EU, TEMPO, CIDADE

POEMA EM TRÊS ATOS

De Pedro Noel (2010) Contato com autor: plnnoel@gmail.com

EU
[Fiz do meu não saber desenhar meu desenho, do não saber ver minha pintura, do não saber sentir – e dizer – minha poesia e meu não saber viver se fez a minha arte.]

Até que decidi nunca mais voltar. Vou para esquecer-me de tudo e nada em mim manter. Quanta submissão há na comunicação. mas só deserto é o que vejo. na realidade de serem eles mesmos.. E não irei para nenhum lugar. E matar. mas indo na direção certa..... medo ou idolatria por minha figura fugidia.... A verdade fez eu deixar de ter coração.. As lembranças que tenho do dia de amanhã. [.... Terão inveja.. E isso é o que me parece o palpável em todo este jogo. nada além desta bomba-relógio instalada na anatomia de meu peito. fazer de meus passos o caminho que pela vida encontraria. Não era exatamente o que queria.. de qualquer sentido. foi a falta dela – o que também é uma verdade – que o fez....] Homens que viram-se únicos e potentes em sua exclusividade.... sim. da morte de uns e vida de outros montou-se sempre o mundo.. [. com ainda menos sentido]. Foi o meu cansaço de sonhar coisas lindas.. O sol que não surgirá amanhã será algo guardado na impossibilidade de minha existência. de amar em grandes amores. E apaixonarei as jovens perdidas. fui e voltei... . isto que se diz ser o coração. a lua e a galáxia que também deixarão de ser.. Morrerei. Cercado de gente e coisas.... morrerei por falta do que mais viver.. Ao fim. deveria acelerar e fomentar isto.. Para que tudo – de uma vez – se acabasse e eu conhecesse a verdade – (que descobri) – inexistente. do asilo e da hermitude... São toda a força que sustém-me no vazio de sentido.. Fui e voltei. serei um deus e não restará mais nada que aproveitar da insensatez dos objetos e idéias da humanidade. [.. Mas não tenho um coração.... Foi a fuga da vida que fundou-se em mim de uma maneira realista.] Se eu tivesse algo como um coração..... Pensei que se o mundo é perda e ilusão.. Mais ainda na concórdia... sim serei uma outra coisa selvagem e silenciosa numa outra viagem por um outro mundo [hoje desconhecido. Mas quem é que nunca sentiu-se só deparando-se com a multidão? Sou e sinto-me diferente – e isto não é vã rebeldia. Entrei num mar de águas profundas e – por falta de caminho – naufraguei. mas de ninguém quero lembrar... mas de aspirações grandiosas e incompreensíveis. Quero a todos com que topar ser inesquecível... serei disputado pelas mulheres feitas e simplesmente amado pelas anciãs das casas... E não terei mais de escrever poesias....] Da vitória e da peculiaridade..E continuei a caminhar naquele sentido. e sobrepujarem-se como quem faz o melhor a fazer-se. esta metáfora fantástica. diria que agora nele há um pouco de dor. da opacidade do mundo e da inexistência de um lugar melhor depois. O que me deixará e eu deixarei. com a sensação de estar afastando-me de meu destino........ Se alimentará uma chama móvel e intocável.. fascinante e inalcançável em mim. quanta força de profunda unidade não geraram as guerras. a terra...... que a única coisa que posso – me acreditando certo – dizer é que tudo é deixar de ser. Ou melhor.... mas – mesmo assim – por aí continuei.. Os homens me verão confuso e simples..

