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DIREITO CONSTITUCIONAL P/
OAB - 1ª FASE
XXV EXAME DE ORDEM
SUMçRIO PçGINA
1 Ð Teoria Geral dos Direitos Fundamentais 2-7
2 Ð Direitos Individuais e Coletivos Ð Parte 01 7-36
3 - Direitos Individuais e Coletivos Ð Parte 02 37-88
4 Ð Quest›es FGV 88-98
5 Ð Caderno de prova OAB 102-107
6 Ð Gabarito 108

Ol‡, amigos do EstratŽgia OAB!

Hoje daremos continuidade a nossa prepara•‹o para o XXV Exame de Ordem.


A abordagem dessa aula Ž um pouco densa, pois entraremos de Òcabe•aÓ no
tema dos direitos fundamentais. H‡ muita teoria e jurisprud•ncia sobre esse
assunto, ent‹o aten•‹o redobrada combinado?

Forte abra•o a todos e bons estudos!

Profs. Diego e Ricardo

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1. TEORIA GERAL DOS DIREITOS


FUNDAMENTAIS
1.1 Direitos do Homem x Direitos Fundamentais x Direitos Humanos

ValŽrio Mazzuoli afirma que Òdireitos do homemÓ diz respeito a direitos


naturais aptos ˆ prote•‹o global do homem e v‡lido em todos os tempos. N‹o
est‹o previstos em textos constitucionais ou em tratados de prote•‹o aos
direitos humanos. A express‹o Ž reservada aos direitos cuja exist•ncia se
justifica apenas no plano jusnaturalista.1

Os Direitos fundamentais se referem aos direitos da pessoa humana


consagrados em um dado momento hist—rico. S‹o direitos constitucionalmente
protegidos e positivados em uma determinada ordem jur’dica.

Por fim, Òdireitos humanosÓ est‡ ligado aos direitos positivados em


tratados internacionais, protegidos no ‰mbito do direito internacional pœblico
mediante conven•›es globais. (Pacto Internacional sobre Direitos Civis e
Pol’ticos) ou regionais (Conven•‹o Americana de Direitos Humanos).

ƒ importante n‹o confundir direitos fundamentais e garantias fundamentais. Os


direitos fundamentais s‹o os bens protegidos pela Constitui•‹o. ƒ o caso da
vida, da liberdade, da propriedade. j‡ as garantias s‹o formas de se
protegerem esses bens, ou seja, instrumentos Constitucionais. Ex: habeas
corpus, que protege o direito ˆ liberdade de locomo•‹o. Ressalte-se que, para
Canotilho, as garantias s‹o tambŽm direitos.2

1.2.! As Ògera•›esÓ de direitos

Os direitos fundamentais s‹o tradicionalmente classificados em gera•›es, o que


busca transmitir uma ideia de que eles n‹o surgiram todos em um mesmo
momento hist—rico. Foram frutos de uma evolu•‹o hist—rico-social, de
conquistas progressivas da humanidade. Assim, tem-se tr•s gera•›es:

a) Primeira Gera•‹o: buscam restringir a a•‹o do Estado sobre o


indiv’duo, impedindo que este se intrometa de forma abusiva na vida privada
das pessoas. S‹o as liberdades negativas. Cumprem a fun•‹o de direito de
defesa dos cidad‹os, bem como conferem ao indiv’duo poder para exerc•-los e

1
MAZZUOLI, ValŽrio de Oliveira. Curso de Direito Internacional Pœblico, 4» ed. S‹o Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2010, pp.
750-751.
2
CANOTILHO, JosŽ Joaquim Gomes. Direito Constitucional e Teoria da Constitui•‹o, 7» edi•‹o. Coimbra: Almedina, 2003.

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exigir do Estado a corre•‹o das omiss›es a eles relativas. Possuem como valor-
fonte a liberdade. S‹o os direitos civis e pol’ticos, reconhecidos no final do sŽculo
XVIII, com as Revolu•›es Francesa e Americana. Ex: Direito de propriedade,
locomo•‹o, associa•‹o e o de reuni‹o.

b) Segunda gera•‹o: s‹o os direitos que envolvem presta•›es positivas do


Estado aos indiv’duos (pol’ticas e servi•os pœblicos) e, em sua maioria,
caracterizam-se por ser normas program‡ticas. S‹o as chamadas de liberdades
positivas. Para o Estado, constituem obriga•›es de fazer algo em prol dos
indiv’duos; tambŽm s‹o chamados de Òdireitos do bem-estarÓ. Possuem como
valor fonte a igualdade. S‹o os direitos econ™micos, sociais e culturais. Ex:
direito ˆ educa•‹o, saœde, trabalho.

c) Terceira gera•‹o: n‹o protegem interesses individuais, mas que


transcendem a —rbita dos indiv’duos para alcan•ar a coletividade. TambŽm
chamados de direitos transindividuais ou supraindividuais. Aqui, o valor-fonte Ž
a solidariedade, a fraternidade. S‹o os direitos difusos e os coletivos. Ex:
direito do consumidor, ao meio-ambiente ecologicamente equilibrado e o direito
ao desenvolvimento.

Meus amigos, perceberam como as tr•s primeiras gera•›es seguem a sequ•ncia


do lema da Revolu•‹o Francesa: Liberdade, Igualdade e Fraternidade?

Parte da doutrina considera a exist•ncia de direitos de


quarta gera•‹o. Paulo Bonavides inclui aqui os direitos
relacionados ˆ globaliza•‹o, direito ˆ democracia, ˆ
informa•‹o e ao pluralismo. Por outro lado, Norberto
Bobbio considera como de quarta gera•‹o os Òdireitos
relacionados ˆ engenharia genŽticaÓ. H‡ quem entenda
em direitos de quinta gera•‹o, representados pelo
direito ˆ paz, por exemplo. 3

Importante frisar que a express‹o Ògera•‹o de direitosÓ n‹o quer dizer que h‡
exclus‹o de uma sobre a outra. O que ocorre Ž que os direitos de uma gera•‹o
seguinte se acumulam aos das gera•›es anteriores. Em virtude disso, a
doutrina tem preferido usar a express‹o Òdimens›es de direitosÓ.

1.3. Caracter’sticas dos Direitos Fundamentais

A doutrina aponta as seguintes caracter’sticas para os direitos fundamentais e


que devemos levar para fins de prova:


3
BONAVIDES, Paulo. Curso de Direito Constitucional. S‹o Paulo: Malheiros, 2008.

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! Universalidade: s‹o comuns a todos, respeitadas suas


particularidades. H‡ um nœcleo m’nimo de direitos que deve ser
outorgado a todas as pessoas (Ex: direito ˆ vida). Mas h‡, todavia,
alguns direitos que n‹o podem ser titularizados por todos, pois s‹o
outorgados a grupos espec’ficos (Ex: os direitos dos trabalhadores).
! Historicidade: os direitos fundamentais n‹o resultam de um
acontecimento hist—rico determinado, mas de todo um processo de
afirma•‹o. Surgem a partir das lutas do homem, em que h‡ conquistas
progressivas. S‹o mut‡veis e sujeitos a amplia•›es.
! Indivisibilidade: s‹o indivis’veis, isto Ž, formam parte de um
sistema harm™nico e coerente de prote•‹o ˆ dignidade da pessoa
humana. Os direitos fundamentais n‹o podem ser considerados
isoladamente, mas sim integrando um conjunto œnico.
! Inalienabilidade: s‹o intransfer’veis e inegoci‡veis, n‹o podem
ser abolidos pelo titular; n‹o possuem conteœdo econ™mico-
patrimonial.
! Imprescritibilidade: n‹o se perdem com o tempo, sendo sempre
exig’veis; s‹o personal’ssimos e n‹o cabe a prescri•‹o.
! Irrenunciabilidade: n‹o pode haver disposi•‹o, embora possa
deixar de exerc•-lo. Admite-se, entretanto, situa•›es de
autolimita•‹o volunt‡ria de seu exerc’cio. Ex: Òreality showsÓ e o
direito ˆ privacidade.
! Relatividade ou Limitabilidade: n‹o h‡ direitos fundamentais
absolutos. Eles s‹o relativos, limit‡veis no caso concreto por outros
direitos fundamentais. No caso de conflito, h‡ uma concord‰ncia
pr‡tica ou harmoniza•‹o: nenhum deles Ž sacrificado definitivamente.
Busca-se uma redu•‹o proporcional de ambos, visando alcan•ar a
finalidade da norma. (*Aten•‹o. ƒ a mais cobrada em prova! J)
! Complementaridade: a plena efetiva•‹o dos direitos fundamentais
deve considerar que eles comp›em um sistema œnico. Nessa —tica,
os diferentes direitos (das diferentes dimens›es) se complementam e,
portanto, devem ser interpretados conjuntamente.
! Concorr•ncia: podem ser exercidos cumulativamente, podendo um
mesmo titular exercitar v‡rios direitos ao mesmo tempo.
! Efetividade: os Poderes Pœblicos t•m a miss‹o de concretizar
(efetivar) os direitos fundamentais.
! Proibi•‹o do retrocesso: por serem resultados de um processo
evolutivo e de conquistas graduais, n‹o podem ser enfraquecidos
ou suprimidos. As normas que os instituem n‹o podem ser
revogadas ou substitu’das por outras que os diminuam, restrinjam ou
suprimam.

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N‹o menos importante, vale destacar que os direitos fundamentais possuem


uma dupla dimens‹o: Na dimens‹o subjetiva, s‹o direitos exig’veis perante
o Estado: as pessoas podem exigir que o Estado se abstenha de intervir
indevidamente na esfera privada (1» gera•‹o) ou que o Estado atue ofertando
presta•›es positivas, atravŽs de pol’ticas e servi•os pœblicos (2» gera•‹o).

J‡ na dimens‹o objetiva, os direitos fundamentais s‹o vistos como


enunciados dotados de alta carga valorativa: eles s‹o qualificados como
princ’pios estruturantes, cuja efic‡cia se irradia para todo o ordenamento.

1.4. Limites aos Direitos Fundamentais

Conforme j‡ comentamos, nenhum direito fundamental Ž absoluto: eles


encontram limites em outros direitos consagrados no texto constitucional. AlŽm
disso, conforme j‡ se pronunciou o STF, um direito fundamental n‹o pode
servir de salvaguarda de pr‡ticas il’citas. Para tratar das limita•›es, a
doutrina desenvolveu duas teorias: i) a interna e; ii) a externa.

A teoria interna (teoria absoluta) considera que o processo de defini•‹o dos


limites a um direito Ž interno a este. N‹o h‡ restri•›es a um direito, mas uma
simples defini•‹o de seus contornos. Os limites do direito lhe s‹o imanentes,
intr’nsecos. A fixa•‹o dos limites a um direito n‹o Ž, portanto, influenciada por
aspectos externos (extr’nsecos), como, por exemplo, a colis‹o de direitos
fundamentais. 4 Para esta teoria, o nœcleo essencial de um direito
fundamental Ž insuscet’vel de viola•‹o, independentemente da an‡lise
do caso concreto. Esse nœcleo essencial, que n‹o poder‡ ser violado, Ž
identificado a partir da percep•‹o dos limites imanentes ao direito.

A teoria externa (teoria relativa), por sua vez, entende que a defini•‹o dos
limites aos direitos fundamentais Ž um processo externo a esses direitos. Em
outras palavras, fatores extr’nsecos ir‹o determinar os limites dos direitos
fundamentais, ou seja, o seu nœcleo essencial. ƒ somente sob essa —tica que se
admite a solu•‹o dos conflitos entre direitos fundamentais pelo ju’zo de
pondera•‹o (harmoniza•‹o) e pela aplica•‹o do princ’pio da proporcionalidade.

Para a teoria externa, o nœcleo essencial de um direito fundamental tambŽm Ž


insuscet’vel de viola•‹o; no entanto, a determina•‹o do que Ž exatamente
esse Ònœcleo essencialÓ depender‡ da an‡lise do caso concreto. Os
direitos fundamentais s‹o restring’veis, observado o princ’pio da
proporcionalidade e/ou a prote•‹o de seu nœcleo essencial. Exemplo: o direito ˆ
vida pode sofrer restri•›es no caso concreto.


4
SILVA, Virg’lio Afonso da. O conteœdo essencial dos direitos fundamentais e a efic‡cia das normas constitucionais. In: Revista
de Direito do Estado, volume 4, 2006, pp. 35 Ð 39.

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Quest‹o muito relevante a ser tratada Ž sobre a teoria dos Òlimites dos
limitesÓ, que incorpora os pressupostos da teoria externa. A pergunta que se
faz Ž a seguinte: a lei pode impor restri•›es aos direitos fundamentais?

A resposta Ž sim. A lei pode impor restri•›es aos direitos fundamentais, mas h‡
um nœcleo essencial que precisa ser protegido, que n‹o pode ser objeto
de viola•›es. Assim, o grande desafio do exegeta (intŽrprete) e do pr—prio
legislador est‡ em definir o que Ž esse nœcleo essencial, o que dever‡ ser feito
pela aplica•‹o do princ’pio da proporcionalidade, em suas tr•s vertentes
(adequa•‹o, necessidade e proporcionalidade em sentido estrito).

No Brasil, a CF/88 n‹o previu expressamente a teoria dos limites aos limites.
Entretanto, o dever de prote•‹o ao nœcleo essencial est‡ impl’cito na Carta
Magna, de acordo com v‡rios julgados do STF e com a doutrina, por decorr•ncia
do modelo garant’stico utilizado pelo constituinte. Isso porque a n‹o-admiss‹o
de um limite ˆ atua•‹o legislativa tornaria in—cua qualquer prote•‹o
fundamental5.

Por fim, vale ressaltar que os direitos fundamentais tambŽm podem ser
restringidos em situa•›es de crises constitucionais, como na vig•ncia do estado
de s’tio e estado de defesa.6

1.5. Efic‡cia Horizontal dos Direitos Fundamentais

AtŽ o sŽculo XX, acreditava-se que os direitos fundamentais se aplicavam apenas


ˆs rela•›es entre o indiv’duo e o Estado. Como essa rela•‹o Ž de um ente
superior (Estado) com um inferior (indiv’duo), dizia-se que os direitos
fundamentais possu’am Òefic‡cia verticalÓ.

A partir do sŽculo XX, entretanto, surgiu a teoria da efic‡cia horizontal dos


direitos fundamentais, que estendeu sua aplica•‹o tambŽm ˆs rela•›es
entre particulares. Tem-se a chamada Òefic‡cia horizontalÓ ou Òefeito
externoÓ dos direitos fundamentais.

Existem duas teorias sobre a aplica•‹o dos direitos fundamentais: i) a da efic‡cia


indireta e mediata e; ii) a da efic‡cia direta e imediata.

Para a teoria da efic‡cia indireta e mediata, os direitos fundamentais s— se


aplicam nas rela•›es jur’dicas entre particulares de forma indireta,
excepcionalmente, por meio das cl‡usulas gerais de direito privado (ordem
pœblica, liberdade contratual, e outras). Essa teoria Ž incompat’vel com a


5
MENDES, Gilmar Ferreira; COELHO, Inoc•ncio M‡rtires; BRANCO, Paulo Gustavo Gonet. Curso de Direito Constitucional. P. 319.
6
O estado de defesa e estado de s’tio est‹o previstos nos art. 136 e art. 137, da CF/88.

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Constitui•‹o Federal, que, em seu art. 5¼, ¤ 1¼, prev• que as normas definidoras
de direitos fundamentais possuem aplicabilidade imediata.

J‡ para a teoria da efic‡cia direta e imediata, os direitos fundamentais


incidem diretamente nas rela•›es entre particulares. Estes estariam t‹o
obrigados a cumpri-los quanto o Poder Pœblico. Esta Ž a tese que prevalece no
Brasil, tendo sido adotada pelo Supremo Tribunal Federal.

1.6. Os Direitos Fundamentais na CRFB/88

Os direitos fundamentais est‹o previstos no T’tulo II, da CF/88. O T’tulo II,


conhecido como Òcat‡logo dos direitos fundamentaisÓ, vai do art. 5¼ atŽ o
art. 17 e divide os direitos fundamentais em 5 (cinco) diferentes categorias:

a) Direitos e Deveres Individuais e Coletivos (art. 5¼)


b) Direitos Sociais (art. 6¼ - art. 11)
c) Direitos de Nacionalidade (art. 12 Ð art. 13)
d) Direitos Pol’ticos (art. 14 Ð art. 16)
e) Direitos relacionados ˆ exist•ncia, organiza•‹o e participa•‹o em
partidos pol’ticos.

ƒ importante ter aten•‹o para n‹o cair em uma ÒpegadinhaÓ na hora da prova.
Os direitos individuais e coletivos, os direitos sociais, os direitos de
nacionalidade, os direitos pol’ticos e dos partidos pol’ticos s‹o espŽcies do
g•nero Òdireitos fundamentaisÓ. Outro detalhe. O rol de direitos
fundamentais n‹o Ž exaustivo. H‡ outros direitos, espalhados pela
Constitui•‹o, como o direito ao meio ambiente (art. 225) e o princ’pio da
anterioridade tribut‡ria (art.150, III, ÒbÓ), por exemplo.

1. (FGV / XXII Exame de Ordem Ð 2017) A teoria dimensional dos direitos


fundamentais examina os diferentes regimes jur’dicos de prote•‹o desses
direitos ao longo do constitucionalismo democr‡tico, desde as primeiras
Constitui•›es liberais atŽ os dias de hoje. Nesse sentido, a teoria
dimensional tem o mŽrito de mostrar o perfil de evolu•‹o da prote•‹o
jur’dica dos direitos fundamentais ao longo dos diferentes paradigmas do
Estado de Direito, notadamente do Estado Liberal de Direito e do Estado
Democr‡tico Social de Direito. Essa perspectiva, calcada nas dimens›es ou
gera•›es de direitos, n‹o apenas projeta o car‡ter cumulativo da evolu•‹o
protetiva, mas tambŽm demonstra o contexto de unidade e indivisibilidade
do cat‡logo de direitos fundamentais do cidad‹o comum. A partir dos

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conceitos da teoria dimensional dos direitos fundamentais, assinale a


afirmativa correta.
a) Os direitos estatais prestacionais, ligados ao Estado Liberal de Direito, nasceram
atrelados ao princ’pio da igualdade formal perante a lei, perfazendo a primeira
dimens‹o de direitos.
b) A chamada reserva do poss’vel f‡tica, relacionada ˆ escassez de recursos
econ™micos e financeiros do Estado, n‹o tem nenhuma influ•ncia na efetividade dos
direitos fundamentais de segunda dimens‹o do Estado Democr‡tico Social de
Direito.
c) O conceito de direitos coletivos de terceira dimens‹o se relaciona aos direitos
transindividuais de natureza indivis’vel de que sejam titulares pessoas
indeterminadas e ligadas por circunst‰ncias de fato, como ocorre com o direito ao
meio ambiente.
d) Sob a Žgide da estatalidade m’nima do Estado Liberal, os direitos negativos de
defesa dotados de natureza absente’sta s‹o corretamente classificados como
direitos de primeira dimens‹o.

Opa! Quest‹o recente, pessoal! 2017 cobrada no XXII Exame de


Ordem. Muita aten•‹o, pois a FGV tem cobrado cada vez mais t—picos
relacionados ˆ Teoria Geral. Vamos ao gabarito? J

Coment‡rios:
Letra A: errada. Os direitos prestacionais est‹o ligados ao Estado Social de direito
(direitos 2a gera•‹o).
Letra B: errada. A cl‡usula da reserva do poss’vel deve ser levada em
considera•‹o na tarefa de concretiza•‹o dos direitos sociais. O Estado, para
concretizar direitos sociais, depende de recursos econ™micos e financeiros.
Letra C: errada. De fato, o direito ao meio ambiente Ž um direito de 3a gera•‹o,
possuindo natureza indivis’vel. Trata-se, porŽm, de um direito difuso, cuja
titularidade Ž indeterminada. Todas as pessoas s‹o titulares do direito ao
ambiente, independentemente de quaisquer circunst‰ncias de fato que as liguem.
Letra D: correta. Temos aqui o gabarito! Os direitos de defesa (liberdades
negativas) s‹o classificados na 1agera•‹o de direitos fundamentais. Est‹o
relacionados ao Estado Liberal de direito.

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2. DIREITOS E DEVERES
INDIVIDUAIS E COLETIVOS
Meus amigos, faremos agora o estudo dos pontos fundamentais do art. 5¼ da
Constitui•‹o. Passaremos a analisar os dispositivos de maior incid•ncia e aqueles
com entendimento doutrin‡rio e jurisprudencial relevante. Mas, vale a t’tulo de
complemento, uma leitura deste art. 5¼ na ’ntegra. Combinado? J

Art. 5¼ Todos s‹o iguais perante a lei, sem distin•‹o de


qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos
estrangeiros residentes no Pa’s a inviolabilidade do direito
ˆ vida, ˆ liberdade, ˆ igualdade, ˆ seguran•a e ˆ
propriedade, nos termos seguintes: (...)

Primeiro ponto. Apesar de o art. 5¼, caput, referir-se apenas a Òbrasileiros e


estrangeiros residentes no pa’sÓ, h‡ consenso na doutrina de que os direitos
fundamentais abrangem qualquer pessoa que se encontre em territ—rio
nacional, ainda que seja estrangeiro n‹o residente no pa’s.

Nesse sentido, entende o STF que o sœdito estrangeiro, mesmo aquele sem
domic’lio no Brasil, tem direito a todas as prerrogativas b‡sicas que lhe
assegurem a preserva•‹o do status libertatis e a observ‰ncia, pelo Poder
Pœblico, da cl‡usula constitucional do due process7. Nessa linha, para o STF Òo
direito de propriedade Ž garantido ao estrangeiro n‹o residenteÓ.8

No que tange ao direito ˆ vida, h‡ um importante julgado do Supremo sobre a


possibilidade de interrup•‹o de gravidez de feto anencŽfalo, entendendo a
Corte pela garantia do direito ˆ gestante de Òsubmeter-se a antecipa•‹o
terap•utica de parto na hip—tese de gravidez de feto anencŽfalo, previamente
diagnosticada por profissional habilitado, sem estar compelida a apresentar
autoriza•‹o judicial ou qualquer outra forma de permiss‹o do EstadoÓ.

Para o Supremo, n‹o haveria colis‹o real entre direitos fundamentais, apenas
conflito aparente, uma vez que o anencŽfalo n‹o seria titular do direito ˆ vida.
Ainda que biologicamente vivo, este seria juridicamente morto, de maneira que


7
HC 94.016, Rel. Min. Celso de Mello, j. 16-9-2008, Segunda Turma, DJE de 27-2-2009.
8
RE 33.319/DF, Rel. Min. C‰ndido Motta, DJ> 07.01.1957.

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n‹o deteria prote•‹o jur’dica. 9 Assim, a interrup•‹o da gravidez de feto


anencŽfalo n‹o Ž tipificada como crime de aborto.

Outra controvŽrsia levada ˆ aprecia•‹o do STF envolvia a pesquisa com cŽlulas-


tronco embrion‡rias. Segundo a Corte, Ž leg’tima e n‹o ofende o direito ˆ
vida nem a dignidade da pessoa humana, a realiza•‹o de pesquisas com
cŽlulas-tronco embrion‡rias, obtidas de embri›es humanos produzidos por
fertiliza•‹o Òin vitroÓ e n‹o utilizados neste procedimento.10

Cabe destacar, ainda, que os direitos fundamentais n‹o t•m como titular apenas
as pessoas f’sicas; as pessoas jur’dicas e atŽ mesmo o pr—prio Estado s‹o
titulares de direitos fundamentais.

I - homens e mulheres s‹o iguais em direitos e


obriga•›es, nos termos desta Constitui•‹o;

Trata-se do princ’pio da igualdade, que determina a isonomia aos que est‹o


em condi•›es equivalentes e tratamento desigual aos que est‹o em
condi•›es diversas, dentro de suas desigualdades.

O legislador fica, aqui, obrigado a obedecer ˆ Òigualdade na leiÓ, n‹o podendo


criar leis que discriminem pessoas que se encontram em situa•‹o equivalente,
exceto quando houver razoabilidade para tal. Os intŽrpretes e aplicadores da lei,
por sua vez, ficam limitados pela Òigualdade perante a leiÓ, n‹o podendo
diferenciar aqueles a quem a lei concedeu tratamento igual.

Nesse sentido, o Supremo Tribunal entende que as a•›es afirmativas, como a


reserva de vagas em universidades pœblicas para negros e ’ndios, s‹o
consideradas constitucionais.11 Na mesma linha, o programa concessivo de
bolsa de estudos em universidades privadas para alunos de renda familiar
de pequena monta, com quotas para negros, pardos, ind’genas e portadores de
necessidades especiais. 12

A realiza•‹o da igualdade material n‹o pro’be que a lei crie discrimina•›es,


desde que estas obede•am ao princ’pio da razoabilidade. Ex: Concurso
para agente penitenci‡rio de pris‹o feminina restrito a mulheres e a ado•‹o de
critŽrios distintos para a promo•‹o de integrantes do corpo feminino e masculino
da Aeron‡utica13.


9
STF, Pleno, ADPF 54/DF, Rel. Min. Marco AurŽlio, decis‹o 11 e 12.04.2012, Informativo STF no 661.
10
ADI 3510/DF, Rel. Min. Ayres Britto, DJe: 27.05.2010
11
RE 597285/RS. Min. Ricardo Lewandowski. Decis‹o: 09.05.2012
12
STF, Pleno, ADI 3330/DF, Rel. Min. Ayres Britto, j. 03.05.2012.
13
RE 498.900-AgR, Rel. Min. Carmen Lœcia, j. 23-10-2007, Primeira Turma, DJ de 7-12-2007.

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Note, todavia, que s— a lei ou a pr—pria Constitui•‹o podem determinar


discrimina•›es entre as pessoas. Os atos infralegais (Ex: edital de concurso)
n‹o podem determinar tais limita•›es sem que haja previs‹o legal14.

Um œltimo ponto que precisamos levar para prova. O princ’pio da isonomia


n‹o autoriza ao Poder Judici‡rio estender a alguns grupos vantagens
estabelecidas por lei a outros, sob pena do Judici‡rio estar ÒlegislandoÓ, em
flagrante ofensa ao princ’pio da separa•‹o dos Poderes.

Sœmula vinculante 37 STF: ÒN‹o cabe ao Poder


Judici‡rio, que n‹o tem fun•‹o legislativa, aumentar
vencimentos de servidores pœblicos sob fundamento
de isonomia.Ó

II - ninguŽm ser‡ obrigado a fazer ou deixar de fazer


alguma coisa sen‹o em virtude de lei;

Trata-se do princ’pio da legalidade, que se aplica de maneira diferenciada aos


particulares e ao Poder Pœblico. Para os particulares, traz a garantia de que s—
podem ser obrigados a agirem ou a se omitirem por lei. Tudo Ž permitido na
falta de norma legal proibitiva. J‡ para o Poder Pœblico, a legalidade reside em
fazer o que Ž permitido pela lei.

Professor, qual a diferen•a entre o princ’pio da legalidade e reserva legal?

O princ’pio da legalidade Ž ÒleiÓ em um sentido mais amplo, todo e qualquer


ato normativo estatal, incluindo atos infralegais, que obede•a ˆs
formalidades que lhe s‹o pr—prias e contenha uma regra jur’dica. A legalidade
determina a submiss‹o e o respeito ˆ ÒleiÓ, ou a atua•‹o dentro dos limites
legais; a refer•ncia que se faz aqui Ž ˆ lei em sentido material.

J‡ o princ’pio da reserva legal Ž evidenciado quando a Constitui•‹o exige


expressamente que determinada matŽria seja regulada por lei formal ou atos
com for•a de lei (Ex: decretos aut™nomos).

JosŽ Afonso da Silva classifica a reserva legal do ponto de vista do v’nculo


imposto ao legislador como absoluta ou relativa. Na reserva legal absoluta, a
norma constitucional exige, para sua integral regulamenta•‹o, a edi•‹o de lei
formal, entendida como ato normativo emanado do Congresso e elaborado de
acordo com o processo legislativo. Ex: art. 37, inciso X, da CF/88.


14
RE 523737/MT Ð Rel. Min. Ellen Gracie, DJe: 05.08.2010

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Na reserva legal relativa, embora a Constitui•‹o exija lei formal, permite-se que
a lei fixe apenas par‰metros de atua•‹o para o —rg‹o administrativo, que
poder‡ complement‡-la por ato infralegal, respeitados os limites legais.

A doutrina tambŽm afirma que a reserva legal pode ser classificada como
simples ou qualificada. N reserva legal simples Ž aquela que exige lei formal para
dispor sobre determinada matŽria, mas n‹o especifica qual o conteœdo ou a
finalidade do ato.(art.5¼, inciso VII, da CF/88) ÒŽ assegurada, nos termos da
lei, a assist•ncia religiosa nas entidades civis e militares de interna•‹o coletivaÓ.

A reserva legal qualificada, alŽm de exigir lei formal, j‡ define, previamente,


o conteœdo da lei e a finalidade do ato. Ex: art. 5¼, inciso XII, da CF/88, ÒŽ
inviol‡vel o sigilo da correspond•ncia e das comunica•›es telegr‡ficas, de dados
e das comunica•›es telef™nicas, salvo, no œltimo caso, por ordem judicial, nas
hip—teses e na forma que a lei estabelecer para fins de investiga•‹o criminal ou
instru•‹o processual penalÓ.

III - ninguŽm ser‡ submetido a tortura nem a


tratamento desumano ou degradante;

IV - Ž livre a manifesta•‹o do pensamento, sendo


vedado o anonimato;

Em rela•‹o ao inciso IV, temos a liberdade de express‹o, que Ž verdadeiro


fundamento do Estado democr‡tico de direito. Todos podem manifestar,
oralmente ou por escrito, o que pensam, desde que isso n‹o seja feito
anonimamente.

Com base na veda•‹o ao anonimato, o STF entende que as denœncias


an™nimas jamais poder‹o ser a causa œnica de exerc’cio de atividade punitiva
pelo Estado. As autoridades pœblicas n‹o podem iniciar qualquer medida de
persecu•‹o (penal ou disciplinar), apoiando-se apenas em pe•as ap—crifas
ou em escritos an™nimos.

Essas pe•as n‹o podem ser incorporadas, formalmente, ao processo, salvo


quando tais documentos forem produzidos pelo acusado, ou, ainda, quando
constitu’rem, eles pr—prios, o corpo de delito (como sucede com bilhetes de
resgate no delito de extors‹o mediante sequestro, por exemplo).

Pessoal, o que a dela•‹o an™nima pode Ž servir de base para que o Poder Pœblico
adote medidas destinadas a esclarecer, em sum‡ria e prŽvia apura•‹o, a
verossimilhan•a das alega•›es que lhe foram transmitidas.15 Em caso positivo,
poder‡, ent‹o, ser promovida a formal instaura•‹o da "persecutio criminis",


15
STF, Inq 1957/ PR, Rel. Min. Carlos Velloso, Informativo STF n¼ 393.

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mantendo-se completa desvincula•‹o desse procedimento estatal em rela•‹o ˆs


pe•as ap—crifas.

TambŽm com base no direito ˆ manifesta•‹o do pensamento e no direito de


reuni‹o, o STF considerou inconstitucional qualquer interpreta•‹o do
C—digo Penal que possa ensejar a criminaliza•‹o da defesa da
legaliza•‹o das drogas, inclusive atravŽs de manifesta•›es e eventos
pœblicos16. Esse foi um entendimento pol•mico, que descriminalizou a chamada
Òmarcha da maconhaÓ. Cuidado! N‹o est‡ se legalizando as drogas. Agora, muito
cuidado! O que se entendeu constitucional foi o direito manifestar-se a favor ou
n‹o sobre a legaliza•‹o.

Ainda com fundamento na liberdade de express‹o, o STF considerou que a


exig•ncia de diploma de jornalismo e de registro profissional no MinistŽrio
do Trabalho n‹o s‹o condi•›es para o exerc’cio da profiss‹o de jornalista.

V - Ž assegurado o direito de resposta, proporcional


ao agravo, alŽm da indeniza•‹o por dano material,
moral ou ˆ imagem;

Essa norma traduz o direito de resposta ˆ manifesta•‹o do pensamento, que


Ž aplic‡vel em rela•‹o a todas as ofensas, independentemente de elas
configurarem ou n‹o infra•›es penais. Dever‡ ser sempre proporcional, ou seja,
veiculada no mesmo meio de comunica•‹o utilizado pelo agravo, com mesmo
destaque, tamanho e dura•‹o. Salienta-se, ainda, que o direito de resposta se
aplica tanto a pessoas f’sicas quanto a jur’dicas ofendidas.

Outro aspecto importante Ž que as indeniza•›es material, moral e ˆ imagem


s‹o cumul‡veis17; aplicam-se tambŽm ˆs pessoas jur’dicas, s‹o proporcionais
ao dano e extens‹o e independem de o direito ˆ resposta ter sido, ou n‹o,
exercido, ou o dano caracterizar a infra•‹o penal.

VI - Ž inviol‡vel a liberdade de consci•ncia e de


cren•a, sendo assegurado o livre exerc’cio dos cultos
religiosos e garantida, na forma da lei, a prote•‹o aos
locais de culto e a suas liturgias;

VII - Ž assegurada, nos termos da lei, a presta•‹o de


assist•ncia religiosa18 nas entidades civis e militares
de interna•‹o coletiva;


16
ADPF 187, Rel. Min. Celso de Mello, julgamento em 15-6-2011, Plen‡rio.
17
Sœmula STJ n¼ 37: ÒS‹o cumul‡veis as indeniza•›es por dano material e dano moral oriundos do mesmo fato.
18
Consagra-se, nesses incisos, a liberdade religiosa. Observe que n‹o Ž Poder Pœblico o respons‡vel pela presta•‹o religiosa, pois o
Brasil Ž um Estado laico.

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VIII - ninguŽm ser‡ privado de direitos por motivo de


cren•a religiosa ou de convic•‹o filos—fica ou pol’tica,
salvo se as invocar para eximir-se de obriga•‹o legal
a todos imposta e recusar-se a cumprir presta•‹o
alternativa, fixada em lei;

No inciso VIII, tem-se a denominada Òescusa de consci•nciaÓ, garantindo


como regra a n‹o priva•‹o de direitos por n‹o cumprir obriga•‹o legal a todos
imposta devido a suas cren•as religiosas ou convic•›es filos—ficas/pol’ticas.
Entretanto, havendo o descumprimento de obriga•‹o legal, o Estado poder‡
impor, ˆ pessoa que recorrer a esse direito, presta•‹o alternativa fixada em lei.

E o que acontecer‡ se essa pessoa se recusar, tambŽm, a cumprir a presta•‹o


alternativa? Nesse caso, poder‡ excepcionalmente sofrer restri•‹o de direitos.
Veja que, para isso, s‹o necess‡rias, cumulativamente, duas condi•›es:
recusar-se a cumprir obriga•‹o legal e ainda a cumprir a presta•‹o
alternativa fixada pela lei. Nesse caso, poder‡ haver a perda de direitos
pol’ticos, na forma do art. 15, IV, da Constitui•‹o.

O art. 5¼, inciso VIII, Ž uma norma constitucional de efic‡cia contida. Todos
t•m o direito, afinal, de manifestar livremente sua cren•a religiosa e convic•›es
filos—fica e pol’tica. Essa Ž uma garantia plenamente exercit‡vel, mas que
poder‡ ser restringida pelo legislador.

N‹o existindo lei que estabele•a presta•‹o alternativa, aquele que deixou de
cumprir a obriga•‹o legal n‹o poder‡ ser privado de seus direitos. Mas, no
momento em que o legislador edita norma fixando presta•‹o alternativa, ele
est‡ restringindo o direito ˆ escusa de consci•ncia.

IX - Ž livre a express‹o da atividade intelectual,


art’stica, cient’fica e de comunica•‹o,
independentemente de censura ou licen•a;

O que voc• n‹o pode esquecer sobre esse inciso? ƒ vedada a censura.
Entretanto, a liberdade de express‹o, como qualquer direito fundamental, Ž
relativa; Ž limitada por outros direitos protegidos pela Carta Magna, como a
inviolabilidade da privacidade e da intimidade do indiv’duo, por exemplo.

Entretanto, esse profissional responder‡, penal e civilmente, pelos abusos


que cometer, sujeitando-se ao direito de resposta a que se refere a
Constitui•‹o em seu art. 5¼, inciso V. A liberdade de imprensa Ž plena em todo
o tempo, lugar e circunst‰ncias, tanto em per’odo n‹o-eleitoral, quanto em
per’odo de elei•›es gerais19.


19
ADI 4.451-MC-REF, Rel. Min. Ayres Britto, Plen‡rio, DJE de 24-8-2012.

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X - s‹o inviol‡veis a intimidade, a vida privada, a


honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito
a indeniza•‹o pelo dano material ou moral
decorrente de sua viola•‹o;

ÒDissecando-seÓ esse inciso, percebe-se que ele protege:

! O direito ˆ intimidade e ˆ vida privada. Resguarda, portanto, a


esfera mais secreta da vida de uma pessoa, tudo que diz respeito
a seu modo de pensar e de agir.
! O direito ˆ honra. Blinda, desse modo, o sentimento de dignidade
e a reputa•‹o dos indiv’duos; o Òbom nomeÓ
! O direito ˆ imagem. Defende a representa•‹o que as pessoas
possuem perante si mesmas e os outros.

A intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas s‹o inviol‡veis:


elas consistem em espa•o ’ntimo intranspon’vel por intromiss›es il’citas
externas. 20 A viola•‹o a esses bens jur’dicos ensejar‡ indeniza•‹o, devendo
observar o grau de reprovabilidade da conduta. 21 Destaque-se que as
indeniza•›es por dano material e por dano moral s‹o cumul‡veis.

Meus amigos, em rela•‹o a este inciso, temos diversas jurisprud•ncias


importantes, dos mais variados temas, que precisamos tomar nota:

! As pessoas jur’dicas poder‹o ser indenizadas


por dano moral 22 , uma vez que s‹o titulares dos
direitos ˆ honra e ˆ imagem.
! O STF considera que para que haja condena•‹o
por dano moral, n‹o Ž necess‡ria ofensa ˆ
reputa•‹o do indiv’duo. Assim, a dor e o sofrimento
de se perder um membro da fam’lia, por exemplo, pode
ensejar indeniza•‹o por danos morais.
! O STF entende que n‹o se pode coagir
suposto pai a realizar exame de DNA. Essa medida
feriria outros direitos humanos, como a dignidade da
pessoa humana e a intangibilidade do corpo humano.
! Outra importante decis‹o do STF diz respeito ˆ
privacidade dos agentes pol’ticos. Esta Ž relativa,
uma vez que estes devem ˆ sociedade as contas da


20
MORAES, Alexandre de. Constitui•‹o do Brasil Interpretada e Legisla•‹o Constitucional, 9» edi•‹o. S‹o Paulo Editora Atlas:
2010, pp. 159.
21
AO 1.390, Rel. Min. Dias Toffoli. DJe 30.08.2011
22
Sœmula 227 STJ - A pessoa jur’dica pode sofrer dano moral.

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atua•‹o desenvolvida23. O direito se mantŽm apenas


no que diz respeito a fatos ’ntimos e da vida familiar.

O direito ˆ privacidade tambŽm foi objeto de an‡lise pelo STF na ADI 4815,
na famosa quest‹o das Òbiografias n‹o autorizadasÓ. Concluiu-se pela
preval•ncia, nessa situa•‹o, do direito ˆ liberdade de express‹o e de
manifesta•‹o do pensamento. Entendeu-se que Ž Òinexig’vel o
consentimento de pessoa biografada relativamente a obras biogr‡ficas
liter‡rias ou audiovisuais, sendo por igual desnecess‡ria autoriza•‹o de pessoas
retratadas como coadjuvantes ( familiares ou pessoas falecidas...)Ó.

Cabe ressaltar que a inexigibilidade do consentimento n‹o exclui a possibilidade


de indeniza•‹o em virtude de dano material ou moral decorrente da viola•‹o da
intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas.

