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Autor: Carlos Santana

Curso de Tecnologias de Informação e Comunicação Multimédia


TI267.09

Cencal

CLC7

Formadora: Ana Raimundo

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19 de novembro de 2009

Índice

Introdução................................................................4
Juventude.................................................................5
Formação em Inglaterra...........................................7
Regresso à Índia.......................................................8
A vida na África do Sul.............................................8
De volta à Índia......................................................11
A segunda Guerra Mundial.....................................15
A Divisão da Índia...................................................16
Princípios de Gandhi...............................................18
Cronologia..............................................................19
Conclusão...............................................................21
Webgrafia...............................................................22

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Introdução

Entre os grandes teóricos que modificaram o quadro político e


ideológico do mundo do século XX, figura este homem de austeridade
inflexível e absoluta modéstia, que se queixava do título Mahatma
(Grande Alma), atribuído, contra a sua vontade, pelo poeta
Rabindranath Tagore. Num país em que a política era sinónimo de
corrupção, Gandhi introduziu a ética através do exemplo e da
pregação. Viveu na pobreza, jamais concedeu benesses aos seus
familiares e recusou sempre o poder político, antes e depois da
libertação da Índia. Esta recusa converteu o líder da não-violência
num caso único entre os revolucionários de todos os tempos.

Pretendo com esta biografia dar a conhecer a vida e os feitos de uma


personagem que marcou o século XX e que ficou para a história como
um homem exemplar.

Este foi um homem, intemporal, um exemplo de vida para todos nós,


que pena é não ser seguida por muitas outras figuras deste mundo
com poderes para alterar o rumo dos acontecimentos do mundo.

Iremos assim e ao longo do texto viajar pelas diversas partes da sua


vida, desde o seu nascimento até à sua morte, relatando as vivências
e feitos mais relevantes da vida de Mahatma Gandhi.

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Biografia

Juventude

A 2 de Outubro de 1869, nascia Mohandas Karamchand Gandhi, mais


conhecido por Mahatma que significa "A Grande Alma", em
Kathiawar, cidade costeira do estado de Porbandar, na Índia. O seu
pai era Karamachand Gandhi o dewan (ministro de Porbandar) e
pertencia à casta dos Banias, e a mãe Putlibai era uma Vaishnavite
religiosa, provinha da seita dos Pranamis, que misturavam o
hinduísmo com os ensinamentos do corão. Era uma mulher
profundamente religiosa e austera. Eram descendentes de
mercadores (a palavra gandhi significa vendedor de mercadorias). No
futuro, Mahatma Gandhi viria a liderar mais de 250 milhões de
Hindus.

Na formação espiritual de Mohandas, que tinha um ilimitado amor


pelos seus pais, para além da adoração à deusa Vishnu professada
pela família, concorreram uma série de culturas e credos, entre os
quais o hindu e o muçulmano. Mas o mais importante na sua filosofia
talvez tenha sido o Jain, que doutrinava a não-violência não só com os
animais e seres humanos, mas também com as plantas, os micróbios,
a água, o fogo e o vento. Exemplo típico de tardia genialidade,
Mohandas foi um adolescente calado, retraído e nada brilhante nos
estudos académicos e nunca chamou a atenção nas escolas de
Rajkot.

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Gandhi aos 7 anos em 1876
Aos 13 anos, e segundo o costume hindu, casaram-no com uma
rapariga da sua idade chamada Kasturbai, a quem estava prometido
desde os seis anos sem o saber. O jovem esposo enamorou-se
apaixonadamente de Kasturbai, e para fazer amor com ela,
abandonou o leito do seu pai moribundo na noite exacta em que este
acabaria por falecer. Este facto deixou uma culpa inapagável em
Gandhi, que mais tarde se declararia contra o casamento entre
crianças e a favor da castidade sexual. Deste casamento nasceram
quatro filhos, todos meninos: Harlal Gandhi (1888), Manilal Gandhi
(1892), Ramdas Gandhi (1897) e Devdas Gandhi (1900).

