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Patentes em Angola

As patentes protegem elementos inventados, meios, características, processos e


métodos que fazem algo funcionar. Elas permitem aos inventores lucrarem com as suas
invenções. As invenções podem ser patenteadas se puder ser provada uma novidade,
se tiver utilização industrial prática e não for óbvio para quem tenha conhecimento de
causa.

Obter uma patente não é um processo simples. Existem diversos formulários e taxas,
pelo que obter uma patente pode demorar vários anos.

Em Angola, as patentes são renovadas anualmente, até um máximo de 15 anos.

O Processo para obter uma patente

Uma breve explicação do processo de obter uma patente:

 Certifique-se que ninguém mais já obteve a sua fórmula, processo ou


invenção.

 Certifique-se que a sua invenção passa os três requisitos essenciais – existe


uma novidade, tem aplicação industrial e não é óbvia para alguém com
conhecimento de causa.

 Prepare um documento contendo:

o Uma pequena introdução da invenção;

o Referências a pedidos anteriores, se aplicável;

o Uma breve discussão da área em que se insere, das premissas e


circunstâncias da invenção.

o Um sumário da invenção;
o Uma descrição da melhor implementação da invenção, incluindo
um desenho se aplicável;

o As reivindicações (dimensões e limites legais da invenção);

 Preencha o nosso Formulário de Pedido de Patente.

Patentes versus Modelos de Utilidade

Em vez de uma patente, pode também requerer um modelo de utilidade. Os modelos de


utilidade são muito semelhantes às patentes, mas têm padrões de patenteabilidade
menos estritos. Em Angola, um Modelo de Utilidade é válido por 5 anos, renovável duas
vezes até um total de 15 anos.

Patente Internacional (via PCT)

Se pretender proteger a sua invenção em qualquer um dos países contratantes do


Tratado de Cooperação em Matéria de Patentes (PCT) pode fazer um pedido de patente
internacional. Este instrumento de protecção é gerido pela OMPI – Organização Mundial
de Propriedade Intelectual, com sede em Genebra.

(Ver www.wipo.int)

O pedido internacional permite fazer um único pedido de patente, válido para vários
países, numa única língua e com uma publicação única. Ainda durante a fase
internacional, o requerente tem acesso a um relatório de pesquisa e a uma opinião
escrita que analisa os requisitos de patenteabilidade referentes à sua invenção.

Confidencialidade e Competência

A Inventa Angola serve clientes de todo o mundo, incluindo empresas envolvidas em


tecnologias complexas, tais como comunicações, petrolíferas e industrias de serviços.
Nós tratamos de todos os assuntos relacionados com a identificação de invenções
patenteáveis, protegendo e defendendo os direitos das mesmas.

A Inventa Angola é constituída por pessoas honradas, que trabalham em Angola desde
1972. Se o desejar, nós comprometemo-nos a assinar um contracto de
confidencialidade para assegurar que as suas invenções estão seguras connosco.
Organização Mundial da Propriedade
Intelectual
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Sede em Genebra

Tipo Agência especializada

Acrônimo OMPI

Comando Francis Gurry

Status Ativa

Fundação 1967

Sede Genebra, Suíça

Website www.wipo.int

Commons United Nations World Intellectual


Property Organization

Organização das Nações Unidas

A Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI) é uma entidade internacional de


Direito Internacional Público com sede em Genebra (Suíça), integrante do Sistema das Nações
Unidas.

Criada em 1967, é uma das 16 agências especializadas da ONU e tem por propósito a promoção
da proteção da propriedade intelectual ao redor do mundo através da cooperação entre Estados.
Atualmente, é composta de 184 Estados-membros [1] e administra 24 tratados internacionais. Seu
Diretor Geral atual é o australiano Francis Gurry.

Histórico

Surgimento da propriedade intelectual

O direito de propriedade intelectual nasce no século XIX, após a Revolução Industrial,


permitindo às indústrias controlar tanto sua produção, através das patentes, quanto sua
distribuição, através das marcas. Neste momento histórico não havia ainda um sistema
internacional regulando o direito de propriedade industrial.

Os países, individualmente, regulavam de forma rudimentar, através de sua legislação interna,


como se dava o regime de propriedade intelectual, o que permitia uma aplicação industrial
patenteada em um país ser apropriada por outro sem que isso fosse considerado um ilícito.

