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Capitalo 13 ‘TEORIA POLITICA CONTEMPORANEA: POLITICA EECONOMIA SEGUNDO OS ARGUMENTOS RBLITISTAS, PLURALISTAS E MARXISTAS Carlos Pio Mauro Porto O prostemat _ intrinsecamente associadas 20 campo de estudo definido pelo sétu- lode teoia politica contemporines — TPC, Delimitaremos com clateza petiodo coberto pela TPC, assim como apresentaremos, sucinta- _ centeais dos debates dos autores contemporineos. A defest berdades no manejo dos nzgécios privados ocottea concomi ‘com a prépria formagio do Estado madetno. No é, pols, pi dissociar.os processos d-liberalizacto politica e econ Devido aos propsstoé meramente'expositivos nfo cc referencias bibliogfics 6 ctagbes, como scadémico, No entinto, nose preciso que tratamos, aqui, simplemente de reproc ‘das de diversos autores bastante conhec a sociologia 291 Carle Pio & Mauro Porte 5 jue ambos derivam'do principio de “no taxation ‘wi " repriontation”, que se encontea na otigem da idéia de que o Es "deve tesponder as demandas da sociedade ¢ a ela prestar con “Tal vinenlos entre o desenvolvimento do mercado e a forma: Estado moderno e da deshocracia representativa constiifam dos temas fundamentais do debate contemporfineo, como ve 4 seguir. Portanto, o que estatf em discussio sto os préprios fundame :mas aceitas por todos, ecalizam scus interesses essenciais enc membros da sociedade, Sumariamente,o Estado modemno pode set desse reéurso fundamental de podet, tome decisdes obedigneia por parte de todos os habitentes do te tmido pot postos de comando e que sic ocupados por membros de préptia sociedade; dispée ‘melos materiais que asseguram a gestio dos assuntos piiblicos __edispBe dos meios para torni-las impetativas a todos. Por essa ‘#o, o Estado, ou melhor, sua estrutura de comando, é foco de tensa disputa entre os diversos interesses que possam set afetados: s6es puiblicas. As regras de acesso a tais postos sio, pos ‘dp Estado modemo e de dominario polticaé, obviamente, Mas Weber. 292 is, phi tanto, fandamentais para definir os interesses'a 5 que dspotto de capacidide de influéncie no pi “pelo mercado, Contudo, sea limitagéo dos poderes do Estado pat para adefinicéo micos que ocort Carls Pio & Mauro Porto de igualdade politica, posto que alguns individuos ¢ grapos acm Intio mais recursos que outros, tornando desiguais suas capaci ddes:paea influenciar nas decisées piblicas entee os dos sistemas: enquanto o mercado econémico realiza a de- sigualdade material, a democracia assenta-se na idéia de que os ‘viduos dispdem de igual capacidade pata fazet valetem os seus inte- esses. ‘EBurismo duos que apresentarem o maior grau de capacidade, qualquer que seja seu ramo de atividade. Os mais eapacitados advogados, em- presitios, médicos,ladrécs ete setio, pois, membros natos da el Os demais compéem a ni “elite governsinte” — comp as decisdes do governo, direta ou indiretamente — e “elite nfo- sgovernatite”, Doponto de vista da mamutengio do equilbtio social —ou sea, da estabilidade da dominacio politica vigente —, Pareto afiema que ‘ essencial é que ox membros daelite governantesejam aqueles que, duos que so, formal ow informal- snatos —a despeito de dispot ‘fo das qualidades necessérias a0 exercicio efetivo do poder polit Com o passat do tempo, os elementos agtegados A elite gover- les requetides para exercé-los. Esse tipo de “desvio” — ter- 294 mo utlizado por Pareto — deve-se ac fato de que, s6tulos ou sio heteditétios ou podem set detivads tedugio das qualidades dos membros da elite. governant chama a atengio pata o processo po: meio do.qual mem! lite governante sio substitafdos por individuos ou classe ‘outro modo, tais individuos com qualidades superiores adequaulos 20 exercfcio do poder se acumulariam nas clas Para Mosca, a composicio da clite membros so aqueles que “ 7 tellgiosa, que implica na centralidade da conhecimento espetializado e a culrura tam 0 dominio, dos stbios Hssas detetimia atributos altamente valotizados e capazes: tes politicamente aqueles que os deté 5 (Carlos Pie &- Mauro Porto proptietitios de tiquezas materiais, os sacerdotes, entre outros, ré= pptesentam justamente 0 grupo que se aproptia do ateibuto de poder essencial em cada sociedade, em um dado estigio civlizat6tio, ‘Como todas as sociedades encontram-se em eterno processo de transformagio, teis atibutos também mudam com o tempo e for: ‘gam as elite polfticas a uma constante adaptagio. Essa mutagio da elite pode se dar de maneita abrupta — por meio de sua substi ‘slo completa — ou gradual, via incotporagio de elementos tepre- sentativos de novos valores. Assim como exposto acima, ¢ a despeito de suas diferencas, aa to Pareto como Mosca prevéem a vigéncia de processos de renova- cdo da elite ditigente..A estabilidade da ordem depende, portatito da ofctividade dos mecanismos de cooptagéo para promover a cons- ‘ante renovagio da elite, de mancira a renovar sua cepacidade de dominio, Pata ambos, a eventualidade de substituigio da elite go- vernante, ou elite politica, nfo é a massa que ascende, mas o grip que foi capaz de mobilizé-la, uma nova elite. No inicio deste século, 0 socislogo Robert Michels realizou 0 primeito estudo sistemético que se propSe a comprovat a “Lei de Ferro da Oligarquia”. Mediante 0 estudo dos processos politicos internos 20 Partido Social Democtata alemao, Michels procura ex- plicar tanto.a dependéncia politica das massas em telagio as lideran- ‘28 do partido, como as razdes que fizem com que alguns indivi- duos ascendam as posigdes de comando na estrutura partidésia, Em linguagem mais contemporines, & possivel dizer que-os lideres te- solvem os problemas de aco coletiva do partido, ou seja, pagam a iaior patte dos custos para a obtengZo dos bens coletivos que o partido ptové ¢, por essa razdio, sio valorizados e mesmo considers dos como impresci elas massas. Os Ideres sacrificam seu __ tempo e seus tecutsos pessoais parm “fazetem o pattido func No entanto, os Iideres quase sempre distanciam-se das masses ‘em tizio. de suas capacidades mais agucadas e dos conhecimentos piacios de que dispdem, O fato de pagarem os eustos de ago emt o forte engajamento das s famnbém dé-thes maior capacidade de influéncia nas di Ao final, essa maior influéncia dos lideres acaba 296 nem os pattidos politicos que advogam a plena demi sociedade conseguern organizat-se intetnainente de Critica, sew objetivo de transformacio radical de sociedde avel, A democtacia’é, pois, uma utopia itrealizavel, O resumo acima foi propositadamente superficial. Noss tivo, nesta exposico apreésada do argumenito elitis espaco pata a afirmacio que se segue. Os autores ram demonstrat que a democracia é invifvel, baseados n¢ que qualquer sodiedade seri goversiada por poucos. A gio désse fato, légica e empiticamente, rorna irrealizavel a: “autogoverno das massas” a(At-Peta 0s elitistss, portanto, assim como pasa todo 0 pen IY derivado da constructo roxsseauniana — até “representagio da vontade”, ao mesmo témpo em que ta que nio hi uma vontade a ser realizada, pois ha cont tesses nas sociedades. Por outro lado, esté presente em Mosca a nogio de qui sociedade capitalsta catactetizada pela protegio legal da tc dos individuos. Quanto mais rlcos, mais inf Segundo, Tom Bottmote, Mosca aptoxima-se assim te do, atgumento marxista que, como veremos transposigio da desigualdade econdmica que test de mercado pata 2 atena politica. ‘O mesmo tipo de-associagio entre des desigualdade politica estd presente em C. W ciosa andlise da sociedade norte-american: que a elite do poder é composta pelos oct gos nas hierarquias mica, adminis Carls Po & Maro Porto ‘comanco:nessas trés hierarquias fariam parte de ume mesma classe social, compartilhando valores ¢ lealdades que tornam integrada 2 administcagio da sociedade, Portanto, essas hlerarquizs estatiam in- terligadas tanto em raxio da natuteza interdependente das decisdes tomadas em cada ume delas, que obrigaria consultas miituss e favo- ticas em economias de metcado aponta paca uma concentragio do poder politico no topo das estruturas politica, social e econdrica, O