antioquia, para levar os de- cretos do concílio celebrado em Jerusalém. Silas era judeu e cidadão romano como Paulo (Atos 16.37-39). Talvez esta seja uma das razões pela qual Paulo decidiu levá-lo consigo em sua segunda viagem missionária, depois de discordar de Barnabé. Silas ou Silvano foi um dirigente aprovado em seu ministério, cheio de paixão pela obra evangelizadora. Em nenhuma parte do Novo Testamento se faz referência a ele como “apóstolo”, mas parece que ocupou uma posição subordinada aos apóstolos. Silas acompanhou Paulo através de Síria, Ásia Menor, Macedônia e Tessalônica. Quando Paulo se dirigiu a Atenas, Silas ficou em Beréia e logo se reuniu com ele em Corinto (Atos 16– 18). Seu nome aparece ao lado do de Timóteo na saudação de Paulo tanto na primeira como na segunda epístola (1.1) 13 .

Timóteo

Timóteo nasceu em Listra, uma cidade quase oculta nas altas planícies de Licaônia. Sua mãe Eunice era judia (2 Timóteo 1.5) e foi quem instruiu Timóteo nas Sagradas Escrituras (2 Timóteo 3.14-15). Sua avó Lóide também influenciou a vida de Timóteo (2 Timóteo 1.5). Do pai de Timóteo não há muitos dados; as Escritu- ras em Atos mencionam que era grego (Atos 16.1). Não se sabe o momento exato em que Timóteo se iniciou no cristianismo, mas muitos supõem que fosse durante a primeira vi- agem missionária de Paulo, quando, depois de partir de Antioquia de Síria passando por Icônio, chegaram a Listra. É possível tam- bém que se tivesse convertido por meio da pregação dos crentes que se estabeleceram lá. De fato, em sua segunda viagem missionária, Paulo teve a intenção de visitar estes irmãos: “Volte- mos a visitar os irmãos em todas as cidades em que temos anunci- ado a Palavra do Senhor, para ver como estão” (Atos 15.36).

Epístolas Paulinas

O que se sabe é que Timóteo foi escolhido para acompanhar Paulo e Silas na segunda viagem missionária. Por causa de prová- vel oposição dos judeus, Paulo circuncidou Timóteo. (Atos 16.1-3)

Por algumas expressões de Paulo, pode-se deduzir que Timó- teo possuía um caráter tímido e, nos momentos difíceis e de opo- sição, tendia a desanimar-se (2 Timóteo 1.3-7). Por esta razão, talvez, Paulo rogava aos coríntios que fizessem Timóteo sentir-se confor- tável entre eles e que não desprezassem seu caráter (1 Coríntios 16.10-11). Pelas Escrituras entende-se também que era um homem afetuoso e temente a Deus. Paulo enviou Timóteo a Tessalônica para investigar e exortar a igreja nessa cidade a perseverar na fé, apesar das tribulações. De lá Timóteo trouxe boas notícias ao apóstolo. (1 Tessalonicenses 3.1-6) Timóteo foi um fiel colaborador do apóstolo, incansável, con- siderado apto por Paulo para representá-lo em igrejas onde ele não podia chegar, por diversas razões. A segunda carta de Paulo a Ti- móteo nos mostra um homem lutando contra conflitos internos e externos, mas dedicado à tarefa pastoral. Desde então, não há mais datas referentes à vida de Timóteo até Hebreus 13.23, onde o tex- to nos diz que esteve preso, mas que já tinha recuperado a liberda- de. Esta passagem de Hebreus constitui a última menção da Bíblia

a este homem que foi tão especial para Paulo e para a obra missionária.

Temas Centrais com Aplicações Práticas

Santidade

Na história bíblica há um paralelismo muito belo entre Israel e

a Igreja, no que diz respeito à santidade. Israel foi libertado da escravidão, chamado por Deus para viver em santidade (Êxodo

19.5-6; Levítico 11.44). Por outro lado, todos os membros da Igre-

ja foram libertos da escravidão do pecado e, uma vez libertos, são

chamados também a viverem em santidade. Este chamado encon-

Novo Testamento II

tra-se em muitas passagens do novo Testamento. Em 1

Tessalonicenses há três referências : 4.3-6; 4.7-8 e 5.22-24.

A santidade é a característica distintiva do povo de Deus; viver

em santidade não é uma opção para o cristão, é uma demanda de Deus (1 Pedro 1.13-17). Somente o cristão que experimenta a san- tidade, dia a dia, pode dizer que “tem a mente de Cristo” (1 Coríntios 2.16), e que “anda como ele andou” (1 João 2.6).

A passagem que mais caracteriza a inteira santificação em sua

posição wesleyana é 1 Tessalonicenses 5.22-24. Em nenhuma ou- tra parte do Novo Testamento se encontra um sinônimo quase perfeito, quanto a este termo teológico: “santificar por completo”. Nesta passagem, pelo menos, podemos diferenciar dois aspectos da inteira santificação:

(1) o aspecto humano da santificação (“abstende-vos de toda forma de mal”, v. 22). Aqui Paulo usa a mesma palavra do 4.3 “abstenhais

da prostituição”. O aspecto humano da santificação é que “nos apar- temos de todo mal”. Todo mal inclui “todo”, não somente a fornicação. “Abstende-vos” é um mandato, um imperativo para os convertidos.

A parte humana é cuidar de nós mesmos, a fim de que o mal não nos

assalte. O bem se refere a algo único, o mal é múltiplo. Paulo mesmo enumera todos estes males em Gálatas 5.19-21.

(2) o aspecto divino da santificação – “E o mesmo Deus de paz os

santifique em tudo

(vv. 23-24). Deus é chamado o Deus da

paz, ou seja, o mesmo Deus do Antigo e Novo Testamento. O mesmo Deus que nos justificou e nos permitiu ter paz com ele (Romanos 5.1). A justificação é ter paz com Deus e aí começa o caminho da santificação. Para ter a graça santificadora de Deus,

primeiro se necessita da paz com Deus. “Santificar” significa “apar- tar-se do mal e dedicar-se a Deus, purificando a vida interna e

externa”. Paulo diz: “

os santifique por completo”, isto é, que a

ação começada em nossa conversão deve completar-se agora nes-

ta vida.

O apóstolo insiste em que todos entendam a profundidade e

a urgência da santificação. Primeiro disse: “os santifique em tudo”

”,

Epístolas Paulinas

e, como se fora pouco, acrescenta: “e o vosso espírito, alma e corpo”.

O espírito é o campo do Espírito Santo e o que nos mantém

em relação com Deus. A alma é tudo que é sensitivo, o que nos relaciona com os demais (paixões, desejos, sentimentos, etc.). O corpo é a parte material, sem esquecer-se de que é o templo do Espírito Santo. A oração de Paulo é que nenhuma das partes do ser humano fique fora da santificação de Deus. Paulo volta a tocar ainda no tema da segunda vinda de Cristo”, dando a entender que só o ato santificador de Deus pode preparar os crentes para a prova final, naquele dia glorioso. Paulo tinha que enfatizar que a santidade é um “estilo de vida”,

por isso disse:

.” É dizer, devemos estar esperando esse dia, mas, desde já, viven- do a inteira santificação. “Conservado” dá a idéia de preservar a

carne com sal, em refrigeração, para que não se corrompa.

O grande alcance da oração de Paulo é tal que é necessário

incorporar uma palavra de segurança: “Fiel é o que vos chama, o qual também o fará” (v.24). Esta santificação não se encontra nos poderes do homem, nem em suas lutas ou lucro, nem sequer em sua consagração. É Deus quem o fará; e esta segurança se baseia no caráter de Deus: ELE É FIEL. Deus fará o que disse que fará. O que pede a cada um é:

“abstende-vos de toda espécie de mal”. Cada parte de nosso ser deve ser santificado completamente, isto é, cada parte deve ser enriquecida com atos e atitudes que testifiquem tal forma de vida.

sejam conservados íntegros e irrepreensíveis

Segunda Vinda

Em 1 Tessalonicenses, a menção à segunda vinda do Senhor para buscar a sua Igreja está presente em todos seus capítulos, basta ler as seguintes passagens que nos falam disto: 1.10; 2.19; 3.13; 4.13-17; 5.1-11. Isto indica que o ensino de Paulo em Tessalônica sobre este assunto não era obscuro e que, com esta verdade bíblica, animou os irmãos a permanecerem fiéis ao Se-

Novo Testamento II

nhor em diversos aspectos: no serviço fiel (1.10), na santidade (3.13); na esperança da participação de sua glória (4.13-17); no viver como filhos da luz em um mundo de trevas (5.1-11).

O apóstolo indica certa ordem de eventos que ocorrerão antes

da segunda vinda do Senhor. Além disso, ele recorda quase com as mesmas palavras de Jesus a importância de estar alertas (5.1-11). O

Senhor prometeu que um dia voltaria para buscar os seus (João 14.2-3) e assim o fará. A Igreja deve estar preparada para esse momento e esta preparação consiste em viver una vida de santida- de e em seguir os conselhos que Paulo, inspirado pelo Espírito Santo, deixou aos tessalonicenses.

2 TESSALONICENSES

Aspectos Literários

Autoria

A evidência interna afirma que 2 Tessalonicenses é do punho

de Paulo (1.1). Além disso, desde os tempos antigos, esta carta foi aceita sem problemas como redigida pela mão de Paulo. Marción faz menção dela como escrito paulino, bem como o fragmento Muratório. Irineu a conheceu como escrito paulino. Desde o ano 200 d.C. 2 Tessalonicenses foi aceita universalmente como escrito de Paulo 14 .

Destinatários

Tal como como 1 Tessalonicenses, os destinatários são os mes- mos, os cristãos da amada comunidade cristã em Tessalônica (1.1), à qual Paulo e seus colaboradores amavam entranhavelmente.

Ocasião e propósito

Earle passa a descrever claramente a ocasião e o propósi- to de 1 Tessalonicenses: “Depois que Paulo enviou sua primeira carta, entendeu que alguns dos cristãos em

Epístolas Paulinas

Tessalônica haviam interpretado erroneamente seus en- sinos sobre a segunda vinda. Tomaram tão seriamente a ênfase de Paulo quanto à iminência este evento que dei- xaram seus trabalhos para aguardarem o que iria suceder. E isto, estava causando uma situação muito constrange- dora. O propósito da segunda carta era corrigir a inter- pretação errônea quanto à segunda vinda, e exortar os crentes a que regressassem a seus trabalhos”. 15 Além disso, se percebe a perfídia dos judeus à comunidade cristã em Tessalônica. O propósito de Paulo é também animar e consolar esta igreja que desde o seu começo estava sendo perse- guida pelos inimigos da cruz.

Data e lugar de redação

Paulo escreveu esta carta pouco tempo após ter escrito a pri- meira, talvez um mês ou dois. Por isto, estima-se que tenha sido por volta dos anos 50 d.C. Também foi escrita no mesmo lugar: Corinto. É onde Paulo “assentou” sua base missionária que durou um ano e meio. Neste período de assentamento em Corinto, escreveu tanto a primeira quanto a segunda carta aos tessalonicenses.

Tema principal

O tema principal se encontra nos dois primeiros capítulos: A Vinda de Cristo e a reunião dos crentes com Ele (2.1). Cristo dará sua justa retribuição, em sua vinda, aos opressores dos cristãos (1.3-10). Antes de sua vinda, ocorrerão certas coisas como a apostasia (2.3) e a aparição do “Anticristo” (2.3).

Esboço

A. Saudação pessoal (1.1-2)

B. Conselho aos atribulados tessalonicenses (1.3-12)

1. Exortação à perseverança (1.3-4)

2. O propósito das tribulações (1.5-10)

Novo Testamento II

3. Oração pelos tessalonicenses (1.11-12)

C. Acontecimentos sobre a segunda vinda (2.1-12)

1. É um acontecimento futuro (2.1-2)

2. Será precedido por acontecimentos concretos (2. 3-12)

D. Exortação a se manterem firmes ao chamado de Deus e na doutrina (2.13-17)

E. Petição de oração (3.1-5)

F. Ordem para trabalharem (3.6-15)

G. Saudação final (3.16-18)

Temas Centrais com Aplicações Práticas

As tribulações

Paulo prefere usar o termo tribulação para mostrar os sofri- mentos por que passavam os tessalonicenses, por causa do Evan- gelho de Cristo. “Tribulação” significa principalmente “pressão”. Esse termo se refere aos sofrimentos, devido às pressões das cir- cunstâncias , ao antagonismo das pessoas, ou a qualquer coisa que aflija o espírito. O apóstolo lembra-lhes que estas pressões não eram provações da parte de Deus e sim, um meio de conduzi-los à perfeição, à maturidade espiritual, à prática da fé e à perseverança por amor de Cristo. Hoje, as pressões da vida confundem os crentes, porque elas vêm de diversas e inesperadas formas; não importa qual seja a cir- cunstância da prova, mas sim, a reação do crente. Tiago disse “ten- de por motivo de toda alegria o passardes por várias provações, sabendo que a provação da vossa fé, uma vez confirmada, produz perseverança.” (1.2-3). A reação de todo crente quanto às adversidades deve ser de fé, perseverança e uma visão correta de que tudo está no controle de Deus, e que Ele utilizará tais tribulações para produzir uma mu- dança espiritual. Pode-se ilustrar esta verdade bíblica, usando a vida de Jó. Basta ler as seguintes passagens e imitar sua reação às pres- sões sofridas: Jó 1-2; 19.25-27; 42.10-17.

Epístolas Paulinas

O dia do Senhor

A segunda epístola aos Tessalonicenses foi escrita também para tirar as dúvidas sobre “o dia do Senhor” (2.2). Alguns tessalonicenses estavam tão emocionados com a idéia de que a vinda do Senhor estava próxima, a ponto de abandonar seus traba- lhos, à espera de que Cristo regressasse. Seja porque estas dúvidas tenham sido geradas por falsos mes- tres ou por um mau entendimento do que Paulo explicou em 1 Tessalonicenses, o apóstolo se propôs a dar- lhes os recursos ne- cessários para contar com um critério definido por meio do qual pudessem reconhecer realmente como sucederia “o dia do Senhor” ou “segunda vinda” 17 . Paulo explica-lhes que ainda não chegara o “dia do Senhor”, e que ocorreriam pelo menos três eventos antes que isto suceda: (1) a chegada da apostasia; (2) a aparição do Anticristo; e (3) a remo- ção do ministério do Espírito Santo 18 . Relacionado ao tema da segunda vinda do Senhor, Paulo des- creve a aparição do Anticristo. Benware explica este evento desta maneira:

“O Anticristo é um homem que chegará a ser um grande líder político nos últimos dias, sendo a figura humana

Será um homem

de grandes capacidades naturais, mas também estará

Sua vida e governo estarão ca-

racterizados por milagres poderosos e enganosos, o que resultará em que as multidões o adorarão. Será o intento de Satanás de dar a este mundo um messias, antes que o Messias, Jesus Cristo, venha a reinar para sempre (cf. Daniel 7.20-26; 9.24-27; Mateus 24.15-24; Apocalipse 13.1-18; 17.12-17). 19

dominante no período da

energizado por Satanás

Novo Testamento II

Aspectos Literários

Autoria

1 CORÍNTIOS

No ano 95 d.C., Clemente de Roma cita a carta como sendo do Apóstolo Paulo. Isto quer dizer que há muito já se associava

esta carta a Paulo. Mas não somente Clemente a associou a Paulo,

o mesmo fez também Inácio no ano 110 d.C.; e Policarpo, no ano

112 d.C. 20 Esta carta, sem nenhuma dúvida, pertence ao Apóstolo Paulo, é fruto dos seus pensamentos envolvidos na chamas da pai- xão pelo progresso da Igreja de Cristo (1 Coríntios 1.1-2).

Destinatários

Os destinatários desta epístola são os membros da Igreja de Corinto (1.2-3).

Ocasião e Propósito

Está evidente que o motivo principal da carta é de caráter corretivo. Membros da família de “Cloe” se reuniram com Paulo, para comunicar-lhe certos problemas que estavam incomodando

a saúde da igreja. Observa-se isto pelo conteúdo da carta. Entre

estes, podem-se citar as divisões que estavam fragmentando a congregação (1.11), um sério problema de imoralidade sexual (5.1) que alguns irmãos preferiam resolver nos tribunais (6.1-11). Em 1 Coríntios 7.1 , observa-se que estes tinham escrito uma carta ao apóstolo, pedindo orientação para os problemas do casamen- to (7.1-40), a comida sacrificada aos ídolos (8.1-13), a ceia do Senhor (10.14, 11.34), os dons espirituais (12-14) e a ressurreição dos mortos (15.1-58). A resposta de Paulo não se faz esperar. Com grande capacida- de para resolver os problemas, enfrenta este desafio. Por meio da carta, traz soluções que ajudem a comunidade que ele mesmo ti- nha “plantado”(3.6).

Data e lugar de redação

Epístolas Paulinas

A primeira Epístola aos Coríntios foi escrita em Éfeso, o que se pode deduzir no capítulo 16.8, onde Paulo comunica sua estada atual em Éfeso até o Pentecostes. Atos 20.31 também confirma isto. A data desta estada, entre os anos 54 e 57 d.C., em Éfeso, é citada por vários exegetas, sendo provável a data de redação o ano 55 d.C

Tema principal

Na Epistola distinguem-se duas divisões principais. Earle faz o seguinte comentário sobre este assunto:

A carta tem duas divisões naturais: 1. Assuntos de que

Paulo tinha sido informado (cap. 7.). Na primeira parte são discutidos três problemas: divisões (cap. 1.4); imora- lidade (cap. 5); litígios (cap. 6), na segunda parte, seis pro- blemas são discutidos: casamento (cap. 7); o sacrifício aos

ídolos (cap. 8-10); costumes e conduta da igreja (cap. 11); dons espirituais (12-14); a ressurreição (cap.15); a oferta (cap.16). Estes nove problemas constituem o conteúdo

da carta e todo estudante da Bíblia deve conhecer bem. 21

Ante a variedade de temas tratados pelo apóstolo na primeira divisão, pode-se observar que Paulo procura restaurar a comunhão perdida na Igreja de Corinto e isto constituiria o tema e objetivo principal. Na segunda divisão, o ensino de Paulo diz respeito à prática cristã correta, a qual confirmaria o segundo tema principal. De acordo com isto, a definição do tema principal da 1 Coríntios numa frase só, seria: “A resposta de Deus por meio do Apóstolo Paulo, aos problemas da igreja, para que haja uma vida de santida- de em todas as áreas”.

Esboço

A. Assuntos dos quais Paulo tinha sido informado (cap. 1-

6):

Novo Testamento II

1. divisões (cap. 1-4)

2. imoralidade (cap. 5)

3. litígios (cap. 6)

B. Respostas às perguntas acerca do casamento (cap. 7-16):

1. casamento (cap. 7)

2. acerca das coisas sacrificadas aos ídolos (cap. 8-10)

3. costumes e conduta da igreja (cap. 11)

4. dons espirituais – línguas (cap.1 2-14)

5. a ressurreição (cap. 15)

6. a oferta (cap. 16)

Contexto Histórico

A informação que se oferece dentro deste tema atesta o con- texto histórico da 1 e 2 carta aos Coríntios.

