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CENTRO TEOLOGICO BATISTA DO ESTADO DO ESPIRITO SANTO

EXEGESE DE HEBRAICO

VILA VELHA
2009
SEMINARIO TEOLOGICO BATISTA DO ESTADO DO ESPIRITO SANTO.

CETEBES

EXEGESE DO TEXTO DE SALMO 70: 1-5

Exegese feita em comprimento as exigências


parciais da disciplina de Exegese do Antigo
Testamento, do curso de bacharel em teologia, do
Centro Teológico Batista do Estado do Espírito
Santo.

Prof. Pr. Genesis Ferreira Bezerra


TRABALHO FEITO POR

ADEMAR COELHO BORGES

GERALDO DO CARMO F. JR.


MARCOS ANTONIO OLIARI
ROBICELIA
ÍNDICE

1 INTRODUÇÃO............................................................................................... 05
2 TEXTO BÍBLICO EM HEBRAÍCO................................................................. 06
3 ANALISE GRAMATICAL............................................................................... 06
4 TRADUÇÃO LITERAL DO TEXTO HEBRAICO........................................... 09
5 COMPARAÇÕES ENTRE VERSÕES.......................................................... 09
6 ANALISE HISTÓRICO-CULTURAL.............................................................. 11
6.1 O Nome Salmos................................................................................................. 11
6.2 Autoria................................................................................................................ 12
6.3 Contexto social................................................................................................... 13
6.4 A presença dos Salmos na Palavra de Deus.....................................................
13
6.5 A Divisão dos Salmos.........................................................................................
14
6.6 Os Tipos de Salmos...........................................................................................
14
6.7 Data da Escrita...................................................................................................
15
6.8 Os salmos e o Cristão.................................................................................
15
7 ANÁLISE DO CONTEXTO GEOGRÁFICO.................................................. 15
7.1 O Reino do Saul................................................................................................. 15
7.2 O reino de Davi.................................................................................................. 16
7.3 O reino de Salomão........................................................................................... 17
7.4 Jerusalém...........................................................................................................
18
8 ANÁLISE DO CONTEXTO LITERÁRIO........................................................ 19
9 ANÁLISE TEOLÓGICA................................................................................. 20
10 ANÁLISE DO SIGNIFICADO DE PALAVRAS E FRASES IMPORTANTES 21
11 TRADUÇÃO DEFINITIVA.............................................................................. 22
12 COMENTÁRIO EXPLICATIVO..................................................................... 23
13 CONTEXTUALIZAÇÃO DA MENSAGEM..................................................... 23
BIBLIOGRAFIA.............................................................................................. 25
01 – INTRODUÇÃO

O propósito e mensagem dos salmos devem ser analisados sob a ótica do autor e
organizador. Quanto ao propósito do autor não há unificação. No entanto, é
provável, que muitas composições tenham sido feitas para suprir necessidades
litúrgicas.

O propósito e mensagem do organizador são facilitados pelos salmos 1 e 2 que


servem de introdução geral ao livro e os salmos de junção. O salmo 1 separa como
luz e trevas a conduta e destino do justo e a do ímpio, bem como apresenta o tema
central dos salmos: o interesse pela vindicação dos justo e o castigo dos ímpios. O
salmo 2 nos traz a idéia de que Deus escolheu o rei israelita e o defendeu das
conspirações dos reinos. Aqui vemos o aspecto nacional em contraste com o
individual do salmo 1.

O individual e nacional unem-se em Davi. Com base nesses dois aspectos, os


salmos de junção nos ajudam a compreender a mensagem do organizador. A junção
entre os livros I e II faz a transição da monarquia de Saul para a ascensão de Davi.
A ligação entre os livros II e III traz a transição de Davi para Salomão. A junção dos
livros III e IV apresenta a aliança quebrada e o povo confuso e sitiado, o que vem
lembrar a monarquia pré-exílica provável de Salomão até a queda de Jerusalém. A
última conexão é a ladainha dos fracassos de Israel e a súplica pela volta a
Jerusalém.

Temos como temas principais nos Salmos o principio da retribuição e a soberania. O


principio da retribuição pode ser resumido em duas afirmações: 1 - o justo
prosperará e o ímpio sofrerá; 2- os que prosperam são justos, enquanto os que
sofrem são ímpios.

Portanto, a conclusão que se chega é a de que os cinco livros do saltério tinham o


objetivo de traçar a história de Israel, especialmente em relação à aliança davídica,
ou seja, a aliança do reino. Em geral os salmos do Livro II podem ser
correlacionados a acontecimentos do reinado de Davi registrados em II Samuel.
02 - TEXTO BIBLICO EM HEBRAÍCO

Salmo 70: 1 – 5

`ryKi(z>h;l. dwIïd"l. x:Ceªn:m.l;÷ 1

`hv'(Wx) ytir"îz>[,l. hw"©hy>÷


ynIlE+yCih;l. ~yhiîl{a/ 2
`yti(['r" yceªpex]÷ Wm+l.K'yIw> rAxa'â
WgSoåyI yviîp.n:ò yveçq.b;m. éWrP.x.y:w>
WvboåyE 3
`xa'(h, xa'îh,« ~yrIªm.aoh'÷ ~T'_v.B'
bq,[eä-l[; WbWvy"â 4

