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ENSINO RELIGIOSO EM QUESTÃO

Organizado por Sérgio Junqueira

01. O que é o ensino religioso no contexto escolar?


(Luzia Sena - São Paulo/SP)

A própria pergunta referindo-se ao Ensino Religioso no contexto escolar já o situa no


âmbito da educação sistemática e formal, regida pela legislação brasileira. É, portanto,
inserido no contexto da educação que o Ensino Religioso precisa ser entendido.
A LDB (Lei de Diretrizes Bases da Educação Nacional n o 9.394 de 20/12/1996),
apresenta os princípios e fins da educação no Brasil, nestes termos: "A educação, dever
da família e do Estado, inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de
solidariedade, tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo
para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho"(Art.2).
Ao tratar do ensino fundamental, afirma que a formação básica do cidadão se dá
mediante o desenvolvimento da capacidade de apreender a ler, escrever e calcular; da
compreensão do ambiente natural e social, do sistema político, da tecnologia, das artes e
dos valores em que se fundamenta a sociedade; da aquisição de conhecimentos e
habilidades, da formação de atitudes e valores que fortaleçam os vínculos familiares, os
laços de solidariedade humana e de tolerância em que se assenta a vida social (cf. LDB,
art. 32).
É nessa perspectiva da formação plena do cidadão, no contexto de uma sociedade
cultural e religiosamente plural, na qual todas as crenças e expressões religiosas devem
ser respeitadas, que se insere o Ensino Religioso como disciplina curricular, conforme a
atual legislação:
"O ensino religioso, de matrícula facultativa, é parte integrante da formação básica do
cidadão e constitui disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino
fundamental, assegurado o respeito à diversidade cultural religiosa do Brasil, vedadas
quaisquer formas de proselitismo". (Art. 33 da Lei n o 9475, de 22 de julho de 1997,
que d á nova redação ao Art. 33 da Lei n o 9394, de 20 de dezembro de 1996, que
estabelece as diretrizes e bases da educação nacional).
O Ensino Religioso, constituído como disciplina curricular e área de conhecimento,
através de conteúdos próprios e metodologia adequada, visa proporcionar ao educando o
conhecimento dos elementos básicos que compõem o fenômeno religioso, as
experiências e expressões da religiosidade humana em busca do sentido da vida - que se
constituem hoje em patrimônio cultural da humanidade -, ajudando o educando a
compreender o mundo e o outro para melhor compreender a si mesmo, favorecendo o
seu posicionamento ético, respeitoso e responsável diante da vida.

02.Qual a razão do ensino religioso na escola?


(Luzia Sena - São Paulo/SP)

O pensar contemporâneo sobre a educação tem assumido cada vez mais uma concepção
integral do ser humano, buscando superar teorias e posturas que privilegiam o racional,
ignorando outras dimensões, como, por exemplo, a religiosa, no desenvolvimento do
educando e na construção do conhecimento. Na perspectiva de uma educação integral,
que considera o ser humano na totalidade do seu ser, a religiosidade e suas diferentes
expressões se apresentam hoje como uma dimensão humana relevante, manifestando os
níveis mais criativos e profundos do ser humano.
A religião, como expressão da religiosidade humana, presente em todos os povos e
culturas, sempre ocupou um lugar de destaque na vida dos indivíduos e das sociedades
humanas. Portanto, uma educação que vise o desenvolvimento pleno do educando não
pode omitir a educação da religiosidade e o estudo do fenômeno religioso, objeto da
disciplina de Ensino Religioso.
A mentalidade pragmática e utilitarista, no Ocidente, baseada no positivismo científico,
tentou minar as bases das crenças e da religiosidade, criando um vazio de significado e
de sentido, mas o racionalismo cientificista, não conseguiu extirpar do coração humano
a sede de infinito e de transcendência. Diante de situações-limite, do inexplicável, como
o sofrimento e a morte, surgem perguntas existenciais para as quais a ciência não tem
respostas. Essa a razão pela qual assistimos hoje o retorno da sensibilidade ao sagrado, a
busca do misticismo de várias formas, a valorização do mistério, a busca de
espiritualidade. O fenômeno religioso se impõe como um aspecto indissociável da vida
humana, cujo estudo não pode ficar fora da escola.
Uma das funções da escola é fornecer instrumentos de leitura da realidade, capacitando
o educando para compreender melhor a si mesmo e ao mundo, e criar condições para a
convivência entre pessoas. A introdução do Ensino Religioso no currículo escolar, como
disciplina e área de conhecimento, aponta para a recuperação dessa dimensão espiritual
da existência, preenchendo o vazio deixado por uma educação com predominância
quase exclusiva no racional, no desenvolvimento científico e tecnológico do educando,
deixando de lado as razões e as finalidades últimas da existência.
Nessa perspectiva, o Ensino Religioso, a partir das experiências religiosas percebidas no
contexto do educando, procura despertar para a religiosidade através do conhecimento
dos elementos básicos que compõem o fenômeno religioso. Esse conhecimento,
enquanto sistematização da relação do ser humano com a realidade transcendental,
articulado com outros conhecimentos, explicam o significado da existência humana e
conduzem a uma convivência humana respeitosa e solidária.