A Cidade

Esta ci-

dade tinha uma história muito particular. Por volta do ano de 146 um general romano chamado Múmio conquistou a cidade, arra- sando, saqueando e deixando tudo em ruínas. Corinto estava des- tinada a ser uma lenda, não fosse a reconstrução encetada por Júlio César, para convertê-la num importante ponto estratégico, a fim de prover segurança à parte oriental do Império. No ano 44 d.C., a cidade foi reconstruída como colônia roma- na e com grande rapidez a cidade floresceu até tornar-se uma cida- de popular, próspera, com muito esplendor. Mais tarde, no ano 27 d.C., passaria a ser a capital da província senatorial de Acaia 22 . Corinto era um dos grandes centros comerciais do mundo no Mar Mediterrâneo oriental dos tempos de Paulo. Estava localizada na via comercial do Oriente ao Ocidente, recebia o tráfego que vinha de ambas as direções. Estava localizada no istmo estreito que separava a parte sul da península do resto da Grécia. Hoje há um canal de 6 km de comprimento que atravessa o istmo. Nos tempos de Paulo, porém, os barcos pequenos eram levados de um

Corinto foi fundada pelos Dórios no século IX a. C

Epístolas Paulinas

extremo do istmo ao outro sobre rodas; os barcos grandes descar- regavam sua mercadoria em ambos os lados do istmo: Cencréia, no Oriente (Ageu), e Liceo no Ocidente (Adriático).

A Igreja

Sabendo da importância estratégica de Corinto (pois nas suas ruas podiam se ver marinheiros, viajantes e comerciantes de todas as partes do mundo), Paulo passou um ano e meio estabelecendo as igrejas dessa cidade, mas, na sua segunda viagem missionária, teve mais dificuldades que na anterior. A atmosfera não era muito apro- priada à vida santa. Esta igreja era formada por judeus e gentios.

Aspectos políticos sociais e religiosos

Corinto tinha o privilégio de ser a capital da província senato- rial de Acaia e, por este privilégio, se convertia, na cidade sede do governador, desde o ano 27 a.C. Era uma cidade portuária, pois estava situada num pequeno istmo que une Grécia ao Peloponeso. Sua localização estratégica era importante para sua atividade comercial, tornando-a um cen- tro notável. William Barclay faz o seguinte comentário sobre o aspecto da cidade:

Tal localização fazia que a cidade fosse um dos grandes centros comerciais do mundo antigo do norte e do sul da Grécia e tinham que passar por ela, na falta de outro ca- minho. Todo o comércio desde Atenas e o norte da Grécia até Esparta e o Peloponeso tinha que passar por ali, pois Corinto estava localizada no pequeno estreito de terra que unia os dois, além do grande comércio do leste a oeste do Mediterrâneo. 23 Sua população era diversa, pois ali moravam romanos aposen- tados que tinham sido favorecidos por Júlio César, pelos serviços prestados ao exército romano; eles eram donos de terras. Também havia gregos e orientais. Muitos judeus tinham feito de Corinto sua morada, aproveitando as oportunidades econômicas que esta

Novo Testamento II

oferecia. Era uma cidade importante pela sua localização estratégi- ca, uma linda cidade com prédios belíssimos. Neste pequeno estreito de terra localizava-se Corinto e ficava uma colina chamada Acrópole e também o grande templo em honra a deusa grega do Afrodite. Era um lugar muito visitado por homens que procuravam liber- tinagem oferecida pelas sacerdotisas que estavam neste templo; “nesta população estavam representados quase todos os cultos dos países mediterrâneos. Junto a santuários de divindades romanas e gregas, (Júpiter Capitolino, Afrodite, Ártemis de Éfeso) havia também san- tuários de deuses orientais (Isis, Serpes, e Cibeles). 24 No entanto, não só esta opulência econômica e cultural estava estampada na face da moeda como também, Corinto tinha a fama de ser uma cidade libertina, carregada de vícios e de males. Por exemplo, o famoso templo de Afrodite conservava dentro de si mil prostitutas sacerdotisas que estavam à disposição de todos aque- les que iam aos cultos. Além disso, os coríntios tinham a fama de ser beberrões, corruptos e depravados. Por isso usava-se, no mun- do romano, a palavra “corintizar” que significava viver como um coríntio, em pecado e imoralidade, viver bêbado e em corrupção moral. As escavações têm descoberto 33 tabernas detrás de uma série de arcadas como aquela de 30 metros de largura.

Personagens Principais

No estudo dos personagens principais, a seguir, a pessoa de Paulo é a pessoa principal, tanto na primeira como na segunda carta aos Coríntios. Dele fala-se de maneira ampla.

Sóstenes

Paulo, ao falar de Sóstenes, na carta, mostra que este persona- gem era importante. Era um principal da sinagoga de Corinto, e sucessor de Crispo. Foi agredido no tribunal, quando Gálio rejei- tou a acusação contra Paulo (Atos 18.17), numa ação contra os judeus, por parte dos gregos (como indica o texto ocidental) ou

Epístolas Paulinas

uma rejeição dos judeus, por considerá-lo um porta voz ineficaz. Este último poderia demonstrar simpatia para com o cristão: “eu plantei, Apolo regou; mas o crescimento veio de Deus”(1 Coríntios 3.6) “. O irmão Sóstenes foi um dos remidos de 1 Coríntios 1.1 e este nome grego não era muito comum.

Apolo

Em Atos (18.24-28) encontra-se a descrição da personalidade de Apolo:

Nesse meio tempo, chegou a Éfeso um judeu, chamado Apolo, homem eloquente e poderoso nas Escrituras. Era ele instruído no caminho do Senhor e, sendo fervoroso de espírito, falava e ensinava com precisão a respeito de Jesus, conhecendo apenas o batismo de João. Ele, pois, começou a falar com ousadia na sinagoga. Ouvindo-o, porém, Priscila e Áquila, tomaram-no consigo e, com mais exatidão, lhe expuseram o caminho de Deus. E querendo ele percorrer a Acaia, animaram os irmãos e escreveram aos discípulos para o receberem; tendo chegado, auxiliou muito aqueles que, mediante a graça, haviam crido; por- que com grande poder convencia publicamente os ju- deus, provando, por meio das Escrituras, que o Cristo é Jesus. Apolo, como fala a passagem, era um judeu da Alexandria. Seu nome vem da abreviação de Apolônio. Chegou a Éfeso no ano 52 d.C. durante a rápida visita de Paulo à Palestina ( Atos 18.22). Em Corinto surgiram facções que se chamavam pelos nomes de Paulo, Apolo, Pedro e Cristo ( 1 Coríntios 1.12). Paulo procura demonstrar que isto não era certo e não vinha dele mesmo ou de Apolo, que trabalhavam juntos, debaixo da direção de Deus (3.4-6) todos eles pertenciam aos Coríntios, inclusive Paulo e Apolo (4.6); havia facções por causa das preferências de alguns pela eloquência de Apolo. Seu desejo de amenizar a situação pode ser a razão de não ter voltado a Corinto apesar do pedido de Paulo (16.2). Em

Novo Testamento II

Tito (3.13) é mencionado pela última vez realizando alguma outra viagem.

Timóteo

Em 1Tessalonicenses Timóteo é apresentado amplamente. O que se pode enfatizar neste livro é a situação em que Paulo, estan- do em Éfeso, o enviou a Corinto, para solucionar os problemas

Timóteo era de caráter tímido, pois

Paulo insta aos coríntios que façam tudo, para que Timóteo se sinta à vontade e não o ignorem.(1 Coríntios 16.10-11; 4.17). Pela situação que se apresentou em Corinto, observa-se que a missão dele não teve êxito, e que, apesar de seu nome estar associ- ado com o de Paulo nas saudações desta carta, é Tito, e não Timó- teo, que ocupa o lugar de delegado apostólico.

que estavam acontecendo

Áquila e Priscila

Através de Atos 18.1-3, sabe-se que Áquila era um judeu, natu- ral do Ponto, que tinha chegado há pouco tempo da Itália (Roma) com Priscila sua mulher, porquanto Cláudio havia mandado que todos os judeus saíssem de Roma. Diz-se que Paulo, ficou com eles, e trabalharam juntos, Pois o ofício deles era fazer tendas. O apóstolo os tinha em grande estima, porque, como ele mes- mo diz, expuseram suas próprias vidas por ele; aos quais não só eu agradeço como também toda a igreja dos gentios” (Romanos 16.3). Áquila e Priscila acompanharam Paulo até Éfeso, onde encon- traram o irmão Apolo, a quem eles ajudaram a obter um conheci- mento mais completo (Atos 18.18-28). Pouco tempo depois, aproveitando que as leis contra os judeus tinham sido atenuadas depois da morte de Cláudio, voltaram para Roma (Romanos 16.3).

Tito

Evidentemente atuou como representante de Paulo em Corinto durante o ano antes de escrever a 2 Coríntios (8.16), com a missão especial de organizar a coleta das ofertas ali. Parece que esta tarefa

Epístolas Paulinas

ficou inacabada, porque Paulo pediu a Tito que voltasse a Corinto para completá-la (2 Coríntios 8.6). Uma situação mais delicada foi a de amenizar a tensa situação que tinha surgido entre Paulo e os Coríntios, tarefa que claramente requeria um homem de muito tato e força de caráter. Parece que ele tinha uma personalidade mais forte que a de Timóteo (1 Coríntios 16.10; 2 Coríntios 7.15), e possuía habilidades como ad- ministrador. Finalmente, Tito reuniu-se com Paulo em Macedônia (2 Coríntios 7.6), com boas notícias e como resultado foi escrita a 2 carta aos Coríntios, que posteriormente foi levada por Tito com grande solicitude (2 Coríntios 16). O apóstolo o descreve como companheiro e colaborador (8.23).

Os de Cloe

Não se sabe, com certeza, quem, eram “os de Cloe” tendo em vista o texto não fornecer muitos dados. Nem a história e nem a arqueologia, lograrão esclarecer este enigma. Somente se pode di- zer que Cloe significa no grego “a que reverdece”. Neste sentido, muitos eruditos têm oferecido suas interpretações, conforme o que se segue:

(1) Para Barclay 25 , Cloe era uma dama distinta de Éfeso que possuía escravos cristãos. Estes escravos – tinham tido a oportuni- dade de visitar a Igreja Cristã de Corinto e voltaram com notícias sobre as intrigas e desacordos da igreja ali, para alí. (2) Adam Clarke 26 diz que esta era uma senhora muito religio- sa de Corinto e que ela e toda sua casa eram crentes, alguns de sua casa foram até Éfeso ver o apóstolo informá-lo sobre as conten- das na igreja. (3) Outros autores preferem interpretar historicamente, argu- mentando que Cloe era o nome popular da deusa grega Deméter 27 , tal deusa possuía 56 templos na Grécia, dos quais um estava em Corinto. Dizem que estes devotos de Cloe gostavam do Apóstolo Paulo, pois compartilhavam algumas práticas religiosas: adoravam uma deidade pura, tinham ritos batismais, sacramentos e acredita-

Novo Testamento II

vam na vida após a morte. Também os de Cloe odiavam as orgias praticadas nessa época. (4) João Wesley 28 se unia ao pensamento que esta era a mulher de Estéfanas e mãe de Fortunato e Acaico. Por intermédio deles, os Coríntios tinham enviado uma carta a Paulo e fizeram chegar as novas da igreja dali. Como se pode observar as opiniões são variadas ao longo da história, o certo é que, seja o que for, “os de Cloe” foram decidi- dos e fizeram o apóstolo ciente dos problemas que atrapalhavam a comunhão cristã em Corinto, e não ocultaram a situação real desta comunidade.

Temas Centrais com Aplicações Práticas

Lealdades

Corinto teve o privilégio de escutar a mensagem de distintos pregadores de renome como Pedro, Paulo e Apolo, mensageiros poderosos do evangelho. Isto provocou preferências entre o pú- blico de Corinto que os levou ao partidarismo na igreja. A lealdade aos líderes humanos e as filosofias de trabalho nun- ca deve ser motivo para engendrar um espírito de divisão nem muito menos criar contendas na igreja. Nossa lealdade aos líderes deve ser considerada como lealdade a Cristo, primeiro. Fazendo isto, a igreja se verá livre de divisões que tanto afetaram os coríntios daquela época.

Imoralidade

Tinha se evidenciado na igreja (1 Coríntios 5.1-2) um caso de imoralidade que constituía uma falta grave deixando a congrega- ção abalada. O problema era que os irmãos tinham estado indife- rentes e até mesmo condescendentes, do ponto de vista cristão, diante da imoralidade sexual. O cristão não deve estar comprometido especialmente com atitudes imorais. Sua mente deve conservar-se pura e santa, seus sentimentos e atitudes devem glorificar a Cristo. Fugir da influên-

Epístolas Paulinas

cia imoral é um grande desafio para os cristãos que desejam verda- deiramente agradar a Deus.

Adoração

É nos aspectos relacionados com a adoração que os Coríntios

apresentam maiores problemas para o Apóstolo Paulo. O fato de ignorar e entender o significado da ceia e o uso dos dons espiritu-

ais os levaram práticas contrárias à fé e à doutrina cristã. A ceia do Senhor passou a ser um banquete a mais em que podiam comer e beber vinho sem limites até satisfazerem suas necessidades car- nais, não as espirituais.

A manifestação dos dons espirituais era algo que seduzia os

Coríntios, de tal maneira que exageravam no uso dos dons; caíram em erros ignorando o doador. Além disso, existia certa rivalidade entre os que possuíam os dons milagrosos, considerados como “espirituais”. Nesta rivalidade, os dons de fazer milagres e de falar em línguas eram os mais almejados. Tudo isto só fazia da adoração um ambiente desagradável e confuso, que inclusive chegaria a fa- zer com que os incrédulos pensassem que eram ‘loucos’ (14.23).

A adoração deve ser uma oportunidade propícia para ter um

encontro da igreja com Deus – um encontro regenerador. Para alcançar este objetivo o apóstolo queria que houvesse ordem nos cultos e uma atitude de fazer tudo em amor (13.1-13) não só para a edificação da igreja (14.26) como também para levar os não cren- tes ao arrependimento (14.24-25).

A ressurreição

No último capítulo de 1 Coríntios encontra-se o ensino quan- to à ressurreição dentre os mortos. Alguns dos Coríntios falavam que não existia tal ressurreição (15.22), anulando a ressurreição corporal de Cristo, e jogando por terra toda a esperança dos cren- tes na ressurreição com ele para a vida eterna (15.13-14). Esta verdade já foi confirmada “com muitas provas irrefutáveis” (Lucas 1.3) e com esta verdade, a esperança de todo crente de um

Novo Testamento II

dia estar com Ele para sempre. Paulo declara que a ressurreição de Jesus Cristo é a pedra angular da fé cristã (15.12-20). Devemos viver a vida em santidade, esperando esse momento glorioso, quan- do estaremos na presença do nosso Senhor Jesus Cristo.

Aspectos Literários

Autoria

2 CORÍNTIOS

Esta carta não oferece problemas quanto à sua autoria. As evi- dências internas asseguram que o Apóstolo Paulo é o autor (2 Coríntios 1.1).

Destinatários

A Igreja de Corinto é a receptora desta carta paulina. Portanto, esta é uma carta dirigida a todos os crentes e não a uma pessoa em particular (2 Coríntios 1.1)

Ocasião e propósito

Parece que a primeira carta provocou um certo mal-estar entre a igreja e Paulo. O apóstolo revela o que o motivou a escrever esta carta mais claramente do que nas outras cartas. Em 2 Coríntios 1.8 afirma: “Porque não queremos, irmãos, que ignoreis a natureza da tribulação que nos sobreveio na Ásia, porquanto foi acima das nossas forças, a ponto de desesperarmos até da própria vida”. Ao que o apóstolo se refere aqui, sucedeu em Éfeso, durante os três anos de sua estada ali, em sua terceira viagem. O apóstolo muito preocupado com os relatórios recebidos acerca das condições em Corinto, enviou Timóteo para lá levando sua primeira carta aos Coríntios (1 Coríntios 16.10). Paulo queria que Apolo tivesse ido e tentasse resolver os problemas, porém este se recusara. (1 Coríntios

16.12).

Epístolas Paulinas

Parece que Timóteo não pode resolver os problemas. Geral- mente se crê que Paulo mesmo fez uma viagem rápida a Corinto, pois em 2 Coríntios ele disse ter antecipado esta viagem: “Eis que, ”

pela terceira vez estou pronto a ir ter convosco

14, 13.1). A segunda visita não é mencionada em Atos, mas provavel- mente ocorreu entre as datas da redação das duas cartas. Pelo que Paulo disse em 2 Coríntios, conclui-se que nessa visita foi insulta- do por alguns irmãos, e regressou a Éfeso com o coração despeda- çado. Sua decisão seguinte foi enviar Tito, mais velho que Timóteo, e parece ter adotado uma disposição mais firme. Depois de ter envia- do a Tito, Paulo estava tão preocupado pela situação em Corinto, a ponto de “desesperar-se até da própria vida” (2 Coríntios 1.8). Finalmente partiu de Éfeso e foi a Trôade onde encontrou uma porta aberta – uma oportunidade para a pregação – mas esta- va tão terrivelmente angustiado por seus cuidados pelos coríntios, que nem sequer pôde aproveitá-la! Assim, embarcou e chegou à Macedônia. (2 Coríntios 2.12-13). Tito deve ter ficado em Corinto mais tempo do que o espera- do. Isto pareceu mal a Paulo e só aumentou a sua preocupação, de forma que cruzou de Trôade a Filipos, planejando talvez ir a Corinto, se Tito não chegasse imediatamente. Finalmente a incerteza terminou: Tito chegou! O próprio Pau- lo é que nos conta em 2 Coríntios 7.5-6. Então o apóstolo escreveu aos coríntios, expressando-lhes quão contente estava por sua mudança de atitude. O propósito de 2 Coríntios era assegurar-lhes que os amava, e, ao mesmo tempo, defender-se de alguns em Corinto que ainda colocavam em dúvida a sua autoridade. Além disso, por meio desta carta, Paulo queria também animar os coríntios a completar o que faltava para uma oferta levantada para os pobres de Jerusalém.

(2 Coríntios 12.

Novo Testamento II

O Estilo da correspondência aos coríntios

A correspondência do Apóstolo Paulo aos coríntios tem gera-

do muitas discussões que partem do fato de que, em 2 Coríntios, não há uma unidade de pensamento, pois mais pareceria uma mes- cla de três cartas em uma só. Tomando esta interpretação alguns eruditos como William Barclay 29 realizaram a seguinte cronologia epistolar corintiana:

(1) Sabemos que os coríntios tinham escrito a Paulo, pois em 1 Coríntios 7.1 disse: “Quanto ao que me escrevestes”. Provavel- mente foi toda uma correspondência considerável entre Paulo e essa importante igreja. (2) Foi uma carta anterior a 1 Coríntios que se menciona em 1 Coríntios 5.9. Alguns eruditos pensam que parte desta carta perdi- da está compreendida em 2 Coríntios 7.14 – 7.1. (3) Estando em Éfeso em 55 d.C., Paulo se informou de que nem tudo estava bem em Corinto e decidiu escrever a primeira carta aos coríntios. (4) A situação em Corinto, depois da última carta, piorou, pelo que Paulo decidiu fazer uma visita pessoal a Corinto. Esta visita foi um fracasso total. (5) A conseqüência desta visita é a “carta severa” que se refere à contenda em 2 Coríntios 10-13, que é enviada por meio de Tito. (6) Sem esperar a resposta, Paulo viaja para encontrar-se com Tito. Reúne-se com ele na Macedônia, informa-se de que tudo está bem em Corinto e, provavelmente de Filipos, escreve 2 Coríntios 1-9 a carta da reconciliação.