TambŽm relacionado aos direitos ˆ intimidade e ˆ vida privada est‡ o sigilo


banc‡rio, que Ž verdadeira garantia de privacidade dos dados banc‡rios. Assim
como todos os direitos fundamentais, o sigilo banc‡rio n‹o Ž absoluto. Nesse
sentido, tem-se o entendimento do STJ de que Òhavendo satisfat—ria
fundamenta•‹o judicial a ensejar a quebra do sigilo, n‹o h‡ viola•‹o a nenhuma
cl‡usula pŽtrea constitucionalÓ. (STJ, DJ de 23.05.2005).

A pergunta que se faz agora Ž a seguinte: quais autoridades podem determinar


a quebra do sigilo banc‡rio? A resposta a essa pergunta Ž complexa e envolve
conhecimento acerca da jurisprud•ncia do STF e do STJ. Sen‹o vejamos:

a) O Poder Judici‡rio pode determinar a quebra do sigilo banc‡rio e do


sigilo fiscal.
b) As Comiss›es Parlamentares de InquŽrito (CPI`s) federais e
estaduais podem determinar a quebra do sigilo banc‡rio e fiscal. Isso se
justifica pela previs‹o constitucional de que as CPI`s t•m poderes de
investiga•‹o pr—prios das autoridades judiciais. As CPI`s municipais
n‹o podem determinar a quebra do sigilo banc‡rio e fiscal.
c) A LC n¼ 105/2001 permite que as autoridades fiscais procedam ˆ
requisi•‹o de informa•›es a institui•›es.

Opa! Em 2016, o STF reconheceu a


constitucionalidade dessa lei complementar,
deixando consignado que as autoridades fiscais poder‹o
requisitar informa•›es ˆs institui•›es financeiras, desde
que:


23
Inq 2589 MS, Min. Marco AurŽlio, j. 02.11.2009, p. 20.11.2009.

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¥! 1) haja processo administrativo instaurado ou


procedimento fiscal em curso e;
¥! 2) as informa•›es sejam consideradas indispens‡veis
pela autoridade administrativa competente.
*Em sua decis‹o, o STF deixou claro que os dados
fornecidos pelas institui•›es financeiras ˆs autoridades
fiscais continuar‹o sob cl‡usula de sigilo. Os dados,
antes protegidos pelo sigilo banc‡rio, passar‹o a estar
protegidos por sigilo fiscal. Assim, n‹o seria
tecnicamente adequado falar-se em Òquebra de sigilo
banc‡rioÓ pelas autoridades fiscais.

d) O MinistŽrio Pœblico pode determinar a quebra do sigilo banc‡rio de


conta da titularidade de ente pœblico. Segundo o STJ, as contas
correntes de entes pœblicos (contas pœblicas) n‹o gozam de prote•‹o ˆ
intimidade e privacidade. Prevalecem, assim, os princ’pios da publicidade
e moralidade, e o dever de transpar•ncia.

*Na jurisprud•ncia do STF, tambŽm se reconhece, em car‡ter


excepcional’ssimo, a possibilidade de quebra de sigilo banc‡rio pelo
MinistŽrio Pœblico, que se dar‡ no ‰mbito de procedimento administrativo que
vise ˆ defesa do patrim™nio pœblico (quando houver envolvimento de
dinheiros ou verbas pœblicas). 24

Devido ˆ gravidade jur’dica de que se reveste o ato de quebra de sigilo banc‡rio,


este somente se dar‡ em situa•›es excepcionais, sendo fundamental
demonstrar a necessidade das informa•›es solicitadas e cumprir as
condi•›es legais. AlŽm disso, para que a quebra do sigilo banc‡rio ou do sigilo
fiscal seja admiss’vel, Ž necess‡rio que haja individualiza•‹o do investigado
e do objeto da investiga•‹o. N‹o Ž poss’vel, portanto, a determina•‹o da
quebra do sigilo banc‡rio para apura•‹o de fatos genŽricos.

O Tribunal de Contas da Uni‹o (TCU) e os Tribunais de


Contas dos Estados (TCE`s) n‹o podem determinar a quebra
do sigilo banc‡rio.
H‡ que se mencionar, todavia, que o TCU tem
compet•ncia para requisitar informa•›es relativas a
opera•›es de crŽdito origin‡rias de recursos pœblicos.
Esse foi o entendimento firmado pelo STF no ‰mbito do MS


24
MS n¼ 21.729-4/DF, Rel. Min. Francisco Rezek. Julgamento 05.10.1995.

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33.340/DF. No caso concreto, o TCU havia requisitado ao


BNDES informa•›es relativas a opera•›es de crŽdito.
Mas aten•‹o! N‹o Ž que o TCU possa determinar a quebra
do sigilo banc‡rio. Segundo o STF, Òas opera•›es financeiras
que envolvam recursos pœblicos n‹o est‹o abrangidas pelo
sigilo banc‡rioÓ. H‡ uma relativiza•‹o do sigilo dessas
informa•›es frente ao interesse de toda a sociedade de
conhecer o destino dos recursos pœblicos.

XI - a casa Ž asilo inviol‡vel do indiv’duo, ninguŽm


nela podendo penetrar sem consentimento do
morador, salvo em caso de flagrante delito ou
desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia,
por determina•‹o judicial;

O princ’pio da inviolabilidade domiciliar tem por finalidade proteger a


intimidade e a vida privada do indiv’duo, bem como de garantir-lhe,
especialmente no per’odo noturno, o sossego e a tranquilidade.

Para o Supremo, o conceito de ÒcasaÓ revela-se abrangente, estendendo-se: i)


qualquer compartimento habitado; ii) qualquer aposento ocupado de
habita•‹o coletiva; e iii) qualquer compartimento privado n‹o aberto ao
pœblico, onde alguŽm exerce profiss‹o ou atividade pessoal.25

Assim, alcan•a n‹o s— a resid•ncia do indiv’duo, mas tambŽm escrit—rios


profissionais, consult—rios mŽdicos e odontol—gicos, trailers, barcos e aposentos
de habita•‹o coletiva (hotel). N‹o est‹o abrangidos pelo conceito de casa os
bares e restaurantes.

Mas, professor, e quais hip—teses se pode penetrar na casa de um indiv’duo?

! Com o consentimento do morador.


! Sem o consentimento do morador, sob ordem judicial, apenas
durante o dia.
! A qualquer hora, sem consentimento do indiv’duo, em caso de
flagrante delito ou desastre, ou, ainda, para prestar socorro.

ƒ importante destacar que a inviolabilidade domiciliar tambŽm se aplica ao


fisco e ˆ pol’cia judici‡ria. Segundo o STF, Ònem a Pol’cia Judici‡ria e nem a
administra•‹o tribut‡ria podem, afrontando direitos assegurados pela
Constitui•‹o da Repœblica, invadir domic’lio alheio com o objetivo de apreender,


25
HC 93.050, Rel. Min. Celso de Mello, julgamento em 10-6-2008, Segunda Turma, DJE de 1¼-8-2008.

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durante o per’odo diurno, e sem ordem judicial, quaisquer objetos que possam
interessar ao Poder PœblicoÓ (AP 370-3/DF, RTJ, 162:249-250).

N‹o menos importante, o STF entende que, embora os escrit—rios estejam


abrangidos pelo conceito de ÒcasaÓ, n‹o se pode invocar a inviolabilidade
de domic’lio como escudo para a pr‡tica de atos il’citos em seu interior. A
Corte considerou v‡lida ordem judicial que autorizava o ingresso de
autoridade policial no estabelecimento profissional, inclusive durante a
noite, para instalar equipamentos de capta•‹o de som (ÒescutaÓ).

Agora, no entanto, Ž poss’vel admitir que a for•a policial, tendo ingressado na


casa de indiv’duo, durante o dia, com amparo em ordem judicial, prolongue suas
a•›es durante o per’odo noturno.
d
Por fim, a entrada de autoridade policial em domic’lio sem autoriza•‹o judicial
ser‡ poss’vel nas situa•›es de flagrante delito. Isso Ž particularmente
relevante no caso da pr‡tica de crimes permanentes, nos quais a situa•‹o de
flagr‰ncia se estende no tempo. Exemplo de crimes desse tipo seriam o c‡rcere
privado e o porte de drogas.

O STF deixou consignado o entendimento de que Ò a entrada for•ada em


domic’lio sem mandado judicial s— Ž l’cita, mesmo em per’odo noturno, quando
amparada em fundadas raz›es, devidamente justificadas a posteriori, que
indiquem que dentro da casa ocorre situa•‹o de flagrante delito, sob pena de
responsabilidade disciplinar, civil e penal do agente ou da autoridade e de
nulidade dos atos praticadosÓ.26

XII - Ž inviol‡vel o sigilo da correspond•ncia e das


comunica•›es telegr‡ficas, de dados e das
comunica•›es telef™nicas, salvo, no œltimo caso, por
ordem judicial, nas hip—teses e na forma que a lei
estabelecer para fins de investiga•‹o criminal ou
instru•‹o processual penal;

Trata-se da inviolabilidade das correspond•ncias e das comunica•›es. A


princ’pio, a leitura pode dar a entender que o sigilo da correspond•ncia e das
comunica•›es telegr‡ficas e de dados n‹o poderia ser violado. N‹o Ž esse,
todavia, o entendimento que prevalece.

Como n‹o h‡ direito absoluto no ordenamento jur’dico brasileiro, admite-se,


mesmo sem previs‹o na Constitui•‹o, que lei ou decis‹o judicial tambŽm
possam estabelecer hip—teses de intercepta•‹o das correspond•ncias e das


26
RE 603.616. Rel. Min. Gilmar Mendes. Julgamento: 05.11.2015.

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comunica•›es telegr‡ficas e de dados, sempre que a norma constitucional esteja


sendo usada para acobertar a pr‡tica de il’citos.27

Sobre a comunica•‹o de dados, Ž relevante destacar importante


jurisprud•ncia do STF. Suponha que, em uma opera•‹o de busca e apreens‹o
realizada em um escrit—rio profissional, os policiais apreendam o disco r’gido
(HD) de um computador no qual est‹o armazenados os e-mails
recebidos pelo investigado. Nesse caso, entende a Corte que n‹o h‡
viola•‹o do sigilo da comunica•‹o de dados.

Isso porque a prote•‹o constitucional Ž da comunica•‹o de dados e n‹o


dos dados em si. Em outras palavras, n‹o h‡, nessa situa•‹o, quebra do sigilo
das comunica•›es (intercepta•‹o das comunica•›es), mas sim apreens‹o de
8
base f’sica na qual se encontram os dados.28

Com o mesmo argumento, o STF considerou l’cita a prova obtida por policial a
partir da verifica•‹o, no celular de indiv’duo preso em flagrante delito, dos
registros das œltimas liga•›es telef™nicas. A prote•‹o constitucional, afinal, Ž
concedida ˆ comunica•‹o dos dados (e n‹o aos dados em si). 29

ƒ importante destacar a diferen•a entre quebra do sigilo das comunica•›es e


intercepta•‹o das comunica•›es telef™nicas. S‹o coisas diferentes. A quebra
do sigilo das comunica•›es consiste em ter acesso ao extrato das liga•›es
telef™nicas (grosso modo, seria ter acesso ˆ conta da VIVO/TIM). Por outro lado,
a intercepta•‹o das comunica•›es telef™nicas consiste em ter acesso ˆs
grava•›es das conversas.

A intercepta•‹o das comunica•›es telef™nicas Ž, sem dœvida, medida mais


gravosa e, por isso, somente pode ser determinada pelo Poder Judici‡rio.
J‡ a quebra do sigilo das comunica•›es telef™nicas, alŽm do Poder Judici‡rio, a
doutrina e a jurisprud•ncia entendem que pode ser determinada pelas
Comiss›es Parlamentares de InquŽrito (CPIÕs).

Segundo a CF/88, a intercepta•‹o das comunica•›es telef™nicas somente ser‡


poss’vel quando atendidos tr•s requisitos:

! ordem judicial
! exist•ncia de investiga•‹o criminal ou instru•‹o processual penal;
! lei que preveja as hip—teses e a forma em que esta poder‡ ocorrer;


27
Nas raz›es do Supremo: Òa administra•‹o penitenci‡ria, com fundamento em raz›es de seguran•a pœblica, de disciplina
prisional ou de preserva•‹o da ordem jur’dica, pode, sempre excepcionalmente, e desde que respeitada a norma inscrita no art.
41, par‡grafo œnico, da Lei 7.210/1984, proceder ˆ intercepta•‹o da correspond•ncia remetida pelos sentenciados, eis que
a cl‡usula tutelar da inviolabilidade do sigilo epistolar n‹o pode constituir instrumento de salvaguarda de pr‡ticas il’citas.Ó27
28
STF, RE 418416/SC, Rel. Min. Sepœlveda Pertence, j. 10.05.2006, DJ em 19.12.2006.
29
STF, HC 91.867, Rel. Min. Gilmar Mendes. Julg: 24.04.2012, DJ de 20.09.2012.

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Vale dizer que, para a intercepta•‹o das comunica•›es telef™nicas, o art. 5¼,
inciso XII, trata-se norma de efic‡cia limitada. ƒ necess‡rio que exista uma
lei para que o juiz possa autorizar a medida por decis‹o judicial (de of’cio ou
a requerimento da autoridade policial ou do MinistŽrio Pœblico) e para fins de
investiga•‹o criminal ou instru•‹o processual penal.

A decis‹o judicial dever‡ ser fundamentada, devendo o magistrado indicar a


forma de sua execu•‹o, que n‹o poder‡ ter prazo maior que quinze dias,
renov‡vel por igual per’odo. O STF entende que pode haver renova•›es
sucessivas desse prazo, e n‹o apenas uma œnica renova•‹o da medida, pois h‡
situa•›es extremas que o exigem. 30

A intercepta•‹o telef™nica autorizada pelo Poder Judici‡rio tem como objetivo


3
subsidiar investiga•‹o de infra•‹o penal pun’vel com reclus‹o. No entanto,
Ž bastante comum que, no curso da efetiva•‹o da intercepta•‹o telef™nica,
novas infra•›es penais sejam descobertas, inclusive com autores e part’cipes
diferentes. Essas novas infra•›es penais s‹o o que a doutrina chama de
Òcrimes-achadosÓ, que s‹o conexos com os primeiros. As informa•›es e
provas levantadas por meio da intercepta•‹o telef™nica poder‹o subsidiar a
denœncia desses Òcrimes-achadosÓ, ainda que estes sejam pun’veis com
a pena de deten•‹o. 31

O STF tambŽm reconhece que ÒŽ v‡lida a prova de um crime descoberto


acidentalmente durante a escuta telef™nica autorizada judicialmente para
apura•‹o de crime diversoÓ32.

A intercepta•‹o telef™nica ser‡ admitida mesmo em se tratando de conversa


entre acusado em processo penal e seu defensor. Segundo o STF, apesar de o
advogado ter seu sigilo profissional resguardado para o exerc’cio de suas
fun•›es, tal direito n‹o pode servir como escudo para a pr‡tica de atividades
il’citas, pois nenhum direito Ž absoluto. O simples fato de ser advogado n‹o
pode conferir, ao indiv’duo, imunidade na pr‡tica de delitos no exerc’cio
de sua profiss‹o. 33

TambŽm Ž importante falarmos rapidinho sobre a Òprova emprestadaÓ. A


prova emprestada Ž uma prova que Ž obtida no curso de uma investiga•‹o
criminal ou instru•‹o processual penal e, posteriormente, Ž usada em um
processo administrativo disciplinar. Para o Supremo Tribunal:


30
STF, HC 106.129, Rel. Min. Dias Toffolli. DJE de 23.11.2010).
31
STF, HC 83.515/RS. Rel. Min. Nelson Jobim, Informativo STF n¼ 361.
32
STF, HC 78098/SC, Rel. Min. Moreira Alves, j. 01.12.98.
33
HC 96.909/MT, Rel. Min. Ellen Gracie. J.10.12.2009, p. 11.12.2009.

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Òdados obtidos em intercepta•‹o de comunica•›es


telef™nicas e em escutas ambientais, judicialmente
autorizadas para produ•‹o de prova em
investiga•‹o criminal ou em instru•‹o processual
penal, podem ser usados em procedimento
administrativo disciplinar, contra a mesma ou as
mesmas pessoas em rela•‹o ˆs quais foram
colhidos, ou contra outros servidores cujos supostos
il’citos teriam despontado ˆ colheita dessa prova.Ó34

XIII - Ž livre o exerc’cio de qualquer trabalho, of’cio


ou profiss‹o, atendidas as 4 qualifica•›es profissionais
que a lei estabelecer;

Trata-se de norma constitucional de efic‡cia contida que disp›e sobre a


liberdade da atividade profissional. Na inexist•ncia de lei que exija qualifica•›es
para o exerc’cio de determinada profiss‹o, qualquer pessoa poder‡ exerc•-la.
Entretanto, existente a lei, a profiss‹o s— poder‡ ser exercida por quem
atender ˆs qualifica•›es legais.

No entanto, importante ressaltar que o Supremo Tribunal entendeu que tal


exig•ncia vale apenas quando houver potencial lesivo na atividade. A atividade
de mœsico, por exemplo, prescinde de controle. Constitui, ademais,
manifesta•‹o art’stica protegida pela garantia da liberdade de express‹o35.

Por outro lado, o STF considerou constitucional o exame da Ordem dos


Advogados do Brasil (OAB). Para a Corte, o exerc’cio da advocacia traz um
risco coletivo, cabendo ao Estado limitar o acesso ˆ profiss‹o e o respectivo
exerc’cio. Nesse sentido, o exame de sufici•ncia discutido seria compat’vel com
o ju’zo de proporcionalidade e n‹o alcan•aria o nœcleo essencial da liberdade de
of’cio. A ideia Ž assegurar que as atividades de risco sejam desempenhadas por
pessoas com conhecimento tŽcnico suficiente, de modo a evitar danos ˆ
coletividade Ð sendo a aprova•‹o do candidato elemento a qualific‡-lo para o
exerc’cio profissional. 36

Ainda relacionada ˆ liberdade do exerc’cio profissional, destacamos


entendimento do STF no sentido de que Ž inconstitucional a exig•ncia de
diploma para o exerc’cio da profiss‹o de jornalista. 37


34
STF, Inq 2424, Rel. Min. Cesar Peluso, DJ. 24.08.2007.
35
STF, RE 414.426, Rel. Min. Ellen Gracie, julgamento em 1¼-8-2011, Plen‡rio, DJE de 10-10-2011.
36
STF, RE 603.583, Rel. Min. Marco AurŽlio, DJe 26/10/11, Plen‡rio, Informativo 646, com repercuss‹o geral.
37
STF, RE 511.961. Rel. Min. Gilmar Mendes. DJe 13.11.2009.

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XIV - Ž assegurado a todos o acesso ˆ informa•‹o e


resguardado o sigilo da fonte, quando necess‡rio ao
exerc’cio profissional;

Tal dispositivo busca assegurar o direito de acesso ˆ informa•‹o (desde que esta
n‹o fira outros direitos fundamentais) e resguardo dos jornalistas, possibilitando
que estes obtenham informa•›es sem terem que revelar sua fonte. N‹o h‡
conflito, todavia, com a veda•‹o ao anonimato. Caso alguŽm seja lesado pela
informa•‹o, o jornalista responder‡ por isso.

XV Ð Ž livre a locomo•‹o no territ—rio nacional em


tempo de paz, podendo qualquer pessoa, nos termos
da lei, nele entrar, permanecer ou dele sair com seus
2
bens

XVI - todos podem reunir-se pacificamente, sem


armas, em locais abertos ao pœblico,
independentemente de autoriza•‹o, desde que n‹o
frustrem outra reuni‹o anteriormente convocada
para o mesmo local, sendo apenas exigido prŽvio
aviso ˆ autoridade competente;

Agora, j‡ esse inciso XVI Ž bastante cobrado em provas. O que voc• precisar‡
se lembrar? Simples! As caracter’sticas do direito de reuni‹o.

! Esta dever‡ ter fins pac’ficos, e apresentar aus•ncia de armas;


! Dever‡ ser realizada em locais abertos ao pœblico;
! N‹o poder‡ frustrar outra reuni‹o convocada anteriormente
para o mesmo local;
! Desnecessidade de autoriza•‹o;
! Necessidade de prŽvio aviso ˆ autoridade competente.

O direito de reuni‹o Ž protegido por mandado de


seguran•a, e n‹o por habeas corpus.

XVII - Ž plena a liberdade de associa•‹o para fins l’citos,


vedada a de car‡ter paramilitar;
XVIII - a cria•‹o de associa•›es e, na forma da lei, a de
cooperativas independem de autoriza•‹o, sendo vedada
a interfer•ncia estatal em seu funcionamento;
XIX - as associa•›es s— poder‹o ser compulsoriamente
dissolvidas ou ter suas atividades suspensas por

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decis‹o judicial, exigindo-se, no primeiro caso, o


tr‰nsito em julgado;
XX - ninguŽm poder‡ ser compelido a associar-se ou a
permanecer associado;

Para que exista uma associa•‹o, Ž necess‡ria a presen•a de tr•s requisitos:

! Pluralidade de pessoas: a associa•‹o Ž uma sociedade, uma


uni‹o de pessoas com um fim determinado.
! Estabilidade: ao contr‡rio da reuni‹o, que tem car‡ter transit—rio
(espor‡dico), as associa•›es t•m car‡ter permanente.
! Nascimento a partir de um ato de vontade.

Presentes esses requisitos, restar‡ caracterizada uma associa•‹o, a qual estar‡


sujeita ˆ prote•‹o constitucional. Destaque-se que a exist•ncia da associa•‹o
independe da aquisi•‹o de personalidade jur’dica. E como a Constitui•‹o
protege as associa•›es? Da seguinte forma:

•A liberdade de associação para fins lícitos é ampla, independente de autorização dos


1º Poderes Públicos e sem qualquer interferência em seu funcionamento. Já a criação de
cooperativas também é livre, porém há necessidade de lei que a regule (norma de eficácia
limitada).

•Só podem ser dissolvidas por decisão judicial transitada em julgado. Além disso, suas
2º atividades só podem ser suspensas por decisão judicial (aqui não há necessidade de
trânsito em julgado).

XXI - as entidades associativas, quando


expressamente autorizadas, t•m legitimidade para
representar seus filiados judicial ou
extrajudicialmente;

Tem-se, aqui, o instituto da representa•‹o processual. Trata-se de


instrumento pelo qual a associa•‹o, quando autorizada expressamente,
pode representar seus filiados, atuando em nome destes e na defesa dos direitos
deles. O representante processual n‹o age como parte do processo, apenas em
nome da parte, a pessoa representada.

Nesse sentido, a representa•‹o processual difere da substitui•‹o processual.


Nesta, o substituto Ž parte do processo, agindo em nome pr—prio na salvaguarda
de direito alheio. O substitu’do, por sua vez, deixa de s•-lo: sofre apenas os
efeitos da senten•a. N‹o est‡ no processo. A senten•a, todavia, faz coisa julgada

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tanto para o substituto quanto para o substitu’do. Quando cab’vel substitui•‹o


processual, n‹o h‡ necessidade de autoriza•‹o expressa do substitu’do.

Vale destacar que a necessidade de autoriza•‹o expressa dos filiados para que
a associa•‹o os represente n‹o pode ser substitu’da por uma autoriza•‹o
genŽrica nos estatutos da entidade.

Òa autoriza•‹o estatut‡ria genŽrica conferida ˆ associa•‹o


n‹o Ž suficiente para legitimar a sua atua•‹o em ju’zo na
defesa de direitos de seus filiados, sendo indispens‡vel que a
declara•‹o expressa e espec’fica seja manifestada por ato
individual do associado ou por assembleia-geral da entidadeÓ

Nesse sentido, somente os associados que manifestaram sua autoriza•‹o


expressa Ž que estar‹o, a posteriori, legitimados para a execu•‹o do t’tulo
judicial decorrente da a•‹o ajuizada pela associa•‹o.

1) Na situa•‹o do inciso LXX, art. 5¼, CF, que Ž a


hip—tese de Mandado de Seguran•a coletivo, temos
caso de substitui•‹o processual, n‹o se exigindo
para tanto a autoriza•‹o expressa e espec’fica dos
associados para a impetra•‹o da a•‹o coletiva,
bastando, para tal, a autoriza•‹o genŽrica constante
dos atos constitutivos da associa•‹o.
2) No caso da legitima•‹o dos sindicatos, o
entendimento do STF Ž que se assegure ampla
legitimidade ativa ad causam dos sindicatos como
substitutos processuais das categorias que
representam na defesa de direitos e interesses coletivos
ou individuais de seus integrantes.
Assim, o sindicato poder‡ defender o empregado nas
a•›es coletivas ou individuais para a garantia de
qualquer direito relacionado ao v’nculo empregat’cio,
com fundamento no art. 8, III, da Constitui•‹o Federal.

XXII - Ž garantido o direito de propriedade;


XXIII - a propriedade atender‡ a sua fun•‹o social;
XXIV - a lei estabelecer‡ o procedimento para
desapropria•‹o por necessidade ou utilidade pœblica,
ou por interesse social, mediante justa e prŽvia

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indeniza•‹o em dinheiro, ressalvados os casos


previstos nesta Constitui•‹o;

Estudaremos esses tr•s incisos em conjunto. Eles tratam do direito de


propriedade, que Ž norma constitucional de efic‡cia contida e, portanto,
est‡ sujeita ˆ atua•‹o restritiva por parte do Poder Pœblico. Como todos os
direitos fundamentais, o direito de propriedade n‹o Ž absoluto.

Desse modo, no inciso XXIV do art. 5¼, garante-se que, se a propriedade


estiver cumprindo a sua fun•‹o social, s— poder‡ haver desapropria•‹o
com base na tutela do interesse pœblico, em tr•s hip—teses: necessidade pœblica,
utilidade pœblica ou interesse social. A indeniza•‹o, nesses casos, ressalvadas
algumas exce•›es determinadas constitucionalmente, dar-se-‡ mediante prŽvia
e justa indeniza•‹o em dinheiro.

E quais s‹o as exce•›es professor? Olha s—:

! Desapropria•‹o para fins de reforma agr‡ria;


! Desapropria•‹o de im—vel urbano n‹o-edificado que n‹o
cumpriu sua fun•‹o social;
! Desapropria•‹o confiscat—ria.

A desapropria•‹o para fins de reforma agr‡ria (art. 184, CF) ƒ de


compet•ncia da Uni‹o e tem por objeto o im—vel rural que n‹o esteja cumprindo
sua fun•‹o social. Dar-se-‡ mediante prŽvia e justa indeniza•‹o em t’tulos
da d’vida agr‡ria, com cl‡usula de preserva•‹o do valor real, resgat‡veis no
prazo de atŽ vinte anos, a partir do segundo ano de sua emiss‹o, e cuja
utiliza•‹o ser‡ definida em lei. No caso das benfeitorias œteis e necess‡rias
estas ser‹o indenizadas em dinheiro. (O ¤ 1o art. 184, CF)

No que se refere ˆ desapropria•‹o de im—vel urbano n‹o edificado,


subutilizado ou n‹o utilizado (art. 182, ¤ 4o, III), a indeniza•‹o se dar‡ mediante
t’tulos da d’vida pœblica de emiss‹o previamente aprovada pelo Senado
Federal, com prazo de resgate de atŽ dez anos, em parcelas anuais, iguais e
sucessivas, assegurados o valor real da indeniza•‹o e os juros legais. A
desapropria•‹o, nessa situa•‹o, ser‡ de compet•ncia do Munic’pio.

Existe, ainda, a possibilidade de que haja desapropria•‹o sem indeniza•‹o.


ƒ o que ocorre na expropria•‹o de propriedades urbanas e rurais de qualquer
regi‹o do Pa’s onde forem localizadas culturas ilegais de plantas psicotr—picas
ou explora•‹o de trabalho escravo. Tem-se, ent‹o, a chamada
Òdesapropria•‹o confiscat—riaÓ (art. 243, CF).

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XXV - no caso de iminente perigo pœblico, a


autoridade competente poder‡ usar de propriedade
particular, assegurada ao propriet‡rio indeniza•‹o
ulterior, se houver dano;

Aqui, temos o instituto da requisi•‹o administrativa, que ocorre quando o


Poder Pœblico, diante de perigo pœblico iminente, utiliza seu poder de impŽrio
(de coa•‹o) para usar bens ou servi•os de particulares. Vejamos:

! ÒEm caso de iminente perigo pœblico, o Estado pode requisitar a


propriedade particularÓ. Ex: Uma enchente que destrua v‡rias casas de
uma cidade; a Prefeitura pode requisitar o uso de uma casa intacta, para
abrigar aqueles que n‹o t•m onde ficar.
! A requisi•‹o Ž compuls—ria para o particular, devido ao poder de
impŽrio do Estado. Veja que o interesse pœblico (socorro ˆs pessoas
desabrigadas) Ž maior que o particular (inconveniente de ter a casa cedida
ao Poder Pœblico gratuitamente).
! A propriedade continua sendo do particular. ƒ apenas cedida
gratuitamente ao Poder Pœblico. O titular do bem somente ser‡ indenizado
em caso de dano. No exemplo acima, o Estado n‹o teria que pagar aluguel
ao propriet‡rio pelo uso do im—vel.
! O perigo pœblico deve ser iminente. Deve ser algo que acontecer‡ em
breve. Ex: O Estado n‹o poderia requisitar a casa j‡ na esta•‹o da seca
baseado na possibilidade de uma enchente ocorrer v‡rios meses depois.

òltimo detalhe. Segundo o STF, n‹o Ž poss’vel, devido ao nosso modelo


federativo, que um ente pol’tico requisite administrativamente bens,
servi•os e pessoal de outro. Tal pr‡tica ofenderia o pacto federativo, e, alŽm
disso, o art. 5o, XXV, CF, limita o alcance da requisi•‹o administrativa ˆ
propriedade privada, n‹o cabendo extrapola•‹o para bens e servi•os pœblicos.

XXVI - a pequena propriedade rural, assim definida


em lei, desde que trabalhada pela fam’lia, n‹o ser‡
objeto de penhora para pagamento de dŽbitos
decorrentes de sua atividade produtiva, dispondo a
lei sobre os meios de financiar o seu
desenvolvimento;

O legislador constituinte deu ˆ pequena propriedade rural trabalhada pela


fam’lia, a garantia de impenhorabilidade, visando ˆ prote•‹o dos pequenos
trabalhadores rurais, que, desprovidos de seus meios de produ•‹o, n‹o teriam
condi•›es de subsist•ncia. Entretanto, tal instituto depende da cumula•‹o de
dois requisitos: i) explora•‹o econ™mica do bem pela fam’lia; ii) origem
na atividade produtiva do dŽbito que causou a penhora.

Com isso, Ž poss’vel afirmar o seguinte:

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! a pequena propriedade rural trabalhada pela fam’lia pode


ser objeto de penhora para pagamento de dŽbitos estranhos ˆ
sua atividade produtiva; n‹o vale para dŽbitos de sua atividade
produtiva.
! a pequena propriedade rural, caso n‹o trabalhada pela fam’lia,
pode ser penhorada para pagamento de dŽbitos decorrentes e
dŽbitos estranhos ˆ sua atividade produtiva.

Note, tambŽm, a exig•ncia, pela Carta Magna, de lei que defina quais
propriedades rurais poder‹o ser consideradas pequenas e como ser‡
financiado o desenvolvimento das mesmas. Tem-se, aqui, reserva legal.

XXVII - aos autores pertence o direito exclusivo de


utiliza•‹o, publica•‹o ou reprodu•‹o de suas obras,
transmiss’vel aos herdeiros pelo tempo que a lei fixar;
XXVIII - s‹o assegurados, nos termos da lei:
a) a prote•‹o ˆs participa•›es individuais em obras
coletivas e ˆ reprodu•‹o da imagem e voz humanas,
inclusive nas atividades desportivas;
b) o direito de fiscaliza•‹o do aproveitamento
econ™mico das obras que criarem ou de que
participarem aos criadores, aos intŽrpretes e ˆs
respectivas representa•›es sindicais e associativas;

Protege-se, aqui, o direito do autor. Perceba que, enquanto viver, este ter‡
total controle sobre a utiliza•‹o, publica•‹o ou reprodu•‹o de suas obras. S—
ap—s sua morte Ž que haver‡ limita•‹o temporal do direito. Com efeito, o art.
5¼, inciso XXVII, disp›e que o direito autoral Ž transmiss’vel aos herdeiros
apenas pelo tempo que a lei fixar. Nesse sentido, como se ver‡ adiante, o
direito ao autor diferencia-se do direito ˆ propriedade industrial, presente no
inciso XXIX do mesmo artigo.

XXIX - a lei assegurar‡ aos autores de inventos


industriais privilŽgio tempor‡rio para sua utiliza•‹o,
bem como prote•‹o ˆs cria•›es industriais, ˆ
propriedade das marcas, aos nomes de empresas e a
outros signos distintivos, tendo em vista o interesse
social e o desenvolvimento tecnol—gico e econ™mico
do Pa’s;

A Constitui•‹o enumera expressamente a propriedade industrial como direito


fundamental. O mais importante aqui Ž sabermos que o criador de inventos
industriais possui privilŽgio apenas tempor‡rio.

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XXX - Ž garantido o direito de heran•a;


XXXI - a sucess‹o de bens de estrangeiros situados
no Pa’s ser‡ regulada pela lei brasileira em benef’cio
do c™njuge ou dos filhos brasileiros, sempre que n‹o
lhes seja mais favor‡vel a lei pessoal do "de cujus";
No caso do inciso XXXI, a fim de resguardar mais ainda esse direito, a Carta
Magna garantiu que, no caso de bens de estrangeiros localizados no Pa’s,
seria aplicada a norma sucess—ria que mais beneficiasse os brasileiros
sucessores. Assim, nem sempre ser‡ aplicada a lei brasileira ˆ sucess‹o de
bens de estrangeiros localizados no Pa’s; caso a lei estrangeira seja mais
benŽfica aos sucessores brasileiros, esta ser‡ aplicada.
S— para facilitar a leitura, a express‹o Òde cujusÓ Ž a pessoa que morreu, o
defunto! Eu sei, tambŽm acho a express‹o bastante engra•ada...

2. (FGV / XXI Exame de Ordem Ð 2016) Maria Ž aluna do sexto per’odo do


curso de Direito. Por convic•‹o filos—fica e pol’tica se afirma feminista e Ž
reconhecida como militante de movimentos que denunciam o machismo e
afirmam o feminismo como ideologia de g•nero. Ap—s um confronto de
ideias com um professor em sala de aula e de cham‡-lo de machista, Maria
Ž colocada pelo professor para fora de sala e, posteriormente, o mesmo n‹o
lhe d‡ a oportunidade de fazer a vista de sua prova para um eventual
pedido de revis‹o da corre•‹o, o que Ž um direito previsto no regimento da
institui•‹o de ensino. Em fun•‹o do exposto, e com base na Constitui•‹o da
Repœblica, assinale a afirmativa correta.
a) Maria foi privada de um direito por motivo de convic•‹o filos—fica ou pol’tica e,
portanto, as autoridades competentes da institui•‹o de ensino devem assegurar a
ela o direito de ter vista de prova e, se for o caso, de pedir a revis‹o da corre•‹o.
b) Houve um debate livre e leg’timo em sala de aula e a postura do professor pode
ser considerada ÒduraÓ, mas n‹o implicou nenhum tipo de viola•‹o de direito de
Maria.
c) Embora tenha havido um debate acerca de uma quest‹o que envolve convic•‹o
filos—fica ou pol’tica, n‹o houve priva•‹o de direito j‡ que a vista de prova e o
eventual pedido de revis‹o da corre•‹o est‡ contido apenas no regimento da
institui•‹o de ensino e n‹o na legisla•‹o p‡tria.
d) A solu•‹o do impasse instaurado entre a aluna e o professor somente pode
acontecer mediante o di‡logo entre as duas partes, em que cada um considere seus
eventuais excessos, uma vez que o que houve foi um mero desentendimento e n‹o
uma viola•‹o de direito por convic•‹o filos—fica ou pol’tica.

Coment‡rios:

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Quest‹o tranquila, hein? Literalidade do art. 5¼, VIII, CF/88: ÒninguŽm ser‡
privado de direitos por motivo de cren•a religiosa ou de convic•‹o filos—fica ou
pol’tica, salvo se as invocar para eximir-se de obriga•‹o legal a todos imposta e
recusar-se a cumprir presta•‹o alternativa, fixada em leiÓ. Gabarito Letra A.

3. (XVIII Exame de Ordem Unificado Ð 2015) Luiz Ž propriet‡rio de uma


grande fazenda localizada na zona rural do Estado X. L‡, cultiva cafŽ de
excelente qualidade Ð e com grande produtividade Ð para fins de
exporta•‹o. PorŽm, uma fiscaliza•‹o realizada por agentes do MinistŽrio do
Trabalho e do Emprego constatou a explora•‹o de m‹o de obra escrava.
Independentemente das san•›es previstas em lei, caso tal pr‡tica seja
devidamente comprovada, de forma definitiva, pelos —rg‹os jurisdicionais
competentes, a Constitui•‹o Federal disp›e
(A) a propriedade deve ser objeto de desapropria•‹o, respeitado o direito ˆ justa e
prŽvia indeniza•‹o a que faz jus o propriet‡rio.
(B) a propriedade deve ser objeto de expropria•‹o, sem qualquer indeniza•‹o, e,
no caso em tela, destinada ˆ reforma agr‡ria.
(C) o direito de propriedade de Luiz deve ser respeitado, tendo em vista serem as
terras em comento produtivas.
(D) o direito da propriedade de Luiz deve ser respeitado, pois a expropria•‹o Ž
instituto cab’vel somente nos casos de cultura ilegal de plantas psicotr—picas.

Coment‡rios:
Segundo o art. 243, CF/88, Òas propriedades rurais e urbanas de qualquer regi‹o
do Pa’s onde forem localizadas culturas ilegais de plantas psicotr—picas ou a
explora•‹o de trabalho escravo na forma da lei ser‹o expropriadas e destinadas
ˆ reforma agr‡ria e a programas de habita•‹o popular, sem qualquer indeniza•‹o
ao propriet‡rio e sem preju’zo de outras san•›es previstas em leiÓ. O gabarito Ž
a letra B.

4. (XVIII Exame de Ordem Unificado Ð 2015) Um grupo autodenominado


ÒSangue PuroÓ passou a se organizar sob a forma de associa•‹o. No seu
estatuto, Ž poss’vel identificar claros prop—sitos de incita•‹o ˆ viol•ncia
contra indiv’duos pertencentes a determinadas minorias sociais. Diversas
organiza•›es n‹o governamentais voltadas ˆ defesa dos direitos humanos,
bem como o MinistŽrio Pœblico, ajuizaram medidas judiciais solicitando a
sua imediata dissolu•‹o. Segundo a Constitui•‹o Federal, a respeito da
hip—tese formulada, assinale a afirmativa correta.
(A) A associa•‹o n‹o poder‡ sofrer qualquer interven•‹o do Poder Judici‡rio, pois Ž
vedada a interfer•ncia estatal no funcionamento das associa•›es.

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(B) Caso o pedido de dissolu•‹o seja acolhido, a associa•‹o poder‡ ser


compulsoriamente dissolvida, independentemente do tr‰nsito em julgado da
senten•a judicial.
(C) A associa•‹o poder‡ ter suas atividades imediatamente suspensas por decis‹o
judicial, independentemente do seu tr‰nsito em julgado.
(D) Apenas se justificaria a interven•‹o estatal se caracterizada a natureza
paramilitar da associa•‹o em comento.

Coment‡rios:
Letra A: errada. O Poder Judici‡rio poder‡ atuar para suspender as atividades da
associa•‹o ou mesmo para promover a sua dissolu•‹o compuls—ria.
Letra B: errada. A dissolu•‹o compuls—ria de associa•‹o depende de decis‹o
judicial transitada em julgado.
Letra C: correta. ƒ isso mesmo! A suspens‹o das atividades de associa•‹o
depende simplesmente de decis‹o judicial, que n‹o precisa transitar em julgado.
ƒ o que se extrai do art. 5¼, XIX, CF/88.
Letra D: errada. ƒ vedada a exist•ncia de associa•›es de car‡ter paramilitar. No
entanto, Ž poss’vel que o Poder Judici‡rio atue, em outros casos, para suspender
as atividades ou dissolver compulsoriamente a associa•‹o.

