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VISÃO GERAL DA ESCOLA CLÁSSICA

Duas revoluções: uma relativamente madura e a outra apenas no inicio,


foram especialmente significativas para o pensamento econômico clássico.

1-A revolução cientifica. Em 1687:


O impacto de Newton pode ser percebido nas ideias da escola clássica. De
acordo com os Clássicos, as instituições feudais remanescentes e os
controles restritivos do mercantilismo não Eram mais necessários. Para
eles, a ciência newtoniana fez surgir uma natureza tão verdadeira quanto à
vontade de Deus, anteriormente. Se a vontade divina tivesse criado um
mecanismo que funcionasse harmoniosa e automaticamente sem
interferência, o laissez-faire seria a forma mais alta de sabedoria nas
questões sociais. As leis naturais guiariam o sistema econômico e as ações
das pessoas.

1-A Revolução Industrial. Em 1776, a Revolução Industrial estava apenas


começando, mas se intensificou durante o período em que os economistas
clássicos mais recentes escreveram. Eles estavam cientes do crescimento
substancial da manufatura, do comercio e das invenções, além da divisão
do trabalho. Muitas práticas mercantilistas estavam acabando com o
surgimento da atividade comercial que se espalhava em todas as direções.

PRINCIPAIS DOGMAS DA ESCOLA CLÁSSICA

A doutrina clássica é geralmente chamada de liberalismo econômico. Suas


bases são liberdade pessoal, propriedade privada, iniciativa individual,
empresa privada e interferência mínima do governo.

Envolvimento mínimo do governo. O primeiro princípio da escola clássica


era que o melhor governo governa o mínimo. As forças do mercado livre e
competitivo guiariam a produção, a troca e a distribuição.
Comportamento econômico de auto-interesse. Os economistas clássicos
supunham que o comportamento de auto-interesse básico para a natureza
humana.
Harmonia de interesses. Com exceção importante de Ricardo, os clássicos
enfatizavam a harmonia natural de interesses em uma economia de
mercado. Ao correr atrás de seus interesses individuais, as pessoas
atendiam aos melhores interesses da sociedade.
Importância de todos os recursos e atividades econômicas. Os clássicos
assinalavam que todos os recursos econômicos como as atividades
econômicas contribuíam para a riqueza de uma nação.
Leis econômicas. A escola clássica deu grandes contribuições para a
economia ao concentrar a analise em teorias econômicas.
QUEM A ESCOLA CLÁSSICA BENEFICIOU OU PROCUROU
BENEFICIAR?

No longo prazo, a economia clássica atendeu a toda a sociedade porque a


aplicação de suas teorias promovia o acumulo de capital e o crescimento
econômico. Ela dava respeitabilidade aos empresários, em um mundo que
anteriormente tinha direcionado as honras e a renda para a nobreza e os
abastados. Os mercadores e os industriais obtiveram
um novo status e dignidade, como promotores da riqueza da nação, e os
empresários estavam seguros de que, ao procurar o lucro, estavam
atendendo a sociedade.

COMO A ESCOLA CLÁSSICA FOI VÁLIDA, ÚTIL OU CORRETA EM


SUA ÉPOCA?

A economia clássica racionalizava as praticas em que estava envolvida ao


transformar as pessoas em empreendedores. A concorrência era um
fenômeno crescente, e a confiança nela como a grande reguladora da
economia era um ponto de vista sustentável. Quando a industrialização
estava começando, a maior necessidade da sociedade era concentrar
recursos na máxima expansão possível da produção. A projeção do setor
privado em relação ao setor público serviu a esse objetivo admiravelmente.
Como os consumidores eram geralmente pobres e as oportunidades de
investimento eram aparentemente ilimitadas, os capitalistas tinham um
forte incentivo para reinvestir uma parte substancial de seus lucros.

QUAIS DOGMAS DA ESCOLA CLÁSSICA SE TORNARAM


CONTRIBUIÇÕES DURADOURAS?

Os dogmas que se tornaram contribuições duradouras incluem, mas não se


limitam: (1) à lei de rendimentos decrescentes, (2) a lei da vantagem
comparativa, (3) a noção de soberania do consumidor, (4) a importância do
acumulo de capital para o crescimento econômico e (5) ao mercado como
um mecanismo para reconciliar os interesses dos indivíduos com os
interesses da sociedade.

\u201cExemplos incluem a lei da vantagem comparativa, a lei de


rendimentos cada vez menores, a teoria da população de Malthus, a lei dos
mercados (lei de Saw), a teoria da renda de Ricardo, a teoria quantitativa da
moeda e a teoria do valor-trabalho. Os clássicos acreditavam que as leis da
economia são universais e imutáveis\u201d.
THOMAS MALTHUS:

Thomas Robert Malthus foi um economista britânico. É considerado o pai


da demografia por sua teoria para o controle do aumento populacional,
conhecida como malthusianismo.
Economista inglês que elaborou uma teoria que afirmava que a população
iria crescer tanto que seria impossível produzir alimentos suficientes para
alimentar o grande número de pessoas no planeta. Dentre suas obras, a
principal foi o Princípio da População.

Para Malthus, a produção de alimentos crescia de forma aritmética,


enquanto o crescimento populacional crescia de forma alarmante. Para ele,
o mundo deveria sim ter doenças, guerras, epidemias, ele também propôs
uma política de controle de natalidade para que houvesse um equilíbrio
entre produção de alimentos e população.

Teoria Neomalthusiana

A partir da segunda metade do século XX, principalmente na década de 60,


houve uma explosão demográfica, esse crescimento populacional deu início
novamente às ideias de Malthus, mas com uma adaptação concernente às
condições históricas, ficou denominada de Teoria Neomalthusiana, essa
teoria atenta-se para o crescimento populacional decorrente dos países
subdesenvolvidos, tal crescimento provocaria a escassez dos recursos
naturais, além do agravamento da pobreza e do desemprego.

Para evitar esses contratempos, os neomalthusianos propuseram políticas


efetivas de controle de natalidade que foram denominadas de
“planejamento familiar”. Até mesmo as instituições financeiras como
BANCO MUNDIAL e FMI tem exigido o cumprimento de políticas de
controle de natalidade.

Frase célebre de Thomas Malthus:

“Parece ser uma das leis inevitáveis da natureza que alguns seres humanos
sofrem de pobreza. Estas são as pessoas que, na grande loteria da vida,
fracassaram. População, quando não controlada, cresce em razão
geométrica. Recursos de subsistência, crescem em progressão aritmética.”
Teoria Neomalthusiana

A partir da segunda metade do século XX, principalmente na década de


60, houve uma explosão demográfica, esse crescimento populacional deu
início novamente às ideias de Malthus, mas com uma adaptação
concernente às condições históricas, ficou denominada de Teoria
Neomalthusiana, essa teoria atenta-se para o crescimento populacional
decorrente dos países subdesenvolvidos, tal crescimento provocaria a
escassez dos recursos naturais, além do agravamento da pobreza e do
desemprego.
Para evitar esses contratempos, os neomalthusianos propuseram políticas
efetivas de controle de natalidade que foram denominadas de
“planejamento familiar”. Até mesmo as instituições financeiras como
BANCO MUNDIAL e FMI tem exigido o cumprimento de políticas de
controle de natalidade.

PAUL SAMUELSON
(1915 - 2009)

Mais do que qualquer outro economista, Paul Samuelson elevou o nível


de análise matemática na profissão. Até o final dos anos 1930, quando
Samuelson começou sue impressionante e constante fluxo de artigos, a
economia era tipicamente entendida em termos de explicações verbais e
modelos diagramáticas. Samuelson escreveu seu primeiro artigo publicado,
"Uma nota sobre a Medição do Utility", como um estudante de doutorado
de vinte e um anos de idade, em Harvard. Ele introduziu o conceito de
"preferência revelada" em um artigo de 1938. Seu objetivo era ser capaz de
dizer, observando as escolhas do consumidor se ele ou ela estava melhor
depois de uma mudança nos preços e, de fato, Samuelson determinadas as
circunstâncias em que se pode contar. O consumidor revelado por escolhas
suas preferências, daí o termo "preferências reveladas".
Paul Samuelson
Opus magnum de Samuelson, que fez mais do que qualquer outro livro
único de espalhar a revolução matemática em economia, é Fundamentos da
Análise Econômica. Baseado em sua Ph.D. Harvard dissertação, este livro
mostra como praticamente todo o comportamento econômico pode ser
entendido como maximizar ou minimizar sujeito a uma restrição. John R.
Hicks fez algo semelhante em seu livro de 1939,Valor e Capital. Mas
enquanto Hicks relegado a “matemática para apêndices”. Samuelson,
“escreveu o ex-aluno Samuelson Stanley Fischer,” ostenta o seu no texto. "
técnicas matemáticas” de Samuelson trouxe um novo rigor à economia.
Como companheiro ganhador do Prêmio Nobel Robert Lucas colocá-lo ",
Ele vai levar esses debates verbais incompreensíveis que vão sobre e sobre
e nunca terminam e só acabar com elas, formular a questão de tal forma
que a questão é responsável, em seguida, obter a resposta . "
Samuelson está entre os últimos generalistas ser incrivelmente produtivo
em um número de campos em economia. Ele contribuiu com ideias
fundamentais na teoria do consumidor e da economia do bem-estar, o
comércio internacional, a teoria de finanças, teoria do capital, a dinâmica e
equilíbrio geral, e macroeconomia.
Economista sueco Bertil Ohlin tinha argumentado que o comércio
internacional tende a igualar os preços dos fatores de produção. O comércio
entre a Índia e os Estados Unidos, por exemplo, iria diminuir os
diferenciais de taxa de salário entre os dois países. Samuelson, usando
ferramentas matemáticas, mostrou às condições sob as quais os diferenciais
seriam levados à zero. O teorema que provou é chamado o preço fator de
equalização teorema.
Na teoria de finanças, que ele assumiu em cinquenta anos, Samuelson fez
parte do trabalho inicial, que mostrou que os preços futuros devidamente
previstos devem variar de forma aleatória. Samuelson também fez um
trabalho pioneiro na teoria do capital, mas suas contribuições são
demasiado complexas para descrever em apenas algumas frases.
Os economistas tinham acreditado por muito tempo que existem bens que
o setor privado não pode fornecer por causa da dificuldade de cobrar
aqueles que se beneficiam deles. Nacional de defesa é um dos melhores
exemplos de uma tão boa. Samuelson, em um artigo de 1954, foi o
primeiro a tentar uma definição rigorosa de um bem público.
Na macroeconomia Samuelson demonstrou como combinar a teoria
acelerador do investimento com o modelo de determinação da renda
keynesiano explica a natureza cíclica dos ciclos de negócios . Ele também
introduziu o conceito de síntese neoclássica a síntese dos antigos
neoclássicos microeconomia e os novos (em 1950) a macroeconomia
keynesiana. De acordo com Samuelson, a intervenção governamental
através de políticas fiscais e monetárias é necessária para alcançar o pleno
emprego. O pleno emprego no mercado funciona bem, exceto no
fornecimento de bens públicos e lidar com problemas de externalidades .
James Tobin chamou a síntese neoclássica uma das maiores contribuições
de Samuelson para a economia.
Em Programação Linear e Análise Econômica Samuelson e coautores
Robert Dorfman e Robert Solow aplicadas técnicas de optimização para a
teoria e a teoria do crescimento de preços, integrando, assim, estes campos
previamente segregados.
Um escritor prolífico, Samuelson tem uma média de quase um
documento técnico por mês para mais de cinquenta anos. Alguns 338 de
seus artigos estão contidos nos cinco volumes recolhidos Trabalhos
Científicos (1966-1986). Ele também revisou seu livro imensamente
popular, Economia, cerca de três em três anos, desde 1948, que foi
traduzido para muitas línguas. Samuelson disse uma vez: "Que aqueles que
vão escrever as leis da nação, se eu posso escrever seus livros."
Em 1970, Paul Samuelson tornou-se o primeiro americano a receber o
Prêmio Nobel de Economia. Foi premiado "para o trabalho científico
através do qual ele desenvolveu a teoria econômica estática e dinâmica e
contribuiu ativamente para o aumento do nível de análise na ciência
econômica."
Samuelson começou a ensinar no Instituto de Tecnologia de
Massachusetts, em 1940, com a idade de vinte e seis anos, tornando-se
professor titularem seis anos depois. Ele permanece lá, no momento da
redação deste texto (2006). Além de ser homenageado com o Prêmio
Nobel, Samuelson também ganhou a John Bates Clark Award em 1947,
concedidos para o trabalho mais marcante por um economista com menos
de quarenta anos de idade. Ele foi presidente da American Economic
Association, em 1961.
Samuelson nasceu em Gary, Indiana. Aos dezesseis anos, matriculou-se
na Universidade de Chicago, onde estudou com Frank Knight , Jacob Viner
, e outros grandes nomes, e ao lado de companheiros de brotamento
economistas Milton Friedman e George Stigler , que foram, então,
estudantes de graduação. Samuelson passou a fazer o seu trabalho de pós-
graduação na Universidade de Harvard.
Samuelson, como Friedman tinha uma coluna regular na revista
Newsweek 1966-1981. Mas ao contrário de Friedman, ele não o fez e não
tem uma crença apaixonada em mercados-livres ou para essa matéria na
intervenção do governo nos mercados. Seu prazer parecia vir de
fornecimento de novas provas, demonstrando requinte técnico, e virando
uma frase inteligente.
Se Samuelson disse uma vez: "Uma vez perguntei ao meu amigo o
estatístico Harold Freeman," Harold, se o diabo veio para você com o
negócio que, em troca de sua alma imortal, ele lhe daria um teorema
brilhante, você faria isso? ' "Não", ele respondeu: 'mas eu faria para uma
desigualdade. Gosto dessa resposta. "

Joseph Schumpeter
(1883 - 1950)

Um dos mais importantes economistas do século XX, Joseph Alois


Schumpeter nasceu em Triesch, no dia 8 de fevereiro de 1883, e faleceu em
Taconic, EUA, em 8 de janeiro de 1950. Na época, a cidade de Triesch era
território do Império Austro-Hungaro, região da atual República Tcheca.
Joseph Schumpeter
Schumpeter em 1901, ingressou na faculdade de Viena para estudar
Direito, formou-se em 1906, e advogou no Tribunal Internacional do Cairo.
Em 1909, na Universidade de Czernovitz, começou a lecionar antropologia.
Em 1912, ficou famoso ao defender a “teoria do desenvolvimento
econômico”. Em 1919, tornou-se Ministro das Finanças da República
Austríaca. Presidiu o banco Bidermannbank de Viena, que viria a falir em
1924.
Voltou a trabalhar como professor entre os anos de 1925 a 1932, na
Universidade de Bonn, Alemanha. Abandonou a Alemanha para fugir do
nazismo, instalando-se em Cambridge, cidade de Massachusetts, EUA.
Em Cambridge, passou a lecionar na Universidade de Harvard até o dia
de sua morte. Era considerado um grande professor e pensador sobre a
economia, em seu trabalho buscou integrar a sociologia aos estudos
econômicos, lançando as ideias a respeito de ciclos econômicos e
de desenvolvimento econômico.
Segundo Schumpeter, toda inovação causa desequilíbrio ao mercado, e
esta inovação, não somente atrelada a um produto, pode estar inserida num
novo processo de produção.
Economia neoclássica ou marginalista

Economia neoclássica é uma expressão genérica utilizada para designar


diversas correntes do pensamento econômico que estudam a formação
dos preços, a produçãoe a distribuição da renda através do mecanismo
de oferta e demanda dos mercados. Essas correntes surgem no fim
do século XIX e século XX, com o austríaco Carl Menger (1840-1921),
o inglês William Stanley Jevons (1835-1882), o suíço Léon Walras (1834-
1910) dentre outros autores liberais menos importantes. Posteriormente,
destacaram-se o inglês Alfred Marshall (1842-1924), o sueco Knut
Wicksell (1851-1926), o italiano Vilfredo Pareto (1848-1923) e
o estadunidense Irving Fisher (1867-1947).
A palavra neo-classical ('neoclássico') foi introduzida por Thorstein
Veblen em 1900[1] para designar os autores que integraram a
chamada revolução marginalista, iniciada por Stanley Jevons e a escola
austríaca (Léon Walras não é citado). Veblen inclui nessa categoria Alfred
Marshall e os austríacos, principalmente.

Grupos e influências[

Os neoclássicos podem ser divididos em diferentes grupos, como a escola


Walrasiana, a escola de Chicago e a escola austríaca. Os
modelos macroeconômicos são influenciados pelo pensamento keynesiano,
através da adoção de postulados sobre rigidez de curto prazo.
Comumente são adotadas as hipóteses de maximização de funções
utilidade em função da renda ou dos custos de indivíduos ou firmas, dados
os fatores de produção e as informações disponíveis sobre o mercado.
A hipótese de maximização da utilidade pressupõe cálculos econômicos e
está ligada à corrente marginalista, nascida no fim do século XIX. Dos três
fundadores do marginalismo - Léon Walras, Carl Menger e William
Stanley Jevons - o primeiro foi quem exerceu maior influência sobre a
escola neoclássica atual.
A influência clássica, por sua vez, dá-se através da presença
de microfundamentos. O estado da arte da macroeconomia neoclássica,
entretanto, baseia-se no desenvolvimento
de modelos dinâmicos estocásticos de equilíbrio geral (DSGE).
Das várias críticas em relação à economia neoclássica, muitas são
absorvidas pela própria teoria, de acordo com o evoluir da percepção sobre
o problema econômico. Essa evolução levará os economistas austríacos a
se afastarem cada vez mais da escola neoclássica, aprofundando suas
diferenças em relação às outras correntes marginalistas.
A partir dos anos 1930, após os trabalhos de John Hicks, a
corrente walrasiana assume importância crescente e incorpora uma parte
das ideias keynesianas, através da chamada síntese neoclássica, que é
considerada atualmente como a vertente dominante no ensino de
economia.[2] Para E. Roy Weintraub[3], se a escola neoclássica representa a
ortodoxia e é ensinada nas maiores universidades, isso se deve à sua
capacidade de "matematizar" e "cientificizar" a economia, bem como de
fornecer indicações para a escolha da conduta a seguir.
À pergunta "quem não é neoclássico?", pode-se responder:[3]

 os economistas marxistasos pós-keynesianos


 a escola austríaca e algumas correntes da nova economia
institucional ou do institucionalismo.

CARL MENGER

Carl Menger (Neu-Sandez, 23 de fevereiro de 1840 — Viena, 26 de


fevereiro de 1921) foi um economista austríaco, fundador da escola
austríaca. Desenvolveu uma teoria subjetiva do valor, a teoria da utilidade
marginal, ligando-a à satisfação dos desejos humanos.
Para ele, as trocas ocorrem porque os indivíduos tem avaliações subjetivas
diferentes de uma mesma mercadoria: toda a atividade econômica resulta
simplesmente da conduta dos indivíduos e deve ser analisada a partir do
consumo final, como uma pirâmide invertida.
Definição de valor para Menger: um bem tem valor pois satisfaz uma
necessidade, sendo que esse valor deriva da necessidade que não seria
satisfeita caso não tivéssemos o bem. Valor é diferente de preço (que é
determinado pelo mercado, dependendo assim, da concorrência e
informação).
Sua teoria da utilidade foi também desenvolvida, na mesma época (1871) e
independentemente, por Jevons, mas foram Menger e seus
discípulos Böhm-Bawerk e von Wieser que melhor a exploraram.
Menger foi professor de economia política na Universidade de
Viena de 1873 a 1903. Sua obra mais importante, na qual desenvolveu sua
teoria da utilidade marginal, é Die Grundsatze der Volkswirtschaftslehre de
1871. Também deixou contribuições no campo da teoria monetária e
da metodologia das ciências humanas.
Uma das principais inspirações dos trabalhos de Hayek sobre ordem
espontânea estão presentes em Carl Menger, especificamente em seu
livro Investigations into the Methods of the Social Sciences. Segundo
Menger:
“O direito, a linguagem, o Estado, a moeda, o mercado, todas essas
estruturas sociais, em suas várias formas empíricas e em suas mudanças
constantes, são, em grande extensão, o resultado não intencional do
desenvolvimento social."
"Nós somos aqui confrontados com o aparecimento de instituições sociais
que, em grande medida, servem o bem-estar da sociedade. De fato, elas são
muito frequentemente de importância vital para ela e ainda não são o
resultado da atividade social comunal. É aqui que encontramos um
problema significativo, talvez o mais significativo, das ciências sociais:
Como é possível que instituições que servem o bem-estar comum e são
extremamente importantes para seu avanço podem surgir sem uma vontade
comum visando sua criação?” ]
Quanto a sua posição política, Yukihiro Ikeda diz que “Menger era um
protagonista moderado do liberalismo econômico, o que faz dele um
estranho no ninho entre os últimos protagonistas da Escola Austríaca de
Economia, tais como Ludwig von Mises e Friedrich Hayek.”
Já Hayek dizia que “Na realidade, ele tendia ao conservadorismo ou
ao liberalismo do velho tipo. Ele tinha certa simpatia pelo movimento de
reforma social, mas o entusiasmo social nunca iria interferir em seu frio
raciocínio.”
Menger, em seus escritos, demonstrou certa tendência conservadora em seu
pensamento, citando positivamente autores como Burke ou Savigny por
compreenderem a importância das instituições orgânicas da vida social.
Quanto à política econômica, Menger se baseou bastante em Adam Smith,
mas reconhecia que a ideia de que ele defendia uma posição 'laissez-faire' é
um mito. O austríaco compreendia a necessidade da competição e de um
amplo escopo para a manifestação da livre ação individual, mas também
defendia a possibilidade de atuação do Estado em setores como
infraestrutura, educação e meio ambiente. Ele também defendia taxação
progressiva e leis de proteção ao trabalhador.
Menger brevemente ecoa a crítica de Hayek, exposta em seu
artigo Economics and Knowledge, de que a economia teórica não pode ser
considerada totalmente a priori. Segundo Hayek, a priori era a lógica da
escolha individual, mas quando passamos para a interação entre várias
pessoas, cada uma possuindo uma quantidade finita e particular de
conhecimento, entra em consideração não apenas a lógica da escolha, mas
também o fato de se as pessoas aprendem e como aprender. Só assim
podemos falar que o mercado tende ou não ao equilíbrio, por exemplo; e só
assim pode haver um tratamento adequado de fenômenos como
competição. Menger, em uma crítica parecida, diz:
“Mesmo se os homens econômicos sempre e em todo lugar se deixassem
ser guiados exclusivamente pelo auto-interesse, a estrita regularidade dos
fenômenos econômicos teria, contudo, de ser considerada impossível, por
causa do fato dado pela experiência de que em numerosos casos eles estão
errados sobre seu interesse econômico, ou ignorantes sobre as condições
econômicas… A pressuposição de uma estrita regularidade dos fenômenos
econômicos, e, com isso, de uma economia teórica no múltiplo significado
do termo, não é apenas o dogma do auto-interesse sempre constante, mas
também o dogma da “infalibilidade” e “onisciência” dos seres humanos
nas questões econômicas.”

