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Florestas no Brasil

Caminhos para a restauração e manejo florestal

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Sumário
Apresentação ......................................................................................................................................1

As Florestas Nativas do Brasil.............................................................................................................1


Biomas e Florestas do Brasil ...........................................................................................................1
Os Biomas ..................................................................................................................................1
As Formações Florestais..............................................................................................................1
Cenário das Florestas ......................................................................................................................1

Manejo de Florestas Nativas ...............................................................................................................1


Uso Histórico das Florestas .............................................................................................................1
Produtos florestais não madeireiros .................................................................................................1
Manejo Florestal para a Produção de Madeira .................................................................................1
Serviços Ambientais .......................................................................................................................1
Atores Sociais do Manejo Florestal .................................................................................................1
Manejo Florestal de Uso Múltiplo ...................................................................................................1
A Sustentabilidade do Manejo das Florestas Brasileiras ...................................................................1

Restauração de Florestas Nativas ........................................................................................................1


Nos Caminhos da Restauração Ecológica ........................................................................................1
Etapas da Restauração Ecológica.....................................................................................................1
Diagnóstico Ambiental ....................................................................................................................1
Métodos de Restauração Ecológica .................................................................................................1
Técnicas de Restauração Florestal ...............................................................................................1
Pesquisas sobre Técnicas de Restauração ........................................................................................1
Restauração de Áreas Mineradas .................................................................................................1
Restauração de Fragmentos Degradados ......................................................................................1
Restauração de Áreas Hidrologicamente Sensíveis ......................................................................1
Produção de Sementes Florestais .....................................................................................................1
Produção de Mudas Florestais .........................................................................................................1
Monitoramento das Áreas em Restauração ......................................................................................1
Uso econômico de áreas de restauração ecológica ...........................................................................1

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Pró-Reitoria de Graduação da Universidade de São Paulo - USP

Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz"

Pró-reitor de Graduação | Antonio Carlos Hernandes

Diretor do Campus "ESALQ" | José Vicente Caixeta Filho

Elaboração | Laboratório de Silvicultura Tropical (LASTROP)

Coordenação | Edson José Vidal da Silva (ESALQ)

Pedro Henrique Santin Brancalion (ESALQ)

Equipe Editorial | Danilo Ignácio de Urzedo

Renata Bergamo Caramez

Tui Anandi

Vanessa Jó Girão

Autores por sessão:

Introdução | Renata Bergamo Caramez


Vanessa Jó Girão

O Manejo das Florestas | Danilo Ignacio de Urzedo


Luciana Papp
Marina Losi Monteiro
Philippe Waldhoff
Renata Bergamo Caramez
Saulo E. X. Franco de Souza

A Restauração das Florestas | Crislaine de Almeida


Danilo Ignacio de Urzedo
Denise T. G. Bizuti
Flávia G. Florido
Gustavo Righeto Alves
Marco Anselmo Ramiro
Mariana Bettinardi
Ricardo Gomes César
Vanessa Jó Girão

Impressão | Serviço de Produções Gráficas (ESALQ)

Tiragem | 100 cartilhas

Apoio | USP Recicla

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Apresentação

Esta cartilha objetiva apresentar diversas abordagens do conhecimento teórico e


prático do manejo e restauração das florestas nativas brasileiras. Esta possui a intenção de
auxiliar nos estudos e pesquisas de estudantes de graduação interessados em compreender um
pouco melhor sobre aspectos envolvidos no manejo e na restauração florestal.

Discentes de graduação, pós-graduação, pesquisadores e professores deste laboratório


contribuíram para a construção desta cartilha muitas vezes utilizando informações de
pesquisas ou estudos de campo ou teóricos desenvolvidos por estes ao longo de suas
atividades dentro do Laboratório de Silvicultura Tropical – LASTROP. Diversos esquemas,
ilustrações e fotos foram utilizados para simplificar e explicar aspectos voltados as floresta de
forma mais abrangente; outras vezes links aparecerão para indicar uma bibliografia
interessante ou demais publicações disponíveis na internet.

*Crédito das Fotos: autores da cartilha e banco de dados do LASTROP

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As Florestas Nativas do Brasil
O Brasil é um país florestal, com 456 milhões de hectares de florestas (53,56% do seu
território), o que representa a maior área de floresta tropical e a segunda maior área de
florestas do mundo. As florestas brasileiras apresentam diversas funções de acordo com seu
uso.

Proteção Conservação da Serviços Sócio-


Produção
Ambiental biodiversidade Ambientais culturais

A existência de diversas funções florestais é resultado da diversidade de fisionomias


vegetais que compõem a extensão brasileira. A variedade de climas, solos, relevos,
pluviosidade e hidrografia e a privilegiada localização tropical do Brasil possibilitaram a
formação de fisionomias muito diversificadas e riquíssimas em biodiversidade.

Biomas
Formações
"conjunto de vida (vegetal e animal)
constituído pelo agrupamento de tipos tipo vegetacional definido, como um
de vegetação contíguos e identificáveis conjunto de formas de vida vegetal de
em escala regional, com condições ordem superior, que compõe uma
geoclimáticas similares e história fisionomia homogênea, apesar de
compartilhada de mudanças, o que apresentar uma estrutura complexa
resulta em uma diversidade biológica
própria"

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Biomas e Florestas do Brasil

Fonte dos Mapas: SFB (2013)

Savana
Floresta Campo (Estepe)
compartilhamento entre
vegetação dominada por vegetação com predomínio
árvores e herbáceas em
árvores de herbáceas
diferentes níveis

Acesse e Confira!
Manual Técnico da Vegetação Brasileira
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística [IBGE – 2012]

Florestas do Brasil em Resumo


Serviço Florestal Brasileiro [SFB – 2013]

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Os Biomas
Amazônia

O Bioma Amazônico representa mais de


30% de floresta tropical remanescente do
mundo. Formada principalmente por
Floresta Ombrófila Densa e Floresta
Ombrófila Aberta, também abriga grandes
estoques de madeira, assim como diversos
produtos não madeireiros e serviços
ambientais, sustentando milhares de
comunidades locais e boa parte do mercado
nacional e internacional de madeira tropical

Cerrado

Segundo maior bioma da América Latina,


o Cerrado é composto predominantemente
por formações savânicas, mas também
florestais e campestres. É considerado um
hotspot mundial para a conservação da
biodiversidade, abrigando ainda alta
diversidade sociocultural, com a presença
de diversas etnias, cujas subsistências
dependem dos seus recursos naturais.

Mata Atlântica

Bioma com predominância original de


formações florestais, mas que foi
drasticamente desmatado e hoje é
caracterizado por paisagens antrópicas e
remanescentes fragmentados, com muitas
espécies ameaçadas de extinção. Entretanto, a
diversidade de ambientes que abriga ainda
sustenta uma elevada biodiversidade e
endemismo, também sendo considerado um
hotspot mundial para a conservação.

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Caatinga

Único bioma exclusivo do Brasil, a Caatinga


é formada por um mosaico de arbustos
adaptados à falta d’água, muitos com
espinhos, e florestas sazonalmente secas.
Apesar da região semiárida, a biodiversidade
sustenta diversas atividades agrosilvopastoris
e industriais, principalmente farmacêuticas,
químicas, de cosméticos e de alimentos. É a
floresta semiárida mais biodiversa do planeta!

Pantanal

Considerado como uma das maiores extensões


de áreas úmidas contínuas do planeta, o
Pantanal apresenta várias formações vegetais e
heterogeneidade da paisagem devido a
diferentes solos e regimes de inundação.
Assim, abriga riquíssima biodiversidade,
terrestre e aquática, e características culturais
únicas da região, que definem a chamada
cultura pantaneira.

Pampa

Bioma com alta diversidade de gramíneas


nativas, o Pampa ou os Campos do Sul,
caracteriza a integração do Brasil com a
região dos Pampas sul-americanos.
Apesar de ser predominantemente
campestre, abriga algumas formações
florestais como florestas mesófilas,
subtropicais e estacionais.