Internacionalização da proteção à propriedade intelectual

As primeiras tentativas de internacionalizar a proteção à propriedade intelectual, criando um


sistema internacional de propriedade intelectual se deram e 1883 e 1886, com a Convenção de
Paris pela Proteção da Propriedade Industrial (CUP) e a Convenção de Berna pela Proteção do
Trabalho Artístico e Literário (CUB), respectivamente.

Em 1893 a CUP e a CUB unificaram seus escritórios dando origem ao BIRPI (Bureaux
Internationaux Réunis pour la Protection de la Propriété Intellectuelle, acrônimo francês que
significa Escritório Internacional Unificado pela Proteção da Propriedade Intelectual), que teria a
função de administrar ambos os acordos.

Criação da OMPI

Após a Segunda Guerra Mundial, as discussões de caráter internacional passaram a se dar no


âmbito da ONU, que, criou, em 1967, na Convenção de Estocolmo, a Organização Mundial da
Propriedade Intelectual (OMPI).

A Convenção de Estocolmo estabeleceu os objetivos da OMPI e harmonizou os direitos de


propriedade intelectual. A partir deste momento o BIRPI tornou-se a Secretaria Internacional da
OMPI.

Desse modo, OMPI foi formalmente criada a partir da assinatura da Convenção para o
Estabelecimento da Organização Mundial da Propriedade Intelectual,[2] assinada em 14 de julho
de 1967.
Objetivos da OMPI

Objetivos Gerais

De acordo com o Artigo 3º da Convenção para o Estabelecimento da Organização Mundial da


Propriedade Intelectual,[2] à época de sua criação, em 1967, o principal objetivo da organização é
promover a proteção da propriedade intelectual internacionalmente.

Em 1974 a OMPI tornou-se agência especializada da ONU, harmonizando seus objetivos com o
interesse público e com as metas humanitárias da ONU.

Assim, segundo o Acordo entre a OMPI e a ONU, a proposta da OMPI foi redefinida para a
promoção da atividade intelectual criativa e a facilitação da transferência de tecnologia
relacionada à propriedade industrial para os países em desenvolvimento de forma a acelerar
seu desenvolvimento econômico, social e cultural.

Metas Estratégicas

Além dos objetivos gerais da organização, a cada 4 anos o Diretor-Geral divulga um Plano de
Atuação a Médio Prazo (Medium Term Plan), que define as metas estratégicas de atuação da
OMPI nos 4 anos subseqüentes ao biênio no qual são definidos o Plano de Diretrizes (Draft
Program) e o orçamento. As metas do Plano de Atuação a Médio Prazo são refinadas na
Proposta de Planos e Orçamentos bienal.

Metas Estratégicas Atuais

De acordo com a Proposta de Planos e Orçamentos de 2006/2007[1], referente ao Plano de


Atuação a Médio Prazo que orienta a atividade da OMPI de 2006-2009, as metas estratégicas
da OMPI são:

 Promoção da uma cultura da Propriedade Intelectual


 Integração da Propriedade Intelectual nos programas e políticas de desenvolvimento nacionais

 Desenvolvimento de leis e padrões internacionais de Propriedade Intelectual

 Fornecimento de serviços de qualidade em sistemas de proteção de Propriedade Intelectual

 Aumentar a eficiência da administração e dos processos auxiliares da OMPI


Estrutura

Estados-membros[1] da OMPI

A direção estratégica e as atividades da OMPI são definidas por seus Estados-membros.[1]


Atualmente são 184 Estados associados, ou seja, 90% dos países do mundo.

Os Estados se reúnem em assembléias, comitês e em grupos de trabalho.

Nas Assembléias Gerais a cada Estado-membro é atribuído um voto, sem levar em conta sua
população ou contribuição financeira à OMPI. Nas assembléias são tratados os rumos da
organização, suas atividades e programas, inclusive seu orçamento, alguns temas específicos, e
as decisões são tomadas por consenso.

A organização e a implementação das decisões tomadas nestas reuniões são feitas pelo
Secretariado da OMPI. O Secretariado, sediado em Genebra, é composto por membros de mais
de 90 países, especialistas em políticas públicas, economia, administração e TI (tecnologia da
informação). O Secretariado também administra o Sistema Internacional de Registro de
Propriedade Intelectual e desenvolve os programas para alcance das metas da OMPI.

