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EEDL: Equipamento para Ensaio Dinâmico de Lastro (f)

Fernando Abecê - Universidade Federal OP - Ouro Preto - Brasil - fernandoabece@gmail.com

Gilberto Fernandes - Universidade Federal OP - Ouro Preto - Brasil - gilberto@em.ufop.br

Wellington Pereira - Empresa Vale - Belo horizonte - Brasil - wellington.luiz@vale.com Robson DalCol - Universidade Federal OP - Ouro Preto - Brasil - nunesdalcol@yahoo.com.br Bruno Gomes - Universidade Federal OP - Ouro Preto - Brasil - brunogomes30@hotmail.com Jéssica Prata - Universidade Federal OP - Ouro Preto - Brasil - jessicapufop@hotmail.com Lucas Gomes - Universidade Federal OP - Ouro Preto - Brasil - lucasfvgomes@yahoo.com.br Pedro Teixeira - Universidade Federal OP - Ouro Preto - Brasil - pedromarquest@hotmail.com

RESUMO. O equipamento visa reproduzir as ações que solicitam o lastro em uma via permanente ferroviária, incluindo todas as variáveis que provocam alterações no material, vistas em intervalos de tempo muitas vezes menor que em tempo real. O monitoramento se estenderá às camadas de subleito, sublastro e lastro, além das deformações experimentadas pelo trilho e pelo dormente. O dimensionamento das camadas elásticas e especificações de materiais e proto-equipamentos e sensores envolverão: especificação dos materiais das camadas elásticas de lastro e sublastro e subleito; caracterização completa do agregado para o lastro conforme Norma de Lastro Padrão (ABNT); dimensionamento de pórtico metálico estruturado (capaz de dar suporte às cargas do sistema de carregamento que simulará a via permanente ferroviária real); dimensionamento do ambiente / recipiente metálico com o sistema de carregamentos cíclicos; especificações dos sensores eletrônicos (células de pressão, LVDT - transdutores precisos para deslocamentos lineares -, Strain Gauge - medidores de deformações de materiais -, medidores / sensores para registro das variações internas, nas camadas elásticas, da umidade e temperatura); especificação de sistemas com softwares dedicados para coleta sistemática de dados com datalogger para até 64 canais; além

das especificidades do mecanismo servo-controller hidráulico que deverá reproduzir a tensão

existente no contato roda-trilho, com competência para a repetição cíclica desejada. Essa instrumentação, com a análise devida de dados obtidos deverá permitir o entendimento de: a maneira como o agregado através de sua angularidade e porosidade pode interferir nos ensaios; o desempenho estrutural e o potencial de contaminação e a verificação de rigidez de uma camada de lastro; a resistência dos materiais avaliados com a durabilidade de um pavimento ferroviário; o comportamento mecânico do material do lastro amostrado em várias faixas granulométricas enquanto submetido a carregamentos similares aos aplicados em situação real, inter-relacionados com resultados oriundos de outros ensaios; diferença entre o comportamento mecânico de um lastro constituído de faixa granulométrica bem distribuída e outro com faixa contínua, e alternando-se, também, os eixos de carregamento.

PALAVRAS-CHAVE: lastro ferroviário, ensaio dinâmico de lastro, carregamento cíclico

1

INTRODUÇÃO

disponíveis (financiamentos PAC, investi- mentos pelo capital externo); uma relação tipo

