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Poços de Caldas
Hugo PONTES

em
Poços de Caldas

2006
Copyright © 2004 by Hugo Pontes

Endereço do Autor:
Caixa Postal, 922
CEP 37701-970 - Poços de Caldas - MG
E-mail: hugopontes@pocos-net.com.br

Revisão: do Autor
Capa: Victor Hugo Manata Pontes
Gráfica Sulminas: Projeto Gráfico: Vanessa Cristina Maioqui
Impressão Offset

CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO-NA-FONTE
SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ.

P858p

Pontes, Hugo, 1945-


A poesia das Águas : retratos escritos de Poços de Caldas
/ Hugo Pontes. – Poços de Caldas, MG : Sulminas, 2004
122p. : il. : 21cm

Inclui bibliografia
ISBN 85-98178-11-X

1. Poços de Caldas (MG) – História – Fontes. 2. Poços de Caldas


(MG) – Vida intelectual. 3. Poços de Caldas (MG) na literatura.
I. Título.

04-0474. CDD 981.512


CDU 94(815.12)

26.02.04 01.03.04 005633


Agradecimentos
Anita Zanatta
Nicionelly Carvalho
Douglas Miglioranzi
Sônia Maria Almeida
Lourival Storani Júnior
Yeda Tarquínio Bertozzi
Sebastião Pinheiro Chagas
Gaspar Eduardo de Paiva Pereira
Índice
Prefácio .................................................................................................09

Teatro, Alegoria da Vida ......................................................................11


Origem do Teatro .............................................................................11

O Teatro Enquanto Estrutura ...............................................................14


Produtor ...........................................................................................14
Diretor ..............................................................................................15
Texto ................................................................................................15
Atores ...............................................................................................16

Considerações sobre o Teatro..............................................................17

O Teatro em Poços de Caldas ..............................................................18

O Centro Teatral “Léo Ferrer” ............................................................24

Grupo de Teatro Vila Cruz ...................................................................29

Poços de Caldas Recebe o Teatro de Vanguarda ................................31

O Grupo do SESC ..................................................................................32

O Teatro do Estudante .........................................................................35

O Teatro na Associação Atlética Caldense ..........................................37


O Grupo de Teatro Alvorada ................................................................38

O Teatro de Alumínio ...........................................................................65

Os Novos Grupos ...................................................................................66

Conclusão ..............................................................................................73

Bibliografia ...........................................................................................74
Prefácio
Sebastião PINHEIRO CHAGAS*
Ao iniciar esta breve consideração, quero deixar aqui um
depoimento de emocionada lembrança, afirmando ser o teatro uma
escola-padrão de conceitos morais que se conciliam no tema encenado
ou se conflitam no mesmo, provocando acirrados debates de úteis
controvérsias entre os personagens e, portanto, instrutivos para a
cultura de elite ou para o aprendizado popular, dirimindo ilusões e
dúvidas, fixando verdades e certezas.
Se ele, o Teatro, produz manifestações alegres, gera outras
tristes como “as madrugadas de cinzas gotejando angústias”, no dizer
do erudito jornalista e brilhante poeta Gaspar Eduardo Paiva Pereira,
num confronto de risos e lágrimas pela boa ou má sorte das figuras
cômicas ou trágicas representadas pelos respectivos atores e atrizes.
Essa controvérsia — objetiva e formal — instrui socialmente a
conduta humana sob o aspecto ético, aprimorando culturalmente o
espírito face aos assuntos discutidos no enredo, mormente se elevados
na sua essência filosófica, científica, artística e literária.
Tal, em suma, é a importância do teatro hoje, ontem e em todos
os tempos, tanto que seus edifícios por toda a parte são reflexos
dessas grandiosidades espirituais, construídos de maneira imponente e
minuciosa decoração artística, seja no Brasil, na Itália, na Rússia, na
França e nos diversos países de refinada civilização, majestosos
externamente e elegantes no interior de seus vestíbulos, salões de
entrada, salas de espetáculos, palcos, câmaras, bastidores, camarins,
panos ou cortinas e corredores e divisões complementares.
Ilustram essa assertiva alguns exemplos como os teatros
municipais do Rio de Janeiro, São Paulo e do Amazonas, além de muitos
outros instalados pelo mundo.
Obviamente, esse culto ao teatro se justifica por ser ele um
espelho cristalino da vida, reproduzindo-a nas suas perfeições e

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defeitos, realidades e utopias, cultivando nos seus jardins “úlceras e
orquídeas”, no contraste conceitual do renomado historiador e
brilhante intelectual Hugo Pontes.
Assim é o teatro na sua tempestuosa e serena fotografia da vida
social e política; na sua caricata ou séria batalha contra os tabus e
convencionalismos; no seu desfile de anteposições entre a hipocrisia e
a sinceridade; a guerra e a paz; a violência bárbara e a docilidade
civilizada; a abominação e a simpatia; a crença e a incredulidade; a
racionalidade e a animalidade; o modernismo e o arcaísmo; a queda e a
ascensão; a felicidade e a desgraça; a pobreza e a riqueza; o sagrado e
o profano; a sabedoria e a ignorância; a docilidade e a aspereza e uma
de anversos e reversos na psicanálise individual ou no exame do
comportamento versátil da sociedade.
Assim é o teatro. Dramaticidade ou comicidade aos trechos
escritos, suscitando emoções por gestos, mímicas e palavras.
Representação de sentimentos e idéias através de movimentos
corpóreos, especialmente da cabeça, dos braços e dos olhos, com
vozes traduzindo a psicologia dos sentimentos humanos; a crítica
elogiosa ou depreciativa dos usos e costumes da sociedade, seja na
teatralização austera, clássica ou moderna.
Assim é o teatro que diverte, instrui e educa.

*Advogado

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Teatro, Alegoria da Vida
Origem do Teatro
A palavra teatro tem sua etimologia na língua grega - theatron - e
o seu sentido é “lugar onde se vai para ver; mirante; miradouro''. A
partir do seu aparecimento, na antiga Grécia, a manifestação artística
propagou-se pelo mundo. Dessa maneira, o homem conseguia inter-
pretar e expressar seus sentimentos, emoções e opinião sobre os fatos
de sua época.
Sob o aspecto físico, na sua origem grega, o teatro era um espaço
aberto onde atores e público se reuniam para as apresentações.
A despeito de haver uma representação, ou melhor, por ser uma
representação, os atores eram personagens, para tanto, usavam
máscaras que os identificavam como parte de uma ficção.
Tais máscaras, as quais escondiam a verdadeira face do ator,
caracterizavam personagens, pois eram marcas da alegria, dor e
tristeza, para que o público pudesse, de onde estava, identificar a sua
função.
Outra característica da máscara era a de servir como caixa de
ressonância para a voz do ator. Assim, a sua fala chegava mais forte e
em bom som até a platéia, uma vez que o teatro era ao ar livre.
De acordo com os manuais de teoria literária, sabe-se que as
peças na sua forma tradicional comportavam o protagonista e o
antagonista, ou seja, o herói e o vilão, respectivamente.
No teatro moderno tal distinção desapareceu e, pode-se dizer,
em alguns casos o mesmo personagem consegue representar tanto o
bem quanto o mal.
Ainda em nosso tempo, o teatro grego é modelo - quer na
encenação dos textos das tragédias clássicas, fundamentadas na
temática mitológica, quer nas comédias, que tendiam a criar situações
absurdas e, assim, elaborar uma crítica essencialmente política aos

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governantes e aos costumes da época - em sua forma original ou com
adaptações para situações do mundo moderno.
Um bom exemplo é Gota D'água - feliz adaptação da Medéia, de
Eurípides - escrita por Paulo Pontes e Chico Buarque de Holanda.
É preciso dizer que o teatro na Grécia floresceu em virtude de
vários fatores, sendo o mais significativo deles o culto a Dionísio, cuja
representação e o programa eram dedicados a essa divindade.
“O sacerdote de Dionísio presidia à representação e um crime
cometido no seu decurso era considerado sacrilégio”. (Sabato Magaldi)
Subentendeu-se nisso algo fora da representação teatral, mas
também um comportamento religioso.
A tragédia é um bom exemplo da dicotomia entre o bem e o mal.
Nela os espectadores purgavam os seus males, pois a idéia do bem e do
mal; do castigo e da piedade que giravam em torno dos personagens
traziam ao público os conhecimentos estéticos e filosóficos, morais e
religiosos.
Segundo Sabato Magaldi, na antiga Roma o teatro não reviveu a
popularidade alcançada na Grécia, pois o público voltou-se para os
prazeres do circo.
Na Idade Média, com o renascimento da liturgia, o teatro ganha
público, pois este reconhece a semelhança com as festas dionisíacas.
Os espectadores dos dramas acompanhavam a representação como um
ato de fé.
Podemos avaliar que isso acontece até os nossos dias, pois as
cerimônias realizadas na Semana Santa, com a representação da
paixão de Cristo, levam multidões a acompanhar as procissões durante
uma semana em que o palco é a frente da igreja e as ruas; os atores é a
gente do povo e o público é a massa de fiéis plena de religiosidade.
A dependência religiosa vai acontecer no período elisabetano, na
Inglaterra, e no classicismo espanhol, que souberam preservar a
popularidade do teatro.
No mundo culto o teatro sempre foi uma atração, pois a
sociedade o encara não só como lazer, mas como forma de transmissão
de conhecimento e cultura. Há investimentos acentuados nos espetá-

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culos e a estrutura é empresarial, sem, contudo, deixar de valorizar os
atores e a representação.
No Brasil, o teatro tem sua fórmula comercial estruturada nas
novelas de TV, tanto no conteúdo quanto na exploração da imagem do
ator. Pode-se dizer que a televisão é a vitrina para o teatro atual.
Devemos considerar ser esse um aspecto e caminho necessários,
pois a luta por um teatro autônomo, profissional e rentável é muito
grande. Muitas pessoas - entre atores, técnicos e produtores - ficam
pelo caminho desanimadas com a falta de perspectiva nesse campo
artístico, assim como em tantos outros.
O certo é que inúmeros artistas passam a exercer atividades
outras, buscando ocupações que lhes garantam a sobrevivência, e
abdicam de seus sonhos.
O teatro amador, como o nome pode indicar, é bem isso. Só o faz
aqueles que, paralelamente, ocupam outras atividades profissionais
que lhes garantam o sonho e o amor pela arte de representar.

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O Teatro, enquanto Estrutura
Cabe, neste início, falar sobre as pessoas que se movimentam em
torno do teatro as que fazem com que tudo possa ser realizado no
palco.

Produtor
Pouco ou nada - no mundo empresarial em que vivemos - adian-
tariam os esforços do ator, do diretor, no cenógrafo e outros trabalha-
dores da cena do teatro, se não existisse a figura do produtor.
Esse profissional é aquele que vai se incumbir de fazer a
mediação entre o espetáculo a ser produzido e o público.
O produtor é aquele que terá, como função básica e primordial,
de providenciar tudo para que o espetáculo tenha sucesso de público,
de renda e de crítica.
O teatro deverá estar cheio, por conseqüência, obter grande
arrecadação e receber crítica favorável porque a produção - no seu
conjunto - foi impecável, desde a escolha do texto, dos atores e a
apresentação final.
Caso esse conjunto de fatores não esteja afinado, é ao produtor
que caberá o ônus do fracasso do espetáculo.
É bom salientar que, hoje, existindo a Lei de Incentivo à Cultura,
não é o produtor que fará com que uma empresa ligue sua marca e
imagem a qualquer espetáculo.
Muitas empresas, ao serem procuradas, tomam sempre o
cuidado de analisar - através de uma consultoria especializada - a
proposta de um grupo teatral ou de outra atividade artística para,
finalmente, aprovar ou não, a sua parceria.
E, nisso, a figura do produtor é fundamental, pois ele não só age
como um especialista em cultura, mas como um hábil negociador.

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Diretor
Trabalha para a encenação da peça. O diretor é aquele que trans-
formará as palavras e trará para o palco os personagens e as ações
contidas no texto. Sendo o profissional que conduz, estará enformando
- com sua sensibilidade - cenários e atores.
Para tanto contará com uma equipe competente composta por
músicos, cenógrafos, figurinistas, desenhistas, marceneiros, ilumi-
nador, técnico de som, coreógrafo, contra-regra, maquiador, adminis-
trador, bilheteiro, camareiro, porteiro e segurança.
O diretor é, sem dúvida, a pessoa que tem por função compre-
ender todo o sentido do texto. Assim, ele estudará o conteúdo e os
personagens.
Na verdade ele precisa ser, não só técnico, mas um artista
sensível para perceber todos os aspectos históricos, sociais, políticos,
costumes e tradições para enriquecer a interpretação dos atores.
A ele compete fazer com que os atores leiam o texto por inteiro,
a fim de que todos o conheçam, interpretem e entrem no espírito da
narrativa.
Depois disso é que, cada um dos atores passa a memorizar as suas
falas.
Interpretar não é somente conhecer o texto e sua fala, mas é
necessário que o ator passe por experiências da vida real. Assim, se um
ator tiver que interpretar a figura de um professor, ele deverá observar
o trabalho e o comportamento desse profissional dentro da sala-de-
aula e no ambiente da escola, fazendo - assim - o que no meio dá-se o
nome de “laboratório”.