Fonte dos Mapas: SFB (2013)


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As Formações Florestais
Floresta Ombrófila Densa
Caracterizada por elevada
temperatura e alta precipitação
bem distribuída ao longo do
ano. Sem estação
biologicamente seca.

Floresta Ombrófila Aberta


Caracterizada por mais de 60
dias secos por ano. Apresenta
quatro diferentes fisionomias de
acordo com as espécies
predominantes.

Floresta Ombrófila Mista


Vegetação do Planalto
Meridional, caracterizada pela
presença de Araucaria
angustifolia. Suas formações
distinguem-se basicamente
pela altitude e hidrografia.
O termo Floresta Ombrófila significa “amiga da chuva” e Ocorrem e regiões de clima
se aplica a vários tipos de florestas que ocorrem em clima
temperado
tropical úmido, que permite a maior parte das espécies não
perder as folhas em algum momento do ano.

Floresta Estacional Perenifólia


Caracterizada por apresentar
estacionalidade climática, mas
mantém constante cobertura de
dossel, diferenciando-se das demais
florestas estacionais.

Floresta Estacional Semidecidual


Classificada de acordo com sua
semideciduidade (perda de até 50%
da cobertura do dossel), ocasionada
pelo clima estacional no período
seco.
Floresta Estacional Decidual
Classificada de acordo com a
deciduidade (perda de mais de
50% da cobertura do dossel),
ocasionada pelo clima estacional e
condições de solo.

9
Campinarana
Tipicamente campestre, mas
com estágios sucessionais
arbóreo, arbustivo e gramíneo-
lenhoso, e clímax edáfico
florestado. Solos quase sempre
encharcados.

Savana (Cerrado)
Vegetação com variados
graus de dominância entre
espécies lenhosas e
herbáceas, que ocorre em
regiões sujeitas a maior
déficit hídrico e com solos
muitos lixiviados, sendo
Savana-Estépica assim ácidos e pobres em
Vegetação característica da nutrientes.
Caatinga. Também denomina a
tipologia vegetacional dos
Campos de Roraima, do Chaco
Mato-Grossense-do-Sul e do
Parque de Espinilho.
Tipicamente campestre, com
estrato lenhoso decidual e
majoritariamente espinhoso.
Estepe
Tipicamente campestre,
representa os Campos do
Sul do Brasil, pertencentes
aos Pampas sul-americanos.
Ocorre predominantemente
na zona temperada, com
precipitações bem
distribuídas ao longo do
ano e ocorrência frequente
de geadas.
Fonte dos Perfis: IBGE (2013)

Cenário das Florestas


1%
2% 4%
Área do Brasil 13% Fonte dos Dados: SFB 2013
851 milhões de ha 1,6%
9%
45,6%
71%

Amazônia
98,4%
Caatinga
Cerrado
Florestas Naturais
54,4% Florestas Plantadas Pantanal
Mata Atlântica
Área Florestal Pampa
Área Não Florestal
10
Apesar dos biomas brasileiros apresentarem grande importância socioeconômica e
cultural, e elevada biodiversidade, pequena porcentagem de suas áreas está protegida em unidades
de conservação (UC), seja em unidades de Proteção Integral (PI) ou de Uso Sustentável (US).
% área do % do Bioma % do Bioma
Bioma
Brasil em UC (PI) em UC (US)
Amazônia 49,3 9,80 16,85
Cerrado 23,9 3,08 5,48
Mata Atlântica 13,0 2,42 7,25
Caatinga 9,9 1,15 6,34
Pampa 2,1 0,34 2,41
Pantanal 1,8 2,93 1,70

Infelizmente, o Brasil ainda não conseguiu superar a ameaça de devastação dos seus
biomas, em especial de suas florestas. O desmatamento e a degradação florestal não são recentes,
remetem o período de colonização portuguesa, como o ciclo do café que representou intensos
impactos, sobretudo na Mata Atlântica. Historicamente, o uso da
Sugestão de leitura!
vegetação sempre foi conduzido por uma lógica de exploração predatória.
A ferro e fogo: a
história da Entretanto, a partir de meados dos anos 2000, houve grandes avanços no
devastação da Mata monitoramento por satélite e fiscalização do desmatamento e pressão
Atlântica Brasileira
social, refletindo em uma redução significativa do desmatamento,
Warren Dean
sobretudo na Amazônia.

35
Área (10 3 km 2 /ano)

Atualmente, o
30

governo conta com


29,059

27,772
25
25,396

infraestrutura e recursos
21,651

20
21,05

19,014

humanos, além de políticas,


18,226
18,161

18,165
17,77

17,383

17,259

15
14,896
14,896

14,286
13,786
13,73

planos e programas para fazer


13,227

12,911
11,651

10
11,03

a gestão das florestas e


7,464

7
5
6,418

5,843
4,571
assegurar proteção e uso 0
2000

2001

2002

2003

2004

2005

2006

2007

2008

2009

2010

2011

2012

2013
89

90

91

92

95

96

97

98

99
88*

93*

94*

sustentável dos recursos e


serviços prestados por elas. Taxa anual de desmatamento na Amazônia Legal.
Adicionalmente, existe a participação social na gestão florestal através do Conselho Nacional do
Meio Ambiente, Comissão Nacional de Florestas, Comissão Nacional de Florestas Públicas e
Conselhos Estaduais de Meio Ambiente.

Instituições Nacionais de Gestão Ambiental

Gestão de Florestas Controle / Fiscalização Conservação


Política Florestal
Públicas / Concessões Ambiental das Florestas Florestal
www.mma.gov.br www.florestal.gov.br
11 www.ibama.gov.br www.icmbio.gov.br
Manejo de
Florestas Nativas

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Uso Histórico das Florestas
Há muito tempo nós utilizamos espécies florestais para inúmeras finalidades, muitas
delas fundamentais aos nossos meios de vida. As comunidades indígenas amazônicas
domesticaram e cultivaram diversas plantas nativas por muitos milênios antes da chegada dos
europeus.

O período colonial marcou a entrada dos


O pau-brasil
produtos florestais brasileiros no mercado mundial. O
(Caesalpinia echinata Lam.) já era
Brasil foi batizado com o nome de uma árvore da Mata utilizado pelos índios para a coloração
Atlântica da qual era extraído um pigmento para a de penas e confecção de arcos. O
conhecimento indígena possibilitou
tintura de tecidos – o pau-brasil. Ainda que os maiores
aos portugueses e franceses o uso da
esforços tenham sido, em toda a história do país, em árvore para a tinturaria. A madeira do
promover a aclimação de espécies exóticas pau Brasil é considerada, ainda hoje,
domesticadas, como a cana-de-açucar e o café, diversos como uma das melhores para a
confecção de arcos de violino.
produtos das florestas do Brasil tiveram grande
importância comercial, como a madeira e o cacau, logo no início da colonização, e depois a
borracha. Apenas em meados do século XIX , o desmantamento começou a ter atenção no
Brasil, apontando a necessidade de regulações para a proteção
das florestas. Já em 1934, o governo nacional criou o Código
Florestal, reconhecendo as florestas como assunto de interesse
nacional.

Foi apenas durante o regime militar com a atualização


do Código em 1965, que o manejo florestal ganhou destaque,
como forma de expandir e internacionalizar a produção
madeireira. Na época, a madeira representava a fonte da maior parte da energia gerada no
país, o que desde a década de 50 já era alvo de fortes críticas que apontavam para a
subutilização e degradação do recurso madeireiro brasileiro, sobretudo da Mata Atlântica.
Mesmo depois de muito tempo, continuamos a ter uma forte dependência de madeira nativa,
tanto na forma de carvão como de madeira serrada, para uso em construções e movelaria.

A demanda por produtos florestais do Brasil tem sido cada vez mais crescente.
Embora o mercado tenha se apropriado de alguns bens providos pelas florestas, a utilização
doméstica dos produtos florestais pelas comunidades e povos das florestas se manteve,
caracterizando os seus sistemas locais, geralmente sustentados por economias de múltiplas
fontes de subsistência.