`^t<)['Wvy> ybeªh]ao÷ ~yhi_l{a/ lD:äg>yI


dymit'â Wråm.ayOw> ^yv,îq.b;ñm.-lK'( ^ªB.
Wx’m.f.yIw> WfyfiÛy"¬ 5

`rx:)a;T.-la; hw"©hy>÷ hT'a;_ yjiäl.p;m.W


yrIåz>[, yLiî-hv'ñWx) ~yhiçl{a/
é!Ayb.a,w> ynIå[' ynIÜa]w: 6

03 - ANÁLISE GRAMATICAL

Palavra em
Análise gramatical Significado
hebraico
Título do Salmo
l preposição; h artigo ; xcn verbo
Para o
x:Ceªn:m.l;÷ piel participo masculino singular
supervisor
absoluto

l preposição; dwID' substantivo


dwIïd"l. apropriado nenhum gênero nenhum De Davi
número nenhum estado
l
l partícula preposição; rkz verbo Para
ryKi(z>h;l. infinitivo hiphil lembrança
construir

Versículo nº 01
Plural masculino comum do
~yhiîl{a/ substantivo
Deus

l preposição; lcn verbo hiphil


ynIlE+yCih;l. infinitivo construto sufixo1st pessoa do Para livra-me
singular comum.
Substantivo apropriado nenhum
hw”©hy>÷ gênero, numero e estado.
Senhor

l preposição da partícula;
hr’z>[, pessoa singular
ytirӔz>[,l. feminino comum do sufixo da
Socorrer-me
construção do substantivo homônimo
singular comum
Verbo qal imperativo masculino
hv’(Wx singular.
Ser zeloso

Versículo nº 02
WvboåyE Qal imperfeito 3 pessoa do plural Envergonhado

éWrP.x.y:w> w conjunção da partícula; rpx verbo E humilhado


qal imperfeito 3 pessoa do plural
verbo piel particípio, construção plural
yveçq.b;m masculino.
Demandam
pessoa singular feminino comum do
yviîp.n:ò sufixo da construção do substantivo Vida
singular comum
verbo niphal imperfeito 3 pessoa
WgSoåyI masculino plural.
Esvair, declinar
Substantivo comum masculino singular Parte de trás /
rAxa'â absoluto. voltem a trás
Sintam-se
Wm+l.K'yIw w conjunção da partícula; ~lk verbo envergonhados
niphal imperfeito 3 pessoa masculino
plural.
Desejando /
yceªpex adjetivo masculino plural construto
deliciando
substantivo comum feminino singular
Calamidade /
yti(['r" construto sufixo, 1 pessoa comum
catástrofe
singular

Versículo nº 03
Verbo qal imperfeito 3 pessoa masculino
WbWvy plural.
Voltem eles
Em, mediante,
bq,[eä-l[; l[ preposição; bq,[ adjetivo sobretudo,
sobre, contra/
masculino singular construto
conseqüência.
Substantivo comum feminino singular
~T’_v.B’ construto sufixo, 3 pessoa masculino Vergonha.
plural.
Os que dizem /
~yrIªm.aoh’ H artigo rma verbo qal particípio os dizendos /
aqueles que
masculino, plural absoluto.
dizem
xa’îh,« Partículas de interjeição Ah!
Xa’(h, Partículas de interjeição Ah!

Versículo nº 04
Exultem /
Verbo qal imperfeito, 3ª pessoa
WfyfiÛy"¬ masculino plural.
mostrem
alegria

Wx’m.f.yIw> w conjunção; xmf verbo qal Brilhem


imperfeito, 3 pessoa masculino plural. alegremente

^ªB. B partícula de preposição sufixo, 2 Em ti


pessoa masculino singular.
^yv,îq.b;ñm.- Substantivo masculino singular
Conjunto/
construto verbo piel particípio
lK'( masculino plural.
busquem

Wråm.ayOw w conjunção; rma verbo qal Dizem


imperfeito, 3 pessoa masculino plural.
Maravilhas /
dymit'â Advérbio.
milagres
Verbo qal imperfeito 3 ª pessoa
lD:äg>yI jussivo masculino singular
Crescerem
Plural masculino comum do
~yhi_l{a/ substantivo
Deus

ybeªh]ao÷ Verbo qal particípio masculino plural Amigo


construto
Substantivo comum feminino singular
construir sufixo 2a pessoa singular
`^t<)['Wvy> masculina
Salvação

Versículo nº 05

ynIÜa]w: w particípio; ynIa pronome E eu


independente 1a pessoa singular comum
ynIå[' Adjetivo masculino singular absoluto E afligido
Queremos-nos,
w conjunção; !Ayb.a adjetivo necessitados,
é!Ayb.a,w masculino singular construto os pobres /
miserável.
~yhiçl{a/ Plural masculino comum do substantivo Deus

yLiî- vwx verbo qal imperativo masculino


Apresa-te para
singular; l partícula preposição sufixo
hv'ñWx) mim
1a pessoa singular comum
Substantivo comum masculino singular
yrIåz>[, construto sufixo 1a pessoa singular Meu Socorro
comum homônimo
w conjunção; jlp verbo conjugado
É meu
yjiäl.p;m.W piel particípio masculino singular
libertador
construir sufixo 1a pessoa singular
comum
Pronome masculino singular 2ª pessoa
hT'a;_ independente
Tu és
Substantivo sexo sem nenhum bom
hw"©hy>÷ número nenhum Estado
Senhor
Não atrasar /
`rx:)a;T.- la advérbio; rxa verbo piel não demorar /
la; imperfeita 2a pessoa masculino singular não deixar de
vir

04 - TRADUÇÃO LITERAL DO TEXTO HEBRAICO

Titulo: De Davi para o supervisor, para lembrança.