Texto
Para uma peça de teatro, o texto não necessariamente deve ser
especial para ser representado.
Podemos citar dois tipos de texto.
Um para ser representado, ou seja, escrito para receber uma
interpretação; e aquele que é adaptado, no caso um conto, um
romance ou uma crônica e até mesmo um poema. Como exemplo de

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poemas adaptados, podemos citar "Morte e Vida Severina”, de João
Cabral de Melo Neto e Romanceiro da Inconfidência, de Cecília
Meireles.
Praticamente, todos os textos para teatro contêm diálogos. Isso
porque as peças têm mais de um personagem e eles falam, trocam
opinião, discutem e são interlocutores dentro de um texto que exige a
troca de informações entre os componentes da peça.
Existem peças em que somente um personagem atua. Assim
teremos o monólogo, ou seja, a fala de um só ator. Exemplo de
monólogo é “As Mãos de Eurídice”, de Pedro Bloch.

Atores
Conforme colocamos antes, o teatro no Brasil tem um relativo
sucesso graças aos atores que também atuam na televisão. Seus rostos
e corpos atraem mais do que a capacidade interpretativa. Entretanto,
não é isso que se viu sempre e o valor está, primordialmente, na
capacidade de interpretar.
Ser ator é abraçar uma profissão fundada na capacidade que a
pessoa tem de ser ela e ser múltipla. Isso nasce com a pessoa e o artista
carrega e cultiva esse dom por toda a sua existência.
O bom ator deve ser sensível, ter capacidade para se comunicar,
disciplina, capacidade de expressão no falar e no movimento do corpo,
memória e percepção da realidade.

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Considerações sobre o Teatro
O teatro brasileiro, de modo geral, sempre enfrentou graves
problemas. Dois deles se destacam por interferir, sobremaneira, na sua
qualidade cultural. O primeiro é de ordem financeira. Se há neces-
sidade de financiamento, os juros bancários são uma barreira e o
aluguel das salas não deixam margem para que haja lucro ou mesmo
um equilíbrio nas contas. Com isso qualquer iniciativa tende à
falência.
O problema número dois é o da linguagem. Ao acompanhar a
evolução política do país, o teatro engajou-se e explorou os temas
sociais, mas quem freqüentava o teatro era a própria burguesia que o
dramaturgo combatia e que, com sua presença, acabava financiando o
espetáculo.
Exemplos de textos nessas condições são: Eles não Usam Black-
tie, de Gian Francesco Guarnieri e o Pagador de Promessas, de Dias
Gomes.
Outro exemplo foi o Teatro de Arena com sua proposta de fazer
teatro e política, mas alguma coisa nisso tudo ficou prejudicada,
restando apenas a aura intelectual dessas iniciativas.
Poderia o teatro nacional fugir à condição de explorar o drama do
oprimido para centrar suas atenções na transformação porque passa a
classe dominante, sob um ponto de vista revolucionário, tanto no
conteúdo quanto na estética, conforme o fizera Brecht, com grande
esforço, divorciando-se de toda a tradição do teatro europeu?
Os grandes mercados para espetáculos teatrais são o Rio de
Janeiro e São Paulo. Se ontem havia o exagero da crítica à classe
dominante, hoje as peças abordam temática de dramas circunstan-
ciados no cotidiano das grandes metrópoles. E a fórmula traz resul-
tados nas bilheterias, mas não significa qualidade. Percebe-se que o
apelo não acontece só com os temas, mas com os rostos bonitos que
aparecem nas novelas de TV. Dessa forma, pode-se calcular que do
Oiapoque ao Chuí a realidade brasileira fica pasteurizada, proporcio-
nando uma aculturação indesejável.
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O Teatro em Poços de Caldas
A primeira notícia sobre um grupo de teatro na vila de Poços de
Caldas está no jornal Município de Caldas, número 43, página 2, de 18
de fevereiro de 1900: “Em Poços de Caldas, nas noites de 24 e 25 do
corrente, pelo Grupo Drammático d'aquella Villa, dirigido pelo
cidadão Antonio Rodrigues de Paiva, serão levados á scena o
importante drama “A Greve dos Operários” e a comédia “Os Irmãos
das Almas”.
Entretanto, o primeiro teatro, como casa de espetáculo em
Poços de Caldas, data do ano de 1904, quando o fotógrafo Manuel
Barbosa de Sá Vasconcelos inaugura na Praça da Colúmbia, o seu teatro
Odeon-Armilla, em homenagem à sua filha Armilla Vasconcelos, com o
objetivo de reunir um grupo de atores em que figuravam: jovens
locais, ele, a filha e a esposa, Amélia Vasconcelos.
Vasconcelos despertou na juventude, daquele começo do século
XX, a arte da representação. Para isso os sócios do recém-criado Clube
Recreativo Beneficente decidiram contratar o ator e cenógrafo Pedro
Senna, vindo de Ribeirão Preto, para dar aulas de interpretação às
pessoas interessadas em atuar no teatro.
A primeira peça escolhida para ser ensaiada foi O Juramento
Maldito, de autor não mencionado, baseada em fato real ocorrido em
Paris, França, no mês de maio de 1901.
No dia 13 de junho levou-se ao público no Teatro Odeon-Armilla
as seguintes comédias: Um rapto masculino e A raiz maravilhosa; o
Vaudeville (comédia musicada) Maricota; e a cançoneta Assim...
Assim, todas sem referência de autor.
O primeiro grupo artístico teatral de outra localidade a se
apresentar em Poços foi o de Carlos Califani, proveniente de São Paulo,
que encenou A Passagem do Ventre Humano - 1ª Parte - no Teatro
Odeon-Armilla nos dias 5 e 9 de novembro de 1904. Infelizmente,

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segundo o jornal, “a pouca concorrência e, sobretudo, o tempo
chuvoso não corresponderam aos esforços dos talentosos artistas cujo
mérito real demonstraram nas peças em que se exibiram”.
A receita propiciada pelos espetáculos mal deu para a despesa.
Os gastos com música, aluguel do teatro, imposto, foguetes e
dispêndio com empregados importaram em soma tal que apenas se
verificou um saldo de dez tostões.
O articulista FAPA, pseudônimo do jornalista Fausto de Paiva,
filho do também jornalista José Augusto de Paiva Teixeira, Casusa,
proprietário do jornal Revista de Poços, em seu texto crítico dizia:
“Se quisermos ter bons espetáculos em Poços; se desejarmos a
freqüência de bons artistas, que nos proporcionem noites de agradável
diversão, é preciso que se reduza o preço das despesas para os espetá-
culos porque, afinal, se isso não fizerem os interessados, e se as boas
companhias não nos procurarem, é certo que quem terá prejuízo não
serão elas, porque aqui não virão, mas aqueles que se locupletem com
a sua temporada quando elas aqui vêm”.

Acervo: MHGPC

Teatro Odeon-Armilla - Praça da Colúmbia -1904

No dia 11 de dezembro de 1904 o Teatro Odeon-Armilla abrigava


a peça Os Vampiros Sociais, escrita por Araújo Pinheiro, de São Paulo,
que foi ensaiada pelo Grupo Amador Filhos de Talma. Não se fazia
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referência sobre quem eram os componentes desse grupo. Na ocasião
foi também apresentado o Vaudeville Cada doido com sua mania, sob
a regência do maestro José Pinto de Aguiar, vindo de São João da Boa
Vista, que recebeu $341 mil réis, renda líquida do espetáculo, como
pagamento pelo seu trabalho.
No dia 13 de novembro a Companhia Califani, por causa da chuva
torrencial, não pôde apresentar a 2ª parte de A Passagem do Ventre
Humano que, segundo o crítico FAPA, fizera grande sucesso em
Montevidéu, Buenos Aires e São Paulo.
Em 27 de novembro a Companhia realizou o musical com a atriz
Eugênia Califani, apresentando a ária Música Proibida, cuja renda foi
revertida para a atriz.
No dia 15 de janeiro de 1905, pelo Clube Dramático Beneficente,
foi levado ao palco o monólogo O caos, com o ator Fausto de Paiva.
Segundo notícias, os espectadores assistiram, pela primeira vez, a essa
modalidade de representação.
Em fevereiro do mesmo ano, o Clube Dramático Beneficente
levava a peça, em três atos, Tio Padre, com os seguintes atores: Pedro
Luna, Chrysantho Alves, Sebastião Fernandes Pereira Júnior, Expedito
Pereira e Arminda Teixeira. A renda foi revertida em benefício da atriz
Arminda Teixeira. Naquela época mencionava-se como benefício o fato
de a renda do espetáculo ser destinada a um ator, como forma de
pagamento.
O ator Quito apresentou a comédia ou cena cômica Não me
importo com a vida alheia. E o grupo levou a comédia em um ato
Choro ou Rio.
A própria condição cultural e intelectual da época não fez evoluir
o teatro na vila de Poços.
Entre as décadas de 1910 a 1950 vários prédios destinados ao
teatro de variedades e cinema foram construídas, como o Cine-Teatro
Politeama, na Avenida Francisco Salles e o Radium, na Praça Pedro
Sanches, que se tornaram casas da moda durante alguns anos.
Ali eram exibidos os primeiros filmes mudos, que conquistaram
todas as classes sociais. Abriram-se os cassinos para oferecer inúmeras
diversões aos banhistas tais como: o jogo, a música, os espetáculos de

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mágica e ilusionismo. Isso, de alguma forma, acabou por prejudicar a
evolução do teatro amador e os atores poços-caldenses recolheram-
se.
Nos anos de 1920 a 1950 surgem nos palcos dos cassinos os
cantores e dançarinos, com algumas operetas e comédias musicais.
Assim o público da época pôde apreciar as apresentações, nos anos de
1920, das Companhias de Arte Dramática Abgail Maia e A. Giordanno,
de São Paulo; Nacional de Comédias, do famoso ator e diretor
Leopoldo Fróes, do Rio de Janeiro.
A partir da década de 1930 sobressaíram-se as atividades do
Rádio. Em 1933, a então recém-fundada Rádio Cultura de Poços de
Caldas reunia os melhores músicos e cantores de rádio para aqui se
apresentarem, tais como: Francisco Alves, Marília Batista, Carmen
Miranda, Aurora Miranda, Luiz Gonzaga, Vassourinha, Ary Barroso e
tantos outros.

Acervo: MHGPC

Cine-Teatro Politeama-1912

Ary Barroso, pianista, compositor e criador de “No Tabuleiro da


Baiana” e “Aquarela do Brasil” já estivera atuando, por volta de
1927,em Poços de Caldas, como pianista do Jazz Band Club ao Ponto.
Nessa época, pode-se dizer, teve início o seu aprendizado como
compositor, trabalhando numa cidade tranqüila e em companhia de
músicos de reconhecida competência artística como Nico Duarte.
Segundo registros e informações de sua filha Mariúza Barroso, o
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compositor voltou para trabalhar em Poços de Caldas entre os anos de
1930 e 1945.
No início de 1930 surgiu o Grupo Dramático de Amadores
Caldenses que apresentou peças teatrais de caráter lírico-amoroso,
como O Priminho do Coração, destacando-se o ator Reinaldo Barbosa,
conforme noticiava o jornal Revista de Poços.
Em agosto de 1944, a Rádio Cultura, tendo como diretor teatral
Walter Lambert, programava o Rádio-teatro Cultura, levando ao ar
peças como Divino Perfume, de Renato Viana; ou A Vingança do
Judeu. Do elenco da emissora faziam parte os rádio-atores Alva
Mussolin e Ramalho Júnior.
Não faltavam as Companhias de Comédia, com a de Jayme Costa
e outros que eram contratadas para atuar no Cine-Teatro Cassino, no
Cassino Balneário da Urca, Cassino Caldense, Cassino Gibimba, Cassino
Imperial e Cine-Teatro Politeama. Em dezembro de 1943, Jayme Costa
e a sua Companhia iniciavam a temporada poços-caldense com A
Família Lero-Lero.

