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UNIVERSIDADE CATÓLICA DE PETRÓPOLIS - UCP

CENTRO DE ENGENHARIA E COMPUTAÇÃO

CURSO DE ENGENHARIA DE TELECOMUNICAÇÕES

INFRA-ESTRUTURA DAS REDES DE 4ª GERAÇÃO

André Martins Tauk

Petrópolis

2010
UNIVERSIDADE CATÓLICA DE PETRÓPOLIS - UCP

CENTRO DE ENGENHARIA E COMPUTAÇÃO

CURSO DE ENGENHARIA DE TELECOMUNICAÇÕES

INFRA-ESTRUTURA DAS REDES DE 4ª GERAÇÃO

Trabalho de Conclusão de Curso, apresentado ao


Centro de Engenharia e Computação da UCP como
requisito parcial para conclusão do Curso de
Engenharia de Telecomunicações.

André Martins Tauk

Orientadora: Maria Cristina Quesnel

Petrópolis

2010
Aluno: André Martins Tauk Matrícula: 05414725

INFRA-ESTRUTURA DAS REDES DE 4ª GERAÇÃO:

Trabalho de Conclusão de Curso, apresentado ao Centro de Engenharia e Computação da


UCP como requisito parcial para conclusão do Curso de Engenharia de Telecomunicações.

AVALIAÇÃO

GRAU FINAL: ______

AVALIADO POR:

Prof.ª Maria Cristina Quesnel: _______________________________

Prof. Guilherme de Andrade Garcia: _______________________________

Prof. Jorge Antônio Oliveira Souza: _______________________________

Petrópolis, 05 de fevereiro de 2010.

Professora Maria Cristina Quesnel

Coordenadora
TAUK, André Martins. Infra Estrutura das Redes de 4ª Geração. Universidade Católica de
Petrópolis, Centro de Engenharia e de Computação – Curso de Graduação em Engenharia de
Telecomunicações, Petrópolis – RJ – 2010.

RESUMO
Nas comunicações móveis, as tecnologias GSM (Global System for Mobile communications)
2G (2° GERAÇÃO) e UMTS (Universal Mobile Terrestrial Sistem) 3G (3° Geração) são os
padrões mais familiares. O sistema LTE (Long Term Evolution) foi concebido de acordo com
exigências de alto nível: altas taxas de dados, baixa latência, mobilidade contínua, eficiência
espectral, maior cobertura, co-existência com outros sistemas, custo viável e diferenciação de
fluxo de dados. Para isso inova nos conceitos de modulação, acesso a rede de pacotes,
simplicidade na infra-estrutura, taxas de transmissão e recepção de dados. Essas exigências
permitem a evolução dos serviços de tecnologias móvel com um menor custo. Esse trabalho é
uma pesquisa teórica baseado em textos técnicos e livros. Os principais aspectos tratados são
os que tornam o LTE um sistema mais eficaz que seus predecessores. EPS (Evolved Packet
System) é o nome dessa nova tecnologia (LTE é o nome comercial) e é dividida em duas
partes, rede de acesso e o núcleo da rede de pacotes. A rede de acesso é chamada de LTE ou
eUTRAN (evolved Universal Terrestrial Radio Access Network) e o núcleo da rede de
pacotes de EPC (Evolved Packet Core) ou SAE (System Architecture Evolution). EPS inova
principalmente em dois pontos: o dobro da eficiência espectral em relação ao
HSDPA/HSUPA (High Speed Downlink Packet Access/ High Speed Uplink Packet Access) e
trabalha com uma única rede IP para comutação de voz e dados. Já no eUTRAN, na camada
física, os principais aspectos considerados são: multiplexação OFDM (Orthogonal Frequency
Division Multiple) e SC-FDMA (Single Carrier Frequency Division Multiple Access),
estrutura física dos sinais e técnica de multiplas antenas. Na arquitetura eUTRAN o principal
aspecto é o eNodeB e suas interfaces. Já na EPC os principais nós são tratados, explicando as
suas funções de sinalização, roteamento de dados, conexão com outras redes, estabelecimento
de portadora, mobilidade e outras funções. As funções dos protocolos e SAP (Service Access
Point) também são descritas. O objetivo pretendido é explicar como o sistema pode cumprir
com as exigências de alto nível principalmente na infra-estrutura e dar inicio a 4° Geração
denominada IMT–Advanced (International Mobile Telecommunications – Advanced).
Palavras Chave: LTE, Sistemas Celulares, Infra-estrutura

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Sumário de Figuras
Figura 1- crescimento da banda larga móvel em relação à fixa por bilhões de assinantes ........ 8
Figura 2 – proporção entre o crescimento do tráfego de voz e dados ........................................ 8
Figura 3 – evolução dos sistemas móveis................................................................................. 11
Figura 4 - representação do sinal OFDM ................................................................................. 15
Figura 5 - símbolo OFDM gerado a partir da IFFT .................................................................. 16
Figura 6 - grade de recurso ....................................................................................................... 17
Figura 7 - OFDMA multiplexação tempo/frequência (exemplo de prefixo cíclico normal).... 19
Figura 8 - estrutura de referência do sinal no enlace de descida .............................................. 20
Figura 9 - sinal de sincronização primário e secundário e estrutura do PBCH ........................ 21
Figura 10 - estrutura do slot no enlace de subida ..................................................................... 24
Figura 11 - processo para acesso randômico ............................................................................ 26
Figura 12 - preâmbulo de acesso aleatório ............................................................................... 26
Figura 13 - multiplexação espacial ........................................................................................... 28
Figura 14 - principio do SFBC ................................................................................................. 30
Figura 15 – arquitetura EPS...................................................................................................... 32
Figura 16 – arquitetura da rede de 3ªGeração........................................................................... 33
Figura 17 - elementos que formam o EPC ............................................................................... 34
Figura 18 – arquitetura para as funções de sinalização ............................................................ 35
Figura 19 - base de dados do usuário ....................................................................................... 35
Figura 20 - tunelamento dos dados ........................................................................................... 36
Figura 21 – arquitetura IMS ..................................................................................................... 38
Figura 22 – arquitetura eUTRAN ............................................................................................. 39
Figura 23 - interfaces ................................................................................................................ 40
Figura 24 - exemplo de handover entre eNBs .......................................................................... 41
Figura 25 - protocolo do plano do usuário ............................................................................... 43
Figura 26 - protocolo do plano de controle .............................................................................. 43
Figura 27 – estrutura da camada 2 no enlace de descida .......................................................... 45
Figura 28 – estrutura da camada 2 no enlace de subida ........................................................... 45
Figura 29 – portador EPS ......................................................................................................... 47
Figura 30 - relação entre os canais de transporte, lógico e físico ............................................. 48
Figura 31 - relação entre os canais de transporte, lógico e físico ............................................. 50

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Sumário de Tabelas
Tabela 1-quantidade de blocos de recurso para diferentes larguras de banda (FDD) .............. 18
Tabela 2-parâmetros para a estrutura de quadro tipo 1 ............................................................ 18
Tabela 3 - parâmetros para estrutura de quadro tipo 1 ............................................................. 24
Tabela 4 - tabela de códigos ..................................................................................................... 29

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1 INTRODUÇÃO
LTE (Long Term Evolution) é o termo comercial que da o nome da tecnologia como
um todo, mas tecnicamente esse termo é utilizado somente para designar a rede de acesso.

EPS (Evolved Packet System) é o termo geral que nomeia a junção da rede de acesso
eUTRAN (evolved Universal Terrestrial Radio Access Network) ou LTE com o núcleo de
pacotes comutados EPC (Evolved Packet Core) ou SAE (System Architecture Evolution).
Todos esses pontos serão discutidos posteriormente.

O termo 4° Geração vem sendo associado comercialmente ao LTE. Mais essa não é
uma afirmação completamente verdadeira, visto que o LTE não cumpre com todas as
exigências da IMT – Advanced (International Mobile Telecommunications – Advanced).
Essas exigências provavelmente serão cumpridas com o LTE Advanced que poderá se tornar o
sistema padrão da 4° Geração.

1.1 MOTIVAÇÃO
A indústria das comunicações celulares testemunhou um gigantesco crescimento nas
últimas décadas, com mais de quatro bilhões de assinantes.
Com a introdução da 3ª Geração de comunicação celular as taxas de dados
aumentaram significativamente em relação à 2ª, contribuindo para o crescimento do lucro,
mas ainda há espaço para as operadoras aumentarem seu lucro devido à sempre crescente
demanda por banda larga sem fio, além de outras características que adicionam mais
qualidade ao serviço. Essa demanda se confirma através das figuras 1 e 2 [1].