A unidade do livro

O problema principal com relação a 2 Coríntios é o assunto da

sua unidade. Muitos eruditos afirmam que os capítulos 10-13 fo-

ram escritos antes dos capítulos 1 a 9.

Em 2. 4 Paulo disse: “Porque, no meio de muitos sofrimentos

” Em 7.8 le-

e angústias de coração, vos escrevi, com lágrimas

Epístolas Paulinas

mos: “Porquanto, ainda que vos tenha contristado com a carta, não me arrependo, embora já me tenha lamentado”. Os eruditos geralmente se referem a esta prévia carta como “a carta severa” ou “austera”. Uma solução é que a carta austera seja 1 Coríntios. Nela há definitivamente algumas passagens severas e referência a lugares dos quais Paulo fala com muita emoção. Na ausência de qualquer evidência no manuscrito sobre sua divisão, devemos manter sua unidade.

O caráter geral da epístola

A segunda carta aos Coríntios é a mais pessoal de Paulo. Aqui

nos abre seu coração o que nos permite perceber a intensidade de suas emoções. Nessa carta o grande apóstolo se mostra como uma pessoa bem humana. Apesar de ser tão forte como era não estava isento de cair e ser esmagado por uma carga pesada de preocupa- ção por seus convertidos. Sua autobiografia, tal como a encontra- mos nesta carta é um conselho para nós, pois vemos que mesmo os grandes homens são humanos, sujeitos à queda.

Data e lugar de redação

Paulo escreveu, de Filipos, a segunda carta aos coríntios. A data da redação geralmente aceita é o ano 56 d.C.

Tema principal

O leitor atento, depois de uma boa leitura de 2 Coríntios, per-

cebe que o Apóstolo Paulo explicou e defendeu os seguintes te- mas: seu ministério, a oferta destinada aos pobres de Jerusalém e seu apostolado. Dentre os temas, o terceiro é o mais profundo, já que a autoridade do apóstolo era severamente questionada em Corinto por alguns irmãos. Ele teve que recorrer, dentre outras coisas, à experiência religiosa para demonstrar sua autoridade como apóstolo (12.10-13). Neste sentido, o apóstolo revela muito acerca da natureza do ministério do evangelho.

Novo Testamento II

Esboço

A. Defesa de seu ministério (caps. 1-7)

1. Saudação (1.1-2)

2. Consolo na aflição (1.3-11)

3. Justificativa de sua conduta (1.12 – 2.13)

4. Confirmação de seu apostolado (2.14 – 6.10)

5. Apelo final de reconciliação (6.11 – 7.16).

B. A oferta para os santos (caps. 8-9)

1. O exemplo de Macedônia (8.1-7)

2. Exortações a dar (8.8-15)

3. O manuseio da oferta (8.16 – 9.5)

4. Exortações a dar generosa e alegremente (9.6-15)

C. Vindicação do caráter de Paulo (caps. 10-13)

1. Autoridade apostólica de Paulo (caps. 10)

2. O humilde não se orgulha (11.1-15)

3. Os sofrimentos do apóstolo (11.16 – 12.13)

4. A visita antecipada de Paulo (12.14 – 13.10)

D. Despedida (13.11-14) 30

Temas Centrais com Aplicações Práticas

Consolo na aflição

Ao começar a carta, Paulo irrompe em um louvor de agradeci- mento a Deus por todas as consolações recebidas (1.3-11). Paulo estava destacando o fato importante de que em meio às aflições, a mão do Senhor se move para consolarnos. Mas a visão de Paulo não ficou somente no receber, pois, como diz o Senhor “mais bem-aventurado é dar que receber” (Atos 20.35); assim Paulo en- tende e os exorta a levarem em conta, que, as consolações de Deus servem para que se possa aprender a consolar os outros que este- jam passando por uma situação parecida. (1.4) Este princípio segue vigente até hoje. Em um mundo egoísta como o em que vivemos, devemos recordar as consolações que Deus nos tem dado e, tornar os outros participantes delas.

A natureza do ministério

Epístolas Paulinas

Uma das melhores contribuições de Paulo se encontra em 2 Coríntios, referente à verdadeira natureza do ministério. Podemos enumerar seus ensinos da seguinte maneira:

1) Paulo cria no triunfo final de Cristo, apesar dos sentimentos de fracasso, frustração e ansiedade (2.14-17). 2) Há gozo em ser servo de Cristo, mesmo que isto impli- que não poder esquivar-se das provações, aflições do coração e pressões. 3) Os frutos do ministério provam que o mesmo é válido. Por exemplo, a existência da Igreja de Corinto, comprova que o minis- tério de Paulo é válido (3.1-3). 4) Os resultados do ministério não se fundamentam na capaci- dade humana, mas no poder transformador do novo pacto, aquela salvação dada pela obra de Jesus Cristo (3.4-18). 5) O ministro não deve sentir-se desalentado, quando as pessoas não correspondem, porque Satanás cega as suas mentes (4.1-6). 6) As insuficiências de nós, como ministros, servem para ma- nifestar mais claramente o poder de Deus (4.8-18). 7) Quer na terra, em meio a aflições, quer com o Senhor com o corpo transformado, o importante é agradar a Deus com o nos- so ministério (5.1-10). 8) Nosso ministério é um ministério de reconciliação. O ho- mem tem de ser reconciliado com Deus (5.11-21). 9) O ministério é dado por Deus e é Ele que confere a autori- dade. Paulo compreende algumas realidades acerca de sua autori- dade: a) Tem recebido autoridade da parte do próprio Cristo; b) Esta autoridade é dada para servir de bênção para os cristãos; c) Esta autoridade poderia ser empregada, se necessário, para disci- plinar com severidade; d) Deus tem colocado a Igreja de Corinto debaixo de sua autoridade, porquanto Ele a estabeleceu. Não tira a autoridade de outros Apóstolos nem entra no âmbito de sua juris- dição (10.1-18). 31

Novo Testamento II

10) Não é bom recomendar-se a si mesmo, mas, quando al- guém tem uma conduta irrepreensível (11.1-15) e experiência no ministério pode e deve fazê-lo. (11.16-33). 11) O ministério, à vezes, traz consigo “aguilhões na carne”

(12.1-10).

(12) A autoridade do ministério permite aplicar a disciplina quando necessária . (12.14 -13.10).

Oferta

Nos capítulos 8-10 Paulo refere-se ao tema da oferta, a partir

da perspectiva do dar com generosidade, dar para os necessitados.

Nesta parte pode-se observar que se pode dar em meio à aflição e

à pobreza (8.1-2), a pessoa que dá pouco receberá pouco em re-

compensa. (9.6) a atitude, ao dar, é mais importante do que a quantidade a dar (9.7) e por último, quando se dá, obedecendo a este princípio,

glorifica a Deus e demonstra obediência ao evangelho de Cristo

(9.13).

Com isto ficam assentadas algumas bases que se deveriam le-

var em conta, quando alguém se dispõe a ofertar ou pagar o dízimo.

O dar nunca será uma carga se considerar que ao dar dinheiro,

tempo, água ou comida, na realidade está dando ao Senhor, o que

Ele mesmo falou em Mateus 25.34-45.

GÁLATAS

Aspectos Literários

Autoria

Não existem dúvidas quanto à autoria paulina de Gálatas (1.1).

Como evidência externa, poder-se-ia dizer que o próprio Márcion

a elegeu como a principal das cartas paulinas. 32

Destinatários

Epístolas Paulinas

A carta é endereçada “às Igrejas da Galácia” (1.2). Mas, o que é

Galácia? A teoria conhecida como “do norte da Galácia” levanta a hipótese de que a carta foi escrita e endereçada à região que apro- priadamente poderia ser chamada de Galácia no sentido popular. Esta era uma região na parte central do norte da Ásia Menor onde

uma grande quantidade de gauleses havia se radicado, desde o sé- culo III a.C., dando nome a essa região. Nos dias de Paulo, ela constituía a parte norte da província romana da Galácia.

A “teoria do sul da Galácia” interpreta a palavra Galácia em

seu sentido provincial. Daí a dedução de que Paulo escreveu esta carta para as cidades da parte sul da província da Galácia, onde ele

havia fundado diversas igrejas durante sua primeira viagem missionária.Trata-se das cidades de Antioquia de Pisídia, Icônio, Listra e Derbe. Paulo sempre concentrou seus esforços evangelísticos nos centros mais populosos, para que seu trabalho impactasse um número maior de pessoas. A motivação de Paulo para escrever esta carta foi a controvérsia entre os judaizantes e não judaizantes que se havia propagado pelas cidades mais próxi- mas do sul da província. Por isso a teoria do sul da Galácia parece ser a mais provável.

Ocasião e Propósito

Paulo chegou a dizer que a sua grande dor era que os judaizantes estavam desfazendo o seu trabalho na região da Galácia. Eles exi- giam que os convertidos deveriam ser circuncidados e observar a lei de Moisés; caso contrário, não poderiam ser salvos. Paulo reco- nheceu que tal exigência era uma negação de que a salvação é tão somente através de Cristo. O propósito da carta aos Gálatas é combater o trabalho dos judaizantes na Galácia. A justificação pela fé foi a resposta de Pau- lo aos ensinamentos judaizantes de salvação pelas obras.

Novo Testamento II

Paulo escreveu esta carta, também para defender sua autorida- de apostólica, a fim de corrigir os erros do legalismo e defender o conceito da liberdade cristã.

Local e Data

Parece que Gálatas 4.13 insinua que Paulo fez duas visitas a Galácia, antes de escrever a Carta. No retorno de primeira viagem missionária, ele visitou Listra, Icônio e Antioquia, de modo que, se for aceita esta teoria do sul da Galácia, então ele pode ter escrito esta carta entre as duas primeiras viagens missionárias, numa data próxima ao Concílio de Jerusalém, quando estava no auge a con- trovérsia dos judaizantes. Desta forma, não se pode estar seguro quanto à data exata. Poderia ter sido em 48 d.C, todavia o período mais provável é que sua composição tenha sido entre os anos 55 e 56 d.C. pela seguinte razão: psicologicamente seus sentimentos estão mais intimamente relacionados a 2 Coríntios; todavia, teologicamente, está mais pró- xima de Romanos, de forma que se coloca entre essas duas datas e

é o que fazem a maioria dos comentaristas do passado e também do presente. 33

Tema Principal

O tema principal da carta aos Gálatas é a “Liberdade Cristã”.

Este conceito está solidamente apoiado na doutrina da justificação

e da santificação pela fé. “Uma adequada compreensão da liberda-

de cristã, liberta os crentes e lhes permite viver por fé, gozando de

pureza e liberdade espiritual”. 34

Esboço

A. Introdução (1.1-9)

B. Seção Pessoal: Defesa da autoridade apostólica de Paulo (1.10 – 2.21)

1. O reconhecimento da revelação divina direta (1.10-17)

2. O reconhecimento do seu apostolado (1.18-24)

3. O reconhecimento do seu ensino (2.1; 10)

Epístolas Paulinas

4. A explanação de sua autoridade apostólica (2.11-21)

C. Seção Doutrinária: Justificação pela Fé (3.1 – 4.31)

1. Explicação da justificação pela fé (3.1 – 4.7)

2. Exortação a abandonar o legalismo (4.8-31)

D. Seção Prática: Liberdade Cristã (5.1 – 6.10)

1. O chamado para a liberdade Cristã (5.1)

2. O perigo da liberdade Cristã (5.2-12)

3. O Espírito Santo e a liberdade Cristã (5.13-26)

4. O Serviço e a liberdade Cristã (6.1-10)

E. Conclusão (6.11-18)

Contexto Histórico

Gálatas

Aproximadamente no século III a.C, um grande número de gauleses chegou à Ásia Menor. Estes eram de origem Celta, vi- nham de regiões do Ocidente e ocuparam a zona norte e o centro da Ásia Menor. Logo exerceram domínio sobre a população da Frigia. 35 Estes gauleses ou gálatas dominaram a região durante algum tempo, até que foram finalmente subjugados pelo poderio dos ro- manos no ano 189 a.C. Os governantes gálatas estiveram subjuga- dos aos romanos até 25 a.C. e foram considerados como um reino separado, porém, em 25 a.C., a região foi reconhecida como pro- víncia ou município romano da Galácia, depois de ser incorporada ao território. Assim, no momento em que Paulo escreveu o nome de Gálatas, estava referindo-se a toda a região da província, consequentemente as cidades gálatas de Antioquia da Pisídia, Icônio, Listra e Derbe, cidades que Paulo evangelizou em sua primeira viagem missionária e que visitou em sua segunda viagem.

A Igreja de Gálatas

As Igrejas da Galácia foram os primeiros frutos do ministério que Paulo desenvolveu entre os gentios. Antes da sua união com

Novo Testamento II

Barnabé, ele tina um ministério independente na Síria e Cilícia (Atos 9.30; 11.25; Gálatas 1.21). 36

O primeiro período da obra missionária no território da Galácia

do Sul se destacou por:

(1) o chamado de Paulo aos gentios e prosélitos nas sinagogas; (2) a oposição dos judeus à nova mensagem e o início de uma nova e diferente missão entre os gentios.

O segundo período da obra desenvolvida entre os gentios acon-

teceu em Listra. Ali o procedimento foi diferente, porque, aparen- temente, não havia sinagoga. O discurso inicial foi feito na praça, onde Deus fez um milagre, curando um coxo; por isso os gentios queriam adorar a Paulo e a Barnabé, mas eles não o permitiram

(Atos 14.15). A oposição dos judeus ressurgiu inflamada pelos pre- juízos de alguns gentios que apedrejaram Paulo e o lançaram para fora da cidade. Ele e Barnabé, porém, “fizeram muitos discípulos” (Atos 14.21) em Derbe e voltaram para Listra, Icônio e Antioquia de Pisídia, onde organizaram igrejas e elegeram anciãos em cada uma delas. (Atos 14.23) Na assembléia celebrada em Jerusalém, discutiram assuntos importantes para o desenvolvimento da Igreja na Galácia e neste Concílio, Paulo e Barnabé explicaram a conversão dos gentios (Atos 15.3). Uma dedução natural deste ato é que as igrejas desta região eram compostas, em sua maioria, por judeus, porém eles não havi- am sido informados sobre o novo movimento missionário através do qual muitos gentios estavam sendo salvos.

Aspectos Políticos, Sociais e Religiosos

A Galácia era uma região imperial. No livro apócrifo de

Macabeus, ele cita a Galácia dizendo: “Judas

formaram das suas batalhas (romanos) e das grandes proezas que tinham feito na Galácia, e como se tinham assenhoreado destes povos e os tinham tornado seus tributários” (1 Mac. 8.2). No aspecto histórico-religioso só se identificará os adversários dos apóstolos. Schlier menciona que estranhos se infiltraram nas

(e) os judeus se in-

Epístolas Paulinas

comunidades paulinas da Galácia, referindo-se aos “judaizantes”, ou seja, aos “judeus-cristãos” de procedência farisaica. 37 Insistiam em que os gentios convertidos da Galácia fossem circuncidados e observassem rigorosamente os preceitos sobre alimentação e o calendário judeu.

Principais Personagens

Paulo

Nas páginas anteriores já foram apresentados vários dados da vida de Paulo. O que nos compete aqui é conhecer mais sobre sua vida, tendo como base o que é relatado em Gálatas. Esta epístola (1.1 – 2.21) nos oferece novas informações. O apóstolo diz que, após ter se convertido, retirou-se da vida pública e foi para a “Arábia” (1.17). Referente a esta viagem, o livro de Atos não faz declaração alguma e sua duração é incerta. Gálatas afirma que houve um lap- so de três anos entre sua conversão e seu retorno para Jerusalém (1.18). Nesse tempo está inclusa a visita que ele fez a Arábia, sem indicar que estivera lá todo o tempo. 38 A sequência dos acontecimentos depois da sua conversão, tal como é relatada em Gálatas, está de acordo com a narração feita em Atos e com a mudança que Paulo experimentou em sua menta- lidade, pois necessitou desse tempo para aprender mais a respeito de Jesus Cristo e deixar suas tradições farisaicas. Sua permanência em Jerusalém foi breve, porém significativa. Deus deu aos líderes uma oportunidade de ver com seus próprios olhos a transformação que se operara no antigo perseguidor dos cristãos. Nesse período iniciou sua amizade com o judeu de Chipre, Barnabé, com quem mais tarde teve tanto fruto em seu ministério na Antioquia, onde Paulo foi agredido pelo antagonismo dos ju- deus helenistas que o perseguiram por toda sua vida, e pode ser considerada a causa de todo o problema da Galácia. Nem Lucas, nem mesmo Paulo dão outros detalhes sobre os anos passados na Cilícia (1.21) ou sobre o que se passou em 2.1.

Novo Testamento II

Provavelmente fixou residência em Tarso, porque ali é que foi en- contrado por Barnabé, quando este convidou para tomar parte em seu ministério na Antioquia (Atos 11.2-26).

A narração de Gálatas 2.1-10 é um dos enigmas históricos da

vida de Paulo. Esta seção biográfica refere-se somente a duas visi- tas a Jerusalém: uma, três anos depois de sua conversão e outra,

por ocasião de sua conferência com Cefas (Pedro), Tiago e João, por outro lado o relato de Atos se refere a três visitas:

1. Em sua volta de Damasco, logo após sua conversão, confor-

me é mencionado em Atos 9.26-30;

2. A “visita da fome” em Atos 11.27-30 e 12.25;

3. Por ocasião do Concílio de Jerusalém, que aconteceu após a

sua primeira viagem missionária.

A primeira destas visitas pode ter sido imediatamente após sua

conversão. O problema é saber se a segunda visita a Galácia deve

ser identificada com a segunda ou a terceira relatada em Atos.

A causa da dificuldade cronológica que envolve a identificação

da data da Conferência de Gálatas 2.1-10 com a “visita da fome” de Atos 11.29-30 é que muitos comentaristas têm escolhido fazer dela um aspecto privado do Concílio descrito em Atos 15.1-31. A conclusão é que Gálatas nos oferece uma visão do aspecto privado do Concílio, enquanto o livro de Atos descreve detalhes públicos e a ação oficial.

Cefas

Cefas, conhecido como Apóstolo Pedro, estava com Paulo em Antioquia no tempo em que os gentios eram novos na fé e era um dos líderes da Igreja de Jerusalém (Gálatas 2.9). Seu ministério foi desenvolvido entre os da “circuncisão”, ou seja, com os judeus, porém em Antioquia teve atitudes mais libe- rais para com os gentios que o haviam trazido de Jerusalém e até comia com eles (2.12ª); a mudança de atitude de Pedro, sem dúvi- da, foi motivada mais, pelo seu compromisso com os gentios do que por convicção, pois quando os irmãos judeus mais rígidos che-

Epístolas Paulinas

garam a Antioquia, logo ele se separou dos irmãos gentios (2.12b).