5. (FGV / XVI Exame de Ordem Unificado Ð 2015) O diretor de RH de uma


multinacional da ‡rea de telecomunica•›es, em reuni‹o corporativa,
afirmou que o mundo globalizado vem produzindo grandes inova•›es,
exigindo o reconhecimento de novas profiss›es desconhecidas atŽ ent‹o.
Feitas essas considera•›es, solicitou que alterasse o quadro de cargos e
fun•›es da empresa, incluindo as seguintes profiss›es: gestor de
marketing digital e desenvolvedor de aplicativos m—veis. O presidente da
sociedade empres‡ria, pedido formulado, alegou que o exerc’cio de
qualquer atividade laborativa pressup›e a sua devida regulamenta•‹o em
lei, o que ainda n‹o havia ocorrido em rela•‹o ˆs referidas profiss›es. Com
base na teoria da efic‡cia das normas constitucionais Ž correto afirmar que
o presidente da sociedade empres‡ria:
(A) argumentou em harmonia com a ordem constitucional, pois o dispositivo da
Constitui•‹o Federal que afirma ser livre o exerc’cio de qualquer trabalho, of’cio ou
profiss‹o, atendidas as qualifica•›es profissionais que a lei estabelecer, possui
efic‡cia limitada, exigindo regulamenta•‹o legal para que possa produzir efeitos.
(B) apresentou argumentos contr‡rios ˆ ordem constitucional, pois o dispositivo da
Constitui•‹o Federal que afirma ser livre o exerc’cio de qualquer trabalho, of’cio ou
profiss‹o, atendidas as qualifica•›es profissionais que a lei estabelecer, possui
efic‡cia contida, de modo que, inexistindo lei que regulamente o exerc’cio da
atividade profissional, Ž livre o seu exerc’cio.
(C) apresentou argumentos contr‡rios ˆ ordem constitucional, pois o dispositivo da
Constitui•‹o Federal que afirma ser livre o exerc’cio de qualquer trabalho, of’cio ou
profiss‹o, atendidas as qualifica•›es profissionais que a lei estabelecer, possui

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efic‡cia plena, j‡ que a liberdade do exerc’cio profissional n‹o pode ser restringida,
mas apenas ampliada.
(D) argumentou em harmonia com a ordem constitucional, pois o dispositivo da
Constitui•‹o Federal que afirma ser livre o exerc’cio de qualquer trabalho, of’cio ou
profiss‹o, atendidas as qualifica•›es profissionais que a lei estabelecer, n‹o possui
nenhuma efic‡cia, devendo ser objeto de mandado de injun•‹o para a sua devida
regulamenta•‹o.

Coment‡rios:
O inciso XIII do art. 5o da Constitui•‹o determina que Ž livre o exerc’cio de
qualquer trabalho, of’cio ou profiss‹o, atendidas as qualifica•›es profissionais que
a lei estabelecer. Trata-se de norma constitucional de efic‡cia contida. Desse
modo, na inexist•ncia de lei que exija qualifica•›es para o exerc’cio de
determinada profiss‹o, qualquer pessoa poder‡ exerc•-la (o exerc’cio da profiss‹o
Ž livre). Uma vez editada a lei, a profiss‹o s— poder‡ ser exercida por quem
atender ˆs qualifica•›es legais. O gabarito Ž a letra B.

6. (FGV / XIV Exame de Ordem Unificado Ð 2014) A Sra. Maria da Silva Ž


participante ativa da AMA-X (Associa•‹o de Moradores e Amigos do bairro
X). Todos os dias, no fim da tarde, a Sra. Maria da Silva e um grupo de
associados reuniam-se na pra•a da cidade, distribuindo material sobre os
problemas do bairro. A associa•‹o convocava os moradores para esses
encontros por meio da r‡dio da cidade e comunicava, previamente, o local
e a hora das reuni›es ˆs autoridades competentes. Certa tarde, um grupo
da Associa•‹o de Moradores do bairro Y ocupou o local que os participantes
da AMA-X habitualmente utilizavam. O grupo do bairro Y n‹o havia avisado,
previamente, a autoridade competente sobre o evento, organizado em
espa•o pœblico. A Sra. Maria da Silva, indignada com a utiliza•‹o do mesmo
espa•o, e tendo sido frustrada a reuni‹o de seu grupo, solicitou aos
policiais militares, presentes no local, que tomassem as medidas
necess‡rias para permitir a realiza•‹o do encontro da AMA-X. Em rela•‹o ˆ
liberdade de associa•‹o e manifesta•‹o, assinale a afirmativa correta.
(A) A AMA-X deve buscar novo local de manifesta•‹o, tendo em vista que o local de
reuni‹o Ž pœblico e que a associa•‹o do bairro Y possui os mesmos direitos de
reuni‹o e manifesta•‹o.
(B) A associa•‹o do bairro Y deve buscar novo local de manifesta•‹o, pois n‹o tem
o direito de frustrar reuni‹o anteriormente convocada para o mesmo local, j‡ que
houve prŽvio aviso ˆ autoridade competente sobre o uso do espa•o pœblico pela
AMA-X.
(C) A AMA-X deve dividir o espa•o com a associa•‹o do bairro Y, tendo em vista
que o local de reuni‹o Ž pœblico e que o direito ˆ livre manifesta•‹o de ideias Ž
garantido.

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(D) A associa•‹o do bairro Y poder‡ ser dissolvida por ato da autoridade pœblica
municipal em raz‹o de n‹o ter comunicado previamente ˆ Prefeitura a realiza•‹o
de suas reuni›es em espa•o pœblico.

Coment‡rios:
Reza o inciso XVI do art. 5o da CF/88 que todos podem reunir-se pacificamente,
sem armas, em locais abertos ao pœblico, independentemente de autoriza•‹o,
desde que n‹o frustrem outra reuni‹o anteriormente convocada para o mesmo
local, sendo apenas exigido prŽvio aviso ˆ autoridade competente. No caso
exposto, a Associa•‹o do bairro Y dever‡ buscar um novo local para a sua
manifesta•‹o, sob pena de frustrar a reuni‹o anteriormente convocada pela AMA-
X. O gabarito Ž a letra B.

7. (FGV / XII EXAME DE ORDEM UNIFICADO Ð 2013) A Constitui•‹o declara


que todos podem reunir-se em local aberto ao pœblico. Algumas condi•›es
para que as reuni›es se realizem s‹o apresentadas nas alternativas a
seguir, ˆ exce•‹o de uma. Assinale-a.
(A) Os participantes n‹o portem armas.
(B) A reuni‹o seja autorizada pela autoridade competente.
(C) A reuni‹o n‹o frustre outra reuni‹o anteriormente convocada para o mesmo
local.
(D) Os participantes reœnam-se pacificamente.

Coment‡rios:
De acordo com o inciso XVI do art. 5o da CF/88, todos podem reunir-se
pacificamente, sem armas, em locais abertos ao pœblico, independentemente de
autoriza•‹o, desde que n‹o frustrem outra reuni‹o anteriormente convocada para
o mesmo local, sendo apenas exigido prŽvio aviso ˆ autoridade competente. A
partir desse inciso, podemos enumerar as caracter’sticas do direito de reuni‹o:
a) Esta dever‡ ter fins pac’ficos, e apresentar aus•ncia de armas;
b) Dever‡ ser realizada em locais abertos ao pœblico;
c) N‹o poder‡ frustrar outra reuni‹o convocada anteriormente para o
mesmo local;
d) Desnecessidade de autoriza•‹o;
e) Necessidade de prŽvio aviso ˆ autoridade competente.
O gabarito Ž a letra B.

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8. (FGV / XI EXAME DE ORDEM UNIFICADO Ð 2013) Assinale a alternativa


que completa corretamente o fragmento a seguir. A desapropria•‹o para
fins de reforma agr‡ria ocorre mediante prŽvia e justa indeniza•‹o:
(A) Em dinheiro, incluindo-se as benfeitorias œteis e necess‡rias.
(B) Em dinheiro, mas as benfeitorias n‹o s‹o pass’veis de indeniza•‹o.
(C) Em t’tulos da d’vida agr‡ria, incluindo-se as benfeitorias œteis e necess‡rias.
(D) Em t’tulos da d’vida agr‡ria, mas as benfeitorias œteis e necess‡rias ser‹o
indenizadas em dinheiro.

Coment‡rios:
A desapropria•‹o para fins de reforma agr‡ria obedece ao disposto no art. 184 da
Carta Magna. ƒ de compet•ncia da Uni‹o e tem por objeto o im—vel rural que n‹o
esteja cumprindo sua fun•‹o social. Ocorre mediante prŽvia e justa indeniza•‹o
em t’tulos da d’vida agr‡ria, sendo as benfeitorias œteis e necess‡rias indenizadas
em dinheiro. O gabarito Ž a letra D.

9. (FGV / VI EXAME DE ORDEM UNIFICADO Ð 2012) A Constitui•‹o


assegura, entre os direitos e garantias individuais, a inviolabilidade do
domic’lio, afirmando que Òa casa Ž asilo inviol‡vel do indiv’duo, ninguŽm
nela podendo penetrar sem o consentimento do moradorÓ (art. 5¼, XI,
CRFB). A esse respeito, assinale a alternativa correta.
(A) O conceito de ÒcasaÓ Ž abrangente e inclui quarto de hotel.
(B) O conceito de casa Ž abrangente, mas n‹o inclui escrit—rio de advocacia.
(C) A pris‹o em flagrante durante o dia Ž um limite a essa garantia, mas apenas
quando houver mandado judicial.
(D) A pris‹o em quarto de hotel obedecendo a mandado judicial pode se dar no
per’odo noturno.

Coment‡rios:
A letra A est‡ correta e a B est‡ incorreta. O conceito de ÒcasaÓ Ž abrangente.
Alcan•a n‹o s— a resid•ncia do indiv’duo, mas tambŽm escrit—rios profissionais,
consult—rios mŽdicos e odontol—gicos, trailers, barcos e aposentos de habita•‹o
coletiva (como, por exemplo, o quarto de hotel).
A letra C est‡ incorreta. Para que haja pris‹o em flagrante, n‹o Ž necess‡rio
mandado judicial.
A letra D est‡ incorreta. Considerando-se que o quarto de hotel est‡ abrangido
pelo conceito de casa, a pris‹o nele ocorrida por ordem judicial s— pode se dar
durante o dia. O gabarito Ž a letra A.

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10. (FGV / III Exame de Ordem Unificado Ð 2011) A Constitui•‹o garante


a plena liberdade de associa•‹o para fins l’citos, vedada a de car‡ter
paramilitar (art. 5¡, XVII). A respeito desse direito fundamental, Ž correto
afirmar que a cria•‹o de uma associa•‹o:
(A) Depende de autoriza•‹o do poder pœblico e pode ter suas atividades suspensas
por decis‹o administrativa.
(B) N‹o depende de autoriza•‹o do poder pœblico, mas pode ter suas atividades
suspensas por decis‹o administrativa.
(C) Depende de autoriza•‹o do poder pœblico, mas s— pode ter suas atividades
suspensas por decis‹o judicial transitada em julgado.
(D) N‹o depende de autoriza•‹o do poder pœblico, mas s— pode ter suas atividades
suspensas por decis‹o judicial.

Coment‡rios:
A quest‹o cobra o conhecimento dos incisos XVIII e XIX do art. 5o da Constitui•‹o:
XVIII - a cria•‹o de associa•›es e, na forma da lei, a de cooperativas independem
de autoriza•‹o, sendo vedada a interfer•ncia estatal em seu funcionamento;
XIX - as associa•›es s— poder‹o ser compulsoriamente dissolvidas ou ter suas
atividades suspensas por decis‹o judicial, exigindo-se, no primeiro caso, o tr‰nsito
em julgado.
Assim, temos que a) cria•‹o de associa•›es Ž livre, ou seja, independe de
autoriza•‹o; e b) as associa•›es s— podem ser dissolvidas por decis‹o judicial
transitada em julgado. AlŽm disso, suas atividades s— podem ser suspensas por
decis‹o judicial (neste caso, n‹o h‡ necessidade de tr‰nsito em julgado). O
gabarito Ž a letra D.

11. (FGV / XIX Exame de Ordem Ð 2016) JosŽ, internado em um hospital


pœblico para tratamento de saœde, solicita a presen•a de um pastor para
lhe conceder assist•ncia religiosa. O pedido, porŽm, Ž negado pela dire•‹o
do hospital, sob a alega•‹o de que, por se tratar de institui•‹o pœblica, a
assist•ncia n‹o seria poss’vel em face da laicidade do Estado.
Inconformado, JosŽ consulta um advogado. Ap—s a an‡lise da situa•‹o, o
advogado esclarece, com correto embasamento constitucional, que
a) a negativa emanada pelo hospital foi correta, tendo em vista que a Constitui•‹o
Federal de 1988, ao consagrar a laicidade do Estado brasileiro, rejeita a express‹o
religiosa em espa•os pœblicos.
b) a dire•‹o do hospital n‹o tem raz‹o, pois, embora a Constitui•‹o Federal de 1988
reconhe•a a laicidade do Estado, a assist•ncia religiosa Ž um direito garantido pela
mesma ordem constitucional.

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c) a corre•‹o ou incorre•‹o da negativa da dire•‹o do hospital depende de sua


conson‰ncia, ou n‹o, com o regulamento da pr—pria institui•‹o, j‡ que se est‡
perante direito dispon’vel.
d) a decis‹o sobre a possibilidade, ou n‹o, de haver assist•ncia religiosa em
entidades pœblicas de saœde depende exclusivamente de comando normativo legal,
j‡ que a tem‡tica n‹o Ž de estatura constitucional.

Coment‡rios:
De acordo com o art. 5¼, VII, CF/88, ÒŽ assegurada, nos termos da lei, a presta•‹o
de assist•ncia religiosa nas entidades civis e militares de interna•‹o coletivaÓ.
Assim, a dire•‹o do hospital n‹o tem raz‹o em sua negativa. Embora o Brasil seja
um Estado laico, a assist•ncia religiosa Ž direito fundamental. Letra B.

12. (FGV / XXIV Exame de Ordem Ð 2017) Marcos recebeu, por heran•a,
grande propriedade rural no estado Sigma. Dedicado ˆ medicina e n‹o
possuindo maior interesse pelas atividades agropecu‡rias desenvolvidas
por sua fam’lia, Marcos deixou, nos œltimos anos, de dar continuidade a
qualquer atividade produtiva nas referidas terras. Ciente de que sua
propriedade n‹o est‡ cumprindo uma fun•‹o social, Marcos procura um
advogado para saber se existe alguma possibilidade jur’dica de vir a perd•-
la. Segundo o que disp›e o sistema jur’dico-constitucional vigente no
Brasil, assinale a op•‹o que apresenta a resposta correta.
A) O direito de Marcos a manter suas terras dever‡ ser respeitado, tendo em vista
que tem t’tulo jur’dico reconhecidamente h‡bil para caracterizar o seu direito
adquirido.
B) A propriedade que n‹o cumpre sua fun•‹o social poder‡ ser objeto de
expropria•‹o, sem qualquer indeniza•‹o ao propriet‡rio que deu azo a tal
descumprimento; no caso, Marcos.
C) A propriedade, por interesse social, poder‡ vir a ser objeto de desapropria•‹o,
devendo ser, no entanto, respeitado o direito de Marcos ˆ indeniza•‹o.
D) O direito de propriedade de Marcos est‡ cabalmente garantido, j‡ que a
desapropria•‹o Ž instituto cab’vel somente nos casos de cultura ilegal de plantas
psicotr—picas.

Coment‡rios: Olha s—. Quest‹o fresquinha do XXIV Exame de Ordem. Estamos


diante do direito propriedade previsto no art. 5¼ (inciso XXII, XIII e XXIV). No
caso em exame, podemos ter a desapropria•‹o, desde que resguardado o
pagamento de indeniza•‹o. XXIV - a lei estabelecer‡ o procedimento para
desapropria•‹o por necessidade ou utilidade pœblica, ou por interesse social,
mediante justa e prŽvia indeniza•‹o em dinheiro, ressalvados os casos previstos
nesta Constitui•‹o; Gabarito Letra C

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3. DIREITOS E DEVERES
INDIVIDUAIS E COLETIVOS - 02
XXXII Ð o Estado promover‡, na forma da lei, a defesa
do consumidor;

XXXIII - todos t•m direito a receber dos —rg‹os


pœblicos informa•›es de seu interesse particular, ou
de interesse coletivo ou geral, que ser‹o prestadas no
prazo da lei, sob pena de responsabilidade,
ressalvadas aquelas cujo sigilo seja imprescind’vel ˆ
seguran•a da sociedade e do Estado;

Tem-se o direito ˆ informa•‹o que, junto com o princ’pio da publicidade,


obriga a todos os —rg‹os e entidades da Administra•‹o Pœblica, direta e indireta
(incluindo empresas pœblicas e sociedades de economia mista), a dar
conhecimento aos administrados da conduta interna de seus agentes.

O princ’pio da publicidade evidencia-se, assim, na forma de uma obriga•‹o


de transpar•ncia. Todavia, os —rg‹os pœblicos n‹o precisam fornecer toda e
qualquer informa•‹o de que disponham. As informa•›es cujo sigilo seja
imprescind’vel ˆ seguran•a da sociedade e do Estado n‹o devem ser fornecidas.
TambŽm s‹o imunes ao acesso as informa•›es pessoais, que est‹o protegidas
pelo art. 5¼, X, da CF/88.

A regulamenta•‹o do art. 5¼, inciso XXXIII, Ž feita pela Lei n¼ 12.527/2011, a


conhecida Lei de Acesso ˆ Informa•‹o.

O mais importante! No caso de les‹o ao direito ˆ informa•‹o, o remŽdio


constitucional a ser usado Ž o Mandado de Seguran•a. N‹o Ž o habeas
data! Isso porque se busca garantir o acesso a informa•›es de interesse
particular do requerente, ou de interesse coletivo ou geral, e n‹o referentes ˆ
sua pessoa (que seria a hip—tese de habeas data).

XXXIV Ð s‹o a todos assegurados,


independentemente do pagamento de taxas:
a) o direito de peti•‹o aos Poderes Pœblicos em
defesa de direitos ou contra ilegalidade ou abuso de
poder;

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b) a obten•‹o de certid›es em reparti•›es pœblicas,


para defesa de direitos e esclarecimento de situa•›es
de interesse pessoal;

Esse dispositivo legal prev•, em sua al’nea ÒaÓ, o direito de peti•‹o e, na al’nea
ÒbÓ, o direito ˆ obten•‹o de certid›es. Em ambos os casos, assegura-se o
n‹o pagamento de taxas, por serem ambas as hip—teses essenciais ao pr—prio
exerc’cio da cidadania.

Peti•‹o Ž um pedido, reclama•‹o ou um requerimento endere•ado a uma


autoridade pœblica. Trata-se de instrumento de exerc’cio da cidadania para
reivindicar algum direito ou informa•‹o. ƒ poss’vel fazer um pedido em favor de
interesses pr—prios, coletivos, da sociedade como um todo, ou, atŽ mesmo, de
terceiros. N‹o necessita de qualquer formalismo: apenas se exige que o pedido
seja feito por documento escrito.

J‡ a certid‹o Ž um atestado ou um ato que d‡ prova de um fato. ƒ uma c—pia


aut•ntica feita por pessoa que tenha fŽ pœblica, de documento escrito registrado
em um processo ou em um livro. Exemplo: certid‹o de nascimento.

1) O direito de peti•‹o tem como finalidades a


defesa de direitos e a defesa contra ilegalidade ou
abuso de poder.

2) O direito ˆ obten•‹o de certid›es tem como


finalidades a defesa de direitos e o esclarecimento de
situa•›es de interesse pessoal. Ele n‹o serve para
esclarecimento de interesse de terceiros.

No caso do direito de peti•‹o, trata-se de remŽdio administrativo, que pode


ter como destinat‡rio qualquer —rg‹o ou autoridade do Poder Pœblico, de
qualquer um dos tr•s poderes ou atŽ mesmo do MinistŽrio Pœblico. Todas as
pessoas f’sicas (brasileiros ou estrangeiros) e pessoas jur’dicas s‹o legitimadas
para peticionar administrativamente aos Poderes Pœblicos.

Por ser um remŽdio administrativo, isto Ž, de natureza n‹o-jurisdicional, o


direito de peti•‹o Ž exercido independentemente de advogado. Mas, Ž
importante deixar claro que o STF faz n’tida distin•‹o entre o direito de
peticionar e o direito de postular em ju’zo.38

O direito de postular em ju’zo, ao contr‡rio do direito de peti•‹o, necessita,


para ser exercido, de representa•‹o por advogado, salvo em situa•›es
excepcionais (como Ž o caso do habeas corpus). Portanto, para o STF, n‹o Ž


38
STF, Peti•‹o n¼ 762/BA AgR . Rel. Min. Sydney Sanches. Di‡rio da Justi•a 08.04.1994

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poss’vel, com base no direito de peti•‹o, garantir a qualquer pessoa ajuizar


a•‹o, sem a presen•a de advogado. Com efeito, o ajuizamento de a•‹o est‡ no
campo do Òdireito de postular em ju’zoÓ, o que exige advogado.

Quando se exerce o direito de peti•‹o ou, ainda, quando se solicita uma certid‹o,
h‡ uma garantia impl’cita a receber uma resposta (no caso de peti•‹o) ou a
obter a certid‹o. Quando h‡ omiss‹o do Poder Pœblico (falta de resposta a
peti•‹o ou negativa ilegal da certid‹o), o remŽdio constitucional adequado, a ser
utilizado na via judicial, Ž o mandado de seguran•a39.

RemŽdio constitucional que protege o direito de


certid‹o Ž o mandado de seguran•a. O habeas
data Ž utilizado quando n‹o se tem acesso a
informa•›es pessoais do impetrante ou quando
se deseja retific‡-las.

Quando alguŽm solicita uma certid‹o, j‡ tem


acesso ˆs informa•›es; o que quer Ž apenas
receber um documento formal do Poder Pœblico
que ateste a veracidade das informa•›es.
Portanto, Ž incab’vel o habeas data.

XXXV Ð a lei n‹o excluir‡ da aprecia•‹o do


Poder Judici‡rio les‹o ou amea•a a direito;

Trata-se do princ’pio da inafastabilidade de jurisdi•‹o, segundo o qual


somente o Poder Judici‡rio poder‡ decidir uma lide em definitivo. Temos aqui o
modelo ingl•s de jurisdi•‹o, que Ž o sistema de jurisdi•‹o una. Somente o
Poder Judici‡rio pode fazer coisa julgada material. Contrapondo-se a esse
modelo, est‡ o sistema franc•s (contencioso administrativo), no qual tanto a
Administra•‹o quanto o Judici‡rio podem julgar com car‡ter definitivo.

ƒ claro que isso n‹o impede que o particular recorra administrativamente ao ter
um direito seu violado: ele poder‡ faz•-lo, inclusive apresentando recursos
administrativos, se for o caso. Entretanto, todas as decis›es administrativas
est‹o sujeitas a controle judicial.

Cabe destacar que qualquer lit’gio, estejam eles conclu’dos ou pendentes de


solu•‹o na esfera administrativa, podem ser levados ao Poder Judici‡rio. No
œltimo caso (pend•ncia de solu•‹o administrativa), a decis‹o administrativa


39
RE STF 472.489/RS, Rel. Min. Celso de Mello, 13.11.2007.

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restar‡ prejudicada. O processo administrativo, consequentemente, ser‡


arquivado sem decis‹o de mŽrito.

Em raz‹o do princ’pio da inafastabilidade de jurisdi•‹o, tambŽm denominado de


princ’pio da universalidade de jurisdi•‹o, n‹o existe no Brasil, como regra
geral, a Òjurisdi•‹o condicionadaÓ ou Òinst‰ncia administrativa de curso
for•adoÓ. Isso quer dizer que o acesso ao Poder Judici‡rio independe de
processo administrativo prŽvio referente ˆ mesma quest‹o.

H‡, todavia, algumas exce•›es, nas quais se exige o prŽvio esgotamento da


via administrativa para que, s— ent‹o, o Poder Judici‡rio seja acionado:

a) habeas data: Ž preciso que haja a negativa ou omiss‹o da


Administra•‹o Pœblica em rela•‹o a pedido administrativo de acesso a
informa•›es pessoais ou de retifica•‹o de dados.
b) controvŽrsias desportivas: o art. 217, ¤ 1¼, da CF/88, determina
que Òo Poder Judici‡rio s— admitir‡ a•›es relativas ˆ disciplina e ˆs
competi•›es desportivas ap—s esgotarem-se as inst‰ncias da justi•a
desportiva, regulada em lei.Ó
c) reclama•‹o contra o descumprimento de Sœmula Vinculante
pela Administra•‹o Pœblica: o art. 7¼, ¤ 1¼, Lei n¼ 11.417/2006,
disp›e que Òcontra omiss‹o ou ato da administra•‹o pœblica, o uso da
reclama•‹o s— ser‡ admitido ap—s esgotamento das vias
administrativasÓ. A reclama•‹o Ž a•‹o utilizada para levar ao STF caso
de descumprimento de Sœmula Vinculante (art. 103-A, ¤3¼). A
reclama•‹o est‡ situada no ‰mbito do direito de peti•‹o (e n‹o no
direito de a•‹o); portanto, entende-se que sua natureza jur’dica n‹o Ž a
de um recurso, de uma a•‹o e nem de um incidente processual. 40

Um ponto que precisamos compreender, meus amigos. Por mais relevante que
seja a garantia de acesso ao Poder Judici‡rio, esta n‹o possui car‡ter absoluto:
o direito de acesso ao Poder Judici‡rio deve ser exercido, pelos
jurisdicionados, por meio das normas processuais que regem a matŽria,
n‹o se constituindo negativa de presta•‹o jurisdicional e cerceamento
de defesa a inadmiss‹o de recursos quando n‹o observados os
procedimentos estatu’dos nas normas instrumentais.41

Destaque-se que o princ’pio da inafastabilidade de jurisdi•‹o n‹o assegura a


gratuidade universal no acesso aos tribunais, mas a garantia de que o
Judici‡rio se prestar‡ ˆ defesa de todo e qualquer direito, ainda que contra os
poderes pœblicos, independentemente das capacidades econ™micas das partes.


40
STF, ADI n¼ 2.212/CE. Rel. Min, Ellen Gracie. DJ. 14.11.2003
41
STF, Ag.Rg. n¼ 152.676/PR. Rel. Min. Maur’cio Corr•a. DJ 03.11.1995.

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ƒ claro que se o valor da taxa judici‡ria for muito elevado, isso poder‡
representar verdadeiro obst‡culo ao direito de a•‹o. Assim, entende o STF que
viola a garantia constitucional de acesso ˆ jurisdi•‹o a taxa judici‡ria
calculada sem limite sobre o valor da causa (Sœmula STF no 667).

Com efeito, h‡ que existir uma equival•ncia entre o valor da taxa judici‡ria e o
custo da presta•‹o jurisdicional. ƒ razo‡vel que a taxa judici‡ria tenha um
limite; assim, causas de valor muito elevado n‹o resultar‹o em taxas judici‡rias
desproporcionais ao custo da presta•‹o jurisdicional.

A garantia de acesso ao Poder Judici‡rio Ž um instrumento importante para a


efetiva•‹o do Estado democr‡tico de direito. Dessa forma, o direito de a•‹o n‹o
pode ser obstaculizado de maneira desarrazoada. Nessa seara, o STF na sœmula
vinculante n¼ 28 considerou que:

ÒŽ inconstitucional a exig•ncia de dep—sito


prŽvio como requisito de admissibilidade de
a•‹o judicial na qual se pretenda discutir a
exigibilidade de crŽdito tribut‡rioÓ.

Outro ponto importante, relacionado ˆ garantia de acesso ao Poder Judici‡rio, Ž


sobre o duplo grau de jurisdi•‹o. Trata-se do reexame da matŽria decidida
em ju’zo, ou seja, Ž uma nova aprecia•‹o jurisdicional por um —rg‹o diverso e
de hierarquia superior ˆquele que decidiu em primeira inst‰ncia.

Segundo o STF, o duplo grau de jurisdi•‹o n‹o consubstancia princ’pio


nem garantia constitucional, uma vez que s‹o v‡rias as previs›es, na pr—pria
Lei Fundamental, do julgamento em inst‰ncia œnica ordin‡ria. 42 Em outras
palavras, a Constitui•‹o Federal de 1988 n‹o estabelece obrigatoriedade de
duplo grau de jurisdi•‹o.

ƒ de se ressaltar, todavia, que o duplo grau de jurisdi•‹o Ž princ’pio previsto na


Conven•‹o Americana de Direitos Humanos, que Ž um tratado de direitos
humanos com hierarquia supralegal regularmente internalizado no ordenamento
jur’dico brasileiro.43 Assim, parece-nos que a interpreta•‹o mais adequada Ž a
de que, embora o duplo grau de jurisdi•‹o exista no ordenamento jur’dico
brasileiro (em raz‹o da incorpora•‹o ao direito domŽstico da Conven•‹o
Americana de Direitos Humanos), n‹o se trata de um princ’pio absoluto, eis que
a Constitui•‹o estabelece v‡rias exce•›es a ele. 44


42
RHC 79785 RJ; AgRg em Agl 209.954-1/SP, 04.12.1998.
43
O art. 8¼, n¼ 2, al’nea h, da Conven•‹o Americana de Direitos Humanos disp›e que toda pessoa tem Òo direito de recorrer da senten•a
para juiz ou tribunal superiorÓ.
44
STF, 2» Turma, AI 601832 AgR/SP, Rel. Min. Joaquim Barbosa, DJe 02.04.2009.

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XXXVI - a lei n‹o prejudicar‡ o direito adquirido, o


ato jur’dico perfeito e a coisa julgada;

O direito adquirido, o ato jur’dico perfeito e a coisa julgada s‹o instrumentos


de seguran•a jur’dica, impedindo que as leis possam retroagir para prejudicar
situa•›es jur’dicas consolidadas. Eles representam, portanto, a garantia da
irretroatividade das leis, que, todavia, n‹o Ž absoluta.

O Estado n‹o Ž impedido de criar leis retroativas; estas ser‹o permitidas,


mas apenas se beneficiarem os indiv’duos, impondo-lhes situa•‹o mais
favor‡vel do que a que existia sob a vig•ncia da lei anterior. Segundo o STF, Òo
princ’pio insculpido no inciso XXXVI do art. 5¼ da Constitui•‹o n‹o impede a edi•‹o,
pelo Estado, de norma retroativa (lei ou decreto), em benef’cio do particularÓ. 45

A Sœmula STF n¼ 654 disp›e o seguinte: ÒA garantia da


irretroatividade da lei, prevista no art. 5¼, XXXVI, da
Constitui•‹o da Repœblica, n‹o Ž invoc‡vel pela entidade
estatal que a tenha editadoÓ.
Suponha que a Uni‹o tenha editado uma lei retroativa
concedendo um tratamento mais favor‡vel aos servidores
pœblicos do que o estabelecido pela lei anterior. Por ser
benigna, a lei retroativa pode ser aplicada face ao direito
adquirido.
Agora vem a pergunta: poder‡ a Uni‹o (que editou a lei
retroativa) se arrepender do benef’cio que concedeu aos
seus servidores e alegar em ju’zo que a lei n‹o Ž aplic‡vel
em raz‹o do princ’pio da irretroatividade das leis?
N‹o poder‡, pois a garantia da irretroatividade da lei n‹o
Ž invoc‡vel pela entidade estatal que a tenha editado.

a) Direito adquirido: Ž aquele que j‡ se incorporou ao patrim™nio


do particular, uma vez que j‡ foram cumpridos todos os requisitos
aquisitivos exigidos pela lei ent‹o vigente. Ex: Depois de cumpridas as
condi•›es de aposentadoria, mesmo que seja criada lei Y com requisitos
mais gravosos, voc• ter‡ direito adquirido a se aposentar.

O direito adquirido difere da Òexpectativa de direitoÓ, que n‹o Ž


alcan•ada pela prote•‹o do art. 5¼, inciso XXXVI. Suponha que a lei atual,
ao dispor sobre os requisitos para aposentadoria, lhe garanta o direito de
se aposentar daqui a 5 anos. Hoje, voc• ainda n‹o cumpre os requisitos

45
STF, 3» Turma, RExtr, n¼ 184.099/DF, Rel. Min. Oct‡vio Gallotti, RTJ 165/327.

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necess‡rios para se aposentar; caso amanh‹ seja editada uma nova lei,
que imponha requisitos mais dif’ceis, fazendo com que voc• s— possa se
aposentar daqui a 10 anos, ela n‹o estar‡ ferindo seu direito. Veja: voc•
ainda n‹o tinha direito adquirido ˆ aposentadoria, mas mera
expectativa de direito.

b) Ato jur’dico perfeito: reœne todos os elementos constitutivos


exigidos pela lei 46; Ž ato consumado pela lei vigente ao tempo em que
se efetuou.47 Ex: um contrato celebrado hoje, na vig•ncia de uma lei.

c) Coisa julgada: compreende a decis‹o judicial da qual n‹o cabe mais


recurso.

ƒ importante destacar que, no art. 5¼, inciso XXXV, o voc‡bulo ÒleiÓ est‡
empregado em seus sentidos formal (fruto do Poder Legislativo) e material
(qualquer norma jur’dica). Portanto, inclui emendas constitucionais, leis
ordin‡rias, leis complementares, resolu•›es, decretos legislativos e v‡rias outras
modalidades normativas. Nesse sentido, tem-se o entendimento do STF de que
a veda•‹o constante do inciso XXXVI se refere ao direito/lei, compreendendo
qualquer ato da ordem normativa constante do art. 59 da Constitui•‹o.48

H‡, todavia, certas situa•›es nas quais n‹o cabe invocar direito adquirido.
Assim, n‹o existe direito adquirido frente a:

XXXVII - n‹o haver‡ ju’zo ou tribunal de exce•‹o49;


(...)
LIII - ninguŽm ser‡ processado nem sentenciado sen‹o
pela autoridade competente;
XXXVIII - Ž reconhecida a institui•‹o do jœri, com a
organiza•‹o que lhe der a lei, assegurados:
a) a plenitude de defesa;
b) o sigilo das vota•›es;
c) a soberania dos veredictos;
d) a compet•ncia para o julgamento dos crimes dolosos
contra a vida;
XXXIX - n‹o h‡ crime sem lei anterior que o defina, nem
pena sem prŽvia comina•‹o legal;
XL - a lei penal n‹o retroagir‡, salvo para beneficiar o rŽu;
XLI - a lei punir‡ qualquer discrimina•‹o atentat—ria dos
direitos e liberdades fundamentais.


46
MORAES, Alexandre de. Constitui•‹o do Brasil Interpretada e Legisla•‹o Constitucional, 9» edi•‹o. S‹o Paulo Editora Atlas:
2010, pp. 241.
47
Cf. art. 6¼, ¤1¼, da LINDB.
48
STF, ADI 3.105-8/DF, 18.08.2004.
49
Trata-se do princ’pio do Òju’zo naturalÓ ou do Òjuiz naturalÓ. Garante ao indiv’duo que suas a•›es no Poder Judici‡rio ser‹o
apreciadas por um juiz imparcial, o que Ž uma garantia indispens‡vel ˆ administra•‹o da Justi•a em um Estado democr‡tico de direito.
O princ’pio do juiz natural impede a cria•‹o de ju’zos de exce•‹o ou Òad hocÓ, criados de maneira arbitr‡ria, ap—s o acontecimento
de um fato.

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XLII - a pr‡tica do racismo constitui crime inafian•‡vel e


imprescrit’vel, sujeito ˆ pena de reclus‹o, nos termos da
lei;
XLIII - a lei considerar‡ crimes inafian•‡veis e insuscet’veis
de gra•a ou anistia a pr‡tica da tortura, o tr‡fico il’cito de
entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os definidos
como crimes hediondos, por eles respondendo os
mandantes, os executores e os que, podendo evit‡-los, se
omitirem;
XLIV - constitui crime inafian•‡vel e imprescrit’vel a a•‹o
de grupos armados, civis ou militares, contra a ordem
constitucional e o Estado Democr‡tico;

Em todos esses dispositivos, Ž poss’vel perceber que o Constituinte n‹o buscou


outorgar direitos individuais, mas sim estabelecer normas que determinam a
criminaliza•‹o de certas condutas. 50 A doutrina denomina Òmandatos de
criminaliza•‹oÓ, que se caracterizam por normas direcionadas ao legislador, o
qual se v• limitado em sua liberdade de atua•‹o.

O inciso XLI estabelece que Òa lei punir‡ qualquer discrimina•‹o atentat—ria dos
direitos e liberdades fundamentaisÓ. Trata-se de norma de efic‡cia limitada,
dependente, de complementa•‹o legislativa. Evidencia um mandato de
criminaliza•‹o que busca efetivar a prote•‹o dos direitos fundamentais.

J‡ o inciso XLII estabelece que Òa pr‡tica do racismo constitui crime inafian•‡vel


e imprescrit’vel, sujeito ˆ pena de reclus‹o, nos termos da leiÓ.

! O racismo Ž crime inafian•‡vel e imprescrit’vel.


! Imprescrit’vel o que n‹o sofre prescri•‹o. A prescri•‹o Ž a
extin•‹o de um direito que se d‡ ap—s um prazo, devido ˆ inŽrcia
do titular em proteg•-lo. Inafian•‡vel Ž o crime que n‹o admite
o pagamento de fian•a (montante em dinheiro) para que o preso
seja solto.
! O racismo Ž pun’vel com a pena de reclus‹o. As bancas
examinadoras v‹o tentar te confundir e dizer que o racismo Ž
pun’vel com deten•‹o. N‹o Ž! O racismo Ž pun’vel com reclus‹o,
que Ž uma pena mais gravosa do que a deten•‹o.
*Qual a diferen•a entre a pena de reclus‹o e de deten•‹o? Est‡ no
regime de cumprimento de pena: na reclus‹o, inicia-se o
cumprimento da pena em regime fechado, semiaberto ou aberto;
na deten•‹o, o cumprimento da pena inicia-se em regime
semiaberto ou aberto.


50
MENDES, Gilmar Ferreira; BRANCO, Paulo Gustavo Gonet. Curso de Direito Constitucional. 6» edi•‹o. Editora Saraiva, 2011, pp.
534-538

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O STF j‡ teve a oportunidade de apreciar o alcance da express‹o ÒracismoÓ.


Entendeu-se que a discrimina•‹o contra os judeus Ž, sim, considerada racismo
e, portanto, trata-se de crime imprescrit’vel. Òescrever, editar, divulgar e
comerciar livros Ôfazendo apologia de ideias preconceituosas e discriminat—riasÕ
contra a comunidade judaica (Lei 7.716/1989, art. 20, na reda•‹o dada pela Lei
8.081/1990) constitui crime de racismo sujeito ˆs cl‡usulas de inafian•abilidade
e imprescritibilidade (CF, art. 5¼, XLII).Ó51

O inciso XLIII, a seu turno, disp›e sobre alguns crimes que s‹o inafian•‡veis
e insuscet’veis de gra•a ou anistia. Bastante aten•‹o, pois a banca
examinadora tentar‡ te confundir dizendo que esses crimes s‹o imprescrit’veis.
Qual o macete para n‹o confundir? Olha s—:

3 T? Sim, Tortura, Tr‡fico il’cito de entorpecentes e drogas afins e


Terrorismo. Assim como os hediondos, s‹o insuscet’veis de gra•a ou anistia.
N‹o podem ser perdoados pelo Presidente da Repœblica, nem ter suas penas
modificadas para outras mais benignas. AlŽm disso s‹o inafian•‡veis.

O inciso XLIV trata ainda de mais um crime: a a•‹o de grupos armados, civis
ou militares, contra a ordem constitucional e o Estado democr‡tico. Esse crime,
assim como o racismo, ser‡ inafian•‡vel e imprescrit’vel.