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Fonte – www.teleco.com
Figura 1- crescimento da banda larga móvel em relação a fixa por bilhões de assinantes

Fonte – www.teleco.com
Figura 2 – proporção entre o crescimento do tráfego de voz e dados

1.2 ESCOPO
Nesse trabalho será abordada a análise do sistema LTE (Lorg Term Evolution). Os
métodos de acesso serão analisados superficialmente e a infra-estrutura terá uma análise mais
profunda considerando principalmente as características que a tornam tão eficaz.

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1.3 METODOLOGIA
A metodologia foi baseada em estudos de livros e textos técnicos.

1.4 ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO


Este trabalho é composto de 7 capítulos, sendo que o primeiro faz uma introdução
acerca do tema objeto desse estudo. O segundo capítulo descreve sobre os padrões anteriores
ao LTE e suas especificações. O capítulo 3 aborda o sistema LTE na camada física: enlace de
subida, descida e o conceito de antenas. Capítulo 4 analisa a infra-estrutura de acesso à rede e
o núcleo de pacotes comutados, abordando os nós mais importantes. O capítulo 5 descreve
sobre protocolos, as funções de cada camada e pontos de acesso. O capítulo 6 descreve as
conclusões pertinentes ao que foi verificado ao longo do trabalho.

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2 ANTES DO LTE
Mesmo com a evolução da tecnologia 3G com o HSPA (High Speed Packet Access)
a evolução do UMTS (Universal Mobile Telecommunications System) não chegou ao seu fim.
Para garantir a competitividade do UMTS para os próximos 10 anos ou mais o 3GPP (3rd
Generation Partnership Project) introduzido no Release 8 o sistema LTE, figura 3. LTE, que
é também conhecido como Evolved UTRAN ou eUTRAN (evolved Universal Terrestrial
Radio Access Network), fornece novos conceitos de camada física, arquitetura e protocolo
para o UMTS.

Atualmente, as redes UMTS em todo o mundo estão sendo adaptadas à HSPA, a fim
de aumentar a taxa de dados e capacidade para pacotes de dados. O sistema HSPA se refere à
combinação de HSDPA (High Speed Downlink Packet Access) e HSUPA (High Speed Uplink
Packet Access). Enquanto HSDPA foi introduzido como uma característica 3GPP Release 5,
HSUPA é um característica importante do 3GPP Release 6.

No entanto, mesmo com a introdução da tecnologia HSPA, a evolução do UMTS não


chegou ao seu fim. HSPA+ traz melhorias significativas no 3GPP Release 7. Objetivo é
melhorar a desempenho do HSPA na parte de eficiência espectral, taxa de dados, latência e
explorar todo o potencial do WCDMA (Wide band Code Division Multiple Access) operando
com 5 MHz. Importante característica do HSPA+ é o enlace de descida com antenas MIMO
(Multiple Input Multiple Output), modulação de ordem superior para enlace de subida e
descida, a melhoria dos protocolos de camada 2 e conectividade contínua de pacotes.

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Fonte - http://www.3gamericas.org/
Figura 3 – evolução dos sistemas móveis

2.1 EXIGÊNCIAS PARA PRÓXIMA GERAÇÃO


Em 2-3 Novembro de 2004 na cidade de Toronto, no Canadá, em um workshop
sobre a evolução do acesso às redes via rádio frequência (RAN Evolution Workshop), foram
identificadas uma série de exigências de alto nível para a próxima geração das comunicações
celulares através da TS 25.913 (especificações técnicas):

oreduzir custo por bit;

oaumentar a provisão de serviços - mais serviços a menor custo com uma


melhor experiência;

oflexibilizar o uso de bandas de frequência já existentes e novas;

osimplificar arquitetura, interfaces abertas;

opermitir razoável consumo de energia nos terminais;

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A fim de assegurar a competitividade do UMTS para os próximos 10 anos e além, os
conceitos para o UMTS Long Term Evolution, foram introduzidos no 3GPP Release 8. Suas
partes mais importantes são:

oreduzir latência;

omaiores taxas de dados;

omelhoria da capacidade do sistema, cobertura e redução do custo global para as


operadoras;

oredução nos custos da rede e do tráfego;

oalocações flexíveis e desenvolvimento das existentes e novas tecnologias de


acesso com mobilidade e uma rede comum baseada em IP;

O sistema LTE é baseado sobre novos princípios técnicos. Utilizando um novo


esquema de acesso múltiplo na interface aérea: OFDMA (Orthogonal Frequency Division
Multiple Access) no enlace de descida e SC-FDMA (Single Carrier Frequency Division
Multiple Access) no de subida. Além disso, o sistema de antena MIMO forma uma essencial
parte do LTE. A fim de simplificar a arquitetura do protocolo, LTE traz algumas grandes
mudanças nos conceitos de protocolo UMTS existente. O impacto sobre o arquitetura de rede
global, incluindo o núcleo de rede é referido como SAE (System Architecture Evolution) pelas
3rd Generation Partnership Project (3GPP).

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3 TECNOLOGIA LTE

3.1 EXIGÊNCIAS
A partir de estudos de viabilidade foram concebidas as principais exigências para o
sistema LTE capturado no 3GPP TR 25, 913 [2] e são resumidas da seguinte maneira:

otaxa de dados: taxas instantâneas de até 100Mbps no enlace de descida e


50Mbps no enlace de subida para o espectro alocado de 20 MHz (5bps/Hz);

othroughput: alvo para throughput médio no enlace de descida por MHz é 3 a 4


vezes mais veloz do que a versão 6. Alvo para throughput médio no enlace de subida
por MHz é 2 a 3 vezes melhor do que o release 6;

oeficiência espectral: taxa para o enlace de descida é de 3-4 vezes melhor do


que o release 6 e para enlace de subida é 2-3 vezes melhor do que o release 6;

omobilidade: LTE deve ser otimizado de baixas velocidades de 0 até 15km/h.


Para velocidades entre 15 e 120km/h deve ter uma alta performance e entre 120 e
320km/h a mobilidade entre redes deve ser mantida e também até 500km/h, dependendo
da frequência da banda;

ocobertura: throughput, eficiência espectral e mobilidade descrita acima


devem ser alcançadas em um raio de 5 km da célula, e com uma pequena degradação
em um raio de 30 km. A uma distância de 100 km a utilização da célula não deve ser
descartada;

olatência: tempo de trânsito de ida ou volta entre um pacote que está disponível
na camada IP tanto no UE (user equiment) quanto na rede de acesso. A disponibilidade
deste pacote na camada IP na rede de acesso/UE deve ser inferior de 5ms. A latência
deve ser reduzida, por exemplo, para permitir rápidos tempos de transição inferior a
100ms para estado ativo;

olargura de banda: largura de banda de 5, 10, 15, 20MHz será suportada.


Larguras de banda menores de 5MHz deve ser suportada, ou seja, 1,4MHz e 3 MHz no
modo FDD;

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ocooperação e coexistência: cooperação entre os já existentes sistemas
UTRAN/GERAN (UMTS Terrestrial Radio Access Network/ GSM EDGE Radio Access
Network) e sistemas não 3GPP deve ser assegurada. Terminais devem suportar
handover para UTRAN e GERAN. Interrupção no tempo de handover entre E-UTRAN
e UTRAN/GERAN deve ser inferior a 300ms para os serviços em tempo real e inferior
a 500ms para serviços sem tempo real;

ocustos: custo efetivo de migração do release 6 interface de rádio UTRA e


arquitetura deve ser viável. Sistema e terminal de complexidade razoável, custo e
consumo de energia deve ser assegurada. Todas as interfaces especificadas estarão
abertas para interoperabilidade de equipamentos entre diferentes vendedores;

oatribuição do espectro: possibilitar operação pareada (Frequency Division


Duplex modo FDD) e espectro não pareado (Time Division Duplex modo TDD);

oQualidade do Serviço (QoS): deve ser suportado. VoIP (Voice over IP)
também deve ser suportado com pelo menos uma boa eficiência do backhaul e latência
do tráfego de voz sobre o circuito UMTS de redes comutadas;

osincronização de rede: tempo de sincronização de diferentes redes não será


obrigatória;

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3.2 ESQUEMA DE TRANSMISSÃO NO ENLACE DE DESCIDA

3.2.1 OFDM
O esquema no enlace de descida para o LTE nos modos FDD e TDD é baseado em
OFDM convencional. Em um sistema OFDM, o espectro disponível é dividido em várias
subportadoras. Cada uma dessas subportadoras é independentemente modulada por uma baixa
taxa de fluxo de dados. OFDM tem vários benefícios, incluindo a sua robustez contra
desvanecimento no multipercurso e sua eficiente arquitetura de recepção.

