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FACULDADE DO MÉDIO PARNAÍBA - FAMEP

DISCIPLINA: TEORIA DO CONHECIMENTO E FILOSOFIA DA
CIÊNCIA
PROF: AMANDA MENDES DE ANDRADE
CURSO: BACHARELADO EM SERVIÇO SOCIAL
POLO: COROATÁ-MA
ALUNAS: VALDETE AUSTRÍACO PEREIRA

FUNDAMENTOS DA FILOSOFIA, HISTORIA E GRANDES TEMAS.
TEMA: EXISTENCIALISMO

VALDETE AUSTRÍACO PEREIRA
SILVIA GORETH MELO
ALINE

COROATÁ 29 DE AGOSTO DE 2015

que popularizaram o termo e as ideias escrevendo. o homem. isto é. na condição de existência humana. Um atleta que sofre um acidente e . Ter de escolher a todo instante é angustiante. da busca de sair desse tédio existencial e sobre a realização de escolhas livres. Como o próprio nome diz. em sua liberdade. Assim. Outra característica da condição humana é o desespero. Simone de Beauvoir e Albert Camus. o filósofo alemão Martin Heidegger (1889-1976) desenvolveu sua ideia de Dasein. e Albert Camus (1913-1960). filósofo francês. Se a condição humana é esta. filósofo argelino. mas que ele constitui a sua essência na sua existência. isto é. romances e peças de teatro. o homem não é um ser abstrato ou uma substância. em meados de 1940. o conjunto de doutrinas existencialistas tem foco na existência. dessa ampla possibilidade de escolher e ser responsável por cada escolha. escolhe para definir sua natureza. com Jean-Paul Sartre (19051980). O existencialismo francês do pós-guerra ficou popularizado em razão da obra de Jean-Paul Sartre. Influenciado por Kierkegaard. O termo “existencialismo” foi cunhado somente no século XX por Gabriel Marcel. mas uma existência presente. filósofo francês. que a existência vem antes da essência. O tema da existência humana foi trabalhado por diversos pensadores. Aquilo que nos torna quem somos pode ser perdido e nos deixar em desespero. Para ele. Significa que não existe uma essência humana que determine o homem. Escreveu sobre a aparente falta de sentido da vida. ele terá de escolher o que quer ser e efetivar sua vontade agindo. em primeiro lugar. além de textos teóricos. XIX pelo filósofo dinamarquês Søren Kierkegaard (1813-1855). Nessa condição na qual o homem existe e sua vida é um projeto.Para Kierkegaard o existencialismo representa uma corrente filosófica cujas doutrinas focam a condição de existência humana O existencialismo é o nome dado à corrente filosófica iniciada no séc. Essa força nos anos pós-guerra tem muito a ver com a recuperação de conceitos como liberdade e individualidade. escolhendo. então o homem vive numa angústia existencial. pois cada escolha irá refletir diretamente no que se é. mas é Kierkegaard que faz das perguntas existenciais o foco de sua pesquisa filosófica. O pensamento existencialista defende. visto que o homem é livre. A angústia é o reflexo da liberdade humana. Esta construção da essência se dá a partir das escolhas feitas. um Dasein (do alemão: Ser-aí). O auge do pensamento existencialista ocorre na França.