Para que voc• n‹o erre esses detalhes na prova, fizemos o esquema abaixo!
Perceba que todos os crimes dos quais falamos s‹o inafian•‡veis; a diferen•a
mesmo est‡ em saber que o Ò3TH n‹o tem gra•aÓ! J


51
STF, Pleno, HC 82.424-2/RS, Rel. origin‡rio Min. Moreira Alves, rel. p/ ac—rd‹o Min. Maur’cio Corr•a, Di‡rio da Justi•a, Se•‹o I,
19.03.2004, p. 17.

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XLV - nenhuma pena passar‡ da pessoa do condenado, podendo


a obriga•‹o de reparar o dano e a decreta•‹o do perdimento de
bens ser, nos termos da lei, estendidas aos sucessores e contra
eles executadas, atŽ o limite do valor do patrim™nio transferido;
XLVI - a lei regular‡ a individualiza•‹o da pena e adotar‡,
entre outras, as seguintes:
a) priva•‹o ou restri•‹o da liberdade;
b) perda de bens;
c) multa;
d) presta•‹o social alternativa;
e) suspens‹o ou interdi•‹o de direitos;
XLVII - n‹o haver‡ penas:
a) de morte, salvo em caso de guerra declarada, nos termos do
art. 84, XIX;
b) de car‡ter perpŽtuo;
c) de trabalhos for•ados;
d) de banimento;
e) cruŽis;
XLVIII - a pena ser‡ cumprida em estabelecimentos distintos,
de acordo com a natureza do delito, a idade e o sexo do apenado;
XLIX - Ž assegurado aos presos o respeito ˆ integridade f’sica e
moral;
L- ˆs presidi‡rias ser‹o asseguradas condi•›es para que possam
permanecer com seus filhos durante o per’odo de amamenta•‹o;
No caso do art. 5¼, XLVII, estabeleceu um rol exaustivo de penas
inaplic‡veis no ordenamento jur’dico brasileiro. Trata-se de verdadeira
garantia de humanidade atribu’da aos sentenciados, impedindo que lhes
sejam aplicadas penas atentat—rias ˆ dignidade da pessoa humana. 52 Com
efeito, as penas devem ter um car‡ter preventivo e repressivo, apenas.

A pena de morte Ž, sem dœvida a mais gravosa, sendo admitida t‹o-somente


na hip—tese de guerra declarada. Evidencia-se, assim, que nem mesmo o
direito ˆ vida Ž absoluto. Dependendo do caso concreto, todos os direitos
fundamentais podem ser relativizados. Ex: pena de morte Ž a pr‡tica do crime
de deser•‹o em presen•a de inimigo.

As bancas examinadoras adoram dizer que a pena de


morte n‹o Ž admitida em nenhuma situa•‹o no
ordenamento jur’dico brasileiro. A quest‹o, ao dizer
isso, est‡ errada. A pena de morte pode, sim, ser
aplicada, desde que na hip—tese de guerra
declarada.


52
CUNHA JòNIOR, Dirley da. Curso de Direito Constitucional. 6» edi•‹o. Ed. Juspodium, 2012.

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A pena de banimento, tambŽm inadmitida pela CF/88, consistia em impor ao


condenado a retirada do territ—rio brasileiro por toda sua vida, bem como a perda
da cidadania brasileira. Consistia, assim, em verdadeira Òexpuls‹o de nacionaisÓ.
Mas, esta n‹o se confunde com a expuls‹o de estrangeiro do Brasil,
plenamente admitida pelo nosso ordenamento jur’dico.

A expuls‹o Ž forma de exclus‹o do territ—rio nacional de estrangeiro que atentar


contra a seguran•a nacional, a ordem pol’tica ou social, a tranquilidade ou
moralidade pœblica e a economia popular, ou cujo procedimento o torne nocivo
ˆ conveni•ncia e aos interesses nacionais (Lei 6.815/80).

No que concerne ˆ pena de car‡ter perpŽtuo, vale destacar o entendimento


do STF de que o m‡ximo penal legalmente exequ’vel, no ordenamento
positivo nacional, Ž de 30 (trinta) anos (art. 75, "caput", do C—digo Penal)53.

LI - nenhum brasileiro ser‡ extraditado, salvo o


naturalizado, em caso de crime comum, praticado
antes da naturaliza•‹o, ou de comprovado
envolvimento em tr‡fico il’cito de entorpecentes e
drogas afins, na forma da lei;
LII - n‹o ser‡ concedida extradi•‹o de estrangeiro
por crime pol’tico ou de opini‹o;

A extradi•‹o Ž um instituto jur’dico destinado a promover a coopera•‹o penal


entre Estados. Consiste no ato de entregar uma pessoa para outro Estado
onde esta praticou crime, para que l‡ seja julgada ou punida.

H‡ 2 (dois) tipos de extradi•‹o: i) a extradi•‹o ativa; e ii) a extradi•‹o passiva.


A extradi•‹o ativa acontecer‡ quando o Brasil requerer a um outro Estado


53
HC 84766 SP, DJe-074, 25-04-2008.

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estrangeiro a entrega de um indiv’duo para que aqui seja julgado ou punido; por
sua vez, a extradi•‹o passiva ocorrer‡ quando um Estado estrangeiro requerer
ao Brasil que lhe entregue um indiv’duo.

Iremos focar o nosso estudo, a partir de agora, na extradi•‹o passiva: quando


um Estado solicita que o Brasil lhe entregue um indiv’duo. Vale destacar que a
CF/88 traz, no art. 5¼, LI e LII, algumas limita•›es importantes ˆ extradi•‹o.

O brasileiro nato n‹o poder‡ ser extraditado; trata-se de hip—tese de


veda•‹o absoluta ˆ extradi•‹o. Baseia-se na l—gica de que o Estado deve
proteger (acolher) os seus nacionais. Por sua vez, o brasileiro naturalizado,
poder‡ ser extraditado. Mas, isso somente ser‡ poss’vel em duas situa•›es:

a) Òno caso de crime comum, praticado antes da naturaliza•‹oÓ.


Perceba que existe, aqui, uma limita•‹o temporal. Se o crime comum
tiver sido cometido ap—s a naturaliza•‹o, o indiv’duo n‹o poder‡ ser
extraditado; a extradi•‹o somente ser‡ poss’vel caso o crime seja
anterior ˆ aquisi•‹o da nacionalidade brasileira pelo indiv’duo.

b) Òem caso de comprovado envolvimento em tr‡fico il’cito de


entorpecentes e drogas afinsÓ. Nessa situa•‹o, n‹o h‡ qualquer
limite temporal. O envolvimento com tr‡fico de entorpecentes dar‡
ensejo ˆ extradi•‹o seja antes ou ap—s a naturaliza•‹o.

Vale ressaltar que as regras de extradi•‹o do brasileiro naturalizado tambŽm se


aplicam ao portugu•s equiparado.54

Um detalhe! N‹o se admite a extradi•‹o de estrangeiro por crime pol’tico


ou de opini‹o. Trata-se de uma pr‡tica usual nos ordenamentos constitucionais
e tem por objetivo proteger os indiv’duos de persegui•‹o pol’tica.


54
Portugu•s equiparado Ž o portugu•s que, por ter resid•ncia permanente no Brasil, ter‡ um tratamento diferenciado, possuindo os
mesmos direitos dos brasileiros naturalizados.

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A defini•‹o de um crime como sendo um delito pol’tico Ž tarefa dif’cil e que


compete ao Supremo Tribunal Federal. ƒ no caso concreto que a Corte Suprema
ir‡ dizer se o crime pelo qual se pede a extradi•‹o Ž ou n‹o pol’tico.55 Esse
entendimento do STF Ž bastante importante porque permite resolver alguns
problemas de dif’cil solu•‹o. ƒ poss’vel que o Brasil extradite asilado pol’tico?
Pode um refugiado ser extraditado?

O asilo pol’tico, que Ž um dos princ’pios do Brasil nas rela•›es internacionais


(art. 4¼, X), consiste no acolhimento de estrangeiro por um Estado que n‹o seja
o seu, em virtude de persegui•‹o pol’tica por seu pr—prio pa’s ou por terceiro.
Segundo o STF, n‹o h‡ incompatibilidade absoluta entre o instituto do
asilo e o da extradi•‹o passiva. Isso porque a Corte n‹o est‡ vinculada
ao ju’zo formulado pelo Poder Executivo na concess‹o do asilo pol’tico.56
Em outras palavras, mesmo que o Poder Executivo conceda asilo pol’tico a um
estrangeiro, o STF poder‡, a posteriori, autorizar a extradi•‹o.

Quanto ao refœgio, trata-se de instituto mais geral do que o asilo pol’tico,


que ser‡ reconhecido a indiv’duo em raz‹o de fundados temores de persegui•‹o
(por motivos de ra•a, religi‹o, nacionalidade, grupo social ou opini›es pol’tica).

Apesar de a lei dispor que Òo reconhecimento da condi•‹o de refugiado obstar‡


o seguimento de qualquer pedido de extradi•‹o baseado nos fatos que
fundamentaram a concess‹o de refœgioÓ 57 , entende o STF que a decis‹o
administrativa que concede o refœgio n‹o pode obstar, de modo absoluto
e genŽrico, todo e qualquer pedido de extradi•‹o apresentado ˆ Corte
Suprema.58 No caso concreto, apreciava-se a extradi•‹o de Cesare Battisti, a
quem o Ministro da Justi•a havia concedido o status de refugiado. O STF, ao
analisar o caso, concluiu pela ilegalidade do ato de concess‹o do refœgio.

Seguindo em frente......vamos entender como funciona o processo de


extradi•‹o. O Estatuto do Estrangeiro (Lei n¼ 6.815/80) prev• tr•s etapas para
a extradi•‹o passiva.

A primeira Ž uma etapa administrativa, de responsabilidade do Poder


Executivo. Nessa fase, o Estado requerente solicita a extradi•‹o ao Presidente
da Repœblica por via diplom‡tica. Destaque-se que o pleito extradicional dever‡
ter como fundamento a exist•ncia de um tratado bilateral entre os dois
Estados ou, caso este n‹o exista, uma promessa de reciprocidade
(compromisso de acatar futuros pleitos). Sem um tratado ou promessa de
reciprocidade, a extradi•‹o n‹o ser‡ efetivada.


55
Ext 615, Rel. Min. Paulo Brossard. DJ. 05.12.1994.
56
Ext 524, Rel.: Min. Celso de Mello, Julgamento: 31/10/1990, îrg‹o Julgador: Tribunal Pleno.
57
Lei 9.474/97 Ð art. 33.
58
Ext 1085, Rel. Min. Cezar Peluso, DJe 16.04.2010

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Ao receber o pleito extradicional, h‡ duas situa•›es poss’veis:

a) O Presidente poder‡ indeferir a extradi•‹o sem aprecia•‹o do


STF, o que se denomina recusa prim‡ria.

b) O Presidente poder‡ deferir a extradi•‹o, encaminhando a


solicita•‹o ao STF, ao qual caber‡ analisar a legalidade e a proced•ncia
do pedido (art. 102, I, ÒgÓ, CF). Nesse caso, passaremos ˆ etapa
judici‡ria. Segundo o STF, nem mesmo a concord‰ncia do extraditando
em retornar ao seu pa’s impede que a Corte analise o caso, uma vez
tendo recebido comunica•‹o por parte do Poder Executivo59.

Na etapa judici‡ria, o STF ir‡ analisar a legalidade e a proced•ncia do pedido


de extradi•‹o. Um dos pressupostos da extradi•‹o Ž a exist•ncia de um
processo penal. Cabe destacar, todavia, que a extradi•‹o ser‡ poss’vel tanto
ap—s a condena•‹o quanto durante o processo.

H‡ necessidade, ainda, que exista o que a doutrina chama Òdupla tipicidadeÓ:


a conduta que a pessoa praticou deve ser crime tanto no Brasil quanto no Estado
requerente. Quando o fato que motivar o pedido de extradi•‹o n‹o for
considerado crime no Brasil ou no Estado requerente, n‹o ser‡ concedida a
extradi•‹o.

Ao analisar a extradi•‹o, o STF verifica se os direitos humanos do extraditando


ser‹o respeitados. Nesse sentido:

a) N‹o ser‡ concedida a extradi•‹o se o extraditando houver de


responder, no Estado requerente, perante ju’zo ou tribunal de
exce•‹o. ƒ o j‡ conhecido princ’pio do Òjuiz naturalÓ.
b) Caso a pena para o crime seja a de morte, o Estado requerente
dever‡ se comprometer a substitu’-la por outra, restritiva de liberdade
(comuta•‹o da pena), exceto, claro, naquele œnico caso em que a pena
de morte Ž admitida no Brasil: guerra declarada.
c) Caso a pena para o crime seja de car‡ter perpŽtuo, o Estado
requerente dever‡ se comprometer ˆ comuta•‹o dessa pena em
pris‹o de atŽ 30 anos, que Ž o limite toler‡vel pela lei brasileira.60

Por fim, h‡ outra etapa administrativa, em que o Presidente da Repœblica, na


condi•‹o de Chefe de Estado, entrega ou n‹o o extraditando ao pa’s requerente.
Novamente, h‡ duas situa•›es poss’veis:


59
Ext. 643, STF, Pleno, Rel. Min. Francisco Rezek, j. 19.12.1994.
60
Ext 855, Rel. Min. Celso de Mello, julgamento em 26-8-2004, Plen‡rio, DJ de 1¼-7-2005.

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a) O STF nega a extradi•‹o. Nesse caso, a decis‹o ir‡ vincular o Presidente


da Repœblica, que ficar‡ impedido de entregar o extraditando.
b) O STF autoriza a extradi•‹o. Essa decis‹o n‹o vincula o Presidente da
Repœblica, que Ž a autoridade que detŽm a compet•ncia para decidir sobre
a efetiva•‹o da extradi•‹o.

Esse entendimento (o de que a autoriza•‹o do STF n‹o vincula o Presidente)


ficou materializado no caso da extradi•‹o do italiano Cesare Battisti. Segundo a
Corte, a œltima palavra sobre a entrega ou n‹o do extraditando cabe ao
Presidente da Repœblica, que tem liberdade para decidir sobre a efetiva•‹o
da extradi•‹o, obedecidos os termos do tratado bilateral porventura existente
entre o Brasil e o Estado requerente. A decis‹o de efetivar a extradi•‹o Ž, assim,
um ato pol’tico, de manifesta•‹o da soberania.

LIV - ninguŽm ser‡ privado da liberdade ou de


seus bens sem o devido processo legal;

O princ’pio do devido processo legal (due process of law) Ž uma das garantias
constitucionais mais amplas e relevantes61; trata-se de um conjunto de pr‡ticas
jur’dicas previstas na Constitui•‹o e na legisla•‹o infraconstitucional cuja
finalidade Ž garantir a concretiza•‹o da justi•a.

O devido processual legal Ž garantia que concede dupla prote•‹o ao indiv’duo:


ele incide tanto no ‰mbito formal quanto no ‰mbito material.

No ‰mbito formal (processual), traduz-se na garantia de que as partes


poder‹o se valer de todos os meios jur’dicos dispon’veis para a defesa de
seus interesses. Assim, derivam do Òdevido processo legalÓ o direito ao
contradit—rio e ˆ ampla defesa, o direito de acesso ˆ justi•a, o direito ao juiz
natural, o direito a n‹o ser preso sen‹o por ordem judicial e o direito a n‹o ser
processado e julgado com base em provas il’citas. 62

No ‰mbito material (substantivo), por sua vez, o devido processo legal diz
respeito ˆ aplica•‹o do princ’pio da proporcionalidade (princ’pio da
razoabilidade ou da proibi•‹o de excesso). O respeito aos direitos fundamentais
n‹o exige apenas que o processo seja regularmente instaurado; alŽm disso, as
decis›es adotadas devem primar pela justi•a e equil’brio.

O princ’pio da proporcionalidade est‡ impl’cito no texto constitucional, dividindo-


se em 3 (tr•s) subprinc’pios:


61
MENDES, Gilmar Ferreira; BRANCO, Paulo Gustavo Gonet. Curso de Direito Constitucional. 6» edi•‹o. Editora Saraiva, 2011, pp. 592-594.
62
MENDES, Gilmar Ferreira; BRANCO, Paulo Gustavo Gonet. Curso de Direito Constitucional. 6» edi•‹o. Editora Saraiva, 2011, pp. 592-594.

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a) Adequa•‹o: a medida adotada pelo Poder Pœblico dever‡ estar apta


para alcan•ar os objetivos almejados.
b) Necessidade: a medida adotada pelo Poder Pœblico dever‡ ser
indispens‡vel para alcan•ar o objetivo pretendido. Nenhuma outra
medida menos gravosa seria eficaz para o atingimento dos objetivos.
c) Proporcionalidade em sentido estrito: a medida ser‡ considerada
leg’tima se os benef’cios dela resultantes superarem os preju’zos.

O STF tem utilizado o princ’pio da proporcionalidade como fundamento de v‡rias


de suas decis›es, especialmente no que diz respeito ao controle de
constitucionalidade de leis.

LV - aos litigantes, em processo judicial ou


administrativo, e aos acusados em geral s‹o
assegurados o contradit—rio e ampla defesa, com
os meios e recursos a ela inerentes;

As garantias do contradit—rio e da ampla defesa s‹o corol‡rios do princ’pio


do devido processo legal, isto Ž, dele decorrem diretamente.

A ampla defesa compreende o direito que o indiv’duo tem de trazer ao processo


todos os elementos l’citos de que dispuser para provar a verdade, ou de se calar
ou se omitir caso isso lhe seja benŽfico (direito ˆ n‹o-autoincrimina•‹o).

J‡ o contradit—rio Ž o direito dado ao indiv’duo de contradizer tudo que for


levado ao processo pela parte contr‡ria. Assegura, tambŽm, a igualdade das
partes do processo, ao equiparar o direito da acusa•‹o com o da defesa.63

A ampla defesa e o contradit—rio s‹o princ’pios que se aplicam tanto aos


processos judiciais quanto aos processos administrativos. O termo ÒlitigantesÓ
deve, portanto, ser compreendido na acep•‹o mais ampla poss’vel, n‹o se
referindo somente ˆqueles que estejam envolvidos em um processo do qual
resulte ou possa resultar algum tipo de penalidade.

Por fim, importante termos conhecimento da edi•‹o pelo STF da Sœmula


Vinculante n¼ 14:
"ƒ direito do defensor, no interesse do
representado, ter acesso amplo aos elementos de
prova que, j‡ documentados em procedimento
investigat—rio realizado por —rg‹o com
compet•ncia de pol’cia judici‡ria, digam respeito
ao exerc’cio do direito de defesa".


63
ALEXANDRINO, Marcelo & PAULO, Vicente. Direito Constitucional Descomplicado, 5» edi•‹o. Ed. MŽtodo, 2010. pp. 176.

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Outro ponto relevante que a jurisprud•ncia do Supremo j‡ decidiu foi que, nos
processos administrativos disciplinares, a ampla defesa e o contradit—rio
podem ser validamente exercidos independentemente de advogado. Dessa
forma, em um PAD instaurado para apurar infra•‹o disciplinar praticada por
servidor, n‹o Ž obrigat—ria a presen•a de advogado. Com base nesse
entendimento, o STF editou a Sœmula Vinculante n¼ 5:

ÒA falta de defesa tŽcnica por advogado no


processo administrativo disciplinar n‹o
ofende a Constitui•‹o.Ó

N‹o menos importante, como forma de garantir a ampla defesa, Ž comum que
a legisla•‹o preveja a exist•ncia de recursos administrativos. No entanto, em
muitos casos, a apresenta•‹o de recursos exigia o dep—sito ou arrolamento
prŽvio de dinheiros ou bens. Em outras palavras, para entrar com recurso
administrativo, o interessado precisava ofertar certas garantias, o que, em n‹o
raras vezes, inviabilizava, indiretamente, o exerc’cio do direito de recorrer. Para
resolver esse problema, o STF editou a Sœmula Vinculante n¼ 21:

Òƒ inconstitucional a exig•ncia de dep—sito


ou arrolamento prŽvios de dinheiro ou bens
para admissibilidade de recurso
administrativo.Ó

Nessa mesma linha, o STF entende que n‹o se pode exigir dep—sito prŽvio
como condi•‹o para se ajuizar, junto ao Poder Judici‡rio, a•‹o para se discutir
a exigibilidade de crŽdito tribut‡rio.64 (Sœmula Vinculante n¼ 28).

LVI - s‹o inadmiss’veis, no processo, as provas


obtidas por meios il’citos;

O devido processo legal tem como uma de suas consequ•ncias Ž


inadmissibilidade das provas il’citas, que n‹o poder‹o ser usadas nos processos
administrativos e judiciais.


64
Na ADIN 1.074-3, o STF considerou inconstitucional o art. 19, da Lei 8.870/94 que estabelecia que Òas a•›es judiciais, inclusive cautelares, que
tenham por objeto a discuss‹o de dŽbito para com o INSS ser‹o, obrigatoriamente, precedidas do dep—sito preparat—rio do valor do mesmo,
monetariamente corrigido atŽ a data de efetiva•‹o, acrescido dos juros, multa de mora e demais encargosÓ.

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As provas il’citas, assim consideradas aquelas obtidas com viola•‹o ao direito


material, dever‹o ser, portanto, expurgadas do processo; ser‹o elas
imprest‡veis ˆ forma•‹o do convencimento do magistrado.65

Todavia, o STF entende que a presen•a de provas il’citas n‹o Ž suficiente para
invalidar todo o processo, se nele existirem outras provas, l’citas e
aut™nomas (obtidas sem a necessidade dos elementos informativos
revelados pela prova il’cita).66 Uma vez que seja reconhecida a ilicitude de
prova constante dos autos, esta dever‡ ser imediatamente desentranhada
(retirada) do processo. 67 As outras provas, l’citas e independentes da obtida
ilicitamente, s‹o mantidas, tendo continuidade o processo.

Vejamos, a seguir, importantes entendimentos do STF


sobre a licitude/ilicitude de provas:

1) ƒ il’cita a prova obtida por meio de intercepta•‹o


telef™nica sem autoriza•‹o judicial. A intercepta•‹o
telef™nica depende de autoriza•‹o judicial.

2) S‹o il’citas as provas obtidas por meio de


intercepta•‹o telef™nica determinada a partir apenas de
denœncia an™nima, sem investiga•‹o preliminar. Uma
denœncia an™nima, por si s—, n‹o Ž suficiente para que o
juiz determine a intercepta•‹o telef™nica.

3) S‹o il’citas as provas obtidas mediante grava•‹o de


conversa informal do indiciado com policiais, por
constituir-se tal pr‡tica em Òinterrogat—rio sub-rept’cioÓ,
realizado sem as formalidades legais do interrogat—rio no
inquŽrito policial e sem que o indiciado seja advertido do
seu direito ao sil•ncio.68

4) S‹o il’citas as provas obtidas mediante confiss‹o


durante pris‹o ilegal. Ora, se a pris‹o foi ilegal, todas as
provas obtidas a partir dela tambŽm o ser‹o.

5) ƒ l’cita a prova obtida mediante grava•‹o telef™nica


feita por um dos interlocutores sem a autoriza•‹o judicial,
caso haja investida criminosa daquele que desconhece que
a grava•‹o est‡ sendo feita. Tem-se a leg’tima defesa.


65
MORAES, Alexandre de. Constitui•‹o do Brasil Interpretada e Legisla•‹o Constitucional, 9» edi•‹o. S‹o Paulo Editora Atlas:
2010, pp. 324-332
66
STF, HC 76.231/RJ, Rel. Min. Nelson Jobim, DJ: 29.09.1995.
67
STF, Embargos de Declara•‹o em InquŽrito. Rel. Min. NŽri da Silveira, 07.06.1996
68
STF, HC 80.949. Rel. Min. Sepœlveda Pertence. DJ 30.10.2001

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6) ƒ l’cita a prova obtida por grava•‹o de conversa


telef™nica feita por um dos interlocutores, sem
conhecimento do outro, quando ausente causa legal de
sigilo ou de reserva da conversa•‹o.69

7) ƒ l’cita a prova consiste em grava•‹o ambiental


realizada por um dos interlocutores sem o conhecimento
do outro. 70

A Teoria dos Frutos da çrvore Envenenada (ÒFruits of the Poisonous TreeÓ)


se baseia na ideia de que uma ‡rvore envenenada ir‡ produzir frutos
contaminados! Seguindo essa l—gica, uma prova il’cita contamina todas as
outras que dela derivam. ƒ o que a doutrina e a jurisprud•ncia chamam de
ilicitude por deriva•‹o; pode-se dizer tambŽm que, nesse caso, haver‡
comunicabilidade da ilicitude das provas il’citas a todas aquelas que dela
derivarem71.

LVII - ninguŽm ser‡ considerado culpado atŽ o


tr‰nsito em julgado de senten•a penal condenat—ria;

O princ’pio da presun•‹o de inoc•ncia, que tem por objetivo proteger a


liberdade do indiv’duo frente ao poder de impŽrio do Estado. Somente a partir
do tr‰nsito em julgado (decis‹o da qual n‹o caiba mais nenhum recurso) de
senten•a penal condenat—ria Ž que alguŽm poder‡ ser considerado culpado. ƒ,
afinal, o tr‰nsito em julgado da senten•a que faz coisa julgada material.

Da presun•‹o de inoc•ncia, deriva a obrigatoriedade de que o ™nus da prova


da pr‡tica de um crime seja sempre do acusador. Assim, n‹o se pode exigir que
o acusado produza provas em seu favor.

Meus amigos, temos aqui uma grande novidade! Em fevereiro de 2016, o STF
adotou important’ssima decis‹o relacionada ao princ’pio da presun•‹o de
inoc•ncia. Desde 2009, o entendimento do STF era o de que a execu•‹o da
senten•a somente seria poss’vel ap—s o tr‰nsito em julgado da condena•‹o.

Suponha que AndrŽ seja julgado e condenado na primeira inst‰ncia. Em seguida,


efetua a apela•‹o para o Tribunal de Justi•a, onde a senten•a Ž mantida. Nessa
hip—tese, ainda poderia ser cab’vel recurso especial e recurso extraordin‡rio. AtŽ
que esses recursos fossem julgados, AndrŽ n‹o poderia ser considerado culpado,
uma vez que ainda n‹o estar’amos diante do tr‰nsito em julgado de uma
senten•a penal condenat—ria.


69
STF, RE 630.944 Ð AgR. Rel. Min. Ayres Brito. DJ 25.10.2011
70
STF, RE 583.937-QO-RG. Rel. Min. Cezar Peluso. DJ 19.11.2009.
71
APR 20050810047450 DF, Rel. Vaz de Mello, j. 07.02.2008.

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Agora, o STF entende que a decis‹o condenat—ria em segunda inst‰ncia j‡


permitir‡ a execu•‹o provis—ria do ac—rd‹o. Se um indiv’duo foi condenado
em 1» inst‰ncia e, em seguida, teve a condena•‹o confirmada por um Tribunal
(—rg‹o de natureza colegiada), n‹o se pode presumir que ele seja inocente. A
execu•‹o do ac—rd‹o penal condenat—rio n‹o precisa aguardar o julgamento
de eventuais recursos extraordin‡rio ou especial.

ÒA execu•‹o provis—ria de ac—rd‹o penal


condenat—rio proferido em grau de apela•‹o, ainda que
sujeito a recurso especial ou extraordin‡rio, n‹o
compromete o princ’pio constitucional da
presun•‹o de inoc•nciaÓ. 72

LVIII - o civilmente identificado n‹o ser‡ submetido


a identifica•‹o criminal, salvo nas hip—teses
previstas em lei;
LIX - ser‡ admitida a•‹o privada nos crimes de a•‹o
pœblica, se esta n‹o for intentada no prazo legal;

No caso do inciso LIX, como voc• sabe, em regra, Ž o MinistŽrio Pœblico que
provoca o Poder Judici‡rio nas a•›es penais pœblicas, de cujo exerc’cio Ž
titular, com o fim de obter do Estado o julgamento de uma pretens‹o punitiva.

Entretanto, em alguns casos, o particular poder‡ exercer essa prerrogativa, de


maneira excepcional. Trata-se dos casos de a•‹o penal privada subsidi‡ria
da pœblica, quando esta n‹o Ž intentada no prazo legal. Nesse tipo de a•‹o, a
titularidade da persecu•‹o criminal era, inicialmente, do MinistŽrio Pœblico.
Entretanto, diante da omiss‹o deste ela passou para o particular.

Destaca-se, todavia, que n‹o Ž poss’vel a•‹o penal privada subsidi‡ria da pœblica
quando o MinistŽrio Pœblico solicitou ao juiz o arquivamento do inquŽrito policial
por falta de provas. Nesse caso, n‹o se caracteriza inŽrcia do MinistŽrio Pœblico.

LX - a lei s— poder‡ restringir a publicidade dos atos


processuais quando a defesa da intimidade ou o
interesse social o exigirem;
LXI - ninguŽm ser‡ preso sen‹o em flagrante delito
ou por ordem escrita e fundamentada de autoridade
judici‡ria competente, salvo nos casos de
transgress‹o militar ou crime propriamente militar,
definidos em lei;


72
HC n¼ 126.292/SP, Rel. Min. Teori Zavascki. 17.02.2016.

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LXVI - ninguŽm ser‡ levado ˆ pris‹o ou nela mantido,


quando a lei admitir a liberdade provis—ria, com ou
sem fian•a;

O direito ˆ liberdade Ž uma regra prevista na Constitui•‹o, que somente em


situa•›es excepcionais e taxativas poder‡ ser violada. O inciso LXI do art. 5¼ da
Constitui•‹o traz as hip—teses em que Ž poss’vel a pris‹o:

! em flagrante delito. Nesse caso, n‹o haver‡ necessidade de


ordem judicial. Nos termos do C—digo de Processo Penal, qualquer
do povo poder‡ e as autoridades policiais e seus agentes dever‹o
prender quem quer que seja encontrado em flagrante delito.
! em caso de transgress‹o militar ou crime propriamente
militar, definidos em lei. Aqui tambŽm Ž dispensada a ordem
judicial.
! por ordem de juiz, escrita e fundamentada. A decis‹o judicial Ž
necess‡ria para a decreta•‹o de pris‹o cautelar ou para a
denega•‹o de liberdade provis—ria.
LXII - a pris‹o de qualquer pessoa e o local onde se
encontre ser‹o comunicados imediatamente ao juiz
competente e ˆ fam’lia do preso ou ˆ pessoa por ele
indicada;
LXIII - o preso ser‡ informado de seus direitos, entre
os quais o de permanecer calado, sendo-lhe
assegurada a assist•ncia da fam’lia e de advogado;
LXIV - o preso tem direito ˆ identifica•‹o dos
respons‡veis por sua pris‹o ou por seu
interrogat—rio policial;
LXV - a pris‹o ilegal ser‡ imediatamente relaxada
pela autoridade judici‡ria;

Para a situa•‹o do inciso LXIII, temos consagrado o direito ao sil•ncio (n‹o-


autoincrimina•‹o), que se baseia na l—gica de que ninguŽm pode ser obrigado a
produzir provas contra si mesmo (Ònemo tenetur se detegereÓ). O preso dever‡
ser informado sobre seu direito de permanecer em sil•ncio, assim como do fato
de que o exerc’cio desse direito n‹o implica numa confiss‹o da pr‡tica do crime.

Importa destacar, ainda que, para o STF tal o direito insere-se no alcance
concreto da cl‡usula constitucional do devido processo legal. Est‡ inclu’da,
implicitamente, a prerrogativa processual de o acusado negar, ainda que
falsamente, perante a autoridade policial ou judici‡ria, a pr‡tica da

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infra•‹o penal. 73 Entretanto, n‹o pode ele, com base nesse direito, criar
situa•›es que comprometam terceiros ou gerem obst‡culos ˆ apura•‹o dos
fatos, impedindo que a Justi•a apure a verdade.

LXVII - n‹o haver‡ pris‹o civil por d’vida, salvo a do


respons‡vel pelo inadimplemento volunt‡rio e
inescus‡vel de obriga•‹o aliment’cia e a do
deposit‡rio infiel74;

A partir deste artigo, de Òmemoriza•‹oÓ obrigat—ria para sua prova, pode-se


concluir que:

! Em regra, n‹o h‡ pris‹o civil por d’vidas.


! Aquele que n‹o paga pens‹o aliment’cia s— pode ser preso se
deixar de pagar porque quer (inadimplemento volunt‡rio) e sem
justificativa plaus’vel (inadimplemento inescus‡vel).
! Se levarmos em conta apenas o texto da Constitui•‹o, iremos
concluir que o deposit‡rio infiel tambŽm pode ser preso. No
entanto, o entendimento atual do STF Ž o de que a œnica pris‹o
civil por d’vida admitida no ordenamento jur’dico brasileiro Ž a
resultante do inadimplemento volunt‡rio e inescus‡vel de
obriga•‹o aliment’cia.

Isto porque, o Brasil Ž signat‡rio da Conven•‹o Americana de Direitos


Humanos (Pacto de San Jose da Costa Rica), que somente permite a pris‹o
civil por n‹o pagamento de obriga•‹o aliment’cia. Segundo o STF, esse
tratado, por ser de direitos humanos, tem ÒstatusÓ supralegal, ou seja, est‡
abaixo da Constitui•‹o e acima de todas as leis na hierarquia das normas. Assim,
ele n‹o se sobrep›e ˆ Constitui•‹o, ou seja, permanece v‡lida a autoriza•‹o
constitucional para que o deposit‡rio infiel seja preso.

No entanto, a Conven•‹o Americana de Direitos Humanos suspendeu toda a


efic‡cia da legisla•‹o infraconstitucional que regia a pris‹o do deposit‡rio infiel.
Para o STF, o Pacto de San JosŽ produziu um Òefeito paralisanteÓ sobre toda
a legisla•‹o infraconstitucional que determinava a pris‹o do deposit‡rio infiel. 75

N‹o houve revoga•‹o do texto constitucional. A CF/88 continua autorizando a


pris‹o do deposit‡rio infiel; no entanto, a legisla•‹o infraconstitucional est‡
impedida de ordenar essa modalidade de pris‹o, em raz‹o da Conven•‹o

73
STF, Primeira Turma, HC 68929 SP, Rel. Min. Celso de Mello, j. 22.10.1991, DJ 28-08-1992.
74
O deposit‡rio Ž a pessoa a quem uma autoridade entrega um bem em dep—sito. Essa pessoa assume a obriga•‹o de conservar
aquele bem com dilig•ncia e de restitu’-lo assim que a autoridade o exigir. Quando assim n‹o procede, Ž chamada deposit‡rio
infiel. A infidelidade, portanto, Ž um delito. ƒ o caso de uma pessoa que teve mercadoria apreendida pela Receita Federal, mas que
recebe do Auditor-Fiscal autoriza•‹o para guard‡-la, por falta de espa•o no dep—sito da unidade aduaneira, por exemplo. Caso o bem
n‹o seja entregue assim que requerido, o depositante torna-se infiel.
75
RE 466.343-1/SP, Rel. Min. Cezar Peluso, DJ 03.12.2008

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Americana cuja hierarquia Ž de norma supralegal. Nesse sentido, o STF editou


a Sœmula Vinculante n¼ 25:

ƒ il’cita a pris‹o civil do


deposit‡rio infiel, qualquer que
seja a modalidade de dep—sito.

XV - Ž livre a locomo•‹o no territ—rio nacional em


tempo de paz, podendo qualquer pessoa, nos termos
da lei, nele entrar, permanecer ou dele sair com seus
bens;
==d8342==

A CF/88 garante a liberdade de locomo•‹o, no territ—rio nacional, nos tempos


de paz e nos termos da lei. Trata-se de norma constitucional de efic‡cia
contida, que poder‡ sofrer restri•›es referentes ao ingresso, sa’da e circula•‹o
interna de pessoas e patrim™nio. Ex: tempos de guerra. O remŽdio constitucional
adequado para proteger a liberdade de locomo•‹o Ž o Òhabeas corpusÓ:

LXVIII - conceder-se-‡ "habeas-corpus" sempre que


alguŽm sofrer ou se achar amea•ado de sofrer
viol•ncia ou coa•‹o em sua liberdade de locomo•‹o,
por ilegalidade ou abuso de poder;

O Òhabeas corpusÓ Ž uma garantia fundamental. Trata-se de uma forma


espec’fica de garantia, que a doutrina chama de ÒremŽdio constitucionalÓ.

RemŽdio constitucional Ž o meio que a Constitui•‹o d‡ ao indiv’duo para


proteger seus direitos contra a ilegalidade ou abuso de poder cometido pelo
Estado. O Habeas Corpus Ž remŽdio Constitucional pois visa proteger o direito
de locomo•‹o. Sua finalidade Ž fazer cessar a amea•a ou coa•‹o ˆ
liberdade de locomo•‹o do indiv’duo.

Possui natureza penal, procedimento especial (Ž de decis‹o mais r‡pida:


rito sum‡rio), Ž isento de custas (gratuito) e pode ser repressivo (liberat—rio)
ou preventivo (salvo-conduto). Se repressivo, busca devolver ao indiv’duo a
liberdade de locomo•‹o que j‡ perdeu (sendo preso, por exemplo); quando
preventivo, resguarda o indiv’duo quando a perda dessa liberdade Ž apenas uma
amea•a. H‡, ainda, o Òhabeas corpusÓ suspensivo, utilizado quando a pris‹o j‡
foi decretada, mas o mandato de pris‹o ainda est‡ pendente de cumprimento.

Pode o Òhabeas corpusÓ ser impetrado por qualquer pessoa f’sica ou jur’dica,
nacional ou estrangeira, ou, ainda, pelo MinistŽrio Pœblico. Todos esses s‹o,
portanto, sujeitos ativos. Trata-se de uma a•‹o com legitimidade universal,
que pode, inclusive, ser concedida de of’cio pelo pr—prio juiz. Tamanho Ž seu
car‡ter universal que o Òhabeas corpusÓ prescinde, atŽ mesmo, da outorga de

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mandato judicial que autorize o impetrante a agir em favor de quem estaria


sujeito, alegadamente, a constrangimento em sua liberdade de locomo•‹o.

N‹o pode o Òhabeas corpusÓ, contudo, ser impetrado em favor de pessoa


jur’dica. Somente as pessoas f’sicas (os seres humanos) podem ser pacientes
de Òhabeas corpusÓ. J‡ viu pessoa jur’dica (ÒempresaÓ) se locomovendo? Ou,
ainda, pessoa jur’dica sendo condenada ˆ pris‹o?

Pessoa jur’dica pode impetrar habeas corpus,


mas sempre a favor de pessoa f’sica.

N‹o h‡ necessidade de advogado para impetra•‹o de Òhabeas corpusÓ, bem


como para interposi•‹o de recurso ordin‡rio contra decis‹o proferida em Òhabeas
corpusÓ. Trata-se de verdadeira a•‹o penal popular.

No que se refere ˆ legitimidade passiva no Òhabeas corpusÓ, tem-se que este


se dirige contra a autoridade coatora, seja ela de car‡ter pœblico ou um
particular. Por autoridade coatora entende-se aquela que determinou a pris‹o
ou a restri•‹o da locomo•‹o do paciente. Um exemplo t’pico de Òhabeas corpusÓ
contra particular Ž aquele impetrado contra hospitais, que negam a libera•‹o de
seus pacientes, caso estes n‹o paguem suas despesas.

Trata-se de a•‹o de procedimento especial (rito sum‡rio), sendo decidida de


maneira bem cŽlere. Mesmo assim, pode haver medida liminar, desde que
presentes seus pressupostos: fumus boni iuris e periculum in mora76.

Outra coisa importante: Ž cab’vel Òhabeas corpusÓ mesmo quando a ofensa ao


direito de locomo•‹o Ž indireta, ou seja, quando do ato impugnado possa
resultar procedimento que, ao final, termine em deten•‹o ou reclus‹o da pessoa.
Ex: proteger o indiv’duo contra quebra de sigilo banc‡rio que possa levar ˆ sua
pris‹o em um processo criminal.77Esse Ž o entendimento do STF. Entretanto,
caso a quebra do sigilo fiscal se der em processo administrativo, n‹o cabe
Òhabeas corpusÓ. Isso porque esse tipo de processo jamais leva ˆ restri•‹o de
liberdade. Nesse caso, caberia o Mandado de Seguran•a.