Organizações intergovernamentais, organizações não-governamentais, representantes da


sociedade civil e grupos industriais podem receber status oficial de observadores nas reuniões
da OMPI. Para isto, a cada ano a OMPI abre um processo de atribuição deste status às
organizações interessadas.

Mecanismos de Solução de Controvérsias

Centro de Arbitragem e Mediação da OMPI

Criado em 1994 e sediado em Genebra, Suíça, o Centro de Arbitragem e Mediação da OMPI


oferece meios alternativos de solução de controvérsias para a solução de disputas comerciais
internacionais entre partes privadas. O Centro é reconhecido internacionalmente como
competente para solucionar conflitos sobre tecnologia, entretenimento e outras disputas que
envolvam propriedade intelectual. Além da Arbitragem e a Mediação, procedimentos alternativos
tradicionais, a OMPI disponibiliza a Decisão por Especialista. Neste procedimento, por acordo
entre as partes, a disputa é submetida a um ou mais especialistas que fazem uma determinação
sobre o assunto. Se as partes não acordarem em outro sentido, a determinação é vinculante.

[editar] Solução Uniforme de Disputas sobre Registro de Domínio

A Política de Solução Uniforme de Disputas sobre Registro de Domínio ( UDRP Policy –


Uniform Domain Name Dispute Resolution) define as regras legais de resolução de disputas de
infração de marcas registradas pelo registro abusivo de domínios na Internet. Esta política é
aplicada em procedimentos administrativos geridos pelo Centro de Arbitragem e Mediação da
OMPI.

Em 2006, o número de casos administrados pela OMPI sobre registro de domínios excedia
13,000, envolvendo partes de 144 países e quase 24,000 domínios de Internet.

[editar] Sistema de Casos Eletrônicos

A OMPI disponibiliza um Sistema de Casos Eletrônicos ( ECAF – WIPO Electronic Case


Facility) virtual para diminuir o tempo e os custos na condução dos casos. Neste sistema, as
comunicações de cada parte em um procedimento são submetidas eletronicamente, e um e-mail é
enviado à outra parte para alertá-la. Este sistema facilita a comunicação entre as partes e o
armazenamento de documentos, além de oferecer o sumário e as informações essenciais de cada
caso.

Financiamento

A OMPI é diferente das outras agências da ONU, pois suas atividades são totalmente financiadas
por seu próprio orçamento, tornando-a independente economicamente. Para o biênio de 2006-
2007, 90% do orçamento de 531 milhões de francos suíços (440 milhões de dólares americanos)
vieram de taxas de registro de marcas e patentes internacionais. Os outros 10% provem de taxas
de serviços de arbitragem e mediação, de publicações e de pequenas contribuições de Estados-
membros.

Tratados Existentes

A OMPI administra, atualmente, 24 tratados.

Os tratados são divididos em três grupos gerais: Proteção de Propriedade Intelectual; Sistema
de Proteção Global e; Classificação.

O grupo dos tratados relativo à Proteção de Propriedade Intelectual , contendo 14 tratados,


define as regras básicas de proteção de propriedade intelectual dos países, acordada por estes.
O segundo grupo do tratados, que se refere ao Sistema de Proteção Global , contendo 6
tratados, engloba tratados que asseguram a eficácia de registros internacionais de propriedade
intelectual em todos os países signatários, assim garantindo que os direitos de proteção
intelectual sejam respeitados em todos os Estados-membros, e não somente no país onde foi
registrado.

Por fim, o último grupo, cujos tratados se referem à Classificação, contendo 4 tratados, cria
sistemas de classificação que organizam informações sobre invenções, marcas registradas, e
desenhos industriais.

Tratados de Classificação
 Acordo de Locarno [2], relativo a desenho industrial.
 Acordo de Nice [3], relativo a marcas registradas de produtos e serviços.

 Acordo de Estrasburgo [4], relativo a classificação de patentes.

 Acordo de Viena [5], relativo a elementos figurativos de marcas.

Tratados de Sistema de Proteção Global


 Tratado de Budapeste [6].
 Acordo de Haia [7].