A família decidiu mais tarde enviá-lo para Londres para os cursos de


advocacia de Inner Temple, cujas exigências eram menores que as
das universidades indianas. Com tanto medo como excitação, o
jovem embarcou em Bombaim em Setembro de 1888. Tinha 19 anos
e acabava de ser pai pela primeira vez. Antes de partir, tinha
prometido solenemente à sua mãe não seguir o costume inglês de
comer carne, uma vez que o vishnuísmo o proibia. Várias vezes na
sua adolescência tinha transgredido essa norma, influenciada por um
amigo que lhe aconselhava a carne para se assemelhar em força aos
ingleses.

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Formação em Inglaterra
Viveu três anos em Londres, frequentou a faculdade de Direito de
Londres e formou-se em 1891.

Gandhi em Inglaterra por volta de 1889

Assistindo à descoberta do Oriente pelo Ocidente, e começando assim


a conhecer teólogos que o iniciaram na leitura do primeiro clássico
indiano, o Bhagavad Gita, que chegaria mais tarde a considerar o
livro por excelência para o conhecimento da verdade. Também ali
teve contacto com os ensinamentos de Jesus Cristo, e durante algum
tempo sentiu-se tão atraído pela ética cristã que chegou a hesitar
entre esta e o hinduísmo. Dessa época também, são as suas
tentativas de sintetizar os preceitos do budismo, do cristianismo, do
islamismo e da sua religião originária, através do que dizia ser o
princípio unificador de todos eles: a ideia de renúncia.

Nestes anos decisivos para a sua formação, leu Tolstoi, em quem


mais tarde encontraria o guia para o aperfeiçoamento da prática e
teoria da não-violência.

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Regresso à Índia
Regressou à Índia com o seu título de advogado, mas apesar de ter
ido à procura da sabedoria ocidental, voltava com o segredo que
tinha tornado sábios os hindus.

Ao regressar ao seu lar, na índia em 1891, encontrou a sua família


desintegrada: a sua mãe tinha morrido pouco tempo antes e os
Gandhi tinham perdido toda a sua influência na corte principesca.
Como advogado não tinha muitas perspectivas de sucesso,
terminando num humilhante fracasso logo a sua primeira intervenção
profissional, emudecendo ao dirigir-se ao tribunal. Foi então que uma
empresa comercial muçulmana lhe ofereceu um contrato para um
caso de um empresa em Durban, e Gandhi não deixou passar a
oportunidade. Embarcou para a África do Sul em 1893.

A vida na África do Sul


No país dos antigos colonos holandeses, vivia uma colónia hindu
maioritariamente formada por trabalhadores a quem os ingleses
chamavam desrespeitosamente sami. Não tinham quaisquer direitos,
eram menosprezados e discriminados racialmente, como pôde
verificar por si próprio o jovem advogado em algumas viagens de
comboio.

Gandhi no seu escritório na África do Sul

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Após terminar o seu trabalho, Gandhi estava prestes a regressar à
Índia, quando soube da existência de um projecto lei para retirar o
direito de sufrágio aos hindus. Decidiu então adiar a partida por um
mês para organizar a resistência dos seus compatriotas, o que não
sabia é que esse mês ia-se converter em 22 anos.

Durante essa grande etapa da sua vida, a sua maior preocupação foi
a libertação da comunidade indiana, e foi assim dando forma às
armas de luta que mais tarde utilizaria no seu país. Nos primeiros
anos, convencido das boas intenções do colonialismo britânico, abriu
um escritório para defender os seus compatriotas ante os tribunais
em Joanesburgo e propôs-se criar um movimento dedicado à
manifestação por meios legais. Fundou o jornal The Indian Opinion,
para unir a comunidade indiana e, como instrumento de agitação
legal, criou o Congresso Indiano de Natal. As suas simpatias
anglófonas levaram-no, durante a guerra contra os boers, a organizar
o Corpo Indiano de Ambulâncias, acção que mereceu duras críticas
por parte dos nacionalistas indianos.