O

setor ferroviário brasileiro vive, na

grande parte da opinião pública namorando

atualidade, uma conjunção de fatores bastante relevante tendente à inovação tecnológica - avidez por infra-estrutura (termo que parece funcionar como uma senha, despertando ambições, no bom sentido); disposição

transporte sobre ferrovia (como se este tipo de transporte fosse uma invenção dos dias de ontem). No funcionamento de uma ferrovia - com a parte principal denominada VPF (Via

política governamental totalmente penhorada

Permanente Ferroviária) -, destaca-se o

em

seu favor; recursos financeiros largos e

contacto roda/trilho, caracterizado pelas sub-

superfícies aço/aço e assentados sobre uma plataforma, infra-estrutura indispensável ao conjunto; nesta destaca-se o que possui importância mais significante, denominado lastro da ferrovia. Então, dadas a premência e a significância, trabalhar e investigar lastro de ferrovia torna-se quase imposição; contando- se com financiamento adequado, o resultado se torna bastante valioso. Segundo o que foi preceituado por Stopatto (1987), o entendimento acerca de qualidade de uma ferrovia não pode desvin- cular-se do que se entende por qualidade do lastro e conformação da sua espessura. Para que o lastro possa apresentar desempenho satisfatório, deve cumprir as funções seguin- tes, segundo o entendimento de Muniz da Silva (2002):

decorrente da socaria na operação de manutenção da via. De acordo com Salim, W. (2004), os lastros apresentam uma elasticidade média, embora a deformação plástica acumulada sob o carregamento cíclico seja evidente. Várias pesquisas busca- ram determinar o módulo resiliente do lastro sob efeito dinâmico e poucas trabalharam na modelagem da deformação plástica do lastro associada com a carga cíclica. No território brasileiro a execução de lastro ferroviário obedece, invariavelmente, à caracterização física (do agregado pertinente) especificada pela Norma de Lastro Padrão - NBR 5564/2011 -, e os ensaios competentes, além da coadjuvação de algumas outras poucas NBRs.

1- resistir a forças verticais, laterais e longitudinais, a fim de manter a VPF em

2

MATERIAIS

condições operacionais; 2- dotar a VPF de resiliência adequada; 3- possuir vazios, em tamanho e volume, suficientes para alojar materiais finos de contaminação (por quebra) e permitir a movimentação destas partículas finas; 4- facilitar a recomposição da geometria da VPF, principalmente por equipamentos mecânicos, na reposição do lastro e/ou no seu recondicionamento;

As especificações para lastro baseiam-se em ensaios de qualificação em função das propriedades de resistência, das propriedades geométricas e de um terceiro conjunto de propriedades, considerado de relevância. Segundo a norma NBR 5564, os resultados dos ensaios normalizados, no material a ser utilizado no lastro de uma VPF, têm que satisfazer aos limites:

5- possuir e manter alta capacidade

-

massa específica aparente (mínima) -

drenante;

2.500 kg/m 3

6- reduzir as tensões, principalmente na

-

absorção de água (máxima) - 0,8%

região de apoio dos dormentes, a níveis

-

porosidade aparente (máxima) - 1,5%

compatíveis com a capacidade de suporte do

-

resistência ao desgaste (ALA), máxima -

subleito;

30%

7- inibir o crescimento de vegetação (ruinoso para a capacidade drenante,

- resistência ao choque (índice de tenacidade Treton, máximo) - 25%

resiliência e condições de rolamento da VPF);

-

resistência à compressão simples axial

8- diminuir a propagação sonora dos

(mínima) - 100 MPa

ruídos causada pelas composições;

- teor de argila (máximo) - 0,5%

9- manter adequada resistência elétrica

- teor material pulverulento (máx.) - 1%

entre os trilhos;

- tolerância a elementos lamelares - 10%

10- facilitar a conservação, remodelação e

- teor de fragmentos macios e friáveis

renovação da VPF.

