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N.

o 272 — 24-11-1998 DIÁRIO DA REPÚBLICA — I SÉRIE-A 6461

MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, de Novembro, e suas alterações, e a Portaria n.o 506/89,


DO DESENVOLVIMENTO RURAL E DAS PESCAS de 5 de Julho, no caso das lotas, bem como a respectiva
aprovação.

Decreto-Lei n.o 375/98 Artigo 4.o


Aprovação, registo e atribuição do número de controlo veterinário
de 24 de Novembro

A Directiva n.o 91/493/CEE, do Conselho, de 22 de 1 — Depois de reunidas as condições de aprovação


Julho, que adoptou as normas sanitárias relativas à pro- dos estabelecimentos, lotas, mercados grossistas e
dução e colocação no mercado dos produtos da pesca, navios-fábricas, em conformidade com os procedimentos
referidos no n.o 2 do artigo anterior, os seus legítimos
foi transposta para a ordem jurídica nacional pelo
representantes devem requerer ao director-geral das
Decreto-Lei n.o 283/94, de 11 de Novembro. Posterior-
Pescas e Aquicultura, antes do início da laboração, a
mente, a Directiva n.o 92/48/CEE, do Conselho, de 16
vistoria legalmente exigida para verificação das condi-
de Junho, estabeleceu disposições relativas às normas
ções de instalação e funcionamento.
mínimas de higiene aplicáveis aos produtos da pesca
2 — A DGPA comunica de imediato este pedido à
obtidos a bordo de determinados navios, que obrigaram
DGV, para a realização da vistoria referida no número
à reformulação do citado decreto-lei através do Decre- anterior.
to-Lei n.o 124/95, de 31 de Maio. Importa agora transpor
3 — Sem prejuízo das competências atribuídas por
para a ordem jurídica interna as alterações inseridas lei a outras entidades, verificando-se o cumprimento
na Directiva n.o 91/493/CEE e pela Directiva das condições de instalação e funcionamento, a DGV
n.o 95/71/CE, do Conselho, de 22 de Dezembro. atribui o número de controlo veterinário, com a facul-
Ouvidos os órgãos de governo próprio das Regiões dade de delegação nas direcções regionais da agricul-
Autónomas dos Açores e da Madeira. tura, o que, nos termos do n.o 2 do artigo 30.o do Decre-
Assim: to-Lei n.o 106/97, de 2 de Maio, será precedido de pare-
Nos termos da alínea a) do n.o 1 do artigo 198.o e cer da Direcção-Geral da Fiscalização e Controlo da
dos n.os 5 e 9 do artigo 112.o, ambos da Constituição, Qualidade Alimentar, adiante designada por DGFCQA,
o Governo decreta o seguinte: e comunicado à DGPA, para efeitos de notificação ao
interessado.
Artigo 1.o 4 — A DGPA procede à aprovação dos estabeleci-
mentos, lotas, mercados grossistas e navios-fábricas onde
Âmbito sejam preparados, transformados, refrigerados, conge-
lados, embalados ou armazenados produtos da pesca,
O presente diploma transpõe para a ordem jurídica procedendo ao adequado registo e elaborando as res-
interna a Directiva n.o 91/493/CEE, do Conselho, de pectivas listas.
22 de Julho, bem como a Directiva n.o 92/48/CEE, do 5 — A DGV tomará as medidas necessárias se as con-
Conselho, de 16 de Junho, que fixa as normas mínimas dições que permitiram a atribuição do número de con-
de higiene aplicáveis aos produtos da pesca obtidos a trolo veterinário deixarem de ser cumpridas, nomea-
bordo de determinados navios, e a Directiva damente o cancelamento da atribuição do mesmo tendo
n.o 95/71/CE, do Conselho, de 22 de Dezembro, que em conta as conclusões dos controlos por si efectuados
adopta as normas sanitárias relativas à produção e à ou as que lhe forem comunicadas em resultado de even-
colocação no mercado dos produtos da pesca destinados tuais controlos levados a efeito por outras entidades
ao consumo humano. ou peritos comunitários, comunicando-as à DGPA, que
Artigo 2.o notificará o interessado e informará as entidades fis-
calizadoras.
Normas técnicas 6 — A DGPA tomará as medidas necessárias se as
outras condições de aprovação ou registo deixarem de
As normas técnicas de execução do presente diploma ser cumpridas, nomeadamente as condições de trabalho
constam do seu anexo e que dele faz parte integrante. ou de poluição ambiental que determinam o cancela-
mento da aprovação ou do registo tendo em conta as
Artigo 3.o conclusões dos controlos por si efectuados ou as que
lhe forem comunicadas em resultado de eventuais con-
Competências trolos levados a efeito por outras entidades, notificando
disso o interessado e informando as entidades fisca-
1 — Compete à Direcção-Geral de Veterinária, lizadoras.
adiante designada por DGV, como autoridade sanitária
veterinária nacional, a orientação geral nos domínios Artigo 5.o
hígio-sanitários pelo presente diploma e a respectiva Listas de aprovação
representação a nível comunitário.
2 — Compete à Direcção-Geral das Pescas e Aqui- 1 — A DGPA transmitirá à DGV a lista dos esta-
cultura, adiante designada por DGPA, a coordenação belecimentos, navios-fábricas, lotas e mercados grossis-
das acções a desenvolver no âmbito do presente diploma tas aprovados e registados.
e em especial a tramitação do processo de autorização 2 — A DGV, na sua qualidade de autoridade sanitária
de instalação ou alteração e de laboração dos estabe- veterinária nacional, comunicará à Comissão da União
lecimentos que laborem produtos da pesca, bem como Europeia a lista dos estabelecimentos com número de
dos navios-fábricas, lotas e mercados grossistas, de controlo veterinário atribuído, bem como toda e qual-
acordo com o Decreto Regulamentar n.o 61/91, de 27 quer alteração da mesma.
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Artigo 6.o Guterres — Joaquim Augusto Nunes de Pina Moura —


Fiscalização
Luís Manuel Capoulas Santos.

Compete à Inspecção-Geral das Pescas, adiante desig- Promulgado em 12 de Novembro de 1998.


nada por IGP, à Inspecção-Geral das Actividades Eco-
Publique-se.
nómicas, adiante designada por IGAE, e à DGFCQA
assegurar a fiscalização do cumprimento das normas O Presidente da República, JORGE SAMPAIO.
constantes do presente diploma e regulamentação com-
plementar, de acordo com as respectivas competências Referendado em 13 de Novembro de 1998.
legais, sem prejuízo das competências atribuídas por lei O Primeiro-Ministro, António Manuel de Oliveira
a outras entidades. Guterres.
Artigo 7.o
Contra-ordenações ANEXO
1 — Sem prejuízo do disposto no Decreto-Lei CAPÍTULO I
n.o 28/84, de 20 de Janeiro, constituem contra-ordena-
ções, puníveis com coima cujo montante mínimo é de Disposições gerais
500 000$ e máximo de 750 000$ ou 9 000 000$, con-
1 — Para efeitos do presente diploma, entende-se
soante se trate de pessoa singular ou colectiva:
por:
a) O desrespeito pelas regras de colocação no mer- 1.1 — Produto da pesca — todos os animais ou partes
cado dos produtos da pesca, nomeadamente de animais marinhos ou de água doce, incluindo as suas
quanto às condições de captura, manipulação, ovas e leitugas, com exclusão dos mamíferos aquáticos,
preparação, transformação, refrigeração ou con- das rãs e dos outros animais aquáticos abrangidos por
gelação e descongelação, bem como a inexis- regulamentação comunitária específica;
tência dos registos determinados pelas dispo- 1.2 — Produto da aquicultura — todos os produtos da
sições do presente diploma; pesca cujos nascimento e crescimento são controlados
b) A não observância das regras definidas no pre- pelo homem até à sua colocação no mercado como
sente diploma quanto às condições de higiene género alimentício, sendo os peixes ou crustáceos de
relativas à manipulação e armazenagem a bordo água do mar ou de água doce capturados quando juvenis
dos produtos da pesca, bem como as referentes ou no seu meio natural e mantidos em cativeiro até
às condições gerais e suplementares de higiene atingirem o tamanho comercial pretendido para con-
aplicáveis aos produtos da pesca a bordo de sumo humano considerados produtos de aquicultura.
navios de pesca; Os peixes e crustáceos de tamanho comercial capturados
c) O não cumprimento das regras definidas quanto no seu meio natural e mantidos vivos para serem ven-
à embalagem, identificação, armazenamento e didos posteriormente não são considerados produtos de
transporte dos produtos da pesca. aquicultura se a sua permanência nos viveiros tiver como
único objectivo mantê-los vivos, e não fazê-los aumentar
2 — A tentativa e a negligência são puníveis. de tamanho ou de peso;
1.3 — Refrigeração — o processo que consiste em
Artigo 8.o baixar a temperatura dos produtos da pesca por forma
que esta esteja próxima da do gelo fundente;
Sanções acessórias 1.4 — Produto fresco — todo o produto da pesca,
Simultaneamente com a coima podem ser aplicadas inteiro ou preparado, incluindo os produtos acondicio-
as sanções acessórias previstas na lei geral. nados sob vácuo ou atmosfera modificada que não
tenham sofrido qualquer tratamento destinado à sua
conservação, excepto a refrigeração;
Artigo 9.o 1.5 — Produto preparado — todo o produto da pesca
Aplicação das coimas e sua afectação que foi submetido a uma operação que alterou a sua
integridade anatómica, tal como a evisceração, o des-
1 — A aplicação das coimas e sanções acessórias com- cabeçamento, o corte, a filetagem e a picagem;
pete à DGFCQA. 1.6 — Produto transformado — todo o produto da
2 — A afectação do produto das coimas cobradas far- pesca que foi submetido a um processo químico ou físico,
-se-á da seguinte forma: tal como o aquecimento, a defumação, a salga, a seca,
a) 10 % para a entidade autuante; a marinada, etc., aplicado aos produtos refrigerados ou
b) 10 % para a entidade instrutora; congelados associados ou não a outros géneros alimen-
c) 20 % para a entidade que aplica a coima; tícios, ou uma combinação destes diversos processos;
d) 60 % para os cofres de Estado. 1.7 — Conserva — o processo que consiste em acon-
dicionar produtos em recipientes hermeticamente fecha-
Artigo 10.o dos e submetê-los a um tratamento térmico suficiente
para destruir ou tornar inactivos todos os microrganis-
Revogação mos susceptíveis de proliferação, qualquer que seja a
temperatura a que o produto se destine a ser arma-
São revogados os Decretos-Leis n.os 283/94, de 11
zenado;
de Novembro, e 124/95, de 31 de Maio, e a Portaria
1.8 — Produto congelado — todo o produto da pesca
n.o 553/95, de 8 de Junho.
que sofreu uma congelação que permita obter uma tem-
Visto e aprovado em Conselho de Ministros de 22 peratura no seu centro térmico de pelo menos – 18oC,
de Outubro de 1998. — António Manuel de Oliveira após estabilização térmica;
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1.9 — Embalagem — a operação destinada a realizar respeitar as disposições do capítulo VI do


