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Para ministro, negócio entre Boeing e Embraer vai... https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2018/04/...

Para ministro, negócio entre Boeing e Embraer vai


'acabar em casamento'
Ações de fabricante sobem 6,72% com declaração; nova rodada de negociação avança
com o governo

10.abr.2018 às 19h37

IGOR GIELOW

SÃO PAULO O ministro interino da Defesa, general Joaquim Silva e Luna, afirmou
nesta terça (10) acreditar que o acordo entre a Boeing e a Embraer está perto
de ser concretizado.

Apresentação do avião E190-E2, nova geração de jato regional da Embraer, para empresa
norueguesa - Li Ming - 4.4.2018/Xinhua

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"Para ser direto, eu diria que isso vai acabar em casamento", disse o general à
agência Bloomberg durante uma feira de segurança em São Paulo. A
declaração reverberou no mercado, com alta de 6,72% das ações da fabricante
brasileira.

Também nesta terça, houve mais uma rodada entre as empresas e o grupo de
trabalho montado pelo governo federal para avaliar o negócio, que começou a
ser especulado no fim do ano passado. A União precisa ser ouvida por ter
poder de veto sobre mudanças acionárias na Embraer, que até 1994 foi estatal.
Segundo a Folha apurou, o governo reagiu bem à nova proposta —as
negociações já foram e voltaram inúmeras vezes desde janeiro, quando o
grupo foi montado. Inicialmente, a Boeing queria comprar toda a fabricante
brasileira, (http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2018/01/1947358-negocio-com-boeing-inclui-divisao-militar-
da-embraer.shtml) que possui em seu portfólio produtos que não fabrica, como jatos
regionais. Em outubro do ano passado, a sua rival europeia, a Airbus, comprou
justamente esta linha da principal concorrente da Embraer, a canadense
Bombardier.

Além disso, a Boeing está de olho na capacidade da área de engenharia da


Embraer, mais jovem e ágil, para fazer avançar projetos que estão arrastados,
como o avião que irá substituir o nicho de 757. Para a empresa paulista,
haveria ganho de escala comercial para enfrentar o enorme reforço europeu
na Bombardier e diversas perspectivas de entrada em uma das grandes cadeias
globais de produção aeronáutica.

A coisa empacou na política e em questões de soberania. (http://www1.folha.uol.com.br


/mercado/2018/01/1953933-boeing-embraer-opoe-necessidade-de-mercado-a-soberania-nacional.shtml) A área de

defesa da Embraer, que tem como estrelas o turboélice de ataque leve


Super Tucano e novo cargueiro KC-390, é interligada às necessidades
estratégicas da Força Aérea Brasileira. O novo caça da FAB, o Gripen, terá sua
linha de produção no país na Embraer —seu fabricante, a sueca Saab,
compreensivelmente está preocupado em ter seu avião sob a guarda de uma
rival americana (http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2018/01/1953308-negociacao-boeing-embraer-preocupa-

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muito-diz-fabricante-de-caca-da-fab.shtml).

Por isso, logo quando o negócio foi aventado (http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2017/12


/1945306-acuada-pela-airbus-boeing-faz-oferta-de-parceria-a-embraer.shtml?loggedpaywall) em dezembro o
presidente Michel Temer foi enfático em (http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2017/12/1945408-
temer-diz-que-venda-da-embraer-esta-fora-de-cogitacao.shtml)dizer que não venderia a Embraer.
(http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2017/12/1945408-temer-diz-que-venda-da-embraer-esta-fora-de-cogitacao.shtml) É
uma meia verdade, já que na verdade ele pode vetar um negócio, mas a
participação estatal na empresa hoje é mínima —quase sua totalidade de
ações está nas mãos de fundos estrangeiros diversos.

A negociação, contudo, andou. Boeing e Embraer então bolaram uma proposta


na qual uma terceira empresa seria formada, só para aviação civil, tanto
regional (42% do lucro líquido hoje) quanto executiva (25%). A área militar
seria separada numa empresa totalmente brasileira.

A questão mais central é como garantir a sustentabilidade a essa empresa, cuja


divisão hoje responde por 15% do lucro líquido. O governo brasileiro é o
grande injetor de recursos para grandes projetos, e atualmente tanto a área de
defesa quanto a civil compartilham setores de engenharia e desenvolvimento
conjuntos.

Um dos atrativos na mesa é a possibilidade de a empresa de defesa ter seu


marketing, vendas e pós-vendas no exterior tocado pela Boeing, que tem
penetração muito maior do que a Embraer hoje. Isso é particularmente
atrativo no caso do KC-390, criado para enfrentar o lendário Hércules, da
Lockheed, rival da Boeing.

Além disso, há a possibilidade de melhorar as já muito boas chances de o


Super Tucano substituir outro avião americano importante, o A-10, para
missões de ataque e suporte a solo. 

Nem o grupo de trabalho, nem a Boeing, nem a Embraer quiseram comentar o


desenvolvimento do dia.

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