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AULA 1- 26/01/13

1) LAVAGEM DE CAPITAIS - Lei 9613/98 + 12.683/12


2) ORGANIZAÇÕES CRIMINOSAS - Lei 9034/95 + 12.694/12
3) JECRIM - Lei 9099/95 + 12726/12
4) RACISMO - Lei 7716/89 + 12735/12
5) CRIMES TRIBUTÁRIOS - art. 168-A/337-A CPP + 8137/90

LAVAGEM DE CAPITAIS
1) CONCEITO
Lavagem é o ato ou a seqüência de atos praticados para encobrir a natureza, origem,
localização ou propriedade de bens, direitos ou valores de origem delituosa com o
objetividade reintroduzi-los na economia formal com aparência licita.

2) HISTÓRICO DA LAVAGEM DE CAPITAIS NO BRASIL


Convenção da Nações Unidas Contra o Tráfico de Drogas - (Viena 1988) - pela 1ª vez
os países se conscientizaram sobre a importância do combate a movimentação financeira
dos traficantes.
Essa convenção foi ratificada pelo decreto 154/91 pelo Brasil.
Surge em 1998 a Lei 9.613. Essa lei previa um rol taxativo de infrações antecedentes
para configurar o crime de lavagem de capitais.
No ano de 2012, surge a Lei 12.683 alterando por completo a lei 9613/98. Essa lei
entrou em vigor na mesma data em que foi publicada (10/07/12)
O objetivo dessa lei nova é tornar mais eficiente a persecução penal em relação ao crimes de
lavagem de capitais.
Destaca-se três grandes mudanças:
• houve um aprimoramento das medidas cautelares visando a recuperação de ativos.
• agora, qualquer infração penal (crimes e contravenções penais) pode figurar como antecedente da
lavagem de capitais. Essa infração penal deve ser produtora de bens, direitos ou valores passíveis de
lavagem.
• ampliou o número de pessoas físicas e jurídicas responsáveis pela comunicação de operações
suspeitas.
3) DIREITO INTERTEMPORAL

3.1) NORMA DE DIREITO PROCESSUAL PENAL

a) Norma Genuinamente Processual
São aquelas que cuidam de procedimentos, atos processuais e técnicas do processo.
Quando a norma é genuinamente processual, a regra a ser aplicada é o principio da
aplicação imediata (tempus regit actum) (CPP art. 2º)
CPP - Art. 2º A lei processual penal aplicar-se-á desde logo, sem prejuízo da validade
dos atos realizados sob a vigência da lei anterior.

Exemplo de norma Genuinamente processual:


Ex1: supressão protesto por novo júri. Se o julgamento pelo júri ocorrer a partir de
09/08/08 (vigência da Lei 11689) não mais será cabível o protesto, ainda que o crime tenha
sido praticado em data anterior.
Ex2: Alienação Antecipada (Lei 9613/98 art. 4º, 1º c/c art. 4º-A com redação dada pela
Lei 12683/12).
O CPP também passou a prever essa alienação antecipada no art. 144-A, com redação
dada pela Lei 12.694/12 (organizações criminosas)

ALIENAÇÃO ANTECIPADA - consiste na expropriação antecipada de coisas móveis, fungíveis, de


fácil deterioração e de difícil conservação, que tenham sido objeto de medidas cautelares
patrimoniais a ser adotada com o objetivo de preservar o valor dos ben.
LEI LAVAGEM ART. 4º § 1o Proceder-se-á à alienação antecipada para preservação do valor
dos bens sempre que estiverem sujeitos a qualquer grau de deterioração ou depreciação,
ou quando houver dificuldade para sua manutenção. (Redação dada pela Lei nº 12.683, de
2012)

LEI LAVAGEM Art. 4º-A. A alienação antecipada para preservação de valor de bens sob
constrição será decretada pelo juiz, de ofício, a requerimento do Ministério Público ou
por solicitação da parte interessada, mediante petição autônoma, que será autuada em
apartado e cujos autos terão tramitação em separado em relação ao processo principal.
(Incluído pela Lei nº 12.683, de 2012)

CPP Art. 144-A. O juiz determinará a alienação antecipada para preservação do valor dos
bens sempre que estiverem sujeitos a qualquer grau de deterioração ou depreciação, ou
quando houver dificuldade para sua manutenção. (Incluído pela Lei nº 12.694/2012)

b) Norma Processual Mista (Material)


É aquela que afeta o "ius libertatis" do agente.
Exemplo:
ex1: Art. 366 CPP
Art. 366. Se o acusado, citado por edital, não comparecer, nem constituir advogado,
ficarão suspensos o processo e o curso do prazo prescricional, podendo o juiz
determinar a produção antecipada das provas consideradas urgentes e, se for o caso,
decretar prisão preventiva, nos termos do disposto no art. 312.
ART. 366 do CPP antes da Lei 9271 ART. 366 do CPP depois da lei 9271

