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Pistas para um Brasil pós-golpe Reforma Tributária, chave para outro projeto
POR SAMUEL PINHEIRO GUIMARÃES
de país | ABERTURA
– ON 19/01/2018
CATEGORIAS: BRASIL, DESTAQUES, POLÍTICAS

Outras Palavras 2018: por que queremos


seu apoio

Que projeto une Temer, o “mercado”, a mídia e a quase totalidade


Reforma Tributária, chave para outro projeto
dos parlamentares? Mais importante: é possível identificar, desde já, Outras Mídias de país
Direito ao
eixos para o resgate do país e dos direitos? aborto: o caso
do Misoprostol
Ligado à
Um ensaio de Samuel Pinheiro Guimarães organização
católica de
direita Opus
1. Há uma luta ideológica, política e econômica entre dois Dei, site
"Gravidez Indesejada" dissemina
projetos para o Brasil, como Nação, como Sociedade, como informações falsas sobre aborto.
Mulheres são enganadas com […]
Estado. Vigilância em
massa, inferno
que cresce
2. Estes dois projetos decorrem de visões distintas da sociedade “Falha” geral
brasileira, de suas características, de seu potencial, de seu lugar nos chips da
Intel abriu
no mundo. espaço a roubo
de dados.
Google trama com Temer manipular
3. O primeiro projeto para o Brasil encontra-se articulado, e em dados sobre Previdência. […]
Previdência: o
acelerada execução, no programa econômico e político de governo entre
Michel Temer e Henrique Meirelles, o qual decorre de uma desespero e
cafajestice
visão do Brasil que pode ser assim resumida: Por trás dos
dados sobre o
suposto “déficit
recorde” há,
além de manipulação de dados,
• o principal desafio da economia e da sociedade brasileira seria a desrespeito completo à
Constituição. Veja […]
inflação;
Blog da Redação
• a economia brasileira não poderia crescer a taxas superiores a 3 Alckmin ataca
santuário
% ao ano, sob risco de gerar inflação, a qual poderia se tornar ecológico de
São Paulo
incontrolável ; Transposição
das águas do
• a principal causa da inflação seria o desequilíbrio fiscal, o rio Itapanhaú, em Bertioga,
representa a luta entre dois modelos
desequilíbrio entre receitas e despesas do Estado; de desenvolvimento e relação com
o […]
“Recuperação”
• somente a iniciativa privada, brasileira, mas em especial a econômica
estrangeira, seria capaz de enfrentar e resolver todos os desafios segundo a
Folha de
S.Paulo
Como a mídia conservadora
da economia, e como consequência, da sociedade e do sistema comemora o fim do emprego formal Nossa livraria online
político brasileiro; e vê, no carrinho de pipoca, um
elemento estruturante para […]
Xploit 06 — Resistência
• o Estado constituiria o maior obstáculo ao funcionamento de Sexto episódio de “Xploit: Internet
sob ataque”, melhor websérie
uma economia capitalista eficiente; documental de 2017, mostra as O Minotauro
diversas formas de ação para
A verdadeira origem da crise
Global
• a intervenção do Estado como empresário e regulamentador da resistir […]
financeira e o
atividade econômica afastaria e inibiria os investidores privados futuro da economia global Autor:
Yanis Varoufakis Por R$ 50,00
nacionais e estrangeiros; (PRÉ-VENDA)

• a redução da dimensão e da competência do Estado, assim como


Compre
de sua capacidade de intervir na economia como regulamentador
e empresário, seriam objetivos indispensáveis para liberar as
O Bem
energias e a vontade de investir da iniciativa privada; Uma
Viveroportunidade para imaginar
outros mundos
• o capital estrangeiro deveria ser o motor do desenvolvimento da Autor: Alberto Acosta Por R$ 30,00

economia capitalista no Brasil;


