Você está na página 1de 20

ZIGBEE – CONECTIVIDADE WIRELESS PARA AUTOMAÇÃO E

CONTROLE

Armando Koerig Gessinger


armando@airwire.com.br
AIRWIRE Desenvolvimento Tecnológico Ltda.

Carlos Henrique Hennig


chennig@coester.com.br
Coester Automação S.A.

Abstract
ZigBee and 802.15.4 standards were developed with focus in providing a consistent solution for
automation connectivity. Features like low power, low cost, network determinism, protocol
consistence and application simplicity are part of their scope, generating favorable conditions for
their appliance in large scale.

Resumo
Os padrões 802.15.4 e ZigBee foram desenvolvidos visando principalmente apresentar uma
solução consistente de conectividade sem fio para aplicações em automação. Características como
baixo consumo, baixo custo, determinismo na rede, robustez de protocolos e simplicidade de
utilização fazem parte do escopo da sua proposta, criando condições favoráveis à sua aplicação
em larga escala.

Palavras chave: zigbee, wireless, redes, sensores, padrão, automação, protocolo,


camadas, determinismo, controle, sem fio, rádio, RF.

1 INTRODUÇÃO
A enorme base instalada de equipamentos eletrônicos, somada à necessidade de haver
conectividade entre eles, tem sido a alavanca para o desenvolvimento de tecnologias de
transmissão de dados que permitam grande escala de dispositivos conectados a um custo baixo e
com alto grau de confiabilidade.
Neste contexto, recentemente foi estabelecido o padrão IEEE 802.15.4: comunicação sem fio para
curtas distâncias, implementando os níveis físicos e de enlace da camada OSI; que, juntamente
com uma norma complementar, o “ZigBee” - que descreve o nível de rede da camada OSI e
especifica o acesso à pilha pela aplicação - se propõe a ser uma forma de conectividade para a
criação de redes dinâmicas e escalonáveis, com simplicidade e baixo custo de implementação.
No campo da automação, principalmente em se tratando de estruturas e edificações já prontas, o
obstáculo principal à instalação de equipamentos de acionamento e sensoriamento é a via de
comunicação. Como estabelecer uma infra-estrutura de transmissão de dados em um prédio
antigo, ou mesmo novos, mas não projetado para tal, sem grande impacto em custos e serviços?
É imprescindível atualmente uma via robusta e eficiente de comunicação inter-dispositivos? Que
grau de agilidade e flexibilidade poderia ser alcançado, quando houver necessidade de expansão
ou realocação da planta?
A resposta para essas questões: o estabelecimento de uma tecnologia de transmissão de dados
sem fio, que permita criar redes tipo “mesh”, com perfis de roteamento, estruturação dinâmica e
desempenho tais que, possa ser aplicada em um grande número de novas possibilidades;
dispositivos (nodos), inseridos na própria rede que possam desempenhar também funções de
controle e roteamento; sendo que a interconexão dessas redes, em longas distâncias, seria
realizada por meios de comunicação já consolidados (celular, 802.11, etc.).
Esta proposta se destaca pelas seguintes características:
- baixo custo;
- baixo consumo de energia;
- alta eficiência utilizando poucos recursos de processamento;
- segurança dos dados;
- alcance até 100m;
- determinismo na rede.
A adoção de uma solução alinhada com um padrão, principalmente em se tratando de meio de
transmissão sem fio, é um aspecto fundamental para o sucesso e continuidade do projeto.
O item dois a seguir apresenta o padrão 802.15.4 em suas camadas; o item três apresenta a
camada ZigBee e suas principais características e o item quatro apresenta as principais aplicações
da conectividade em pauta, com ênfase em automação.

2 VISÃO GERAL DO PADRÃO IEEE 802.15.4


O Grupo de Trabalho do Padrão IEEE 802.15.4 buscou obter uma conectividade sem fio de
reduzida complexidade, baixo custo e consumo de energia, a ser aplicada a equipamentos fixos,
portáteis ou móveis de baixo preço. Esta configuração de baixo custo e baixo consumo de energia
foi conseguida devido à reduzida taxa de transferência e baixa latência requeridas. O sonho da
comunicação sem fios à curta distância, em qualquer lugar, começa a ser atingido.
Assim como a administração, vendas e atividades de marketing estão associadas a altos custos,
para produtos “wireless”, também estão sua manufatura e operação. Para obter-se um custo total
baixo, longa duração de bateria e baixos custos operacionais, o Grupo de Trabalho do Padrão
IEEE 802.15.4 fez várias concessões razoáveis no dimensionamento do desempenho dos
equipamentos. Para controlar os custos administrativos, tanto dos desenvolvedores de aplicação
quantos dos usuários, são usadas freqüências não licenciadas de rádio. Devido ao padrão IEEE
802.15.4 destinar-se a serviços de curto alcance sem infra-estrutura, capazes de suportar redes
muito grandes, as funções de transmissão e recepção podem, e devem consumir pouca energia e
ter baixos custos operacionais.
A seguir, são apresentadas algumas das características exclusivas do padrão IEEE 802.15.4, que
permitem a realização desta concepção de desempenho.