William Stanley Jevons (Liverpool, 1 de setembro de 1835 — Bexhill, 13


de agosto de 1882) foi um economista britânico.
Foi um dos fundadores da Economia Neoclássica e formulador da teoria da
utilidade marginal, que imprimiu novo rumo ao pensamento econômico
mundial, especialmente no que se refere à questão da determinação do
valor, solucionando o paradoxo utilidade na determinação dos valores das
coisas (por que o pão, tão útil, é barato, e o brilhante, quase inútil, é caro?)
que até então confundia os economistas.
Inicialmente estudou química e botânica, e depois lógica e economia
no University College de Londres onde assumiria a cadeira de economia
política na University College, até se aposentar (1880) e tornou-se
conhecido pela originalidade de suas teorias.
Brilhante escritor, e que teve ampla influência, sua obra capital foi Theory
of Political Economy (1871), livro de importância relevante na história do
pensamento econômico, em que expôs de forma definitiva a teoria
da utilidade marginal, desenvolvida paralelamente por Carl
Menger em Viena e Léon Walras na França.
Outros livros importantes seus foram A Serious Fall in the Value of
Gold (1863), Jevons lançou The Coal Question (1865). Outros escritos
foram reunidos no livro póstumo Investigations on Currency and
Finance (1884), em que examina o problema das flutuações econômicas.
Defendia o uso da economia matemática, pois a economia lidava com
quantidades e formulou a equação de trocas, que estabelecia a igualdade
entre a utilidade marginal do item consumido e seu preço.[carece de fontes]
Estudou as relações entre as necessidades materiais e o estímulo ao
trabalho, tendo chegado a conclusões que - embora hoje pareçam curiosas -
estavam alinhadas com o mainstream do pensamento econômico liberal e
dos marginalistas de sua época:
É evidente que problemas desse tipo dependem muito da índole ou
da raça. Pessoas de temperamento enérgico acham o trabalho
menos penoso que seus camaradas e, se elas são dotadas de
sensibilidade variada e profunda, nunca cessa seu desejo por novas
aquisições. Um homem de raça inferior, um negro, por exemplo,
aprecia menos as posses e detesta mais o trabalho; seus esforços
portanto, param logo.[1]
Morreu em Bexhill, Inglaterra, com apenas 47 anos, vítima de um
afogamento acidental. Tinha, também, conhecimentos práticos
de Física, Metalurgia e Meteorologia e deixou inacabados um ensaio
sobre religião e ciência, um estudo sobre a filosofia de John Stuart
Mill e a obra Principles of Economy.

LEÓN WALRAS
Marie-Ésprit-Léon Walras (Évreux, 16 de Dezembro de 1834 —
Clarens, 5 de Janeiro de 1910) foi um economista e matemático francês,
conhecido como o criador da Teoria do Equilíbrio Geral. Também
descreveu o processo de tâtonnement ("tateio", do verbo "tatear", em
português), segundo o qual determinado mercado pode atingir o equilíbrio,
tendo em conta que o equilíbrio geral, conforme delimitado pela
matemática, pode não ser possível.

Biografia[editar | editar código-fonte]


Théorie mathématique de la richesse sociale, 1883
É considerado como um dos fundadores daquela que ficou posteriormente
conhecida - sob a direção de seu discípulo italiano, o economista e
sociólogo Vilfredo Pareto - como a Escola de Lausanne de Economia,
também chamada Escola Matemática. Foi considerado por Joseph
Schumpeter como “o maior de todo os economistas”.
Walras foi um dos três líderes da chamada “revolução marginalista”, ao
lado do austríaco Carl Menger (1840-1921) e do britânico William Stanley
Jevons (1835-1882), apesar de seu mais notável trabalho, Elements
d'économie politique pure (em português, Elementos da Economia Política
Pura), de 1874, ter sido publicado três anos após a disseminação das ideias
marginalistas dos dois anteriores.
Walras defendia a livre iniciativa como instrumento para alcançar a justiça
social e a justificava matematicamente, unindo as teorias de produção,
troca, moeda e capital. Estavam lançadas as bases da teoria marginalista -
ideal que continuaria defendendo em outras obras como Études d'économie
appliquée (1898) - seguida pelo grupo de economistas da Escola de
Lausanne, dentre os quais, além de Pareto, já citado, Joseph Schumpeter
e Irving Fisher.
Sofrendo de graves problemas mentais, Léon Walras morreu internado em
um hospício de Clarens, Suíça, no ano de 1910.
Era filho do economista Auguste Walras.

ALFRED MARSHALL
Marshall cresceu no subúrbio londrino de Clapham e foi educado na
Merchant Taylor's School onde demonstrou aptidão para a matemática.
Apesar de ter demonstrado interesse em tornar-se ministro da Igreja
anglicana, sua trajetória bem sucedida na Universidade de Cambridge o
levou a tomar a decisão de seguir uma carreira acadêmica. Tornou-se
professor em 1868, especializando-se em economia política. Ele desejava
melhorar o rigor matemático da teoria econômica e transformá-la numa
disciplina mais científica. No anos 1870, ele escreveu um pequeno número
de trabalhos sobre o comércio internacional e os problemas do
protecionismo. Em 1879, muitos destes textos foram compilados em uma
obra intitulada A Teoria Pura do Comércio Exterior e A Teoria Pura dos
Valores Domésticos (The Pure Theory of Foreign Trade: The Pure Theory
of Domestic Values). No mesmo ano, publicou em conjunto com sua
mulher, Mary Payley Marshall, a Economia da Indústria (The Economics
of Industry).
Em Cambridge, Alfred fora professor de economia política de Mary
Payley, uma das primeiras mulheres inglesas a alcançar o grau
universitário. Os dois casaram-se em 1877, forçando Marshall a abandonar
seu posto em Cambridge em razão das regras daquela universidade sobre o
celibato. Ele tornou-se diretor do University College, em Bristol,
lecionando novamente sobre economia política. Aperfeiçoou seu Economia
da Indústria e o publicou em 1879 como um manual para uso dos
estudantes de economia; sua aparência simples apioava-se sobre
fundamentos teóricos sofisticados. Marshall alcançou certa fama com seu
trabalho e, após a morte de William Jevons em 1881, tornou-se o mais
influente economista britânico de seu tempo.
Em dezembro de 1884, após a morte de Henry Fawcett, Marshall retornou
a Cambridge, como professor de economia política. Ali, ele procurou criar
um novo tripos para a economia, o que só conseguiu em 1903. Até então, a
economia era ensinada sob os triposes de Ciências Morais e Históricas, que
não propiciavam a Marshall o tipo de estudante - ativo e especializado -
que ele desejava.
Marshall começou a trabalhar em sua obra seminal, os Princípios de
Economia (Principles of Economics), em 1881 e consumiu boa parte da
década seguinte trabalhando em seu tratado. O seu plano para a obra
gradualmente se estendeu para uma compilação em dois volumes de todo o
pensamento econômico; o primeiro volume foi publicado em 1890 sendo
aclamado mundialmente, o que o colocou entre os principais economistas
de seu tempo.
Nas duas décadas seguintes, ele trabalhou para completar o segundo
volume dos Princípios, que deveria tratar do comércio internacional,
do dinheiro, das flutuações comerciais, dos impostos e do coletivismo. Mas
sua atenção obstinada aos detalhes e seu perfeccionismo o impediram de
dar conta do fôlego da obra. O segundo volume nunca foi completado e
muitas outras obras de menor vulto nas quais ele começara a trabalhar - por
exemplo, um memorando sobre política comercial para o ministro inglês
das finanças (o Chancellor of the Exchequer) na década de 1890 - foram
deixadas incompletas pela mesma razão.
Seus problemas de saúde foram se agravando gradualmente a partir dos
anos 1880. Em 1908 ele se aposentou da universidade. Ele esperava
continuar trabalhando em seus Princípios, mas sua saúde continuou a
deteriorar e o projeto continuou a crescer a cada nova investigação. A
explosão da Primeira Guerra Mundial em 1914 o impeliu a revisar suas
análises da economia internacional. Em 1919, aos 77 anos de idade, ele
publicou Indústria e Comércio (Industry and Trade). Esta obra era um
tratado mais empírico que os Princípios e, por esta razão, não alcançou
tantos elogios de economistas teóricos quanto aquele. Em 1923, ele
publicou Moeda, Crédito e Comércio (Money, Credit, and Commerce) um
amplo amálgama de ideias econômicas anteriores, inéditas ou já
publicadas, estendendo-se a quase meio século.
Marshall faleceu em sua casa, Balliol Croft, em Cambridge (Inglaterra) aos
81 anos de idade.
De 1890 a 1924 ele foi o fundador respeitado da profissão econômica. Seus
alunos em Cambridge tornaram-se figuras proeminentes na economia,
como John Maynard Keynes e Arthur Cecil Pigou. Seu mais importante
legado foi criar para os futuros economistas uma profissão respeitada,
acadêmica e científica, dando o tom daquela área pelo restante do século
XX.

Contribuições teóricas[
A economia de Marshall pode ser entendida como uma continuação do
trabalho de John Stuart Mill, Adam Smith, e David Ricardo. Ele minimizou
a importância da contribuição de outros economistas a sua obra, tais
como Vilfredo Pareto e Jules Dupuit, e só com relutância reconheceu a
influência de William Stanley Jevons.
O método de Marshall, o qual influenciou boa parte dos economistas
ingleses posteriores, consistia em utilizar a Matemática aplicada como
meio de investigação e análise de fenômenos econômicos, e o raciocínio
lógico e as aplicações práticas (isto é, a aplicação a partir de fatos reais)
como meio de exposição desses mesmos fenômenos. Assim, considera-se
que seu método analítico-matemático foi uma de suas maiores
contribuições para a moderna Ciência Econômica.
A introdução do elemento tempo, por Marshall, na teoria
econômica conseguiu unir as duas mais fortes e antônimas teorias, de sua
época, sobre o valor.
Segundo a Economia Política Clássica, o valor é agregado pelo trabalho no
processo de produção; é, por conseguinte, o custo de produção. Por outro
lado, a Escola Marginalista entendia o valor de uma mercadoria através da
capacidade da mesma em satisfazer necessidades humanas, sendo definida
pela utilidade marginal.
Com a introdução do fator tempo, na distinção entre longos períodos e
curtos períodos, Marshall conseguiu determinar a importância tanto
do custo de produção (para longos períodos) como da utilidade
marginal (para curtos períodos), na formação do valor das mercadorias.
O debate de distritos industriais é lançado pelo autor no final do século
XIX mostrando as vantagens que, sobretudo, as pequenas empresas têm
quando se aglomeram em um território onde ocorre, devido à cooperação,
economias internas e externas

Knut Wicksell

Johan Gustaf Knut Wicksell (Estocolmo, 20 de dezembro de 1851 —


Stocksund, Danderyd, 3 de maio de 1926) foi um economista sueco.
Knut Wicksell usou o conceito "natural" a fim de explicar o equilíbrio de
longo prazo da taxa de juros. Em seu trabalho Interest and Prices, Wicksell
escreveu sua versão da teoria quantitativa da moeda, com uma visão
particular a respeito dos efeitos indiretos da oferta da moeda nos preços.
Desenvolveu também a teoria da produtividade marginal, que afirma que o
preço de cada fator de produção deve se igualar a produtividade marginal.
Wicksell também afirmou que uma alocação eficiente de recursos não
garantiria uma distribuição justa, pois apenas tomaria a forma de uma
injusta e preexistente alocação de renda.
As teorias de Wicksell sobre os preços e quantidades colaboraram
decisivamente para a macroeconomia desenvolvida na Escola de
Estocolmo. Wicksell pode também ser considerado um malthusiano, pois
defendia o uso do controle da natalidade.
O seu valor como teórico evidenciou-se na sua teoria da produtividade
marginal, formulada como síntese das correspondentes teorias
de Jevons e Menger e da teoria do capital de Böhm-Bawerk, numa
estrutura walrasiana de equilíbrio geral. Trabalhou também na teoria do
capital e do juro e distinguiu-se na teoria monetária, sua maior contribuição
para a análise económica.

Wilfried Fritz Pareto nasceu na França, de pais italianos da Ligúria; sua


família detinha o título de nobreza desde o início do século XVIII. Seu avô,
Giovanni Benedetto Pareto, foi nomeado barão do império por Napoleão
Bonaparte em 1811. Seu pai recebeu asilo em Paris devido às suas
ideias republicanas e antipiemontesas. Lá se casou com Marie Méténier.
Em 1867 a família de Pareto voltou à Itália, onde este concluiu os estudos
secundários clássicos e estudos científicos na Universidade Politécnica de
Turim.
Durante o período de 1874 a 1892 viveu em Florença, tendo
sido engenheiro ferroviário e diretor-geral das estradas de ferro italianas.
Nesta época também participou da Sociedade Adam Smith em Florença e
junto a esta em manifestações contra o socialismo de estado, o
protecionismo e o militarismo do governo italiano. Era adepto, na época,
da democracia e do liberalismo. Em 1882 foi candidato ao cargo
de deputado, sem sucesso.
Em 1889 casou com Alessandra Bakunin.
Entre 1892 e 1894 publicou estudos sobre os princípios fundamentais da
economia pura, entre outros pontos da teoria econômica. Em 1892, após
contato com L. Walras, este o indicou para tomar seu lugar na cadeira
de economia política da Universidade de Lausanne. Em 1893 assumiria o
cargo.
Em 1897 executou um estudo sobre a distribuição de renda. Através deste
estudo, percebeu-se que a distribuição de riqueza não se dava de maneira
uniforme, havendo grande concentração de riqueza (80%) nas mãos de uma
pequena parcela da população (20%).
Depois de separar-se de Alessandra Bakunin em 1901, passou a viver com
Jeanne Régis em 1902.
A partir de 1907, por motivos de doença, passou a reduzir, pouco a pouco,
seu trabalho como professor.
Manteve relações amistosas com Benito Mussolini, a quem conheceu
quando este era um agitador socialista refugiado na Suíça e frequentou as
aulas do economista. Pareto considerava Mussolini "um grande estadista" e
em outubro de 1922, em telegrama enviado da Suíça, no qual escreveu
"agora ou nunca", encorajou-o a lançar a Marcha sobre Roma e tomar o
poder. A importância dele para o fascismo era equivalente a do Karl
Marx para o socialismo científico. [5] Em 1923 Vilfredo Pareto foi
nomeado senador do Reino de Itália. Publicou então dois artigos, nos quais
se aproximou do fascismo, recomendando aos adeptos desta ideologia uma
atitude liberal.

Teorias
Economia[
Pareto introduziu o conceito de ótimo de Pareto e ajudou o
desenvolvimento da microeconomia com a ideia de curva de indiferença.
A partir de então, tal princípio de análise, conhecido com Lei de Pareto,
tem sido estendido a outras áreas e atividades, tais como a industrial e
a comercial, sendo mais amplamente aplicado a partir da segunda metade
do século XX.
Ver artigo principal: Eficiência de Pareto

Sociologia[
Na sociologia, Pareto contribuiu para a elevação desta disciplina ao estatuto
de ciência. Sua recusa em atribuir um caráter utilitário à ciência, mas antes
apontar para sua busca pela verdade independentemente de sua utilidade, o
faz distinguir como objeto da sociologia as ações não lógicas,
diferentemente do objeto da economia como sendo as ações lógicas.
A utilidade é o objeto das ações, enquanto que o da ciência é a verdade ao
que Pareto se propõe a estudar de forma lógica ações não lógicas, que,
segundo ele, são as mais comuns entre os seres humanos. O homem para
Vilfredo Pareto não é um ser racional, mas um ser que raciocina tão
somente. Frequentemente este homem tenta atribuir justificativas
pretensamente lógicas para suas ações ilógicas deixando-se levar pelos
sentimentos.
A relação entre ciência e ação para Pareto se dá diretamente com as ações
lógicas, uma vez que estas, ao se definirem pela coincidência entre a
relação objetiva e subjetiva entre meios e fins (tal relação é verdadeira
tanto objetivamente, constatada pelos fatos, quanto subjetivamente,
presente na consciência humana, que conhece os fatos), está pautada pelo
conhecimento das regularidades entre uma causa X e um efeito Y. No
entanto, a ciência é limitada, ela conhece parte dos fatos e está em
constante desenvolvimento, por isso, as ações baseadas nos conhecimentos
produzidos por ela serem raras sendo mais frequentes as ações não lógicas,
que não conhecem a verdade dos fatos, mas que são baseadas nas intuições
e emoções dos indivíduos e grupos.
Há, mesmo assim, probabilidades de sucesso nestas ações: aqueles que
agem motivados por um ideal podem produzir efeitos objetivos na
realidade, ainda que no curso de sua ação tenham que modificá-la para
adaptá-la às circunstâncias até então desconhecidas.
É preciso, no entanto, ressaltar que a ciência não pode resolver os
problemas impostos pela ação. Aquela não pode indicar quais os melhores
fins para esta, pode somente indicar os meios mais eficazes para atingi-los
uma vez escolhidos. A ciência, portanto, não se propõe a efetuar juízos de
valor a respeito das ações individuais ou da organização social, não poderá
solucionar seus problemas. Poderá sim criticá-los enquanto não lógicos, ou
seja, pautados numa relação falsa, não objetiva, entre meios e fins. Karl
Popper o considerou o "teórico do fascismo".