A inconsistência de suas atitudes provocou a ira de Paulo. Esta

atitude estava completamente de acordo com o caráter impetuoso de Pedro. Paulo fala brevemente sobre Pedro em Gálatas e o trata como um líder da Igreja e companheiro no ministério de Jesus Cristo. Não há nenhuma indicação de que houve alguma hostilidade entre eles e de terem se julgado inferior um ao outro. A disputa de Paulo e Pedro não se fundamentava em diferença essencial quanto à Cristologia, nem quanto às doutrinas funda-

mentais, nem havia desacordo sobre se os gentios eram salvos por

fé ou não. “Paulo só protestou contra sua conduta irregular, base-

ada tão somente na convivência social”. 39

Barnabé

Barnabé é mencionado duas vezes em Gálatas, como amigo e companheiro de Paulo. Estavam juntos em Jerusalém na visita des- crita em 2.1-10 e também em Antioquia, quando Pedro esteve lá

(2.13).

Barnabé foi um dos primeiros convertidos da Igreja Primitiva. Era judeu de Chipre, descendente de levita, homem de boa posi- ção (Atos 4.36), provavelmente foi um dos convertidos, quando Pedro e João exerciam seu ministério em Jerusalém e tinha se uni- do aos demais apóstolos, dias antes da morte de Herodes. Era tão generoso, a ponto de desfazer-se dos seus bens em

favor dos necessitados (Atos 4.37) e arriscar sua reputação diante

da igreja, para ajudar Paulo (Atos 9.27).

Barnabé foi um importante instrumento de Deus na Igreja da Antioquia e foi ele quem atraiu Paulo para este trabalho (Atos 11.22, 25, 26). Todavia, em Gálatas 2.13, Paulo diz que Barnabé não agiu bem na crise que aconteceu em Antioquia, porém a atitude de Barnabé é compreensível. Ele havia sido enviado a Antioquia pela Igreja de Jerusalém e tinha mantido relações cordiais com ela, ti- nha socorrido os pobres da igreja e contribuído com suas necessi-

Novo Testamento II

dades. Ao vir a delegação a Antioquia ele tratou de evitar que os sentimentos dos irmãos fossem feridos, não ostentando diante deles a liberdade cristã dos gentios convertidos, ausentando-se da co- munhão, enquanto estiveram na cidade. A censura de Paulo a Barnabé era, sem dúvida, justificada, porém, talvez ele não tenha compreendido as boas intenções de Barnabé.

A falta de acordo Pedro e Barnabé parece, contudo, ter sido

por pouco tempo, porque ambos se mostraram favoráveis à liber- dade cristã dos gentios no Concílio de Jerusalém (Atos 15.7-12), e

estavam de acordo com Paulo em seus debates. Este Concílio teve como resultado a isenção dos gentios de certas exigências da lei. Barnabé teve imenso prazer em acompanhar Paulo, levando às igre- jas os resultados do Concílio (Atos 15.25) e no cumprimento desta missão esteve com Paulo mais algum tempo, na Igreja de Antioquia (Atos 15.35).

O propósito de Paulo em visitar outra vez, as igrejas que havi-

am sido fundadas em sua primeira viagem missionária antecipou a crise, pois ele não quis levar o jovem João Marcos, que os tinha

abandonado em tal missão. Mas Barnabé compreendia a João Mar- cos e entendia que era importante conceder a ele mais uma opor- tunidade. A discordância terminou com uma separação. Paulo foi para a Ásia Menor e Barnabé para Chipre. A partir desse momen- to, Barnabé desaparece da história de Atos (Atos 15.38-40).

A referência a Barnabé em 1 Coríntios 9.6 escrita no último

período do ministério de Paulo, indica seu conhecimento de que Barnabé continuava pregando o evangelho e que ainda tinha uma relação de amizade.

Tiago

O Tiago mencionado em Gálatas 2.9, 12, sem dúvida é o ir-

mão do Senhor que veio a ser líder da Igreja de Jerusalém, depois do milagre da libertação de Pedro da prisão e da subsequente par- tida dele da cidade (Atos 12.17; 15.13). Tiago, o irmão de João e filho de Zebedeu, tinha sido morto por Herodes, aproximadamente

Epístolas Paulinas

no tempo em que Paulo e Barnabé foram a Jerusalém, na “visita da fome” (Atos 12.1-2). Evidentemente, Tiago estava do lado da lei, porque tanto no

Concílio de Jerusalém (Atos 15.3) como na visita de Paulo, dez anos mais tarde, depois da sua terceira viagem missionária (Atos 21.18-26), foi defensor da posição judaico cristã, que combinava fé em Cristo com o zelo pela lei.

A insinuação em Gálatas 2.12 confirma o que se vislumbrava

no livro de Atos; que Tiago foi o líder dos defensores da circunci-

são em Jerusalém. Provavelmente não foi ele o responsável direto pelo grupo de judaizantes que foram a Galácia, possivelmente eles haviam exagerado em sua atitude legalista e sua hostilidade para com Paulo, não havia sido permitida por Tiago, todavia era ele o líder, porque o medo daqueles que “vieram de Tiago”, foi o que produziu a repentina mudança de atitude de Pedro em Antioquia. Esta diferença não chegou a um rompimento, porque Tiago mesmo é que propôs no Concílio de Jerusalém as regras para liber- tar os gentios da observância das cerimônias da Lei, e sua proposta foi aceita por Paulo e Barnabé. É possível que homens que tinham o mesmo ponto de vista de Tiago, mas não sua discrição, maturi- dade e equilíbrio, tenham produzido em Antioquia a tensão que é relatada em Gálatas.

Tito

Este personagem já foi estudado em parte e será objeto de

analise, quando chegar ao estudo da carta que Paulo escreveu para ele. Nesta parte, apenas se ressalta o episódio em que Tito não foi obrigado a circuncidar-se, quando acompanhou Barnabé e Paulo em sua viagem a Jerusalém (Gálatas 2.1-13).

A proeminência que teve mais tarde, durante a terceira viagem

missionária, demonstra que Paulo havia feito dele um obreiro en- tre os gentios, porque, como tal, podia trabalhar mais efetivamente entre eles do que o próprio Paulo (1 Coríntios 7.6, 14; 8.6, 16, 23).

Novo Testamento II

Talvez a primeira experiência de Tito na situação de Antioquia,

o tenha capacitado a tratar com energia os problemas eclesiásticos

que surgiriam sobre este assunto nas igrejas dos gentios, 40 especial-

mente em Corinto, onde o Apóstolo Paulo não teve muito êxito.

João

A última pessoa mencionada em Gálatas é João. Não encon-

tramos nenhuma ação importante dele neste relato (2.9). Trata-se de João, filho de Zebedeu, já que não havia nenhum outro João entre os líderes da Igreja de Jerusalém naquele tempo.

Tema Central com Aplicações Práticas

Autoridade apostólica de Paulo

Quando descobriu que alguns agitadores queriam perverter o Evangelho de Cristo (Gálatas 1.7), Paulo se preocupou e decidiu confrontá-los. Os judaizantes que eram os perturbadores haviam sugerido a inferioridade de Paulo como apóstolo, se é que se pode- ria ser chamado de apóstolo, e que seus ensinamentos precisavam de autoridade. Paulo contra atacou, apresentando uma apaixonada apologia do seu apostolado. Ele não havia recebido ou aprendido o evange- lho de pessoa alguma, mas havia recebido pela revelação direta e pessoal do próprio Senhor Jesus Cristo (1.11-12); esses que esta- vam tentando mudar isto, estavam, na verdade, tentando interferir no plano de Deus. (1.7- 8) Esta experiência de Paulo ensina que em algumas ocasiões se faz necessário defender a autoridade que Deus deu para comuni- car o evangelho. Também é necessário desmascarar aqueles que pretendem ser portadores da mensagem divina, porém, por trás, estão apenas defendendo seus próprios interesses.

Salvação, Justificação pela fé

A salvação não é recebida por meio das obras. Somente pela fé

é que uma pessoa alcança a justificação diante de Deus. Este é o

Epístolas Paulinas

plano de Deus. O apóstolo argumenta que mesmo Abraão não foi salvo pelas obras, mas porque creu em Deus e, isto lhe foi imputa- do como justiça (Gálatas 3.6; Gênesis 15.6).

A lei apareceu 430 anos depois de Abraão (3.17), e nunca teve

a intenção de tomar o lugar da justificação pela fé. A intenção da lei era nos mostrar que se necessita de Jesus Cristo (3.24-25) em

quem foi cumprida, completamente, a promessa que Deus havia feito a Abraão.

A justificação pela fé em Cristo significa que o crente permite

que Deus faça por ele o que ele não pode fazer por si mesmo. Para ser justificado o homem deve reconhecer que é pecador. Isto faz Cristo ministro do pecado (2.17)? De maneira alguma! Ele está apenas mostrando sua graça ao levar sobre si os pecados da huma- nidade e providenciando-lhe a salvação. A mensagem bíblica da justificação pela fé continua intacta

nos dias de hoje. Não se pode baratear a salvação, porque Jesus Cristo pagou um grande preço para dar-nos o perdão dos pecados. Não se pode admitir que a corrente humanista prevaleça nos dias de hoje; o homem jamais poderá salvar-se por si mesmo, pois a salvação é pela graça, mediante a fé, e não pelas obras.

A liberdade Cristã

Quando uma pessoa aceita o que Jesus Cristo fez em seu favor, alcança a liberdade espiritual. Os cristãos devem, portanto, man- ter-se “firmes na liberdade com que Cristo nos libertou” e não se submeter outra vez à escravidão da lei de Moisés (Gálatas 5.1). O cristão não deve aproveitar-se dessa liberdade para satisfazer seus apetites carnais desordenados, mas praticar o amor fraternal (5.13; 6.7-10). A carne e a natureza pecaminosa já foram crucificadas juntamente com Cristo (2.20) e agora é possível experimentar o indizível gozo de obter o fruto do Espírito Santo com sua incom- parável graça (5.22-23).

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ROMANOS

Aspectos Literários

Autoria

Paulo escreveu esta carta aos crentes de Roma (Romanos 1.1). Existem provas de que no século I, autores cristãos fizeram refe- rência a esta carta em suas obras e no século II, Irineu se refere a ela como carta paulina e está inclusa em todas as listas canônicas. 41

Destinatário

Paulo endereçou sua carta aos fiéis de Roma, tanto judeus como gentios (1.7). Depois disto, Paulo produziu cópias por meio de Tércio, seu secretário, para enviá-las a outras igrejas.

Ocasião e Propósito

O Apóstolo Paulo tinha a responsabilidade de pregar o evan- gelho da “incircuncisão” (Gálatas 2.7) aos gentios, porém os judaizantes ensinavam que os gentios convertidos deveriam ser circuncidados e observar a lei de Moisés. Esta situação estava inva- dindo a maioria das igrejas e, por esta razão, enquanto Paulo espe- rava visitar a capital do império, enviou uma carta que inclui um resumo extenso do que ele entendia por cristianismo. Neste sentido, Paulo escreveu a carta aos romanos por dois motivos: Primeiro – por causa da controvérsia que existia, há anos, entre ele e o elemento mosaico na igreja, que dava muita impor- tância à lei mosaica. Era uma oportunidade para fazer uma decla- ração sistemática das conclusões para as quais o Espírito Santo o havia guiado, quanto aos problemas relacionados a Cristo e à lei. Segundo – Paulo queria eliminar quaisquer noções erradas sobre o evangelho que pregava. O que ele escrevesse seria muito impor- tante, tendo em vista, que esperava o apoio da Igreja de Roma, em seu plano de evangelizar a Espanha (15.2 – 2.24).

Local e Data

Epístolas Paulinas

É praticamente certo que foi escrita na primavera de 56 d.C.,

enquanto Paulo estava fazendo sua terceira viagem missionária e durante os três meses que são mencionados em Atos 20.3, justa- mente antes de sua última visita a Jerusalém (Atos 20.3-21), que tinha como finalidade levar aos irmãos de Jerusalém o que havia sido coletado dos crentes da Acaia e da Macedônia. (Romanos 15.25-28). Sabemos que esta carta foi escrita da cidade de Corinto.

Tema Principal

A Epístola aos Romanos apresenta os grandes temas da reden-

ção: a culpa da humanidade; nossa incapacidade pessoal de ganhar o favor de Deus; a morte redentora de Cristo e o presente gratuito da salvação que só é recebido pela fé, para a justificação e santificação. O tema doutrinário que mais interessa a Paulo é demonstrar que Deus é justo. Apesar de tudo o que acontece neste mundo (3.20), Deus não os castiga. Ele perdoa os pecadores (3.21 – 5.21); os crentes podem não viver completamente de acordo com a jus-

tiça de Deus (6.1 – 8.17); os crentes sofrem e esperam a redenção final (8.18-39), e muitos judeus não creram (9.1 – 11.36); ainda assim, Deus é perfeitamente justo e tem perdoado o nosso pecado por sua graça. Pela grande misericórdia do Deus de perfeita justi- ça, devemos viver de acordo com tal justiça (12.1 – 16.27). 42

Esboço

A. Introdução (1.1-7)

1. Saudações (1.1-7)

2. Paulo e os crentes em Roma (1.8-15)

3. Tema da carta: O Evangelho de Deus (1.16-17)

B. Exposição Doutrinária (1.18 – 8.39)

1. Diagnóstico do pecado e a condenação de todos os

homens (1.18 – 3.20)

2. Justificação pela fé (3.21 – 5.21)

Novo Testamento II

3. A Santificação e a glorificação (6.1 – 8.39)

4. Israel e o evangelho (9.1 – 11.36)

C. Exposição prática (12.1 – 15.13)

1. Consagração do crente justificado (12.1-2)

2. Responsabilidade cristã na igreja local (12.3-13)

3. Atitude cristã perante o mundo (12.14-21)

4. Responsabilidades civis e sociais dos cristãos (13.1-14)

5. Relações entre os irmãos fracos e os fortes (14.1 –

15.13)

D. Epílogo (15.14 – 16.27).

Contexto Histórico

A cidade

Nos dias do Apóstolo Paulo, Roma era a capital do Império Romano que se estendia da Inglaterra até a Arábia. Era uma cidade rica e cosmopolita, o centro diplomático e comercial do mundo conhecido. No tempo do imperador Augusto César possuía apro- ximadamente um milhão de habitantes. Como capital, Roma era o eixo da monarquia republicana imperial de então, localizada, na costa ocidental da Itália, aproximadamente 16 km a noroeste da desembocadura do rio Tíber. Nelson oferece um panorama com- pleto de Roma:

“Teve um início humilde, como centro do pequeno rei- no romano, porém foi aumentando, à medida que cresci- am o poder e a extensão da nação. Chegou a ser uma cidade magnífica com um conjunto de edifícios públicos talvez nunca igualado na história: o fórum esplêndido; o Teatro de Pompeu, com capacidade para 40.000 pessoas; o Circo Máximo, que Nero concluiu e tinha capacidade para 150.000 pessoas; o Coliseu, construído por Vespasiano, com capacidade para 50.000 pessoas.

Epístolas Paulinas

Naturalmente uma cidade como Roma atrairia muitas pessoas de todo o mundo e, entre elas, muitos judeus (Atos 18.2; 28.17) o número continuou crescendo até al- cançar aproximadamente 30.000.” 43

A Igreja

No mundo da época, Roma representava o centro e nunca

deixou de exercer fascínio sobre Paulo, por isso ele desejou pregar

o evangelho lá. Como missionário estrategista, reconheceu a imensa

importância que seria para a igreja cristã estar presente no centro

do império, e isto, certamente, influenciou na forma que adotou para escrever esta carta. Pouco se sabe sobre a origem de tão importante igreja. Ela pode ter sido fundada por pessoas que se converteram no dia de Pentecostes e que retornaram para suas casas em Roma, regozijan- do-se de sua nova fé (Atos 12.17). Por outro lado, era muito fácil viajar entre as províncias romanas naquele tempo e muitos devem

ter se unido aos viajantes que transitavam pelas rodovias imperiais.

O que se sabe com certeza é que, na época em que Paulo escreve

para a Igreja em Roma, esta havia alcançado grandes proporções. Com respeito a este assunto, o Novo Dicionario Bíblico diz:

“Tem havido muita discussão sobre o início da Igreja em Roma,

porém o mais provável é que houve integração entre gentios e judeus, sendo os primeiros a maioria”. 44 Além dos cristãos gentios

e judeus de raça e não de religião, é provável que, em uma cidade como Roma, houvesse muitos prosélitos e “tementes a Deus” que, tendo ouvido o evangelho, creram em Deus para a vida eterna.

Aspectos Políticos Sociais e Religiosos

Quando Paulo escreveu aos cristãos de Roma, ele foi direto ao coração da história e ao cumprimento das profecias do Antigo Testamento. Os grandes Impérios Babilônico, Medo-Persa e Gre-

go haviam passado. Uma mistura de culturas, religiões e poder bé-

lico tinham dado origem ao grande Império Romano.

Novo Testamento II

Roma era o maior centro do império. O provérbio “todos os caminhos levam a Roma” e vice-versa concretizou-se, “todos os caminhos saíam de Roma e se comunicavam com os pontos mais longínquos do império”. A esta cidade chegava todo tipo de pes- soa, independentemente de sua história, localização geográfica, raça, cor ou nível sócio-cultural. Somoza diz que “Roma tinha de tudo; há lugar para o debate jurídico e para o intelectual. Há espaço para o judeu religioso, como para o pensamento grego e agora também para o cristão. 45 Nelson

termina de pintar o quadro social e religioso da cidade de Roma:

Na época de Augusto, a cidade tinha quase um milhão de habi- tantes. Destes, uns 400.000 eram escravos e 300.000 eram pregui- çosos que o governo sustentava com “pão e circo”, isto quer dizer que a condição social de Roma era anormal e lamentável. Os ricos viviam em casas suntuosas, magníficas, nas colinas da cidade ou em áreas suburbanas, enquanto que a grande maioria dos habitantes vivia apertada nos “insulae” (grandes edifícios multi- familiares) rodeados por ruas estreitas sujas e barulhentas. Os judeus viviam em quatro bairros e tinham treze sinagogas. Sua religião era lícita aos olhos do governo. Alguns eram zelosos

(Atos

em propagar a sua fé e ganhar prosélitos entre os romanos 18.1). 46

Personagens Principais

Paulo

Alguns dados relativos à vida de Paulo que se destacam na carta aos romanos são:

1. Ele desejou visitar a Igreja da capital do império. Havia feito sua última visita a Corinto, durante sua terceira viagem missionária e planejava seguir para o oeste, até Roma e de lá seguir para a Espanha (Atos 1.11-15; 15.19, 22-24). 2. O apostolo ficou impedido de concluir seu plano de ir a Roma e a Espanha por causa do seu tremendo interesse em entre-

Epístolas Paulinas

gar a oferta que estava sendo coletada para os santos de Jerusalém.

E não se tratava apenas da ajuda econômica aos necessitados, por

mais importante que isso fosse; o que Paulo estava querendo mes- mo é que por meio desta ação fosse estabelecida a unidade entre a igreja judia e a gentílica. Finalmente ele decidiu que a melhor coisa seria ir pessoalmen-

te levar a oferta para estar seguro de que seria aceita (Romanos

15.25-32) e que realmente haveria, a partir de então, um relaciona- mento mais estreito entre as igrejas.

