Você está na página 1de 75

A BUENADICHÁ.

COMEDIA DRAMA EMDOUS ACTOS, 11PROLOGO I UMEPYLÔGG

3ÂBBÀ S

POR

Z

a

COSTA .

WLIIZ :

Typ. do—Progresso—rua

da Paz, 4

A.

Impresso por B. dc Mattos.

1§6« .

ME U

A

BO M IRMÃ O

E

AMIG O

O SR .

IGNACIO FRASÃO DA COSTA,

EM

SIGNAL

0.

X

DE ESTIMA.

C.

D.

O A.ulot t

PERSONAGENS.

JOÃO MALÍXCIO,

JULIO MAUNCIO,

D. MARIA

MAUNCIA.

ANTONIO DE SEIXAS.

I). ROSA DE SEIXAS,

D. ANGELICA

CASIMIRA,

ELEUTERIO DE LIMA,

EDUARDO NOGUEIRA.

PAUL O DOS SANTOS.

JOSÉ DE MENDONÇA,

LUIZ CLARO,

ARTHUR GUIMARÃES,

SIMPLÍCIO

MORAES,

ESMERALDA,

CARLOTA,

THOMÈ (moleque

negro, >

(A sem çassa-st emMavauUo m

a m\0>,

PROLOGO.

AS

PBOPIIECIAS.

Sala do tinia casa de rapaz solteiro, com previlegio do casa do jantar, g abinete de estudo,

quarlo de dormir o

toilcttc. Estantes com

livros e louça; mesn com preparos

de

cs -

rripta; chinellos espalhados polo cliào; roupa pelas cadeiras; uma mesa preparada para jantar, no centro da sala; nos cantos dos fundos duas redes armadas; urna azul outra branca. De um lado jancllas, do outro portas e uma porta no fundo que deita para um corredor; é a entrada gorai. Pelas paredes veem-se armas de caça, pistolas e polles de aves, cornetas, turbantes &. k . Sào 3 horas da tarde.

SGENA 1 . a

Eleüterio , wivtoiLo ua veie, Vnuuca com as \u\ms cniwiAas m ^óytocv onwvlaV, fumando um cem^m&o cacVimVio do Ptvvá, i UwAo um Vmo. Btçois <k a\o,uus lusUuUs ik siUuuo, \u\\a.

Gosto muito desta Ureta constante, entre a tia Galatea e o mano Mauricio. São duas parles excellentes (ia comedia d o dr. Macedo—-«O Fantasma Branco.»—Faz rir ao homem mais sisudo. Chego até a esquecer-me dos freguezes de escravos e dos amigos que espero. É lucrativo este negocio de carne hu- mana, mas tem seus conformes, seus riscos, suas traves. E u agora estou á espera das cartas do Ri o de Janeiro; veremos o que me manda dizer o meu correspondente. 0 vapor j a deve

ter fundeado; e se elle fosse o portador de boas contas de ven- da Comprar e vender escravos torna o homem mau, petrifica-lhe o coração, galvanisa-lhe a alma, não sendo mais susceptível de compaixão! Torna-se como o medico, que fami- liarisa-se com a morte do proximo. 0 negociante de escravos está afeito ás lagrimas, vê correr muitas, e não sente pulsar- lhe o coração agitado. 0 governo é o culpado; por que não fecha os olhos ao trafico ? 0 que tem elle de importar-se com

o bel Alberden ? A i de mim! Os queixumes serião na costa

d'Africa, não nos nossos ouvidos, mas elles existirão sempre. A lavoura do Rio de Janeiro, carece, e sente falta de braços: o

eaffétem uma extracção espantosa; por tanto gema quem ge- mer, os escravos supprem a muitos ramos de commercio, e as

8

Iaçrimas

que se enxuguem. Bem sei que o Maranhão hade para

o futuro sentir a falia de braços, mas será tarde para a lavou-

ra, e a culpa não é minha; compro a quem vende,

nada mais.

(lê)

« O Sr. capitão Tibério.» (representando) Este capitão é um

fiel

modêlo dos officiaes da Guarda Nacional, (batem á porta)

Quem será?

(alio)

Ó! vós quem quer que sejaes, mortal ou

deusa, levantai o bedelho e penetrai neste sancluario.

SCENA I a

Eleuterio t Moraes,

MORAE S (pela porta do fundo).

Goni sua licença.

ELEUTERI O (deixando a rede).- —O Sr . Simplíci o d e Morae s ! MORAES.'—Creado de v. s., ;;quein Deus guarde por muitos ânuos. ELEUTERI O (tirando a roupa de uma cadeira e ojjerecendo-a a Moraes).—Meu amigo, sente-se, não repare no modo esdru- xulo, por que o recebo. O meuTliome, foi comprar palitos e fez vispora até agora,, tendo sabido as 11 horas. Sente-se, nada de etiquetas, esta casa é a verdadeira arca de Noé. E uma casa

escolástica

que devo a visita dev. s. a

Então, não toma assento? Não posso saber a

Sr, Eleuie-

. ELEUTERIO.—Mas assim de pé encommoda-me. Abanque-se

MORAES (alrapalitado),—OH!

por quemé

.

rio

não faça ecremonias

a demora épouca

.

.

e não faça caso desta anarchia de cousas, que está vendo; isto

é muito natural em casa de rapaz solteiro. Aqui Sr. Simplí-

cio, tudo anda em republica; entre os moveis e a roupa, existe

o verdadeiro communismo, a igualdade bem pensada e a fra-

ternidade como os francezes almejarão na epocha de Luiz XVI . Falta-me uma mulher, uma Eva que console este Adão. lima cara metade para conterá ordem, a disciplina, edar leis so- bre estes revolucionários objectos que nos cercam. Uma mu- lher, Sr. Moraes, é um traste bem necessário em uma casa, mas custa muito caro.

(aparte)

Se elle quizesse uma das minhas filhas. ELEUTERIO.—Entremos em matéria; deixemos questões de

MORAES (sentando-se).—Algumas

Algumas

.

interesse secundário; ainda que seja balda antiga dos homens de tribuna, perderem o tempo em cousas fuleisT O que deter- mina ? As 3 horas da tarde v. s. a procurar-me

MORAES.—Venho offerecer-Ihe cousa de valor e de pouco dinheiro.

uma pechincha

um a

o

ELEUTERIO.—-Será algum bilhete de loteria? suppõe, ou sonha tirar a sorte grande?

O Sr. Moraes

MORAES.—Não senhor.

ELEUTÉRIO.—Não

vejo o

que

custe

tão pouco para ga-

nhar-se muito, alem de um bilhete com a sorte grande. MORAES.—Eu não sou agiota, não negocio cm cautellas de loteria, o que venho oflereccr-lhe é uma flor africana de raça

PU ÊLEUTERIO.—Gomprehendo agora. nc°rete?

Trata de vender algum

MORAES.-—É verdade.

Tenho um molecote

.

lava-se com

um bochecho iVagua ? ELEUTERIO—Tal seja o bochecho

.

UMA vo z (fora).— Ê pacov a ! paeov a maci a Î

ELE\jTERio(indoájanella)—0'

.

tia de bananas!

entre

.

ahi (assubia).

ça. (vai Aporta do [ando e entra com uma penca de bananas) Nã o

é caro por certo. Cento e vinte reis por uma porção de frutas,

grandes, gostosas e se m caroço ! mesa) É uma das frutas de minha

macaco por bananas. Como hiainos conversando; Sr. Moraes,

sou mesmo um

A

E o Thomé sem chegar, (para Moraes)

.

(pondo

paixão

Com liceu™

cm um prato

o

molecóte que idade tem? MORAES.—Seus 23 a 21 annos.

Que

figura!

• to i talhado

para ser um cacique africano ! ELEUTERIO—E algum valentão

faquista

de má Índo-

le

Seja franco

. desobediente ao Sr. Moraes

perdeu-lhe o respeito.

Manso,

Éu m tratante demarca grande?

. MORAES.—Pelo contrario. E muito tiel e obediente.

como umcordeiro, o fiel ! Oh! liei, como umthesoureiro de Irmandades! Serviçal como um pretendente! e trabalha mais do que uma dusia de certos empregados públicos! ELEUTERIO.—É umportento ! Então porque disfaz-se d'elle ?

Tenho necessidade de dinheiro. O

MORAES.—Ora essa

Sr. Eleuterio sabe que tenho duas filhas, dons penhores que me deixou a minha defunta e saueta mulher. Sabe mais, Sr. Eleu-

terio que vão festejar o dia da nossa, digo, da indepeudencia do Maranhão, com 1res grandes bailes, ein palacio. Como sejão elles nos dias 27,28 e 29, c nós estamos a 16, só tenho 42 dias para arranjar o necessário para as pequenas se não apresenta- rem inferiores as outras e para que appareção dignas de si,

de

Que

nome tem elle? MORAES.—-Manoel, crioulo, «ETN vi rios edeíTeilos, physicos ou moraes, mbcrlo.- ou iufobertos.

mi m c do dia 28

de Julho.

ELEUTERIO.—E o Sr. vende o seu escravo para., .

10

ELEUTERIO. —E Ovende para como produclo da venda com- prar o necessário para as suas lilhas irem tafular aos bai- les ! MORAES (hvcntundo-se).— E'verdade, meu caro Sr . Eleute-

rio, é verdade !

, obra como um homem de

muito juízo c tino. Eu, se estivesse no mesmo caso de v.s. pro- cedia do mesmo modo, e muito principalmente depois que li

ELEUTERIO—Fa z muito

o

«Demonio Familiar» uma comedia sublime do dr. Alencar.

O

Sr. Moraes não sabe o perigo que corre um pai de família

com essa raça negra.

até de Mercúrio.d e onze letras. Oh ! e quem tem lilhas

Venda o seu moleque

naz de azeviche. biões !

Os moleques tomão liberdade, e servem

.

livre-se d'esse demonio, d'esse Sata-

.

é para as occa-

Demais quando se tem

MORAES—V . S. compra-o?

ELEUTERIO.—Tem seus conformes. O vapor acaba de en- trar, deve já ter remedido as malas e veremos as noticias do sul; se forem boas, comprarei o seu escravo, se pelo contra-

Hoje espero alguns amigos que me

vêm obsequiar commcndo-me o jantar e bebendo o meu vi -

nho; mas amanhã v. s. traga-me o moleque, que examinal-o- hei. Verei se elle já foi surrado, se tem os olhos de itiricia, obs- trucção, pés inchados, se é desdentado. Não se admire destas exigencias. Elias são necessárias, porque emprega-se o capi- tal em um gcneio, que, coma rapidez comque o vento apaga

a luz de uma vela, a morte sequestra, c temos conversado MORAES.—Eu necessito decidir este negocio em poucos

dias

bem vê que estamos a 16, e 12 dias passão rápidos, o

seis vestidos não se apromptão em minutos.