IRVING FISHER
Irving Fisher

Irving Fisher

Conhecido(a) Equação de Fisher


por Equação de trocas
Índice Preço
Dívida-deflação
Curva de Phillips
Ilusão monetária
Teorema de separação
de Fisher

Nascimento 27 de
fevereiro de 1867
Nova Iorque, Estados
Unidos

Morte 29 de
abril de 1947 (80 anos)
Nova Iorque, Estados
Unidos

Nacionalidade Estados Unidos

Alma mater Universidade Yale

Prêmios Gibbs Lecture (1929)

Campo(s) Economia matemática

Irving Fisher (27 de fevereiro de 1867 — 29 de abril de 1947) foi


um economista nascido nos Estados Unidos e eugenista, e um dos
primeiros economistas neoclássicos, apesar de seu último trabalho
sobre deflação da dívida ser muitas vezes considerado como pertence
da escola pós-keynesiana. Fisher foi talvez a primeira celebridade
economista, mas sua reputação durante a vida foi irreparavalmente
prejudicada por suas afirmações, um pouco antes da Terça-Feira Negra,
dizendo que o mercado de ações havia alcançado um "patamar
permanentemente alto". Sua subsequente teoria da dívida-deflação como
uma explicação para a Grande Depressão foi largamente ignorada em favor
do trabalho de John Maynard Keynes. Sua reputação se recuperou
na economia neoclássica, principalmente depois que sua obra foi
popularizada, no final da década de 1950, e sobretudo em razão de um
crescente interesse sobre deflação da dívida, durante a crise econômica de
2008-2011.
Fisher realizou importantes contribuições à teoria da utilidade[4] e sua obra
sobre a teoria quantitativa da moeda inaugurou a escola do pensamento
econômico conhecida como "monetarismo".] Milton Friedman chamou
Fisher de "o maior economista que os Estados Unidos já
produziram". Alguns conceitos homenageados a Fisher incluem a equação
de Fisher, a hipótese de Fisher, o efeito internacional de Fisher e o teorema
de separação de Fisher.
início da idade adulta
Fisher nasceu em Saugerties, Nova Iorque, Estados Unidos. Seu pai era um
professor e um ministro congregassional, que levou seu filho a acreditar
que ele deveria ser um membro útil da sociedade. Como uma criança, ele
possuía notável habilidade matemática e um talento para a invenção. Uma
semana depois de ele ter sido admitido na Universidade Yale, seu pai
morreu com 53 anos. Irving passou a sustentar sua mãe, irmão e ele
próprio, principalmente através da tutoria. Ele se formou em 1888 e era um
membro da Skull and Bones.
Carreira[editar | editar código-fonte]
A melhor matéria de Fisher era a matemática, mas a economia se encaixava
melhor com suas preocupações sociais. Em sua tese de doutorado,
combinando ambas as matérias, ele escreveu sobre economia matemática.
Irving recebeu o primeiro PhD de Yale, em economia, em 1891. Seus
conselheiros eram o físico Willard Gibbs e o economista William Graham
Sumner. Fisher não percebeu, no início, que já havia uma literatura
europeia substancial sobre economia matemática. No entanto, sua tese
deixou uma contribuição que os acadêmicos europeus tais como Francis
Ysidro Edgeworth reconheceram como de primeira linha. Para ilustrar e
complementar os argumentos em sua tese, Fisher construiu uma máquina
de bombas e alavancas. Apesar de seus livros e artigos sobre tópicos
econômicos exibirem um grau incomum de sofisticação matemática para a
época, Fisher sempre desejou trazer sua análise à vida e apresentar suas
teorias com a maior lucidez possível. Após se formar em Yale, Fisher
estudou em Berlim e Paris. De 1890 em seguida, ele estava em Yale como
um tutor, tornando-se um professor de economia política em 1898 e
professor emérito em 1935.
Fisher editou o Yale Review de 1896 a 1910 e era ativo em muitas
sociedades científicas, institutos e organizações de bem-estar social. Ele foi
um pioneiro da econometria em seu desenvolvimento histórico. Entre seus
interesses especiais estavam a temperança, eugenia, saúde pública e paz
mundial. Ele ganhou um prêmio da Sociedade Médica de Nova Iorque pela
invençao de uma tenda para o tratamento de vítimas da tuberculose. Ele
apoiou intensamente a proibição na década de 1920.
Teoria[
Tobin (1985) argumenta que os avanços intelectuais que marcam a
revolução neoclássica na análise econômica ocorreram na Europa por volta
de 1870. As duas décadas seguintes testemunharam animados debates nos
quais a nova teoria foi mais ou menos absorvida na tradição clássica que a
precedeu e provocou.[9]
A pesquisa de Fisher na teoria básica não tocou os grandes assuntos sociais
da época. A economia monetária, por outro lado, tocou, e isto tornou-se o
foco principal da obra de Fisher. Appreciation and interest de Fisher era
uma análise abstrata do comportamento das taxas de juros quando o nível
de preço está mudando. Ele enfatizava a distinção entre as taxas reais e
monetárias de juros que eram fundamentais para a análise moderna da
inflação. Apesar de Fisher acreditar que os investidores e poupadores em
geral eram aflingidos em vários graus pela "ilusão do dinheiro", eles não
conseguiam ver o dinheiro passar para os bens que ele poderia comprar.
Em um mundo ideal, as mudanças no nível de preços não teriam efeito na
produção e no emprego. Já no mundo real, com a ilusão monetária, a
inflação (e a deflação) são prejudiciais.
Final da vida
Fisher era um escritor prolífico, escrevendo peças jornalísticas bem como
livros técnicos e artigos, abordando os problemas da Primeira Guerra
Mundial, a próspera década de 1920 e a depressão dos anos 1930. Ele
morreu na cidade de Nova Iorque em 1947, com a idade de 80 anos.
Dinheiro e o nível de preços
A teoria de Fisher sobre o nível de preços era a seguinte variante da teoria
quantitativa da moeda. Considera-se M=estoque de moeda, P=nível de
preços, T=volume de transações realizadas com dinheiro, e V=a velocidade
de circulação do dinheiro. Fisher então propôs que essas variáveis são
inter-relacionadas pela equação de troca:
MV=PT.
Economistas posteriores substituíram o T pelo y ou "Q", produto real,
quase sempre medido pelo PIB real.
Fisher também foi o primeiro economista a distinguir claramente entre
taxas reais e nominais de juros:

onde r é a taxa real de juros, i é a taxa nominal de juros e a inflação


é uma medida do aumento no nível de preços. Quando a inflação é
suficientemente baixa, a taxa real de juros pode ser aproximada
como a taxa nominal de juros menos a taxa de inflação esperada. A
equação resultante é conhecida como a equação de Fisher, em sua
homenagem.
Por mais de quarenta anos, Fisher elaborou sua visão da prejudicial
"dança do dólar" e montou esquemas para "estabilizar" a moeda, ou
seja, estabilizar o nível de preços. Ele foi um dos primeiros a tratar
de dados macroeconômicos, incluindo o estoque de moeda, taxas de
juros e nível de preços, com uma análise estatística. Na década de
1920, ele introduziu a técnica mais tarde conhecida como distributed
lags. Em 1973, o Journal of Political Economy reimprimiu seu
artigo de 1926 sobre a relação estatística
entre desemprego e inflação, reentitulando-o como "Eu descobri
a curva de Phillips" (I discovered the Phillips curve). Os números-
índices exerceram um papel importante em sua teoria monetária, e
seu livro The Making of Index Numbers permanece influente mesmo
nos dias de hoje.
A teoria dos juros e do capital
Theory of interest as determined by impatience to spend income and
opportunity to invest it, 1930
Apesar da maior parte da energia de Fisher ter ido para as causas
sociais e empreendimentos, e a melhor parte de seu esforço
científico ter sido devotado para a economia monetária, ele é mais
lembrado pela economia neoclássica por sua teoria do juros e do
capital, estudos de um mundo ideal do qual o mundo real desviava.
Seu trabalho intelectual mais duradouro foi sua teoria
do capital, investimento e taxa de juro, exposta pela primeira vez
em The Nature of Capital and Income (1906) e elaborada em The
Rate of Interest (1907). Seu tratado de 1930, The Theory of Interest,
organizou a obra de toda sua vida sobre capital, orçamento de
capital, mercado de títulos e os determinantes das taxa de juros,
incluindo a taxa de inflação.
Fisher achava que o valor econômico subjetivo não é apenas uma
função de quantidades de bens e serviços possuídos ou trocados mas
também do momento no tempo no qual eles são comprados. Um
bem disponível agora possui um valor diferente do que o mesmo
bem disponível em uma data futura. O valor possui uma dimensão
do tempo, além da dimensão da quantidade. O preço relativo dos
bens disponíveis em uma data futura, em termos de bens
sacrificados hoje, é medido pela taxa de juros. Fisher utilizou
livremente os diagramas padrãos usados para ensinar economia na
graduação, mas os eixos eram rotulados de "consumo hoje" e
"consumo no próximo período", ao invés de, por exemplo, "maçãs"
e "laranjas". A teoria resultante, de considerável poder e
discernimento, foi exposta com bastantes detalhes em The Theory of
Interest.
Esta teoria, generalizada para o caso de K bens e N períodos
(incluindo o caso de infinitos períodos) tornou-se uma teoria padrão
do capital e do juros, que é descrita em Gravelle e Rees (2004)
e Aliprantis, Brown & Burkinshaw (1988). Esse avanço teórico foi
explicado em Hirshleifer (1958).
Deflação da dívida
Seguindo a quebra da bolsa de valores de 1929 e a Grande
Depressão, Fisher desenvolveu uma teoria da crise
econômica chamada de dívida-deflação, que atribuía as crises ao
estouro de uma bolha especulativa.
De acordo com a teoria da dívida-deflação, uma sequência de efeitos
do estouro da bolha ocorre:

1. Liquidação da dívida e venda por desespero.


2. Contração da oferta monetária pois os empréstimos bancários
são pagos.
3. Uma queda no nível dos preços dos ativos.
4. Uma queda ainda maior no patrimônio líquido das empresas,
precipitando falências.
5. Uma queda nos lucros.
6. Uma redução no produto, no comércio e no emprego.
7. Pessimismo e perda de confiança.
8. Acumulação de dinheiro.
9. Uma queda nas taxas de juros nominais e um aumento da taxa
de juros ajustada pela deflação.
Esta teoria foi ignorada em favor da escola keynesiana, parcialmente
devido ao prejuízo à reputação de Fisher de sua atitude otimista
antes da crise, mas experimentou um renascimento do interesse
ortodoxo desde a década de 1980, especificamente desde a crise
econômica de 2008-2011, e hoje é uma teoria central com a qual ele
é popularmente associado.
Quebra da bolsa de 1929[editar | editar código-fonte]
A Terça-Feira Negra (29 de outubro de 1929) e a posterior Grande
Depressão custaram a Fisher grande parte de sua riqueza pessoal e
reputação acadêmica. Ele era conhecido por ter previsto, três dias
antes do crash, que "os preços das ações alcançaram o que parece
ser um patamar permanentemente alto". Fisher dissera, em 21 de
outubro, que o mercado estava "apenas balançando para fora a horda
de lunáticos" e continuou explicando por que sentia que os preços
ainda não haviam alcançado seu valor real e deveriam subir ainda
mais. Em 23 de outubro, ele havia anunciado, em uma reunião de
banqueiros, que "os valores dos títulos na maioria dos casos não
estavam inflacionados". Nos meses seguintes à quebra da Bolsa de
Nova York, ele continuou a assegurar aos investidores que uma
recuperação estava prestes a acontecer. Uma vez que a Grande
Depressão estava em pleno curso, alertou que a drástica deflação era
a causa das insolvências em cascata, assolando a economia dos
Estados Unidos, pois a deflação havia aumentado o valor real das
dívidas fixadas em dólares. Fisher estava tão desacreditado por seus
pronunciamentos de 1929 e pelo fracasso de uma firma que havia
iniciado, que poucas pessoas tiveram notícia da sua análise da
"dívida-deflação" na depressão. As pessoas, em vez disso, voltaram-
se ansiosamente para as ideias de Keynes. O cenário da dívida-
deflação de Fisher somente passou a receber atenção a partir da
década de 1980.

Tributação construtiva da renda


Lawrence Lokken, professor de direito da University of Miami
School credita [11] o livro de 1942 de Fisher pelo conceito por trás
da Unlimited Savings Accumulation Tax, uma reforma introduzida
no Senado dos Estados Unidos em 1995 pelo Senador Pete
Domenici, ex-Senador Sam Nunn, e Senador Bob Kerrey. O
conceito era de que o gasto desnecessário (que é difícil de definir no
direito) pode ser tributado pelos impostos na renda menos todos os
investimentos e poupanças líquidas, e menos um subsídio para as
compras essenciais, assim tornando os fundos disponíveis para
investimento.

Ideias pessoais
O público leigo talvez conheça Fisher mais por sua campanha pela
saúde e pela eugenia. Em 1898, ele descobriu ter tuberculose, a
doença que matou seu pai. Após três anos em sanatórios, Fisher
retornou ao trabalho com ainda mais energia e com uma segunda
vocação como um ativista da saúde. Ele defendeu
o vegetarianismo e os exercícios físicos, evitando carne vermelha e
escrevendo How to Live: Rules for Healthful Living Based on
Modern Science, um campeão de vendas nos Estados Unidos.
Em 1912, ele também se tornou um membro do conselho científico
da Eugenics Record Office e serviu como secretário da American
Eugenics Society.
Fisher também foi um forte crente na hoje ridicularizada pela teoria
da "sepse focal" do físico Henry Cotton, que acreditava que
os transtornos mentais era atribuídos a materiais infecciosos que
residiam nas raízes dos dentes, reentrâncias dos intestinos, e outros
lugares no corpo humano, sendo que a remoção cirúrgica desse
material infeccioso curaria a desordem mental do paciente. Fisher
acreditava nessas teorias tão profundamente que, quando sua
filha Margaret Fisher foi diagnosticada com esquizofrenia, ela teve
inúmeras seções de seu intestino e seu cólon removidos no hospital
do Dr. Cotton, posteriormente resultando na morte de sua filha.[12]
Fisher também foi um defensor fervoroso da proibição do álcool nos
Estados Unidos, e escreveu três livros pequenos argumentando que a
proibição justificava-se por razões de saúde pública e higiene, bem
como de produtividade e eficiência econômica, e deveria portanto
ser rigorosamente aplicada pelo governo dos Estados Unidos.[13]

Von BAWERK
Eugen Böhm Ritter von Bawerk, conhecido como Eugen von Böhm-
Bawerk (Brno, Morávia, 12 de fevereiro de 1851[1] — Viena, 27 de
agosto de 1914) foi um economista austríaco que fez importantes
contribuições para o desenvolvimento da chamada Escola Austríaca de
Economia.
Nascido Eugen Böhm, seu nome foi mudado para Eugen Böhm Ritter von
Bawerk, em 1854, quando seu pai foi elevado a cavaleiro (Ritter,
em alemão). Entretanto, normalmente assinava Eugen von Böhm-Bawerk
ou Eugen Böhm-Bawerk. Estudou direito na Universidade de Viena, onde
leu o livro Princípios de Economia, de Carl Menger. Embora nunca tenha
sido aluno de Menger, ele rapidamente tornou-se um partidário de suas
teorias. Joseph Schumpeter disse que Böhm-Bawerk "era tão
completamente entusiasmado discípulo de Menger que dificilmente é
necessário procurar outras influências". Durante o período na Universidade
de Viena, Böhm-Bawerk tornou-se amigo de Friedrich von Wieser, quem
mais tarde foi também seu cunhado.
Após completar seus estudos, entrou no ministério das finanças austríaco.
Böhm-Bawerk passou boa parte da década de 1880 na Universidade de
Innsbruck (1881-1889). Durante esse tempo publicou os primeiros dois (em
um total de três) volumes de sua magnum opus, Capital e Juro (Capital
and Interest). Em 1889 foi chamado a Viena pelo ministério das finanças
para esboçar uma proposta para a reforma tributária. O sistema austríaco
naquele momento tributava de forma pesada a produção, especialmente
durante a guerra, fornecendo desincentivos maciços ao investimento. A
proposta de Böhm-Bawerk sugeria um moderno imposto de renda, o qual
foi logo aprovado e teve grande sucesso nos anos seguintes.
Então tornou-se ministro das finanças austríaco em 1895. Serviu
brevemente, e novamente em uma outra ocasião, embora uma terceira vez
ele tenha permanecido no cargo de 1900 até 1904. Como ministro das
finanças ele lutou continuamente pela estrita manutenção do padrão
ouro legalmente fixado e um orçamento equilibrado. Em 1902 ele eliminou
o subsídio ao açúcar, o qual tinha sido uma característica do Império
Austríaco por quase dois séculos. Renunciou finalmente em 1904, quando
as crescentes demandas fiscais do exército ameaçaram desequilibrar o
orçamento.
Ele escreveu extensivas críticas ao pensamento econômico de Karl
Marx nas décadas de 1880 e 1890, e vários proeminentes marxistas —
incluindo Rudolf Hilferding— estiveram em seu seminário em 1905-06.
Ele voltou a lecionar em 1904, com uma cadeira na Universidade de Viena.
Ele ensinou muitos estudantes, entre eles Joseph Schumpeter, Ludwig von
Mises e Henryk Grossman. Böhm-Bawerk morreu em 1914.

Thorstein Bunde Veblen

Thorstein Bunde Veblen (30 de julho de 1857 - 3 de agosto de 1929) foi


um economista e sociólogo estadunidense, filho de imigrantes noruegueses.
Veblen se formou em Filosofia pela Universidade Johns Hopkins e
doutorou-se por Yale. Sem poder encontrar trabalho como professor,
matriculou-se de novo na Universidade de Cornell, onde conheceu James
Laurence Laughlin, que o convidou a entrar para o Departamento de
Economia da Universidade de Chicago.
Em 1919, Veblen foi um dos fundadores da New School for Social
Research.
Sua obra mais famosa é The Theory of the Leisure Class, na qual Veblen
analisou a estrutura econômica de sua época desde a ótica do darwinismo, e
criticou a ostentação das classes mais favorecidas. Por sua ênfase nos usos
e costumes sociais como fenômenos explicativos da atividade econômica,
ele é considerado o fundador da economia institucional do pensamento
econômico.

A Economia Institucionalista[editar | editar código-fonte]


Veblen é considerado o fundador da escola institucionalista de economia,
ao lado de John Commons e de Wesley Mitchell. A economia
institucionalista nasceu nos Estados Unidos na virada do século XIX para
o século XX, com o ímpeto de oferecer uma teoria alternativa às escolas de
economia que a precederam, nomeadamente as baseadas nas
doutrinas clássica, marxista, historicista alemã e neoclássica. O que pode
ser destacado como âmago da abordagem institucionalista de Veblen é a
proposição de uma abordagem evolucionária da economia, fruto da
influência direta do trabalho de Charles Darwin.
Thorstein Veblen propôs um sistema de ciência econômica que teria por
mote uma análise não-teleológica, o que ele considerava o principal
problema da ciência econômica como praticada no seu tempo. Para tal ele
buscou conceitos tanto na biologia evolutiva de Darwin, como
na psicologia dos instintos de William James, esta última uma teoria muito
em voga no final do século XIX.
A economia de Thorstein Veblen é chamada de institucionalista em razão
da grande ênfase que o autor de A Teoria da Classe Ociosa coloca sobre o
que ele chamou de instituições. Na economia vebleniana, instituições são
hábitos, rotinas de conduta bastante arraigadas num determinado momento
histórico. Assim, por exemplo, a existência de uma classe de indivíduos
que se abstêm do trabalho produtivo, a "classe ociosa", é uma instituição.
Outros exemplos de instituições são a propriedade absenteísta, ou seja, o
hábito, bastante presente na economia capitalista, de o dono do negócio não
ser exatamente quem cuida pessoalmente dele; a financeirização da
riqueza, isto é, a representação do equipamento produtivo da sociedade
através de "papéis"; e a emulação, que talvez seja o mais importante no
livro A Teoria da Classe Ociosa, que diz respeito ao hábito dos indivíduos
de se compararem uns com os outros invejosamente, ou melhor, o desejo
das pessoas de serem reconhecidas como melhores que os outros
indivíduos.
Obras principais

 The Theory of the Leisure Class (1899),


 The Instinct of Workmanship (1914),
 Imperial Germany and the Industrial Revolution (1915),
 The Higher Learning in America (1918),
 Absentee Ownership (1923)
 The Theory of Business Enterprise (1904), sua principal obra
econômica.
 e vários ensaios.

JOHN HICKS
John Richard Hicks
Nascimento 8 de abril de 1904
Leamington Spa

Morte 20 de
maio de 1989 (85 anos)
Blockley

Nacionalidade Britânico

Alma mater Balliol College

Prêmios Nobel de
Economia (1972)

Instituições London School of


Economics, Universidade
de Manchester, Nuffield
College

Campo(s) Economia

Sir John Richard Hicks, Kt. (Leamington Spa, 8 de abril de 1904 — 20 de


maio de 1989) foi um economista britânico, professor da London School of
Economics e da Universidade de Oxford.
Recebeu o Prémio de Ciências Económicas em Memória de Alfred
Nobel de 1972.
Hicks contribuiu com quatro inovações para a economia.
A primeira foi a introdução da ideia de elasticidade da substituição. Hicks
utilizou-a para demonstrar que, contrariamente à alegação marxista, o
progresso técnico que leva a uma poupança de mão de obra não reduz
necessariamente a percentagem de mão de obra do rendimento nacional.
O segundo contributo importante de Hicks foi a invenção do "modelo IS-
LM". Este é uma representação gráfica do argumento apresentado por
Keynes na Teoria Geral sobre o modo como uma economia pode estar em
equilíbrio abaixo do nível pleno de emprego. Hicks publicou o modelo um
ano depois da publicação da obra de Keynes.
O terceiro contributo importante de Hicks foi a obra Value and Capital.
Nela demonstrou que a maior parte das ideias e convicções dos
economistas sobre a teoria do valor (a teoria sobre o porquê do valor dos
bens) pode ser alcançada sem necessidade de recorrermos ao pressuposto
de que a utilidade é mensurável. Esta obra de Hicks foi também um dos
primeiros trabalhos sobre o equilíbrio geral, isto é, a teoria sobre o modo
como os mercados interagem mutuamente e alcançam o equilíbrio.
O quarto contributo de Hicks foi a ideia do teste de compensação. Antes
deste teste, os economistas tinham relutância em afirmar que determinado
resultado era preferível a outro. E isto porque mesmo uma política que
beneficiasse milhões de pessoas podia prejudicar outras. Hicks pergunta:
Será que os beneficiados podem compensar os prejudicados na medida
total do seu prejuízo, ficando, mesmo assim, em melhor situação
económica? Se a resposta for positiva, a política em questão terá passado
no "teste de compensação de Hicks".
Autor de várias obras, dentre as quais se destacam Value and
Capital (1938), Capital and Growth (1965) e A Theory of Economic
History (1969). De um modo geral, Hicks examinou os seguintes assuntos
em sua carreira:

 expectativas, equilíbrio e desequilíbrio


 preços fixados e a teoria dos mercados
 dinâmica: mudanças, flutuações e crescimento
 trabalho, produção e substituição
 capital e acumulação
 moedas, finanças e liquidez
 Keynes e economia keynesiana
 causalidade econômica: circunstâncias e explicações
 história econômica

Friedrich Hayek
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Friedrich Hayek
Nascimento 8 de maio de 1899
Viena, Cisleitânia, Áustria-
Hungria

Morte 23 de
março de 1992 (92 anos)
Friburgo em
Brisgóvia, Baden-
Württemberg, Alemanha

Nacionalidade Austríaco
Britânico

Influências
Lista[Expandir]
Influenciados
Lista[Expandir]
Prêmios Nobel de
Economia (1974), Prêmio
Hanns Martin
Schleyer (1984), Medalha
Presidencial da
Liberdade (1991)
Escola/tradição Escola Austríaca
Principais Economia, Filosofia
interesses Social, Filosofia
Política, Filosofia da
mente, Epistemologia
Ideias notáveis Ordem
espontânea, Conhecimento
disperso, Competição como
processo de
descoberta, Sinal de
preço, Demarquia, Crítica
ao cientificismo, Socialismo
e Nazismo como formas de
totalitarismo, Desestatização
do dinheiro, Modelo Hayek-
Hebb da mente
Assinatura

Friedrich August von Hayek (Viena, 8 de maio de 1899 — Friburgo em


Brisgóvia, 23 de março de 1992) foi um economista e filósofo austríaco,
posteriormente naturalizado britânico. É considerado um dos maiores
representantes da Escola Austríaca de pensamento econômico. Foi defensor
do liberalismo clássico e procurou sistematizar o pensamento liberal
clássico para o século XX, época em que viveu. Realizou contribuições
para a filosofia do direito, economia, epistemologia, história das
ideias, história econômica, psicologia, entre outras áreas. Recebeu o Prêmio
de Ciências Econômicas em Memória de Alfred Nobelde 1974, "por seu
trabalho pioneiro na teoria da moeda e flutuações econômicas e pela análise
penetrante da interdependência dos fenômenos econômicos, sociais e
institucionais", que dividiu com seu rival ideológico Gunnar Myrdal.
Nasceu em Viena, em uma família de cientistas e professores. Seu pai era
professor de Botânica na Universidade de Viena. Quando jovem, escolheu
a carreira de economista. Serviu na Primeira Guerra Mundial, e disse que a
experiência da guerra e seu desejo de evitar que ressurgissem os erros que
levaram ao conflito tiveram grande influência na sua carreira. Morou na
Áustria, na Grã-Bretanha, nos EUA e na Alemanha, tornando-se cidadão
britânico em 1938. Passou o maior tempo de sua carreira na London School
of Economics (LSE), na Universidade de Chicago e na Universidade de
Freiburg.
Em 1984, tornou-se membro da Order of the Companions of Honour, por
indicação da Rainha Elizabeth II, no conselho da Primeira
Ministra Margaret Thatcher, por seus "serviços no estudo da economia".
Ele foi a primeira pessoa a receber o Prêmio Hanns Martin Schleyer, em
1984. Recebeu também a US Presidential Medal of Freedom do
presidente George H. W. Bush, em 1991. Em 2011, seu artigo O Uso do
Conhecimento na Sociedade foi selecionado como um dos 20 principais
artigos publicados pela The American Economic Review durante seus
primeiros 100 anos.
Foi um importante teórico social e filósofo político do século XX, e sua
consideração sobre como a mudança dos preços comunica conhecimento, o
que permite aos indivíduos coordenarem seus planos, é amplamente
considerada como uma das grandes proezas da ciência econômica. [6] Na
psicologia, propôs uma teoria da mente humana segundo a qual a mente é
um sistema adaptativo. Em Economia, defendeu os méritos da ordem
espontânea. Fez trabalhos importantes sobre a evolução social, sobre os
fenômenos complexos e a metodologia das ciências sociais. Desenvolve e
adapta ideias liberais clássicas para o século XX, apresentando uma forma
mais original de constitucionalismo liberal. Fundou a Mont Pèlerim
Society com outros liberais para propagar o liberalismo no pós-guerra,
entre os quais estavam Michael Polanyi, Ludwig von Mises, Bertrand de
Jouvenel, Wilhelm Röpke, Milton Friedman, Frank Knight, Lionel
Robbins, Karl Popper e outros pensadores de relevo.