A figura 4 representa um sinal OFDM [3]. Os dados são modulados


independentemente e transmitidos através de um número elevado de subportadoras ortogonais
bem próximas umas das outras. No LTE, os esquemas de modulação disponíveis para o
enlace de descida é o QPSK (Quadrature Phase Shift Keying), 16QAM (Quadrature
Amplitude Modulation) e 64QAM [4].

No domínio do tempo, um intervalo de guarda é inserido a cada símbolo para


combater interferência entre símbolos OFDM devido a um atraso do canal de propagação. O
intervalo de guarda é o prefixo cíclico que é inserido antes de cada símbolo OFDM.

Fonte - www.img.lx.it.pt
Figura 4 - representação do sinal OFDM

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Na prática, o sinal OFDM pode ser gerado usando o processamento de sinal digital
IFFT (Inverse Fast Fourier Transform). A IFFT converte um número N de símbolos de dados
no domínio de frequência em um sinal no domínio no tempo. Tal ponto N da transformada

está na figura 5, onde um amN  n refere-se ao n-ésimo sub-canal modulado, durante o

período de tempo mTu  t  m  1Tu .

Fonte - GESSNER, 2008


Figura 5 - símbolo OFDM gerado a partir da IFFT

O vetor Sm é definido como um símbolo OFDM. É a superposição do tempo das N


subportadoras moduladas em banda estreita. Portanto, de um fluxo paralelo de N fontes de
dados, cada um é modulado de forma independente, a forma de onda composta de N
subportadoras ortogonais é obtida com cada subportadora, tendo o formato de uma função
SINC no domínio da frequência.

Em contraste com um esquema de transmissão OFDM, ele permite o acesso de


vários usuários na largura de banda disponível. Cada usuário utiliza recurso de
tempo/frequência específico. Como um princípio fundamental do LTE, canais de dados são
compartilhados, ou seja, para cada intervalo de transmissão de 1ms, uma nova decisão
programada (scheduled decision) é tomada em relação às quais usuários terão recursos de
tempo/frequência atribuídos a eles durante o intervalo de tempo da transmissão.

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3.2.2 Parametrização OFDMA
Dois tipos de estrutura do quadro são definidos para o LTE: tipo 1 para o modo FDD,
e o tipo 2 para o modo TDD. Para a estrutura do quadro tipo 1, um quadro de rádio de 10Ms é
dividido em 20 faixas de tamanho igual a 0,5ms[5]. O subquadro consiste de dois slots
consecutivos, então um quadro de rádio contém 10 subquadros. Como é mostrado
genericamente na figura 6.

Fonte - GESSNER, 2008


Figura 6 - grade de recurso

DL RB
A largura de banda disponível para o enlace de descida consiste de N RB * N SC

subportadoras com espaçamento regular de f  15kHz . No domínio da frequência,


RB
N SC  12 subportadoras formam um bloco de recursos. O número de blocos de recursos
DL DL
N RB determina a largura de banda disponível para o enlace de descida. Os valores de N RB

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para diferentes larguras de banda LTE são apresentados na Tabela 1. O tamanho do bloco de
recursos é o mesmo para todas as larguras de bandas.

Fonte - GESSNER, 2008


Tabela 1-quantidade de blocos de recurso para diferentes larguras de banda (FDD)

DL
Um slot no enlace de subida consiste de N symb símbolos OFDM. Para cada símbolo,

um prefixo cíclico (cyclic prefix) é anexado como tempo de guarda. O comprimento do


DL
prefixo cíclico varia com o N symb . Estruturas do quadro do tipo 1, com comprimento de

prefixo cíclico normal, contém N symb  7 símbolos por slot. Isso se traduz em um
DL

comprimento de prefixo cíclico do TPC  5,2s para o primeiro símbolo e TPC  4,7 s para
os restantes 6 símbolos. Além disso, um prefixo cíclico estendido é definido de forma a cobrir
células maiores com maior espalhamento do atraso. A estrutura do tipo 1, com prefixo cíclico

entendido de TPC E  16,7s , contém


DL
N symb  6 símbolos OFDM (subportadoras
espaçadas de 15 kHz). A estrutura de quadro tipo 1, com prefixo cíclico prolongado de

TCP E  33,3s , contém N symb  7 símbolos (subportadora espaçadas de 7,5kHz)[4]).


DL

Fonte - GESSNER, 2008


Tabela 2-parâmetros para a estrutura de quadro tipo 1

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3.2.3 Transmissão de dados no enlace de descida
Os dados são alocados para os equipamentos dos usuários (UE) em termos de blocos
de recursos, ou seja, um UE pode ser alocado em múltiplos inteiros de um bloco de recursos
no domínio frequência. No domínio do tempo, a decisão programada é tomada no eNodeB.

A figura 7 mostra um exemplo de alocação de enlace de descida de usuário para 6


usuários (UE 1-6).

Fonte - GESSNER, 2008


Figura 7 - OFDMA multiplexação tempo/frequência (exemplo de prefixo cíclico normal)

Os dados do usuário são carregados no PDSCH (Physical Downlink Shared


Channel). Controle de sinalização do enlace de descida no PDCCH (Physical Downlink
Control Channel) é usado para transmitir a decisão programada para equipamentos. O
PDCCH situa-se no primeiro símbolo OFDM de um subquadro. Uma portadora adicional
PCFICH (Physical Control Format Indicator Channel) no primeiro símbolo OFDM do sub-
quadro é usado para indicar o número de símbolos OFDM para o PDCCH (1, 2 ou 3).

3.2.4 Estrutura de referência do sinal no enlace de descida e busca de


célula
A estrutura do sinal no enlace de descida é importante para a estimativa do canal.

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A figura 8 mostra o princípio da estrutura do sinal de referência de enlace de descida
para uma antena ou duas antenas transmissoras. Recursos específicos pré-definidos no
domínio do tempo/frequência carregam a sequência específica do sinal de referência da
célula.

Fonte - GESSNER, 2008


Figura 8 - estrutura de referência do sinal no enlace de descida

Para prefixo cíclico normal, cada sinal (sequência) de referência é gerado símbolo
os
por símbolo como produto de sequências ortogonais ( r ) (existem 3 deles) e uma
prs
sequência pseudo-aleatória ( r ) (168 dos quais já existentes). Para prefixo cíclico
prolongado, a sequência de referência do sinal é gerada a partir de uma sequência pseudo-
aleatória. Salto de frequência pode ser aplicado ao sinal de enlace de descida de referência. O
padrão de salto de frequência tem um período de um quadro (10ms).

Durante a pesquisa das células, diferentes tipos de informações devem ser


identificados pelo dispositivo: símbolo e sincronismo do quadro, frequência, identificação da
célula, largura de banda de transmissão, configuração da antena e o comprimento do prefixo
cíclico.

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Além dos símbolos de referência, os sinais de sincronização são, portanto,
necessários durante a pesquisa das células. LTE utiliza um esquema hierárquico de pesquisa
de células semelhante ao WCDMA. Assim, um sinal de sincronização primário e um sinal de
sincronização secundário são definidos. Os sinais de sincronização são transmitidos duas
vezes por 10ms em slots predefinidos (figura 9) [6]. No domínio da frequência, eles são
transmitidos em 62 subportadoras no prazo de 72 subportadoras reservados em torno da
subportadora central.

As 504 camadas físicas disponíveis para identificação celular são agrupadas em 168
camadas de identificação, cada grupo contém 3 identidades únicas. O sinal de sincronização
secundário carrega camadas físicas de identidade de células e o sinal de sincronização
primário carrega a identidade da camada física 0, 1 ou 2.

Fonte - GESSNER, 2008


Figura 9 - sinal de sincronização primário e secundário e estrutura do PBCH

Como ajuda adicional durante a pesquisa da célula, o PBCH (Primary Broadcast


Channel) está disponível, o qual leva o Master Information Block com a informação básica da
camada física, por exemplo, largura de banda do sistema. Ela é transmitida como um símbolo
específico do primeiro subquadro nas 72 subportadoras centradas em torno da subportadora
central, PBCH tem 40ms de intervalo de tempo de transmissão.

A fim de permitir que o UE apóie este conceito de busca de célula, foi acordado ter
uma largura de banda de recepção por usuário com capacidade mínima de 20 MHz.