2.1 Baixo custo e economia de energia


Baterias são componentes com custo relativamente alto em equipamentos transceptores. Elas
fornecem a energia para as comunicações, mas geram custo de operação e de substituição. O
custo total de um sistema deste tipo não pode ser minimizado se for necessário usar baterias de
tecnologia cara e complexa.
As características das baterias de baixo custo limitam as opções de outros atributos para o
sistema. Por exemplo, a quantidade total de energia carregada e a capacidade de fornecimento
instantâneo de potência da maioria das baterias estão inter-relacionadas. A quantidade total de
energia carregada só é atingida caso a necessidade instantânea de fornecimento for limitada, e por
isso, para ter-se longa duração da bateria, a energia tem que ser mantida continuamente num valor
extremamente baixo, ou em pequenas quantidades em baixo ciclo de trabalho.
Devido ao consumo de energia de circuitos “wireless” funcionais, não se consegue a duração
desejável da bateria sob operação constante; o padrão IEEE 802.15.4 permite que alguns
equipamentos operem em ciclos de trabalho muito baixos, com a transmissão ou a recepção
inativas durante mais de 99% do seu tempo de operação.
Em aplicações práticas, mesmo em repouso, sempre haverá um pequeno consumo de energia
pelos temporizadores ou assemelhados, quando os circuitos estiverem inativos. Para reduzir o
tempo médio deste tipo de consumo, a energia tanto em atividade quanto em repouso deve ser
reduzida o máximo possível.
Entretanto, para certas aplicações ou tecnologias suportadas pela rede, há limitações práticas para
a energia, tanto em atividade quanto em repouso.
Na maior parte das aplicações a energia em atividade é muito maior que a em repouso. Com base
nisto, pode-se ver que se reduzindo o ciclo de trabalho obtêm-se baixos níveis de consumo e
consegue-se longa duração de baterias.
Por exemplo, para um equipamento com energia em atividade de 10mW e de 10uW em repouso,
se o ciclo de trabalho é 0,1%, então a vazão de energia média é cerca de 19.99uW. Se o
equipamento é alimentado por uma bateria AAA de 750 mAh regulada linearmente para 1V, ele
terá uma vida útil de bateria de mais de 37.000h, ou seja, mais de quatro anos.
Para suportar baixo regime contínuo, o pacote de sinalização no Padrão EEE 802.15.4 deve ser
curto, 544us na freqüência 2,4GHz, enquanto o período de superframe (tempo entre sinalizações
na rede) esteja entre 15.36 ms até mais de quatro minutos. Isto resulta num duty cicle de
sinalização que pode ser estabelecido desde 2,3% até 0,000216% (2,16 ppm). Alem disto o
Padrão suporta um modo sem sinalização no qual a rede pode operar sem sinalizadores. Este
modo permite que escravos, numa rede estrela mestre-escravo, por exemplo, permanecer em
repouso indefinidamente, somente contatando o mestre (que pode estar conectado à rede elétrica,
talvez, e desta forma ser capaz de constante recepção) quando ocorra um evento.
Os escravos podem, entretanto, ter uma duração quase ilimitada da bateria, determinada
primordialmente pelo seu consumo de energia em repouso.
O modo sem sinalizadores, de fato, pode ser um requisito determinante para operação na faixa de
868MHz, que tem a limitação de regime contínuo máximo em 1%.

Figura 1: Estrutura de super frame

2.2 Modulação
Tendo em mente a meta de ter baixo custo e reduzido consumo de energia, o protocolo de
comunicação do Padrão IEEE 802.15.4 foi concebido para somente suportar comunicação digital
de dados (ou seja, não possibilita serviços analógicos). Serviços “data-only” permitem que se
escolha um esquema de modulação altamente eficiente, possibilitando uma implementação de
baixo custo. Da mesma forma, o protocolo suporta somente operação “half-duplex”, de modo que o
transmissor e o receptor não necessitam estar ativos simultaneamente.
Além disso, os esquemas de modulação de dados são simples, BPSK em 868/915 MHz PHY e O-
QPSK em 2.4GHz PHY.
Cada uma destas formas de modulação mantém uma taxa de energia da portadora “peak-to-
average”, o que minimiza tanto o consumo de energia quanto à complexidade da implementação.
Estes dois esquemas de modulação também empregam uma distribuição de seqüências para
proporcionar os benefícios do serviço Direct Sequence Spread Spectrum (DSSS); o 2,4GHz PHY
emprega uma forma de sinalização ortogonal multi-nível enviando quatro bits por símbolo, que
habilita simultaneamente tanto altas taxas de transmissão (para voltar rapidamente ao modo de
repouso) quanto uma taxa de símbolo baixa (para minimizar a energia em atividade)
O DSSS é uma das muitas técnicas para aumentar a largura de banda de um sinal transmitido. As
técnicas de banda larga proporcionam aumento da qualidade de comunicação, mas normalmente
sacrificam o espectro de utilização. Por exemplo, o serviço de transmissão FM convencional usa
uma forma de distribuição de espectro (banda larga FM) que, embora não empregue DSSS,
exemplifica o aumento dos benefícios das comunicações com relação sinal-ruído (SNR), possíveis
com técnicas de banda larga.
O DSSS pode ser modelado aplicando-se uma seqüência digital pseudo-randômica pré-arranjada
para diretamente modular por fase a portadora previamente modulada por dados, numa relação
em excesso da taxa de dados. O sinal DSSS resultante ocupa uma largura de banda muito maior,
embora com menor densidade de energia espectral. O sinal é recuperado demodulando-se o sinal
recebido com a réplica da mesma seqüência digital de modulação pseudo-randômica. A réplica é
gerada no receptor por uma técnica que assegura que esta seja muito coerente com a modulação
no sinal transmitido. Uma réplica ideal recriada no receptor transforma o sinal DSSS recebido
novamente em uma réplica da portadora modulada por dados original do transmissor.
O processo DSSS espalha o sinal original numa largura de banda maior para transmissão sobre o
canal, e após concentra o sinal no receptor para recolher o sinal original e as informações ali
contidas.
Os benefícios da forma de distribuição de espectro do DSSS são resultados diretos da coerência
relativa da seqüência digital pseudo-randômica usada para modulação em fase e recuperação da
réplica da portadora original modulada por dados.
Somente os sinais modulados pela correspondente seqüência digital pseudo-randômica são
recolhidos de volta a uma réplica do original da portadora modulada por dados.
Todos os outros sinais são, depois de distribuídos pelo processo de modulação em fase,
reagrupados no receptor.
Devido ao processo de distribuição reduzir a densidade do espectro de energia dos sinais não-
coerentes sendo modulados, de sinais interferentes, sinais de canais adjacentes, mesmo outros
equipamentos com distribuição de espectro não coerente no mesmo canal sofrem a diminuição da
densidade espectral no receptor dentro da largura de banda estreita do portador de dados original.
Todos os outros sinais são distribuídos para uma largura de banda mais larga, baixa densidade
espectral, e menor contribuição de energia quando filtrados para a largura de banda original da
portadora modulada por dados. Este “ganho de processo” pode ser usado, por exemplo, para
reduzir necessidades de filtros de canais, diminuindo desta forma custos de implementação.
Os benefícios de custo do DSSS resultam de um aumento da SNR (Relação Sinal/Ruído) de sinais
coerentes versus não-coerentes, fora outros efeitos pertinentes.
Um deles é que a densidade da energia espectral emitido pela distribuição do espectro é menor
em relação à portadora modulada por dados não distribuída, e tende menos a interferir em serviços
de banda estreita que utilizam a mesma banda.
Este efeito de coexistência permite o uso de múltiplos serviços na mesma largura de banda. Um
serviço DSSS pode ser adicionado a uma locação de espectro existente com interferência reduzida
nos serviços existentes e, da mesma forma, ser relativamente não afetado por estes serviços.
DSSS é um meio quase ideal para compartilhamento de espectro.
Uma vantagem sutil do DSSS é que sua implementação pode ser feita utilizando na maioria
circuitos digitais e poucos circuitos analógicos. Como os circuitos digitais seguem a Lei de Moore e
encolhem com a tecnologia aplicada na fabricação de circuitos integrados, estes e as
implementações de transceptores resultantes, tornar-se-ão cada vez mais baratas ao longo do
tempo.
Finalmente, devido a estas características favoráveis da operação de distribuição de espectro, o
uso do DSSS (ou outra forma de spread spectrum como frequency hoping) é determinado para as
freqüências não licenciadas em suas jurisdições, por muitas entidades regulatórias no mundo
inteiro. O Padrão IEE 802.15.4 utiliza estas alocações de espectro para definir um serviço não-
licenciado de baixo custo e de baixo consumo de energia.