. noto haver assumido um pacto estranho. Minha arquitetura aquática.... pela impossibilidade das coisas.. as vozes de quem nunca foi ouvido e o esquecimento das frases que em nenhum tempo tiveram interlocutor. Sempre este desejo de um outro lugar..] [.... As fugas de mim.. A sensação de que se a morte chegasse nada mudaria.. a folha em branco antes de ser escrita. [Sabendo se existe algo lá fora... Desconcentrou-me a mulher que rapidamente se pousou ao meud lado para pedir mais rum à sua mistura. o motivo de minhas viagens que foi tragado pelos moinhos da vida ou levado a esmo dentro de garragas naufragadas. no balcão de um bar. sobre sempre.... Então lisonjeei o fato de naquele ponto. Mas escrever..... de que nunca entendi a natureza do que é viver um dia..Os olhares inconsistentes e remotos que pairam em meu vagão de trem Talgo..ou significa – algo ter significado. Tudo se perdeu ou foi perdido – isto eu escutei de algum poeta afastado no vento marítimo.. A minha paixão – e nada mais que uma paixão – que evito repetir nos perdidos movimentos de meu pensamento. escrevendo poesia. alimentado pela crueldade. A mensagem de meu espírito que confundiu-se com mitos antigos e desaparecidos e que hoje é a cara das moedas de minha calça sem bolsos. O fim dos meus tempos.... o beco de saída para os labirintos metafísicos que sem passar construo nos domínios de minha cabeça seca de maresia das coisas passageiras que um dia qualquer amei ou sonhei... Penso se realmente haverá o outro lado do mar. o ponto de origem aonde nascerão as ondas que vêm estourar ao meu olhar. Eu sou um grande cinzeiro lotado de palavras com letras faltando e erros de semântica. foram parar em minha alma em forma de pó...... sina que não me arrependo.. agora sem medo de que alguém que me conheça – e desconheça – venha a saber disto quando me venha ler... sempre esta idéia de um sempre a incomodar.] Parei para ver o que havia feito de minha vida.. A distância atlântica onde desapareceram as memórias de minha quebrada infância. os meus olhos se apagarão e finalmente serei um marinheiro morto.. meu coração em transformação a ser mais uma pedra na praia. Eu e o lugar nenhum. Tornei-me alguém que escreve.. destino Zaragoza....... Tornei-me um poeta? Diz-me o dono do bar que os bares levo em mim.. escolhi o que noto haver escolhido... E as flores que faleceram sem jamais haverem sido vistas.? Ter de escrever!? .. E sigo tomando a cerveja.... Oh. E no dia em que eu me der conta de que minha existência passou enquanto eu esperava contemplativo na estoa.. . estar num bar. Eu não sei. Será que em algum tempo é necessário definir a maneira em como se viverá toda a vida por vir? Sinistramente percebo que em nenhum momento exato. em nenhuma estância – ou instância – determinada do tempo.. São eles e não eu.. Mas sobre antes... naquela altura irreal de minha viagem por sobre esta terra..... naqueles momentos onde se desconhece – ou se sente desconhecer – todo o significado do que representa .. Talvez não existirá.

que tipo de gente. das Ramblas.. Pessoas qye houvessem pensado sobre o sentido tosco das cidades.. comunicar.. mais que isto. Mas o que significa a minha vida... acredito. A cidade um a vive. sem tirar nem pôr... Gente como eu..... transferir este termo. * Na Barcelona de tanto Gaudi. equiparar-se com o devir e sentir-se também executor da realidade passageira do mundo. Um largo que guardava uma igrejinha. por exemplo. .. quase feia... aprumando-se para fazer realmente letras desde os espasmos confusos da mão..Foi algo gradual com um toque assustador de predestinação... um colégio de crianças paquistanesas e catalãs. A poesia matou todos os meus amores.. Eu. sobre o engraçado que é ver pequenos catalães e pequenos paquistaneses correndo juntos sob o distinto olhar dos pais..... o que quer dizer. Partir é ser para os lugares e pessoas o que a vida é para nós. E de uma maneira que sempre só pode ser impossível. E de uma maneira que só você sabe.. que ela mesmo está partindo.. por exemplo. Você que me lê. De que os poetas não podem ser amados.. Não posso não ser mais um poeta. englobando tanta coisa quanto as coisas que cabem na vida.... Olhei pro banco onde sentava e consolei-me em pensar sobre quem já havia estado alí... Talvez por isso amem tanto os poetas. o uso deste termo? So-o como um modo de tratar de algo que não sei sobre meu passado.. faz parte disto.Não? E o mais curioso é que o que agora pinto sobre o papel não adianta sem uma bizarra estrutura que tem o poder de tirar alguma coisa da tinta sobre papel..... porfim... o conteúdo impalpável – até a mim – do que quero compartilhar será sujeito de um sistema cognitivo que jamais entenderemos e. [Talvez sejam como eu... Eu sentei numa praça desconhecida..ou corpo.... que rimasse comigo. algo será extraído daquilo que agora faço com minha mente – e. mostrar ....] E é uma ocasião no mínimo desesperadora quando nos conhecemos disto.. eu gostaria que houvesse aí estado. Minha vida montou-se assim. incapazes de suportar-me. CIDADE A dor da partida é ver que a vida é uma constante partida.. me dei conta de que o tipo de mulher que gosto é exatamente .. Qualquer pessoa que neste banco também houvesse pensado sobre a simplicidade daquela praça. Escrever é querer – a menos a mim – dividir. Mesmo que minha letra cheia de emoção – agora quando escrevo -.. É difícil escrever. o tipo de mulher que é incapaz de permanecer comigo. tanto Picasso e Miró.. E perguntei-me quem. É ser este deixar de ser. sobre os nomes e famas que não têm nada que ver com lugar nenhum.. seja anexada a um alfabeto caligráfico determinado e conhecido – como agora que me lê -.