(máximo) - 5%

No caso das condições brasileiras, o lastro

-

resistência à intempérie, perda de peso

possui forte predomínio na responsabilidade

(máxima) - 10%

pelo nível de resiliência e pelo acúmulo de

-

forma do agregado - cúbica.

recalques do pavimento da ferrovia. As principais razões para isto são as elevadas tensões impostas ao lastro e o afofamento

limite massa unitária estado solto - 1,25 kg/dm 3

-

2.1 Distribuição granulométrica

O material para lastro deverá apresentar granulometria tal que as percentagens acumu- ladas, em peso, nas peneiras de malhas quadradas de aberturas nominais, em milí- metros, satisfaçam aos limites especificados pela Norma de Lastro Padrão, faixa A ou faixa B. A distribuição utilizada, curva especi- ficada a seguir (Tabela1), obedece ao padrão A da ABNT:

Tabela 1 - Faixa e curva granulométricas - Valores

#

peneiras

76,00

63,50

50,80

38,00

(mm)

(3")

(2 1/2 ")

(2")

(1 1/2 ")

%

em massa

0 -

0 -

0 -

30 -

(acumulada)

0

0

10

65

Granulometria

 

(curva) (%)

0,0

2,5

5,0

45,0

#

peneiras

25,40

19,00

12,50

9,50

(mm)

(1")

(3/4")

(1/2")

(3/8")

%

em massa

85 -

---

95 -

100 -

(acumulada)

100

100

100

Granulometria

 

(curva) (%)

90,0

95,00

97,0

100,0

Os limites para a faixa A estabelecem uma região (ou faixa) de distribuição granulo- métrica, aonde a curva representativa da distribuição granulométrica a ser ensaiada deva lhe ser interna:

granulométrica a ser ensaiada deva lhe ser interna: Figura1 - Reprodução esquemática de região delimitada

Figura1 - Reprodução esquemática de região delimitada por padrão de granulometria

2.2 Lastro Ferroviário sob cargas cíclicas

Selig, E. e Waters, J. (1994) registraram os resultados encontrados com os ensaios de uma caixa especial para acondicionamento de lastro, desenvolvida na Universidade de Massachusetts, simulando as condições de uma VPF e sob a ação de carregamento

repetido; indicaram como principais ocor- rências significativas do ensaio: quebra de grãos do agregado utilizado como lastro, mudanças na rigidez da camada de lastro e tensões residuais na camada de lastro. Jeffs, T. (1989) apresentou estudos de

laboratório, concluindo que a angularidade do agregado do lastro é o parâmetro de controle mais importante para as deformações plás- ticas, superando outros aspectos como diâme- tro máximo, uniformidade granulométrica e

durabilidade.

Fernandes, G. (2005) já advogava a experimentação de grupos de agregados com

granulometria mais fina na utilização de

lastro, em substituição aos grupos prescritos pela norma brasileira; experimentações em modelos de laboratórios com uso de carregamentos cíclicos; indicava, então, a

quase certa melhoria do comportamento

rígido da VPF e da quebra de grãos do lastro e

da alteração das tensões residuais. Várias pesquisas na literatura técnica reportam a experiência teórica mundial sobre modelos para representar a deformação do lastro sob cargas cíclicas. Embora muitos estudos tenham sido conduzidos utilizando-se recipientes de paredes rígidas, móveis ou imóveis, ((Eisenmann et al., (1975), in Salim, 2004, modificado; Raymond, G. e Bathurst,

R. (1984); Indraratna, B. e Salim, W. (2002);

Salim, W. (2004); ; Lim, W. (2004); Ionescu,

D.

(2004); Nurmikolu, A. (2005); Indraratna,

B.

et al. (2006); Bhanitiz, A. (2007); entre

outros); a preocupação maior residiu em de- terminações dos aspectos do comportamento resiliente e associações com a introdução de geossintéticos. A pesquisa em questão intenta a utilização de uma caixa de testes metálica, construída e estruturada para utilização permanente, no interior da qual será montado uma seção ferroviária-teste constituída de dormente, trilho, lastro (pedregulho, brita), sublastro (solo arenoso) e subleito (argila compacta) e aparato eletrônico competente e conveniente (todos os sensores e data- loggers); ainda, fazer uso de paredes laterais móveis, auxiliadas por um sistema de amor- tecedores, idealizando-se, desta forma, uma modelagem física mais real do problema; com um servo-controler hidráulico reproduzindo

carregamento variável, em verdadeira grande- za, a carga de cada contato roda/trilho (100 a 200 kN), fonte dos carregamentos cíclicos.