Acervo: MHGPC

Cine-Teatro Radium - 1929


Ainda nos anos de 1940 a 1950 a imprensa registra a freqüência,
nos palcos dos cassinos de Poços de Caldas, de artistas contratados
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para iniciarem temporadas nos cassinos do Rio de Janeiro, passando
por Santos, Caxambu, São Lourenço.
Trabalharam nos cassinos poços-caldenses: Arrelia, comediante;
Antônio Marzo, ator; Alvarenga e Ranchinho, dupla de cantores serta-
nejos; Balé Atlântico, grupo de dança; Berry Brothers, bailarinos de
teatro e cinema; Carlos Galhardo, cantor romântico; Carlos Machado,
orquestra e teatro de revista; Carmen Brown, dançarina e cantora
afro-cubana; Colé e Celeste Aída, comediantes; Eduardo Garcez,
cantor; Fernando Borel, cantor; Dircinha Batista, cantora; Emilinha
Borba, cantora; Grande Otelo, comediante; Dick Farney, cantor;
Haymond, transformista; Gregório Barrios, cantor; Juan Daniel,
cantor; Libertad Lamarque, cantora argentina; Luís Gonzaga, cantor e
compositor; Marília Franco, bailarina do Teatro Municipal do Rio de
Janeiro; Mário Canaro, orquestra; Marlene, cantora; Pedro Vargas,
cantor uruguaio; Richiardi Júnior, companhia de balé; Trigêmeos
Vocalistas, cantores; Rosina Pagã, cantora; Virgínia Lane, vedete do
teatro de revista e Zulma Antunes, cantora.

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O Centro Teatral Léo Ferrer
O teatro amador local só volta a ser cultivado quando, em 1950,
um grupo de jovens liderados por Sebastião Pinheiro Chagas, natural
de Oliveira-MG, afeito às questões de ordem cultural; advogado e,
mais tarde, Diretor dos Serviços Termais, deputado estadual e prefeito
de Poços de Caldas, cria o Centro Teatral Léo Ferrer.
Destacamos que, o chefe de gabinete do Secretário da Saúde -
Pio Canedo - Sebastião Pinheiro Chagas veio para Poços de Caldas no
final do ano de 1946 para conciliar uma briga entre médicos das Termas
“Antônio Carlos”. Resolvida a questão, Chagas acabou sendo atraído
pelas belezas da cidade e aqui permaneceu.

Atores do Centro
Teatral
“Léo Ferrer” - 1950
Marlene Lamberti,
Maria Rosália Dias,
Newton Delgado, Myrtes
Ferreira e Silva, Cecília
Guelfi, Otávio Junqueira
Toledo, Nina Fazzini,
Maria Helena Ayres,
José Donaldo Santamaria,
Luiz Sodré Ayres,
Iolanda Sólia, não
identificado, Benigno
Gaiga.

Glauco Bertozzi, Ana


Cecília Pinheiro Chagas,
Acervo: Yeda Bertozzi

Maria Cláudia
e Sebastião Pinheiro
Chagas.

24
O grupo, que desenvolveu inúmeras atividades apresentando
peças de humor em Poços e cidades vizinhas, tinha como participantes
atores, técnicos ou diretores: Agenor Ferraz, Angelina Ponce, Antônio
Gomes, Asdrúbal de Moraes Andrade, Atílio Jacometti, Benedito Pires,
Benedito Ribeiro, Benigno Gaiga, Carmen Fazzini, Cecília Maran
Guelfi, Celeste Lemos Junqueira, Cleveland Perrone, Djalma Ayres
Filho, Donato Andrade, Éder Trezza, Edvaldo Beccaro, Geraldo Tasso
de Andrade, Glauco Bertozzi, José Amarante Junqueira, José Donaldo
Santamaria, José Graco Bertinatto, Júlio Beccaro, Jurandir Ferreira,
Leny Carmargo Andrade, Luiz Sodré Ayres, Márcio Chaves Magalhães,
Maria Alice Junqueira, Maria Aparecida Bonifácio, Maria Cecília
Pinheiro Chagas, Maria Glória Silveira, Maria Helena Aires, Maria Lígia
Marinoni, Maria Rosália Dias, Marisa Fonseca, Marlene Lamberti,
Mercedez Fazzini, Moacir Carvalho Dias, Myrthes Ferreira e Silva,
Newton Delgado, Neyde Andrade, Nina Fazzini, Nízia Pereira, Romeu
Ferreira, Rubenita Tavares, Otávio Junqueira Toledo, Sebastião Nora,
Sebastião Pinheiro Chagas, Wagner Durante e Yara Andrade (Brasil).
Em artigo escrito em 6 de dezembro de 1950, para o Jornal Diário
de Poços, Pinheiro Chagas assim falava sobre a primeira experiência a
ser desenvolvida pelo Centro Teatral Léo Ferrer:
“Como primeira experiência do Centro Teatral Léo Ferrer,
agremiação que será brevemente organizada em Poços de Caldas,
subirá à cena, amanhã, no Teatro da Urca, uma interessante comédia
sob aspectos habituais da vida brasileira. Singela nos seus diálogos,
modesta nos seus recursos técnicos, a peça a ser estrelada amanhã
tem, no entanto, o condão mágico de estimular aqueles que se
dedicam aos assuntos teatrais, hoje em dia mais compreendidos
pelas elites e mesmo pelas multidões que superlotam as nossas
pequenas e grandes platéias".
O movimento teatral dos estudantes em todas as capitais
criando uma outra atmosfera social para o drama e para a comédia
tomou corpo, dominou horizontes nunca dantes poetizados e fez com
que novos talentos se abrissem para a glória.
Muitos desses, de uma só arrancada, como é o caso de Sérgio
Cardoso, o genial intérprete de Hamlet no Teatro dos Estudantes,
consagraram-se de uma noite para o dia, saltaram espetacularmente
do amadorismo escolar da Universidade para o profissionalismo
técnico do Teatro Brasileiro de Comédia.
25
“Não queremos, os amadores locais, ir a tanto em relação a
nosso teatro, ainda incipiente porque, para a consecução desse fim, é
evidente que precisaria a nossa rapaziada contar com aquelas forças
conjugadas do capital e ajuda técnica de primeira categoria”.
Ora, o que se pretende na Estância, o que se revela querer a
mocidade unida sob a bandeira de Léo Ferrer, é caminhar do simples
para o complexo que representa, por si só, um bom método para
vencer. É experimentar o seu engenho e arte por etapas racionais de
tal modo que não se cometam transtornos e nem se levem sustos".
Naquele mês de dezembro, o teatro concorria com as apresen-
tações de Luiz Gonzaga, o rei do baião, que estava sempre presente na
cidade, quer para descanso ou a trabalho, tanto que possuía uma
chácara nas imediações da Rua Serro Azul, no bairro Santana.
Em 10 de janeiro de 1951 o Centro Teatral Léo Ferrer apresen-
tou-se no Teatro da Urca, encenando O Beijo que Era Meu, cuja renda
foi revertida para a Santa Casa.
Participaram desse espetáculo os atores: Agenor Ferraz, Geraldo
Tasso Rocha, Glauco Bertozzi, Maria Cecília Guelfi, Marisa Fonseca,
Neyde Andrade, Newton Delgado, Nízia Pereira e Yara Andrade. A
direção foi de Sebastião Pinheiro Chagas e Celeste Lemos Junqueira. A
equipe técnica era composta por Otávio Toledo, diretor de cena; José
Amarante Junqueira, diretor artístico; Maria Cecília Lobato Pinheiro
Chagas, ponto; Nina Fazzini, contra-ponto.
Nesse mesmo mês o grupo fez uma apresentação na cidade de
Caldas.
Em agosto de 1951 o Teatro “Léo Ferrer” ensaiava Joaninha
Buscapé, de Wanderley Lara, sob a direção de Celeste Lemos
Junqueira e Moacir Carvalho Dias. Em setembro era levada As Mãos de
Eurídice, de Pedro Bloch, com os atores Donato Andrade e Atílio
Jacometti. Além de outras como: Priminho do Coração, Erro
Judiciário, Feitiço, Terra Natal e A Ceia dos Cardeais.
No ano de 1952, encenaram Não Me Conte Esse Pedaço,
comédia de Miguel Santos, tendo como atores: Angelina Ponce, Ana
Andrade, Agenor Ferraz, Glauco Bertozzi, Maria Cecília Guelfi, Myrtes
Ferreira, Newton Delgado, Neyde Andrade, Nízia Pereira e Sebastião
Nora.
26
A Pupila dos Meus Olhos, de Joracy Camargo, em 1953, teve a
direção de Sebastião Pinheiro Chagas, com a equipe técnica composta
por Nízia Pereira, Anésia Camargo Andrade e Zilda Andrade e os atores:
Éder Trezza, Edwaldo Beccaro, Antônio Gomes, Márcio Magalhães,
Maria Glória Silveira, Maria Lygia Marinoni, Neyde Andrade, Leny
Camargo Andrade, José Donaldo Santamaria, Rubenita Tavares e José
Gracco Bertinatto.
O jornalista e advogado Romeu Ferreira, em artigo para o jornal
Diário de Poços, tecia comentários elogiando a disposição dos “jovens
artistas em manter viva a chama do teatro local”.
A última peça apresentada por esse grupo foi Irene, de Pedro
Bloch, levada também aos palcos de Alfenas, com grande presença de
público e com muitos elogios da imprensa daquela cidade, conforme
relato de João Luiz Lacerda em seu livro “Teatro de 55 anos”, de 1998.
Ainda é Lacerda quem diz: “O teatro “Léo Ferrer” foi um dos melhores
conjuntos de amadores de Minas”. (pág. 97)
Participaram os seguintes atores: Marlene Lamberti, Maria
Rosália Dias, Newton Delgado, Myrtes Ferreira e Silva, Maria Cecília
Guelfi, Maria Helena Ayres, José Donaldo Santamaria, Luiz Sodré
Ayres, Yolanda Sólia, Glauco Bertozzi, e Sebastião Pinheiro Chagas. A
direção foi de Benigno Gaiga e Sebastião Pinheiro Chagas. A equipe
técnica era composta por Otávio Junqueira Toledo, Ana Cecília Lobato
Pinheiro Chagas e Nina Fazzini.
Em 26 julho de 1953 o Centro Teatral “Léo Ferrer” traz a Escola
de Arte Dramática de São Paulo para realizar uma apresentação na
Urca.
O grupo era dirigido por Alfredo Mesquita que, antes do espetá-
culo, falou sobre o sentido cultural da Escola de Arte Dramática, expli-
cando que o teatro do futuro seria o de equipe. E, dessa forma, ele
estava conduzindo os alunos da EAD, pois além de interpretar, seus
alunos faziam a montagem dos cenários, costuravam as roupas, faziam
a sonoplastia e os efeitos de luz.
No dia foi apresentada a peça de Tennessee Willians, “À Margem
da Vida”, em dois atos, com os atores Geraldo Mateos, Floramy
Pinheiro, Rosires Rodrigues e José Henrique de Carti. A direção coube
ao teatrólogo Alfredo Mesquita e os cenários de Clóvis Graciano.

27
Mais peças foram apresentadas nos dias 27 e 28. Ressonâncias, de
Abie Gerstenburg, com os atores Flora Basaglia, Iara Pensinotto, Marly
Mendonça e Dione Isabel; Quando a Lua Nasce, de Lady Gregory,
contando com os atores Jorge Fisher Jr., Jorge Andrade, Durval de
Souza, Armando Pedro e Geraldo Mateos; Viagem Feliz, de Thornton
Wilder, com Jorge Fisher Jr., Maria Madalena Diogo, Flora Basaglia,
Jorge Andrade e Maria do Carmo Bauer.
A vinda da Escola de Arte Dramática foi um momento de apren-
dizado para o Centro Teatral, cujo grupo esteve junto por quatro anos.
Continuaram envolvidos com o teatro amador: Maria Bonifácio,
Benigno Gaiga, Glauco Bertozzi.
Sebastião Pinheiro Chagas não foi somente ator ou diretor de
peças teatrais. Como dramaturgo deixou algumas peças, inéditas,
entre elas: Espelho Maldito, drama em três atos; Poços de Caldas
Só... Riso, escrita em 1952, que permanece na gaveta. O objetivo do
autor era o de homenagear a cidade. Em seu primeiro ato, o texto fala
da descoberta das águas termais; no segundo, aborda o tema relaci-
onado aos cassinos e ao carnaval; no terceiro enfoca a Poços cente-
nária e o quarto, inacabado, apresenta a cidade a partir dos anos de
1960.
No primeiro ato encontramos a figura de Frank, personagem que
dá o tom inicial ao texto, dizendo:
“Sou o cronista Frank. Cronista social, bem entendido... Vocês
vão me conhecer de fama... Outros - graças a Deus... não me toleram.
Sou muito falado aqui nos Poços. Falado porque falo de muita gente...
porque não fico de boca fechada, quando descubro alguns escandalo-
zinhos, em nossa mui severa e pacata sociedade. Sou, como se vê, um
fofoqueiro e de marca maior. Também pudera, sou cronista social. Por
isso mesmo, para fofocar, com engenho e arte, procurei conhecer a
cidade na palma da mão, vasculhando-a no presente e no passado. O
resultado a que cheguei, lendo as crônicas e histórias da cidade,
conversando com os mais velhos sobre os fatos mais importantes que
aqui se deram, uns sérios e outros de fazer a gente morrer de rir... E
isso todos vão conhecer agora".

