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COMO O PODER JUDICIÁRIO BRASILEIRO RESOLVE HARD CASES DE

CONFLITO ENTRE DIREITO AMBIENTAL E DIREITO CULTURAL.

Patrícia Maleski Belini1


Cleverton Reikdal2

RESUMO
O Estado Democrático de Direito representou um salto importante no que tange à
positivação dos direitos fundamentais. O direito à manifestação cultural e do direito-
dever de proteção da fauna e da flora são exemplares, estando o primeiro positivado
no art. 215, §1º e o último no art. 225, §1º, inciso VII, da Constituição Federal.
Considerando a magnitude destes direitos para a coletividade, não é inconcebível
uma colisão entre ambos quando se concretizam na atual complexa sociedade. Isto
porque as práticas classificadas como manifestações culturais tais quais farra do boi,
rinha de galo e, recentemente, vaquejada insurgiram nas mãos do Supremo Tribunal
Federal para resolução, colocando em questão quais são os limites entre o direito à
manifestação cultural perante outro direito fundamental assegurado pela Carta
Maior. Tais situações de embate de direitos constitucionais são consideradas como
casos difíceis, os quais não possuem uma regra de direito clara e pré-estabelecida
para sua resolução. Estudiosos como Ronald Dworkin e Robert Alexy propõe teorias
para solucionar conflito de princípios como o peso e ponderação. Contudo, seria
este o método adotado por nossa Corte Superior nos casos supraditos? É neste giro
que o presente artigo trabalha, analisando a aplicabilidade da teoria com os casos
concretos julgados pela maior instância do Judiciário brasileiro.

Palavras-chaves: Hard Cases. Conflito de princípios. Direitos fundamentais.


Vaquejada.

ABSTRACT
The Democratic Rule of Law represented an important leap forward in the affirmation
of fundamental rights. The right to cultural manifestation and the duty of protection of
fauna and flora are exemplary, the first being written in art. 215, §1 and the last one
in art. 225, paragraph 1, item VII of the Federal Constitution. Considering the
magnitude of these rights for the collectivity, it is not inconceivable a collision
between both when they are concretized in the current complex society. This is
because the practices classified as cultural manifestations such as the “farra do boi”,
Anais do I Congresso 23 de
Porto P. 416 a 443
Acadêmico de Direito junho de
Velho/RO
Constitucional da FCR 2017
Anais do I Congresso Acadêmico de Direito Constitucional

cockfighting and recently “vaquejada” emerged in the hands of the Federal


Supreme Court for resolution, putting into question the limits between the right to
cultural manifestation before another fundamental right ensured by Constitutional
code. These situations of conflict of constitutional rights are considered as difficult
cases which do not have a clear and pre-established rule of law for its resolution.
Scholars such as Ronald Dworkin and Robert Alexy propose theories to solve conflict
of principles such as weight and pondering. However, would this be the method
adopted by our Superior Court in cited cases? So, that is the point of the present
article, analyzing the applicability of the theory with the concrete cases judged by the
greater instance of the Brazilian Judiciary.

Key-word: Hard Cases. Conflict of principles. Fundamental rights. Vaquejada.

INTRODUÇÃO

A Constituição Federal brasileira de 1988 representou um salto importante em


diversos campos do Direito, não somente no que tange à positivação dos direitos
fundamentais, mas, também, no sentido de garantir a independência e a autonomia
do Judiciário. Devido ao princípio da independência dos poderes, as autonomias
administrativa e financeira foram garantidas bem como o campo de atuação do
Judiciário foi ampliado.
Com relação à estrutura, é cognoscível a dilatação na organização e definição
de atribuições nos setores que compõem o Poder Judiciário.
No Estado Democrático de Direito, em consequência desta amplificação do
caráter compromissário do texto e da força normativa da Carta Magna, ocorre um
deslocamento do centro de decisões do Legislativo e do Executivo para o plano
jurisdicional, conforme explica Streck (2003, p. 266-267):

Já no Estado democrático de direito, fórmula


constitucionalizada nos textos magnos das principais democracias, a
função do Direito passa a ser transformadora, onde o pólo de tensão,
em determinadas circunstâncias previstas nos textos constitucionais,
passa para o Poder Judiciário ou os Tribunais Constitucionais.

Nestes moldes, fica claro que o fato do Judiciário aumentar seu campo de
atuação desencadeia na maior preocupação sobre a forma que os magistrados
decidem as demandas do mundo concreto. Assim, diversas visões sobre o
regramento do Direito nasceram ao longo do tempo como, por exemplo, a positivista.
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Patrícia Maleski Belini e Cleverton Reikdal

Na concepção positivista, não havendo regras existentes passíveis de


aplicação para responder o caso, é dado ao poder jurisdicional a discricionariedade,
isto é, a subjetividade do juiz introduzindo avaliações pessoais (BOBBIO, 1999). Tal
forma de decisão é vigorosamente criticada por alguns autores renomados como
Robert Alexy e Ronald Dworkin.
Nesta linha de raciocínio, deve-se mencionar em destaque o trabalho do
filósofo americano Ronald Dworkin (2002), o qual demonstra a existência de hard
cases, que seriam aqueles casos os quais não possuem uma regra de direito clara e
pré-estabelecida. O mesmo autor entende que por este modelo do positivismo
jurídico, os juízes se utilizam do poder discricionário para resolver, o que é
totalmente inadequado para solução destes casos (DWORKIN, 2002).
Em contraposição à ideologia positivista, Dworkin (2002) demonstra outro
método interpretativo do Direito, desconsiderando a utilização da discricionariedade
do juiz e somente trabalhando a partir do estudo dos princípios e regras.
É neste ponto crucial que se encaixa o debate protagonista do presente
estudo: se, o conflito de direitos fundamentais como direito à manifestação cultural e
direito ao meio ambiente pode ser classificado como hard case; e se as Cortes
Judiciais empregam o método interpretativo encabeçado por Dworkin diante deste
choque de direitos.
Seguindo este raciocínio, é necessário compreender que devido à grande
relevância do direito à manifestação cultural e do direito-dever de proteção da fauna
e da flora, ambos foram positivados e expressos na Constituição Federal, sendo
salvaguardados pela mesma como direitos fundamentais. O direito fundamental à
manifestação cultural encontra-se expresso no art. 215, §1º, enquanto o direito
fundamental ao meio ambiente localiza-se no art. 225, §1º, inciso VII, da mesma
carta política.
Por se tratar de direitos fundamentais tão importantes para a coletividade
como um todo, não é inconcebível uma colisão entre um e outro quando se
concretizam na sociedade complexa atual.
Desta forma, havendo o conflito de direitos fundamentais em que não exista
saída normatizada para solucionar o caso, a discussão é fundamental. Além disto,
deve-se levar em consideração que este conflito entre os direitos fundamentais

