Escola Secundária/3 José Cardoso Pires

Junho de 2008 * Periodicidade: Anual * Realizado pelo Departamento de Estudos Românicos, com os alunos de Língua Portuguesa e Português * Colaboração da Oficina de Escrita

OLHARES
SAÚDE
Páginas 2 e 3

DESTAQUES
Encontrará, nesta rubrica, artigos sobre TERAPIAS ALTERNATIVAS e DISTÚRBIOS ALIMENTARES.

Escola Viva - Escola Comunidade
o âmbito do projecto Escola Viva - Escola Comunidade, marcado por actividades lúdicas e pedagógicas, tivemos a oportunidade de receber, no dia 24 de Abril, a filha do patrono da nossa escola, Ana Cardoso Pires, a viúva do escritor e o editor Nelson de Matos. Por uma feliz coincidência, também se comemorou a edição mais recente de um dos livros encontrados após a sua morte: Lavagante - encontro desabitado. No intuito de associar as duas celebrações, a professora Guilda Correia desafiou três alunas do 12.ºA a lerem o livro referido e apresentarem uma biobibliografia do autor, uma análise da obra e a sua contextualização. Além disso, a escola aproveitou para exibir trabalhos de alunos em homenagem a José Cardoso Pires, o que permitiu uma interacção positiva entre a sua filha e as pessoas presentes (professores e alunos). O encontro finalizou com algumas questões colocadas a Ana Cardoso Pires sobre a obra Lavagante e o seu pai, e ponderações de Nelson de Matos sobre a literatura de José Cardoso Pires, escritor que marcou a cultura portuguesa pelos seus ideais e pela vontade de tornar a

AMBIENTE
Onde pode ler um texto sobre o AQUECIMENTO GLOBAL, suas consequências e algumas sugestões para o reduzir.

N

Visita de Ana Cardoso Pires

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ESCRITA CRIATIVA
Onde pode ler, entre outros textos, os trabalhos vencedores do CONCURSO LITERÁRIO 2008, que este ano teve como tema «A Magia das Palavras».

Páginas 5 a 9

LEITURAS
Nesta secção terá oportunidade de conhecer ou relembrar o CONTEÚDO DE ALGUNS LIVROS, através da opinião dos leitores.

Páginas 10 e 11

ACONTECEU NA ESJCP
Rubrica dedicada à divulgação de algumas actividades, onde poderá encontrar informação sobre VISITAS DE ESTUDO e sobre a participação da escola no CONCURSO «ENTRE PALAVRAS», promovido pelo Jornal de Notícias.

pátria lusa num território aberto ao mundo e à sabedoria. Esta visita foi deveras importante para a comunidade escolar, pois deu-nos a oportunidade de conhecer as pessoas que indirectamente estão envolvidas na ESJCP. Apenas esperamos vislumbrar mais oportunidades destas.
Cheila Pinto

12º A
Redacção do Jornal: Professora Helena Alcobia Professor João Carlos Costa

Páginas 16 a 20
Olhares

Página 1

SAÚDE

Terapias Alternativas
Designam-se por alternativas as terapias que não seguem as vias da medicina convencional.
Há alguns anos, estas práticas eram encaradas com reserva e consideradas obscuras. Hoje, graças à abertura das mentalidades e ao conhecimento de práticas de outras culturas, a expressão terapias alternativas é já substituída por terapias complementares, visto que em instituições de saúde são muitas vezes aplicadas simultaneamente com a medicina convencional ocidental. Terapia com Animais Há alguma controvérsia sobre de onde provem e a quando remonta a terapia com animais, mas pensa-se que possa ter começado no séc. IX, na Bélgica, onde as pessoas com necessidades especiais eram incentivadas a cuidar de animais domésticos. Recentemente, tem sido estudada esta terapia, que consiste em recorrer aos animais para auxiliar a recuperação física ou psicológica de crianças e adultos, processo terapêutico no qual estão envolvidos o terapeuta, o animal e o treinador. Os animais usados têm características comportamentais e morfológicas adequadas e recebem previamente um treino específico de um especialista que acompanha o animal na terapia. Animais de terapia como cães, gatos, aves, cavalos, burros, golfinhos e até macacos, ao interagirem com indivíduos com deficiência mental, orgânica ou motora, desenvolvem estímulos como a atenção, a concentração, a capacidade de comunicação e a locomoção. Os cães são muito usados como recurso terapêutico (cinoterapia), pela sua confiança e autodomínio, e é comum guiarem pessoas com dificuldades de visão, auxiliando-as no dia-a-dia. Duas das espécies de animais também muito comuns nestas terapias são o cavalo (equoterapia ou hipoterapia) e o burro (asinoterapia), que são importantes no acompanhamento de crianças com paralisia cerebral, síndrome de Down e hiperactividade. Não só montar o animal, como escová-lo e alimentá-lo, é benéfico para a coordenação motora e bemestar emocional. A delfinoterapia, em que o animal de terapia é o golfinho, tem revelado também muito bons resultados, principalmente com crianças autistas que, depois dos tratamentos, têm demonstrado muito mais capacidade de aprendizagem. A terapia com golfinhos pode também curar depressões e ajudar pessoas que sofrem de doenças como síndrome de Down ou surdez. A Aromoterapia A Aromoterapia consiste na aplicação terapêutica de óleos essenciais que são extraídos de flores, folhas, caules, frutos e raízes, e também destilados de resinas. A Aromoterapia é uma das técnicas de cura mais antigas. Já no tempo do Neolítico, eram utilizadas plantas para dar sabor à comida, ajudar a curar ferimentos e suavizar a pele seca. No antigo Egipto, usavam-se óleos no processo de mumificação. Hoje, a prática da Aromoterapia encontra-se bastante difundida pelos quatro cantos do mundo, mas ainda é, na maioria dos países, considerada como uma medicina complementar.

Em França, a Aromoterapia faz parte da formação médica. A aplicação dos óleos é feita em pequenas quantidades, através de inalação, massagens, banhos, compressas, difusores de ambiente, etc. Ocasionalmente, um produto é usado internamente. Os óleos essenciais não podem ser usados no seu estado puro, têm de ser misturados e diluídos em veículos neutros, como óleos vegetais ou álcool de cereais. Estes possuem propriedades antisépticas, como as da lavanda e do gerânio, que são eficazes contra infecções causadas por bactérias, vírus e fungos. São também apreciados pelas propriedades desintoxicantes, como o louro, o limão, o eucalipto, e pelos seus efeitos calmantes e relaxantes, que provocam uma sensação de bem-estar e harmonia. A Aromoterapia tende a curar as causas da doença. A principal acção terapêutica dos óleos essenciais consiste em fortalecer os órgãos e as suas funções, e agir sobre os mecanismos de defesa do corpo. As terapias com animais e a aromoterapia são duas das muitas terapias complementares que existem. Estas tendem a ser cada vez mais procuradas, não só pela necessidade de novas experiências como pelos óptimos resultados que se têm obtido.

Ana Sofia Sá Costa Inês Margarida Peralta Ferrreira

8º C

Página 2

Olhares

A anorexia nervosa é uma disfunção alimentar, caracterizada por uma rígida dieta alimentar, que provoca um baixo peso corporal.
A anorexia nervosa é uma doença que envolve componentes psicológicos, fisiológicos e sociais. Uma pessoa com anorexia nervosa é chamada de anoréctica, sendo que uma pessoa anoréctica pode ser também bulímica. A anorexia nervosa afecta principalmente adolescentes do sexo feminino e jovens mulheres do hemisfério ocidental, mas também afecta alguns rapazes. No caso dos jovens adolescentes de ambos os sexos, poderá estar ligada a problemas de auto-imagem, dificuldade em ser aceite pelo grupo. Isto acontece especialmente se houver algum tipo de obsessão, história de

abuso sexual ou de buling. A taxa de mortalidade da anorexia nervosa é de aproximadamente 10%, uma das maiores de entre as mortes causadas por transtorno psicológico.
Texto adaptado (http://pt.wikipedia.org/wiki/Anorexia_nervosa)

Tukayana Quaresma Vilmar Pindalé

10º B

A ortorexia
Comer saudavelmente contribui para o bem-estar e ajuda a prevenir doenças crónicas e degenerativas. Porém, a alimentação saudável pode tornar-se num distúrbio alimentar, se for levada muito a sério, denominando-se Ortorexia. Este termo é um neologismo baseado no grego orthos que significa correcto e orexis que significa apetite. Foi criada por Steven Bratman, um médico americano, com o intuito de baptizar um quadro ou uma condição que ele define como um novo distúrbio alimentar, no qual os indivíduos demonstram uma fixação patológica em comer alimentos saudáveis. O objectivo dos ortorécticos é ingerirem alimentos que contribuam para o bom funcionamento do organismo e libertem o corpo e a mente de impurezas, para alcançarem um corpo saudável. Evitam tudo o que consideram patogénico e defendem que tudo tem de ser extremamente limpo, porque pensam que a higiene e a pureza originam saúde. Além disto, a abstenção de ingerir alimentos gordos e com açúcar, a preocupação exagerada com a confecção, composição, origem e comercialização dos alimentos, a leitura detalhada dos rótulos dos mesmos e a falta de confiança nos restaurantes, levando-os a confeccionar pratos exclusivos para eles próprios, são outros comportamentos dos ortorécticos. Os grupos que impõem mais restrições na sua dieta alimentar como, por exemplo, os vegetarianos e os macrobióticos, podem constituir a população de risco desta doença. As causas principais da ortorexia são a obsessão pelo estado de saúde e o medo de engordar.
Olhares