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Os princípios científicos do manejo florestal surgiram na Alemanha em meados do século XVIII,
em um forte esforço do estado para manejar e controlar seus recursos florestais mais efetivamente.
Naquele momento, incentivado pela preocupação com a demanda crescente por madeira e o
crescimento populacional, esse movimento deu origem às ciências florestais, e mais do que isso,
moldou a forma de exploração e influenciou a criação de políticas florestais em todo o mundo.

Nas últimas décadas, o entendimento da floresta numa abordagem mais humana e


ecológica passou a ganhar foco, inclusive na esfera das transações internacionais dos
governos, o que viabilizou a consolidação de diversas políticas públicas.

A legislação brasileira entende o manejo florestal sustentável como: “administração da


floresta para a obtenção de benefícios econômicos, sociais e ambientais, respeitando-se
os mecanismos de sustentação do ecossistema objeto do manejo e considerando-se,
cumulativa ou alternativamente, a utilização de múltiplas espécies madeireiras, de
múltiplos produtos e subprodutos não madeireiros, bem como a utilização de outros
bens e serviços de natureza florestal”. (LEI Nº 11.284, 2006)

Na década 90, grandes queimadas e derrubadas da floresta amazônica foram


evidenciadas com o aumento da fiscalização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos
Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), auxiliado pelo fornecimento de imagens de satélite
do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Por outro lado, ocorreram importantes
avanços para a regularização e controle do manejo e do desmatamento para a valorização da
floresta e sua conservação. Desde os anos 2000, o Brasil vem buscando criar as capacidades
institucionais para a promoção do manejo florestal sustentável.

Marcos de Governança do Manejo Florestal Sustentável


1990 2000
Portaria Nº 44 do IBAMA – 1993 Decreto Nº 5.975/2006
Decreto Federal Nº 1.282/1994 Resolução CONAMA Nº 406/2009
Lei de crimes ambientais (9.605/1998) Lei de Gestão de Florestas Públicas (11.284/06)
Primeira certificação de manejo de floresta nativa Programa Nacional de Florestas e
na Amazônia (FSC – 1997) Comissão Nacional de Florestas – 2000
Conferência das Nações Unidas sobre Meio Serviço Florestal Brasileiro (SFB) – 2006 Instituto
Ambiente e Desenvolvimento no Rio de Janeiro Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade
(Rio-92) (ICMBio)– 2007

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Produtos florestais não madeireiros

Os produtos florestais não madeireiros (PFNMs) tem marcado o uso socioeconômico


das florestas no Brasil. Fatos como a busca pelas “drogas do sertão” no século XVIII e o ciclo
da borracha no século XX transformaram a história da Amazônia brasileira.

O que são produtos florestais não madeireiros?


Existem muitos debates e discussões no processo de
definição do que são os PFNMs, assim ocorrem variadas
compreensões, aplicações e implicações desse conceito, que
é definido pela Organização das Nações Unidas para a
Alimentação e Agricultura (FAO) como “bens de origem
biológica diferentemente da madeira, derivados de
florestas, de outros ambientes arborizados ou de árvores
não situadas em florestas”.

Por mais que o uso comercial seja um aspecto histórico, somente no início dos anos
de 1980 iniciaram abordagens teóricas que passaram a compreender os PFNMs como
alternativas de desenvolvimento de comunidades locais, conservação dos ecossitemas e
redução da pobreza, considerando:

A colheita de PFNMs é ecologicamente menos destrutiva quando


comparada com a produção madeireira

Os PFNMs são recursos de alta relevância para os meios de vida rural.


A geração de renda com a comercialização desses produtos pode
promover a melhoria do bem-estar humano de comunidades rurais

O manejo de PFNMs é uma alternativa de uso econômico das florestas,


financeiramente competitiva ao desmatamento

Esses argumentos estimularam a implementação de muitas iniciativas e projetos


envolvendo comunidades para a comercialização de PFNMs. Atualmente, muitos mercados
foram estabelecidos e as estatísticas indicam que 1,4 a 1,6 bilhões de pessoas no mundo fazem
algum tipo de uso de PFNMs. No entanto, muitos questionamentos persistem quanto ao
efetivo potencial dos PFNMs para conservar as florestas e melhorar os meios de vida de
comunidades locais.

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A produção de PFNMs requer a adoção de técnicas de manejo florestal adequadas para
estabelecer sistemas de uso dos recursos sem comprometer o funcionamento dos
ecossistemas. Veja abaixo algumas técnicas que podem ser empregadas:

Emriquecimento Monitoramento Definição de Estabelecimento


do impacto trilhas para de uma taxa Realização de
das áreas rodízios entre as
manejadas, com ambiental da atenuar o pisoteio máxima de
áreas de colheita
plantios cadeia produtiva da vegetação colheita

De acordo com o IBGE, a produção não madeireira no Brasil somou R$ 983,6 milhões
no ano de 2012. Entre os produtos mais comercializados destacam-se:

Produtos Espécies Bioma de Origem Produção (R$)


Coquilhos de açaí Euterpe oleraceae Mart. Amazônia 336,2 milhões
Erva-mate nativa Ilex paraguariensis A.St.-Hil. Mata Atlântica 155,3 milhões
Amêndoas de babaçú Orbignya phalerata Mart. Cerrado 127,6 milhões
Attalea funifera Mart. Ex Spreng. Mata Atlântica
Fibras de piaçava 109,0 milhões
Leopoldinia piassaba Wallace Amazônia
Mata Atlântica
Pó de carnaúba Copernicia cerifera Mart. 95,1 milhões
Amazônia
Castanha-do-Pará Bertholletia excelsa Humb.& Bonpl. Amazônia 68,4 milhões
Fonte dos dados: IBGE (2012)

Por outro lado, novos produtos estão sendo comercializados a partir de diversificadas
iniciativas, como o caso da polpa dos frutos da palmeira-juçara (Euterpe edulis Mart.) na
Mata Atlântica. Esta espécie que já foi muito explorada para obter palmito, mais
recentemente, seus frutos também tem sido valorizados como alimento no sudeste e sul do
Brasil, pois são semelhantes ao açaí. Mas ainda existem inúmeras espécies nativas com
potencial de uso econômico que já são utilizadas por comunidades e podem chegar ao
mercado nos próximos anos caso haja investimento em pesquisa e incentivos
para consolidar as cadeias de valor.
Estudos tem demonstrado que a polpa da Juçara tem melhorado a
segurança alimentar e geração de renda das populações rurais da
Mata Atlântica, além de favorecer a conservação da espécie pela
manutenção das palmeiras adultas e a restauração ecológica pela
maior disponibilidade de sementes.

Plano nacional de promoção das cadeias de produtos da sociobiodiversidade


A sociobiodiversidade é “a relação entre bens e serviços gerados a partir de recursos
naturais, voltados à formação de cadeias produtivas de interesse de povos e comunidades
tradicionais e de agricultores familiares”. Em 2009, foi lançado um Plano Nacional para
desenvolver ações integradas para a promoção e fortalecimento das cadeias de produtos da
sociobiodiversidade, com agregação de valor e consolidação de mercados sustentáveis.
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Manejo Florestal para a Produção de Madeira
Normalmente, a madeira é utilizada como fonte de
energia ou para construção de casas e outros produtos,
como móveis. A exploração seletiva e predatória foi a
maneira usual de se extrair madeira no Brasil. Isso levou
algumas espécies florestais a entrarem no rol das
ameaçadas de extinção, como a Amburana cearensis var.
acreana (Ducke) J.F. Macbr. (cerejeira), Caesalpinia
echinata Lam. (pau-brasil) e Dalbergia nigra (Vell.)
Allemão ex Benth. (jacarandá-da-bahia). A legislação
federal assegura a proteção de duas espécies proibidas de
corte:
O objetivo principal do manejo florestal
Bertholetia excelsa H.&B. (castanheira) e sustentável é manter a estrutura e funções da
Hevea spp (seringueira). floresta, evitando a conversão de áreas florestais
para outros tipos de uso do solo, ao mesmo tempo
A regularização do manejo florestal em que traz benefícios econômicos e sociais.
iniciada com o Código Florestal de 1965 ganhou força a partir da Conferência das Nações
Unidas para Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio-92), onde o manejo florestal sustentável
foi apontado como uma estratégia para diminuir o desmatamento das florestas tropicais, sendo
efetivadas as políticas públicas para a sua promoção. Para tanto, é necessário atender a alguns
fundamentos:

Ciclo de 25 a 35 anos A exploração máxima é As árvores a serem


Espécies

de 30 m3/ha para
Volune
Tempo

para o manejo de alta exploradas são


intensidade, ou de 10 manejo de alta
intensidade e de 10 selecionadas a partir de
anos para manejo de critérios econômicos,
baixa intensidade. m3/ha para baixa
intensidade. técnicos e ecológicos.