ELEUTERIO.--Amanhã tudo se ha de arranjar, V. s. tendo dinheiro, o tempo sobeja-lhe.

adeos negocio

.

MORAES.—Dev o procurar-lhe amanhã ?

ELEUTERIO.—Eu compro escravos aos domingos, aos dias

úteis para

Mas é domingo!

são

.

santos, e dias mim.

de serviço

todos os dias

MORAES.—Ainda bem

As minhas filhas hão-de brilhar

. muito. Até amanhã Sr. Eleuterio. ELEUTERIO.—Traga o moleque para ser examinado. MORAES.—Si m senhor, elle liado agradar. ELEUTERIO.—E o preço que quer ? Olhe que isso é o princi- pal. MORAES.—Não havemos de brigar.

ELEUTERIO.—Agor a permitia-me que lhe offereça o

meu jan-

tar. Sc w s, quer honrar-me

,

dá-me muih prazer.

MORAES.—Obrigado.

Esi011 convidado para jantar no con-

Já estive na festa da padroeira d'aquelle con-

vênio do Carmo.

* vento, e vou aaora para apenitencia fradesca.

> 4

S e tiver mais algum escravo

. MORAES.—Este É o ultimo. Já vendi todos quantos herdei, mas creia que os vendi, bem vendidos. ELEUTERIO.— E empregou o capital e m acções do Banco? MORAES.—Não senhor. Tudo é pouco para sustentar certa

posição na sociedade. Eu estou á espera de emprego rendo-

so, que me prometteu um nosso deputado geral, para quem

ELEUTERIO.'—€onio conte commigo.

qiiizer.

trabalhei com dedicação desesperada nas ultimas eleições, c contando com a sua promessa, descanso nelle, em quem deposito inteira confiança.

. A historia eleitoral, a politica

tem mostrado, com factos incontestáveis, que se esses Snrs.

em geral, quando pedem, promettem muito, quando teem ad-

querido o desejado, esquecem ainda mais d o que promette-

ram, com tudo'ha honrosas excepções. Será bom que esse

cm quem tanto confia, não seja assim; seja a gratidão e m

ELEUTERI O .—Faz

bem!

i regra! MORAES (despedindo-se).—Até

amanhã, Sr. Eleuterio.

ELEUTERIO.—Adeos, Sr. Simplício Moraes, queira recom-

Provincial do Carmo, pessoa a quem

tributo muito respeito e grande consideração. Aconselhe-se com elle a respeito do negocio que havemos de fazer amanhã.

mendar-mo ao Revm, 0

MORAES (saindo formaÚsado).— Oh ! tenho bastante juizo

para me reger,

(salte)

SCENA 3. a

Eleuteri o (\ecWu\do a \>OYUI com o inuco).

•k Certamente o Sr. Simplício Moraes é um pai de família modelo. É o melhor espelho, em que todos se podem mirar, pois é muito melhor agoa do que os de Veneza. Para osten-

> lar vaidade, precipita-se na miséria! Como panno de amos-

tras, pretende apresentar suas filhas a o mundo, como ricas o bcllas, e para isso quer occullar a sua pobreza nas dobras

e a figura d e taes anjinhos de -

baixo das teteias francezas! Comas vestias da magnificência, revestido da opulência dos ricos, será por alguns momentos feliz, mas sempre desgraçado. Se derem novos bailes apoz esses d e que falia, o que lhe restará para vender? Não pos-

. O qu e fará ? Como ha-de have r o s re ~

rio manto da grandeza,

ÂUe mai s escravos

H

qiiifes, ns flores, as seda*? A p«»licia t-ompcít; imiti r imião, o. não ou. Uesçracadamenie; nào é só o Sr. Moraes que tem obrado assim, Lembro-me do que, em 81 de Agosto de i 8Í)2, li o Ri o de Janeiro, deu S. M. imperial um grande e pompo- so baile aos representantes da Nação, ou dos interesses par-

o br.

ticulares de cada ura, e sei que houvera pais, como

Simplício Moraes, que venderão os últimos escravos que ti~

aoDor-

narai, toucados e flores, a Mm. Guden, feitios de vestidos, ao Dias, sapatos de selim, e nos melhores jardins, camélias por preços fabulosos, só porque a Marqueza de tal, a Con- dessa fulana, a Viscondessa sicrana, a Sra. Raroneza & &

nhão, para comprarem ao Waslesien, blonds e sedas,

levavão o s mesmos

lar domestico,

perial, a realidade, a pobreza com todo o seu positivismo, e

apoz o dilirio, tarde chegou a razão! Essas famílias que tan- t o figurarão no s ruidosos salões, confundida co m as_ ricas

e abastadas;

uma vvalsa voluptuosa, ao entrarem e m casa, tiverão d e

fechar a porta, destoucando-se essas bellas a si mesmas, sem terem quem lhe fosse á fonte, no dia seguinte. Virão então

adornos !

Mas ah !

depois

d o baile

o

depois da magnificência

de um baile Im-

que toda a noite entregarão-se ao frenezim de

a precisão cercal-as, sem mais recursos do que esses ves-

tidos d e seda enfeitados e algumas esperanças perdidas. (senta-se na rede como estava no principio do acto) Isso é o mesmo. Morra Maria e morra faria, e não devo meter-me agora em moralista {assobia). E o maldito moleque ainda não deu copia de si ! (gritando) Tliomé ! oh Thomé ! (suspi- rando) Em troca de fitas o tlores ficarei com o moiecoie d o

Sr. Moraes.

Sinto passos no corredor; alguém penetra

n o

meu caslello.

SCENA 4.»

Eleuterio < José.

JosÈ (abrindo a porta eu Ira). —O qu e

ELEUTERIO.—Só, como um claustro de freira em alia noite,

vejo !

Esl á

só ?

Espero pelos nossos amigos e de todos és o piimoiro que me appareces. JOSÉ.—Encontrei ao meio dia o nosso Julio no largo do Carmo. Ia apressado como se corresse atraz da amante que lhe roubarão, ELEUTERIO.—Ia para o jogo então? JOSÉ.—E verdade. Julio abafa no jogo uma magoa do pas-

unia esperança morta, que o

sado, uma felicidade murcha,

\ !

O

moríiíica puiiííoiiícmoiilé. inalai ' a outra , esquecer-s e unira maior.

ELEUTERIO. —Porque

Elie preh-iuU- com unia

paixão,

d e uma desgraç a no s braço s <la

,

nesse

, não escreves uma Gomedia

sentido? Eslás romanlieo. JOSK. — Gomo uma velha namoradeira, bem sei, mas que

veio! Estás

ou um H e ia, um

nessa rede

como um Califa,

sultão

em seus macios coxins.

Esse gorro

vermelho

osso

chambro

essas

cliinellas

encarnadas

esse ca-

chimbo á turca! por Deos! Estás como umgram Mogol em

. ELEÜTERIO. — E balda velha dos brazileiros, ivao saberem

comparar

seus nalacios de fadas.

_

,

nada

ás cousas

do seu paiz!

Não seria mais

acertado, Juca, que me representasses como um tapuia em sua maqueira? Gomo umindigona e m sua palhoça

JOSÉ.—Eslás muilo prosaico hoje. ELEÜTERIO. —Meu caro Juca, se as saias balões

fossem

visadas e inventadas pelas indígenas, accreditas que estavao

tanto em moda?

nina delicada, como um passarinho, dentro de umas gaiolas do aço, denominadas baiões; mas a moda veio (ralem mar ;

dio°ou da Europa, é vinho de outra pipa.

trava iv ancias que crião as cabeças dos fabricantes europeos dão o"nome de modas, e ahi temos todos usarem-nas! Acha-se ,

E no entanto, é selvagem metlcr uma me-

A todas as ex-

logo um certo de^agé

7os frios cliemm-nòs aqui

(uiueik,

um clima que o calor nos faz destilar continuamente copioso

suor. JosÉftirando o paliUÍI,

verdadeiro

razao. hsuni

laiiacha ! Não és foguete sem bomba, porque es-

na rede vasia). Po r l e iaüar

. e assim, as usanças próprias dos pai-

no tempo do calor e nós sem mai s

adoptamos, como te vejo agora coberto de Ian, em

rn

_

coletecáapen.)—Tens

touras como um tiro (deitando-«'

cm

tiro, ouvistes o que deu, avisando a chegada do Vapor

do

Sul? O que virá do mundo velho para o mundo novo? ELEUTERIO.—D a Europa nada me interessa, e sim tudo

do

11io de Janeiro. Com as chegadas dos Vapores do Sul, sinto

sensações que me incommodão. cias.

Tenho medo de más noti- ,

,

, .ra s boas Como é verda-

deiramente indígena esta cama!

invento para sua completa satisfação. ELEÜTEHI O (levunIa-se e vai ã estante meiter o livro que estava lendo).- Queres dormir , Juca? (metendo o livro nu es- tante).

A preguiç a nã o teria melhor

JOS É (esprequkando-sfi

na rede).—Terás

Meu'Deos! lenho fome, ou soinno?

JOSÉ.—Sê CTI sonhasse ! . , . Ài

ai • , .

(boeejanJu).

ELKVTEUI Ü (tlemihando uluunx praias da estante).—Sautu

nume do Deos! Que calamidade ! JOS É (sallund<>)ora da rede).—Ealgum terremoto ? ELEUTERIO.—A melhor louça da minha dispensa! O bata- lhão de reserva, aguarda de honra deste quartel, que espe- rava pelo toque de reunir para marchar ao logo dos banque-

pratos! Se eu fora poeta, sobre os vossos

Oh ! pobres

cacos recitaria uma óde lacrimosa como os olhos de uma viuva moça e rica. Éreis pó, em pó vos ides tornar. Juca vè

. admira a minha desgraça e dize-me se ha dôr igual a minha? JOSÉ.—Eu pouco ímporlo-me com os teus pratos. Lastimo o somno que perdi no momento em que o tinha achado (vai ú janeUa). Abi vem Tonico e Lulii. ELEUTERIO.—Ilão-de chegar todos menos o meu moleque. Ah! tratante ! Pilhou-se de botas, e como o galo, corre a cida- de inteira.

SCENA r». a

Eleuterio, José, Antonio

t Luiz,

ANTONIO.—Eu e Luiz não nos fizemos esperar. JOSÉ.—Sem mais ceremonia. Lui z {sentando-se na rede).-—Eleuterio, dá-me um charuto, ELEUTERIO.—Ahi tens n'aquolla caixa. Luiz.—(para Antonio).—Antonio dá-me um charuto (Vali,

(apontapara

a caixa.)

ANTONI O (indo basear o charuto). —E fogo ? ELEUTERIO.—Ahi tens phosphoros. ANTONIO.—Luiz, queres já o charuto acceso ?

Luiz.—Sim. (Antonio aecendo phosphoro e neste o charuto e,

então Tonico, o charuto é leu ou é meu?

ó teu.

fica fumando)

Eh !

.