1. Deus para livrar-me, Senhor, socorre-me ser zeloso.
2. Envergonhados e humilhados demandam vidas, esvair voltem a trás sintam-
se envergonhados catástrofe.
3. Voltem eles mediante vergonha, aqueles que dizem ah! Ah!.
4. Exultes brilhem alegremente em ti busquem dizem milagres crescerem Deus
amigo salvação.
5. E eu afligido necessitado Deus apresa-te para mim, meu socorro e meu
libertador tu és Senhor não deixe de vir.

05 - COMPARAÇÕES ENTRE VERSÕES

- Bíblia Revista e Corrigida

1. Salmo de Davi para o cantor-mor, para lembrança. APRESSA-TE, ó Deus, em


me livrar Senhor, apressa-te em ajudar-me.
2. Fiquem envergonhados e confundidos os que procuram a minha alma, tornem
atrás e confundam-se os que me desejam mal.
3. Voltem as costas cobertos de vergonha os que dizem: Ah! Ah!
4. Folguem e alegrem-se em ti todos os que te buscam e aqueles que amam a
tua salvação digam continuamente: Engrandecido seja Deus.
5. Eu, porém estou aflito e necessitado apressa-te por mim, ó Deus. Tu és o
meu auxílio e o meu libertador, Senhor, não te detenhas.

- Corrigida e Fiel - João Ferreira de Almeida

1. APRESSA-TE, ó Deus, em me livrar; SENHOR, apressa-te em ajudar-me.


2. Fiquem envergonhados e confundidos os que procuram a minha alma; voltem
para trás e confundam-se os que me desejam mal.
3. Virem as costas como recompensa da sua vergonha os que dizem: Ah! Ah!
4. Folguem e alegrem-se em ti todos os que te buscam; e aqueles que amam a
tua salvação digam continuamente: Engrandecido seja Deus.
5. Eu, porém, estou aflito e necessitado; apressa-te por mim, ó Deus. Tu és o
meu auxílio e o meu libertador; SENHOR, não te detenhas.
- Versão Linguagem de Hoje

1. Ó Deus, salva-me! Ajuda-me agora, ó Deus Eterno.


2. Que sejam completamente derrotados e humilhados aqueles que me querem
matar! Que fujam, envergonhados, aqueles que se alegram com as minhas
aflições!
3. Que caiam na desgraça e fiquem cheios de confusão aqueles que zombam
de mim!
4. Que fiquem alegres e contentes todos os que te adoram! E que os que são
gratos pela tua ajuda digam sempre: "Como Deus é grande!"
5. Eu sou pobre e necessitado; vem depressa em meu auxílio, ó Deus. Tu és a
minha ajuda e o meu libertador; não te demores em me socorrer, ó Deus
Eterno!

- Versão (bíblia da CNBB)

Ao maestro do coro. De Davi. Para comemorar

1. Senhor, livra-me; vem depressa, SENHOR, em meu auxílio.


2. Fiquem confusos e envergonhados os que buscam tirar-me a vida; caiam
para trás e fiquem cobertos de ignomínia os que se alegram com minha ruína.
3. Recuem, cobertos de vergonha, os que zombam de mim.
4. Exultem e se alegrem em ti todos os que te buscam; digam sempre: “O
Senhor é grande” os que desejam a tua salvação.
5. Eu porém sou pobre e infeliz; Deus socorre-me! Tu és meu auxílio e meu
libertador, SENHOR, não demores.

- Português - Bíblia Revisada

1. Apressa-te, ó Deus, em me livrar Senhor, apressa-te em socorrer-me.


2. Fiquem envergonhados e confundidos os que procuram tirar-me a vida
tornem atrás e confundam-se os que me desejam o mal.
3. Sejam cobertos de vergonha os que dizem: Ah! Ah!
4. Folguem e alegrem-se em ti todos os que te buscam e aqueles que amam a
tua salvação digam continuamente: engrandecido seja Deus.
5. Eu, porém, estou aflito e necessitado apressa-te em me valer, ó Deus. Tu és
o meu amparo e o meu libertador Senhor, não te detenhas.

6 - ANALISE HISTÓRICO-CULTURAL

6.1 - O Nome Salmos

A palavra salmo vem do grego psalmos que quer dizer um cântico ou um hino. A
palavra hebraica para o livro é têhillím e significa louvores. O livro contém uma
coleção de cento e cinqüenta cânticos da vida religiosa e da adoração hebraica –
cânticos do coração do povo e que refletem suas experiências pessoais. Pode-se
dizer que os salmos representam o antigo hinário do povo de Deus.