3 OBJETIVOS DA INVESTIGAÇÃO

● Investigar variadas faixas granulométricas de agregados, enquanto material de lastro ferroviário, sob os efeitos de várias alterna- tivas para carregamento dos eixos, no contato roda-trilho, quanto às características geotéc- nicas do pavimento ferroviário (rigidez, resis- tência a impactos, abrasão, deformabilidade, porosidade, capacidade de suporte, resiliência, influência do estado de tensões);

consolidar metodologia de experimen-

tação simulada com a utilização do equipa- mento, para lastro ferroviário, em escala de tempo reduzido, utilizando como padrão as

especificidades inerentes a VPF da EFVM / Vale;

analisar, sistematicamente, o compor-

tamento mecânico do agregado para lastro ante as ações de carregamentos cíclico varia- dos, em condições de contorno diferentes (variação dos materiais de sublastro, trilho e

dormente, faixas de britagem versus adição de cargas diferentes, percolação de água na seção ferroviária teste, contaminação por finos originados no agregado);

comparar o estudo com o simulador,

com os registros históricos em escala real (EFVM), estabelecendo-se correlações entre os tipos de carregamento e os efeitos no tamanho do agregado, além do potencial de quebra frente ao crescimento dos carre- gamentos.

4 ESPECIFICIDADES E DIMENSIO- NAMENTOS

Para viabilizar e atingir os objetivos projetou- se, dimensionou-se e executou-se o EEDL(f) - Equipamento para Ensaio Dinâmico de Lastro (ferroviário), com o propósito principal de analisar o comportamento mecânico de faixas granulométricas de agregados, utilizadas em lastros ferroviários submetidos a carrega- mentos cíclicos. Esse equipamento terá que

reproduzir as tensões que solicitam a camada do lastro em uma VPF, incluindo todas as

variáveis que provocam alterações no material, vistas em intervalos de tempo de até vinte vezes menor que em tempo real. O monitoramento se estenderá às camadas de subleito, sublastro e lastro, além das defor- mações experimentadas pelo trilho e dor- mente.

A execução do equipamento demandou:

a) especificação e dimensionamento das

camadas elásticas:

- subleito e sublastro (utilização do dimensionamento padrão - espessura, tipos de

solos, índices de Atterberg, experimentações);

- lastro (caracterização completa do agre-

gado para lastro, conforme Norma de Lastro Padrão;

b) especificações e/ou caracterizações dos

materiais e proto-equipamentos:

- chapa de aço para execução da caixa de

testes (ambiente / recipiente metálico capaz de

dar suporte ao sistema de carregamentos cíclicos);

- perfil de aço laminado para execução do

pórtico estruturado (competente para suportar as cargas do sistema de carregamentos que

simulará a VPF real); c) especificações dos sensores eletrônicos para registros precisos das alterações das

camadas e das tensões distribuídas nas cama- das e nos materiais:

- células de pressão;

- LVDT - transdutor para medições de deslocamentos lineares mínimos -;

- strain gauge - medidor de deformações de materiais metálicos em aço;

- strain gauge - medidor de deformações em solos;

- sensores (para registrar as variações

internas, nas camadas elásticas, da umidade e da temperatura);

d) especificação de sistemas dedicados de

software para coleta sistemática de dados, com DataLogger para até 64 (sessenta e quatro) canais; e) especificações do mecanismo servo- controller hidráulico, que deverá reproduzir a carga existente em cada contato roda-trilho, com competência adequada para a repetição cíclica desejada.