ideal democratic vveis. Ao conttétio, a elite na poder sesé. tanto menos estivel quant menos disposta « — e/ou capaz de — adaptar-se as transforms ‘ges em cusso na sociedade, Portanto, éum modelo dindmico ¢ q reve a possibilidade de profundos teotdenamentos no aparato di clsério estatal, PLURALISWO Caleus de N salad ft ‘Vejamos agora o argumento pluralista € algumas critica que Ihe so conteapostas. Robert pluralisea — antiel spensivel que eidentificavel, que atue em unissono eque estes nas quais sc envolver. Ainda sobre fara a necessidade de que sua composicio derive di ipartilhados, ou seja, que nio seja mero result 298 + lina pala mares Quapro 1 4 diferentes grupos (A), B), (C) Fillagio de individuos () de uma mesma sociedade 6) Quapro 2 istribuigdo de individuog Sociedade (8), de acordo com as questdes decisio piblica (4), 8), (©, D) (t), membros de ume mesm; Ho: objeto ¢ Cais Pio & Mauro Parte cionameénto das tegeas democeiticas. Quanto as decisdes clas precisam ser objeto de conflito com os demais grupos da dade, para que se comptove o real éxercicio de poder po: elite. A : oes ne tredida em que os interésses fandame tais de seus membros estiverem sehido potencialmentt ameaga por decisées piblicas. Os grupos agiriam, assim, em nome pot individuos auténomos, setia preciso ent 8 da asio poltica individual para uma metho reracées politicas, Diversos sutotes plucalistas éxploraram os condicionaites individual. © modelo bésico que'se pode detivar de suas aponta para um individvo: 41. com potencial de filiagao simultinea a miltiplos grupos Quadio 1—, em razfio da vasea gama de interesses que pos: ver Quadro 2; 6 2, desinteressado politicamente, exceto quando seu in ato esti em questio,! No Quadto 1, 08 individuos situados nas intertegBes dos os, (espagos AB, AC, BC ¢ ABC) sio “muktifiliadas”, ou se tencem a mais de um grupo ao mesmo tempo. Os metbros de nico geupo so membros'¢m potencial de outros grupos, como aqueles que estio fora dos trés grupos acima represent Nio hi, pois, no modelo plucalisa, clivagens profundas na es a da sociedade que inviabilize a3 rmultfiliagSes. ‘No entanto, que um sistema baseado na possivel, essas sociedad 4 Os ois qodeosexpoeos foam spesenindos por Heed Mit 300 as questées'colocadas na agenda piiblica, os em diferentes coalizbes, contra 2 favot, E segutide modelo, um corte eminentement dio do qual se podetiam prever allanges acorio com a questio. Assim sendo, teoti ‘08 grupos eueens coesos. em todad as questdes;caso.do, “grupo M” —o que podetia indicat, de‘cetto modo, « existéncia de uma clive: gem profunda na sociedade, distanciando esse tipo de grupo do- suposto no modelo plurals 2, que se mantivessem relaivamente coesos, como og 3. que tivessem niveis baixos de coestio, como o “grupo divide em praticamente todas as questdes. Desse modelo de individuo, é possivel sustentar que caracteristicas bdsicas dos sistemas politicos plucalstas inten dade moderad ages polticas que nee se processam, devi- doa inexisténcia de desigualdades cumulativas, ow seja, de ganado: tes. perdedores universais. Nio se acumulatiam desigualdades «que 0s indivfduos seriam membros de mais de um grupo se ao mesmo tempo, o que implica em que a perda em um nada questio “SA” pode ser compensada, no apenas com. questo “B”, mas também pela reversio da detrot em uma interagio futura, Todo cidadao é um pot do ¢ wm potencial adversirio de qualquer outro, de natureza da questio politica em disputa, Os grupos portanto, masiveis em sua:constinuigéo e poder volatilidade ‘na, soa: constituicio que toms os rest tempo incertos ¢ reversiveisy A ordem é contingente’ assemelham-ge am jogo, Deviva-se do argumento pluralista que é precis ses.a continuar jogando, Para at 08 ideais de igualdade fice: para todos; ¢ 301 Corlas Pio &- Maine Potro 2. vinculavas decisées pablicaé & vontade di malorla, Segundo os principais defensores dessa cottente — aqui inclit dos Schumpetet, Dahl ¢ Lindblom —, taisis tegies precisatiam esta belecer interagées compettivas — eleicdes — entre 0s cidadiios para + constituigio dos governos, isto & pata-a 1 ocupacio dos postos de comando do Estado, (Os genhadores das elcigd decisdes puiblicas,respeit constituent 08 governios ¢ tomaim eptas que as8egasam 08 ditcitos de oposicio. A nocio de governo reptesentatiivo 6, pols, patte essencial do modelo. No entanto, os problemas commiimiente ascociados a re- bresentacio polftica seria minimizados ppelo catdter competitive do sistems, visto que quanto mais acentuaddo 0 geau de competicio pelos de comando, maiotes os cormsttangimentos que fot gam 08 representantes de instinunigdes que tornem a Iicas governamentais dependentes do inteetesse da maioria do clei torada,' Em sua esséncia, as tegeas da poliantgiia objetivatn assegutat dlteitos de contestaio pitblica, isto é, de ooposicdo a todos aqueles que silo afctados pelas decises'do governoo, Ou éeja, todos os cid dios, Como jé fol observado, esse modelo baasela:se no Fato de que poder politico dos cidaclios nfo detiva apeendé de sua posiglo na estrututas social ¢ econédmica. Pelo contsaétio, em sus formulae inicial, o plutalisino supde que é a capaciddade'de convericimento dos candidatos 20s cargos pitblicos o recurg#0 essencial ao exetélcio de podee. Tetio maior capacidade de realizaat seis interesses aqueles que forem capazes de convencer a maiotia dda populagio da-validad de suas propostas em relagio As de seus corhcorrentes. Disso deriva 3." CER Dah, Paley — pertption and panini, New Haven/Lonéses, Ya -— Univensiy Pees, 1970, 5 3 302 © papel angular da lideranga politica, dos politicos profiss se especializam na articulagio das peeferéncias individu: vontade colesiva e na mobilizacio de contingentes eleito 505 € pouco intecessados, Posém, da erenesinilal de que o poder econdmico no setradur titia antomaticamente em poder politien, e de que a poharguia nko estaria submetida as determinacdes dos grupos ja privilegiados nas interagdes econémicas, alguns autores plutalistas evoluiram para uma {atla, segundo o termo cunhedo por Lindblom, de uma posigio prl- vilegiads nas sociedades capitalistas desaoctiticas, Ou seja, algam. poder econémico estat traduzido em poder politico, «isso precisa set evitado por meio da intervencio delibetada do Estado; © Iticos, separamos as ceticas & metodologia das cricas ao pat ‘Si duas as principals crticas metodolégicas 20, primeira, formulada pot Theodore Lowi, em 1964, ‘fo-refutabilidade, empitica do pluralismo como d detiva de seus pressupostos notmativos. De acordo com 08 teéricos plutalistas supSem que sf0 8 gruipos 08 mentais dos processos politicos, suas andlises em as para as questdes que provocam a mobili 08, 0 que, por sua vez, confirma as previsdes _Btupos slo os atores fundamentais, : A segunda ctftica metodolégice ao plu Bacharach e Batatz, Esses autoies salient ‘nat como se exerce o poder politico’ 6 CEDan. Dimas of Londses, Yale Univers Nove York, Basie Book Jéneste século, autores maeistas dese distintas, muitas vezes antagénicas, sobre as -maruistacléssica, De um lado, desenvolvet-se 0 macii principalmente 2 partir da Revolucio Ruséa de 191 énfase de Marx no caréter coercitivo da incompatibilidade entre democracia e economia de metcado, Essa interpretagio mais “ottodoxt” do marxismo elissico seri a base do tal como institucionalizado na TH Interna cional, sob forte influéncia dos sovi vertentes constituiram o que se convencionon chamar de “i desenvolvido pot autotes que, a partir das experién- cias dos paises capitalistas mais deseavolvidos, ultrapassaram 2 én fase inicial nos fatores-econdmicos para zessaltar a autonomia-¢ 0 papel de elementos superestruturais, como a polttica «0 Estado, pilaces sncionals-legais de dominacio politica : Segundo a abordagem manista clissica — tal como fotmt por Karl Marx ¢ Friedrich Engels no século XIX 0 poder poli co esti Cotiertiado nas mios daqueles que detém posi anaites ina €2oniomié Capitalists: Como afitma o Manijsto centralizagfo da producto pela burguesia cortespondeu a trallzacto da politica, na qual o poder politico do Estado nada n Edo que o poder organizado de uma classe —a burguesia — pa optessdi de otra — o proletstiado. Mats ¢ Engels ressaltam 6 catiter coercitivo e parcial de dominagio do Estado, questions doa possibilidade de tealizacio legitima da vontade popular permanéncia da economia de mercado, A teoria comunista él pressupée, portanto, a abolicto da proptiedade privade como digo necessécia & realizagiio de qualquer principio democti esctitos de Marx e Engels também sugerem que a base mat sociedade — as relagdes de terming, “em tkima instincia”, a superestrurara — as relag Itieas, juidieas, ideoldgicas etc.