As vias da cidade apenas continuam a cidade.. metrô e ônibus.. A cidade... O exterior da cidade é seu passado. um a vive. É como se diz. .... indivisível. Não é opção.... A cidade não é cidade até que esteja simplesmente aqui... A cidade é a atmosfera onde se pisa.. Não. ela veio e pôs-se a acompanhar minha solidão contemplativa e eu a ela e a sua.... é por onde caminhamos e querendo algo distinto do caminho... A cidade é costume. O lado de fora adveio disto. é apego insconsciente.. é situação. xingar da mesma maneira. Notar que o inverno está chegando... Para ser cidade. – elas são daqui. ver isto.. é continuação... um a vive.. um a vive. o encontrar. Mas ver isto de longe. cumprimentar pela rua. O contínuo da cidade é móvel..... Se conhece pelo cheiro.. A cidade é o cansaço por estar na cidade.. como uma coisa fatídica e não como um encanto. como seguir. e eu continuei – pois não sou de aqui..... carro.. ofender-se com as mesmas coisas. apontando que têm horário e direção certa. A cidade não são as ruas e as construções... como se vê. Olhar com os olhos de quem está conhecendo.. vendo os turistas... E não reporta nada... as fotos.. rumo à cidade.. conversando naquele bar. É o ir. Mas a cidade é atual.. é cada passo que novamente a cruza. Desta vez sentou ao banco comigo uma moça. A cidade. Apesar de ser o pior banco a sentar para fumar.... o que dela fez-se. A cidade é o que fica e dela faz parte quem nela fica. A cidade é invisível. nos cemitérios e nas igrejas. no meio do Paseig des Graces.. não da vida parada e comtemplativa. Atrevessar no sinal vermelho.. A cidade. A cidade é de onde não se pode fugir.. o que se faz. Cometer os mesmos erros.... deve entranhar-se nos sapatos. aderindo. deve deixar de ser uma coisa à parte.. A cidade é o cenário da vida que segue e continua... de quem está fora... pelo atalho. um a vive.. e a levamos. Ninguém vive em Paris até que o Louvre ou o Sena sejam coisas normais e cheguem a passar desapercebidos por vezes..... reparar nos estrangeiros.. são estas pessoas que me passam correndo.. A cidade é ir pra casa pelas ruas mais calmas. o plano urbano sequer.. A cidade é o que não está dividido na distância.. o que se come e bebe.. hábito compulsório. de quem quer ter notícia. mesmo com tanto sapato.Está nos becos e nos viadutos.. Ela se foi.. É a rua pela qual baixamos todos os dias e as vezes nos perguntamos o porquê dela e de nós a baixála. Marcar um encontro em quinze minutos. moto... ter humor próprio. É comunicar-se em dialetos.. nas pequenas praças e nos monumentos. pelo bairro de gente assim ou assado... despedir-se até amanhã. pelo número do ônibus e a linha do metrô.. Ir no lugar do outro dia.... A cidade é o que cada um leva de cidade por estar na cidade. está dentro.. é única... A cidade não tem nada a ver com nada. ir ao estádio... Passar na padaria e comprar pão. é saber onde ir. A cidade... pela hora do dia.