Friedrich von Hayek

Primeiros anos
Friedrich von Hayek nasceu em 8 de Maio de 1889, em Viena. Seu
pai, August von Hayek, foi um renomado botânico e um notável médico.
Descendendo de uma família nobre, Hayek teve uma boa educação. Em
1919, porém, em razão de a Áustria banir os títulos de nobreza de seus
cidadãos, sua família teve de retirar a etiqueta “von” do nome. O pai de
Hayek deu sequência à tradição escolar da família, comprometendo-se com
a botânica e escrevendo vários tratados sobre o assunto. A tradição familiar
de estudos sobre as ciências biológicas influenciou bastante seus estudos
posteriores.
Hayek era primo-segundo do renomado filósofo Ludwig Wittgenstein, e
disse que provavelmente foi uma das primeiras pessoas a terem lido o
‘Tractatus Logico-Philosophicus’, a obra inovadora de Wittgesntein.
Quando criança, seu pai sugeriu que ele lesse as obras de Hugo de Vries,
juntamente com os trabalhos filosóficos de Ludwig Feuerbach. Durante
seus anos escolares, Hayek ficou muito impressionado com as palestras
sobre a ética aristotélica de um de seus tutores. Em 1917, foi para um
regimento de artilharia no exército Áustro-Húngaro, e lutou bravamente na
fronteira da Itália, perdendo parte da audição de sua orelha esquerda. Conta
David Gordon que Hayek, em suas aulas, costumava brincar com isso,
dizendo que era uma coincidência histórica ele ter perdido parte da audição
da orelha esquerda, enquanto Karl Marx havia perdido parte da audição da
orelha direita.[11] Depois da Primeira Guerra, Hayek trabalhou o resto da
vida buscando uma carreira acadêmica com o propósito principal de
impedir as situações que causaram a guerra.
Educação
Hayek tinha uma ânsia por conseguir conhecimento, e, durante seus anos
na Universidade de Viena, estudou extensivamente filosofia, psicologia e
economia, e recebeu doutorados em direito e ciência política. Entre seus
colegas de universidade, estavam pessoas que se tornariam proeminentes
economistas, como Fritz Machlup, Gottfried von Haberler e Oskar
Morgenstern. Durante o tempo em que a universidade permaneceu fechada,
Hayek se matriculou no Constantin von Monakow's Institute of Brain
Anatomy. Nesse tempo, ele usou bastante de seu tempo manchando células
cerebrais para estudá-las. O tempo gasto no Laboratório de Monakow deu
vazão à sua profunda curiosidade pelo trabalho de Ernst Mach, motivando
seu primeiro projeto acadêmico, na área de psicologia, o qual foi publicado
mais tarde sob o título de The Sensory Order (1952). Em seu último ano na
Universidade de Viena, o trabalho de Carl Menger sobre a estratégia
explanatória das ciências sociais, juntamente com a presença de Friedrich
Wieser na sala de tutorial, o influenciou permanentemente. Sob a tutela de
Wieser, Hayek recebeu mais um doutorado, dessa vez em economia.[12] Em
1923, foi para Nova York e, na New York University, inscreveu-se para o
programa de P.h.D, embora ele tivesse de retornar a Viena por falta de
dinheiro. Depois desse retorno a Viena, Hayek começou a focar seus
estudos na economia.
Casamento
Hayek se casou com Helen Berta Maria von Fritsch em Agosto de 1926.
Ela era secretária do escritório de serviço civil do governo da Áustria. Eles
tiveram duas crianças. Divorciaram-se, porém, em julho de 1950, e Hayek
se juntou a Helene Bitterlich.
Influência de Ludwig von Mises
Em Viena, ele trabalhou junto a Mises, um economista que, à época, era
conhecido principalmente por sua teoria monetária. Mises
escreveu Socialism, obra que Hayek admitiu, posteriormente, ter tido uma
ampla influência em seu pensamento. Segundo ele, Socialism (obra de
1922) fez com que ele abandonasse o pensamento socialista que tinha na
época. Na mesma época, Hayek, junto com seus colegas Felix
Kaufmann, Fritz Machlup, Alfred Schutz e Gottfried Haberler, passou a
frequentar o seminário privado de Ludwig von Mises.
Por recomendação de Wieser, quando voltou dos EUA, ele foi contratado
por Mises como diretor do Instituto Austríaco de Ciclos Econômicos.
Mises queria alguém que tivesse formação na área jurídica e entendesse de
economia. Para Wieser, Hayek tinha as duas virtudes, e foi, dessa maneira,
aceito no instituto. Por influência da Teoria Austríaca dos Ciclos
Econômicos, defendida na época por Mises, Hayek escreveu o
livro Monetary Theory and the Trade Cycle, em 1929.
Na London School of Economics
Em 1931, ele foi convidado por Lionel Robbins a apresentar quatro
palestras sobre economia monetária na Inglaterra, na London School of
Economics and Political Science (LSE). Devido às palestras, ele foi
nomeado para a universidade como ‘Tooke Professor of Economic Science
and Statistics’, cargo no qual permaneceu até 1950, naturalizando-se
britânico em 1938. Logo após entrar na LSE, Hayek se envolveu em um
debate com John Maynard Keynes, da Cambridge University, depois de ter
escrito uma extensa crítica ao livro A Treatise on Money (1930),
de Keynes; este replicou seu ataque criticando seu livro Prices and
Production(1931). Ambos os economistas foram criticados por outros
economistas, e isso os fez repensarem sobre suas próprias teorias. Keynes
concluiu sua autocrítica primeiro, publicando, em 1936, aquela que tornaria
sua obra mais conhecida, The General Theory of Employment, Interest and
Money. Já o livro de Hayek, The Pure Theory of Capital, foi aparecer
apenas em 1941, e teve uma repercussão muito menor do que a obra de
Keynes.
Em meados da década de 1930, ele também travou intenso debate com
outros economistas sobre o socialismo, i.e, sobre a viabilidade de um
sistema em que há a coletivização dos meios de produção. Tal debate
começou a ter mais notoriedade com Mises, que, no artigo Economic
Calculation in a Socialist Commomwealth (1920), afirma que, num sistema
no qual falta o mercado para meios de produção, não há, para os mesmos,
sistema de preços nem cálculo econômico racional.[20] No decorrer desse
debate houve a diferenciação da abordagem da Escola Austríaca em relação
às escolas neoclássicas.[21] No mesmo debate, Hayek desenvolveu suas
teses sobre a relação entre o uso e dispersão do conhecimento e o sistema
econômico. Segundo ele, o conhecimento de circunstâncias particulares, do
qual o sistema econômico depende para alocação de recursos, está na
maioria das vezes disperso na sociedade, tornando crucial a
descentralização de seu uso.[22][23] Esses trabalhos foram apresentados no
London Economic Club em 1936.
Durante os anos da Segunda Guerra, a LSE transferiu-se para Cambridge.
Nessa época, Hayek começou a criticar algumas doutrinas que ele rotulou
como "cientificismo", no sentido de tentativa de imitação do método
das ciências naturais (especificamente a física) pelas ciências sociais. Em
1944, publicou seu livro mais conhecido, The Road to Serfdom (O
Caminho da Servidão), no qual dedica-se a mostrar o risco representado
pelo planejamento econômico centralizado para a liberdade, entre vários
outros pontos que amplia e aprofunda em outras obras. No mesmo ano,
Hayek é eleito fellow na British Academy.
Pós-Guerra: Chicago e a Mont Pèlerin Society
Em 1950, ele deixou a LSE para participar do Comitê sobre o Pensamento
Social, na Universidade de Chicago. Seu primeiro curso foi um seminário
sobre filosofia da ciência, do qual participou a maioria dos mais renomados
cientistas da Universidade, incluindo Sewall Wright, Enrico Fermi e Leó
Szilárd. Após a Segunda Guerra Mundial, Hayek escreveu um trabalho
sobre a psicologia baseado em seus estudos na área quando na
Universidade de Viena, chamado The Sensory Order: An Inquiry into the
Foundations of Theoretical Psychology (1952). Nesse livro, Hayek teoriza
sobre o mecanismo de plasticidade cerebral e da organização
nos neurônios no cérebro de forma espontânea, sendo o cérebro um sistema
complexo. Segundo Steven Pinker, sua teoria que viria a antecipar muitos
desenvolvimentos futuros na psicologia. Além do mais, o mesmo despertou
certa atenção nas áreas de ciência cognitiva, ciência
computacional, neurociência, ciência comportamental e psicologia
[24][25][26][27]
evolutiva.
No mesmo ano, sua obra The Counter Revolution of Science (1952) foi
publicada. Nela, Hayek explica seus trabalhos sobre o "abuso da razão" e o
"cientificismo".
Em 1947, ele se reuniu com 39 eruditos de 10 países diferentes, em Mont
Pèlerin, nos Alpes Suíços. Esse foi o começo da Mont Pèlerin Society,
organização fundada com o objetivo de reunir intelectuais alinhados aos
princípios liberais em todo o mundo. Entre esses intelectuais,
estavam Lionel Robbins, Ludwig von Mises, Milton Friedman, Fritz
Machlup, Frank Knight, George Stigler, Walter Eucken, Aaron
Director, Michael Polanyi e o filósofo austríaco Karl Popper. Quanto à sua
relação com Popper, Hayek o ajudou a ir para a LSE e a publicar seu
livro A Sociedade Aberta e Seus Inimigos (1945).[28] Os dois permaneceram
amigos para o resto da vida, e ambos fizeram dedicatórias de livros entre
si.[29]
Hayek permaneceu em Chicago por 12 anos. Lá, ele escreve artigos sobre
vários assuntos, como filosofia política, história das ideias e metodologia
das ciências sociais. Aspectos dessa ampla gama de assuntos foram
mostrados em seu livro The Constitution of Liberty (1960) e em sua
coletânea de artigos Studies in Philosophy, Politics and Economics (1967).
Saída de Chicago, nobel e últimos anos
Em 1962, ele deixa a Universidade de Chicago e vai para a Universidade
de Friburgo em Breisgau, na Alemanha Ocidental. Lá ele permaneceu até
1968, quando aceitou o cargo de professor honorário na Universidade de
Salzburg, na Áustria.
Hayek ganhou o prêmio Nobel de economia em 1974, "por seu trabalho
pioneiro na teoria da moeda e flutuações econômicas e pela análise
penetrante da interdependência dos fenômenos econômicos, sociais e
institucionais", o qual, ironicamente, foi dividido com um de seus maiores
rivais ideológicos, o economista social-democrata Gunnar Myrdal. Hayek
foi um pouco polêmico no banquete de gala do prêmio, dizendo: "... se
tivesse sido consultado sobre o estabelecimento ou não de um Prêmio
Nobel de economia, eu certamente teria sido decididamente contrário."
Porque, segundo ele, "o Prêmio Nobel confere a um indivíduo uma
autoridade que, em economia, nenhum homem deve possuir."[30] O Nobel
fez com que Hayek se revigorasse intelectualmente, voltando de forma
mais consistente à produção intelectual.[31]
Hayek retornou a Friburgo em 1977, e finalizou seu trabalho de três
volumes Law, Legislation and Liberty,[32] [33] uma obra de suas obras mais
abrangentes e importantes.
Um aspecto polêmico do pensamento de Hayek é ilustrado quando, após
uma visita ao Chile do governo de Pinochet, que havia derrubado o
governo socialista de Allende, Hayek disse, em uma carta para o The
Times (1978): "Eu não fui capaz de encontrar uma única pessoa, mesmo no
tão caluniado Chile, que não concordou que a liberdade pessoal estava
muito maior sob Pinochet do que sob Allende".[34][35] Segundo Hayek, a
democracia deve ser considerada como um meio, não como um fim em si
mesmo.[36] Liberalismo é diferente de democracia, sendo que o contrário de
liberalismo é totalitarismo, enquanto o de democracia é autoritarismo.[37]
Com a deterioração de sua saúde, o filósofo William Bartley III editou e
encarregou-se de publicar sua última obra, The Fatal Conceit: The Errors
of Socialism (em português, A Arrogância Fatal: Os Erros do
Socialismo[38]), em 1988. Essa obra fala sobre alguns tópicos que haviam
sido desenvolvidos a partir do Posfácio do último volume de Law,
Legislation and Liberty. Há, embora, algumas suspeitas de que partes dela
foram escritas por William Bartley, em razão da debilitada saúde de
Hayek.[39][40]
Hayek faleceu em 1992, com 92 anos de idade, chegando a ter visto
a queda da União Soviética e a reunificação da Alemanha.[33]

Principais ideias
Quando na Universidade de Viena, Hayek se dedica à observação de
células neurais, e desenvolve um pequeno rascunho desse trabalho. Mais
tarde, depois de revisões e ampliações, o livro The Sensory Order: An
Inquiry into The Foundations of Theoretical Psychology (1952), viria a
ser publicado. Nele, Hayek argumenta sobre a tese que viria a se chamar
"conexionismo", em que a mente é vista como um sistema adaptativo.
Segundo Pinker, essa tese antecipou vários trabalhos posteriores em teoria
da mente e psicologia.[41]
Nas décadas de 1920 e 1930, Hayek publica uma grande quantidade de
trabalhos sobre os ciclos econômicos, teoria dos preços e teoria do capital.
Ele amplia a Teoria Austríaca dos Ciclos Econômicos, desenvolvida
inicialmente por Mises. Segundo Hayek, a principal causa dos ciclos
econômicos começa a partir de uma sinalização de taxa de juros enganosa
(geralmente, juros muito baixos). Por não se constituir da taxa que se
formaria em um livre mercado, ela não transmite informações cruciais que
deveriam orientar as ações dos agentes econômicos. Investimentos que,
nesse momento, parecem corretos, serão vistos como má-alocações de
recursos no futuro, sendo a recessão a fase de recuperação desses erros
alocativos. Essas questões geraram intensos debates com John Maynard
Keynes, o que fez com que Hayek publicasse, posteriormente, o livro The
Pure Theory of Capital (1941), e John Maynard Keynes The General
Theory of Employment, Interest and Money. Os trabalhos de Hayek nessa
época viriam a ser um dos maiores responsáveis para que ele ganhasse
o Prêmio Nobel de economia em 1974.[42]
Hayek edita Colletivist Economic Planning, obra na qual ele traduz o
artigo Economic Calculation in the Socialist Commomwealth do alemão
para o inglês, introduzindo as ideias de Mises nos países de língua inglesa.
Na obra há artigos contra e a favor da viabilidade de um sistema socialista,
e Hayek escreve uma introdução e uma conclusão. Na década de 1930, ele
escreve teses que dizem respeito ao uso e transmissão do conhecimento na
sociedade e no sistema econômico, que tiveram como inspiração suas
ideias desenvolvidas no debate sobre o cálculo econômico sob o
socialismo. Nesses artigos, publicados posteriormente em Individualism
and Economic Order (1948), ele enfatiza a função dos preços como
transmissores de conhecimento, e do mercado como um sistema que
economiza informação.[43] Nessa coletânea, está presente um de seus
artigos mais famosos, The Use of Knowledge in Society.[44] Em outros
textos da mesma coletânea, ele começa a desenvolver a ideia de que o
principal papel do empresário é descobrir informações em constante
mudança que são relevantes para o processo produtivo e se adaptar a elas,
transmitindo essa informação via preços a todo o mercado, de forma que
este se adapte a esse conhecimento adquirido.[45] Em Economics and
Knowledge, ele critica a ideia de que a economia é uma ciência puramente
a priori. Segundo ele, quando passamos da análise de um único indivíduo
para a análise de processos sociais, é preciso adicionar hipóteses sobre
como o conhecimento é adquirido, como os indivíduos formam
expectativas e como aprendem com suas experiências – o que não é
derivado a priori e é, ao menos em princípio, passível de
falsificação.[46][47] A priori seria apenas a lógica da ação individual, a forma
como se dá a escolha dos indivíduos, baseada numa estrutura de meios e
fins. Qualquer teoria econômica que dá como certa, implícita ou
explicitamente, a existência de uma tendência ao equilíbrio já deve
pressupor essas hipóteses sobre o aprendizado dos agentes.[48][49]
No que viria a ser seu livro mais famoso, O Caminho da Servidão, Hayek
diz que o planejamento central feito pelo Estado resulta em totalitarismo e
opressão. O controle da economia (os meios para nossos fins), acaba
deixando o indivíduo numa situação de escravidão e dependência em
relação a quem realiza o planejamento.[50] Nesse sentido, o socialismo
soviético e o nazifascismo se assemelhariam.[51] O planejamento central
necessariamente viola o Estado de Direito e a igualdade perante à lei,
porque o uso da coerção seria arbitrário e deveria fazer distinção de
indivíduo para indivíduo.[52] O planejamento também é anti-democrático,
porque a necessidade de decisões rápidas sobre onde, quanto e a quem
alocar os recursos impossibilitaria que as ações do Estado fossem regidas
pelo consenso da maioria.[53] Esse livro viria a influenciar uma ampla
geração de liberais e mudar as ideias da época para serem menos favoráveis
ao socialismo soviético.
Em Capitalism and the Historians, ele edita e escreve a introdução de um
livro em que há participação de vários autores, e que tem por objetivo
refutar alguns mitos acerca do capitalismo; em específico, aquele que diz
que a Revolução Industrial causou a diminuição da qualidade de vida na
Inglaterra.[54] Em The Counter-Revolution of Science ele faz uma crítica
ao que ele chamou de "scientism" (cientificismo), que é a tentativa de
aplicar os princípios das ciências naturais (a física, em específico), às
ciências sociais.[55] Ele faz tanto uma exposição teórica dos princípios das
duas ciências, quanto uma análise histórica da tendência
criticada.[56]Segundo ele, isso foi indiretamente responsável pelas propostas
de controle econômico da vida social.[57]
Em The Constitution of Liberty (1960),[58] Hayek procura escrever um
tratado que reintroduza as ideias liberais para o seu tempo.[59] Quando
escrevendo-o, Hayek procurou que fosse sua obra mais ambiciosa. Na
primeira seção, ele define liberdade, mostra suas vantagens e discute sua
relação com conceitos como "responsabilidade" e "decisão da maioria". Na
segunda seção, ele escreve a história do liberalismo e do conceito de Estado
de Direito, ou império da lei, mostrando a relação entre as duas ideias, que
muitas vezes se confundiam. Ele ainda faz críticas ao positivismo jurídico.
Na terceira seção, ele busca traçar os limites da atividade estatal na
economia com base nos princípios do liberalismo clássico discutidos nas
duas outras seções, princípios esses que não geram como conclusão,
necessariamente, a fórmula do laissez-faire.[60][61]
Um dos motivos de Hayek enfatizar a importância do Estado de Direito (ou
Rule of Law, Império da Lei) parte de suas ideias sobre o conhecimento, de
que a descentralização leva em conta uma quantidade maior de
conhecimento. Um Estado cujas ações coercitivas se baseiam em leis
gerais, igualmente aplicáveis a todos, que não distinguem de indivíduo para
indivíduo, proporciona a melhor estrutura na qual as pessoas podem usar
seus próprios conhecimentos para seus próprios fins. Um Estado
centralizador e planejador, ao contrário, e que portanto não respeita o Rule
of Law, dificulta o planejamento descentralizado e a utilização do
conhecimento amplamente disperso na sociedade. Além disso, uma
sociedade (ou indivíduo) constantemente à mercê da vontade arbitrária de
alguém, em oposição a regras claras e fixas, não pode se dizer livre no
sentido próprio do termo. A lei verdadeira é, no mesmo sentido de Locke
ou Kant, a restrição da liberdade (absoluta) de alguns para garantir a
liberdade de todos.[62] [63]
Na década posterior à publicação do livro, ele desenvolve estudos sobre a
ordem espontânea, e desenvolve teses que relacionam as ordens
espontâneas da natureza e da sociedade. Muitas dessas ideias foram
emprestadas do estudo da cibernética.[64] Com influência das ideias de seu
amigo Popper, ele trabalha sobre a epistemologia e o estudo de fenômenos
complexos, tendo por artigo mais notável nessa área The Theory of
Complex Phenomena. Ele argumenta que, em fenômenos complexos, é
possível apenas a previsão do padrão ou princípio de funcionamento do
fenômeno, e nunca as características específicas que se apresentarão. Um
exemplo notável disso é a teoria da evolução, em que não é possível a
previsão de, por exemplo, qual espécie irá surgir, mas apenas o princípio de
como se dará esse processo de surgimento.[65]Isso se aplica também à
própria economia: as variáveis são tão grandes que é basicamente
impossível fazer uma previsão de quais serão os preços em dada
situação.[66]
Posteriormente, ele publica um grande tratado sobre direito e liberalismo,
chamado Law, Legislation and Liberty, que viria a ser um complemento às
ideias desenvolvidas em The Constitution of Liberty.[67] Publicado em três
volumes separados, os principais diferenciais do livro foram: o tratamento
do papel do juiz numa sociedade livre, do sistema de commom law e a
ênfase na ordem espontânea em oposição à ordem planejada (no volume
1);[68] a crítica às modernas concepções de justiça social (no volume 2);[69] e
a apresentação de um sistema de governo apelidado por ele
de demarquia, em que a democracia só existiria respeitando os princípios
do Estado de Direito (no volume 3).[70] Hayek vê nas democracias
contemporâneas o problema da centralização e da degeneração do direito.
Para ele, o constitucionalismo liberal, da forma como foi interpretado,
falhou. Ele propõe uma democracia limitada na qual a divisão dos poderes
tornaria quase impossível desrespeitar o Estado de Direito, ou seja, as
normas de justa conduta nomos que garantem a liberdade em
sociedade.[71][72] Em relação à justiça social, Hayek diz que ela é uma
expressão vazia de sentido. Justiça é um atributo de conduta individual, e
nenhuma regra geral sobre o comportamento humano é capaz de levar a um
padrão de distribuição de recursos pré-definido. Além disso, não há
critérios objetivos para se dizer que um padrão de distribuição de recursos é
mais "justo" que outro padrão.[73] No primeiro volume, ele também discorre
sobre a importância de se ater a princípios na defesa da liberdade.[74]
Em The Denationalization of Money (1976),[75] Hayek desenvolve o
argumento de que o fim do monopólio do Estado sobre a moeda – i.e, a
possibilidade de cunhagem e uso de moedas privadas – seria mais
vantajoso que o nosso sistema atual, sendo também uma forma de evitar
a inflação.[76][77] Neste sentido, defendia o modelo de free banking, (sistema
bancário livre de quaisquer regulametações).[75]
Em The Fatal Conceit (1988), publicado quando Hayek já estava com
saúde debilitada, há a exposição de algumas ideias sobre evolução social ou
cultural. As regras morais e a cultura seriam resultado de um processo
evolucionário que se dá, principalmente, por aprendizado de práticas
sociais por imitação, e posteriormente seleção do grupo com práticas
sociais mais capazes de levá-lo à prosperidade e aumento do número de
indivíduos.[78][79] A linguagem, a cultura, a moral, o direito, o comércio, a
propriedade privada, etc, todos seriam exemplos de instituições que
resultaram da evolução de práticas sociais, que não acontece por decisão
das pessoas diretamente a construírem tais instituições, sendo elas
resultados não planejados ou não desenhados, porém que usam de um
conhecimento que nenhum indivíduo sozinho é capaz de centralizar.[80] A
"arrogância fatal" seria tentar desenhar essas instituições sem se dar conta
da limitação do nosso conhecimento.[81]