03. Quais os modelos de ensino religioso no Brasil?


(Luzia Sena - São Paulo/SP)

O Ensino Religioso que vigorou no Brasil desde os seus primórdios era um ensino com
ênfase na doutrina da religião oficial do Império, a religião católica romana. Com a
proclamação da República (1889), se estabelece a separação entre Igreja e Estado, a
liberdade de culto e o reconhecimento da diversidade religiosa. Contudo, o Ensino
Religioso continuou sendo, na prática, o ensino da religião cristã. A legislação de 1997
trouxe mudanças significativas na concepção do Ensino Religioso.
O Ensino Religioso adquire então características diferentes dependendo das condições
legais, e, especialmente, da concepção que se tenha desse componente curricular e da
interpretação que se faz do artigo 33 da LDB. Tudo isso define o modelo de Ensino
Religioso adotado, e, conseqüentemente, a seleção e organização dos conteúdos, a
pedagogia utilizada e a formação dos professores que atuam nessa área. Eis alguns
modelos de ensino religioso vigentes no país:
Confessional , oferecido de acordo com a opção religiosa do aluno ou do seu
responsável e ministrado por professores preparados e credenciado pelas respectivas
entidades religiosas. O Estado do Rio de Janeiro aprovou o Ensino Religioso
confessional e pluralista que interpreta a expressão "assegurado o respeito à diversidade
cultural religiosa do Brasil" - contida na lei -, com a formalização de um ensino
diferenciado para cada confissão religiosa, mantendo o respeito pelas demais. Os
professores passam por concurso público e são credenciados pelas respectivas Igrejas ou
instituições religiosas.
Inter-confessional , resultante de um acordo entre as diversas entidades religiosas, que
se responsabilizarão pela elaboração dos respectivos programas. Desenvolvido, em
geral, por grupos de confissões cristãs, considera o que é comum às diferentes Igrejas ou
confissões e respeita a especificidade de cada uma. O conteúdo básico é fundamentado
na Bíblia.
Supra-confessional , ministrado nas escolas públicas, não admite qualquer tipo de
proselitismo religioso, preconceito ou manifestação em desacordo com o direito
individual dos alunos e de suas famílias de professar um credo religioso ou mesmo o de
não professar nenhum, devendo assegurar o respeito a Deus, à diversidade cultural e
religiosa, e fundamenta-se em princípios de cidadania, ética, tolerância e em valores
universais presentes em todas as religiões (cf. São Paulo, Decreto Estadual no 46.802,
de 5 de junho de 2002, artigo 2).
Disciplina curricular . Nesse modelo o Ensino Religioso é pensado, como área de
conhecimento, a partir da escola e não das crenças ou religiões e tem como objeto de
estudo o fenômeno religioso. Independente do posicionamento ou opção religiosa, os
educandos são convidados a cultivar as disposições necessárias para a vivência coerente
de um projeto de vida profundamente humano e pautar-se pelos princípios do respeito
às liberdades individuais; tolerância para com os que manifestam crenças diferentes e
convivência pacífica entre as diversas manifestações religiosas que compõem a
pluralidade étnica e cultural da nação brasileira.