A extração de madeira é uma atividade que vem trazendo dividendos para o Brasil há
centenas de anos. Segundo o Serviço Florestal Brasileiro a produção de madeira das florestas
nativas foi de 62,5 milhões de m3 em 2011, destacando-se:

Produção (m3 de • Para combustível = 48,4 milhões


madeira em tora) • Para indústria = 14,1 milhões

Recurso • Para combustível = R$ 1.321


financeiro • Para indústria = R$ 2.709

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O Plano de Manejo Florestal Sustentável (PMFS) é o documento técnico que apresenta
as diretrizes e procedimentos para administração da floresta de acordo com os fundamentos
do manejo florestal sustentável. O PMFS para manejo de alta intensidade deve atender aos
princípios técnicos e científicos:
Princípios Gerais Elementos Básicos
Caracterização do meio físico e Relevo, solos, vegetação, fauna e hidrografia
biológico
Determinação do estoque existente Inventário 100% identificando espécies comerciais
e quantificando volumes para ser explorado
Intensidade de exploração compatível 1. Máxima intensidade de colheita para tamanho
com a capacidade do sítio comercial (90%)
2. Volume máximo a ser extraído (30 m³/ha)
Meios para manutenção das espécies 1. Diâmetro mínimo de corte (50 cm de DAP,
sendo 60 cm para mogno)
2. Retenção de árvores matrizes (10% dos
indivíduos adultos, 20% para mogno)
Promoção da regeneração natural da Plantio de enriquecimento
floresta
Adoção de sistema silvicultural Exploração com uso de técnicas de manejo
adequado florestal
Adoção de sistema de exploração Exploração de Impacto Reduzido (EIR)
adequado
Tratamentos silviculturais Corte de cipó e anelamento
Monitoramento do desenvolvimento Instalação de parcelas permanentes
da floresta remanescente
Garantia da viabilidade técnico- Plano de negócios técnico financeiro
econômica e dos benefícios sociais
Garantia de medidas mitigadoras dos Redução de danos, proteção contra fogo, proteção
impactos ambientais para a fauna
Adaptado de Grogan, Schulze e Vidal (2006)
O segredo para que um PMFS possa atender a uma produção de forma está em um
planejamento minucioso de todas as atividades, o que é apresentado em um Plano
Operacional Anual (POA), documento anexo ao PMFS.
O Plano Operacional deve conter um mapa com a representação dos rios, nascentes,
encostas e localização de todas as árvores com diâmetro à altura do peito (DAP) acima
de 50 cm.

A colheita florestal deve adotar as técnicas de “Exploração de Impacto Reduzido” que


procura extrair as árvores causando menor impacto sobre a floresta remanescente e
aumentar a segurança dos trabalhadores dentro da floresta.

Exemplo ilustrativo simplificado para desenvolver o manejo florestal sustentável


Um PMFS abrange uma área florestal de 3.500 ha com um ciclo de 35 anos, a área é dividida
em 35 unidades de 100 ha, sendo que a cada ano se faz a exploração em uma destas unidades.
De acordo com os parâmetros legais, um modelo deste tipo permitiria uma intensidade de
exploração máxima de 30 m3/ha, ou seja, 3.000 m3 nos 100 ha, retornando à mesma área após
35 anos da primeira colheita florestal. Isso seria suficiente para parte das árvores não
exploradas chegarem ao porte de exploração, fechando assim um ciclo de exploração.
18
sustentável.
Serviços Ambientais

As sociedades humanas dependem direta e indiretamente de serviços providos pelos


ecossistemas naturais. Para a melhor compreensão desses serviços, eles podem ser divididos
em serviços de provisão, de regulação, culturais e de suporte.

Bens providos pelo ecossistema:


Provisão

alimento, água doce, lenha, fibras, fito fármacos, recursos


energéticos e ornamentais.
Cultural Regulação

Regulação dos processos do ecossistema:


purificação da água, polinização de cultivos agrícolas, controle
de pragas e doenças, regulação do clima, de cheias e erosões.

Benefícios socioculturais e psicológicos:


recreação e educação, valores estéticos, ecoturismo, valores
espirituais e religiosos.

Contribuem para que os outros serviços ocorram:


Suporte

a fotossíntese, formação dos solos, polinização e dispersão de


sementes e ciclagem de nutrientes.

Os serviços ambientais garantem a


manutenção ou melhora da qualidade dos
ecossistemas, e podem ser promovidos através
de incentivos econômicos, ou Pagamento por
Serviços Ambientais (PSA). Entretanto, a
atribuição de valores a serem pagos pelos
serviços ambientais não é uma tarefa simples.
Embora certos serviços ecossistêmicos
sejam difíceis de serem precificados, alguns
como a fixação e estocagem de carbono tem sido
quantificados e comercializados a partir de
mecanismos globais, como o mercado de
carbono.

O que é Pagamento por Serviços Ambientais?


É um instrumento econômico que estimula produtores rurais e demais mantenedores e
usuários dos ecossistemas a manejarem suas áreas de forma sustentável para que a geração
serviços ambientais não seja prejudicada, ou seja até melhorada, por meio de incentivos
econômicos que cubram o custo de oportunidade da área (benefícios que poderiam ser
obtidos a partir de outros usos da terra) ou que remunerem diretamente pelo serviço gerado.
19
A Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima é um tratado
internacional com objetivo de estabilizar a concentração atmosférica de Gases do Efeito
Estufa (GEE), resultado da Cúpula da Terra na Rio-92. Desde então, os países signatários
frequentemente se reunem nas Conferências das Partes (COPs) para discutir mecanismos de
redução de emissão de GEE. Assim, existe um mercado oficial de carbono desde a assinatura
do Protocolo de Kyoto em 1997, que estabeleceu metas de redução de emissão para os países.
E existem ainda mecanismos voluntários onde estão incluídas outras estratégias, como a de
Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação (REDD).

REDD
REDD+
Instrumento que incentiva a REDD++
redução de emissões Além do REDD, incentiva a
provenientes do conservação, o manejo Inclui a garantia de melhores
desflorestamento e da sustentável das florestas e o práticas na agricultura, em
degradação florestal nos aumento dos estoques de prol do não desmatamento.
paises em desenvolvimento carbono das florestas

Outros mercados voluntários surgem como marketing ambiental de empresas, mas que
possuem facilidade em agregar valor. Alguns exemplos de PSA no Brasil são: Programa Mina
D'água (SP); Programa Conservador das Águas (MG); ICMS ecológico (16 estados
brasileiros).

O impacto da conversão de exploração convencional (EC) para


exploração com impacto reduzido (EIR) como um exemplo de REDD+
O estudo mostra que após 16 anos de colheita, a EIR recuperou 100%
de sua biomassa acima do solo original enquanto a exploração
convencional recuperou apenas 77%. Esses resultados reforçam que a
conversão de EC para EIR representaria uma eficiente estratégia
florestal para mitigar as alterações climáticas sob o REDD+.