3. Pela carta de Paulo aos Romanos, sabe-se que ele tinha pa- rentes em Roma (Romanos 16.7-12)

Febe

Era uma mulher grega, convertida que pertencia à Igreja de Cencréia (porto oriental de Corinto onde a hospitalidade tinha muita importância). Paulo a apresenta como diaconisa da igreja, que havia ajudado muitos irmãos, inclusive a ele (Romanos 16.1- 2). Ela foi a portadora da carta e ele pede para ela uma hospitali- dade da qual era digna. Febe significa “radiante, esplêndida, satisfeita” ou “diamante verdadeiro” (nome grego para a deusa da lua, Ártemis. Era uma mulher muito generosa que ajudava os necessitados.

Tércio

Foi o amanuense ou secretário que escreveu a carta aos roma- nos, o que o próprio Paulo diz (Romanos 16.22). Era romano de nome latino. Acrescenta suas próprias saudações, possivelmente no ponto em que a pena (caneta) retorna para sua mão, uma vez que Paulo havia terminado suas saudações pessoais.

Temas Centrais com Aplicações Práticas

Pecado

No início de sua carta aos romanos, Paulo desenvolve o que será o tópico da sua exposição: a justificação do pecador e a liber-

Novo Testamento II

tação do domínio do pecado por meio da santificação. Seu ponto

de

partida é a pecaminosidade da raça humana, inclusive os genti-

os

(1.8-32) e judeus (2.17-29). Em ambos os casos, observa que o pecado produz separação

de

Deus (1.24-32; 2.7-11); degradação moral (1.29-31; 2.21-23);

espiritual (1.21-23; 2.25-29) e física (1.26-27) dos seres humanos.

A sentença de Deus é firme contra os que praticam o pecado

(1.32 – 2.7-11). Deus é justo e como tal tem que imputar justiça a todos aqueles

que, voluntariamente, decidiram viver em desobediência à sua Pala- vra. Mas, ao mesmo tempo, Ele é amor, e, em amor por sua criatura, Ele enviou Seu único Filho para levar sobre si o castigo pelo pecado

da humanidade (João 3.16; Isaías 53.5-6). Esta obra salvadora não se

aplica diretamente para todos, indiscriminadamente, mas deve ser apropriada, pois ela é “para todo aquele que crê” (1.16).

A realidade do pecado voluntário (pecado pessoal cometido

conscientemente) e do pecado original (pecado herdado de Adão), merece grande atenção por parte dos homens que desejam conhe-

cer a forma de serem libertos de ambos. Nos capítulos seguintes de Romanos, Paulo expõe que a justi- ficação e a santificação são a solução perfeita.

Justificação

A justificação é o ato soberano de Deus em favor do pecador

arrependido. Faz-se necessário estabelecer comunhão com Ele, após

ter sido justificado, inculpável, diante de Deus. No capítulo 5 de Romanos, pode-se observar que há alguns resultados imediatos,

ao ser justificado. Estes resultados vêm como obra interna de Deus:

a. paz com Deus (5.1);

b. acesso à graça (5.2);

c. mudança da nossa perspectiva quanto às tribulações (5.3);

d. o amor de Deus é derramado em nossos corações (5.5);

e. o Espírito Santo é dado aos justificados (5.5);

f. o justificado é salvo da ira de Deus (5.9-10);

Epístolas Paulinas

g. O pecador é reconciliado com Deus (5.11); Uma vez tendo-se apropriado desta obra salvadora, deve-se viver longe do pecado que danifica a obra de Deus no crente que, e, pela fé, deve apropriar-se diariamente das bênçãos desse Deus amoroso.

Santificação

Este tema é tratado amplamente por Paulo nos capítulos 6, 7 e 8. A santificação é a obra interna do Espírito Santo, para resolver o problema da raiz do pecado no coração do crente. Embora o pecador justificado, ainda continue com inclinação para o pecado. João Wesley descreveu esta situação da seguinte maneira:

“Neste estado de paz permanecem por alguns dias, sema- nas e até meses, e geralmente supõem que não haverá mais guerra, até que alguns dos seus antigos oponentes, seus pecados internos, pelos quais era vencido mais facilmente (talvez a ira, os desejos maus) lhes sobrevém fortemente, para subjugá-lo, outra vez. Surge então o medo de que não poderão perseverar até o fim e, freqüentemente, pensam que talvez Deus tenha esquecido-se dele ou que se enga- naram, ao pensarem que seus pecados haviam sido perdo- ados. Debaixo dessas dúvidas argumentam com o diabo, ficam o tempo todo amargurados. Mas raramente, este estado é prolongado ou duradouro, pois o Senhor logo os socor- re, enviando-lhes o Seu Espírito Santo, o Consolador, assegurando-lhes continuamente que são filhos de Deus” (Romanos 8.16). 47 Por causa desta inclinação, faz-se necessária uma segunda obra da graça de Deus no coração do crente. Esta obra gloriosa trata do problema do pecado no âmbito interno, purifica o coração pelo sangue de Jesus Cristo e capacita o crente a viver a vida cristã sem pecar (8.1-39). A inteira santificação está ao alcance de todos os

Novo Testamento II

crentes que querem viver constantemente, agradando ao Senhor e fazendo a sua vontade; deve ser buscada com determinação e con- servada com fervoroso amor por Aquele que se deu sem reservas por nós, para dar-nos a salvação e também a santificação.

Soberania

Nos capítulos 9, 10 e 11 de Romanos, Paulo desenvolve o tema da soberania de Deus. Paulo apreseneta-o como quem guarda e cuida do seu povo: no passado, no presente e no futuro. O trata- mento de Deus para com seu povo é sempre justo porque Deus sustenta as rédeas de toda a criação e, pode salvar a quem quiser. Por sua graça e misericórdia é que judeus e gentios podem ser salvos. Todos devem responder positivamente à sua misericórdia e aceitar sua oferta gratuita de perdão. Sendo Ele soberano, permita que reine em seus corações. 48

Serviço

Nos capítulos 12 – 15 de Romanos, o Apóstolo Paulo trata da “Vida Cristã Prática”. Quando o propósito é louvar a Deus por seu amor, poder e perfeição, tudo o que fizer será para servir a ele e é este serviço a Ele que une todos os crentes e os capacita a mostrar seu amor e sensibilidade para com outros. Ninguém pode, por si só, expressar por completo a Cristo. É necessário o funcionamento pleno e harmonioso do corpo para expressar bem o Senhor Jesus Cristo, edificando ativa e rigorosa- mente uns aos outros, pois somos uma sinfonia no serviço a Deus. 49

FILEMOM

Aspectos Literários

Autoria

Não se discute quanto a autoria desta carta, pois as evidências internas são muito favoráveis a Paulo: Timóteo é seu colaborador

Epístolas Paulinas

(1.1), e um tal Árquipo é mencionado em outra carta de Paulo (1 Timóteo 1.2; Colossenses 4.17).

Destinatários

Esta carta é a mais pessoal do Apóstolo Paulo. “As Cartas Pastorais foram escritas a indivíduos, mas continham mensagens para grupos ou igrejas. A mensagem desta pequena carta era só para Filemom, se bem que inclua uma saudação à igreja (v. 2)”. 50

Ocasião e propósito

A situação de Paulo, ao escrever esta carta, não era a mais agra- dável, já que, como ele mesmo o confirma, encontrava-se prisio- neiro em algum lugar do império (1.9-10; 13, 23), e a maioria dos comentaristas está de acordo em afirmar que estava em Roma. Em tal situação, Paulo conheceu a Onésimo que se converteu, por causa da sua pregação. Ele era um escravo, propriedade de

Filemom e que, por alguma razão, escapou da casa de seu amo. As causas da fuga não estão claras, mas deve-se supor que não foi pela tirania de seu amo, já que está em desacordo com o caráter que Paulo mostra de Filemom (1.1; 5-7, 21).

O motivo da fuga parece estar em Onésimo, pelo que Paulo

apresenta nos versículos 11 e 18. Parece que o comportamento e trabalho de Onésimo na casa de Filemom não eram muito bons. Além disso se crê, pelo que disse em 1.18 que ele fugiu, porque furtou. Agora, com Onésimo convertido, a história se torna diferente, Paulo intercede por ele, para que Filemom pudesse recebê-lo como a um irmão em Cristo (1.16), e não lhe dar o trato comum a um escravo que teria cometido tais atos, o que incluía entre outros, a

morte.

Data e lugar de redação

A carta foi escrita aproximadamente no ano 60 d.C., desde

Roma e levada ao destinatário por Tíquico, que acompanhou a

Novo Testamento II

Onésimo, de regresso a seu amo (Colossenses 4.7-9), quase ao mesmo tempo em que foram escritos Efésios e Colossenses.

Tema principal

O Apóstolo Paulo, nesta carta, trata sobre o problema da es- cravidão e o tráfico de vidas humanas e apresenta qual deve ser a resposta do cristão ante esta situação.

Esboço

A. Introdução e saudação (vv. 1-3)

B. Agradecimentos e oração pela vida e ministério de Filemom (vv. 4-7)

C. Intercessão de Paulo a favor de Onésimo (vv. 8-21)

D. Saudações finais e despedida (vv. 22-25)

Contexto Histórico

A Cidade

Filemom residia em Colossos. Já que a carta que Paulo lhe escreve é muito pessoal, a referência à cidade de Colossos será feita juntamente com o estudo da carta de Paulo aos Colossenses.

A igreja

A Igreja de Colossos promovia as reuniões na casa de Filemom (v. 2). Possivelmente Áfia era sua esposa, mesmo não havendo evi- dência para identificá-la positivamente. Árquipo, provavelmente, era seu filho a quem Paulo chama “nosso companheiro de lutas”(v. 2) e ocupava um posto de res- ponsabilidade na Igreja de Colossos (Col. 4.17). Mais dados sobre a Igreja de Colossos serão acrescentados na carta de Paulo aos Colossenses.

Epístolas Paulinas

Aspectos políticos sociais e religiosos

Um fato particular desse momento é que, no domínio do Im- pério Romano grande parte da população era constituída de escra- vos.

Fala-se que havia 60 milhões destes. Viviam em uma condição de dependência absoluta de seus amos. Não se lhes reconhecia pa- rentela nem diretos legais e o amo podia tratá-los como bem enten- desse. Se ofendessem ou danificassem a seus amos, estes podiam açoitar, mutilar ou até crucificá-los, inclusive lançá-los às feras selva- gens. Os ricos eram donos de muitos escravos e quem possuísse apenas dez escravos era considerado um homem pobre. 51

Personagens Principais

Onésimo

Onésimo, um escravo da propriedade de Filemom, tinha fur- tado algo de seu amo e fugido para Roma. De forma providencial, Onésimo cruzou o caminho de Paulo, o que resultou em sua con- versão a Cristo. Ao inteirar-se de sua vida anterior à conversão, Paulo considerou que o melhor era enviá-lo de volta a Filemom. A fim de preparar o caminho para o que poderia ter sido um encon- tro muito tenso, o apóstolo escreveu esta bela carta pessoal para Filemom, a qual se convertera em um modelo de tato e ética cristã.

Filemom

Filemom, cujo nome significa “afetuoso” era um discípulo de Paulo que residia na cidade de Colossos. Este homem tinha escra- vos, dando a entender com isto, que gozava de uma boa posição econômica e que os cristãos desse tempo também tinham escra- vos. Convertido ao evangelho sob o ministério do Apóstolo Paulo (v.19), era um fiel colaborador de Paulo. O apóstolo lhe mostra a importância deste homem ali, em Colossos, ao chamá-lo de “cola- borador nosso” (v. 1).

Novo Testamento II

Paulo

A carta de Paulo a Filemom permite conhecer mais do caráter do apóstolo e alguns eventos importantes de sua vida. Ele escre- veu as quatro cartas: a Filemom, aos Colossenses aos Efésios e aos Filipenses – durante seu encarceramento por dois anos em Roma (Atos 28.16-31), onde lhe fora permitido viver em sua própria casa alugada e aonde muitos vieram para ouvi-lo pregar o evangelho. Paulo foi o pai espiritual tanto de Filemom como de Onésimo, de quem disse que o “gerou entre algemas” (v. 10). A mediação de Paulo entre Filemom e Onésimo ilustra a posição de Cristo entre Deus e o homem. Como Paulo intercede por um escravo, de igual maneira Cristo o faz por nós, escravos do pecado.

Temas Centrais com Aplicações

Perdão

Filemom apresenta o incrível poder de Cristo para restaurar vidas destruídas. Inclui o encontro pessoal entre Jesus e o pecador que foge, assim como a maravilhosa reconciliação de dois crentes que estavam distanciados. Só graças ao exemplo do perdão de Cristo, por meio da cruz, somos capazes de vencer nossos rancores e er- ros, e de reconciliar com nossos irmãos e irmãs no Senhor. Esta carta nos provê uma das melhores ilustrações da grande verdade teológica da imputação (o ato de colocar algo na conta de outro) que se pode encontrar na Bíblia. Assim como Onésimo se reconciliou com Filemom, de igual maneira nós nos reconciliamos com Deus, por meio de Cristo. Como Filemom perdoou a Onésimo, assim Deus nos perdoa. Como Paulo se ofereceu para pagar a dívida de um escravo, tam- bém Cristo pagou nossa dívida de pecado. À semelhança de Onésimo, devemos voltar a Deus, nosso Amo, a fim de servi-lo.

Escravidão

Paulo não condenou a instituição da escravidão, mas, fez uma declaração radical, ao chamar o escravo Onésimo de irmão em

Epístolas Paulinas

Cristo. Quando um homem começava a ver o seu escravo como um irmão, reconhecendo que ambos têm o mesmo valor diante de Deus, já dava a entender que daria a esse escravo, a liberdade.

O evangelho não proibia a escravidão. Se o tivesse feito, teria

jogado as classes sociais umas contra as outras, em nome de Cris- to, e, ao fazê-lo, teria causado uma confrontação entre elas e o

evangelho. A escravidão era só um dos muitos males do mundo, ao passo que o evangelho é para todos, independente da classe social.

“As culturas romana, grega e judia, estavam cheias de bar- reiras. A uma pessoa se lhe designava uma classe social e se esperava que permanecesse ali: homens, mulheres, es- cravos e livres, ricos e pobres, judeus e gentios, gregos e bárbaros, pios e pagãos. Com a mensagem de Cristo as paredes se desaprumaram e Paulo pôde declarar: “não

pode haver grego nem judeu

bárbaro, cita, escravo, li-

, vre, porém Cristo é tudo em todos” (Colossenses 3.11). 52

É bom, no entanto, esclarecer que o evangelho não atacava a

escravidão porque era um costume cultural daquela época. Mas, hoje em dia, em quase todas as culturas, a escravidão afeta negati- vamente os povos. A igreja do século XXI deve atacar este mal social e buscar soluções para os problemas dela decorrentes, tal como fez João Wesley na Inglaterra, no século XVIII.

Aspectos Literários

Autoria

COLOSSENSES

Esta também é uma das quatro “epístolas da prisão”. Não há dúvida de que tenha sido escrita por Paulo (1.1). O estilo da carta é claramente paulino.

Novo Testamento II

Destinatários

Mesmo que nunca tenha estado em Colossos, Paulo escreveu esta carta aos crentes dessa cidade. Colossos era uma cidade pou- co importante na Ásia Menor (1.2). No entanto, foi para a igreja situada alí, que Paulo escreveu esta maravilhosa carta. Na igreja havia um bom servo do Senhor – Epafras (1.7, 4.12). Tíquico foi o portador da carta (4. 7-8), como também da carta a Filemom.

Ocasião e Propósito

Epafras, o evangelizador dos colossenses, pergunta a Paulo o que fazer diante de um problema que parecia extrapolar sua capa- cidade de solução. Paulo lhe escreve para responder os problemas relacionados com o contato da comunidade com uma filosofia muito forte da época, a qual podia desestabilizar toda a vida estes novos crentes. O sincretismo na Igreja de Colossos consistia em um proble- ma grave: era a tendência de introduzir idéias de outras filosofias e religiões, procurando colocá-las no mesmo nível da verdade cristã. Por isto o Apóstolo Paulo leva novamente, sua mensagem aos colossenses, para se conscientizarem acerca de Cristo, sua verdade, sua completa supremacia e sua total suficiência. Em outras palavras, “a Igreja está contaminada pelo relativismo de alguns crentes que tentavam combinar elementos do paganis- mo e da filosofia secular com a doutrina cristã. Paulo confronta estes falsos ensinamentos e afirma a suficiência de Cristo” 53 . Impulsionado pela urgência de repatriar a Colossos o escravo Onésimo e entregá-lo a seu amo, Paulo escreveu esta carta com quatro propósitos bem definidos:

1. denunciar e refutar as heresias;

2. instruir os colossenses na verdade e alertá-los dos peri- gos de voltarem aos costumes pagãos;

3. expressar seu interesse pessoal pelos crentes;

4. instá-los a buscarem constantemente a harmonia e o amor mútuo 54 .

Local e Data

Epístolas Paulinas

Não há razão para se duvidar que Colossenses tenha sido es- crita por Paulo em Roma, durante sua primeira prisão. A discussão é: se foi escrita antes ou depois de Efésios. Parece claro que foram escritas no mesmo período, porém a natureza do conteúdo parece sugerir que Colossenses foi escrita antes, isto é, em 61 d.C.

Tema Principal

O tema central da carta é refutar os grandes erros. O primeiro é o erro intelectual; o segundo são os rituais. Paulo solucionou estes problemas, afirmando a supremacia e preeminência de Cris- to e sustentando que a Igreja está completa nele. Estas duas verda- des se encontram nos versículos centrais da carta (2.9-10), com os quais faz contra argumentação à perversão judaica e à especulação gnóstica simultaneamente.

Esboço

A. Introdução (1.1-14).

B. Manifestação da supremacia de Cristo (1.15 – 2.7):

1. na criação (1.15-17),

2. na Igreja (1.18),

3. na reconciliação (1.19-23),

4. no ministério de Paulo (1.24 – 27).

C. Defesa da supremacia e suficiência de Cristo (2.8-23) con- tra:

1. as falsas filosofias (2.8-15),

2. o legalismo (2.16-17),

3. a adoração aos anjos (2.18-19),

4. o asceticismo (2.20-23).

D. A supremacia de Cristo requerida na vida cristã (3.1 –

4.6).

1. na relação com Cristo (3.1-8),

2. na relação com a igreja local (3.9-17),

3. na relação com a família (3.18-21),

Novo Testamento II

4. na relação com o trabalho (3.22 – 4.1),

5. na relação com a sociedade (4.2-6).

E. Conclusão (4.7-18).

Contexto Histórico

A Cidade

Quando Paulo escreveu a carta aos colossenses, a cidade de Colossos era muito pequena. Estava situada aproximadamente a 200 Km ao oriente de Éfeso. Era menos importante que as cida- des vizinhas de Laodicéia e Hierápolis, citadas na carta (4.13) e onde também havia comunidades cristãs. Parece que todas essas comunidades haviam sido evangelizadas e fundadas por Epafras. Colossos havia sido um importante centro artesanal de lã, po- rém na época de Paulo já era uma cidade decadente ao lado da próspera Laodicéia e seus habitantes adoravam os anjos. Tanto em Colossos como nas cidades vizinhas havia uma importante colô- nia de judeus. Colossos, Laodicéia e Hierápolis, foram quase que totalmente destruídas por um terremoto no ano de 16 d.C; as duas últimas foram reconstruídas e são mencionadas em crônicas, anos depois do terremoto. Quanto a Colossos não sabemos, pois não há relato que a mencione após o terremoto.