• os custos do trabalho (salários, direitos etc.) seriam muito Compre
elevados no Brasil;
• os impostos no Brasil, que constituem em seu conjunto a Aos nossos amigos
chamada carga tributária, seriam elevados e complexos; Crise e insurreição Autor: Comite
Invisivel De R$
• o Brasil, pelas suas características e recursos, deveria ser um país 32,00 por R$ 27,00

produtor/exportador de matérias primas agrícolas e minerais e


importador de produtos industrializados;
Compre
• a atividade industrial no Brasil deveria estar limitada ao
processamento de matérias primas e à produção de bens
industriais de tecnologia simples;
• a economia brasileira seria “fechada”, o que prejudicaria a
inserção do Brasil na economia internacional globalizada;
• o Brasil, devido a sua história, a seus valores e a seus interesses
econômicos, deveria ter como aliados naturais, na política e na
economia mundial, os Estados Unidos e os países europeus — o
chamado Ocidente;
• os países latino americanos, africanos e asiáticos não teriam
maior contribuição a dar ao Brasil;
• a política exterior brasileira deveria ser discreta, aceitar nossa
pequena importância e Poder, e se ater a sua região, em aliança
(informal) com os objetivos dos Estados Unidos.

***

1. Esta visão do Brasil, que é compartilhada, com entusiasmo,


pelo chamado “mercado” — na realidade, constituído por uma
ínfima minoria de proprietários e executivos de grandes
empresas, basicamente multinacionais, e de megabancos e de
acadêmicos de escola neoliberal — tem amplo apoio dos
proprietários da grande mídia ortodoxa, que procuram
apresentar esta visão como a única correta e as políticas dela
decorrentes como a única solução para o Brasil evitar a
catástrofe final.
2. Seria possível afirmar que o “Mercado” é integrado pelos 71
mil brasileiros que declararam à Receita Federal terem
rendimentos superiores a 160 salários mínimos, cerca de 160
mil reais por mês, e que são os indivíduos que determinam de
fato os movimentos das Bolsas, as grandes operações com
divisas e as decisões de realizar ou não investimentos
especulativos ou produtivos.
3. A síntese das politicas adotadas pelos formuladores e
executores deste projeto para o Brasil, que é impulsionado por
Michel Temer e Henrique Meirelles, é a seguinte:
(a) congelamento dos gastos e investimentos públicos, em nível
constitucional, durante vinte anos;

(b) nenhum controle sobre as despesas do Estado com os juros da


dívida pública que correspondem a um valor entre 40 e 50% do
orçamento federal;

(c) desregulamentação, privatização e desnacionalização dos sistemas


públicos:

• de educação;
• de saúde ;
• de previdência e assistência social.

(d) desregulamentação total do mercado de trabalho:

• prevalência do negociado sobre o legislado;


• terceirização em todos os setores de atividade das empresas;
• trabalho temporário;
• fim do imposto sindical;
• fragilização dos sindicatos;
• revisão da fórmula de atualização do salário mínimo;
• enfraquecimento da Justiça do Trabalho e sua eventual
desaparição.

(e) abertura total de todos os setores da economia para facilitar a


aquisição de empresas brasileiras e a realização de investimentos pelas
megaempresas de capital estrangeiro;

(f) desregulamentação de todos os setores da economia e redução da


fiscalização do Estado sobre as atividades das empresas;

(g) privatização (desnacionalização) de todas as empresas do Estado,


em especial da:

• Petrobras
• Eletrobras

• BNDES
• Caixa Econômica

• Banco do Brasil
• Casa da Moeda

• Eletronuclear

(h) entrega, em condições excepcionais, a megaempresas


multinacionais petrolíferas das enormes reservas do pré-sal.

***

1. Essas políticas reduziriam ao mínimo as dimensões e a


competência do Estado como investidor; como promotor do
desenvolvimento; como regulador e fiscalizador da atividade
econômica.

2. Essas políticas, de uma forma ou de outra, implementam o que


os Estados Unidos e as potências capitalistas e industriais
ocidentais vêm demandando do Brasil há varias décadas. De
certa forma, estão todas previstas no Consenso de Washington,
documento redigido por representantes do FMI, do Banco
Mundial, do Departamento do Tesouro americano e
acadêmicos, em 1989.

3. Essas políticas vêm sendo executadas por um governo com


escassíssima popularidade e elevadíssima rejeição, com o
auxílio de um Congresso que se caracteriza por ter grande
número de seus membros comprometidos por denúncias de
corrupção e por ter uma larga maioria de representantes de
setores empresariais, eleitos por contribuições financeiras de
grandes empresas. A legislação, caracterizada por ser um
retrocesso histórico, é aprovada de forma apressada e com
pequeno debate público, apesar de sua enorme importância.