- se o acusado citado por edital não - se o acusado citado por edital não comparecer,
comparecesse era decretada sua o juiz determinará a suspensão do processo e a
revelia suspensão da prescrição

Diante de uma norma processual mista, adota-se o mesmo critério do direito penal
(principio da irretroatividade da lei mais gravosa) (principio da ultratividade da lei mais
benigna)
Concluindo, os Tribunais passaram a entender que a nova redação do art. 366 do CPP,
dada pela Lei 9271/96 só poderia ser aplicadas crimes cometidos após a sua vigência.

ex2: Lei de Lavagem de Capitais ( art. 4º da Lei 12683/12 - revogou o art. 3º da Lei
9613/98). Esse art. 3º previa que o condenado podia ser preso para poder apelar. Previa
tambem a proibição da concessão da liberdade provisória e fiança.
Agora a Lavagem de Capitais admite liberdade provisória, com ou sem fiança, cumulada
com as medias cautelares diversas da prisão. Agora, não é mais possível condicionar o
conhecimento do recurso ao recolhimento a prisão.
Como são mudanças benéficas, devem ser aplicadas retroativamente.

3.2) NORMA DE DIREITO PENAL


Aplica-se a regra da irretroatividade da "lex gravior".
Ex1: Lei 12.720/12 (alterou o CP, art. 121, §6°, art. 129, §7º e art. 288-A(milícia
privada). Entrou em vigor no dia 28/09/12)
CPP ART. 121 § 6o A pena é aumentada de 1/3 (um terço) até a metade se o crime for
praticado por milícia privada, sob o pretexto de prestação de serviço de segurança,
ou por grupo de extermínio. (Incluído pela Lei nº 12.720, de 2012)

CPP Art. 288-A. Constituir, organizar, integrar, manter ou custear organização
paramilitar, milícia particular, grupo ou esquadrão com a finalidade de praticar
qualquer dos crimes previstos neste Código: (Incluído dada pela Lei nº 12.720, de
2012)
Pena - reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos. (Incluído dada pela Lei nº 12.720, de
2012)
Ex2: ampliação do rol de infrações antecedentes pela Lei 12683/12 e sua aplicação no
tempo.
Surge duas correntes a respeito de aplicabilidade:

1ª CORRENTE:
O crime de lavagem de captais é uma crime instantâneo de efeitos permanentes, ou
seja, o crime consuma-se com o ato de ocultar, sendo que a manutenção do bem oculto ou
dissimulado é um mero desdobramento do ato Inicial.
Logo se o ato inicial de ocultação foi praticado, e a infração penal não era antecedente
da lavagem, o agente não poderá responder por este crime, sob pena de violação ao
principio da irretroatividade da lei mais gravosa.
Essa posição é favorável ao criminoso, portanto, portanto posição a ser adotada pela
Defesnsoria Pública.

2ª CORRENTE
O crime de lavagem de capitais tem natureza permanente. Logo a nova redação da
Lei 9613/98 aplica-se todos os agentes que possuíam bens ocultos quando de sua
vigência, mesmo aqueles provenientes de infrações anteriormente não abrangidas pela
Lei de Lavagem de Capitais.
Essa segunda corrente assume posição mais firme, quando considerada a redação
da sumula 711 do STF.
Súmula Nº 711 - A Lei penal mais grave aplica-se ao crime continuado ou ao crime
permanente, se a sua vigência é anterior à cessação da continuidade ou da permanência.

ATENÇÃO: STF INQ 2471 - trata do caso Paulo Maluf -


É acusado de ter praticado crimes contra a Adm. Pública, antes da vigência da Lei
9613/98.
Foi denunciado por crime de lavagem de capitais, quando entra em vigor a lei 9613/98,
pois possuía depósitos de dinheiro no exterior.
O STF ainda precisa manifestar sobre o assunto, somente manifestando-se pelo
recebimento da denúncia. Assim a depender da decisão do STF, saberemos qual corrente
será adotada.

4) A EXPRESSÃO "LAVAGEM DE DINHEIRO"


Surge no direito norte americano, por volta da década de 20. (Money laundering)
Em alguns países usa-se a expressão "branqueamento de dinheiro".
5) GERAÇÕES DE LEI DE LAVAGENS

LEIS DE 1ª GERAÇÃO - apenas o tráfico era infração antecedente da lavagem.

LEIS DE 2ª GERAÇÃO - rol taxativo (numerus clausus) de infrações antecedentes. Era
de 2ª geração a redação original da Lei 9613/98.

LEIS DE 3ª GERAÇÃO - qualquer infração penal pode funcionar como antecedente da
lavagem de capitais. A nova redação da Lei 9613/98 é de 3ª geração.