a protecção dos produtos da pesca através da utilização anexo, n.o I, n.os 1 e 5, e do capítulo VII,
de um invólucro, de um recipiente ou de qualquer outro n.o IV, n.o 7, deste anexo;
material adequado;
1.10 — Lote — a quantidade de produtos da pesca b) Os produtos devem ter sido manipulados, du-
obtida em circunstâncias praticamente idênticas; rante e após o desembarque, nos termos das
1.11 — Remessa — a quantidade de produtos da disposições constantes do capítulo V do presente
pesca destinada a um ou vários compradores num país anexo;
destinatário e enviada por um único meio de transporte; c) Os produtos devem ter sido manipulados e, se
1.12 — Meios de transporte — as partes reservadas for caso disso, embalados, preparados, transfor-
para carga nos veículos automóveis, nos veículos que mados, congelados, descongelados ou armaze-
circulam sobre carris e nas aeronaves, bem como os nados, em condições higiénicas, em estabele-
cimentos aprovados, na observância dos requi-
porões dos navios ou os contentores para o transporte
sitos dos capítulos VI e VII deste anexo, podendo
por terra, mar ou ar;
a autoridade competente pela inspecção hígio-
1.13 — Autoridade competente — a Direcção-Geral -sanitária, em derrogação do n.o 2 do capítulo V
de Veterinária (DGV) ou a Direcção-Geral das Pescas do anexo, autorizar, quando requerido, o trans-
e Aquicultura (DGPA), consoante os casos, em razão vasamento dos produtos frescos da pesca para
da matéria, adiante expressamente referidos; o cais em recipientes destinados à expedição
1.14 — Autoridade sanitária veterinária nacional — a imediata para um estabelecimento aprovado ou
DGV; para uma lota ou para um mercado grossista,
1.15 — Estabelecimento — todo o local em que os a fim de aí serem submetidos a controlo;
produtos da pesca sejam preparados, transformados, d) Os produtos devem ter sido objecto de um con-
refrigerados, congelados, embalados ou armazenados, trolo sanitário nos termos do capítulo VIII deste
não sendo, no entanto, considerados como tal as lotas anexo;
e os mercados grossistas em que são exclusivamente e) Os produtos devem ter sido adequadamente
feitas exposições e a venda por grosso; embalados nos termos do capítulo IX deste
1.16 — Colocação no mercado — a detenção ou a anexo;
exposição destinada à venda, a colocação à venda, a f) Os produtos devem ser identificados nos termos
venda, a entrega ou qualquer outro modo de colocação do capítulo X deste anexo;
no mercado da União Europeia (UE), com exclusão g) Os produtos devem ter sido armazenados e
da venda a retalho e da cessão directa no mercado local transportados em condições de higiene, de
em pequenas quantidades por um pescador ou retalhista acordo com o estabelecido no capítulo XI deste
ou ao consumidor; anexo.
1.17 — Importação — introdução no território da UE
de produtos da pesca provenientes de países terceiros; 2.2 — Sempre que a evisceração for possível do ponto
1.18 — Água do mar salubre — a água do mar ou de vista técnico e comercial, deve ser efectuada o mais
rapidamente possível após a captura ou o desembarque.
a água salobra que não apresente contaminação micro-
2.3 — Os produtos da aquicultura só podem ser colo-
biológica, substâncias nocivas e ou plâncton marinho cados no mercado nas seguintes condições:
tóxico em quantidades susceptíveis de influenciar a qua-
lidade sanitária dos produtos da pesca; a) O abate deve realizar-se em condições de
1.19 — Navio-fábrica — navio a bordo do qual os pro- higiene adequadas, não devendo os produtos
dutos da pesca sofrem uma ou mais das seguintes ope- estar conspurcados por terra, lama ou excre-
rações, seguidas de embalagem: filetagem, corte, esfola, mentos e, no caso de não serem directamente
picagem, congelação, transformação; não sendo, no transformados após o abate, ser conservados
entanto, considerados navios-fábricas os barcos de pesca refrigerados;
que apenas pratiquem a cozedura de camarões e ou b) Além disso, os produtos devem obedecer ao dis-
de moluscos a bordo e os barcos de pesca que pratiquem posto nas alíneas c) a g) do ponto 2.1.
apenas a congelação a bordo.
2 — 2.1 — A colocação no mercado de produtos da 2.4 — A colocação no mercado de moluscos bivalves
pesca capturados em meio natural está sujeita às seguin- vivos deve:
tes condições: a) Obedecer às normas sanitárias que regem a pro-
dução e a colocação no mercado de moluscos
a) Os produtos devem: bivalves vivos;
i) Ter sido capturados e eventualmente b) Em caso de transformação, devem ainda obede-
manipulados para a sangria, o descabe- cer aos requisitos das alíneas c) a g) do ponto
çamento, a evisceração e a retirada das 2.1.
barbatanas e refrigerados ou congelados
a bordo dos navios identificados no capí- 3 — Os produtos da pesca destinados a ser colocados
tulo IV deste anexo, de acordo com as vivos no mercado devem ser permanentemente mantidos
normas de higiene aí estabelecidas; nas melhores condições de sobrevivência.
ii) Eventualmente, ter sido manipulados nos 4 — Não podem ser colocados no mercado os seguin-
tes produtos:
navios-fábricas abrangidos pelo capítulo III
e aprovados pela DGV, devendo a coze- a) Peixes venenosos das famílias Tetraodontidae,
dura de camarões e de moluscos a bordo Molidae, Diodontidae, Canthisgasteridae;
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b) Produtos da pesca que contenham biotoxinas, serão pelo menos equivalentes às relativas à produção
tais como a cignatoxina ou as toxinas parali- e à colocação no mercado dos produtos comunitários.
santes dos músculos. 1.2 — Os produtos da pesca capturados no seu meio
natural por um barco de pesca arvorando pavilhão de
5 — 5.1 — Os responsáveis pelos estabelecimentos um país terceiro devem ser sujeitos aos controlos pre-
devem tomar todas as medidas necessárias para que vistos no n.o 17.o da Portaria n.o 774/93, de 3 de
em todos os estádios da produção dos produtos da pesca Setembro.
sejam observadas as prescrições do presente diploma. 2 — 2.1 — As condições especiais de importação dos
5.2 — Para efeitos do disposto no ponto 2.1, os res- produtos da pesca serão estabelecidas, relativamente a
ponsáveis pelos estabelecimentos devem efectuar auto- cada país ou grupo de países terceiros, de acordo com
controlos baseados nos seguintes princípios: o procedimento comunitariamente previsto, em função
da situação sanitária do país terceiro em questão.
a) Identificação dos pontos críticos dos seus esta- 2.2 — A fim de permitir o estabelecimento de con-
belecimentos, em função dos processos de dições de importação e de se certificar das condições
fabrico utilizados; de produção, armazenagem e expedição nos países ter-
b) Estabelecimento e aplicação de métodos de vigi- ceiros dos produtos da pesca destinados à UE, podem
lância e de controlo desses pontos críticos; ser efectuados controlos no local por peritos da Comis-
c) Colheita de amostras para exame num labora- são e dos Estados membros, com a periodicidade e as
tório aprovado pela DGV, para efeitos de con-
modalidades a determinar de acordo com o procedi-
trolo dos métodos de limpeza e de desinfecção
mento comunitariamente previsto.
e verificação das normas estabelecidas pelo pre-
2.3 — Os peritos portugueses incumbidos dos contro-
sente diploma;
los nos termos do ponto 2.2 serão designados pela
d) Conservação de um vestígio escrito ou registado
Comissão, sob proposta da DGV.
de forma indelével dos pontos anteriores, por
um período de dois anos. 2.4 — Ao serem estabelecidas as condições de impor-
tação dos produtos da pesca a que se refere o ponto
2.1, serão nomeadamente tomadas em consideração:
5.3 — Se os resultados dos autocontrolos ou qualquer
informação de que disponham os responsáveis a que a) A legislação do país terceiro;
se refere o ponto 5.1 revelarem a existência de um risco b) A organização da autoridade competente do
sanitário ou permitirem supor a sua existência, serão país terceiro e dos seus serviços de inspecção,
tomadas medidas adequadas, sem prejuízo das medidas os poderes desses serviços e a vigilância de que
previstas no n.o 4 do artigo 3.o do Regulamento dos são objecto, bem como as possibilidades que
Controlos Veterinários Aplicáveis ao Comércio Intra- têm de verificar eficazmente a aplicação da
comunitário dos Produtos de Origem Animal, aprovado legislação vigente;
pela Portaria n.o 576/93, de 4 de Junho. c) As condições sanitárias de produção, armaze-
5.4 — As regras de execução do ponto 5.2 serão esta- nagem e expedição efectivamente aplicadas aos
belecidas de acordo com a Decisão n.o 94/356/CEE, da produtos da pesca destinados à UE;
Comissão, de 20 de Maio, que fixa regras de execução d) As garantias que o país terceiro pode dar quanto
da Directiva n.o 91/493/CEE, no que respeita aos auto- ao cumprimento das normas enunciadas no
controlos sanitários relativos a produtos da pesca. capítulo VIII deste diploma.
6 — A inspecção e o controlo dos estabelecimentos,
navios, lotas e mercados grossistas efectuar-se-ão regu- 3 — 3.1 — As condições de importação a que se
larmente, de acordo com as regras técnicas constantes refere o ponto 2.1 devem incluir:
do capítulo VIII do anexo, devendo ser facultado às auto-
ridades competentes o livre acesso a todos os locais a) As modalidades de emissão de certificados sani-
dos estabelecimentos, navios, lotas e mercados grossis- tários que devem acompanhar as remessas des-
tas, com vista a assegurar o cumprimento do presente tinadas à UE;
diploma. b) A aposição de uma marca que identifique os
7 — Aos produtos da pesca destinados ao consumo produtos da pesca, nomeadamente através de
humano são aplicáveis o Decreto-Lei n.o 110/93, de 10 um número de aprovação do estabelecimento
de Abril, e a Portaria n.o 576/93, de 4 de Junho, que de proveniência, salvo no caso de produtos da
transpõem para a ordem jurídica interna a Directiva pesca congelados, desembarcados imediata-
n.o 89/622/CEE, do Conselho, de 11 de Dezembro, rela- mente para a indústria conserveira e acompa-
tiva aos controlos veterinários aplicáveis ao comércio nhados do certificado previsto na alínea a);
intracomunitário de produtos de origem animal, nomea- c) Uma lista de estabelecimentos aprovados e,
damente no que se refere à organização e ao seguimento eventualmente, de navios-fábricas, de lotas ou
a dar aos controlos a efectuar no destino e às medidas de mercados grossistas registados e aprovados
de salvaguarda a aplicar. pela Comissão segundo o procedimento comu-
nitariamente previsto, devendo, com este objec-
tivo, ser estabelecidas uma ou mais listas desses
CAPÍTULO II estabelecimentos, com base numa comunicação
Importações provenientes de países terceiros das autoridades competentes do país terceiro
à Comissão, apenas podendo um estabeleci-
1 — 1.1 — As disposições aplicáveis às importações mento constar de uma lista se for oficialmente
de produtos da pesca provenientes de países terceiros aprovado pela autoridade competente do país
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terceiro exportador para a UE, em obediência d) Locais de armazenagem dos produtos acabados
aos seguintes requisitos: com dimensões suficientes, concebidos de forma
a poderem ser limpos com facilidade. Se fun-
i) Observância de requisitos equivalentes cionar a bordo uma unidade de tratamento dos
aos constantes do presente diploma; desperdícios, deve ser atribuído à armazenagem
ii) Vigilância por um serviço oficial de con- destes subprodutos um porão separado;
trolo do país terceiro. e) Um local de armazenagem do material de emba-
lagem separado dos locais de preparação e de
3.2 — As condições referidas nas alíneas a) e b) do transformação dos produtos;
ponto anterior podem ser alteradas ou completadas f) Equipamentos especiais para remover quer
segundo o procedimento comunitariamente previsto. directamente para o mar quer, se as circunstân-
3.3 — A lista a que se refere a alínea c) do ponto 3.1 cias o exigirem, para uma cuba estanque reser-
pode ser alterada pela Comissão, de acordo com as vada para este efeito os desperdícios e produtos
regras comunitariamente estabelecidas. da pesca impróprios para consumo humano. Se
3.4 — A fim de fazer face a situações específicas e estes desperdícios forem armazenados e trata-
segundo o processo comunitariamente previsto, podem dos a bordo com vista ao seu saneamento, devem
ser autorizadas importações em proveniência directa de ser previstos para esta utilização locais sepa-
um estabelecimento ou de um navio-fábrica de um país rados;
terceiro, quando este último não puder fornecer as g) Uma instalação que permita o abastecimento
garantias previstas no ponto 3.2, desde que esse esta- de água potável ou de água do mar salubre sob
belecimento ou esse navio-fábrica tenha sido objecto pressão. O orifício de bombagem da água do
de aprovação específica após inspecção efectuada nos
mar deve situar-se num ponto que não permita
termos do ponto 2.2.
que a qualidade da água bombeada seja afectada
3.5 — A decisão de autorização a que se refere o
pela evacuação para o mar de águas usadas,
ponto 3.4 fixará as condições específicas de importação
dos desperdícios e da água de arrefecimento
a adoptar para os produtos provenientes desse estabe-
dos motores;
lecimento ou desse navio-fábrica.
h) Um número adequado de vestiários, lavabos e
4 — Aos produtos abrangidos pelo presente diploma
retretes, não podendo estas últimas dar direc-
são aplicáveis as normas e princípios previstos no Decre-
tamente para os locais onde os produtos da
to-Lei n.o 111/93, de 10 de Abril, e na Portaria n.o 774/93,
de 3 de Setembro, que transpõem para a ordem jurídica pesca são preparados, transformados ou arma-
interna a Directiva n.o 90/675/CEE, do Conselho, de zenados, devendo os lavatórios estar providos
10 de Dezembro, que fixa os princípios relativos à orga- de meios de limpeza e de enxugo que satisfaçam
nização dos controlos veterinários de produtos animais os requisitos de higiene; as torneiras dos lava-
e de origem animal provenientes de países terceiros, tórios não devem poder ser accionadas manual-
nomeadamente no que se refere à organização e ao mente.
seguimento a dar aos controlos a efectuar e às medidas
de salvaguarda a aplicar. 2 — Os locais em que se procede à preparação e à
transformação ou congelação-ultracongelação dos pro-
dutos da pesca devem dispor de:
CAPÍTULO III
a) Um chão que alie a qualidade de antiderrapante
Condições aplicáveis aos navios-fábricas com a facilidade de limpeza e de desinfecção
e que seja provido de dispositivos que permitam
I — Condições relativas à construção e equipamento um fácil escoamento da água. As estruturas e
aparelhos fixados ao chão devem estar munidos
1 — Os navios-fábricas devem dispor pelo menos de: de orifícios de escoamento de tamanho sufi-
a) Uma área de recepção destinada à colocação ciente para não ficarem obstruídos pelos resí-
a bordo dos produtos da pesca, concebida e dis- duos de peixe e permitirem o escoamento da
posta em parques de dimensões suficientes para água com facilidade;
permitir a separação das entradas consecutivas, b) Paredes e tectos fáceis de limpar, em especial
devendo esta área de recepção e os seus ele- ao nível dos tubos, cadeias ou condutas eléc-
mentos desmontáveis ser fáceis de limpar. Esta tricas que os atravessam;
área deve ser concebida de forma a proteger c) Circuitos hidráulicos que estejam dispostos ou
os produtos da acção do sol ou das intempéries, protegidos por forma que uma eventual fuga
bem como de quaisquer fontes de conspurcação de óleo não possa contaminar os produtos da
ou de contaminação; pesca;
b) Um sistema de transporte dos produtos da pesca d) Ventilação suficiente e, se for caso disso, uma
da área de recepção para os locais de trabalho boa evacuação dos vapores;
que respeite as normas de higiene; e) Iluminação suficiente;
c) Locais de trabalho com dimensões suficientes f) Dispositivos para a limpeza e desinfecção dos
para que a preparação e a transformação dos utensílios, do material e das instalações;
produtos da pesca possam ser efectuadas em g) Dispositivos para a limpeza e desinfecção das
condições de higiene adequadas. Estes locais são mãos, cujas torneiras não devem poder ser
concebidos e dispostos por forma a evitar qual- accionadas à mão, e que sejam providos de toa-
quer contaminação dos produtos; lhas de mão descartáveis.
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3 — Os dispositivos e utensílios de trabalho, como, pesca em condições satisfatórias durante mais