4. A determinação em fazer aprovar essas políticas pelo


Congresso e a necessidade de rejeitar as denúncias de
corrupção apresentadas pela Procuradoria Geral da República
fizeram com que o governo de Michel Temer “adquirisse” os
votos das bancadas de parlamentares que representam os
interesses mais conservadores, tais como a bancada da bala, as
bancadas religiosas, a bancada ruralista etc.

5. Os compromissos do governo com essas bancadas


conservadoras levaram à adoção de leis, decretos e medidas
administrativas que representam grave retrocesso nas áreas de
direitos humanos tanto políticos, como econômicos e sociais,
que se encontram protegidos pela Constituição em seus artigos
5º e 6º e por tratados internacionais subscritos pelo Brasil.

6. Paralelamente, verifica-se uma politização do Poder Judiciário,


da Polícia, do Ministério Público e do Tribunal de Contas da
União, que se comprova pelo seu afã persecutório contra o PT,
contra seu líder o Presidente Lula e contra os direitos dos
trabalhadores, e por sua leniência e “ignorância” em relação a
delitos cometidos por partidos e políticos conservadores.

7. Essa politização do Judiciário em todos os seus níveis, desde as


Varas de Primeira Instância ao Supremo Tribunal Federal
(STF), dos procuradores individuais até a Procuradoria Geral
da República (PGR) e da Polícia Federal leva a práticas e
decisões que agridem os princípios fundamentais do Direito e
violam os direitos dos cidadãos:

• a tortura física ou psicológica (longas prisões, sem culpa


formada) para extrair confissões e delações;
• a desmoralização pública de acusados pela Polícia (condução
coercitiva, uso de algemas, ostentação de força);
• a intimidação, através da imposição de penas absurdas, àqueles
que são acusados por delatores;
• o vazamento seletivo de trechos de delações;

• a “convicção de culpa” dos juízes como único fundamento para


condenar acusados;
• a não observância do princípio de presunção de inocência do
início das investigações até o trâmite da sentença final em
julgado;
• a transferência para o acusado do ônus da prova;
• não obediência ao principio de não retroatividade da Lei;

• a aplicação incorreta da teoria do “domínio do fato”;


• a criação de tribunais e juízes de exceção;
• a violação da privacidade da família dos acusados;
• a extensão da pena, na prática, à família do acusado;
• a excitação da opinião pública contra indivíduos denunciados.

***

1. O governo Temer, com o auxílio, “remunerado”, de sua


maioria no Congresso, e de integrantes do Poder Judiciário,
desde a primeira instância até o Supremo Tribunal Federal,
vem procurando tornar permanentes as políticas econômicas
que implementa através de reformas que consolidem, no
sistema político/judiciário, o poder das classes hegemônicas
tradicionais, tais como:

• a adoção do parlamentarismo (semi-presidencialismo etc.);


• o financiamento privado, em especial empresarial, de
campanhas;
• o voto distrital, em suas diversas formas;
• a adoção do voto voluntário;
• a redução do tempo de campanha política;
• o fim da reeleição.

***

1. A atitude, leniente e conivente, do governo Temer diante das


violações de direitos humanos no campo e nas cidades contra
os indivíduos mais pobres e vulneráveis, o silêncio diante das
manifestações de racismo e das ações violentas de grupos de
direita, em público e na Internet, leva a uma divisão ainda mais
profunda da sociedade, com o aguçamento dos preconceitos
raciais, de gênero, de orientação sexual, e ao antagonismo em
relação à política e às instituições, criando uma situação
propícia ao desenvolvimento de movimentos fascistas e
conducente a regimes autoritários e à ditadura.