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supraditos não ocorreu com casos únicos, mas, sim, possuem certa frequência no
Brasil.
Isto porque as práticas classificadas como manifestações culturais tais quais
rinha de galo, farra do boi e, recentemente, vaquejada insurgiram nas mãos da
Suprema Corte para resolução, colocando em questão quais são os limites do direito
à manifestação cultural perante outro direito fundamental assegurado pela Carta
Magna.
A partir disto, o propósito principal do estudo é verificar a aplicabilidade das
teorias para resolução de casos difíceis nas decisões sobre conflito de direito
ambiental e direito cultural já deliberadas pelo Supremo Tribunal Federal. Do mesmo
modo, tem como outras metas ponderar o embate de princípios e direitos
fundamentais protegidos pela Carta Maior, em específico o direito à manifestação
cultural e o direito-dever de proteção da fauna; pesquisar sobre a diferenciação entre
regras e princípios e compreender os critérios de interpretação para a resolução de
casos difíceis.
Com isto, demonstra-se a importância do estudo da temática e da existência
da problemática uma vez o conflito exposto nos casos concretos ainda que já
decididos pela Corte Maior, reverberam nos demais campos do estudo do Direito e
não podem ser declarados como encerrados e pacificados merecendo uma
discussão essencial.

1. O PODER JUDICIÁRIO NACIONAL E OS HARD CASES DE CONFLITO


ENTRE OS DIREITOS FUNDAMENTAIS AO MEIO AMBIENTE E À
MANIFESTAÇÃO CULTURAL

Preliminarmente, passa-se a esquadrinhar a estruturação do Poder Judicial


nacional conjunto com a teoria dos hard cases e estudo dos direitos fundamentais
para assim, pôr sobre análise de alguns elementos figurativos propostos.

1.1. BREVES APONTAMENTOS SOBRE O ESTADO DEMOCRÁTICO DE


DIREITO E A ESTRUTURA DO PODER JUDICIÁRIO BRASILEIRO

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Com o advento da Carta Maior em 1988, foi instaurado o processo de controle


de constitucionalidade, criando o Supremo Tribunal Federal que passou a ter o papel
de dar a última palavra sobre a interpretação do direito e intervindo nas escolhas
emanadas pelos Poderes Executivo e Legislativo. Todo este advento é visto por
alguns estudiosos como a implementação de um novo paradigma de organização
político-jurídica denominado Estado democrático de direito.
De maneira geral, pode-se inferir que o Estado democrático de direito tem
algumas premissas como a regência de normas democráticas, a concretização dos
princípios constitucionais, em principal os direitos humanos fundamentais, a
soberania popular e a busca pela igualdade social (MORAES, 2015).
Para isto, este modelo de organização política e jurídica é marcado pela
ascensão das Cortes Constitucionais que passam a atuar de maneira ativa dentro de
um cenário político, inclusive sobrepondo as decisões do Poder Judiciário sobre às
do Executivo e do Legislativo. Isto é chamado de “expansão global do poder
judiciário” pelos cientistas políticos Tate e Vallinder (1995, p. 13), sendo um
processo conceituado como: “(...) the infusion of judicial decision-making and of
courtlike procedures into political arenas where they did not previously reside. To put
it briefly, we refer to the „judicialization of politics‟”.
Os mesmos autores, ainda consideram que é tarefa da Corte de proteger os
direitos fundamentais dos cidadãos (TATE; VALLINDER, 1995).
Tendo isto explicado, é possível fazer observações relativas à estrutura do
Poder Judiciário, a qual houve uma ampla reorganização e redefinição de
atribuições em seus órgãos, os quais foram nomeados pelo art. 92 da Constituição.
Com a possibilidade de controle de constitucionalidade, mandado de injunção
e o aumento dos legitimados, é clara a expansão da competência do Supremo
Tribunal Federal no âmbito constitucional. Já o Superior Tribunal de Justiça é uma
das principais inovações na estrutura do Poder Judiciário, isto porque, tinha como
bases primitivas desinflamar o STF e assumir algumas das funções atribuídas ao
antigo Tribunal Federal de Recursos (SADEK, 2010).
É perceptível que todo o regramento constitucional reforçou o papel do
Judiciário que não só aumentou quantitativamente os direitos e garantias individuais
e coletivas, mas também os instrumentos jurídicos responsáveis pela efetivação das
obrigações constitucionais. Neste ponto, Barroso (2013) afirma que a possibilidade

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do controle direito de constitucionalidade das leis e dos atos administrativo é


responsável pela ascensão do Poder Judiciário, bem como uma intervenção judicial
mais veemente.
Não bastando a Constituição Federal tratar de uma grande carga de temas, o
mesmo autor (BARROSO, 2012, p. 16) auferiu que devido a essa ascensão,
também deu uma guinada tanto na judicialização quanto no ativismo judicial.
Outrossim, coloca que existe maior confiança no Judiciário, conforme expõe:

Judicialização significa que questões relevantes do ponto de


vista político, social ou moral estão sendo decididas pelo Judiciário.
Trata-se, como intuitivo, de uma transferência de poder das
instâncias tradicionais, que são o Executivo e o Legislativo, para
juízes e tribunais. Há causas diversas para o fenômeno. A primeira é
o reconhecimento de que um Judiciário forte e independente é
imprescindível para a proteção dos direitos fundamentais. A segunda
envolve uma certa desilusão com a política majoritária. Há uma
terceira: atores políticos, muitas vezes, para evitar o desgaste,
preferem que o Judiciário decida questões controvertidas, como
aborto e direitos dos homossexuais. No Brasil, o fenômeno assume
uma proporção maior em razão de a Constituição cuidar de uma
impressionante quantidade de temas. Incluir uma matéria na
Constituição significa, de certa forma, retirá-la da política e trazê-la
para o direito, permitindo a judicialização. A esse contexto ainda se
soma o número elevado de pessoas e entidades que podem propor
ações diretas perante o STF. (BARROSO, 2012).

Com isto, é evidente a importância da atuação das Cortes Superiores


principalmente por serem responsáveis de dirimir conflitos e divergências, bem
como, a resolução dos hard cases quando há conflito de direitos.

1.2. HARD CASES.

Remetendo ao que fora explicado anteriormente, o Estado democrático de


direito trouxe em sua escultura o deslocamento do poder de decisão, dando
independência e forte influência ao Judiciário.
Assim, com um setor Jurídico mais forte e com atuação mais abrangente no
país, cresce a preocupação com as formas de resoluções dos casos e
interpretações do Direito, ensejando a discussão entre diversos autores sobre qual
método de decisão seria o melhor aplicável.