 Acordo de Lisboa [8].

 Acordo de Madri [9].

 Protocolo de Madri [10].

 PCT (Tratado de Cooperação de Patente) [11].

Tratados de Proteção de Propriedade Intelectual


 Convenção de Berna [12]
 Convenção de Bruxelas [13]

 Tratado de Registro de Filme [14]

 Acordo de Madrid (Indicação de Fonte) [15]

 Tratado de Nairóbi [16]

 Convenção de Paris [17]

 Tratado de Lei de Patente [18]

 Convenção de Fonogramas [19]

 Convenção de Roma [20]

 Tratado de Singapura sobre Lei de Marca Registrada (Trademark) [21]


 Tratado de Lei de Marca Registrada [22]

 Tratado de Washington [23]

 WCT (Tratado de Copyright) [24]

 WPPT (Tratado de Performances e Fonogramas) [25].

O Acordo de Roma, concluído em 1961 é administrado pela OMPI juntamente com a United
Nations Educational, Scientific and Cultural Organization (UNESCO) [26] e International
Labour Organization (ILO) [27].

Demais Tratados

Acordo de Cooperação OMPI-OMC

A OMPI assinou um Acordo de Cooperação [28] com a Organização Mundial do Comércio


(OMC) em 1996 (Acordo WTO-WIPO), visando estabelecer uma relação de suporte mútuo e
cooperação entre as Organizações para melhor administrar questões de propriedade intelectual no
âmbito internacional. Em resumo, o acordo estabelece o fornecimento de informações, tal como
leis e regulamentos, para países membros das organizações, livre acesso ao sistema de dados da
OMPI, assistência técnica e legal a países em desenvolvimento membros da OMC, mesmo não
sendo estes membros da OMPI.

Ademais, na 24ª sessão ordinária da Assembléia Geral da OMPI em 1999 foi reafirmada a
intenção de relação de cooperação com a OMC a fim de facilitar a implementação das regras do
Acordo TRIPS, especialmente nos países em desenvolvimento. Para tanto, as organizações juntas
participaram simpósios e seminários.

Acordo OMPI-ONU

A OMPI também tem um acordo com a ONU de 1971 [29] no qual esta reconhece a OMPI como
uma organização especializada responsável por tomar as medidas necessárias para garantir a
aplicação e eficácia dos tratados e acordos por ela administrada.

Ambas reconhecem tratar-se de uma relação de coordenação entre as atividades e políticas das
organizações e cooperação a fim de facilitar a troca de informações e tal coordenação. Assim,
acordam na representação recíproca das organizações nas sessões da outra organização, com
direito a participar das deliberações, mas sem direito a voto.

Mais importante, fica acordado que as organizações tomarão as devidas providências para incluir
recomendações e itens propostos pela outra organização em suas agendas. Ademais, há a
previsão de troca de informações e documentos, assistência técnica de uma organização à outra,
transferência de tecnologia, entre outras disposições.
Por fim, fica acordado também que a OMPI deve informar o Conselho Econômico-Social da
ONU sobre a natureza e escopo de qualquer acordo a ser concluído entre aquela e outra
organização internacional intergovernamental ou não-governamental.

Outras parcerias

A OMPI trabalha em garantir uma relação de comunicação e cooperação não apenas com a ONU
e OMC, mas também com outras organizações internacionais, intergovernamentais ou não-
governamentais preocupadas com a propriedade intelectual, principalmente no tocante à
implementação de regras de propriedade intelectual.

A cooperação se dá especialmente por meio de troca de informações e discussão de temas


coincidentes das agendas das organizações.

As organizações parceiras são, exemplificadamente, a European Comission [30], World Customs


Organization [31], Swiss Federal Institute of Intelectual Property [32], European Brands
Association [33], entre outras.

Agenda de Desenvolvimento

Um dos itens importantes da agenda da OMPI é o desenvolvimento. A OMPI tem como objetivo
trabalhar para que países em desenvolvimento e países em via de desenvolvimento (PVD)
consigam integrar o sistema de propriedade intelectual, assim promovendo o desenvolvimento
econômico, social e cultural.