A dependência de uma alimentação saudável, o afastamento dos familiares e a falta dos nutrientes existentes nos alimentos que não consomem (donde decorrem doenças como a anemia e as avitaminoses) são as consequências mais graves da ortorexia. O seu tratamento consiste na psicoterapia, para que haja um processo de reeducação alimentar e uma assistência psicológica de modo a controlar o problema por completo. Envolve uma variada equipa de especialistas (como nutricionistas, psicólogos, entre outros), mas também a família e os amigos. Apresentamos a seguir os procedimentos básicos a adoptar quando esta disfunção é diagnosticada: - Reconhecer a existência do problema em si mesmo, parar de pensar o tempo todo em alimentos saudáveis e encarar a ortorexia como um mal e não como uma virtude; - Identificar as razões que o levaram a tornar-se obsessivo; - Adoptar gradualmente uma alimentação equilibrada, variada e completa.
Texto adaptado de: http://wikipedia.org/wiki/Ortorexia

Rui Capelas André Santos

9º A
Página 3

SAÚDE

A anorexia

AMBIENTE

O aquecimento global
O dióxido de carbono e outros gases aquecem a superfície do planeta naturalmente, mantendo o calor solar na atmosfera.
Isso é bom porque mantém o nosso planeta habitável. Porém, ao queimar combustíveis fósseis como o carvão, o gás e o petróleo e deitando abaixo florestas, aumentamos dramaticamente a quantidade de dióxido de carbono na amosfera da Terra, provocando um aumento de temperatura. A vasta maioria dos cientistas concorda que o aquecimento global é uma realidade, já está a acontecer e não é uma ocorrência natural, mas sim o resultado das nossas actividades. As provas disso são indiscutíveis. Já estamos a ver mudanças. Os glaciares estão a derreter, as plantas e os animais estão a ser forçados para fora do seu habitat e o número de tempestades e secas está a aumentar. O número de furacões da categoria 4 e 5 quase duplicou nos últimos 30 anos. A malária espalhou-se para locais de maior altitude, lugares como os Andes Colombianos, 2133 metros acima do nível médio da água do mar. O movimento do gelo dos glaciares duplicou na Gronelândia, na década passada. Pelo menos 279 espécies de plantas e animais já estão a responder ao aquecimento global, movimentandose para mais perto dos pólos. Se o aquecimento continuar, podemos esperar consequências catastróficas, tais como: - mortes que, devido ao aquecimento global, duplicarão em apenas 25 anos, podendo atingir até 300000 pessoas por ano; - a subida de mais de 6 metros dos níveis médios globais da água do mar, devido à perda de gelo na Gronelândia e Antártida, devastando áreas junto ao litoral por todo o mundo; - as ondas de calor serão mais frequentes e mais intensas; - as secas e os fogos irão ocorrer com mais frequência; - o oceano Ártico poderá ficar completamente desprovido de gelo no Verão, por volta de 2050; - a extinção de mais de um milhão de espécies de todo o mundo, por volta do ano de 2050. Não há dúvida de que podemos resolver este problema. Na verdade, temos a obrigação moral de o fazer. Pequenas mudanças na nossa rotina diária podem ajudar a reduzir o aquecimento global. O dia em que começamos a mudar o mundo é hoje. Não fiques indiferente!

todos os anos para a atmosfera. A propósito, algumas marcas desenvolveram motores tão limpos que o ar que sai do tubo de escape é mais puro do que o ar de certas cidades norte-americanas. A utilização de lâmpadas de baixo consumo também pode impedir que muitas toneladas de CO2 sejam enviadas para a atmosfera.

Pequenos gestos que podem fazer uma grande diferença
Às vezes, bastam pequenos gestos para salvar o mundo. Há coisas que podemos fazer sem muito sacrifício e que podem diminuir a quantidade de dióxido de carbono que lançamos para a atmosfera. Se muita gente abdicar de um guardanapo por dia, ao longo de um ano, pode-se poupar mais de um milhão de toneladas de papel. Mudar para um carro que consuma menos combustível ou mudar para um carro movido a uma energia renovável (energia solar...etc), pode reduzir drasticamente a quantidade de dióxido de carbono que enviamos

Desligar os aparelhos, como por exemplo o computador, a televisão, o microondas, os telemóveis... etc., quando não os estamos a utilizar, é igualmente importante. Comer menos carne de vaca também poderia diminuir consideravelmente os níveis de poluição. Por estranho que pareça, a indústria de criação de gado bovino para consumo humano é das indústrias que envia mais dióxido de carbono para a atmosfera. Isto acontece porque os gases emitidos pelo gado são mais do que todo o dióxido de carbono enviado para a atmosfera por todos os automóveis na América do Norte.
Patrícia Marques

8º C
Olhares

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Sem ti, não sou ninguém Tenho medo de me perder Peço imensa desculpa se te fiz sofrer Por ti, farei o que for preciso Por favor, dá-me o teu sorriso Fica a meu lado Quero ser o teu namorado Amo-te mais que tudo Quero ser o teu abrigo O tempo voa quando estou contigo Eu sou teu amigo Serei teu companheiro Por mim, estava contigo o dia inteiro Tidus

- Boas, eu sou o Atmos e sou o deus da atmosfera E acho que o deus Baco está a ser uma verdadeira fera. Eu dou o meu voto à deusa Vénus da beleza, pois os portugueses buscam a glória e não a riqueza São bons navegadores e aproveitam muitos ventos E nesta viagem já passaram por muitos tormentos Baco, já estás a ver isto a dar para o torto, Mas não te honrarão os portugueses com o famoso vinho do Porto? E a coragem que todo eles têm nos seus corações É comparada à força e agressividade dos próprios leões Os portugueses a navegar ganham asas de condor E não foi um português que dobrou o Bojador? Eles já navegaram por muitas terras estranhas E a grandeza dos seus feitos é equiparável à maior das montanhas Júpiter, rei dos deuses, o meu voto já está dado Agora espero que o teu seja o mais ajuízado.
João Felizardo

9º A

Quero tudo o que nunca foi Um dia... serei. Hoje sou. E todos os dias desejo ser ainda mais. Procuro. Descanso. Conquisto.

Mas nada quis voltar... Afinal, eu mudei... Cresci? Isso não sei. Mudei apenas.. E tu também. Conquisto. Sou rei... de mim mesmo.

Não me deixo cair em terra, nem quero. Vivo para viver e nunca deixar de ser. Sou eu(s) apenas. E tudo o que me revolta aqui dentro. Quer sair! Mas eu não deixo. Vou-me deixando consumir a mim mesmo. Vou bem fundo. Procuro. Quero que tudo volte a ser o que nunca foi. O presente revolta-me. Grito ao vento, e ele passa-me ao lado, olha para mim com um ar de desdém. Ele não quer saber... não se importa... Nem ele nem o mundo. E às vezes nem eu... Descanso. Sento-me. E não sinto nada daquilo que já senti. Quis sentir a vitória, a glória... quis sentir, apenas... Sentir...
Olhares

Luis Lanção

12º F

Tu Tu és o fogo que minhas veias incendeia, A luz que meus passos ilumina, Seduz e alucina Meu doce perigo. És como uma canção, Ao vento, imaginária, Dissipando a solidão. Como uma cascata de águas cálidas, Seguindo seu curso lentamente. És o meu fruto proibido, O jardim onde não posso entrar, És o meu sonho escondido, Que a realidade vai mostrar. És o meu pecado favorito...
Nuno Giro

12º E

ESCRITA CRIATIVA
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Em ti me encontrei Em ti me revi Pensa o que quiseres Não sei viver sem ti

A propósito do episódio do Consílio dos Deuses no Olimpo d'Os Lusíadas, de Luís de Camões, o João Felizardo, do 9º A criou o seguinte discurso:

ESCRITA CRIATIVA

Algo * Houve um dia em que o sol acordou diferente, em que o azul do céu se apresentou de uma outra forma. Nesse dia, tudo deixou de ter aquele vulgar sentido... tudo deixou de, simplesmente, parecer agradável. Nesse dia, não houve um único constrangimento que tomasse conta da (minha) respiração. Nesse dia... um grão de esperança libertou-se e instalou-se, relutantemente, em frente a todo um olhar que ia ficando desprovido de asas, desprovido de sonhos, desprovido de algo!... A partir desse dia, nenhum desalento deteve a vontade de correr. A partir desse dia, nenhuma gota de água se mostrou capaz de travar o (meu) esplendoroso sentir. A partir desse dia, toda a história se redigia da forma mais inesperada, mais marcante, mais sólida, mais... Hoje, tudo aquilo que se constrói é suportado pelo brilho de uma insólita essência capaz de significar mais que o mundo que, por sua vez, suporta sonhos, desejos, apertos, afrontas, mas, acima de tudo, suporta algo! Tudo aquilo que retemos, o sol, que outrora havia acordado de forma diferente, fará, alegremente, vingar.
Ricardo Lima

12º E

O que seria do mundo sem as suas nuvens? Do céu sem os mares? Ou das estrelas... exibicionistas, sem milhares de olhos, que contemplam a sua beleza? E a Lua? Ó doce Lua, tão sombria és, e tanto me fascinas! Pálida, serena, fria e solitária. Quantas almas, perante ti realizaram belas juras de amor? E tu, apenas te limitaste a ouvi-las. És tu, Lua, quem desperta nos homens as suas vidas, mas tão distante te encontras, que nem às minhas cartas poderás responder. Tão solitária és, que me rejeitas, me ignoras... Ó Lua, o que seria de mim sem ti?
Zk

Sinto ... Sinto tudo... Mas... ao mesmo tempo... não sinto nada... Sinto que este vazio se vai apoderando de mim ...de dia para dia. Sinto que a tua falta se entranha em mim. Da forma mais dura... insana. Sei tudo, mas não sei nada... Preciso de ti...

J.P.

12º D

CONCURSO LITERÁRIO A MAGIA DAS PA L AV R A S
Divulgamos aqui os dois textos de alunos premiados no concurso literário de 2007/2008, organizado pelo Departamento de Estudos Românicos e a Oficina de Escrita. Escalão A - Ensino Básico - 1º prémio
que é realmente uma palavra? Eu diria que não é nada. Apenas um monte de rabiscos (des)ordenados. Mas a verdade é que lhes devemos algum crédito, são a nossa primeira fonte de comunicação, permitem-nos expressar os nossos sentimentos, o que nos vai na alma, e é mais que certo que o mundo não funcionaria sem elas, não funcionaria. As
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O

palavras vêm em vários tamanhos e feitios, valor e poder. Temos as mais pequenas, menos valiosas e menos poderosas como olá, adeus... etc. Mas há muito por detrás de uma palavra, por exemplo, a maneira como a dizemos, um até logo pode estar com tanto ódio por detrás que pode querer dizer: seu sacana, espero que quando te voltar a ver estejas enfiado num caixão.
Olhares

Mas nem todos os até logos são assim, há também aqueles que estão carregados de amor: conto todos os nanossegundos até te ver de novo, amo-te! Mas, novamente, isto não deve ser tomado literalmente, é só um exemplo e nada disto é científico. Por falar em científico, temos as palavras científicas, as mais inteligentes, mais poderosas, demasiado orgulhosas e, sobretudo, são umas palavras muito pedantes, nem se dignam a ser escritas na mesma língua que se fala no país onde estão a ser utilizadas, sempre em latim... pfff. Outro dos problemas das palavras é que não são iguais em todo o lado, o que se torna bastante aborrecido, até perigoso. Quantas pessoas sofreram, ou mesmo foram mortas, por causa de uma simples falha de comunicação? Diriam: não muitas, alias nenhumas, mas estamo-nos a esquecer da guerra no Iraque, o número de mortos é incalculável, civis muitos deles. E tudo por causa de uma falha de comunicação gravíssima entre americanos e iraquianos, uma falha que é mais profunda do que uma simples incompreensão da língua estrangeira, uma falha que não compreendemos e que não podemos reparar. Há outra situação bastante incómoda com as palavras: é que muitas combinações delas não se podem dizer, principalmente as mulheres, que se sentem cada vez menos encorajadas a dizer o que pensam. Diz-se às crianças para não opinarem, algo inconveniente pode ser suicídio social e algumas provocam brigas apaixonadas. Na minha opinião não devia haver preconceitos, sussurros atrás das costas (embora desde pequeno me digam que por trás pode-se dizer tudo), discriminação e sobretudo mexericos. Os mexericos são a escumalha das palavras, são os fungos que crescem na casca podre de uma árvore, aliás são o lixo que se deposita por baixo do fungo. São aquilo que pode destruir uma pessoa, na pior das hipóteses, e deixá-la seriamente humilhada, na melhor. São aquilo que, em noventa e nove por cento das vezes, é completamente mentira e que é apenas inventado e espalhado para entreter as massas e, diga-se de passagem, estas também não lhes acham grande piada. Depois temos as declarações de amor, são aquelas palavras muito lamechas por si só e que quando estão juntas formam uma lamechice tão grande que muitas pessoas têm dificuldade em manter o almoço no estômago. Temos também as confissões, provavelmente as palavras mais saudáveis, saudáveis porque, se não forem ditas, corroem as entranhas como ácido e acabam por dar uma azia muito grande a uma pessoa, são aquelas palavras que, ao serem ditas e ao dizeremnos de volta que está tudo bem, parece que, de repente, o sol brilha com mais intensidade e que nos retiraram um enorme elefante cor-de-rosa de cima do peito. Na minha opinião são as melhores de todas. Claro que nem todas as palavras são agradáveis e têm uma razão de ser, há sempre as terríveis asneiras, algumas tão grandes que as pessoas consideram um pecado mortal dizê-las, mas, sinceramente, o que é uma asneira? Uma palavra, muitas vezes uma forma desagradável de dizer outra coisa, mas não passa de uma palavra, um aglomerado inerte de letras, que por sua vez são rabiscos e linhas pretas (não obrigatoriamente, também podem ser azuis, verdes, amarelas... etc). As pessoas apenas as dizem porque não é suposto dizê-las, se não fossem proibidas socialmente as
Olhares

pessoas não lhes prestavam atenção nenhuma, ou seja, a melhor maneira de impedir uma pessoa de dizer alguma coisa é dizer-lhe que o pode dizer. Depois há as verdades e as mentiras. As primeiras podem ser duras, cruas, macias, surpreendentes, desagradáveis, inconvenientes, convenientes e muito mais, contam aquilo que realmente se passou, contam o que aconteceu, o que foi dito e apenas isso, e não têm a culpa de o fazerem. Muitas pessoas não as apreciam, mas a culpa é de quem as decide revelar ao mundo. As mentiras são usadas normalmente para encobrir as verdades menos convenientes ou desagradáveis, embora existam casos bastante horríveis, mas não raros, de mentiras completamente desnecessárias, apenas utilizadas para infligir dor. Uma das mais bonitas formas de palavras são as letras das canções, que contam tanta coisa como uma história, mas que, normalmente, estão carregadas com a bagagem emocional de alguém que quer expor a sua dor, felicidade, fortuna ou miséria ao mundo. Acho que muitas pessoas não vivem sem música, talvez porque se identificam muito com ela, mas sinceramente não faço a mínima ideia porquê. O facto é que ela nos ajuda a passar pelos momentos mais difíceis da nossa vida e alegra os nossos momentos mais felizes. E todas as pessoas têm uma música, ou, como no meu caso, um CD, que lhes faz lembrar alguma coisa, quer seja boa ou má, e não passamos um dia sem ouvi-la e sentimos que morreríamos se a perdêssemos. Acho que a relação dos seres humanos com a música é das mais peculiares, uma relação assaz estranha. E, por último, a utilização final das palavras (embora tenha a certeza de que me esqueci de alguma), e a mais útil, as palavras contadoras de histórias! São aquelas que fazem aquilo e, exclusivamente, aquilo que queremos. Podemos transformar um sapato num bisonte, uma caneta num rato e muito, muito mais! Não são só os escritores que produzem estas palavras contadoras de histórias, as histórias podem vir de qualquer pessoa: de um velho sentado ao pé da lareira com os seus netos, de uma mãe que tenta adormecer os seus filhos, de um pai que quer contar como roubava as maçãs do vizinho, de uma criança a contar como foi o seu dia, de uma adolescente a escrever no seu diário, de um homem adulto que quer contar à família como era horrível estar no escritório ou de uma família muito unida que discute apaixonadamente algum assunto ao jantar. E pronto, a magia das palavras é poderem transformar algo feio em algo belo, algo belo em algo feio, é poderem destruir, construir, humilhar, envergonhar, alegrar, tornar miserável, omitir, desmascarar, aliviar, culpar, é poderem transformar um sapato num rato, um castelo num pântano. É a magia de transformar tudo em nada, e é a magia de pegar no vazio e criar tudo a partir dele. As palavras são aquilo que nos faz viver, que nos faz vibrar. Mas volto a repetir: o que é realmente uma palavra? Só, não é rigorosamente nada. As palavras fazem as pessoas, mas as pessoas fazem as palavras, fazem-nas ser o que realmente são, sem pessoas as palavras são gatafunhos, esquecidos e entorpecidos por não os usarem.
Patrícia Marques