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Diante desta problemática, Ronald Dworkin escreve sua tese em Levando


Direito a Sério (Taking Rights Seriously, 2002), confrontando e apontando críticas
intensas ao positivismo, quanto à teoria dos casos difíceis e suas soluções.
Na obra citada, Dworkin (2002) analisa a aplicação das regras na teoria do
direito e também a existência de casos fáceis e difíceis. Os primeiros seriam aqueles
que já possuem regras aplicáveis e previstas, nas palavras do mesmo (DWORKIN,
2002, p. 8): “o juiz está aplicando uma regra preexistente a um novo caso”.
Com relação aos casos difíceis, o autor (DWORKIN, 1975, p. 1057) definiu
como: “(...)those cases in which the result is not clearly dictated by statute or
precedent”. Em outras palavras, seriam aqueles casos em que existe incerteza, não
sendo provável identificar no sistema normativo uma regra que solucione o caso.
Nesse diapasão, não havendo regra específica para aplicar o caso, abre a
possibilidade para a discricionariedade judicial de forma a resolver a questão, o que
é imensamente criticado pelo filósofo, uma vez que o mesmo considera que seria
uma forma de aplicação de novas leis de forma retroativa (DWORKIN, 1975, p.
1058):

Judges should apply the law that other institutions have made;
they should not make new law. That is the ideal, but for different
reasons it cannot be realized fully in practice. Statues and common
law rules are often vague and must be interpreted before they can be
applied to novel cases. Some cases, moreover, raise issues so novel
that they cannot be decided even by stretching or reinterpreting
existing rules.

Navarro (1993; apud MENDES; CRISTOVAN; 2014, p. 4-5) irá classificar


algumas situações hipotéticas que são consideradas como casos difíceis:

a) quando não há resposta correta para o caso;


b) quando os enunciados normativos são vagos e informados
por uma textura jurídica aberta;
c) nos casos de incompletude (lacunas) ou inconsistência do
Direito;
d) quando não há consenso na comunidade de juristas sobre
a resposta;
e) quando o caso não é comum ou solucionado pela
aplicação mecânica da lei;
f) naqueles problemas em que há conflito entre normas
jurídica, o que exige o sopesamento mediante argumentos não
dedutivos;

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g) quando a resolução do caso exige um raciocínio jurídico


baseado em argumentos de princípio;
h) naqueles problemas em que a solução requer
necessariamente juízos morais.

Considerando estes posicionamentos, pode-se atestar que o embate dos


princípios e direitos fundamentais como o direito à manifestação cultural e ao meio
ambiente constitui um caso de hard case, em que não existe uma regra previamente
estabelecida pela norma, devendo os magistrados dissecarem tanto os
mandamentos da ciência do Direito, como os princípios nela explícitos e implícitos
para deliberarem aquela decisão.
Todavia, deve-se questionar o seguinte ponto: sendo o conflito entre o direito
cultural e o direito ambiental um hard case, qual é a forma de resolução aplicada
pela Suprema Corte brasileira neste conflito, uma vez que não existe previsão
normativa e ambos os direitos são classificados como direitos fundamentais
consagrados pela Constituição Federal?
De fato, é um questionamento plausível, devendo haver primeiramente a
compreensão das teses sobre direitos fundamentais, as diferenças entre regras e
princípios trazidas pelo autor da obra, bem como a forma de resolver a colisão entre
direitos fundamentais.

1.3. CONFLITO DE PRINCÍPIOS

Em virtude do Estado democrático de direito, os princípios possuem uma


atuação significativa para a garantia de direitos. Isto porque, conquanto a
Constituição Federal elenque os direitos fundamentais, a sociedade evolui
constantemente não dando fôlego para que as normas acompanhem tal evolução,
resultando com que algumas normas não atinjam seus objetivos por completo.
Sendo assim, para ressalvar direitos e buscando a efetivação dos mesmos,
os operadores do direito se utilizam dos princípios como uma função normativa
(FARIA; POZZOLI ; SPLICIDO;,2011) e, inclusive, possuem natureza de norma
constitucional.
A importância da interpretação do sistema jurídico é repetidamente debatida
por Dworkin (1999, p. 488), tendo o mesmo conceituado o direito como um conceito

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interpretativo, haja vista que “os juízes devem decidir o que é o direito interpretando
o modo usual como os outros juízes decidiram o que é o direito”.
De forma a construir o pensamento sobre a interpretação, Dworkin (2002) faz
a distinção entre princípios e regras, a qual seria de natureza lógica. Nesta lógica,
Dworkin (2002, p.39) baseia sua tese afirmando que as regras seriam aplicadas sob
a égide de “tudo-ou-nada”, isto é, ou a regra é válida ou inválida. De forma contrária
agem os princípios, visto que os efeitos destes não são os mesmos quando são
aplicados ou descumpridos, consoante com as palavras do autor:

Os dois conjuntos de padrões apontam para decisões


particulares acerca da obrigação jurídica em circunstâncias
específicas, mas distinguem-se quanto à natureza da orientação que
oferecem. As regras são aplicáveis à maneira do tudo-ou-nada.
Dados os fatos que uma regra estipula, então ou a regra é válida, e
neste caso a resposta que ele fornece deve ser aceita ou não é
válida, e neste caso em nada contribui para a decisão. (DWORKIN,
2002)

Para contextualizar sua explicação, o autor compara a aplicação de regras em


um jogo de baseball, em que explica que existindo as regras, as mesmas devem ser
seguidas. Não obstante, isto não impossibilita a existência de exceções, porém, um
enunciado correto da regra deve levar em conta as exceções e estas devem ser
expressas no enunciado, caso contrário estaria incompleto (DWORKIN, 2002).
Em contraposição, estão os princípios, em razão de possuírem uma dimensão
que as regras não possuem: peso ou dimensão. Isto significa dizer que quando
princípios se cruzam aquele que vai resolver o conflito tem que levar em conta a
força relativa de cada um (DWORKIN, 2002). No caso das regras, se as mesmas se
conflitarem, uma delas não pode ser válida.
Assim, constata-se de que, no conflito de princípios, um não anula o outro,
mas sim, existe uma ponderação e adequação destes ao caso concreto.
Nessa conjuntura, Alexy (1998) parte das teorias desenvolvidas por Dworkin
(1977) e as desenvolve buscando uma teoria para os direitos fundamentais. A partir
disto, irrompeu conclusivamente de que os princípios são mandamentos de
otimização e, portanto, são normas que ordenam que algo seja realizado em uma
medida tão ampla quanto possível relativamente a possibilidades fáticas ou jurídicas
(ALEXY, 1998).