por exemplo, as mesas de corte, os recipientes, as cor- de vinte e quatro horas, com excepção dos
reias transportadoras e as máquinas para eviscerar e navios equipados para a manutenção em vida
filetar, devem ser fabricados em materiais resistentes dos peixes, crustáceos e moluscos sem outro
à corrosão pela água do mar, fáceis de limpar e de meio de conservação a bordo.
desinfectar e mantidos em bom estado.
4 — Os navios-fábricas que congelem ou ultraconge-
lem os produtos da pesca devem dispor: II — Condições gerais de higiene aplicáveis aos produtos
da pesca a bordo de navios de pesca
a) De uma instalação com uma potência frigorífica
suficiente para submeter os produtos a um abai- 1 — As partes dos navios de pesca ou os recipientes
xamento de temperatura rápido, que permita reservados à armazenagem dos produtos da pesca não
obter no centro uma temperatura conforme às devem conter objectos ou produtos susceptíveis de trans-
prescrições do presente diploma; mitirem àqueles géneros alimentícios propriedades noci-
b) De instalações de uma potência frigorífica sufi- vas ou características anormais. As partes dos navios
ciente para manter nos porões de armazenagem ou os recipientes em questão devem ser concebidos de
os produtos da pesca a uma temperatura con- forma a facilitar a sua limpeza e a que a água de fusão
forme às prescrições do presente diploma, do gelo não possa entrar em contacto com os produtos
devendo os porões de armazenagem estar equi- da pesca.
pados com um dispositivo registador da tem-
2 — No momento da sua utilização, as partes do navio
peratura colocado de forma a poder ser facil-
mente consultado. ou os recipientes reservados à armazenagem dos pro-
dutos da pesca devem encontrar-se em perfeito estado
de limpeza e, designadamente, não podem ser suscep-
II — Condições de higiene relativas à manipulação tíveis de conspurcação pelo carburante utilizado para
e armazenagem a bordo dos produtos da pesca
a propulsão do navio ou pelas águas residuais dos fundos
1 — Uma pessoa qualificada a bordo do navio-fábrica do navio.
deve ser responsável pela aplicação das boas práticas 3 — Logo que cheguem a bordo, os produtos da pesca
de fabrico dos produtos da pesca, devendo estar inves- devem ser colocados ao abrigo de qualquer contami-
tida da autoridade necessária para fazer respeitar as nação e subtraídos o mais rapidamente possível à acção
prescrições do presente diploma. Este responsável man- da luz solar ou de qualquer outra fonte de calor. Quando
tém à disposição dos agentes encarregados do controlo forem lavados, a água utilizada deve ser ou água doce
o programa de inspecção e verificação dos pontos crí- ou água do mar salubre, de forma a não prejudicar
ticos aplicados a bordo e um registo no qual estão ins- a sua qualidade ou salubridade.
critas as suas observações, bem como os registos tér- 4 — Os produtos da pesca devem ser manipulados
micos eventualmente exigidos. e armazenados de modo a evitar o seu esmagamento.
2 — As condições gerais de higiene aplicáveis às ins- A utilização de instrumentos perfurantes é tolerada para
talações e aos materiais são as enunciadas no capítulo VI, a deslocação de peixes de grandes dimensões ou de pei-
n.o II, alínea A), do presente anexo.
xes que apresentem um risco de ferimento para o mani-
3 — As condições gerais de higiene aplicáveis ao pes-
soal são as enunciadas no capítulo VI, n.o II, alínea B), pulador, desde que a carne destes produtos não sofra
do presente anexo. deterioração.
4 — As operações de descabeçamento, evisceração e 5 — Os produtos da pesca, com exclusão dos produtos
filetagem devem ser efectuadas de acordo com as con- mantidos no estado vivo, devem ser submetidos à acção
dições de higiene enunciadas no capítulo VII, n.o I, n.os 2, do frio o mais rapidamente possível após a sua colocação
3 e 4, do presente anexo. a bordo. Todavia, em relação aos navios em que a apli-
5 — As operações de transformação dos produtos da cação do frio não é realizável de um ponto de vista
pesca efectuadas a bordo devem ocorrer de acordo com prático, os produtos da pesca não devem ser conservados
as condições de higiene enunciadas no capítulo VII, a bordo mais de oito horas.
n.os II, n.os 2 e 3, IV e V, do presente anexo. 6 — Quando for utilizado gelo para a refrigeração
6 — O acondicionamento e a embalagem a bordo dos dos produtos, este deve ser fabricado com água potável
produtos da pesca devem ser efectuados de acordo com ou com água do mar salubre. Antes da sua utilização,
as condições de higiene enunciadas no capítulo IX do deve ser armazenado em condições que não permitam
presente anexo. a sua contaminação.
7 — A armazenagem a bordo dos produtos da pesca 7 — A limpeza dos recipientes, dos instrumentos e
deve ser efectuada segundo as condições de higiene das partes dos navios que entrem em contacto directo
enunciadas no capítulo XI, n.os 1 e 2, do presente anexo. com os produtos da pesca deve efectuar-se, após o
desembarque dos produtos, com água potável ou água
do mar salubre.
CAPÍTULO IV 8 — Quando os peixes são descabeçados e ou evis-
cerados a bordo, estas operações devem efectuar-se de
Condições aplicáveis a outros navios modo higiénico, devendo os produtos ser lavados abun-
I — Produtos abrangidos dantemente com água potável ou água do mar salubre
imediatamente após estas operações. As vísceras ou as
O disposto no presente capítulo aplica-se aos pro- partes que possam representar um perigo para a saúde
dutos da pesca obtidos a bordo dos seguintes navios: pública serão separadas e afastadas dos produtos des-
a) Navios de pesca; tinados ao consumo humano. Os fígados, as ovas e o
b) Navios de pesca concebidos e equipados para sémen destinados ao consumo humano serão conser-
assegurar uma conservação dos produtos da vados sob gelo ou congelados.
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9 — Os equipamentos utilizados para a evisceração, tura, cuja sonda deve estar colocada na parte
descabeçamento e retirada das barbatanas e os reci- da cisterna em que a temperatura seja mais
pientes, utensílios e aparelhos diversos em contacto com elevada;
os produtos da pesca serão constituídos ou revestidos c) O funcionamento do sistema de cisterna ou de
por um material impermeável, imputrescível, liso, fácil contentor deve assegurar um nível de arrefe-
de limpar e de desinfectar. No momento da sua uti- cimento que garanta que a mistura de peixes
lização deve estar em perfeito estado de limpeza. e água do mar atinja 3oC, no máximo, em seis
10 — O pessoal afecto às operações de manipulação horas após a mudança e 0oC, no máximo, após
dos produtos da pesca deve observar um bom estado dezasseis horas;
de limpeza, quer a nível corporal quer da indumentária. d) As cisternas, os sistemas de circulação e os con-
tentores devem ser totalmente esvaziados e lim-
III — Condições suplementares de higiene aplicáveis
pos intensivamente, após cada desembarque,
aos navios de pesca abrangidos pela alínea b) do n.o I com água potável ou água do mar salubre; o
enchimento deve realizar-se com água do mar
1 — Os navios de pesca devem estar equipados com salubre;
porões, cisternas ou contentores para armazenagem dos e) Os registos das temperaturas das cisternas
produtos da pesca no estado refrigerado ou congelado devem indicar claramente a data e o número
às temperaturas prescritas pelo presente anexo. Os da cisterna e ser mantidos à disposição das auto-
porões devem estar separados do compartimento das ridades incumbidas do controlo.
máquinas e dos locais reservados à tripulação por meio
de divisórias suficientemente estanques para evitar qual- 9 — A DGV manterá actualizada, para efeitos de con-
quer contaminação dos produtos da pesca armazenados. trolo, uma lista dos navios equipados de acordo com
2 — O revestimento interior dos porões, das cisternas o n.o 7 ou o n.o 8, com exclusão, todavia, dos navios
e dos contentores deve ser estanque e fácil de lavar que disponham de contentores amovíveis, que, sem pre-
e desinfectar. O revestimento será constituído por um juízo do disposto no n.o 5, segunda parte, do n.o II,
material liso ou, na sua ausência, pintado com uma tinta não exerçam regularmente as operações de conservação
lisa mantida em bom estado e que não possa transmitir dos peixes em água do mar refrigerada.
aos produtos da pesca substâncias nocivas para a saúde 10 — Os armadores ou seus representantes devem
humana. tomar todas as disposições necessárias para afastar do
3 — A disposição dos porões deverá ser de molde trabalho e da manipulação dos produtos da pesca as
a evitar que a água de fusão do gelo entre em contacto pessoas susceptíveis de os contaminar, até que se prove
com os produtos da pesca. que essas pessoas podem exercer a sua actividade sem
4 — Os recipientes utilizados para a armazenagem perigo.
dos produtos devem permitir assegurar a sua conser-
vação em condições de higiene satisfatórias e, desig- CAPÍTULO V
nadamente, permitir o escoamento da água de fusão
do gelo. No momento da sua utilização devem encon- Condições durante e após o desembarque
trar-se em perfeitas condições de limpeza.
5 — O convés de trabalho, o equipamento e os porões, 1 — O equipamento de descarga e desembarque deve
cisternas e contentores serão limpos após cada utili- ser constituído por materiais fáceis de limpar e deve
zação. Para o efeito utilizar-se-á quer água potável quer ser mantido em bom estado de conservação e limpeza.
água do mar salubre. Sempre que necessário proceder- 2 — Na descarga ou no desembarque deve evitar-se
-se-á a uma desinfecção, combate dos insectos ou a contaminação dos produtos da pesca e deve, nomea-
desratização. damente, assegurar-se que:
6 — Os produtos de limpeza, desinfectantes, insec-
ticidas ou quaisquer substâncias susceptíveis de apre- a) A descarga e o desembarque sejam efectuados
sentar um qualquer grau de toxicidade devem ser arma- rapidamente;
zenados em locais ou armários fechados à chave e uti- b) Os produtos da pesca sejam rapidamente colo-
lizados de modo a não apresentarem qualquer risco de cados num ambiente protegido, à temperatura
contaminação para os produtos da pesca. requerida em função da natureza do produto
7 — Quando os produtos da pesca forem congelados e, se necessário, debaixo de gelo, nas instalações
a bordo, esta operação deve realizar-se nas condições de transporte, de armazenagem ou de venda
fixadas no capítulo VII, n.o II, n.os 1 e 3, deste anexo. ou num estabelecimento;
Em caso de descongelação em salmoura, esta não deve c) Não sejam autorizados equipamentos e efectua-
constituir uma fonte de contaminação para os produtos. das manipulações susceptíveis de deteriorar as
8 — Os navios equipados para a refrigeração dos pro- partes comestíveis dos produtos da pesca.
dutos da pesca em água do mar refrigerada através do
gelo (CSW) ou através de meios mecânicos (RSW) 3 — As partes dos edifícios das lotas e dos mercados
devem satisfazer as seguintes condições: grossistas em que os produtos da pesca são expostos
para venda devem:
a) As cisternas devem estar equipadas com uma
instalação adequada para o enchimento e esva- a) Ser cobertas e dispor de paredes fáceis de
ziamento da água do mar e de um sistema que limpar;
assegure uma temperatura homogénea nas b) Dispor de um chão impermeável, fácil de lavar
cisternas; e desinfectar, disposto de modo a permitir um
b) As cisternas devem dispor de um aparelho des- escoamento fácil da água e ser munido de um
tinado a registar automaticamente a tempera- dispositivo de evacuação das águas residuais;
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c) Dispor de instalações sanitárias com um número condições gerais de higiene enunciadas no capítulo VI,
adequado de lavatórios de comando não manual n.o II, do presente anexo aplicam-se, mutatis mutandis,
e retretes com autoclismo, devendo os lavatórios aos mercados grossistas.
estar equipados com produtos de limpeza de
mãos e toalhas de mão de utilização única;
d) Estar suficientemente iluminadas, de modo a CAPÍTULO VI
facilitar o controlo dos produtos da pesca pre-
visto no capítulo VIII do presente anexo; Condições gerais aplicáveis aos estabelecimentos
e) Na exposição ou na armazenagem dos produtos em terra
da pesca não devem ser utilizadas para outros I — Condições gerais de organização
fins. Os veículos que emitam gases de escape e do equipamento em material
susceptíveis de prejudicar a qualidade dos pro-
dutos da pesca não devem entrar nas lotas. Os Os estabelecimentos devem, pelo menos, dispor de:
animais indesejáveis não devem penetrar nas 1 — Locais de trabalho de dimensões suficientes para
lotas; que a laboração possa aí exercer-se em condições de
f) Ser regularmente limpas, pelo menos no final higiene adequadas. Os locais de trabalho serão conce-
de cada venda. Após cada venda, as faces exter- bidos e dispostos de modo a evitar qualquer contami-
nação dos produtos e a separar claramente o sector
nas e internas das caixas devem ser limpas e
limpo do sector conspurcado;
passadas por água potável ou água do mar salu-
2 — As instalações em que se procede à manipulação,
bre e, se necessário, devem ser desinfectadas;
preparação e transformação dos produtos referidos
g) Ser providas de letreiros indicando a proibição devem dispor de:
de fumar, de cuspir, de beber ou de comer, colo-
cados de maneira visível; a) Chão em materiais impermeáveis, fácil de lim-
h) Poder ser fechadas e mantidas fechadas sempre par e desinfectar e disposto de modo a permitir
que a autoridade competente para a inspecção um escoamento fácil da água ou equipado com
sanitária o considere necessário; um dispositivo destinado a evacuar a água;
i) Dispor de uma instalação que permita o abas- b) Paredes de superfícies lisas e fáceis de limpar,
tecimento de água que obedeça às condições resistentes e impermeáveis;
do capítulo VI, n.o I, n.o 7, do presente anexo; c) Tecto fácil de limpar;
j) Dispor de contentores especiais, estanques, em d) Portas em materiais inalteráveis fáceis de lim-
materiais resistentes à corrosão, e destinados par;
a receber produtos da pesca impróprios para e) Ventilação suficiente e, se for caso disso, uma
consumo humano; boa evacuação dos vapores;
l) Na medida em que não disponham de insta- f) Iluminação suficiente;
lações próprias no local ou nas imediações em g) Dispositivos suficientes para a limpeza e desin-
função das quantidades expostas para venda, fecção das mãos. Nos locais de trabalho e nos
incluir, para servir as necessidades do inspector lavabos, as torneiras não devem poder ser accio-
hígio-sanitário, um local suficientemente adap- nadas manualmente. Os dispositivos devem
tado, que possa ser fechado à chave, e o material estar equipados com toalhas de mão descar-
necessário ao exercício dos controlos. táveis;
h) Dispositivos para a limpeza dos instrumentos,
4 — Após o desembarque ou, se for caso disso, após do material e das instalações;
a primeira venda, os produtos da pesca devem ser ime-
diatamente transportados para o seu local de destino, 3 — Nas câmaras isotérmicas em que são armazena-
nas condições fixadas no capítulo XI do presente anexo. dos os produtos da pesca:
5 — No entanto, se não forem cumpridas as condições a) Os mesmos requisitos que os previstos nas alí-
enunciadas no n.o 4, os edifícios das lotas em que os neas a), b), c), d) e f) do n.o 2;
produtos da pesca são eventualmente armazenados b) Se for caso disso, uma instalação de potência
antes de serem postos à venda, ou após a venda e frigorífica suficiente para garantir a manutenção
enquanto se aguarda o respectivo transporte para o local dos produtos nas condições térmicas previstas
de destino, devem dispor de câmaras isotérmicas com no presente anexo;
capacidade suficiente que obedeçam às condições fixa-
das no capítulo VI, n.o I, n.o 3, do presente anexo. Nesse 4 — Dispositivos adequados de protecção contra os
caso, os produtos da pesca devem ser armazenados a animais indesejáveis, tais como insectos, roedores e
uma temperatura próxima da de fusão do gelo. pássaros;
6 — As condições gerais de higiene enunciadas no 5 — Dispositivos e utensílios de trabalho, como, por
capítulo VI, n.o II, com excepção da alínea B), n.o 1, exemplo, mesas de corte, recipientes, tapetes transpor-
alínea a), do presente anexo aplicam-se, mutatis mutan- tadores e facas em materiais resistentes à corrosão,
dis, às lotas em que os produtos da pesca são postos fáceis de limpar e desinfectar;
à venda ou armazenados 6 — Contentores especiais, estanques, em materiais
7 — Os mercados grossistas em que os produtos da resistentes à corrosão, destinados a receber produtos
pesca são postos à venda ou armazenados estão sujeitos da pesca não destinados ao consumo humano, e um
às mesmas condições que as enunciadas no presente local destinado a dispor esses contentores, sempre que
capítulo, n.os 3 e 5, bem como às enunciadas no capí- não forem evacuados, pelo menos, no final de cada dia
tulo VI, n.o II, n.os 4, 10 e 11, do presente anexo. As de trabalho;
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7 — Uma instalação que permita o abastecimento de a produção de vapor ou a luta contra os incêndios, na
água potável ou eventualmente de água do mar salubre condição de as condutas instaladas para o efeito não
ou tornada salubre através de um sistema de depuração permitirem a utilização dessa água para outros fins e
adequado, sob pressão, em quantidades suficientes, não representarem qualquer risco de contaminação dos
sendo todavia autorizada, a título excepcional, uma ins- produtos.
talação que forneça água não potável para a produção 5 — Os detergentes, desinfectantes e substâncias simi-
de vapor, o combate aos incêndios e o arrefecimento lares devem ser autorizados pela DGV e utilizados de
dos equipamentos frigoríficos, na condição de as con- modo que o equipamento, o material e os produtos não
dutas instaladas para o efeito não permitirem a utili- sejam afectados.
zação dessa água para outros fins e não representarem
qualquer risco de contaminação dos produtos. As con- B) Condições de higiene aplicáveis ao pessoal
dutas de água não potável devem estar claramente dife-
renciadas daquelas em que circula água potável ou água 1 — Exige-se o máximo grau de limpeza por parte
do mar salubre; do pessoal, em especial:
8 — Um dispositivo que permita a evacuação higié-
a) O pessoal deve vestir roupa de trabalho ade-
nica das águas residuais; quada e limpa e usar uma touca limpa que
9 — Um número suficiente de vestiários, com paredes envolva completamente o cabelo, aplicando-se
e pavimentos lisos, impermeáveis e laváveis, de lava- esta regra, nomeadamente, às pessoas que mani-
tórios e de retretes com autoclismo, não devendo estas pulem produtos da pesca sujeitos a contami-
últimas abrir directamente para os locais de trabalho. nação;
Os lavatórios devem estar equipados com produtos de b) O pessoal que trabalhe na manipulação e na
limpeza das mãos, bem como de toalhas de mão de preparação dos produtos da pesca deve lavar
utilização única, não devendo as torneiras dos lavatórios as mãos de cada vez que recomece a trabalhar,
poder ser accionadas à mão; devendo os ferimentos nas mãos ser cobertos
10 — De um local adequadamente equipado, que com um penso estanque;
feche à chave, à disposição exclusiva do serviço de ins- c) É proibido fumar, cuspir, beber e comer nos