....A cidade..... Calçadas. polícia e ambulância. Na verdade. no modo como aqui cheguei e – principalmente – na maneira em que penso. Esqueceram do sonho. pausar um pouco o redemoinho interno e juntar forças para o moínho que alimenta a todos dos seus. Emergindo-o na mandala civilizatória.. sobre os mesmos emblemas culturais. Ver com olhos de quem está aqui. Agora homens crêem que algo sabem.. sonhamos o divino.. Ter um endereço. dúbio à razão.. E do pouco que podemos ancorar nos portos do enigma. é ter um lá. erigimos idéias. Estar dançando junto... Cidade que traslada o homem do frio mar de viver por si mesmo.. Ser um dos que são dos seus.. se pensam criadores e querem ser os próprios deuses....] . É deste sub-mundo que vivemos hoje. A cidade é fuga.. Saberia Tales sobre o que fazia? Há mistério que desaparecem ao horizonte humano e seus deciframentos colocamos sob a responsabilidade do desconhecido... Fazer algo distinto de visionar a si e suas aspirações.. Como uma forma de reconhecer a inacessibilidade da verdade... A cidade é caminhar acompanhado.. lojas.. estar emparelhado.. Eclipsar-se e raiar no astro comum.. É [poder] voltar. mas manteve vivos os campos de oliva... Saberão os deuses se no passado as oliveiras também davam mais frutos e sabiam a mais alma.. ao final.... A cidade que acalma os homens. A cidade barulho.. Numa disposição metafísica para o incrível. Está em minhas roupas... saber onde está. gritos.... um a vive. É interromper-se e fixar-se... Saberão os deuses o que os golfinhos ensinaram aos homens. Dúvida e orgulho colonizaram a terra sob heréticos estandartes anunciando luz e certezas... desta estoa. [..... na roda-viva em que a humanidade constantemente recria-se........ o Olimpo e os Grandes Mitos.... [. sob a mesma perspectiva do firmamento.. o qual só entende-se com o espírito. de que a verdade é sempre um axioma oracular. velocidade. Antes..... zunido. buzina. É ser apanhado.. Saberão os deuses a razão de Apolo haver revoltado-se contra a Teogonia. Assim fomos até que coisas dexaram de ser coisas e um pseudo-universo de explicações foi feito na marginalidade do mundo.] De Mileto não restaram somente as pedras em que me sento..... partiu a barca que hoje me faz esperar na estoa. E daqui. E eu me pergunto o que doença foi essa que assolou aos de Mileto.. É não ir pra lá... recheado de não-saber... imagens e templos ao incognoscível...

..... TEMPO O tempo é a espera para que as coisas aconteçam. mortais..... com suas ruas e com gente – outra gente – por elas passeando. Sequer o mesmo deus parmanece.... uma coluna. O tempo é relativo na medida em que ansiamos a ocorrência das coisas deste mundo.... * . uma rua.. uma esquina. viajando pelas vias lácteas e novas cidades se farão pelo universo. Pedaços e vestígios acumulados por distintas bandeiras e exércitos. cada qual empilhando um pouco.. nunca existiu algo como um rio senão também dentro de nós. Como mais uma pedra.. Mas à cidade já e ainda existe aqui comigo no ônibus que acelera à cidade que vou. peles escuras e olhos claros falando a mesma língua. cidadãos. Pois à cidade é onde as coisas não permanecem... é a passagem e por isso só ela permanece. A ponte entre os sonhos do futuro e os sonhos do passado.. caminho por ruas distorcidas por minhas viagens. bares.. o tempo que falta para a realidade do que sonhamos..... vejo. O sonho é a ausência do tempo.. um cheiro ou qualquer coisa da qual constitui-se uma cidade. a terra será mais uma cidade abandonada por onde o homem passou. arrastando consigo o que há de sonho pelas cidades das cidades..... Pois a cidade é estar indo à cidade justamente. será como um reencontro entre as cidades de mim e à cidade. placas.. de seus sonhos. É mais uma estrada por onde coisas passam. pois já a tenho comigo.. O rio de Heráclito já não passa mesmo por Éfeso... para além e para cá das cidades do mundo. pronunciando a mesma verdade sobre à cidade......... não será como se eu houvesse chegado.Vou à cidade.. E à cidade se implantará em minha alma de um outro modo ianda mais forte e palpável e a levarei em meu mapa interno para mais plantas concretizar no meu sonho de cidades. No fim.. Com aparência de eterna. E por dentro de mim. E o sonho de minhas cidades vai assim construindo-se constantemente pelas viagens. Do mesmo modo em que também talvez vieram parar neste planeta para gerar homens. E quando chegar lá. Em nós guardamos as vontades – pro futuro – e o tempo é o interlúdio do sonho.... As cidades em que outros passaram e vamos nós passar.. ou muito.. E sempre sofre quem espera. becos. Mas Éfeso ainda está lá.. A outra coisa que é à cidade fora do meu sonhar cidades irá juntar-se ao casco de minha história. E as restantes partículas de pó de cidade talvez colonizarão novos astros. E somente quando ela inteira vaporizar-se – saiba lá por qual razão cosmogônica – terá então terminado a história da humanidade. esquinas...... é o essencial para que as coisas passem. E à cidade era mesmo assim.. Cidades levo comigo... Quando eu atingir o Bósfoto. E a linha do tram chega ao Haja Sofia. por isso é o tempo a dor no mundo.. gentes e luzes também fundaram-se-me em uma maneira que sonho...