escolhemos. lançados no mundo. Rússia. Fé cristã e existencialismo O existencialismo não é uma simples escola de pensamento. e continuam a exibir vitalidade no mundo filosófico e literário contemporâneo. Pascal era católico. combatendo assim os ideais hegelianos. mas a . c'est les autres". pois o homem precisa de coisas externas.[25] Sartre realmente não acreditava em força divina. desculpas ou a quem culpar por nossas escolhas. reflectindo o absurdo do mundo e da barbárie injustificada. para se sentir quem ele é. religiosos. O que somos ou o que fazemos não é produto de nossa infância. um protestante radical marcado pelo ríspido antagonismo com a igreja luterana. depois da "morte de Deus" (Friedrich Nietzsche). Porém. de impotência e de injustificabilidade das acções. que se manifesta nas principais obras desta corrente em que o filosófico e o literário se conjugam. senão a maioria. de nossa criação. do destino ou da divindade. antecessor do Existencialismo. também estamos desamparados. para nos inventar. Kierkegaard. não temos muletas. mesmo vivendo sem o desespero. As principais temáticas abordadas sugerem o contexto da sua aparição (final da Segunda Guerra Mundial). dos existencialistas terem sido ateístas. Assim. Relação com a religião Apesar de muitos. em toda a sua natureza.fica incapacitado de competir certamente entraria em desespero. encontra seu caminho dentro da Filosofia ao rebater os conceitos de Aristóteles ainda presentes nas teorias da época. pois não há nada anterior à nossa existência para definir o que somos. os autores Søren Kierkegaard. o homem está vivendo num constante desespero. Pascal e Kierkegaard eram cristãos dedicados. Sartre não foi criado sem religião. é questionada: quem somos? O que fazemos? Para onde vamos? Quem nos move? É esta consciência aguda de abandono e de solidão (voluntária ou não). Karl Jaspers e Gabriel Marcel propuseram uma versão mais teológica do existencialismo. Ajuda a entender que muitos dos existencialistas eram. Com isto. isto é. ["O inferno são os outros"]. Não há desculpas e justificativas para nossas ações. o que lhes confere um determinismo providencial e retira das mãos do homem sua liberdade individual. principalmente sua crença na submissão de todos os fenômenos às leis naturais. o existencialismo é o conjunto de ideias que coloca no ser humano a responsabilidade por se construir e por seus atos. Dostoiévski eragreco-ortodoxo. Estamos sozinhos. toda existência humana está em desespero. a ponto de ser fanático. de fato. livre de qualquer e toda forma de fé. corolários óbvios de vidas largadas ao abandono. A existência humana. na véspera da Segunda Guerra Mundial. Paralelamente. Mas. surgem temáticas como o silêncio e a solidão. Kafka era judeu. temos a angústia de escolher e o desespero de perder tudo. Um tema abordado por Sartre é bem interessante. O ex-marxista Nikolai Berdyaev desenvolveu uma filosofia do Cristianismo existencialista na sua terra natal. Soren Aabye Kierkegaard. das situações e das relações quotidianas ("L'enfer. Somos livres. o desamparo. e mais tarde na França. Jean-Paul Sartre). Temáticas Os temas existencialistas são férteis no terreno da criação literária. que ele não controla. nomeadamente na literatura francesa.