6.2 - Autoria

O livro de Salmos é um dos mais estimados e usados do AT, porém é um dos mais
problemáticos do cânon. Sua complexidade se deve na dificuldade de determinar a
autoria, composição, teologia, interpretação, aplicação e função. Dois aspectos são
relevantes quando estudamos a composição do livro de Salmos: autoria de salmos
individuais e a composição do saltério em geral. A datação parece varia de meados
do segundo século a. C. a 539 a. C.(pós-exílicos). É consenso de que a composição
do Livro de Salmos se deu após o exílio e também que se faz necessário distinguir o
organizador do autor.
Quem escreveu os salmos? Fazer esta pergunta é quase o mesmo que perguntar
quem escreveu os nossos hinários modernos. A resposta pode ser – muitas
pessoas. Muitos compositores contribuíram com a coleção de cânticos e poemas
que conhecemos como o livro de salmos. A tese mais aceita é a de que alguém
depois do cativeiro na Babilônia compilou esses salmos em um só volume, neste
caso poderia ter sido o cronista Esdras.

Um problema para se estabelecer uma autoria dos salmos se deve ao fato de que
"na maioria dos casos, o próprio texto dos salmos não indica o autor nominalmente.".
Porém, quando encontramos alguma informação nos títulos dos salmos ele nos
apresenta o "seguinte quadro tradicional: um salmo de Moisés (Sl 90); setenta e três
de Davi (a maioria de acha nos livros I e II); doze de Asafe (50, 73-83); dez dos
descendentes de Coré (42, 44-49, 87-88); um ou dois de Salomão (72 e 127); um de
Hemã, o Ezraíta (88); um de Etã, o Ezraíta (89)".

Acredita-se que esta organização foi para marcar transições de um livro para outro,
de forma que, ao examiná-los cuidadosamente, podemos distinguir o tópico principal
de cada livro, já que no final de cada livro temos os salmos de junção. Evidencias
foram encontradas nos manuscritos do mar Morto apontam que o Livro de Salmos
não foi compilado de uma só vez.

Portanto, tanto a autoria como a composição do Livro de Salmos fica muito difícil de
definição, uma vez que o mesmo é composto de autorias individuais escritos durante
o período de mil anos por várias pessoas. E que posteriormente foram organizadas
gradualmente em uma obra maior com propósitos teológicos definidos em mente.

6.3 - Contexto social

É inútil reconstruir o contexto histórico esquivo dos salmos individuais invés disso o
interpretar deve de preferência se perguntar: como este salmo funcionava na
adoração de Israel no antigo testamento? O saltério desde muito tempo é conhecido
como hinário de Israel antigo.
Há diversas declarações diretas dos próprios poemas, que mostra a utilização dos
salmos no contexto de adoração. Os salmos refletem muitas e diversas reações à
vida: alegria, tristeza, gratidão e tranqüila meditação para nomear apenas algumas,
os israelitas tinham sempre uma oração pronta para todas as vicissitudes da vida.
6.4 - A presença dos Salmos na Palavra de Deus

Os salmos têm um lugar singular na Bíblia, por dois motivos. Primeiro, ele nos dão
uma visão de como era a adoração em Israel de maneira pessoal e congregacional.
Certos salmos eram feitos para todos os "crentes". A congregação certamente
usava, por exemplo, o salmo 136 como uma forma de leitura responsiva.

Outros salmos estão mais ligados às experiências do indivíduo. O salmo 3 descreve


os sentimentos intensos de Davi enquanto ele fugia de seu filho Absalão. Muitos
outros salmos revelam experiências pessoais de adoração.

Segundo, os salmos lidam com todos os aspectos da vida hebraica. O povo louvava
a Deus por seus grandes feitos e por bênçãos especiais. Eles também agradeciam
pelo perdão dos pecados. Algumas vezes, lamentavam as circunstâncias difíceis da
vida e imploravam para que Deus amaldiçoasse os seus inimigos da fé. Os salmos
conseguem abranger de maneira satisfatória a teologia e a vida diária das pessoas.

Paul House afirma que nenhum outro livro do AT possui escopo histórico e teológico
que se vê nos salmos. Como documento teológico o livro abrange toda uma gama
de confissões bíblicas sobre o caráter, a atividade e os interesses do Senhor. Aqui
Deus é chamado de criador, sustentador, protetor, salvador, juiz, estabelecedor de
aliança e restaurador.

Aqui se revela toda uma série de ações divinas que dão sentido a esses nomes, e
aqui também se apresentam os ambientes históricos que fornecem o contexto para
a realidade e reflexão teológica. Os principais acontecimentos da história de Israel
são mencionados para dar sustentação às declarações do livro acerca do dia-a-dia
das pessoas.
Os salmos declaram as verdades de Deus em um estilo cheio de beleza que fala
tanto às nossas mentes quanto aos nossos corações.

