EU, TEMPO, CIDADE

POEMA EM TRÊS ATOS

De Pedro Noel (2010) Contato com autor: plnnoel@gmail.com

EU
[Fiz do meu não saber desenhar meu desenho, do não saber ver minha pintura, do não saber sentir – e dizer – minha poesia e meu não saber viver se fez a minha arte.]

. Até que decidi nunca mais voltar..... . E não terei mais de escrever poesias. diria que agora nele há um pouco de dor. Para que tudo – de uma vez – se acabasse e eu conhecesse a verdade – (que descobri) – inexistente.. de amar em grandes amores. com a sensação de estar afastando-me de meu destino.. Morrerei. da opacidade do mundo e da inexistência de um lugar melhor depois. E apaixonarei as jovens perdidas. Terão inveja. esta metáfora fantástica...... quanta força de profunda unidade não geraram as guerras... do asilo e da hermitude.... Quero a todos com que topar ser inesquecível... Mas não tenho um coração. fascinante e inalcançável em mim.E continuei a caminhar naquele sentido... Quanta submissão há na comunicação... sim serei uma outra coisa selvagem e silenciosa numa outra viagem por um outro mundo [hoje desconhecido. [.. serei um deus e não restará mais nada que aproveitar da insensatez dos objetos e idéias da humanidade. Os homens me verão confuso e simples. Mas quem é que nunca sentiu-se só deparando-se com a multidão? Sou e sinto-me diferente – e isto não é vã rebeldia. O que me deixará e eu deixarei.... mas – mesmo assim – por aí continuei. fazer de meus passos o caminho que pela vida encontraria.. Vou para esquecer-me de tudo e nada em mim manter.. Fui e voltei.] Da vitória e da peculiaridade. com ainda menos sentido].. foi a falta dela – o que também é uma verdade – que o fez..... de qualquer sentido. Ou melhor.. E não irei para nenhum lugar. da morte de uns e vida de outros montou-se sempre o mundo. O sol que não surgirá amanhã será algo guardado na impossibilidade de minha existência. que a única coisa que posso – me acreditando certo – dizer é que tudo é deixar de ser. [.. fui e voltei. deveria acelerar e fomentar isto. na realidade de serem eles mesmos. sim. Foi o meu cansaço de sonhar coisas lindas. mas só deserto é o que vejo. Entrei num mar de águas profundas e – por falta de caminho – naufraguei... Ao fim. Não era exatamente o que queria...... isto que se diz ser o coração.. a lua e a galáxia que também deixarão de ser. Pensei que se o mundo é perda e ilusão. [. nada além desta bomba-relógio instalada na anatomia de meu peito.] Se eu tivesse algo como um coração. a terra. Foi a fuga da vida que fundou-se em mim de uma maneira realista. Se alimentará uma chama móvel e intocável. Mais ainda na concórdia.. A verdade fez eu deixar de ter coração.. mas de aspirações grandiosas e incompreensíveis. E isso é o que me parece o palpável em todo este jogo. As lembranças que tenho do dia de amanhã...... mas indo na direção certa.. E matar.. serei disputado pelas mulheres feitas e simplesmente amado pelas anciãs das casas.....] Homens que viram-se únicos e potentes em sua exclusividade........ São toda a força que sustém-me no vazio de sentido... medo ou idolatria por minha figura fugidia. morrerei por falta do que mais viver.. e sobrepujarem-se como quem faz o melhor a fazer-se. mas de ninguém quero lembrar.. Cercado de gente e coisas.....