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Andrea (2013, p. 162), ao analisar e comentar sobre as ideais de Alexy,


expõe o seguinte:

(...)afirma lexy que a diferen a não é de grau, mas de


qualidade pois os princípios são mandados de otimiza ão ou a serem
otimizados (Optimierungsge- bote), isto é, são normas que ordenam
que algo seja realizado na maior medida do possível, considerando-
se não s as possibilidades jurídicas (princípios e regras opostos),
como também as fáticas. O que permite que esse tipo de norma
possa ser cumprido em diferentes níveis. m contrapartida, as regras
são normas que s podem ser cumpridas ou não de forma integral.
Se uma regra é válida, deve- se fazer exatamente o que ela exige,
nem mais nem menos. (ANDREA, 2013).

Além disto, Alexy (apud ANDREA, 2013, p. 167) reconhece que “regras
cont m determina es no campo do fático e do juridicamente possível. sso significa
que a diferen a entre regras e princípios é de qualidade e não de grau. ada norma
ou é uma regra ou é um princípio”.
Havendo essa distinção qualitativa entre regras e princípios, também haveria
dois modos diferentes de aplicação de normas: a subsunção de regras e a
ponderação dos princípios.
Outrossim, Alexy (1998) afirma que as colisões de direitos fundamentais,
devem ser qualificadas como colisões de princípios, tendo a ponderação como
procedimento de resolução.
Portanto, é possível se delimitar uma saída nos casos de colisões entre
direitos fundamentais, a qual não corrobora com o ideal incerto quanto à
discricionariedade do juiz, como também não leva à anulação de um direito para
garantir outro.

1.4. DIREITO FUNDAMENTAL

Os direitos fundamentais foram definitivamente a consagração mais


importante da Constituição Federal de 1988, uma vez que antes ao Estado de
Direito, os mesmos não possuíam a eficácia e a força que possuem no sistema
jurídico atual. De acordo com Agra, Bonavides e Miranda (2009, p.328): “a
amplia ão do n mero dos direitos consagrados constitucionalmente reflete o
contexto de consolida ão de um stado emocrático de ireito”.

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Nesta linha de raciocínio, Vasak (1984, apud LEUZINGER, 2007) afirma que
com a finalidade de concretizar os direitos humanos no contexto social, seriam
necessários 03 requisitos como: (a) a existência de uma sociedade organizada em
forma de Estado de Direito; (b) um marco legal preestabelecido, dentro do qual os
direitos humanos sejam exercidos, evitando-se, ainda, que possam variar conforme
as circunstâncias; (c) a existência de garantias legais específicas e de recursos que
assegurem o respeito a esses direitos.
Diversos estudiosos renomados do âmbito jurídico tratam os direitos
fundamentais e os direitos humanos como sinônimos, no entanto, outros destacam o
ponto crucial de distinção como, por exemplo, Sarlet (2012, p. 18) inteligentemente
explica:

(...)para a distin ão é de que o termo “direitos fundamentais”


se aplica para aqueles direitos do ser humano reconhecidos e
positivados na esfera do direito constitucional positivo de
determinado Estado, ao passo que a expressão “direitos humanos”
guardaria relação com os documentos de direitos internacional, por
referir-se „aquelas posi es jurídicas que se reconhecem ao ser
humano independentemente de sua vinculação com determinada
ordem constitucional. (SARLET, 2012).

Desta forma, os direitos humanos guardam uma relação com a concepção


jusnaturalista ao passo que os direitos fundamentais dizem respeito a uma
perspectiva positivista. É importante destacar que, muito embora Sarlet (2012) faça
esta distinção, o mesmo não nega a ínfima relação que ambos possuem, inclusive,
relata não haver dúvidas de que os direitos fundamentais são também sempre
direitos humanos no sentido de que seu titular será sempre um humano ainda que
representado por entes coletivos, sendo a diferenciação meramente didática.
Apesar da Carta Magna ter positivado os direitos fundamentais, os mesmos
não surgiram somente em 1988. Em sede de direito internacional, tais direitos
derivam de construção e conquista ao longo da história. Por isto, os direitos
fundamentais são classificados em gerações ou dimensões considerando a
evolução destes e da sociedade (MARMELSTEIN, 2016)
Os direitos denominados como de primeira geração, em consonância com
Sarlet (2012), são de natureza individualista, uma vez que estabelecem as relações
do indivíduo perante ao Estado. Denominam-se como os direitos civis e políticos,

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estando ligados a uma negativa e não a uma conduta positiva já que estabelecem
ao Poder Publico, um dever de abstenção, assegurando uma esfera de ação
pessoal própria.
Já os direitos de 2ª geração estão ligados não à liberdade do Estado, mas à
liberdade dada por intermédio do Estado. Seriam direitos de igualdade, positivação
dos direitos sociais, econômicos, culturais e aos direitos difusos. O Estado passa a
ser encarregado em garantir mínimas como educação, saúde e proteção (SARLET;
LINHARES; SEGUNDO, 2016).
Vale frisar que os direitos de segunda geração (ou dimensão) não estão
somente ligados aos direitos de caráter positivo, mas também às chamadas
liberdades sociais (SARLET, 2012).
Os direitos de 3ª geração, segundo Moraes (2015), também podem ser
intitulados de direitos de solidariedade ou fraternidade, tratando-se daqueles que
englobam o meio ambiente equilibrado, uma saudável qualidade de vida, ao
progresso, à paz, à autodeterminação dos povos e dos direitos difusos.
Resumindo, coincidindo com Moraes (2015, p. 30) “a primeira gera ão seria a
dos direitos de liberdade, a segunda, dos direitos de igualdade, a terceira, assim,
complementaria com liberdade, igualdade e fraternidade”.
Não obstante os direitos fundamentais da segunda geração tratem de direitos
sociais no sentido amplo, existe uma clara diferença entre ambos, em consonância
com o que argumenta Sarlet (2012, online):

Saliente-se, contudo, que, a exemplo dos direitos da primeira


dimensão, também os direitos sociais (tomados no sentido amplo ora
Referido) se reportam à pessoa individual, não podendo ser
confundidos com os direitos coletivos e/ou difusos da terceira
dimensão. utiliza ão da expressão “social” encontra justificativa,
entre outros aspectos que não nos cabe aprofundar neste momento,
na circunstância de que os direitos da segunda dimensão podem ser
considerados uma densificação do princípio da justiça social além de
corresponderem à reivindicações das classes menos favorecidas
(...). (SARLET, 2012)

O que é distintivo para os direitos fundamentais de terceira dimensão é que


estes possuem uma titularidade coletiva. Em outras palavras, o cientista político,
Bonavides (1993, apud LEUZINGER, 2007) entende por direitos de terceira
dimensão aqueles direitos que não se destinam tão somente à proteção dos

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interesses de um individuo, de um grupo ou de um determinado Estado, isto é, são


direitos que possuem como destinatário o gênero humano.
Existem também alguns teóricos do Direito que determinam direitos de quarta
e quinta geração, porém estas são classificações variáveis uma vez que aguardam
consagração no âmbito internacional.
Com relação aos direitos de quarta geração, para Bonavides (LINHARES;
SEGUNDO, 2016) os direitos desta dimensão seriam três: a) o direito à democracia;
b) o direito à informação; e c) o direito ao pluralismo.
Temos então que as diversas dimensões que marcam a evolução do
processo de reconhecimento e afirmação dos direitos fundamentais revelam que
estes constituem categoria materialmente aberta e mutável (SARLET, 2012).
Além disto, devido o sistema ser dialético, a colisão de direitos fundamentais
é plenamente possível (BARROSO, 2001) sendo o estudo de total relevância para o
meio jurídico principalmente por acabar limitando alguns direitos em favor de outros.