04. Existe alguma sustentação legal para o ER no Brasil?


(Profª. Anísia de Figueiredo -MG)

1- A Constituição Brasileira de 05 de outubro de 1988 garante o ensino religioso como


disciplina do currículo escolar, através do artigo 210, § 1º com o seguinte dispositivo :
"O Ensino Religioso, de matrícula facultativa, constituirá disciplina dos horários
normais das escolas públicas de ensino fundamental" .
2- Com exceção da Primeira Carta Magna Republicana, de 24 de fevereiro de 1891, as
demais Constituições Brasileiras mantiveram o ensino religioso garantido como
disciplina do currículo escolar, salvaguardando os princípios da laicidade e da liberdade
religiosa característicos de um estado republicano. O conteúdo do Decreto nº 19.941 de
30 de abril de 1931, que introduziu, pela primeira vez, o ensino religioso nas escolas da
rede oficial de ensino no regime republicano, legou aos juristas das sucessivas Leis
Maiores alguns aspectos que se repetem, nas Cartas de 1934, 1937, 1946,1967, Emenda
Constitucional nº 1 de 1969 e atual Carta de 1988: a matrícula facultativa e a
compreensão da disciplina como ensino de Religião na Escola. Alguns Estados da
Federação mantiveram a disciplina em sua legislação, desde o início da República,
ainda que esta não constasse da Primeira Lei Maior.
3- A regulamentação da matéria constitucional se dá nos trâmites normais, através de
Leis Complementares, incluindo, num primeiro momento, as Leis Orgânicas que
vigoraram de 1942 a 1961, pois a primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação foi
elaborada, durante um longo período de treze anos, sendo sancionada em 1961. O
ensino religioso, garantido, normalmente na Constituição de 1946, perde, nesta 1ª LDB
de nº 4024/61, o seu espaço normal de disciplina integrante do sistema de ensino, uma
vez que é incluída no artigo que a regulamenta a expressão "sem ônus para os cofres
públicos". Com a Lei nº 5692/71, a referida disciplina é assegurada novamente, tanto no
primeiro como no segundo grau, sendo oferecida obrigatoriamente pela escola, porém
facultativa para o aluno, na intenção de salvaguardar, como sempre aconteceu, o
princípio republicano da liberdade religiosa.
4- Em 20 de dezembro de 1996 é sancionada a atual LDBN, que repete o que constou da
Lei nº 4024/61, ou seja, a inclusão da expressão "sem ônus para os cofres públicos".
Além da dificuldade de ordem administrativa decorrente desta cláusula, apareceram,
ainda, as dificuldades pedagógicas provenientes das diferentes modalidades de ensino
religioso definidas pela referida Lei, trazendo por conseqüência grande mobilização
nacional em vista de sua alteração. O resultado obtido foi a alteração do art. 33, com a
sanção da Lei nº 9475 de 22 de julho de 1997, mantendo a disciplina no sistema escolar,
na normalidade das demais e introduzindo aspectos que levam em conta a realidade de
um país pluralista e democrático a conviver com a diversidade cultural e,
conseqüentemente, com a diversidade religiosa. O ensino religioso está, pois, garantido
em todas as Escolas da rede pública e oficial de ensino.

