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Controle de Constitucionalidade das Leis

O objetivo do controle da constitucionalidade é preservar a supremacia da Constituição.

Pela via de ação (controle abstrato), normalmente manifestada por ADI, ADECON ou
ADPF, as decisões judiciais costumam produzir efeito erga omnes e ex tunc, de forma a
desde logo inibir o prolongamento de controvérsias constitucionais.

Já pela via de exceção qualquer Juiz ou Tribunal pode reconhecer a inconstitucionalidade


de uma lei ou ato normativo. A decisão, embora dotada de eficácia ex tunc, somente
produz efeitos imediatos para o caso concreto (inter partes). O efeito erga omes
dependerá do conhecimento da questão pelo Supremo Tribunal Federal, normalmente via
Recurso Extraordinário, e da manifestação do Senado Federal (art. 52, X, da CF).

O sistema jurídico nacional também comporta o controle da inconstitucionalidade por


omissão, ora efetivado de forma concentrada (ADI por omissão), ora praticado pela via
difusa (mandado de injunção).

1. CONCEITO E OBJETO

O controle da constitucionalidade tem por finalidade o exame da adequação das leis e dos
atos normativos à Constituição, do ponto de vista material ou formal.

Em alguns países, o controle é efetivado por uma Corte ou Tribunal Constitucional que
não integra qualquer dos três poderes e ocupa uma posição de superioridade em relação
a eles. Analisado quanto ao órgão controlador, tal critério é denominado controle político.

O controle típico mais comum, no entanto, é o jurisdicional, que recebe tal denominação
por ser exercido por um órgão integrado ao Poder Judiciário.

O objetivo do controle da constitucionalidade é preservar a supremacia da constituição


sobre as demais normas do ordenamento jurídico. Desta supremacia decorre o princípio
da compatibilidade vertical, segundo o qual a validade da norma inferior depende de sua
compatibilidade com a Constituição Federal.

O conceito de lei inclui as emendas constitucionais (direito constitucional secundário) e


todas as outras normas previstas no art. 59 da CF (inclusive as medidas provisórias).
Os tratados internacionais são celebrados pelo Presidente da República. Contudo, para
serem incorporados ao ordenamento jurídico nacional dependem de referendo do
Congresso Nacional, via decreto-legislativo aprovado por maioria simples e promulgado
pelo presidente do Senado (art. 49, I, da CF), e, por fim, de promulgação e publicação por
decreto do Presidente da República (é o decreto presidencial que dá força executiva ao
tratado).

A partir de sua incorporação ao ordenamento jurídico nacional (com o decreto


presidencial), o tratado internacional, ainda que fundado no § 2.º do art. 5.º da CF, tem
força de lei infraconstitucional ordinária e, como tal, está sujeito ao controle de sua
constitucionalidade (cf. STF-HC n. 72.131, j. 23.11.1995). Portanto, entre nós adotou-se a
teoria dualista e não a teoria monista (pela qual a ordem jurídica interna deve se ajustar
ao Direito Internacional).

A inconstitucionalidade é material, substancial, quando o vício diz respeito ao conteúdo da


norma. A inconstitucionalidade formal, extrínseca, se verifica quando o vício está na
produção da norma, no processo de elaboração que vai desde a iniciativa até a sua
inserção no ordenamento jurídico.

As súmulas, atualmente, não estão sujeitas ao controle da constitucionalidade, pois não


possuem efeito normativo (vinculante, obrigatório).