ANTONIO.—E me u e

JOSÉ.—Viva apandiga.

ELEUTERIO.—O que ha de

um charuto

Lmi(ace)idendo

que pelo menos eu saiba.

novo do vapor?

que tirada

caixa).—Nada,

nada

ELEUTERIO.—Luiz !

Meu Lulu!

Lulú da minha

alma ! T u

que tons enquadernação para ostempeiros, que tens de cor e

sal tia do a arte culinaria; que dispões de um talento de fogão, que não é cinza,e como esta não se evapora, tu que emassados, guisados e fritangados

ANTONI O (deitando uma

ELEUTERIO.—Que entendes do azeite, do vinagre, do sal, e

fumaça).—Ados!

15

da pimenla

gar, corre, voa, deixa a rede para os dorminhocos, e leni com- paixão do jantar, que abandonado pelo moleque está entregue ao furor do fogo edos gatos dos visinhos [assobia). Ouves? Thomé, o meu moleque foi comprar palitos, até agora. (furioso) Oh!raça degenerada de Caim ! Bem faz o Sr. Simplício Moraes em vender o único que tem. Luiz.—0 Sr. Simplício Moraes, o pai de D. Joaquininha e D. Clarinha !

Oh ! Lulu não faças feio, és um [alento não vul-

JOSÉ.—D'esses dois demonios ! ANTONIO.—Ambas minhas namoradas. JOSÉ.— É possível !

ANTONI O (fumando).—Quando les. TODOS (rindo)—Ali ! ali ! ah !

não

tenho havanas fumo d'es-

ELEUTERIO.—Lulu !

Queres ver o assado reduzido a cinza ?

como

Cathargo ! Como Trova? Queres o arroz queimado, como uma victim a d a inquisição , 110 aut o d a fé ? A gallinii a e m braza s como S. Lourenço?

tens

laes maneiras de convencer que pareces um deputado du go-

verno, quando diz aoopposicionisla: segue-me que terás indu.

Salvarei o jantar.

O guizado a carvão eesse

jantar victima das chammas,

Luiz {despindo

osobre-casaco).—Está

(sahcX

bem, Eleuterio,

SCENA

Ditos

(muvos Luiz.)

JOS É (meltendo-se na rede).—Maldita louça qu e me disper - tou. Yamos verse consigo dormir para não morrer de fome. Quanto é agradavel uma rede! (Antonio conversa com Eleu-

terio). Sc eu possuísse um estro sublimado, um engenho como o de Antonio José, Gonzaga, Magalhães, ou Dias, escrevia um poeina â rede. Fazia versos de pés quebrados e inteiros;

odes, quadras, decimas, sonetos e

estás amestrado na nomen-

Juca, ó

o amor que falia em ti, ou a fome que tc inspira?

clatura da versalhada.

.

ELEUTERI O (para

José).—Como

Escafrudetico'e

antipifjrapho,

ANTONI O (deitando-se

na outra

rede), —E

o mai s è qu e o

Casusinhu tem muita rasão. O tapuia que inventou a rede,

eslú no céo. A rede é o Parnaso do Juca, soja cila o meu rin-

daro.

(canta.)

A rede ó mu elixir

Um narcótico

E ' um opio deleitoso Que me faz lo^o dormir.

Vai a crcnle se deitando,

O soiano lojro

E' gostosoe me parece Voar aos cóos embalando.

saboroso

appareco

Fi KiTFRio —Belíssimo! És um Barilono do carlello.

OVK (bolando

a cabeça fora da rede).-0 n u m gal o miador ,

ANTONIO.—És inimigo da musica! Oh! deves ser d o vi -

nho.

r

.

ELEUTKRIO.—Do vinho! Deixa-me preparar as garralas do

Bordeaux, do tina Duque do Porto,

SGENA

(suhe)

José i Antonio

ANTONIO.—Nã o sei porque Eleutério não faz annos ao mo- nos uma vez cada semana; quem o priva disso ? Confesso que assim como o doce nunca me amargou, a minha bar- riga não sente fome em juntando eu em casa alheia. Eu antes quero esta vida de rapaz pancada, do que aquella que Julio

escolheu para si. Levar dias e noites as voltas com as cartas de jogar! Ganhar c perder, perder e ganhar! Oh! antes xiver como Eduardo, só com o idialismo, do seu amor. Po- bre Eduardo! Julio não o deixa pisar cm ramo verde, cor- ta-lhe todos os í í c rr, o ex-seminarista não tira bóia. E o coitado está mordido pelo bicharoco que ehamão amor, não é verdade Juca? (vendo que o charuto não deita fumaça) Irra! Estarás apagado! Não, o indemoninhado tem mais buracos do que a flauta do Marinho! (deita-o fora) Descanta era paz.

Mas, calúda

em vésperas de exame, fiado nos empenhos! Temos que atu-

ral-o, quando despertar, inventa do pé para a mão um ?onho

mais longo e variado do

balda sua sonhar sempre com aquillo que quer dizer a gente, de corpo presente. Alguém vem pelo corredor? Quem será que ataca a brecha? (preparu-sc pura dormir) tinjamos que

E o maroto não resomna como um estudante

que as Mil e uma noites! E uma

dormi mos.

47

SCENA 8. a

Ditos, Paulo

Eduardo.

PAULO.—Oue vejo? É aqui a casa do Morpheu? E ou que

inkava ter snio convidado para jantar! Enganei-me, foi para

dormir.

aonde ronca o sonhador Juca. EDUARDO.—Paulo, hoje não estou para risos, desculpa-me. ANTONI O (bolando a cabeça fora da rede).— O qu e dizes,

Eduardo, deita-te nessa rede, que eu atiro-me a esta

namorado sem ventura? Chichisbéo do bello sexo! Petéca de D- Mathilde!

PAULO ( mcliendo-se na rede de,Jaca).—Juca !

Juca ! Eu so u

venho auxiliar-te! Corri cm teu soccorro. JOSÉ (sahindo da rede).—Tu és o verdadeir o Plutão ! Mal- , rirão sobre ti, sobre toda a louça que se quebrou^ para per- turbar o somno da innocencia que eu dormia. Foste a luz

que veio

olhos da imaginação cousas que me agoniavâo. Oh! eu so- nhava ! Que sonho ! 0 melhor de iodos os sonhos que tenho tido.

dissipar as trevas, em que eu sonhara ver com o s

ANTONIO.—Temo-la

travada.

Ahi vem a cartilha

sediça.

PAULO.—Sonhavas com o inferno? com as fúrias?

.1 OSK .—Não .

PAULO.—Com o el-dourado?

JOSE.—Não.

ANTONIO.—Então que sonho era esse? JOSE.—Er a um sonho novo para mim, mas velho para mui - tos que já o devem ter sonhado. Sonhava com u m joven Lello e sábio, que tendo completado seus estudos emu m seminário, esteve para ser padre, mas que o amor lhe fez desviar essa carreira, para a qual tinha inteira vocação

. EDUARDO.—Juca, se começas, refiro-me. IPaqui a pouco Julio virá torturar-me, como um Torre Espada, e eu hei-de supporlal-o para não romper com um amigo verdadeiro, como elle é . Não é por mi m que terno, é por D. Mathilde por seu pai JOSE.—Julio é a sombra de Nino para esta Simmiraines. ANTONIO.—É o Banco do Sr. Macbelh moderno. EDUARDO.—Não lenho medo de Julio e dos seus brinque- dos, só receio d o pai de D. Mathilde, a quem não desejo oí - fender. Sabes que foi u meu correspondente, e mereci sem- pre a sua estima. ANTONIO.—E a filha mereceu a tua EDUARDO.--Antonio, és o gênio mais sarcastico de todos

.

18

ANTONIO —Ouve o sonho de Juca. JOSÉ.—Cheguei aqui com fome de procurador de causas

perdidas, deitei-me naqueUa rede, o corno Vénus em sua concha, adormeci o sonino da innocencía.

ANTONIO.—És mais massanle do que um deputado com os seus exordios. JOSÉ.—Nada mais natural do que sonhar quem

ANTONIO — E mesmo quem está accordado, por exemplo, os poetas JOSÉ.—Se continuas a interromper-me, nunca chego ao tini. PAULO—Os apartes são permittidos aos representantes que não orão—Antonio, os teus discursos são uns apartes visto que, por partes, repartes as questões. ANTONIO.—Paulo faltou como um mudo ! JOSÉ.—Sonhei que eslava em ura templo

novo

dorme,

.

ANTONIO.—De Salomão

talvez.

JOSÉ.—Aonde dois jovens hião

ANTONIO.—Alii andava o Sr. ílyrnineu ás cambalhotas. JOSÉ.—Conheci a ambos. ANTONIO—Põe-nos em trocos miúdos. Erão machos ambos.»

JOSÉ.—Uma era D. Mathilde.

EDUARDO.—Mentis como os senhos. JOSÉ.—O outro o Pr. Camillo.

ANTONIO . —Olá! Esse analnhabelo de pergaminho !

esposar-se.

JOSÉ.—Sim

. Mas Eduardo dizi a qu e e u mentia,

e o s so -

nhos são quimeras, e nada feenuie reacs; porem este! Edu- ardo, este éverdadeiro.

EDUARDO.—Es um massante sonhador.

PAULO.— 0 sonho cio nosso Juca É verdadeiro; eu já sabia d'ossa triste historia. 0 Sr. Bernardo Gonçalves, soube es- colher para sua íilha, um noivo a seu geito. Elie é negoci- ante, c entre os negociantes tudo se faz como negocio. Fez bem; está no seu direito. O Dr. Camillo, alem de ser um medi- co, é lillio de abastados lavradores, influentes em politica, com o que adquirirão a carta de Dr. para o Sr. Camillo. Ai de ti, Eduardo, que de nada te serve o grande talento que tens. Debalde te dedicas ás musas, escreves para os jornaes, estudas dia e noite, as tuas azas são de pennas e hoje só as de ouro podem subir. Subir! subir! até onde a ambição dos homens pode atlingir. Já vês, Eduardo, que o interesse da actualidade não c a gloria, é o ouro. Tens tido gloria,

mas

esse (e foge. D. Mathilde foi dada em casamento ao Dr.

Camillo,

ad-

querido fama na arte de Hypocralo, não, porque a ignorarn

o ouro, esse metal que é a perdição de lodos, oh !

não

porque

elle

tivesse

génio

e

por ter

19

eia encarnou-se no Dr. Camillo, que só attesta ser um me-

dico

com a carta da faculdade que lhe deu a faculdade d e

usar

do titulo d e Dr. Elle não tem nem terá clinica, mas,

terá colheitas fabulosas de algodão, arroz e assucar.

ANTONIO.—Pobre Esculápio ! Que autopcia íizerão boca da intelligencia !

na tua

PAULO.—Julio tudo sabe; d'elle mesmo ouvi essa noticia que em sonhos Juca nos quiz dar. JOSÉ.—Fatiaste com Julio? PAULO.—Ha pouco estive com elle em uma casa de jogo;

elle carteava

na mesa do lasquenê.