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ESCRITA CRIATIVA

ESCRITA CRIATIVA

Escalão B - Ensino Secundário - 1º prémio
meu fiel dragão dorme depois de uma dura batalha que travámos juntos em defesa da luz do nosso mundo mágico, que tantos querem destruir. "Aidan" sabe que no mundo das palavras tudo é possível, por isso fica atento e num acto de afecto envolve-me no seu corpo, num abraço profundo, para que eu esteja e me sinta sempre protegida. Assim fico… Lembro-me por efémeros momentos quando o encontrei nesta praia, ainda dentro do grande ovo, prestes a eclodir. Assim fico… Neste magnífico areal branco, em que o meu olhar se fixa neste mar, tão meu. Sinto-o. O seu cheiro está gravado em mim, assim como o murmúrio das ondas que me afaga. Busco o silêncio, encontro a verdade. Avanço para a folha em branco e arrisco desenhar uma letra após outra, como uma dança que nasce instintivamente do vazio, de forma perpétua, no rumo da vontade, e sempre sem destino final. Assim nascem as minhas palavras, que ainda são apenas um fragmento de melodia. Toquei as teclas do piano das musas e, sucessivamente, vão surgindo tantas e tantas palavras, num turbilhão de escolhas aleatórias de imaginação, fantasia e quimera, e algumas memórias de um passado muito presente, e dum futuro escrito por mim. Reflectem como um espelho de alma, por vezes desnuda até ao tutano, exibindo as tatuagens da vida que escondo dia-a-dia. É sempre assim… Em conjunto, as palavras formam um enredo esplêndido. São tudo e nada. Podemos pensá-las (que seria do pensamento sem palavras?!), podemos sonhá-las, mas o importante é senti-las - mesmo que cada um as sinta de modo diferente, e de maneira diferente a cada momento, independentemente do significado que se lhes dá. Cada palavra tem o seu sabor, que depende de pessoa para pessoa. Abro o meu livro preto, de letras doiradas, como o sol que me ilumina. As palavras são o meu sonho, realidade que crio todos os dias, para fugir do verdadeiro real. É nelas que me envolvo agora ao ler o que outrora escrevi, e em momentos viajo… Caminho no areal, percorrendo-o devagar à beira mar, deixando para trás pedaços de vida marcados em cada pegada. O mar que me salga o coração beija-me suavemente a pele. As minhas lágrimas salgadas da dor caminham para ele, pois fazem parte dele. O meu olhar prende-se ao horizonte, e o pensamento não existe, são palavras perdidas - soltas ao vento, como os meus longos cabelos. Ao longe vejo o teu vulto. Reconheço o teu corpo, sinto e reconheço a tua alma. Caminhamos um para o outro e abraçamo-nos. Há muito que estás ausente. Perdi-te, ou perdeste-me no dia em que partiste para outro mundo. Os teus olhos, rubis resplandecentes, dizem as palavras que quero ouvir, mas que tu calas. O teu silêncio grita em mim. Pegas-me suavemente na mão e montamos o teu Pégaso, cavalo branco e alado que te acompanha na

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vida. Atravessámos o tempo e o espaço, e mostrasteme este mundo, de onde eu fujo tantas e tantas vezes. Estivemos na selva fresca, e apreciámos ao pormenor a essência da Natureza. Cada árvore é símbolo da evolução perpétua. Mergulhámos no lago formado pela mais bela cascata, e fomos álveo fluído de um rio, que percorre montes e vales, até chegar ao tão desejado mar. Num milhafre sobrevoámos as longas e fortes muralhas, mas foi numa ave que passámos por savanas e parámos no deserto quente, de terras áridas. O deserto é mais velho e sábio, e é tão grande que os horizontes ficam longe, sentimo-nos pequenos e ficamos em silêncio, ouvindo apenas o bater dos corações. Como gaivotas, rasgámos o imenso e majestoso mar, e voltámos à praia do destino - a ilha de onde partimos. O dia estava a acabar, e o céu tingia-se de uma mistura de cores, escorregámos no arco-íris, símbolo de caminho e meditação, entre o céu e a terra, porta aberta para outro mundo. Ainda o astro-rei não se tinha deitado, já a lua nos espreitava, tímida, mas cúmplice de mim… e de nós. Anoiteceu. A noite escura surgiu, já nós estávamos no largo da costa. Mareámos pelo mar calmo - que embalou os nossos corpos, no pulsar das ondas. Bebemos o licor sagrado, o néctar do amor. Demonos. Almas unidas, num só corpo. Como num pedaço de dança, o homem completa a mulher. Como o dia, com o sol - masculino -, se completa com a lua - feminina. Sentámo-nos na lua crescente, como o nosso espírito, onde observámos o indescritível céu estrelado, e acabámos por adormecer. O alvorecer já estava a surgir quando acordámos na praia. A tua partida era certa. As palavras que trocámos pelo olhar triste, mas cintilante, eram suficientes, para sabermos o que sentíamos. Era a despedida final, peremptória, ambos sabíamos disso. Abraçaste-me de uma forma como nunca o tinhas feito. A dor da despedida apertava o coração. Sabíamos que apenas era uma separação física, mas esse sofrimento era imenso. Partiste em direcção à luz, no desejo de passares a cortina do fogo - que te tornaria imortal. Assim fico… Eu, essência das águas, nascida da agitação do mar e das levezas da sua espuma - só, na penumbra da vida. Apenas no mundo das palavras é possível trazer-te para mim. Só nas palavras de quem sonha é possível viajar, e recuar e avançar no tempo, como uma brincadeira de criança. É nas palavras que me refugio de tudo e todos, do mundo cruel, da inveja, da maldade, da guerra… Onde tudo pode acontecer quando, e simplesmente, como eu quero. Assim fico… No colo de "Aidan", vislumbrando o mar, onde me perco para me encontrar. Fecho o meu livro. Hoje não escrevo.
Luna

(pseudónimo)
Olhares

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"Amigo não é uma palavra, é algo mais que uma união". […] Amigo é "aquele que nos lê nos olhos o que nos vai no coração". Amizade não se descreve em palavras, sente-se em cada momento, gesto, palavra, tempo e memórias que juntos são vividos, inesquecíveis por mais tempo que passe. Amigos são estrelas no universo a que chamamos "vida", e amizade é a cor que pinta o nosso mundo, que faz o dia mais escuro parecer ensolarado, é ter sempre alguém que se assegura de que o nosso sorriso jamais esmorecerá. […] Amizade é transformar um sorriso numa conversa, é olhar um para o outro por horas e sentir que foi a melhor conversa que alguma vez tivemos. Amigo é aquele com quem nos

podemos comportar como verdadeiros "idiotas" e, não importa a razão, é aquele que se rirá connosco e não de nós […] aquele que está ao nosso lado até ao final dos tempos, mandando todas as lágrimas embora, que sorri quando sorrimos, e sente a dor que estamos a sentir. Um amigo pode não estar apto para nos erguer a cabeça, mas pensará em todas as maneiras de não nos deixar cair. É aquele que, apesar de ferido, tem força para nos dar a mão. Enfim… Amizade é o início de um começo sem fim.
Inês Andrade

10º F

AUTO-RETRATO
"Quem sou eu?" Mas será que existe mesmo alguém capaz de responder a esta pergunta aparentemente tão simples, mas no fundo com uma complexidade gigantesca?... Afinal… Quem sou? […] Uma rapariga normal… Amada por uns, odiada por outros e indiferente aos restantes, porém, apenas mais uma num milhão. Já pensei que era feliz e descobri que ninguém o pode ser a cem por cento. Já me senti a mais neste Mundo e cheguei à conclusão de que o Mundo pertence à harmonia, sendo o ser humano o caos. […] Já sonhei bem alto e cheguei à conclusão de que, quanto mais alto sonhasse, maior era a queda; então, aprendi a pensar primeiro com a cabeça e só depois agir com o coração. Já descobri que há coisas "simples" que se tornam tão difíceis… E magoam, quando podiam ser a melhor coisa do Mundo. Já pensei ter construído "sonhos em cima de grandes pessoas", mas cheguei à conclusão de que "grandes eram os sonhos, e as pessoas? Pequenas demais para torná-los reais". Já senti a falta de alguém e já chorei por ela também. […]. Hoje tomo a atitude, mostro quem sou e como sou, não o que querem que eu seja, mostro que eu, […], posso ser muito mais do que eu mesma penso que seja. […]. Tenho muitos amigos, […] verdadeiros,
Olhares

que se preocupam comigo e que, quando rio, mas no fundo só me apetece chorar, são eles que lá vão estar, com o seu ombro amigo, de corpo e alma a quererem ver-me bem, ou até mesmo nas alturas em que chegamos a chorar de tanto rir… E fico tão feliz com isso …[…] E, depois de tanto pensar, cheguei à conclusão de que, apesar de tudo e de todos os obstáculos que a vida nos possa propor, e de injustiças que possa haver, o Mundo está em permanente movimento, em constante mudança, e que por vezes é preciso perdermos cem para ganharmos mil, "pedras no meu caminho? Vou apanhálas e mais tarde construir um castelo", é esse o espírito! Sei que ainda tenho tanto, mas tanto para aprender… Enfim, eu sou, apenas eu e somente eu, e sempre o serei, e há-de haver sempre alguém que goste de mim como sou, porque não somos perfeitos, como ninguém o é, mas somos e seremos para sempre… Únicos.