pecção hígio-sanitária se a quantidade de produtos tra- locais de trabalho e de armazenagem dos pro-
tados requerer a sua presença regular ou permanente; dutos da pesca.
11 — Equipamentos adequados para limpeza e desin-
fecção dos meios de transporte. Todavia, esses equi- 2 — A entidade patronal deve tomar as medidas
pamentos não são obrigatórios no caso de existirem dis- necessárias para afastar do trabalho ou da manipulação
posições que imponham a limpeza e desinfecção dos dos produtos da pesca qualquer pessoa susceptível de
meios de transporte em locais oficialmente aprovados; os contaminar, até que se demonstre que essa pessoa
12 — Nos estabelecimentos em que são mantidos ani- está em condições de realizar esse trabalho sem risco.
mais vivos, tais como crustáceos e peixes, uma instalação Por ocasião do recrutamento de pessoal, todas as pessoas
adequada que permita as melhores condições de sobre- afectas ao trabalho e à manipulação dos produtos da
vivência possíveis, alimentada por água de qualidade pesca deverão comprovar, mediante atestado médico,
suficiente para não transmitir aos animais organismos que nada se opõe à sua colocação. O acompanhamento
ou substâncias nocivas. médico dessas pessoas está subordinado à legislação
nacional ou, no que diz respeito aos países terceiros,
às garantias especiais a estabelecer nos termos do pro-
II — Condições gerais de higiene
cedimento previsto no ponto 2 do capítulo II deste anexo.
A) Condições gerais de higiene aplicáveis
às instalações e aos materiais CAPÍTULO VII
1 — O chão, as paredes, o tecto e as divisórias, o Condições especiais aplicáveis à manipulação
material e os instrumentos utilizados para a laboração dos produtos da pesca nos estabelecimentos em terra
dos produtos da pesca devem ser mantidos num bom
I — Condições aplicáveis aos produtos frescos
estado de limpeza e de conservação, de modo a não
constituírem uma fonte de contaminação dos produtos. 1 — Quando os produtos refrigerados não acondicio-
2 — Deve proceder-se à destruição sistemática dos nados não forem distribuídos, expedidos, preparados ou
roedores, insectos e qualquer outro parasita nos locais transformados imediatamente após a sua chegada ao
ou nos materiais, devendo os raticidas, insecticidas, estabelecimento, devem ser armazenados sob gelo na
desinfectantes ou quaisquer outras substâncias poten- câmara isotérmica do estabelecimento. Deve ser rea-
cialmente tóxicas ser guardados em locais ou armários dicionado gelo sempre que necessário; o gelo utilizado
que fechem à chave. A sua utilização não deverá causar com ou sem sal deve ser fabricado a partir de água
risco de contaminação para os produtos. potável ou água do mar salubre e armazenado, em con-
3 — Os locais de trabalho, os utensílios e o material dições higiénicas, em contentores concebidos para esse
só devem ser utilizados para a laboração dos produtos, efeito; os contentores devem ser mantidos limpos e
podendo, todavia, ser utilizados para a elaboração simul- encontrar-se em bom estado de conservação. Os pro-
tânea ou, em momentos diferentes, de outros produtos dutos frescos pré-embalados devem ser refrigerados com
alimentares, após autorização da DGV. gelo ou por um aparelho de refrigeração mecânica que
4 — A utilização de água potável ou de água do mar permita obter condições de temperatura similares.
salubre é obrigatória para todas as utilizações. Todavia, 2 — As operações como o descabeçamento e a evis-
a título excepcional, pode autorizar-se a utilização de ceração, se não tiverem sido efectuadas a bordo, devem
água não potável para o arrefecimento das máquinas, ser efectuadas de modo higiénico, devendo os produtos
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ser lavados com água potável ou água do mar salubre na zona em que se verifique a temperatura mais elevada.
em abundância imediatamente a seguir a essas ope- Os gráficos de registo da temperatura devem ser man-
rações. tidos à disposição das autoridades competentes pelo con-
3 — As operações como a filetagem e o corte devem trolo durante, pelo menos, o período de validade dos
ser efectuadas de modo a evitar a contaminação ou cons- produtos.
purcação dos filetes e postas e realizar-se num local
diferente do que é utilizado para o descabeçamento e III — Condições aplicáveis aos produtos descongelados
a evisceração. Os filetes e postas não devem permanecer
nas mesas de trabalho para além do tempo necessário Os estabelecimentos que procedem à descongelação
para a sua preparação e devem ser protegidos das con- devem obedecer aos seguintes requisitos:
taminações através de uma embalagem adequada. Os
filetes e as postas destinados a serem vendidos frescos 1) A descongelação dos produtos da pesca deve
devem ser refrigerados o mais rapidamente possível após efectuar-se em condições de higiene adequadas,
a sua preparação. devendo evitar-se a contaminação e existir um
4 — As vísceras e as partes que possam pôr em perigo escoamento eficaz da água de fusão. Durante
a saúde pública são separadas e afastadas dos produtos a descongelação, a temperatura dos produtos
destinados ao consumo humano. não deve aumentar de modo excessivo;
5 — Os recipientes utilizados para a distribuição ou 2) Após a descongelação, os produtos devem ser
a armazenagem dos produtos da pesca frescos devem manipulados de acordo com as condições enun-
ser concebidos de modo a garantir que os produtos sejam ciadas no presente anexo e, caso sejam prepa-
preservados de contaminação e conservados em boas rados ou transformados, as operações em ques-
condições de higiene e de modo a permitir nomeada- tão devem realizar-se o mais rapidamente pos-
mente um escoamento fácil da água de fusão. sível. Se esses produtos forem directamente
6 — Caso não existam equipamentos especiais para colocados no mercado, deve constar da emba-
a remoção constante dos desperdícios, estes devem ser lagem uma indicação claramente visível de que
colocados em recipientes estanques, equipados com se trata de peixe descongelado, em conformi-
tampa e fáceis de limpar e desinfectar. Os desperdícios dade com o n.o 4 do n.o 3.o da Portaria n.o 119/93,
não devem acumular-se nos locais de trabalho. Os des- de 2 de Fevereiro.
perdícios devem ser removidos continuamente ou sem-
pre que os contentores estiverem cheios e, no mínimo, IV — Condições aplicáveis aos produtos transformados
ao fim de cada dia de laboração, para os contentores
ou local referidos no capítulo VI, n.o I, n.o 6, do presente 1 — Os produtos frescos, congelados ou desconge-
anexo. Os recipientes, contentores e ou local destinado lados utilizados para a transformação devem satisfazer
aos desperdícios devem ser cuidadosamente limpos e, os requisitos enunciados nos n.os I ou II ou III do presente
se necessário, desinfectados após cada utilização. Os capítulo.
desperdícios armazenados não devem constituir uma 2 — Caso seja aplicado um tratamento destinado a
fonte de contaminação para o estabelecimento ou ser inibir o desenvolvimento de microrganismos patogénicos
incómodos para a vizinhança. ou se esse tratamento constituir um elemento impor-
tante para assegurar a conservação do produto, esse
tratamento deve ser cientificamente reconhecido ou, no
II — Condições aplicáveis aos produtos congelados caso de moluscos bivalves vivos que não tenham sido
objecto de transposição ou de depuração, esse trata-
1 — Os estabelecimentos devem possuir: mento deve ser aprovado pela UE. O responsável pelo
a) Uma instalação com uma potência frigorífica estabelecimento deve manter um registo de que conste
suficiente para submeter os produtos a um abai- a menção dos tratamentos aplicados. É importante,
xamento rápido da temperatura que permita nomeadamente, registar e controlar a duração e a tem-
obter as temperaturas previstas no presente peratura de um tratamento pelo calor, a concentração
anexo; de sal, o pH e o teor de água em função do tipo de
b) Instalações com uma potência frigorífica sufi- tratamento utilizado. Os registos devem ser mantidos
ciente para que os produtos sejam mantidos nos à disposição das autoridades competentes pela inspecção
locais de armazenagem a uma temperatura não e controlo durante um período pelo menos igual ao
superior à prevista no presente diploma, inde- período de conservação do produto.
pendentemente da temperatura exterior. Con- 3 — Os produtos em relação aos quais só se garante
tudo, por motivo de imperativos técnicos ligados a conservação por um período limitado após aplicação
ao método de congelação e à manutenção destes de um tratamento tal como salga, fumagem, secagem
produtos, para os peixes inteiros congelados em ou marinada devem possuir na embalagem uma ins-
salmoura e destinados ao fabrico de conservas crição claramente visível com indicação das condições
podem ser toleradas temperaturas mais elevadas de armazenagem, em conformidade com o disposto no
que as previstas no presente anexo, não podendo n.o 3 do artigo 3.o do Decreto-Lei n.o 170/92, de 8 de
no entanto ultrapassar – 9oC. Agosto.
Além disso, devem ser respeitadas as condições a
seguir enunciadas:
2 — Os produtos frescos a congelar devem satisfazer 4 — Conservas. — No fabrico de produtos da pesca
o disposto no ponto I do presente capítulo. que sejam esterilizados em recipientes hermeticamente
3 — Os locais de armazenagem devem estar equipa- fechados deve velar-se por que:
dos com um dispositivo registador da temperatura, colo-
cado de modo a poder ser facilmente consultado. A a) A água utilizada para a preparação de conservas
parte termossensível do termómetro deve estar colocada seja água potável;
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b) O tratamento térmico seja aplicado segundo um 6 — Salga:


processo válido, definido segundo critérios
importantes, tais como o tempo de aqueci- a) As operações de salga devem ser efectuadas em
mento, a temperatura, o enchimento, o tamanho locais diferentes e suficientemente afastados
dos recipientes, etc., dos quais se manterá um daqueles em que são efectuadas as demais
registo. O tratamento aplicado deve poder des- operações;
truir ou desactivar os germes patogénicos, bem b) O sal utilizado no tratamento dos produtos da
como os esporos dos microrganismos patogé- pesca deve ser limpo e armazenado de modo
nicos. O equipamento de tratamento térmico a evitar a contaminação, não devendo ser
deve possuir dispositivos de controlo destinados reutilizado;
a permitir verificar se os recipientes foram efec- c) As cubas de salmoura devem ser construídas
tivamente submetidos a um adequado trata- de modo a evitar qualquer fonte de poluição
mento térmico; durante o processo de salmoura;
c) Após o tratamento térmico, o arrefecimento dos d) As cubas de salmoura e as zonas destinadas à
recipientes deve ser efectuado com água potá- salga devem ser limpas antes da sua utilização.
vel, sem prejuízo da presença de eventuais adi-
tivos químicos utilizados em conformidade com 7 — Produtos de crustáceos e de moluscos cozi-
as boas práticas tecnológicas, a fim de impedir dos. — Os crustáceos e moluscos devem ser cozidos da
a corrosão da aparelhagem e dos contentores; seguinte forma:
d) Sejam realizados pelo fabricante controlos adi- a) Qualquer cozedura deve ser seguida rapida-
cionais por amostragem, para verificar se os pro- mente por um arrefecimento. A água utilizada
dutos transformados sofreram um tratamento para o efeito deve ser água potável ou água
eficaz, por meio de: do mar salubre. Se não for empregue qualquer
i) Testes de incubação, devendo a incuba- outro meio de conservação, o arrefecimento
ção realizar-se a 37oC durante 7 dias ou deve prosseguir até se atingir a temperatura de
a 35oC durante 10 dias, ou utilizando uma fusão do gelo;
combinação equivalente; b) O descasque deve efectuar-se de modo higié-
ii) Exames microbiológicos do conteúdo e nico, evitando a contaminação do produto. Se
dos recipientes no laboratório do esta- esta operação for feita manualmente, o pessoal
belecimento ou noutro laboratório apro- deve prestar especial atenção à lavagem das
vado; mãos e todas as superfícies de trabalho devem
ser cuidadosamente limpas. Caso sejam utiliza-
das máquinas, estas devem ser limpas com fre-
e) Sejam colhidas amostras da produção diária a quência e desinfectadas após cada dia de tra-
intervalos previamente determinados, para balho. Após o descasque, os produtos cozidos
garantir a eficácia da selagem ou de qualquer devem imediatamente ser congelados ou refri-
outro meio de fecho hermético, devendo para gerados a uma temperatura que não permita
o efeito existir um equipamento adequado para o crescimento dos germes patogénicos e ser
o exame das secções perpendiculares das cra- armazenados em local adequado;
vações dos recipientes fechados; c) O fabricante deve mandar efectuar regular-
f) Sejam efectuados controlos para verificar se os mente controlos microbiológicos da sua produ-
recipientes não estão danificados; ção, nos termos da Decisão da Comissão
g) Todos os recipientes submetidos a um trata- n.o 93/51/CEE, de 15 de Dezembro de 1992,
mento térmico em condições praticamente idên- relativa aos critérios microbiológicos aplicáveis
ticas recebam uma marca de identificação do à produção de crustáceos e moluscos cozidos.
lote, em conformidade com o disposto no
n.o 16.o da Portaria n.o 119/93, de 2 de Fevereiro. 8 — Polpa de peixe. — A polpa de peixe, obtida por
separação mecânica das espinhas, deve ser fabricada nas
5 — Fumagem. — As operações de fumagem devem condições seguintes:
ser efectuadas num local separado ou numa instalação
especial, equipados, se necessário, de um sistema de a) A separação mecânica deve ocorrer imediata-
ventilação que impeça que os fumos e o calor de com- mente após a filetagem, utilizando matérias-pri-
bustão afectem as restantes instalações e locais onde mas isentas de vísceras. Se forem utilizados
são preparados, transformados ou armazenados os pro- peixes inteiros, estes devem ser previamente
dutos da pesca. eviscerados e lavados;
a) Os materiais utilizados para a produção de fumo b) As máquinas devem ser limpas com frequência
destinado à fumagem do peixe devem ser armazenados e, pelo menos, de duas em duas horas;
em local separado do local de fumagem e devem ser c) Após o fabrico, a polpa deve ser congelada o
utilizados de modo a não contaminar os produtos. mais rapidamente possível ou incorporada em
b) Deverá ser proibida a produção de fumo por com- produtos destinados a congelação ou a serem
bustão de madeira pintada, envernizada, colada ou que submetidos a um tratamento estabilizador.
tenha sofrido qualquer tipo de tratamento de preser-
vação química. V — Condições aplicáveis aos parasitas
c) Após a fumagem e antes de serem embalados, os
produtos devem ser arrefecidos rapidamente à tempe- 1 — Durante a produção e antes de estarem dispo-
ratura requerida, para a sua conservação. níveis para o consumo humano, o peixe e os produtos
6472 DIÁRIO DA REPÚBLICA — I SÉRIE-A N.o 272 — 24-11-1998