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3.2.5 Procedimentos para o enlace de descida na camada física
Para LTE, os seguintes procedimentos para o enlace de descida na camada física são
especialmente importantes:

oprogramação: é feita no eNodeB. O canal de controle do enlace de descida


PDCCH informa aos usuários sobre seus recursos de tempo/frequência atribuídos e os
formatos de transmissão a usar. A programação avalia diferentes tipos de informação,
por exemplo, parâmetros de QoS, as medidas para o UE, capacidade do UE e estatos do
buffer;

oadaptação de enlace: adaptação de enlace já é conhecida do HSDPA como


Adaptive Modulation and Coding. Também em LTE, modulação e codificação para o
canal de dados compartilhado não é fixa, mas é adaptado de acordo com a qualidade do
enlace de rádio. Para este efeito, o UE regularmente reporta CQI (Channel Quality
Indications) para o eNodeB;

ohybrid-ARQ ou HARQ (Automatic Repeat Request): também faz parte do


HSDPA. É um protocolo de retransmissão. O UE pode solicitar a retransmissão de
pacotes de dados recebidos incorretamente. Informação ACK/NACK
(Acknowledgement/ Negative Acknowledgement) é transmitida no enlace de subida
através do PUCCH (Physical Uplink Control Channel) ou multiplexadas como
transmissão de dados no enlace de subida;

3.3 ESQUEMA DE TRANSMISSÃO NO ENLACE DE SUBIDA


LTE

3.3.1 SC-FDMA
Durante a fase de estudos do LTE, alternativas para o melhor esquema de
transmissão no enlace de subida foram investigadas. Enquanto OFDMA é considerada ótima
para as exigências do sistema LTE no enlace de descida, propriedades OFDMA são menos
favorável para o de subida. Isto é principalmente devido a propriedades de enfraquecimento
do PAPR (peak-to-average power ratio) de um sinal OFDMA, resultando em pior cobertura.

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Assim, o esquema de transmissão no enlace de subida LTE para os modos FDD e
TDD é com base na SC-FDMA (Single Carrier Frequency Division Multiple Access) com
prefixo cíclico. Sinais SC-FDMA têm melhores propriedades PAPR comparado com um sinal
OFDMA. Esta foi uma das principais razões para a seleção do SC-FDMA como esquema de
acesso no enlace de subida LTE. As características do PAPR são importantes para o projeto
dos amplificadores de potência do UE em relação ao custo-eficiência. Ainda, processamento
de sinal SC-FDMA tem algumas semelhanças com OFDMA, assim a parametrização do
enlace de descida e de subida pode ser harmonizada.

Há diferentes possibilidades para gerar um sinal SC-FDMA. O DFT-espalhamento-


OFDM (Discrete Fourier Transform), (DFT-s-OFDM) foi selecionado para o LTE.

Para DFT-s-OFDM, um tamanho-M DFT é primeiramente aplicada a um bloco de M


símbolos modulados. As modulações usadas são QPSK, 16QAM e 64 QAM, sendo este
último não obrigatório. A DFT transforma os símbolos da modulação no domínio da
frequência. O resultado é mapeado nas subportadoras disponíveis. No enlace de subida,
somente transmissões localizadas em subportadoras consecutivas são permitidas.

Portanto o processo DFT é a diferença fundamental entre os geradores de sinais SC-


FDMA e OFDMA. Isto é indicado pelo termo DFT-spread-OFDM. Em um sinal SC-FDMA,
cada subportadora utilizada para transmissão contém informações de todos os símbolos de
modulação contida na transmissão, uma vez que o fluxo de entrada de dados foi espalhado
pela transformada DFT ao longo das subportadoras disponíveis. Em contraste com isso, cada
subportadora de sinal OFDMA só carrega informações relacionadas para símbolos de
modulações específicas.

3.3.2 Parametrização SC-FDMA


A estrutura LTE no enlace de subida é semelhante ao de descida. Um quadro no
enlace de subida é composto por 20 faixas de 0,5ms cada e 1 sub-quadro consiste em 2 slots.
A estrutura do slot é mostrada na figura 10.

Cada slot carrega N symb símbolos SC-FDMA, onde N symb  7 para um prefixo
UL UL

cíclico normal e N symb  6 para o prefixo cíclico estendido. Símbolo SC-FDMA número 3,
UL

ou seja, o 4° símbolo em um slot transporta o sinal de referência para demodulação do canal.

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Fonte - GESSNER, 2008
Figura 10 - estrutura do slot no enlace de subida

Fonte - GESSNER, 2008


Tabela 3 - parâmetros para estrutura de quadro tipo 1

3.3.3 Transmissão de dados no enlace de subida


No enlace de subida, os dados são alocados em múltiplos de um bloco de recursos.
Tamanho do bloco de recursos no enlace de subida no domínio da frequência é de 12
subportadoras, ou seja, o mesmo no de descida. No entanto, nem todos os múltiplos inteiros
são permitidos, essas ações simplificam o processamento de sinal no projeto DFT. Apenas os
fatores 2,3, e 5 são permitidos.

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O intervalo de tempo de transmissão no enlace de subida é de 1ms (o mesmo no de
descida).

Os dados do usuário são transportados no PUSCH (Physical Uplink Shared


Channel).

O PUCCH carrega as informações de controle do enlace de subida. Por exemplo,


relatórios CQI e informações ACK/NACK relativas aos pacotes de dados recebidos. O
PUCCH é transmitido em uma região reservada de frequência no enlace de subida. Note que o
UE só usa o PUCCH quando não possui dados para transmitir em PUSCH. Se a UE tem
dados para transmitir em PUSCH, a informação de controle seriam multiplexadas com os
dados sobre PUSCH.

3.3.4 Estrutura do sinal de referência no enlace de subida


Sinais de referência no enlace de subida são utilizados com duas finalidades
diferentes. São usados para a estimativa do canal no receptor eNB, a fim de modular canais de
controle e os sinais de referência fornecem informações de qualidade do canal como base para
tomar decisões programação no eNB.

3.3.5 Procedimentos para enlace de subida na camada física


Para LTE, os seguintes procedimentos no enlace de subida na camada física são
especialmente importantes.

O acesso aleatório pode ser usado para pedir o acesso inicial como parte do handover
ou para restabelecer a sincronização no enlace de subida. Procedimento para acesso
randômico.

A transmissão do preâmbulo de acesso aleatório é restrita a determinados recursos de


tempo e frequência. No domínio da freqüência, o preâmbulo de acesso aleatório ocupa uma
largura de banda de seis blocos de recursos.

O acesso aleatório do preâmbulo é definido como mostrado na figura 11.

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Fonte - GESSNER, 2008
Figura 11 - processo para acesso randômico

O preâmbulo consiste em uma sequência com comprimento TSQE e um prefixo

cíclico com comprimento TPC , como é mostrado na figura 12. Estrutura de quadro tipo 1
prevê quatro formatos diferentes de burst (rajada) para diferentes configurações de acesso
aleatório. Por exemplo, refletindo diferentes tamanhos de células. Por célula, há 64
preâmbulos de acesso aleatório.

Fonte - GESSNER, 2008


Figura 12 - preâmbulo de acesso aleatório

A programação de recursos no enlace de subida é feita pelo eNB. O eNB atribui


determinados recursos de tempo/frequência aos UEs e informa ao UEs sobre os formatos de
transmissão para usar. As concessões de programação para o enlace de subida são
comunicadas aos UEs, através do PDCCH no de descida. As decisões programadas podem ser
baseadas em: parâmetros de QoS, estado do buffer do UE, as medições de qualidade do canal,
capacidade do UE, as lacunas de medição do UE, etc.

P á g i n a | 26
Métodos para adaptação no enlace de subida, controle da potência de transmissão,
modulação adaptativa, codificação de canais e a largura de banda adaptativa também podem
ser utilizados na transmissão.

O controle do tempo no enlace de subida é necessário para alinhar o tempo das


transmissões de diferentes UEs com a janela de recepção do eNB. O eNB envia os comandos
de controle de tempo adequado para os UEs no enlace de descida, ordenando-lhes a se
adaptarem aos respectivos tempos de transmissão (transmit timing).

O protocolo HARQ já é conhecido do HSUPA. O eNB tem a capacidade de solicitar


a retransmissão de pacotes de dados recebidos incorretamente. A informação ACK/NACK no
enlace de descida é enviada no Physical Hybrid ARQ Indicator Channel (PHICH).

3.4 CONCEITOS LTE MIMO


O Sistema MIMO (Multiple Input Multiple Output) constitui uma parte essencial do
LTE, a fim de cumprir as ambiciosas exigências para taxa de dados, eficiência espectral e
cobertura. MIMO refere-se ao uso de múltiplas antenas no transmissor e no receptor.

3.4.1 MIMO no enlace de descida


Para o enlace de descida LTE, uma configuração de 2x2 MIMO é assumida como
configuração básica, mas configurações com 4 antenas também estão sendo consideradas.

3.4.2 Modos MIMO


Diferentes modos MIMO estão previstos. Tem sido diferenciado entre multiplexação
espacial e diversidade de transmissão e o esquema de transmissão selecionado depende da
condição do canal.