Gandhi com o "Indian Ambulance Corps" durante a "Segunda Guerra dos Boers"

A partir de 1904, a actividade de Gandhi sofreu uma alteração


notável: depois de ler a crítica do capitalismo em Unto The Last, de
John Ruskin, modificou o seu estilo de vida e passou a adoptar uma
simples existência comunitária nos arredores de Joanesburgo, onde
fundou uma comuna chamada Tolstoi. Nessa época desenvolveu a
teoria do activismo não-violento, que colocou em prática pela

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primeira vez ao opor-se à lei de registo. Esta lei obrigava todos os
indianos a inscreverem-se num registo especial com as suas
impressões digitais. Gandhi ordenou aos seus compatriotas que não
se inscrevessem, que exercessem o comércio nas ruas sem licença e,
mais tarde, que queimassem os seus cartões de registo frente à
mesquita de Joanesburgo. Tal como muitos dos seus seguidores, foi
preso por diversas vezes, mas o movimento de resistência civil
obteve vários êxitos parciais.

Gandhi vestido como satyagraphi, activista da não-violência, em 1913.

Em 1913, o protesto contra um imposto considerado injusto traduziu-


se numa marcha através do Transvaal, até Natal. No ano seguinte, as
autoridades britânicas voltaram atrás nesse imposto e autorizaram os
asiáticos a residir em Natal como trabalhadores livres. A vitória
parecia absoluta, e Gandhi, que tinha abandonado as vestes
europeias em sinal de protesto, partiu definitivamente da África do
Sul com a sua mulher e filhos. A longo prazo, todas as conquistas da
comunidade indiana foram perdidas e as autoridades daquele país
endureceram ainda mais a sua política racista, mas a África do Sul
tinha sido o local de ensaio onde Gandhi desenvolveu e comprovou as
tácticas que mais tarde havia de utilizar na sua terra natal.

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De volta à Índia
Gandhi voltou à Índia em 1915 como um verdadeiro herói, mercê das
suas campanhas no estrangeiro. O povo de Bombaim prestou-lhe um
caloroso acolhimento, o governador inglês fez questão de recebê-lo e
o poeta Rabindranath Tagore deu-lhe as boas-vindas na sua
Universidade Livre de Santiniketan.

Pouco depois de chegar, na cidade de Ahmedabad, fundou uma


comunidade quase monástica, em que estavam proibidas as
vestimentas estrangeiras, as comidas com especiarias e a
propriedade privada. Os seus membros dedicavam-se unicamente a
duas tarefas materiais: a agricultura, para obter o sustento, e a
produção de tecidos manuais, para se abrigarem. Aqui se deu início a
uma luta que Gandhi havia de manter durante todo o resto da sua
vida: a batalha contra as marcas do hinduísmo e a favor dos
intocáveis. O primeiro passo foi admiti-los como membros da
comunidade.

Nesses primeiros anos, Gandhi abandonou toda a agitação política de


modo a apoiar os esforços bélicos da Grã-Bretanha na Primeira
Guerra Mundial, chegando mesmo ao recrutamento de soldados para
o exército inglês. A sua entrada na política indiana só se veio a
realizar em Fevereiro de 1919, quando a aprovação da Lei Rowlatt,
que estabelecia a censura e indicava duras penas para qualquer
suspeito de terrorismo ou insurreição, lhe veio abrir os olhos para as
verdadeiras intenções dos imperialistas ingleses no seu país. Gandhi
passou então a encabeçar a oposição a essa lei. Organizou uma
comissão de propaganda a nível nacional de acordo com o princípio
da não-violência, que começou com uma greve geral. Prontamente
estas manifestações se estenderam a todo o país, havendo ainda

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alguns focos de violência, apesar da insistência do líder no carácter
pacífico desses actos de expressão pública. Quando chegou a Delhi
para apaziguar a população, Gandhi foi detido.

Gandhi jejuando, a criança ao lado é Indira Gandhi, filha de Nehru e futura Primeira-
ministra da India.