Resta, ainda, destacar que o Òhabeas corpusÓ pode ser concedido de of’cio
pelo juiz 78 , ou seja, por sua iniciativa, sem provoca•‹o de terceiros. Isso


76
O Òfumus boni jurisÓ, ou Òfuma•a do bom direitoÓ, que significa que o pedido deve ter plausibilidade jur’dica. J‡ o Òpericulum in
moraÓ (risco da demora), que significa que deve haver possibilidade de dano irrepar‡vel ou de dif’cil repara•‹o se houver demora na
presta•‹o jurisdicional.
77
ÒO habeas corpus Ž medida id™nea para impugnar decis‹o judicial que autoriza a quebra de sigilos fiscal e banc‡rio em procedimento
criminal, haja vista a possibilidade destes resultarem em constrangimento ˆ liberdade do investigadoÓ (AI 573623 QO/RJ, rel. Min. Gilmar
Mendes, 31.10.2006).
78
STF, HC 69.172-2/RJ, DJ, 1, de 28.08.1992.

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ocorrer‡ quando, no curso do processo, a autoridade judici‡ria verificar que


alguŽm sofre ou est‡ na imin•ncia de sofrer coa•‹o ilegal.

AlŽm disso, entende o STF que o —rg‹o competente para julgamento do habeas
corpus est‡ desvinculado ˆ causa de pedir (fundamento do pedido) e aos
pedidos formulados. Assim, havendo convic•‹o sobre a exist•ncia de ato ilegal
n‹o mencionado pelo impetrante, cabe ao Judici‡rio afast‡-lo, ainda que isso
implique concess‹o de ordem em sentido diverso do pleiteado79.

O Òhabeas corpusÓ tambŽm n‹o serve como meio de dila•‹o probat—ria80,


para reparar erro do Judici‡rio, devido ˆ sua ’ndole sumar’ssima81. A coa•‹o
ilegal dever‡ ser demonstrada de plano pelo impetrante: exige-se prova prŽ-
constitu’da. Mas, quando Ž incab’vel o Òhabeas corpusÓ?

! N‹o cabe Òhabeas corpusÓ para impugnar decis›es do STF (Plen‡rio


ou Turmas). *Decorre do princ’pio da Òsuperioridade de grauÓ; somente
a autoridade imediatamente superior ˆ autoridade coatora Ž que teria
compet•ncia para conhecer e decidir sobre a•‹o. Nenhum juiz pode
conceder Òhabeas corpusÓ contra ato do pr—prio ju’zo82.
! N‹o Ž cab’vel habeas corpus, inclusive, contra decis‹o monocr‡tica
proferida por Ministro do STF 83

! N‹o cabe Òhabeas corpusÓ para impugnar determina•‹o de suspens‹o


dos direitos pol’ticos.
! N‹o cabe Òhabeas corpusÓ para impugnar pena em processo
administrativo disciplinar: advert•ncia, suspens‹o, demiss‹o etc.
! N‹o cabe Òhabeas corpusÓ para impugnar pena de multa ou relativa a
processo em curso por infra•‹o penal a que a pena pecuni‡ria seja a
œnica cominada. (Sœmula STF n¼ 643), j‡ que n‹o resultam em
cerceamento da liberdade de locomo•‹o.
! N‹o cabe Òhabeas corpusÓ para impugnar quebra de sigilo banc‡rio,
fiscal ou telef™nico, se dela n‹o puder resultar condena•‹o ˆ pena
privativa de liberdade.
! N‹o cabe Òhabeas corpusÓ quando j‡ extinta a pena privativa de
liberdade. (Sœmula STF n¼ 695)
! N‹o cabe Òhabeas corpusÓ para discutir o mŽrito de puni•›es
disciplinares militares (art. 142, ¤ 2¼, CF). Segundo o STF, Ž cab’vel
Òhabeas corpusÓ para discutir a legalidade de puni•›es disciplinares


79
STF, HC 69.421/SP, DJ, 1, de 28.08.1992.
80
Por dila•‹o probat—ria entende-se o prazo concedido ˆs partes para a produ•‹o de provas no processo.
81
STF, HC 68.397-5/DF, DJ 1, 26.06.1992.
82
O Processo na Segunda Inst‰ncia e nas Aplica•›es ˆ Primeira Ð Ministro COSTA MANSO, vol. I, p‡gs. 408/9, 1923.
83
HC 105959/DF. Rel. Min. Luiz Edson Fachin. 17.02.2016.

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militares (por exemplo, a compet•ncia do agente e concess‹o de ampla


defesa e contradit—rio).
! N‹o cabe Òhabeas corpusÓ contra a imposi•‹o de pena de exclus‹o de
militar ou de perda de patente ou de fun•‹o pœblica.

Destaca-se, por œltimo, que em caso de estado de defesa ou de s’tio, o ‰mbito


do Òhabeas corpusÓ poder‡ ser restringido, mas jamais poder‡ ser suprimido.

ÒHabeas CorpusÓ
Car‡ter Sim
preventivo ou
repressivo
Finalidade Proteger a liberdade de locomo•‹o
Legitimados Qualquer pessoa f’sica ou jur’dica, nacional ou estrangeira. S— pode ser
ativos impetrado a favor de pessoa natural, jamais de pessoa jur’dica.
Legitimados Autoridade pœblica e pessoa privada
passivos

Natureza Penal
Isen•‹o de Sim
custas
Medida Poss’vel, com pressupostos Òfumus boni jurisÓ e Òpericulum in moraÓ
liminar
Observa•›es Penas de multa, de suspens‹o de direitos pol’ticos, bem como
disciplinares n‹o resultam em cerceamento da liberdade de
locomo•‹o. Por isso, n‹o cabe Òhabeas corpusÓ para impugn‡-las

LXIXÐ conceder-se-‡ mandado de seguran•a para


proteger direito l’quido e certo, n‹o amparado por
Òhabeas corpusÓ ou habeas data, quando o
respons‡vel pela ilegalidade ou abuso de poder for
autoridade pœblica ou agente de pessoa jur’dica no
exerc’cio de atribui•›es do Poder Pœblico;

O Mandado de seguran•a Ž a•‹o de rito sum‡rio especial, visando proteger


direito l’quido e certo de pessoa f’sica ou jur’dica, n‹o protegido por Òhabeas
corpusÓ ou Òhabeas dataÓ, que tenha sido violado por ato de autoridade ou de
agente de pessoa privada no exerc’cio de atribui•‹o do Poder Pœblico.

Essa a•‹o judicial possui car‡ter residual, sendo cab’vel s— na falta de outro
remŽdio constitucional para proteger o direito violado. Possui natureza civil e
Ž cab’vel contra o chamado Òato de autoridadeÓ, ou seja, contra a•›es ou
omiss›es do Poder Pœblico e de particulares no exerc’cio de fun•‹o
pœblica (diretor de uma universidade particular, por exemplo).

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Assim, a viola•‹o de direito l’quido e certo n‹o protegido por Òhabeas corpusÓ
ou Òhabeas dataÓ dar‡ ensejo ˆ utiliza•‹o do mandado de seguran•a. Direito
l’quido e certo, segundo a doutrina, Ž aquele evidente de imediato, que n‹o
precisa de comprova•‹o futura para ser reconhecido. Por esse motivo, n‹o h‡
dila•‹o probat—ria (prazo para produ•‹o de provas). As provas, geralmente
documentais, s‹o levadas ao processo no momento da impetra•‹o da a•‹o,
quando se requer a tutela jurisdicional.

De acordo com a jurisprud•ncia do STF, o conceito de direito l’quido e certo est‡


mesmo relacionado ˆ prova prŽ-constitu’da, a fatos comprovados
documentalmente na inicial. N‹o importa se a quest‹o jur’dica Ž dif’cil. Nesse
sentido, disp›e a Sœmula 625 do STF que ÒcontrovŽrsia sobre matŽria de
direito n‹o impede concess‹o de mandado de seguran•aÓ.

ƒ importante frisar que se trata de a•‹o cab’vel tanto contra atos


discricion‡rios quanto contra vinculados. Reza a Constitui•‹o que os
indiv’duos utilizam o mandado de seguran•a para se defenderem tanto da
ilegalidade quanto do abuso de poder. Por ilegalidade, entende-se a situa•‹o em
que a autoridade coatora n‹o age em conformidade com a lei.

Trata-se de v’cio pr—prio dos atos vinculados. Por abuso de poder, por outro
lado, entende-se a situa•‹o em que a autoridade age fora dos limites de sua
compet•ncia. Trata-se de v’cio pr—prio dos atos discricion‡rios. No que diz
respeito ˆ legitimidade ativa, podem impetrar mandado de seguran•a:

Todas as pessoas f’sicas ou jur’dicas, nacionais ou estrangeiras,


domiciliadas ou n‹o no Brasil;

As universalidades (que n‹o chegam a ser pessoas jur’dicas) reconhecidas


por lei como detentoras de capacidade processual para a defesa de seus
direitos. Ex: massa falida/ esp—lio.

Alguns —rg‹os pœblicos (—rg‹os de grau superior), na defesa de suas


prerrogativas e atribui•›es;

O MinistŽrio Pœblico.

H‡ um prazo para a impetra•‹o do mandado de seguran•a: 120 (cento e vinte)


dias a partir da data em que o interessado tiver conhecimento oficial do
ato a ser impugnado (publica•‹o desse ato na imprensa oficial, por exemplo).
Segundo o STF, esse prazo Ž decadencial (perde-se o direito ao mandado de
seguran•a depois desse tempo), n‹o pass’vel de suspens‹o ou interrup•‹o.
TambŽm segundo a Corte Suprema, Ž constitucional lei que fixe o prazo de
decad•ncia para a impetra•‹o de mandado de seguran•a (Sœmula 632 do STF).

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E se eu perder o prazo? Nesse caso, voc• atŽ poder‡ proteger seu direito, mas
com outra a•‹o, de rito ordin‡rio. Jamais por mandado de seguran•a!

Uma vez concedida a seguran•a (deferido, ÒaceitoÓ o pedido), a senten•a estar‡


sujeita obrigatoriamente ao duplo grau de jurisdi•‹o (reexame
necess‡rio). Significa dizer que, uma vez tendo sido concedida a seguran•a
pelo juiz de primeira inst‰ncia, ela necessariamente dever‡ ser reexaminada
pela inst‰ncia superior. Destaque-se, todavia, que a senten•a de primeiro
grau (primeira inst‰ncia) pode ser executada provisoriamente, n‹o
havendo necessidade de se aguardar o reexame necess‡rio.

Pode haver liminar em mandado de seguran•a? SIM. Presentes os requisitos


(fumus boni iuris e periculum in mora) Ž poss’vel liminar. Entretanto, h‡
exce•›es, para as quais a lei n‹o admite liminar em mandado de seguran•a:

a) A compensa•‹o de crŽditos tribut‡rios;


b) A entrega de mercadorias e bens provenientes do exterior;
c) A reclassifica•‹o ou equipara•‹o de servidores pœblicos e a concess‹o
de aumento ou a extens‹o de vantagens ou pagamento de qualquer
natureza.

Ora, trata-se de matŽrias muito importantes, que n‹o podem ser decididas
precariamente por medida liminar. Na compensa•‹o de crŽditos tribut‡rios, por
exemplo, a Uni‹o (ou outro ente federado) ÒperdoaÓ um dŽbito do contribuinte
utilizando um crŽdito que ele tenha com ela. Exemplo: um contribuinte deve
imposto de renda, mas tem um crŽdito de COFINS. Ele usa, ent‹o, esse crŽdito
para ÒquitarÓ a d’vida, o famoso Òelas por elasÓ.

O mesmo ocorre com a entrega de mercadorias ou bens provenientes do


exterior. Eles s‹o a maior garantia que a Receita Federal tem de que o
contribuinte pagar‡ seus tributos aduaneiros. Por isso, n‹o podem ser entregues
precariamente, por medida liminar. O risco de se entregar uma mercadoria que
cause preju’zo ˆ sociedade Ž muito maior que o de se prejudicar alguma empresa
pela reten•‹o indevida de seus bens importados.

ƒ poss’vel que o impetrante desista do mandado de seguran•a? De acordo com


o STF, a resposta Ž sim. O impetrante pode desistir dessa a•‹o
constitucional a qualquer tempo, ainda que proferida decis‹o de mŽrito
a ele favor‡vel, e sem anu•ncia da parte contr‡ria. 84 Vejamos, agora, as
situa•›es em que Ž incab’vel o mandado de seguran•a:


84
RE 669367, Rel. Min. Luiz Fux, p. 13.05.2013.

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a) N‹o cabe mandado de seguran•a contra decis‹o judicial da qual


caiba recurso com efeito suspensivo;
b) N‹o cabe mandado de seguran•a contra ato administrativo do qual
caiba recurso com efeito suspensivo.

Nessas hip—teses, havendo possibilidade de recurso suspensivo descabe o uso


de mandado de seguran•a, uma vez que o direito j‡ est‡ protegido pela pr—pria
suspens‹o. Cabe destacar, a Sœmula n¼. 429/STF Òa exist•ncia de recurso
administrativo com efeito suspensivo n‹o impede o uso do mandado de
seguran•a contra omiss‹o de autoridadeÓ.

c) N‹o cabe mandado de seguran•a contra decis‹o judicial transitada


em julgado;
d) N‹o cabe mandado de seguran•a contra lei em tese, exceto se
produtora de efeitos concretos;

O que Ž lei em tese? ƒ aquela de efeitos gerais e abstratos, ou seja, que


apresenta generalidade e abstra•‹o. A generalidade est‡ presente quando a
lei possui destinat‡rios indeterminados e indetermin‡veis (uma lei que proteja
o meio ambiente, por exemplo). J‡ a abstra•‹o ocorre quando a lei disciplina
abstratamente as situa•›es que est‹o sujeitas ao seu comando normativo.
Somente leis de efeitos concretos (semelhantes a atos administrativos, como
uma lei que modifica o nome de uma rua, por exemplo) podem ser atacadas
por mandado de seguran•a.

e) N‹o cabe mandado de seguran•a contra ato de natureza


jurisdicional, salvo situa•‹o excepcional, quando a decis‹o for
equivocada, seja por manifesta ilegalidade, seja por abuso de poder85;

Caso haja essa excepcionalidade, deve o impetrante demonstrar, alŽm da


viola•‹o de direito l’quido e certo, a inexist•ncia de recurso com efeito
suspensivo e que o provimento do recurso cab’vel n‹o seria suficiente ˆ
repara•‹o do dano.

f) N‹o cabe mandado de seguran•a contra decis›es jurisdicionais do


STF, inclusive as proferidas por qualquer de seus Ministros, salvo
situa•›es excepcionais;

Essas decis›es, entende a Corte, t•m a possibilidade de ser reformadas por


via dos recursos admiss’veis, ou, em se tratando de julgamento de mŽrito
com tr‰nsito em julgado, por meio de a•‹o rescis—ria86 (MS 30836 RJ, 06/10/2011).


85
AgRg no MS 14561 DF 2009/0155213-1, 29/06/2010.
86
A•‹o rescis—ria Ž aquela que visa a desconstituir, com base em v’cios que as tornem anul‡veis, efeitos de senten•as transitadas em
julgado, contra as quais n‹o caiba mais recursos. Em outras palavras, aquelas senten•as que seriam Òa œltima palavraÓ do Judici‡rio.

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g) N‹o cabe mandado de seguran•a para assegurar direito l’quido e


certo ˆ insubmiss‹o a certa modalidade de tributa•‹o, na hip—tese
de o ato coator apontado se confundir com a pr—pria ado•‹o de Medida
Provis—ria editada pelo Chefe do Poder Executivo;

Trata-se de situa•‹o an‡loga ˆ impetra•‹o contra lei em tese (Sœmula


266/STF). Em matŽria tribut‡ria, a cobran•a das obriga•›es fiscais ganha
concre•‹o com o lan•amento tribut‡rio87. A mera edi•‹o de medida provis—ria
pelo Chefe do Executivo n‹o resulta numa situa•‹o de fato em que haja viola•‹o
ao direito l’quido e certo do impetrante da a•‹o.

Por fim, vale destacar que no mandado de seguran•a, n‹o h‡ condena•‹o ao


pagamento dos honor‡rios advocat’cios (™nus de sucumb•ncia). Isso quer
dizer que se o impetrante for derrotado, n‹o ser‡ condenado a pagar as
despesas com advogado da outra parte.

Mandado de seguran•a individual


Car‡ter preventivo Sim
ou repressivo

Finalidade Proteger direito l’qu’do e certo, n‹o amparado por Òhabeas


corpusÓ ou Òhabeas dataÓ
Legitimados ativos Todas as pessoas f’sicas ou jur’dicas, as universalidades
reconhecidas por lei como detentoras de capacidade
processual, alguns —rg‹os pœblicos e o MinistŽrio Pœblico
Legitimados Poder pœblico e particulares no exerc’cio da fun•‹o pœblica
passivos
Natureza Civil
Isento de custas N‹o
Medida liminar Poss’vel, com pressupostos Òfumus boni jurisÓ e Òpericulum
in moraÓ, mas h‡ exce•›es

LXX - o mandado de seguran•a coletivo pode ser


impetrado por:
a) partido pol’tico com representa•‹o no Congresso
Nacional;
b) organiza•‹o sindical, entidade de classe ou
associa•‹o legalmente constitu’da e em
funcionamento h‡ pelo menos um ano, em defesa dos
interesses de seus membros ou associados;

O mandado de seguran•a coletivo serve para proteger direitos coletivos e


individuais homog•neos contra ato, omiss‹o ou abuso de poder por parte de


87
STF, MS-ED 25265 / DF - DISTRITO FEDERAL, Julg. 28/03/2007, DJ 08/06/2007.

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autoridade. S— quem pode impetr‡-lo (legitimados ativos) s‹o essas pessoas


previstas nas al’neas ÒaÓ e bÓ. Destaca-se que a exig•ncia de um ano de
constitui•‹o e funcionamento da al’nea ÒbÓ aplica-se apenas ˆs
associa•›es, jamais ˆs entidades sindicais e de classe. Nesse sentido, entende
o STF que nem mesmo os entes da federa•‹o podem impetrar mandado
de seguran•a coletivo, em favor dos interesses de sua popula•‹o.

N‹o cabe mandado de seguran•a coletivo para proteger direitos difusos.


Isso porque essa a•‹o tem car‡ter residual, e os direitos difusos j‡ s‹o
amparados por outros instrumentos processuais, como, por exemplo, a
a•‹o civil pœblica. AlŽm disso, seu car‡ter sum‡rio exige prova documental, algo
que os direitos difusos n‹o apresentam de forma incontroversa.

Lembra-se quando falamos de substitui•‹o processual? No mandado de


seguran•a coletivo, aplica-se esse instituto. O interesse invocado pertence a
uma categoria, mas quem Ž parte do processo Ž o impetrante (partido pol’tico,
por exemplo), que n‹o precisa de autoriza•‹o expressa dos titulares.

ƒ importante destacar que o STF entende que os direitos defendidos pelas


entidades da al’nea ÒbÓ n‹o precisam se referir a TODOS os seus membros.
Podem ser o direito de apenas parte deles (Ex: quando o sindicato defende
direito referente ˆ aposentadoria, que beneficia apenas seus filiados inativos).

Por œltimo, outro importante entendimento da Corte Suprema Ž o de que o


partido pol’tico n‹o est‡ autorizado a valer-se do mandado de seguran•a coletivo
para, substituindo todos os cidad‹os na defesa de interesses individuais,
impugnar majora•‹o de tributo. Isso porque, para o STF, uma exig•ncia
tribut‡ria configura interesse de grupo ou classe de pessoas, s— podendo ser
impugnada por eles pr—prios, de forma individual ou coletiva.

Mandado de seguran•a coletivo


Car‡ter Sim
preventivo ou
repressivo
Finalidade Proteger direitos l’qu’dos e certos coletivos ou individuais
homog•neos, n‹o amparados por HC ou HD (car‡ter residual)
Legitimados ¥! Partido pol’tico com representa•‹o no Congresso Nacional;
ativos ¥! Organiza•‹o sindical e entidade de classe;
¥! Associa•‹o legalmente constitu’da e em funcionamento h‡
pelo menos 01 ano.

Legitimados Autoridade pœblica ou agente de pessoa jur’dica no exerc’cio de


passivos atribui•›es do poder pœblico
Natureza Civil
Isento de custas N‹o

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Medida liminar Poss’vel, com pressupostos Òfumus boni jurisÓ e Òpericulum in


moraÓ
Observa•›es Substitui•‹o processual

LXXI - conceder-se-‡ mandado de injun•‹o sempre


que a falta de norma regulamentadora torne invi‡vel
o exerc’cio dos direitos e liberdades constitucionais
e das prerrogativas inerentes ˆ nacionalidade, ˆ
soberania e ˆ cidadania;

Pessoal! Aten•‹o mais que redobrada aqui, pois temos novidade!


(Inclusive caiu no XXII Exame de Ordem)

O mandado de injun•‹o Ž um remŽdio constitucional dispon’vel para qualquer


pessoa prejudicada pela falta de norma regulamentadora que inviabilize o
exerc’cio dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas
inerentes ˆ nacionalidade, soberania e cidadania. Ap—s muita espera
legislativa, recentemente passou a ser disciplinado pela Lei n¼ 13.300/2016.

Trata-se de instituto aplic‡vel diante da falta de regulamenta•‹o de normas


constitucional de efic‡cia limitada. Segundo o STF, Òo direito individual ˆ
atividade legislativa do Estado apenas se evidenciar‡ naquelas estritas hip—teses
em que o desempenho da fun•‹o de legislar refletir, por efeito de exclusiva
determina•‹o constitucional, uma obriga•‹o jur’dica indeclin‡vel imposta
ao Poder PœblicoÓ. 88 Em outras palavras, o direito ˆ legisla•‹o (que Ž um
direito individual a ser resguardado por mandado de injun•‹o) somente ser‡
cab’vel diante de normas de efic‡cia limitada de car‡ter impositivo.

Destaca-se que a injun•‹o Ž cab’vel n‹o s— para omiss›es de car‡ter absoluto


ou total como tambŽm para as omiss›es de car‡ter parcial89. Isso porque a
omiss‹o inconstitucional, ainda que parcial ou derivada da insuficiente
concretiza•‹o, deve ser repelida, pois a inŽrcia do Estado Ž um processo informal
de mudan•a da Constitui•‹o. Mesmo n‹o alterando a letra da Constitui•‹o, o
legislador infraconstitucional modifica-lhe o alcance, ao paralisar sua aplica•‹o.

Qualquer pessoa, f’sica ou jur’dica, que se veja impossibilitada de exercer


direito constitucional por falta de norma regulamentadora Ž legitimada a propor
mandado de injun•‹o. Essa Ž, afinal, uma das diferen•as entre o mandado de
injun•‹o e a a•‹o direta de inconstitucionalidade por omiss‹o.

Apesar de a Constitui•‹o n‹o mencionar o mandado de injun•‹o coletivo, o


pr—prio STF j‡ entendia pelo seu cabimento, e agora com a edi•‹o da Lei n¼
13.300/2016, tal previs‹o passou a ser expressa. Cumpre destacar que os

88
MI 3316 / DF, Rel. Min. Celso de Mello. Julg. 09.04.2014.
89
ADI 1484 DF, DJ 28/08/2001.

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direitos, as liberdades e as prerrogativas protegidos por por este instrumento


s‹o os pertencentes, indistintamente, a uma coletividade indeterminada de
pessoas ou determinada por grupo, classe ou categoria. Em rela•‹o aos
legitimados para Mandado Injun•‹o Coletivo, temos:

a) Partido pol’tico com representa•‹o no Congresso Nacional: para


assegurar o exerc’cio de direitos, liberdades e prerrogativas de seus
integrantes ou relacionados com a finalidade partid‡ria.
b) Organiza•‹o sindical, entidade de classe ou associa•‹o
legalmente constitu’da e em funcionamento h‡ pelo menos um ano:
para assegurar o exerc’cio de direitos, liberdades e prerrogativas em favor
da totalidade ou de parte de seus membros ou associados, na forma de seus
estatutos e desde que pertinentes a suas finalidades, dispensada, para
tanto, autoriza•‹o especial.
d) MinistŽrio Pœblico: quando a tutela requerida for especialmente
relevante para a defesa da ordem jur’dica, do regime democr‡tico ou dos
interesses sociais ou individuais indispon’veis.
e) Defensoria Pœblica: quando a tutela requerida for especialmente
relevante para a promo•‹o dos direitos humanos e a defesa dos direitos
individuais e coletivos dos necessitados.

Com a vig•ncia da Lei n¼ 13.300/2016, tem-se agora


a previs‹o expressa do MinistŽrio Pœblico e da
Defensoria Pœblica entre legitimados a impetrar
mandado de injun•‹o coletivo.

Ah... pessoal guardem com carinho! O mandado de injun•‹o n‹o Ž gratuito,


sendo necess‡ria a assist•ncia de advogado para sua impetra•‹o. Em
rela•‹o ao seu cabimento, s‹o necess‡rios 03 pressupostos:

Falta de norma que regulamente uma norma constitucional programática


propriamente dita ou que defina princípios institutivos ou organizativos de
natureza impositiva;

Nexo de causalidade entre a omissão do legislador e a impossibilidade de


exercício de um direito ou liberdade constitucional ou prerrogativa inerente à
nacionalidade, à soberania e à cidadania;

O decurso de prazo razoável para elaboração da norma regulamentadora


(retardamento abusivo na regulamentação legislativa).

E quando Ž que descabe mandado de injun•‹o? Segundo a jurisprud•ncia do


STF, nas seguintes situa•›es:

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N‹o cabe mandado de injun•‹o se...

ü! j‡ houver norma regulamentadora do direito


constitucional, mesmo que esta seja defeituosa.
ü! se faltar norma regulamentadora de direito
infraconstitucional.
ü! diante da falta de regulamenta•‹o de medida
provis—ria ainda n‹o convertida em lei pelo Congresso
Nacional.
ü! se n‹o houver obrigatoriedade de regulamenta•‹o
do direito constitucional, mas mera faculdade.

Ainda, de acordo com o STF, n‹o Ž cab’vel medida liminar em mandado de


injun•‹o, pois Poder Judici‡rio jamais poderia resolver liminarmente o caso
concreto, agindo como poder legislativo, a fim de evitar o preju’zo oriundo da
demora da decis‹o (Òpericulum in moraÓ). O remŽdio se destina apenas ao
reconhecimento, ou n‹o, pelo Poder Judici‡rio, da demora da elabora•‹o da
norma regulamentadora do direito constitucional.

Um dos aspectos mais relevantes sobre o mandado de injun•‹o Ž entender qual


a efic‡cia da decis‹o. No que se refere ao tema, h‡ duas teses jur’dicas
relevantes a serem consideradas: a n‹o concretista e a concretista.

A corrente n‹o concretista entende que cabe ao Poder Judici‡rio apenas


reconhecer a inŽrcia do Poder Pœblico e dar ci•ncia de sua decis‹o ao —rg‹o
competente para que este edite a norma regulamentadora. N‹o pode, o
Judici‡rio, suprir a lacuna, assegurar ao lesado o exerc’cio de seu direito e
tampouco obrigar o Poder Legislativo a legislar. Essa posi•‹o era a seguida pelo
STF atŽ recentemente, com a mudan•a de sua composi•‹o.

J‡ corrente concretista determina que sempre que estiverem presentes os


requisitos exigidos constitucionalmente para o mandado de injun•‹o, o Judici‡rio
dever‡ n‹o s— reconhecer a omiss‹o legislativa, mas tambŽm possibilitar a
efetiva concretiza•‹o do direito. Essa posi•‹o se subdivide em duas: i)
concretista geral e ii) concretista individual.

a) Na concretista geral, a decis‹o do Judici‡rio deveria ter efeito sobre


todos os titulares do direito lesado (efeito Òerga omnesÓ), atŽ ser
expedida a norma regulamentadora daquele.
b) Na concretista individual, a decis‹o produziria efeitos somente
sobre o autor (efic‡cia Òinter partesÓ). Esta posi•‹o tambŽm se subdivide:
pode ser direta ou intermedi‡ria. Aquela determina que o Judici‡rio
concretize direta e imediatamente a efic‡cia da norma constitucional para
o autor. J‡ a intermedi‡ria determina que o Judici‡rio, ap—s julgar o

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mandado de injun•‹o procedente, n‹o concretize imediatamente a


efic‡cia da norma constitucional para o autor da a•‹o. Este Poder apenas
d‡ ci•ncia ao —rg‹o omisso, dando-lhe um prazo para regulamentar
aquela norma. S— em caso de perman•ncia da omiss‹o Ž que o Judici‡rio
fixar‡ as condi•›es necess‡rias para o exerc’cio do direito.

O STF tem, atualmente, adotado a posi•‹o concretista, cumprindo, muitas


vezes, o papel do legislador omisso, com o objetivo de dar exequibilidade ˆs
normas constitucionais. Ex: Ao analisar o caso referente ˆ falta de norma
regulamentadora do direito de greve dos servidores pœblicos civis (art. 37, VII,
CF), a Corte n‹o s— declarou a omiss‹o do legislador quanto determinou a
aplica•‹o tempor‡ria, no que couber, da lei de greve aplic‡vel ao setor privado
(Lei no 7.783/1989) atŽ que aquela norma seja editada.

O Supremo j‡ chegou atŽ mesmo a editar Sœmula Vinculante para combater


omiss‹o legislativa. Foi o que ocorreu em rela•‹o ˆ concess‹o de aposentadoria
especial para servidores pœblicos.

A CF/88 exige lei complementar para a defini•‹o de regras para a concess‹o de


aposentadoria aos servidores Òcujas atividades sejam exercidas sob condi•›es
especiais que prejudiquem a saœde ou a integridade f’sicaÓ (art. 40, ¤ 4¼, III).
Como essa lei complementar ainda n‹o foi editada, ÒpipocaramÓ mandados de
injun•‹o no STF. Para resolver o problema, o STF editou a Sœmula Vinculante
n¼ 33, ÒAplicam-se ao servidor pœblico, no que couber, as regras do regime
geral da previd•ncia social sobre aposentadoria especial de que trata o artigo
40, ¤ 4¼, inciso III da Constitui•‹o Federal, atŽ a edi•‹o de lei complementar
espec’ficaÓ.

A Lei n¼ 13.300/2016 adotou, explicitamente, a teoria concretista individual,


ao dispor que, em mandado de injun•‹o, Òa decis‹o ter‡ efic‡cia subjetiva
limitada ˆs partes e produzir‡ efeitos atŽ o advento da norma
regulamentadoraÓ (art. 9¼, caput). ƒ poss’vel, entretanto, que seja conferida
efic‡cia ultra partes ou erga omnes ˆ decis‹o, quando isso for inerente ou
indispens‡vel ao exerc’cio do direito, liberdade ou da prerrogativa objeto da
impetra•‹o (art. 9¼, ¤ 1¼).

Observe que a lei regulamentadora do mandado de injun•‹o reafirmou a


jurisprud•ncia do STF, dando maior seguran•a jur’dica ao processo e julgamento
desse remŽdio constitucional. Agora, fica claro que o —rg‹o julgador n‹o ir‡ se
limitar a declarar a mora legislativa. Ao contr‡rio, uma vez reconhecida a mora
legislativa, o mandado de injun•‹o ser‡ deferido para:

! determinar prazo razo‡vel para que o impetrado promova a edi•‹o da


norma regulamentadora;
! estabelecer as condi•›es em que se dar‡ o exerc’cio dos direitos, das
liberdades ou das prerrogativas reclamados ou, se for o caso, as condi•›es

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em que poder‡ o interessado promover a•‹o pr—pria visando a exerc•-los,


caso n‹o seja suprida a mora legislativa no prazo determinado.

Por fim, resta uma pergunta: a quem cabe julgar o mandado de injun•‹o?
Depende de qual autoridade se omitiu quanto ˆ proposi•‹o da lei. A
compet•ncia Ž determinada em raz‹o dessa pessoa (Òratione personaeÓ).

A compet•ncia poder‡ ser, ent‹o, tanto do STF quanto do STJ, a depender de


quem for a autoridade inerte. Ser‡ o STF caso a elabora•‹o da norma
regulamentadora seja atribui•‹o do Presidente da Repœblica, do Congresso
Nacional, da C‰mara dos Deputados, do Senado Federal, das Mesas de qualquer
das Casas Legislativas, do TCU, de qualquer dos Tribunais Superiores ou do
pr—prio STF.

Por outro lado, ser‡ o STJ se a elabora•‹o da norma regulamentadora for


atribui•‹o de —rg‹o, entidade ou autoridade federal, da administra•‹o direta ou
indireta, excetuados os casos de compet•ncia do STF e dos —rg‹os da Justi•a
Militar, Eleitoral, do Trabalho ou Federal.

Mandado de injun•‹o
Finalidade Suprir a falta de norma regulamentadora, que torne invi‡vel o
exerc’cio de direitos e liberdades constitucionais e das
prerrogativas inerentes ˆ nacionalidade, ˆ soberania e ˆ
cidadania.
Legitimados ativos Qualquer pessoa f’sica ou jur’dica, nacional ou estrangeira.
Legitimados Autoridade que se omitiu quanto ˆ proposi•‹o da lei
passivos
Natureza Civil
Isento de custas N‹o
Medida liminar N‹o
Observa•›es Pressupostos para cabimento: a) falta de regulamenta•‹o de
norma constitucional program‡tica propriamente dita ou que
defina princ’pios institutivos ou organizativos de natureza
impositiva; b) nexo de causalidade entre a omiss‹o do
legislador e a impossibilidade de exerc’cio de um direito ou
liberdade constitucional ou prerrogativa inerente ˆ
nacionalidade, ˆ soberania e ˆ cidadania e c) o decurso de
prazo razo‡vel para elabora•‹o da norma regulamentadora.

LXXII - conceder-se-‡ "habeas-data":


a) para assegurar o conhecimento de informa•›es
relativas ˆ pessoa do impetrante, constantes de
registros ou bancos de dados de entidades
governamentais ou de car‡ter pœblico;

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b) para a retifica•‹o de dados, quando n‹o se prefira


faz•-lo por processo sigiloso, judicial ou
administrativo;

O habeas data Ž remŽdio constitucional de natureza civil e rito sum‡rio,


possuindo duas finalidades principais:

a) Garantir acesso a informa•›es relativas ˆ pessoa do


impetrante, constantes de registros ou bancos de dados de entidades
governamentais ou de car‡ter pœblico;

b) Retifica•‹o de dados, constantes de banco de dados de car‡ter


pœblico, quando n‹o se prefira faz•-lo por processo sigiloso, judicial ou
administrativo.

No ‰mbito da Lei no 9.507/97, que regula o direito de acesso a informa•›es e


disciplina o rito processual do habeas data prev•, ainda, uma 3» hip—tese:

c) para anota•‹o nos assentamentos do interessado, de


contesta•‹o ou explica•‹o sobre dado verdadeiro, mas justific‡vel que
esteja sob pend•ncia judicial ou amig‡vel.

O habeas data poder‡ ser ajuizado por qualquer pessoa, f’sica ou jur’dica,
brasileira ou estrangeira. Trata-se de a•‹o personal’ssima, que jamais
poder‡ ser usado para garantir acesso a informa•›es de terceiros.

No polo passivo podem estar pessoas de direito pœblico ou privado. Quanto ˆs


œltimas, a condi•‹o Ž que sejam detentoras de banco de dados de car‡ter
pœblico. O Òhabeas dataÓ n‹o pode ser usado para que se tenha acesso a
banco de dados de car‡ter privado.

Para que seja impetrado, exige a comprova•‹o da negativa da autoridade


administrativa de garantir o acesso aos dados relativos ao impetrante. ƒ uma
hip—tese de Òjurisdi•‹o condicionadaÓ prevista no ordenamento jur’dico.

Nesse sentido, a Lei no 9.507/97 prev•, em seu art. 8¡, que a peti•‹o inicial do
habeas data dever‡ ser instru’da com prova:

I - da recusa ao acesso ˆs informa•›es ou do decurso de mais de


dez dias sem decis‹o;
II - da recusa em fazer-se a retifica•‹o ou do decurso de mais de
quinze dias, sem decis‹o; ou
III - da recusa em fazer-se a anota•‹o no cadastro do interessado
quando este apresentar explica•‹o ou contesta•‹o sobre o dado, ainda

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que n‹o seja constatada a sua inexatid‹o, ou do decurso de mais de


quinze dias sem decis‹o.

Para o STF, o acesso ao Òhabeas dataÓ pressup›e, dentre outras condi•›es de


admissibilidade, a exist•ncia do interesse de agir. A prova do anterior
indeferimento do pedido de informa•›es de dados pessoais, ou da omiss‹o
em atend•-lo, constitui requisito indispens‡vel ˆ concretiza•‹o do interesse de
agir. Sem que se configure situa•‹o prŽvia de pretens‹o resistida, h‡ car•ncia
da a•‹o constitucional (STF, HD 75; DF, DJU de 19.10.2006).

Importante dizer, outrossim, que do despacho de indeferimento da inicial por


falta de algum requisito legal para o ajuizamento caber‡ apela•‹o.

O Òhabeas dataÓ Ž a•‹o gratuita. No entanto, Ž imprescind’vel a assist•ncia


advocat’cia para que essa a•‹o seja impetrada. A impetra•‹o de habeas data
n‹o se sujeita a decad•ncia ou prescri•‹o. Ademais, os processos de
Òhabeas dataÓ ter‹o prioridade sobre todos os atos judiciais, exceto
habeas-corpus e mandado de seguran•a.

Um œltimo ponto. No RE 673.707/MG, de 17/06/2015, o STF decidiu que Òo


habeas data Ž a garantia constitucional adequada para a obten•‹o, pelo
pr—prio contribuinte, dos dados concernentes ao pagamento de tributos
constantes de sistemas informatizados de apoio ˆ arrecada•‹o dos —rg‹os
administra•‹o fazend‡ria dos entes estataisÓ.

A Corte entendeu que os contribuintes t•m o direito de conhecer


informa•›es que lhe digam respeito e que constem de bancos de dados
pœblico ou de car‡ter pœblico, em raz‹o do direito de preservar o status do
seu nome, seu planejamento empresarial, sua estratŽgia de investimento e
principalmente a recupera•‹o de tributos pagos indevidamente. 90

Habeas data
Finalidade Proteger direito relativo ˆ informa•‹o e retifica•‹o sobre a pessoa
do impetrante constante de registros ou bancos de dados
Legitimados Qualquer pessoa f’sica ou jur’dica, nacional ou estrangeira
ativos
Legitimados Entidades governamentais ou pessoas jur’dicas de car‡ter pœblico
passivos que tenham registros ou bancos de dados, ou, ainda, pessoas
jur’dicas de direito privado detentoras de banco de dados de car‡ter
pœblico
Natureza Civil
Isento de custas Sim
Medida liminar N‹o


90
RE 673.707/MG. Rel. Min. Luiz Fux. 17.06.2015.

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Observa•›es Destina-se a garantir o acesso a informa•›es relativas ˆ pessoa


do impetrante, ou seja, do requerente, solicitante. Jamais para
garantir acesso a informa•›es de terceiros! S— pode ser
impetrado diante da negativa da autoridade administrativa de
garantir o acesso aos dados relativos ao impetrante. Sua
impetra•‹o n‹o se sujeita a decad•ncia ou prescri•‹o.

LXXIII - qualquer cidad‹o Ž parte leg’tima para propor


a•‹o popular que vise a anular ato lesivo ao
patrim™nio pœblico ou de entidade de que o Estado
participe, ˆ moralidade administrativa, ao meio
ambiente e ao patrim™nio hist—rico e cultural, ficando
o autor, salvo comprovada m‡-fŽ, isento de custas
judiciais e do ™nus da sucumb•ncia;

O inciso LXXIII do art. 5¼ da Constitui•‹o traz mais um remŽdio constitucional:


a a•‹o popular. Trata-se uma a•‹o de natureza coletiva, que visa a anular
ato lesivo ao patrim™nio pœblico, ˆ moralidade administrativa, ao meio
ambiente e ao patrim™nio hist—rico e cultural. ƒ, portanto, uma forma de
controle, pelos cidad‹os, dos atos do Poder Pœblico, por meio do Judici‡rio.