6.5 - A Divisão dos Salmos


Os salmos estão divididos em cinco livros. Esta divisão é feita para se fazer uma
alusão aos cinco livros da Lei (hipótese bem aceita). Pensando nisso, o saltério ficou
assim dividido:

Livro I – os salmos de número 1 ao 41;


Livro II – os salmos de número 42 a 72;
Livro III – os salmos de número 73 a 89;
Livro IV – os salmos de número 90 a 106;
Livro V – os salmos de número 107 a 150.

6.6 - Os Tipos de Salmos

Os salmos estão classificados em 7 tipos de categorias, a saber:

Hino – cânticos de louvor e ação de graças a Deus por aquilo que ele é e aquilo que
ele fez;
Penitência – confissão do arrependimento pelo pecado, súplica pela graça e perdão
de Deus;
Sabedoria – observações gerais sobre a vida, especialmente, acerca de Deus e de
nosso relacionamento com ele;
Realeza – o tema principal é o rei como filho de Davi e instrumento especial de Deus
para governar o povo;
Messiânico– descreve alguns aspectos da pessoa ou do ministério do Messias;
Imprecatório – pedido a Deus por julgamento contra os inimigos de Deus e/ou os
inimigos de seu povo;
Lamento – lamento por uma situação; normalmente inclui declarações de lamento,
confiança em Deus e afirmação de louvor a ele.
6.7 - Data da Escrita

A data da escrita é muito difícil de precisar, visto que cada salmo fora escrito em
tempos e épocas diferentes. Entretanto, Gagliardi tem uma opinião coerente a cerca
da questão de data envolvendo os salmos com a qual nos ajudará a assumir uma
posição quanto a esta questão. Segundo ele a data da composição é diferente da
data da organização do livro, pois a maioria dos autores não pensava estar
compondo para uma futura coletânea que serviria à liturgia do templo. As datas de
composição são tão distantes quanto Moisés, cerca de 1440 a.C. (Sl 90) e talvez
Esdras em torno de 450 a.C. (Sl 119) ou ainda o de número 126 e 137.

Sendo assim, o melhor é afirmarmos que a data da escrita dos Salmos é incerta.

6.8 - Os salmos e o Cristão

Os salmos continuam sendo uns tesouros de auxílio espiritual para os cristãos. Suas
palavras falam ao nosso coração assim como certamente falaram ao coração de
outros desde os dias eu foram escritos. Seja qual for o nosso estado de espírito, seja
qual dor nossa situação, as vozes antigas nos convidam ouvi-las. Elas também já
passaram por alegria, tristeza, luto, pecado, ira, confissão, perdão e outras
experiências que tocam tão profundamente em nossas vidas. Elas nos chamam a
aprender delas enquanto o Espírito Santo usa essas palavras para nos trazer para
mais perto do Senhor.

07 - ANÁLISE DO CONTEXTO GEOGRÁFICO

7.1 - O Reino de Saul

Saul tornou-se rei pelas mãos do Profeta Samuel, em resposta ao clamor do povo,
que pedia um rei (1Sam 8.5).

Os estados vizinhos todos eram reinos e acreditava-se piamente que os fracassos


militares de Israel deviam-se à ausência de liderança e de unidade. Antes de ser
ungido rei em Gilgal Saul liderou com êxito os israelitas contra os moabitas para
libertar Jabes-Gilgade numa série de ações planejada contra guarnições filisteias, os
israelitas obtiveram varias vitórias contra o velho inimigo desde micmás até Aijalom
(1Sam 14.). Auxiliados pelas táticas de emboscadas de seu filho Jônatas, Saul teve
uma celebre vitoria em micmás.

O sucesso nas campanhas militares no sul do reino preparou o caminho para que
Davi, sucessor de Saul, expandisse seu domínio. Mais a inveja de Saul o levou ao
ponto de atentar contra a vida de Davi, marca a reviravolta do seu destino. Depois
de consultar a uma bruxa em En-Dar, ele e Jônatas morreram quando os israelitas
foram derrotados pelos filisteus na batalha de Gilboa.

Davi foi obrigado a fugir do assassino de Saul e buscou refugio em vários lugares
incluindo a corte do rei filisteu. Após a morte de Saul, ele foi coroado primeiramente
Rei de Judá, e, depois de Israel, em Hebrom.

7.2 - O reino de Davi

Davi pôs-se a consolidar o que Saul havia começado: unir o povo, anular o poder
filisteu e expandir as fronteiras dos reinos até os edomitas, anomitas, moabitas e
arameus. Ao capturar Jerusalém das mãos dos Jebuseus, ele completou a conquista
de Canaã. Então a arca da aliança (um baú cultual que continha as tabulas sagradas
de Moisés) foi solenemente levada para a cidade da qual Davi fez sua capital (2Sam
6).

A fonte de Giom flui do vale de Cedrom e era a principal reserva de água na antiga
Jerusalém. Acredita-se que Davi tenha capturado a cidade ao fazer um ataque de
surpresa através da fonte de Giom. Todos os “que estão dispostos a ferir os
Jebuseus suba pelo canal subterrâneo...”. A passagem vertical tem cerca de nove
metros de profundidade.