1.4.1. Direito fundamental ao meio ambiente

O direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado está configurado


dentro da concepção de terceira geração dos direitos fundamentais, tendo em vista
que são direitos tipicamente difusos que abarcam tanto o ser humano em sua
dimensão individual e social (SARLET, 2012). Tal classificação já fora inclusive
reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal na decisão do Mandado de Segurança
nº 22.164 de São Paulo em 1995.
Nesta mesma oportunidade, a maior instância do Poder Judiciário admitiu que
o direito fundamental ao meio ambiente não somente encerra uma expectativa de
pretensões, como também materializa a proteção de valores indisponíveis e de
poderes de titularidade coletiva, conferidos a toda a sociedade (AYALA;
CANOTILHO; LEITE, 2012).
Portanto, os direitos de 3ª dimensão são denominados direitos
transindividuais, posto que se referem a direitos de comunidades e coletividades que
podem ser postulados por entidades que as representam ou órgãos públicos que
tutelam o bem comum.

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Dentro desta acepção, Cristiane Derani (1998; apud LEUZINGER, 2007)


entende que direito fundamental ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, é
um dos que possuem maior característica de direito difuso dentre os de mesma
geração, uma vez que a qualidade de vida nada mais é do que um desdobramento
do direito à vida e da dignidade da pessoa humana.
O art. 225 da Constituição Federal de 1988 é a grande matriz do direito
ambiental e faz uma revolução em termos de Direito Ambiental Constitucional. É
cediço a existência de outras leis que buscam a proteção do meio ambiente e dos
direitos dos animais, como por exemplo, a Lei de Crimes Ambientais e a Lei nº
12.651/12, no entanto, o próprio texto constitucional já deveria bastar para promover
a proteção ao meio ambiente, uma vez que preocupou-se em delimitar o Capítulo VI
quanto à preservação do meio ambiente para as futuras gerações.
Neste dispositivo aludido, deve-se destacar o §1º, inciso VII:

Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente


equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia
qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o
dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras
gerações.
§ 1º Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao
Poder Público:
VII - proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as
práticas que coloquem em risco sua função ecológica, provoquem a
extinção de espécies ou submetam os animais a
crueldade. (BRASIL, 1988).

Embora a Carta Maior tenha sido aplaudida e considerada uma das cartas
constitucionais mais evoluídas, existe uma discussão referente às possíveis
interpretações no que concerne o significado de fauna, questionando sobre quais
animais seriam atingidos e protegidos por este dispositivo. Alguns doutrinadores
trabalham com a determinação de que esta proteção abrange somente animais
silvestres, enquanto outros afirmam que a noção constitucional da expressão fauna
deve incluir todos os animais em qualquer classificação (RODRIGUES, 2012).

1.4.2. Direito fundamental a manifestação cultural

Em se tratando de direitos culturais, estes estão dispostos tanto no art. 215


quanto no art. 216 da Carta Magna, ambos os dispositivos detêm larga magnitude
429
Patrícia Maleski Belini e Cleverton Reikdal

para o regramento constitucional, contudo, atenta-se com mais cautela o disposto


pelo art. 215, §1º, conforme:

Art. 215. O Estado garantirá a todos o pleno exercício dos


direitos culturais e acesso às fontes da cultura nacional, e apoiará e
incentivará a valorização e a difusão das manifestações culturais.
§ 1º O Estado protegerá as manifestações das culturas
populares, indígenas e afro-brasileiras, e das de outros grupos
participantes do processo civilizatório nacional.(BRASIL, 1988)

É expresso pela Constituição o que alguns doutrinadores denominam como


“ordem constitucional da cultura” ou “constitui ão cultural” que seria o “conjunto de
normas que contêm referências culturais e disposições consubstanciadoras dos
direitos sociais relativos à educa ão e a cultura” segundo Silva (2002, p. 812).
A ideia do direito cultural pode estar relacionada tanto aos direitos de 1ª
geração – individuais – quanto aos direitos de 2ª geração – sociais. Como direitos
individuais, estão vinculados a ideia da abstenção do Estado praticar qualquer ato
que possa dificultar o exercício do direito à identidade cultural; enquanto como
direitos sociais o propósito é a obrigação do Estado de proteger o patrimônio
cultural, praticando atos e prestando serviços públicos que conduzam ao
adimplemento deste dever (LEUZINGER, 2007) .
O direito à manifestação cultural eleva ainda mais sua importância quando
versa sobre as minorias de forma a assegurar seus direitos à identidade cultural,
uma vez que temos uma carta política constitucional que prioriza, dentre os demais
pontos do Direito, a igualdade.
É evidente que o direito cultural, tanto quando trata da tutela ou do patrimônio
cultural, é objeto de proteção constitucional e deve ser protegido de forma que
qualquer violação a este direito fere diretamente previsões constitucionais.
Igualmente é tratado o direito ambiental. O direito ao meio ambiente porta a
mesma característica como direito fundamental dada ao direito cultural visto que
ambos, além de estarem formalmente positivados pelo regramento constitucional,
possuem conteúdo ético elevado sendo encarados como valores básicos para uma
vida digna em sociedade.
Sendo assim, a existência de um conflito entre estes direitos requer uma
apreciação com cautela, afinal, acabará por restringir um direito em prol de outro.

430
Anais do I Congresso Acadêmico de Direito Constitucional

2. FARRA DO BOI, RINHA DE GALO E VAQUEJADA – OS HARD CASES


BRASILEIROS DE CONFLITO ENTRE DIREITOS FUNDAMENTAIS E A
APLICAÇÃO DO MÉTODO DE INTERPRETAÇÃO PELO SUPREMO TRIBUNAL
FEDERAL.