2.3 Potência de transmissão


Adicionalmente, embora o Padrão IEEE 802.15.4 permita qualquer potência de saída legalmente
aceita, ele necessita somente que o equipamento compatível seja capaz de transmitir –3dBm,
justamente dentro da capacidade de energia instantânea das baterias baratas, e dentro da
capacidade de implementações System–on-a-Chip (SoC), altamente integradas e de baixo custo.

2.4 Sensibilidade do receptor


A especificação de sensibilidade mínima em –92dBm RF na 868/915 MHz PHY, e a de -85 dBm na
2.4GHz PHY possibilita o uso de um receptor simples para este enquadramento. Assim, podem-se
usar receptores simples, de baixo custo e com pouca amplificação de radiofreqüência (o que
poderia significar alto consumo de energia).

2.5 Qualidade de serviço


Para reduzir a complexidade de implementação, o Padrão IEEE 802.15.4 não suporta
comunicação isosincrônica, nem múltiplas classes de serviços num único PAN. A única exceção é
que o padrão suporta o uso de Guaranteed Time Slots (GTS) que reserva tempo de rede para
comunicações síncronas (evitando potenciais atrasos de acesso no canal) a critério do
coordenador PAN.
Estas características ampliam o espaço de aplicação de equipamentos do Padrão 802.15.4
possibilitando comunicações com baixa latência como joysticks e mouses wireless.
Embora o Padrão IEEE 802.15.4 seja de muito baixa complexidade, as camadas PHY suportam
taxas de link instantâneas de 20 Kb/s, 40 k b/s e 250 Kb/s. As taxas de dados são altas em relação
à transferência de dados para minimizar o regime contínuo do equipamento.
Resumindo, o Padrão IEEE 802.4.15 é concebido para negociar taxas de transferência de dados
mais baixas e latências maiores de mensagens para reduzir significantemente o custo e consumo
de energia, ainda proporcionando comunicação eficiente para uma ampla classe de serviços.

2.6 Outros recursos notáveis do Padrão IEEE 802.15.4


2.6.1 Componentes de rede
Uma rede Padrão 802.4.15 é composta por um conjunto de equipamentos wireless deste padrão,
havendo pelo menos um atuando como coordenador de rede e outro não. Em cada rede há
somente um coordenador especializado, chamado coordenador PAN.
O Padrão IEEE 802.15.4 define dois tipos de serviço, o Full Fuction Device (FFD) (dispositivo de
função completa) e o Reduced Function Device (RFD) (dispositivo de função reduzida). O FFD
contém o conjunto completo de serviços MAC, permitindo que este funcione como coordenador de
rede ou como componente de rede. O RFD contém um conjunto reduzido de serviços MAC, e pode
ser operado somente como componente de rede.