. o motivo de minhas viagens que foi tragado pelos moinhos da vida ou levado a esmo dentro de garragas naufragadas... Eu não sei.... agora sem medo de que alguém que me conheça – e desconheça – venha a saber disto quando me venha ler..... O fim dos meus tempos.. Então lisonjeei o fato de naquele ponto.ou significa – algo ter significado.] Parei para ver o que havia feito de minha vida... Tudo se perdeu ou foi perdido – isto eu escutei de algum poeta afastado no vento marítimo.. Sempre este desejo de um outro lugar. alimentado pela crueldade.. o beco de saída para os labirintos metafísicos que sem passar construo nos domínios de minha cabeça seca de maresia das coisas passageiras que um dia qualquer amei ou sonhei.. escrevendo poesia.... Penso se realmente haverá o outro lado do mar....... Será que em algum tempo é necessário definir a maneira em como se viverá toda a vida por vir? Sinistramente percebo que em nenhum momento exato.. sempre esta idéia de um sempre a incomodar.. de que nunca entendi a natureza do que é viver um dia. escolhi o que noto haver escolhido.Os olhares inconsistentes e remotos que pairam em meu vagão de trem Talgo.. as vozes de quem nunca foi ouvido e o esquecimento das frases que em nenhum tempo tiveram interlocutor. A minha paixão – e nada mais que uma paixão – que evito repetir nos perdidos movimentos de meu pensamento... Tornei-me um poeta? Diz-me o dono do bar que os bares levo em mim. [Sabendo se existe algo lá fora... . Mas sobre antes... sina que não me arrependo. estar num bar.. Oh... no balcão de um bar. A sensação de que se a morte chegasse nada mudaria. a folha em branco antes de ser escrita. Talvez não existirá. E as flores que faleceram sem jamais haverem sido vistas... E no dia em que eu me der conta de que minha existência passou enquanto eu esperava contemplativo na estoa....... Mas escrever.. destino Zaragoza. em nenhuma estância – ou instância – determinada do tempo. Eu e o lugar nenhum.. pela impossibilidade das coisas. naquela altura irreal de minha viagem por sobre esta terra.. o ponto de origem aonde nascerão as ondas que vêm estourar ao meu olhar. naqueles momentos onde se desconhece – ou se sente desconhecer – todo o significado do que representa .. meu coração em transformação a ser mais uma pedra na praia. Tornei-me alguém que escreve. São eles e não eu... Desconcentrou-me a mulher que rapidamente se pousou ao meud lado para pedir mais rum à sua mistura.... A distância atlântica onde desapareceram as memórias de minha quebrada infância. os meus olhos se apagarão e finalmente serei um marinheiro morto. sobre sempre... Eu sou um grande cinzeiro lotado de palavras com letras faltando e erros de semântica.] [..? Ter de escrever!? .... noto haver assumido um pacto estranho. As fugas de mim. Minha arquitetura aquática.. foram parar em minha alma em forma de pó. E sigo tomando a cerveja. A mensagem de meu espírito que confundiu-se com mitos antigos e desaparecidos e que hoje é a cara das moedas de minha calça sem bolsos..

.. equiparar-se com o devir e sentir-se também executor da realidade passageira do mundo.. Eu... É ser este deixar de ser. Pessoas qye houvessem pensado sobre o sentido tosco das cidades. E de uma maneira que sempre só pode ser impossível. A cidade um a vive. transferir este termo. sobre o engraçado que é ver pequenos catalães e pequenos paquistaneses correndo juntos sob o distinto olhar dos pais.. seja anexada a um alfabeto caligráfico determinado e conhecido – como agora que me lê -.. algo será extraído daquilo que agora faço com minha mente – e... o conteúdo impalpável – até a mim – do que quero compartilhar será sujeito de um sistema cognitivo que jamais entenderemos e. A poesia matou todos os meus amores. [Talvez sejam como eu... incapazes de suportar-me...... porfim.. das Ramblas.. sobre os nomes e famas que não têm nada que ver com lugar nenhum...] E é uma ocasião no mínimo desesperadora quando nos conhecemos disto....Não? E o mais curioso é que o que agora pinto sobre o papel não adianta sem uma bizarra estrutura que tem o poder de tirar alguma coisa da tinta sobre papel.. De que os poetas não podem ser amados. Qualquer pessoa que neste banco também houvesse pensado sobre a simplicidade daquela praça. sem tirar nem pôr. Mas o que significa a minha vida. ..... o uso deste termo? So-o como um modo de tratar de algo que não sei sobre meu passado.. Minha vida montou-se assim. * Na Barcelona de tanto Gaudi. Você que me lê. mostrar . um colégio de crianças paquistanesas e catalãs. englobando tanta coisa quanto as coisas que cabem na vida. tanto Picasso e Miró... eu gostaria que houvesse aí estado. quase feia. CIDADE A dor da partida é ver que a vida é uma constante partida. comunicar. E perguntei-me quem. É difícil escrever..... por exemplo.. Talvez por isso amem tanto os poetas... mais que isto. Gente como eu... Mesmo que minha letra cheia de emoção – agora quando escrevo -. aprumando-se para fazer realmente letras desde os espasmos confusos da mão... Olhei pro banco onde sentava e consolei-me em pensar sobre quem já havia estado alí.. Escrever é querer – a menos a mim – dividir.. Não posso não ser mais um poeta. por exemplo..ou corpo. Partir é ser para os lugares e pessoas o que a vida é para nós.Foi algo gradual com um toque assustador de predestinação.. o tipo de mulher que é incapaz de permanecer comigo.. E de uma maneira que só você sabe. que rimasse comigo. que ela mesmo está partindo. acredito. faz parte disto. Um largo que guardava uma igrejinha..... me dei conta de que o tipo de mulher que gosto é exatamente . que tipo de gente.. o que quer dizer. Eu sentei numa praça desconhecida.