de peixe devem ser submetidos a um controlo visual, 2) Um controlo destinado a verificar as condições
tendo como objectivo a detecção e a remoção dos para- de desembarque e de primeira venda;
sitas visíveis. Os peixes manifestamente parasitados ou 3) Um controlo dos estabelecimentos em interva-
as partes de peixes manifestamente parasitadas que los regulares, para verificar, em especial:
foram retiradas não devem ser colocados no mercado
para consumo humano, nos termos da Decisão da a) Se as condições de aprovação continuam
Comissão n.o 93/140/CEE, de 19 de Janeiro, que fixa a ser respeitadas;
as modalidades de controlo visual para pesquisa de para- b) Se os produtos da pesca são manipulados
sitas nos produtos da pesca. correctamente;
2 — O peixe e os produtos de peixe enumerados no c) O estado de limpeza dos locais, instala-
n.o 3 e destinados a ser consumidos sem transformação ções e instrumentos, bem como a higiene
devem, além disso, ser sujeitos a um tratamento por do pessoal;
congelação a uma temperatura igual ou inferior a – 20oC d) Se as marcas são apostas correctamente;
no interior do peixe durante um período de, pelo menos,
vinte e quatro horas. Esse tratamento por congelação 4) Um controlo efectuado nos mercados grossistas
deve aplicar-se ao produto cru ou ao produto acabado. e nas lotas;
3 — Os peixes e os produtos de peixe seguintes esta- 5) Um controlo das condições de armazenagem
rão sujeitos às condições enumeradas no n.o 2: e transporte.
a) Peixe a consumir cru, ou praticamente cru, tal
como o arenque jovem maatje; II — Condições específicas
b) As seguintes espécies, se tiverem de ser tratadas 1 — Controlos organolépticos
por um processo de fumagem fria durante o
qual a temperatura no interior do peixe é de a) Sem prejuízo das derrogações previstas no Regu-
menos de 60oC: lamento (CEE) n.o 2406/96, do Conselho, de 26 de
Arenque; Janeiro, relativo à fixação das normas comuns de comer-
Cavalas e sardas; cialização para certos produtos da pesca, cada lote de
Espadilha; produtos da pesca deve ser apresentado à inspecção
Salmões do Atlântico e do Pacífico (sel- hígio-sanitária no momento de desembarque ou antes
vagens); da primeira venda para verificar se estão próprios para
consumo humano. Essa inspecção consiste numa ava-
c) Arenque marinado e ou salgado, sempre que liação organoléptica efectuada por amostragem.
o tratamento aplicado seja insuficiente para b) A inspecção hígio-sanitária será efectuada por
matar as larvas de nemátodos. A presente lista médicos veterinários designados para o efeito pela
pode ser alterada à luz dos dados científicos DGV, na sua qualidade de autoridade sanitária vete-
de acordo com o procedimento comunitaria- rinária nacional, de entre o seu pessoal técnico superior
mente previsto. De acordo com o mesmo pro- ou dependentes de outras entidades às quais a DGV
cesso, são fixados os critérios que devem per- atribua essa função.
mitir os tratamentos considerados como sufi- c) Considera-se que os produtos da pesca que res-
cientes para destruir os nemátodos. peitem, no que se refere às condições de frescura, as
normas comuns de comercialização fixadas em aplicação
4 — Os fabricantes devem assegurar-se de que os pei- do artigo 2.o do Regulamento (CEE) n.o 3796/81, do
xes e os produtos de peixe referidos no n.o 3 ou as Conselho, de 29 de Dezembro, satisfazem as exigências
matérias-primas destinadas ao seu fabrico foram, antes organolépticas necessárias ao cumprimento das prescri-
da sua colocação no consumo, submetidos ao tratamento ções do presente anexo.
referido no n.o 2. d) Caso se verifique que não foi observado o disposto
5 — Os produtos de pesca referidos no n.o 3 devem, no presente diploma, ou quando considerado necessário,
aquando da sua colocação no mercado, ser acompa- a avaliação organoléptica será repetida após a primeira
nhados de um certificado do fabricante que indique o venda dos produtos da pesca.
tipo de tratamento a que foram submetidos. e) Após a primeira venda, os produtos da pesca
devem, pelo menos, satisfazer as exigências de frescura
mínimas fixadas em aplicação do citado anexo.
CAPÍTULO VIII f) Caso a avaliação organoléptica revele que os pro-
dutos da pesca não estão próprios para o consumo
Controlo sanitário e fiscalização humano, devem ser tomadas medidas para a sua retirada
das condições de produção do mercado e desnaturados, de modo a não poderem
I — Princípios gerais ser reutilizados para consumo humano.
g) Caso a avaliação organoléptica revele a menor
A DGV, a DGPA, a IGAE e a DGFCQA, de acordo dúvida acerca da frescura dos produtos da pesca, pode
com as respectivas competências legais, organizarão um recorrer-se aos controlos químicos ou microbiológicos.
sistema regular de controlo e de fiscalização no intuito
de verificar se são observadas as prescrições do presente
anexo. 2 — Controlos parasitários
O referido sistema de controlo e de fiscalização
a) Antes de estarem disponíveis para consumo
incluirá, nomeadamente:
humano e no decurso da inspecção hígio-sanitária, o
1) Um controlo dos navios de pesca, ficando enten- peixe e os produtos de peixe devem ser submetidos a
dido que tal controlo poderá ser efectuado um controlo visual por sondagem, tendo como objectivo
durante a estadia nos portos; a detecção de parasitas visíveis.
N.o 272 — 24-11-1998 DIÁRIO DA REPÚBLICA — I SÉRIE-A 6473