Inês Andrade

10º F

Texto com supressões da autora

ESCRITA CRIATIVA
Página 9

AMIZADE

LEITURAS

Partilha de experiências de livros lidos pelos alunos
Título da obra:

A Lua de Joana
Autor:

Maria Teresa Maia Gonzalez
Editora: Verbo Data de edição: Outubro de 1994
Este livro de Maria Teresa Maia Gonzalez é um livro que leva o leitor a penetrar no mundo de Joana, uma rapariga de 14 anos, habituada ao mundo moderno, que perde a sua melhor amiga, vítima de uma overdose. Depois dos rituais fúnebres , Joana cai na realidade e perde o chão. Por isso, decide começar a escrever cartas à amiga, para conservar a sua memória e para tentar perceber e aceitar tal tragédia. Joana sempre fora uma menina de excelentes resultados escolares, sociável e bem-disposta. Vivia com os pais, que tinham uma vida profissional invejável (o que significava ter dinheiro para todos os luxos), mas bastante ausentes, com o irmão mais velho, com quem não podia contar, e com a avó Ju, a única pessoa que tinha sempre um conselho e uma palavra amiga para dar. Mas depois, a avó Ju faleceu. Triste e sem saber com quem contar, Joana começa a seguir o mesmo caminho lento, mas fatal que a sua amiga seguira. Ela sentia-se tão fragilizada com os problemas que a envolviam que nem se lembrou do sofrimento que causaria aos outros e a si mesma. Logo ela, que tanto condenou a amiga por tudo que fez. A história de Joana acabou como a de muitos jovens toxicodependentes, com a morte. Tudo porque foi procurar amor, carinho e compreensão onde não devia,

ou seja, na droga. Na minha opinião, esta obra é o espelho de muitas famílias da nossa sociedade: - Pais que acham que dão tudo o que é preciso. - Filhos que procuram encher o vazio que os seus pais deixam nos seus corações. Gostei particularmente de um poema que Joana escreveu, que diz tudo, e que deixa qualquer um pensativo: "Se fosses da minha idade Podia falar contigo Se tu fosses meu colega Podia estudar contigo Se tu fosses uma bola Podia jogar contigo Se tu fosses meu irmão Podia embirrar contigo Se tu fosse meu amigo Podia contar contigo. És meu pai (em part-time) Que posso fazer contigo?!" Ludmila Silva

9º C

Adorei esta obra, foi um livro que me comoveu. É uma história que fala do tempo, o tempo que falta aos adultos para estarem com os filhos e, quando dão por si, já perderam a pessoa que amavam. Este foi o caso de Joana. Foi tarde para ela e para o pai. Depois de não podermos voltar atrás e estarmos com a pessoa que amamos, para quê ter tempo? "Desapertou a correia do relógio e pousou-a devagar sobre a mesinha. Agora tinha todo o tempo do mundo. Para quê?" Ana Isabel Almeida de Sousa

9º C

Título da obra:

Vagabundos de nós
Autor:

Daniel Sampaio
Li há pouco tempo o livro Vagabundos de nós, de Daniel Sampaio, publicado pela Editoral Caminho. O livro fala sobre Diogo (o filho) e Luísa (a mãe), que nos revelam o seu mundo muito próprio, através de confidências. Luísa observa Diogo Página 10

a crescer e apercebe-se das suas diferenças, nas atitudes, nos gostos, na sensibilidade e nas amizades que procura. O jovem sente-se perdido, pensa que não pertence a nenhum lugar, não se identifica. A mãe dá-se conta do seu sofrimento, mas tem medo de admitir o que sempre soube e o seu instinto protector leva-a a criar um mundo a dois, isolado do restante núcleo familiar. Para mim, foi um livro muito interessante. Lê-lo foi aprender uma experiência duríssima, que me fez perceber que ser diferente não é uma questão de escolha. A obra fala da capacidade de amar, de paciência e de compreensão. "Levas contigo os sonhos que tive quando te inventei?" "Não gostei de me ver crescer." "... Além de maricas vou ser pedófilo?" "Vagabundos da nossa condição, os segundos passariam, sem pressa, de um para outro." Joana Bandeira

9º C
Olhares

História de uma Gaivota e do Gato que a ensinou a voar
Autor:

Luis Sepúlveda
Esta obra fala sobre a vida de Zorbas, um gato preto que vive no porto de Hamburgo, a partir do momento em que lhe é confiada a segurança de um ovo de uma gaivota, a pedido da mesma que estava a morrer. Essa gaivota pediu a Zorbas que protegesse o ovo, cuidasse da gaivota e que a ensinasse a voar. Para cumprir os desejos da gaivota, Zorbas pediu ajuda a vários amigos gatos para cuidar dela e ensiná-la a voar. Para esta missão quase impossível e tentada sem sucesso, Zorbas pediu ajuda a um humano, dono de uma linda gata e, sem problemas, o humano ajudou a gaivota a iniciar o seu primeiro grande vôo. Para mim este livro é uma verdadeira prova de amizade entre dois seres que, à partida, não se davam. Adorei lêlo. Aqui ficam dois excertos que te convidam à leitura da obra: "Protegemos-te desde que saíste da casca. Demos-te todo o nosso carinho sem nunca pensarmos em fazer de ti um gato. Queremos-te gaivota. Sentimos que também

Nota sobre o autor: Luis Sepúlveda nasceu em Ovalle, no Chile, em 1949. Reside actualmente em Gijón, em Espanha, após viver entre Hamburgo e Paris. Membro activo da Unidade Popular chilena nos anos setenta, teve de abandonar o país após o golpe militar de Pinochet. Viajou e trabalhou no Brasil. Uruguai, Paraguai e Peru. Viveu no Equador entre os índios Shuar, participando numa missão de estudo da UNESCO. Sepúlveda era, na altura, amigo de Chico Mendes, herói da defesa da Amazónia. Dedicou a Chico Mendes O Velho que Lia Romances de Amor, o seu maior sucesso. Perspicaz narrador de viagens e aventureiro nos confins do mundo, Sepúlveda concilia com sucesso o gosto pela descrição de lugares sugestivos e paisagens irreais com o desejo de contar histórias sobre o homem, através da sua experiência, dos seus sonhos, das suas esperanças.
Rui Miguel Dias Capelas

9º A

Título da obra: Autor:

O Triunfo dos Porcos
George Orwell
George Orwell é um pseudónimo de Eric Arthur Blair. Nasceu em 1903, em Bengala, foi educado na Inglaterra e tirou Jornalismo. Publicou O Triunfo dos Porcos em 1945 e é também autor do famoso livro 1984. Morreu em 1950 de tuberculose. Resumo A história desta fábula decorre numa quinta, onde um homem governa e faz tudo o que quer com os animais a ela pertencentes. Esta não é uma quinta qualquer, pois por entre os animais fomenta-se a revolta, cujo mentor é um porco (considerada a espécie mais inteligente). Este está já no final da vida e decide partilhar os ensinamentos dos seus avós com todos os outros animais da quinta, para que estes possam ser livres da tirania dos humanos. A revolta instala-se, mas o porco morre e ficam assim dois outros porcos como líderes. Estes instauram um hino, «Os Animais de Inglaterra» , uma bandeira, os sete mandamentos e tomam algumas medidas, como o Domingo Livre, onde os animais não trabalham e têm apenas que assistir a uma comemoração em honra da revolta. A esta seita chamam Anibalismo. Um dos líderes, descontente, treina, em segredo, nove Olhares

grandes cães e um dia manda-os atacar o outro porco, que se vê obrigado a fugir. Sendo o único líder, altera tudo, e todos os mandamentos do Anibalismo, ao longo do tempo, vão sendo alterados. Por exemplo, um dos mandamentos menciona que todos os animais são iguais e têm os mesmos direitos. Porém, os porcos e os cães são os únicos animais da quinta que não trabalham. Depois de todos os animais terem lutado contra o regime ditatorial instaurado pelo Homem, o resultado da revolta acabou por ser uma nova ditadura, mas agora imposta por um dos próprios animais. Comentário Eu gostei muito deste livro porque relata a história de uma revolução entre os animais de uma quinta e o modo como todas as suas ideias acabaram por sofrer alterações devido à corrupção, à mentira e ao poder. Acho também que é de leitura fácil e acessível a todos. Citações "Tudo o que ande com dois pés é inimigo. Tudo o que ande com quatro pés, ou tenha asas, é amigo. E lembrem-se também de que, ao lutarmos contra o Homem, não devemos vir a parecer-nos com ele. Mesmo quando o vencermos, não devemos adoptar os seus vícios."
Ana Margarida Matias