ÒQuem pode impetrar essa a•‹o, professor?Ó Boa pergunta! Este Ž a ÒpegadinhaÓ
mais famosa nos concursos, envolvendo a a•‹o popular: s— pode impetrar a
a•‹o o cidad‹o, pessoa f’sica no gozo de seus direitos civis e pol’ticos. E
a a•‹o pode ser usada de maneira preventiva ou repressiva.

Destaca-se, ainda, que qualquer cidad‹o pode se habilitar como litisconsorte


ou assistente na a•‹o popular, nos termos do art. 6¼, ¤ 5¼ da Lei n.¼ 4.717/65.

TambŽm o Estado, quando œtil ao interesse pœblico, pode ingressar na a•‹o


popular, ao lado do autor. Nos termos do art. 6o, ¤ 3¼ da Lei n.¼ 4.717/65, a
pessoa jur’dica de direito pœblico ou de direito privado, cujo ato seja
objeto de impugna•‹o, poder‡ abster-se de contestar o pedido, ou poder‡
atuar ao lado do autor.

E quais os sujeitos passivos da a•‹o popular?

Todas as pessoas jur’dicas em nome das quais o ato ou contrato


lesivo foi (ou seria) praticado;
b) Todas as autoridades, os administradores e os servidores e
empregados pœblicos que participaram do ato ou contrato lesivo, ou
que se omitiram, permitindo a les‹o;
c) Todos os benefici‡rios diretos do ato ou contrato lesivo.

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ƒ importante destacarmos, tambŽm, o papel do MinistŽrio Pœblico (MP) na


a•‹o popular. O MP pode atuar das seguintes formas:

a) Como parte pœblica aut™noma, velando pela regularidade do


processo e pela correta aplica•‹o da lei, podendo opinar pela proced•ncia
ou improced•ncia da a•‹o. Nesse caso, exerce o papel de fiscal da lei, ou
Òcustos legisÓ.
b) Como —rg‹o ativador da produ•‹o de prova e auxiliar do autor
popular. Todavia, a fun•‹o de auxiliar do autor da a•‹o popular n‹o
implica em uma atividade secund‡ria do Parquet91. Ele n‹o Ž um mero
ajudante do autor da a•‹o; ao contr‡rio, possui uma atividade aut™noma.
c) Como substituto do autor. Ocorre quando o autor da a•‹o popular
(cidad‹o) ainda Ž parte no processo, mas Ž uma parte omissa. O
MinistŽrio Pœblico, ent‹o, age em seu lugar, cumprindo ™nus
processuais imputados ao autor, que n‹o os realizou.
d) Como sucessor do autor. Ocorre, em regra, quando o autor da
a•‹o desiste desta, quando, ent‹o, o MinistŽrio Pœblico tem a faculdade
de prosseguir com a a•‹o popular, quando houver interesse pœblico.
Nesse caso, Ž vedado ao MinistŽrio Pœblico desistir da a•‹o popular. Seu
poder de escolha refere-se ao impulso inicial (suceder ou n‹o o autor).
Depois disso, n‹o pode mais voltar atr‡s.

E se o cidad‹o nunca impetrar a a•‹o popular? O MinistŽrio Pœblico pode


impetr‡-la originariamente? NÌO! O MinistŽrio Pœblico n‹o possui
legitimidade para intentar a a•‹o popular.

Outro t—pico importante. N‹o se exige a comprova•‹o de efetivo dano


material, pecuni‡rio. O STF entende que a lesividade decorre da ilegalidade:
basta que se configure o dano. TambŽm Ž bastante cobrado em prova o
entendimento do STF de que n‹o cabe a•‹o popular contra ato de conteœdo
jurisdicional, praticado por membro do Poder Judici‡rio no desempenho de sua
fun•‹o t’pica (decis›es judiciais). A a•‹o popular s— incide sobre a atua•‹o
administrativa do Poder Pœblico92.

Outro dado importante: n‹o h‡ prazo decadencial para o ajuizamento da


a•‹o popular. TambŽm n‹o h‡ foro por prerrogativa de fun•‹o em a•‹o
popular. Dessa forma, uma a•‹o popular contra o Presidente da Repœblica ou
contra um parlamentar ser‡ julgada na primeira inst‰ncia (e n‹o no STF!).


91
Voc• percebeu que ÒParquetÓ e MinistŽrio Pœblico s‹o sin™nimos? Parquet Ž uma express‹o francesa que designa o MP, em aten•‹o ao
pequeno estrado (parquet) onde ficam os agentes do MP quando de suas manifesta•›es processuais.
92
STF, Peti•‹o n¼ 2.018-9/SP, Rel. Ministro Celso de Mello, de 29/06/2000.

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Quando uma senten•a julgar improcedente a•‹o popular, ela estar‡ sujeita,
obrigatoriamente, ao duplo grau de jurisdi•‹o.

Por fim, a improced•ncia de a•‹o popular n‹o gera para o autor, salvo
comprovada m‡ fŽ, a obriga•‹o de pagar custas judiciais e o ™nus da
sucumb•ncia (pagamento dos honor‡rios advocat’cios da outra parte).

LXXIV - o Estado prestar‡ assist•ncia jur’dica


integral e gratuita aos que comprovarem
insufici•ncia de recursos;
LXXV - o Estado indenizar‡ o condenado por erro
judici‡rio, assim como o que ficar preso alŽm do
tempo fixado na senten•a;
LXXVI - s‹o gratuitos para os reconhecidamente
pobres, na forma da lei:
a) o registro civil de nascimento;
b) a certid‹o de —bito;

Pela literalidade da nossa CF/88, s— os reconhecidamente pobres, na forma


da lei, t•m direito ˆ gratuidade de que trata a norma constitucional. Entretanto,
o STF julgou constitucional lei que prev• gratuidade do registro de
nascimento, do assento de —bito, bem como da primeira certid‹o respectiva a
todos os cidad‹os (e n‹o s— para os pobres).

Entendeu-se inexistir conflito da lei impugnada com a Constitui•‹o, a qual, em


seu inciso LXXVI do art. 5¼ apenas estabelece o m’nimo a ser observado pela
lei, n‹o impedindo que esta gratuidade seja estendida a outros cidad‹os.
Considerou-se, tambŽm, que os atos relativos ao nascimento e ao —bito s‹o a
base para o exerc’cio da cidadania, sendo assegurada a gratuidade de todos os
atos necess‡rios ao seu exerc’cio (CF, art. 5¼, LXXVII).

Finalmente, a gratuidade s— diz respeito ao registro de nascimento e ˆ certid‹o


de —bito. Nada de cair em ÒpeguinhasÓ que estendam esse direito ˆ certid‹o de
casamento, por exemplo.

LXXVII - s‹o gratuitas as a•›es de "habeas-corpus"


e "habeas-data", e, na forma da lei, os atos
necess‡rios ao exerc’cio da cidadania.

Lembre-se de que tambŽm s‹o gratuitos os atos necess‡rios ao exerc’cio da


cidadania, na forma da lei. S— a lei formal, portanto, poder‡ determinar quais
atos s‹o esses. ƒ um caso de reserva legal.

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LXXVIII - a todos, no ‰mbito judicial e


administrativo, s‹o assegurados a razo‡vel dura•‹o
do processo e os meios que garantam a celeridade de
sua tramita•‹o.
¤ 1¼ - As normas definidoras dos direitos e garantias
fundamentais t•m aplica•‹o imediata.
¤ 2¼ - Os direitos e garantias expressos nesta
Constitui•‹o n‹o excluem outros decorrentes do
regime e dos princ’pios por ela adotados, ou dos
tratados internacionais em que a Repœblica
Federativa do Brasil seja parte.

As normas que definem direitos e garantias fundamentais (n‹o s— aquelas do


art. 5¼ da CF, mas tambŽm as constantes de outros artigos da Constitui•‹o)
devem ser interpretadas de modo a terem a maior efic‡cia poss’vel, mesmo
quando ainda n‹o regulamentadas pelo legislador ordin‡rio.

Como se deduz do par‡grafo acima, os direitos e garantias fundamentais


previstos na Constitui•‹o t•m enumera•‹o aberta (rol exemplificativo). Podem,
portanto, haver outros, decorrentes dos princ’pios constitucionais ou da
assinatura de tratados internacionais pela Repœblica Federativa do Brasil.
Consagrou-se, no Brasil, um sistema aberto de direitos fundamentais.

Desse modo, para que um direito seja considerado como fundamental, n‹o Ž
necess‡rio que ele seja constitucionalizado. Os direitos ser‹o fundamentais
em raz‹o da sua ess•ncia, do seu conteœdo normativo. Surge, assim, a
ideia de Òfundamentalidade materialÓ dos direitos fundamentais, que permite
a abertura do sistema constitucional a outros direitos fundamentais n‹o
previstos no texto da Constitui•‹o.

H‡ que se ressaltar que a fundamentalidade material depende da exist•ncia


de cl‡usula de abertura material inserida no texto da Constitui•‹o (art. 5¼,
¤ 2¼, CF/88). Em outras palavras, Ž a Constitui•‹o formal que abre a
possibilidade para o fen™meno da Òfundamentalidade materialÓ.

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¤ 3¼ Os tratados e conven•›es internacionais sobre


direitos humanos que forem aprovados, em cada Casa
do Congresso Nacional, em dois turnos, por tr•s quintos
dos votos dos respectivos membros, ser‹o equivalentes
ˆs emendas constitucionais.
¤ 4¼ O Brasil se submete ˆ jurisdi•‹o de Tribunal Penal
Internacional a cuja cria•‹o tenha manifestado ades‹o.

A Constitui•‹o determina que alguns tratados e conven•›es internacionais t•m


for•a de emenda constitucional, atendidos os requisitos:

a) Devem tratar de direitos humanos;


b) Devem ter sido aprovados de acordo com o rito pr—prio das emendas
constitucionais: tr•s quintos dos membros de cada Casa do Congresso
Nacional, em dois turnos de vota•‹o.

E os tratados sobre direitos humanos que n‹o s‹o aprovados por esse rito
especial? Como j‡ trabalhamos, o Supremo Tribunal Federal (STF), em decis‹o
recente (2008), firmou entendimento de que esses tratados t•m hierarquia
supralegal, situando-se abaixo da Constitui•‹o e acima da legisla•‹o interna.

Ufa...pessoal, em termos de conteœdo, o que voc•s precisam levar para prova Ž


isso. Vamos treinar agora? Segue abaixo as quest›es da prova da OAB.

13. (FGV / XXII Exame de Ordem Ð 2017) A Lei n¼ 13.300/16, que


disciplina o processo e o julgamento dos mandados de injun•‹o individual
e coletivo, surgiu para combater o mal da s’ndrome da inefetividade das
normas constitucionais. Nesse sentido, o seu Art. 8¼, inciso II, inovou a
ordem jur’dica positivada ao estabelecer que, reconhecido o estado de
mora legislativa, ser‡ deferida a injun•‹o para estabelecer as condi•›es em
que se dar‡ o exerc’cio dos direitos, das liberdades ou das prerrogativas
reclamados, ou, se for o caso, as condi•›es em que o interessado poder‡
promover a•‹o pr—pria visando a exerc•-los, caso n‹o seja suprida a mora
legislativa no prazo determinado. Considerando o conteœdo normativo do
Art. 8¼, inciso II, da Lei n¼ 13.300/16 e a teoria acerca da efetividade das
normas constitucionais, assinale a afirmativa correta.
a) Foi adotada a posi•‹o neoconstitucionalista, na qual cabe ao Poder Judici‡rio
apenas declarar formalmente a mora legislativa, atuando como legislador negativo
e garantindo a observ‰ncia do princ’pio da separa•‹o dos poderes, sem invadir a
esfera discricion‡ria do legislador democr‡tico.

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b) Foi consolidada a teoria concretista, em prol da efetividade das normas


constitucionais, estabelecendo as condi•›es para o ativismo judicial, revestindo-o
de legitimidade democr‡tica, sem ferir a separa•‹o de Poderes e, ao mesmo tempo,
garantindo a for•a normativa da Constitui•‹o.
c) Foi promovida a posi•‹o n‹o concretista dentro do escopo de um Estado
Democr‡tico de Direito, na qual cabe ao Poder Judici‡rio criar direito para sanar
omiss‹o legiferante dos Poderes constitu’dos, geradores da chamada Òs’ndrome da
inefetividade das normas constitucionaisÓ, em t’pico processo objetivo de controle
de constitucionalidade.
d) Foi retomada a posi•‹o positivista normativista, concedendo poderes normativos
moment‰neos aos ju’zes e tribunais, de modo a igualar os efeitos da a•‹o direta de
inconstitucionalidade por omiss‹o (modalidade do controle abstrato) e do mandado
de injun•‹o (remŽdio constitucional).

Coment‡rios:
A Lei n¼ 13.300/2016 adotou a corrente concretista intermedi‡ria individual para
os efeitos do mandado de injun•‹o.
O Poder Judici‡rio n‹o se limitar‡ a declarar a mora legislativa; ao contr‡rio,
buscar‡ concretizar o direito, garantindo a efetividade das normas constitucionais.
Dessa forma, por meio de uma atua•‹o ativa do Poder Judici‡rio (ativismo judicial)
ser‡ garantida a for•a normativa da Constitui•‹o. O gabarito Ž a letra B.

14. (FGV / XVI Exame de Ordem Unificado Ð 2015) J.G., empres‡rio do


ramo imobili‡rio, surpreendeu-se ao tomar conhecimento de que seu nome
constava de um banco de dados de car‡ter pœblico como inadimplente de
uma d’vida no valor de R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais). Embora
reconhe•a a exist•ncia da d’vida, entende que o n‹o pagamento encontra
justificativa no fato de o valor a que foi condenado em primeira inst‰ncia
ainda estar sob discuss‹o em grau recursal. Com o objetivo de fazer com
que essa informa•‹o complementar passe a constar juntamente com a
informa•‹o principal a respeito da exist•ncia do dŽbito, consulta um
advogado, que sugere a impetra•‹o de um habeas data. Sobre a resposta ˆ
consulta, assinale a afirmativa correta.
(A) O habeas data n‹o Ž o meio adequado, j‡ que a ordem jur’dica n‹o prev• a
possibilidade de sua utiliza•‹o para complementar dados, mas apenas para garantir
o direito de acess‡-los ou retific‡-los.
(B) Deveria ser impetrado, em vez de habeas data, mandado de seguran•a, a•‹o
constitucional adequada para os casos em que se fa•a necess‡ria a prote•‹o de
direito l’quido e certo, n‹o amparado por habeas corpus ou habeas data.

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(C) Deve ser impetrado habeas data, pois, embora o texto constitucional n‹o
contemple a hip—tese espec’fica do concreto, a lei ordin‡ria o faz, de modo a ampliar
o ‰mbito de incid•ncia do habeas data como a•‹o constitucional.
(D) O habeas data n‹o deve ser impetrado, pois a lei ordin‡ria n‹o pode ampliar
uma garantia fundamental prevista no texto constitucional, j‡ que tal configuraria
viola•‹o ao regime de imutabilidade que acompanha os direitos e as garantias
fundamentais.

Coment‡rios:
A Lei no 9.507/97, que regula o direito de acesso a informa•›es e disciplina o rito
processual do habeas data prev• que esse remŽdio constitucional pode ser usado
para anota•‹o nos assentamentos do interessado, de contesta•‹o ou explica•‹o
sobre dado verdadeiro, mas justific‡vel que esteja sob pend•ncia judicial ou
amig‡vel. O gabarito Ž a letra C.

15. (FGV / XV Exame de Ordem Unificado Ð 2014) Pedro promoveu a•‹o


em face da Uni‹o Federal e seu pedido foi julgado procedente, com efeitos
patrimoniais vencidos e vincendos, n‹o havendo mais recurso a ser
interposto. Posteriormente, o Congresso Nacional aprovou lei, que foi
sancionada, extinguindo o direito reconhecido a Pedro. Ap—s a publica•‹o
da referida lei, a Administra•‹o Pœblica federal notificou Pedro para
devolver os valores recebidos, comunicando que n‹o mais ocorreriam os
pagamentos futuros, em decorr•ncia da norma em foco. Nos termos da
Constitui•‹o Federal, assinale a op•‹o correta.
(A) A lei n‹o pode retroagir, porque a situa•‹o versa sobre direitos indispon’veis de
Pedro.
(B) A lei n‹o pode retroagir para prejudicar a coisa julgada formada em favor de
Pedro.
(C) A lei pode retroagir, pois n‹o h‡ direito adquirido de Pedro diante de nova
legisla•‹o.
(D) A lei pode retroagir, porque n‹o h‡ ato jur’dico perfeito em favor de Pedro diante
de pagamentos pendentes.

Coment‡rios:
O enunciado informa que n‹o cabe mais recurso contra a a•‹o favor‡vel ao pedido
de Pedro. Trata-se, portanto, de coisa julgada, que n‹o pode ser prejudicada por
lei (art. 5o, XXXVI, CF). O gabarito Ž a letra B.

16. (FGV / XIV Exame de Ordem Unificado Ð 2014) Isabella promove a•‹o
popular em face do Munic’pio X, por entender que determinados gastos
realizados estariam causando graves preju’zos ao patrim™nio pœblico. O
pedido veio a ser julgado improcedente, por total car•ncia de provas.

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Inconformada, Isabella apresenta a mesma a•‹o com fundamento em


novos elementos, e, mais uma vez, o pedido vem a ser julgado
improcedente por car•ncia de provas. Nos termos da Constitui•‹o Federal
e da legisla•‹o de reg•ncia, assinale a op•‹o correta.
A) Sendo o pedido julgado improcedente, haver‡ condena•‹o em honor‡rios
advocat’cios.
B) A improced•ncia por aus•ncia de provas caracteriza a m‡-fŽ do autor popular.
C) A reitera•‹o na propositura da mesma a•‹o acarreta o pagamento de custas pelo
autor popular.
D) As custas ser‹o devidas se declarada, expressamente, a m‡-fŽ do autor popular.

Coment‡rios:
Versa o inciso LXXIII do art. 5o da Constitui•‹o que qualquer cidad‹o Ž parte
leg’tima para propor a•‹o popular que vise a anular ato lesivo ao patrim™nio
pœblico ou de entidade de que o Estado participe, ˆ moralidade administrativa, ao
meio ambiente e ao patrim™nio hist—rico e cultural, ficando o autor, salvo
comprovada m‡-fŽ, isento de custas judiciais e do ™nus da sucumb•ncia.
A letra A est‡ incorreta. N‹o cabe condena•‹o em honor‡rios advocat’cios na
hip—tese de o pedido ser julgado improcedente, a n‹o ser que seja comprovada
m‡-fŽ do autor.
A letra B est‡ incorreta. A aus•ncia de provas, por si s—, n‹o caracteriza a m‡-fŽ
do autor da a•‹o popular.
A letra C est‡ incorreta. N‹o h‡ tal previs‹o em nosso ordenamento jur’dico. A
reitera•‹o na propositura da a•‹o popular n‹o acarreta o pagamento de custas
por ele.
A letra D est‡ correta. Caso a m‡-fŽ do autor seja declarada expressamente, ser‹o
devidas as custas judiciais. O gabarito Ž a letra D.

17. (FGV / XIII Exame de Ordem Unificado Ð 2014) A a•‹o de habeas data,
como instrumento de prote•‹o de dimens‹o do direito de personalidade,
destina-se a garantir o acesso de uma pessoa a informa•›es sobre ela que
fa•am parte de arquivos ou banco de dados de entidades governamentais
ou pœblicas, bem como a garantir a corre•‹o de dados incorretos. A partir
do fragmento acima, assinale a op•‹o correta.
A) Conceder-se-‡ habeas data para assegurar o conhecimento de informa•›es
relativas ˆ pessoa do impetrante ou de parente deste atŽ o segundo grau,
constantes de registro ou banco de dados de entidades governamentais ou privadas.
B) AlŽm dos requisitos previstos no C—digo de Processo Civil para peti•‹o inicial, a
a•‹o de habeas data dever‡ vir instru’da com prova da recusa ao acesso ˆs
informa•›es ou o simples decurso de dez dias sem decis‹o.

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C) Do despacho de indeferimento da inicial de habeas data por falta de algum


requisito legal para o ajuizamento caber‡ agravo de instrumento.
D) A a•‹o de habeas data ter‡ prioridade sobre todos os atos judiciais, com exce•‹o
ao habeas corpus e ao mandado de seguran•a.

Coment‡rios:
A letra A est‡ incorreta. O habeas data Ž a•‹o personal’ssima, s— sendo cab’vel
para assegurar o conhecimento de informa•›es relativas ao impetrante.
A letra B est‡ incorreta. A Lei no 9.507/97 prev•, em seu art. 8¡, que a peti•‹o
inicial do habeas data dever‡ ser instru’da com prova:
I - da recusa ao acesso ˆs informa•›es ou do decurso de mais de dez dias sem
decis‹o;
II - da recusa em fazer-se a retifica•‹o ou do decurso de mais de quinze dias,
sem decis‹o; ou
III - da recusa em fazer-se a anota•‹o no cadastro do interessado quando este
apresentar explica•‹o ou contesta•‹o sobre o dado, ainda que n‹o seja
constatada a sua inexatid‹o, ou do decurso de mais de quinze dias sem decis‹o.
A letra C est‡ incorreta. O recurso cab’vel, nesse caso, Ž a apela•‹o, n‹o o agravo
de instrumento.
A letra D est‡ correta. ƒ o que prev• o art. 19 da Lei no 9.507/97.

18. (FGV / XI Exame de Ordem Unificado Ð 2013) Em aten•‹o ˆs recentes


manifesta•›es populares, fora noticiado na TV que determinados
deputados estaduais de dado Estado da Federa•‹o estavam utilizando a
verba do or•amento destinada ˆ saœde para proveito pr—prio. Marcos,
cidad‹o brasileiro, insatisfeito com a not’cia e de posse de documenta•‹o
que denota ind’cios de les‹o ao patrim™nio de seu Estado, aju’za A•‹o
Popular no Ju’zo competente em face dos aludidos deputados e do Estado.
Em aten•‹o ao disciplinado na Lei n. 4.717/65, que trata da A•‹o Popular,
assinale a alternativa incorreta.
(A) Marta, cidad‹ brasileira, residente e domiciliada no mesmo Estado, pode
habilitar-se como litisconsorte de Marcos.
(B) Na mesma linha da a•‹o de Mandado de Seguran•a, o direito de ajuiz‡-la decai
em 5 (cinco) anos.
(C) O Estado, a ju’zo de seu representante legal, em se afigurando œtil ao interesse
pœblico, poder‡ atuar ao lado de Marcos na condu•‹o da a•‹o.
(D) Sendo julgada improcedente a a•‹o movida por Marcos, poder‡ este recorrer,
alŽm do MinistŽrio Pœblico e qualquer outro cidad‹o.

Coment‡rios:

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A letra A est‡ correta. Qualquer cidad‹o pode se habilitar como litisconsorte ou


assistente na a•‹o popular, nos termos do art. 6¼, ¤ 5¼ da Lei n.¼ 4.717/65.
A letra B est‡ incorreta. N‹o h‡ prazo decadencial para o ajuizamento da a•‹o
popular.
A letra C est‡ correta. O Estado, quando œtil ao interesse pœblico, poder‡ ingressar
na a•‹o popular, ao lado do autor. Nos termos do art. 6o, ¤ 3¼ da Lei n.¼ 4.717/65,
a pessoa jur’dica de direito pœblico ou de direito privado, cujo ato seja objeto de
impugna•‹o, poder‡ abster-se de contestar o pedido, ou poder‡ atuar ao lado do
autor, desde que isso se afigure œtil ao interesse pœblico, a ju’zo do respectivo
representante legal ou dirigente.
A letra D est‡ correta. Uma vez julgada improcedente a a•‹o popular, o autor.
bem como qualquer cidad‹o e o MinistŽrio Pœblico s‹o legitimados a interpor
recurso, nos termos do art. 19, ¤ 2¼ da Lei n.¼ 4.717/65.
Gabarito: Letra B.

19. (FGV / X Exame de Ordem Unificado Ð 2013) Em rela•‹o aos remŽdios


constitucionais, assinale a afirmativa correta.
(A) O habeas data pode ser impetrado ainda que n‹o haja negativa administrativa
em rela•‹o ao acesso a informa•›es pessoais.
(B) A a•‹o popular pode ser impetrada por pessoa jur’dica.
(C) O particular pode figurar no polo passivo da a•‹o de habeas corpus.
(D) O mandado de seguran•a somente pode ser impetrado quando as quest›es
jur’dicas forem incontroversas.

Coment‡rios:
A letra A est‡ incorreta. O habeas data somente pode ser impetrado quando
houver o interesse de agir, configurado pela recusa da entidade governamental
ou de car‡ter pœblico a dar acesso ˆs informa•›es pessoais.
A letra B est‡ incorreta. Somente o cidad‹o pode impetrar a•‹o popular.
A letra C est‡ correta. De fato, o particular tambŽm pode figurar no polo passivo
do habeas corpus. ƒ o caso de hospital que se recuse a dar alta a paciente, por
exemplo.
A letra D est‡ incorreta. De acordo com a sœmula no 625, do STF, controvŽrsia
sobre matŽria de direito n‹o impede a concess‹o de mandado de seguran•a.
O gabarito Ž a letra C.

20. (FGV / IX Exame de Ordem Unificado Ð 2012) A respeito da a•‹o de


habeas corpus, assinale a afirmativa incorreta.
(A) Pode ser impetrado por estrangeiro residente no pa’s.

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(B) ƒ cab’vel contra puni•‹o disciplinar militar imposta por autoridade


incompetente.
(C) N‹o Ž meio h‡bil para controle concreto de constitucionalidade.
(D) A Constitui•‹o assegura a gratuidade para seu ajuizamento.

Coment‡rios:
A letra A est‡ correta. Os estrangeiros, residentes ou n‹o no Brasil, podem
impetrar habeas corpus.
A letra B est‡ correta. O habeas corpus n‹o Ž cab’vel contra puni•‹o disciplinar
militar.
A letra C est‡ incorreta. O habeas corpus Ž, sim, a•‹o cab’vel para o controle
concreto de constitucionalidade. O gabarito Ž a letra C.
A letra D est‡ correta. De acordo com o inciso LXXVII do art. 5o da Constitui•‹o,
s‹o gratuitas as a•›es de "habeas-corpus" e "habeas-data", e, na forma da lei, os
atos necess‡rios ao exerc’cio da cidadania.

21. (FGV / VII Exame de Ordem Unificado Ð 2012) O mandado de seguran•a


coletivo NÌO pode ser impetrado por:
(A) organiza•‹o sindical.
(B) partido pol’tico com representa•‹o no Congresso Nacional.
(C) entidade de classe de ‰mbito nacional.
(D) associa•›es paramilitares.

Coment‡rios:
De acordo com o inciso LXX do art. 5o da Constitui•‹o, o mandado de seguran•a
coletivo pode ser impetrado por:
a) partido pol’tico com representa•‹o no Congresso Nacional;
b) organiza•‹o sindical, entidade de classe ou associa•‹o legalmente constitu’da
e em funcionamento h‡ pelo menos um ano, em defesa dos interesses de seus
membros ou associados.
A Carta Magna pro’be a cria•‹o de associa•›es de car‡ter paramilitar (art. 5o,
XVII, CF). Gabarito: Letra D.

22. (FGV/ IV Exame de Ordem Unificado Ð 2011) Determinado congressista


Ž flagrado afirmando em entrevista pœblica que n‹o se relaciona com
pessoas de etnia diversa da sua e n‹o permite que, no seu prŽdio
residencial, onde atua como s’ndico, pessoas de etnia negra frequentem as
‡reas comuns, os elevadores sociais e a piscina do condom’nio. Ciente
desses atos, a ONG Tudo Afro relaciona as pessoas prejudicadas e concita

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a representa•‹o para fins criminais com o intuito de coibir os atos


descritos. Ë luz das normas constitucionais e dos direitos humanos, Ž
correto afirmar que
(A) o crime de racismo Ž afian•‡vel, sendo o valor fixado por decis‹o judicial.
(B) o prazo de prescri•‹o incidente sobre o crime de racismo Ž de vinte anos.
(C) nos casos de crime de racismo, a pena cominada Ž de deten•‹o.
(D) o crime de racismo n‹o est‡ sujeito a prazo extintivo de prescri•‹o.

Coment‡rios:
De acordo com o inciso XLII do art. 5o da Constitui•‹o, a pr‡tica do racismo
constitui crime inafian•‡vel e imprescrit’vel, sujeito ˆ pena de reclus‹o, nos
termos da lei. O gabarito Ž a letra D.

23. (FGV/ IV Exame de Ordem Unificado Ð 2011) O habeas data n‹o pode
ser impetrado em favor de terceiro porque visa tutelar direito ˆ informa•‹o
relativa ˆ pessoa do impetrante. A respeito do enunciado acima, Ž correto
afirmar que:
a) ambas as afirmativas s‹o verdadeiras, e a primeira justifica a segunda.
b) a primeira afirmativa Ž verdadeira, e a segunda Ž falsa.
c) a primeira afirmativa Ž falsa, e a segunda Ž verdadeira.
d) ambas as afirmativas s‹o falsas.

Coment‡rios:
O habeas data Ž a•‹o personal’ssima, s— podendo ser impetrada para garantir
acesso a informa•›es do impetrante. N‹o pode ser impetrada em favor de
terceiro. O gabarito Ž a letra A.

24. (FGV / IV Exame de Ordem Unificado Ð 2011) A respeito da garantia


constitucional do acesso ao Poder Judici‡rio, assinale a alternativa correta.
(A) O Poder Judici‡rio admitir‡ a•›es relativas ˆ disciplina e ˆs competi•›es
desportivas paralelamente ˆs a•›es movidas nas inst‰ncias da justi•a desportiva.
(B) De acordo com posi•‹o consolidada do Supremo Tribunal Federal, n‹o ofende a
garantia de acesso ao Poder Judici‡rio a exig•ncia de dep—sito prŽvio como requisito
de admissibilidade de a•‹o judicial na qual se pretenda discutir a exigibilidade de
crŽdito tribut‡rio.
(C) A todos, no ‰mbito judicial e administrativo, s‹o assegurados a razo‡vel dura•‹o
do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramita•‹o.
(D) ƒ assegurado a todos, mediante pagamento de taxas, o direito de peti•‹o aos
Poderes Pœblicos em defesa de direitos ou contra ilegalidade ou abuso de poder.

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Coment‡rios:
A letra A est‡ incorreta. O art. 217, ¤ 1¼ , da CF/88, determina que Òo Poder
Judici‡rio s— admitir‡ a•›es relativas ˆ disciplina e ˆs competi•›es desportivas
ap—s esgotarem-se as inst‰ncias da justi•a desportiva, regulada em lei.Ó
A letra B est‡ incorreta. O STF considerou que ÒŽ inconstitucional a exig•ncia de
dep—sito prŽvio como requisito de admissibilidade de a•‹o judicial na qual se
pretenda discutir a exigibilidade de crŽdito tribut‡rioÓ. (Sœmula Vinculante no 28).
A letra C est‡ correta. ƒ o que prev• o inciso LXXVIII do art. 5o da Constitui•‹o.
A letra D est‡ incorreta. O direito de peti•‹o independe do pagamento de taxas
(art. 5o, XXXIV, CF). Gabarito: Letra C.

25. (FGV / XX Exame de Ordem Unificado Ð 2016) JosŽ, brasileiro de


dezesseis anos de idade, possuidor de t’tulo de eleitor e no pleno gozo
dos seus direitos pol’ticos, identifica, com provas irrefut‡veis, ato lesivo
do Presidente da Repœblica que atenta contra a moralidade administrativa.
Com base no fragmento acima, assinale a op•‹o que se coaduna com
o instituto jur’dico da A•‹o Popular.
A) JosŽ, desde que tenha assist•ncia, Ž parte leg’tima para propor A•‹o
Popular em face do Presidente da Repœblica perante o Supremo Tribunal Federal.
B) JosŽ, ainda que sem assist•ncia, Ž parte leg’tima para propor A•‹o Popular
em face do Presidente da Repœblica perante o juiz natural de primeira inst‰ncia.
C) JosŽ, ainda que sem assist•ncia, Ž parte leg’tima para propor A•‹o Popular
em face do Presidente da Repœblica perante o Supremo Tribunal Federal.
D) JosŽ n‹o Ž parte leg’tima para propor A•‹o Popular em face do Presidente
da Repœblica, porque ainda n‹o Ž considerado cidad‹o.

Coment‡rios:
Meus amigos, quest‹o tranquila hein? Estudamos que ato lesivo que atenta contra
ˆ moralidade administrativa e praticado por cidad‹o temos a A•‹o Popular.
Em rela•‹o ao legitimado ativo, Ž considerado cidad‹o aquele que estiver em
pleno gozo de seus direitos pol’ticos. E o t’tulo de eleitor d‡ ao nacional (nato ou
naturalizado) a condi•‹o de cidad‹o brasileiro. No caso da quest‹o, ainda que
JosŽ seja menor, ele possui 16 anos e est‡ em pleno gozo de seus direitos
pol’ticos. Assim ele Ž legitimado para impetrar a•‹o popular e n‹o h‡ necessidade
de assist•ncia de um respons‡vel legal.
A compet•ncia para julgar a•‹o popular contra ato de qualquer autoridade Ž, via
de regra, do ju’zo competente de primeiro grau. Gabarito Letra B.

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26. (FGV / XXIV Exame de Ordem Unificado Ð 2017) Atos generalizados de


viol•ncia e vandalismo foram praticados nas capitais de alguns estados do
pa’s, com a•›es orquestradas pelo crime organizado. Identificados e
presos alguns dos l’deres desses movimentos, numerosos pol’ticos, com
apoio popular, propuseram a cria•‹o, pela forma juridicamente correta, de
um ju’zo especial para aprecia•‹o desses fatos, em car‡ter tempor‡rio, a
fim de que o julgamento dos l’deres presos se revele exemplar. Ao
submeterem essa ideia a um advogado constitucionalista, este afirma que,
segundo a ordem jur’dico-constitucional brasileira, a cria•‹o de tal ju’zo:
A) Ž constitucional, pois o apoio popular tem o cond‹o de legitimar a atua•‹o do
poder pœblico, ainda que esta seja contr‡ria ao ordenamento jur’dico vigente.
B) Ž inconstitucional, em raz‹o de veda•‹o expressa da Constitui•‹o da Repœblica
de 1988 ˆ cria•‹o de ju’zo ou tribunal de exce•‹o.
C) necessita de previs‹o legislativa ordin‡ria, j‡ que a cria•‹o de ju’zos Ž
compet•ncia do Poder Legislativo, ap—s iniciativa do Poder Judici‡rio.
D) pressup›e a necess‡ria altera•‹o da Constitui•‹o da Repœblica de 1988, por via
de emenda, de maneira a suprimir a veda•‹o ali existente.

Coment‡rios: Essa quest‹o cobrou o entendimento do art. 5¼ XXXVII - n‹o


haver‡ ju’zo ou tribunal de exce•‹o. No caso pr‡tico, n‹o h‡ possibilidade de
cria•‹o desse ju’zo especial com objeto de punir a pr‡tica de vandalismo e a
viol•ncia. Isso equivaleria a um ju’zo ou tribunal de exce•‹o. Gabarito Letra B

*Pessoal, comentamos todas as quest›es da OAB no tema dos direitos


individuais e coletivos. Para que possamos gabaritar esse assunto, vamos
fazer agora a bateria das quest›es mais importantes da FGV cobradas em
concursos. Isso vai ajudar e muito na prepara•‹o de voc•s

1.! (FGV / TJ-PA Ð 2008) Os direitos fundamentais de primeira gera•‹o s‹o os


direitos e garantias individuais e pol’ticos cl‡ssicos (liberdades pœblicas). Os direitos
fundamentais de segunda gera•‹o s‹o os direitos sociais, econ™micos e culturais.
Os direitos fundamentais de terceira gera•‹o s‹o os chamados direitos de
solidariedade ou fraternidade, que englobam o meio ambiente equilibrado, o direito
de paz e ao progresso, entre outros.

Coment‡rios:
Essa Ž uma quest‹o muito boa! Os direitos de primeira gera•‹o s‹o as chamadas Òliberdades
pœblicasÓ (tambŽm chamadas Òliberdades negativasÓ) e t•m como objetivo limitar o poder
estatal. Os direitos de segunda gera•‹o s‹o os direitos sociais, econ™micos e culturais
(Òliberdades positivasÓ) e imp›em ao Estado o dever de ofertar presta•›es positivas em favor

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dos indiv’duos. Os direitos de terceira gera•‹o, por sua vez, s‹o os direitos relacionados ˆ
solidariedade ou fraternidade (direitos difusos e coletivos). Quest‹o correta.

2.! (FGV / TJ-PA Ð 2008) Pela relev‰ncia dos direitos fundamentais de primeira
gera•‹o, como o direito ˆ vida, Ž correto afirmar que eles s‹o absolutos, pois s‹o o
escudo protetivo do cidad‹o contra as poss’veis arbitrariedades do Estado.

Coment‡rios:
N‹o h‡ direitos fundamentais absolutos. AtŽ mesmo o direito ˆ vida n‹o Ž absoluto. No Brasil,
por exemplo, admite-se a pena de morte em caso de guerra declarada. Quest‹o errada.

3.! (FGV/DPE-RJ Ð 2014) ƒ inviol‡vel a liberdade de consci•ncia e de cren•a,


desde que exercida no interior dos locais onde ocorrem os cultos religiosos e suas
liturgias, na forma da lei.

Coment‡rios:
Segundo o art. 5¼, VI, ÒŽ inviol‡vel a liberdade de consci•ncia e de cren•a, sendo assegurado
o livre exerc’cio dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a prote•‹o aos locais de
culto e a suas liturgiasÓ. Assim, a liberdade de consci•ncia e de cren•a Ž garantida seja no
interior ou seja fora dos locais onde ocorrem os cultos religiosos. Quest‹o errada.

4.! (FGV / DPE-RJ Ð 2014) NinguŽm ser‡ privado de direitos por motivo de cren•a
religiosa, que pode ser invocada como justificativa para eximir-se de obriga•‹o legal
a todos imposta e recusar-se a cumprir presta•‹o alternativa.

Coment‡rios:
Uma pessoa poder‡ invocar cren•a religiosa como justificativa para se eximir de obriga•‹o
legal a todos imposta. Todavia, se o fizer, dever‡ cumprir presta•‹o alternativa, sob
pena de ser privada de seus direitos. Quest‹o incorreta.

5.! (FGV / DPE-RJ - 2014) ƒ vedada a presta•‹o de assist•ncia religiosa nas


entidades civis e militares de interna•‹o coletiva.

Coment‡rios:
ƒ exatamente o contr‡rio. O art. 5¼, VII, assegura, nos termos da lei, a presta•‹o de
assist•ncia religiosa nas entidades civis e militares de interna•‹o coletiva. Quest‹o incorreta.

6.! (FGV / SEGEP-MA Ð 2013) A Constitui•‹o, em garantia ao princ’pio da


igualdade proscreveu qualquer forma de discrimina•‹o, positiva ou negativa, entre
cidad‹os brasileiros.

Coment‡rios:
A palavra ÒproscreveuÓ significa ÒproibiuÓ. N‹o se pode dizer que a CF/88 proibiu qualquer tipo
de discrimina•‹o entre cidad‹os brasileiros. Para a igualdade material, ser‡ necess‡rio Òtratar
com igualdade os iguais e com desigualdade os desiguais, na medida de suas desigualdadesÓ.
Assim, Ž poss’vel que sejam feitas discrimina•›es a fim de realizar o princ’pio da igualdade.
Quest‹o errada.

7.! (FGV / TJ-AM Ð 2013) No direito brasileiro prevalece a teoria da efic‡cia direta
e imediata dos direitos fundamentais sobre as rela•›es privadas, da qual Ž exemplo
a incid•ncia da cl‡usula do devido processo legal no procedimento de exclus‹o de
associado, no ‰mbito de associa•›es privadas, por decorr•ncia de conduta contr‡ria
aos estatutos.