6) DISTINÇÃO ENTRE LAVAGEM DE CAPITAIS E O EXAURIMENTO DA INFRAÇÃO


ANTECEDENTE
Aquele que se propõe a praticar uma infração penal com resultado patrimonial o faz
com a intenção de gastar em proveito próprio os bens adquiridos. Nesse caso não haverá
lavagem de capitais, mas tão somente mero exaurimento da infração antecedente.
Portanto para a caracterização da lavagem, não basta a simples ocultação do
dinheiro, que acaba sendo desdobramento natural de todo e qualquer delito do qual
resulte vantagem patrimonial. Logo, é necessário que o ato de ocultação seja praticado
com a intenção de que tais valores sejam reintegrados a ordem econômica com aparência
lícita.

7) FASES DA LAVAGEM DE CAPITAIS



1ª FASE - COLOCAÇÃO (placement)
Introdução do dinheiro ilícito no sistema financeiro.
Ex: "SMURFING" - pulverização de grandes quantias em vários pequenos depósitos
bancários.

2ª FASE - DISSIMULAÇÃO (layering)
São realizadas diversas movimentações financeiras com o objetivo de dificultar o
rastreamento da origem ilícita dos valores.

3ª FASE - INTEGRAÇÃO
Já com uma aparência lícita, os valores são reinvestidos nas mesmas atividades
delituosas.

ATENÇÃO: STF RHC 80.816 - máfia da propina de SP - caso dos criminoso depositando
dinheiro na conta do cunhado. Portanto, a 1ª fase da Lavagem de Capitais.
O STF entendeu que a consumação do crime de Lavagem de Capitais independe do
preenchimento dessas 3 fases, ou seja, o crime consuma-se ainda que descoberto e
identificado na 1ª fase.
8) BEM JURÍDICO TUTELADO

Existem três correntes:
1ª Corrente (minoritária): é o mesmo bem jurídico tutelado pela infração antecedente.

2ª Corrente: o crime de lavagem de capitais é um crime contra a Administração da
Justiça. Entendem que se parece com o crime de favorecimento real do art. 349 CP e esse
crime esta no título dos crimes contra a administração da justiça.
Art. 349. Prestar a criminoso, fora dos casos de co-autoria ou de receptação, auxílio
destinado a tornar seguro o proveito do crime:
Pena - detenção, de um a seis meses, e multa.

3ª Corrente (majoritária): o bem jurídico tutelado é a ordem econômico financeira. Seria


a ordem prevista no art. 170 CF
Art. 170. A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre
iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da
justiça social, observados os seguintes princípios:
I - soberania nacional;
II - propriedade privada;
III - função social da propriedade;
IV - livre concorrência;
V - defesa do consumidor;
VI - defesa do meio ambiente, inclusive mediante tratamento diferenciado conforme o
impacto ambiental dos produtos e serviços e de seus processos de elaboração e
prestação;
VII - redução das desigualdades regionais e sociais;
VIII - busca do pleno emprego;
IX - tratamento favorecido para as empresas de pequeno porte constituídas sob as leis
brasileiras e que tenham sua sede e administração no País.
Parágrafo único. É assegurado a todos o livre exercício de qualquer atividade
econômica, independentemente de autorização de órgãos públicos, salvo nos casos
previstos em lei.
ATENÇÃO: pode ser aplicado o principio da insignificância na lavagem? R: SIM
O STF trabalha com 4 Requistos para aplicação do principio da insgnificancia.
• mínima ofensividade da conduta
• nenhuma periculosidadade social da ação
• reduzido grau de reprovabilidade do comportamento
• inexpressividade da lesão provocada
O montante (valor) para ser aplicado o principio da insignificância não é expresso
na Lei. Utiliza-se o mesmo parâmetro utilizado para crimes tributários, pois ambos os
crimes são contra a Ordem Econômica Financeira.
Atualmente o valor é de R$ 10.000,00 (Lei 10.522/02 - art. 20)
Art. 20. Serão arquivados, sem baixa na distribuição, mediante requerimento do
Procurador da Fazenda Nacional, os autos das execuções fiscais de débitos inscritos
como Dívida Ativa da União pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional ou por ela
cobrados, de valor consolidado igual ou inferior a R$ 10.000,00 (dez mil reais).
(Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004)
Cuidado, pois existe a portaria 75/2012 do Ministro da Fazenda que prevê um valor
mínimo de R$ 20.000,00 para execução federais. Ainda não esta sendo usado pelos
Tribunais , mas há grandes chances de ser utilizado para efeitos de aplicação do principio
da insignificância.
9) ACESSORIEDADE DA LAVAGEM DE CAPITAIS
A lavagem é um crime acessório, pois depende de uma outra infração penal.
Assim, essa outra infração penal, é uma elementar do tipo penal da lavagem.
Art. 1o Ocultar ou dissimular a natureza, origem, localização, disposição,
movimentação ou propriedade de bens, direitos ou valores provenientes, direta ou
indiretamente, de infração penal. (Redação dada pela Lei nº 12.683, de 2012)

PERGUNTA: Os processos precisam obrigatoriamente tramitar juntos?