. A cidade é a atmosfera onde se pisa. A cidade é o cenário da vida que segue e continua. ir ao estádio. A cidade não é cidade até que esteja simplesmente aqui. de quem está fora..... cumprimentar pela rua..Está nos becos e nos viadutos.. Atrevessar no sinal vermelho. o plano urbano sequer.. Mas ver isto de longe. não da vida parada e comtemplativa.. ver isto. A cidade... Desta vez sentou ao banco comigo uma moça..... carro.. mesmo com tanto sapato. como uma coisa fatídica e não como um encanto... deve deixar de ser uma coisa à parte. e a levamos. no meio do Paseig des Graces... metrô e ônibus.. são estas pessoas que me passam correndo.... A cidade é o que cada um leva de cidade por estar na cidade. de quem quer ter notícia.. hábito compulsório. ela veio e pôs-se a acompanhar minha solidão contemplativa e eu a ela e a sua. e eu continuei – pois não sou de aqui.... Ninguém vive em Paris até que o Louvre ou o Sena sejam coisas normais e cheguem a passar desapercebidos por vezes.. A cidade é o que não está dividido na distância. o que dela fez-se. O contínuo da cidade é móvel... Notar que o inverno está chegando.... É comunicar-se em dialetos. como se vê. Cometer os mesmos erros.. pelo atalho.. conversando naquele bar. como seguir.. pelo bairro de gente assim ou assado.. Marcar um encontro em quinze minutos. indivisível. um a vive. A cidade não tem nada a ver com nada.. É a rua pela qual baixamos todos os dias e as vezes nos perguntamos o porquê dela e de nós a baixála. as fotos. A cidade é invisível.. Ela se foi. nos cemitérios e nas igrejas.. é única. um a vive... Passar na padaria e comprar pão. deve entranhar-se nos sapatos. o encontrar.. ter humor próprio. o que se faz. Olhar com os olhos de quem está conhecendo.. está dentro.. A cidade é ir pra casa pelas ruas mais calmas. o que se come e bebe... pelo número do ônibus e a linha do metrô.. é por onde caminhamos e querendo algo distinto do caminho. A cidade é o cansaço por estar na cidade. vendo os turistas.. Não é opção... um a vive. – elas são daqui. é cada passo que novamente a cruza. Se conhece pelo cheiro. é saber onde ir. Ir no lugar do outro dia.. A cidade.... é situação... xingar da mesma maneira... um a vive... Apesar de ser o pior banco a sentar para fumar. moto... É o ir.... A cidade não são as ruas e as construções..... nas pequenas praças e nos monumentos. O exterior da cidade é seu passado... rumo à cidade.... pela hora do dia.. despedir-se até amanhã.. A cidade é o que fica e dela faz parte quem nela fica. Para ser cidade. A cidade. O lado de fora adveio disto.. É como se diz. .. reparar nos estrangeiros... A cidade. Não. ofender-se com as mesmas coisas. Mas a cidade é atual.. E não reporta nada.. aderindo. é continuação. apontando que têm horário e direção certa. A cidade é costume..... As vias da cidade apenas continuam a cidade. A cidade é de onde não se pode fugir. é apego insconsciente.