Multiplexação Espacial - Multiplexação espacial permite transmitir diferentes


fluxos de dados simultaneamente no mesmo bloco de recurso no enlace de descida. Estes
fluxos de dados podem pertencer a um único usuário SU-MIMO (Single User MIMO) ou para
diferentes usuários MU-MIMO (Multi-User MIMO). Enquanto SU-MIMO aumenta a taxa de
dados de um usuário, MU-MIMO permite aumentar a capacidade global de multiplexação.
Multiplexação espacial só é possível se o canal permitir. A figura 13 ilustra o princípio da
multiplexação espacial, explorando a dimensão espacial do canal de rádio que permite a
transmissão dos diferentes fluxos de dados simultaneamente.

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Fonte - GESSNER, 2008
Figura 13 - multiplexação espacial

Cada antena de transmissão transmite um fluxo de dado diferente. Cada antena


receptora pode receber os fluxos de dado de todas as antenas de transmissão. O canal (por um
atraso específico) pode ser assim descrito pela seguinte matriz:

Nesta descrição geral, N t é o número de antenas de transmissão, N r é o número de


antenas receptoras, resultando em uma matriz 2x2 para o cenário de referência LTE. Os
coeficientes h ij
desta matriz são chamados coeficientes do canal, para antena transmissora j,

para antena receptora i, assim, descrevendo todos os caminhos possíveis entre o transmissor e
o receptor.

O número de fluxos de dados que podem ser transmitidos em paralelo sobre o canal

MIMO é dada pelo { N t , N r } e é limitada pela classe da matriz H. A qualidade da


transmissão se degrada de forma significativa no caso dos valores singulares da matriz H não
serem suficientemente fortes. Isso pode acontecer no caso de 2 antenas não suficientemente
alinhadas, por exemplo, em um ambiente com pouca dispersão ou quando as antenas estão
muito próximas umas das outras.

P á g i n a | 28
Em LTE, até duas palavras-código podem ser mapeadas para diferentes camadas. O
número de camadas espaciais para a transmissão é igual ao da classe da matriz H. Existe um
mapeamento fixo de palavras-código para as camadas.

Pré-codificação no lado transmissor é usada para suportar multiplexação espacial.


Isso é obtido multiplicando-se o sinal com uma matriz de pré-codificação W antes da
transmissão. A pré-codificação otimizada da matriz W é selecionada a partir de um “livro de
códigos” pré-definidos, que é conhecido no eNB e no lado do UE. O livro de códigos para o
caso de 2 antenas transmissoras no LTE é mostrada na tabela 4. O matriz de pré-codificação
otimizada é a que oferece a capacidade máxima.

Fonte - GESSNER, 2008


Tabela 4 - tabela de códigos

O UE estima o canal de rádio e seleciona a matriz de pré-codificação otimizada. O


UE fornece a informação sobre o canal de controle no enlace de subida em relação à matriz de
pré-codificação preferida. Dependendo da largura de banda disponível, essa informação é
disponibilizada por bloco de recurso ou grupo de blocos de recursos, uma vez que a matriz
otimizada pré codificada pode variar entre os blocos de recursos.

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Diversidade de Transmissão - diversidade de transmissão será usada no caso de as
condições do canal não permitirem multiplexação espacial, a alternância entre os dois modos
de transmissão MIMO: diversidade e multiplexação espacial são possíveis, dependendo das
condições do canal. A diversidade de transmissão é usada quando o número selecionado de
fluxos é somente um. Apenas uma palavra de código pode ser transmitida nesse caso. Cada
antena transmite o mesmo fluxo de informação, mas possivelmente com codificação
diferente. LTE utiliza SFBC (Space Frequency Block Coding) como esquema de transmissão
diversificado. Em um determinado momento, as portas de antena transmitem os mesmos
símbolos de dados, mas com diferentes codificações e em diferentes subportadoras, veja a
figura 14 como um exemplo.

.
Fonte - GESSNER, 2008
Figura 14 - principio do SFBC

Cyclic Delay Diversity (CDD) - é um tipo adicional de diversidade que pode ser
usado em conjunto com multiplexação espacial em LTE. Com uma antena especifica
adicional, um atraso é aplicado aos sinais transmitidos em cada porta de antena. Isso
efetivamente introduz multipercurso artificialmente para o sinal de como pode ser visto pelo
receptor. Ao fazer isso, a diversidade de frequência do canal de rádio é maior. Como um
método especial de diversidade de atraso, o CDD aplica uma mudança cíclica para os sinais
transmitidos em cada porta da antena. Em LTE, diferentes configurações de atraso podem ser
selecionadas pela rede: zero, pequeno ou grande.

P á g i n a | 30
3.4.3 MIMO no enlace de subida
O esquema MIMO no enlace de subida para LTE será diferente do de descida a ter
em conta as questões de complexidade terminal. MU-MIMO pode ser usado, terminais de
usuário múltiplos podem transmitir simultaneamente no mesmo bloco de recurso. Isto
também é referido como SDMA (Spatial Division Multiple Access). O regime exige apenas
uma antena de transmissão no lado UE, o que é uma grande vantagem. Os UEs compartilham
o mesmo bloco de recurso, aplicam padrões ortogonais piloto entre si.

Para explorar o benefício de duas ou mais antenas de transmissão, mas ainda manter
o baixo custo no UE, uma seleção do subconjunto de antenas pode ser usada. No início, esta
técnica será utilizada. Por exemplo, um UE terá duas antenas de transmissão, mas apenas uma
transmite e amplifica. O switch irá então escolher a antena que fornece o melhor canal para o
eNB. Esta decisão é feita de acordo com as informações fornecida pelos eNB.

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4 INFRA-ESTRUTURA DA REDE LTE
A infra-estrutura LTE como um todo é chamada de EPS (Evolved Packet System). O
EPS se divide em duas partes: rede de acesso e núcleo da rede de pacotes. Rede de acesso é o
conjunto UE e os eNB mais conhecido como E-UTRAN. O núcleo da rede de pacotes é
chamado de EPC (Evolved Packet Core) ou SAE (System Architecture Evolution) é uma rede
toda baseada em IP (all-IP network) [10] para cumprir com o requerimento de suporte a
outras redes com o objetivo de mobilidade e continuidade de serviço. O PDN (Packet Data
Network) é qualquer rede de pacote de dados a mais conhecida é a Internet. A nuvem IMS (IP
Multimedia Subsystem) é utilizada para o assinante ter acesso a outros tipos de serviço. A
figura 15 mostra as nuvens que compõem o sistema LTE e as que são acessadas através dela.

Fonte - www.awardsolutions.com
Figura 15 – arquitetura EPS

Então temos: E-UTRAN é a rede de acesso, EPC rede de comutação de pacotes,


PDN são as redes de pacotes de dados (ex. Internet) e IMS é a rede de serviços.

Na arquitetura das redes 3G, exemplo na figura 16, geralmente tem dois tipos de
núcleo de rede o primeiro seria o CS-CN (Circuit Switched-Core Network) que é o circuito de
comutação para voz e o segundo o PS-CN (Packet Switch-Core Network). Nessa parte da rede
é feita a comutação de pacotes, ambas as redes são suportadas pela mesma rede de acesso.

Com a criação do VoIP, o sistema LTE utiliza a rede PS-CN tanto para a comutação
de voz quanto para de dados e para isso o 3GPP definiu o IMS (IP Multimedia Subsystem)
como assistente para essa função.

Para evitar que o legado da infra-estrutura da rede CS-CN desapareça foi criado pela
3GPP o VCC (Voice Call Continuity) que está entre os dois domínios (IMS e CS-CN) com a
ajuda do IMS.

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Com a utilização da rede de comutação de pacotes para o tráfego de voz, são
necessárias algumas ações para diminuir a latência assim como a mobilidade entre diferentes
tecnologias. Estas são umas das exigências para o sistema LTE. Para isso as funcionalidades
do NodeB e do RNC emergiram em um nó comum chamado de evolved NodeB ou eNB.

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Figura 16 – arquitetura da rede de 3°Geração

4.1 EPC
O EPC é formado pelo MME (Mobility Management Entity), SGW (Serving
Gateway), PGW (PDN Gateway), Home Subscriber Server (HSS) e evolved Packet Data
Gateway (ePDG). Visto na figura 17.

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Figura 17 - elementos que formam o EPC

4.1.1 MME e HSS


É a principal peça para todas as funções de sinalização. O MME é responsável por:
gerenciar e organizar informações com o IMSI (International Mobile Subscriber Identity), a
capacidade da rede de todos os UE; funções de gerenciamento de mobilidade tais como
coordenar o sinal para inter-SGW handovers; funções de gerenciamento para coordenar a
sinalização estabelecendo à portadora nos serviços fim-a-fim; distribuir mensagens de
paginação para os eNBs; controle de segurança e autenticação[7]. O MME tem o papel chave
para o handover entre diferentes tecnologias. Ele se conecta ao SGSN (Serving GPRS Support
Node) e permite o acesso com as redes 2G e 3G. Veja figura 18.