***

2. O segundo projeto para o Brasil parte da seguinte visão da


realidade:

• a primeira e principal característica do Brasil é seu


extraordinário potencial que é definido por ter o país o quinto
mais extenso território do mundo e, portanto, ampla gama de
recursos minerais; por ter a quinta maior população do mundo,
207 milhões de habitantes e, portanto, amplo mercado interno
potencial; e por ter um dos maiores parques industriais do
mundo;
• a segunda característica do Brasil é o subdesenvolvimento de sua
força de trabalho, de seu capital e de seus recursos naturais;
• a terceira característica do Brasil são as extraordinárias
disparidades de riqueza; de renda; regionais; de gênero; de
origem étnica; culturais; e políticas;
• a quarta característica é a sua extrema vulnerabilidade externa,
de natureza econômica, tecnológica, ideológica, militar e
política;
• a quinta característica é a fragilidade do Estado.

1. Para enfrentar os múltiplos desafios que aquelas cinco


características colocam é necessária uma estratégia de
desenvolvimento que conjugue a ação da iniciativa privada
nacional, do capital estrangeiro e do Estado.

2. Os investidores privados e as empresas tendem a se concentrar,


por definição, nas atividades em que há maior perspectiva de
lucro, menor risco e menor concorrência interna e externa e,
portanto, não são capazes, sozinhos, de enfrentar com êxito os
desafios que as características da sociedade brasileira colocam.
3. Os investimentos de longo prazo, em especial em infraestrutura
e de menor rendimento são inibidos, pois o Estado, que tem
competência constitucional por sua prestação, não tem
capacidade para realizá-los, delegando-os à iniciativa privada
que só os assume quando consegue obter, em contrato,
condições excepcionais de remuneração, enquanto que as
empresas muitas vezes descumprem, mais tarde, os
compromissos que tinham assumidos.
4. Para tais investimentos não há financiamento suficiente do
sistema bancário privado, a juros e prazos adequados, o que
cria uma dependência do BNDES, da CEF e do Banco do
Brasil e a necessidade de sua existência.
5. O Estado, sozinho, igualmente não é capaz de enfrentar de
forma eficiente esses desafios e tem de se fortalecer financeira
e tecnicamente para enfrentar a parte que lhe cabe desses
desafios.
6. O capital estrangeiro, também sozinho, não seria capaz de
enfrentar esses desafios, múltiplos, complexos e inter-
relacionados, até por não ter uma visão global e nacional do
Brasil e nem competência legal para tal tarefa.
7. A segunda característica do Brasil é o subdesenvolvimento,
que pode ser definido como a utilização, com menor eficiência
e plenitude, de seus fatores de produção, isto é, de sua força de
trabalho, de seu capital e de seus recursos naturais.
8. A população brasileira é de 207 milhões de indivíduos e a
população adulta corresponde ao número de eleitores, que é de
cerca de 140 milhões.
9. Os brasileiros adultos que declararam rendimentos à Receita
Federal em 2015 foram 27 milhões, que são aqueles que
percebiam rendimentos mensais superiores a 2.200 reais por
mês ou tinham algum imóvel.

10. Assim, cerca de 110 milhões de brasileiros estariam fora do


mercado devido a seu nível salarial mensal insuficiente
(inferior a 2.200 reais mensais) para adquirir muitos dos bens
que seriam produzidos pela iniciativa privada, tais como saúde
(remédios, cirurgias, internações, etc.) educação de qualidade
adequada em todos os níveis, transporte privado, moradia a
preço de mercado, seguro de previdência privada etc.

11. A organização e desenvolvimento da força de trabalho,


essencial para que a maioria dos brasileiros possam se tornar
mais produtivos e melhores cidadãos do ponto de vista cultural
e político e, portanto, para ampliar o mercado para a iniciativa
privada, exigem políticas no campo da educação, da saúde, da
segurança pública, do saneamento, do transporte e políticas
públicas de salários, previdência pública e assistência. Essas
políticas são numerosas e complexas e serão mencionadas em
princípio aquelas que poderiam ser consideradas essenciais e
prioritárias em cada área.

Na Educação:

• ensino público, laico e gratuito para todos que assim desejarem;

• implantação de horário integral em todas as escolas, do ensino


fundamental e médio, públicas e privadas;
• a organização da carreira de professor com salários dignos e
atraentes.

Na Saúde:

• uma política de prioridade à saúde preventiva e não à curativa;


• a coleta regular de lixo, o abastecimento de água tratada e a
coleta de esgoto em todas as comunidades;
• o acesso gratuito de toda a população à assistência médica.