... buzina..... Saberia Tales sobre o que fazia? Há mistério que desaparecem ao horizonte humano e seus deciframentos colocamos sob a responsabilidade do desconhecido.. lojas.. Ser um dos que são dos seus... desta estoa... Agora homens crêem que algo sabem. ao final. sob a mesma perspectiva do firmamento...... velocidade. é ter um lá... estar emparelhado. polícia e ambulância.. erigimos idéias... A cidade é fuga.. no modo como aqui cheguei e – principalmente – na maneira em que penso. É não ir pra lá. Estar dançando junto. E eu me pergunto o que doença foi essa que assolou aos de Mileto. gritos..... sobre os mesmos emblemas culturais.. Está em minhas roupas. Saberão os deuses o que os golfinhos ensinaram aos homens. o Olimpo e os Grandes Mitos. Eclipsar-se e raiar no astro comum. recheado de não-saber. Saberão os deuses a razão de Apolo haver revoltado-se contra a Teogonia. É interromper-se e fixar-se.. Cidade que traslada o homem do frio mar de viver por si mesmo..] De Mileto não restaram somente as pedras em que me sento. E do pouco que podemos ancorar nos portos do enigma.. Fazer algo distinto de visionar a si e suas aspirações... É [poder] voltar. de que a verdade é sempre um axioma oracular. um a vive. zunido... A cidade barulho. É ser apanhado... Ver com olhos de quem está aqui.. [. partiu a barca que hoje me faz esperar na estoa.... Antes. na roda-viva em que a humanidade constantemente recria-se.. Emergindo-o na mandala civilizatória... se pensam criadores e querem ser os próprios deuses. Ter um endereço...... Assim fomos até que coisas dexaram de ser coisas e um pseudo-universo de explicações foi feito na marginalidade do mundo. Calçadas. Como uma forma de reconhecer a inacessibilidade da verdade... Dúvida e orgulho colonizaram a terra sob heréticos estandartes anunciando luz e certezas.. A cidade que acalma os homens.. mas manteve vivos os campos de oliva. Esqueceram do sonho.... o qual só entende-se com o espírito. sonhamos o divino..] .......A cidade. dúbio à razão....... pausar um pouco o redemoinho interno e juntar forças para o moínho que alimenta a todos dos seus... [. E daqui. É deste sub-mundo que vivemos hoje. Na verdade.. imagens e templos ao incognoscível.... Saberão os deuses se no passado as oliveiras também davam mais frutos e sabiam a mais alma. saber onde está. Numa disposição metafísica para o incrível. A cidade é caminhar acompanhado.

Cidades levo comigo.. Mas Éfeso ainda está lá. O sonho é a ausência do tempo. As cidades em que outros passaram e vamos nós passar..... viajando pelas vias lácteas e novas cidades se farão pelo universo.... A outra coisa que é à cidade fora do meu sonhar cidades irá juntar-se ao casco de minha história.. gentes e luzes também fundaram-se-me em uma maneira que sonho.. E sempre sofre quem espera...... placas. a terra será mais uma cidade abandonada por onde o homem passou. pronunciando a mesma verdade sobre à cidade. * . peles escuras e olhos claros falando a mesma língua.. bares. cada qual empilhando um pouco.. ou muito. uma rua. Sequer o mesmo deus parmanece..... caminho por ruas distorcidas por minhas viagens. E a linha do tram chega ao Haja Sofia.. E à cidade se implantará em minha alma de um outro modo ianda mais forte e palpável e a levarei em meu mapa interno para mais plantas concretizar no meu sonho de cidades. A ponte entre os sonhos do futuro e os sonhos do passado. por isso é o tempo a dor no mundo. No fim. E as restantes partículas de pó de cidade talvez colonizarão novos astros... E à cidade era mesmo assim. Pois à cidade é onde as coisas não permanecem. E quando chegar lá. pois já a tenho comigo.. será como um reencontro entre as cidades de mim e à cidade.... Como mais uma pedra. para além e para cá das cidades do mundo.... um cheiro ou qualquer coisa da qual constitui-se uma cidade. esquinas. o tempo que falta para a realidade do que sonhamos.. é a passagem e por isso só ela permanece. Quando eu atingir o Bósfoto. becos.... Em nós guardamos as vontades – pro futuro – e o tempo é o interlúdio do sonho. uma coluna. com suas ruas e com gente – outra gente – por elas passeando. E o sonho de minhas cidades vai assim construindo-se constantemente pelas viagens. Pois a cidade é estar indo à cidade justamente...... nunca existiu algo como um rio senão também dentro de nós... O rio de Heráclito já não passa mesmo por Éfeso. TEMPO O tempo é a espera para que as coisas aconteçam... O tempo é relativo na medida em que ansiamos a ocorrência das coisas deste mundo. Com aparência de eterna. Pedaços e vestígios acumulados por distintas bandeiras e exércitos... Mas à cidade já e ainda existe aqui comigo no ônibus que acelera à cidade que vou.. não será como se eu houvesse chegado. E somente quando ela inteira vaporizar-se – saiba lá por qual razão cosmogônica – terá então terminado a história da humanidade....... vejo. é o essencial para que as coisas passem.. E por dentro de mim... mortais... uma esquina..Vou à cidade.. arrastando consigo o que há de sonho pelas cidades das cidades. de seus sonhos. cidadãos. Do mesmo modo em que também talvez vieram parar neste planeta para gerar homens... É mais uma estrada por onde coisas passam.