28
Grupo de Teatro Vila Cruz
A Vila Cruz é um dos bairros mais antigos e tradicionais de Poços
de Caldas. O princípio da sua formação dá-se com a chegada dos
imigrantes italianos. A distância entre o núcleo central da então vila de
Poços de Caldas fazia com que a Vila Cruz fosse considerada zona rural.
Com o tempo a Vila foi crescendo e tornou-se um núcleo
autônomo, com vida própria, tendo atividades de comércio, indústria,
serviços e cultura muito ricas.

Teatro da Vila Cruz - 1953

Acervo: Anita Zanatta

Em pé: Valentino Rodrigues Bento, João Ramos, Anita Zanatta,


Maria Aparecida Mota e Nancy Carlos.
Sentados: Ivone Barreto, Olga Carlos e Vênus Duarte.

Das reuniões no Salão Paroquial, todas as noites, surgiu - no final


do ano de 1953 - o Grupo de Teatro Vila Cruz, coordenado por Vera
Beatriz Pesente, professora da Escola São Sebastião, autora da peça
Viagem Inesquecível, contando com o apoio do padre George M.
White, conhecido como o “padre índio”.
29
Os atores que participavam do grupo eram: Abel Braz, Anita
Zanatta, Antônio Chiocheti (Niquinho), Ari Loro, José Alves (Avestruz),
Douglas Miglioranzi, Elza Miglioranzi Carlos, Eurípedes, Henrique de
Freitas, José, Luís Carlos Loro, Manoel, Nanci Miglioranzi Carlos,
Nelson Miglioranzi Carlos, Nilbes Vitti, Pedro Merli, Reginaldo Victor
Zangiacomi, Rubens Custódio, Terezinha Neri, Terezinha Zanatta da
Costa, Valentino Rodrigues Bento, Vanildo Manoel do Prado e Vênus
Maria Duarte.
Ressalte-se que o jovem Valentino, estudante de rara inteli-
gência, escreveu a peça Hotel do Sossego, representada pelo grupo.
Segundo as informações que nos passou Douglas Miglioranzi, o
grupo não contava com recursos financeiros e o guarda-roupa utilizado
nas apresentações era improvisado com roupas comuns, do dia-a-dia.
Não eram cobrados ingressos para que os espetáculos fossem
assistidos.
Excetuando a professora Vera, todos os integrantes do grupo
tinham, na época, entre 13 e 15 anos de idade. Apresentavam-se no
Salão Paroquial e eram convidados a atuar nas em cidades vizinhas,
como Botelhos e Caldas, onde levaram a peça Chica Boa.
Importante destacar que o grupo esteve ativo até 1959 e não era
vinculado à Escola, mas ao movimento de jovens da Paróquia de São
Sebastião da Vila Cruz, dirigida pelos padres Oblatos, cujo vigário era o
padre William Thomaz Lindkoogal.

30
Poços de Caldas Recebe o
Teatro de Vanguarda
A 10 janeiro de 1957 a Companhia Tonia-Celli-Autran - consti-
tuída pelos atores Tonia Carrero, Benedito Corsi e Anny Cachet -
apresentou-se no Teatro de Bolso do Palace Cassino com Um Deus
Dormiu lá em Casa, do escritor Guilherme de Figueiredo. O aconteci-
mento trouxe ânimo a alguns aficionados do teatro, mas não foi
possível constituir um grupo que trouxesse de volta aos palcos os
amadores poços-caldenses.
No início de 1959, o jornal Folha de Poços de Caldas noticiava a
presença de um grupo de São Paulo, que iniciava o chamado “Teatro de
Arena”; Os atores vieram representar Eles não usam Black Tie, de
Gian Francesco Guarnieri e À Margem da Vida, de Tennessee Willians.
Segundo o jornal, “foi uma revelação; foi a descoberta do teatro
pelo público de nossa cidade. Foi o acontecimento artístico da
estação”.

Eles não usam


black-tie, de
Gianfrancesco Guarnieri.

Da esquerda para a
direita: Oduvaldo
Vianna Filho, Vera
Gertel, Milton
Gonçalves, Celeste
Lima, Flávio Migliaccio,
Xandó Batista,
Henrique César e
Lélia Abramo

31
O Grupo de Teatro do SESC
A unidade do Serviço Social do Comércio - SESC - de Poços de
Caldas foi inaugurada em abril de 1959, e sua primeira diretora foi a
professora Yeda Tarquínio Bertozzi, que em agosto de 1960 tornou
possível a criação do Grupo de Teatro SESC.
No mês de junho, sob a direção de Glauco Bertozzi, foram
encenadas as peças Pluft, o Fantasminha, de Maria Clara Machado,
com os atores Euclides Mendes, Allan Kardec, João e Sebastião Banhos.

Teatro do SESC - 1960 - Peça: Pluft, o fantasminha

Acervo: SESC

Atores: Euclides Mendes, Allan kardec, João e Sebastião Banhos

No decorrer dos anos foram levadas: Irene, de Pedro Bloch, com


Matilde Guidugli, Victor Corrêa, Maria José Geraldi, Glauco Bertozzi,
Sebastião Banhos e Marco Antônio Valadares Guimarães.

32
Do Tamanho de Um Defunto, de Millor Fernandes. Direção de
Marco Antônio Valadares Guimarães. Atores: Paulo Roberto Silva, Jamil
Gerônimo, Elfrida Maywald e Sebastião Banhos. Equipe técnica:
Messias Franco, Sebastião Bastos, Luiz Carlos Moure, José de Souza,
Susie Francis, Matilde Guidugli, Zilda Paulino e Carlos Roberto
Machado.
Alguns atores da época: Euclides Mendes, Maria Ângela Prezia,
Mariza Baldini, Maria José Geraldi, Joaquim, João Batista, Glauco
Bertozzi e Allan Kardec.
Sempre ativo por tradição, o Teatro SESC volta em 1985,
contando à época com quatorze integrantes entre atores e técnicos e
todo o trabalho do grupo estava voltado para o teatro infantil.
Em seu período mais produtivo, o grupo apresentou as
seguintes peças: E Agora..., de Ivan José; Noite na Repartição, de
Carlos Drummond de Andrade; A Arte de Ser Feliz, de Cecília Meireles;
Alma de Outro Mundo, de Figueiredo Pimentel; A Bruxinha que Era
Boa, de Maria Clara Machado.
Teatro do SESC - 1963 - Peça: Irene, de Pedro Bloch

Acervo: Nicionelly Carvalho

Atores: Matilde Guidugli, Victor Corrêa, Maria José Geraldi, Glauco


Bertozzi, Sebastião Banhos, não identificada e Marco Antônio Valadares.

33
O Grupo do SESC esteve composto dos seguintes atores: Andréa
Viana, César Augusto Marques, Débora Cristina Alves, Edna Zangiacomi
Martinez, Fábio André Albuquerque, Geraldo Abreu, Graça Alves,
Lucimar Spinelli Sargaço, Luiz Carlos Alves, Luiz Gustavo Ribeiro
Noronha, Marcos Nogueira de Lima, Rosemeire Marquesine, Sandra
Zangiacomi Martinez, Sílvia Zanetti, Vanderson Medina, Waldir Pereira
do Lago e Wilde Pereira Dias.
Na direção geral estava Durce Helena Gouveia. No apoio técnico
e artístico: Geraldo de Abreu, Pedro Lima, Roberto Bonifácio, Luciana
Valverde, Nilva, Evaristo Gomes e Mário Donizete Gouveia. Diretor:
Marcos Nogueira de Lima.
Em 1995, com incentivo de sua diretora, Durce Helena Gouveia,
o SESC retomou as atividades ligadas ao teatro, encenando O Diário de
Karina. Além disso, abriu suas portas para que grupos novos pudessem
ocupar o espaço destinado à representação, e mesmo para que a
diretora do Teatro Alvorada, Nicionelly Carvalho, ministrasse curso
básico de teatro para associados e pessoas interessadas.

34
O Teatro do Estudante
Esse grupo teatral, presidido por Gaspar Eduardo de Paiva
Pereira, surgiu em 1959. Na ocasião alguns jovens se reuniam na Casa
do Rádio, de Orlando Gaiga, e ali tiveram a idéia de organizar o Teatro
do Estudante.
Assim, agruparam-se em torno dessa idéia os jovens: Aristóteles
Abreu, Beatriz Viviani, Icílio Bonazzi, João Bosco Simões, João Carlos
de Delduque de Paiva, José Edwaldo Alexandre (Doca) e Yara César de
Miranda. Gaspar Eduardo Paiva Pereira era o presidente; Orlando
Gaiga, o técnico de som e iluminação; Benigno Gaiga, o diretor.

Teatro do Estudante
Aristóteles Abreu,
João Bosco Simões,
Icílio Bonazzi,
José Edwaldo Alexandre
Orlando Gaiga,
Gaspar E. P. Pereira,
Benigno Gaiga e João
Carlos de Paiva Xandó
Beatriz Viviani e
Yara César de Miranda.
Acervo: Gaspar Eduardo de Paiva Pereira

A primeira peça apresentada ao público foi Testemunha de


Acusação. Com ela os jovens estudantes percorreram algumas cidades

35
da região e tiveram oportunidade de ensaiar outras e levá-las com
grande sucesso.
Uma delas foi Almas em Conflito, em três atos, primeira peça
escrita pelo jovem Icílio Bonazzi, cuja apresentação ocorreu no Teatro
de Bolso do Palace Cassino, em 28 de julho de 1959.
Atuaram no espetáculo: Beatriz Viviani, José Edvaldo Alexandre,
Yara César de Miranda, Lúcia Beatriz de Freitas, Marisa Baldini, Dgeney
Diniz de Melo e João Bosco Simões.
A direção coube a Benigno Gaiga e a equipe técnica era composta
de José Carlos Delduque de Paiva, Orlando e Plínio Gaiga.
Esse Grupo permaneceu atuando até 1963.

36
O Teatro na Associação Atlética Caldense
A presença dos atores do Teatro de Arena, no ano de 1959, incen-
tivou Benigno Giordano Gaiga a criar o Teatro de Arena dentro da
Associação Atlética Caldense, aproveitando sócios do clube como
atores.
O grupo de amadores, organizado em 1963, recebeu o nome de
Teatro Icílio Bonazzi, em homenagem ao filho do professor Júlio
Bonazzi que havia falecido em um acidente automobilístico na Avenida
João Pinheiro. Vale mencionar que Icílio Bonazzi pertenceu ao Teatro
do Estudante.
A primeira peça encenada foi Paiol Velho, de Abílio de Almeida,
tendo como atores: Sebastião Banhos, Allan Kardec Lino, Maria Helena
Oliveira, Zina dos Santos, José Carlos de Faria, Enedina Marques de
Souza, Wanderley Rodrigues, Marco Antônio Latrônico, José de Souza e
Hilton José Mendes. O grupo extinguiu-se no início de 1964.

37
O Grupo de Teatro Alvorada
Na seqüência, Benigno Gaiga não perdeu tempo e criou o Grupo
Teatro Amador Alvorada, em janeiro de 1966.
Conforme depoimento de uma das fundadoras, Anna Maria
Avelino Ayres, a estréia do grupo deu-se em São José do Rio Pardo, em
1966, quando foi levada a peça Feia, de Paulo Magalhães. Depois, em
abril, ela foi apresentada no Teatro de Bolso do Palace Cassino.
Era a primeira experiência do grupo com grande sucesso. O
público que lotou as dependências do Teatro de Bolso não economizou
aplausos para aquele elenco, cujos atores eram: Malvina Gonçalves,
Maria do Carmo Faria, Sebastião Afonso Bastos, Luiz Carlos Borges,
Nicionelly Carvalho, Anna Maria Avelino Ayres, Rubens Pinto Rodrigues
e José Carlos do Lago. A direção coube a Benigno Giordano Gaiga.
De agosto de 1966 e no ano de 1967 o “Alvorada” apresentou-se
em diversas cidades da região, tanto no Estado de Minas, quanto no
Estado de São Paulo, levando A Expiação do Passado, peça com
mensagem espírita, escrita por Nicionelly Carvalho; ou Alma do Outro
Alma do Outro Mundo - 1966 Acervo: N. Carvalho

Eduardo Paiva, Luiz Carlos Borges, Nicionelly Carvalho, Malvina


Gonçalves, Benigno Gaiga, “Cabelinho”, Rubens Rodrigues,
Marco Antônio Latrônico e Anna Maria Avelino Ayres.

38
Mundo, de F. Napoleão de Vitória, cujo espetáculo contava com os
seguintes atores: Anna Maria Avelino Ayres, Marco Antônio Latrônico,
Rubens Pinto Rodrigues, Luiz Carlos Borges, Nicionelly Carvalho,
“Cabelinho”. Contra-regra: Malvina Gonçalves; direção: Benigno
Gaiga.