R: o processo do crime de lavagem de capitais não precisa obrigatoriamente tramitar
junto com o processo referente a infração antecedente. Isso, no entanto não impede a
reunião dos processos em virtude de evidente conexão probatória (quando a prova de um
crime ajuda na prova do outro) (CPP art. 76, III)

PERGUNTA 2: A quem compete decidir se os dois processos serão reunidos?
R: cabe ao juízo competente para julgar os crimes de lavagem de capitais decidir
inicialmente quanto a existência ou não de conexão probatória e consequente reunião
dos feitos(Art. 2º, II da Lei de Lavagem), o que não impede a reapreciação do tema pelo
Tribunal competente através de possível conflito negativo de competência.
Lei 9613/98 ART. 2º II - independem do processo e julgamento das infrações penais
antecedentes, ainda que praticados em outro país, cabendo ao juiz competente para os
crimes previstos nesta Lei a decisão sobre a unidade de processo e julgamento;
(Redação dada pela Lei nº 12.683, de 2012)

PERGUNTA 3: é necessária a condenação da infração antecedente para a condenação


pelo crime de lavagem?
R: a condenação em relação a infração antecedente não é pressuposto para que
alguém seja condenado pelo crime de lavagem de capitais. (Art. 2º, §1º)
§ 1º A denúncia será instruída com indícios suficientes da existência da infração
penal antecedente, sendo puníveis os fatos previstos nesta Lei, ainda que
desconhecido ou isento de pena o autor, ou extinta a punibilidade da infração penal
antecedente. (Redação dada pela Lei nº 12.683, de 2012)

PERGUNTA 4: A absolvição na infração antecedente vincula o julgamento do crime de


lavagem ?
R: aqui prevalece a Teoria da Acessoriedade Limitada - para que alguém seja
condenado por lavagem de capitais é indispensável que a conduta antecedente seja ao
menos típica e ilícita.
Assim, dependendo do tipo de absolvição na infração antecedente, a absolvição na
infração de lavagem será vinculada.
Se, por exemplo, for absolvido por atipicidade ou causa excludente da ilicitude, não
será possível a condenação pelo crime de lavagem de capitais.
Se a absolvição da infração antecedente ocorreu em virtude da causa excludente da
culpabilidade ou causa extintiva da punibilidade, subsiste a possibilidade de condenação
pelo crime de lavagem, salvo nas hipóteses de "abolitio criminis" e anistia.
10) SUJEITOS DO CRIME
O crime de lavagem de capitais é um crime comum. Assim pode ser praticado por
qualquer pessoa.

10.1) AUTOLAVAGEM (SELF LAUNDERING)
Quando o autor da infração antecedente pratica a lavagem de capitais. É
perfeitamente admitido no Brasil, por força da Lei 9613/98. (STF INQ 2471)

OBS: a participação na infração antecedente não é condição "sine qua non" (obrigatória)
para que o agente responda por lavagem, desde que tenha conhecimento da origem ilícita
dos valores.

10.2) ADVOGADO COMO SUJEITO ATIVO DA LAVAGEM


Lei 9613/98 - passou a ter uma nova redação em seu art. 9º, parágrafo único, XIV.
Art. 9o Sujeitam-se às obrigações referidas nos arts. 10 e 11 as pessoas físicas e
jurídicas que tenham, em caráter permanente ou eventual, como atividade principal ou
acessória, cumulativamente ou não: (Redação dada pela Lei nº 12.683, de 2012)
Parágrafo único. Sujeitam-se às mesmas obrigações:
XIV - as pessoas físicas ou jurídicas que prestem, mesmo que eventualmente, serviços
de assessoria, consultoria, contadoria, auditoria, aconselhamento ou assistência, de
qualquer natureza, em operações: (Incluído pela Lei nº 12.683, de 2012)
a) de compra e venda de imóveis, estabelecimentos comerciais ou industriais ou
participações societárias de qualquer natureza; (Incluída pela Lei nº 12.683, de
2012)
b) de gestão de fundos, valores mobiliários ou outros ativos; (Incluída pela Lei nº
12.683, de 2012)
c) de abertura ou gestão de contas bancárias, de poupança, investimento ou de valores
mobiliários; (Incluída pela Lei nº 12.683, de 2012)
d) de criação, exploração ou gestão de sociedades de qualquer natureza, fundações,
fundos fiduciários ou estruturas análogas; (Incluída pela Lei nº 12.683, de 2012)
e) financeiras, societárias ou imobiliárias; e (Incluída pela Lei nº 12.683, de 2012)
f) de alienação ou aquisição de direitos sobre contratos relacionados a atividades
desportivas ou artísticas profissionais; (Incluída pela Lei nº 12.683, de 2012)

OBRIGAÇÃO DE COMUNICAÇÃO DE OPERAÇÕES SUSPEITAS POR PARTE DE


ADVOGADOS - a doutrina traz duas figuras distintas de advocacia
1) Advocacia de representação contenciosa: advogados que atuam na defesa de seu
cliente em processo judicial ou que são consultados sobre uma concreta situação jurídica
vinculada a um processo judicial.
Nesse caso, não há obrigação de comunicar ao COAF quaisquer fatos delituosos dos
quais tenha tomado conhecimento no exercício de sua atividade profissional.