No Transporte:

• gratuidade do transporte público de massa.

Na Moradia:

• crédito público acessível para a aquisição de casa própria, digna


e saudável.

Na organização pelo poder público do mercado de trabalho:

• a formalização da situação dos trabalhadores, com fiscalização


rigorosa da obrigação de carteira de trabalho;
• política de valorização do salário mínimo;

• aperfeiçoamento da Previdência Pública.

***

1. A organização e o desenvolvimento do capital em suas três


naturezas, financeira, física e empresarial, é indispensável para
o desenvolvimento e a geração de empregos capaz de absorver
a força de trabalho que chega todo ano ao mercado e os
estoques de mão de obra subempregada e de baixa capacitação.

Quanto ao capital financeiro:

• manutenção de baixas taxas de juros e redução do spread


bancário;

• desprivatização do Banco Central;


• desprivatização das agencias reguladoras;

• controle rigoroso de evasão de impostos;

• controle da evasão de divisas para o exterior;


• fortalecimento das instituições financeiras públicas.

Quanto ao capital em sua natureza física:


• estimular a indústria de bens de capital instalada no país;
• organizar programas de compras governamentais da produção
brasileira;

• estimular a nacionalização da indústria instalada no Brasil por


políticas de conteúdo nacional, conjugadas a compras
governamentais.

Quanto ao capital em sua natureza empresarial:

• financiamento preferencial às empresas de capital nacional;


• participação dos empresários produtivos, industriais, agrícolas e
de serviços, nos conselhos de administração das instituições
financeiras públicas.

***

1. A organização e o desenvolvimento da exploração dos


recursos naturais do território brasileiro é o terceiro desafio
do subdesenvolvimento. As medidas prioritárias seriam:

No caso do solo:

• a reforma agrária, com desapropriações com base no valor do


imposto territorial declarado pelos proprietários;
• o controle severo do desmatamento, pela tributação;
• o zoneamento econômico do uso do solo;
• o controle do uso da água.

No caso do subsolo:

• o estimulo à formação de geólogos;

• o mapeamento geológico de todo o território;


• a limitação da propriedade do solo por empresas e por indivíduos
estrangeiros;
• controle da exploração do subsolo.

***

1. A terceira característica da sociedade e da economia


brasileiras são as disparidades de toda ordem que entravam o
desenvolvimento econômico, político e social brasileiro. As
principais medidas em cada setor seriam as seguintes:

Disparidades de riqueza e de renda:

• implantação de um sistema tributário progressivo com o fim das


isenções de que gozam os indivíduos mais ricos e as grandes
empresas;
• o combate rigoroso à evasão de impostos.

Disparidades regionais e intra-urbanas:

• tratamento diferencial tributário para investimentos em


munícipios e distritos urbanos de baixa renda.

Disparidades de gênero:
• controle e punição severa da violência contra as mulheres;
• salário igual para funções iguais.

Disparidades de origem étnica:

• controle e punição severa das manifestações racistas e das


agressões de natureza étnica, inclusive na Internet;
• libertação dos indivíduos que se encontram presos sem terem
sido condenados.

Disparidades culturais:

• ingresso gratuito para os trabalhadores sindicalizados em


espetáculos culturais de excelência (concertos, exposições, etc.);
• desconto de 50% na aquisição de livros por trabalhadores
sindicalizados.

Disparidades de poder político:

• fortalecimento das conferências nacionais;


• aumento do tempo de campanha política;
• adoção do sistema de revogação de mandato eletivo;
• combate às manifestações de intolerância política e religiosa na
Internet.

***

1. A quarta característica da sociedade brasileira é a


vulnerabilidade a pressões, ameaças e agressões externas, nos
campos econômico, tecnológico, ideológico, político e militar.
2. A redução das vulnerabilidades depende do aumento da
presença nacional nos diversos setores da sociedade em que se
verifica a influência externa e na maior capacidade da
sociedade de influir sobre esses setores no sentido de induzí-los
a agir de acordo com os interesses gerais e não apenas em favor
de seus interesses individuais, ou de interesses estrangeiros.