O equipamento reproduzirá a força-peso equivalente ao de uma roda da composição ferroviária real, no contato roda-trilho, impondo ao lastro o comportamento usual- mente assumido na VPF. Cumprido o número de ciclos planejado, sob uma freqüência pré- determinada, o material de lastro será retirado do equipamento e ensaiado em laboratório para se conhecer as modificações de granulo- metria, da forma do pedregulho, a quantidade de finos desprendida pelo agregado e a modi- ficação do nível de resiliência. A camada de lastro terá monitoramento em termos de umidade, temperatura, rigidez, resistência mecânica e perda de flexibilidade; esses parâmetros serão obtidos com o gerencia- mento das indicações fornecidas pelos senso- res eletrônicos. Além da camada de lastro, o monitoramento se estenderá às camadas de sublastro e subleito (camadas elásticas de solos, situadas sob a camada de lastro, compondo a plataforma da VPF) e, ainda, se estenderá às deformações sofridas pelo trilho (que retransmitirá as tensões produzidas pelo EEDL ao dormente, e este à camada de lastro, com o conjunto trilho / dormente assentado devidamente sobre essa camada).

O estudo de uma VPF em simuladores, que

em alguns casos se pode denominar, também, de "escala reduzida" (em que pese o fato de que o que se pretende neste caso é tão somen- te a redução do intervalo de tempo, e nenhu- ma outra variável ou grandeza), propicia o balizamento de algumas variáveis que, em escala real, são muito difíceis de controlar ou logística e economicamente, quase impos- sível: i) locação quase perfeita da seção carre- gada; ii) controle e incremento de tensões em níveis desejados e controlados; iii) estabele-

cimento de correlações matemáticas diversas (deformação x “N”, tensão x deformação, tensão x deslocamento etc.); além do que, ainda torna-se possível, com relativa facili- dade, a substituição parcial ou total dos mate- riais ensaiados (notadamente, os que afetam diretamente a estrutura da camada de lastro), e a inclusão de faixas granulométricas distintas a medida que se altere o eixo padrão de carregamento.

O EEDL(f), esquematicamente mostrado a

seguir (Figura 2), coadjuvado por foto recen- te do equipamento (Figura 3), consiste de:

por foto recen- te do equipamento (Figura 3), consiste de: Figura 2 - Corte esquemático -

Figura 2 - Corte esquemático - EEDL(f)

uma caixa metálica rígida, de 1000 x

1000 x 1000 mm, para a preparação das camadas de subleito, sublastro e lastro do

pavimento ferroviário; ● sistema de reação para as cargas a serem aplicadas;

● placa rígida para carregamento da

superfície do pavimento, simulando o carregamento advindo de uma composição

ferroviária, com carga por eixo variando entre 200 e 400 kN;

● sistema servo-controller hidráulico para aplicação de carregamentos de roda com

intensidade e freqüência pré-estabelecidas; ● conjunto de instrumentos para monitoramento de forças, deslocamentos, cargas e tensões relevantes para o estudo;

● sistema de aquisição de dados e

gerenciamento dos registros dos dados, e administração de resultados dos diversos instrumentos. A tensão vertical cíclica será aplicada pelo MSCH (o mecanismo servo-controller hidráu- lico), de forma a ser retransmitida ao arranjo trilho-dormente e, em certa profundidade, ao lastro. Células de pressão, posicionadas na interface lastro-sublastro, e nas paredes late- rais da caixa de teste, na região ocupada pelo sublastro, permitirão o monitoramento das tensões transmitidas às camadas elásticas. Analogamente, placas de recalque com suas bases posicionadas a essas mesmas profundidades possibilitarão medir deforma-

ções e recalques verticais tanto do lastro como do dormente.

e recalques verticais tanto do lastro como do dormente. Figura 3 - Foto recente (fevereiro 2012)

Figura 3 - Foto recente (fevereiro 2012) do EEDL

4.1 Montagens específicas - locais de po-

sicionamento dos sensores

Strain Gauge / aço - os sensores foram colados na alma do trilho (na direção vertical e na direção horizontal), medirão as deformações nessas duas direções; (Figura 4)

medirão as deformações nessas duas direções; (Figura 4) Figura 4 - Sensor deformação (metal) e vista