Influência pelo mundo


Milton Friedman disse, sobre Hayek, que "sua influência tem sido
tremenda".[82]
Popper disse uma vez que “o trabalho de Hayek marca o começo do debate
mais fundamental no campo da filosofia política”.[83]
O filósofo conservador Roger Scruton falou que Hayek “é um dos maiores
pensadores do nosso tempo”.[84]
Segundo a revista The Economist, "o terceiro quarto deste século [século
XX] tem sido descrito como 'o tempo de Keynes'. Em termos de problemas
econômicos, para enfrentar o atual período pode corretamente ser
chamado de o 'tempo de Hayek'."[85]
Edward Feser disse que "[...] ele é... amplamente admirado tanto por
libertários e conservadores, e por boas razões. Sua crítica ao socialismo
como um sistema econômico e político é completamente devastadora. Sua
defesa do livre mercado é original, penetrante e atraente como nenhuma
que já foi feita. Entre os pensadores políticos do século XX, ele é
raramente alcançado, e nunca superado, em profundidade e amplitude de
visão. Ele tinha coisas sábias e interessantes para dizer, não apenas a
respeito de política e economia, mas também em campos tão diversos
quanto direito, filosofia, ciência cognitiva e história das idéias. Ele foi,
certamente, o pensador político mais conseqüente daquele século, de
qualquer estirpe ideológica"[86]
Influência na política do Leste Europeu
O presidente dos EUA Ronald Reagan colocou Hayek entre as duas ou três
pessoas que mais influenciaram sua filosofia, e o acolheu na Casa
Branca como convidado especial. Nos anos 70 e 80, os escritos de Hayek
também exerceram uma grande influência nos líderes da revolução
“velvet”, na Europa Central, durante o colapso da União Soviética. Aqui
estão alguns exemplos que suportam essa influência:
Não há nenhuma figura que teve influência tão grande, nenhuma
pessoa que teve mais influência sobre os intelectuais por trás da
Cortina de Ferro do que Friedrich Hayek. Seus livros foram
traduzidos e publicados por edições em mercados negros e secretos,
lidos amplamente, e sem dúvida influenciaram o clima da opinião, o
que, em última instância, trouxe o colapso da União Soviética.[87]
—Milton Friedman (Hoover Institution)
Os mais interessantes entre os dissidentes de 1980 foram os liberais
clássicos, discípulos de F. A. Hayek, de quem eles haviam aprendido
sobre a importância crucial da liberdade econômica e da, na
maioria das vezes ignorada, diferença conceitual entre liberalismo e
democracia.[88]
—Andrzej Walicki (History, Notre Dame)
O primeiro ministro da Estónia Mart Laar veio ao meu escritório
outro dia para verificar a notável transformação desse país. Ele
descreveu uma nação de pessoas que trabalhavam duro, mais
virtuosas – sim, mais virtuosas, porque o mercado pune a
imoralidade – e mais esperançosas sobre o futuro do que nunca
foram em toda a história. Eu perguntei ao senhor Laar sobre onde o
governo obteve a ideia dessas reformas. Você imagina o que ele
respondeu? Ele disse: “Nós lemos Milton Friedman e Friedrich
Hayek.”[89]
—US Representative Dick Armey
Eu tinha 25 anos de idade e estava à busca de meu doutorado em
economia quando a mim foi permitido gastar seis meses de estudos
de pós-graduação em Nápoles, Itália. Eu li os livros-texto de
economia do Ocidente e também o trabalho mais geral de pessoas
como Hayek. No tempo em que retornei à Czechoslovakia, eu tinha
um entendimento dos princípios do mercado. Em 1968, eu estava
contente com o liberalismo político de Dubcek Prague Spring, mas
fui bastante crítico da Terceira Via que eles buscaram na
economia.[90]
—Václav Klaus (antigo presidente da República Checa)
Hayek
Entre 1977 e 1981, Hayek visitou três vezes o Brasil, sempre a convite
do editor da revista Visão, o engenheiro Henry Maksoud. Embora o
Prof. Hayek – como ele gostava de ser chamado – tenha proferido
inúmeras conferências e concedido várias entrevistas à imprensa, suas
viagens ao Brasil ficaram com os registros dispersos e hoje poucos são
os que sabem ou se lembram delas. Além de São Paulo, Hayek visitou o
Rio de Janeiro, Brasília e Santa Maria – RS.
O Brasil estava em pleno regime militar e ainda não se vislumbrava
sinal de abertura para a democracia. Apesar de pouco acolhido pelas
lideranças brasileiras e ignorado pela intelectualidade do País, Hayek
teve suas visitas registradas na imprensa - através de entrevistas e
cobertura de palestras - e seu pensamento divulgado, graças,
especialmente, ao esforço do empresário Henry Maksoud. A substância
desses registros ficou dispersa nos arquivos de jornais e revistas.
Formava um material precioso para os que já vislumbravam no
liberalismo a saída para o Brasil. Esses leitores e os que puderam
assistir aos programas de Henry Maksoud têm uma oportunidade rara de
retomar a visita do Prêmio Nobel Hayek no Brasil.[92]

Bibliografia

LUDWIG VON MISES


Ludwig Heinrich Edler von Mises (Lviv, 29 de Setembro de 1881 —
Nova Iorque, 10 de Outubro de 1973) foi economista teórico de
nacionalidade austríaca e, posteriormente, americana, que foi membro
da Escola Austríaca de pensamento econômico. É conhecido
principalmente por seu trabalho no campo da praxeologia, o estudo
dedutivo das ações e escolhas humanas.
Defensor da liberdade econômica como suporte básico da liberdade
individual, em seu livro Ação Humana, Mises expõe as
posições epistemológicas e metodológicas que caracterizam a Escola
Austríaca: concepção subjetiva de valor, individualismo metodológico e
praxeologia.[1] Além disso, dedicou-se à crítica
do Socialismo enquanto sistema econômico, por considera-lo inviável em
razão de não apresentar mecanismos de fixação
de preço pelo mercado (problema do cálculo econômico).
Embora seu trabalho tenha sido amplamente ignorado até meados do século
XX,[2][3][4] sua obra tem experimentado um certo aumento de popularidade,
embora mesmo pensadores ligados ao liberalismo clássico o acusem de ser
"um filho do Iluminismo nascido por engano no século XX".[3][4]
É autor de diversos livros, dentre os quais o já citado Ação Humana (1949)
e A Mentalidade Anticapitalista (1956).

Biografia
Ludwig von Mises nasceu em Lemberg, no Império Austro-
Húngaro (hoje Lviv na Ucrânia), filho de pais judeus. O seu pai trabalhava
como engenheiro na cidade, e como descendentes de famílias de grande
fortuna (seu bisavô paterno inclusive havia recebido de Francisco José I o
título de edler) o jovem Ludwig e seu irmão Richard, que deixou
contribuições na área de engenharia mecânica, tiveram uma infância
confortável e que lhes proporcionou uma esmerada educação. Assim, aos
doze anos, Ludwig falava fluentemente alemão, polonês e francês, lia
em latim, e entendia o ucraniano.[5]
Quando Ludwig e Richard ainda eram pequenos, sua família voltou
para Viena, onde tinha raízes. Em 1900, Mises frequentou a Universidade
de Viena, sendo influenciado pelos trabalhos de Carl Menger.
Entre 1904 e 1914 Mises assistiu às aulas do economista austríaco Eugen
von Boehm-Bawerk, tendo concluído seu doutorado em 1906.

Brasão do bisavô de Ludwig von Mises, Mayer Rachmiel Mises, que


em 1881 recebeu do ImperadorFrancisco José I da Áustria o título de edler
Mises lecionou na Universidade de Viena de 1913 a 1934, e também atuou
como conselheiro econômico do monarquista Otto von Habsburg e do
governo austrofascista de Engelbert Dollfuss.[6] Como judeu, Mises temia
pela sua integridade física diante do avanço Nazi na Europa, tendo o
assassinato de Dollfuss pelos Nazis convencido a fugir do país em 1934,
em direção a Genebra na Suíça, onde passou a lecionar no Instituto
Universitário de Altos Estudos Internacionais até 1940.[2]
Em 1940, ele imigrou para Nova Iorque,[7] vindo aos Estados Unidos sob o
patrocínio da Fundação Rockefeller e, como muitos outros intelectuais
representantes do liberalismo clássico, recebeu apoio do Fundo William
Volker para obter uma posição nas universidades norte-
[8]
americanas, finalmente tornando-se professor visitante na New York
Universityde 1945 até sua aposentadoria em 1969,[9] sendo então
financiado pelo empresário Lawrence Fertig.[10][11] Durante parte desse
período atuou como consultor acerca de assuntos monetários para a União
Pan-europeia[12] e recebeu um doutorado honorário do Grove City College.
Ludwig Heinrich von Mises faleceu no dia 10 de outubro de 1973, aos 92
anos de idade, no hospital St. Vincent em Nova Iorque.
Teoria Econômica
Entre os amigos e alunos de Mises na Europa incluem-se Wilhelm
Röpke e Alfred Müller-Armack (assessores do chanceler da
Alemanha Ludwig Erhard), Jacques Rueff (conselheiro econômico
de Charles de Gaulle) e o presidente italiano Luigi Einaudi e Leonid
Hurwicz, vencedor do Prêmio Nobel de Economia em 2007[13] O
economista e teórico político F. A. Hayek ao brindar Mises em uma festa
disse: "É um dos mais educados e informados homens que eu já conheci
..."[14] Paul Samuelson, um dos mais influentes economistas do século XX,
inseriu Mises em sua lista imaginária daqueles que receberiam o Prêmio
Nobel, caso a categoria de Economia fosse instituida desde o começo, em
1901, junto às demais.[15]
Mises escreveu e lecionou incansavelmente, divulgando o liberalismo
clássico, sendo um dos líderes da Escola Austríaca de economia.
Em Human Action, Mises revelou o fundamento conceitual da economia,
que chamou de praxeologia, a ciência da ação humana. Muitos de seus
trabalhos tratavam de dois temas econômicos relacionados:

 economia monetária e inflação.


 diferenças entre economias planificadas e livre mercado.
Mises defendia que as pessoas demandam dinheiro por causa da sua
utilidade como meio para aquisição de outros bens, não por algum valor
intrínseco desse, e que qualquer expansão de oferta de crédito causa ciclos
econômicos. Era defensor convicto do free banking (sistema bancário
não regulado com concorrência inteiramente livre).[16] Mises sugeriu que
o socialismo falha no aspecto econômico por causa do problema do cálculo
economico— o uso de uma economia planejada em substituição
ao mercado na alocação dos fatores de produção.
Em [[artigo artigo de 1920,[17] Mises argumentou que, sem uma economia
de mercado não haveria um sistema de preços funcional, o qual
considerava essencial para alcançar uma alocação racional dos bens de
capital para os seus usos mais produtivos. O socialismo falha porque
a demanda não pode ser conhecida sem preços estabelecidos pelo mercado.
A crítica de Mises da via socialista para o desenvolvimento econômico é
conhecida:

“ O único fato sobre a Rússia sob o regime soviético com que todas
as pessoas concordam é: que a qualidade de vida do povo Russo é
muito menor do que a do povo no pais que é universalmente
considerado como o paradigma do capitalismo, os Estados Unidos.
Se fôssemos considerar o regime soviético um experimento
científico, poderíamos dizer que a experiência demonstrou
claramente a superioridade do capitalismo e a inferioridade do ”
socialismo.[18]

Oskar Lange iniciou a reflexão socialista sobre esse assunto a partir do


ponto de vista de Mises, com o ensaio editado em outubro de 1936, On the
Economic Theory of Socialism, publicado na Review of Economic
Studies.[19]
Os argumentos de Mises foram ampliados por economistas austríacos
posteriores, como Hayek.
Em Intervencionismo, uma Análise Econômica (1940), Ludwig von Mises
escreveu:

“ A terminologia usual da linguagem política é estúpida. O que


é esquerda e o que é direita? Por que Hitler é de 'direita' e Stalin,
seu amigo e contemporâneo, de 'esquerda'? Quem é 'reacionário' e
quem é 'progressista'? Reação contra políticas pouco inteligentes
não deve ser condenada. E progresso em direção ao caos não deve
ser elogiado. Nada deve ser aceito apenas por ser novo, radical, e
estar na moda. 'Ortodoxia' não é um mal se a doutrina em que o
ortodoxo se baseia é válida. Quem é antitrabalhista, aqueles que
querem rebaixar o trabalho ao nível da Rússia, ou aqueles que
querem para o trabalho o padrão de vida capitalista dos Estados
Unidos? Quem é 'nacionalista,' aqueles que querem colocar seu
país sob os calcanhares dos Nazistas ou os que querem preservar
sua independência? ”
Influenciado
muitos economistas e estudiosos foram influenciados pelas ideias de Von
Mises. Entre os mais notáveis podemos destacar Israel Kirzner, Friedrich
Hayek, Hans Sennholz, Ralph Raico, Leonard Liggio, George
Reisman, Henry Hazlitt e Murray Rothbard.[20] O trabalho de Von Mises
também é creditado por influenciar personalidades como Leonard
Read (fundador da ONG "Foundation for Economic Education"), o
poeta Max Eastman e a dramaturga Ayn Rand.

Críticas[editar | editar código-fonte]


Mises foi criticado por diversos motivos, tanto por suas ideias como por
sua personalidade. Desde a metade do século XX Mises foi considerado um
economista anticientífico.[21]
Segundo o historiador econômico Bruce Caldwell, com a ascendência
do Positivismo e do Keynesianismo, von Mises veio a ser considerado por
muitos como o "economista anticientífico".[22] Em uma revisão publicada
em 1957 de seu livro A Mentalidade Anticapitalista, The
Economist criticou von Mises: "O Professor von Mises tem uma mente
analítica esplêndida e um admirável paixão pela liberdade; mas como
estudante de natureza humana é pior que o nulo. E como um debatedor, é
de baixo padrão."[23] O comentarista conservador Whittaker
Chambers publicou uma crítica negativa desse livro no 'National Review'
classificando a tese de von Mises segundo a qual o sentimento
anticapitalista fundamenta-se na "inveja" como "conservadorismo barato" e
"ignorância".[24]
Em uma entrevista de 1978, Friedrich Hayek comentando sobre o livro de
von Mises Socialismo disse: "em primeiro lugar nós sentíamos que ele era
tremendamente exagerado e mesmo ofensivo. Ele feriu os nossos
sentimentos mais profundos, mas gradualmente ele ganhou-nos por aí,
embora por muito tempo – eu aprendi que ele estava sempre certo em suas
conclusões - eu não estivesse completamente satisfeito com seus
argumentos."[25]
O economista Milton Friedman considerava von Mises inflexível em seu
pensamento: [26]
a melhor história que me lembro melhor aconteceu em uma reunião em
Mont Pelerin quando ele se levantou e disse, "vocês são um bando de
socialistas." Estávamos discutindo a distribuição de renda, e se
deveríamos ter imposto de renda progressivo. Algumas pessoas que lá
estavam, expressaram a opinião de que o Imposto de renda deveria ser
progressivo.
Em outra ocasião, Fritz Machlup, que foi aluno de von Mises e um dos
seus mais fiéis discípulos, deu uma palestra em que ele questionou a ideia
de um padrão para a cotação do ouro; ele se expressou em favor de taxas
de câmbio flutuantes. Von Mises teria ficado tão bravo, que não falaria
com Machlup durante três anos.
O economista Murray Rothbard, que estudou com von Mises, afirmou que
ele era intransigente, porém contesta os relatos de sua agressividade. Em
suas palavras, von Mises foi "incrivelmente doce, pesquisando
constantemente para projetos de pesquisa para seus alunos, infalivelmente
cortês e nunca amargo".[21][27]
O livro de 1927 von Mises ' Liberalismo ' tem sido largamente ignorado,
exceto no que tange aos seus comentários sobre o fascismo. Marxistas
como Herbert Marcuse e Perry Anderson, assim como o escritor alemão
Claus-Dieter Krohn, criticaram von Mises por sua aprovação ao fascismo
italiano, especialmente como forma de combate à esquerda.[28] Mais
recentemente o economista J. Bradford DeLong[29] e sociólogo Richard
Seymour,[30] repetiram as críticas. Von Mises escreveu naquele livro: [31]
Não se pode negar que o fascismo e movimentos semelhantes, visando o
estabelecimento de ditaduras são cheios de boas intenções e que sua
intervenção, em dado momento, salvou a civilização europeia. O mérito
que o fascismo ganhou assim, por si só viverá eternamente na história.
Mas apesar da sua política ter sido a salvação do momento, ela não é do
tipo que possa garantir um sucesso contínuo. O Fascismo foi um improviso
para fazer face a uma emergência. Entendê-lo como algo mais que isso
seria um erro fatal.[21]
O biógrafo de Mises Jörg Guido Hülsmann chama a crítica de que Mises
justificou o fascismo de "absurda", apontando para o resto da citação na
qual ele chamou o fascismo de perigoso e o descreve como um "erro fatal"
classificando-o como um "improviso de emergência" contra a crescente
ameaça do comunismo e o socialismo, este exemplificado
pelos bolcheviques na Rússia.[21]
Ludwig von Mises foi contrário aos sindicatos, aos direitos trabalhistas, aos
partidos políticos, ao nacionalismo e a qualquer intervenção e
regulamentação do Estado na economia. Na visão de alguns apologistas da
escola austríaca, as teorias de von Mises haveriam sido comprovadas com
a Crise de 1929 que, segundo esses apologistas, ele havia previsto com dois
anos de antecedência - quando em meados de 1929 recusou um emprego no
banco vienense Kreditanstalt (contra a vontade da sua noiva), dizendo
"Uma grande crise está a caminho e eu não quero meu nome de modo
algum associado com isso."[32] Entretanto, críticos afirmam que essa
declaração é desprovida de qualquer fundamentação, não oferecendo
sequer evidência de que von Mises estaria se referindo à economia
americana, a uma depressão global ou mesmo à saúde financeira do próprio
banco Kreditanstalt.
Citações polêmicas
- "(...) muitos liberais acreditavam ser necessário relatar, como regra
geral e até mesmo, algumas vezes, de modo exagerado, casos excepcionais
em que servos e escravos haviam sido cruelmente tratados. Porém, de
nenhum modo, tais excessos constituíam a regra. Havia, é claro, casos
isolados de abusos e o fato de haver tais casos constituía uma razão a mais
para a abolição do sistema. Entretanto, via de regra, o tratamento dos
escravos por seus senhores era humano e suave". (...) Contra esta objeção
a favor da escravidão, há apenas um argumento que pode e, de fato, refuta
todos os outros: o de que o trabalho livre é incomparavelmente mais
produtivo do que o trabalho escravo. (...) Condenamos a servidão
involuntária, não a despeito do fato de que seja vantajosa para "os
senhores", mas porque estamos convencidos de que, em última análise, ela
fere os interesses de todos os membros da sociedade humana, inclusive os
"senhores".[33]
- "O Governo deve proteger os indivíduos dentro do país contra os ataques
violentos e fraudulentos de gangsters, e deve defender o país contra
inimigos externos".[34]
- "(...) a pior coisa que pode acontecer a um socialista é ter o seu país
governado por socialistas que não são seus amigos."[35][36]

John Maynard Keynes


(1883 a 1946)

Considerado um dos mais importantes economistas de toda a história,


John Maynard Keynes nasceu numa família de intelectuais. Estudou no
famoso Colégio Eton, da aristocracia inglesa, onde obteve medalhas por
mérito em matemática.