Poucos dias depois, a 13 de Abril, o Brigadeiro General Dyer ordenou


os disparos sobre a multidão reunida na cidade de Amritsar. O
colonialista inglês tinha mostrado o seu verdadeiro rosto sanguinário
e brutal: quase 400 pessoas foram assassinadas e milhares ficaram
feridas. Mas as autoridades britânicas viram-se obrigadas a
reconsiderar as suas tácticas, e a Lei Rowlatt nunca entrou em vigor.
Nos anos seguintes ao massacre de Amritsar, Gandhi converteu-se no
líder nacionalista indiscutível, alcançando a presidência do Congresso
Nacional Indiano, partido fundado por Alan Octavius Hume em 1885,
que ele soube converter num instrumento efectivo em prol da
independência. De um agrupamento das classes médias urbanas,
passou a ser uma organização de massas com raízes no povo e no
campesinato. Puseram-se em marcha grandes campanhas de
desobediência civil, que iam desde a negação massiva a pagar
impostos até ao boicote às autoridades. Milhares de indianos
encheram as prisões, e mesmo Gandhi voltou a ser detido em Março
de 1922. Dez dias mais tarde começava o “Grande Julgamento”, em
que Mahatma se declarou culpado e considerou a sentença de seis

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anos de prisão como uma honra, pelo que a sessão terminou com
uma reverência mútua entre juiz e acusado.

Quando saiu da prisão, uma apendicite fez com que as autoridades


coloniais o libertassem em 1924, encontrou um panorama político
bastante alterado: o Partido do Congresso tinha-se dividido em duas
facções e a unidade entre hindus e muçulmanos, conseguida com o
movimento de desobediência civil, tinha desaparecido. Gandhi
decidiu então retirar-se da política, para viver como um anacoreta,
em absoluta pobreza e procurando o silêncio como força
regeneradora. Retirado em Ashram, converteu-se no chefe espiritual
da Índia, no dirigente religioso de fama mundial que muitos
ocidentais que procuravam a paz espiritual tratavam como um
mestre.

O seu retiro acabou de forma brusca em 1927, quando o governo


britânico nomeou uma comissão para a reforma da Constituição, em
que não participava nenhum nativo. De volta à luta política, Gandhi
conseguiu que todos os partidos do país fizessem boicote a essa
comissão. Pouco depois, a greve de Bardoli, em apoio à recusa de
pagar impostos, terminava com um êxito total. A vitória do
movimento animou o Congresso a declarar a independência da Índia,
a 26 de Janeiro de 1930, e encarregou Mahatma da direcção da
campanha de não-violência para levar à prática essa resolução. Este
escolheu como objectivo da mesma o monopólio do sol que afectava
particularmente os pobres, e partiu de Sabartami a 12 de Março com
79 voluntários rumo a Dandi, uma povoação costeira que distava 385
quilómetros. O pequeno movimento estendeu-se como uma onda por
toda a Índia: os camponeses forravam de ramos verdes os caminhos
onde passaria esse homem pequeno e semi-nu, com um bastão de
bambu, a caminho do mar e à frente de um enorme exército pacífico.
No dia do aniversário do massacre de Amritsar, Gandhi chegou à

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costa e pegou num punhado de sal. Desde esse momento, a
desobediência civil foi imparável: deputados e funcionários locais
demitiram-se, soldados do exército indiano recusaram-se a disparar
sobre os manifestantes, as mulheres aderiram ao movimento; tudo
isto enquanto os seguidores de Gandhi invadia pacificamente as
fábricas de sal.

Gandhi na “marcha do sal” em 1930.

A campanha terminou com um pacto de compromisso entre Gandhi e


o vice-rei, em virtude do qual se legalizava a produção de sal e se
libertavam os cerca de 100.000 presos detidos durante as
manifestações populares. Além disso, Gandhi era enviado a Londres
para estabelecer um governo constitucional na Índia. A presença de
Mahatma em Inglaterra, à margem da enorme recepção popular, não
trouxe resultados favoráveis para a causa, e ao regressar ao seu país,
verificou que Nehru e outros líderes do Congresso estavam uma vez
mais presos.

Várias vezes na sua vida, Gandhi recorreu ao jejum como forma de


pressão contra o poder, como forma de luta espectacular e dramática
para deter a violência ou chamar a atenção das massas. A falta de
humanidade no sistema de castas, que condenava os párias a uma
absoluta indigência e ostracismo, fez com que Gandhi convertesse a
abolição da intocabilidade numa meta fundamental dos seus esforços.