Figura 4 - Sensor deformação (metal) e vista de cabos

● Strain Gauge / solo - os sensores eletrônicos disponíveis são mais apropriados para deformações em concreto, esses passa- ram por uma montagem especial, formato de um carretel, em material moldado resinoso (cuidou-se para que a resistência mecânica desse material acessório fosse, mais ou menos, próxima da do próprio material do sensor), para que sua colocação no interior da camada de solo não viesse a possibilitar acúmulo de tensões em pontos específicos e

preferenciais. Os carretéis foram colocados no interior das camadas de sublastro e subleito, para medir a demanda de compressão (dimi- nuição de espessuras das camadas de solo); e suas posições atenderam à pretensão de se conhecer, também, a compressão no sentido horizontal; (Figura 5)

também, a compressão no sentido horizontal; (Figura 5) Figura 5 - Preparação de sensor deformação (solo)

Figura 5 - Preparação de sensor deformação (solo)

● Célula de Pressão - colocadas na interfa- ce lastro / sublastro, e também, nas extremi- dades laterais da camada de sublastro, face- ando com as superfícies verticais da caixa metálica; mostrarão as tensões (bulbo de pressões) demandadas pelas camadas elásticas de solos; (Figura 6)

demandadas pelas camadas elásticas de solos; (Figura 6) Figura 6 - Célula de pressão, sensor de

Figura 6 - Célula de pressão, sensor de umidade, sensor de temperatura, vista de cabos de sensores

● LVDT - sensor medirá o deslocamento vertical do dormente (ele acompanhará a posição do dormente referenciado, evidente- mente, com uma posição fixa que possa medir os deslocamentos verticais da volumetria do dormente - um paralelepípedo) e, indireta-

mente, a acomodação vertical da camada de lastro;

● Sensor de Umidade e Sensor de Temperatura - colocados na interface subleito / sublastro, para medir teor de umidade da- quela camada de solo (camada integrante da plataforma da VPF) e variação de tempera- tura. (Figura 6)

4.2 Detalhamento das especificidades

a) camadas elásticas - requisitos para o sub- lastro: função de reforço do lastro, além de ajudar a impedir a contaminação do lastro por material que pode ascender do subleito; material granular, IP no máximo de 6%, CBR no mínimo de 30%, expansão máxima de 1%,

LL no máximo de 35% e com IG igual a zero;

será utilizado com espessura de 20 cm; - requisitos para o subleito: material argiloso, IP até 13%, expansão máxima de 2%, LL até 35%, CBR igual ou maior que 12%, grau de compactação (GC) de 100%; será utilizado

com espessura de 20 cm.

b) materiais e proto-equipamentos - especificou-se que o ambiente / recipiente (aquilo que irá conter a representação da seção ferroviária em verdadeira grandeza) deveria ser executado em chapa de aço, para tanto, optou-se por chapa de # 25 mm, soldadas com solda elétrica e em forma de um cubo sem tampa, com fundo. Para o pórtico

de reação, a estrutura que irá suportar a carga de 20 tf, utilizou-se perfil laminado, fabrica- ção Gerdau Açominas, dimensões 120 x 280

cm apoiado em sapata executada com o mes-

mo tipo de perfil laminado - especificação do perfil laminado: W 360x79,0 com massa específica em torno de 80 kg/m.