No campo econômico, as principais medidas e políticas que reduziriam


a vulnerabilidade seriam as seguintes:

• controle do endividamento das empresas privadas no exterior;

• a diversificação das exportações, em especial de manufaturas;


• a exigência às empresas estrangeiras de exportar para promover
a modernização do parque industrial brasileiro;
• não participação em acordos internacionais econômicos que
reduzam a capacidade de realizar políticas de desenvolvimento.

No campo tecnológico, as principais medidas que reduziriam a


vulnerabilidade seriam as seguintes:

• organizar e reforçar centros de formação cientifica e tecnológica


de excelência;
• conceder bolsas de estudos vinculadas a resultados nas áreas de
ciências exatas e aplicadas desde o ensino médio ao
universitário, para estimular vocações cientificas;
• conceder prêmios de excelência e de realizações nas áreas de
ciências exatas e aplicadas.

No campo ideológico, as medidas e políticas que reduziriam a


vulnerabilidade seriam:

• impedir a formação de oligopólios de comunicação e a


propriedade cruzada dos meios;
• a democratização e desconcentração da alocação das verbas
oficiais de propaganda;
• o fortalecimento da mídia comunitária de rádio e televisão;
• financiamento especial a rádios, televisões e editoras de acordo
com sua programação de produtos culturais brasileiros;
• financiamento de produção, da distribuição e da exibição da
produção audiovisual brasileira.

No campo militar, as medidas e políticas que reduzem a


vulnerabilidade externa seriam:

• financiamento especial a empresas de defesa de capital nacional;


• fortalecimento e diversificação das instituições de formação de
oficiais superiores;
• não adesão a tratados desiguais na área militar;
• fortalecimento da capacidade dissuasória do país.

No campo político, a vulnerabilidade externa se reduziria:

• por uma política de não intervenção e de respeito absoluto ao


direito de autodeterminação dos países vizinhos sul-americanos;
• pela cooperação econômica e financeira com esses vizinhos;
• pelo fortalecimento de um bloco sul-americano de nações;
• pela participação ativa no bloco dos BRICS;
• pela campanha política permanente para inclusão do Brasil no
Conselho de Segurança.

***

1. A quinta característica brasileira é a fragilidade do Estado


em seus três Poderes.

As medidas prioritárias para enfrentar as fragilidades do Poder


Legislativo seriam:

• a adoção e fiscalização de sistemas efetivos de inscrição


partidária, de contribuição partidária obrigatória e de realização
de convenções periódicas para debate político e escolha das
direções partidárias;

• a proibição de troca de partido pelos representantes eleitos;


• a atualização do número de representantes por Estado de acordo
com sua população e extensão territorial;
• a adoção do sistema de referendo revogatório para mandatos
parlamentares;
• financiamento público de campanhas eleitorais e limitação de
gastos por candidato.
As medidas necessárias para reduzir as fragilidades do Poder
Executivo seriam:

• revogar a Emenda Constitucional 95 que congela as despesas


primárias por 20 anos;
• substituir o tripé da política macroeconômica (câmbio flutuante,
meta de inflação, meta de superávit fiscal) por metas de
desenvolvimento e de emprego;
• utilizar o orçamento como instrumento para combater a recessão
econômica e estimular o desenvolvimento;
• estabelecer uma política de juros que estimule o investimento
privado;
• combater a sonegação e a evasão de impostos;
• combater a evasão de divisas para paraísos fiscais;
• realizar a auditoria da dívida pública;
• combater o super e o sub faturamento no comércio exterior.

No Poder Judiciário, as medidas prioritárias seriam:

• despolitizar o Judiciário, com a nomeação para o Supremo


Tribunal Federal do mais antigo (no cargo) Ministro do Superior
Tribunal de Justiça e a nomeação para os tribunais estaduais do
mais antigo (no cargo) juiz de primeira instância;
• garantir o cumprimento pelos juízes de primeira instância e pelos
membros do Ministério Público dos direitos individuais, em
especial: a presunção de inocência; o sigilo das investigações; a
garantia da integridade física dos investigados; a não incitação
da opinião pública contra investigados;
• combater o abuso de poder por autoridades judiciárias, policiais
e do Ministério Público;
• garantir o julgamento dos processos nos Tribunais pela ordem
cronológica de ingresso;
• nomear para o Conselho Nacional de Justiça apenas membros de
fora do Poder Judiciário.