Segundo pesquisa realizada, 60% do público aprovou o espetá-


culo.
Preocupado com o aprimoramento dos atores, Gaiga promove,
no início de 1967, o primeiro curso de teatro, ministrado em Poços de
Caldas pelo professor Mário Pavão.
No ano de 1967 quatro espetáculos foram programados:
39
A Cigana Me Enganou, comédia romântica de Paulo Magalhães.
Atores: Sebastião Bastos, Nicionelly Carvalho, Marco Antônio
Latrônico, Anna Maria Avelino Ayres, Vera Ribeiro, Malvina Gonçalves,
José Luiz Escandiussi. Equipe técnica: Guiomar Viana, Rubens
Rodrigues e Marlene Grasman. Direção: Benigno Gaiga
A Cigana me Enganou - 1967

Acervo: N. Carvalho
Em pé: Rubens Rodrigues, Guiomar Viana e Benigno Gaiga,
Sentados: Sebastião Bastos, Nicionelly Carvalho, Malvina Gonçalves, Marco Antônio
Latrônico, Anna Maria Avelino Ayres, José Luiz Escandiussi e Vera Ribeiro.

Os Inimigos não Mandam Flores, de Pedro Bloch.


Atores: Magaly Guidugli e Álvaro Alves. Equipe técnica: Armando
Brunelli Santos, Maria Tereza e Carlos Alberto Casalinho. Direção:
Nicionelly Carvalho.
Observação: Essa foi a primeira e única apresentação do Grupo
Amador de Teatro Experimental - GATE - criado dentro do Alvorada.

Maria Cachucha, de Joracy Camargo.


Atores: Marco Antônio Latrônico, Gilda Ramos Evaristo, Dino
Banhos, Nicionelly Carvalho, Sebastião Bastos, Anna Maria Avelino
Ayres e Eurico Santos. Direção: Benigno Gaiga.

40
Barco Sem Pescador, drama de Alejandro Casona.
Atores: Dino Banhos, Carlos Victor Moraes, Guiomar Viana, José
Andrade, Marco Antônio Latrônico, Nicionelly Carvalho, Marlene
Carrijo, Eurico Santos e Anna Maria Avelino Ayres. Direção: Benigno
Gaiga. Contra-regra: Orlando Gaiga.

Barco sem

Acervo: N. Carvalho
Pescador - 1967

Em pé:
Marco Antônio
Latrônico, Anna Maria
Avelino Ayres,
Nicionelly Carvalho,
Carlos Victor Morais,
Marlene Garrijo, José
Andrade, Eurico
Santos, Guiomar
Viana, Dino Banhos e
Orlando Gaiga.

Sentado:
Benigno Gaiga.

A Hora Marcada, drama de Isaac Gondim Filho, foi a única peça


apresentada no ano de 1968. Atores: José Luiz Escandiussi, Victor
Corrêa, Eurico Santos, Magaly Guidugli, Matilde Guidugli, Nicionelly
Carvalho. Equipe técnica: Ivone Santos, Anna Maria Avelino Ayres,
Carlos Alberto Casalinho e Armando Brunelli dos Santos.

Em 1969 o grupo ousa mais e prepara Mortos Sem Sepultura, de


Jean Paul Sartre. Com esse drama o GTAA venceu o I Festival de Teatro
Amador de Passos, em julho de 1969, obtendo quatro prêmios. Venceu
o I Festival de Teatro Amador da Prefeitura de Alfenas, tendo recebido
o prêmio de melhor ator José Carlos Garuti; melhor atriz, Magaly
Guidugli e melhor direção para Nicionelly Carvalho.
Participaram: Anna Maria Avelino Ayres, Lino Barbosa, Eduardo
Paiva, Clóvis Ricci, Armando Brunelli Santos, Nicionelly Carvalho,
Carlos Alberto Casalinho, Eurico Santos, Magaly Guidugli, Dino Banhos,
José Carlos Garuti e Benedito Gonçalves. Direção: Benigno Gaiga.
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Mortos sem Sepultura - 1969

Acervo: N. Carvalho
Em pé: Anna Maria Avelino Ayres, Lino Barbosa, Eduardo Paiva, Benigno
Gaiga, Clóvis Ricci, Armando Brunelli e Nicionelly Carvalho.
Sentados: Carlos Alberto Casalinho, Eurico Santos,Magaly Guidugli,
Dino Banhos, José Carlos Garuti e Benedito Gonçalves.

No teatro infantil foi levada A Onça de Asas, de Walmir Ayala. No


elenco: Maria de Lourdes Fróes, Luís Antônio Fróes Filho, Robson dos
Santos, Sueli Ferreira de Bem, Vera Simões, Silmara Junqueira Santos e
Míriam Miglioranzi. O balé do Conservatório Musical, sob a direção de
Itália Cacciatore, desenvolveu a coreografia do espetáculo. Equipe
técnica: Ivone Santos, Armando Brunelli Santos, Anna Maria Avelino
Ayres e José Carlos Garuti

Miquelina, de Pedro Bloch. Comédia que enfoca o comporta-


mento da juventude nos anos de 1960.
Atores: Carlos Alberto Casalinho, Matilde Guidugli, Maria Izabel
Siqueira, Dino Banhos, Nicionelly Carvalho, Anna Maria Avelino Ayres,
Magaly Guidugli, José Luiz Escandiussi e Malvina Gonçalves.
Equipe técnica: Armando Brunelli Santos e Glória Martins.
No ano de 1969 a diretoria do GTAA estava assim constituída:

42
Presidente de Honra: Benigno Gaiga
Presidente: Anna Maria Avelino Ayres
Secretário: Carlos Alberto Casalinho
Tesoureira: Ivone Santos
Direção Artística: Nicionelly Carvalho

1970
A Bruxa, de Nestor de Holanda. Texto de difícil interpretação
mostra aspectos psicanalíticos, à luz das teorias freudianas.
Importante salientar que a partir desse trabalho, Nicionelly foi a
diretora artística de todas as peças que vieram a seguir.
Atores: Nicionelly Carvalho, Maria Helena Oliveira, José Luiz
Escandiussi e José Carlos Garuti. Equipe técnica: Carlos Alberto
Casalinho, Armando Brunelli Santos e Anna Maria Avelino Ayres.
Nessa peça, em agosto de 1970, em seu folheto de apresentação,
o GTAA prestou uma homenagem a seu fundador e incentivador,
Benigno Giordano Gaiga, dando-lhe o nome de Teatro Alvorada Grupo
“Benigno Gaiga”. E o folheto trazia:
“Com seu passamento ficou uma lacuna em nossa sociedade, mas
as árvores que ele plantou produzirão muitos frutos. E “sempre resta
um pouco de perfume nas mãos que oferecem flores...”
Até a data de falecimento de Gaiga, em 28 de junho de 1970, o
grupo levou aos palcos mais de vinte peças. E, sabidamente, no
decorrer desse tempo, o Teatro Alvorada tornou-se o movimento
cultural mais abrangente e de maior projeção vivido pelos poços-
caldenses.
Com a ausência do seu fundador, o grupo passou a ser dirigido por
Nicionelly Carvalho e estava composto por quinze pessoas. Realiza
seus ensaios nas dependências do Grupo Escolar “David Campista”, em
sala cedida pela diretora Elvira Chagas.
No decorrer desses anos, o Alvorada apresentou-se nos mais
diversos palcos entre Minas Gerais e São Paulo, conseguindo conquistar
alguns prêmios.
A equipe esteve composta dos atores, técnicos e diretores:
Álvaro Alves, Anna Maria Avelino Ayres, Antônio Tadeu Menezes de
43
Andrade, Aparecido Inácio de Assis, Armando Brunelli Santos, Benedito
Gonçalves, Carlos Alberto Casalinho, Cássio Antônio de Souza, Cristina
Rehder Acúrcio, Cristina Tamburi Santos, Cibellius de Souza, Deborah
Soares, Diva Lima, Icinha Basso, João Batista Acúrcio, João de Faria,
João Vital de Oliveira, José Augusto Scassiotti, Ludgero Borges, Luiz
Fernando Frizzo, Maria Helena de Carvalho, Maria Helena Oliveira,
Maria Luiza de Oliveira, Maria Rosa, Miguel Arcanjo Mina, Miguel Victor
Gonçalves, Nicionelly Carvalho, Nilson Rossi Chagas, Orlando Gaiga,
Paulo Henrique Pioli, Pedro Theodoro Alvarenga, Tânia Pinto Ferreira,
Valmir Ortega e Rowilson da Silva Xavier e outros nomes que estarão
relacionados como parte dos espetáculos abaixo.
Destacamos que entre os atores do grupo estava Carlos Alberto
Casalinho que escreveu a peça de caráter religioso Pelos Caminhos do
Gólgota, encenada há mais de vinte anos, por ocasião da Semana
Santa.
Está Lá Fora Um Inspetor, do dramaturgo inglês J.B. Priestley.
O seu texto tem um caráter social, mostrando aspectos da vida
de operários numa cidadezinha industrial da Inglaterra. Os atores:
José Carlos Garuti, José Luiz Escandiussi, Matilde Guidugli, Carlos
Alberto Casalinho, Rosa Maria Nassif Mesquita, Carlos Alberto Gruber,
Armando Brunelli Santos. Equipe técnica: Anna Maria Avelino Ayres,
Luiz Antônio Anunciação.

Está lá fora
um inspetor
1970

Em pé:
José Luiz
Escandiussi,
Carlos Alberto
Casalinho,
Armando Brunelli
e José Carlos
Garuti.
Acervo: N. Carvalho

Sentados:
Matilde Guidugli,
Rosa Mesquita e
Carlos Alberto
Gruber.

44
Foram levadas ao palco, em 1971, as seguintes peças:
O Anjinho da Reforma, peça infanto-juvenil de Isis Bianchi.
Elenco: Vera Cristina Simões, Luiz Rachid de Paula, Luiz Antônio
Anunciação, Antônio Carlos Perez Borges, Wilson Frizon Júnior, Rosana
Acúrcio de Freitas, Tereza Cristina Tamburi, Sueli Ferreira de Bem,
Rosângela Acúrcio de Freitas, Valério Rodrigues Ravanelli, Rita de
Cássia Tamburi, Denise Morais Novais, José Carlos Garuti, Armando
Brunelli, Carlos Alberto Casalinho e Anna Maria Avelino Ayres.

A Infidelidade ao Alcance de Todos, de Lauro César Muniz. Nessa


peça o autor enfoca o tema da infidelidade, envolvendo personagens
pertencentes às camadas sociais variadas: intelectuais e pessoas
comuns; ricos e pobres. Elenco: Carlos Alberto Casalinho, Tereza
Rodrigues, Benedito Gonçalves, Neuracy Malaquias, Rosa Maria Nassif
Mesquita e João Batista Peixoto. Equipe técnica: Anna Avelino, Magaly
Guidugli e Armando Brunelli.

1972
Abre a Janela e Deixa Entrar o Ar Puro e o Sol da Manhã..., de
Antônio Bivar. Atores: Tereza Rodrigues, Magaly Guidugli, Carlos
Alberto Casalinho.

Nosso Filho Vai Ser Mãe, de Walmir Ayala. Tragicomédia com os


atores: Neusa Maria Marques, Tereza Rodrigues, Carmine Acconcia,
Carlos Zanetti, Lino Barbosa e Benedito Gonçalves. Equipe técnica:
Orlando Gaiga, Carlos Zanetti e Armando Brunelli Santos.

Morre um Gato na China, de Pedro Bloch.


Com Icinha Basso, Álvaro Alves e Carmine Acconcia.

Transe, de Ronald Radde, escritor gaúcho.


Atores: Benedito Gonçalves, Carlos Zanetti, Carlos Alberto
Casalinho, Tereza Rodrigues e Magaly Guidugli. Equipe técnica: Edith
Menezes, Armando Brunelli Santos e Orlando Gaiga.