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E na prisão de Yervada, onde tinha sido encarcerado novamente, fez
um jejum até à morte contra a celebração de eleições separadas
entre hindus e párias. Assim obrigou todos os líderes políticos a
acudir junto do seu leito de prisioneiro para assinar um pacto com o
consentimento inglês. A sua obra de pedagogia popular para curar a
sociedade hindu não terminou aqui. Distanciado do Congresso, face à
decepção que lhe provocava as manobras dos seus políticos, dedicou-
se a visitar povos distantes, insistindo na educação popular, na
proibição do álcool e na libertação espiritual do homem.

Gandhi em 1931.

A segunda Guerra Mundial


O início da Segunda Guerra Mundial foi o motivo para que Gandhi,
uma vez mais, retornasse ao primeiro plano político. A sua oposição
ao conflito bélico era absoluta e não compartilhava da opinião de
Nehru e de outros líderes do Congresso, inclinados a apoiar a luta
contra o fascismo. Mas a decisão do vice-rei de incorporar o
subcontinente nos preparativos bélicos da Inglaterra sem consultar os
políticos locais clarificou as águas, provocando a demissão em massa
dos ministros pertencentes ao Congresso. Após a toma de Rangoon
pelos japoneses, Gandhi exigiu a completa independência da Índia,
para que o país pudesse escolher livremente as suas posições. No dia

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seguinte, a 9 de Agosto de 1942, era preso juntamente com outros
membros do Congresso, o que provocou uma sublevação popular
seguida por uma série de violentas revoltas em todo o território
indiano. Esta foi a última prisão de Mahatma e talvez a mais dolorosa,
pois foi a partir do seu presídio em Poona que soube da morte da sua
mulher, Kasturbai. Era já um ancião frágil e debilitado quando saiu
em liberdade no ano de 1944.

Terminada a guerra, e dada a subida ao poder dos Trabalhistas em


Inglaterra, Gandhi desempenhou um papel fundamental nas
negociações que conduziram à sua libertação.

A Divisão da Índia
Gandhi posicionou-se veementemente contra qualquer plano que
dividisse a Índia em dois estados, o que efectivamente aconteceu,
criando a Índia - predominantemente hindu - e o Paquistão -
predominantemente muçulmano.
No entanto, a sua posição opositora face à partição do subcontinente
nada conseguiu contra a determinação do líder da Liga muçulmana,
Jinnah, defensor da separação do Paquistão.

Magoado com o que considerou ser uma traição, em 1946 Mahatma


viu com horror como os antigos fantasmas indianos ressurgiam
durante a celebração da tomada de posse de Nehru como primeiro
chefe de governo, que foi pretexto de violentos distúrbios entre
hindus e muçulmanos. Gandhi mudou-se para Noakhali, onde tinham
começado as lutas, e caminhou de povoação em povoação, descalço,
tentando deter os massacres que acompanharam a separação em
Bengala, Calcuta, Bihar, Cachemira e Delhi. Mas os seus esforços só
serviram para acirrar o ódio que sentiam por ele os fanáticos

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extremistas de ambas as facções: os hindus atentaram contra a sua
vida em Calcuta e os muçulmanos fizeram o mesmo em Noakhali.
Durante os seus últimos dias em Delhi, iniciou um jejum para
reconciliar as duas comunidades, o qual afectou gravemente a sua
saúde. Ainda assim, apareceu de novo em público alguns dias antes
da sua morte.

Gandhi ora num encontro em 1946.

A 30 de Janeiro de 1948 em Nova Déli, quando ao anoitecer se dirigia


a uma oração comunitária, foi atingido pelas balas disparadas por um
jovem hindu radical que responsabilizava Gandhi pelo
enfraquecimento do novo governo ao insistir no pagamento de certas
dívidas ao Paquistão, Nathuram Godse. Tal como tinha previsto a sua
neta, morreu como um verdadeiro Mahatma, com a palavra Rama
(Deus) nos lábios. Como disse Einstein, «talvez as gerações vindouras
duvidem alguma vez de que semelhante homem fosse uma realidade
de carne e osso neste mundo».

Godse foi julgado, condenado e enforcado, a desrespeito do último


pedido de Gandhi, a não punição do seu assassino.