2) Advocacia de Operações: sua atividade profissional diz respeito a consultoria
jurídica não processual (v.g., comercial, tributária, etc).
Nesse caso impõe-se ao advogado o dever de conhecer seu cliente (know your customer).
Logo se a consultoria recair sobre a melhor forma de se ocultar valores obtidos
criminosamente, o advogado não só tem a obrigação de comunicar operações suspeitas,
como também pode, a depender do caso concreto, responder pelo crime de lavagem de
capitais (STJ HC 50.933)
É Um crime de ação múltipla

11) TIPO OBJETIVO


• Ocultar: significa esconder a origem da coisa.
• Dissimular: deve ser interpretado como ocultação com fraude.

Ocultar é crime permanente, ou seja, crime cuja consumação se


prolonga no tempo. Portanto mesmo que o agente tenha dado inicio a
ocultação em momento anterior a entrada em vigor da lei, responderá
normalmente pelo delito se mantiver os depósitos após a vigência da lei.

Exemplo: prefeito que lava dinheiro antes da lei entrar em vigor fazendo
depósitos em contas no exterior, e após a entrada da lei ele para de fazer
depósitos, mas o simples fato do dinheiro estar na conta dele já é possível
acusá-lo por lavagem de capitais, pois se trata de crime permanente. (ler
súmula 711 do STF).

12) NATUREZA DO CRIME


De acordo com o artigo 1º, caput, trata-se de crime material (STFRHC
80.816). Há uma corrente na doutrina dizendo que trata-se de crime de
natureza formal.

12.1) CRIME FORMAL. X. CRIME MATERIAL


Crime material: é aquele no qual o resultado está dentro do próprio tipo
penal. Exemplo: homicídio, onde matar alguém já é o resultado e está dentro
do tipo.
Crime formal (também chamado de crime de consumação antecipada) é
aquele crime cujo resultado pode ocorrer, mas o resultado não faz parte do
tipo penal, sendo ele considerado mero exaurimento do crime.
O crime do artigo 1º da lei é formal ou material?
R: O ideal é concluir que o crime material será o do art. 1º caput e §2º.
Já o parágrafo primeiro do artigo 1ª trata-se de crime formal.
§ 1o Incorre na mesma pena quem, para ocultar ou dissimular a utilização de bens,
direitos ou valores provenientes de infração penal: (Redação dada pela Lei nº 12.683,
de 2012)
I - os converte em ativos lícitos;
II - os adquire, recebe, troca, negocia, dá ou recebe em garantia, guarda, tem em
depósito, movimenta ou transfere;
III - importa ou exporta bens com valores não correspondentes aos verdadeiros.
12.2) OBJETO MATERIAL

Produto direto do crime: é o resultado imediato do delito. São bens,


direitos ou valores que sejam produto direito ou indireto de infração penal.
Diferença de bem jurídico para objeto material: bem jurídico são bens
tutelados pelo direito (exemplo: vida) objeto material são as pessoas ou
coisas sobre as quais recai a conduta delituosa.
Exemplo: no crime de furto o bem jurídico é o patrimônio individual, já o
objeto material a coisa alheia móvel.

Produto direto do crime: São os bens que chegam as mãos do criminoso


como resultado direto da prática delituosa (coisa alheia móvel subtraída no
furto)

Produto indireto do crime: é conhecido como fructus sceleris e trata-se


do proveito obtido pelo criminoso com o resultado da utilização econômica
do produto direto do delito. Exemplo: uma casa comprada com o dinheiro
lavado.

Configura o resultado mediato do delito, ou seja, é o proveito obtido


pelo criminoso como resultado da utilização econômica do produto direto do
delito. Exemplo: carro comprado com o dinheiro da venda de drogas.

13) TIPO SUBJETIVO

O delito de lavagem de capitais só é punido a titulo de dolo apenas e


não na forma culposa. O delito de lavagem de capitais também é punido a
titulo de dolo eventual, salvo nas hipóteses do artigo 1º, §2º, II , em que
somente é possível a punição a titulo de dolo direto.