2.6.2 Múltiplas topologias de rede


Uma rede Padrão IEEE 802.4.15 pode ser construída selecionando–se uma entre duas topologias
básicas de rede. A primeira é chamada Topologia Estrela, formada em torno de um equipamento
com funções completas (FFD) que é chamado de coordenador PAN e que atua como um hub
(distribuidor) ligando uma série de equipamentos com funções plenas ou reduzidas que atuam
como terminais locais de dados. Neste sentido, o coordenador PAN executa uma função especial
na rede; é o único equipamento na rede que estabelece um link direto com mais de um
componente da rede.
A segunda topologia possibilita comunicação peer-to-peer sem o envolvimento direto de um
coordenador de rede designado como tal (embora um coordenador PAN seja necessário em algum
ponto da rede), e cada equipamento pode estabelecer múltiplos links diretos com outros
componentes. A capacidade de formar links diretos com mais de um componente, permite que o
gráfico de rede possa formar caminhos redundantes, porem com incremento da complexidade. Por
conseqüência, muitas formas de arquiteturas de rede peer-to-peer podem ser suportadas.
Uma rede complexa que pode ser suportada pelo Padrão IEEE 802.15.4 mas que não fazem parte
das especificações é a cluster-tree.
Uma cluster-tree (ver figura 2) pode ser interpretada como uma árvore de grupamentos de
equipamentos de rede. Seu arranjo proporciona conectividade completa, roteamento mais
simplificado e um número mínimo de links diretos comparando-se com uma estrutura peer-to-peer
inteiramente interconectada embora isto possa causar um aumento na latência do tráfego de
dados.
Uma vez que não necessitam liberar mensagens, as folhas de uma cluster tree (aqueles
equipamentos no fim da hierarquia) podem ser tanto FFD quanto RFD. Todos os outros
equipamentos na rede devem ser FFDs. Um equipamento específico da rede assume o papel
especial de coordenador PAN com a função semelhante a do equipamento raiz de uma árvore
hierárquica. O coordenador PAN pode ser selecionado devido a sua capacidade especial de
computação, a possibilidade de fazer ponte com outros protocolos de rede, ou simplesmente
porque ele estava entre os primeiros participantes na formação da rede. Outros equipamentos da
rede podem funcionar como raiz em grupamentos individuais; são denominados cabeças de
grupamento ou coordenadores. Em torno de cada coordenador, uma árvore hierárquica pode
formar-se numa relação típica pai-filho, mas somente um equipamento em cada grupamento é o
raiz ou coordenador. O coordenador PAN pode exercer a função de coordenador para seu próprio
grupamento, mas somente um único equipamento na rede toda pode funcionar como PAN
coordenador.
Topologias de rede construídas sob o recurso de comunicação peer-to-peer do Padrão IEEE
802.15.4 são suportadas pelas pilhas mais altas do protocolo, que estão fora do escopo do Padrão
IEEE 802.15.4. Elas foram mencionadas aqui apenas para mostrar a flexibilidade que o padrão
permite.

Star

Mesh

PAN coordenador
Cluster Tree Dispositivo FFD
Dispositivo RFD

Figura 2: Topologias

2.6.3 Acesso de canal


Qualquer que seja o tipo de rede empregada, cada equipamento da rede utiliza um protocolo
Carrier Sense Multiple Access-Colision Avoidance (CSMA-CA) (Sistema anti-colisão com sensor de
portadora com múltiplos acessos) para evitar que eventualmente ocorram colisões desnecessárias
quando haja múltiplas transmissões simultâneas. Exceção para este caso são as transmissões de
sinalizadores, em GTSs, e de reconhecimento, onde não é utilizado o CSMA-CA.
O protocolo CSMA-CA baseia-se na qualidade de compartilhamento do canal RF. Sempre que dois
ou mais remetentes estejam simultaneamente ativos em um canal, a possibilidade de envio bem
sucedido de mensagens decresce devido a colisões e interferências mútuas. Num ambiente RF,
grande parte da interferência real depende da localização dos transmissores concorrentes e de
seus respectivos correspondentes, mas a informação quanto à localização não está disponível nos
equipamentos de transmissão. Uma forma de evitar colisões no canal é escutar primeiro e
transmitir somente se o canal estiver livre. O critério do portador assegura acesso ao canal livre e a
possibilidade de colisão é diminuída.
Nesta modalidade, a capacidade do canal é melhor aproveitada.
O Padrão IEEE 802.15.4 especifica que o superframe inicie com a transmissão do sinalizador,
seguido pelo período de contenção de acesso (CAP) e após o GTSs.
O comprimento real de cada é determinado pela decisão de camada superior do coordenador
PAN, mas o CAP deve ter no mínimo 440 caracteres de comprimento exceto por reduções
temporárias necessárias para acomodar o comprimento de sinalizadores para manutenções dos
GTS.
As tarefas dos GTSs estão totalmente a critério do coordenador PAN, mas esta facilidade pode ser
útil para dois atributos associados ao uso do “contention-free-assigned-access”: baixa latência, e
alocação de largura de banda.
Baixa latência: para aquelas aplicações que requerem um mínimo retardo end-to-end para
mensagens priorizadas, apoio de designação preventiva de slots, gerenciamento de filas nos
protocolos para minimizar os atrasos. Exemplos incluem retransmissão de condições de alarme, ou
diferenciação QoS baseada em SW aplicativo.
Distribuição de larguras de banda: para aplicações que são menos sensíveis ao retardo, mas que
geram taxas de tráfego de dados conhecidas, a facilidade de distribuição de largura de banda para
cada serviço permite que o protocolo gerencie tamanhos de filas em cada equipamento da rede.
Gerenciamento de trafego está normalmente associado com protocolos de rede sob a camada
MAC, mas esta capacidade deve ser estabelecida nos níveis mais baixos cobertos pelo Padrão
IEEE 802.15.4 para ser disponibilizada aos níveis mais altos.
GTSs tornam possíveis serviços dos protocolos mais altos, mas para redes que não
implementaram estes serviços, o uso de GTSs é opcional.