45
Neste ano de 1972, no I Festival de Teatro Amador da Média
Mojiana, em São João da Boa Vista, o Alvorada foi convidado, às
pressas, para concorrer em nome do Grupo de Teatro Sanjoanense
GAJOS, que não conseguiu concluir os ensaios da peça que iriam
apresentar no Festival.
O Alvorada apresentou-se e conseguiu a maioria dos prêmios
para o GAJOS.
Nessa época a diretoria do Alvorada estava assim constituída:
Presidente: Anna Maria Avelino Ayres
Secretário: Carlos Alberto Casalinho
Tesoureira: Ondina Garcia Casalinho
Diretora Artística: Nicionelly Carvalho

1974
Apaga a Luz e Faz de Conta que Estamos Bêbados, do teatró-
logo gaúcho, Ronald Radde.
Participaram os atores Magaly Guidugli e Carlos Alberto
Casalinho.
A peça foi apresentada no 3º. Festival de Teatro Amador da Média
Mojiana, mas sem concorrer.
1975
Em maio era eleita a nova diretoria do Teatro Alvorada - Grupo
“Benigno Gaiga”. A presidência coube a Nicionelly Carvalho; vice:
Carlos Alberto Casalinho; secretário: Carlos Zanetti; tesoureiro:
Romualdo Fiorin; diretor de propaganda: Miguel Gonçalves; diretora
social: Tereza Rodrigues; Conselho Fiscal: Orlando Gaiga, Benedito
Gonçalves e Déa Tavares Paes.
A primeira ação dessa diretoria foi trazer à cidade dois profes-
sores para ministrarem dois cursos para atores. Estiveram aqui Pedro
Paulo Cava, diretor do Teatro de Pesquisa, de Belo Horizonte e
fundador e primeiro presidente da Associação de Teatro de Minas
Gerais; Lúcio Navarro, professor da Faculdade de Música e Curso de
Belas Artes Santa Marcelina de São Paulo.
As peças apresentadas no ano de 1975 foram:

46
A Dama de Copas e o Rei de Cuba, de Timochenco Welbi.
Atores: Tereza Rodrigues, Nicionelly Carvalho e Miguel
Gonçalves. Equipe técnica: Carlos Zanetti, Orlando Gaiga, Armando
Brunelli dos Santos e Tereza Rodrigues.

Acervo: N. Carvalho
A Dama de Copas
e o Rei de Cuba
1975
Miguel Gonçalves,
Nicionelly Carvalho,
Tereza Rodrigues e
Benedito Gonçalves.

Peripécias na Lua, de Walmir Ayala.


Atores: Déa Tavares Paes, Sueli de Bem, Vera Simões, Rosa Maria
Nassif Mesquita, Paulo Augusto Barreto, Carlos Alberto Casalinho e
Maria Isabel Siqueira. Equipe técnica: Sebastião Bastos, Anna Maria
Avelino Ayres e Ivone Santos.

Pedreira das Almas, de Jorge Andrade. Foi uma das peças de


grande sucesso que o Teatro “Benigno Gaiga” apresentou. Nela o
elenco desdobrou-se para tornar o espetáculo bem próximo da reali-
dade. Pedreira das Almas enfoca a situação de antiga família sul-
mineira que, devido à falta de terra para a pastagem do gado, migra
para o Estado de São Paulo. O enredo mostra o drama dessa família,
cujo berço é a parte do sul de Minas compreendida entre Carrancas,
Cruzília e São Tomé das Letras.

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Pedreira
das Almas
1975
Ana Cláudia
Pomarico Medri
e Tutão
Acervo: N. Carvalho

Grupo de
atrizes de
Pedreira
das Almas

Acervo: N. Carvalho

Nessa ocasião foram lançados novos atores.


Elenco: Ana Cláudia Pomarico Medri, Déa Tavares Paes, Mário
Pereira, Luiz Fernando Frizzo, Icinha Basso, Maria Luisa de Oliveira,
Rose Marie de Paula, Joana Ferro Frison, Simone Vieira, Tânia Pinto
Ferreira, Ana Paula Assunpção, Cláudia Ladeira Neto, Carlos Ferreira
da Silva, José Augusto Scassiotti, Aparecido Inácio Assis, Cássio Antônio
de Souza, Eduardo Assunpção, Carlos Alberto Casalinho e Anderson
Lago Leite.
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Participação do Balé Corpo, dirigido por Itália Cacciatore, e do
Coral “Camargo Guarnieri”, dirigido por Walderez Medina Ferreira.
Equipe técnica: Orlando Gaiga, Roberto Tereziano, Maria José de
Souza e Benedito Gonçalves.

Um Gosto de Mel, de Shelagh Delaney.


Com Nicionelly Carvalho, Tereza Rodrigues, Carlos Alberto
Casalinho e Miguel Gonçalves. Direção: Benedito Gonçalves.

Acervo: N. Carvalho

Um Gosto de Mel
Carlos Alberto Casalinho e
Nicionelly Carvalho.

À Margem da Vida, de Tennessee Williams


Elenco: Nicionelly Carvalho, Ana Cláudia Pomarico Medri,
Antônio Viviani e Carmine Acconcia.

Próxima Vítima, de Marcos Rey


Com Marcos Araújo, Luiz Fernando Frizzo, Icinha Basso, João
Batista Acúrcio, Miguel Ângelo Pisani e Benedito Gonçalves.

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Dona Xepa, de Pedro Bloch, comédia.
Atores: Paulo Roberto Seabra Franco, Cleivis Banhos Lopes, Luiz
Fernando Frizzo, Selma Santos, Nicionelly Carvalho, Maria Aparecida
Bastos, Carlos Zanetti, Antônio Carlos Monteiro e João Batista Acurcio.
Direção de Miguel Victor Gonçalves. Equipe técnica: Carlos
Alberto Casalinho, Orlando Gaiga, Benedito Gonçalves, Mauro Vianna e
Tereza Rodrigues.
Dona Xepa - 1976

Acervo: N. Carvalho

Em pé: Nicionelly Carvalho e Maria Aparecida Bastos.


Sentados: João Batista Acurcio (Tié), Cleivis Banhos Lopes, Luiz Fernando
Frizzo, Paulo Roberto Seabra Franco, Selma Santos, Antônio Carlos Monteiro
e Carlos Zanetti.

1977
Esta Noite Choveu Prata, de Pedro Bloch. Monólogo levado pelo
excelente ator Luiz Fernando Frizzo, cuja atuação foi brilhante.
Equipe técnica: Orlando Gaiga, Antônio Carlos Monteiro, Carlos
Alberto Casalinho e José Augusto Pampanini.

50
1978
A Casa de Bernarda Alba, de Federico Garcia Lorca. Esta peça
teve grande repercussão, uma vez que o desempenho dos atores e o
trabalho de toda a equipe técnica foram impecáveis.

Acervo: N. Carvalho
A Casa de Bernarda
Alba - 1978

Tereza Cristina Alvisi,


Ana Cláudia Medri,
Maria Helena Oliveira,
Maria Ignez Bissoli,
Deborah Soares e
Icinha Basso.

Acervo: N. Carvalho

1991
Rosemar Barbosa,
Maria Aparecida
Horta, Sandra
Martinez, Leila Porto,
Maria das Graças
Alves e Sandra Marise
Sampaio.

Atores: Icinha Basso, Maria Helena Oliveira, Tereza Cristina


Alvisi, Deborah Soares, Maria Ignez Bissoli, Nicionelly Carvalho, Vilma
Silva e Déa Tavares Paes.
Equipe técnica: Orlando Gaiga, Luiz Fernando Frizzo, Carlos
Alberto Casalinho, Carlos Zanetti, Cristina Acurcio, Cidinha Santos,
João Batista Acurcio, e Maria José de Souza na consultoria literária.

51
O Crime Roubado, sátira social de João Bethencourt.
Atores: Antônio Carlos Monteiro, Benedito Gonçalves, Carlos
Alberto Casalinho, Deborah Soares, Eduardo Soares, João Vital de
Oliveira, Miguel Gonçalves, Nicionelly Carvalho, Luiz Carlos de Paiva e
Victor Guimarães Correia.

1979
O Santo Inquérito, de Dias Gomes
Atores: Icinha Basso, Carlos Alberto Casalinho, José Augusto
Scassiotti, Luiz Fernando Frizzo, João Batista Acurcio, Cássio Antônio
de Souza e Aparecido Inácio Assis. Iluminação de Orlando Gaiga.

Acervo: N. Carvalho
O Santo
Inquérito
1979

Cássio de Souza,
João Batista Acúrcio,
Icinha Basso e
Luiz Fernando Frizzo.
Acervo: N. Carvalho

Icinha Basso e
José Augusto
Scassiotti

52
1980
Três Peraltas na Praça, peça infantil de José Valluzi.
Atores: Tânia Cristina Bastos, Anderson Marcondes Soares, Maria
Isabel Corrêa Norberto, Cássio Motta e Márcia Medeiros.
O Alvorada contou com o trabalho das bailarinas Márcia Motta,
Cláudia Costa e Ana Lúcia Carlini.
O Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna.
Atores: Cristina Acurcio, Cássio Souza, José Augusto Scassiotti,
Luiz Fernando Frizzo, Pedro Theodoro Alvarenga, Tânia Pinto Ferreira,
Aparecido Inácio Assis, Nilson Rossi Chagas, João Vital de Oliveira,
Miguel Arcanjo Mina, Rowilson Xavier, Miguel Victor Gonçalves, Tadeu
Menezes e Maria Luiza Oliveira. Equipe técnica: Déa Tavares Paes,
Orlando Gaiga e Darcy Ladeira Dias, na consultoria literária.
Em novembro de 1980 a Câmara Municipal, por iniciativa do
vereador Eduardo Paiva, aprova o Projeto de Lei dando o nome de
“Benigno Gaiga” ao teatro municipal.

1981
Quando as Máquinas Param, de Plínio Marcos
Atores: Rose Marie de Paula e Cássio de Souza. Equipe técnica:
Orlando Gaiga, Déa Tavares Paes, Maria Nancy do Lago, Icinha Basso e
Gina Beatriz Rende.

1983
Quarta-feira sem Falta lá em Casa, de Mário Brasini
Atores: Nicionelly Carvalho e Icinha Basso.
Equipe técnica: Orlando Gaiga, Déa Tavares Paes, Anderson Lago
Leite e Tereza Cristina Alvisi.

As Primícias, de Dias Gomes


Atores: Deborah Soares, Maria Rosa, Maria Aparecida Siqueira,
João Batista Acurcio, Maria Helena Oliveira, Tânia Pinto Ferreira,
Cássio de Souza, Pedro Theodoro Alvarenga, Rosemeire de Paula e
53
Paulo Henrique Pioli. Equipe técnica: Orlando Gaiga, Déa Tavares Paes
e Anderson Lago Leite.

As Primícias - 1983

Acervo: N. Carvalho

Em pé: Paulo Pioli, Tânia Ferreira, Cássio de Souza, Pedro Theodoro


Alvarenga, Maria Helena Oliveira, Tarcísio Galvão, Maria Aparecida
Siqueira, João Batista Acúrcio, Soraia do Nascimento, Deborah Soares,
Maria Rosa, Rosemeire de Paula e Maria Lopes.
Sentados: Orlando Gaiga, Anderson Lago Leite, Nicionelly Carvalho e
Icinha Basso.

1984
O Santo Milagroso, de Lauro César Muniz
Atores: Luiz Fernando Frizzo, Cássio de Souza, Miguel Gonçalves,
Icinha Basso, Pedro Alvarenga, Paulo Henrique Pioli, Jorge Demétrio
Cunha, Anderson Lago Leite e Tarcísio Galvão.
Equipe técnica: Orlando Gaiga, Rose Marie de Paula, Diva Tereza
Lima e Déa Tavares Paes.
54
O Santo Milagroso - 1984

Pedro Alvarenga,
Nicionelly Carvalho,
Jorge Demétrio Cunha
(Nanny People, atriz
do SBT), Anderson
Lago Leite,
Orlando Gaiga,
Giovanni Dias;
Cássio de Souza, Luiz
Fernando Frizzo,
Icinha Basso,
Acervo: N. Carvalho

Miguel Gonçalves;
Tarcísio Galvão,
Paulo Pioli,
Diva Lima e
Rosemeire de Paula.

1985
Miquelina, de Pedro Bloch. O grupo obteve um grande sucesso e
foi muito elogiado pela imprensa local.
Atores: Jorge Demétrio Cunha, Deborah Soares, Rosa Maria, Luiz
Fernando Frizzo, Diva Tereza Lima, Nicionelly Carvalho, Renata Rita
Oliveira, Paulo Henrique Pioli, Cássio de Souza e Maria Helena Oliveira.
Acervo: N. Carvalho

Miquelina - 1985
Jorge Demétrio
Cunha, (Nanny
People, atriz
do SBT), Nicionelly
Carvalho, Luiz
Fernando Frizzo,
Cássio de Souza
e Maria Helena
Oliveira.

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Equipe técnica: Orlando Gaiga, Giovanni Dias, Nina Souza, José
Luiz Loiola, Déa Tavares Paes e direção de Icinha Basso.

Velório à Brasileira, de Aziz Bajur.


Marca o início das comemorações dos vinte anos do Teatro
Alvorada.
Atores: Icinha Basso, Tereza Cristina Alvisi, Luiz Fernando Frizzo,
Diva Lima, Paulo Pioli, Miguel Gonçalves e Pedro Alvarenga.
Equipe técnica: Orlando Gaiga, Giovanni Dias, Deborah Soares,
Maria Rosa, Nina Souza.

1986
Velório à Brasileira continua em cartaz. E no início de janeiro
houve uma exposição na URCA para mostrar o trabalho feito nos vinte
anos de existência do Alvorada – Grupo Benigno Gaiga.