4.3 Sensores eletrônicos

- Strain gauge para aço - com resolução suficiente para registrar deformações longitu- dinais e transversais dos trilhos dentro da faixa de 0 a 6 µm, compensados em tempe- ratura, o que reduz a deriva de medidas efetuadas ao longo do tempo, já que a temperatura do ambiente de medida quase nunca é a mesma, pelo contrário, varia ao longo do tempo. O cabeamento de conexão

dos sensores ao sistema condicionador de sinais, além de ser blindado, o que reduz possibilidades de interferência por EMI (Eletromagnetic Interference Interferência Eletromagnética), é feito à quatro fios, o que também minimiza a interferência da deriva por variação da temperatura do cabo durante as medidas ao longo do tempo. As medidas efetuadas da forma descrita acima tornam-se mais confiáveis e representativas do que acontece durante os períodos de experimento. Para compor a ponte de Wheatstone, e manter a estabilidade das medidas, foram utilizados resistores SMD de filme metálico em enca- psulamento 0805. Estes resistores têm uma tolerância de valor de ± 0,1%, e coeficiente de variação de 25 ppm/ºC.

- Strain gauge para solo - mesmas especificações utilizadas para o anterior (para aço), alterando-se somente a faixa de medida, para 0 a 120 μm.

- Células de pressão - em aço inox da

KYOWA, medindo dentro da faixa de 0 a 500 kPa. A composição interna de montagem de seus strain gauges em ponte de Wheatstone torna estas células naturalmente estáveis em relação à deriva por temperatura. O cabe- amento de conexão dos sensores ao sistema condicionador de sinais é blindado, o que reduz possibilidades de interferência por EMI (Eletromagnetic Interference Interferência Eletromagnética). Foram utilizadas células de dimensões diferenciadas, com sensibilidades

também distintas.

- LVDT - este transdutor indutivo medirá

deslocamentos lineares de ± 2,5mm e tem

repetibilidade de 2,5 µm.

- Sensor de umidade - sensor capacitivo

sem contato com o solo. Este sensor é isolado através de uma película de poliuretano e enca- psulamento em resina de poliéster. Possui

velocidade de resposta de 1 segundo.

- Sensor de temperatura - sensor RTD de platina, em encapsulamento de vidro, possui alta estabilidade ao longo do tempo, excelente repetibilidade e precisão. A exatidão das medidas é garantida por sua calibração em

zero grau centígrado, a partir do ponto de con- gelamento da água.

4.4 Sistema eletrônico dedicado - condici-

onamento de sinal

Um condicionador de sinais fornece energia

de excitação para o sensor eletrônico, capta o

sinal elétrico emitido por ele e condiciona o nível da corrente elétrica e filtra os ruídos das estruturas eletrônicas e ambientais (o sensor eletrônico reenvia o sinal elétrico em peque- níssima magnitude, daí a necessidade do condicionamento) carregados por esse sinal elétrico, para que possa ser interpretado sem

interferências.

O sistema de condicionamento de sinal uti- lizado foi projetado para ser capaz de aplicar ganhos de até 10.000x, possui filtros de segunda ordem em todos os canais, responsáveis por filtrar o sinal obtido dos sensores, o que o torna capaz de reduzir de forma bastante expressiva o ruído presente no sinal de medida e que ocorrerá, inevita- velmente, devido aos altos ganhos utilizados.

A utilização de tecnologia SMD torna o

sistema mais compacto e estável além de tam- bém torná-lo mais imune a ruídos de EMI. Para captação direta do sinal dos sensores foi

utilizado um chip que se encontra presente em sistemas de instrumentação médica, de modo diferencial, capaz de rejeitar o ruído de modo comum em até 120 dB e altíssima impedância

de entrada, esta que garantirá fidelidade nos

temperatura do óleo de refrigeração da prensa hidráulica, perda da constância da velocidade de batimentos, falhas do acionamento inicial, entupimento de filtro de óleo de refrigeração).