.. O que foi ou é o que vale ou valeu? A vida é nada ou pouco mais do que um“valeu”bem grande. ou ao menos como a minha vida: ir para onde não se sabe.. Pois ao mesmo tempo tenho uma intuição curiosa que não acredita no valor do passado.... passando. o ir. palavras ou não-formas destroçados por minha inata capacidade de não ver nada merecer importância..... Mas é a vida a maneira mais dura de morrer e o único motivo para que ainda não tenha terminado este lento – mas aparentemente rápido – processo é a desconfiança sobre a morte ser algo pior do que ainda não estar morto. Mas nada irá ficar. querer......... é ilusão – enquanto só é o que existe num aparentemente eterno e constante agora. com aquela dor do som dos caminhões de estrada.. E são estes duas que demoram a passar ou que passam sem serem vistos. mas este instante incolor e insoço. Mas o único interessante até hoje.. É estranho. guardo-os como num altar... não guardar só para mim a cronologia e as causas daquilo que só a mim detona... que o criamos e é relativo na medida em que o utilizamos para ver o que queremos ver do mundo.. Viver é perder! Me é duro dizer. neste caso... Os meus desenhos são rascunhos... Muitas vezes só vejo sentido. Os meus sentimentos e tudo o que acontece ou ocupa a vastidão de mim.. Um roto mais religioso que também vive em mim.. fazendo-me sonhar. Tenho vontade de contar minha história. Por isso não sou do jeito que deveria ser.. entre as quebradas imagens de meus deuses que não sei.. A viagem.. ordenamento ou coerência nas coisas que já se foram.. A minha primeira questão é sobre o poder do hábito no status do tempo. sugerindo-me suicídios. . No passado das coisas. desejar. Querendo ir.Uma vez mais. Seja morrer como viver.... Esta mesma inferência me arremeça ao futuro. esta tendência de tornar-se que permeia o intervalo que acessamos do tempo. Nada senão o que sinto.. Talvez seja pois passei a acreditar que ele não existe... sempre rostos. relevante ou real... Aí muitas vezes o motor da vida me parece ser este por-vir.. Sofro de problemas para sentir o tempo.. dos mundos.. diz-me que tudo que não. é a minha garantia de que minha existência não passou somente sem sentido – que é como me sinto em todo e cada presente. sinto. do tamanho do que se é capaz de ser nostáligo ou lembrar. que o vê literalmente como tempo perdido. a única pouca coisa que vi ser digna de ser querida. As memórias se me viram mais dôces do que o foram quando não eram memórias. projetar. tudo se me torna mais claro.. Eles me alimentam de uma impaciência para o ter-de-viver-a-vida que muitas vezes beira ao insuportável.... É o outro lugar. a dor daquele som que se vai acabando. ou seja.