Davi estendeu seu reino e a ele anexou terra desde Dã ate o ribeiro do Egito. Seu
império avançou muito mais, para o norte, na direção de Eufrates, e para o sul, no
sentido do golfo de Acaba. Os povos de Edom, Moabe, Amom e Arã tornaram-se-lhe
estados vassalos, sujeitos ao pagamento de tributos (2 Samuel 8.2-14). Isso,
juntamente com os impostos arrecadados por causa do enorme volume de comercio
que passava pelo levante, colocou o tesouro numa situação bem sadia. Davi
comissionava construções, tais como o seu palácio em Jerusalém, para a qual
utilizou artífices dos estados vizinhos (2Samuel 5.11). Ele teve o cuidado de manter
o tratado de paz com seus aliados, os filisteus e o povo de Hamate.

Davi e seus generais administraram a manutenção da hegemonia que impuseram


ao levante, a despeito de duas rebeliões dentro de Israel(uma coordenada pelo seu
filho Absalão e outra por Seba , o benjamita). Ao morrer, em c.970 a.C., Davi
entregou ao filho Salomão um império que, cinqüenta anos antes, teria sido
inimaginável, cuja extensão nunca mais se veria sob governos israelitas.

7.3 - O reino de Salomão

Depois de vencer uma difícil luta pela sucessão, Salomão reinaria por cerca de
quarenta anos (c.970-930 a.C.).Administração e diplomacia foram seus pontos
fortes. Casou-se com filhas de reis de nações vizinhas como forma de selar relações
diplomáticas e uniu-se a Hirão , rei da cidade Fenícia de Tiro, em projetos
comerciais. Dividiu seu próprio reino em doze distritos administrativos (1Rs 4.7-19).
Isso facilitou um programa de construção de alcance nacional. Cada distrito tinha um
administrador responsável por organizar a corvéia (trabalhos forçados) necessária
pra explorar as pedreiras, a fim de produzir a alvenaria para as construções. Os
administradores das regiões baixas arrecadavam os tributos, principalmente os
cananeus.

Salomão desenvolveu um monopólio comercial e explorou os recursos naturais de


seu império. Construiu o templo e outros prédios públicos em Jerusalém; fortificou as
cidades de Hazor, Megido, Gezer, Bete-Horom de baixo, Baalate, e Tadmor na
Arabá (1Rs 6,7,9.15-18). Construiu fornos para fundir ferros e abriu minas de cobre;
criou ainda uma base de naval em Eziom-Geber.

Entretanto, a extravagância de alguns de seus projetos e a política de trabalhos


forçados plantou sementes de insatisfação, que mais tarde causaram colapso de
seu reino durante o governo de seu sucessor.
Navios mercantes saiam de Eziom-Geber carregados de trigo e de óleo de Olívia;
zarpavam para Ofir (em geral considerada a atual Somália) e, talvez, também para a
Índia. Retornavam com ouro, prata, marfim e madeiras nobres, alem de animais
exóticos (1Rs 10.11,22). Entre Israel e o sul da Arábia, normalmente vista como
Sabá, havia um comercio florescente de especiarias. Afirma-se que as ligações da
rainha de Sabá com Salomão tinham fortes interesses comercias.

As duas rotas comercias mais lucrativas no antigo Oriente Próximo eram o caminho
do Mar, que ligava Egito e Ásia, e a Estrada real, a principal rota de caravanas que
subiam do sul da Arábia. Ambas eram controladas por Israel no tempo do império de
Davi e de Salomão. Este também controlava o comercio marítimo em associação
com Hirão, rei de Tiro, Hirão explorava o comercio litorâneo, a partir da Ásia menor,
ligado com rotas marítimas desde Eziom-Geber ate o mar vermelho.

7.4 - Jerusalém

Cidade dos Jebuseus conquistada por Davi, Jerusalém foi edificada ao norte, sobre
o pico de uma colina. Além de estar em posição de defesa privilegiada, com
muralhas ao redor, o local foi escolhido também por causa da reserva de água, no
Pé da ladeira oriental, conhecida como fonte de Giom. O espaço era limitado e
muitas casas tiveram de ser edificadas sobre o terreno pedregoso das ladeiras.

A medida que a cidade se expandiu na época de Salomão, também o centro


deslocou-se para o norte , para o topo mais plano da colina. Davi escolheu uma
antiga eira dos Jebuseus, supostamente o local do sacrifício de Isaque no monte
Moriá, para abrigar o altar (2Sam24. 18). Foi ali que Salomão construiu o templo.
Com cedro do Líbano, ele edificou também um magnífico palácio, usado como
arsenal e como tesouraria, construiu ainda uma sala de julgamento e um palácio
para uma de suas esposas, a filha do faraó do Egito.

08 - ANÁLISE DO CONTEXTO LITERÁRIO


A estrutura literária de salmos e quase um paralelo na bíblia hebraica. À exceção do
cântico dos cânticos, saltério é a única antologia poética nas escrituras. Alem disso,
salmos proporciona os exemplos clássicos da poesia hebraica.

Israel herdou uma tradição literária longa e bem desenvolvida no Antigo Oriente
Médio. A poesia hebraica datada dos séculos XIII ou XII a. C, sendo que a poesia
egípcia data de 3200 a.C. Estudiosos têm reconhecido as semelhanças entre o
salmo 104 e o hino do sol de Aquenaton, bem como os cânticos de amor egípcios do
Novo Império (c.1570 – 1085 a.C) e Cântico dos Cânticos. Os mesmos tipos de
tradições poéticas se desenvolveram simultaneamente na Mesopotâmia antiga.