No seu último suspiro, então com 78 anos, Mahatma cantou o nome


de Deus. O corpo de Mahatma Gandhi foi cremado e as suas cinzas
foram lançadas no rio Ganges.

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Princípios de Gandhi
A filosofia de Gandhi e as suas ideias sobre o satya e o ahimsa foram
influenciadas pelo Bhagavad Gita e por crenças hindus e da religião
jainista. O conceito de 'não-violência' (ahimsa) permaneceu por muito
tempo no pensamento religioso da Índia e pode ser encontrado em
diversas passagens do textos hindus, budistas e jainistas. Gandhi
explica a sua filosofia como um modo de vida na sua autobiografia A
História dos meus Experimentos com a Verdade (As Minhas
Experiências com a Verdade, em Portugal) - (The Story of my
Experiments with Truth).

Estritamente vegetariano, escreveu livros sobre o vegetarianismo


enquanto estudava direito em Londres (onde encontrou um
entusiasta do vegetarianismo, Henry Salt, nos encontros da chamada
Sociedade Vegetariana). Ser vegetariano fazia parte das tradições
hindus e jainistas. A maioria dos hindus no estado de Gujarat eram-
no, efectivamente. Gandhi experimentou diversos tipos de
alimentação e concluiu que uma dieta deve ser suficiente apenas
para satisfazer as necessidades do corpo humano. Jejuava muito e
usava o jejum frequentemente como estratégia política.

Gandhi renunciou ao sexo quando tinha 36 anos de idade e ainda era


casado, uma decisão que foi profundamente influenciada pela crença
hindu do brachmacharya, ou pureza espiritual e prática, largamente
associada ao celibato. Também passava um dia da semana em
silêncio. Abster-se de falar, segundo acreditava, trazia-lhe paz
interior. A mudez tinha origens nas crenças do mouna e do shanti.
Nestes dias ele apenas comunicava com os outros escrevendo.

O título de Mahatma atribuído a Gandhi representa um


reconhecimento do seu papel como líder espiritual.

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Depois de voltar à Índia da sua bem-sucedida carreira de advogado
na África do Sul, deixou de usar as roupas que representavam riqueza
e sucesso. Passou a usar um tipo de roupa que costumava ser usada
pelos mais pobres entre os indianos. Promovia o uso de roupas feitas
em casas (khadi).

Gandhi e os seus seguidores fabricavam artesanalmente os tecidos


da própria roupa e usavam esses tecidos nas suas vestes; também
incentivava os outros a fazer isso, o que representava uma ameaça
ao negócio britânico - apesar dos indianos estarem desempregados,
em grande parte pela decadência da indústria têxtil, eram forçados a
comprar roupas feitas nas indústrias inglesas. Se os indianos fizessem
as suas próprias roupas, arruinaria a indústria têxtil britânica, ao
invés de fortalecê-la.

O tear manual, símbolo desse acto de afirmação, viria a ser


incorporado na bandeira do Congresso Nacional Indiano e na própria
bandeira indiana.

Gandhi também era contra o sistema convencional de educação em


escolas, preferindo acreditar que as crianças aprenderiam mais com
os seus pais e com a sociedade. Na África do Sul, Gandhi e outros
homens mais velhos formaram um grupo de professores que
ensinava directamente e livremente às crianças.

Dentro do ideal de paz e não-violência que ele defendia, uma de suas


frases foi: "Não existe um caminho para paz! A paz é o caminho!".

Cronologia

• 1869 - 2 de Outubro: Gandhi nasce em Porbandar.


• 1885 - Fundação do Congresso Nacional Indiano.