A Igreja

A igreja não foi fundada por Paulo e nunca tinha sido visitada por ele. As igrejas de Colossos e Laodicéia são consideradas aque- las que Paulo jamais conheceu (2.1), porém não temos dúvidas de que funcionavam sob a coordenação e orientação dele. Não se sabe, com certeza, quem a fundou, pode ter sido Epafras, descrito por Paulo como sendo um servo fiel e ministro da Igreja em Colossos e, mais tarde, é relacionado com Hierápolis e Laodicéia (1.7; 4.12-13). Se Epafras foi o fundador destas igrejas, certamente tinha sob sua responsabilidade o ministério da região.

Epístolas Paulinas

Aspectos Políticos, Sociais e Religiosos

A região em que estava situada Colossos era muito conhecida por sua indústria têxtil. Isto se dava pela abundancia de pastos que cobria grande parte da região, propiciando a alimentação do reba- nho de ovelhas. Junto com as cidades de Laodicéia e Hierápolis formavam o maior centro laneiro do império. Durante algum tem- po, a principal atividade econômica dos colossenses era a produ- ção de lã. Lá não havia nenhum templo pagão. É importante ressaltar que a igreja estava sendo ameaçada por heresias que davam exces- siva importância ao ritualismo (2.16) o ascetismo, a adoração aos anjos e um conhecimento superior recebido através de visões (2.18). Encontram-se também fortes elementos do judaísmo (2.16) e do gnosticismo (2.18).

Principais Personagens

Aristarco

Aristarco, cujo nome significa “governante destacado” foi um homem de Tessalônica, companheiro e colaborador do Apóstolo Paulo. A Bíblia registra sua grande proximidade com Paulo em mo- mentos difíceis vividos em Éfeso (Atos 19.29); depois, acompanhan- do Paulo a Jerusalém (Atos 20.4); também como prisioneiro junto com Paulo, rumo a Roma (Atos 27.2) e o próprio Paulo dá testemu- nho de que este homem macedônio lhe serviu de “colaborador” (Filemom. 24) e “companheiro de prisão” (Colossenses 4.10).

Epafras

Como nos dizem as Escrituras, este homem era discípulo de Paulo e pastor da igreja colossense (1.7; 4.12) e teve que enfrentar com muita coragem as fortes heresias que tentavam confundir o rebanho de Cristo naquela cidade; ajudado pelo Apóstolo Paulo, confrontou os filósofos que propagavam o erro. Foi companheiro de Paulo em suas viagens e prisões em Roma (Filemom 23).

Novo Testamento II

Tíquico

Tíquico procedia da Ásia menor. Homem comprometido com a obra de Deus e um grande amigo do Apóstolo Paulo, acompanhou-

o a Jerusalém (Atos 20.4). Foi designado como portador das cartas

às cidades de Colossos e Éfeso. Não foi apenas o portador da cor- respondência, mas era o representante de Paulo para transmitir às

igrejas as notícias sobre Paulo (Colossenses 4.7; Efésios 6.21).

Temas Centrais com Aplicações Práticas

Jesus é Deus

Nenhum outro livro do Novo Testamento apresenta de forma mais completa ou defende tão apropriadamente a deidade e reina- do universal de Cristo. Em Colossenses, Paulo apresenta Cristo como a imagem expressa do Deus invisível (1.15) e instrui a res- peito das características de Deus: Ele é eterno, preexistente e oni- potente (1.16-18). Cristo não foi só profeta ou só um bom homem; Ele é Deus, é

a cabeça da Igreja (1.18) e, como tal, nossas vidas devem estar completamente rendidas a Ele. Nossa relação com este Deus deve ser contínua e não esporádica. Paulo combateu as heresias colossenses que era um misto de paganismo, judaísmo e gnosticismo que entre outras coisas dizia que Cristo não podia ser Deus. Situação semelhante vive-se hoje em dia, devido ao fato de que esta é uma época de pluralismo e sincretismo religioso (isto é: a dissolução da verdade em lugar de manter a unidade), a soberania de Cristo se converteu em algo irrelevante para vários grupos religiosos que crêem que todas as religiões são boas. A preeminência de Cristo é negada por outros que fazem do cristianismo um conjunto de crenças das mais diver- sas religiões, que são comumente celebradas como um avanço à frente do cristianismo apostólico porque prometem auto-realiza- ção e libertação sem que haja necessidade de se renderem a Cristo. “Jesus é o Senhor” constitui-se na mais antiga confissão da Igreja

Epístolas Paulinas

e ainda se mantém como a prova definitiva do cristianismo autên- tico. Nem a Igreja nem o crente pode atrever-se a negar a deidade de Cristo. Em sua soberania descansa sua suficiência. Cristo é o Senhor de todos. 55

Jesus Cristo é a Cabeça da Igreja

Paulo não só destaca a supremacia na escala universal, como apresenta Cristo como o fundador e líder da Igreja (1.18) e a mais alta autoridade dela; os seres humanos são seus servos. Esta declaração apresentada nas Escrituras deve levar todo cren- te a considerar que a norma que rege sua vida como cristão é acei- tar que Cristo é a cabeça da Igreja e isto significa aceitar e viver a sua vontade e não nos arrazoamentos meramente humanos. Como cabeça, Cristo requer obediência consciente. Neste sentido, Jesus Cristo se apresenta como o Salvador Su- premo da Igreja (3.11). Diante dele, caem todas as distinções e barreiras humanas. Ele faz de todos os cristãos uma só família; todos os membros são iguais no perdão e na adoção e Ele é o único que importa – o primeiro e o último.

EFÉSIOS

Aspectos Literários

Autoria

Desde o século II, a tradição concorda que esta carta foi escri- ta por Paulo, tal como é registrada em sua evidência interna (1.1).

Destinatários

As pessoas a quem Paulo escreveu esta carta são descritas por ele como “santas e fiéis” (1.1). Três dos mais antigos manuscritos omitem a palavra “Éfeso” em sua saudação. Geralmente se pensa que era uma carta circular dirigida a todas as Igrejas da Ásia.

Novo Testamento II

Em Efésios não se encontram palavras de saudação pessoal, como existe em outras cartas de Paulo. Ele havia passado três anos lá e é estranho que ele escrevesse uma carta a essa igreja, sem men- cionar nenhum dos muitos amigos que deve ter tido ali. Portanto, conclui-se que Efésios é uma carta circular, que Paulo escreveu às Igrejas da Ásia. Parece que Paulo aproveitou a viagem de Tíquico e Onésimo para enviar esta circular.

Ocasião e propósito

Paulo estava preso em Roma e quis escrever esta carta para fortalecer a fé dos crentes na Ásia Menor, mediante a explicação da natureza e propósito da Igreja, como Corpo de Cristo. Efésios, sendo uma carta circular, não foi escrita por motivos circunstanci- ais ou particulares, pelo que podemos dizer que foi dirigida não apenas às igrejas de uma região e de uma geração, mas para as igrejas de todos os lugares e todas as épocas.

Local e Data

Efésios possui poucos detalhes que indiquem as condições e circunstâncias em que o autor escreveu a carta, porém é preciso mencionar o estado dele, no sentido de que era um “prisioneiro de Jesus Cristo” (3.1; 4.1) que “sofria tribulações” (3.13) e se sentia como “um embaixador em cadeias” (6.20). Estes dados parecem indicar a primeira prisão de Paulo em Roma que começou aproxi- madamente no ano 61 d.C. e durou mais ou menos dois anos.

Tema principal

Paulo desenvolve o tema do fortalecimento da fé dos crentes em Éfeso e seus arredores, através da explicação da natureza e propósito da Igreja, o Corpo de Cristo. Em síntese, pode-se dizer que o tema central desta carta é apresentar a Jesus e a Igreja dentro do plano eterno de Deus. A grande ênfase da triunidade permeia toda a carta. O Pai con- vida a fazer parte da Igreja, o Filho redime e perdoa, o Espírito Santo sela e conduz os crentes.

Esboço 56

Epístolas Paulinas

A. A vocação da igreja (1.1 – 3.21).

1. Louvor pela obra redentora de Deus (1.1-14).

2. Oração para compreender a graça de Deus (1.15-23).

3. A salvação é pela graça de Deus (2.1-10).

4. O judeu e o gentio são reconciliados pela graça de Deus

(2.11-22).

5. Paulo, administrador da graça de Deus (3.1-13).

6. Oração pedindo poder e entendimento (3.14-21).

B. Conduta da igreja (4.1 – 6.24).

1. Em unidade (4.1-16).

2. Em justiça (4.17 – 5.14).

3. No controle do Espírito Santo (5.15-21).

4. Na família (6.1-9).

5. No conflito espiritual (6.10-20).

C. Conclusão (6.21-24).

Contexto Histórico

Éfeso era um importante porto da costa ocidental da Ásia Menor, situado próximo ao atual Izmir. Ali estava estabelecida uma das sete igrejas às quais Jesus dirigiu suas cartas mencionadas em Apocalipse capítulos dois e três, que constituem um ponto rele- vante para estudar a carta, devido a noção de que esta circulou aproximadamente no mesmo grupo de igrejas. Como cidade, provavelmente Éfeso foi fundada no século XII a.C., quando os colonizadores gregos se misturaram com os origi- nários da região, descendentes de Anatólia no centro da Ásia. Em 560 a.C., Creso, rei de Lídia, conquistou Éfeso. Este restaurou o famoso templo de Ártemis ou Diana e beneficiou grandemente a cidade, sendo capturado três anos depois, pelos Persas. Lisímaco, um dos sucessores de Alexandre Magno, a reconstruiu mais tarde (322 a.C.) e, depois de ornamentá-la, a inundou com a cultura helenista.

Novo Testamento II

Em 133 a.C., Átalo III, rei de Pérgamo, entregou a cidade a Roma e assim se manteve até 262 d.C., quando os godos destruí- ram tanto o templo como a cidade.

A Igreja

A maioria dos comentaristas concorda que a Igreja em Éfeso

foi fundada pelo Apóstolo Paulo, durante sua segunda viagem missionária. Esta igreja, como nenhuma outra, foi a que desfrutou dos maiores pregadores da época, dentre eles Paulo, Apolo, João e Timóteo. A Igreja é comparada com um corpo (cap. 1). A criação deste corpo (1.1-14) foi planejada e executada pelo Pai (1.1-6). Ele nos abençoou, escolheu, predestinou em Cristo, nos aceitou e nos adotou. Tudo isto aconteceu antes da fundação do mundo (v. 4).

Aspectos Políticos e Religiosos

Na era apostólica, Éfeso era o centro administrativo e religio-

so da província romana da Ásia, alguns de seus oficiais se chama- vam asiarcas (Atos 19.31).

O templo da deusa Diana, considerado uma das sete maravi-

lhas do mundo antigo, estava situado a nordeste da cidade. Foi concluído no inicio do século III a.C., dava fama à cidade e esta se orgulhava de ser a “guardiã do templo da grande deusa Diana” (Atos 19.35). Foram impressionantes a superstição e o ocultismo que floresciam à sombra do culto a esta deusa, cujas características eram semelhantes às das deusas orientais da fertilidade. 57

Personagens Principais

Paulo

O que se pode mencionar da vida de Paulo em relação a sua carta aos efésios é que, depois de uma viagem de navio em que ele naufragou, chegou à capital do império e permaneceu prisioneiro durante dois anos, em uma casa alugada (Atos 27.1 – 28.31). Du- rante esta prisão recebeu visitas, podendo assim continuar seu mi-

Epístolas Paulinas

nistério; é neste período que provavelmente ele escreveu: Efésios, Colossenses, Filemom e Filipenses. “O Novo Testamento revela pouquíssimo a respeito da vida de Paulo, porém as poucas referências que se encontram em suas cartas se harmonizam bem com as informações extra bíblicas. Se- gundo estas, puseram-no em liberdade e fez uma outra viagem missionária”. 58

Tíquico

Já foi dito antes que Tíquico era um asiático, muito provavel-

mente de Éfeso. Levou as cartas aos Colossenses (Colossenses 4.7-9) e aos Efésios ou às igrejas asiáticas (Efésios 6.21-22). Apa- rentemente, Paulo o considerou como um possível substituto de Tito em Creta (Tito 3.12) e o mandou a Éfeso, justamente quando tinha necessidade de Timóteo em outro lugar (2 Timóteo 4.12). Estas comissões refletem a fidelidade que Paulo exalta (Efésios 6.21; Colossenses 4.7). Sua designação como “ministro” neste con- texto possivelmente está relacionada com seu serviço à igreja, pro- vavelmente a Paulo e com menor probabilidade, à sua posição de

diácono.

Temas Centrais com Aplicações Práticas

Cristo o Senhor da Igreja

O tema de Efésios é a relação entre Jesus Cristo celestial e seu

corpo aqui na terra, a Igreja. Cristo agora, por determinação do Pai reina “sobre todo principado, potestade, poder e domínio” (1.21); o Pai pôs todas as coisas debaixo de seus pés e o colocou por cabeça sobre todas as igrejas (1.22). Em seu estado de exaltação não se esqueceu de seu povo. Ao contrário, identifica-se plenamente com a Igreja que considera seu Corpo e a enche de sua presença (1.23; 3.19; 4.10). Já que Cristo é o Senhor e cabeça da Igreja, todos os ministérios, dons e servos necessariamente devem sujeitar-se ao seu domínio. Ele é o dono e

Novo Testamento II

a suprema autoridade de sua Igreja; todos devem estar submissos ao seu governo.

A conduta da Igreja

A partir do capítulo quatro, o apóstolo exorta os crentes efésios

a se comportarem como é digno da vocação com que foram cha-

mados (4.1). Com isto, ele introduz o tema de como deve ser a conduta prática, moral e social do crente na Igreja e no mundo. Os crentes, como Igreja, devem comportar-se como representantes de Cristo na terra, tendo sido chamados “propriedade de Cristo,

“tanto” na relação entre os irmãos (4.1-16) e os não crentes (4.17 – 5.21) como nas relações familiares (5.22 – 6.4) e nas relações entre servos e senhores (6.5-9).

A única maneira de mostrar Cristo vivo é através de seus fi-

lhos, porém isto apenas se dará na medida em que nossa conduta é moldada pelos princípios que Deus nos deixou por meio das car-

tas aos efésios. Somos como uma carta aberta, para que todos os homens a possam ler e mediante esta leitura, possam encontrar o Salvador de suas vidas.

A Unidade da Igreja

A união de Cristo com sua Igreja se expressa também na uni-

dade dos crentes. Os que antes andavam longe, “apartados” e se- parados de Deus, foram “aproximados pelo sangue de Jesus Cristo” (2.13). E agora os crentes são levados por Cristo a sentarem-se com Ele nos lugares celestiais (2.5-6). Como os crentes estão com Ele, procuram ser como Ele é. “Solícitos em guardar a unidade do Espírito no vínculo da paz” (4.3). O mesmo “é nossa paz” (2.14), Paulo diz: e derrubando as paredes e barreiras que antes separa- vam os judeus dos gentios, nos uniu em Espírito diante do Pai

(2.14-22).

Depois de expressar esta maravilhosa bênção espiritual, Paulo exorta aos crentes para que andem como é digno dos que foram chamados (4.1). Este chamado é demonstração de ética cristã. Em

Epístolas Paulinas

vez de apresentar leis e regulamentos, Paulo diz que nossa maneira de viver deve honrar quem nos chamou. Cristo liberta o cristão, mas ele tem dar-lhe contas. Paulo faz várias declarações sobre como os crentes podem honrar a Cristo (4.17 – 5.9), porém a meta não é ganhar mérito por sua moralidade. Em vez de buscar pessoas boas, Paulo quer pesso- as novas, o “varão perfeito” reeducado segundo “a estatura da ple- nitude de Cristo” (4.13). Esta maturidade pode referir-se à desejada, todavia não alcançada unidade da Igreja.

FILIPENSES

Aspectos Literários

Autoria

Filipenses é uma das menores cartas escritas pelo Apóstolo Paulo na prisão (1.1).

Destinatários

Durante toda sua vida, os filipenses ocuparam um lugar espe- cial no coração de Paulo. Escreve esta carta com amor, e em toda ela se respira um ar de gozo. Paulo enviou sua saudação aos bispos e diáconos (1.1).

Ocasião e propósito

A Igreja em Filipos era quase inteiramente livre dos erros de que acusavam a tantas igrejas daquela época. Os crentes de Filipos tinham enviado a Paulo, por meio de Epafrodito (2.25), a terceira oferta (4.10-14). Duas vezes mandaram ofertas: quando Paulo es- tava em Tessalônica e quando se encontrava em Corinto (4.15-16; 2 Coríntios 1.9). O Compêndio Manual Portavoz, apresenta três pro- pósitos fundamentais desta carta:

1. agradecer aos crentes em Filipos sua ajuda econômica;

Novo Testamento II

2. confrontar problemas na Igreja em Filipos, especialmen- te no que se referia à rivalidade entre duas mulheres des- tacadas, Evódia e Síntique;

3. refutar os ensinos dos judaizantes (3.1-3; 3.18-19). 59

Data e lugar de redação

A carta de Filipenses foi escrita por Paulo da prisão em Roma,

entre os anos 61 e 63 d.C.

Tema principal

Paulo queria enfatizar a nessidade de um pensar intenso como Cristo. Para ele, todos os filipenses deveriam ter a mesma atitude de Cristo, não só com relação à pessoa dele mas também nas suas obras.

Esboço

A. Saudações e ação de graças e confiança de Paulo (1.1-7).

B. Oração apostólica (1.8-11).

C. A grande ambição e o gozo de Paulo (1.12-26).

D. Exortação e exemplo conforme o modelo da atitude de Cristo (1.27 – 2.18).

E. Planos futuros (2.19-30).

F. Ser imitadores de Paulo, assim como ele é de Cristo (3.1-

21).

G. Estímulos, exortações, agradecimentos e saudações fi- nais (4.1-23).

Contexto Histórico

A cidade

A cidade de Filipos foi fundada por Felipe de Macedônia (pai

de Alexandre Magno) em 357 a.C., e recebeu o nome de seu fun- dador. Encontrava-se a 1.100 km de Roma e gozava de todos os privilégios da cidadania romana. Voltou a ser o porto da província

Epístolas Paulinas

romana de Macedônia no ano 146 a.C., e uma colônia romana no ano 42 d.C. Nos tempos de Paulo havia entre seus habitantes uma pequena colônia judia, mas aparentemente não existia uma sinago- ga (Atos 16.13). Filipos foi, então, a primeira cidade européia a receber o evan- gelho. Também escutou o primeiro concerto cristão, quando Pau- lo e Silas cantavam na prisão. “Filipos era una colônia na Via Ignácia, a grande via que passava ao norte, indo de leste a oeste. Foram ocupadas por colonos italianos depois das grandes batalhas de Octavio, primeiro contra Bruto e Cassio e logo contra seu ex-aliado Antonio. Os filipenses eram orgulhosos de seus direitos e privilégios especiais, sendo intensamente leais a Roma. Em Filipos, assim como em todas as pro- víncias de Macedônia, as mulheres tinham uma alta posi- ção. Tomavam parte ativa nos negócios e na vida pública, situação que se refletia na igreja. 60

A Igreja

A Igreja de Filipos foi a primeira que Paulo fundou na Europa, por volta o ano 50 d.C., aproximadamente, durante sua segunda viagem missionária (Atos 16.12-40). Quando Paulo veio pela pri- meira vez a Filipos, jogaram-no na prisão. Tarde da noite, açoitado e preso, cantava a Deus (Atos 16.25). Dez anos depois, foi de novo para a prisão em Roma e ali sentia o gozo cristão no meio do sofrimento: “Alegrai-vos sempre no Senhor; outra vez digo: alegrai- vos.” (Filipenses 4.4). 61 Quando Paulo, Silas e Timóteo partiram, Lucas, o médico, fi- cou. Filipos era um centro médico, possivelmente foi a cidade de Lucas. Sem dúvida, ele fez muito para que o grupo se pusesse em marcha e continuasse a expansão do evangelho. Alguns crêem que Lucas ficou como pastor desta igreja, depois que Paulo a organi- zou e saiu.