05. Qual a legislação que define o Ensino Religioso como área de conhecimento?
(Profª. Anísia de Figueiredo -MG)

• As Diretrizes Nacionais para o Ensino Fundamental no Brasil, após a sansão da


LDBN, ou seja, da Lei nº 9394/96, são instituídas através da Resolução nº 2 de 7 de
abril de 1998, pela Câmara de Educação Básica (CEB) do Conselho Nacional de
Educação (CNE). Essas Diretrizes incluem o ensino religioso no conjunto das dez áreas
de conhecimento que integram o currículo escolar do ensino fundamental, cf. art. 3º,
item IV, alínea "a".
• O art. 2º da referida Resolução define o que são Diretrizes Curriculares Nacionais, a
saber: "Diretrizes Curriculares Nacionais são o conjunto de definições doutrinárias
sobre princípios, fundamentos e procedimento da educação básica expressas pela
Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação, que orientarão as
escolas brasileiras dos sistemas de ensino na organização, articulação,
desenvolvimento e avaliação de suas propostas pedagógicas".
• O art. 3º estabelece como "Diretrizes" o que deve ser colocado em prática diretamente
pelas Escolas, incluindo: a definição dos marcos norteadores de suas ações pedagógicas,
entre os quais, os princípios éticos, os princípios dos Direitos e Deveres, os princípios
estéticos, a forma de definir suas propostas pedagógicas, o que devem considerar como
aprendizagens e suas múltiplas relações, seus níveis de abrangência e natureza. É no
item IV que estabelece uma base nacional comum, para se garantir a unidade na
diversidade nacional. Esta é complementada pela parte diversificada, integrando - se ao
"paradigma curricular" para estabelecer a relação entre educação fundamental, incluindo
a vida cidadã, com seus vários aspectos, e as áreas de conhecimento.
• As áreas de conhecimento, segundo a Resolução 02/98, estão agrupadas em: Língua
Portuguesa, Língua Materna para populações indígenas e migrantes, Matemática,
Ciências, Geografia, História, Língua Estrangeira, Educação Artística, Educação Física,
Educação Religiosa, na forma do art. 33 da Lei 9394/96, de 20 de dezembro de 1996,
alterado pela Lei nº 9475 de 22 de julho de 1997.
A referida Resolução nº 02/98 é precedida do Parecer nº 04, aprovado em 29 de janeiro
de 1998, estabelecendo as normas a serem observadas pelos sistemas de ensino sobre os
aspectos considerados fundamentais na implantação das Diretrizes Curriculares para o
Ensino Fundamental. A disciplina Ensino Religioso não perdeu a sua configuração
primeira como tal, mas foi absorvida e ampliada, em sua natureza e em toda extensão,
pela Educação Religiosa enquanto área de conhecimento, nos termos da citada
Resolução, após o pronunciamento do Parecer 04/98 sobre a matéria em pauta. .

06. Por que foi dado a esta disciplina o nome de Ensino Religioso?
(Profª. Anísia de Figueiredo - MG)

1- O termo "ensino religioso" , como disciplina do currículo escolar, foi empregado na


legislação brasileira, desde a Monarquia Constitucional: "[...] I . O ensino religioso será
dado pelos ministros de cada culto, no edifício escolar, se assim o requerem aos alunos
cujos pais o desejam, declarando-o ao professor, em horas que regularmente se
determinarão sempre posteriores às da aula, mas nunca mais de 45 minutos cada dia,
nem mais de três vezes por semana. [...]" (Cf. Projeto de Rui Barbosa de 1882, 1º, § 3º) .
Ao final do segundo império, já tem início, então, um conflito entre o que se considera
"laico" e o que é "religioso". Até aqui, o ER não era ainda alvo de polêmica, mas já
começou a ser discutido como "facultativo".
2- O nome dado à disciplina "ensino religioso" mantém conotação jurídica e entra na
pauta das discussões polêmicas, no início da República, tendo por culminância a
Assembléia Constituinte de 1987/88, quando é sugerida a mudança de nome desta
disciplina. Para os juristas, integrantes da Comissão "Afonso Arinos" (1986) que
apresentaram o anteprojeto - os membros da Comissão de Educação na Câmara e o
próprio Relator da nova Carta - o termo admitido, para assegurar esta disciplina na Lei
Maior, seria mesmo "ensino religioso", por tratar-se de algo relacionado ao sistema de
ensino. O termo "educação religiosa" na Lei Maior não teria o caráter disciplinar como
se propunha, ou seja, de disciplina integrante de um currículo.
3- Didaticamente, podemos entender o termo "ensino religioso" designativo de uma
disciplina que é parte de um currículo escolar, ainda que o vocábulo "religioso" evoque
uma relação com o sistema religioso. Em escola aberta a todos, de qualquer crença - ou
indiferentes, ou que se declarem ateus - esse ensino é direito do cidadão e dever do
estado em garanti-lo no sistema escolar. Nesse sentido, está atrelado a um contingente
escolar e pedagógico mais amplo. Ao ser qualificado como "religioso" submete-se a
uma área específica de atuação que tem como destinatário o sujeito, religioso ou não,
que indaga sobre as razões de ser religioso dentro ou fora da religião, a partir de dentro
ou de fora do grupo religioso, ou em não se ter religião alguma. Todo ensino tem em
vista a aprendizagem a ser adquirida pelo sujeito do processo. Pergunta-se, então,
ensinar e aprender o quê? Como? Quando? Para quê? ( Para saber mais sobre o assunto:
Cf. In. FIGUEIREDO, Anísia de Paulo. Ensino Religioso, Perspectivas Pedagógicas. 2ª
ed. Petrópolis: Vozes, 1995, p 41 - 51).
07. Qual o tratamento metodológico dado ao Ensino Religioso como área de
conhecimento?
(Profa. Ms. Marilac Loraine R. Oleniki - Curitiba/ PR)