A poesia hebraica é caracterizada pelas estruturas sonora e de pensamento. A


estrutura sonora é o padrão regular de sílabas enfatizadas ou não enfatizadas;
também pode ser a repetição de sons por recursos como aliteração (Repetição das
mesmas letras, sílabas ou sons numa frase (ex.: passo a passo se anda espaço), ou
assonância (Semelhança ou proximidade de sons).

A estrutura de pensamento ou sentido é o equilíbrio de idéias de forma estruturada


ou sistemática. O veículo principal da transmissão da estrutura de pensamento na
poesia bíblica é a característica chamada paralelismo de termos constituintes. Forma
difundida de pensamento nos círculos literários do Antigo Oriente Médio, o
paralelismo foi desenvolvido com grande habilidade pelos poetas hebreus.

Sendo poesia uma expressão de energia criativa humana filtrando e reagindo a


todas as facetas da realidade que abrangem as experiências da vida por meio de
linguagem simbólica (nascimento, vida, morte, vingança, guerra, casamento) a
poesia bíblica tem as mesmas características, porém, no caso de Israel, a poesia foi
fortemente influenciadas pela fé no Deus Javé que agiu na história a favor de seu
povo e pelo desejo inerente de celebrar o valor e significado da existência humana.
É por isso que a poesia do AT transcende o contexto histórico do Israel antigo e
alcança os dias atuais.
A poesia do AT também era musical, que enaltecia o talento artístico da forma
literária, acrescentava uma dimensão litúrgica importante e auxiliava a transmissão
oral da poesia. A poesia antiga era breve e limitada a uma situação ou a um
acontecimento. A mescla de tipos e a maior extensão começaram durante a era da
conquista, foram aceleradas pela monarquia unida e atingiram o ápice no exílio e
logo depois dele.

09 - ANÁLISE TEOLÓGICA

Para o israelita o principio da retribuição era uma questão teológica: se Deus é justo,
por que o justo sofre ou o ímpio prospera? Hoje, não temos mais este dilema, uma
vez que nossa esperança está no céu e os ímpios enfrentarão o juízo eterno e não
escaparão ilesos, mas para os antigos israelitas era algo muito grave.

Os antigos israelitas não tinham as vantagens destas garantias. Tudo o que eles
tinham de revelação era de que a justiça de Deus se daria nesta vida. Isto fazia do
principio da retribuição uma questão muito mais séria para eles do que para nós. Os
salmos de lamento são os que mais espelham esta preocupação. A queixa do
salmista é que por ele ser justo, porque seus inimigos obtiveram vantagem. O
salmista não se considera totalmente justo, mas é mais justo que seu inimigo e não
se sente merecedor de perseguição.

O grau de perseguição ou sofrimento é importante, uma vez que se Deus é justo, o


ímpio sofrerá de acordo com sua iniqüidade, e o justo deve prosperar de acordo com
sua integridade. Isto nos explica os vários salmos de lamento que incluem maldiçoes
ou imprecações contra os inimigos do perseguido. Quando entendemos que o
conceito de Deus e seu modo de agir enraizado pelos israelitas são o principio da
retribuição, vemos que as imprecações são frutos desse entendimento. Mas a vida
prova que nem tudo é tão simples assim, e as Escrituras não apresentam uma regra
absoluta que funciona em todos os casos.
10 - ANÁLISE DO SIGNIFICADO DE PALAVRAS E FRASES IMPORTANTES

-Apressar: Dar pressa a; Adiantar, fazer vir antes de tempo; Tornar rápido; Fazer
com rapidez (tem com sentido vir com urgência, sem demora).

-Livrar: Tirar ou tirar-se de um perigo ou de uma opressão; Salvar. . Tirar ou livrar de


um perigo; Dar saúde a (um doente); Transpor, vencer (espaços ou distâncias);
Galgar, passar por cima, saltando; Preservar; Livrar da morte; Livrar do Inferno ou do
Purgatório; Saudar; Dar salvas de artilharia, etc.; Livrar-se; Obter a salvação eterna;
Acoitar-se; abrigar-se; Isentar.

-Socorrer: Ajudar; auxiliar; defender; acudir logo a; Dar esmola a; Remediar;


Recorrer a, pedindo auxílio; valer-se da proteção! de.

-Envergonhar: Encher de vergonha; Aviltar, deslustrar; Ter vergonha, pejo,


acanhamento.

-Humilhar: Tornar humilde; Rebaixar, vexar; Tratar desdenhosamente a; Abater,


submeter; Mostrar humildade; Submeter-se; render-se; prostrar-se.

-Demandar: Intentar demanda contra; Exigir; reclamar; Procurar; Dirigir-se a;


caminhar para; Ir à procura de; Propor demanda; Perguntar; Disputar.

-Esvaírem: Esvaecer, evaporar, dissipar; Escoar-se; Esgotar-se; Dissipar-se;


Desbotar; Sentir tonturas; sentir fugir; Esvair em suor: suar a ponto de ficar muito
debilitado.