Novo Testamento II

Depois de sua chegada a Roma, Epafrodito, que possivelmen- te era o pastor dos filipenses, se enfermou gravemente (2.27). Uma vez que recuperou sua saúde, Paulo planejou enviá-lo de volta à igreja, acompanhado por Timóteo (2.19), portando a carta. A carta revela uma igreja que participa dos sofrimentos (1.29)

e que tem passado pelo perigo de divisão (1.27-2.2). Parece que alguns se inclinavam a uma doutrina de perfeccionismo (3.12- 13).

A chegada dos judaizantes introduziu uma nova ameaça. Mas Pau-

lo amava esta igreja e se regozijava com o seu progresso.

Aspectos políticos sociais e religiosos

Filipos era una colônia romana. As colônias eram habitadas prin- cipalmente por soldados que já cumpriram o seu dever no exército romano e obtiveram sua cidadania. Os colonos se sentiam orgulho- sos da cidadania. Roma exercia uma poderosa influência sobre eles e não podiam esquecê-la. Falavam o idioma latino, vestiam-se como romanos, as autoridades eram designadas com títulos romanos, ob- servavam as mesmas cerimônias e costumes de Roma. Definitiva- mente, Filipos parecia uma Roma em miniatura. 62 Quanto ao aspecto político, ser colônia romana lhes assegura- va alguns benefícios como a independência da autoridade do go- vernador provincial e o poder de regular os diretos civis. Quanto ao aspecto religioso, na cidade de Filipos havia tam- bém uma comunidade judia, que devia ser muito pequena, já que não possuía sinagoga, mas só um lugar de oração, situado à beira

do ribeiro gangites, que passava a 2 km da cidade. 63 Por outro lado,

a comunidade cristã era muita pequena, mas era uma igreja muito generosa, tendo-se tornado em uma das favoritas do Apóstolo Paulo.

Personagens Principais

Paulo

Em reação a certa corrente judaizante, Paulo nos fornece da-

dos importantes de sua vida nesta carta: “

circuncidado ao oita-

Epístolas Paulinas

vo dia, da linhagem de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus; quanto à lei, fariseu; quanto ao zelo, perseguidor da igreja; e quanto à justiça que há na lei, irrepreensível. Mas o que para mim era lucro, isto considerei perda por causa de Cristo.” (Filipenses 3.5-7). Pela carta de Paulo aos filipenses, sabe-se que estes crentes sustentavam econômica e moralmente o Apóstolo Paulo (4.10-20), mesmo quando este se encontrava na prisão em Roma.

Timóteo

Uma vez mais, Paulo inclui Timóteo em sua saudação à Igreja de Filipos (1.1). Paulo confiava muito nele, a tal ponto que o elogia como a ninguém outro, quando pensava em encarregá-lo de visitar os filipenses (Filipenses 2.19–23).

Epafrodito

Epafrodito em grego significa “apetecível”, “encantador”, “bem parecido”; nome derivado da deusa Afrodite. Era um cristão macedônio, enviado especial da Igreja em Filipos, para ajudar Pau- lo em seu processo em Roma (Filipenses 2.25) e levar as doações filipenses (v.18). Ele adoeceu durante esta missão (2.26s) e regres- sou com recomendações de Paulo e a carta de agradecimento aos filipenses. Paulo o elogia com expressões raras (2.25–30). 64

Evódia e Síntique

Provavelmente eram duas diaconisas (1.1) da Igreja de Filipos. Parece que entre elas havia divergências perigosas sobre sua posi- ção na igreja e careciam de humildade. Paulo roga-lhes que se re- conciliem para o bem da evangelização na qual sobressaíam (4.2).

Temas Centrais com Aplicações Práticas

O gozo

Nesta carta o apóstolo descreve o “progresso do evangelho” (1.12), exorta a igreja (1.27) e expõe a situação de sua vida de fé

Novo Testamento II

(3.12, 14). Paulo sente “gozo no Senhor” (1.14, 18; 2.2; 3.1; 4.4) porque o que começou entre os filipenses a boa obra da comu- nhão na evangelização, há de completá-la até o dia de Cristo Jesus

(1.6). Exorta a eliminar as “murmurações e contendas” na igreja (2.3, 14) e exalta a unidade em Cristo (1.7, 8, 27), estando ele pre- sente ou ausente (1.27).

O enfoque de Paulo em Filipenses é a vida centrada em Cristo,

adornada pelo gozo de pertencer à família de Deus. Paulo havia se entregado totalmente a Cristo e podia dizer com a cabeça erguida que é servo (escravo) de Cristo (1.1); para ele, o viver é Cristo (1.21) e tudo que perdera considera como refugo, para ganhar a Cristo (3.7–8). Sua única paixão é glorificar ao Senhor (3.8–9). Seu anelo é que os cristãos filipenses sintam também a mesma paixão por Cristo. Tudo isto redunda em uma exclamação interna de gozo. Paulo ensina que independente do que aconteça, todos os cren-

tes podem desfrutar de um profundo contentamento, serenidade

e paz. Este gozo provém de conhecer a Cristo de forma pessoal e

de depender de suas forças, mais do que das suas próprias. Pode-se ter gozo, ainda na adversidade. O gozo não procede das circuns- tâncias externas, mas da força interior. O cristão não deve depen- der do que possui ou do que experimenta para obter gozo, mas de Cristo, que está em cada um. 65

Humildade, autoesvaziamento e unidade

O Apóstolo Paulo orava para que os filipenses crescessem mais

e mais no amor de Cristo (1.9), que tivessem o mesmo sentir de

Cristo (2.5–11) e que conhecessem bem o que se passou com Cris- to: sofrimento, morte e ressurreição (3.10–11). Este sentir é conhe-

cido como autoesvaziamento ou despojamento pessoal (em grego kenosis). O cristão, como é a experiência de Paulo, pode sempre declarar pela fé: “Tudo posso naquele que me fortalece” (4.13).

A relação com Cristo, no entanto, não deve ser teórica. Deve

ser real e manifestar-se em atos concretos em nossa vida e na rela- ção com os irmãos. Ante a oposição ao cristianismo, o cristão deve

Epístolas Paulinas

manter-se firme, em um mesmo espírito (1.27). As diferenças en- tre os cristãos desaparecem, quando estes têm o mesmo sentimen- to que houve em Cristo. (4.2). Paulo exorta os crentes a prosseguirem até alcançar aquilo para o qual o Senhor os conquis- tou (3.14–15), a pensarem somente nas coisas que agradam a Deus (4.8). Uma pessoa se assemelha a Cristo, quando vê a vida pela mesma perspectiva que Ele e se relaciona com os outros como Jesus se relacionava. Em nenhuma outra parte se apresenta o sentir de Jesus Cristo como em Filipenses 2.1–11. Os cristãos devem imitá-lo em tudo, sobretudo em seu amor (2.2). Devem imitá-lo em sua humildade, demonstrada ao deixar a sua glória para vir a este mundo (2.6–7). Na demonstração maior de amor da história do universo, o Senhor se hu- milhou e caminhou para a morte, a fim de salvar-nos (2.8). 66

1 TIMÓTEO

Esta e as duas cartas seguintes são conhecidas como “Cartas Pastorais” assim denominadas, por tratarem da ordem e da disci- plina da igreja, a que deviam obedecer tanto os líderes como os membros. Foram escritas a homens (pastores) que tinham a tarefa de cuidar das igrejas locais.

Aspectos Literários

Autoria

O Apóstolo Paulo é o autor de 1 Timóteo (1.1) e a tradição concorda unanimemente que Paulo a escreveu.

Destinatários

Certamente, a primeira carta pastoral foi destinada a Timóteo, o filho espiritual de Paulo.

Novo Testamento II

Ocasião e Propósito

Paulo havia enviado Timóteo à Igreja em Éfeso, para refutar os falsos ensinamentos que haviam surgido ali. (1 Timóteo 1.3-4). É bem provável que Timóteo tenha servido por um bom tempo como líder nessa igreja; Paulo pretendia visitá-lo, mas, enquanto isso não acontecia, resolveu escrever-lhe uma carta com conselhos acerca do ministério. São dois os propósitos desta carta:

1. prevenir contra as falsas doutrinas e suas diversas formas;

2. animar Timóteo, os pastores e os crentes a persistirem na verdade e a viverem uma vida santa.

Local e Data

1 Timóteo foi a primeira das três cartas pastorais, escritas da Macedônia (1.3), entre os anos 62-64 d.C

Tema Principal

Paulo enfatiza a administração pastoral que Timóteo deveria desenvolver. Dentro desta área, ele devia dar atenção especial às falsas doutrinas que queriam infiltrar-se na igreja.

O Dicionário Ilustrado Caribe diz: “Paulo escreveu a Timóteo para animá-lo na fé (1.18-19), para instruí-lo como deveria com- portar-se na igreja (3.15); dar-lhe instruções sobre a oração públi-

, reforçar a

ca, a escolha dos líderes, o cuidado com as viúvas

necessidade de uma doutrina unida a uma vida santa e alertá-lo

contra os falsos mestres”. 67

Esboço

A. Introdução (11-20).

1. Saudação (11-2).

2. Responsabilidade de Timóteo (13-11).

3. Agradecimentos (1.12-17).

B. Instruções sobre a igreja (2.1 – 316).

Epístolas Paulinas

1. O culto (2.1-15).

2. Seus oficiais (3.1-13).

3. Suas funções em relação à verdade (3.14-16).

C. Instruções sobre os deveres pastorais (4.1 – 6.10).

1. A igreja como um todo (4.1-16).

2. As distintas classes no seio da igreja (5.1 – 6.10).

D. Exortações Finais (6.11-21).

1. Manter a fé e combater o bom combate (6.11-16).

2. Apresentar a reclamação da igreja aos ricos (6.17-19).

3. Guardar a verdade (6.20-21).

Contexto Histórico

A Cidade

Quando Paulo escreveu esta carta, Timóteo estava pastoreando a Igreja de Éfeso (veja detalhes da cidade no comentário da epísto- la aos efésios).

A Igreja

Como foi detalhado no estudo da carta aos efésios, Paulo é o fundador desta igreja. O apóstolo havia profetizado em sua despe- dida de Mileto (Atos 20.28-30) que a igreja em Éfeso estava ameaçada por heresias e estas já tinham aparecido (1 Timóteo 1.3- 7; 4.1-3; 6.3-10, 20-21). Gnósticos e judeus, com seu falso asceticismo e sua linguagem de difícil entendimento escritural, es- tavam abalando as mentes superficiais, e o apóstolo escreveu para que Timóteo se prevenisse contra eles. Os gnósticos criam em uma sucessão de emanações (vidas) numa evolução hierárquica – ou seres angelicais – que faziam mediações entre Deus e o mundo, e este poderia ser o sentido para as “genealogias intermináveis” de 1 Timóteo 1.4. Por esta razão, Paulo o previne de tudo isto e pede que faça o mesmo com os demais líderes.

Novo Testamento II

Tenny nos ajuda a completar o quadro da Igreja em Efésios, no tempo em que Timóteo esteve ali. “A organização da Igreja era a mais complexa. Os ofíci- os dentro dela estavam consolidados e alguns os procu- ravam como médiuns para alcançar uma cobiçada eminência, de maneira que o prestígio do ofício, mais do que a oportunidade de servir, se convertia no princi- pal objetivo. Os bispos, diáconos e anciãos se mencio- navam por separados, ainda que provavelmente os primeiros e os terceiros não idênticos”. As viúvas sus- tentadas pela Igreja estavam listadas e assumiam algu- mas responsabilidades no serviço social da mesma (5.9). Os cultos tinham algumas particularidades: faziam-se orações com as mãos levantadas (2.8); as mulheres se caracterizavam por sua modéstia e sujeição (2.11); liam, pregava, ensinavam (4.13), e impunham as mãos para conceder dons espirituais (4.14). 68

Aspectos Políticos, Sociais e Religiosos

Ver as informações apresentadas no estudo da carta aos efésios.

Personagens Principais

Paulo

Quando se refere à data e ao local em que foi escrita a primeira carta a Timóteo, entende-se que Paulo havia sido solto da primeira prisão e agora se encontrava fazendo uma nova viagem missionária, antes de sua última prisão e morte. Nesta carta Paulo faz uma leve apologia (defesa) de seu minis- tério, mostrando a misericórdia de Deus em sua vida (1.12-17).

Timóteo

Em 1 Tessalonicenses foi apresentado um estudo biográfico bastante completo de Timóteo. Seu nome significa “que honra ou

Epístolas Paulinas

teme a Deus”. Nesta parte acrescentam-se informações relaciona- das a um determinado Timóteo. Supõe-se que devia ter uns 30 anos de idade, quando Paulo o consagrou como pastor de Éfeso (1 Timóteo 4.12). Sofria do estômago (5.23), tinha recebido capacitação e dons especiais para exercer sua missão, comunicada através da imposição das mãos dos anciãos e de Paulo (4.14).

Temas Centrais com Aplicações Práticas

A Sã Doutrina

O apóstolo animava o jovem Timóteo a que, com espírito va-

lente, perseverasse na sã doutrina e a ensinasse, mesmo no contex-

to onde os falsos mestres queriam influir. Timóteo tinha a responsabilidade de ensinar que somente em Jesus Cristo há salva- ção. Ainda hoje este é um grande desafio. Ensinar que somente em Jesus Cristo há salvação não é fácil em um mundo onde Deus e o oferecimento da graça estão em último lugar nas vidas. Para isto é necessário haver crentes com espírito de valentia que, preparados e com firmes convicções, ensinem a graça redentora.

A Administração da Igreja

Paulo também dá instruções sobre a eleição, consagração ou separação dos líderes da igreja. Eles tinham que cumprir uma série

de requisitos espirituais e morais como também sociais. O que mais importava para o apóstolo era seu testemunho cristão e não suas emoções, conhecimentos ou capacidade. Não se deve passar por cima destas normas da Palavra de Deus. Os tempos mudaram, porém, as motivações do coração dos homens e os princípios bíblicos não. Desde os tempos mais remo- tos, o coração humano se enche de egoísmo, orgulho e coisas vãs. Talvez por isto o apóstolo recomende a Timóteo as qualidades de um ministro do evangelho.

A administração pastoral, hoje em dia, deve seguir as regras

bíblicas desenvolvidas por Paulo em 1 Timóteo.

Novo Testamento II

A igreja e seus pastores têm a responsabilidade de zelar pelas

necessidades de todos os seus membros, especialmente dos enfer- mos, dos pobres e das viúvas (1 Timóteo 5.1-20).

O cuidado deve ir além das boas intenções. O cuidado da fa-

mília dos crentes demonstra uma atitude semelhante à de Cristo e um amor genuíno aos não crentes. 69

Esta carta não só guiou Timóteo no cumprimento de suas res- ponsabilidades como líder cristão, como também serviu de manu- al para pastores, através de toda a história da Igreja.

TITO

Aspectos Literários

Autoria

Não há duvidas de que o Apóstolo Paulo é o autor desta carta (Tito 1.4). Esta é uma comunicação oficial de Paulo com Tito, pastor na ilha de Creta.

Destinatários

Esta carta foi dirigida a um dos tantos convertidos mediante o ministério de Paulo: o jovem Tito.

Ocasião e propósito

O apóstolo estava interessado em comunicar aos ministros de

Cristo como deviam administrar e comportar-se na igreja cristã. Escreveu a Tito que foi enviado a Creta, para organizar e supervi- sionar as igrejas ali. Pode-se resumir os propósitos desta carta em três pontos, a saber:

(a) alentar Tito a completar a tarefa de organizar as Igrejas em

Creta (cap. 1);

(b) tratar acerca do ensino da sã doutrina, diante dos ensinos

dos falsos mestres e da conduta no ministério (2.1 – 3.11);

Epístolas Paulinas

(c) avisar Tito acerca de planos futuros e desejos de Paulo (3.12- 14). 70

Data e lugar de redação

Esta carta deve ter sido escrita pouco depois de 1 Timóteo, entre os anos 64-67 d.C. Possivelmente o lugar da redação foi Éfeso. A carta contém evidência de que a redação ocorreu no outono (Tito 3.12).

Tema principal

O Apóstolo Paulo recomendou a Tito que pusesse em ordem a obra da igreja, previamente estabelecida na ilha de Creta. Paulo desejava demonstrar a importância de uma administração e um ministério apropriados na igreja local.

Conteúdo da carta

A. Introdução (1.1-4)

B. A norma da igreja (1.5-16)

1. Natureza da norma (qualidades do pastor) (1.5-9)

2. Necessidade da norma (contra os erros) (1.10-16)

C. A conduta da igreja (2.1-15)

1. Preceitos normativos (2.1-10)

2. Poder capacitador (2.11-15)

D. O estado e a igreja (3.1-11)

1. Nossos deveres para com os de fora (3.1-7)

2. A disciplina para os de dentro (3.8-11)

E. Conclusão (3.12-15).

Contexto Histórico

A cidade

Tito foi comissionado por Paulo a ministrar em Creta, uma ilha situada a sudeste de Grécia, ao sul do Mar Egeu. Tinha uns 240 km de comprimento por uns 56 km de largura. Era a ilha das

Novo Testamento II

cem cidades, cheia de montanhas e vales férteis e a maior em ex- tensão do Mediterrâneo.

O monte Ida, o mais alto da ilha, era conhecido como lugar

lendário do nascimento do deus grego Zeus. Os cretenses eram parentes dos filisteus. Além disso, eram conhecidos por sua repu- tação de ser “sempre mentirosos, feras terríveis, glutões e pregui- çosos” (1.12). Seus habitantes eram excelentes marinheiros e também aptos no manejo do arco e flecha.

A Igreja

Não se sabe como o cristianismo entrou em Creta, no entanto, sabe-se que dentre os que presenciaram as maravilhas do dia de Pentecostes e escutaram a mensagem de Pedro, havia cretenses (Atos 2.11). É de se supor que alguns deles chegaram a receber a Palavra e levaram consigo o evangelho para seu país. A igreja estava sendo invadida por ensinos falsos e pela condu- ta imoral de muitos (1.12). O trabalho de Tito era dar forma às igrejas e organizá-las como tal.

Aspectos políticos sociais e religiosos

Não temos muita informação da situação política e social de Creta. O que se conhece da situação religiosa baseia-se no que a própria carta menciona. Apresentava distúrbios quanto à vida es- piritual, porque os cristãos que ali estavam combinavam uma vida moral preocupante com as tendências naturais (1.12, 13). Este pro- blema se acentuava pelas disputas acerca de fábulas judias e man- damentos promovidos por um grupo de judaizantes (1.10) que viviam sem Deus (1.16), sem governo (1.10), perturbadores (1.11), e fazendo a obra por conveniência pessoal (1.11).