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Coment‡rios:
No Brasil, adota-se a teoria da efic‡cia direta e imediata dos direitos fundamentais, segundo
a qual os direitos fundamentais incidem diretamente nas rela•›es privadas. V‡rios
exemplos podem ser dados sobre esse tema. Um deles (ao qual a quest‹o faz men•‹o!) Ž a
observ‰ncia do devido processo legal no procedimento de exclus‹o de associado, no ‰mbito
de uma associa•‹o privada. Quest‹o correta.

8.! (FGV / TJ-AM Ð 2013) Embora a Constitui•‹o proclame a absoluta igualdade


entre homem e mulher, as distin•›es fundadas em critŽrios razo‡veis s‹o
admiss’veis. Com tal fundamento pode-se afirmar a constitucionalidade da
exist•ncia de critŽrios diferenciados para a promo•‹o de homens e mulheres na
carreira militar.

Coment‡rios:
Segundo o STF, n‹o afronta o princ’pio da isonomia a ado•‹o de critŽrios distintos para a
promo•‹o de integrantes do corpo feminino e masculino da Aeron‡utica. A discrimina•‹o,
nesse caso, visa promover a igualdade material, sendo, portanto, razo‡vel. Quest‹o correta.

9.! (FGV/MPE-MS Ð 2013) Os direitos e garantias individuais previstos no Art. 5¼


da Constitui•‹o da Repœblica Federativa do Brasil t•m aplica•‹o aos brasileiros e aos
estrangeiros.

Coment‡rios:
De fato, os direitos e garantias individuais, previstos no art. 5¼ da CF/88 aplicam-se tanto a
estrangeiros quanto a brasileiros. Quest‹o correta.

10.! (FGV/FIOCRUZ Ð 2010) A Constitui•‹o Federal/88 garante o direito ˆ livre


manifesta•‹o do pensamento e, para tanto, em rela•‹o ao manifestante, imp›e:
a) a veda•‹o ao anonimato.
b) a censura de natureza pol’tica.
c) a proibi•‹o do pensamento ideol—gico.
d) o controle estatal das informa•›es.
e) o dever c’vico da divulga•‹o.

Coment‡rios:
Cobra-se o conhecimento do inciso IV do art. 5¼ da Constitui•‹o, segundo o qual ÒŽ livre a
manifesta•‹o do pensamento, sendo vedado o anonimatoÓ. A letra A Ž o gabarito.

11.! (FUNCAB / MPE-RO Ð 2012) Sobre o direito ˆ vida, previsto pela Constitui•‹o
Federal, Ž correto afirmar:
a) O direito ˆ vida n‹o comporta exce•›es.
b) ƒ vedada qualquer hip—tese de aborto.
c) O direito ˆ vida impede a pesquisa com cŽlulas-tronco embrion‡rias.
d) Admite-se a eutan‡sia no Brasil.
e) Permite-se, excepcionalmente, a institui•‹o de pena de morte no Brasil.

Coment‡rios:
Letra A: errada. H‡ exce•›es ao direito ˆ vida, como a pena de morte (em caso de guerra
declarada) e o aborto (no caso de mulher estuprada).
Letra B: errada. O art. 128, do C—digo Penal, admite o aborto se n‹o houver outro meio de
salvar a vida da gestante e, ainda, quando a gravidez resulta de estupro.
Letra C: errada. O STF entende que n‹o h‡ ofensa ao direito ˆ vida na realiza•‹o de
pesquisas com cŽlulas-tronco embrion‡rias, obtidas de embri›es humanos produzidos por
fertiliza•‹o Òin vitroÓ e n‹o utilizados neste procedimento

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Letra D: errada. N‹o se admite a eutan‡sia no Brasil.


Letra E: correta. De fato, a pena de morte Ž admitida no Brasil em car‡ter excepcional: em
caso de guerra declarada. O gabarito Ž a letra E.

12.! (FGV/DPGE RJ Ð 2014) Em tema de direitos e garantias fundamentais, a


Constitui•‹o da Repœblica prev• a inviolabilidade domiciliar, ao consagrar que Òa
casa Ž asilo inviol‡vel do indiv’duoÓ. No entanto, como os direitos n‹o s‹o absolutos,
a pr—pria Constitui•‹o excepciona tal regra, como no caso de:
a) flagrante delito, apenas nos casos de crimes com pena de pris‹o superior a 2 anos.
b) presta•‹o de socorro, apenas durante o dia.
c) desastre, apenas durante o dia.
d) determina•‹o judicial, apenas durante o dia.
e) determina•‹o judicial, em qualquer hor‡rio.

Coment‡rios:
Cobra-se o conhecimento do inciso XI do art. 5¼ da Constitui•‹o, segundo o qual Òa casa Ž
asilo inviol‡vel do indiv’duo, ninguŽm nela podendo penetrar sem consentimento do morador,
salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia,
por determina•‹o judicialÓ. Note que Ž poss’vel penetrar na casa de um indiv’duo nos
seguintes casos:

¥! Com seu consentimento;


¥! Sem seu consentimento, sob ordem judicial, apenas durante o dia;
¥! A qualquer hora, sem consentimento do indiv’duo, em caso de flagrante delito ou
desastre, ou, ainda, para prestar socorro.
O gabarito Ž a letra D.

13.! (FGV / FUNARTE - 2014) ƒ inviol‡vel o sigilo das comunica•›es telef™nicas,


salvo por ordem de autoridade judicial, administrativa ou legislativa competente.

Coment‡rios:
Somente a autoridade judicial pode determinar a quebra do sigilo das comunica•›es telef™nicas
(art. 5¼, XII, CF). Quest‹o incorreta.

14.! (FGV / TJ-AM Ð 2013) A liberdade de reuni‹o Ž um direito constitucional que


n‹o se mostra absoluto, havendo uma sŽrie de condi•›es para que possa ser
exercido. Sobre o tema, assinale a afirmativa correta.
a) N‹o se pode exigir que o tempo de reuni‹o seja limitado, uma vez que a associa•‹o pode
ser formada por prazo indeterminado.
b) Caso algum dos participantes esteja portando arma de fogo, ainda que sem o conhecimento
dos demais, a reuni‹o torna-se il’cita, devendo ser reprimida pelo Poder Pœblico.
c) A Constitui•‹o permite que as autoridades pœblicas, pautadas no princ’pio da razoabilidade,
decidam sobre a realiza•‹o ou n‹o da reuni‹o.
d) O direito de reuni‹o n‹o pode ser exercido nos locais pœblicos de grande circula•‹o de
pessoas ou ve’culos, sob pena de se violar a liberdade de locomo•‹o.
e) Caso haja outra reuni‹o anteriormente marcada para a mesma data e local, a reuni‹o
comunicada posteriormente n‹o poder‡ frustrar a realiza•‹o da primeira, ainda que seja
organizada por grupo bem menor de pessoas.

Coment‡rios:
Letra A: errada. Reuni‹o e associa•‹o s‹o conceitos diferentes. A reuni‹o Ž, naturalmente,
tempor‡ria (seu tempo Ž limitado). A associa•‹o Ž permanente (pode ser formada por prazo
indeterminado).

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Letra B: errada. N‹o Ž porque um dos participantes est‡ portando arma de fogo que a reuni‹o
ser‡ il’cita.
Letra C: errada. As autoridades pœblicas n‹o t•m compet•ncia para decidir sobre a
realiza•‹o de reuni‹o. O exerc’cio do direito de reuni‹o s— depende de aviso prŽvio ˆ
autoridade competente.
Letra D: errada. O exerc’cio do direito de reuni‹o deve ser realizado em locais abertos ao
pœblico. A reuni‹o pode, inclusive, ser realizada em locais pœblicos de grande circula•‹o de
pessoas ou ve’culos.
Letra E: correta. De fato, se houver outra reuni‹o anteriormente marcada para a mesma data
e local, ela n‹o poder‡ ser frustrada.

15.! (FGV / TJ-AM Ð 2013) A liberdade de atividade profissional encontra-se sob


reserva legal qualificada, consoante Art. 5¡, inciso XIII, da Constitui•‹o Federal de
1988, sendo assim, as eventuais restri•›es criadas pelo legislador devem estar
vinculadas ao fim estampado no texto constitucional, qual seja, as qualifica•›es
profissionais estritamente necess‡rias ao exerc’cio da profiss‹o.

Coment‡rios:
Essa Ž uma quest‹o muito interessante, pois o aluno deveria saber o conceito de reserva legal
qualificada e, alŽm disso, compreender o conteœdo do dispositivo que trata da liberdade
profissional. Segundo o art. 5¼, XIII, ÒŽ livre o exerc’cio de qualquer trabalho, of’cio ou
profiss‹o, atendidas as qualifica•›es profissionais que a lei estabelecer.Ó Percebe-se, ao ler
esse dispositivo, que a regulamenta•‹o do exerc’cio profissional, quando ocorrer, ser‡
feita por lei. E essa lei dever‡ dispor sobre as qualifica•›es profissionais para o exerc’cio
de determinada profiss‹o. Trata-se, sem dœvida, de hip—tese de reserva legal qualificada.
AlŽm de exigir lei formal para dispor sobre a matŽria, a CF j‡ define, previamente, o
conteœdo da lei e a finalidade do ato. Por tudo isso, a quest‹o est‡ correta.

16.! (FGV/PC-MA Ð 2012) Agentes da fiscaliza•‹o tribut‡ria de determinado


Estado, durante o dia, sem mandado judicial, ingressaram no escrit—rio de
contabilidade de empresa investigada por sonega•‹o fiscal, a fim de apreender livros
cont‡beis e documentos fiscais. Nesse caso, a atua•‹o dos agentes:
a) foi correta, pois o escrit—rio de contabilidade n‹o est‡ sujeito ˆ prote•‹o constitucional da
inviolabilidade domiciliar.
b) foi correta, pois, apesar da prote•‹o constitucional, o ingresso sem mandado judicial Ž
poss’vel nos casos de flagrante delito, de desastre, de presta•‹o de socorro e, durante o dia,
de investiga•‹o fiscal ou criminal, quando houver risco de destrui•‹o de provas.
c) n‹o foi correta, pois o ingresso sem mandado judicial somente seria poss’vel nos casos de
investiga•‹o criminal, e n‹o nos casos de investiga•‹o fiscal.
d) n‹o foi correta, pois o escrit—rio, como espa•o privado, n‹o aberto ao pœblico, est‡ sujeito
ˆ prote•‹o constitucional da inviolabilidade domiciliar, havendo necessidade de autoriza•‹o
judicial.
e) n‹o foi correta, pois livros e documentos s— podem ser objeto de apreens‹o para fins de
investiga•‹o criminal ou instru•‹o processual penal.

Coment‡rios:
A atua•‹o dos agentes da fiscaliza•‹o foi irregular. Para o STF, o conceito de ÒcasaÓ revela-se
abrangente, estendendo-se a qualquer compartimento privado n‹o aberto ao pœblico,
onde alguŽm exerce profiss‹o ou atividade (C—digo Penal, art. 150, ¤ 4¼, III). ƒ o caso
dos escrit—rios profissionais93. Para o ingresso no escrit—rio durante o dia com o objetivo de


93
HC 93.050, Rel. Min. Celso de Mello, julgamento em 10-6-2008, Segunda Turma, DJE de 1¼-8-2008.

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realizar apreens‹o de livros e documentos fiscais, portanto, seria necess‡ria a autoriza•‹o


judicial. O gabarito Ž a letra D.

17.! (FGV/PC-AP Ð 2010) ƒ livre a cria•‹o de associa•›es e a de cooperativas, na


forma da lei, sujeitas ˆ prŽvia autoriza•‹o estatal, sendo porŽm vedada a
interfer•ncia estatal em seu funcionamento.

Coment‡rios:
O inciso XVIII do art. 5¼ da Constitui•‹o prev• que Ž a cria•‹o de associa•›es e, na forma da
lei, a de cooperativas independem de autoriza•‹o, sendo vedada a interfer•ncia estatal em
seu funcionamento. Quest‹o incorreta.

18.! (FGV/PC-AP Ð 2010) As associa•›es s— poder‹o ser compulsoriamente


dissolvidas ou ter suas atividades suspensas por decis‹o judicial, exigindo-se, no
primeiro caso, o tr‰nsito em julgado.

Coment‡rios:
ƒ essa a previs‹o do inciso XIX do art. 5¼ da Constitui•‹o, que confere ˆs associa•›es duas
garantias: elas s— podem ser dissolvidas por decis‹o judicial transitada em julgado, bem como
suas atividades s— podem ser suspensas por decis‹o judicial (n‹o h‡ necessidade de tr‰nsito
em julgado). Quest‹o correta.

19.! (FGV / MPE-MS Ð 2013) O Supremo Tribunal Federal j‡ decidiu que a


exig•ncia de diploma de curso superior para o exerc’cio da profiss‹o de jornalista
n‹o foi recepcionada pela Constitui•‹o de 1988.

Coment‡rios:
ƒ exatamente esse o entendimento do STF. N‹o h‡ necessidade de diploma de curso superior
para o exerc’cio da profiss‹o de jornalista. Quest‹o correta.

20.! (FGV / FUNARTE Ð 2014) Pertence aos autores o direito exclusivo de


utiliza•‹o, publica•‹o ou reprodu•‹o de suas obras, transmiss’vel aos herdeiros pelo
tempo que a lei fixar.
Coment‡rios:
Trata-se da literalidade do art. 5¼, XXVII, da Constitui•‹o Federal. Os autores t•m o direito
exclusivo de utiliza•‹o, publica•‹o ou reprodu•‹o de suas obras. Esse direito Ž transmiss’vel
aos herdeiros pelo tempo que a lei fixar. Quest‹o correta.

21.! (FGV Ð Prefeitura de Niter—i-RJ Ð Agente Fazend‡rio - 2015) O art. 5¼, XXV,
da Constitui•‹o da Repœblica disp›e que "no caso de iminente perigo pœblico, a
autoridade competente poder‡ usar de propriedade particular, assegurada ao
propriet‡rio indeniza•‹o ulterior, se houver dano". Trata-se da modalidade de
interven•‹o do Estado na propriedade por meio da qual o poder pœblico utiliza bens
m—veis, im—veis e servi•os particulares em situa•‹o de perigo pœblico iminente,
conhecida como:
a) servid‹o administrativa;
b) requisi•‹o administrativa;
c) ocupa•‹o transit—ria;
d) limita•‹o administrativa;
e) desapropria•‹o tempor‡ria.

Coment‡rio:
Pessoal, quest‹o muito interessante. A alternativa correta Ž a letra B. O enunciado traz a
hip—tese de requisi•‹o administrativa. Esta ocorre na situa•‹o de iminente perigo pœblico,

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quando o Estado tem que requisitar os bens do particular para resolver a situa•‹o de perigo.
Neste caso Ž admitida a indeniza•‹o ulterior, em caso de dano. Agora, o detalhe vem aqui! A
requisi•‹o pode ocorrer sobre bens m—veis, im—veis e atŽ mesmo sobre servi•os (Ex: os
homens s‹o reservistas e, por conta disto, se houver uma guerra e o Brasil participar, podem
ser requisitados os seus servi•os)

22.! (FGV / FUNARTE Ð 2014) No caso de iminente perigo pœblico, a autoridade


competente poder‡ usar de propriedade particular, exigindo a lei prŽvia indeniza•‹o
e autoriza•‹o do propriet‡rio.

Coment‡rios:
O inciso XXV do art. 5¼ da CF/88, h‡ a previs‹o de que Òno caso de iminente perigo pœblico,
a autoridade competente poder‡ usar de propriedade particular, assegurada ao propriet‡rio
indeniza•‹o ulterior, se houver danoÓ. Note que a requisi•‹o administrativa independe da
autoriza•‹o do propriet‡rio do bem, sendo a indeniza•‹o posterior ao uso e devida
apenas se houver dano. Quest‹o incorreta.

23.! (FGV / TJ-AM Ð 2013) Sobre o direito ˆ propriedade, a Constitui•‹o consagra


diversos dispositivos. Com rela•‹o ˆs previs›es da Lei Maior, assinale a afirmativa
correta.
a) A autoridade poder‡ usar de propriedade particular, no caso de iminente perigo pœblico,
mediante prŽvia e justa indeniza•‹o em dinheiro ao propriet‡rio.
b) A impenhorabilidade da pequena propriedade rural, conforme defini•‹o em lei, para
pagamento de dŽbitos decorrentes de sua atividade produtiva, desde que trabalhada pela
fam’lia.
c) A propriedade imaterial dos autores de inventos industriais garante-lhes privilŽgio vital’cio
para sua utiliza•‹o.
d) A desapropria•‹o de im—veis urbanos subutilizados ou n‹o utilizados Ž sempre precedida
de indeniza•‹o justa e em dinheiro.
e) A prote•‹o constitucional ao direito de heran•a n‹o abrange a sucess‹o de estrangeiros.

Coment‡rios:
Letra A: errada. Essa assertiva trata da requisi•‹o administrativa, que poder‡ ocorrer no caso
de iminente perigo pœblico. Na requisi•‹o administrativa, n‹o existe indeniza•‹o prŽvia; a
indeniza•‹o ser‡ ulterior, apenas se houver dano.
Letra B: correta. O art. 5¼, XXVI, CF/88 prev• que a pequena propriedade rural, desde que
trabalhada pela fam’lia, n‹o pode ser penhorada para fins de pagamento de dŽbitos
decorrentes de sua atividade produtiva.
Letra C: errada. Os autores de inventos industriais t•m apenas privilŽgio tempor‡rio para
sua utiliza•‹o. ƒ diferente dos direitos autorais, que s‹o vital’cios.
Letra D: errada. No caso de desapropria•‹o de im—veis urbanos subutilizados ou n‹o
utilizados, a indeniza•‹o ser‡ mediante t’tulos da d’vida pœblica.
Letra E: errada. A prote•‹o constitucional ao direito de heran•a tambŽm alcan•a a sucess‹o
de estrangeiros.

24.! (FGV / DPE-RJ Ð 2014) A Constitui•‹o da Repœblica, em seu Art. 5¼, XXXV
prev• que Òa lei n‹o excluir‡ da aprecia•‹o do Poder Judici‡rio les‹o ou amea•a a
direitoÓ, consagrando o princ’pio da inafastabilidade do controle jurisdicional. Nesse
contexto, Ž correto afirmar que o Poder Judici‡rio
a) s— admite a•›es relativas ˆ disciplina e ˆs competi•›es desportivas ap—s se esgotarem as
inst‰ncias da justi•a desportiva, regulada em lei.
b) s— admite a•›es relativas a direitos autorais ap—s esgotarem-se as inst‰ncias conciliat—rias,
reguladas em lei.

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c) n‹o pode extinguir um processo, sem resolu•‹o de mŽrito pela conven•‹o de arbitragem,
por viola•‹o ao princ’pio da inafastabilidade da jurisdi•‹o.
d) exige o prŽvio esgotamento da via militar, nos casos disciplinares, para admissibilidade da
demanda perante a Justi•a Comum.
e) exige o prŽvio esgotamento da via eleitoral, nos casos excepcionais previstos em lei, para
admissibilidade da demanda perante a Justi•a Comum.

Coment‡rios:
O ordenamento jur’dico brasileiro exige o esgotamento da via administrativa como
requisito para acesso ao Poder Judici‡rio em tr•s situa•›es: i) habeas data; ii) controvŽrsias
desportivas e; iii) reclama•‹o contra o descumprimento de Sœmula Vinculante pela
Administra•‹o Pœblica. A resposta, portanto, Ž a letra A.

25.! (FGV/TJ-AM Ð 2013) Sobre o sigilo de correspond•ncia e das comunica•›es


telegr‡ficas, de dados e das comunica•›es telef™nicas, assinale a afirmativa correta.
a) A quebra de sigilo telef™nico, em qualquer hip—tese, somente pode ser deferida por ordem
judicial, n‹o se admitindo que seja feita pela Administra•‹o Pœblica ou por comiss‹o
parlamentar de inquŽrito.
b) A jurisprud•ncia pac’fica das Cortes Superiores admite a utiliza•‹o da grava•‹o clandestina
como prova da quita•‹o de d’vidas.
c) A grava•‹o ambiental realizada por circuito interno de TV pode ser utilizada, no processo
penal, como prova da pr‡tica de crime.
d) A correspond•ncia do preso Ž inviol‡vel, somente sendo poss’vel ˆ Administra•‹o
penitenci‡ria a quebra do sigilo mediante autoriza•‹o judicial.
e) A abertura de carta, que apresente ind’cios de conter subst‰ncia de circula•‹o proibida
como entorpecentes, constitui viola•‹o do sigilo de correspond•ncia, admitindo-se, todavia,
que o servi•o postal recuse a entrega.

Coment‡rios:
Letra A: errada. A quebra de sigilo telef™nico pode ser determinada por ordem judicial ou
por Comiss‹o Parlamentar de InquŽrito. A intercepta•‹o telef™nica, por sua vez, pode ser
determinada apenas pelo Poder Judici‡rio.
Letra B: errada. A grava•‹o clandestina Ž considerada prova il’cita e, portanto, n‹o pode ser
utilizada em um processo.
Letra C: correta. A grava•‹o ambiental realizada por circuito interno de TV n‹o Ž considerada
prova il’cita. Portanto, pode ser utilizada em processo penal.
Letra D: errada. A Administra•‹o penitenci‡ria poder‡, com fundamento em raz›es de
seguran•a pœblica, disciplina prisional ou de preserva•‹o da ordem jur’dica, realizar a
intercepta•‹o da correspond•ncia dos presos. N‹o h‡ necessidade de ordem judicial para isso.
Letra E: errada. N‹o h‡ viola•‹o do sigilo de correspond•ncia na abertura de carta que
apresente ind’cios de conter subst‰ncia de circula•‹o proibida.

26.! (FGV/Senado Federal Ð 2012) Com base no art. 5¼ da Constitui•‹o da


Repœblica, assinale a afirmativa INCORRETA.
a) Ser‡ admitida a•‹o privada nos crimes de a•‹o pœblica, se esta n‹o for intentada no prazo
legal.
b) A lei s— poder‡ restringir a publicidade dos atos processuais quando se tratar de crimes
contra a fam’lia.
c) NinguŽm ser‡ preso sen‹o em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada de
autoridade judici‡ria competente, salvo nos casos de transgress‹o militar ou crime
propriamente militar, definidos em lei.
d) A pris‹o de qualquer pessoa e o local onde se encontre ser‹o comunicados imediatamente
ao juiz competente e ˆ fam’lia do preso ou ˆ pessoa por ele indicada.

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e) O preso ser‡ informado de seus direitos, entre os quais o de permanecer calado, sendo-lhe
assegurada a assist•ncia da fam’lia e de advogado.

Coment‡rios:
A letra A est‡ correta. Trata-se da literalidade do inciso LIX do art. 5¼ da Constitui•‹o.
A letra B est‡ incorreta. De acordo com o inciso LX do art. 5¼ da CF/88. a lei s— poder‡
restringir a publicidade dos atos processuais quando a defesa da intimidade ou o
interesse social o exigirem.
A letra C est‡ correta. O inciso LXI do art. 5¼ da Constitui•‹o traz as hip—teses em que Ž
poss’vel a pris‹o: i) em flagrante delito; ii) em caso de transgress‹o militar ou crime
propriamente militar, definidos em lei; iii) por ordem de juiz, escrita e fundamentada (ou seja,
com base legal).
A letra D est‡ correta. Tem-se a literalidade do inciso LXII do art. 5¼ da Constitui•‹o.
A letra E est‡ correta. Trata-se da literalidade do art. 5¼, inciso LXIII, da CF/88.
O gabarito Ž a letra B.

27.! (FGV/SEFAZ-RJ Ð 2011) Abelhudo, cidad‹o brasileiro, contrai casamento com


Abelhudinha, tendo o casal tr•s filhos. Infelizmente, o casal resolve divorciar-se, e
o var‹o assume o dever de prestar alimentos ˆ sua ex-esposa e aos seus filhos.
Apesar de contar com boa remunera•‹o, abelhudo deixa de pagar v‡rias presta•›es
dos alimentos acordados judicialmente, vindo a sofrer processo de cobran•a, tendo
sua ex-mulher requerido sua pris‹o caso n‹o solvesse a d’vida. O var‹o, apesar de
regularmente comunicado do processo, n‹o pagou a d’vida nem justificou o n‹o
pagamento, vindo sua pris‹o a ser declarada pelo magistrado presidente do
processo. A respeito da pris‹o civil, Ž correto afirmar que:
a) ƒ admiss’vel quando o devedor contrai d’vidas com fornecedores.
b) Est‡ restrita ˆ d’vida quando ela tem natureza de alimentos.
c) Foi extinta ap—s a edi•‹o da constitui•‹o federal de 1988.
d) ƒ constitucionalmente prevista para homens inadimplentes de alimentos.
e) Est‡ preservada somente para militares em tempo de guerra

Coment‡rios:
A quest‹o cobra o conhecimento do inciso LXVII do art. 5¼ da CF/88, que prev• que Òn‹o
haver‡ pris‹o civil por d’vida, salvo a do respons‡vel pelo inadimplemento volunt‡rio e
inescus‡vel de obriga•‹o aliment’cia e a do deposit‡rio infielÓ. A pris‹o do deposit‡rio
infiel, todavia, est‡ suspensa, devido ˆ ratifica•‹o, pelo Brasil, do Pacto de San Jose. Esse
tratado internacional tem status supralegal, por tratar de direitos humanos, e suspendeu toda
a legisla•‹o a ele contr‡ria. Desse modo, ao permitir apenas a pris‹o civil por n‹o pagamento
de obriga•‹o aliment’cia, suspendeu toda legisla•‹o infraconstitucional que regia a pris‹o do
deposit‡rio infiel. N‹o h‡, portanto, pris‹o civil nessa hip—tese94.
A letra A est‡ incorreta. N‹o h‡ tal previs‹o na Constitui•‹o.
A letra C est‡ incorreta. A CF/88 prev• a possibilidade de pris‹o civil por d’vida, em seu art.
5¼, LXVII.
A letra D est‡ incorreta. H‡ previs‹o de pris‹o civil por d’vida tambŽm no caso de deposit‡rio
infiel. AlŽm disso, a previs‹o constitucional vale tanto para homens quanto para mulheres.
A letra E est‡ incorreta. A pris‹o civil por d’vidas est‡ prevista nas hip—teses de
inadimplemento volunt‡rio e inescus‡vel de pens‹o aliment’cia e de deposit‡rio infiel.
O gabarito Ž a letra B. No Brasil, a œnica hip—tese de pris‹o civil por d’vida admitida Ž a do
devedor de alimentos.


94
Sœmula vinculante n. 25, STF.

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28.! (FGV/PC-AP Ð 2010) Nenhum brasileiro ser‡ extraditado, salvo o


naturalizado, em caso de crime comum, praticado antes da naturaliza•‹o, ou de
comprovado envolvimento em tr‡fico il’cito de entorpecentes e drogas afins, na
forma da lei.

Coment‡rios:
ƒ o que disp›e o art. 5¼, LI, CF/88. Os brasileiros natos jamais ser‹o extraditados. Os
brasileiros naturalizados ser‹o extraditados no caso de crime comum, praticado antes da
naturaliza•‹o, ou de comprovado envolvimento em tr‡fico il’cito de entorpecentes e drogas
afins. Quest‹o correta.

29.! (FGV/FUNARTE Ð 2014) O cidad‹o Jo‹o da Silva verificou que seu vizinho,
propriet‡rio de im—vel tombado como patrim™nio hist—rico e cultural, pela Uni‹o,
iniciou ilegalmente a realiza•‹o de obras que descaracterizavam o bem, com licen•a
emitida pelo Munic’pio. Valendo-se do instrumento constitucional adequado, Jo‹o
pode propor medida judicial que vise anular tal ato, lesivo ao patrim™nio hist—rico e
cultural, por meio de:
a) mandado de seguran•a;
b) mandado de injun•‹o;
c) a•‹o direta de inconstitucionalidade;
d) a•‹o popular;
e) a•‹o civil pœblica.

Coment‡rios:
O instrumento adequado para a anula•‹o de ato lesivo ao patrim™nio hist—rico e cultural Ž a
a•‹o popular, prevista no art. 5¼, LXXIII, da Constitui•‹o: LXXIII - qualquer cidad‹o Ž parte
leg’tima para propor a•‹o popular que vise a anular ato lesivo ao patrim™nio pœblico ou de
entidade de que o Estado participe, ˆ moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao
patrim™nio hist—rico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada m‡-fŽ, isento de custas
judiciais e do ™nus da sucumb•ncia. Note que o enunciado deixa claro que Jo‹o Ž cidad‹o,
estando apto a impetrar a a•‹o popular. O gabarito Ž a letra D.

30.! (FGV / DPE-RJ Ð 2014) Sobre a disciplina do remŽdio constitucional do


mandado de seguran•a, o ordenamento jur’dico, em especial o Art. 5¼ LXIX da
Constitui•‹o da Repœblica e a Lei 12.016/09, prev• que se concede o mandamus
contra ato:
a) de autoridade pœblica, para proteger pessoa f’sica ou jur’dica detentora de direito l’quido e
certo, independentemente de estar tambŽm amparado por habeas corpus ou habeas data,
quando houver risco ou viola•‹o de seu direito por ilegalidade ou abuso de poder por parte.
b) de representantes ou —rg‹os de partidos pol’ticos e dos administradores de entidades
aut‡rquicas, bem como dos dirigentes de pessoas jur’dicas ou das pessoas naturais no
exerc’cio de atribui•›es do poder pœblico, somente no que disser respeito a essas atribui•›es.
c) de gest‹o comercial praticada pelos administradores de empresas pœblicas, de sociedade
de economia mista e de concession‡rias e permission‡rias de servi•o pœblico, na forma da lei.
d) do qual caiba recurso administrativo com efeito suspensivo, independentemente de cau•‹o,
em raz‹o dos princ’pios constitucionais do amplo acesso ˆ justi•a e da inafastabilidade do
controle jurisdicional.
e) consistente em decis‹o judicial da qual caiba recurso com efeito suspensivo, como corol‡rio
dos princ’pios constitucionais do acesso ˆ justi•a e do duplo grau obrigat—rio de jurisdi•‹o.

Coment‡rios:
Letra A: errada. O mandado de seguran•a Ž a•‹o de natureza residual. Ele Ž utilizado para
proteger direito l’quido e certo n‹o amparado por habeas corpus ou habeas data.
Letra B: correta. Todas essas pessoas elencadas poder‹o impetrar mandado de seguran•a.

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Letra C: errada. N‹o poder‹o ser questionados por meio de mandado de seguran•a os atos
de gest‹o comercial dos administradores de empresas pœblicas, sociedade de economia
mista e de concession‡rias e permission‡rias de servi•o pœblicos.
Letra D: errada. N‹o cabe mandado de seguran•a contra ato administrativo do qual caiba
recurso com efeito suspensivo.
Letra E: errada. N‹o cabe mandado de seguran•a contra decis‹o judicial da qual caiba recurso
com efeito suspensivo.

31.! (FGV/TJ-AM Ð 2013) A Constitui•‹o da Repœblica Federativa do Brasil


assegura, em seu artigo 5¼, o exerc’cio e a prote•‹o de diversos direitos pelo Estado
e, inclusive, garante a gratuidade para o exerc’cio de diversos dos direitos ali
previstos. Desta forma, assinale a alternativa que n‹o representa expressa
disposi•‹o constitucional de aus•ncia de recolhimento de custas, taxas ou
emolumentos.
a) A•‹o Popular.
b) Habeas Corpus.
c) Habeas Data.
d) Direito de Peti•‹o.
e) Mandado de Seguran•a.

Coment‡rios:
A letra A est‡ incorreta. A CF/88, em seu art. 5¼, inciso LXXII, prev• a isen•‹o de custas da
a•‹o popular, exceto comprovada a m‡-fŽ.
As letras B e C est‹o incorretas. O habeas corpus e o habeas data s‹o gratuitos, por
determina•‹o do art. 5¼, inciso LXXVII, da Constitui•‹o.
A letra D est‡ incorreta. A Constitui•‹o (art. 5¼, XXXIV) assegura a todos, independentemente
do pagamento de taxas, o direito de peti•‹o aos Poderes Pœblicos em defesa de direitos ou
contra ilegalidade ou abuso de poder.
A letra E Ž o gabarito da quest‹o.

32.! (FGV / TJ-AM Ð 2013) Sobre o mandado de seguran•a, assinale a afirmativa


correta.
a) N‹o pode ser impetrado preventivamente, uma vez que n‹o se admite impetra•‹o contra
lei em tese, devendo haver a efetiva viola•‹o do direito.
b) N‹o pode ter por objeto o pagamento de remunera•›es atrasadas a servidor pœblico.
c) Deve ter por fundamento direito elencado na Constitui•‹o, n‹o se admitindo viola•‹o reflexa
a direito constitucional.
d) Por ser garantia constitucional, dispensa formalidades na sua impetra•‹o.
e) Admite a produ•‹o de prova testemunhal, mas n‹o pericial.
Coment‡rios:
Letra A: errada. O mandado de seguran•a pode ser preventivo, quando visa proteger
amea•a de les‹o a um direito l’quido e certo.
Letra B: correta. O pagamento de vencimentos e vantagens pecuni‡rias assegurados em
senten•a concessiva de mandado de seguran•a a servidor pœblico da administra•‹o direta ou
aut‡rquica federal, estadual e municipal somente ser‡ efetuado relativamente ˆs
presta•›es que se vencerem a contar da data do ajuizamento da inicial (art. 14, ¤ 4o,
da Lei n¼ 12.016/2009). Assim, o mandado de seguran•a n‹o pode ter por objeto o pagamento
de remunera•›es atrasadas a servidor pœblico.
Letra C: errada. O direito a ser protegido por mandado de seguran•a n‹o precisa,
necessariamente, estar no texto constitucional.
Letra D: errada. O habeas corpus Ž que dispensa formalidades para sua impetra•‹o.
Letra E: errada. N‹o h‡ dila•‹o probat—ria no mandado de seguran•a. No mandado de
seguran•a, as provas s‹o prŽ-constitu’das.

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33.! (FGV/SEGEP-MA Ð 2013) A respeito do mandado de seguran•a coletivo,


assinale a afirmativa correta.
a) O mandado de seguran•a coletivo, por ser instrumento jur’dico de defesa de direitos
transindividuais, pode ser utilizado para questionar a validade de lei em tese.
b) As associa•›es, quando impetram mandado de seguran•a coletivo em favor de seus filiados,
dependem, para legitimar sua atua•‹o em ju’zo, de autoriza•‹o expressa de seus associados.
c) A peti•‹o inicial do mandado de seguran•a deve ser instru’da com a rela•‹o nominal dos
associados da impetrante, mas n‹o Ž necess‡ria a autoriza•‹o dos associados para a
impetra•‹o.
d) O partido pol’tico com representa•‹o no Congresso Nacional tem legitimidade para a
propositura de mandado de seguran•a coletivo.
e) A entidade de classe n‹o tem legitima•‹o para o mandado de seguran•a quando a pretens‹o
veiculada interessa apenas a uma parte da respectiva categoria.

Coment‡rios:
A letra A est‡ incorreta. Em regra, n‹o cabe mandado de seguran•a contra lei em tese. Isso
s— Ž poss’vel quando a referida lei produzir efeitos concretos.
A letra B est‡ incorreta. N‹o h‡ necessidade de autoriza•‹o expressa dos associados, uma vez
que as associa•›es atuar‹o como substitutos processuais.
A letra C est‡ incorreta. No mandado de seguran•a coletivo, o impetrante atua como substituto
processual. Por esse motivo, o STF entende desnecess‡ria a autoriza•‹o expressa ou mesmo
a apresenta•‹o da rela•‹o nominal dos associados.
A letra D est‡ correta. De acordo com o inciso LXX do art. 5¼ da Constitui•‹o, o mandado de
seguran•a coletivo pode ser impetrado por: a) partido pol’tico com representa•‹o no
Congresso Nacional; b) organiza•‹o sindical, entidade de classe ou associa•‹o legalmente
constitu’da e em funcionamento h‡ pelo menos um ano, em defesa dos interesses de seus
membros ou associados.
A letra E est‡ incorreta. O STF entende que os direitos defendidos pelas entidades de classe
n‹o precisam se referir a todos os seus membros. Podem ser o direito de apenas parte deles.
O gabarito Ž a letra D.

34.! (FGV/TJ-AM Ð 2013) O mandado de seguran•a, institu’do no ordenamento


brasileiro pela Constitui•‹o de 1934 e hoje previsto no artigo 5¼, LXIX, da
Constitui•‹o da Repœblica, Ž importante garantia dos direitos fundamentais. Sobre
essa figura, assinale a afirmativa correta.
a) N‹o ser‡ concedido mandado de seguran•a para proteger direito l’quido e certo amparado
por habeas corpus, habeas data ou a•‹o para a qual se preveja a possibilidade de concess‹o
de medida liminar.
b) Cabe mandado de seguran•a contra atos de gest‹o comercial praticados pelos
administradores de empresas pœblicas e sociedades de economia mista quando tais atos
violarem direito subjetivo.
c) ƒ sempre cab’vel a impetra•‹o de mandado de seguran•a ainda que haja recurso
administrativo com efeito suspensivo, independentemente de cau•‹o, uma vez que n‹o se
exige o esgotamento das inst‰ncias administrativas.
d) Se o exerc’cio do direito alegadamente violado depender do esclarecimento de fatos ou
situa•›es n‹o comprovados nos autos j‡ no momento da impetra•‹o, n‹o se conceder‡ a
seguran•a.
e) ƒ inconstitucional a fixa•‹o, por lei ordin‡ria, de prazo decadencial para a impetra•‹o de
mandado de seguran•a, uma vez que a Lei Maior n‹o condiciona esta garantia ao seu exerc’cio
em determinado prazo.
Coment‡rios:
Letra A: errada. O mandado de seguran•a Ž concedido justamente para proteger direito l’quido
e certo n‹o amparado por habeas corpus e habeas data.

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Letra B: errada. N‹o cabe mandado de seguran•a contra atos de gest‹o comercial
praticados pelos administradores de empresas pœblicas e sociedades de economia mista (art.
1¼, ¤ 2¼, da Lei n¼ 12.016/2009).
Letra C: errada. N‹o se conceder‡ mandado de seguran•a quando se tratar de ato do qual
caiba recurso administrativo com efeito suspensivo.
Letra D: correta. Exatamente isso! N‹o h‡ dila•‹o probat—ria no mandado de seguran•a: as
provas s‹o prŽ-constitu’das. Isso est‡ diretamente ligado ao conceito de Òdireito l’quido e
certoÓ. Se o exerc’cio do direito depender do esclarecimento de fatos ou situa•›es n‹o
comprovados nos autos j‡ no momento da impetra•‹o, n‹o ser‡ concedido o mandado de
seguran•a.
Letra E: errada. A fixa•‹o de prazo decadencial pode ser feita por lei ordin‡ria.

35.! (FGV / TJ-AM Ð 2013) Sobre a disciplina do habeas corpus, assinale a


afirmativa correta.
a) Admite-se o manejo do habeas corpus para defesa das liberdades constitucionais em geral,
como a liberdade de religi‹o, n‹o se restringindo o instrumento ˆ defesa da liberdade de
locomo•‹o.
b) o paciente do habeas corpus deve ser brasileiro no gozo dos direitos pol’ticos.
c) O registro como advogado Ž exigido para a impetra•‹o do habeas corpus, admitindo-se,
todavia, o seu manejo por estudantes de direito inscritos como estagi‡rios na Ordem dos
Advogados do Brasil.
d) N‹o Ž poss’vel a impetra•‹o de habeas corpus como substitutivo de recurso com efeito
suspensivo em matŽria penal.
e) ƒ cab’vel habeas corpus em rela•‹o a puni•›es disciplinares militares.
Coment‡rios:
Letra A: errada. O habeas corpus Ž o remŽdio constitucional destinado a proteger a liberdade
de locomo•‹o.
Letra B: errada. Qualquer pessoa f’sica, nacional ou estrangeira, poder‡ ser paciente de
habeas corpus.
Letra C: errada. Qualquer pessoa pode impetrar habeas corpus, n‹o havendo necessidade de
representa•‹o por advogado.
Letra D: correta. Quest‹o bem dif’cil! De fato, o habeas corpus n‹o pode ser utilizado como
substitutivo de um recurso com efeito suspensivo em matŽria penal.
Letra E: errada. N‹o Ž cab’vel habeas corpus em rela•›es a puni•›es disciplinas militares.