Embora já existam muitos programas de PSA, seus efeitos nos meios de vida dos
diversos beneficiados, como as comunidades tradicionais, estão começando a ser analisados.
Existem iniciativas de PSA de forma indireta, que buscam gerar subsídios para a formação de
associações e cooperativas, e também para a provisão de necessidades básicas para as
comunidades. O Programa Bolsa Floresta promovida pelo Governo do Estado do Amazonas e
pela Fundação Amazonas Sustentável é um exemplo desse modelo de PSA.

20
Atores Sociais do Manejo Florestal

Quem são as pessoas que fazem uso dos recursos florestais para fins de produção e/ou
subsistência? No Brasil existe uma
diversidade de atores que fazem uso das
florestas. A identificação dos atores
envolvidos com os recursos florestais,
nas diferentes situações, está muito
relacionada à caracterização dos donos
das propriedades onde estão localizadas
as florestas. Então, ocorre uma divisão
com relação às florestas públicas e
florestas privadas.

As florestas públicas são de propriedade Federal, Estadual ou Municipal, sendo estes os


responsáveis pela administração destas áreas. O Serviço Florestal Brasileiro, órgão
responsável pelo cadastramento das florestas
públicas do Brasil, apontou, em 2013, um
total de 308 milhões de hectares de florestas Você sabia?
Já foram cadastrados 124 milhões de hectares
públicas devidamente cadastradas.
como florestas públicas comunitárias federais.
A destinação destas áreas se dá como:
O Manejo Florestal Comunitário e Reservas Extrativistas; Reservas de
Familiar (MFCF) é a execução de planos de Desenvolvimento Sustentável; Terras
manejo realizada pelos agricultores Indígenas; e diferentes programas e projetos
de assentamento.
familiares, assentados da reforma agrária e
pelos povos e comunidades tradicionais para obtenção de benefícios econômicos, sociais e
ambientais, respeitando-se os mecanismos de sustentação do ecossistema, sendo desenvolvido
principalmente em florestas públicas. A importância destes grupos de atores sociais tem sido
reconhecida e fortalecida por meio das políticas.

O agricultor familiar é aquele que pratica atividades no meio rural e não


detenha, a qualquer título, área maior do que 4 (quatro) módulos fiscais e
utiliza predominantemente mão-de-obra da própria família.

Povos e comunidades tradicionais são grupos culturalmente diferenciados


e que possuem formas próprias de organização social, que ocupam e usam
territórios e recursos naturais como condição para sua reprodução cultural,
social, religiosa, ancestral e econômica.

21
Existe uma categoria entre as florestas públicas que é voltada à produção, as Florestas
Nacionais ou Florestas Estaduais, as quais vem sendo destinadas à Concessão Florestal
(Público/Privado). A concessão é uma das modalidades de gestão de florestas públicas
previstas na Lei 11.284 de 2006, permitindo à União, Estados e Municípios, mediante
licitação, conceder a uma pessoa jurídica o direito de manejar, de forma sustentável e
mediante pagamento, as florestas de domínio público para obtenção de produtos e serviços.
Um dos benefícios esperados da concessão florestal é a melhoria dos esforços de conservação
das áreas, uma vez que o poder público ainda enfrenta muitas dificuldades para proteger as
florestas sob sua responsabilidade, e as empresas que obtêm o direito de exploração das
florestas públicas são obrigadas a protegê-las contra invasões e desmatamento.

Com relação às florestas privadas, o IBGE identificou, até 2006, 98,5 milhões de
hectares de florestas localizadas em propriedades privadas no Brasil. Nestas áreas é que se dá
normalmente o manejo florestal empresarial, em especial nas áreas de Reserva Legal das
propriedades rurais. Nos Estados do Pará, Mato Grosso e Rondônia é que se concentram os
principais empreendimentos florestais deste setor, sendo responsáveis por aproximadamente
90% da produção de madeira em toras da Amazônia Legal.

Apesar de as regras do manejo florestal valer para todos os


públicos, quando se fala em manejo empresarial, nos remete às
grandes empresas que fazem exploração em extensas áreas com
máquinas e equipamentos específicos para o manejo florestal.

No caso da produção de madeira o manejo empresarial tem um papel preponderante


para a economia nacional. Em 2011, o comércio interno de madeiras da Amazônia foi de 12,9
milhões de m3 de madeira em tora, o que resultou em 5,9 milhões de m3 de madeira serrada e
movimentaram em torno de 4.3 bilhões de reais. Aproximadamente 60% desta madeira foram
destinadas para SP, MG, PR, SC e BA.

Meios de vida sustentáveis no Brasil: qual o papel do MFCF?


As percepções e experiências das comunidades e famílias envolvidas no manejo florestal são
raramente consideradas para eleger indicadores de sustentabilidade. Para atender essa
demanda, pesquisas do LASTROP tem adotado a metodologia “Meios de Vida Sustentáveis”,
para realizar entrevistas que caracterizam a atividade e avaliam a influência do manejo sobre
aspectos dos meios de vida locais, envolvendo os aspectos: humano, social, físico, financeiro e
natural. Com esse método é possível ainda monitorar a evolução de iniciativas ao longo do
tempo, contribuindo para subsidiar políticas públicas voltadas ao setor.

22
Manejo Florestal de Uso Múltiplo

Desenvolver uma estratégia de uso múltiplo florestal é um objetivo muito desejado


dentre as iniciativas de manejo florestal sustentável, uma vez que as florestas podem suprir
múltiplas demandas das populações humanas, sejam estas comercializáveis, como produtos e
serviços ambientais, ou não comercializáveis, como valores culturais.

A integração de diferentes categorias de manejo florestal e atores sociais pode reduzir


o impacto ecológico de colheitas florestais pela diversificação, bem como trazer benefícios
socioeconômicos. O múltiplo uso pode ocorrer tanto na escala da paisagem, integrando várias
unidades de manejo especializadas em um uso dominante, como na escala local, produzindo
produtos e serviços na mesma unidade de manejo.

Valores do Valores do uso Valores do uso


$$$ “não-uso” Não-extrativo Extrativo Produtos
Florestais
Processados
Madeira
Orientação ao lucro

PFNMs

PSA
Sequestro
de Carbono
Funções
Ecológicas
Recreação
Valores Biodiversidade
Valores
de
de
Opção MANEJO FLORESTAL DE USO MÚLTIPLO
Herança
$
Não definido Mercado Bem definido

Adaptado de García-Fernandez et al (2008).

Infelizmente, tal estratégia não está sendo implantada com sucesso nos trópicos,
principalmente pela falta de condições políticas favoráveis e alta variação entre os sistemas de
manejo das principais espécies. Em geral, os casos de sucesso limitam-se às áreas manejadas
por comunidades locais ou grupos indígenas, uma vez que já possuem longa tradição de
manejar os ecossistemas para obter múltiplos benefícios. Mesmo assim, as comunidades têm
dificuldade quando são obrigadas a ajustar suas práticas às regras oficiais.

23
A Sustentabilidade do Manejo
das Florestas Brasileiras

O Brasil é um país florestal e um dos líderes mundiais nos debates das questões
ambientais de níveis globais, porém ainda está muito distante de alcançar liderança em uso
sustentável e conservação de seus ecossistemas florestais. Diversos entraves precisam ser
superados para que o manejo florestal sustentável se torne uma atividade efetiva e viável de
ser praticada em larga escala em todo o país.

A ameaça de devastação completa de florestas tropicais pede mais atenção das


sociedades mundiais e a sua contenção implica em mudança profunda na lógica
exclusivamente de mercado da exploração das florestas nativas, da produção ao consumo. O
manejo florestal praticado legalmente, com o envolvimento de diferentes atores, pode ser uma
atividade convergente para os interesses econômicos e a conservação dos biomas e do
patrimônio cultural do Brasil.

A sustentabilidade do manejo das florestas nativas implica numa transformação dos


modelos de exploração dos recursos que tem predominado nos últimos séculos, em direção a
uma lógica de uso pautada pela conservação das florestas naturais, de seus serviços
ecossistêmicos, do valor étnico-cultural, paisagístico, recreativo, histórico e turístico, e dos
meios de vida associados às florestas.