9º A

LEITURAS
Página 11

Título da obra:

gostas de nós, que somos teus amigos, a tua família, e é bom que saibas que contigo aprendemos uma coisa que nos enche de orgulho: aprendemos a apreciar, a respeitar e a gostar de um ser diferente. É muito fácil aceitar e gostar dos que são iguais a nós, mas fazê-lo com alguém diferente é muito difícil, e tu ajudaste-nos a consegui-lo. És uma gaivota e tens de seguir o teu destino de gaivota. Tens de voar. Quando o conseguires, Ditosa, garanto-te que serás feliz, e então os teus sentimentos para connosco e os nossos para contigo serão mais intensos e belos, porque será a amizade entre seres totalmente diferentes. - Tenho medo de voar - grasnou Ditosa endireitando-se. - Quando isso acontecer eu estarei contigo - miou Zorbas lambendo-lhe a cabeça. - Prometi isso à tua mãe. A jovem gaivota e o gato grande, preto e gordo começaram a andar. Ele lambia-lhe a cabeça com ternura e ela cobriu-lhe o dorso com uma das suas asas estendida."

BIOGRAFIAS

Antero de Quental
Antero Tarquínio de Quental nasceu no dia 18 de Abril de 1842, na ilha de São Miguel - Açores, e faleceu no dia 11 de Setembro de 1891. Desde jovem destacou-se pelas suas opiniões revolucionárias e pela forma de estar na vida. Lutador e muito congruente com os seus ideais socialistas, Antero espalhou saber pela poesia, filosofia e política. O açoriano estudou direito em Coimbra, onde brilhou como líder estudantil. Foi o guia espiritual da geração de 70, um agitador político a full-time, que se afirmou pelo desejo de intervenção e renovação da vida política e cultural portuguesa. Tinha uma personalidade complexa, que oscilava entre a euforia e a mais profunda depressão e que acabou por o levar ao suicido. Em 1852, com 13 anos, vem com a sua mãe para Lisboa. Em Julho de 1858 matricula-se na Faculdade de Direito de Coimbra. O primeiro ano decorre de forma atribulada. Um excesso cometido durante a praxe aos caloiros custa a Antero de Quental oito dias de prisão. Foi muito popular no meio académico. Concluiu o curso em Julho de 1864. Daniel Jesus Sandra Gonçalves Telma Vieira

CEF Bar II Convidamos-te a ler alguns dos seus poemas:

O Palácio da Ventura
Sonho que sou um cavaleiro andante. Por desertos, por sóis, por noite escura, Paladino do amor, busca anelante O palácio encantado da Ventura! Mas já desmaio, exausto e vacilante, Quebrada a espada já, rota a armadura... E eis que súbito o avisto, fulgurante Na sua pompa e aérea formosura! Com grandes golpes bato à porta e brado: Eu sou o Vagabundo, o Deserdado... Abri-vos, portas d'ouro, ante meus ais! Abrem-se as portas d'ouro, com fragor... Mas dentro encontro só, cheio de dor, Silêncio e escuridão - e nada mais!

Mors-Amor
Esse negro corcel, cujas passadas Escuto em sonhos, quando a sombra desce, E, passando a galope, me aparece Da noite nas fantásticas estradas, Donde vem ele? Que regiões sagradas E terríveis cruzou, que assim parece Tenebroso e sublime, e lhe estremece Não sei que horror nas crinas agitadas? Um cavaleiro de expressão potente, Formidável, mas plácido, no porte, Vestido de armadura reluzente, Cavalga a fera estranha sem temor: E o corcel negro diz: "Eu sou a Morte!" Responde o cavaleiro: "Eu sou o Amor!"

A um poeta
Tu, que dormes, espírito sereno, Posto à sombra dos cedros seculares, Como um levita à sombra dos altares, Longe da luta e do fragor terreno, Acorda! É tempo! O sol, já alto e pleno, Afugentou as larvas tumulares... Para surgir do seio desses mares, Um mundo novo espera só um aceno... Escuta! É a grande voz das multidões! São teus irmãos, que se erguem! são canções... Mas de guerra... e são vozes de rebate! Ergue-te pois, soldado do Futuro, E dos raios de luz do sonho puro, Sonhador, faz espada de combate!

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Olhares

Eugénio de Andrade
Poeta português, nasceu a 19 de Janeiro de 1923 no Fundão, no seio de uma família camponesa. A sua infância foi passada com a mãe, na sua aldeia natal. Mais tarde, prosseguindo os estudos, foi para Castelo Branco, Lisboa e Coimbra, onde residiu entre 1939 e 1945. Em 1950 foi transferido para o Porto, onde fixou residência. Abandonou a ideia de um curso de Filosofia para se dedicar à poesia e à escrita, actividades pelas quais demonstrou, desde cedo, profundo interesse, a partir da descoberta de trabalhos de Guerra Junqueiro e António Botto. [Camilo Pessanha constituiu outra influência do jovem poeta Eugénio de Andrade.] A sua poesia caracteriza-se pela importância dada à palavra, quer no seu valor imaginário, quer rítmico, sendo a musicalidade um dos aspectos mais marcantes da poética de Eugénio de Andrade, aproximando-a do lirismo primitivo da poesia galego-portuguesa ou, mais recentemente, do simbolismo de Camilo Pessanha. O tema central da sua poesia é a figuração do Homem, não apenas do eu indivídual, integrado num colectivo, com o qual se harmoniza (terra, campo, natureza - lugar de encontro) ou luta (Cidade - lugar de opressão, de conflito, de morte, contra os quais se levanta a escrita combativa). A figuração do tempo é, assim, igualmente essencial na poesia de Eugénio de Andrade, em que os dois ciclos, o do tempo e o do Homem, são inseparáveis, como o comprova, por exemplo, o paralelismo entre as idades do homem e as estações do ano. A evocação da infância, em que é notória a presença da figura materna e a ligação com os elementos naturais, surge ligada a uma visão eufórica do tempo, sentida sempre, no entanto, retrospectivamente. A essa euforia contrapõe-se o sentido doloroso provocado pelo envelhecimento, pela consciência da aproximação da morte (assumido sobretudo a partir de Limiar dos Pássaros), contra o qual só o refúgio na reconstituição do passado feliz ou a assunção do envelhecimento, ou seja, a escrita, surge como superação possível. Ligada à adolescência e à idade madura, a sua poesia caracteriza-se pela presença dos temas do erotismo e da natureza, assumindo-se o autor como o "poeta do corpo". Os seus poemas, geralmente curtos, mas de grande densidade, e aparentemente simples, privilegiam a evocação da energia física, material, a plenitude da vida e dos sentidos.

Recebeu várias distinções, entre as quais o prémio da Associação Internacional de Críticos Literários (1986), premio D. Dinis (1988), Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores (1989) e o prémio Camões (2001). Em Setembro de 2003 a sua obra Os sulcos da sede foi distinguida com o prémio de poesia do Pen Clube. Faleceu a 13 de Junho de 2005, no Porto. João Paulo Dias

CEF Bar II

As amoras
O meu país sabe a amoras bravas no verão. Ninguém ignora que não é grande, nem inteligente, nem elegante o meu país, mas tem esta voz doce de quem acorda cedo para cantar nas silvas. Raramente falei do meu país, talvez nem goste dele, mas quando um amigo me traz amoras bravas os seus muros parecem-me brancos, reparo que também no meu país o céu é azul. in Eugénio de Andrade, O Outro Nome da Terra

As palavras que te envio são interditas até, meu amor, pelo halo das searas; se alguma regressasse, nem já reconhecia o teu nome nas suas curvas claras. Dói-me esta água, este ar que se respira, dói-me esta solidão de pedra escura, estas mãos nocturnas onde aperto os meus dias quebrados na cintura. E a noite cresce apaixonadamente. Nas suas margens nuas, desoladas, cada homem tem apenas para dar um horizonte de cidades bombardeadas.

in Eugénio de Andrade, As Palavras Interditas

Olhares

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BIOGRAFIAS

PASSATEMPOS

PALAVRAS CRUZADAS
Horizontais: 1 - Relativo à eleição; 2 - feminino de mau; 3 - grito aflitivo; fruto do meloeiro; 4 - acumulação ou monte de areia nas regiões desérticas e nas regiões litorais; 5 - órgão que faz parte do ouvido médio: 7 - mulher vaidosa; 9 - fruto dum arbusto trepador do Brasil; 10 - pronome pessoal reflexo que diz respeito à tua pessoa; Verticais: 1 - Algo com elasticidade; 3 - pronome pessoal da 1ª pessoa do singular; preposição indicativa de várias relações, como lugar, tempo, modo, causa, fim, etc.; 4 - pequena povoação; 5 - destreza na luta ou no jogo da esgrima; verbo rir presente do indicativo 3ª pessoa do singular; 6 - divindade secundária feminina da mitologia grega que presidia aos rios, bosques, fontes, etc.; 7 - espécie de mandioca; 8 - conjunção que indica alternativa; 9 - contracção da preposição em com o; advérbio que significa neste instante; 10 - advérbio que significa naquele lugar; corpo redondo em toda a sua superfície.