***

1. A luta entre esses dois projetos para o Brasil é a luta entre:

• de um lado, o projeto de Temer e Meirelles que é o projeto dos


setores mais tradicionais das classes hegemônicas e mais
vinculados aos interesses das classes hegemônicas das Grandes
Potências, em especial da Potência Imperial, os Estados Unidos
da América, com o objetivo de manter o Brasil como um país
médio, apequenado, produtor e exportador de produtos
primários, território de exploração desenfreada da mão-de-obra
brasileira por megaempresas multinacionais, de pequeno
mercado interno e sem capacidade política internacional e,

• de outro lado, o projeto dos setores mais avançados das classes


tradicionais, em aliança com as forças sindicais trabalhadoras, e
setores modernos da classe média que desejam construir no
Brasil uma sociedade e um Estado que, com base no
desenvolvimento de seu enorme potencial humano e de recursos,
sejam mais desenvolvidos, mais prósperos, mais justos, mais
democráticos, mais includentes, mais tolerantes, mais soberanos,
mais capazes de se defender a si mesmos e de contribuir para a
Paz mundial.
Sobre o mesmo tema:

29/06/2016 10/12/2017 18/01/2018 02/09/2016


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Samuel Pinheiro Guimarães


Secretário Geral do Itamaraty (2003-2009) e
ministro de Assuntos Estratégicos (2009-2010).

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TAGS: Brasil, golpe, projetos de país, projetos para o Brasil

7 Comments

euclidestrivoligmail
Posted Janeiro 20, 2018 at 5:20 AM

O articulista é um dos membros mais destacados e sempre demonstrou grande


conhecimento acerca dos problemas brasileiros, suas origens e das soluções
necessárias para moldar o desenvolvimento brasileiro. Entretanto, embora concorde
com suas premissas básicas, acredito que somente através da mobilização de todos
os segmentos da sociedade, poderemos realizar as transformações necessárias para
modificar radicalmente o perfil mostrado.
Até lá, seremos apenas mais uma colonia a serviço da máfia sionista khazarian que
domina o Ocidente … a constituição dos BRICS foi um grande passo, e será
necessário promover maior integração entre seus membros, inclusive com a adesão
de outras nações interessadas, a fim de fazer frente à canalha escravagista baseada
na colonia USA, sob ordens de Israel…

Rodrigo Melo
Posted Janeiro 20, 2018 at 11:02 AM

Texto sensacional!

Marcio Castro
Posted Janeiro 20, 2018 at 5:26 PM

Não adianta listar medidas a serem adotadas. É necessário mostrar um esquema


dinâmico para alcançarmos os objetivos. Senão seremos aquele cavaleiro que
atolado no pântano achou que se salvaria puxando seus próprios cabelos.mh

renato machado
Posted Janeiro 21, 2018 at 9:15 AM

Uma importantíssima contribuição do articulista. Mas acrescento a necessidade de


acabar com a vitaliciedade das cortes superiores da magistratura e a criação de
mandato eletivo por não mais do que 10 anos. Um outro aspecto seria a necessidade
de controle social nas empresas estatais com a participação de representantes da
sociedade civil na sua gestão.
Elizabeth
Posted Janeiro 24, 2018 at 2:49 PM
para além de didático … um texto clínico : nem adesões , nem repulsas, mas
aguçando o entendimento. Argumento é Resistência.

Rudda Ricci
Posted Janeiro 25, 2018 at 1:24 PM

Eu acho engraçado esquerda paz e love tentar convencer classe mérdia de quem é
corrupto e quem não é.
Veio, enfia na cabeça.
Classe mérdia não dá a mínima para a corrupção.
Problema dela é ver pobre melhorando de vida, fazendo faculdade para concorrer no
mercado de trabalho.

Andre
Posted Janeiro 28, 2018 at 10:02 AM

Excelente resumo das duas visões. No entanto eu me pergunto, qual seria o


interesse da elite nacional em se juntar ao primeiro modelo? Entendo que uma parte
da elite ganha com esse modelo, mas outra parte não. O autor poderia ajudar a
descrever melhor esse ponto?

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