O Ensino Religioso visto como área de conhecimento estabelecerá um referencial


estruturado de leitura e interpretação da realidade a partir do seu foco de ação, do seu
objeto de estudo elencando os elementos essenciais pra garantir a participação dos
educandos como cidadãos na sociedade de forma autônoma.
Para corresponder ao seu papel enquanto área de conhecimento o seu tratamento
metodológico se definirá a partir de uma matriz teórica (Tradições e Culturas Teologias,
Textos Orais e Escritos Sagrados, Ritos e Ethos) da adequação do teórico ao contexto
(comunidade escolar) e do exercício ou fazer pedagógico na relação ensino-
aprendizagem junto aos educandos. Este processo se realizará pela releitura e
compreensão do religioso na sociedade apropriando-se de uma metodologia que
possibilita realizar a partir dos conteúdos programáticos:
• A observação do fenômeno religioso em suas múltiplas dimensões, destacando-se
desta observação a análise da ação, falta ou parte dela em seu contexto, e em suas
relações para explorar e trabalhar os conceitos básicos do Ensino Religioso.
• A informação enquanto aproximação de um aspecto do conhecimento religioso a
partir do qual torna-se possível ao educando ampliar seu conhecimento para construir
instrumentos que possibilitem referenciais de interpretação ou análise efetivando-se a
ressignificação de conceitos.
• Reflexão como aspecto que oportuniza o confronto pedagógico do conhecimento
teórico com a prática. É a partir da reflexão que se exercitam e gerenciam as
observações e informações mensurando os elementos, aspectos, fatos e outros
necessários à construção do conhecimento. Isso mobiliza o educando a dominar
linguagens, compreender os fenômenos, construir argumentações para enfrentar
situações e elaborar propostas para uma convivência fraterna e de respeito.
Podemos delinear o tratamento metodológico do Ensino Religioso como área de
conhecimento a partir da caracterização da matriz teórica, do fazer pedagógico que
giram em torno de objetivos e conteúdos que remetem a metodologia de interação, entre
os aspectos historicamente construídos nas diferentes tradições religiosas e a sua
presença na cultura vigente. É necessário, portanto, que o tratamento metodológico se
concretize na ação - reflexão - ação promovida pela observação - informação - reflexão.

08. Qual a linguagem para o ensino religioso?


(Profa. Ângela Holanda - Maceió/ AL)