Dolo: é composto por consciência (elemento cognitivo) e vontade


(elemento volitivo)
§ 2o Incorre, ainda, na mesma pena quem: (Redação dada pela Lei nº 12.683, de
2012)
II - participa de grupo, associação ou escritório tendo conhecimento de que sua
atividade principal ou secundária é dirigida à prática de crimes previstos
nesta Lei.
Antes da lei 12.683/12: o dolo do autor da lavagem também devia
abranger o crime antecedente. Muitos dizem que aqui que está a justificativa
da nova lei, onde antigamente não bastava a ocultação por parte da pessoa,
ela teria que ter consciência que esses bens ocultados eram advindos das
praticas criminosas elencadas. Com a mudança da lei, basta que o autor da
lavagem tenha consciência de que tais bens são produto de infração penal.
Agora não preciso saber que os bens são oriundos daqueles crimes taxados
e sim apenas que eu tenha consciência que os bens são oriundos de
qualquer crime.

PERGUNTA: Posso punir o crime de lavagem a titulo de dolo eventual?


Exemplo:
CP Art. 339. Dar causa à instauração de investigação policial, de processo judicial,
instauração de investigação administrativa, inquérito civil ou ação de improbidade
administrativa contra alguém, imputando-lhe crime de que o sabe inocente:

CP Artigo 180. Adquirir, receber, transportar, conduzir ou ocultar, em proveito
próprio ou alheio, coisa que sabe ser produto de crime, ou influir para que terceiro,
de boa-fé, a adquira, receba ou oculte

O artigo 339 e 180 não admite dolo eventual, pois o agente tem que
ter certeza da inocência do denunciado e no segundo caso ter certeza que
o produto advém de crime. E no dolo eventual o agente não tem certeza,
mas assume risco de não ser verdade.

Dolo eventual: todas as modalidades de lavagem (art.1º caput §1º, I, II e


III, e §2º) admitem a punição a titulo de dolo direto e eventual, á exceção
do inciso II do §2º do art. 1º que só admite a punição por dolo direto.
§ 2o Incorre, ainda, na mesma pena quem: (Redação dada pela Lei nº 12.683, de 2012)
II - participa de grupo, associação ou escritório tendo conhecimento de que sua
atividade principal ou secundária é dirigida à prática de crimes previstos nesta Lei.
13.1) TEORIA DA CEGUEIRA DELIBERADA

Tem origem no direito norte americano, também chamado de instruções


da avestruz (porque avestruz enfia cabeça no buraco para se alimentar, e
no caso dessa teoria o agente enfia a cabeça no buraco para não saber a
origem ilícita do dinheiro): Aqui recai o inciso XII do artigo 9º, inciso XV,
XVII entre outras do artigo 9º.
No crime de lavagem de capitais, se o agente deliberadamente evita a
consciência quanto a origem ilícita dos bens, assume o risco de produzir o
resultado, ocultação ou dissimulação, razão pela qual pode responder pelo
crime a titulo de dolo eventual. Aqui difere da pessoa que deixa de
comunicar.
Esta teoria foi aplicada no caso de Fortaleza no furto do Banco Central,
onde a agencia foi condenada por vender vários carros importados e não
informou a atividade, mesmo os agentes terem pagado a vista. Mas no fim
em 2ª instancia foram absolvidos.

14) REVOGADO ROL DOS CRIMES ANTECEDENTES DO ART. 1º DA LEI 9.613/98

1) Tráfico de drogas: a associação para o trafico é diferente de tráfico de


drogas. Com base no artigo 44 da lei de drogas conclui-se que o tráfico de
drogas está previsto no artigo 33 caput e §1º, e artigos 34, 36 e 37. A
associação para fins de tráfico do artigo 35 não é crime equiparado a
hediondo.
2) Terrorismo e seu financiamento: uma 1ª corrente vai dizer que o crime de
terrorismo não há previsão legal no Brasil. Há uma segunda corrente vai dizer
que o crime de terrorismo estaria previsto no artigo 20 da lei de segurança
nacional (7.170/83). No caso houve uma interpretação analógica que é uma
fórmula casuística seguida de uma fórmula genérica. Vai ter um exemplo na
lei e tudo que for parecido vai se encaixar no exemplo.
Art. 20 - Devastar, saquear, extorquir, roubar, seqüestrar, manter em cárcere
privado, incendiar, depredar, provocar explosão, praticar atentado pessoal ou
atos de terrorismo, por inconformismo político ou para obtenção de fundos
destinados à manutenção de organizações políticas clandestinas ou subversivas.
3) Contrabando ou tráfico de armas: está previsto na lei 10.826/03: artigos
17 e 19. A doutrina diz que também há o crime no artigo 12 da lei de
segurança nacional.

4) Extorsão mediante sequestro: previsto dentro do CP, artigo 159.

5) Crimes contra a administração publica: CP, artigos 312 a 359-H. lei


8.666/93 e decreto lei 201/67.