O HSS (Home Subscriber Server) é a base de dados do usuário que armazena as


informações relacionadas ao assinante para possibilitar o gerenciamento de sessões e o
controle de chamadas pelo MME. Armazena os dados de identificação do usuário, número e
perfil de serviços. Visto na figura 19.

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Fonte - www.awardsolutions.com
Figura 18 – arquitetura para as funções de sinalização

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Figura 19 - base de dados do usuário

As funções do MME e do HSS são resumidas da seguinte maneira: o MME é o


cérebro do sistema, controlando a grande maioria das funções e utiliza o HSS para obter as
informações de cada assinante

4.1.2 SGW, PGW e ePDG


O SGW se comunica com o E-UTRAN e o PGW, figura 20. Como seu próprio nome
diz, se conecta aos PDNs (redes de comutação de pacotes externa). O SGW tem a função de
manipular os dados do usuário e está envolvido no roteamento de pacotes de dados entre o E-
UTRAN e o PGW. O SGW é conectado ao E-UTRAN e fornece o plano de tunelamento do
usuário [7]. Ele também fornece mobilidade entre tecnologias 3GPP se conectado às redes de
acesso 2G e 3G.
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Figura 20 - tunelamento dos dados

O UE pode ser conectado a diversos PDNs através de um ou mais PDN Gateway. O


PGW é o responsável por planejar a mobilidade do usuário dentro da rede EPC/LTE ou
acesso a redes não 3GPP (CDMA2000, WiMAX, etc.)[7]. Também garante que o usuário não
irá exceder a taxa de dados contratada.

O evolved Packet Data Gateway (ePDG) é utilizado para a cooperação de sistemas


com acesso IP não confiável e fora do padrão 3GPP. O ePDG garante o acesso não confiável
por meio de um túnel de segurança (túnel IPsec) entre o UE e o ePDG. Quando o UE
estabelece conexão com um acesso não confiável (non trusted) e fora do padrão 3GPP (non-
3GPP), primeiro o UE descobre o endereço IP do ePGD e então estabelece o túnel IPsec [7].
Também atua ancorando a mobilidade local para estabelecer esses tipos de conexão.

4.1.3 IMS
O IMS (IP Multimedia Subsystem) tem um dos papeis mais importantes no sistema
LTE. A rede EPC suporta todos os serviços e redes com comutação de pacotes, para o
transporte de voz e vários outros serviços.

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O IMS é dividido em 5 partes básicas, CSCF (Call Session Control Function), HSS
(Home Subscriber Service), que foi visto no tópico 4.1.1, MGCF (Midia Gateway Control
Function)/ MGW (Midia Gateway)/SGW (Signaling Gateway), AS (Aplication Servers) e
PCRF (Policy Changing Rule Function)[8]. A arquitetura IMS está ilustrada na figura 21.

O CSCF (Call Session Control Function) tem funções parecidas com a de um


servidor SIP [8]: estabelece, finaliza e modifica as sessões. O CSCF precisa se conectar ao
HSS (que é a base de dados do assinante) para verificar se o assinante tem acesso a certo tipo
de serviço requerido e, dependendo do tipo específico, manusear o usuário para outra rede. O
HSS pode ser o mesmo da rede EPC ou outro. O CSCF somente é utilizado para se conectar a
outras redes que utilizam comutação de pacotes [9]. Para redes como a PSTN (Public Switch
Telephony Network - rede publica de telefonia) é necessário a utilização de outra parte do IMS
o MGCF.

O MGCF (Midia Gateway Control Function) é a interface que contém o plano de


sinalização para a rede PSTN. Ele executa a conversão de protocolos para o sinal se adaptar
ao da PSTN. O MGCF além da conversão de protocolos e do controle de chamada, controla
os recursos do MGW, que por sua vez é a interface que contém o plano de mídia e é utilizado
para se conectar diretamente com a rede PSTN.

PCRF (Policy Changing Rule Function) se conecta ao PGW. É o modo pelo qual o
IMS e o EPC interagem para criar uma portadora que concorde com o QoS. Ele comunica
qual assinante está apto a estabelecer uma portadora para, por exemplo, fazer chamada de
vídeo conferência ou acesso a internet [9]. Esta interação é também para reforçar a sinalização
e a portadora com o objetivo da cobrança. Essa parte também se aplica ao PCRF.

AS (Aplication Server) cria suporte para serviços de rede mais complexos, como por
exemplo, servidores de jogos on-line, servidores para processamento de coleção de mídias
digitais, etc. Não é necessário que a própria operadora seja o provedor desse serviço, podendo
ser de uma 3ª parte. Existem algumas medidas de seguras que são definidas pela arquitetura
IMS para proves acesso a redes externas.

O IMS tem um papel muito importante no LTE, ele permite que a operadora ou uma
3° parte crie serviços que aumente a sua margem de lucro além de todas as outras funções
citadas durante esse tópico.

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Fonte - www.awardsolutions.com
Figura 21 – arquitetura IMS

4.2 E-ULTRAN

4.2.1 eNodeB:
As funções de RRM (Radio Resource Management), Radio Handover Management e
(CAC) Call Admission Control são implementados no eNB. Ter somente eNBs na E-UTRAN
simplifica a arquitetura tendo um reduzido número de nós e interfaces. Esta arquitetura reduz
os custos para as operadoras e também a latência do sistema [9].

O RRM controla o acesso inicial e aloca os usuários em suas respectivas portadoras.


Essas funções estão sob o controle do MME durante as fases de estabelecimento, liberação e
modificação. Para a alocação de recursos seja feita corretamente o eNB precisa de estabelecer
a qualidade do enlace, a prioridade de cada usuário e as características de cada tipo de serviço
(QoS).

Também são funções do eNB a compressão e criptografia dos cabeçalhos para a


transmissão se tornar mais eficiente. A segurança das informações de sinalização é reforçada
por serem menos imunes as alterações.

Os eNBs são interligados por meio da interface X2, essa interface é nova e única
para o LTE, é usada para sinalização de handover intra-LTE e encaminhamento de dados
durante o handover conforme figura 22.

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As várias conexões entre o E-UTRAN e a EPC fornecem suporte à redundância, ao
compartilhamento de dados e possibilita suporte para o modelo MVNO (Mobile Virtual
Network Operator), onde várias operadoras podem atuar na mesma rede de acesso. Interfaces
S1 inter-conectadas possibilitam que diferentes operadoras forneçam vários serviços dentro da
mesma rede compartilhada. O eNB também fornece múltiplas regiões para o acesso à rede.
Com isso o UE pode escolher o melhor sinal.

Fonte - www.awardsolutions.com
Figura 22 – arquitetura eUTRAN

4.2.2 Interfaces
Todas as interfaces do sistema LTE são abertas para permitir a concorrência entre
diferentes vendedores e algumas delas foram criadas exclusivamente para o sistema LTE.
Principais interfaces representadas na figura 23.

A interface S1-MME é responsável pelo gerenciamento de portadora no S1 e a


interface S11 é utilizada na comunicação entre o MME e o SGW para gerenciar a portadora
EPS.

A interface utilizada entre o SGW e o PGW é a S5. Nessa interface é estabelecido


um portador padrão ou dedicado. Para isso são criados dois túneis: o GTP-C (GPRS
Tunnelling Protocol-Control) e o GTP-U (GPRS Tunnelling Protocol-User Plane) [12]. O
GTP-C é encarregado dos procedimentos e mensagens para o gerenciamento de portador
Proxy Móvel IP (PMIPv6) e o GTP-U gerencia efetivamente os pacotes do usuário.

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A interface S1-U é a responsável por mandar os pacotes diretamente entre o eNB e o
SGW. A sinalização utilizada para estabelecer a portadora entre o eNB a o SGW é feita
usando as interfaces S1-MME e S11.

Fonte - www.awardsolutions.com
Figura 23 - interfaces

4.2.3 Suporte a mobilidade contínua


Uma característica importante de um sistema móvel sem fio, como o LTE é o apoio à
mobilidade contínua através de eNBs e entre MME/GWs. Handovers rápidos e contínuos são
particularmente importantes para serviços sensíveis ao atraso, como o VoIP. Os handovers
ocorrem mais frequentemente través dos eNBs do que através do núcleo da rede, pois a área
coberta pelo MME/GW serve um grande número de eNBs e é geralmente muito maior do que
a área coberta por um único eNB. A sinalização na interface X2 entre eNBs é utilizada para a
preparação do handover. O SGW funciona como âncora para o handover entre eNBs.