56
As comemorações foram enriquecidas pelo 24º. Encontro de
Grupos Mineiros de Teatro Amador, promovido pela FETEMIG -
Federação de Teatro de Minas Gerais - com debates, palestras, cursos e
apresentação de peças teatrais por diversos grupos mineiros. No
período, foi encenada em Machado, Campestre, Pouso Alegre,
Andradas e São João da Boa Vista.
Ainda nesse ano a diretora artística Nicionelly Carvalho tomou
posse como tesoureira da Federação de Teatro de Minas Gerais.

Guerra Mais ou Menos Santa, de Mário Brasini.


Encenada em outubro, foi dirigida por Luiz Fernando Frizzo.
Elenco: Miguel Gonçalves, Valmir Ortega, Luiz Fernando Frizzo,
Paulo Pioli, Deborah Soares, Maria Helena Oliveira, Pedro Alvarenga,
Diva Lima, Ludgero Borges, João de Faria, Maria Rosa, Tânia, Rita, Ana,
Cláudia e Aparecida. Equipe técnica: Giovanni, João Batista Pereira e
Nina de Souza.

1987
Nó de Quatro Pernas, comédia de Nazareno Tourinho.
Atores: Miguel Gonçalves, Luiz Fernando Frizzo, Nicionelly
Carvalho, Deborah Soares, Diva Lima, Antônio Henrique Poscidônio,
Paulo Pioli, Ana Cláudia Pomarico Medri. Equipe técnica: Giovanni
Dias, Rita Alvarez Dias, Rosinha e João Batista Pereira.

1988
A Moratória, de Jorge Andrade
O texto retrata o momento em que determinada geração de
fazendeiros, originária do sul de Minas, se desloca para o interior
paulista e se vê às voltas com a crise econômica de 1930.
Elenco: Luiz Fernando Frizzo, Maria das Graças Alves, Luiz
Rachid de Paula, Diva Lima, Maria Helena Oliveira e Luís Carlos Alves.
Equipe técnica: Giovanni Dias, João Batista Pereira, Deborah
Soares, Luiz Rachid, Luiz Fernando Frizzo.

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Nesse ano, em 27 de março, vários grupos se reuniram para
comemorar o dia Internacional do Teatro, organizando um pequeno
festival, cuja realização aconteceu no Teatro Municipal “Benigno
Gaiga”.

A Moratória - 1988

Acervo: N. Carvalho
Em pé: Luiz Carlos Alves, Luiz Fernando Frizzo e Luiz Rachid.
Sentadas: Maria das Graças Alves, Diva Tereza Lima e Maria
Helena Oliveira.

Participaram do evento:
Grupo PAI, com a peça Maranatha, sob a direção de Mário
Chianello e coordenação de Wilde Pereira Dias.
Grupo de Teatro SESC, dirigido por Durce Helena Gouveia.
Grupo de Teatro do Colégio Municipal, coordenado por profes-
sores.
Federação de Teatro Amador de Poços de Caldas

58
1989
Do Tamanho de um Defunto, comédia de Millor Fernandes.
Atores: Luiz Fernando Frizzo, Nicionelly Carvalho, Miguel Gon-
çalves e Paulo Pioli.

1990
O Crime Roubado, de João Bethencourt.
Atores: Fábio Guilherme Ferreira, Paulo Pioli, Nicionelly Car-
valho, Miguel Gonçalves, José Mário Teixeira, Edmar Alexandre,
Marcos Franco, Deborah Soares, Maria Rosa, Diva Lima, João Batista
Pereira e Giovanni Dias. Desse espetáculo todos os componentes do
grupo participaram da produção e montagem.

1990
Este Banheiro é Pequeno demais para Nós Dois, comédia de
Ziraldo. Atores: Deborah Soares, Stélio Marras e Roberta Santos.
Direção: José Luiz Loiola.

1991
A Casa de Bernarda Alba, de Federico Garcia Lorca.
Apresentada, na Urca, em 1978 com grande sucesso, volta em
1991 com novos atores como: Adriana Rossi, Sandra Marise Sampaio,
Maria das Graças Alves, Leila Porto, Maria Aparecida Horta, Sandra
Martinez, Rosimar Barbosa e Marcilene Oliveira. Equipe técnica: Fábio
Cagnani, Edmar Alexandre, Luiz Alberto Munhoz e Edna Martinez.

1991
O Santo Milagroso, de Lauro César Muniz
Peça encenada em 1984, volta com o seguinte elenco: Luiz
Fernando Frizzo, Diva Tereza Lima, Edmar Alexandre, Paulo Pioli,
Marcos Henrique Franco, Eduardo Da-Ré, José Mário Teixeira, Maria
Rosa, Miguel Gonçalves.
59
O Santo Milagroso - 1991

Acervo: N. Carvalho
Foto de João Neves de Toledo
José Mário Teixeira, Fernando Frizzo, Eduardo Da-Ré, Paulo Pioli,
Miguel Gonçalves, Marcos Franco, Diva Lima, Nicionelly Carvalho,
Edmar Alexandre e Maria Rosa.

1991
Nesse ano tem início uma nova etapa do Teatro Alvorada.
Tudo começou quando Clésio Roque Tardelli teve a iniciativa de
reunir “causos” interioranos em um livro para o qual deu o título de “A
Venda do Zevaristo”. Coube ao ator e diretor de teatro Miguel
Gonçalves fazer a adaptação, para o teatro, das diversas histórias
contidas no livro.
Desde essa época, a peça tem sido apresentada e há quinze anos
está em cartaz nas salas de teatro de Poços de Caldas ou em cidades do
sul de Minas e do interior do Estado de São Paulo. Para tanto, o Teatro
Alvorada estruturou-se de uma maneira empresarial e profissional e a
equipe formada mantém-se coesa, na busca da excelência, para
60
alcançar o objetivo desejado, qual seja, ter o reconhecimento público
por seu trabalho desenvolvido no teatro.
A Venda do Zevaristo - 1991

Clésio Tardelli,
Miguel Gonçalves,
Marcos Franco,
José Mário
Teixeira, Diva
Tereza Lima e
Paulo Henrique
Pioli.

Acervo: N. Carvalho
Atualmente o Alvorada está sob a direção de Miguel Victor
Gonçalves. Tem como atores: Clésio Tardelli, José Mário Teixeira,
Miguel Gonçalves, Paulo Pioli, Diva Lima e Marcos Franco. Produção de
Amarildo Gonçalves e a montagem é da própria equipe que forma o
grupo teatral.

1993
Miquelina, de Pedro Bloch.
Com os seguintes atores: Diva Lima, Edmar Alexandre, Erika
Bento Gonçalves, Fábio Freitas, Marcilene de Oliveira, Nicionelly
Carvalho e Paulo Pioli.

1997
Arlequim, Servidor de Dois Amos, de Carlos Goldoni.
É um texto dentro do gênero “Commedia dell'Arte italiana, de
gosto e aceitação popular nos séculos 16 e 17”.

61
Atores: Cristiane Rocha, Diva Tereza Lima, Elizangela Virga,
Ernesto Guidugli, Fábio Freitas, Fernando Elias Silva, Juliana Almeida,
Luiz Fernando Frizzo e Marcos Franco.
Arlequim. O servidor de Dois Amos - 1997

Acervo: N. Carvalho
Diva Lima, Elizangela Virga, Fábio Freitas,
Marcos Franco, Juliana Perez e Juliana Almeida.

Acervo: N. Carvalho

Fernando Frizzo, Elizangela


Virga e Fábio Freitas.

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Equipe técnica: Miguel Gonçalves, Rosemeire de Oliveira, Jairo
Godinho. Consultoria literária: Hugo Pontes.
A estréia, em 17 de maio de 1997, marcou a reabertura do Teatro
da Urca, agora denominado “Benigno Gaiga”.

No mês de julho de 2000, durante o Festival Brasileiro de Teatro e


do Festival de Teatro de Minas Gerais, ocorrido em Belo Horizonte, a
Federação Mineira de Teatro concedeu Medalha do Mérito Cultural
para Deborah Soares, Adriana Rossi, Nicionelly Carvalho pelas suas
produções teatrais. Concedeu a Giovani Dias o prêmio de melhor ator e
diretor e à Roberta Dias prêmio de melhor atriz, todos pela peça Os
Saltimbancos, de Chico Buarque de Hollanda.
Nicionelly Carvalho, em junho de 2001, promoveu o Curso de
Iniciação ao Teatro. No final os novos atores Carolina Maria, Gabriela
Silva, Priscila Rennó, Regiane Capra, Sarah Cristina, Aparecido Roberto
Junqueira e Ramiro Neto encenaram A Incelença, de Luiz Marinho.

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O Avarento, do escritor francês Molière
Atores: Laura Nascimento, Thiago Virga, Eduardo Da-Ré, Vivyam
Costa, Paulo Pioli, Samira Faleiros, Cristiano Prado e Nicionelly
Carvalho.
Na atualidade o Grupo de Teatro Alvorada tem Nicionelly
Carvalho na direção artística; Paulo Henrique Pioli, como diretor-
executivo; Juliana Perez, secretária e Marcos Franco, tesoureiro. O
Conselho Fiscal é composto por:

O Avarento - 2002

Acervo: N. Carvalho

Eduardo Da-Ré, Thiago Virga, Samira, Vivian,


Cristiano Prado, Laura, Paulo Pioli, Nicionelly Carvalho.

64
O Teatro de Alumínio
Numa entrevista, o ator circense Carequinha menciona que esse
teatro foi inspirado no que o Circo Sarrazani, de São Paulo, realizou em
1950 criando o Circo de Alumínio.
Aqui em Poços o radialista Oswaldo Corrêa dirigiu, para um
empresário de São Paulo, na Avenida Santo Antônio, no terreno onde
está hoje o Edifício Interprise, o Teatro de Alumínio, iniciativa cujo
objetivo principal era movimentar a juventude daquele início de 1970
para participar de atividades culturais ligadas ao cinema e ao teatro.
Apesar do pouco conforto proporcionado, pois o interior do
Teatro de Alumínio era abafado e concentrava um calor excessivo, o
local era muito freqüentado pela platéia infanto-juvenil e trouxe
muitas alegrias, conforme depoimentos de José Cássio de Oliveira
Rocha, Gustavo Durante e Richard Alves de Morais.

65
Os Novos Grupos
O Centro Teatral Léo Ferrer, o Teatro SESC, O Teatro do Estudante
e o Grupo Alvorada trouxeram para o movimento teatral poços-
caldense um aspecto positivo que devemos destacar: a formação de
atores e a criação de grupos de jovens, que foram despertados para a
arte da representação.
Um desses é o Grupo Experimental de Teatro Força Livre, criado
em novembro de 1987 com o objetivo de difundir a cultura, a represen-
tação e ser uma opção para a juventude estar ativa “em um movimento
pela força ao teatro”.
A equipe inicial foi constituída por João de Faria, Luciana
Valverde e José Luiz Loiola.
Em 1988, o grupo encena Quiméria, escrita pelo estudante de
Letras e ator Ênio Avelar. Os atores eram: João de Faria, José Luiz
Loiola, Adriano Franco, Andréa Loiola, Evandro Luiz Loiola, Soraya
Elizabeth e Ênio Avelar. A equipe técnica estava composta por: João
Batista Pereira, Eliana Maria Neri, Neiva Zanetti dos Reis. Direção:
João de Faria e José Luiz Loiola.
Alguns outros espetáculos levados pelo Força Livre:
1995 – Sarutarc, de Fernando Peixoto e Augusto Boal; 1995 –
Ópera das Cigarras, de Maria Clara Machado; 1997 – Retratos, um
resgate do teatro de revista; 1998 – As Aventuras de Dom Chicote e
Zé Chupança (comédia); 1999 – Um aniversário no Mundo Clown;
2001 – O Sexo dos Anjos, de Flávio de Souza; 2002 – Vida Íntima de
Pierre e Maria Antonieta; 2002 – O Auto da Compadecida, de Ariano
Suassuna.
Nesses anos todos, de acordo com os registros pesquisados na
imprensa local, participaram desse grupo experimental os seguintes
atores, diretores e técnicos: Adriana Rossi, Adriano Franco, Andréa
Loiola, Edmar Alexandre, Ênio Avelar, Evandro Luiz Loiola, Fabiana
Generoso, Fernanda Carraro, Fernando Donizetti, Jadson Egídio,

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Janaína Rossi, João de Faria, José Carlos Muniz, José Luiz Loiola,
Juliano Rossi, Karina Muniz, Luciana Valverde, Luiz Munhoz, Núbio
Melo, Renato Delgado, Sirlei Lourival,

Grupo de Teatro Magia


Surge em 1997 e uma de suas primeiras atividades foi repre-
sentar Poços de Caldas na 10ª. Edição do “Festiminas” – Festival de
Teatro de Minas Gerais, apresentando Bauzinho Encantado. Os atores:
Deborah Soares, Luiz Munhoz, Karina Muniz e Camila Infante. A direção
esteve a cargo de Deborah Soares.
Em 2001 o grupo apresenta Chico Rei, de Walmir Ayala. Atores:
Roberto Tereziano, Deborah Soares e Maria Rosa.