36.! (FGV / SUDENE Ð 2013) Everaldo pretende obter o acesso de dados pessoais
que est‹o sob a guarda do MinistŽrio da Justi•a. N‹o possuindo haveres apresenta
o seu requerimento perante a representa•‹o do referido —rg‹o que Ž localizada no
Estado onde Ž domiciliado. Ap—s os tr‰mites burocr‡ticos recebe, por carta subscrita
pelo pr—prio Ministro da Justi•a, resposta ao seu requerimento, tendo a
Administra•‹o indeferido o acesso aos dados postulados. Observada tal narrativa,
cabe a Everaldo impetrar
a) Mandado de Seguran•a de compet•ncia do Supremo Tribunal Federal.
b) Habeas Data de compet•ncia do Superior Tribunal de Justi•a.
c) Mandado de Injun•‹o de compet•ncia do Supremo Tribunal Federal.
d) A•‹o Popular de compet•ncia do Superior Tribunal de Justi•a.
e) Habeas Corpus de compet•ncia do Supremo Tribunal Federal.
Coment‡rios:
Segundo o art. 5¼, LXXII, ÒaÓ, conceder-se-‡ habeas data para assegurar o conhecimento
de informa•›es relativas ˆ pessoa do impetrante, constantes de registros ou bancos de
dados de entidades governamentais ou de car‡ter pœblico. Cabe destacar que, para que seja
impetrado o habeas data, dever‡ haver o prŽvio esgotamento da via administrativa.
Assim, na situa•‹o apresentada, Everaldo dever‡ impetrar habeas data perante o STJ. A
compet•ncia ser‡ do STJ porque o habeas data est‡ sendo impetrado contra ato de Ministro

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de Estado (art. 105, I, ÒbÓ). A resposta Ž a letra B.

37.! (FGV / TJ-AM Ð 2013) Admite-se a impetra•‹o de mandado de seguran•a


coletivo para a salvaguarda de direitos, ante a previs‹o expressa do Art. 5", inciso
LXX, da Constitui•‹o Federal de 1988, mas n‹o a de mandado de injun•‹o coletivo,
haja vista a inexist•ncia de id•ntica previs‹o constitucional.
Coment‡rios:
Apesar de a CF/88 n‹o tratar expressamente do tema, o STF entende que Ž cab’vel mandado
de injun•‹o coletivo. Quest‹o incorreta.

38.! (FGV / TJ-AM Ð 2013) O mandado de injun•‹o viabiliza o exerc’cio de direito


ou liberdade constitucional ou prerrogativas alusivas ˆ nacionalidade, ˆ soberania e
ˆ cidadania, quando h‡ omiss‹o legislativa ou concretiza•‹o deficiente pelo
legislador.
Coment‡rios:
De fato, o mandado de injun•‹o Ž concedido sempre que a falta de norma regulamentadora
torne invi‡vel o exerc’cio dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes
ˆ nacionalidade, ˆ soberania e ˆ cidadania. Dessa forma, o mandado de injun•‹o Ž concedido
diante de omiss‹o legislativa, n‹o sendo cab’vel quando h‡ concretiza•‹o deficiente pelo
legislativa. Quest‹o incorreta.

39.! (FGV / TJ-AM Ð 2013) O Supremo Tribunal Federal n‹o admite atribuir efeitos
outros ao mandado de injun•‹o que n‹o o reconhecimento formal da inŽrcia
legislativa e notifica•‹o ao —rg‹o legislativo competente para a edi•‹o da norma.
Coment‡rios:
Em rela•‹o aos efeitos da decis‹o em mandado de injun•‹o, o STF tem adotado, muitas vezes,
a corrente concretista. Assim, a Corte n‹o tem se limitado a reconhecer a omiss‹o legislativa;
alŽm disso, tem atuado no sentido de possibilitar a efetiva concretiza•‹o do direito.
Cita-se como exemplo a decis‹o do STF acerca da falta de regulamenta•‹o sobre o direito de
greve dos servidores pœblicos. Enquanto regulamenta•‹o desse direito n‹o for editada, ser‡
aplicada ˆ greve dos servidores pœblicos a lei que trata da greve na iniciativa privada. Assim,
a quest‹o est‡ incorreta.

40.! (FGV Ð COPESA Ð Analista de Gest‹o Advogado Ð 2016) Ednaldo soube por um
amigo que determinada empresa pœblica estadual mantinha em seu poder diversas
informa•›es, relativas ˆ sua pessoa, que seriam incorretas. Ato cont’nuo procurou
um advogado e solicitou esclarecimentos de como deveria proceder para retificar os
dados incorretos.

Ë luz da sistem‡tica constitucional brasileira, assinale a afirmativa correta.


a) Ednaldo deve impetrar um mandado de seguran•a, quer tenha solicitado a retifica•‹o dos
dados ˆ autoridade administrativa, quer n‹o.
b) Ednaldo deve impetrar um mandado de seguran•a, desde que tenha solicitado a retifica•‹o
dos dados ˆ autoridade administrativa e tal tenha sido negado.
c) Ednaldo deve impetrar um mandado de injun•‹o, de modo que o tribunal competente fixe
os balizamentos a serem observados na corre•‹o dos dados.
d) Ednaldo deve impetrar um habeas data, que pressup›e a apresenta•‹o de prova do
indeferimento administrativo do pedido de retifica•‹o.
e) Ednaldo deve impetrar um habeas data, que independe da formula•‹o de prŽvio
requerimento de retifica•‹o na esfera administrativa.
Coment‡rio:
Letra A e B: Est‹o incorretas, porque conforme o art. 5¼, LXIX - conceder-se-‡ mandado de
seguran•a para proteger direito l’quido e certo, n‹o amparado por habeas corpus ou habeas

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data, quando o respons‡vel pela ilegalidade ou abuso de poder for autoridade pœblica ou
agente de pessoa jur’dica no exerc’cio de atribui•›es do Poder Pœblico.
Letra C: Incorreta, pois de acordo com o art. 5¡ LXXI - conceder-se-‡ mandado de injun•‹o
sempre que a falta de norma regulamentadora torne invi‡vel o exerc’cio dos direitos e
liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes ˆ nacionalidade, ˆ soberania e ˆ
cidadania.
Letra D: Correta. Afinal, nos moldes do art. 5¡ LXXII ÒbÓ - conceder-se-‡ habeas data para
a retifica•‹o de dados, quando n‹o se prefira faz•-lo por processo sigiloso, judicial ou
administrativo. AlŽm disto, o art. 8¡ par‡grafo œnico II da lei 9.507/97 determina que a peti•‹o
inicial dever‡ ser instru’da com prova da recusa em fazer-se a retifica•‹o ou do decurso de
mais de quinze dias, sem decis‹o.
Letra E: Incorreta. Como explicado acima Ž necess‡ria a comprova•‹o da recusa.

CADERNO DE PROVA OAB

1. (FGV / XXII Exame de Ordem Ð 2017) A movimentos que denunciam o machismo e


teoria dimensional dos direitos fundamentais afirmam o feminismo como ideologia de
examina os diferentes regimes jur’dicos de g•nero. Ap—s um confronto de ideias com um
prote•‹o desses direitos ao longo do professor em sala de aula e de cham‡-lo de
constitucionalismo democr‡tico, desde as machista, Maria Ž colocada pelo professor para
primeiras Constitui•›es liberais atŽ os dias de fora de sala e, posteriormente, o mesmo n‹o
hoje. Nesse sentido, a teoria dimensional tem lhe d‡ a oportunidade de fazer a vista de sua
o mŽrito de mostrar o perfil de evolu•‹o da prova para um eventual pedido de revis‹o da
prote•‹o jur’dica dos direitos fundamentais ao corre•‹o, o que Ž um direito previsto no
longo dos diferentes paradigmas do Estado de regimento da institui•‹o de ensino. Em fun•‹o
Direito, notadamente do Estado Liberal de do exposto, e com base na Constitui•‹o da
Direito e do Estado Democr‡tico Social de Repœblica, assinale a afirmativa correta.
Direito. Essa perspectiva, calcada nas a) Maria foi privada de um direito por motivo de
dimens›es ou gera•›es de direitos, n‹o apenas convic•‹o filos—fica ou pol’tica e, portanto, as
projeta o car‡ter cumulativo da evolu•‹o autoridades competentes da institui•‹o de ensino
protetiva, mas tambŽm demonstra o contexto devem assegurar a ela o direito de ter vista de prova
de unidade e indivisibilidade do cat‡logo de e, se for o caso, de pedir a revis‹o da corre•‹o.
direitos fundamentais do cidad‹o comum. A b) Houve um debate livre e leg’timo em sala de aula
partir dos conceitos da teoria dimensional dos e a postura do professor pode ser considerada
direitos fundamentais, assinale a afirmativa ÒduraÓ, mas n‹o implicou nenhum tipo de viola•‹o
correta. de direito de Maria.
a) Os direitos estatais prestacionais, ligados ao c) Embora tenha havido um debate acerca de uma
Estado Liberal de Direito, nasceram atrelados ao quest‹o que envolve convic•‹o filos—fica ou pol’tica,
princ’pio da igualdade formal perante a lei, n‹o houve priva•‹o de direito j‡ que a vista de prova
perfazendo a primeira dimens‹o de direitos. e o eventual pedido de revis‹o da corre•‹o est‡
b) A chamada reserva do poss’vel f‡tica, relacionada contido apenas no regimento da institui•‹o de
ˆ escassez de recursos econ™micos e financeiros do ensino e n‹o na legisla•‹o p‡tria.
Estado, n‹o tem nenhuma influ•ncia na efetividade d) A solu•‹o do impasse instaurado entre a aluna e
dos direitos fundamentais de segunda dimens‹o do o professor somente pode acontecer mediante o
Estado Democr‡tico Social de Direito. di‡logo entre as duas partes, em que cada um
c) O conceito de direitos coletivos de terceira considere seus eventuais excessos, uma vez que o
dimens‹o se relaciona aos direitos transindividuais que houve foi um mero desentendimento e n‹o uma
de natureza indivis’vel de que sejam titulares viola•‹o de direito por convic•‹o filos—fica ou
pessoas indeterminadas e ligadas por circunst‰ncias pol’tica.
de fato, como ocorre com o direito ao meio 3. (XVIII Exame de Ordem Unificado Ð 2015)
ambiente. Luiz Ž propriet‡rio de uma grande fazenda
d) Sob a Žgide da estatalidade m’nima do Estado localizada na zona rural do Estado X. L‡, cultiva
Liberal, os direitos negativos de defesa dotados de cafŽ de excelente qualidade Ð e com grande
natureza absente’sta s‹o corretamente classificados produtividade Ð para fins de exporta•‹o.
como direitos de primeira dimens‹o. PorŽm, uma fiscaliza•‹o realizada por agentes
2. (FGV / XXI Exame de Ordem Ð 2016) Maria do MinistŽrio do Trabalho e do Emprego
Ž aluna do sexto per’odo do curso de Direito. constatou a explora•‹o de m‹o de obra
Por convic•‹o filos—fica e pol’tica se afirma escrava. Independentemente das san•›es
feminista e Ž reconhecida como militante de previstas em lei, caso tal pr‡tica seja

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devidamente comprovada, de forma definitiva, (A) argumentou em harmonia com a ordem


pelos —rg‹os jurisdicionais competentes, a constitucional, pois o dispositivo da Constitui•‹o
Constitui•‹o Federal disp›e que Federal que afirma ser livre o exerc’cio de qualquer
(A) a propriedade deve ser objeto de trabalho, of’cio ou profiss‹o, atendidas as
desapropria•‹o, respeitado o direito ˆ justa e prŽvia qualifica•›es profissionais que a lei estabelecer,
indeniza•‹o a que faz jus o propriet‡rio. possui efic‡cia limitada, exigindo regulamenta•‹o
(B) a propriedade deve ser objeto de expropria•‹o, legal para que possa produzir efeitos.
sem qualquer indeniza•‹o, e, no caso em tela, (B) apresentou argumentos contr‡rios ˆ ordem
destinada ˆ reforma agr‡ria. constitucional, pois o dispositivo da Constitui•‹o
(C) o direito de propriedade de Luiz deve ser Federal que afirma ser livre o exerc’cio de qualquer
respeitado, tendo em vista serem as terras em trabalho, of’cio ou profiss‹o, atendidas as
comento produtivas. qualifica•›es profissionais que a lei estabelecer,
(D) o direito da propriedade de Luiz deve ser possui efic‡cia contida, de modo que, inexistindo lei
respeitado, pois a expropria•‹o Ž instituto cab’vel que regulamente o exerc’cio da atividade
somente nos casos de cultura ilegal de plantas profissional, Ž livre o seu exerc’cio.
psicotr—picas. (C) apresentou argumentos contr‡rios ˆ ordem
4. (XVIII Exame de Ordem Unificado Ð 2015) constitucional, pois o dispositivo da Constitui•‹o
Um grupo autodenominado ÒSangue PuroÓ Federal que afirma ser livre o exerc’cio de qualquer
passou a se organizar sob a forma de trabalho, of’cio ou profiss‹o, atendidas as
associa•‹o. No seu estatuto, Ž poss’vel qualifica•›es profissionais que a lei estabelecer,
identificar claros prop—sitos de incita•‹o ˆ possui efic‡cia plena, j‡ que a liberdade do exerc’cio
viol•ncia contra indiv’duos pertencentes a profissional n‹o pode ser restringida, mas apenas
determinadas minorias sociais. Diversas ampliada.
organiza•›es n‹o governamentais voltadas ˆ (D) argumentou em harmonia com a ordem
defesa dos direitos humanos, bem como o constitucional, pois o dispositivo da Constitui•‹o
MinistŽrio Pœblico, ajuizaram medidas judiciais Federal que afirma ser livre o exerc’cio de qualquer
solicitando a sua imediata dissolu•‹o. Segundo trabalho, of’cio ou profiss‹o, atendidas as
a Constitui•‹o Federal, a respeito da hip—tese qualifica•›es profissionais que a lei estabelecer, n‹o
formulada, assinale a afirmativa correta. possui nenhuma efic‡cia, devendo ser objeto de
(A) A associa•‹o n‹o poder‡ sofrer qualquer mandado de injun•‹o para a sua devida
interven•‹o do Poder Judici‡rio, pois Ž vedada a regulamenta•‹o.
interfer•ncia estatal no funcionamento das 6. (FGV / XIV Exame de Ordem Unificado Ð
associa•›es. 2014) A Sra. Maria da Silva Ž participante ativa
(B) Caso o pedido de dissolu•‹o seja acolhido, a da AMA-X (Associa•‹o de Moradores e Amigos
associa•‹o poder‡ ser compulsoriamente dissolvida, do bairro X). Todos os dias, no fim da tarde, a
independentemente do tr‰nsito em julgado da Sra. Maria da Silva e um grupo de associados
senten•a judicial. reuniam-se na pra•a da cidade, distribuindo
(C) A associa•‹o poder‡ ter suas atividades material sobre os problemas do bairro. A
imediatamente suspensas por decis‹o judicial, associa•‹o convocava os moradores para
independentemente do seu tr‰nsito em julgado. esses encontros por meio da r‡dio da cidade e
(D) Apenas se justificaria a interven•‹o estatal se comunicava, previamente, o local e a hora das
caracterizada a natureza paramilitar da associa•‹o reuni›es ˆs autoridades competentes. Certa
em comento. tarde, um grupo da Associa•‹o de Moradores
5. (FGV / XVI Exame de Ordem Unificado Ð do bairro Y ocupou o local que os participantes
2015) O diretor de RH de uma multinacional da da AMA-X habitualmente utilizavam. O grupo
‡rea de telecomunica•›es, em reuni‹o do bairro Y n‹o havia avisado, previamente, a
corporativa, afirmou que o mundo globalizado autoridade competente sobre o evento,
vem produzindo grandes inova•›es, exigindo o organizado em espa•o pœblico. A Sra. Maria da
reconhecimento de novas profiss›es Silva, indignada com a utiliza•‹o do mesmo
desconhecidas atŽ ent‹o. Feitas essas espa•o, e tendo sido frustrada a reuni‹o de seu
considera•›es, solicitou que alterasse o grupo, solicitou aos policiais militares,
quadro de cargos e fun•›es da empresa, presentes no local, que tomassem as medidas
incluindo as seguintes profiss›es: gestor de necess‡rias para permitir a realiza•‹o do
marketing digital e desenvolvedor de encontro da AMA-X. Em rela•‹o ˆ liberdade de
aplicativos m—veis. O presidente da sociedade associa•‹o e manifesta•‹o, assinale a
empres‡ria, pedido formulado, alegou que o afirmativa correta.
exerc’cio de qualquer atividade laborativa (A) A AMA-X deve buscar novo local de
pressup›e a sua devida regulamenta•‹o em lei, manifesta•‹o, tendo em vista que o local de reuni‹o
o que ainda n‹o havia ocorrido em rela•‹o ˆs Ž pœblico e que a associa•‹o do bairro Y possui os
referidas profiss›es. Com base na teoria da mesmos direitos de reuni‹o e manifesta•‹o.
efic‡cia das normas constitucionais Ž correto (B) A associa•‹o do bairro Y deve buscar novo local
afirmar que o presidente da sociedade de manifesta•‹o, pois n‹o tem o direito de frustrar
empres‡ria reuni‹o anteriormente convocada para o mesmo
local, j‡ que houve prŽvio aviso ˆ autoridade

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competente sobre o uso do espa•o pœblico pela AMA- (C) Depende de autoriza•‹o do poder pœblico, mas
X. s— pode ter suas atividades suspensas por decis‹o
(C) A AMA-X deve dividir o espa•o com a associa•‹o judicial transitada em julgado.
do bairro Y, tendo em vista que o local de reuni‹o Ž (D) N‹o depende de autoriza•‹o do poder pœblico,
pœblico e que o direito ˆ livre manifesta•‹o de ideias mas s— pode ter suas atividades suspensas por
Ž garantido. decis‹o judicial.
(D) A associa•‹o do bairro Y poder‡ ser dissolvida 11. (FGV / XIX Exame de Ordem Ð 2016) JosŽ,
por ato da autoridade pœblica municipal em raz‹o de internado em um hospital pœblico para
n‹o ter comunicado previamente ˆ Prefeitura a tratamento de saœde, solicita a presen•a de um
realiza•‹o de suas reuni›es em espa•o pœblico. pastor para lhe conceder assist•ncia religiosa.
7. (FGV / XII EXAME DE ORDEM UNIFICADO Ð O pedido, porŽm, Ž negado pela dire•‹o do
2013) A Constitui•‹o declara que todos podem hospital, sob a alega•‹o de que, por se tratar
reunir-se em local aberto ao pœblico. Algumas de institui•‹o pœblica, a assist•ncia n‹o seria
condi•›es para que as reuni›es se realizem s‹o poss’vel em face da laicidade do Estado.
apresentadas nas alternativas a seguir, ˆ Inconformado, JosŽ consulta um advogado.
exce•‹o de uma. Assinale-a. Ap—s a an‡lise da situa•‹o, o advogado
(A) Os participantes n‹o portem armas. esclarece, com correto embasamento
(B) A reuni‹o seja autorizada pela autoridade constitucional, que
competente. a) a negativa emanada pelo hospital foi correta,
(C) A reuni‹o n‹o frustre outra reuni‹o tendo em vista que a Constitui•‹o Federal de 1988,
anteriormente convocada para o mesmo local. ao consagrar a laicidade do Estado brasileiro, rejeita
(D) Os participantes reœnam-se pacificamente. a express‹o religiosa em espa•os pœblicos.
8. (FGV / XI EXAME DE ORDEM UNIFICADO Ð b) a dire•‹o do hospital n‹o tem raz‹o, pois, embora
2013) Assinale a alternativa que completa a Constitui•‹o Federal de 1988 reconhe•a a laicidade
corretamente o fragmento a seguir. A do Estado, a assist•ncia religiosa Ž um direito
desapropria•‹o para fins de reforma agr‡ria garantido pela mesma ordem constitucional.
ocorre mediante prŽvia e justa indeniza•‹o c) a corre•‹o ou incorre•‹o da negativa da dire•‹o
(A) Em dinheiro, incluindo-se as benfeitorias œteis e do hospital depende de sua conson‰ncia, ou n‹o,
necess‡rias. com o regulamento da pr—pria institui•‹o, j‡ que se
(B) Em dinheiro, mas as benfeitorias n‹o s‹o est‡ perante direito dispon’vel.
pass’veis de indeniza•‹o. d) a decis‹o sobre a possibilidade, ou n‹o, de haver
(C) Em t’tulos da d’vida agr‡ria, incluindo-se as assist•ncia religiosa em entidades pœblicas de saœde
benfeitorias œteis e necess‡rias. depende exclusivamente de comando normativo
(D) Em t’tulos da d’vida agr‡ria, mas as benfeitorias legal, j‡ que a tem‡tica n‹o Ž de estatura
œteis e necess‡rias ser‹o indenizadas em dinheiro. constitucional.
9. (FGV / VI EXAME DE ORDEM UNIFICADO Ð
12. (FGV / XXIV Exame de Ordem Ð 2017)
2012) A Constitui•‹o assegura, entre os
Marcos recebeu, por heran•a, grande
direitos e garantias individuais, a
propriedade rural no estado Sigma. Dedicado ˆ
inviolabilidade do domic’lio, afirmando que Òa
medicina e n‹o possuindo maior interesse
casa Ž asilo inviol‡vel do indiv’duo, ninguŽm
pelas atividades agropecu‡rias desenvolvidas
nela podendo penetrar sem o consentimento
por sua fam’lia, Marcos deixou, nos œltimos
do moradorÓ (art. 5¼, XI, CRFB). A esse
anos, de dar continuidade a qualquer atividade
respeito, assinale a alternativa correta.
produtiva nas referidas terras. Ciente de que
(A) O conceito de ÒcasaÓ Ž abrangente e inclui quarto
sua propriedade n‹o est‡ cumprindo uma
de hotel.
fun•‹o social, Marcos procura um advogado
(B) O conceito de casa Ž abrangente, mas n‹o inclui
para saber se existe alguma possibilidade
escrit—rio de advocacia.
jur’dica de vir a perd•-la. Segundo o que disp›e
(C) A pris‹o em flagrante durante o dia Ž um limite
o sistema jur’dico-constitucional vigente no
a essa garantia, mas apenas quando houver
Brasil, assinale a op•‹o que apresenta a
mandado judicial.
resposta correta.
(D) A pris‹o em quarto de hotel obedecendo a
mandado judicial pode se dar no per’odo noturno. A) O direito de Marcos a manter suas terras dever‡
10. (FGV / III Exame de Ordem Unificado Ð ser respeitado, tendo em vista que tem t’tulo jur’dico
2011) A Constitui•‹o garante a plena liberdade reconhecidamente h‡bil para caracterizar o seu
de associa•‹o para fins l’citos, vedada a de direito adquirido.
car‡ter paramilitar (art. 5¡, XVII). A respeito
desse direito fundamental, Ž correto afirmar B) A propriedade que n‹o cumpre sua fun•‹o social
que a cria•‹o de uma associa•‹o: poder‡ ser objeto de expropria•‹o, sem qualquer
(A) Depende de autoriza•‹o do poder pœblico e pode indeniza•‹o ao propriet‡rio que deu azo a tal
ter suas atividades suspensas por decis‹o descumprimento; no caso, Marcos.
administrativa. C) A propriedade, por interesse social, poder‡ vir a
(B) N‹o depende de autoriza•‹o do poder pœblico, ser objeto de desapropria•‹o, devendo ser, no
mas pode ter suas atividades suspensas por decis‹o entanto, respeitado o direito de Marcos ˆ
administrativa. indeniza•‹o.

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D) O direito de propriedade de Marcos est‡ exist•ncia do dŽbito, consulta um advogado,


cabalmente garantido, j‡ que a desapropria•‹o Ž que sugere a impetra•‹o de um habeas data.
instituto cab’vel somente nos casos de cultura ilegal Sobre a resposta ˆ consulta, assinale a
de plantas psicotr—picas. afirmativa correta.
(A) O habeas data n‹o Ž o meio adequado, j‡ que a
ordem jur’dica n‹o prev• a possibilidade de sua
13. (FGV / XXII Exame de Ordem Ð 2017) A Lei
utiliza•‹o para complementar dados, mas apenas
n¼ 13.300/16, que disciplina o processo e o
para garantir o direito de acess‡-los ou retific‡-los.
julgamento dos mandados de injun•‹o
(B) Deveria ser impetrado, em vez de habeas data,
individual e coletivo, surgiu para combater o
mandado de seguran•a, a•‹o constitucional
mal da s’ndrome da inefetividade das normas
adequada para os casos em que se fa•a necess‡ria
constitucionais. Nesse sentido, o seu Art. 8¼,
a prote•‹o de direito l’quido e certo, n‹o amparado
inciso II, inovou a ordem jur’dica positivada ao
por habeas corpus ou habeas data.
estabelecer que, reconhecido o estado de mora
(C) Deve ser impetrado habeas data, pois, embora
legislativa, ser‡ deferida a injun•‹o para
o texto constitucional n‹o contemple a hip—tese
estabelecer as condi•›es em que se dar‡ o
espec’fica do concreto, a lei ordin‡ria o faz, de modo
exerc’cio dos direitos, das liberdades ou das
a ampliar o ‰mbito de incid•ncia do habeas data
prerrogativas reclamados, ou, se for o caso, as
como a•‹o constitucional.
condi•›es em que o interessado poder‡
(D) O habeas data n‹o deve ser impetrado, pois a
promover a•‹o pr—pria visando a exerc•-los,
lei ordin‡ria n‹o pode ampliar uma garantia
caso n‹o seja suprida a mora legislativa no
fundamental prevista no texto constitucional, j‡ que
prazo determinado. Considerando o conteœdo
tal configuraria viola•‹o ao regime de imutabilidade
normativo do Art. 8¼, inciso II, da Lei n¼
que acompanha os direitos e as garantias
13.300/16 e a teoria acerca da efetividade das
fundamentais.
normas constitucionais, assinale a afirmativa
15. (FGV / XV Exame de Ordem Unificado Ð
correta.
2014) Pedro promoveu a•‹o em face da Uni‹o
a) Foi adotada a posi•‹o neoconstitucionalista, na
Federal e seu pedido foi julgado procedente,
qual cabe ao Poder Judici‡rio apenas declarar
com efeitos patrimoniais vencidos e vincendos,
formalmente a mora legislativa, atuando como
n‹o havendo mais recurso a ser interposto.
legislador negativo e garantindo a observ‰ncia do
Posteriormente, o Congresso Nacional aprovou
princ’pio da separa•‹o dos poderes, sem invadir a
lei, que foi sancionada, extinguindo o direito
esfera discricion‡ria do legislador democr‡tico.
reconhecido a Pedro. Ap—s a publica•‹o da
b) Foi consolidada a teoria concretista, em prol da
referida lei, a Administra•‹o Pœblica federal
efetividade das normas constitucionais,
notificou Pedro para devolver os valores
estabelecendo as condi•›es para o ativismo judicial,
recebidos, comunicando que n‹o mais
revestindo-o de legitimidade democr‡tica, sem ferir
ocorreriam os pagamentos futuros, em
a separa•‹o de Poderes e, ao mesmo tempo,
decorr•ncia da norma em foco. Nos termos da
garantindo a for•a normativa da Constitui•‹o.
Constitui•‹o Federal, assinale a op•‹o correta.
c) Foi promovida a posi•‹o n‹o concretista dentro do
(A) A lei n‹o pode retroagir, porque a situa•‹o versa
escopo de um Estado Democr‡tico de Direito, na
sobre direitos indispon’veis de Pedro.
qual cabe ao Poder Judici‡rio criar direito para sanar
(B) A lei n‹o pode retroagir para prejudicar a coisa
omiss‹o legiferante dos Poderes constitu’dos,
julgada formada em favor de Pedro.
geradores da chamada Òs’ndrome da inefetividade
(C) A lei pode retroagir, pois n‹o h‡ direito adquirido
das normas constitucionaisÓ, em t’pico processo
de Pedro diante de nova legisla•‹o.
objetivo de controle de constitucionalidade.
(D) A lei pode retroagir, porque n‹o h‡ ato jur’dico
d) Foi retomada a posi•‹o positivista normativista,
perfeito em favor de Pedro diante de pagamentos
concedendo poderes normativos moment‰neos aos
pendentes.
ju’zes e tribunais, de modo a igualar os efeitos da
16. (FGV / XIV Exame de Ordem Unificado Ð
a•‹o direta de inconstitucionalidade por omiss‹o
2014) Isabella promove a•‹o popular em face
(modalidade do controle abstrato) e do mandado de
do Munic’pio X, por entender que determinados
injun•‹o (remŽdio constitucional).
gastos realizados estariam causando graves
14. (FGV / XVI Exame de Ordem Unificado Ð
preju’zos ao patrim™nio pœblico. O pedido veio
2015) J.G., empres‡rio do ramo imobili‡rio,
a ser julgado improcedente, por total car•ncia
surpreendeu-se ao tomar conhecimento de que
de provas. Inconformada, Isabella apresenta a
seu nome constava de um banco de dados de
mesma a•‹o com fundamento em novos
car‡ter pœblico como inadimplente de uma
elementos, e, mais uma vez, o pedido vem a ser
d’vida no valor de R$ 500.000,00 (quinhentos
julgado improcedente por car•ncia de provas.
mil reais). Embora reconhe•a a exist•ncia da
Nos termos da Constitui•‹o Federal e da
d’vida, entende que o n‹o pagamento encontra
legisla•‹o de reg•ncia, assinale a op•‹o
justificativa no fato de o valor a que foi
correta.
condenado em primeira inst‰ncia ainda estar
A) Sendo o pedido julgado improcedente, haver‡
sob discuss‹o em grau recursal. Com o objetivo
condena•‹o em honor‡rios advocat’cios.
de fazer com que essa informa•‹o
B) A improced•ncia por aus•ncia de provas
complementar passe a constar juntamente
caracteriza a m‡-fŽ do autor popular.
com a informa•‹o principal a respeito da

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C) A reitera•‹o na propositura da mesma a•‹o (C) O particular pode figurar no polo passivo da a•‹o
acarreta o pagamento de custas pelo autor popular. de habeas corpus.
D) As custas ser‹o devidas se declarada, (D) O mandado de seguran•a somente pode ser
expressamente, a m‡-fŽ do autor popular. impetrado quando as quest›es jur’dicas forem
17. (FGV / XIII Exame de Ordem Unificado Ð incontroversas.
2014) A a•‹o de habeas data, como 20. (FGV / IX Exame de Ordem Unificado Ð
instrumento de prote•‹o de dimens‹o do 2012) A respeito da a•‹o de habeas corpus,
direito de personalidade, destina-se a garantir assinale a afirmativa incorreta.
o acesso de uma pessoa a informa•›es sobre (A) Pode ser impetrado por estrangeiro residente no
ela que fa•am parte de arquivos ou banco de pa’s.
dados de entidades governamentais ou (B) ƒ cab’vel contra puni•‹o disciplinar militar
pœblicas, bem como a garantir a corre•‹o de imposta por autoridade incompetente.
dados incorretos. A partir do fragmento acima, (C) N‹o Ž meio h‡bil para controle concreto de
assinale a op•‹o correta. constitucionalidade.
A) Conceder-se-‡ habeas data para assegurar o (D) A Constitui•‹o assegura a gratuidade para seu
conhecimento de informa•›es relativas ˆ pessoa do ajuizamento.
impetrante ou de parente deste atŽ o segundo grau, 21. (FGV / VII Exame de Ordem Unificado Ð
constantes de registro ou banco de dados de 2012) O mandado de seguran•a coletivo NÌO
entidades governamentais ou privadas. pode ser impetrado por:
B) AlŽm dos requisitos previstos no C—digo de (A) organiza•‹o sindical.
Processo Civil para peti•‹o inicial, a a•‹o de habeas (B) partido pol’tico com representa•‹o no Congresso
data dever‡ vir instru’da com prova da recusa ao Nacional.
acesso ˆs informa•›es ou o simples decurso de dez (C) entidade de classe de ‰mbito nacional.
dias sem decis‹o. (D) associa•›es paramilitares.
C) Do despacho de indeferimento da inicial de 22. (IV Exame de Ordem Unificado Ð 2011)
habeas data por falta de algum requisito legal para Determinado congressista Ž flagrado
o ajuizamento caber‡ agravo de instrumento. afirmando em entrevista pœblica que n‹o se
D) A a•‹o de habeas data ter‡ prioridade sobre relaciona com pessoas de etnia diversa da sua
todos os atos judiciais, com exce•‹o ao habeas e n‹o permite que, no seu prŽdio residencial,
corpus e ao mandado de seguran•a. onde atua como s’ndico, pessoas de etnia
18. (FGV / XI Exame de Ordem Unificado Ð negra frequentem as ‡reas comuns, os
2013) Em aten•‹o ˆs recentes manifesta•›es elevadores sociais e a piscina do condom’nio.
populares, fora noticiado na TV que Ciente desses atos, a ONG Tudo Afro relaciona
determinados deputados estaduais de dado as pessoas prejudicadas e concita a
Estado da Federa•‹o estavam utilizando a representa•‹o para fins criminais com o intuito
verba do or•amento destinada ˆ saœde para de coibir os atos descritos.
proveito pr—prio. Marcos, cidad‹o brasileiro, Ë luz das normas constitucionais e dos direitos
insatisfeito com a not’cia e de posse de humanos, Ž correto afirmar que
documenta•‹o que denota ind’cios de les‹o ao (A) o crime de racismo Ž afian•‡vel, sendo o valor
patrim™nio de seu Estado, aju’za A•‹o Popular fixado por decis‹o judicial.
no Ju’zo competente em face dos aludidos (B) o prazo de prescri•‹o incidente sobre o crime de
deputados e do Estado. Em aten•‹o ao racismo Ž de vinte anos.
disciplinado na Lei n. 4.717/65, que trata da (C) nos casos de crime de racismo, a pena cominada
A•‹o Popular, assinale a alternativa incorreta. Ž de deten•‹o.
(A) Marta, cidad‹ brasileira, residente e domiciliada (D) o crime de racismo n‹o est‡ sujeito a prazo
no mesmo Estado, pode habilitar-se como extintivo de prescri•‹o.
litisconsorte de Marcos. 23. (FGV/ IV Exame de Ordem Unificado Ð
(B) Na mesma linha da a•‹o de Mandado de 2011) O habeas data n‹o pode ser impetrado
Seguran•a, o direito de ajuiz‡-la decai em 5 (cinco) em favor de terceiro porque visa tutelar direito
anos. ˆ informa•‹o relativa ˆ pessoa do impetrante.
(C) O Estado, a ju’zo de seu representante legal, em A respeito do enunciado acima, Ž correto
se afigurando œtil ao interesse pœblico, poder‡ atuar afirmar que:
ao lado de Marcos na condu•‹o da a•‹o. a) ambas as afirmativas s‹o verdadeiras, e a
(D) Sendo julgada improcedente a a•‹o movida por primeira justifica a segunda.
Marcos, poder‡ este recorrer, alŽm do MinistŽrio b) a primeira afirmativa Ž verdadeira, e a segunda Ž
Pœblico e qualquer outro cidad‹o. falsa.
19. (FGV / X Exame de Ordem Unificado Ð c) a primeira afirmativa Ž falsa, e a segunda Ž
2013) Em rela•‹o aos remŽdios verdadeira.
constitucionais, assinale a afirmativa correta. d) ambas as afirmativas s‹o falsas.
(A) O habeas data pode ser impetrado ainda que n‹o 24. (FGV / IV Exame de Ordem Unificado Ð
haja negativa administrativa em rela•‹o ao acesso a 2011) A respeito da garantia constitucional do
informa•›es pessoais. acesso ao Poder Judici‡rio, assinale a
(B) A a•‹o popular pode ser impetrada por pessoa alternativa correta.
jur’dica.

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(A) O Poder Judici‡rio admitir‡ a•›es relativas ˆ D) JosŽ n‹o Ž parte leg’tima para propor A•‹o
disciplina e ˆs competi•›es desportivas Popular em face do Presidente da Repœblica,
paralelamente ˆs a•›es movidas nas inst‰ncias da porque ainda n‹o Ž considerado cidad‹o.
justi•a desportiva.
26. (FGV / XXIV Exame de Ordem Unificado Ð
(B) De acordo com posi•‹o consolidada do Supremo
2017) Atos generalizados de viol•ncia e
Tribunal Federal, n‹o ofende a garantia de acesso ao
vandalismo foram praticados nas capitais de
Poder Judici‡rio a exig•ncia de dep—sito prŽvio como
alguns estados do pa’s, com a•›es
requisito de admissibilidade de a•‹o judicial na qual
orquestradas pelo crime organizado.
se pretenda discutir a exigibilidade de crŽdito
Identificados e presos alguns dos l’deres
tribut‡rio.
desses movimentos, numerosos pol’ticos, com
(C) A todos, no ‰mbito judicial e administrativo, s‹o
apoio popular, propuseram a cria•‹o, pela
assegurados a razo‡vel dura•‹o do processo e os
forma juridicamente correta, de um ju’zo
meios que garantam a celeridade de sua tramita•‹o.
especial para aprecia•‹o desses fatos, em
(D) ƒ assegurado a todos, mediante pagamento de
car‡ter tempor‡rio, a fim de que o julgamento
taxas, o direito de peti•‹o aos Poderes Pœblicos em
dos l’deres presos se revele exemplar. Ao
defesa de direitos ou contra ilegalidade ou abuso de
submeterem essa ideia a um advogado
poder.
constitucionalista, este afirma que, segundo a
25. (FGV / XX Exame de Ordem Unificado Ð
ordem jur’dico-constitucional brasileira, a
2016) JosŽ, brasileiro de dezesseis anos de
cria•‹o de tal ju’zo:
idade, possuidor de t’tulo de eleitor e no
pleno gozo dos seus direitos pol’ticos, A) Ž constitucional, pois o apoio popular tem o
identifica, com provas irrefut‡veis, ato lesivo cond‹o de legitimar a atua•‹o do poder pœblico,
do Presidente da Repœblica que atenta contra ainda que esta seja contr‡ria ao ordenamento
a moralidade administrativa. Com base no jur’dico vigente.
fragmento acima, assinale a op•‹o que se
coaduna com o instituto jur’dico da A•‹o B) Ž inconstitucional, em raz‹o de veda•‹o expressa
Popular. da Constitui•‹o da Repœblica de 1988 ˆ cria•‹o de
A) JosŽ, desde que tenha assist•ncia, Ž parte ju’zo ou tribunal de exce•‹o.
leg’tima para propor A•‹o Popular em face do C) necessita de previs‹o legislativa ordin‡ria, j‡ que
Presidente da Repœblica perante o Supremo a cria•‹o de ju’zos Ž compet•ncia do Poder
Tribunal Federal. Legislativo, ap—s iniciativa do Poder Judici‡rio.
B) JosŽ, ainda que sem assist•ncia, Ž parte
leg’tima para propor A•‹o Popular em face do D) pressup›e a necess‡ria altera•‹o da Constitui•‹o
Presidente da Repœblica perante o juiz natural de da Repœblica de 1988, por via de emenda, de
primeira inst‰ncia. maneira a suprimir a veda•‹o ali existente.
C) JosŽ, ainda que sem assist•ncia, Ž parte
leg’tima para propor A•‹o Popular em face do
Presidente da Repœblica perante o Supremo

Tribunal Federal.

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1 LETRA D
2 LETRA A
3 LETRA B
4 LETRA C
5 LETRA B
6 LETRA B
7 LETRA B
8 LETRA D
9 LETRA A
10 LETRA D
11 LETRA B
12 LETRA C
13 LETRA C
14 LETRA B
15 LETRA B
16 LETRA D
17 LETRA D
18 LETRA B
19 LETRA C
20 LETRA C
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