b) O peixe ou as partes de peixe com parasitas evi- CAPÍTULO IX


dentes que foram retirados não devem ser colocados
no mercado para consumo humano. Embalagem
c) As modalidades desse controlo são as estabelecidas 1 — A embalagem deve ser efectuada em condições
na Decisão da Comissão n.o 93/140/CEE, de 19 de
de higiene satisfatórias, por forma a evitar a contami-
Janeiro, que fixa as modalidades de controlo visual para
nação dos produtos da pesca.
pesquisa de parasitas nos produtos da pesca.
2 — Os materiais de embalagem e os produtos sus-
ceptíveis de entrar em contacto com os produtos da
3 — Controlos químicos pesca devem obedecer a todas as normas de higiene,
nomeadamente:
A) Amostras para exames laboratoriais
a) Não devem poder alterar as características orga-
a) Periodicamente, e sempre que achar necessário, nolépticas das preparações e dos produtos da
o inspector hígio-sanitário promoverá a colheita de pesca;
amostras, que serão submetidas a exames laboratoriais b) Não devem poder transmitir aos produtos da
para controlar os seguintes parâmetros: pesca substâncias nocivas para a saúde humana;
i) ABVT (azoto básico volátil total) e NTMA (azo- c) Devem ser de uma solidez suficiente para asse-
to-trimetilamina) — os valores destes parâme- gurar uma protecção eficaz dos produtos da
tros devem ser precisados, de acordo com a pesca.
Decisão n.o 95/149/CEE, de 8 de Março;
ii) Histamina. 3 — O material de embalagem não pode ser reuti-
lizado, com excepção de determinados recipientes espe-
b) Devem ser colhidas nove amostras por cada lote: ciais, de materiais impermeáveis, lisos e resistentes à
corrosão, fáceis de limpar e desinfectar, que podem ser
O teor médio não deve ultrapassar 100 ppm; reutilizados após limpeza e desinfecção. O material de
Duas amostras podem ter um teor superior a embalagem utilizado para os produtos frescos mantidos
100 ppm, mas inferior a 200 ppm; sob gelo deve permitir o escoamento da água de fusão
Nenhuma amostra deve ter um teor superior a do gelo.
200 ppm. 4 — Os materiais de embalagem devem, antes da sua
utilização, ser armazenados numa zona separada da zona
c) Estes limites aplicam-se apenas nos peixes das de produção e devem ser protegidos da poeira e da
seguintes famílias: Scombridae, Clupeidae, Engraulidae contaminação.
e Coryphamidae. No entanto, os peixes dessas famílias
que foram submetidos a um tratamento de maturação CAPÍTULO X
enzimática em salmoura podem ter teores de histamina
mais elevados mas que não ultrapassem o dobro dos Identificação
valores acima indicados. As análises devem ser reali-
zadas com métodos fiáveis e cientificamente reconhe- 1 — Sem prejuízo do disposto na Directiva
cidos, como o método de cromatografia líquida de alta n.o 79/112/CEE e legislação complementar nacional,
resolução (HPLC). deve ser possível identificar, para efeitos de inspecção,
a origem dos produtos da pesca, colocados no mercado,
através da marcação ou dos documentos de acom-
B) Contaminadores presentes no meio aquático panhamento.
2 — Para o efeito devem figurar na embalagem ou,
1 — Sem prejuízo da regulamentação comunitária no caso dos produtos não embalados, nos documentos
relativa à protecção e à gestão das águas, nomeadamente de acompanhamento as seguintes indicações:
no que respeita à poluição do meio aquático, os produtos
da pesca não devem conter nas suas partes comestíveis a) O país de expedição, que pode ser indicado por
contaminadores presentes no meio aquático, tais como extenso ou pelas iniciais do país expedidor em
metais pesados e substâncias organo-halogénicas numa maiúsculas, ou seja, para a Comunidade as
quantidade tal que faça com que a ingestão alimentar letras: B — DK — D — EL — E — F — IRL —
calculada exceda as doses diárias ou semanais admis- — I — L — NL — AT — P — FI — SE —
síveis para o homem. UK;
2 — Para efeitos do disposto no número anterior, b) A identificação do estabelecimento ou do navio-
deve ser estabelecido pela DGV um plano de fiscali- -fábrica pelo número de controlo veterinário ou
zação para controlar a taxa de contaminação dos pro- no caso de colocação no mercado a partir de
dutos da pesca por contaminadores. um navio congelador abrangido pelo n.o 7 do
ponto III do capítulo IV deste anexo, através do
C) Metais pesados número de identificação do navio ou no caso
de colocação no mercado a partir de uma lota
No caso do mercúrio, deverá ser observado o esti- ou de um mercado grossista pelo número de
pulado na Decisão da Comissão n.o 93/351/CEE, de 19 registo previsto no ponto 1 do artigo 3.o do pre-
de Maio, que fixa os métodos de análise, os planos de sente diploma;
colheita de amostras e os teores máximos de mercúrio c) Uma das siglas seguintes: CE — EC — EG —
para os produtos da pesca. EK — EF — EY.
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Estas informações devem ser perfeitamente legíveis Decreto-Lei n.o 376/98


e estar reunidas na embalagem num espaço visível do
exterior sem que seja necessário abrir a referida emba- de 24 de Novembro
lagem. Considerando a necessidade de definir a represen-
3 — Os produtos elaborados antes da data da entrada tatividade das organizações profissionais que pretendam
em vigor deste diploma não são abrangidos pelo mesmo.
aderir às organizações interprofissionais;
Tendo em conta as inovações que a Lei n.o 123/97,
CAPÍTULO XI de 13 de Novembro, que estabelece as bases do inter-
profissionalismo agro-alimentar, introduziu na estrutura
Armazenamento e transporte associativa vigente no domínio da concertação entre as
1 — Os produtos da pesca devem durante a arma- diferentes categorias profissionais implicadas na produ-
zenagem e o transporte ser mantidos às temperaturas ção, transformação e comercialização dos produtos
fixadas pelo presente anexo e, em especial: agro-alimentares;
Assim:
a) Os produtos da pesca frescos ou descongelados, Ao abrigo do disposto na alínea d), i), do n.o 1 do
bem como os produtos de crustáceos e de molus- artigo 4.o da Lei n.o 123/97, de 13 de Novembro, e na
cos cozidos e refrigerados, devem ser mantidos alínea a) do n.o 1 do artigo 198.o da Constituição, o
à temperatura do gelo fundente; Governo decreta o seguinte:
b) Os produtos da pesca congelados, com excepção
do peixe congelado em salmoura e destinado
ao fabrico de conservas, devem ser mantidos Artigo 1.o
a uma temperatura estável de – 18oC ou inferior,
em todos os pontos do produto, eventualmente Objecto
com breves subidas de 3oC, no máximo, durante
O presente diploma estabelece a representatividade,
o transporte; os produtos transformados devem
por fileira agro-alimentar e para cada estádio dessa
ser mantidos às temperaturas especificadas pelo
fabricante ou, sempre que as circunstâncias o fileira, das organizações de âmbito nacional ou de
exigirem, fixadas de acordo com o processo âmbito regional ou local para aderirem às organizações
comunitariamente previsto. interprofissionais quando estiver em causa um produto
específico.
2 — Sempre que os produtos da pesca congelados Artigo 2.o
forem transportados de um armazém frigorífico para
um estabelecimento autorizado para aí serem descon- Definições
gelados à chegada com vista a uma preparação e ou
uma transformação e a distância a percorrer não exceder Para efeitos do presente diploma entende-se por:
50 km ou uma hora de trajecto, a autoridade competente a) Estádio — cada uma das fases da fileira das
pode conceder uma derrogação às condições da alínea b) estruturas profissionais;
do n.o 1. b) Fileira — disposição numa mesma linha das
3 — Os produtos não podem ser armazenados nem estruturas profissionais que exerçam a activi-
transportados com outros produtos susceptíveis de afec- dade de produção, transformação ou comercia-
tar a sua salubridade ou de os contaminar sem terem lização de um produto ou grupo de produtos
sido embalados de modo a garantir uma protecção
agro-alimentares ou afins;
satisfatória.
4 — Os veículos utilizados para o transporte dos pro- c) Organização — associação profissional de pro-
dutos da pesca devem estar concebidos e equipados de dutores ou operadores, de empresas de trans-
modo que as temperaturas exigidas pelo presente anexo formação ou comercialização de um produto ou
possam ser mantidas durante todo o período do trans- grupo de produtos agrícolas;
porte. Se for utilizado gelo para a refrigeração dos pro- d) Produto específico — coisa produzida qualita-
dutos, deve ser assegurado o escoamento da água de tivamente idêntica que, pelas suas características
fusão de modo a evitar que a água em causa permaneça comuns, se distingue das outras do mesmo
em contacto com os produtos. O acabamento das super- género.
fícies interiores dos meios de transporte deve ser de Artigo 3.o
molde a não prejudicar a salubridade dos produtos da
pesca, devendo as superfícies interiores ser lisas e fáceis Regime de adesão
de limpar e desinfectar.
5 — Os meios de transporte utilizados para os pro- As organizações referidas no artigo 1.o, quando estiver
dutos da pesca não podem ser utilizados para o trans- em causa um produto específico, têm direito a entrar
porte de outros produtos susceptíveis de afectar ou con- nas organizações interprofissionais que na área da sua
taminar os produtos da pesca, excepto se uma limpeza actividade representem as respectivas categorias pro-
em profundidade seguida de uma desinfecção puderem fissionais, desde que reúnam o número mínimo de pro-
fornecer todas as garantias de não contaminação dos dutores e ou operadores previsto no anexo ao presente
produtos da pesca. diploma.
6 — Os produtos da pesca não podem ser transpor-
Artigo 4.o
tados em veículos ou contentores que não estejam lim-
pos e que deveriam ter sido desinfectados. Pedido de adesão
7 — As condições de transporte de produtos da pesca
colocados no mercado no estado vivo não devem ter O pedido de adesão da organização à organização
um efeito negativo sobre esses produtos. interprofissional deve ser acompanhado da acta da