2.6.4 Múltiplos PHYs


O Padrão IEEE 802.15.4 emprega dois PHYs -- um para bandas 868 e 915 MHz, e outro par a
banda 2,4 GHz. Note que o PHY 868/915 MHz necessita que um equipamento compatível seja
capaz de operar tanto em bandas 868 MHz quanto em 915 MHz. Esta condição reflete a
determinação de minimizar a quantidade de produtos potencialmente incompatíveis no mercado, e
que se reconhece que há uma pequena penalidade neste requisito, devido à reduzida diferença de
freqüência entre as duas bandas.
O Grupo de Tarefas que desenvolveu o Padrão IEEE 802.15.4 foi composto por voluntários do
mundo inteiro, e por isso considera que os equipamentos compatíveis possam ser usados
globalmente. Para manter os custos administrativos baixos, o Padrão assume que todos os
equipamentos executarão operações não licenciadas, mas que cada um se subordinará aos
ditames da Agência Reguladora com jurisdição em suas áreas de serviço. Infelizmente as diversas
Agências Reguladoras adotaram espectros diferentes entre elas. Existem três bandas disponíveis
para este tipo de serviço - uma mundial e dois casos regionais especiais.
Para desenvolvedores, a escolha de bandas depende de mais do que simples considerações
técnicas. As bandas 868 e 915 MHz, embora sejam menos congestionadas e possam oferecer
melhor QoS, não são disponíveis globalmente.
A decisão de implementar produtos para um mercado limitado, embora possibilite melhor serviço,
desce para o reino do marketing e negócios, não seguindo as preocupações puramente técnicas.
Existem custos “invisíveis” de distribuição e comercialização de produtos assemelhados, que
diferem somente na banda de freqüência. Há problemas de interferência que trazem a tona
questões como a de como evitar dos produtos irem de uma região reguladora para outra. Outras
aplicações (como a de etiquetas wireless para bagagem) não se prestam às estratégias regionais
de comercialização e não oferecem retorno financeiro, porém existe a possibilidade de estratégias
regionais para certos produtos.
Partes da banda 2,4 GHz estão disponíveis em quase todo o mundo; a banda 868 MHz está
disponível na Europa, e partes da banda 915 MHz estão disponíveis na América do Norte,
Austrália, Nova Zelândia e em algumas regiões da América do Sul. O Padrão IEEE 802.15.4 define
um único canal com uma taxa bruta de dados de 20 Kb/s na banda 868 MHz. Na banda 902-928
MHz, o padrão define 10 canais com taxa bruta de dados de 40 Kb/s (doubled chip rated no que se
refere à banda 868 MHz). Mais alto no espectro, em 2,4 GHz o Padrão IEEE 802.15.4 define 16
canais com uma taxa de dados bruta de 250 Kb/s.

Figura 3: Camada física

2.6.5 Controle de erros


O Padrão IEEE 802.15.4 emprega um protocolo “full handshake” simples para assegurar
transferência de dados confiáveis e um bom QoS. Com exceção de quadros de transmissão (p.ex,
sinalizadores) e do quadro de reconhecimento, cada quadro recebido pode ser reconhecido para
assegurar ao equipamento transmissor que sua mensagem foi, de fato, recebida. Se um quadro de
reconhecimento solicitado não for recebido pelo equipamento transmissor, o quadro transmitido
pode ser inteiramente repetido.
Para detectar se uma mensagem foi recebida corretamente, uma checagem cíclica de redundância
(CRC) é utilizada. Os bits da mensagem são tratados como um longo número binário e dividido por
um número escolhido relativamente longo. O quociente da divisão é descartado, e o resto da
divisão é transmitido junto com a mensagem. A mesma divisão, com o mesmo número escolhido é
feita no receptor, e se obtido o mesmo resultado, isto indica alta possibilidade de uma
comunicação integra.

2.6.6 Quatro tipos de frames (quadros)


Existem quatro pacotes de estrutura de quadros, cada uma designada de Unidade de protocolo de
dados PHY (PPDU) no padrão de transações de dados - um quadro de sinalização, um quadro de
dados, um quadro de reconhecimento e um quadro de comando MAC. Como mostrado na figura 4,
todos os quadros são estruturados de uma forma muito similar, com a principal diferença em seu
objetivo ou carga. Cada PPDU é construída com um Cabeçalho de Sincronização (SHR), um
Cabeçalho PHY (PHR), e uma Unidade de Serviço de Dados PHY composta pela Unidade de
Carga de Dados MAC (MPDU) e da estrutura de dados que serve a camada de protocolo MAC. O
MPDU é construído com um Cabeçalho MAC (MHR), um rodapé MAC, (MFR) e uma Unidade de
Serviços de Dados MAC (MSDU)- excetuando-se o MPDU do quadro de reconhecimento, que não
contem um MSDU.
O MSDU é um campo de dados (uma carga) que compõe um determinado quadro contendo
informações pertinentes aos serviços MAC suportado pelo quadro, incluindo identificação do
superframe, informações de seqüência, do endereçamento e outras informações.

Payload

Layer
MAC Header MAC Service Data Unit MAC Footer

MAC
(MHR) (MSDU) (MFR)
PHY Layer

MAC Protocol Data Unit (MPDU)


Synch. Header PHY Header
(SHR) (PHR)
PHY Service Data Unit (PSDU)

Figura 4 – Estrutura de Pacote

2.6.6 Quadros de sinalização


A transmissão do quadro de sinalização está disponível somente para FFD na rede,
independentemente da rede ser estrela, cluster-tree ou ter outra topologia.
O quadro de sinalização é fornecido como um serviço originado na camada MAC do protocolo e
possui interface com a camada PHY do protocolo. Ele tem inúmeros usos, incluindo um
demarcador de limites do superframe, sinal de sincronização de quadros, e supervisor de
associação, bem como um serviço às camadas mais altas de protocolo.
Como um marcador, o quadro de sinalização fornece uma referência de tempo para designar os
limites de um superframe. Nos níveis altos do protocolo, o superframe possibilita um número fixo
de quadros entre quadros de sinalização, estando cada posição de quadro ocupada ou não.
Como um sinal de sincronização de quadros, o quadro de sinalização possibilita a sincronização do
superframe a um tempo de início conhecido, prevenindo colisões, permitindo receptores repousar
sempre que não houver transmissões, e permitindo boa latência de mensagem através da
limitação do retardo de tráfego ao comprimento de um superframe em cada link. Alem disso, a
sincronização permite que o equipamento de rede que transmite o sinalizador torne-se a referência
de tempo para o link de comunicação e permite um abrandamento das necessidades de
temporização de um equipamento de rede específico. Cada equipamento de rede pode ter uma
referência de tempo menos precisa que é periodicamente ajustada para combinar com a referência
do equipamento sinalizador.