o "nada fazer". Ele acreditou que a religião organizada. a fim de não errar e gerar culpa. por que os homens sofrem? Se não existe e a vida é absurda em si mesma. E quanto à Igreja. você vive uma vida miserável. pela qual você pode ou não ser recompensado por uma força maior. Arriscar-se. Nietzsche a condenava. incluindo a de sua companheira.Segunda Guerra Mundial e o constante sofrimento no mundo levou-o para longe da fé. a escolha de não agir. já é uma escolha. nos abstemos de fazer as escolhas necessárias. Ele argumentou que provar a existência de um criador não era possível nem importante. por si só. você sempre vai se deteriorar e morrer. dessa forma. pela alma. Se essa força existe. Muitos existencialistas acreditam que a grande vitória do indivíduo é perceber o absurdo da vida e aceitá-la. frente a essa liberdade de eleição. uma jornada pessoal que o ser deve empreender em busca de si mesmo. é uma tarefa árdua. especialmente a Igreja Católica. Resumindo. Nietzsche e Heidegger são alguns dos filósofos que mais influenciaram o existencialismo. evitando os riscos. . a "ironia" é a de que não importa o quanto você faça para melhorar a si ou aos outros. de acordo com várias biografias. Se sim. as decisões são guiadas pelo pensamento. para ele. a fé defende o indivíduo e guia as decisões com um conjunto rigoroso de regras em algumas vertentes cristãs e em outras como o espiritismo. era contra qualquer poder de ganho ou autoconfiança sem consentimento. Nietzsche se referia à vida como única entidade que carecia de louvor. por que não cometer suicídio e encurtar seu sofrimento? Essas questões apenas insinuam a complexidade do pensamento existencialista. Nietzsche usou o termo rebanho para descrever a população que segue a Igreja de boa vontade. Para os ateus. Os existencialistas perguntaram-se se havia um Criador. pois a liberdade implica fazer escolhas. Liberdade Com essa afirmação vemos o peso da responsabilidade por sermos totalmente livres. E. A escolha de adiar a existência. o ser humano se angustia. procurar a autenticidade. Muitos de nós ficamos paralisados e. Para os existencialistas cristãos. qual é a relação entre a espécie humana e esse criador? As leis da natureza já foram pré-definidas e os homens têm que se adaptar a elas? Kierkegaard. Nietzsche foi sobretudo um crítico da religião organizada e das doutrinas de seu tempo. é uma tônica na sociedade contemporânea. as quais só o próprio indivíduo pode fazer. argumentando que provar a existência de uma única e suprema entidade é uma atividade inútil. Porém. Os dois primeiros se preocupavam com a mesma questão: o que limita aação de um indivíduo? Kierkegaard chegou à possibilidade de que o cristianismo e a fé em geral são irracionais. a "não ação". Prova disso é o eterno retorno em que ele afirmava que o homem deveria viver a vida como se tivesse que vivê-la novamente e eternamente. Simone de Beauvoir.

falando-se metaforicamente. Franz Kafka. o que acontece. As regras sociais são o resultado da tentativa dos homens de planejar um projeto funcional. Fiódor Dostoiévski e muitas das obras literárias de Jean-Paul Sartre e Albert Camus contêm descrições de pessoas que encontraram o absurdo do mundo. O absurdo A noção do absurdo contém a ideia de que não há sentido a ser encontrado no mundo além do significado que damos a ele. . parece que a liberdade e a escolha pessoal são as sementes da miséria. e pode muito bem acontecer a uma pessoa "boa" como a uma pessoa "ruim". Encontramos essas críticas em O Anticristo. O indivíduo versus a sociedade O existencialismo representa a vida como uma série de lutas. Seguir ordens é fácil. qualquer coisa pode acontecer a qualquer um. genocídios em massa podem ser entendidos. para o mundo. As pessoas estavam apenas fazendo o que lhe foi dito. fundamentos que só contribuíam para o afastamento da vida. Albert Camus estudou a questão do "absurdo" em seu ensaio O Mito de Sísifo. quanto mais estruturada a sociedade. acontece.dentre os inteligentes o pior era o padre. Os existencialistas explicam por que algumas pessoas se sentem atraídas à passividade moral baseando-se no desafio de tomar decisões. Se a ordem não é lógica. O indivíduo é forçado a tomar decisões que reforçam suas características de ser racional: pensar. as guerras podem ser explicadas. não é o soldado que deve questionar. Ou seja. Esta falta de significado também engloba a amoralidade ou "injustiça" do mundo. não há tais coisas como: "pessoa boa" e/ou "uma coisa má". A noção do absurdo tem se destacado na literatura ao longo da história. em qualquer ponto do tempo. mais funcional ela deveria ser. A maldição do livre arbítrio foi de particular interesse dos existencialistas teológicos e cristãos. Deste modo. Por conta do absurdo do mundo. Isto contrasta com as formas "cármicas" de pensar em que "as coisas ruins não acontecem para pessoas boas". Søren Kierkegaard. requer pouco esforço emocional e intelectual fazer o que lhe mandam. Nas obras de alguns pensadores. pois conseguia incutir nos pensamentos do rebanho. questionar. e um acontecimento trágico poderia cair sobre alguém em confronto direto com o Absurdo.