Próximos passos para a sustentabilidade do manejo florestal

 Adoção em grande escala do manejo florestal com exploração de impacto reduzido;


 Enfrentamento dos governos para a redução da exploração ilegal de madeira;
 Inclusão do manejo florestal como pauta prioritária na agenda do governo;
 Investimentos em pesquisa para aprimoramento e geração de conhecimento técnico e
científico sobre as espécies manejadas, espécies potenciais, técnicas e tecnologias
mais sustentáveis e eficientes;
 Implementação de políticas públicas para a governança das florestas, em escala
nacional, regional, e local;
 Adoção de um sistema de fiscalização do avanço de áreas desmatadas;
 Valorização do conhecimento das populações tradicionais e da multifuncionalidade
dos produtos florestais;
 Consolidação de mercados justos e de cadeias produtivas de múltiplos produtos
florestais.

24
Continue lendo...

Ministério do Meio Ambiente


http://mma.gov.br

Serviço Florestal Brasileiro


http://www.florestal.gov.br

Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade


http://www.icmbio.gov.br

Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis


http://www.ibama.gov.br/

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística


http://www.ibge.gov.br/home/geociencias/recursosnaturais/vegetacao/manual_vegetacao.shtm

Instituto Florestal do Estado de São Paulo


http://www.iflorestal.sp.gov.br

Fundação Florestal do Estado de São Paulo


http://www.fflorestal.sp.gov.br

FSC Brasil
http://br.fsc.org

Instituto Floresta Tropical


http://ift.org.br

Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola


https://www.imaflora.org

Plano Nacional de Promoção dos Produtos da Sociobiodiversidade


http://comunidades.mda.gov.br/dotlrn/clubs/planonacionaldepromoodosprodutosdasociobiodiversidade

Política Nacional da Agricultura Familiar e Empreendimentos Familiares Rurais


www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2006/lei/l11326.htm

Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades


Tradicionais
www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2007/decreto/d6040.htm

25
Restauração
de Florestas
Nativas

26
Nos Caminhos da Restauração Ecológica
A conversão de ecossistemas naturais em formas alternativas de uso do solo tem
ocorrido de forma intensa no Brasil desde seu descobrimento. Principalmente na Mata
Atlântica, que possui histórico de ocupação mais antigo e concentra mais de 60% da
população brasileira, esse efeito colateral do “desenvolvimento” mal planejado foi mais
intenso, restando apenas cerca de 12% da cobertura original de vegetação nativa.

No entanto, se no passado o desmatamento e a degradação dos recursos naturais eram


aceitos – e até mesmo estimulados – pela sociedade e pelo poder público em função dos
benefícios econômicos imediatos, hoje já se tem clareza dos inúmeros prejuízos que esse
processo traz para a sociedade, como desastres naturais, comprometimento do suprimento de
água, perda da fertilidade do solo, etc. Nesse contexto, surgiu no Brasil e em várias partes do
mundo um forte movimento para a promoção da restauração ecológica, cujos objetivos
principais são de auxiliar a conservação da biodiversidade e melhorar as condições de vida
das populações, seja pela provisão de serviços ecossistêmicos, como pela geração de trabalho
e renda.

A sociedade, por meio de instrumentos


O que é restauração ecológica?
legais, políticas públicas e valores éticos, “Restauração Ecológica é o processo de
passaram a considerar que certos trechos das auxiliar a recuperação de um ecossistema
que foi degradado, danificado, destruído”
paisagens, como nascentes, margens de cursos
(Sociedade para a Restauração Ecológica)
d’água e encostas deveriam ser devidamente
restauradas, dada sua relevância ambiental. A restauração ecológica passou por um processo
recente de amadurecimento conceitual, conforme indicado abaixo:

Você sabia?
Uma das primeiras ações de restauração ecológica do
mundo é atribuída a Dom Pedro II e ao major Manoel
Archer, datada de 1862, na Floresta Nacional da Tijuca,
com o plantio de mais de 100.000 mudas de espécies
arbóreas para recuperar encostas degradadas na atual
Floresta da Tijuca, que supria água para a cidade do Rio
de Janeiro, a capital do império Português à época.

27
Etapas da Restauração Ecológica
A restauração
ecológica abrange variados
processos que compreendem
questões biológicas, sociais,
políticas e econômicas.
Simultaneamente, as ações
articulam e integram variados
atores sociais nos processos de
formulação, discussão e
execução das atividades.
Adaptado: Armesto et al (2010)

Estão envolvidos comunidades, viveiristas, pesquisadores, técnicos e proprietários


rurais, englobando o setor público, privado e não governamental. Essas inter-relações
estabelecidas entre diversas áreas e atores compõem uma complexa cadeia de processos que
resulta no setor de restauração ecológica, assim, considerada por excelência, uma atividade
multi e trans-disciplinar. O fluxograma abaixo apresenta diferentes etapas que podem compor
um projeto de restauração ecológica.

28
Além dos ganhos ambientais, as atividades associadas à restauração tem desbobrado
em relevantes alternativas econômicas e consolidado mercados florestais, tanto de base
comunitária como empresarial. Paralelamente, tem sido promovido importantes debates para a
formulação de legislações e políticas públicas ambientais no Brasil. Todo esse processo foi
acompanhado de profundos avanços científicos do setor nos últimos anos, permitindo o
desenvolvimento de tecnologias mais efecientes para o restabelecimento de ecossistemas
nativos em áreas degradadas.

As particularidades de cada local precisam ser consideradas prioritariamente para as


tomadas de decisões. Envolver os diversos atores interessados e relacionados direta ou
indiretamente nos projetos de restauração consiste em um fator chave. Nesse sentindo,
iniciativas envolvendo variadas instituições, organizações e comunidades tem participado
ativamente na governança da restauração ecológica. Veja abaixo alguns desses exemplos no
Brasil:

Pacto pela Restauração da Mata Atlântica


• Objetivo: contribuir para a restauração de 15 milhões de hectares de
Mata Atlântica até 2050
• Acesse: http://www.pactomataatlantica.org.br/

Campanha Y Ikatu Xingu


• Objetivo: atuar na recuperação e proteção das nascentes e
cabeceiras do rio Xingu no estado do Mato Grosso
• Acesse: http://www.yikatuxingu.org.br/

Campanha Cílios do Ribeira


• Objetivo: promover a discussão e articulação da recuperação das
matas ciliares do Vale do Ribeira no estado de São Paulo
• Acesse: http://www.ciliosdoribeira.org.br/

Projeto Mata Ciliar


• Objetivo: desenvolver instrumentos e estratégias para viabilizar
programas de recuperação de matas ciliares no estado de São Paulo
• Acesse: http://www.sigam.ambiente.sp.gov.br/

29
Diagnóstico Ambiental
O diagnóstico ambiental consiste em um exame minucioso, da área a ser restaurada,
seu histórico e do seu entorno, para que haja a escolha do(s) método(s) de restauração a serem
aplicados. Essa etapa é de extrema importância, sendo a base para todo o trabalho de
restauração.

A caracterização do tipo de distúrbio


e sua intensidade são importantes para a
avaliação do potencial de resiliência do
ecossistema. Ao conhecer as limitações e
potenciais da área é possível compreender
quais os filtros ecológicos que
impedem/dificultam o desenvolvimento da
sucessão ecológica.

Resiliência é a habilidade de um
ecossistema natural perturbado
retornar à condição anterior sem
intervenção humana

Passo-a-passo do Diagnóstico Ambiental:

1 Definição dos limites da


2 Macrozoneamento
Contextualização macrogeográfica do
propriedade
1 Georreferenciamento da 1 projeto, como a inserção do
mapa da propriedade em um de
propriedade, baseado no
formações vegetais
CAR (Cadastro
Ambiental Rural) ou na
matrícula do imóvel 3 Aquisição de imagens de
satélites e fotointerpretação
1 Definição das áreas a serem
restauradas e das formas de
4 Checagem de campo
uso e ocupação do solo
Correção de erros das
1 análises de imagem e
identificação das 5 Grau de isolamento da paisagem
perturbações antrópicas, Avaliar as possibilidades de colonização
assim como a avaliação 1 por dispersão de propágulos dos
do potencial de auto- remanescentes regionais
recuperação da área

6 Avaliação dos remanescentes florestais


Avaliar o estado de degradação dos remanescentes,
1 visando propor ações de restauração

30
Métodos de Restauração Ecológica
As demandas por restauração ecológica ocorrem em diversos ecossistemas naturais e
devem ser atendidas levando em consideração as particularidades de cada ambiente.