S O PA D E L E T R A S
Abacaxi Coco Figo Kiwi Laranja Lima Maçã Manga Meloa Nêspera Pêra Romã

Joana Felizardo

8º C

A N E D O TA S
Oração do estudante: Pai nosso que estais no céu, Aumentai as nossas férias, Diminuí as nossas aulas, Perdoai as nossas cábulas, Assim como nós perdoamos a existência dos nossos professores. Não nos deixais cair em recuperação, Mas livrai-nos da reprovação... Amen No manicómio, um médico vê um paciente a pescar com uma linha dentro de uma banheira e diz - lhe: - Olhe que essa linha não tem isco na ponta! - Claro, seu estúpido! A banheira também não tem peixes.
Olhares

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S O L U Ç Õ E S

Porque é que o livro de Matemática se suicidou? R: Porque tinha problemas a mais! Um motociclista vai contra uma mulher gorda, que grita: - Não me podia ter contornado? - Bem tentei… mas tive medo de ficar sem gasolina! Numa festa, o Manel chega - se ao pé da Maria e pergunta - lhe: -Queres dançar? - Sim, claro - responde ela, feliz. - Ainda bem! É que eu queria sentar - me na tua cadeira! Quando está a morrer, o marido diz à mulher: - Tenho de te confessar que te traí com uma amiga tua! - Então porque é que achas que te envenenei!? A mãe pergunta à filha mais nova: - Que queres que o Pai Natal te dê? - Um contraceptivo! - Um contraceptivo? - Sim, é que eu tenho muitas bonecas e não quero ter mais! O capuchinho ia todo contente a cantar pelo bosque fora, quando se cruza com o lobo: - Olá, capuchinho azul! - Adeus, Lobo Daltónico! A construção da Barragem do Alqueva foi interrompida. Encontraram um fóssil raríssimo: uma pegada de um alentejano a correr.
Patrícia Marques Ana Sofia Sá Costa Mariana Varela Catarina Roleta

8º C
Olhares

8º C
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PASSATEMPOS

MAIS ANEDOTAS

ACONTECEU NA ESJCP

CAMPEONATO DISTRITAL ENTRE | PALAVRAS
Realizou-se este ano, e pela 4ª vez, a edição do Entre | Palavras, enquadrado nas comemorações dos 120 anos do Jornal de Notícias.
impostos pelo futuro. A nossa escola fez-se representar através de um grupo constituído por quatro alunas do 8º ano C, respectivamente, Catarina Roleta, Inês Ferreira, Joana Felizardo e Patrícia Marques, e pela professora coordenadora, Maria de Fátima Willman Mascarenhas, pertencente ao 8º grupo. O grupo garantiu a sua participação com a apresentação, de acordo com a mecânica do campeonato, de um trabalho subordinado ao tema: Ambiente - O Aquecimento Global. Este trabalho constou de uma parte expositiva e de uma outra em que as alunas expuseram as suas posições e argumentos "pró" e "contra". A participação dos vários grupos pautou-se pelo desportivismo, pela camaradagem e, sobretudo, pela competição saudável. Foram apresentados os vários trabalhos e, de seguida, sujeitos a votação pelas professoras coordenadoras. A nossa equipa apresentou um trabalho digno de mérito mas que não teve concorrentes à altura, uma vez que não houve termo de comparação. Contudo, foi reconhecido como um trabaho de qualidade, o que valeu à nossa escola um 5º lugar, premiado com medalhas, certificados, um diploma e um número considerável de livros para a BE/CRE, Oficina de Escrita e Clube de Línguas. Este encontro reuniu as sete escolas finalistas do distrito de Lisboa, donde saíram as duas vencedoras, que muito aplaudimos e a quem desejamos um bom trabalho! Para o ano, contamos poder participar no 5º fórum, desenvolvendo actividades que estimulem a leitura, a pesquisa e a troca de impressões, garantindo-nos um precioso contributo para a consolidação de valores fundamentais na formação de cidadãos com um sentido mais participativo, crítico e opinativo.

Este fórum, em formato pedagógico, tem sido uma prática que estimula o debate sobre as grandes questões da actualidade, preparando simultaneamente os nossos alunos para os desafios cada vez mais exigentes,

O

TEXTO CONCORRENTE,

APRESENTADO PELAS ALUNAS DA NOSSA ESCOLA
TEMA: AMBIENTE - O AQUECIMENTO GLOBAL
Hoje em dia, para além dos inúmeros problemas políticos e bélicos, enfrentamos um ainda maior: o Aquecimento Global. O Aquecimento Global consiste no aquecimento geral do planeta, provocado por um aumento do efeito de estufa. Este efeito ocorre naturalmente, aliás, sem ele a Terra não teria a temperatura amena que tem hoje (cerca de 15ºC) mas sim uma temperatura média de 18ºC negativos. No entanto, com o crescente desenvolvimento industrial, cada vez mais gases responsáveis pela retenção de calor na atmosfera são libertados todos os anos, como o dióxido de carbono, o metano e o vapor de água. O principal responsável por estas crescentes emissões de GEE é o
continua na página seguinte

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Olhares

Homem. As nossas actividades (principalmente industriais e domésticas) lançam inúmeras toneladas de dióxido de carbono para a atmosfera todos os dias. A electricidade que utilizamos no nosso dia-a-dia provem maioritariamente de centrais térmicas que produzem energia, queimando combustíveis de origem fóssil como o carvão e o petróleo. A queima destes combustíveis liberta sempre quantidades consideráveis de CO2 (dióxido de carbono), contribuindo para o aquecimento global, por isso é que é tão importante reduzir o consumo de electricidade. Este aquecimento global é extremamente perigoso pois se a temperatura aumentar, as calotes polares derreterão e, por conseguinte, o nível médio do mar aumentará, submergindo zonas costeiras. Catástrofes naturais irão ocorrer com mais frequência, o clima sofrerá modificação, várias espécies extinguir-se-ão e doenças características de locais tropicais avançarão para locais onde antes era impossível a sua propagação. Porém, os líderes mundiais comprometeram-se a apresentar alternativas ao petróleo, gás natural e carvão. Cada vez mais países investem em energias renováveis como a solar, hídrica e eólica. O problema é arranjar um combustível alternativo para os veículos motorizados, para além de não se conseguir adaptar certas energias renováveis aos automóveis por serem caras, ineficientes e não muito rentáveis. Para isso, os governos investiram no biodiesel (obtido a partir de óleos de origem animal e vegetal), no etanol (álcool etílico obtido através da fermentação de açúcares) e no hidrogénio, embora nenhuma seja completamente limpa. Alguns assinaram e ratificaram ainda o Protocolo de Quioto, em que se comprometem a diminuir as suas emissões de CO2, embora os EUA, um dos países que mais poluem, não o tenha ratificado. Apelamos então para que cuidem do nosso planeta, reduzindo a quantidade de GEE que enviamos para a atmosfera, pois como disse a grande médica, diplomata e política norueguesa Gro Harlem Brundtland: "Em vez de considerarmos o nosso planeta como sendo uma herança dos nossos antepassados, devemos antes considerá-lo como sendo um empréstimo que os nossos filhos nos estão a conceder." Redução das emissões de GEE: Prós: Se reduzirmos as emissões de GEE (CO2, CH4 e vapor de H2O) basicaOlhares

Contras: A redução de emissões de GEE é aparentemente uma vantagem; no entanto, nem sempre é assim, já que poderá surgir uma tendência para utilizar "combustíveis alternativos", como o biodiesel. Se isso acontecer, inúmeros hectares de floresta vão ser abatidos para dar origem a campos de plantação de girassóis (a sua semente é um constituinte do biodiesel), algodão, amendoim, canola, maracujá, linhaça, tomate, entre outros. Estas plantações ocupam as áreas de cultivo do arroz, trigo, milho e outros cereais, aumentando o preço do pão e de outros alimentos, o que também tem vindo a provocar crises económicas e sociais em certos países. Poderemos também enfrentar um retrocesso na evolução do homem e problemas no desenvolvimento da indústria e economia, uma vez que o petróleo é o que "faz o mundo girar". Haverá uma grande redução no número de centrais térmicas, o que nos fará optar pela energia nuclear. Esta energia, embora limpa ao nível dos GEE, pode contaminar nascentes, solos e a atmosfera com radioactividade, provocando problemas na saúde das populações.