-Catástrofe: Grande desgraça que atinge muitas pessoas; Desfecho de peça


dramática.

-Exultar: Sentir grande prazer; Ter grande alegria; Manifestar grande contentamento.

-Brilhar: Despedir brilho, luzir; Revelar-se; Tornar-se saliente, sobressair.


-Aflito: Angustiado; oprimido; Aquele que sofre aflição.

-Necessitado: Que carece do necessário; Obrigado pela necessidade; Pobre,


indigente.

-Auxílio: Ajuda que se presta àquele cujo esforço é insuficiente; Esmola; socorro.

-Libertador: Que ou aquele que liberta. Diz-se do escravo que se libertou ou que foi
libertado; Livre, solto; Desobrigado (de alguma obrigação).

11 - TRADUÇÃO DEFINITIVA – EM PORTUGUÊS

Salmo 70

1. Apresa-te, o Deus em me livrar; Senhor, socorre-me.


2. Fiquem envergonhados e humilhados os que demandam contra minha vida,
retrocedam e sintam-se envergonhados os que me desejam mal.
3. Voltem eles mediante vergonha, aqueles que dizem ah! Ah!.
4. Exultem e brilhem alegremente os que te buscam, digam sempre os que
exaltam na sua salvação, Deus é grande.
5. Eu estou aflito e necessitado; Deus apresa-te para mim, meu socorro e
libertador tu és Senhor, não deixe de vir.

12 - COMENTÁRIO EXPLICATIVO

O salmo 70 é considerado um salmo de lamentação, que tem como característica


iniciar com um apelo urgente pela ajuda divina. Logo após, faz a descrição de seus
inimigos que atacam e ameaçam a vida do autor. Inimigos esses que podem ser
estrangeiros ou mesmo do próprio povo de Israel. Mas também esses inimigos
podem ser enfermidade física que ameaça a saúde. Terminam, geralmente, com
louvor e agradecimento, visto que a oração fora atendida ou, conforme se esperava,
logo o seria.

O presente salmo não tem nenhuma nota de louvor, apenas de apelo renovado. Não
obstante seu final não termina com nota de tristeza, deixando no ar e esperando a
intervenção divina.

Este salmo é semelhante ao Salmo 40:13-17 com pequenas variantes.


Provavelmente são de uma única composição original. Sendo que a junção destes
dois salmos pode ter sido devido a propósitos litúrgicos. Aqui o salmista precisava
ser livrado imediatamente de alguma situação adversa, pois homens ímpios o
perseguiam e o ameaçavam de morte.

Este é um salmo escrito por Davi, que mostra um momento de dificuldade em que
estava passando, provavelmente estava rodeado por inimigos, onde ele faz uma
oração a Deus pedindo socorro, mostra o medo que estava sentindo, e a urgência
de Deus vir ao seu auxilio.

13 - CONTEXTUALIZAÇÃO DA MENSAGEM

Os salmos são utilizados em nossas vidas em momentos de alegria, tristeza, aflição,


esperança, socorro, agradecimento, súplicas, perdão, confissão e muitos outros
mais.

Aqui, apesar deste salmo ser classificado como lamentação, vemos também um
toque de imprecação, pois, como vimos, estava enraizado na mente do israelita o
principio da retribuição e a soberania de Deus. Era a revelação que eles tinham de
Deus até aquele momento.

O salmista nos mostra como devemos chegar a Deus em tempos de grande


opressão e perseguição. É entrar imediatamente em oração e suplicar socorro a
Deus. Não necessitando de nenhum preparo, ritual, cerimônia. Tão somente o
coração quebrantado e destituído de qualquer justiça própria. É reconhecer que o
SENHOR é o seu único libertador.

Também nos ensina no verso quatro que o caráter de um homem pode ser avaliado
com bastante precisão se observarmos o que lhes dá alegria. O que faz um homem
se sentir feliz? Ele está afundado no materialismo e em pecados, e encontra sua
alegria em coisas vergonhosas? Ou encontra alegria na busca de satisfações
mentais e espirituais e em realizações desta categoria?

Esta passagem pode ser aplicada em diversos momentos de nossa vida, em que
precisamos da ajuda de Deus para resolver um problema em que estamos
passando, temos que ser humildes ao ponto de reconhecer que não somos nada, e
só encontramos abrigo em Deus, mostra que é preciso buscar a Deus em todos os
momentos de nossas vidas.

BIBLIOGRAFIA:

HILL,A.E. e WALTON, J.H. Panorama do antigo testamento; Tradução: Lailah de Noronha.


São Paulo. Editora Vida, 2006.
CHAMPLIN, Ph.D. R.N. O Antigo Testamento Interpretado. Editora Candeia. 1ª edição. Vol.
IV. 2000.

DILLARD, Raymond B., LONGMAN, Tremper III.- Introdução ao antigo testamento,


editora vida nova, Sã Paulo, 1º ed., 2005 pg. 201-225.

DOWLEY,Tim. Atlas vida nova da bíblia e da historia do cristianismo, editora vida nova,
são Paulo, 1º ed. 1997, reimpressão 2006.