Manguezais Savanas Banhados Recife de Corais

Em decorrência disso, é necessário adotar um ecossistema de referência, sendo este


um ecossistema natural da mesma região ecológica da área a ser restaurada, que represente as
condições típicas de composição, estrutura e funcionamento daquele ecossistema. Após essa
escolha, é preciso inicialmente identificar e isolar os fatores causadores da degradação. Dentre
as ações de isolamento,
podemos citar: aceiros
para contenção do fogo Culturas
Fogo Gado Degradação
Agrícolas
e cercamento para
impedir a entrada do
gado.

Técnicas de Restauração Florestal


De acordo com a Instrução Normativa MMA Nº 5 de 2009, as ações ou métodos de
restauração florestal no Brasil são divididos em:

Condução da Regeneração Natural: ações de manejo que podem propiciar a


auto-recuperação do local. Este método depende da resiliência da área, expresso
pela densidade de plantas nativas regenerantes nessa área.
Plantio: quando a área apresenta baixa resiliência, temos que adotar técnicas
que permitam a reintrodução de espécies nativas na área para desencadear,
facilitar ou acelerar os processos de regeneração. Essa medida pode envolver
tanto o plantio de sementes como de mudas florestais nativas. Existem variados
modelos de plantios que devem ser escolhidos de acordo com a realidade local.
Plantio + Condução da Regeneração Natural: utilizado em áreas com algum
potencial de regeneração natural, mas não suficiente para restabelecer em toda
a área uma fisionomia florestal. Pode ser usado o plantio de enriquecimento
para aumentar a biodiversidade, ou o plantio de adensamento para recobrir
áreas onde a regeneração natural não foi suficiente para isso.

31
Pesquisas sobre Técnicas de Restauração

Restauração de Áreas Mineradas

Tentando mitigar os efeitos de


degradação causados pela exploração de
minérios, a transposição do topsoil
(material proveniente do decapeamento da
camada superficial do solo), tem se
caracterizado como uma técnica
promissora por representar a “memória”
(banco de sementes) daquele ecossistema
degradado, funcionando como um
“fermento biológico” (matéria orgânica, micro, meso e macrofauna do solo, sementes,
materiais de reprodução vegetativa) para a sucessão ecológica.

Restauração florestal em áreas de mineração de bauxita


Estudo para avaliar a recuperação do solo e da vegetação nativa em
áreas de mineração de bauxita submetidas à restauração
ecológica tem demonstrado que a fertilidade do solo é
restabelecida, em média, com 50 anos de restauração.

Lembre-se!
A participação das pessoas que serão envolvidas
direta ou indiretamente no projeto de restauração
é fundamental para a obtenção de resultados de
sucesso. Para isso, é necessário realizar reuniões
e oficinas participativas para atender a realidade
da população local.

32
Restauração de Fragmentos Degradados

Os fragmentos florestais remanescentes são importantes por serem redutos da


biodiversidade, sendo vulneráveis aos efeitos da fragmentação, principalmente na borda,
gerando diversas interferências no ecossistema.

Áreas sob efeito de borda por longos períodos tendem a apresentar comunidades
vegetais dominadas por espécies pioneiras, como trepadeiras, que podem tornar-se
hiperabundantes (altíssimas densidades, prejudicando outras espécies e formas de vida).

Mata da Pedreira: restauração de fragmento degradado


O fragmento remanescente de Floresta Estacional Semidecidual (14 ha)
localizado na Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”, é o
objeto de estudo de projetos de pesquisa do LASTROP visando
métodos de restauração, como o de manejo de trepadeiras
hiperabundantes.

Copa de árvore dominada por lianas Copa livre, após 8 meses do manejo Após 8 meses do manejo de lianas
33
Restauração de Áreas Hidrologicamente Sensíveis

O comprometimento da segurança hídrica


tem sido foco de muitos estudos, a partir da Áreas hidrologicamente sensíveis (AHS):
áreas da bacia hidrográficas mais propensas
recuperação da cobertura florestal nativa em
a ficarem saturadas de água, por exemplo,
bacias hidrográficas degradadas. As áreas devido ao afloramento do lençol freático ou
hidrologicamente sensíveis (AHS) local para onde a água escoada da chuva
converge.
apresentam importância destacada nesse
contexto, porém, a dinâmica hídrica dificulta sua recuperação quando degradadas.

Pesquisa em Áreas Hidrologicamente Sensíveis


O LASTROP visa desenvolver pesquisas que avaliam a tolerância de diferentes espécies
arbóreas ao encharcamento e testa diferentes técnicas de restauração nas AHS do campus da
ESALQ, em parceria com o Grupo de Adequação Ambiental do Campus (GADE).

Neste contexto, a restauração florestal é


utilizada como ferramenta para recuperar o
fornecimento de serviços ecossistêmicos
em AHS, diminuindo o aporte de
sedimentos e contaminantes aos cursos
d’água e diminuindo assim os custos para o
tratamento de água para a população.

Impacto do uso de Glifosate na restauração


Experimentos na tentativa de elucidar o potencial de
impacto ambiental que o herbicida glifosate possui vem
sendo conduzidos pelo LASTROP com o objetivo de
avaliar a contaminação de solo e água, além de aspectos
econômicos e silviculturais que plantios em áreas ciliares
manejados com o herbicida podem ocasionar.

34
Produção de Sementes Florestais
Quando os projetos de restauração ecológica envolvem plantios de mudas ou
semeadura direta, o passo inicial consiste na obtenção de sementes de espécies nativas. A
produção das mesmas em quantidade com alta qualidade depende diretamente do
planejamento e da adoção de tecnologias e técnicas adequadas pelo produtor de sementes e
responsáveis técnicos.

Onde colher sementes florestais?


A colheita de sementes de espécies florestais nativas deve ser
realizada em fragmentos existentes na região, estejam eles
degradados ou não, pois os fragmentos conservados são melhores
para obter melhor diversidade e os degradados para obter espécies
iniciais da sucessão florestal. Em ambos os casos, a marcação de
matrizes ajuda a obter sementes com maior diversidade florística e
genética.
Como colher sementes florestais?
Podem ser colhidas no chão ou nas árvores em pé de acordo com a
altura desta e os equipamentos disponíveis. Quando a colheita é
realizada no chão é necessário que ocorra uma pré-limpeza da área.
Lembre-se, é fundamental colher de vários indíviduos para que se
tenha uma boa amostra da diversidade genética.
Como manejar sementes florestais?
Essa etapa envolve a extração das sementes dos frutos e o
beneficiamento. Podem ser adotas variadas técnicas de acordo com o
tipo de fruto e conhecimentos dos produtores. Com uso da
criatividade dos produtores, novos equipamentos tem sido
desenvolvidos elevando os rendimentos das atividades.
Como analisar a qualidade das sementes florestais?
Para a comercialização de sementes é necessário que sejam feitos
testes laboratoriais para verificar a germinação (qualidade fisiológica)
e pureza dos lotes de sementes (qualidade fisica). Esses testes seguem
as Regras de Análise de Sementes (RAS) estabelecidos pelo
Ministério da Agricultura e fornecem informações que auxiliam tanto
o produtor como o comprador em conhecer e monitorar a qualidade
das sementes.