2.6.7 Quadro de dados


O quadro de dados está disponível para todos os equipamentos em qualquer rede,
independentemente se a rede é estrela, cluster-tree ou tem outra topologia.
O quadro de dados e o quadro de sinalização opcional são fornecidos como um serviço originado
na camada MAC e com interface com a camada PHY do protocolo. Ele oferece a carga de dados
primária como um serviço para as camadas mais altas do protocolo.

2.6.8 Quadros de reconhecimento


O quadro de reconhecimento também está disponível em todos os equipamentos em uma rede,
independentemente se a rede é estrela, “cluster-tree” ou tem outra topologia. Ele é fornecido como
um serviço originado na camada MAC e com interface com a camada PHY do protocolo e
proporciona somente o reconhecimento para receber dado como um serviço para as altas
camadas do protocolo para controle fim a fim de mensagens. Os quadros de reconhecimento não
contem cargas MAC.

2.6.9 Quadro de comando MAC


O quadro de comando MAC também está disponível para todos os equipamentos em cada rede,
independentemente se a rede é estrela, “cluster-tree” ou tem outra topologia. Como os outros
quadros, ele é fornecido como um serviço originado na camada MAC e com interface com a
camada PHY do protocolo. Ele fornece a carga supervisora primária como um serviço à camada
MAC do protocolo
Para cada um destes quatro tipos de quadros, o MPDU é posteriormente encapsulado com um
preâmbulo adicional e um cabeçalho PHY para formar a unidade de serviço de dados da camada
física (PSDU). Esta estrutura completa de dados permite um receptor obter sincronização de
caracteres com o quadro e obtém informações de comprimento de quadros para fins de checagem.

2.7 Modelo de propagação “indoor” para a 802.15.4


• Assume-se um ambiente típico home/office indoor
• Perda de propagação no espaço livre para 4 metros
• Perda adicional 0.7 dB/metro além de 4 metros
• Margem de “fading” depende da largura de banda
802.11a/b: 8 dB
802.15.4: 16 dB

0.00
-20.00
-40.00
-60.00
-80.00
-100.00
-120.00
-140.00
-160.00
1 10 100
Path Loss (dB)
Range (m)

Figura 5: Gráfico de propagação “indoor”.


2.8 Modelo de propagação “outdoor” para a 802.15.4

Antena de
transmissão Antena de
Onda direta
recepção

hT
Plano de terra
Onda refletida hR

Para modelo de perda com sinal de onda direta e onda refletida banda estreita a 2.4 GHz, o ponto
de perda do sinal localiza-se entre 1/d2 e 1/d4, a perda do sinal ocorre próximo à:

2π hT h R 2 π (10 m )( 1 m )
d = = ≈ 500 m
λ
B
( 0 . 0125 m )
Figura 6: Modelo de propagação “outdoor”.

2.9 Estrutura do pacote


Campos do pacote da camada física (PHY):
• Preâmbulo (32 bits). Sincronização de Símbolo.
• Delimitador do inicio do pacote (8 bits). Sincronização de frame.
• Cabeçalho PHY (8 bits). Especifica comprimento de PSDU.
• PSDU (até 127 bytes). Campo de dados.

Delimitador Cabeçalho Serviço PHY


Preâmbulo de inicio de PHY Unidade de dados
pacote

6 Bytes ≥ 127 Bytes


(0.2 ms @ 250 kbps) (< 4.1 ms @ 250 kbps)
(1.2 ms @ 40 kbps) (< 50.8 ms @ 40 kbps)

Figura 7: Estrutura do pacote “PHY”.


2.10 Modulação/ Espalhamento
Em 2,4GHz:
• Velocidade de dados 250 Kb/s (4 bits/símbolos, 62.5 K símbolos/s);
• Modulação de dados é ortogonal 16-ary;
• 16 símbolos um conjunto ortogonal códigos PN de 32-chip;
• Modulação de Chip é O-QPSK com forma de pulso de meio-seno;
• Taxa de Chip é de 2.0 MChip/s.

Em 868MHz/915MHz:
• Velocidade de dados é 20 Kb/s @ 868 MHz, 40 Kb/s @ 915 MHz;
• Modulação de dados é BPSK com codificação diferencial;
• Espalhamento de código é 15-chip m-sequence;
• Modulação de Chip é BPSK com forma de pulso de raised-cosine (a=1.0);
• Taxa de chip é de 0.3 Mchip/s em 868 MHz, 0.6 Mchip/s em 915 MHz.

2.11 Outras características importantes


Potencia de Transmissão: capacidade mínima de –3dBm; o nível máximo deve ser ajustado de
acordo com os regulamentos locais.
Tolerância de freqüência: ± 40 ppm
Sensibilidade do receptor: -85 dBm (2.4 GHz); -92 dBm (868/915 MHz);
Pacote de indicação de nível de sinal (roteamento);
Verificação de canal livre (CSMA);
Seleção automática de canal livre (Escolha dinâmica de canais para promover a coexistência com
outras redes ZigBee ou outras tecnologias).

3 VISÃO GERAL DO ZIGBEE


ZigBee é um consórcio de software, hardware e companhias de serviços que desenvolveram um
padrão comum para gestão de redes de transmissão de dados sem fios de sensores e
controladores. Enquanto outros padrões sem fios estiverem relacionados à troca de grandes
volumes de dados, o ZigBee é para dispositivos que têm necessidades de processamento
menores.
O padrão ZigBee está definido acima das camadas do 802.15.4, e implementa principalmente as
tarefas de segurança e roteamento.