John Maynard Keynes

Em 1902 Keynes recebeu uma bolsa de estudos para estudar no King's


College, da Universidade de Cambridge. Conta-se que, ao entrar na
universidade, já possuía 329 livros antigos, frutos de uma bibliofilia
despertada ainda na adolescência. Em Cambridge, Keynes foi aluno do
famoso economista Alfred Marshall.
Em 1906 John M. Keynes tornou-se funcionário do Ministério dos
Negócios das Índias e passou dois anos na Ásia. Em 1908 passou a ocupar
o cargo de professor de economia em Cambridge, onde lecionou até 1915.
Keynes ingressou no Tesouro Britânico em 1916, exercendo diversos
cargos importantes.
Após a Primeira Guerra Mundial, Keynes foi conselheiro da delegação
britânica nas negociações de paz, mas em 1919 renunciou ao cargo, sob o
argumento de que as compensações econômicas impostas à Alemanha pelo
Tratado de Versalhes não eram factíveis.
Em 1919 publicou seu ponto de vista no livro "As Conseqüências
Econômicas da Paz". Seu trabalho teve grande impacto político em
praticamente todas as nações capitalistas. Durante os anos 1920, as suas
teorias econômicas analisaram a necessidade da interferência do Estado nos
mercados instáveis do pós-guerra. Em 1932 Keynes redigiu seu "Tratado
Sobre a Reforma Econômica". Sua última obra, talvez a mais importante,
foi publicada em 1936, a "Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda".
Durante a Segunda Guerra Mundial, John Keynes se reincorporou ao
Tesouro Britânico. Em 1944 chefiou a delegação britânica na Conferência
de Bretton Woods, que deu origem ao Banco Mundial e ao Fundo
Monetário Internacional.
John M. Keynes teve também uma vida social muito ativa. Pertenceu ao
famoso grupo de Bloomsburry, formado por intelectuais e aristocratas. Em
1942 recebeu o título de barão de Tilton. Keynes teve vários
relacionamentos homossexuais, o mais importante com o artista plástico
Duncan Grant, a quem assistiu financeiramente até o fim da vida. Apesar
da homossexualidade, Keynes casou-se com Lydia Lopokova, bailarina da
famosa companhia Diaghilev
John M. Keynes morreu em em decorrência de problemas cardíacos.
John Maynard Keynes (Cambridge, 5 de junho de 1883 — Tilton, East
Sussex, 21 de abril de 1946), foi um economista britânico cujas ideias
mudaram fundamentalmente a teoria e prática da macroeconomia, bem
como as políticas económicas instituídas pelos governos. Ele fundamentou
as suas teorias noutros trabalhos anteriores que analisavam as causas
dos ciclos econômicos, refinando-as enormemente e tornando-se
amplamente reconhecido como um dos economistas mais influentes
do século XX e o fundador da macroeconomia moderna.[1][2][3][4] O trabalho
de Keynes é a base para a escola de pensamento conhecida
como keynesianismo, bem como suas diversas ramificações.
Na década de 1930, Keynes (pronúncia: /ˈkeɪnz/) iniciou uma revolução no
pensamento econômico, opondo-se às ideias da economia neoclássica que
defendiam que os mercados livres ofereceriam automaticamente empregos
aos trabalhadores contanto que eles fossem flexíveis na sua procura
salarial. Após a eclosão da Segunda Guerra Mundial, as ideias econômicas
de Keynes foram adotadas pelas principais potências econômicas
do Ocidente. Durante as décadas de 1950 e 1960, a popularidade das ideias
keynesianas refletiu-se na influência de seus conceitos sobre as políticas de
grande número de governos ocidentais.
A influência de Keynes na política econômica declinou na década de 1970,
parcialmente com resultados de problemas que começaram a afligir as
economias norte-americana e britânica no início da década (como a Crise
do Petróleo) e também devido às críticas de Milton Friedman e outros
economistas liberais pessimistas em relação à capacidade do Estado de
regular o ciclo econômico com políticas fiscais. Entretanto, o advento
da crise econômica global do final da década de 2000 causou um
ressurgimento do pensamento keynesiano. A economia keynesiana
forneceu a base teórica para os planos dos presidentes norte-
americanos Franklin Delano Roosevelt e Barack Obama, do primeiro-
ministro britânico Gordon Brown e de outros líderes mundiais para evitar a
ocorrência de uma Grande Recessão nos moldes da crise de 1929.[5]
Em 1999, a revista Time nomeou Keynes como uma das cem pessoas mais
influentes do século XX, dizendo que "sua ideia radical de que os governos
devem gastar o dinheiro que não têm, pode ter salvado a economia da
localidade temporariamente". Keynes defendeu uma política económica de
estado intervencionista, através da qual os governos usariam medidas
fiscais e monetárias para mitigar os efeitos adversos dos ciclos
econômicos - recessão, depressão e booms. Além de economista, Keynes
era também um funcionário público, um patrono das artes, um diretor
do Banco da Inglaterra, um conselheiro de várias instituições de caridade,
um escritor, um investidor privado, um colecionador de arte e um
fazendeiro. Dotado de imponente estatura, Keynes tinha 1,98 metro de
altura.

Vida e época (1883-1946


Harry Dexter White, do Tesouro americano, e John Maynard Keynes, na
conferência inaugural dos governadores do Fundo Monetário Internacional,
em 1946.
O impacto da Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda nos meios
acadêmicos e na formulação de políticas públicas excedeu o que
normalmente seria esperado, até mesmo de pensadores tão destacados
como John Maynard Keynes. A razão para seu extraordinário sucesso,
frente a defesa de longo tempo da "doutrina herdada" e à recepção
geralmente negativa nos círculos não-acadêmicos na época de sua
publicação, em 1936, é que a obra tinha alguma coisa para todos. É curioso
salientar que, apesar do peso que a política fiscal assume nas interpretações
feitas a partir de Keynes, na Teoria Geral, mais especificamente numa
edição brasileira de 1996, tal expressão é vista apenas seis vezes, além de
uma vez como nota de rodapé.[6]
Ter-se-ia que volver ao tempo de Adam Smith para encontrar um grau
comparável de persuasão com respeito a política pública; ter-se-ia que
volver a David Ricardopara a espécie de análise rigorosa que inspira o
pensador dedutivo; e a Karl Marx para alguém que atraísse seguidores
capazes e suficientemente zelosos a fim de levar sua mensagem ao mundo.
Parece que a hereditariedade havia destinado a Keynes a fazer uma valiosa
contribuição para o mundo.
Seu pai foi John Neville Keynes, secretário da Universidade de Cambridge,
cuja obra Escopo e Método de Economia Política (1891) é não apenas
clássica em seu campo, mas continua sendo um tratado eminentemente útil
sobre o assunto de metodologia até nossos dias. Sua mãe serviu como
prefeita de Cambridge até 1932. John Maynard estudou no famoso Colégio
Eton, onde recebeu medalhas por mérito em matemática e recebeu uma
bolsa para estudar no King’s College, da universidade de Cambridge, onde
estudou Economia, tendo sido aluno de Alfred Marshall.[7]
Em 1906, tendo passado no exame para o serviço civil, seguiu para a Índia
Office, tendo aí permanecido durante dois anos antes de voltar para o
King’s College, onde se especializou no ensino dos Princípios Econômicos
de Marshall. A vida acadêmica, ampliada para incluir tantos os interesses
culturais como pecuniários que proporcionavam uma bela renda adicional,
era-lhe bastante adequada.
Mas ele sempre esteve envolvido em assuntos públicos numa posição ou
outra, particularmente em questões de comércio e finanças. Este aspecto de
sua carreira está em perfeita consonância com sua abordagem
predominantemente pragmática; a economia como ciência pura era-lhe
muito menos interessante do que a economia a serviços de políticas.
Com efeito, a contribuição de Keynes à teoria e à prática de economia
política tem de ser vista em perspectiva, tendo como fundo os anos de
guerra e entre-guerras, a fim de ser plenamente compreendida e apreciada.
Estes anos foram marcados pela interrupção das relações de comércio e do
padrão-ouro durante a Primeira Guerra Mundial, seguindo-se
primeiramente a inflação, a instabilidade da taxa de câmbio e os
desequilíbrios do balanço de pagamentos, e mais tarde pela deflação e
desemprego em massa em escala internacional. O exame teórico desses
fenômenos catastróficos e, mais importante sob o ponto de vista de Keynes,
as soluções práticas para os problemas criados por estes mesmos
fenômenos estavam na ordem do dia.
Com a irrupção da Segunda Guerra Mundial, Keynes dedicou-se a questões
concernentes às finanças de guerra e ao restabelecimento final do comércio
internacional e de moedas estáveis. Suas ideias sobre estes assuntos foram
oferecidos em um panfleto Como Pagar a Guerra, publicado em 1940, e no
"Plano Keynes" para o estabelecimento de uma autoridade monetária
internacional que ele propôs em 1943. Embora seu plano tenha sido
rejeitado, a proposta que foi adotada em 1944 na Conferência de Bretton
Woods, da qual participou como líder na delegação britânica,[8][7] refletia
claramente a influência de seu pensamento.
Na ocasião de seu falecimento, em princípios de 1946, pouco depois de ter
preparado o acordo de empréstimo americano, ele era o economista líder
não somente da Inglaterra, mas do mundo. Foi um teorista brilhante, mas
considerava a teoria principalmente como um guia para diretrizes de
política econômica. Assim, talvez mais do que qualquer outro indivíduo,
Keynes é o responsável pelo retorno ao que afinal se conhecia como
"economia política". Ele teve vários relacionamentos com vários
indivíduos, inclusive uma bailarina de origem russa.[9]
Micro e Macroeconomia
Anterior ao pensamento keynesiano, a Microeconomia estuda as relações
individuais entre os vários agentes econômicos. Estabelece que as forças de
oferta e de procura provocariam processos de ajustes para o equilíbrio em
todos os preços e valores, plena utilização dos fatores de produção, e um
preço de equilíbrio para o uso de cada um. Os desvios desses níveis eram
considerados temporários. De modo geral, a análise anterior do preço e do
valor assentava-se em hipóteses baseadas no "laissez-faire" e a aplicação de
tal teoria implicava a perfeita mobilidade dos fatores no seio de uma
economia auto-reguladora. Poder-se-ia exemplificar como casos
específicos da Microeconomia a procura pelo trigo ou o nível salarial de
uma determinada indústria.
Por outra visão, a Macroeconomia cuida dos totais ou agregados. Trata da
renda nacional total, e como a mesma é afetada pelos gastos e poupanças
totais. A Microeconomia está incorporada a esta. Observa o
comportamento da economia total e reconhece que o dano de uma das
partes é prejudicial ao todo. A ideia de fluxo é da mais alta importância
pelo fato de que a renda total nacional da sociedade deve ser mantida em
certos níveis para garantir os níveis considerados desejados pelos
intervencionistas de investimentos, economias e emprego.
É uma espécie de conceito de equilíbrio geral: todo elemento da economia
depende de todos os demais elementos. Contrariando a Microeconomia,
não aceita o laissez-faire,[10] considerando-o, na verdade, uma filosofia
inteiramente indigna de confiança e que pode ser julgada grandemente
responsável pelas violentas perturbações no nível das atividades comerciais
e pelo desemprego subsequente. Contudo, a Macroeconomia é anterior a
Keynes.
Keynes e política econômica
J. M. Keynes discordou da lei de Say, que Keynes resumiu como : "a oferta
cria sua própria demanda".Assim como Thomas Malthus, não acreditava
que a produção de mercadorias geraria, sempre e obrigatoriamente,
demanda suficiente para outras mercadorias. Poderiam ocorrer crises de
superprodução, como ocorreu na década de 1930. Para ele o livre mercado
pode, durante os períodos recessivos, não gerar demanda bastante para
garantir o pleno emprego dos fatores de produção devido ao
"entesouramento" das poupanças. Nessa ocasião seria aconselhável que o
Estado criasse déficits fiscais para aumentar a demanda efetiva e instituir
uma situação de pleno emprego.
A teoria dos ciclos comerciais, seja ela monetária ou não em sua maneira
de apreciar a questão, interessa-se primordialmente pelos problemas das
rendas e empregos flutuantes; esses problemas preocuparam os
economistas por muitos anos. Os estudos primitivos sobre os ciclos
comerciais raramente empregaram muita evidência empírica, mas pelo
menos nos Estados Unidos a macroanálise existiu durante meio século.
Keynes fez a ênfase recair inteiramente sobre os níveis de renda, que
segundo ele, afetavam os níveis de emprego, o que constitui, naturalmente,
uma ênfase diferente da encontrada nos estudos anteriores. É
provavelmente verídico que toda a economia keynesiana tenha-se destinado
a encontrar as causas e curas para o desemprego periódico. Keynes não
encontrou solução alguma para o problema em quaisquer trabalhos sobre
Economia Política então existentes, sendo os seus esforços, portanto,
grandemente exploratórios. Desviou-se claramente da maioria das teorias
econômicas anteriores, até mesmo da de seu professor, Alfred Marshall, a
qual era considerada pela maior parte dos eruditos quase sacrossanta. É
verdade que muitas de suas ideias combinaram com as dos economistas
anteriores, como Lauderdale, Malthus, Rae, Sismondi, Say, Quesnay e
outros. Keynes combinou suas próprias teorias e os desenvolvimentos
anteriores em uma análise que ocasionou transformações na Economia
aceita em grau que raiou pela revolução.
O objetivo de Keynes, ao defender a intervenção do Estado na
economia não é, de modo algum, destruir o sistema capitalista de produção.
Muito pelo contrário, segundo o autor, o capitalismo é o sistema mais
eficiente que a humanidade já conheceu (incluindo aí o socialismo). O
objetivo é o aperfeiçoamento do sistema, de modo que se una o altruísmo
social (através do Estado) com os instintos do ganho individual (através da
livre iniciativa privada). Segundo o autor, a intervenção estatal na
economia é necessária porque essa união não ocorre por vias naturais,
graças a problemas do livre mercado (desproporcionalidade entre a
poupança e o investimento e o "estado de ânimo" ou o "[espírito animal]",
dos empresários). Ele também é um economista anti-inflacionista ao
declarar que a inflação é um confisco da renda por parte do governo.
Investimento e expectativas[
Para Keynes, o investimento depende da interação entre a eficiência
marginal do capital e da taxa de juros. Keynes não considera, como muitos
dos autores neoclássicos, a taxa de juros como um custo de empréstimo ou
de financiamento, nem mesmo um custo de oportunidade correspondente
ao retorno proporcionado pelos ativos aplicados no mercado financeiro, em
relação ao investimento em bens de capital produtivo e nem a diferença de
preço entre bens de capital e bens de consumo A taxa de juros, segundo o
próprio autor, é "uma medida da relutância daqueles que possuem dinheiro
em desfazer-se do seu controle líquido sobre ele". Ou seja, é o prêmio que
um agente econômico recebe ao privar-se de sua liquidez.
Essa preferência pela liquidez de seus ativos por parte dos agentes
econômicos se justifica por causa de incerteza quanto ao futuro dos eventos
econômicos e do resultado futuro dos investimentos passados e presentes.
Por essa razão, os indivíduos preferem manter sua riqueza na forma de
dinheiro.
Por isso, segundo Keynes, a taxa de juros representa um limite ao
investimento produtivo, apenas por ser um trade-off do investidor, quando
aplica seu capital em uma ampla carteira de ativos, entre o investimento
(capital produtivo) e a liquidez (capital monetário).
São bastante discutíveis as razões pelas quais a eficiência marginal do
capital deve ser necessariamente decrescente conforme o volume de
investimento. O que ocorre, segundo Keynes, são expectativas de retornos
declinantes com o nível de investimento para, de um lado, um dado
tamanho (ou crescimento) do mercado, e do outro um crescente risco
financeiro associado ao endividamento e à perda de liquidez.
O declínio da eficiência marginal do capital decorre de sua escassez
decrescente com o volume demandado, como ocorre com qualquer ativo de
capital. Para ativos de capital produtivo, o limite para o investimento é
dado pelo mercado dos bens produzidos com esse capital. O declínio do seu
rendimento marginal se dá devido aos crescentes custos financeiros
decorrentes de amortizações e dívidas contraídas pela empresa investidora,
ou ainda o fluxo de desembolsos para o pagamento desses mesmos bens de
capital, o que reduz a condição de liquidez da empresa. Esses fatores
aumentam os riscos financeiros assumidos pelos investidores, o que faz
com que as suas expectativas de retorno sejam cada vez menores. O
economista também era a favor de uma ampliação do déficit apenas em
épocas de crise.[13]
Em resumo, Keynes percebe o investimento produtivo como um fenômeno
monetário, ao invés de autores clássicos que desvinculavam poupança de
investimento. A conotação monetária do investimento para Keynes envolve
também em reconhecer que as próprias definições do investimento
produtivo e de preferência pela liquidez encontram-se interligados pela
mútua dependência de expectativas referentes à incerteza frente a
acontecimentos futuros.
A peculiaridade das expectativas de longo prazo associadas ao
investimento produtivo está principalmente na maior duração do período de
comprometimento do investidor com ativos produtivos duráveis, isto é, de
baixa liquidez, o que acarreta a dificuldade ou impossibilidade dos erros de
correção, por baixos custos, dos erros de previsão quanto aos futuros da
economia e dos mercados. Torna-se, portanto, essencial para que os agentes
econômicos tomem decisões seguras, buscando minimizar a incerteza.
Porém, como Keynes considera a incerteza uma força endógena ao sistema
capitalista, a solução adotada pelos agentes econômicos que possuem
ativos é, ao invés de eliminar, contornar as incertezas de suas expectativas
pelo recurso da adoção de normas de comportamento convencionais. Essas
normas de comportamento convencionais, segundo Keynes, consistem em
"supor que o presente estado de coisas continuará indefinidamente a menos
que haja razões específicas para esperar mudanças".
As expectativas de longo prazo não estão sujeitas à revisão repentina, e por
isso não podem ser afetadas pelos resultados futuros, e nem eliminadas.
Não pode haver, portanto, comportamentos cautelosos, na forma de
expectativas adaptativas (e muito menos expectativas racionais), que
amenizem as incertezas e estabilizem os investimentos. Pois, a incerteza é
uma característica intrínseca do sistema capitalista. Ou seja, em suma, a
reação natural dos indivíduos às incertezas quanto aos acontecimentos
econômicos futuros é se guiar por um comportamento convencional, que
aplaina o caminho do investimento por intermédio de um não desprezível
componente inercial das expectativas.
As suas ideias e as dos seus seguidores foram adotadas por vários governos
ocidentais e também por muitos governos do terceiro mundos. Constituem,
até hoje, a essência da política econômica mantida nos Estados
Escandinavos, cujas populações desfrutam dos melhores padrões de vida
do mundo. A sua influência começou a diminuir a partir dos anos 70 com a
ascensão dos monetaristas, provocada pela crise do dólar norte-americano
de 1971, durante o governo Nixon, quando os Estados Unidos se viram
obrigados a interromper a conversibilidade do dólar em ouro, mas ressurge
depois de 1986 com a publicação do teorema de Greenwald-Stiglitz e o
surgimento dos economistas novo-keynesianos. Em 1998, em meio à crise
asiática, o economista Paul Krugman defendia que "Keynes é ainda mais
importante hoje do que há 50 anos".[14]
As obras mais famosas de Keynes foram:

 As Consequências Económicas da Paz (The Economic Consequences of


Peace);
 Um Tratado sobre Moeda (A Treatise on Money);
 A Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda, (General theory of
employment, interest and money). Edição em língua portuguesa:
Tradutor: CRUZ, Mário Ribeiro da, São Paulo, Editora Atlas,
1992, ISBN 978-85-224-1457-4
Apresenta-se a seguir a lista completa das obras de Keynes, conforme o
artigo da Wiki em inglês:

 1913 Indian Currency and Finance


 1915 The Economics of War in Germany (EJ)
 1919 The Economic Consequences of the Peace (As Consequências
Económicas da Paz)
 1921 A Treatise on Probability (Um Tratado sobre Probabilidade)
 1922 The Inflation of Currency as a Method of Taxation (MGCRE)
 1922 Revision of the Treaty
 1923 A Tract on Monetary Reform
 1925 Am I a Liberal? (N&A)
 1926 The End of Laissez-Faire, Amherst, Nova Iorque, Prometheus
Books, 2004, ISBN 1-59102-268-
1, http://www.panarchy.org/keynes/laissezfaire.1926.html
 1926 Laissez-Faire and Communism
 1930 A Treatise on Money (Um Tratado sobre Moeda)
 1930 Economic Possibilities for our Grandchildren
 1931 The End of the Gold Standard (Sunday Express)
 1931 Essays in Persuasion
 1931 The Great Slump of 1930
 1933 The Means to Prosperity
 1933 An Open Letter to President Roosevelt (New York Times)
 1933 Essays in Biography
 1936 The General Theory of Employment, Interest and Money (A
Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda)
 1940 How to Pay for the War: A radical plan for the Chancellor of the
Exchequer
 1949 Two Memoirs. Ed. por David Garnett (Sobre Carl Melchior e G. E.
Moore.)