EDOARDO (aparte).—Está perdido!

ANTONIO—Agora comprehendo a tristeza d e Eduardo!

Tem cara de Ministro

demiftido.

EDUARD O (pega no chapeo e lenta sahir).— Eu volt o j á (os

amigos

agarrão).

TODOS.—Eduardo ! Eduardiiiho ! EDUARDO.—Querem-me ver estrangulado por Julio !

o

SCENA 9. a

Ditos t Eleuterio.

ELEFTERÍO (com duas garrafas).—Então o que éisto? PAULO.—É o nosso Eduardo que tenta desertar das nossas Oleiras. EDUARD O (atirando o chapeo para um canto). —0 infern o se conspira contra mim ! ANTONIO—Diz comoOLhelo: Porque nos desertos africanos Eduardo não morreu desconhecido ?

SCENA 10. a

Ditos e, Julio.

JULIO.—Por ser pateta! TODOS.—Julio !

JULIO. —Meus amigos, esperastes por mim? ainda bem,

porque eu esperei

lambem com o s azares meus oppressores, inimigos do meu dinheiro. (tirando o palitot) Assim jantarei mais á fresca. (tirã o chapeo e bota um turbante que está na parede). Ol á ! com este turbante fico mesmo um Beduino. O que dizes Eduardo? Já figurou muito emuma mascarada, esse senhor

longo tempo por uma dama, que ligou-se

turbante

mascarada de novo gênero.

Éverdade, estive, não ha muito tempo, em uma

PAULO.- -Aonde ?

ANTONIO.—Na casa do jogo.

JULIO.— É verdade. Eu corria as cartas, já linha dado cinco

de reis, quando ouvi uma voz

sortes, a mesa contava um conto

sahidado inferno dizer:

Voltei as cartas, a dama de ouro para a esquerda, o az de ru-

nas para a direita. O me u adversari o linha a seu favor o az d e eopas, eu a dama de ouro, o dublé não me (ora favorável,

corro

Iodos estavão pegados no

ile mim. Não havia quem respirasse alio, com medo de que-

brar o respeilo devido á tão grande parada. Lembrei-me do nosso amigo Eduardo, que tendo confiado seu amor a uma mu- lher, essa'ia pertencer a outro, e eu via o meu dinheiro á mercê de uma dama ! ANTONIO.—Epor fim, deste com os burros N'agoa? JULIO.—Se lá estivesses Antonio, não escaparias as sen- sações diversas que impressionavuo a lodos. E mfim chego

corra ! Senti um calafrio, tive medo !

as cartas, uma, duas, trez, c muitas vezes. Os olhos de

baralho gigante que eu linha diante

ao

epilogo: sai a dama de espada Tonos.—Ganhaste?

. mas.

JULIO.—Não

antes tinha sabido o az de ouro, levánto-me

o

dinheiro.

ANTONIO.—Que

pena!

JULIO.—Zangado, deixo o jogo e cis-me

aqui, cheio de fome,

como oenioado que tem a madrasta por inimiga. Oh! perco tudo, menos a honra!

ANTONIO.—E o jantar.

LUIZ.—A's armas!

SGENA 11. 3

Ditos i

Luiz.

soldados, á cosinha

regar pratos para a mesa. TODOS.—Vencer, ou morrer!

SGENA

12. a

avançar e car-

Julio, Antonio e, Eleuterio.

ANTONI O (arrumando

pratos

pratos,

Antonio

vai os arrumando

Amesa),—Tenho sobre a mesa).

fome

(trazem

11

JULÍO [sentando-sena hei de esiar a lenir !

rede).—Calcula,

Tonico, como não

T ú lens a barriga vasia, eu a bolça e a bar -

1 ' ANTONI O (pega em um prato

quente. ( Lui z sue assim como os mais que conduzem

Juno,—Foi feito ao fogo. (ouve-sebater bale.

que traz

Luiz).—Irra !

o

á porta)

está

jantar.)

Alguém

ELEUTERIO (que tem estado abrindo garrafas).—Quem sera

vae a

o importuno qu e a estas horas

porta) Olá ! as minhas carias! Julio.—Entrou o vapor?

(deixa

as garrafas,

,

ELEUTERIO—Do sul (abre a carta), São do meu correspon-

dente (lêpara

JULIO.—üo Rio nada me interessa, a politica deve continuar

a mesma, porque os mesmos são os homens que lá represen- tao a nação. ELEUTERIO—Meus amigos, haja completa folia, os negri- tos derão para a pescada.

si.)

JULIO.—Ganhaste?

ELEUTERIO—Alguma

cousa.

JULIO.—Segredo com isso.

Olha que è alma do negocio o

tal segredo.

sou um tonel de azares!

até juro. ANTONIO.—E isso mesmo que fazem todos

dem.

Outro tanto não digo do jogo , sempr e perco, pois

Mas não devo jogar mais, não quero e

quando per-

SCENA

1 3 A

Ditos, Eduardo, Luiz, José «. Paulo.

PAULO.—Vamos atacar o inimigo á bayoneta

calada.

•JULIO—Eu cá heide leval-o ás dentadas, (sentão-se todos d mesa, Eleuterio na cabeceira, de um lado José e do outro Paulo,

segue-se Luiz e Eduardo e Julio do lado de José). Meus amigos , nada de ceremonias. ANTONIO—Luiz, tinhas mais fome do que um cão da rua. Comes como curuba.

JULIO.—Eduardo nã o

fa z o mesmo,

ainda

não

comeu

nada. EDUARDO.—Vou mostrar-vos que sou optimo

(come).

gaslronomo

ELEUTERIO.—Comão de vagar para paracer banquete.

PAULO f com a boca cheia).—Apoi

JULIO.—Acho o nosso Eduardo misantropo! Oh Tonico,

do.

Queres ca-

bedella, Eduardo? EDUARDO—Estou dando conta de venda desta galinha gui-

sada.

(comendo)

deita-me um pouco de cabedella aqui

(dá o prato)

,

/

JULIO.—Conta de venda deu-te o Sr. Bernardo

A culpa não é minha;

amor fatal, e tu trabalhavas com mais força

abvsmo.

de" fazerem o pão pequeno

traaar (dá o prato,

íizoque

pud e para arredar de ti esse

para cahires nesse

. O diabo dos padeiros, alem

é má, não o posso

Oh Juca, -me arroz

Julio

o

.

serve).

A farinha

ANTONIO.—É celebre ! Julio falia e come ao mesmo tempo !

Julio.—Economiso o tempo.

T u careces de tempo

para

ialiar, tempo para comer, eu em um só tempo, faço ambas as

. EDUARDO (aparte).— Máo ! Que temos de novo contra mini . JULIO.—0amor faz perdera tramontana a este piloto que deu com o barco da esperança nos baixos do desengano! Eu, Deus me perdoe, aprecio mais esta cabedella do que a cara mais linda de qualquer mulher.

cousas. Mas, voltando a Eduardo

PAULO.—Que

blasfêmia!

ANTONIO.—Blasfêmia não. Quando se tem fome, antes ver

uma cabedella

o gosto de uma moça bella. JULIO.— A paixã o é como o copim, RÓE! RÓE ! EDUARDO.—Ainda te liei-de ver roido por cila. JULIO.—Não duvido, quando eu estiver louco. PAULO.—Eu cá, sou de opinião de que, os homens sem as

tem o seu lugar; na ociosidade admiro

Tudo

mulheres não valem nada. São ellas que dão apreço a esta

Meus amigos. im>

olhos pretos

vida.

São as flores que a embalsamão

um riso angélico, em lábios de carmim.,

oh ! Jesus! eu morro por ellas!

ali!

.

JULIO.—E eu! Por ellas reunidas, ou mesmo em separado,

mas não particularmente

amigo Eduardo

.

.

(enche o copo)

TODOS.—Op!

Op! Horrou !

Horrou!

A saúde do nosso

ANTONIO.—Outro brinde, meusamigos. A' saúde do nosso amigo Eleutério, que hoje completa os seus25annos. TODOS.—Tubanch! Tubanch! Tubancli ei. Vivou!

SCENA14. A

Ditos«, Arthur.

ARTHUR.—Viva Eleutéri o !

Viva!

ELEUTERIO.—Abanca-te Arthur,. , quete.

torna

lugar

no ban-

ARTHUR.—Comem ainda. Oh! Julio, tens hospede era casa. JULI O .—Hospede? ARTHUR.—Sim, o Sr. Casimiro e sua mulher. TODOS.—D . Angelica ? Julio (áparté).—Angelica de volta ! (alto) Então vierãono vapor ?

Chegou a companhia dramatica que

vem dar representações no nosso theatro.

ANTONIO —Melhor ! Teremos de o ver brilhar no Cesar de

Basan.

Gosto muito d'esse drama, só por que D. Cesar bebe

ARTHUR.—É verdade.

como quem vai morrer. JULI O (aparte).—Angelica em Maranhão !

EDUARDO.—Yamos ter distrações.

.1 ('LIO.—Distrações para ti ! Eduardo ?

EDUARDO.—Quando amares

.

JULIO—Amar eu! O que dizes Eduardo? mais lac il serem as mulheres constantes no

ser-mo favoravel na sorte; o Sr. Bernardo não negociar com a mão de D. Mathilde, do que eu amar. Eu que pelo amor tenho uma aversão cordial! Uma abnegação a toda a prova ! Amar ! Oh ! quem não conhece o bello sexo que ame, não eu, que hei aprendido á custa dos papalvos como Eduardo, a fugir dei lo como o diabo da cruz.* Eu sou franco e a minha linguagem é verdadeira e leal. Olho para a moça mais bei la,

.mais gentil, mais elegante, como para a rosa, ou o jasmim, o cravo'," ou outra qualquer flor; e quando não as vejo esque- ço-me d'ellas como de um objecto que apenas fitei, passan- do logo a occupar-me de outros. Que queres, se a natureza

Eu amar!

É

amor; o jogo

é tão

ANTONIO.-—Julio falia como um ministro de estado ! JULIO.—Antonico, és um fallador como qualquer ilhéo. Bem mostras que és filho do Maranhão, e que S. Luiz é uma

ilha. Eduardo, eu sinto ver uma decepção cruel delacerar-te

a alma e torturar-te o coração, maso que fazer? D. Ma-

thilde casa com o Dr. Camillo. Volta ao Seminário e faz-te padre.

varia !

JOSÉ.'—Uma saúde ! Luiz.—Já era tempo. Tenho a goela seca. JOSÉ.—A 1 saúde das nossas deidades ! TODOS (menos Julio).—Viva ! op ! op ! hourou !

ANTONIO.—Julio não nos acompanhas?