Figura 8: Camadas do 802.15.4 e ZigBee


No Brasil, a freqüência utilizada será a de 2,4GHz, dentre as três possíveis, conforme figura a
seguir:

Figura 9: Freqüências

Por causa das baixas exigências de largura da banda nas suas aplicações, um nodo de ZigBee
pode “dormir” a maior parte do tempo economizando a bateria e podendo rapidamente despertar,
enviar dados e voltar ao modo dormente. Como o ZigBee passa do modo de sono para o modo
ativo em 15ms ou menos, até mesmo um nodo dormente pode alcançar apropriadamente baixa
latência. Alguém, ao ativar um interruptor de luz sem fios ZigBee, por exemplo, não notaria nenhum
atraso até acender a luz. Em contraste, se o mesmo dispositivo utilizasse a tecnologia Bluetooth
notaria um delay de três segundos entre o ato de apertar a chave e o acendimento da luz.
Uma grande parte da economia de energia do ZigBee vem da tecnologia de rádio da norma
802.15.4, que foi projetada para baixo consumo. A norma 802.15.4 usa a tecnologia DSSS (Spread
Spectrum de Seqüência direta), por exemplo, porque a alternativa de FHSS (Spread Spectrum de
salto de freqüências) tende a gastar mais energia ao pular de freqüência para manter seu
sincronismo.
Nodos de ZigBee, enquanto usando 802.15.4, podem comunicar-se de vários modos diferentes,
porém, alguns modos consomem mais energia do que outros. Por conseguinte, usuários de ZigBee
necessariamente não devem implementar uma rede de sensores de qualquer modo e ainda
esperar que a vida da bateria seja de alguns anos que é a “bandeira” oficial do ZigBee.
Um nodo de rede pode consumir energia extra, por exemplo, se tentar sobrepor seu sinal com as
transmissões de outros nós ou com transmissões de outras fontes de rádio. O rádio que obedece a
norma 802.15.4 implementa a tecnologia CSMA/CA (padrão anti-colisão que tem um algoritmo
sensor de portadora e evita a colisão de acesso múltiplo), um nodo de ZigBee que usa CSMA/CA
trabalha com a prerrogativa de “escutar antes de transmitir” essencialmente para ver se existe
outro sinal de radio na freqüência utilizada no momento.
Outro modo de operação do ZigBee e 802.15.4 é o modo de “beacon”, em quais normalmente
nodos escravo de redes dormentes se despertam periodicamente para receber um sinal de
“beacon” do nó de controle da rede. Mas este modo pode desperdiçar energia (aumentar o
consumo), particularmente porque a temporização força os nós de rede a acordar mais cedo de
maneira a evitar a perda de sinais de “beacon”.
Processadores simples de 8 bits como um 8051 pode facilmente controlar tarefas de ZigBee, as
pilhas do protocolo Zigbee ocupam pouca memória. Por exemplo, uma pilha de FFD precisa de
aproximadamente 32 Kbytes, e um RFD precisa de apenas aproximadamente 4 Kbytes. Esses
números podem ser comparados com aproximadamente 250 Kbytes para a tecnologia Bluetooth
que é mais complexa.
Das implementações relativamente simples de ZigBee, ganhos em custo ocorrem naturalmente. O
uso de RFDs reduz o custo ainda mais. Freqüentemente, o processador principal de uma aplicação
pode agüentar facilmente a pequena carga adicional de processamento do ZigBee, deste modo, o
uso de um processador separado para o ZigBee é desnecessário.
Mas a estratégia principal para manter os preços de ZigBee baixos é abranger grandes mercados
e volumes altos. A Aliança ZigBee, fazendo do ZigBee um padrão aberto e promovendo
vigorosamente interoperabilidade entre dispositivos ZigBee, aposta no uso muito grande de
dispositivos com este padrão.

Figura 10: Principais membros da ZigBee Alliance


Comparação de tecnologias sem fio
Tecnologias Wi-Fi Zigbee Bluetooth
Standard(s) IEEE802.11b, IEEE802.15.4 IEEE802.15.1
802.11g,
802.11a
Data Rate 11(b) to 54 10 - 115 721 Kbps
Mbps (a, g) Kbps
Freqüências 2.4 and 5 GHz 915 MHz, 2.4 2.4 GHz
RF bands GHz 898
MHz in
Europe
No. de Nós 100+ 65,000 8
Range 100m 10-75m 8m (Class II, III)
to 100m (Class
I)
Modulação DSSS e OFDM DSSS FHSS
Arquitetura Star - Access Mesh Peer to peer
point network
Corrente de 350 ma. 30 ma. 65 to 170 ma.
consumo (Class I)
(typ.)
Vida da 1-3 horas Anos (baixo 4-8 hours
Bateria ciclo de (streaming
serviço) audio)
Aplicações Acesso a Sensores Streaming de
Internet, sem fio, audio,
Redes de Controle Telephone
Computadores, Industrial, cellular hands-
Retail Chaves free,
inventory, Wireless, Periféricos de
Periféricos de HVAC, Computadores,
Computadores, Leitura de Cabo de
Redes medidores impressora,
Wireless Multimídia

Figura 11: Comparação entre as principais tecnologias de transmissão sem fio


4 APLICAÇÕES E MERCADOS
4.1 Automação predial
Controle inteligente de edifícios comerciais pode resultar em grande economia de consumo de
energia, algumas aplicações seriam:
• Medida de temperatura e umidade
• Controle do aquecimento, ventilação, unidades de condicionador de ar,
• Controles de iluminação
• Detectores de fumaça
• Posicionamento de portas corta-fogo
• Controle de acesso e detectores de presença
Todos os dados podem ser controlados por uma central única e controlados a distancia e até via
acesso internet.