O ensino religioso parte integrante da formação básica do cidadão alicerça sua


linguagem nos princípios básicos da cidadania que se concretizam na formação integral
do educando.
Para nortear esta concepção pode-se tomar como parâmetro os princípios contidos nas
Diretrizes Curriculares para o Ensino Fundamental e os princípios e fins da Educação
Nacional da lei nº 9.394/96 que objetivam orientar as escolas na elaboração de suas
ações pedagógicas.
No ensino religioso esses princípios apresentam uma relação próxima com o campo de
atuação deste ensino, podendo expressar muito bem a linguagem que é utilizada no
desenvolvimento dos conteúdos, refletindo algumas questões básicas da educação. Se
for ensino, ensina o quê?
Na linguagem pedagógica do ensino religioso, podem ser observados os seguintes
critérios e atitudes para a mudança e para a construção de valores, tais como:
• a valorização das experiências religiosas previamente construídas pelos alunos e
alunas, favorecendo a capacidade de vivenciar uma relação emancipada com as
diferentes culturas, considerando os princípios éticos da autonomia, da responsabilidade
e do respeito ao bem comum;
• o exercício da criatividade e do respeito a ordem democrática em sala de aula, a partir
da articulação dos conhecimentos, das discussões, debate e do desenvolvimento com
base nos princípios políticos, caracterizados pelos direitos e deveres da cidadania e do
respeito ao diferente que se manifesta nas culturas e tradições religiosas;
• a criação de condições para que cada educando (a) construa sua identidade, para saber
acolher, conhecer, conviver e aprender a ser, valorizando e respeitando o outro,
superando preconceitos que desvalorizam qualquer experiência religiosa, tendo como
referência os princípios estéticos da sensibilidade e da criatividade.
Esta linguagem tem sentido de busca, de entendimento que responda às questões
existenciais: Quem sou ? De onde vim? Para onde vou? Diante dessas indagações o ser
humano desenvolve competências para relacionar-se consigo, com a natureza, a
sociedade e o transcendente, definindo seu projeto pessoal e coletivo de vida.
No desenvolvimento dos eixos temáticos do ensino religioso e nos blocos de conteúdos
apresentados nos Parâmetros Curriculares Nacionais, a compreensão dessa linguagem
aponta para a interação entre quem aprende e quem ensina para construção do
conhecimento histórico cultural, pois nenhuma cultura é insignificante. Essa linguagem
possibilita e desenvolve a sensibilidade para a busca do diálogo, da tolerância e da
convivência pacífica com as manifestações religiosas, respeitando a pluralidade cultural
religiosa brasileira.

09. O ensino religioso é área de conhecimento? Por que? O que é uma área de
conhecimento?
(Prof. Sérgio Junqueira - Curitiba/ PR)

O Ensino Religioso é uma das dez áreas de conhecimento definidas pelas Diretrizes
Curriculares Nacionais aprovadas em 1998 pelo Conselho Nacional de Educação. A
Diretriz n. 04 afirma que:
"IV - Em todas as escolas deverá ser garantida a igualdade de acesso para alunos a
uma Base Nacional Comum, de maneira a legitimar a unidade e a qualidade da ação
pedagógica na diversidade nacional, a Base Nacional Comum e sua Parte
Diversificada deverão integrar-se em torno do paradigma curricular, que vise
estabelecer a relação entre a Educação Fundamental e: A) Vida Cidadã através da
articulação entre vários dos seus aspectos como : a Saúde, a Sexualidade, a Vida
Familiar e Social, o Meio Ambiente, o Trabalho, a Ciência e a Tecnologia, a Cultura as
Linguagens; B) as Áreas de Conhecimento : Língua Portuguesa, Língua Materna
(para populações indígenas e migrantes), Matemática, Ciências, Geografia, História,
Língua Estrangeira, Educação Artística, Educação Física e Educação Religiosa (na
forma do art. 33 da LDB) [Diretrizes Curriculares Nacionais do Ensino Fundamental/
CNE]".
As áreas do conhecimento são marcos estruturados de leitura e interpretação da
realidade, essenciais para garantir a possibilidade de participação do cidadão na
sociedade de forma autônoma. Cada uma das dez áreas contribuem para que os
estudantes compreendam a sociedade em que vivem e possam interferir no espaço e na
história que ocupam; pois uma das preocupações da Educação Básica é a formação do
cidadão e que os estudos que as crianças e adolescente realizam contribuam para os
estudos e o trabalho que exerceram posteriormente. Ou seja, é uma relação do presente,
uma re-leitura do passado e uma construção do futuro.