As sementes florestais são responsáveis pela regeneração natural e manutenção dos


ecossistemas, além de serem importantes meios de alimentos para a fauna. Assim, a colheita
de sementes precisa ser cuidadosa para não causar prejuízos à dinâmica das florestas. É
relevante considerar a adoção do manejo florestal nas áreas de colheita de sementes.

É importante saber!
No Brasil existe um Sistema Nacional instituído legalmente
que regulamenta e normatiza a comercialização de
sementes e mudas florestais. O produtor deve se cadastrar
no Registro Nacional de Sementes e Mudas (RENASEM) e
seguir todas as exigências legais.
35
Redes de sementes no Brasil
A organização do setor de sementes florestais no Brasil foi oficialmente estruturada no
início dos anos 2000 a partir do Fundo Nacional do Meio Ambiente. Assim, foram
originadas as redes de sementes abrangendo todos os biomas brasileiros. As linhas de
ação focam a capacitação de produtores e viveiristas, o estabelecimento de parâmetros
técnicos de produção e a melhoria da oferta e da qualidade das sementes. As ações têm
sido expandidas e novas redes têm sido originadas. Conheça algumas das redes:

- Rede de Sementes do Xingu - Rede de Sementes do Pantanal


- Rede de Sementes do Cerrado - Rede de Sementes da Caatinga
- Rede de Sementes da Amazônia - Rede de Sementes Rio-ES-BA
- Rede de Sementes Sul - Rede de Sementes Rio-SP
- Rede de Sementes da Amazônia Meridional

Produção de Mudas Florestais

A produção de mudas é realizada em grandes viveiros com ampla infra-estrutura como


também em pequenos estabelecimentos. Em ambos os casos, a preparação correta da área do
viveiro, o uso de substratos e recipientes adequados e o cuidado durante as diferentes fases de
produção irão determinar a qualidade das mudas produzidas.

Semeadura
Após o processo de quebra de dormência, necessária para algumas espécies, as
sementes são colocadas para germinar. A semeadura pode ser indireta ou direta.
A primeira consiste em colocar as sementes em canteiros com areia para, após a
germinação, serem transplantadas para os recipientes onde se desenvolverão em
mudas. A semeadura direta é recomendada para espécies com elevadas taxas de
germinação e consiste em colocar as sementes diretamente no recipiente onde irão
se desenvolver.

Estabelecimento
As sementes que germinaram por semeadura indireta devem ser transferidas para
os recipientes finais. A fim de reduzir a mortalidade das sementes recém
germinadas, todas a plântulas são alocadas em ambiente sombreado com elevada
umidade do ar. Espécies pioneiras ficam menos tempo nessa fase, por não
tolerarem o sombreamento por muito tempo..
Crescimento
Todas as mudas são colocadas a pleno sol e recebem adubação e irrigação para
acelerar seu crescimento. Conforme o desenvolvimento, é necessário espaçá-las
umas das outras, a fim de reduzir a competição por luz.

Rustificação
Preparação das mudas para as condições de campo. A irrigação é reduzida e o
espaçamento entre as mesmas aumenta. Não ocorre adubação nitrogenada
limitando o crescimento das plantas e sua produção de folhas.

Expedição
Consiste em enviar as mudas para o campo. Recomenda-se separá-las de acordo
com suas características ecológicas. As mudas devem ficar protegidas do vento
durante o transporte e, se possível, irrigadas a cada 3 horas de viagem.

36
Monitoramento das Áreas em Restauração
O monitoramento das áreas em
processo de restauração finaliza o ciclo
de etapas iniciada pelo diagnóstico e
permite maior controle tanto sobre a
trajetória ambiental quanto sobre o
cumprimento dos objetivos de um
projeto implementado. Primeiramente,
define-se as diretrizes, com metas e
prazos de acordo com os objetivos a
serem estabelecidos.

Para avaliação da efetividade do


projeto, utilizam-se indicadores, que são variáveis cuja finalidade é medir alterações em um
fenômeno ou processo. De um grande grupo de indicadores possíveis, é essencial a análise e
escolha específica de acordo com cada situação, para que os mesmos sejam suficientemente
representativos. Alguns indicadores possíveis são: altura do dossel, riqueza de espécies
nativas regionais, ciclagem de nutrientes, entre outros. A seguir são determinadas as formas
de verificação dos indicadores, quanto às fases do processo de restauração, seja na
implantação, após ou posteriormente com a vegetação já formada. Assim, elabora-se um
cronograma a longo prazo da coleta de dados.

Por fim, baseando-se em valores de referência os resultados obtidos da coleta de


dados são comparados, de modo a avaliar se alcançam os objetivos esperados ou se situam
abaixo das expectativas. Traçam-se assim, novas diretrizes/recomendações para um manejo
adaptativo que consiga abranger e suprimir os filtros ecológicos que possam estar impedindo
o restabelecimento dos processos de restauração na área trabalhada.

Manejo Adaptativo

O Pacto pela Restauração da Mata Atlântica desenvolveu um protocolo completo para


monitoramento de projetos e programas de restauração ecológica, abrangendo tanto critérios
ecológicos como socioeconômicos e de gestão. Esse protocolo apresenta também orientações
sobre quais indicadores utilizar e como avaliá-los em campo, analisar os dados obtidos e
interpretá-los para orientar a adoção de medidas corretivas. Trata-se do mais completo protocolo
até hoje publicado sobre o assunto. Confira o protocolo em:
http://www.pactomataatlantica.org.br/protocolo-projetos-restauracao.aspx?lang=pt-br
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Uso econômico de áreas de restauração ecológica

Algumas iniciativas tem demonstrado que investir na restauração ecológica não


consiste apenas em um custo para o produtor rural no processo de adequação ambiental. A
restauração ecológica pode ser planejada a partir de modelos que permitem o uso comercial
dessas áreas ou que reduzam os gastos financeiros da restauração, como pelo aproveitamento
de unidades de produção florestal, gerando renda a partir da exploração de madeira, produtos
florestais não madeireiros e pagamento por serviços ambientais.

Viabilidade econômica da restauração ecológica


Experimento de uso de espécies "pioneiras comerciais", como
o eucalipto e a aroeira-pimenteira, e nativas de madeira
nobre, como o jequitibá e o jacarandá-da-bahia, para
viabilizar a restauração ecológica por meio da exploração de
madeira em diferentes ciclos.

Para isso é necessário utilizar áreas denominadas “ecossistemas de referências” para


definir as metas das ações de restauração. Outra forma de viabilidade econômica tem sido
alguns programas, tais como PSA, Compensação Ambiental, dentre outros. Existe ainda a
possibilidade de utilização de antigas áreas de produção florestal, através do aproveitamento
da regeneração natural para o aceleramento da restauração.

Antigas unidades de Produção Florestal


Estudo sobre a viabilidade da restauração pela regeneração natural
em área com produção de Eucalyptus spp. abandonada na Estação
Experimental de Itatinga-SP (ESALQ / USP). A proposta é avaliar
diferentes formas de manejar o eucalipto para favorecer a
comunidade regenerante de espécies nativas do sub-bosque.

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Pacto pela Restauração da Mata Atlântica


http://www.pactomataatlantica.org.br/

Rede Brasileira de Restauração Ecológica


http://www.rebre.org/

Society for Ecological Restoration


http://www.ser.org/

The Global Partnership on Forest and Landscape Restoration


http://www.forestlandscaperestoration.org/

Registro Nacional de Sementes e Mudas


http://sistemasweb.agricultura.gov.br/pages/RENASEM.html

Código Florestal
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2012/lei/l12651.htm
http://www.imaflora.org/downloads/biblioteca/52d7c3a819c3e_Guia_Aplicao_Nova_Lei_Florestal.pdf

Observatório florestal
http://www.observatorioflorestal.org.br/

Laboratório de Ecologia e Restauração Florestal - ESALQ/USP


http://lerf.eco.br/

Campanha Y Ikatu Xingu


http://www.yikatuxingu.org.br/

Campanha Cílios do Ribeira


http://www.ciliosdoribeira.org.br/

Projeto Mata Ciliar


http://www.sigam.ambiente.sp.gov.br/

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