Personagens Principais

Tito

O nome Tito é latino e, como tal, era gentio. Converteu-se por

meio de Paulo nos primeiros dias da Igreja em Antioquia. Devia

Epístolas Paulinas

ter estado com Paulo durante sua terceira viagem missionária, por- que serviu como enviado do apóstolo durante os dias difíceis em que a Igreja de Corinto se rebelou, e foi quem triunfou, fazendo-a voltar ao arrependimento e à lealdade (2 Coríntios 7.6-16). Tinha viajado extensamente na Macedônia para recolher os fundos que Paulo estava levantando (2 Coríntios 8.16, 19, 23). “Tem-se conjeturado que Tito era irmão de Lucas e que este seja “o irmão” mencionado em 2 Coríntios 8.18, 22; assim se ex- plicaria por que Lucas modestamente cala o nome de Tito em Atos. No entanto, este tipo de explicação não deixa de ser apenas uma conjetura” 71 .

O Apóstolo Paulo mostrou sua sabedoria e previsão, ao esco-

lher como seus ajudantes no ministério dois jovens como Timóteo

e Tito. São notáveis os contrastes e semelhanças entre estes dois:

Ambos eram bem dotados, muito apreciados por Paulo, enviados ambos a delicadas e difíceis missões (Timóteo a Éfeso; Tito a Corinto e Creta); ambos receberam cartas de Paulo, inspiradas por Deus. Havia, porém, algumas diferenças entre eles: (a) Timóteo

era judeu por parte da mãe, enquanto que Tito era gentio de pai e mãe. (b) Timóteo foi circuncidado; Tito, não (mesmo que tivesse sido obrigado a tal ( (Gálatas 2.3). (c) em algumas de suas cartas, Paulo se associa a Timóteo nas saudações às igrejas; nunca a Tito. (d) Timóteo ocupa um lugar importante em Atos, enquanto que Tito nem é mencionado. (e) Timóteo era nervoso, tímido, débil de saúde, enquanto que Tito era mais forte, tanto física como psico- logicamente.

A última alusão a Tito no Novo Testamento denota que ele

tenha ido a Dalmácia (2 Timóteo 4.10). Conforme a tradição, Tito voltou a Creta e serviu ali muitos anos como bispo, e morreu em idade avançada.

Paulo

O que se pode mencionar do Apóstolo Paulo segundo a carta

a Tito é que, depois de ser solto de sua prisão em Roma (antes de

Novo Testamento II

seu segundo e último encarceramento romano), ele e Tito viaja- ram juntos por um tempo. Detiveram-se em Creta e quando che- gou o tempo para a partida de Paulo, deixou Tito para ajudar as igrejas ali (Tito 1.5). Antes de ser preso de novo, aparentemente Paulo esteve em Nicópolis onde ia passar o inverno (Tito 3.12).

Temas Centrais com Aplicações Práticas

Boas obras

Conforme o relato de Paulo, o contexto onde Tito ministrava não era o melhor, nem para ele nem para a igreja, mas onde quer que a Igreja esteja, encontrará este problema, visto que vivemos em um mundo onde abunda o pecado. O importante é a atitude dos crentes no seu contexto. É deste assunto que Paulo deseja tratar, ao insistir, em quase todos os capítulos, que os crentes de- vem praticar boas obras (1.16; 2.7, 14; 3.1, 8). No entanto, Paulo enfatizou que o homem é salvo somente pela fé em Jesus Cristo, mas o evangelho transforma a vida, a pon- to de chegar a realizar boas obras. Hoje, à semelhança daqueles, os crentes se encontram em um mundo hostil à vida e à piedade. A mensagem vivificadora de Jesus Cristo não entra nos corações, porque o pecado e os praze- res deste mundo cegam os olhos dos incrédulos. O crente deve ser exemplo em boas obras, ontem e hoje. O mundo precisa de homens e mulheres com um testemunho que fala mais forte do que as palavras.

Liderança

Paulo deseja instruir também a Tito na área da liderança cristã. Ele foi comissionado a exercer uma boa liderança em Creta, esta- belecendo pastores (anciãos), a fim de manter uma boa e discipli-

Epístolas Paulinas

nada organização. Por esta razão, Paulo fez uma lista das qualida- des necessárias para o presbitério. Por este texto, pode-se entender que estudos ou a lealdade não são suficientes para que alguém chegue a ser o tipo de líder que Deus quer. Deve-se ter domínio próprio, aptidão moral e espiritu- al, além de um caráter cristão. Tito foi chamado para atuar nas relações da igreja. Em Creta, os cristãos tiveram que ouvir os conselhos de Paulo através de Tito. Os cristãos adultos teriam que ensinar e ser exemplo aos ho- mens e mulheres jovens. Cada idade e grupo tinha uma lição a aprender e um papel para desempenhar. Os líderes cristãos, em todas as partes, devem ser exemplos e ensinar a viver com retidão perante Deus e os demais, como consequência da fé. A relação correta segue paralelamente à dou- trina correta.

Aspectos Literários

Autoria

2 TIMÓTEO

Esta carta foi escrita pelo mesmo autor de 1 Timóteo: o Após- tolo Paulo (2 Timóteo 1.1).

Destinatários

Esta foi uma carta especial, enviada pelo já ancião Apóstolo Paulo (Filemom 9) ao pastor Timóteo (2 Timóteo 1.2).

Ocasião e propósito

Paulo escreveu para dar instruções finais e animar Timóteo em seu ministério pastoral da igreja em Éfeso. Exortou-o a ser forte e fiel em seu pastorado. Advertiu-o de que fosse conhecedor dos problemas que afrontariam tanto a igreja como o mundo. Além disso, Paulo escreveu para pedir a Timóteo que fosse visitá-lo na prisão em Roma (2 Timóteo 1.4; 4.9-13, 21).

Novo Testamento II

Data e lugar de redação

Esta carta foi escrita entre 64 a 67 d.C., numa prisão em Roma. Depois de um ou dois anos de liberdade, Paulo foi preso nova- mente. De lá escreveu a segunda carta a Timóteo, pouco antes de sua morte.

Tema principal

Devido ao fato de ser a última carta de Paulo, abre seu coração e revela as suas prioridades: sã doutrina, fé imutável, confiança paciente e amor perdurável. O interesse principal de Paulo era o bem-estar da igreja, por isso instruiu Timóteo para que aperfeiçoasse sua organização e salvaguardasse o evangelho.

Esboço

A. Introdução (1.1-5).

1. Saudação (1.1-2).

2. Agradecimentos (1.3-5).

B. Fidelidade diante das dificuldades (1.6-14).

1. A causa da natureza da experiência cristã (16-8).

2. A causa da grandeza do evangelho (1.9-11).

3. A causa do exemplo de Paulo (1.12-14).

C. Fidelidade diante das deserções (1.15-2.13).

1. O exemplo de Onesíforo (1.15-18).

2. O caráter da obra de Timóteo (2.1-7).

3. A obra redentora de Cristo (2.8-13).

D. Fidelidade perante o erro (2.14-4.8).

1. Um erro doutrinário (2.14-26).

2. Um erro prático (3.1 – 4.8).

E. Conclusão (4.9-22).

Contexto Histórico

A cidade

Epístolas Paulinas

Quando Paulo escreveu esta carta a Timóteo, ele estava pastoreando a igreja na cidade de Éfeso. Para conhecer os detalhes da cidade, reveja os comentários sobre ela no estudo do livro de Efésios.

A igreja

Os dados gerais da Igreja de Éfeso se encontram no estudo sobre o livro de Efésios. A igreja devia estar enfrentando certos problemas, internos e externos, com respeito a falsas doutrinas e o mau comportamento de alguns crentes. Por esta razão, Paulo tam- bém adverte Timóteo da oposição que ele e outros crentes enfren- tariam nos últimos dias, da parte de pessoas egocêntricas que usam a igreja para seu próprio benefício e que ensinam novas e falsas doutrinas (3.1–9). Paulo lhe disse que deve estar preparado para enfrentar esta gente infiel, levando em conta seu exemplo (3.10- 11), compreendendo a verdadeira fonte da oposição (3.12, 13) e achando força e poder na Palavra de Deus (3.14–17). A seguir dá- lhe um emocionante encargo: pregar a Palavra (4.1–4) e cumprir seu ministério até o fim (4.5–8).

Personagens Principais

Paulo

Por meio desta carta, é possível sintetizar alguns dados refe- rentes à vida de Paulo:

(a) Paulo praticava a “imposição de mãos,” para transmitir dons espirituais de parte de Deus (1.6); (b) O apóstolo relata, e de certa forma reclama, que em sua tarefa missionária na Ásia foi abandonado por todos dali, em espe- cial por Fígelo e Hermógenes (1.15). Por outro lado, exalta a

Novo Testamento II

Onesíforo que confortou o apóstolo, quando esteve preso em Roma

(1.16-18);

(c) Paulo faz um relato rápido de seus padecimentos, no cum-

primento de sua tarefa (3.10-12). Paulo saiu da prisão romana pouco depois da redação do livro de Atos e se lançou a novas viagens missionárias que o levaram até

a Espanha. Durante a época de perseguições, iniciada por Nero,

no ano 64 d.C., Paulo foi preso outra vez, provavelmente em Trôade (2 Timóteo 4.13), e conduzido a Roma. As circunstâncias deste

segundo encarceramento foram muito diferentes das do primeiro. Antes ficara preso em um lugar que ele mesmo tinha alugado e podia receber visitas livremente, mas agora estava confinado em um calabouço e seus amigos só podiam vê-lo com muita dificulda-

de. Da primeira vez ele esperava ser libertado, mas agora esperava

a morte (4.6–8). Ao escrever esta carta, só Lucas estava com ele

(4.11). Por diferentes razões, todos os demais o tinham deixado (4.10, 16). A tradição declara que Paulo morreu executado, no tempo do Imperador Nero, aproximadamente no ano 68 d.C

Timóteo

Novos dados sobre Timóteo encontram-se nesta carta. Era um homem afetuoso (2 Timóteo 1.4), mas muito medroso (1.7ss), que precisou de mais de una chamada de atenção, da parte de seu pai espiritual. O Apóstolo Paulo o comissionou ao ministério, im- pondo-lhe as mãos (1.6). Advertiu-o de que não devia dar lugar às paixões de mocidade (2.22), e que não devia envergonhar-se do evangelho (1.8). No entanto nenhum dos outros companheiros de Paulo é elogiado tão calorosamente por sua lealdade (3.10ss).

Epístolas Paulinas

Temas Centrais com Aplicações Práticas

Fidelidade a Deus

O Senhor Jesus Cristo é o modelo, por excelência, quanto à fidelidade a Deus e também em cumprir a vontade de Deus. O Apóstolo Paulo queria impregnar sua mente com esta atitude de Cristo, de tal maneira que, diante das perseguições, afrontas, pri- sões e desprezos, buscasse cumprir a vontade de Deus para sua vida. De igual modo, ele desejava que seu discípulo Timóteo to- masse a mesma atitude. Pelo que indica 2 Timóteo 1.6-8, o jovem discípulo não estava em seus melhores momentos ministeriais. A fé, o dom de Deus, o poder do Espírito Santo e até a proclamação das Boas Novas se estavam apagando nele, e dessa maneira, comprometia sua fideli- dade ao Senhor. Paulo o exorta a “avivar o fogo de Deus” (1.6), anima-o a deixar-se guiar pelo Espírito Santo de Deus (1.7), forta- lecer-se e proclamar sem temor a mensagem da Cruz. Não importa a situação ou o momento difícil em que esteja submerso, o que importa é que o líder cristão permaneça firme. Sempre haverá aflições (João 16.33). O apóstolo nos anima a ter a mesma atitude de Cristo e a ser fiel até a morte (Filipenses 2.8). Das palavras de Paulo antes de sua morte, pode-se deduzir que ele também o foi (4.7-8).

Os recursos do crente

Diante das adversidades e do desânimo que acometera Timó-

teo, o Apóstolo Paulo apresenta alguns recursos que iriam ajudá- lo. Alguns destes recursos são:

(a)

o poder vivificante da fé (1.5);

(b)

o ministério do Espírito Santo (1.6-7);

(c)

a Palavra de Deus (1.13; 3.16-17);

(d)

a graça abundante de Cristo para com os crentes (2.1);

(e)

o apartar-se para ser um instrumento de honra (2.4; 20-

21);

Novo Testamento II

(f)

a recompensa e aceitação de Cristo (4.7-8);

(g)

a fidelidade e toda a suficiência de Cristo (2.13, 19).

Hoje em dia, todos os que estão no serviço a Deus, também

dispõem destes recursos que ajudam na jornada cristã.

O cumprimento do ministério do evangelho

Timóteo é animado a manter-se fiel no ministério do evange- lho, apesar da oposição que sempre encontrará, recorrendo às Sa- gradas Escrituras (3.15-17). Paulo exorta Timóteo a pregar sempre a sã doutrina, o evange- lho completo. Ainda passará dificuldades no ministério, mas tudo terá valido a pena, quando for recompensado pelo Senhor, no fim dos tempos. Paulo estava pronto para partir, sabendo que pregou o Evangelho de Cristo. Nós devemos terminar nossa vida, com a segurança de que temos pregado esse evangelho.

ATIVIDADES DA UNIDADE I

Responsabilidade do Aluno:

1. Esta unidade trata das Epístolas Paulinas. Faça uma sín- tese da mensagem de cada uma delas , de no mínimo 15 linhas, especificando o propósito e o tema, claramente percebidos pelo seu fundo histórico, social e espiritual.

2. Escolha um dos personagens de cada epístola e escreva uma página sobre a sua vida e relevância do seu papel na história da Igreja na qual atuou.

Epístolas Paulinas

1 Manley, G. T. Nuevo auxiliar bíblico. Terrasa: CLIE, 1987, p. 432.

2 Rivas, Luis. San Pablo: Su vida, sus cartas, su teología. Buenos Aires: San Benito, 2001., p. 63.

3 Earle, Ralph y otros. Explorando el Nuevo Testamento. Kansas City: Casa Nazarena de Publicaciones, 1978., p. 318.

4 Rivas, Luis. Op. Cit., p. 64.

5 Rivas, Luis. Op. Cit., p. 65.

6 Wikenhauser, Alfred y Josef Schmid. Introducción al Nuevo Testamento. Barcelona: Editorial Herder, 1978., p. 581.

7 George, Agustín y Pierre Grelot. Introducción crítica al Nuevo Testamento. Barcelona: Editorial Herder, 1983, p. 507.

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8 George y Grelot. Op. Cit., p. 519.

9 Paniagua, Juan David. Módulo del curso: Teología Paulina. Quito: Seminário Teológico Nazareno Sudamericano,

1998., p. 4.

10 Manley, G.T. Op. Cit., p.466.

11 Cevallos, Juan Carlos. Tessalonicenses: O Señor viene. O Paso: Casa Bautista de Publicaciones, 1990., p. 13

12 Harrison, Everett F. Comentário bíblico Moody . Michigan: Editorial Portavoz, 1999., p. 398.

13 Douglas, J. D. Novo Diccionario Bíblico Certeza. Barcelona, Buenos Aires, La Paz, Quito: Ediciones Certeza, 2000.,

c1982.

14 Harrison, Everett F. Op. Cit., p. 401.

15 Earle, Ralph y otros. Op. Cit. pp. 327.

16 Benware, Paul N. Panorama do Novo Testamento. Grand Rapids: Editorial Portavoz, 1993., p. 175.

17 Tenney, Merril C. Nuestro Nuevo Testamento. Grand Rapids: Editorial Portavoz, 1989., p. 337.

18 Benware, Paul N. Op. Cit., p. 177.

19 Ibíd., p. 176.

20 Harrison, Everett F. Op. Cit., p. 417.

21 Earle, Ralph y otros. Op. Cit. pp. 331.

22 Barcal, William. El Nuevo Testamento comentado: 1 y 2 de Corintios. Buenos Aires: Editorial La Aurora, 1973., p. 15.

23 Barclay, William. Op. Cit., p. 13.

24 Wikenhauser, Alfred y Schmid, Josef. Op. Cit. pp. 635.

25 Barclay, William. Op. Cit., p. 25.

26 Clarke, Adam. Comentario de la Biblia. Tomo III. Kansas City: Casa Nazarena de Publicaciones, 1976., p. 384.

27 Guthrie, D. y otros (Ed.). Nuevo comentario bíblico. Colombia: Casa Bautista de Publicaciones, 1999., p. 781.

28 González, Justo L. (Ed.). Las obras de Wesley. Tomo IX. EE:UU: Providence House Publishers, 1998., p. 143.

29 Barclay, William. Op. Cit., pp. 19-20.

30 Earle, Ralph y otros. Op. Cit., pp. 346-356.

31 Benware, Paul N. Op. Cit., pp. 192-193.

32 Harrison, Everett F. Introducción al Nuevo Testamento . Grand Rapids: Libros Desafío, 1980., p.267.

33 Earle, Ralph y otros. Op. Cit., p. 358.

34 Benware, Paul N. Op., pp. 159-160.

35 Benware, Paul N. Op. Cit., p. 160.

36 Tenney, Merril C. Gálatas: La carta de la libertad cristiana. Grand Rapids: T.E.L.L., s.f., p. 103.

37 Schlier, Heinrich. La carta a los Gálatas. Salamanca: Ediciones Sígueme, 1975., p 23.

38 Tenney, Merrill C. Op. Cit., p.74.

39 Tenney Merril C. Op. Cit., p. 91

40 Tenney, Merril C. Op. Cit., p. 96

41 Nelson, Wilton M. Nuevo diccionario ilustrado de la Biblia. Nashville, TN: Editorial Caribe, 2000., c1998

42 Hayford, Jack W., Ed. Op. Cit., c1994.

43 Nelson, Wilton M. Nuevo diccionario ilustrado de la Biblia. Nashville: Editorial Caribe. 2000., pp. 985-986.

44 Douglas, J. D. Nuevo diccionario bíblico. Estados Unidos: Certeza: 1997., p. 1479.

45 Somoza, Jorge. Comentario bíblico Del Nuevo Continente: romanos. Miami: Editorial Unilit, 1997., p. 25

46 Nelson, Wilton. Op. Cit., pp. 985-986.

47 Gonzalez, Justo L. (Ed). Las obras de Wesley. Tomo VIII – Tenessee: Providence House Publisher, 1998., pp. 61-

21.

48 Barton. Dr. Bruce B., Ed. Bíblia Del diário Vivir. Nashville: Editorial Caribe, 2000., c1996

49 Idem

50 Earle, Ralph y otros. Op. Cit. pp. 385.

51 Barclay, William. El Nuevo Testamento. Volumen XII. Buenos Aires: Editorial A Aurora, 1974., p. 280.

52 Barton, Dr. Bruce B., Ed.Op. Cit., c1996

53 Barton, Dr. Bruce B., Ed. Op. Cit., c1996.

54 Hayford, Jack W., Ed. Op. Cit., c1994.

55 Hayford, Jack W., Ed. Op. Cit., c1994.

56 Benware, Paul N. Op. Cit., pp. 211-212.

57 Nelson, Wilton M. Op. Cit., c19