Figura 12: Exemplo de Aplicação em Automação Predial


4.2 Controle e monitoração de processos industriais
Monitoração e controle de processos industriais e equipamentos são cruciais para alcançar níveis
de produção eficientes, minimizando custo, e assegurando a segurança de pessoal e público.
As aplicações podem ser desde a medida de fluxo de oleoduto, para controle total de uma planta.
Os sensores poderiam ser simplesmente para ler temperatura ou para um complexo sistema
detector de gás.
Sistemas com fio são caros e mais caro ainda é modificar o layout de uma instalação. Sistemas
sem fios resolvem estes problemas e os produtos Zigbee baseados na 802.15.4 tem algoritmos
robustos e seguros que garantem a transmissão dos dados. Os sistemas sem fio podem ser
usados também em lugares de difícil acesso e remotos.
Em ambientes com longas distancias entre os dispositivos como em refinarias ou outras grandes
plantas de processo, a capacidade de roteamento do protocolo possibilita a instalação dos nodos
wireless sem a necessidade de uma estrutura auxiliar de repetidoras ou equipamentos do gênero
que tendem a aumentar a suscetibilidade a falhas do sistema.
Já estão em fase de analise, algumas instalações na área de petróleo para automação de válvulas
utilizando atuadores elétricos com interfaces ZigBee. Esta solução permite uma instalação rápida
do equipamento e sua posta em marcha sem a necessidade de uma infra-estrutura (lançamento de
tubulações) de cabeamento lógico ou de controle, que sempre são de difícil instalação em plantas
de processo.

Figura 13: Exemplo de aplicação em automação industrial

4.3 Aplicação de medição automática de consumo de energia elétrica


Os dispositivos ZigBee podem ser a solução para implementar sistemas de leitura de consumo de
energia automatizados, sua capacidade de roteamento e comunicação bidirecional resolvem o
problema da formação de grandes redes, o corte de energia e re-ligamento do consumidor podem
ser realizados remotamente, os níveis de consumo poderão ser monitorados em tempo real, a
tarifação pode ser diferenciada por consumidores e horários desviando os picos de consumo e
evitando desta maneira cortes no fornecimento de energia por sobrecarga na rede.

Figura 14: Exemplo de aplicação em medição de energia

4.4 Aplicação em transporte de cargas


Dentro de cada container, sensores formam uma rede. Múltiplos containeres em um navio formam
uma malha para informar dados dos sensores
Aumenta a segurança e controle da carga, o processo de liberação dos containeres torna-se mais
rápidos e os conteúdos podem ser conhecidos antes do navio aportar.
Figura 15: Exemplo de aplicação em transporte de cargas

Entre outras aplicações, podemos citar também:


Sistemas de transmissão de dados sem fio para dispositivos que controlam dados médicos, o
ZigBee pode ser usado em sistemas “home-care”, transmitindo, por exemplo, dados de um sensor
de batimentos cardíacos para um dispositivo central dentro de uma residência, o baixo consumo
que permite o uso de pequenas baterias é o maior atrativo do ZigBee neste caso;
Sistemas RFID em geral, sua capacidade de transmissão bidirecional permite o uso em sistemas
complexos e com troca de dados constante;

5 CONCLUSÃO
Começam a despontar padrões de comunicação de dados sem fio, adequados a aplicações de
automação e controle, nicho em que até o momento reinam tecnologias wireless proprietárias, na
maioria dos casos despadronizadas e principalmente, tecnologias que não possuem características
que promovam diretamente o seu emprego bem sucedido em automação.
Os padrões 802.15.4 e ZigBee representam a resposta para essas necessidades, conquanto
tenham sido desenvolvidas visando atender as necessidades específicas de automação de
processos. A realização da idéia clássica (ou sonho), de inserção de equipamentos “stand-alone”
em uma rede, finalmente toma forma e ganha força para nascer. São as redes sem fio de âmbito
restrito, da ordem de 100m, em que dispositivos inseridos na própria podem desempenhar também
funções de controle e roteamento, sendo que a interconexão dessas redes, em uma distância
maior, seria realizada por meios de comunicação (sem fio ou não) já consolidados (celular ou
padrões para redes locais sem fio – 802.11, WiMAX, etc).
Os padrões 802.15.4 e ZigBee deverão crescer muito nos próximos anos, em toda a sorte de
aplicações em automação de processos, haja vista os esforços empreendidos na sua
consolidação, bem como a aposta dos mantenedores da aliança ZigBee.
A In-Stat/MDR, uma empresa de pesquisa de tecnologia, prediz que a venda de dispositivos
802.15.4 e chipsets aumentará essencialmente de atualmente zero para 165 milhões de unidades
antes de 2010. Nem todas estas unidades obrigatoriamente obedecerão ao padrão ZigBee, mas
provavelmente a maior parte.
Outra pesquisa, da empresa ON Work, prevê uma demanda de 465 milhões de sensores sem fios
com módulos de RF antes de 2010, com 77% deles obedecendo ao padrão ZigBee.
De certo modo, o futuro promissor do ZigBee será em grande parte devido a suas baixas taxas de
dados, de 20 até 250 Kbps, dependendo da faixa de freqüência usada. Pequena taxa se
comparada a um 1 Mbits/s da velocidade Bluetooth e 54 Mbits/s para um padrão 802.11g.
Mas o ZigBee não é aplicável ao envio de e-mail e documentos grandes, como o Wi-Fi; ou
multimídia, como o Bluetooth. Por enviar leituras de sensores que são tipicamente algumas
dezenas de bytes, não é necessária uma grande largura de banda, e a baixa largura da banda do
ZigBee ajuda-o a cumprir suas metas de baixo consumo de potência, baixo custo e robustez.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
GUTIÉRREZ, José A.; CALLAWAY, Edgar H.; BARRETT, Raymond L. Low-Rate Wireless Personal Area
Networks, IEEE Press, Nova Iorque.
http://www.zigbee.org
http://www.freescale.com

DADOS DOS AUTORES


Armando Koerig Gessinger
AIRWIRE Desenvolvimento Tecnológico Ltda.
Rua José Ingenieros, 25 – Jardim América
93032-590 – São Leopoldo – RS
Telefone: (51) 9802-1275
Fax: (51) 588-1517
E-mail: armando@airwire.com.br

Carlos Henrique Hennig


Coester Automação S.A.
Rua Jacy Porto, 1157
93025-120 – São Leopoldo – RS
Telefone: (051) 592 4000
Fax: (051) 592 5044
E-mail: chennig@coester.com.br