JULIO.—Não. Tenho medo de beber á saúde d'ellas, podem adoecer,

24

PAULO.—Eu bebo â saúde das bellas, que são as almas dos

nossos corpos.

jantando para si)

JULIO.—LIS um coij u

v

s

r(í/üS .)

TODOS. -

ivai

viva !

òa ^ <»m

vejo ar-

JULIO.—Mulheres! »^i^«

 

!

Vós que

riscado e serem presos pek>s aço qu e

 

^

o)Uo s

ne

t rabis a sorrir, mentis a

irantes,

a Victoria, otnumpbo, a

2 e r

J

4

icnle s temd e dur-vos mexpe ^

Hando-vos, não

, ah quantos co açoo

;

rPsy>e

vos hei estudado, que vos nao uie o, uc tês] ena

a

vos amo, eu, Julio Mauricio, desal o-vos a

\

d

Mul^erfcia^é bUlietebraiico de loteria.

ÍNO-E U

gosto das feias igualmente como

das r d

Elias servem de sombreado ao quadro, em que as

bonitas

16 ANTONIO.—Mulher feia vale tanto como chapéu

desolem

110 Luiz!—Eu bebo á saúde do nosso heróe, do nosso chefe ce- iihutario, do erandeJuiio Mauricio.

TODO«

Viva ! viva !

op ! op !

hourrou!

hourrou !

Z o --0 1 iado , meu povo. Julguei-me grande cornou,,

senador do império { Sim, meus amigos, Julio e c sera se >- pre o chefe dos celibatários e 110 meio das moças, rodeado pm ellas cantarei estes versos italianos.

Qucsta c quolla per me

Aquanl altre daitorno mi vedo

mio core 1'impero non

Del

pari fono

cedo

Meglio ad una che ad altra beltá.

ANTONIO (hatendo palmas).-Muitobem

! Mnilo ),em! Julio,

o que foi que tu dissestes ? dar de sota o az.

Olha que viestes do liio para nos ,

j L ., I 0 —Com

a sota e o az perdi

hoje um conto de reis.

L

com tudo estou mais alegre do que Eduardo,

vos explico. Eduardo está apaixonado e cu nao. Aao me que- rem crer que as mulheres são anjos, mas do inferno e nau do

eeo. EDUARDO—Um dia serás sedusido por ellas,

E porque? Eu

JUKIO.—Nunca-

25

SCENA 15. a

Ditos t Esmeralda.

ESMERALDA (á porta).— Esmolla para a pobre cigana. ANTONI O (sahindo dameza).—Aíeiliceira! PAULO (idem).—A bruxa!

ELEUTERI O (idem).—Entrai, velha

bohernia.

JULI O (idem).—Quereis pão ? (vai qui tendes, comei .

á meza

e traz um pão)

A -

ESMERALD A (comendo).—As

migalhas d o

banquet e

. do s ri -

cos bastão a matar a fome aos indigentes.

Obrigado.

ELEUTERIO.—Entã o a buenadicha não dá lucro ? ESMERALDA.—Todo s temem as minhas prophecias, e fin- gem não crer ífellas. JOSÉ.—Lá isso é verdade. PAULO.—Haveis de ler o s nossos destinos. Nos acredita-

mos muito na buenadicha.

ESMERALDA.—Par a me lançarem fóra d'aqui, como se e u fora um cão, se as vossas sortes fôrem más? JULIO.—Más, ou boas, nós te havemos agradecer e pagar. Aqui tendes a minha mão (dá amão direi

ESMERALDA

(examinando

amastes já e muito,

JULIO.—Adiante.

a mão).

Sr.

Julio

Mauricio,

JOS É

ESMERALDA

(d parle).—Eu

desconfi o qu e sim .

(examinando

a mão)' — Tendes

o s traços da

. será uma viu-

mão bera visíveis

Deveis casar mais não comdonzella va por quem morrerás do amor.

Ah! aqui descubro o fio do

sim

.

futuro

TODOS (rindo,

menos Eduardo).-—Ah!

Ah ! Ah !

JULIO.—Ainda bem, que para ser tôlo, digo, para casar-me, hade custar a vida a oulro, digo a outro tolo.

P \ULO (dando amão). —E

EU ?

ESMERALDA (examinando

a mão).—Vós!

vós haveis de casar

com aquella que não vos ama, mas que vós amais muito.

apaga da

, ELEUTERI O (dando a MOO).—Vamos agora nos, bruxa do in- ferno.

Nunca vi

tão

minha PAUL bôa O {dando sina.

ESMERALD A

claro!

uma esmola a Esmeralda)

Pega

.

[examinando

a mão). — Meu Deos!

ELEUTERIO.—O

que?

ESMERALDA.—O s signaesda morte.

ELEUTERIO.—J á sei d'isso desde que nasci.

Vos tendes de morrer,

4

24

ESMERALDA.—-Hoje ê.dia dos vossos «.nos,16 dc Julho,

, ifideJulhodoannoquevem, nao

eslaieisvno

[ »

E -Assi m me ehamâo lodos qne leni a sina ma.

-Mentirosa bruxa! Feiticeira do inferno!

,

íà ,,,vln

leu« medo de saber o leu luturo ?

. «m»)

Í ^ 0SlÔra '

0 MS

r

í

d

3

« S.-A M que futuro tendes,

« -

idades. Haveis de ser casado o nunca

rnntrarois os lábios de vossa esposa, para iiclle dçpo.iar o nsculos do amôr; não lereis companheira, alem do amo, de

Deos. E comludo sereis casado,

EDUARDO.—Com quem ?

d

ESMERALDA.—Digo-vos c m segredo. Eduardo). T uli 0 —Com D. Matlnlde?

. ESMERALDA.-—Não. D'essa ouvi eu boje pregar-se no Ul - mo os banhos do eslylo; casa com o Dr. Camillo.

(haUa

ao ouudo

,

ae

.JULIO

—Eduardo

EDÜARDO.-Meus

empallideceu !

amigos,

esta mul.ier

.

foi paga

pa a

ur

zombar de nós. Seja a bohemia concleninada ao logo

ANTONIO (indo

d parede traz

(da-lhe

a

for,'o i

Açora nós.

mão). uma pistola).—ko

logo .

AO

ESMERALDA (exmimnda a mão).-Senhor Antonio diviso

na vossa mão traços cortados, que me.dizem serdes o tu -

riado no amôr.

uma ioven, ciue não vos ama. ANTONIOI—Feiticeira! Feiticeira ! Não vedes que estou ar-

Uma paixão violenta vos obriga a pretenda

111 ESMERVLDA.—Descobri agora um ponto na palma damão; é signal que essa moça zombará sempre de vos, e casara com

° L ANTONIO (tendo a pistola apontada para Esmeralda).—Em mato-te, morcego do diabo. ESMERALDA.—Podeis matar-me, mas a vossa sina nao se

^''ELEUTER^Õ

[com uma

espingarda)

.—ko

fogo! morra a feiti-

CG juno-E u a defendo (puchaEsmeralda

a si).—Meus

amigos,

deixemo s a pobre cigana ir em paz

{da-lhe

umaesmoUi)

Aqui

tendes, Esmeralda, aconselho-vos de nao lerdes sinas a ma,s ninguém. TODOS (armados).—Ao fogo ! Ao togo ! ESMERALDA.—Deos sabe se fallei a verdade, ou nao. TODOS.—Ao fogo! Ao fogo!

n

JULI O (conduzindo

Esmeralda

até a porta),—Vinde,

Esme-

ralda !

Eu vos defenderei.

(Esmeralda

sahe.)

SC ENA

1G. a

Ditos t Thomé, mwos Esmeralda»

 

a essa

bruxa de

morrerem

ELEUTERIO.—Julio, salvaste nossas mãos. ANTONI O (trazendo Thomé

pela orelha).—Anda,

tratante !

Agora é que trazes palitos'?

"THOM É (de joelhos).—Perdão, jantar—aqui tendes palitos.

ELEUTEIUO (apontando eaco!

Meu senhor!

acabastes de

ma-

a arma para Thomé).—Morre,

JULI O (Urando-lhe

a arma).—Eleuterio,

hoje e dia dos teus

annos, é melhor perdoar a Thomé.

ELEUTERIO.—A grandeza dos soberanos está no saber per-

doar; eu te perdôo,

TODOS—Viva Eleutério ! Viva Eleuterio ! ELEUTERIO.—Meus amigos, disse-me a bruxa que não devia

estar vivo para o anuo; neste dia, eu vos convido para jantar- des com migo a 16 de Julho do anno que vem, como um des- mentido formal a essa propliecia

Fóra as prophec-ias!

Thomé,

TODOS.—Viva a rapaziada! tora!

(Arthur está do buzina a tocar; José bate nos pratos; Julio ergue a Thomc do chão, « Indo em seena é barulho e confusão; cahe o panno, vendo-se Paulo e Luiz valsarem.»

Viva!

ACTOI.

SEMPRE ESTA MULHER.

Sala modesta em casa de João Mauricio,

ornada com

deccnri*.

SCENA "1 . a

Maria i João.

jo\ o (sentado em umapoltronaY-Qne

trabalho é esse. Ma -

Vi,

Anda s tâo atarefada, 'minha filha, que n o hdar domestico voi n pvn t i a copi a fiel d e tua demnta^mai .

J hn u co5 o em um bastidor).- E uma distracçao, como ouira T u quer 0 trabalho, quando 6 espontâneo nao e um

com que

ha uns poucos de dias, t e vejo entreüda ?

u

t

6 p

contrario agradavel.

Este lenço de lab.ryntho,

 

^

est u

fazendo,nas horas vagas, distrae-memm to.

^

Joxo.-Mas hoje tem espectáculo, suponho eu, e deves as-

S Í

t^o

meu Pai. Vme. ainda está doente, não te-

, nho nraser de ii' ao Theatro, deixando-vos em casa enfermo. Joio — E D. Angelica não le mandou convidar. M\pi\ —\gradeei o convite que mandou tazer-me e pedi-

lhe desculpas

por não poder annuir a elle.

JOÃO.—E dizem que o drama e magmíico. E o

Mannlteuo

de S

MÁRI V -J á o vi uma vez, e o achei bonito, principalmente a parte do marinheiro desempenhada por um artista de menlo. JOAÒ— MARIA.-É E o complicado enredo, não e ébomlo? atrahca attenção dos espectado-

0 titulo é magnifico '

l^vovcz

r C JOAÕ.—(^Marinheiro de S.TropÔz! t

.

°

orava pela alma de sua mãi. JOAÒ.—Como tens feito mintas vezes. MARIA.—Essa moça já amava.

SÍA!— O

Marinheiro viu, em um cemiferio, uma moça que

JOAÕ.—Tinha completa a sua educação. Hoje o amor nas

_ MARIA.—Vossa filha, meu pai, ainda nao sabe o que c esse amor de que lallais.

moças está como o rosar nos velhos.