5 CONCLUSÕES E PROJEÇÕES

Objetivando-se investigar os aspectos especí- ficos, inerentes ao lastro ferroviário, os aspectos seguintes irão merecer atenção destacada:

● as diferenças entre o comportamento

mecânico de um lastro constituído de faixa

mais fina versus faixa mais grossa, alter- nando-se também os níveis de carregamento;

● o efeito da angularidade (ou arredon-

damento) e da porosidade da brita, principal-

mente, sobre o desempenho estrutural da camada de lastro;

● verificação acerca das quebras dos grãos

do agregado;

● verificação acerca da mudança de rigidez

do lastro, notadamente, função dos abati-

mentos (compactação) aumentando a perda da capacidade plástica da camada de lastro;

● conhecer acerca do potencial de conta-

minação do lastro, oriundo da quebra dos grãos do agregado;

● assimilação dos parâmetros de resistência

desses materiais estudados e sua influência sobre a durabilidade e resistência do pavi-

mento da VPF como um todo;

● verificação das alterações dos níveis de

resultados das medidas. As saídas do Sistema de Condicionamento de Sinal (SC) são conec- tadas ao conversor A/D multiplexado, respon-

tensão versus variação da profundidade na plataforma (bulbo de tensões nas diversas camadas elásticas);

sável por transferir os valores medidos pelos sensores para o software com interface visual

caracterização ambiental do agregado

após a degradação sofrida em função do

em

PC Windows.

número N (número de contato roda-trilho

4.5

Mecanismo servo-controller hidráulico

padrão de tráfego).

O êmbolo do MSCH, mecanismo que efeti- vamente impõe o esforço de vinte toneladas- força sobre o conjunto trilho / dormente, é acionado por uma prensa hidráulica (o mecanismo servo-controller hidráulico pro- priamente dito) envolvendo uma bomba de treze CV, com diversos pontos de check- controll (batimento do êmbolo, pressão do êmbolo menor do que o nível planejado,

REFERÊNCIAS

ABNT / Associação Brasileira de Normas Técnicas - NBR 5564: Via Férrea - Lastro ferroviário - Requisitos e métodos de ensaio. Rio de Janeiro, 2011; NBR 7218; NBR 7219; NBR 7389; NBR 8697; NBR 8938; NBR NM 51; NBR NM 248. Bhanitiz, A (2007). A Laboratory Study of Railway Ballast Behaviour under Traffic Loading and Tamping Maintenance. Doctor Thesis, University

of Nottingham. United Kingdom. Eisenmann, J. (1975). Railroad Track Structure for High-Speed Lines. In: Proceedings of Symposium of Railroad Track Mechanics and Technology, Princeton University, New Jersey, Pergamon Press. Fernandes, G. (2005). Comportamento de Estruturas de Pavimentos Ferroviários com Utilização de Solos Finos e/ou Resíduos de Mineração de Ferro Associados a Geossintéticos. Tese de Doutorado. UnB, 2005. Indraratna, B. et al. (2006). Geotechnical properties of ballast and the role of geosynthetics in rail track stabilisation. University of Wollongong, Austrália. Indraratna, B. e Salim, W. (2002). Modeling of particle breakage of coarse aggregates incorporating strength and dilatancy. Proceedings of the Institution of Civil Engineers -Geotechnical Engineering, 155, No. 4, 243252. Ionescu, D. (2004). Evaluation of the engineering behaviour of railway ballast. University of Wollongong, Austrália. Jeffs, T. (1989). Towards ballast life cycle costing. Proc. 4th International Heavy Haul Railway Conference, Brisbane, pp.439-445. Lim, W. (2004). Mechanics of Railway Ballast Behaviour. Doctor Thesis, University of Nottingham. United Kingdom.

Muniz da Silva, L. (2002). Fundamentos teórico- experimentais da Mecânica dos Pavimentos Ferroviários e esboço de um sistema de gerência aplicado à manutenção da via permanente. Tese de Doutorado. UFRJ, 2002. Nurmikolu, A. (2005). Degradation and Frost Susceptibility of Crushed Rock Aggregates Used in Structural Layers of Railway Track. Doctor Thesis of Technology. Tampere University of Technology, Finlândia. Raymond, G. e Bathurst, R. (1984). Research on Railroad Ballast Specification and Evaluation. In:

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