6) Crimes contra o sistema financeiro nacional: lei 7.492/86 e lei 6.385

7) Crime praticado por organização criminosa.

8) Próximas aulas: crime praticado por particular contra a administração


pública estrangeira previstos nos artigos 337B, 337C e 337D.

15) TENTATIVA
Trata-se de crime plurisubsistente (de vários atos), sendo assim é
admissível a tentativa.
Artigo 12 do CP: as regras da parte geral do código se aplicam as leis
especiais, salvo se nelas dispuserem de modo diverso.

16) CAUSA DE AUMENTO DE PENA


Está prevista no §4º do artigo 1º.
§ 4º A pena será aumentada de um a dois terços, se os crimes definidos nesta
Lei forem cometidos de forma reiterada(habitual) ou por intermédio de
organização criminosa.
16.1) CRIME HABITUAL. X. HABITUALIDADE CRIMINOSA

Quando falamos em habitualidade criminosa estamos nos referindo a


atividade do criminoso como atividade profissional. Já o crime habitual é
uma característica do crime, é aquele crime que demanda a prática
reiterada de uma mesma conduta. Ex:
Art. 229. Manter, por conta própria ou de terceiro, estabelecimento em que ocorra
exploração sexual, haja, ou não, intuito de lucro ou mediação direta do proprietário
ou gerente: (Redação dada pela Lei nº 12.015, de 2009).

Este crime é caracterizado crime de natureza habitual, onde um ato


isolado apenas não vai caracterizar o delito.
Outro exemplo: artigo 282 (exercício ilegal da medicina, arte dentária ou
farmacêutica).
Art. 282. Exercer, ainda que a título gratuito, a profissão de médico, dentista ou
farmacêutico, sem autorização legal ou excedendo-lhe os limites:

A causa de aumento do paragrafo 4º do art. 1º da lei de lavagem é


para o criminoso habitual e não para o crime habitual.

17) COLABORAÇÃO PREMIADA

Conceito: trata-se de técnica especial de investigação por meio da qual


o acusado, em troca por determinado prêmio legal, não só confessa o
delito, como também presta informações relevantes para o esclarecimento
do fato delituoso.

Diferença entre delação premiada e colaboração premiada: a


colaboração é o gênero na qual a delação premiada é uma espécie da
qual um terceiro é incriminado. O delator é o cagueta. Na colaboração
premiada é possível ajudar as autoridades sem caguetar alguém como dizer
onde está valores ou objetos, como também denunciar alguém. Já na
delação premiada é necessário delatar alguém apenas.

Há quem diga que colaboração e delação seria ato antiético. Essa posição é muito
minoritária.

17.1) PREVISÃO LEGAL

Seria interessante que ela fosse colocada em uma única lei, pois a
colaboração premiada está espalhada pelo ordenamento jurídico, senão
vejamos:
• Lei dos crimes hediondos – art.8º § único da lei 8.072/90
• Código Penal – art.159§4º (extorsão mediante sequestro)
• Lei 9.080/95
• Lei 8.137 – art. 16: crimes tributários
• Lei 9.034/95 – art. 6º: Lei de organização criminosa
• Lei 11.343/06 – art.41 Lei de Drogas
• Lei 12.529/12 - Sistema brasileiro de Concorrência – artigo 87

• Lei 9.613/98: lei de lavagem: também tem a colaboração criminosa no


artigo 1º §5º, onde há 4 benefícios distintos:
1º diminuição da pena
2ºfixação do regime inicial aberto ou semiaberto
3º substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos,
independentemente dos requisitos do artigo 44 do CP.
4º perdão judicial
Para a escolha da opção será levada em conta o tamanho da ajuda
prestada.

ART. 1º § 5o A pena poderá ser reduzida de um a dois terços e ser cumprida em regime
aberto ou semiaberto, facultando-se ao juiz deixar de aplicá-la ou substituí-la, a
qualquer tempo, por pena restritiva de direitos, se o autor, coautor ou partícipe
colaborar espontaneamente com as autoridades, prestando esclarecimentos que conduzam
à apuração das infrações penais, à identificação dos autores, coautores e partícipes,
ou à localização dos bens, direitos ou valores objeto do crime. (Redação dada pela
Lei nº 12.683, de 2012)

Antes o colaborador tinha que ajudar em todos os pontos do artigo, agora só é


necessário ajudar em um dos pontos apontado apenas.
17.2) Lei 9.807/99 – LEI DE PROTEÇÃO AS TESTEMUNHAS
Artigos 13 e 14:
Art. 13. Poderá o juiz, de ofício ou a requerimento das partes, conceder o perdão
judicial e a conseqüente extinção da punibilidade ao acusado que, sendo primário,
tenha colaborado efetiva e voluntariamente com a investigação e o processo criminal,
desde que dessa colaboração tenha resultado:

I - a identificação dos demais co-autores ou partícipes da ação criminosa;

II - a localização da vítima com a sua integridade física preservada;

III - a recuperação total ou parcial do produto do crime.