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• 1888 - Gandhi vai para Londres para estudar Direito.
• 1893 - Abril: Gandhi chega à África do Sul.
• 1894 - Maio: Gandhi funda o Congresso Indiano de Natal.
• 1899 - A Guerra dos Bôeres na África do Sul.
• 1907 - Julho: Acto de Registo dos Asiáticos do Transvaal torna-
se lei e Gandhi lança a campanha de Satyagraha.
• 1903 - 16 de Agosto: Gandhi lidera um comício em
Johannesburg e encoraja a queima dos certificados de registo.
• 1914 - Gandhi e Smuts negociam o Acto de Reforma da
Questão Indiana.
• 1915 - 9 de Janeiro: Gandhi volta à Índia.
• 1919 - Gandhi inicia o hartal nacional.
• 1919 - 13 de Abril: O massacre de Amritsar.
• 1920 - Gandhi reconhece o Partido do Congresso e começa a
campanha da Satyagraha.
• 1924 - Gandhi conduz um jejum pela união hindu-muçulmana.
• 1930 - A Marcha do Sal e a campanha de Satyagraha.
• 1931 - 4 de Março: Irwin e Gandhi assinam o Pacto de Delhi.
• 1931 - Setembro: Conferência da Mesa-Redonda em Londres.
• 1942 - Movimento "Deixem a Índia!".
• 1947 - 22 de Março: Lorde Mountbatten, o último vice-rei, chega
à Índia.
• 15 de Agosto: A Índia torna-se independente e Nehru é
nomeado primeiro-ministro.
• 1948 - 30 de Janeiro: Gandhi é assassinado por Nathuram
Godse.
• 1966 - Indira Gandhi torna-se primeira-ministra.

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Conclusão
Conhecer a biografia de Gandhi é, ao mesmo tempo, entender o
processo de descolonização da Índia. É uma história marcada por
lutas, religiosidade política, preconceito, intolerância e filosofia de
vida. Visto como um mito religioso, Mahatma Gandhi era acima de
tudo um homem que procurava o auto-conhecimento, o auto controle
e entendia que a sua missão era lutar por uma Índia (ou por que não
dizer um mundo) mais justo, solidário e pacífico. E para isso não
usava da força bruta, fundamentava suas acções nos princípios do
Satyagraha (firmeza na verdade) para combater o regime imperialista
britânico, de forma não violenta.
Com uma voz miúda, Gandhi conseguia mobilizar multidões pregando
a não-violência. O cenário inicial foi a África do Sul onde, como
advogado, enfrentou a arrogância racista e defendeu os interesses
dos indianos que moravam neste país. A viagem à África do Sul não
tinha grandes objectivos. Gandhi, recém-formado, foi enviado para
ajudar juristas locais a redigirem uma acção judicial, mas o
preconceito racial elevado ao extremo alimentou o seu desejo de
justiça e a gota de água ocorreu quando ele foi espancado sem
motivos.
Vejo a figura de Gandhi como algo emblemático, seus movimentos
fundiram religião e política num mesmo emaranhado. A primeira era
o meio usado para disseminar os valores normalmente pregados pela
segunda. Sempre preocupado com o amor entre as pessoas, flagelou
o seu corpo várias vezes com longos jejuns no intuito de aumentar a
sua percepção e sensibilizar o povo quando a situação era de conflito.
A prisão foi a sua morada por vários momentos, mas isso nem de
perto atingiu a sua influência, pelo contrário isso só aumentava o
amor e admiração que o povo tinha por Bapu (pai). Usava estes
momentos com muita dignidade, humildade e sabedoria. Sempre com
a sua roca de fiar, Mahatma passava horas fazendo tecido, escrevia
cartas, artigos, respondia à correspondência e meditava por longas
horas.
Gandhi foi um sábio líder pacifista, com grande amor à humanidade
que lutou contra o gigante império britânico e o falso progresso da
civilização moderna baseada no lucro. Uma luta travada com
diplomacia e não-violência da sua parte. Mas apesar de conseguir

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mobilizar multidões a resistir pacificamente, isso nem sempre era
possível.
A partir da biografia de Mahatma Gandhi, vejo-o como um grande
homem que procurou a sua evolução e da humanidade. Foi um
homem sempre consciente dos seus erros e da sua missão.

Webgrafia

• http://pt.wikipedia.org/wiki/Mahatma_Gandhi

• http://www.biografiasyvidas.com

• http://www.gandhi-manibhavan.org/

• http://www.gandhiserve.org/

• http://www.gandhi.hpgvip.ig.com.br/index.html

• http://www.nossosaopaulo.com.br/Reg_SP/Politicos/Gandhi.htm

• http://www.e-biografias.net/biografias/mahatma_ghandi.php

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