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CESUPA- Centro Universitário do Pará

Alunos: Allyson Lucas, Krysa Caevalho, Lívia Vale, Nicole Dopazo,


Rafael Bestene e Simão Rossy

Professora: Ana Christina Darwich

Turma: DI1MB

Corrupção como problema social e sociológico no Brasil

2018
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Qual a diferença entre problema social e problema sociológico?

Chamamos de problema social uma condição ou um fenômeno que, sob o


ponto de vista de grupos que estão presentes dentro de uma sociedade organizada, não
está a funcionar como deveria. Ou seja, uma definição do que é um problema social vai
sempre depender do cenário e das características individuais de cada uma dessas
formações sociais, bem como a qual período histórico a situação se refere, implicando
uma avaliação moral e ideológica, por parte de tais grupos, do fenômeno em questão,
promovendo a ideia de que tal fenômeno está sob uma disfunção no sistema. Dessa forma,
pode-se dizer que há uma falha no funcionalismo da sociedade (analogia orgânica da
sociedade) que gera uma anomia; que pode ser definida como uma “patologia social”.
O problema sociológico é uma interrogação que o investigador teoriza sobre
os processos de interação social, acerca dos modos de organização do sistema social e
dos fenômenos que dele nascem, e não se justapõe ao problema social. O problema
sociológico é um problema de conhecimento científico que se suscita e resolve no âmbito
da Sociologia. Formular corretamente um problema como esse, é tarefa muito difícil, em
regra só acessível a quem esteja a par do estado de desenvolvimento da ciência em causa
e seja dotada de uma imaginação viva e treinada na pesquisa. Um problema sociológico
abrange problemas com explicação teórica, sobre o que acontece na vida social.

Por que a corrupção é um problema social?

Primeiramente é necessário que certas transformações tenham acontecido


dentro da sociedade, transformações essas que afetem diretamente a vida dos indivíduos,
mesmo empregando efeitos diferentes nos diferentes grupos.
Então, com isso, a primeira transformação ocorrida foi o território, que hoje
se compreende pelo Brasil, se tornar colônia de Portugal que instalou aqui uma colônia
de exploração apoiada no latifúndio e na escravidão. Essas instituições, sob o domínio de
um ente privado que exercia o poder por delegação da Coroa, estão na base da
constituição de uma sociedade patriarcal, na qual há concentração de poder e prestígio na
figura do senhor rural. Este, separado da metrópole por um oceano, fazia confundir o seu
mando pessoal com um verdadeiro poder de Estado, expressão de sua vontade particular.
Por essa razão, é fundamental ressaltar a influência determinante da colônia portuguesa
na formação da nossa cultura e mentalidade.
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Em segundo lugar, esse problema precisa ser sentido como um "problema"


por pelo menos uma parte da população, e que seja socialmente identificada com
determinadas situações ou categorias sociais. O problema deve se tornar "digno de
atenção", o que sugere que os grupos sociais ajam de modo a produzir na sociedade uma
percepção problema, ou seja, que existam setores dessa sociedade que pretendam agir
sobre o problema. Neste caso, a corrupção já é vista como um problema que deve ser
combatida e a leia aplicam-se a todos; assim, há investigações contra a corrupção desde
uma pessoa comum até o mais alto cargo de um setor político.
Por último, um trabalho de institucionalização, ou seja, que sobre esse
problema sejam produzidas interpretações oficiais, que o caracterizem como "problema".
Dessa forma, é nítido que a corrupção prejudica e interfere de maneira negativa na
sociedade.

Por que a corrupção é um problema sociológico?

A corrupção é um problema social que se encontra enraizado no nosso país


desde o Brasil colônia com a chegada das caravelas portuguesas e permanece até os dias
de hoje no nosso território. Podemos citar casos relacionados a este problema, tais como
o suborno dos funcionários da coroa, em que um funcionário protegia ou favorecia um
vendedor mediante propina. Séculos depois, no período do barroco brasileiro, casos no
qual eram transportados dinheiros no interior de imagens de santos, tal situação gerou a
expressão “santo do pau oco”, a qual existe até hoje. Em seguida, houve a política do café
com leite com o voto de cabresto, no qual os coronéis da época chantageavam os cidadãos
para garantir votos. Podemos perceber que, atualmente, essas práticas continuam
enraizadas na sociedade, mesmo que não sejam exatamente iguais ou extremamente
claras.
Atualmente, tem-se de exemplo mais recente de corrupção política em nosso
país o escândalo da lava-jato, que se iniciou em 2014. Esse escândalo consiste em várias
prisões, mandados de busca e apreensão, visando a investigação de diversos crimes como
corrupção, lavagem de dinheiro e entre outros.
Mas, como se sabe, a corrupção vai além da política e está instalada nas
relações sociais. E os prejuízos são evidentes, sobretudo em termos de cultura política,
prevalecendo a tese de que o mundo é dos espertos e de que a Lei não alcança igualmente
a todos. Uma lógica da malandragem se espalha pelo país como normal e dificulta o
estabelecimento de uma cultura cidadã, democrática e especificamente moderna.
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Outro fator a ser considerado é o famoso “jeitinho brasileiro”, termo criado


pelo historiador Sergio Buarque de Holanda, em que consiste em uma maneira mais
prática e fácil de burlar as regras a fim de atingir o benefício próprio. Assim, é considerado
como um modo de corrupção cotidiana praticada por pessoas comuns. Em vista disso,
observa-se que quanto maior for a utilização e aceitação desse “jeitinho”, maior é a
tolerância com a corrupção. Com isso, pode-se afirmar que a cultura brasileira foi
construída sob a corrupção, mesmo que de forma implícita.
Em uma sociedade, em que existe uma zona nebulosa entre o certo e o errado
e que glorifica o “jeitinho brasileiro” como uma ferramenta da dinâmica social, fica mais
fácil entender porque a cultura da corrupção está entre nós. Sob a simpática expressão
“jeitinho brasileiro”, ela é socialmente aceita. É esse jeitinho que quebra as regras e se
coloca como a zona cinzenta moral, ou seja, entre o certo e o errado. Dependendo das
circunstâncias, pode passar rapidamente de errada a certa.
Pode-se afirmar assim, que diversos atos de corrupção acontecem próximos
de todas as pessoas, e a sociedade se porta como se nada de ruim estivesse acontecendo,
não mudam suas ideias, opiniões e atitudes que possam de algum jeito, de colaborar com
a melhoria da corrupção. Afinal, muitas pessoas pensam que a atos corruptos só são
realizados por políticos e os que têm algum tipo de poder, mas na verdade a corrupção
está presente em simples do dia-a-dia.
Você acha que existe um país corrupto sem uma sociedade corrupta?

Referências bibliográficas

https://oceanoazulresearch.wordpress.com

https://brasilescola.uol.com.br

https://www.infoescola.com

https://www.jusbrasil.com.br/home

https://www.jusbrasil.com.br/home