.. Ou dos homens que sabem e sentem ter alma. A alma. O que é real? O tempo. O planeta dos que simplesmente vivem a vida. há este outro sentimento de estar por fora.. invisíveis aos olhos das entranhas do mundo... ouvirão? Não. dela vive o que sonhamos... Coisa absurda!.. A dor que levo é a sensação de não ser daqui. são mais outros do que eu a mim mesmo.. Por isso não errou aquele poeta que disse que tudo nos vale a pena. [E o jazz é como a vida pois não sabemos o que ocorrerá.. meus passos dão esta impressão... pois falo. como vindo de uma tal batalha de Valencia. ando a duas patas. A certea e a real visão de que a vida acaba... Os velhos. o próprio chão.. Serei eu o único desta sala a ver que nada importa e tudo é permitido? Onde estão todos? E seu gritar agora. Sei que estou dentro.. Não. mas a vida.... A revaloração da vida. Que desejamos e não temos....! Fora isto...] Mas não queria fazer de minha poesia uma interrogação.. A sensação de que tudo vai para sempre ser como horas passando.. Cercado de uma maneira que sou exterior ao cerco.Ando pelas ruas como se estivesse sendo espiado. Talvez sequer seja a Europa o problema. Não sou daqui.. o conteúdo de meu enigma nem a mim revela-se inteiramente. estes que levam a incompreensível aptidão à autoexpectação..... mas não me sinto fazer parte no que realmente importa.. esta terra que é o que sempre serei. É só o que penso ao ir dormir.. Jamais e ainda não fui a Valencia e não me importa. não nasci para isto. uma falta do que fazer sobre o fato de estar – e pior. Ao menos não desta forma. Mortos. coisa que não deveria existir.. as placas.! Repito: leis cruéis regem as almas dos homens....... Ainda pouco olharam-me e disseram que eu parecia doído. A naturalidade de ver-se como uma caça sob os olhos de um caçador que é ele mesmo... Mas a morte não pode ser o objetivo...... as ruas.. insone e sonâmbulo pela manhã.. escrevo. este lugar aonde nunca fui. vivemos.. mas numa perspectiva contrária em relação a mim...... que o acompanhe. Pois se tudo não for igual na imagem deste prisma dos valres internos e eternos.. . que é difícil estar vivo quando só se pode viver originalmente. de uma maneira constante que não se desfaça-se no devir.. a vida e o sonho não existem.. E já nos valeria mais morrer que qualquer outra coisa.. Eu que tantas vezes falo da vida só por não entende-la. noto.. fora não apenas de mim.. não sei desta batalha e não me importa. ainda querer estar – vivo.... mas também principalmente do concenso dos que me cercam. pois é ela a quem queremos. tentando acalmar-me ante a noção das irrealidades que constituem minha realidade... São por esta causa meus passos e o que me espia é o que ficou da vida. que já passou. E os outros.

O mesmo amor.. Não brindo.. Aquele momento que era belo por (parecer) único.. É desconhecido.. é inútil. mas num outro momento e por outra pessoa. A inacessibilidade..A pátria estrangeira dos que domesticam-se a saber viver.. mas noutra situação ou perspectiva.. O cume da torre que é o presente...] E um brinde a vós........ A fisiologia metafísica de meus olhos.. A idéia de que mais do que tudo ser cíclico. O que foi feito de nós contra o que seremos..... O que somos.. as relações sobre as quais se solidificam as vivências são compensatoriamente iguais. é atemporal. Foi a minha visão da vida o que fez tudo perder sentido. Janela perpétua. a miséria e a densa floresta... Então. sem parar para louvar nada que não seja a atitude de não esperar... vivedores de vidas.. [. A poesia matou meus melhores amores.......] E não me adianta arrepender ou reclamar dos problemas que só a mim dizem respeito....] Só os meus poemas compreenderão isto...... O ânimo para o impossível..... a indiferença depois de olhar o que em vão tentou fazer parte de mim. [. Só o tempo dirá sobre mim. para o de forma alguma estar. Só o que nunca será pode me fornecer paz.] . que morra a e à vida! [.. coisa que me é verdadeiramente irreal ou distante.. Minha eterna visão por sobre as coisas do mundo.. Apenas o que em princípio não seria..... E só na terra do nunca ou do jamais me abandonará... Só o gueto. O que virá... Espera... O estranho gosto pelo difícil e a inexplicável frieza e leveza do olhar aonde meu olhar deito.. Nos vemos lá.. veio e vai comigo.... os exemplos de que viver deve ser transcender. o mar bravo. A minha cidade é o lá e o meu tempo é a ausência do tempo.... do inevitável de mim – que jamais pedi ou elegi.. enquanto qualquer coisa me seja ou for... O presente não está em jogo.. Só o que não se pode me encanta. E a palavra vida não é nada mais do que o que nós já vivemos.. o deserto. E mesmo esta graça empirística da exclusividade do lado subjetivo da vida... fica detonada. O mesmo lugar – o aqui -. [........ Ninguém pediu para viver o agora..........! Eu. Me perderei para sempre. Sigo bebendo.. acabou...