2 9

JOÃO. — E ha já quem o saiba? Quem possa

plicar

e dizer-nos o

que isso é?

difinir, ex-

MARIA.— 0 Marinheiro descobre que o pai da moça e um

seu devedor, e vem pedir-lhe a mão d'aquella que o encan- tava Imito.

jovõ.

Fez bem. Todo o fim do namoro deve ser esse.

MARIA.— O pai quer, a filha não! Coitada!

Ella

ama a

OU .lo°\õ.

isso já eu sabia, difficuldades no beco.

Contra-

riedades no amor ! MARIA.—Ma s a (ilha attende ás supplicas de seu pai, e es- quece o dever de amante,deixando aquelle que ella amava, para

casar-se com este que ell a pel a primeira vez via, em sua vida. JOAÕ.—Entã o o Marinheiro era um Cesar? Vio, pedio e

_ r Assim começa o drama, o Marinheiro

trata sua mulher com esmero, elle é rico, e a ella nada falta; mas descobrioquesua esposa amava a u m doutor e o s ciúme s

a alma, dilaceravão-lhe o coração. maior inimigo dos namorados, os taes ciúmes.

casou?

, MARIA.— E verdade.

,

.

.

.

lhe tortura vão

JOÃO.—Sã o o

MARIA.—Sã o os espinhos das flores, meu pai. JOAÕ.—Biz e antes o castigo dos doudos que amão. MARIA.— O Marinheiro tem um compadre, ambicioso de que o afilhado herdasse a fortuna do padrinho, e esse casa- mento do Marinheiro vinha cortar pela raiz, as gratas espe- ranças do ambicioso compadre. Depois de malquistar a mu-

lhe r co m o marido , d e introduzi r a guerr a 110 sei o d a famíli a do Marinheiro, trata de mata r o compadre, por que possue o

testamento em que este deixa o

joAft.—Úl á ! A cousa vai s e tornando séria. MARIA.—Consegue envenenar pouco apouco o seu bernlei- tor e compadre, e as suspeita s recaliem todas na mulher do

afilhado por herdeiro.

Marinheiro! JOAÜ.—Qu e infamia ! Um homem d estes so paga coma jus- tiça do sertão. MARIA.—J á o Marinheiro estava a morrer, e escrevia em uma mesa que linha diante um grande espelho. O compadre

entra e vem dar o remédio ao doente, quando esteve deitar no medicamento uma porção de veneno ! Atira-se a elle. JOAÕ.—Maria, abi ha lacuna na lua historia; pois se o com-

padre MARIA.—Ah vinha envcnenal-o, ! esqueci-me como dizer diante antes: d'elle O Marinheiro vio no espelho a boa obra do seu compadre.

ioAõ — Assim sim. Agora está a historia completa, qualquer romance.

como

30

«Til», »od e a esposa «»J^e^o^« * utn a jlnellu remédio ha veneno; o assassino precípua .

abaixo, e morre

eslanlaneamcnte.

íoAO.-EoMarinlieiro.

MAK.A-Depms

dcrou . s e

J ü Marinhei-

''l^ õ

E assim os namorados conseguirão u.m-se. depois

sSsaEsssçfíSsS^

que desempenham, como poucos o possuem.

sos.

, MARIA,—Alguém dirige-se a esta sala.

,

SCENA 2. *

1ré

Lu sinto pas

João, Maria,

Rosa t Antonio.

ANTONIO.—Ora vivam o Sr. Mauricio e a Sr. 1 D.

Mariquí-

TLLL<ÍS

JOÃO (sentado

aperta

a mão de Antonio).—Ohl

F

Sr . Tonico ,

bons dias. R osa .—Maria, ha tempos não te vejo.

MARIA.—É por que não queres.

. Sabes que meu pai anda

^°RosÂ(apertand o a mão de Mauricio).—Então vai melhor , meu amigo?

JOAÕ.—Alguma cousa ANTONI O (aparte),—Se

o diabo do rheumalismo,

foss e

e m mim , ér a u m Deus

no s

acuda. MARIA.—Senta-te, Rosinha, (sentao-se), ANTONIO.—Aonde está Julio? Elie não vai hoje ao theatro? ED. Mariquinhas ? Eu sei que o Sr. Mauricio, quando doente, recolhe-se cedo ao leito, mas D. Mariquinhas

31

JOÃO.—Já lhe disse que fosse, mas ella

.

ANTONIO.—Não quer ir?

ROSA.—Mariquinhas, eu vinha convidar-te para ires com- migo hoje ao theatro. Tenho uma semsaboria, quando estou só no camarote. MARIA.—Rosinha, s e tivesse do ir ao theatro, acceitava o convite de D. Angelica que pela manhã me fez. ROSA.—Deveras? Tens razão, Mariquinhas, D. Angelica é

bellaeveioda Europa ha poucos mezes, seu marido érico

.

JOAÕ.—Eis I). Rosinha com cutiladas a torto e a direito.

Em commercio, D. Rosa,

lavra, não ha inleresse que a faça faltar a ella. ser em tudo mais. ROSA.—E comtudo, muitos fallão a sua palavra. JOAÕ.—Em todas as classes ha bons e máos.

quando o negociante dá a sua pa-

Assim deve

ANTONIO.—Isso é verdade. O

Sr. João

Mauricio é u m reconhecido

velho (pie todos respeitam e seu credito está

por toda parte.

caracter,

. JOAÕ.— São bondades que me prodigalisa. D . Rozmlia, seu mano ainda anda atraz d'aquella pequena, pela qual mor - re de amores?

Sr. Mauricio.

da honra na pessoa do „

A sua probidade, a inteiresa do seu nobre

tudo garante o symbolo

digo, nesse

sentido, porque amo a minha irmã.

ROSA (ironia).—Obrigada. Como está terno! ANTONIO.—D. Mariquinhas, Rosinha está desapontada. A

senhora

sahirâo errados. A culpa não é minha. MARIA.—O Sr. Tonico sabe algum segredo de sua irmã?

ANTONIO.—Ell a sente muitas dores d e cotovêllo, não sei

ANTONIO.—Eu?

não amo a ninguém

.

entrava

e m seus planos, fez seus cálculos

e elles

porque,

Antonio, eu não gosto d essas .

. ANTONIO (tirando um charuto).—E pena! D . Mariquinha, mande vir um pouco de fogo; pelo que, como dizem as car- tas de enterro, desde j á me confesso agradecido.

me ROSA occulta. (formalizada).—Mano graças.

mas hei-de descobrir

o segredo da abelha

que s e

.

SCENA 3. a

Ditos t Julio.

JULIO.—Aqui tens fogo, Antonio (dá o charuto

aceso e vai

ter com

o pai)

Então como vai meu pai ! O remedio fez-lhe

"O

<J->

beffi ,

D. Rosa como tem

r,i 0 s vi passar ha pôu- \

)bsequiaY l n o s

, 0 ,1) .

ccuHomi aaos suao»«s" v

Rosa e Anoni.o, Visitas (r

,

ç -

aUlA l

;

'

1

ft , , ,evado

a acender o

dois charutos. Que

Antonio, assim tumab m> » »

-

r

umas os uuia wh»

o s

ardid o

de , ter ,

,

emprestado

maroto ,

qu e

em itorti m cir-

EST^BSI tom ra, r . o.

115,1 i,oss o

Meu pai

,losi,, " a -

a»,da

%

ha-de sèr com D. AngcUca, „« o pri -

com p m

»

»

3;>re s se hade casar

sempre atrás de uma moça que V * »« '

MARIA.—Com o Sr. Antonio?

iT-Tir,

AÍTO ™

\ma rom outro que nao cLle.

-

D S

iinhal sabe que Ha quatro mm ,

m

Pois ella prophetisou que Julio havia de casar-se. ROS A -—Deveras! Com alguma menina solteira ANTONio.-Kão, minha maninha, com uma viuva.

" ^oTmmTe ^ Uma viuva que lenha juiso, que

uma menina

J^totoM*T A

educação, ibe m

n l™!o.^uandS^iuv a

érica,

Sr.Mauricio.

C õ

riauesa

apesar de ser eu negociante e ambi-

cionai-a neseas o é a ultima circunstancia que se requer Dosei o antes a Julio um casamento que lhe traga a felicidade Ho lar domestico, embora pobre, do que ostentar no exter.oi inndeza s e no seio da família viver torturado por uma esposa. í)eixo as cifras, os algarismos, para as transacções cominei-.

eiaes.

ANTONIO.—Eu sou da opinião do Sr. Mauricio,

com urna

emenda adictiva na lei da escolha casamenlal—alem do dito—

digo: que seja hem rica o bel! a.

transparente que nao brilha sem-

_

j líL , 0>

A

bellczaé um

pre. A mulher bclla, sem espirito, sem animação é uma esta- tua que apenas serve para se ver e nada mais. Dou prefe-

rencia a uma mulher painéis.

, Jo\õ.—1>. Rosinha, como vamos decanto ? O Sanem oevra

espirituosa, e não a essas figuras de

n

r ,

i r

.

ter-lhe ensinado a cantar bellas arias, não é verdade? Elle é um insigne maestro, e épena ser umpouco adoidado.

ANTONIO.- -Oh ! a menina canta como um japy, mas tem oc-

cnsiões que imita o annum perfeitamente. Não cansa ! E como

a HosA.—Engraçado !

de prementes ! JULIO.—Não vai a enfesar-se, D. Rosinha.

A SR. A sabe que

Antonico c malicioso como um demandista. Se elle ama a D.

Julga requestar D. Gatharina á custa

Catharina e ella o aborrece,

a culpa é só d'ella, ANTONIO.—Julio, arruma já algum pedaço de italiano.

ou olha para elle com indifferença,

O

diabo deixou o jogo e a lingua de Tasso por uma vez ! Ha muito tempo que não falia como os cantores da opera lyrica ! E eu que gostava tanto ! sem entender nada do que elle dizia. JOÃO.—Juli o prometí eu-me não jogar mais.

JULIO.—liei de cumprir a minha promessa, meu pai.

ANTONIO.—Hei de escrevera Eduardo e Eleutério contando- lhe tudo isto. Julio já não joga, nem falia italiano. 1(OSA.—O Sr. Eduardo tem escripto ? Aonde esta elle.'

L

. JULIO.—Recebi uma carta de Eduardo datada de Roma.

Elíe por causa do casamento de D. Matliilde com o Dr. Ca-

Na verda-

o

Sr. Eleu ferio?

,

T1

millo deixou o Maranhão, foi esparecer na Europa.

de elle hade estranhar muito,

do mundo, ANTONIO.—Alto lá !—calcanhar não,veja a carta geograptn- ra, nós estamos no meio do mundo. POSA.—0 Sr. Julio veio muito amavel do Rio. Ha um anno

ai mia não se pôde aclimatar e m sua terra. E o Sr . Eleutéri o ? Ainda esiá em Lisboa?

porque as mo-

. umas inconstantes, apesar de seu appa-

quando voltar a este calcanhar

JULI O {com malma).—Sim,

D.