Proposta de Planos e Orçamento 2006-2007

Os objetivos e planos de ações são estabelecidos a cada dois anos pelos Estados-membros da
OMPI. A Proposta de Planos e Orçamentos de 2006/07[34] define como alguns objetivos:

 Promoção da uma cultura da Propriedade Intelectual


 Integração da Propriedade Intelectual nos programas e políticas de desenvolvimento nacionais

 Desenvolvimento de leis e padrões internacionais de Propriedade Intelectual

 Fornecimento de serviços de qualidade em sistemas de proteção de Propriedade Intelectual

 Aumentar a eficiência da administração e dos processos auxiliares da OMPI

A OMPI reafirma a importância de proteção de propriedade intelectual como ferramenta para o


desenvolvimento econômico, social e cultural e, por isso, trabalha em adaptar e viabilizar sua
aplicação em países em desenvolvimento e países em vias de desenvolvimento, para que estes
consigam atingir os objetivos definidos nas Metas de Desenvolvimento do Milênio das Nações
Unidas [35].
Estratégias de atuação

As estratégias da OMPI para atingir seus objetivos são:

 Cooperar com governos, organizações intergovernamentais e setor privado para estabelecer


uma cultura de propriedade intelectual mais sólida e extensa;
 Criar e promover políticas de propriedade intelectual específicas para as necessidades, recursos
e condições do país;

 Desenvolver leis internacionais de propriedade intelectual que levem em conta as necessidades


de países emergentes além de equilibrar os interesses de detentores de direitos de propriedade
intelectual e objetivos de políticas públicas de certos países;

 Garantir o fornecimento de serviços de proteção de propriedade intelectual de qualidade e;


focar na implementação de programas de atividades por meio da administração responsável e
eficiente.

Exemplo de programa proposto no Plano é o de aumentar o seu apelo ao público, por meio do
site oficial da OMPI, divulgação da imagem da OMPI nos meios de comunicação em massa e
sua biblioteca e sistema de dados online, para estimular um melhor entendimento sobre
propriedade intelectual e o trabalho da OMPI. Para tanto, a OMPI irá estabelecer estratégias de
comunicação que garantam transparência, eficiência, acesso à informações e estabeleçam um
diálogo entre ela e o público.

Outro programa é o de coordenação externa, na qual a OMPI estabelece novos escritórios


internacionais, em Nova York, Washington D.C., Bruxelas e Singapura, para facilitar o
relacionamento com outras organizações internacionais, instituições governamentais relevantes,
indústrias e consumidores.

A OMPI também estabelece, entre outros, um programa de uso estratégico de propriedade


intelectual no desenvolvimento. Para tanto, a Organização estabelecerá parcerias de e atividades
e pesquisas com Estados-membros, universidades, instituições públicas de pesquisa, agências
intergovernamentais, e entidades empresariais, além de estudos de caso em países em
desenvolvimento, para documentar suas experiências e problemas a serem solucionados.

Plano de Recomendações para a Agenda de Desenvolvimento

A OMPI também definiu um Plano de Recomendações para a Agenda de Desenvolvimento da


Organização [36] . São 45 recomendações divididos em 6 grupos:

 Assistência técnica e capacitação;


 Domínio público, políticas públicas, estabelecimento de normas e flexibilizações;

 Transferência de tecnologia, tecnologias de informação e comunicação (ICT), e acesso a


conhecimento;

 Estudos de avaliações e impactos; temas institucionais incluindo mandatos e governança;


 outros temas.

A OMPI resume suas atividades de assistência técnica aos países em desenvolvimento e países
em via de desenvolvimento de 1998 à 2005 [37] . Estas incluem:

 Treinamento de oficiais de propriedade intelectual de países em desenvolvimento no


desenvolvimento de recursos humanos;
 Patrocínio de visitas de oficiais dos países em via de desenvolvimento à OMPI;

 Organização de excursões de estudo para oficiais dos países em via de desenvolvimento à países
industrializados;

 Assistência para estabelecimento de Centros de Informações e Serviços de Conselhos de


Propriedade Intelectual, entre outros.

Papel do Brasil na agenda de desenvolvimento

De fato, o Brasil teve um grande envolvimento com a agenda de desenvolvimento da OMPI. Em


2004, o Brasil e a Argentina enviaram à Organização uma Proposta de estabelecimento de uma
agenda de desenvolvimento para a OMPI [38].