Parágrafo único. A concessão do perdão judicial levará em conta a personalidade do
beneficiado e a natureza, circunstâncias, gravidade e repercussão social do fato
criminoso.

Art. 14. O indiciado ou acusado que colaborar voluntariamente com a investigação


policial e o processo criminal na identificação dos demais co-autores ou partícipes
do crime, na localização da vítima com vida e na recuperação total ou parcial do
produto do crime, no caso de condenação, terá pena reduzida de um a dois terços.

Observação 1: como a lei 9.807/99 não trata de um crime específico,


funcionando como regramento geral, entende-se que os artigos 13 e 14
podem ser aplicados a qualquer crime, desde que não haja previsão
especial em sentido diverso.

Observação 2: se se entender que os três incisos são de observância


obrigatória, a aplicação desse dispositivo ficaria restrita ao crime de
extorsão mediante sequestro praticado em concurso de agentes, no qual
tenha havido o pagamento do preço do resgate. Portanto, a aplicação
desse dispositivo legal deve se dar de acordo com o caso concreto, ou
seja, sendo possível o preenchimento dos três incisos, haverá necessidade
da observância de todos eles para a incidência do perdão judicial. Caso
seja possível o preenchimento de apenas um dos incisos, é o quando
basta para a incidência do artigo 13.
17.3) EFICÁCIA OBJETIVA DA DELAÇÃO PREMIADA

As informações prestadas pelo agente devem ser objetivamente eficazes.


Para que o criminoso faça jus ao prêmio legal, basta que sua
colaboração seja voluntária, não necessariamente espontânea. Ou seja, não
precisa que a ideia parta do delator e sim que alguém dê uma dica e ele
conte de maneira voluntária.

17.4) ACORDO DE DELAÇÃO PREMIADA

Trata-se de acordo sigiloso celebrado entre o MP e o acusado, com a


presença de advogado, a ser submetido a homologação do juiz, que não
poderá deixar de observá-lo por ocasião da sentença, caso o colaborador
tenha cumprido todas as obrigações pactuadas.
Para os tribunais, esse acordo não deve constar nos autos e nem se
tornar público, nem mesmo para os advogados dos demais acusados
delatados (STF HC 90.688).

MOMENTO : pode ser feito na fase investigatória (é o momento mais


comum), na fase processual e com a inovação da lei nova durante a
execução penal. Em suma é permitida em qualquer caso, mas desde que
dotada de eficácia objetiva, ou seja, a delação tem que ajudar em algo.
Na fase da execução tem doutrinador dizendo que deveria ser buscado
o benefício através de revisão criminal. Não é a melhor posição, pois
revisão criminal é uma ação de impugnação para atacar sentença que
contenha erro e não delação premiada, pois a sentença não contém erro.
A melhor maneira seria através de um incidente na execução.

17.4) VALOR PROVATÓRIO DA COLABORAÇÃO PREMIADA E OBSERVÂNCIA


DO CONTRADITÓRIO
Observação 1: A colaboração premiada por si só não pode
fundamentar um decreto condenatório (STF, HC 84.517).
Observação 2: Se o colaborador vier a ser ouvido durante o processo,
os advogados dos acusados delatados terão direito de fazer reperguntas.
(STF HC 90.830).
18) COMPETÊNCIA CRIMINAL

Em regra crimes contra a ordem econômico-financeira são julgados


pela justiça estadual, salvo se houver disposição legal em sentido
contrário. Sendo assim em regra o crime de lavagem de capitais será
julgado pela justiça estadual. No entanto, a competência será da justiça
federal nas seguintes hipóteses:

a) Quando praticada em detrimento de bens, serviços e interesses da


união, suas autarquias e empresas públicas (CF, art.109, IV)

b) Quando a infração penal antecedente for de competência da justiça


federal.

c) Quando a lavagem de capitais for praticada além do território


nacional (CF, artigo 109, V).

19) VARAS ESPECIALIZADAS DO CRIME DE LAVAGEM DE CAPITAIS

Obs.1: Há previsão legal autorizando a especialização de varas para o


julgamento de quaisquer crimes, inclusive o de lavagem.

Obs.2: Com a CF/88, o conselho da justiça federal passou a ter atribuições


meramente administrativas e orçamentárias (art.105 § único, II da CF).
Portanto, á luz da CF/88, a competência para especialização de varas recai
sobre o respectivo Tribunal Regional Federal.

Obs.3: A especialização não é matéria que precisa de lei, ou seja, não é


matéria submetida ao principio da reserva legal em sentido estrito (lei
específica ordinária), mas apenas ao princípio da legalidade em sentido
amplo (pode ser feita por provimento, portaria ou regulamento.