2.1. BREVES APONTAMENTOS REFERENTES À FARRA DO BOI.

A farra do boi é um ritual típico do estado de Santa Catarina, a qual consiste


em soltar o animal – de preferência arisco – na mata e correr atrás deste, seja para
atiçar ou machucar. Geralmente ocorre perto da época de natal ou do domingo de
ramos.
É importante ressaltar que Bahia (LEITE; FILHO; 2004) traz um parecer de
alguns antropólogos que enaltecem o hábito pois funciona como "mecanismo para
que a violência difusa mantenha-se em níveis irrelevantes durante os períodos
normais da vida coletiva normal”.
Tal prática advém da expressão da cultura portuguesa no Brasil, e Lacerda
(1994, p. 14) compara a farra do boi como “uma manifesta ão folcl rica dentre
outras no contexto da cultura do boi no Brasil, a exemplo das vaquejadas
nordestinas e dos rodeios ga chos”.
A história da farra do boi está totalmente ligada com a evolução social do
povo, não sendo este o ponto de discussão. Isto porque não há dúvidas de que a
farra do boi abrange definição constitucional de patrimônio cultural brasileiro, em
conformidade com os arts. 215 e 216 da Constituição Federal.
O cerne da problemática gira em torno da manifestação cultural acarretar em
tratamento cruel para com o animal, uma vez que o coloca sob exaustão, tortura e
inclusive a mutilação.
Dado a violência contra os animais durante a prática da farra do boi, foi
julgado, em 1997, pelo Supremo Tribunal Federal a inconstitucionalidade deste
costume nos autos do Recurso Extraordinário nº 153.531/SC.
O desfecho para o caso da farra do boi deveu-se a associações que
ingressaram com ação civil pública contra o Estado de Santa Catarina, em busca da
proibição da farra do boi.

431
Patrícia Maleski Belini e Cleverton Reikdal

Estes efeitos se devem, também, ao Tribunal de Justiça de Santa Catarina


que, em 17 de dezembro de 1991, julgou o Recurso de Apelação nº 35.913, o qual
visou a reforma da decisão de 1º grau que julgou pela carência da ação
considerando o pedido desta como impossível. O acórdão resultante da referida
apelação perante o Tribunal de Justiça de Santa Catarina reformou a sentença no
tocante à carência da ação, porém julgando o pedido como improcedente e, assim,
possibilitou a continuação da ação para instância superior.
No caso do Recurso Extraordinário de nº 153.531/SC, a maioria deu
provimento ao recurso, de maneira a dar prioridade à proteção da fauna diante de
eventuais conflitos com o direito à proteção da manifestação cultural. Confira-se o
acórdão:

COSTUME - MANIFESTAÇÃO CULTURAL - ESTÍMULO -


RAZOABILIDADE - PRESERVAÇÃO DA FAUNA E DA FLORA -
ANIMAIS - CRUELDADE. A obrigação de o Estado garantir a todos o
pleno exercício de direitos culturais, incentivando a valorização e a
difusão das manifestações, não prescinde da observância da norma
do inciso VII do artigo 225 da Constituição Federal, no que veda
prática que acabe por submeter os animais à crueldade.
Procedimento discrepante da norma constitucional denominado
"farra do boi". (BRASIL, 1997)

Em especial, cita-se o voto do Ministro Relator, Francisco Rezek (BRASIL,


1997):

Não posso ver como juridicamente correta a ideia de que em


prática dessa natureza a Constituição não é alvejada. Não há aqui
uma manifestação cultural com abusos avulsos; há uma prática
abertamente violenta e cruel para com animais, e a Constituição não
deseja isso.
Bem disse o advogado da tribuna: manifestações culturais
são as práticas existentes em outras partes do país, que também
envolvem bois submetidos à farra do público, mas de pano, de
madeira, de “papier maché”; não seres vivo, dotados de sensibilidade
e preservados pela Constituição da República contra esse gênero de
comportamento (grifo nosso). (BRASIL, 1997)

É importante destacar também o voto do Ministro Corrêa (BRASIL, 1997)


em oposição ao voto do Ministro Relator:

(...) Esta é uma questão meramente de fato que deve


envolver o aparato policial para seu combate e não o provimento do

432
Anais do I Congresso Acadêmico de Direito Constitucional

extraordinário para pôr termo a outro bem que é garantido


constitucionalmente. Desta forma, como costume cultural, não há
como coibir a denominada “farra do boi”, por ser uma legítima
manifestação popular, oriunda dos povos formadores daquela
comunidade catarinense. Os excessos, esses sim devem ser
reprimidos, para que não se submetam o animal a tratamento cruel.
Mas esta é outra história. Por estes fundamentos, seguro de que os
autos cuidam de uma quaestio facti e não de uma quaestio iuris,
principalmente de natureza constitucional, e de que a manifestação
cultural é garantida e protegida pela Constituição Federal (art.
215 e §1º, CF) – aí sim estar-se-ia violentando a Constituição
Federal, caso se provesse o apelo -, não conheço do extraordinário
(grifo nosso). (BRASIL, 1997).

A discussão deste processo não fora simples e única, havendo divergência e


discussões entre os magistrados da corte. A partir da leitura dos votos, demonstra-
se que o Ministro-Relator, Francisco Rezek, se posicionou de forma favorável à
proteção da fauna e contrário à farra do boi, ao passo que o Ministro Maurício
Côrrea somente discorre sobre a importância do valor cultural da prática não
entrando no mérito do direito fundamental à proteção da fauna e da flora.
Neste seguimento, é necessário dizer que os doutos magistrados não
utilizaram do princípio da ponderação ou proporcionalidade. Isto porque, conforme
visto, o relator Rezek desconsiderou a farra do boi como manifestação cultural,
levando em consideração que não poderia se admitir um comportamento cultural
que admite crueldade uma vez que não atinge um nível maior de civilidade. Desta
forma, é clarividente que não considerou sequer a possibilidade de existir um conflito
de princípios já que para Resek a farra do boi não se constitui como manifestação
cultural.
Semelhantemente, o Ministro Maurício Côrrea também não cogita a existência
de conflito, pois concebe o evento como uma verdadeira manifestação cultural
autêntica constitucionalmente assegurada e que deveria ser ressalvada. Logo, não
aprecia a proteção da fauna como um direito fundamental de mesmo nível perante o
direito a manifestação da cultura, alegando somente ser necessária a atuação do
Poder Público das situações em que houver abuso ou extrapolar os limites da
prática cultural.
O relator teve seu posicionamento seguido pelos Ministros Marco Aurélio e
Néri da Silveira. Em seu voto, o Ministro Marco Aurélio segue o relator e expõe
argumentos de que seria impossível um poder de polícia capaz de coibir os

433
Patrícia Maleski Belini e Cleverton Reikdal

eventuais excessos propostos pelo Ministro Maurício Côrrea. Do mesmo modo vota
o Ministro Néri, porém este faz um adendo de que não há como aplicar a proteção
do art. 225 se salvaguardar o art. 215 da Constituição, ou seja, faz alusão de que,
aplicando um, incorre na invalidade do outro o que caracteriza um conflito de regras
e não de princípios como visto ao longo do estudo.
Nestes moldes, vê-se que ainda que contrastantes, as apreciações não se
utilizaram dos critérios de ponderação ou consideram a questão da teoria dos
princípios de Dworkin (2002) ou da ideia de ponderação e pesos formulada por
Alexy (1998).