No sistema LTE, a rede confia no UE para detectar as células vizinhas para o


handover. Para a busca e medição entre frequências de células vizinhas, apenas as frequências
da portadora devem ser indicadas. Um exemplo de handover ativo em um estado RRC
conectado (Radio Resource Control Connected) é mostrado na figura 24 onde o UE se move a
partir da área de cobertura da fonte eNB (eNB1) para a área de cobertura alvo da ENB
(eNB2). O UE envia um relatório de medição para a fonte eNB1 indicando que a qualidade do
sinal em eNB2 é melhor do que a qualidade do sinal em eNB1.Como preparação para o

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handover, a fonte eNB1 envia as informações de acoplamento e o contexto do UE para o
destino eNB2 (pedido de HO) na interface X2. O eNB2 recebe o comando HO com os
parâmetros necessários. Quando eNB2 avisa para o eNB1 que está pronto para realizar a
entrega via mensagem de resposta HO, o eNB1 comanda o UE (comando HO) a alterar a
portador de rádio para o eNB2. O UE recebe o comando HO com os parâmetros necessários e
é comandada pela fonte eNB para executar a HO.

Fonte - FAROOQ, 2009


Figura 24 - exemplo de handover entre eNBs

Com o comando de HO recebido, o UE se sincronização com o eNB escolhido e


acessa a célula através do canal de acesso aleatório. Quando o UE acessa com êxito a célula, o
UE envia a mensagem de confirmação HO e o relatório de status do buffer no enlace de
subida, indicando que o processo de transferência está concluído para o UE. Depois de
receber a mensagem de confirmação do HO, o eNB informar para o MME que o UE mudou
de célula. O MME envia uma mensagem para o S-GW mudar de caminho para o eNB alvo.
Então o S-GW envia uma mensagem de atualização do plano do usuário para o MME. Em
seguida, o MME confirma a troca de caminho para o eNB alvo com uma mensagem. Após a
mensagem recebida pelo MME, o eNB alvo informa o HO bem sucedido para o eNB fonte,

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enviando mensagem de liberação de recursos para a eNB fonte e dispara a liberação de
recursos.

Durante a preparação do handover, túneis podem ser estabelecidos entre o eNB de


origem e o de destino. Há um túnel estabelecido para o encaminhamento de dados no enlace
de subida e outra para encaminhamento de dados no de descida para cada portador EPS para
cada encaminhamento de dados é aplicada. Durante a execução do handover, dados do
usuário podem ser transmitidos a partir do eNB de origem para o de destino.

P á g i n a | 42
5 PROTOCOLOS
A figura 25 mostra o protocolo do plano do usuário. O PDCP (Packet Data
Convergence Protocol) e RLC (Radio Link Control) camadas tradicionalmente arquivadas no
RNC (Radio Node Control) do lado da rede são terminadas no eNB. As funções exercidas por
essas camadas são descritas nesse tópico.

Fonte - FAROOQ, 2009


Figura 25 - protocolo do plano do usuário

A figura 26 mostra o protocolo do plano de controle. Notamos que a funcionalidade


RRC tradicionalmente implementada no RNC está agora incorporada no eNB. O RLC e as
camadas MAC (Medium Access Control) executam as mesmas funções do que no plano do
usuário.

Fonte - FAROOQ, 2009


Figura 26 - protocolo do plano de controle

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As funções desempenhadas pelo RRC incluem transmissão de informações,
paginação, controle do portador de rádio, gerenciamento de conexão RRC, funções de
mobilidade, relatório de medições do UE e controle.

O protocolo NAS (Non Access Stratum) se propaga entre o UE e o MME. Os


procedimentos de gerenciamento de mobilidade incluem registro do UE na rede, mobilidade
dentro do sistema LTE e mobilidade entre sistemas. O processo de registro acaba criando um
contexto de mobilidade para o UE no MME. Os procedimentos para gerenciamento de seção
incluem criação, anulação e modificação da portadora EPS.

5.1 ESTRUTURA DE CAMADA 2


A camada 2 do sistema LTE consiste em três subcamadas ou seja, MAC, RLC e
PDCP [11]. O SAP (Service Access Point) entre a camada física (PHY) e a subcamada MAC
fornece os canais de transporte, o SAP entre as subcamadas MAC e RLC fornece os canais
lógicos. A subcamada MAC realiza multiplexação de canais lógicos para os canais de
transporte.

As estruturas de camada 2 no enlace de descida e subida são dadas nas figuras 27 e


28, respectivamente. A diferença entre as estruturas do enlace de subida e descida é que no de
descida a subcamada MAC também trata da prioridade entre UE's, além de tratamento
prioritário, entre os canais lógicos de um único UE [11].

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Fonte - FAROOQ, 2009
Figura 27 – estrutura da camada 2 no enlace de descida

Fonte - FAROOQ, 2009


Figura 28 – estrutura da camada 2 no enlace de subida

As outras funções desempenhadas pela subcamada MAC no enlace de subida e


descida incluem o mapeamento entre o canal de transporte e o lógico, multiplexação de
unidades pacote de dados RLC, preenchimento, seleção de formato de transporte e HARQ.

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Os principais serviços e funções das subcamadas RLC incluem segmentação, entrega
do ARQ em sequência, detecção de duplicatas, etc. A confiabilidade do RLC pode ser
configurada para reconhecer cada modo de transferência, AM (Acknowledge Mode) ou modo
UM (Un-Acknowledge Mode) [11]. O modo de UM pode ser usado para portadores de rádio
que podem tolerar algumas perdas. No modo AM, a função ARQ do RLC retransmite blocos
de transporte que falharam e são recuperados pelo HARQ caso contrario as entidades são
notificadas e assim uma nova transmissão e segmentação podem ser iniciadas.

A camada PDCP desempenha as funções de compressão e descompressão de


cabeçalho, criptografia dos dados, detecção de duplicata no handover, etc. A compressão e
descompressão do cabeçalho são realizadas utilizando o ROHC (Robust Header
Compression).

5.2 FLUXOS QOS


Aplicações tais como VoIP, navegação web, telefonia e vídeo streaming de vídeo
têm necessidades especiais de QoS. Portanto, uma característica importante de todas as redes
de pacotes é o suprimento de um mecanismo de QoS para permitir a diferenciação de fluxos
de pacotes com base em requisitos de QoS.

No EPS, fluxos QoS são chamados de portador EPS e estabelecidos entre o UE e os


PGW como é mostrado na figura 29. Um portador de rádio transporta os pacotes de um
portador EPS entre a UE e um ENB. Cada fluxo de IP está associado com um diferente
portador EPS e a rede pode priorizar o tráfego de acordo. Ao receber um pacote IP a partir da
Internet, o PGW realiza classificação de pacotes baseados em certos parâmetros pré-definidos
e envia um portador EPS adequado [11].

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Fonte - FAROOQ, 2009
Figura 29 – portador EPS

Baseado no portador EPS, os eNB mapeiam os pacotes para o portador QoS de rádio
mais adequado. O mapeamento entre um portador EPS e de rádio é feito um para um.

5.3 CANAIS FÍSICO, LÓGICO E DE TRANSPORTE NO


ENLACE DE DESCIDA
A relação entre os canais de transporte, lógico e físico é mostrada na Figura 30. Um
canal lógico é definido pelo tipo de informação que carrega. Os canais lógicos são
posteriormente divididos em canais de controle e de tráfego. Os canais de controle carregam a
informação do plano de controle, enquanto os canais de tráfego carregam informações do
plano do usuário.

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Fonte - FAROOQ, 2009
Figura 30 - relação entre os canais de transporte, lógico e físico

No enlace de descida, cinco canais de controle e dois canais de tráfego são definidos.
O canal de controle no enlace de descida é utilizado para transferir informações de paginação
é referido como PCCH (Paging Control Channel). Este canal é utilizado quando a rede não
tem conhecimento sobre o local da célula do UE. O canal que transporta informações de
controle do sistema é conhecido como BCCH (Broadcast Control Channel). Dois canais
chamados de CCCH (Common Control Channel) e DCCH (Dedicated Control Channel)
podem transportar informações entre a rede e o UE. O CCCH é utilizado para os UEs que não
têm conexão RRC enquanto o DCCH é utilizado para a UE's que têm uma conexão RRC. O
canal de controle usado para a transmissão de informações de controle MBMS (Multicast
Broadcast System Architecture) é referido como MCCH (Multicast Control Channel).

Os dois canais de tráfego no enlace de descida são o DTCH (Dedicated Traffic


Channel) e o MTCH (Multicast Traffic Channel). O DTCH é um canal ponto a ponto
dedicado a um UE para a transmissão de informações do usuário. Um MTCH é um canal
ponto a Multiponto utilizado para a transmissão de tráfego dos usuários para que o UE receba
o MBMS.