* gue leva no fracasso a revolugio socialist na Buropa ocidental, Gramsci conelui que a detrota dos téabalha- dotes deveu-e dogo de uma esatégia polos equivocada, pois visio geogrifice, mas indica diferen cae social, em fancio, sobrerudo, do peso da sociedade dugio e as forgas produtivas dispute pela ese nna sociedade civil, esteatégia de “guerra de movimento”, 8 Postediormente, Marx e Bngels aptosentarm diversas quelicag mica determina toda a superetr tulsa de urna socledade. Por exemplo, em cart Joseph Bloc, interpresagio de aus idias eof de Mor — ‘uperesiratura exercem ume inludne sentido, Bagels afima slada que visios Garls Pio & Mauro Porto onde 08,movimentos politicos concentram todas suas for conquistar um objetivo —a administeagio do Estado —, a est gia politica corteta no ocidente deveria ser a “guerta de posigéet dispura de posigdes na “robusta cadeia de fortalezas ¢ casamats da socledade civil, sociedade civil — 2 hegemonia cultutal e politica, Em contrip fo a algumas focmulacdes do marxismo cléssico e do menxism Estado com relacto avbase material, mas também sua capacidade superar o:elemento econdmico..Ao combater posigdes “econ cistas”, 0 autor italiano afirme que a pretensio de apresentar guer flumuagio da politica como uma expressio imediata da econémica deve ser combatida teoricamente como um “infant mo ptimitivo”, Adam Preeworski define 0 marxismo como uma andlise das seqfiéneias das formas de propriedade para os processos hist Pottanto, os marxistes ressaltam como a base material afetao res tado das lutas politicas, et gualdades geradas pelo mercado detetminam a disttibuigio de po: det. Todavia, atelagio entre os sistemas politico e econdmico é de- finida de vitias maneiras por ‘mia € no papel de elementos superestruturnis, como 4 politica Estado. Apesar dessa énfase, os autores mareistas mantéin a 10 de que as formas de propriedacle — economia — téi um impacto dliceto na constituiglo da democracia tepeesentativa e do Estado — politica, Um dos debates principsis da teoria marsista contemporinea sefere-se 2 este problema bésico: como reconhecet a sutonomia do Estado e'da politica ¢ 20 mesmo tempo manter o pressuposto de ‘que a base econdmica ¢ material “determina” a distribuigio de sociedade? Mais especificamente: como compatibilizat a au- mia. das tegras ¢ instituicdes da democracia representativa e a 308 Blas pra énfaseno poder da classe economicat minaa-élasse dominante” em regimes Nicos Poulantzas ptocuréu constr Estado eapitalista que, a partic das relacde : como ele assume suas difetentes formas nos patses gados — pot exemplo, as difeteneas entre Bs Estados democriticos patlament resultado das contradigbes de classe insetidas em sua prép ‘ura, Assim, apesar de teconhecer a autonomia telativa do Est —suaindependéncia em rélagio a feagBes espectficas da class Recotreu-a um referencial tedrico considerado oposto 20: ‘mo, a teorla das elites, definindo a elite estatal como 0 pessoas que ocupam as posigdes ditigentes em cada tuigdes que compdcm o sistem estatal, Pata explicar' ts Estado ¢ classe economicamente dominante, 0 autot afi ‘membros da elite estatal sfo os “agentes” do podér écot vado, ou seja, da classe dominante, Apesar de'a emptesaios nas instituigdes do sistema estatal ser ‘conseguem fazer com que a politica do Estado os fa elite estatal age de acordo com seus i savengas: Poulantzas ataca a énfase di 309. Carles Pio & Mauro Porto ue integram 0 aparelho do Bstado; spetdeterminismo