2.2. BREVES APONTAMENTOS REFERENTE A RINHA DE GALO.

prática conhecida como rinha “caracteriza-se pela condição de dois galos


combatentes se golpearem com bicos, ponteiras e esporas, ferindo-se até a
mutila ão ou a morte” (M ROS; LBUQU RQU , 2015, p. 510).
De forma diversa do caso da farra do boi, a rinha de galo está conectada mais
à condição de esporte do que manifestação cultural. Outra característica também
distinta entre as práticas é que, no caso das brigas de galo, o humano é somente
espectador e não participante.
As teses que buscam a existência do costume estão no sentido de que gera
uma integração social e emprego.
Apesar disto, o Supremo Tribunal Federal repudiou expressamente normas
que regulamentavam as brigas de galo, como foi visto na ADI 3776/RN, ADI
2514/SC e ADI 1856/RJ. Segue ementa referente a esta última Ação Direta de
Inconstitucionalidade (BRASIL, 2011):

EMENTA: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE -


BRIGA DE GALOS (LEI FLUMINENSE Nº 2.895/98) - LEGISLAÇÃO
ESTADUAL QUE, PERTINENTE A EXPOSIÇÕES E A
COMPETIÇÕES ENTRE AVES DAS RAÇAS COMBATENTES,
FAVORECE ESSA PRÁTICA CRIMINOSA - DIPLOMA
LEGISLATIVO QUE ESTIMULA O COMETIMENTO DE ATOS DE
CRUELDADE CONTRA GALOS DE BRIGA - CRIME AMBIENTAL
(LEI Nº 9.605/98, ART. 32) - MEIO AMBIENTE - DIREITO À
PRESERVAÇÃO DE SUA INTEGRIDADE (CF, ART. 225) -
PRERROGATIVA QUALIFICADA POR SEU CARÁTER DE
METAINDIVIDUALIDADE - DIREITO DE TERCEIRA GERAÇÃO (OU
DE NOVÍSSIMA DIMENSÃO) QUE CONSAGRA O POSTULADO DA
434
Anais do I Congresso Acadêmico de Direito Constitucional

SOLIDARIEDADE - PROTEÇÃO CONSTITUCIONAL DA FAUNA


(CF, ART. 225, § 1º, VII) - DESCARACTERIZAÇÃO DA BRIGA DE
GALO COMO MANIFESTAÇÃO CULTURAL - RECONHECIMENTO
DA INCONSTITUIONALIDADE DA LEI ESTADUAL IMPUGNADA -
AÇÃO DIRETA PROCEDENTE. LEGISLAÇÃO ESTADUAL QUE
AUTORIZA A REALIZAÇÃO DE EXPOSIÇÕES E COMPETIÇÕES
ENTRE AVES DAS RAÇAS COMBATENTES - NORMA QUE
INSTITUCIONALIZA A PRÁTICA DE CRUELDADE CONTRA A
FAUNA - INCONSTITUCIONALIDADE. - A promoção de briga de
galos, além de caracterizar prática criminosa tipificada na legislação
ambiental, configura conduta atentatória à Constituição da República,
que veda a submissão de animais a atos de crueldade, cuja natureza
perversa, à semelhan a da “farra do boi” (R 153.531/S ), não
permite sejam eles qualificados como inocente manifestação cultural,
de caráter meramente folclórico[...] (BRASIL, 2011).

Percebe-se então que o caso das rinhas de galo passou a ser considerada
proibida, uma vez que se enquadra tanto no atual art. 32 da Lei 9605/98 –
dispositivo que revogou o art. 62 da Lei de Contravenções Penais –, quanto está em
contrário à Constituição Federal. A proposta da lei fluminense criaria uma exceção
ao art. 225 da carta constitucional, pois submete esta espécie de animal à luta de
forma exaustiva até a morte.
Desta forma, é interessante notar que o Supremo Tribunal Federal não
utilizou dos instrumentos de interpretação em conflito de princípios, mas, sim,
invalidou a lei impugnada (no caso, regra) por violar preceitos constitucionais e
submeter os animais a espetáculos violentos.

2.3. VAQUEJADA – A INCONSTITUCIONALIDADE E PROJETOS DE LEIS.

vaquejada é uma “modalidade esportiva”, na qual vaqueiros perseguem o


boi dentro dos limites de uma demarcação e devem derrubá-lo puxando fortemente
o animal pela cauda. Tal prática é bastante conhecida no Nordeste brasileiro,
todavia, também ocorre em outros estados do país.
Tem como origem a época do Ciclo dos Currais, advindo da necessidade de
reunir o gado que era criado solto na mata na época dos coronéis.
Sobre esta prática, existem alguns pareceres e relatos registrados, como por
exemplo, o parecer técnico emitido em 25 de julho de 1999 pela Dra. Irvênia Luiza
de Santis Prada (apud LEITÃO, 2002) descrevendo os danos sofridos pelo animal

435
Patrícia Maleski Belini e Cleverton Reikdal

que podem causar prejuízos irreversíveis como luxação das vértebras, lesões
traumáticas e também o sofrimento mental.
Por oportuno, deve-se mencionar que o parecer não é singular, existindo
outros como o descrito pelo Projeto Esperança Animal (PEA), que descreve alguns
eventos em que não existem fiscais ou veterinários presentes no local e que em
muitas vezes utilizam os mesmos animais por mais de uma vez durante a prova.
Diante disto, não se questiona o caráter cultural da vaquejada, mas sim se a
mesma subsiste ainda que afronte outros direitos fundamentais como o de proteção
a fauna.
Neste sentido, a lei nº 15.299/2013 estipula parâmetros para a realização de
vaquejadas no Estado do Ceará, de forma a tentar regularizar e fiscalizar a prática
da vaquejada. Deve-se mencionar que a legislação mencionada, estipula como
obrigatória a presença de paramédicos nos locais de evento e, inclusive,
penalidades caso o vaqueiro se exceda durante a prova.
A norma supracitada fora objeto de Ação Direta de Inconstitucionalidade
tendo em vista o art. 225, §1º, inciso VI, da Constituição Federal, se questionando se
a Lei 15.299/2013 cumpre com as finalidades propostas a ela e se é uma forma
realmente eficaz para a proteção do animal, uma vez que a prática da vaquejada em
si já seria prejudicial e cruel para o animal.
Muito embora a Corte Maior tenha decidido pela inconstitucionalidade do
referido comando legal, tal julgamento desenvolveu-se de forma bastante acirrada
com 5 votos pela constitucionalidade, para 6 votos a favor da inconstitucionalidade.
Para vislumbrar a dimensão em que abrange esta discussão, é de suma
importância descrever o voto do Ministro Teori Zavaski em favor da improcedência
da ação. O ministro defendeu que a lei pode ter procurado evitar a vaquejada cruel,
sendo melhor a existência da norma do que a falta dela. Ainda ressaltou que o
objeto da ADI é a constitucionalidade da lei estadual, e não da prática da vaquejada
em si, salientando que o texto da lei prevê regras de segurança para os vaqueiros, o
público e os animais.
Outro voto neste mesmo sentido é o do Ministro Gilmar Mendes, que
diferencia a vaquejada dos casos decididos anteriormente pela Suprema Corte,
defendendo que atualmente a legislação encontra-se mais evoluída sendo possível
proibir e penalizar o excesso. Além disto, coloca que caso a lei seja considera