guardo-os como num altar...... não guardar só para mim a cronologia e as causas daquilo que só a mim detona. ou ao menos como a minha vida: ir para onde não se sabe.. a dor daquele som que se vai acabando.. Mas o único interessante até hoje... O que foi ou é o que vale ou valeu? A vida é nada ou pouco mais do que um“valeu”bem grande. dos mundos.. Muitas vezes só vejo sentido. Tenho vontade de contar minha história. o ir.. desejar. Sofro de problemas para sentir o tempo... É estranho. do tamanho do que se é capaz de ser nostáligo ou lembrar. é a minha garantia de que minha existência não passou somente sem sentido – que é como me sinto em todo e cada presente. ordenamento ou coerência nas coisas que já se foram. É o outro lugar. As memórias se me viram mais dôces do que o foram quando não eram memórias. projetar.. Um roto mais religioso que também vive em mim... ou seja... sugerindo-me suicídios. passando.. . a única pouca coisa que vi ser digna de ser querida..... que o criamos e é relativo na medida em que o utilizamos para ver o que queremos ver do mundo. Esta mesma inferência me arremeça ao futuro... tudo se me torna mais claro. Mas nada irá ficar.... Viver é perder! Me é duro dizer. A viagem. sinto... esta tendência de tornar-se que permeia o intervalo que acessamos do tempo.... Os meus desenhos são rascunhos. fazendo-me sonhar. Talvez seja pois passei a acreditar que ele não existe... Aí muitas vezes o motor da vida me parece ser este por-vir.Uma vez mais.. relevante ou real. E são estes duas que demoram a passar ou que passam sem serem vistos.. Seja morrer como viver.. Pois ao mesmo tempo tenho uma intuição curiosa que não acredita no valor do passado. Eles me alimentam de uma impaciência para o ter-de-viver-a-vida que muitas vezes beira ao insuportável. No passado das coisas.... Os meus sentimentos e tudo o que acontece ou ocupa a vastidão de mim..... mas este instante incolor e insoço. sempre rostos. com aquela dor do som dos caminhões de estrada. neste caso. querer... Querendo ir. é ilusão – enquanto só é o que existe num aparentemente eterno e constante agora. Nada senão o que sinto. entre as quebradas imagens de meus deuses que não sei.. diz-me que tudo que não. que o vê literalmente como tempo perdido. Mas é a vida a maneira mais dura de morrer e o único motivo para que ainda não tenha terminado este lento – mas aparentemente rápido – processo é a desconfiança sobre a morte ser algo pior do que ainda não estar morto.. palavras ou não-formas destroçados por minha inata capacidade de não ver nada merecer importância.. Por isso não sou do jeito que deveria ser. A minha primeira questão é sobre o poder do hábito no status do tempo.