Rosinha,

ças aqui são umas rente acanhamento.

_ KOSA.—Q uc fineza de corte ! Aprendeu la a ser tao deli-

cado?

O

34

JULIO.—D . Rosinha, a senhora É A excepção de todas as

ma taT0N,0

Boi«).—Mettc-tó com cde Julgas que Ju-

^ '

soSáTeSdaspo r

m

Nossas idades confundem-se, I). Rosinha, c ambas

dois, a senhora tem em partilha o ,

(SsI^Q-a s

finezas

O Sr. Julio veio bem

t wi.-Juli o deixa Itosinha. Tu » eslas eníesnm o

ANTONIO.—Dádhe, Julio, que isso me luz cila todos o ,

^'Ihi m —Dá no Sr. Antonio?

S0.--NÜ0 ,

D. Mariquinhas, enfeso-me sempre com o

aenio i\us frenetico v.—Rosinha, que ella deixemos tem. o mano Julio eo Sr. Ton co c ~

terierem a meu pai, vamos a meu quarto.

uma saia baião de invenção nova .

moslrai-te

Quero

.

RosA.-Vamos, que o Sr. Julio eslahoje,nsiipor axel.

JOÃO (áparte).—Ella

ama ao meu Julio, coitada !

O 1 apaz

na juLio m 0)l m Rosa que vai sahindo),-Eu

sempre a he i d e res -

peitar corno se fosse uma írrnade minha mãi. ROSA.—Tia será. elle.

1

íNA

João, Julio 1 Antonio.

Vingaste-mo

Julio, obrigado. Ella cm casa tortura-me com as suas impor

ANTONIO.—A mana vai como um buscapé.

tinencias fSo u um martyr.

JOÃO.—Julio, tu molestas assim a D. Rosinha; deves ser

bem vê s que e uma senho-

mais

indulgente com cila,

ra

nossa

amiga, e deves ter para com cila toda

considera-

^

ANTONIO.--Nunca! Cuida o Sr. Mauricio que ella tempie-

dade de mim em casa? Oh ! eu aturo o que meu pai nao se-

ria capaz de aturar.

abi vem as armas e os barões assignalados, de todas as mulhe-

res as lagrimas.

se as

guerras fossem feitas por ellas, felizes dos vencidos!

prometi o, meu pai, não fazer zangar mais a D. Rosinha. JOÃO (erguendo-se).—Julio, ajuda-me. Quero i r repousar

um pouco na cama. Tenho cansado o corpo de estar sentado.

Quando resisto as suas impertinências,

.

Oh!

Eu vos

JULIO.-—São as balas que lança o aos inimigos.

(Julio

e Tonieo

ajudão

a João).

Assim.

JULI O (ouvindo bater áporta).—Quem bale?

JOÃO.—Vê quem é .

JULI O (d porta).—D.

Angelica! (aparte) Ella! (alio) En-

minha senhora, entrai, sim,

trai, JOÃO minha (sentando-se).—Entrai, senhora. bem vinda seja»

SCENÀ 5. a

João, Julio,

Antonio t Angelica.

\NGELICA (para João).—Rons

dias,

Sr. Mauricio, (para Ju-

lio e Antonio)

Os Srs . passão bem? (abaixando

os olhos)

Sr .

Julio , onde está Mariquinhas?

.

Mostra aD. Rosa

.

umas

saias

I n io —N o seu quarto balões da ultima moda.

São as modas os cuidados e os mais

árduos pensamentos das senhoras.

SOÃO — Sente-se I) . Angelica.

. Como está o Sr. Casimiro/

.

ANGELICA (sentando-se).— O Sr. Casimiro vai bem. Dei-

xou-me á porta d e sua casa e foi ao Banco negociar umas Idras \ vida do commercio o occupa todo dia. Grande em-

presa o atarefa

<e uma desgraça eminente o ameaçasse. ,]o\õ — E assim mesmo o viver do homem do commercio, no üm do anuo da-se balanço aos negocios, e exprimido tudo não dá suco para tanto trabalho. E muito lidar e pouco o-anhar. Elle tem de luetar contra os inglezes que monopoli- zarão em Maranhão o commercio do algodão. O preço ct es- oenero altèa e baixa conforme elles querem. O que quer?

. mas elle anda preocupado e triste, como

36

São os senhores d o simples insectos ao pe desses

mercio não é máo

eltuintes.

I

mí l ([UC brn.

ANTo>'iO.

Quando

nao

mesmo,

faz-sebanca-i ^

e,ULta

s t

al '

m

£

e

l

^

isso

m

é o

C()ivilllimi

o —ire ,

a ,

   

quobra é

'],^^o C ^iil^i!os'o^'di -

-Qnan lali do perde tudo

a.vergou a

a l o

;

,

L

,

Sr«

n

ir

»

«•""» .

ir ao

toiro

c

vlHHunatko, a ponto de nao poder sei\n-uio Imumn u ,„ irivv , nne me nesâo e iucommodao muno.

l TroTpO.-bh' .

sempre bcUal

McuDeos!

nao u>n-

senhora. (.araAn ^ Não

repare no liari/ arribitado de minha niaim-cUa es > debaixo

^

t

Snh o

da influencia da lua

.

• estamos em

qiuulo

ucbixnL.

 

SCENAG. a

Ditos, Rosa

t Maria.

MAMA.—Angelica

. V NTON! 0 —O s beijos nas senhoras barateiao-se

\M;KUC.A.—-Uosinha {U'ijiw-*c),

(beijün-*e).

.

.,

muito. E

moda entro elias, c quand o será eidre ellas MARIA.—Beije ao mano ,lu!,o; imite-nos

e nos . s e tem muj a

Jruo.—Dispenso

. 1LOSA.—Sc elle fosse alguma deiuaüe. Juno — Dispensava da mesma fôrma.

laos alfectus, goso saúde, nao careço (te

medicamentos,

. ANTOM O —Ou o vestal ! Julio, estavas bom para Ireira.

VhiUA (m m Amiclmt).—Uerein

teu

convite, uiiutia anu-

,

a ;

mas meu pai se acha doente, e não deve hcar so em c;ea.

Ju^ifica-se o u não a minha falta? UOSA.—Eu a vim convidar E tenho o mesmo

desengano.

*

37

ANGELICA.—Supponho que eu me lembrei primeiro de ti, Mariquinhas.,

Quando Rosa chegou, ja eu tinha

MARIA ,

-

E verdade.

respondido ao teu convite. ROSA.—Angelica, tú tens sempre melhores ideas do que

. ANGELICA.—Estou casada? Não é assim? Obrigado, Ro- sinha; aehas-me feliz?

eu, e a prova

é que já

ANTONIO.— E corno? Com um negociante rico, e com ten- ções do ser ainda mais rico com suas transações.

O Sr,

Casimiro tem intelligcncia para ser grande commerciante.

JOÃO.—Deve isso ao seu credito, e a sua honra.

ANGELIC A

{ironia). — Sou muito feliz ! Hei de ser milioná- t i

quanto sou desgrado!

não o creio. Já pouco nos appa-

ria !.,

. JULI O (aparte).—Ella feliz

!

Oh!

Ella feliz! Ella que casou contra vontade!

MARIA.—O Sr. Casimiro não vem?

rece. ANGELICA.—Deixou-me a tua porta, C ficou de mandar-me o palanquim para conduzir-me á casa. Elie anda sempre occu-

nado-, ANTONIO,—Sc faltar quem carregue o palanquim, aqui estou ene Julio

MARIA.—Que bonitos carregadores, (rindo-se) Ião atirar-LE

no chão, Angelica.

Muito obrigada. Quero-os para

amigos de meu marido, e não para creados da mulher do Sr .

Cazimiro

ROS A (aparte).—Julio ama esta mulher, mas cila é casada!

me despresa !

Descubro n'elle embaraços em sua presença.

abandona-me ao meu amôr! (fica-inste). MARI A (conversando com Angelica).—Se meu pai melhorar, irei, não é assim, meupai? Não havemos de consentir que An- gelica tique triste, quando depende de nós a sua alegria. JOÃO (aparte).—A mocidade da-lhe azas para voar ao pra-

ANGELIC A (PAR A Antonio],

E

zer, o dever de amisade as corta para conte-la na tristeza, (alto) Sim, Maria, se eu melhorar irei mesmo levar-te ao lheatro.

E de mais estou desejoso para ver o artista empresário, traba-

lhar, pois admiro sempre a sua habilidade

que desempenha. ANGELIC A .—Será possível. Dar-nos-liia tanto praser? OSr.

Mauricio ir ao lheatro.,. JOÃO.—Apezar de não ter sido convidado

emtodos os papeis

quantos não

rd o lá de meia cara, assim como eu hei de ir hoje ? ANGELICA—Meu Deos! Desculpe-me, senhor Mauricio

,

38

*

c eu ousava a tanto

convia.au, rnnvidal-o,

compelia i ao Sr. Casi-

miro.

ANTONIO .

^

.

-POI S

a q desculpas.

!

, bem, na,da d e a.e

Dividamos a

(;0 nvilcs

questão ao meio,

( l ue

Mauricio for ao thea-

ü. An-

^elica^e o Sr. MaaiíSo no nosso camarote, não e assim, Ho-

«roted e

^tUseccarnente) ^

muito gosto

Será um consolo

SSSSeáSs» «

'ÉS-

«

»

^TES-»

«

5 tri

C

r

faltav a

mai s

nac,a '

(a " 0 )

!S õ de queixa.

Quando

dispor,hão como »

W

^e^^^SSa o

JULIO—Um Elefante. BOSÂ.- É o Sr. quem diz; a sua sagacidade E JULIO,—Gomo a da raposa, não?

SCENA 7. a

Ditos t Paulo.

como

.

,

,

PAULO.—Ouem é a raposa? És tu, Antonio?

dcV.Exc.

»

^c^-M^Sr-primeir o ca,pisando a esü,

moura 0><™ Maria, 'quero

toek

chnstã. 1-n.meltes n- Sla-

'"'wr i

o -

D

ri mm. has está renitenle cm ser pag3 ?

 

jJ&t-E u ahei-íl e resolver a receber o bapl.snio.

Eu» ca-

"

Adeos, Rosinha

IW -

^KÓSA.—Adeos, Angelica,

(beija

Angelica).

ANGELICA.—Senhor Mauricio.