A proposta incluía emendas à Convenção da OMPI; sugestões de cláusulas a serem inseridas em


tratados em negociação, como o Substantive Patent Law Treaty (SPLT); cooperação técnica;
criação de uma Comissão de Propriedade Intelectual e Transferência de Tecnologia que garantam
meios eficazes de transferências para países em desenvolvimento; organização de seminários
internacionais em conjunto com a OMC e a UNCTAD, entre outros.

As propostas foram analisadas na 31ª Assembléia Geral em 2004 e, algumas, foram adotadas.

Críticas

Subdemocracia

Ainda que se alegue certa eqüidade entre os Estados-membros da OMPI pela regra do "Um país,
um voto", na prática esta eqüidade não se verifica. Freqüentemente os Estados e blocos mais
ricos, particularmente os EUA e Europa, são quem, efetivamente, guiam a agenda da OMPI e
têm seus interesses prevalecidos. Contribui para isso, ainda, o fato da OMPI dar grande poder ao
Secretariado para contornar, muitas vezes, os desejos dos Estados-membros.

Sobreposição do interesse privado sobre o público

A OMPI e seus representantes constantemente afirmam que a missão da organização é a


promoção da propriedade intelectual num nível global. No entanto, direitos de propriedade são,
em última análise, direitos privados, particulares, sua promoção é a promoção é a promoção de
interesses privados, principalmente os das grandes gravadoras, estúdios de cinema, editoras e
laboratórios farmacêuticos.
A ONU, e a OMPI enquanto sua agente, têm a obrigação primária de promover o interesse
público global, uma obrigação que muitas vezes se torna contraditória, considerando os objetivos
iniciais da OMPI.

Falta de transparência

Muitas decisões da OMPI são tomadas a portas fechadas e não são levadas a registro oficial.
Acertos são freqüentemente feitos durante consultas informais, embora isso não seja atípico na
negociação de tratados internacionais. O grande problema, no entanto, reside na falta de
transparência relativa aos programas de assistência técnica da OMPI. Muito deste material não
está disponível a consulta para que jornalistas, juristas e demais interessados possam analisá-lo e
criticá-lo. Ademais, a prática da OMPI consistente na remessa de discussões controversas a
consultas regionais sigilosas, das quais a sociedade civil não pode participar, pode ser mais um
ponto negativo no que se refere à transparência da organização.

Diplomacia Excessiva

Os delegados dos Estados-membros na OMPI tendem a ser, em sua maioria, diplomatas de


carreira, tendendo a um comportamento bastante "diplomático", e, assim, raramente
apresentando intenção de discordar abertamente de outros membros.

Apesar de seus benefícios, particularmente no tratamento de negociações internacionais


delicadas, a diplomacia apresenta, também, aspectos negativos. A cultura diplomática de
Genebra contribui para a OMPI a se manter distante de tópicos controversos e manter controle de
liderança. Somente os países e blocos mais importantes, como é o caso dos EUA e União
Européia, podem suportar o custo político de adotar posições controversas ou impopulares.

Freqüentemente os EUA e a União Européia se manifestam sobre a indicação a algum posto da


OMPI, deixando os outros Estados-membros numa posição delicada em que tenham que
discordar de um poderoso aliado comercial de maneira pouco diplomática.

Esvaziamento

As decisões tomadas no âmbito da OMPI são, preferencialmente, tomadas por meios


consensuais, mas, em qualquer votação, cada Estado-membro tem direito a um voto,
independentemente de sua população ou contribuição para os fundos da organização.

Este é um fator relevante, visto que existe uma grande divergência política concernente aos
direitos de propriedade intelectual entre os países do Norte e os países do Sul.

Durante as décadas de 60 e 70 nações em desenvolvimento conseguiram barrar expansões a


acordos de propriedade intelectual, tais como as patentes farmacêuticas universais, que poderiam
ter sido alcançadas através da OMPI. Isso levou, na década de 1980, países desenvolvidos como
os EUA a deslocar os temas relativos a propriedade intelectual da OMPI para o GATT, que,
posteriormente, deu origem à OMC, onde os países do Norte detinham maior controle sobre a
agenda de discussão. O esvaziamento da OMPI e a migração da discussão relativa aos direitos de
propriedade intelectual se consolidam com a edição do TRIPS.