estrututa!” de que relagdes objetivas do sistema est Concnusons Este ensaio teve como objetivo principal discutit 0 c onalmenteidentificado como tora pole cnempard engloba tits escolas principals de pensamento, o el © 0 marcinno, que foram aqul apresentadas como tipos ideai tro dessa perspectiva, suas principais formulagiies foram contrapo: a atgumentos ctiticos “por dentro”, isto é, de autores identificados a chs, e “pot fora”, de escolas que a ela se opdem. Duas foram as questies centtais que petmeatam a discussio: como cade uma des sas cotrentes sefere-se ao “problema da representacio polities” — A natureza propria dos tegimes democtiticos contemporineos— e como apresentam a telacio entre economia cle mercado e democea- ia lista, eoncebendo-o:Estado:como:mediador das. crises capitalista getadas.pela. contradi¢ao bésica entre a-ctescente’socializagio: di ptoducio‘e a continuidade da apropriacio privada, Segundo Offe, as fangGes do Bstado surgem a patti clliat acumulacio econémica iio, os administradores do Setia 0 Estado contempotineo apenss a expressfio dos interes- ses existentes na sociedade, nfo reptesentando suas agdes mais que a resultante das interacdes entre diferentes grupos sociais e econd- micos na atena politica? Ou seria o Hstado, de certa forma, auténo- no em relagio A sociedad, ¢, & despeito do rétulo de democritico, suas agées expressatiam tio-s6 os interesses prOptios daqueles que ‘ocupam os postos de ditecio? O pode material reptox constrangimentos no sisteme politico-democtitico, tornat chada para encobrit a dominaglo de cunho econémico, 0% do poder estabelece as condigdes de acumulagio de ti Que nfo hhajam respostas definitivas a ensas que: nos obriga 2 considerar como complementates as tx ‘pensamento agui-discutidas. Enquanto categoriss ques, eiltsn, phiralino © marsiem tern pouc > & preensio das sociedades capi afirmacio duas certezas que p: reproduzem as telagBes capita listas aio porque sio agentes da burguesia — como em Miliband —, ‘mas porque dependem da atividade econdmica. Os administeadores dependem do mercado porque ele produz rendimentos a0 Estado via tributagéo e porque o apoio piiblico entea em decinio se a acu- smulagio nio acontecer. recentes, alguns autores do campo ue enfatizam os micro-Fundemen: ” buscou vincalat as perspect ‘vas € as preocupagées do marxismo com metodologias e abotda- gens de outras tradigées tedricas. Autores como Adam Praeworski e tém insistido na importincia da teotia da escolha zacion: idualismo metodolégico pata a superacio das abordagen: istas no pensamento racist, $6 aesim o marxis -capaz.de superat a falta de uma teorla sobre as agdes das ‘que fazem a hist6tia devido & énfase’nos aspectos mactost atirals, Ihadores, por exemplo, disp5em de cap. ‘cursos materiais que nio podem ser estabelecer a simples teansposicio d 310 311 Carls Pio G+ Mauro Porto 1a politica significa pouco quando observamos os que possues recursos no compartilharem, necessariamente, dos mesm resses politicos. Uma segunda cetteza que precisa ser reconhecida que, guma medida, qualquer Estado € auténomo. A necessic criar uma entidade vendo os cidadaos, 1u nas suas telacSes coi o prépt tado, tem levado a reformas mais ¢ mais abrangenites do pollico, ao menos desde os primeitos levantes de proptictirios tetra contra o direito — atbitritio — de taxagio da Cotoa beitainc sinda no século XT. : Avatiedade de temas, escolas de pensamento, e posstveis cer zas que caracterizam o debate contemporitieo 6 certamente ms absangente ¢ tica do que o expost it tamos, no entanto, que o enfoque adotado, patticularmente a én: ‘na telagdo entre economia de mercado e democtacia, permite de car-as grande questdes da teotia politica em perfodos mais recent 312 lisa, paradise mar REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS, Bacuanacti & Banatz, “Two faces of power”, in. Ameri Seiencs Rsiew, vol. 56, 4, dex, 1962, Borrwons, Tom. As dts 1a soredade, Rio de Janeixo, Zshat, 1974, Canno¥, Mattin. 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