Karl Marx

Karl Marx[nota 1] (Tréveris, 5 de maio de 1818 — Londres, 14 de


março de 1883)[9] foi
um filósofo, sociólogo, jornalista e revolucionário socialista. Nascido
na Prússia, mais tarde se tornou apátrida e passou grande parte de sua vida
em Londres, no Reino Unido. A obra de Marx em economia estabeleceu a
base para muito do entendimento atual sobre o trabalho e sua relação com
o capital, além do pensamento econômico posterior.[10][11][12][13] Publicou
vários livros durante sua vida, sendo O Manifesto Comunista (1848) e O
Capital (1867-1894) os mais proeminentes.
Marx nasceu em uma família de classe média em Tréveris, na Renânia
prussiana, e estudou nas universidades de Bonn e Berlim, onde se
interessou pelas ideias filosóficas dos jovens hegelianos. Depois dos
estudos, escreveu para o Rheinische Zeitung, um jornal radical publicado
em Colônia, e começou a trabalhar na teoria da concepção materialista da
história. Em 1843, mudou-se para Paris, onde começou a escrever para
outros jornais radicais e conheceu Friedrich Engels, que se tornaria seu
amigo de longa data e colaborador. Em 1849, foi exilado e se mudou para
Londres junto com sua esposa e filhos, onde continuou a escrever e
formular suas teorias sobre a atividade econômica e social. Também fez
campanha para o socialismo e tornou-se uma figura significativa
na Associação Internacional dos Trabalhadores.[14]
As teorias de Marx sobre a sociedade, a economia e a política — a
compreensão coletiva do que é conhecido como o marxismo — sustentam
que as sociedades humanas progridem através da luta de classes (um
conflito entre uma classe social que controla os meios de produção e a
classe trabalhadora, que fornece a mão de obra para a produção) e que
o Estado foi criado para proteger os interesses da classe
dominante,[15] embora seja apresentado como um instrumento que
representa o interesse comum de todos. Além disso, ele previu que, assim
como os sistemas socioeconômicos anteriores, o capitalismo produziria
tensões internas que conduziriam à sua auto-destruição e substituição por
um novo sistema: o socialismo. Ele argumentava que os antagonismos no
sistema capitalista, entre a burguesia e o proletariado,[16]seriam
consequência de uma guerra perpétua entre a primeira e as demais classes
ao longo da história.[17] Isto, associado à sociedade industrial e ao acúmulo
de capital,[18] geraria a sua classe antagônica,[19] que resultaria na "conquista
do poder político pela classe operária e, eventualmente, no estabelecimento
de uma sociedade sem classes[20][21] e apátrida — o comunismo — regida
por uma livre associação de produtores.[22][23] Marx ativamente
argumentava que a classe trabalhadora deveria realizar uma ação
revolucionária organizada para derrubar o capitalismo e provocar
mudanças sócio-econômicas.[24]
Elogiado e criticado, Marx tem sido descrito como uma das figuras mais
influentes na história da humanidade.[25] Muitos intelectuais, sindicatos e
partidos políticos em nível mundial foram influenciados por suas ideias,
com muitas variações sobre o seu trabalho base. Marx é normalmente
citado, ao lado de Émile Durkheim e Max Weber, como um dos três
principais arquitetos da ciência social moderna.[26]

Marx foi o terceiro de nove filhos,[27] de uma família de


origem judaica de classe média da cidade de Tréveris, na época no Reino
da Prússia. Sua mãe, Henriette Pressburg (1788–1863),
era judia holandesa e seu pai, Herschel Marx (1777–1838), um advogado e
conselheiro de Justiça. Herschel descende de uma família de rabinos, mas
se converteu ao cristianismo luterano em função das restrições impostas à
presença de membros de etnia judaica no serviço público, quando Marx
ainda tinha seis anos.[28] Seus irmãos eram Sophie (1816-1886), Hermann
(1819-1842), Henriette (1820-1845), Louise (1821-1893), Emilie (1824-
1888 - adotada por seus pais), Caroline (1824-1847) e Eduard (1826-
1837).[29]
Em 1830, Marx iniciou seus estudos no Liceu Friedrich Wilhelm,
em Tréveris, ano em que eclodiram revoluções em diversos
países europeus. Ingressou mais tarde na Universidade de Bonn para
estudar Direito, transferindo-se no ano seguinte para a Universidade de
Berlim, onde o filósofo alemão Georg Wilhelm Friedrich Hegel, cuja obra
exerceu grande influência sobre Marx, foi professor e reitor.[28] Em Berlim,
Marx ingressou no Clube dos Doutores, que era liderado pelo hegueliano
de esquerda Bruno Bauer.[30] Ali perdeu interesse pelo Direito e se voltou
para a Filosofia, tendo participado ativamente do movimento dos Jovens
Hegelianos. Seu pai faleceu neste mesmo ano.[28] Em 1841, obteve o título
de doutor em Filosofia com uma tese sobre as Diferenças da filosofia da
natureza em Demócrito e Epicuro.[28] Impedido de seguir uma carreira
acadêmica,[31] tornou-se, em 1842, redator-chefe da Gazeta
Renana (Rheinische Zeitung), um jornal da província
[32]
de Colônia; conheceu Friedrich Engels neste mesmo ano, durante visita
deste a redação do jornal.[28]
Casamento e vida política

Esposa de Marx, Jenny von Westphalen.


Em 1843, a Gazeta Renana foi fechada após publicar uma série de ataques
ao governo prussiano. Tendo perdido o seu emprego de redator-chefe,
Marx mudou-se para Paris. Lá assumiu a direção da publicação Deutsch-
Französische Jahrbücher ('Anais Franco-Alemães') e foi apresentado a
diversas sociedades secretas de socialistas. Antes ainda da sua mudança
para Paris, Marx casou-se, no dia 19 de junho de 1843, com Jenny von
Westphalen,[33] Hegelianos de Esquerda ou Jovens Hegelianos[28] a filha de
um barão da Prússia com a qual mantinha noivado desde o início dos seus
estudos universitários.[34] (Noivado que foi mantido em sigilo durante anos,
pois as famílias Marx e Westphalen não concordavam com a união.[35])
Do casamento de Marx com Jenny von Westphalen, nasceram sete filhos,
mas devido às más condições de vida que foram forçados a viver em
Londres, apenas três sobreviveram à idade adulta. As crianças eram: Jenny
Caroline (1844-1883), Jenny Laura (1845-1911), Edgar (1847-1855),
Henry Edward Guy ("Guido"; 1849-1850), Jenny Eveline Frances
("Franziska"; 1851-52), Jenny Julia Eleanor (1855-1898) e mais um que
morreu antes de ser nomeado (Julho, 1857). Ao que consta, Franziska,
Edgar e Guido morreram na infância, provavelmente pelas péssimas
condições materiais a que a família estava submetida,[36] duas das filhas de
Marx cometeram suicídio: Eleanor, 15 anos após a morte de Marx, aos 43
anos, após descobrir que seu companheiro havia se casado secretamente
com uma atriz bem mais jovem, mas há quem suspeite que ele, na verdade,
assassinou-a; e Laura, 28 anos após a morte de Marx, aos 66 anos, junto
com o seu marido, Paul Lafargue, por não querer viver na velhice.[37] Marx
também teve um filho nascido de sua relação amorosa com a militante
socialista e empregada da família Marx, Helena Demuth. Solicitado por
Marx, Engels assumiu a paternidade da criança, Frederick Delemuth, e
pagando uma pensão, entregou-o a uma família de um bairro proletário de
Londres[38]
No tratamento pessoal — Leandro Konder ressalta — Marx foi produto de
seu tempo: "Antes de poder contestar a sociedade capitalista Marx
pertencia a ela, estava espiritualmente mais enraizado no solo da sua
cultura do que admitiria, e que diante dos padrões da Inglaterra
vitoriana mostrou: traços típicos das limitações de seu tempo". Como
moças aristocráticas, suas filhas tinham aulas de piano, canto e desenho,
mesmo que não tivessem desenvoltura para tais atividades artísticas.[38]

Marx com sua mulher, em foto de 1869.


Também em 1843, Marx conheceu a Liga dos Justos (que mais tarde
tornar-se-ia Liga dos Comunistas).[28] Em 1844, Friedrich Engels visitou
Marx em Paris por alguns dias. A amizade e o trabalho conjunto entre
ambos, que se iniciou nesse período, só seria interrompido com a morte de
Marx.[34] Na mesma época, Marx também se encontrou com Proudhon, com
quem teve discussões polêmicas e muitas divergências. E conheceu
rapidamente Bakunin, então refugiado do czarismo russo e
militante socialista. No seu período em Paris, Marx intensificou os seus
estudos sobre economia política, os socialistas utópicos franceses e
a história da França, produzindo reflexões que resultaram nos Manuscritos
de Paris, mais conhecidos como Manuscritos Econômico-Filosóficos. De
acordo com Engels, foi nesse período que Marx aderiu às ideias
socialistas.[34]
De Paris, Marx ajudou a editar uma publicação de pequena circulação
chamada Vorwärts!, que contestava o regime político alemão da época. Por
conta disto, Marx foi expulso da Françaem 1845 a pedido do governo
prussiano. Migrou então para Bruxelas, para onde Engels também
viajou.[34] Entre outros escritos, a dupla redigiu na Bélgica o Manifesto
comunista. Em 1848, Marx foi expulso de Bruxelas pelo governo belga.
Junto com Engels, mudou-se para Colônia, onde fundam o jornal Nova
Gazeta Renana.[28] Após ataques às autoridades locais publicados no jornal,
Marx foi expulso de Colônia em 1849. Até 1848, Marx viveu
confortavelmente com a renda oriunda de seus trabalhos, seu salário e
presentes de amigos e aliados, além da herança legada por seu
pai.[35] Entretanto, em 1849 Marx e sua família enfrentaram grave crise
financeira; após superarem dificuldades conseguiram chegar a Paris, mas o
governo francês proibiu-os de fixar residência em seu território. Graças,
então, a uma campanha de arrecadação de donativos promovida
por Ferdinand Lassalle na Alemanha, Marx e família conseguem migrar
para Londres, onde fixaram residência definitiva[28] trabalhar como
correspondente em Londres para o New York Tribune[39] onde declarou seu
apoio público o governo de Abraham Lincoln durante a Guerra da
Secessão.
Morte

Tumba de Karl Marx no Cemitério de Highgate, Londres.


Deprimido pela morte de sua esposa em dezembro de 1881, Marx
desenvolveu, em consequência dos problemas de saúde que suportou ao
longo de toda a vida, bronquite e pleurisia, que causaram seu falecimento
em 1883. Foi enterrado na condição de apátrida,[43] no Cemitério de
Highgate, em Londres.[28]
Muitos dos amigos mais próximos de Marx prestaram-lhe homenagem no
seu funeral, incluindo Wilhelm Liebknecht e Friedrich Engels. Este
pronunciou as seguintes palavras:[44]

“ Marx era, antes de tudo, um revolucionário. Sua verdadeira missão


na vida era contribuir, de um modo ou de outro, para a derrubada
da sociedade capitalista e das instituições estatais por esta
suscitadas, contribuir para a libertação do proletariado moderno,
que ele foi o primeiro a tornar consciente de sua posição e de suas
necessidades, consciente das condições de sua emancipação. A luta ”
era seu elemento. E ele lutou com uma tenacidade e um sucesso
com quem poucos puderam rivalizar. (…) Como consequência,
Marx foi o homem mais odiado e mais caluniado de seu tempo.
Governos, tanto absolutistas como republicanos, deportaram-no de
seus territórios. Burgueses, quer conservadores ou
ultrademocráticos, porfiavam entre si ao lançar difamações contra
ele. Tudo isso ele punha de lado, como se fossem teias de aranha,
não tomando conhecimento, só respondendo quando necessidade
extrema o compelia a tal. E morreu amado, reverenciado e
pranteado por milhões de colegas trabalhadores revolucionários -
das minas da Sibéria até a Califórnia, de todas as partes da Europa e
da América - e atrevo-me a dizer que, embora, muito embora, possa
ter tido muitos adversários, não teve nenhum inimigo pessoal.

Em 1954, o Partido Comunista Britânico construiu uma lápide com o busto


de Marx sobre sua tumba, até então de decoração muito simples.[45] Na
lápide, estão inscritos o parágrafo final do Manifesto
Comunista("Proletários de todos os países, uni-vos!") e um trecho extraído
das Teses sobre Feuerbach: "Os filósofos apenas interpretaram o mundo de
várias maneiras, enquanto que o objetivo é mudá-lo."

Influências
Algumas das principais leituras e estudos feitos por Marx são:[46]

 A filosofia alemã de Kant, Hegel e dos neo-hegelianos (como Ludwig


Feuerbach e Moses Hess);
 O socialismo utópico (representado por Saint-Simon, Robert
Owen, Louis Blanc e Proudhon); e
 A economia política clássica britânica (representada por Adam
Smith, David Ricardo e outros).[47]
Ele estudou profundamente todas essas concepções ao mesmo tempo em
que as questionou e desenvolveu novos temas, de modo a produzir uma
profunda reorientação no debate intelectual europeu.[46]
Influência da filosofia idealista

Karl Marx em 1861


Hegel foi professor da Universidade de Jena, a mesma instituição onde
Marx cursou o doutorado. E, em Berlim, Marx teve contato prolongado
com as ideias dos Jovens Hegelianos(também chamados de "hegelianos de
esquerda"). Os dois principais aspectos do sistema de Hegel que
influenciaram Marx foram sua filosofia da história e sua
[48]
concepção dialética.
Para Hegel, nada no mundo é estático, tudo está em constante processo
(vir-a-ser); tudo é histórico, portanto. O sujeito desse mundo em
movimento é o Espírito do Mundo(também chamado
de Superalma ou Consciência Absoluta), que representa a consciência
humana geral, comum a todos indivíduos e manifesta na ideia de Deus. A
historicidade é concebida enquanto história do progresso da consciência da
liberdade. As formas concretas de organização social correspondem a
imperativos ditados pela consciência humana, ou seja, a realidade é
determinada pelas ideias dos homens, que concebem novas ideias de como
deve ser a vida social em função do conflito entre as ideias de liberdade e
as ideias de coerção ligadas a condição natural ("selvagem") do homem. O
homem se liberta progressivamente de sua condição de existência natural
através de um processo de "espiritualização" – reflexão filosófica (ao nível
do pensamento, portanto) que conduz o homem a perceber quem é o real
sujeito da história.[48][49]
Marx considerou-se um "hegeliano de esquerda" durante certo tempo, mas
rompeu com o grupo e efetuou uma revisão bastante crítica dos conceitos
de Hegel após tomar contato com as concepções de Ludwig Feuerbach.[nota
2]
Manteve o entendimento da história enquanto progressão dialética (ou
seja, o mundo está em processo graças ao choque permanente entre os
opostos; não é estático), mas eliminou o Espírito do Mundo enquanto
sujeito ou essência, porque passou a compreender que a origem da
realidade social não reside nas ideias, na consciência que os homens têm
dela, mas sim na ação concreta (material, portanto) dos homens, portanto
no trabalho humano. A existência material precede qualquer pensamento;
inexiste possibilidade de pensamento sem existência concreta. Marx
inverte, então, a dialética hegeliana, porque coloca a materialidade – e não
as ideias – na gênese do movimento histórico que constitui o mundo.
Elabora assim a dialética materialista, construída como uma crítica ao
materialismo de Feuerbach[50] e um conceito não desenvolvido por Marx
que também costuma ser chamado de materialismo dialético).[48][51]
A mistificação por que passa a dialética nas mãos de Hegel não o impede
de ser o primeiro a apresentar suas formas gerais de movimento, de
maneira ampla e consciente. Em Hegel, a dialética está de cabeça para
baixo. É necessária pô-la de cabeça para cima, a fim de descobrir a
substância racional dentro do invólucro místico.

—Karl Marx, em O Capital[52]

A respeito da influência de Hegel sobre Marx, escreveu Lenin que "é


completamente impossível entender O Capital de Marx, e, em especial, seu
primeiro capítulo, sem haver estudado e compreendido a fundo toda a
lógica de Hegel."[53]
Influência do socialismo utópico
À época de Marx, "socialismo utópico" designava um conjunto de
doutrinas diversas (e até antagônicas entre si) que tinham em comum,
entretanto, duas características básicas: (1) a base determinante do
comportamento humano residia na esfera moral/ideologia e (2) o
desenvolvimento das civilizações ocidentais estava a permitir uma nova era
onde iria imperar a harmonia social.
Marx criticou sagazmente as ideias dos socialistas utópicos (principalmente
dos franceses, com os quais mais polemizou), acusando-os de
muito romantismo ingênuo e pouca ou nenhuma dedicação ao estudo
rigoroso da conjuntura social, pois os socialistas utópicos muito diziam
sobre como deveria ser a sociedade harmônica ideal, mas nada indicavam
sobre como seria possível alcançá-la plenamente. Além de criticar o
socialismo utópico, ele também criticou o socialismo pequeno burguês, [54] o
"socialismo feudal" reacionário e o "socialismo conservador".[55] Por outro
lado, pode-se dizer que, de certa forma, Marx adotou – explícita ou
implicitamente – algumas noções contidas nas ideias de alguns dos
socialistas utópicos, como a noção de que o aumento da capacidade de
produção decorrente da revolução industrial permite condições materiais
mais confortáveis à vida humana ou ainda a noção de que as crenças
ideológicas do sujeito lhe determinam o comportamento. É importante
destacar uma diferença primordial: para os socialistas utópicos em geral,
todo o comportamento humano é absolutamente determinado pela
moral/ideologia, já para Marx, essa afirmação é parcialmente verdadeira,
pois a moral/ideologia encontra-se submetida a uma outra condição anterior
que lhe determina – a dimensão material da reprodução da existência.[48]
Influência da economia política clássica

Marx em 1867.
Marx empreendeu um minucioso estudo de grande parte da teoria
econômica ocidental, desde escritos da Grécia antiga até obras que lhe
eram contemporâneas. As contribuições que julgou mais fecundas foram as
elaboradas por dois economistas políticos britânicos: Adam Smith e David
Ricardo (tendo predileção especial por Ricardo, a quem chamava de "o
maior dos economistas clássicos"). Na obra deste último, Marx encontrou
conceitos – então bastante utilizados no debate britânico – que, após
fecunda revisão e re-elaboração, adotou em definitivo, como os
de valor, divisão social do trabalho, acumulação primitiva e mais-valia. A
avaliação do grau de influência da obra de Ricardo sobre Marx é bastante
desigual. Estudiosos pertencentes à tradição neo-ricardiana tendem a
considerar que existem poucas diferenças cruciais entre o pensamento
econômico de um e outro; já estudiosos ligados à tradição marxista tendem
a delimitar diferenças fundamentais entre eles.[56][48][57] Apesar de Marx ter
sido influenciado pelo utilitarismo radical de Jeremy Bentham na área
econômica, ele admite que a sociedade possa dedicar parte de seu tempo a
atividades não produtivas depois de que ela tenha atingido seus objetivos
econômicos.[58]
Colaboração de Engels
Friedrich Engels exerceu significativa influência sobre as reflexões
intelectuais de Marx, principalmente no início da associação entre ambos,
período em que dirigiu a atenção de Marx para a economia Política e a
história econômica da Europa. Após a morte deste, Engels tornou-se não só
o organizador dos muitos manuscritos incompletos e/ou inéditos legados,
mas também o primeiro intérprete e sistematizador das ideias de Marx.
Engels igualmente se ocupou, desde bem antes do falecimento de seu
amigo, de redigir exposições em termos populares das ideias de Marx,
visando facilitar sua difusão.[59]
A teoria marxista é, substancialmente, uma crítica radical das sociedades
capitalistas, mas é uma crítica que não se limita a teoria em si: Marx se
posiciona contra qualquer separação drástica entre teoria e prática, entre
pensamento e realidade, porque essas dimensões são abstrações mentais
(categorias analíticas) que, no plano concreto, real, integram uma mesma
totalidade complexa.[60]
O marxismo constitui-se como a concepção materialista da História, longe
de qualquer tipo de determinismo, mas compreendendo a predominância da
materialidade sobre a ideia, sendo esta possível somente com o
desenvolvimento daquela, e a compreensão das coisas em seu movimento,
em sua inter-determinação, que é a dialética. Portanto, não é possível
entender os conceitos marxianos — como forças produtivas ou capital —
sem levar em conta o processo histórico, pois não são conceitos abstratos e
sim uma abstração do real, tendo como pressuposto que o real é
movimento.[61]
Karl Marx compreende o trabalho como atividade fundante da
humanidade.[62][63] E o trabalho, sendo a centralidade da atividade humana,
se desenvolve socialmente, sendo o homem um ser social. Sendo os
homens seres sociais, a História, isto é, suas relações de produção e
suas relações sociais fundam todo processo de formação da humanidade.
Esta compreensão e concepção do homem é radicalmente revolucionária
em todos os sentidos, pois é a partir dela que Marx irá identificar
a alienação do trabalho como a alienação fundante das demais. E com esta
base filosófica é que Marx compreende todas as demais ciências, tendo sua
compreensão do real influenciado cada dia mais a ciência por sua
consistência.[64]
Metodologia
Segundo Marx, Hegel e seus seguidores criaram uma dialética mistificada,
que buscava explicar a história mundial a partir da economia [65] e como
auto-desenvolvimento da Ideia absoluta.
Já os economistas clássicos naturalizavam e desistoricizaram o modo de
produção capitalista, concebendo a dominação de classe burguesa como
uma ordem natural das relações econômicas, a partir de um conceito
abstrato de indivíduo, homo economicus. Por isso, os economistas clássicos
recorriam a "robsonadas", isto é, narrativas de trocas de produtos entre
caçadores e pescadores primitivos, para ilustrar as suas teorias econômicas.
Marx atribuía essa mistificação ao fetichismo da mercadoria, e não a uma
intenção consciente.[66]
Em oposição aos filósofos idealistas e aos economistas clássicos, Marx
propunha a investigação do desenvolvimento histórico das formas de
produção e reprodução social, partindo do concreto para o abstrato e do
abstrato para o concreto[67]
Classes sociais
Em razão da divisão social do trabalho e dos meios, a sociedade se
extrema entre possuidores e os não detentores dos meios de produção.
Surgem, então, a classe dominante e a classe dominada, sendo a classe
dominante aquela que mantém poder sobre os meios de produção e a classe
dominada a que se sujeita a dominante para obter os bens produzidos. O
Estado aparece para representar os interesses da classe dominante[68] e cria,
para isso, inúmeros aparatos para manter a estrutura da produção. Esses
aparatos são nomeados por Marx de infraestrutura e condicionam o
desenvolvimento de ideologias e normas reguladoras, sejam elas políticas,
religiosas, culturais ou econômicas, para assegurar os interesses dos
proprietários dos meios de produção.
Crítica da religião
Marx cerca de um ano antes de sua morte, em 1882.