JOÃ O (erguendo-se

da cadeira).—Querem

ve r

que a Sra . de pé.

foi a visita de saúde que me veio á casa? Já me íico

Olá! Já movo as pernas, (experimentando) Yês Julio? Estão

quasi ao natural. JULIO.—Não sentis mais essas agudas dores que vos mo- leslavão tanto,

.Oh ! supponho poder ir hoje ver e

Diz-me Maria que hrilhão

ouvir o Marinheiro de S. Tropez.

nesse drama, Marinheiro de S. Tropez, os dois primeiros ar- tistas da companhia

JOÃO.—Não

.não

PAULO.—Trabalhão como insignes

ROSA.—Melhor é o Marinheiro do que a mulher. JULIO—Ambos são grandes na arte dramatica, mas gosto

que sSo.

mais da mulher, (áparte) Vejamos se tem ciúmes de mim.

o Marinheiro deve agradar ás moças O

Sr. Paulo tem razão de applaudir a mulher. Eu se fosse ra-

paz, a cobria de üores, dava-lhe applausos, ella é bonita e os merece. Oh! artistas assim não são communs.

JOÃO.—Mas

ROSA papel do Marinheiro é trabalhado com profun-

—O

deza e arte

. com escola.

e mais talento.

ANTONIO.—Olhem a mana como falia da arte! Parece uni

lente de cadeira a dar lições! PAULO.—Tem seus

ROSA. — Ora, Sr. Paulo, ella não olha para o Sr., e o mesmo faz a esses papalvos que a applaudem. ANGELICA.— O que segue-se É que ambos agradao. Pois bem, Sr. Mauricio, espero pelo Sr.; podemos apreciar aos dois sem questão como nossos predilectos, visto como somos

apreciadores de ambos, (despedindo-se de Paião) At é a noi - te. Espero que o Snr. Paulo não continue a vender-se tão caro. (para Antonio) Senhor

. Conte com

a actriz é

ANTONI O (fazendo

cortezia)

Minha Senhora !

o mais humilde de seus criados.

ANGELIC A (para Julio)

O Sr. Julio também fugi-o de nossa

casa como se toramos inimigos.

JULI O (atrapalhado).—Não,

minha senhora

.

o Sr. Casi-

miro tem sempre affazeres. ANGELICA.—As noites estamos sempre solitários.

JULI O (áparte).—Ah ! maldito Casimiro! Arrebataste-me

aquella que muito amei, que muito ainda amo !

MARI A (para Angelica).—Conta

comnosco

e

Antonio).

(beijão-se).

JOÃO.—Eu quero acompanhal-a até a porta. Olha lá ! Já ando como um dansarino, tão lépido estou, (sahem todas

menos Julio

4-0

SCENA 8. a

Julio « Antonio.

ANTONIO.—K agradavel esla

pequena.

O Rio de Janeiro

m o grand e co -

Sem li n dos rostos". Se me nã o engano d e lave nhecimento que tens com esta senhora.

j n lo.—Conhecia-a no Rio

pai

. ella casou-se

e

.

. dei-me muito cm casa de seu E não achas que í>. Angelica

está mais bella do que a primeira vez que veio quando a rccommendei a meu pai ?

aoMaranhao,

ANTONIO.—Sabes o que eu acho? JULIO.—Não. Podes fallar.

Não vaia

desconliar.

ANTONIO.—É que

Se D. Angelica fosse solteira ou viuva,

. 1ucasavas-le com ella e assim a prophecia da cigana ficava completa, e eu crendo na buenadicliu. JULIO,—Porque dizes isto? ANTONIO—Porque, ha um anuo e dezmezes, quando veio o Sr. Casimiro ao Maranhão estabelecer-se no comniercio de compra de algodão,sube que foi emvirtude de reconmiendaçáo lua a teu pai,"o pelabelleza da mulher, disse: aqui ha cousa. Conheci logo que te apaixonaste por R. Angelica, e acredita que ella não te foi indiíferente, se é que a amaste em solteira.

JULIO.—Lembro-te de que falias de uma senhora casada. Todo o respeito é pouco

. ANTONIO.—Logo vi que te formalisavas commigo. Respeito

n D. Angelica como casada. E d e uma familia boa da corte,

não é assim? E o que tem isso com a espoiilanea tendencia do amor. Julio,o amor faz das suas JULIO.—Antonio ! Antonio ! ANTONIO.—Olá! Temos inimigos na praça? Entraste em forma como um recruta. Julio, quero que sejas franco com este teu velho amigo. Tu amaste e oceullas conioé do teu de- ver, porque és homem de bem, esse infeliz amor, que primei- ro aninhou-se no teu coração. Não direi em minhas cartas a

Eduardo, que estás apaixonado, por que alem de uma levian- dade, era um crime. Mas, sè franco, desabafa-te, não sou

eu um amigo verdadeiro? Eu desconfiei, Julio, que preten- dias nos azares do jogo sepultar os azares de um amoritife- liz.

Es umdos poucos amigos quele-

nho, aquém posso confiar os meus segredos. Tens um génio

alegre, e

e

brincalhão, mas és formado de um coração generoso

.

c

.

JULIO (contristado)—Es

de alma grande.

. amei outrora;

Oh ! amo a D. Angelica, mas esse amor morrerá aqui (apon-

Antonio, amo ainda como

41

urn il, parrt o coração). Aqui», meuamigo, por que ella pertenço nutro. 0 Sr. Casimiro já não era criança, quando roubou- me a mulher que eu idolatrava, mas era rico, e Angelica foi , como D. Mathilde, vendida e entrou 110deve e haver dos li-

vros mercantis d'à quelles que mercadejarão sua mã o !

Re -

commendei a meu pai o seu marido que vinha estabelecer

aqui

unia casa de commcrcio;

xado o Maranhão. Fera a Liverpool arranjar seus negocios de correspondências para remessas de algodão, eD. Angelica se-

íMiiü sons passos, como uni (.besouro de muita valia para mim,

'(. que valia para o Sr . Casimiro o 111051110 que

gem. Oh ! isto revolta-me ! tortura-me !

" ANTONI O —Ainda bem (jue já mereci de li alguma cousa;

rouiiasle-me os teus segredos, agora cala-te, que temos impor-

tunos, Lembra-te da prophecia da cigana. Diz a buenadi- rirt, que casarás comuma viuva. JULIO.—Angelica É casada, e já vês que não será com ella. ANTONIO.—Será comoutra, 6 o mesmo, visto que a predi- ção dizia com uma viuva. Silencio !

e quando eu vim do Rio elle tinha dei-

sua mal a do via -

S CENA

9.*

Ditos, João, Rosa, Mari a t Paulo.

J f> à o,—Vei o «pie os doidos se reúnem. PAULO.—É verdade, Sr. Mauricio, nós somos uns loucos. MAKÍA.—Pelo que se julgam lambem ? ANTONIO.—l'or estarmos ainda solteiros. Não é assim Paulo? JUI.ÍO.—Não comprometias a Paulo, elle tem ordens para não ninar.

I ! AI'LO.—Ordens, eu !

Jn.i o (ú P;rul'i,

baixo).—'

Já -abes as ordens ife quem são.

PAÍ S.O ( « parle a Julio).—Sempre

como D. Rosinha

está Lella .

me despresando.

Ne m

ordens me quer da.".

MAKIA.—O que Ums, Rosa ? Com a entrada do Sr. Paulo ti- raste trisle? JULIO.—D . Rosinha não quer desagradar ao ditado, amor

será

por que D. Angelica partiu? Edaes triste D. Rosa, como as líores da noite, que ao romper do dia perdem a belleza e as cores.

nunca descança. O bichinho roe-lhe o corn

ROSA.—Como está poético. Porque não escreve algum poe- ma ?

G

!

ã

.1rLÍo

Paulo, supponho quoi).

ver-to ahi a scisinar.

Ros» falia comlígo, por

P \ULO.—Commigo Î

ROSA.—Es lá ímtiío espiriloso o Sr. Julio.

Dou para gaiato;

•veja se o empresário do theatro o contracta. 'JOÃO. —A i de mim ! Já anda o tiroteio de ha pouco. Julio, proiiibo-le de enfadares a D. Rosinha; não gosto de vel-a zan- gada.

SCEN A

10. A

Ditos t Carlota. CARLOTA.—O almoço está na mesa. JULIO.—Venha esse consol o para 1). Rosinha. O almoç o do\ C abrandar o seu gênio bcllieoso. ROS A (•irônica e raivosa).— Está amavel ! Que verdadeiro corlezão! Duvido que Rechilieu fosse mais politico na curte de Luiz XV.

J OÃO ( pura D. Ho sa).—Não faça cas o d'elle , (aparte) Lü a morro de amores por meu Julio, (allo i Nós conversaremos me - lhor á mesa; vamos, meus amigos. ANTONIO.—Os idiomas que cu melhor entendo, são os tes de um jantar. JOÃO.—Pois vamos conversar com o almoço;ello uo r espera.

imita, já que eunão

posso, ao duque de Rechilieu. ROSA.-—-Obrigada, sei conduzir-me só. JOÃO.—Sr. Paulo, vamos! Sem reromonia (sdiem tm!»s), Sr. An tooi co.

JULIO.—Vamos ao prosaico almoço, já que a poesia foge de mim.

JULIO.—Paulo, conduz D. Rosinha

SCEN A

!

!

SC E N À

H.

*

ESMERALDA (canta

Julio t

fora):

Esmeralda.

Sou feiticeira cifram,

(Aparece

na poria

A

Sou

O futuro já salier :

Soi as sinas dos humanos

lio lodosriiiiln::')!a sorto !

liou e.-.j/eraiica, desenganos,

Aiinimcio vida e

bucnudiclia s"i

1er 1

linixíi, lin.: diz ufana

morte.

e

falia):

Uma esmolinha para a pobre Esmeralda ! J ULIO (apontando para Esmeralda).—Sempre esta mulher !

FIM DO

). • ACTO.

À

A b i

A

DESPEDIDA,

mosrna

saía

do

1.°

acto.

SCENA

1

. a

MARI \ facnfmla e Irislc). - 0 lempo Ilido muda e destroc .-em deixar muilas vozes vestígios d o passado. Quando Mippuz eu, (jue meu irmão Julio, se havia de entregar a uma

paixão tão violeuia ! Eile, que sobranceiro olhava para todas as

moças, e as desdenhava '

sua* feições transtornadas! lá não é jovial e folgazão,

depois da morte do esposo d e Angelica ! A s prophecias de

uma pobre cigana

-.•iia, não como crédula, mas como astuciosa, que enxergou ucso um meio de ganhar a subsistência. Mas a viuvez d e

. coitada! talvez que oi la leia a buenadi -

. Hoje anda pensaiivo, (riste e

ViigHiea

.oh ! esie acaso faz-me duvidar da verdade! Co-

se essa pobre mulher iriumpha,

upezar meu ! Pobre Angelica! O que seria dYIla, s e meu uai nã o cedesse aos nossos rogos , se nà o perdoasse á viuva ••is oiVensas do esposo morlo? Desamparada, sem amiuas! Oii! ol la ticava pobre demai s para ler amigas. As amigas de sua riqueza abandonarão-na! Ainda sinto por «'lia a mes- ma aiVeiçào que senti, quando a vi peia primeira vez. Se Ju-

mo acreditar na moniirn !

lio a

.me u pai nào

e elles amãu-