Catarina Roleta Patrícia Marques Inês Ferreira Joana Felizardo

8º C

Fátima Mascarenhas

Profª. Coordenadora

Obs.: Texto revisto pela redacção

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ACONTECEU NA ESJCP

mente, salvamos as gerações futuras; a temperatura global manterse-á amena, evitando a submersão de zonas costeiras, catástrofes naturais, doenças tropicais em zonas temperadas e extinção de diversas espécies. Existirão menos incêndios por ano, menos mortes, devido ao calor intenso no Verão, ondas de calor menos frequentes e a desertificação de certas áreas parará. Para além disto, as relações internacionais melhorariam, deixaria de existir tensão política e confrontos armados. Haveria menos poluição atmosférica e, por conseguinte, menos "smog" (nevoeiro + fumo) e chuvas ácidas. Diminuir estas emissões também estimularia a capacidade de inovação dos governos e também da população.

ACONTECEU NA ESJCP

Badoca Safari Park
No dia 18 de Abril de 2008, os alunos do 8ºC e do 8ºA realizaram uma visita de estudo ao Badoca Park, no âmbito da disciplina de Ciências Naturais.
O objectivo da viagem era observar a biodiversidade no seu habitat natural e a variedade de ecossistemas. Partimos da escola às 9.00h acompanhados pelas professoras Maria do Céu Vilan, Fernanda Albuquerque e Isabel Borges, tendo chegado ao nosso destino pelas 11.00h. No parque vimos aves de rapina, zebras, tigres, gazelas, gnus e muitos outros animais. Contudo, apenas as girafas se mostraram mais esquivas, não tendo sido avistadas durante o safari. Seguiu-se o almoço, ora acompanhado por um sol radioso, ora por chuva teimosa. No geral, foi um dia agradável, com um pequeno incidente que poderia ter assumido proporções graves: duas alunas do 8º C foram perseguidas por um iaque que fugira do seu cercado. Felizmente, ninguém se magoou. A viagem de regresso foi animada por cantorias em que alguns alunos não participaram, a fim de evitar a humilhação.

Inês Peralta Ferreira Patrícia Marques

8º C
Olhares

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Vila Viçosa
O Clube de História promoveu uma visita de estudo a Vila Viçosa, que teve lugar no passado dia 18 de Abril, em que participaram sócios do clube e a turma D do 11º ano. Às 8:30 partimos da nossa escola rumo ao destino. Pelo caminho apanhámos mau tempo, mas nada que estragasse a visita. Quando chegámos, visitámos o Castelo de Vila Viçosa, que alberga os Museus de Caça e Arqueologia. De seguida, visitámos o Santuário de Nossa Senhora da Conceição, proclamada padroeira de Portugal, por D. João IV, em 1644. Após a visita ao Santuário, almoçámos no jardim municipal, onde nos divertimos. Após o almoço, visitámos o ex-libris desta localidade: o Paço Ducal de Vila Viçosa, propriedade dos Duques de Bragança. Dentro do Paço Ducal existe uma extensão do Museu dos

Coches de Lisboa, onde está exposto o landau onde o rei D. Carlos e o príncipe D. Luís Filipe foram assassinados a 1 de Fevereiro de 1908, no Terreiro do Paço em Lisboa - O Regicídio. Ao final da tarde, partimos de Vila Viçosa rumo à nossa escola e, como na viagem de ida e em Vila Viçosa, apanhámos chuva, mas nada que afectasse a nossa boa disposição.

Às 19h, chegámos à escola, após um dia cheio de alegria, apesar de S. Pedro não nos ter ajudado. Esperamos que iniciativas do Clube de História como esta continuem, para nos divertirmos e passarmos um dia diferente. Rui Capelas Sofia Bandeira

9º A

Mora e Avis
No âmbito da disciplina de Geografia realizou-se, no passado dia 18 de Abril, uma visita de estudo ao Parque Ecológico do Gameiro, em Mora, e à vila de Avis, na qual participou a turma E do 10º ano, orientada pelas professoras Ermita Castro, Margarida Valente, Deolinda Peralta, Sílvia Morais e Ana Paula Vieira. A visita de estudo que ocorreu de manhã realizou-se no Parque Ecológico do Gameiro e no Fluviário de Mora. O primeiro local reflecte a política de gestão do território delineada para a área, que revela a preocupação com os recursos hídricos e com a criação de espaços de lazer. Por sua vez, o Fluviário de Mora incentiva a educação ambiental, já que expõe as diferentes espécies de seres vivos que se podem encontrar Olhares

ao longo do percurso fluvial (desde raias a cisnes pretos). Quanto à visita de estudo realizada à tarde, na vila histórica de Avis, podese afirmar que permitiu uma contextualização histórica da época da reconquista cristã, nomeadamente em Portugal. Foram visitados alguns locais considerados importantes, como a igreja e a torre da rainha elementos do património histórico nacional, que são actualmente valorizados com vista ao desenvolvimen-

to turístico da região. Concluindo, em toda a visita de estudo esteve bem patente o esforço por parte de algumas entidades no sentido de valorizar o património, quer natural, quer histórico, tornando assim possível a minimização das assimetrias regionais existentes entre o litoral e o interior do país. André Pinto

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ACONTECEU NA ESJCP

V I S I TA S

DE

ESTUDO

ACONTECEU NA ESJCP

VOLTAR À ESCOLA…

V

oltar à escola foi o que aconteceu, no passado dia 9 de Abril, com um grupo de utentes do Centro de Dia do Centro Cultural e Social de Santo António dos Cavaleiros. Vieram, não como alunos, mas por terem sido convidados a passar um dia na escola a fim de participar em actividades promovidas pelo P.I.S.E. (Projecto de Intervenção na Saúde Escolar), no âmbito das comemorações do Dia Mundial da Saúde. De manhã realizou-se uma palestra sobre Hábitos de Saúde e Longevidade, numa perspectiva da Medicina Tradicional Chinesa, dinamizada pelo Dr. Lourenço Azevedo, especialista nesta área. Além dos convidados, estiveram presentes as turmas C e F do 10º ano e algumas professoras. A palestra decorreu num ambiente informal, leve e descontraído, tendo motivado as intervenções dos participantes, o que foi bastante enriquecedor, quer pelas questões colocadas quer pela vivacidade que imprimiu à comunicação. No final, cada um dos convidados recebeu uma rosa do nosso jardim que, graças aos cuidados da D. Conceição, muito embeleza o espaço exterior da nossa escola. De tarde, a teoria deu lugar à prática, através de uma aula de chikung, adaptada a condições específicas. Assim, e dadas as características da maioria dos participantes, a aula fez-se com as pessoas sentadas e não de pé, como aconteceria em condições normais. Chikung, ou "a ginástica do silêncio", como lhe chamou, em tom de brincadeira, a D. Rosa, (sempre alegre e animada), é um ramo da Medicina Tradicional Chinesa que, através de exercícios físicos executados devagar e combina-

dos com a respiração e a concentração, produz enormes benefícios na saúde não só ao nível da prevenção das doenças como também da sua recuperação, em algumas situações. Participaram tam-

bém na aula a Animadora Social do Centro de Dia, dois alunos do Curso de Animação Social que lá se encontram a estagiar e algumas professoras da nossa escola. Todos deram o seu melhor para que potenciar a interacção, tornando a aula também um lugar de partilha e afecto. Se nos perguntarem se gostámos deste dia, diremos que sim, gostámos muito e acreditamos que os nossos convidados também, a julgar pelo poema que se segue, da autoria de um deles, que prefere manter o anonimato. Para ele e para todos os que nos ajudaram a tornar possível este dia, os nossos agradecimentos sinceros.
Professoras Helena Alcobia Ana Fançony

Viver saudável

Um dia maravilhoso No passado dia nove A gentileza foi tanta Que por vezes nos comove São sempre tão dedicadas A Doutora Manuela Está-lhe a seguir as pisadas A Senhora Dr.ª Helena Levaram-nos para a escola Pra aprender uma lição Para bem da nossa saúde E do nosso coração Gostamos do que ouvimos E, também, da atitude Do Dr. Lourenço de Azevedo Pra bem da nossa saúde

Explicou-nos muito bem O que devemos comer E recomendou, também Muita agua beber Toda a gente estava atenta E com muita atenção E todos vamos seguir A sua recomendação Tudo isto aconteceu Só da parte da manhã De tarde voltamos lá Para termos uma vida sã Fomos lá fazer ginástica Com a professora Helena Só pela simpatia Digo-vos que vale a pena

Não é muito castigadora Mas sabe muito de ginástica Quer que tudo seja perfeito E tem muita perspicácia Está sempre com atenção A quem, não está a fazer bem Vai junto dele e explica E não perdoa a ninguém Aos funcionários da escola Queremos agradecer A amizade e o carinho Que tiveram para nos oferecer A todos que nos acompanharam O nosso muito obrigado Pelo carinho que nos deram Retribuindo com mesmo carinho Por tudo o que nos ofereceram.

SEPOL

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Olhares