esta terra que é o que sempre serei. .... pois é ela a quem queremos... que o acompanhe.. O que é real? O tempo... invisíveis aos olhos das entranhas do mundo.! Repito: leis cruéis regem as almas dos homens.. não sei desta batalha e não me importa. Eu que tantas vezes falo da vida só por não entende-la..Ando pelas ruas como se estivesse sendo espiado... Mortos.. dela vive o que sonhamos. A certea e a real visão de que a vida acaba.] Mas não queria fazer de minha poesia uma interrogação.. Por isso não errou aquele poeta que disse que tudo nos vale a pena. noto.. não nasci para isto.! Fora isto. A dor que levo é a sensação de não ser daqui... mas a vida.... Sei que estou dentro..... A alma.. É só o que penso ao ir dormir... o conteúdo de meu enigma nem a mim revela-se inteiramente... o próprio chão. insone e sonâmbulo pela manhã.. O planeta dos que simplesmente vivem a vida.. E já nos valeria mais morrer que qualquer outra coisa... A revaloração da vida. Ou dos homens que sabem e sentem ter alma.. são mais outros do que eu a mim mesmo..... A sensação de que tudo vai para sempre ser como horas passando. E os outros.. Jamais e ainda não fui a Valencia e não me importa... mas não me sinto fazer parte no que realmente importa... Que desejamos e não temos... a vida e o sonho não existem. meus passos dão esta impressão. tentando acalmar-me ante a noção das irrealidades que constituem minha realidade.. uma falta do que fazer sobre o fato de estar – e pior. Ainda pouco olharam-me e disseram que eu parecia doído.... ainda querer estar – vivo.. as ruas.. vivemos. [E o jazz é como a vida pois não sabemos o que ocorrerá.. Não sou daqui. Os velhos. ouvirão? Não. Não. Mas a morte não pode ser o objetivo. pois falo. A naturalidade de ver-se como uma caça sob os olhos de um caçador que é ele mesmo... Serei eu o único desta sala a ver que nada importa e tudo é permitido? Onde estão todos? E seu gritar agora. estes que levam a incompreensível aptidão à autoexpectação.. São por esta causa meus passos e o que me espia é o que ficou da vida.. este lugar aonde nunca fui. Pois se tudo não for igual na imagem deste prisma dos valres internos e eternos. escrevo. Talvez sequer seja a Europa o problema.. há este outro sentimento de estar por fora.. de uma maneira constante que não se desfaça-se no devir. Coisa absurda!. mas numa perspectiva contrária em relação a mim. coisa que não deveria existir... que é difícil estar vivo quando só se pode viver originalmente. mas também principalmente do concenso dos que me cercam. Ao menos não desta forma... como vindo de uma tal batalha de Valencia. fora não apenas de mim.. Cercado de uma maneira que sou exterior ao cerco. ando a duas patas. as placas. que já passou....

.....A pátria estrangeira dos que domesticam-se a saber viver..... O cume da torre que é o presente.. é inútil. do inevitável de mim – que jamais pedi ou elegi.. a indiferença depois de olhar o que em vão tentou fazer parte de mim. A poesia matou meus melhores amores. Janela perpétua. O que somos.. A idéia de que mais do que tudo ser cíclico. coisa que me é verdadeiramente irreal ou distante..... O mesmo lugar – o aqui -.. mas noutra situação ou perspectiva. É desconhecido. as relações sobre as quais se solidificam as vivências são compensatoriamente iguais.. Só o que nunca será pode me fornecer paz. O que virá. os exemplos de que viver deve ser transcender. E a palavra vida não é nada mais do que o que nós já vivemos. Não brindo. O mesmo amor.. mas num outro momento e por outra pessoa... Espera.. O estranho gosto pelo difícil e a inexplicável frieza e leveza do olhar aonde meu olhar deito..... é atemporal.. a miséria e a densa floresta.. O que foi feito de nós contra o que seremos... o deserto...... A fisiologia metafísica de meus olhos. vivedores de vidas.. E só na terra do nunca ou do jamais me abandonará... Nos vemos lá... veio e vai comigo....] E não me adianta arrepender ou reclamar dos problemas que só a mim dizem respeito. [..... para o de forma alguma estar. Ninguém pediu para viver o agora. Me perderei para sempre.. Sigo bebendo. O ânimo para o impossível.. Minha eterna visão por sobre as coisas do mundo. acabou.... O presente não está em jogo.. Só o tempo dirá sobre mim.... fica detonada.... [. que morra a e à vida! [.... Só o que não se pode me encanta.. [... Só o gueto. Então.. Foi a minha visão da vida o que fez tudo perder sentido.! Eu.. A inacessibilidade......] E um brinde a vós.. A minha cidade é o lá e o meu tempo é a ausência do tempo..... Apenas o que em princípio não seria. Aquele momento que era belo por (parecer) único. sem parar para louvar nada que não seja a atitude de não esperar.] ..] Só os meus poemas compreenderão isto. E mesmo esta graça empirística da exclusividade do lado subjetivo da vida..... o mar bravo.... enquanto qualquer coisa me seja ou for........

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