Para Marx a crítica da religião é o pressuposto de toda crítica social, pois


crê que as concepções religiosas tendem a desresponsabilizar os homens
pelas consequências de seus atos.[48] Marx tornou-se reconhecido como
crítico sagaz da religião devido a sentença que profere em um escrito
intitulado Crítica da filosofia do direito de Hegel: “A religião é o suspiro
da criatura oprimida, o coração de um mundo sem coração, assim como é o
espírito de uma situação carente de espírito. É o ópio do povo.” Em
verdade, Marx se ocupou muito pouco em criticar sistematicamente a
atividade religiosa. Nesse quesito ele basicamente seguiu as opiniões
de Ludwig Feuerbach, para quem a religião não expressa a vontade de
nenhum Deus ou outro ser metafísico: é criada pela fabulação dos homens.
Revolução
Apesar de alguns leitores de Marx adjetivarem-no de
“teórico da revolução”, inexiste em suas obras qualquer definição
conceitual explícita e específica do termo "revolução". O que Marx oferece
são descrições e projeções históricas inspiradas nos estudos que fez acerca
das revoluções francesa, inglesa e norte-americana. Um exemplo de
prognóstico históricodesse tipo encontra-se em Contribuição para a crítica
da Economia Política:

“ Numa certa etapa do seu desenvolvimento, as forças


produtivas materiais da sociedade entram em
contradição com as relações de produção existentes ou, o
que é apenas uma expressão jurídica delas, com as
relações de propriedade no seio das quais se tinham até
aí movido. De formas de desenvolvimento das forças
produtivas, estas relações transformam-se em grilhões
das mesmas. Ocorre então uma época de revolução
social. ”

Em geral, Marx considerava que toda revolução é necessariamente


violenta, ainda que isso dependa, em maior ou menor grau, da constrição
ou abertura do Estado. A necessidade de violência se justifica porque o
Estado tenderia sempre a empregar a coerção para salvaguardar a
manutenção da ordem sobre a qual repousa seu poder político, logo, a
insurreição não tem outra possibilidade de se realizar senão atuando
também violentamente. Diferente do apregoado pelos
pensadores contratualistas, para Marx o poder político do Estado não
emana de algum consenso geral, é antes o poder particular de uma classe
particular que se afirma em detrimento das demais. A revolução se daria no
âmbito da necessidade de sobrevivência, pois segundo ele as forças
produtivas em seu ápice passariam a se tornar destrutivas.
Importante notar que Marx não entende revolução enquanto algo como
reconstruir a sociedade a partir de um zero absoluto. Na Crítica ao
Programa de Gotha, por exemplo, indica claramente que a instauração de
um novo regime só é possível mediada pelas instituições do regime
anterior. O novo é sempre gestado tendo o velho por ponto de
partida. A revolução proletária, que instauraria um novo regime sem
classes, só obteria sucesso pleno após a conclusão de um período de
transição que Marx denominou socialismo.
Crítica ao anarquismo

Engels, Marx e suas filhas


Criticou o anarquismo por sua visão tida como ingênua do fim do Estado
onde se objetiva acabar com o Estado "por decreto", ao invés de acabar
com as condições sociais que fazem do Estado uma necessidade e
realidade. Na obra Miséria da Filosofia, elabora suas críticas ao
pensamento do anarquista Proudhon. Também criticou o blanquismo com
sua visão elitista de partido, por ter uma tendência autoritária e superada.
Posicionou-se a favor do liberalismo, não como solução para o
proletariado, mas como premissa para maturação das forças produtivas
(produtividade do trabalho) das condições positivas e negativas da
emancipação proletária, como a da homogeneização da condição proletária
internacional gerado pela "globalização" do capital. Sua visão política era
profundamente marcada pelas condições que o desenvolvimento
econômico ofereceria para a emancipação proletária, tanto em sentido
negativo (desemprego), como em sentido positivo (em que o próprio capital
centralizaria a economia, exemplo: multinacionais).
Na lógica da concepção materialista da História, não é a realidade que
move a si mesma, mas comove os atores, trata-se sempre de um "drama
histórico" (termo que Marx usa em O 18 Brumário de Luís Bonaparte) e
não de um "determinismo histórico" que cairia num materialismo mecânico
(positivismo), oposto ao materialismo dialético de Marx, que poderia ser
definido como uma "dialética realidade-idealidade evolutiva". Ou seja, as
relações entre a realidade e as ideias se fundem na práxis, e a práxis é o
grande fundamento do pensamento de Marx. Pois sendo a históriauma
produção humana, e sendo as ideias produto das circunstâncias em que tais
ideais brotaram, fazer história racionalmente é a grande meta. É o próprio
fazer da história que criará suas condições objetivas e subjetivas adjacentes,
já que a objetividade histórica é produto da humanidade (dos homens
associados, luta política, etc). E, assim, Marx finaliza as Teses sobre
Feuerbach, não se trata de interpretar diferentemente o mundo, mas de
transformá-lo, pois a própria interpretação está condicionada ao mundo
posto, só a ação revolucionária produz a transcendência do mundo vigente.
O conceito de mais-valia foi empregado por Karl Marx para explicar a
obtenção dos lucros no sistema capitalista. Para Marx, o trabalho gera a
riqueza, portanto, a mais-valia seria o valor extra da mercadoria, a
diferença entre o que o empregado produz e o que ele recebe. Os operários
em determinada produção produzem bens (ex: 100 carros num mês). Se
dividirmos o valor dos carros pelo trabalho realizado dos operários,
teremos o valor do trabalho de cada operário. Entretanto os carros são
vendidos por um preço maior: esta diferença é o lucro do proprietário da
fábrica. A esta diferença, Marx chama de "valor excedente ou maior", ou
mais-valia. Segundo ele, o lucro teria uma tendência decrescente devido a
necessidade de se investir na produção, à medida que a remuneração dos
trabalhadores estaria submetida a mais-valia.

Capa da primeira edição (1867) de Das Kapital


A grande obra de Marx é O Capital, na qual trata de fazer uma extensa
análise da sociedade capitalista. É predominantemente um livro
de Economia Política, mas não só. Nesta obra monumental, Marx discorre
desde a economia, até a sociedade, cultura, política e filosofia. É uma obra
analítica, sintética, crítica, descritiva, científica, filosófica, etc. Uma obra
de difícil leitura, ainda que suas categorias não tenham
a ambiguidade especulativa própria da obra de Hegel, possui, no entanto,
uma linguagem pouco atraente e nem um pouco fácil. Dentro da estrutura
do pensamento de Marx, só uma obra como O Capital é o principal
conhecimento, tanto para a humanidade em geral, quanto para o
proletariado em particular, já que através de uma análise radical da
realidade que está submetido, só assim poderá se desviar da ideologia
dominante ("a ideologia dominante" é sempre da "classe dominante"),
como poderá obter uma base concreta para sua luta política. Sobre o caráter
da abordagem econômica das formações societárias humanas, afirmou
Alphonse De Waelhens: "O marxismo é um esforço para ler, por trás da
pseudo-imediaticidade do mundo econômico reificado as relações inter-
humanas que o edificaram e se dissumularam por trás de sua obra. Cabe
lembrar que O Capital é uma obra incompleta, tendo sido publicado apenas
o primeiro volume com Marx vivo. Os demais volumes foram organizados
por Engels e publicados posteriormente.
Outras obras
Na obra A Ideologia Alemã, Marx apresenta os pressupostos de seu novo
pensamento. No Manifesto Comunista, apresenta sua tese política básica,
propondo a construção de uma nova sociedade, derrubando a burguesia
através da luta contra a propriedade privada[80] de poucos.[81] No ensaio
"Sobre a Questão Judaica", apresenta sua crítica à religião, dizendo que não
se deve apresentar questões humanas como teológicas, mas as teológicas
como questões humanas, e que afirmar ou negar a existência de Deus, são
ambas teologia. Para ele, deve-se sempre ver as religiões como reflexões
fantasiosas do ser humano acerca de si mesmo, mas que representam a
condição real a qual está submetido o ser humano. Em Crítica ao
Programa de Gotha, Marx faz sua mais extensa e sistemática apresentação
do que seria uma sociedade socialista. Em A Guerra Civil na França, Marx
supera todas as suas tendências jacobinas[82] de antes e defende claramente
que só com o fim do Estado o proletariado oferece a si mesmo as condições
de manter o próprio poder recém conquistado, e o fim do Estado é
literalmente o "povo em armas", ou seja, o fim do "monopólio da
violência" que o Estado representa. Em O 18 Brumário de Luís Bonaparte,
além da profunda análise sobre o terror da "burocracia", outros aspectos
marcantes são a questão do campesinato como aliado da classe operária na
revolução iminente, o papel dos partidos políticos na vida social [83] e uma
caracterização profunda da essência do bonapartismo. Karl Marx foi um
dos poucos ideólogos que acompanharam todo o percurso de instabilidade
política francesa pós-revolução francesa, revolução
industrial e globalização sendo que influenciou muito na obra do autor e
contribuiu para alimentar os debates políticos dentro da esquerda.

Recepção da obra
Durante a vida de Marx, suas ideias receberam pouca atenção de outros
estudiosos. Talvez o maior interesse tenha se verificado na Rússia, onde,
em 1872, foi publicada a primeira tradução do Tomo I de O Capital.
Na Alemanha, a teoria de Marx foi ignorada durante bastante tempo, até
que, em 1879, Adolph Wagner, um alemão estudioso da economia política,
comentou o trabalho de Marx ao longo de uma obra intitulada Allgemeine
oder theoretische Volkswirthschaftslehre. A partir de então, os escritos de
Marx começaram a atrair cada vez mais atenção.
Ao final do século XIX, o principal local de debate da teoria de Marx era
o Partido Social-Democrata da Alemanha. Contudo, nos primeiros anos
após sua morte, sua teoria obteve crescente influência intelectual e política
sobre os movimentos operários e, em menor proporção, sobre os círculos
acadêmicos ligados às ciências humanas – notadamente na Universidade de
Viena e na Universidade de Roma, primeiras instituições acadêmicas a
oferecerem cursos voltados para o estudo de Marx.
Marx foi herdeiro da filosofia alemã, considerado ao lado
de Kant, Nietzsche e Hegel um de seus grandes representantes. Foi um dos
maiores (para muitos, o maior) pensadores de todos os tempos, tendo uma
produção teórica com a extensão e densidade de um Aristóteles, de quem
era um admirador. Marx criticou ferozmente o sistema
filosófico idealista de Hegel. Enquanto que, para Hegel, "da realidade se
faz filosofia", para Marx, a filosofia precisa incidir sobre a realidade. Para
transformar o mundo, é necessário vincular o pensamento à prática
revolucionária, união conceitualizada como práxis: união entre teoria e
prática.

Legado
Estatueta de Marx e Engels. Parte do Fórum Marx-Engels em Berlim-
Mitte.
As ideias de Marx tiveram um profundo impacto na política mundial e
pensamento intelectual. Os seguidores de Marx vêm debatendo entre si
sobre como interpretar seus escritos e aplicar seus conceitos para o mundo
moderno. O legado do pensamento de Marx tornou-se objeto de
contestação entre inúmeras tendências, cada uma se vendo como a
intérprete mais precisa de Marx. Na esfera política, estas tendências
incluem o leninismo, marxismo-
leninismo, trotskismo, maoísmo, luxemburguismo e o marxismo libertário.
Várias correntes também se desenvolveram no marxismo acadêmico,
muitas vezes sob influência de outros pontos de vista, resultando
no marxismo estruturalista, marxismo histórico, fenomenológica
marxista, marxismo analítico e marxismo hegeliano.
Do ponto de vista acadêmico, a obra de Marx contribuiu para o nascimento
da sociologia moderna. Ele tem sido citado como um dos três mestres da
"escola cínica" do século XIX, ao lado de Friedrich Nietzsche e Sigmund
Freud,[91] e como um dos três principais arquitetos da ciência social
moderna juntamente com Émile Durkheim e Max Weber. Em contraste
com outros filósofos, Marx ofereceu teorias que, muitas vezes, poderiam
ser testadas com o método científico. Tanto Marx quanto Auguste Comte
começaram a desenvolver ideologias cientificamente fundadas durante a
secularização européia e novos desenvolvimentos na filosofia da história e
ciência. Trabalhando na tradição hegeliana, Marx rejeitou o positivismo
sociológico comtiano na tentativa de desenvolver uma ciência da
sociedade. Karl Löwith considerou Marx e Søren Kierkegaard os dois
maiores sucessores filosóficos de Hegel. Na teoria sociológica moderna,
a sociologia marxista é reconhecida como uma das principais perspectivas
clássicas. Isaiah Berlin considera Marx o verdadeiro fundador da sociologia
moderna, "na medida em que qualquer um pode reivindicar o título". Além
da ciência social, ele também teve um legado duradouro na filosofia,
na literatura, nas artes e nas humanidades.
Mapa dos países que se declararam estados socialistas sob uma definição
marxista-leninista ou maoísta entre 1979-1983. Este período marcou a
maior extensão territorial dos Estados socialistas.
Na teoria social, pensadores do século XX e XXI adotaram duas estratégias
principais em resposta a Marx: a primeira, conhecida como marxismo
analítico, tende a reduzi-lo ao seu núcleo analítico, e precisa sacrificar suas
ideias mais interessantes e intrigantes; a segunda, mais comum, dilui as
reivindicações explicativas da teoria social de Marx e enfatiza a
"autonomia relativa" dos aspectos da vida social e econômica, não
diretamente relacionadas com a narrativa central de Marx: a interação entre
o desenvolvimento das forças de produção e a sucessão dos modos de
produção. Nesta segunda estratégia, incluem-se, por exemplo, a
teorização neomarxista — adotada pelos historiadores inspirados na teoria
social de Marx como E. P. Thompson e Eric Hobsbawm — e a linha de
pensamento adotada por pensadores e ativistas como Antonio Gramsci, que
têm procurado entender as oportunidades e as dificuldades da prática
política transformadora vista à luz da teoria social marxista. Gramsci
desenvolveu o conceito de revolução passiva, a qual é definida como
"revolução sem revolução".
Politicamente, o legado de Marx é mais complexo. Ao longo do século XX,
ocorreram revoluções em dezenas de países que se autorotularam de
"marxistas", mais notavelmente a Revolução Russa, que levou à fundação
da URSS. Líderes mundiais como Vladimir Lenin, Mao Zedong,[ Fidel
Castro, Salvador Allende, Josip Tito e Kwame Nkrumah citaram Marx
como uma influência, e suas ideias estão presentes em vários partidos
políticos em todo o mundo, além daqueles onde ocorreram "revoluções
marxistas". As ditaduras brutais associadas com algumas nações marxistas
levaram oponentes políticos a culpar Marx por milhões de mortes, mas a
fidelidade destes líderes, partidos e revoluções à obra de Marx é contestada
e rejeitada por muitos marxistas. Atualmente, é comum distinguir entre o
legado e a influência de Marx especificamente, e o legado e influência de
suas ideias para fins políticos.

Críticas
Memorial de Karl Marx em Moscou, escrito: Proletariados de todo mundo,
uni-vos!
Em A Miséria do Historicismo (1936), Karl Popper discorda de Marx
quanto à história ser regida por leis que, se compreendidas, podem
servir para se antecipar o futuro. Segundo Popper, a história não pode
obedecer a leis e a ideia de "lei histórica" é uma contradição em si
mesma Já em A sociedade aberta e seus inimigos (1945), Popper afirma
que o historicismo conduz necessariamente a uma sociedade "tribal" e
"fechada", com total desprezo pelas liberdades individuais. Popper
considera Marx como "não-científico" também porque sua teoria não é
passível de contestação. Uma teoria científica tem que ser falseável - caso
contrário, é incluída no campo das crenças ou ideologias. Resta saber, é
claro, se afirmações sobre fatos históricos, necessariamente únicos, podem
ser, nos termos de Popper, falseáveis.
Ludwig von Mises, em Ação Humana – um tratado de Economia (1949),
tentou demonstrar a impossibilidade de se organizar uma economia nos
moldes socialistas, pela ausência do sistema de preços, que, segundo ele,
funcionaria como sinalizador aos empreendedores acerca das necessidades
dos consumidores. Aponta, desta forma, que cálculo econômico sem o
equivalente universal (dinheiro) só poderia ser medido pelo tempo de
trabalho. Mises ainda levanta que estatizar todos os produtos acabaria com
o mercado, e na ausência da lei da oferta e da demanda não seria possível
fazer o cálculo de preço. Sem o cálculo de preço, seria inviabilizada
a economia planificada - e consequentemente o socialismo.[118] Mises
também refinou argumentos formulados por Eugen von Böhm-Bawerk na
obra Marxism Unmasked: From Delusion to Destruction.
Raymond Aron em O ópio dos intelectuais (1955), criticou de forma
agressiva os intelectuais seguidores de Marx e condenou a teoria da
revolução e o determinismo histórico.
Eric Voegelin relata em seu livro Reflexões Autobiográficas que, induzido
pela onda de interesse sobre a Revolução Russa de 1917, estudou O
Capital de Marx e foi marxista entre agosto e dezembro de 1919. Porém,
durante seu curso universitário, ao estudar disciplinas de teoria
econômica e história da teoria econômica, aprendera o que estava errado
em Marx. Voegelin afirma que Marx comete uma grave distorção ao
escrever sobre Hegel. Como prova de sua afirmação, cita os editores
dos Frühschiften (Escritos de Juventude) de Karl Marx (Kröner, 1953),
especialmente Siegfried Landshut, que dizem o seguinte sobre o estudo
feito por Marx da Filosofia do Direito de Hegel:
"Ao equivocar-se deliberadamente sobre Hegel, se nos é dado falar desta
maneira, Marx transforma todos os conceitos que Hegel concebeu como
predicados da ideia em enunciados sobre fatos".
Marx acreditava que a história humana é regida pela luta de
classes. Para Pitirim Sorokin, a história do mundo não é definida
unicamente pelo conflito entre as classes sociais e, segundo ele:
"A cooperação entre as classes sociais, é um fenômeno ainda mais
universal do que o antagonismo entre elas."
Apesar de dizer que Marx trouxe, em alguns aspectos, um progresso maior
para a sociedade do que figuras como Margaret Thatcher,em Thinkers of
the New Left (1985), Roger Scruton afirma:
"Consideremos as teorias de Karl Marx: desde sua primeira aparição, estas
têm despertado as controvérsias mais vivas e é pouco provável que tenham
permanecido intocadas. O fato, me parece, é que todas as teorias marxistas
já foram refutadas em sua essência: a teoria da história por
Maitland, Weber e Sombart; a teoria do valor por Eugen von Böhm-
Bawerk, Mises, Sraffa e muitos outros; a teoria da consciência
falsa, alienação e luta de classes por um vasto grupo de pensadores, de
Mallock a Sombart e Popper e de Hayek a Aron."
Revendo posições anteriores sobre a ideia de reformismo ontológico, o
historiador marxista Jacob Gorender afirma que o proletariado é
ontologicamente, em si, reformista, e descarta uma teleologia na história,
em sua obra Marxismo sem utopia (1999).