436
Anais do I Congresso Acadêmico de Direito Constitucional

inconstitucional, a prática da vaquejada ainda estaria a mercê da falta de


regularização.
Portanto, fica claro que o julgamento pelo Supremo Tribunal Federal foi de
ampla magnitude para o estudo acerca do tema, sendo este de essencial relevância
para o meio jurídico e social. Ousa-se aferir que a apreciação da farra do boi foi uma
forma de resolução de hard case de acordo com a teoria positivista, isto é, os
Ministros empregaram a discricionariedade para deliberar sobre o tema, uma vez
que não há previsão normativa para determinando uma resolução.
Cronologicamente, já no entendimento do caso da rinha de galo, a tese já estava
mais madura dado o fato dos Ministros deliberarem sobre a temática do conflito de
regras.
Por último, diferentemente de casos anteriores, a ADI nº4983 comprova uma
evolução gradativa nos acórdãos no que diz respeito ao uso dos métodos para
decifrar os hard cases. À vista disto, a interpretação em conflito de princípios e a
ponderação estão explícitos e cuidadosamente colocados por cada ministro em seus
votos, demonstrando um avanço na resolução de casos difíceis no âmbito do
judiciário nacional.
Ademais, ainda que a lei cearense tenha sido decretada como inconstitucional
pela maior instância do Poder Judiciário, no dia 01 de Novembro de 2016, foi
aprovado o Projeto de Lei Complementar 24/2016 pelo Senado Federal, o qual
proporciona a vaquejada, o rodeio e outras expressões artístico-culturais similares o
status de manifestações da cultura nacional e os eleva à condição de patrimônio
cultural imaterial do Brasil.
Este cenário corrobora a apresentar que, conquanto o julgamento da Ação
Direta de Inconstitucionalidade nº 4983, a questão não está perto de ser resolvida e
pacífica, sendo plenamente relevante a continuidade do estudo utilizando-se de uma
metodologia analítica mais aprofundada abordando não só a técnica utilizada pelo
Poder Judiciário nacional para resolver os hard cases, mas também, os efeitos
destas decisões no campo dos direitos fundamentais, da hermenêutica e inclusive
da economia nacional.
Neste liame, após analise das teorias e da jurisprudência brasileira é
manifesto um padrão de rejeição pelo Supremo Tribunal Federal à agressão e ao
tratamento cruel aos animais ainda que em sede de expressão da cultura. De igual

437
Patrícia Maleski Belini e Cleverton Reikdal

forma, expõe-se que o Judiciário vem progredindo na aplicação das teorias


interpretativas de hard cases, o que reforça ainda mais para o aperfeiçoamento das
decisões dos juízes e diminui a possibilidade de erros em suas decisões haja vista
que deixaram de aplicar a discricionariedade e começaram a ponderar os princípios
em sua característica de peso e dimensão.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Levando em consideração as teorias desenvolvidas por Alexy (1998), as


decisões dos casos difíceis no conflito entre direito ambiental e cultural teriam como
desfecho duas conclusões. A primeira seria de que não há hierarquia ou invalidação
em conflito de princípios. Em segundo, não se tratando da invalidação, a solução
consistiria em estabelecer, levando em conta as circunstâncias do caso, uma
relação de precedência condicionada entre os princípios a partir da metáfora do
peso (BAHIA, 2004).
A priori, o Supremo Tribunal Federal não operava as teorias dos princípios
nos casos difíceis. Contudo, ao longo do tempo, progrediu demasiadamente na
ponderação dos direitos fundamentais, não mais se valendo do poder discricionário,
mas, sim, do método hermenêutico da ponderação entre os princípios para resolver
casos difíceis, conforme ensaiado no estudo do acórdão da Ação Direta de
Inconstitucionalidade nº4983.
Tendo em vista que o direito é sistêmico, o estudo dos métodos de resolução
de hard cases pela Corte Superior é significativo, afinal as deliberações do Supremo
Tribunal Federal interferem em vários âmbitos da sociedade principalmente por
limitarem direitos fundamentais.
É fato que uma decisão desta amplitude teria repercussões positivas e
negativas, haja vista que temos uma sociedade complexa, atacando não somente o
direito à cultura, mas também a economia gerada em decorrência daquela prática.
Um exemplo dos efeitos do acórdão é que, em 06 de Junho de 2017, foi
promulgada a Emenda Constitucional nº 96/2017, que legitima as manifestações
culturais ainda que estas sejam cruéis e utilizem de animais, não desrespeitando o
art. 225 da Constituição Federal. Tal reforma pode ser o último suspiro do Legislativo

438
Anais do I Congresso Acadêmico de Direito Constitucional

em discordância às decisões do Supremo Tribunal Federal, as quais se mantiveram


em favor do direito à proteção ao meio-ambiente ao longo dos anos.
Brevemente, deve-se mencionar que esta emenda é contrária à Carta Maior
não somente pela matéria que propõe alterar, mas por que restringe direitos
fundamentais coletivos, o que vai de encontro o art. 60, §4º, IV, da Constituição
Federal.
É certo de que o conflito de direitos fundamentais é uma matéria que ainda
merece a devida atenção, principalmente nos casos difíceis de conflito entre direito
cultural e ambiental, uma vez que tais direitos são primordiais para a sociedade. No
entanto, diante do contexto atual e das decisões enfrentadas no estudo, as práticas
culturais não podem deixar de sofrer modificações com o tempo, devem atualizar e
abandonar atos cruéis, uma vez que em todo o âmbito de direito internacional já
existe o reconhecimento dos animais como seres vivos dotados de sensibilidade e
objeto de proteção jurídica.

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