O canal do controle de paginação é mapeado para um canal de transporte referido


como PCH (Paging Channel). A PCH suporta DRX (Discontinuous Reception) para permitir
economia de energia no UE. O BCCH é mapeado para qualquer canal de transporte referido
como um BCH (Broadcast Channel) ou DL-SCH (Downlink Shared Channel).
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O BCH é caracterizado por um formato fixo pré-definido, pois este é o primeiro
canal recebido pelo UE após a aquisição da sincronização com a célula. O MCCH e o MTCH
são mapeados da mesma forma para um canal de transporte MCH (Multicast Channel), ou
DL-SCH. O MCH suporta combinação MBSFN de transmissão MBMS em múltiplas células.
Os outros canais lógicos mapeados para DL-SCH incluir CCCH, DCCH e DTCH. O DL-SCH
caracteriza-se pelo suporte a modulação/codificação adaptativa, HARQ, controle de energia,
alocação de recursos semi-estáticos/dinâmicos, DRX, transmissão MBMS e tecnologias
multi-antena. Todos os quatro canais de transporte no enlace de descida têm a obrigação de
ser transmitidos em toda a área de cobertura de uma célula.

O BCH é mapeado para um canal físico referido como canal de transmissão físico
(PBCH), que é transmitido ao longo dos quatro subquadros com 40ms de intervalo de tempo.
O timing 40ms é detectado cegamente sem necessidade de qualquer sinalização explícita.
Além disso, cada subquadro transmitido do BCH é decodificado e os UEs com boas
condições de canal podem não ser necessários esperar pela recepção de todos os quatro
subquadros para decodificação PBCH. O PCH e o DL-SCH são mapeados para um canal
físico referido como PDSCH (Physical Downlink Shared Channel). O MCH é mapeado para
o PMCH (Physical Multicast Channel), que é o canal de transmissão MBSFN (Multimedia
Broadcast over a Single Frequency Network) multi-células.

Canais de controle físico são 3, o PCFICH (Physical Control Format Indicator


Channel), PDCCH (Physical Downlink Control Channel) e o PHICH (Physical Hybrid ARQ
Indicator Channel). O PCFICH é transmito em todos os subquadro e traz informações sobre o
número de símbolos OFDM utilizada para o PDCCH. O PDCCH é utilizado para informar
aos UEs sobre a alocação de recursos da PCH e o DL-SCH, bem como a modulação
codificação e HARQ informação relacionada ao DL-SCH. Um máximo de três ou quatro
símbolos OFDM pode ser utilizado para o PDCCH. Com um indicador dinâmico do número
de símbolos OFDM utilizada para PDCCH via PCFICH, os símbolos OFDM não utilizados
entre os três ou quatro PDCCH símbolos OFDM pode ser usada para transmissão de dados. O
PHICH é utilizado para transportar HARQ ACK/NACK para transmissões no enlace de
subida.

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5.4 CANAIS FÍSICO, LÓGICO E DE TRANSPORTE NO
ENLACE DE SUBIDA
A relação entre canais de transporte, lógico e físico no enlace de subida é mostrada
na Figura 31. No enlace de subida dois canais de controle e um de tráfego é definido. Já no
enlace de descida, CCCH e DCCH são usados para transportar informações entre a rede e o
UE. O CCCH é utilizado para os UE's que não tenham conexão RRC enquanto DCCH é
utilizado para os UE's tenham uma conexão RRC. Semelhante ao enlace de descida, DTCH é
um canal ponto a ponto dedicado a um único UE para a transmissão de informações do
usuário.

Fonte - FAROOQ, 2009


Figura 31 - relação entre os canais de transporte, lógico e físico

Todos os três canais lógicos no enlace de subida são mapeados para um canal de
transporte UL-SCH (Uplink Shared Channel). O UL-SCH suporta modulação/codificação
adaptativa, HARQ, controle de potência e alocação de recursos semi-estáticos/dinâmicos.

Outro canal de transporte definido para o enlace de subida é referido como RACH
(Random Access Channel), que pode ser usado para a transmissão do controle de informações
limitada de um UE com a possibilidade de colisões com transmissões de outros UE's. O
RACH é mapeado para o PRACH (Physical Random Access Channel), que carrega o
preâmbulo de acesso aleatório.

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O canal de transporte UL-SCH é mapeado o para PUSCH (Physical Uplink Shared
Channel). Um canal físico de enlace de subida que se mantém por si só é referido como
PUCCH (Physical Uplink Control Channel) é usado para transportar relatórios CQI (Channel
Quality Indication) no enlace de descida, SR (Scheduling Requestor) e HARQ para
transmissões no enlace de descida.

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6 CONCLUSÃO
A arquitetura de rede LTE foi projetada com o objetivo de apoiar a comutação de
pacotes de tráfego com total mobilidade, qualidade de serviço (QoS) e mínima latência. A
utilização de pacotes comutados permite o suporte a todos os tipos serviços, incluindo voz
através de conexões de pacotes. O resultado em uma arquitetura altamente simplificada e
plana, com apenas dois tipos de nó, ou seja, o eNB e o MME/GW. Isto está em contraste com
muitos mais nós da arquitetura de rede hierárquica atual do sistema 3G. As conexões lógicas
QoS são fornecidos entre o UE e o gateway que permite a diferenciação dos fluxos IP e
satisfazem as exigências para aplicações de baixa latência.

Com utilização do VoIP comutação de voz e dados é feita a partir da mesma rede.
Com a utilização de somente uma rede para ambos os serviços foram reduzidos os custos no
investimento na infra-estrutura CAPEX (Capital Expenditure) e também os custos de
operação OPEX (Operational Expenditure) para as operadoras.

A infra-estrutura da rede CS-CN será utilizada para a cooperação entre diferentes


tecnologias através do VCC (Voice Call Continuity) cumprindo com um dos requerimentos
do LTE.

Para diminuir a latência foi criado o eNodeB, benefícios de um único nó na rede de


acesso é o da distribuição da carga de processamento RNC em múltiplos eNB. A eliminação
do RNC na rede de acesso era possível, em parte porque o sistema LTE não suporta macro-
diversidade ou soft-handoff.

Outra vantagem é que a rede é todo compartilhada, o eUTRAN provê múltiplas


PLMN ID’s (Public Land Mobile Network Idetities) e o assinante pode escolher o que melhor
se adapta a ele.

A utilização do All-IPv6 permitira mobilidade e uma aplicação mais eficaz da


priorização de pacotes.

O IMS é uma das partes mais importantes do sistema, permite que a operadora ou
uma terceira parte crie serviços que aumente a margem de lucro com serviços antes inviáveis
além de permitir a conexão com a PSTN e muitas outras funções.

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A camada 2 e protocolos de controle de recursos são projetados para permitir a
entrega confiável de dados, calculando, a compressão de cabeçalho e economia de energia no
UE.

O sistema LTE é considerado o último passo para a criação da 4° Geração, tendo em


vista que ainda não cumpre com todos os requisitos do International
Mobile Telecommunications – Advanced. A maioria das grandes operadoras mundiais
anunciou seus planos para a conversão de suas redes para o sistema LTE.

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Referências Bibliográficas
[1] LTE (A Evolução das redes 3G), tutoriais. Disponivel em:
www.teleco.com.br/tutoriais/tutoriallte Acessado em Outubro 2009

[2] 3GPP TS 25.913. Disponível em: http://www.3gpp.org/Specifications. Acessado em


Setembro de 2009.

[3] 3GPP TS 25.892. Disponível em: http://www.3gpp.org/Specifications. Acessado em


Setembro de 2009.

[4] GESSNER, C. “UMTS Long Term Evolution (LTE) Technology Introduction”, 2008
Rohde UMTS. Acessado em Julho de 2009

[5] 3GPP TS 36.211. Disponível em: http://www.3gpp.org/Specifications. Acessado em


Setembro de 2009.

[6] 3GPP TS 22.978. Disponível em: http://www.3gpp.org/Specifications. Acessado em


Setembro de 2009.

[7] Award solution. Disponível em:


http://www.awardsolutions.com/eLearning/demo_lte_sae_epc/shell.html Acessado em
Setembro de 2009.

[8] Award solution, introduction to IMS. Disponível em:


http://www.lteuniversity.com/media/p/267.aspx. Acessado em Novembro de 2009.

[9] LESCUYER, Pierre. “Evolved Packet System”, 2009. Wiley. Acessado em Novembro
de 2009.

[10] 3GPP TS 36.300. Disponível em: http://www.3gpp.org/Specifications. Acessado em


Setembro de 2009.

[11] FAROOQ, Khan. “LTE for 4G Mobile Broadband”, 2009. Cambridge. Acessado em
Outubro de 2009.

[12] Award solution, Overview of GTP. Disponível em:


http://www.lteuniversity.com/media/p/264.aspx. Acessado em Novembro de 2009.

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