Grupo Teatral Trancos & Barrancos


É criado em 1997. Apresenta-se com Presente da Morte, tendo
como atores Edmar Alexandre, Márcia Melo, Adriano Franco, José
Carlos Muniz e Jadson Egídio.
Em 1998 apresentam Xou, sai Capeta!; A Família Addams em: A
Coisa Também Ama, dirigidas por Adriano Franco e apresentadas
durante a semana de 21 a 28 de julho em horários diferentes.
Em fevereiro de 1999 o grupo traz A Família Addams em: A Coisa
Também Ama, sob a direção de Adriano Franco, contando com o
seguinte elenco: Adriana Rossi, Adriano Franco, Edmar Alexandre,
Karina Muniz, Luiz Munhoz e Núbio Melo.
No ano de 2003, sob a direção de Adriano Franco e Luiz Munhoz, é
levada Velório à Brasileira, no Teatro da Urca.
Na atualidade o grupo é composto por Adriano Frizon, Luiz
Munhoz, Mário Jorge Frison Franco, Juliano Franco, Tatiane Rodrigues,
Karoline Erler, Rosângela Nery, Lílian Tranches, Rafael de Oliveira e
Thales Henrique.

Cia. Bella de Artes


Em meados de 1994 surgiu a Companhia Bella de Artes, fundada
por Giovanni Dias, com o objetivo de, junto à sociedade, analisar os
67
verdadeiros atributos da arte, questionando, ensinando, fantasiando,
enfim, usando os recursos artísticos como o teatro, a dança, a
literatura e as artes plásticas para alcançar o papel essencial da arte:
elevar a qualidade de vida.
Inicialmente suas atividades restringiram-se às manifestações
relacionadas às artes cênicas, desenvolvendo o espetáculo O
Destruidor, de Luiz Fernando Frizzo e Giovanni Dias, para ser imple-
mentado nas escolas públicas do município em parceria com a
Secretaria Municipal de Educação e Cultura de Poços de Caldas no
projeto Educarte, que atingiu um significativo número de estudantes
(aproximadamente 17.000 crianças), o que despertou o interesse da
Prefeitura Municipal da Cidade de Andradas, e o posterior fechamento
de contrato com o grupo para desenvolver apresentações também nas
escolas daquela cidade. Atuavam: André Cardoso, Elisângela Virga,
Fábio Cagnani, Giovanni Dias, Jacqueline Sales, Juliana Almeida,
Laura Dias, Raquel, Roberta Dias, Rosemeire, Simone Abrão e Thiago
Virga.
Daí em diante, o grupo não parou mais de produzir e desenvolver
projetos com o município; com as empresas privadas e com as institu-
ições culturais e assistenciais de toda a região. Em 1995 apresentou o
espetáculo Os Peraltas no Natal, e, em 1996, Gato, Cachorro e
Confusão.
Com o objetivo de contribuir num contexto de humanização do
Hospital da Santa Casa, em 1996, o grupo cria o projeto “Clínica da
Alegria” com os “doutores Palhaços” animando a ala pediátrica do
hospital e, posteriormente, em todas as alas. O projeto se tornou
independente através da criação da Associação dos Amigos da Clínica
da Alegria. Ainda nesse ano começa implementar o Projeto Educando,
que acompanha o grupo até os dias de hoje.
Em 1997, produz os espetáculos A Cigarra e a Formiga e Os
Peraltas no Natal; em 1998, remonta o espetáculo Gato, Cachorro e
Confusão. Durante o período percorre a região com suas encenações
voltadas ao público infantil.
Em 1999, na esteira da Lei Municipal de Incentivo à Cultura
produz o espetáculo Os Saltimbancos, de Chico Buarque de Holanda,
trazendo a público uma superprodução infantil que atingiria 15.000

68
espectadores no Teatro Municipal Benigno Gaiga, além de percorrer
todo o país durante dois anos, culminando no reconhecimento institu-
cional através dos prêmios de Melhor Ator e Diretor, Giovanni Dias;
Melhor Atriz, Roberta Dias; e Melhor Espetáculo no Festival Nacional de
Teatro de Minas Gerais (2000), em Belo Horizonte, promovido pela
FETEMIG Federação de Teatro de Minas Gerais.
No mesmo ano lança a idéia de criação de um Instituto Cultural
independente, uma organização não-governamental, que pudesse
incentivar as artes e a cultura em todos os segmentos, de maneira a
criar um movimento cultural para a formação do artista e do público.
A resposta foi imediata e vários artistas se aproximaram do
grupo, abraçando a nova idéia. Nesse sentido, criou-se em 2001 o
Jornal Papo*Arte, um informativo periódico com objetivo principal
estabelecer um fórum permanente de discussão cultural e ao mesmo
tempo abrir um espaço de propostas às políticas públicas no município.
Em 2001 ainda, dando continuidade no Projeto Educando, a
Companhia Bella produz o espetáculo teatral Avessas, de Giovanni
Dias, abordando a temática sexualidade e drogas, e assistido por cerca
de 10.000 adolescentes no município.
A Companhia Bella de Artes hoje ocupa – em comodato – o espaço
cultural Manhattan e ali realiza todos os projetos culturais pensados
por Giovanni Dias e sua equipe de colaboradores.
O Grupo Teatral da Companhia conta com os seguintes atores:
Clistenis Betti, Deborah Soares, Giovanni Dias, João Batista Ribeiro,
Laura Dias, Lívia Dias, Márcio Lapidusas, Roberta Dias, Selma Mixttura
e Tatiane Rodrigues.

Cia. Tempo Teatral


Grupo surgido em 1998 apresentou a peça Era uma Vez João e
Maria, sob a direção de Luiz Humberto. Atores: Rogério Rossi, Graziela
Turato, Jacqueline Martins e Luiz Humberto.

Monteiros & Lobatos


É uma companhia de teatro, cujo registro de aparecimento no
cenário artístico data de julho de 2000, ocasião em que apresenta na
69
Praça da Urca A Fantástica Máquina de Reciclagem, de Clistenis Betti.
Essa peça tem caráter didático e é dirigida ao público infantil. Foi
apresentada em outras ocasiões.

Grupo Luz de Teatro


Surge em 2002 com Se eu me Chamasse Raimundo, baseada em
texto de Carlos Drummond de Andrade. Monólogo com Luiz Henrique
Bernardes. No mês de junho o grupo apresenta Quadrilha, baseada no
conhecido poema de Carlos Drummond de Andrade.

Grupo Teatral Fórróbódó


Em julho de 2000, o Grupo Vocal da Escola de Música Vivace,
desenvolve a Opereta, inspirada na compositora brasileira Chiquinha
Gonzaga. Desde então o grupo apresenta-se uma vez por ano com um
trabalho musical de alto nível, que tem agradado a tantos quanto
participam dessas apresentações. A última aconteceu em julho de
2003, no Teatro da Urca.

Cia. Tema de Artes Cênicas


Grupo recém-fundado, leva em 2002, no Teatro “Benigno
Gaiga”, Caminhos e Delírios, cujo tema é o uso da droga.

Grupo Fênix
Foi criado em março de 2005, tendo como parceiro o Serviço
Social do Comércio - SESC de Poços de Caldas, entidade dirigida por
Durce Helena Golvea.
Coordenado pela excelente atriz, Magaly Guidugli, reconhecida
por seu trabalho atuando no Alvorada, existe um movimento no SESC
que contempla a preparação de atores da Terceira Idade.
No início o Grupo Fênix era constituído por Magaly Guidugli,
Mathilde Guidugli e Maria Helena Oliveira. Aos poucos outras pessoas
se aproximaram dando ao projeto mais consistência, entre elas:
Agostinho de Faria Vieira, Camila Barbosa Amaral, Ditinha Ferreira de

70
Oliveira, Fátima de Paula Carneiro, José Azor de Souza, Leila de Faria
Vieira, Luiza Fernandes Munakata, Maria Flor do Rosário e Marly
Rodrigues.
A primeira peça encenada pelo Fênix foi A Velha Atriz, monólogo
em um ato, de Eduardo Chianca de Garcia. Direção de Magaly Guidugli,
intérpretes: Mathilde Guidugli e Maria Helena Oliveira, no Salão Nobre
do SESC, em 08 de abril de 2005.
Outra peça foi baseada na crônica de Mário Prata, Os Novos
Cinqüentões, direção e adaptação para o teatro feita por Magaly
Guidugli, tendo como intérpretes: Agostinho Faria, Leila Faria, Azor de
Souza e Marly Rodrigues. A apresentação foi na Unifenas, em 19 de
setembro de 2005.
Em 21 de setembro de 2005, no Teatro do SESC, o grupo levou a
peça O Chafariz, sob a direção de Magaly Guidugli, tendo como atores:
Maria Helena Oliveira, Maria Flor da Paixão e Maria Luiza.
Em 25 de setembro de 2005, no Teatro da Urca, foi levado o
monólogo, de Magaly Guidugli, em um ato As minhas, as suas, as
nossas ... lembranças. A interpretação foi de Mathilde Guidugli e
direção da autora.
Outras peças vêm sendo ensaiadas e outras estão em fase de
leitura.

Outros Grupos Teatrais em Atividade


Cia. Luzes da Ribalta, Grupos Bonecos Vivos, Na Ativa, Clínica da
Alegria, Grupo Máscaras Vivas, Balé & Cia. Grupo Bem-me-quer de
Teatro, Grupo Alfa de Teatro, Grupo de Teatro Garatuja e Grupo
Bonecos Vivos.
Além do grande esforço desses grupos amadores, observa-se que
o poder público, por sua vez, sensível aos apelos e demandas, através
da Secretaria Municipal de Educação e Cultura passou a promover, a
partir de 1990, o 1º. Festival Estudantil de Teatro, com o objetivo de
mobilizar as escolas estaduais, municipais e particulares de Poços de
Caldas e seus professores e estudantes interessados em participar de
grupos que representassem as suas entidades educacionais. O evento
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está, hoje, na sua 14ª. Edição e é realizado no mês de novembro. Do
último, acontecido em 2003, participaram quinze escolas com
dezenove peças, sendo algumas escritas pelos próprios alunos.
Outro aspecto a ser destacado é o da criação da Associação dos
Artistas Cênicos de Poços de Caldas, entidade cujo objetivo é o de
congregar e fortalecer a atividade dos profissionais ligados às artes
cênicas. O primeiro presidente eleito, em 2002 foi o ator Marcelo
Betti.

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Conclusão
Finalizando, voltamos os olhos para 1900 e 1904, e mencionamos
o nome de Antônio Rodrigues de Paiva e Manuel Barbosa de Sá
Vasconcelos; em 1950 para destacar o nome de Sebastião Pinheiro
Chagas que, além de despertar a juventude naquela década, foi
também criador de peças teatrais como Espelho Maldito, drama em
três atos; Poços de Caldas Só... Riso, comédia histórica em quatro
atos; buscar 1964 e chamar a atenção para a figura ilustre de Benigno
Giordano Gaiga, cujo amor pelo teatro tornou-o imortal em nossa
terra; e hoje, para dignificar o nome de Nicionelly Carvalho, dupla-
mente homenageada pela incansável disposição de se doar à arte da
representação.
Nesses cento e seis anos de teatro amador, Poços de Caldas pode
não ter uma história longa para contar, mas tem o registro de fatos que
compõem um período de lutas em favor dessa arte que é cultuada
desde que o homem surge na face da terra e entende que o mundo é
uma eterna alegoria e o ser humano uma metáfora de si mesmo, pois o
pano estará descendo sempre, a cada movimento de nossas vidas.

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Bibliografia
BOSI, Alfredo. História concisa da Literatura Brasileira, Editora
Cultrix, 1974 , São Paulo.
BRUNA, Jaime. Teatro Grego, Editora Cultrix, 1968, São Paulo.
LACERDA, João Luiz. Teatro de 55 Anos: 1942-1997, Edição do
Autor, 1998, Alfenas-MG
LESKY, Albin. A Tragédia Grega, Editora Perspectiva, 1976, São
Paulo.
MACHADO, Maria Clara. Biblioteca Educação é Cultura, Teatro II,
MEC-FENAME-BLOCH, 1980, Brasília-DF.
MAGALDI, Sábato. Iniciação ao Teatro, Ao Livro Técnico, 1965,
Rio.
MAGALHÃES JÚNIOR, Raymundo. Biblioteca Educação é Cultura,
Teatro I, MEC-FENAME-BLOCH, 1980, Brasília-DF.

Jornais consultados
Revista de Poços
Jornal A Justiça
Jornal Vida Social
Gazeta do Sul de Minas
Diário de Poços de Caldas
Jornal da Cidade
Jornal da Mantiqueira
Jornal Município de Caldas

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Poços de Caldas - MG