10. Que dificuldades estão presentes no imaginário coletivo brasileiro que impede a
compreensão deste ensino como área de conhecimento?
(Prof. Antonio Boeing - São Paulo/SP)

A dimensão religiosa durante toda a história da humanidade tem ocupado lugar de


destaque na organização da vida das pessoas e das sociedades. Com o avanço das
ciências modernas alguns pensadores passaram a afirmar que a religião estaria no fim,
mas isto não se verificou, antes pelo contrário, suas expressões multiplicaram-se em
diferentes contextos e culturas. Isto porque, como afirma Mircea Eliade: "Ser - ou, antes
tornar-se - ser humano, significa ser religioso". Por isso, para uma aproximação e
conhecimento do ser humano, é preciso considerar a centralidade da dimensão religiosa.
Ao analisarmos o imaginário da cultura brasileira percebemos que nem sempre o campo
religioso foi contemplado com seriedade nas pesquisas. Uma das razões é a presença
marcante da idéia de que algumas questões não devem ser discutidas, dentre elas, estão
especialmente a política, o futebol e a religião. Está forma de proceder acaba por
colocar entraves que impedem um debate sistemático e científico sobre três dimensões
que ocupam boa parcela da vida dos brasileiros e exercem grande influência sobre ela.
Uma vez que "não se pode" discutir política, delega-se aos "entendidos", daí resulta a
corrupção, utilização das coisas públicas como se fossem privadas, além da omissão e
do descaso com a nação. No futebol não é diferente, pois é comandado por cartolas e
alguns "sabedores" desta área, decorrem dessa postura a divinização de alguns poucos e
o abandono de milhões de atletas que mal ganham para sobreviver.
Quando o assunto é religião, aí sim é que as coisas se complicam, pois está impregnado
no imaginário brasileiro que está área de forma nenhuma se discute. Esta atitude por um
lado delega para os "entendidos", sejam eles líderes das religiões consideradas
"legítimas" ou líderes que atuam, até certo ponto, na cladestinidade; por outro faz com
que cada indivíduo, a partir de sua experiência setorizada, julgue-se expert neste campo.
Estas atitudes contribuem para inviabilizar estudos sistemáticos sobre as manifestações
religiosas, além de impedir a visibilidade dos objetivos, funções, razões de ser e
incidência desta dimensão sobre a vida dos adeptos. Resulta também numa certa
ingenuidade diante do fenômeno religioso, como se ele tivesse sido criado pelas
divindades e por isso intocável e absoluto. Posturas como estas continuam
desencadeando e legitimando milhões de morte em nome de crenças e convicções
religiosas fanatizadas.
No campo acadêmico também se constata alguns entraves, especialmente a partir da
concepção evolucionista ao afirmar que com o avanço das ciências modernas a religião
se tornaria supérflua, isto porque entendiam que as questões e dramas do ser humano
seriam resolvidos cientificamente. Esta idéia ocupou grande parte dos meios
acadêmicos que, ainda hoje, seguem pensando que não é possível fazer ciência sobre o
fenômeno religioso e suas manifestações. Mas, há por outro lado, um forte movimento
em diferentes espaços e níveis acadêmicos espalhados pelo país que, pela seriedade das
pesquisas e análise interdisciplinar da complexidade do campo religioso, o colocam em
debate. São campos de pesquisas ainda jovens, mas possuem excelentes trabalhos
científicos que em muito contribuem para a compreensão desta área do conhecimento.
11. Que critérios didático-metodológicos podem ser observados no Ensino
Religioso?
(Profa. Ms.Marilac Loraine R. Oleniki - Curitiba/ PR)

Os critérios didáticos estão associados à forma de organizar e trabalhar os conteúdos


para que subsidiem a construção do conhecimento. Para isso, torna-se necessário
respeitar o desenvolvimento cognitivo, afetivo e de relações dos educandos nas
diferentes fases do processo de ensino-aprendizagem. Desta forma, o tratamento
didático no Ensino Religioso, como em outras áreas de conhecimento, precisa
considerar:
• Os conhecimentos anteriores dos educandos, interesses e possibilidades;
• A maneira de socializar um assunto (conteúdo), garantindo a participação, interação,
cooperação numa perspectiva de gerar respeito à diferença, abertura para aprendizagem
e autonomia;
• Adequação de recursos, linguagem simbolismo, textos, alegorias e outros de maneira à
permitir ao educando construir significados, atualizar seu conhecimento, refletir sobre a
diversidade religiosa à sua volta, sensibilizar-se para o mistério;
• As diferenças sociais e culturais para que o educando possa aprender a conviver e
respeitar as diferentes tradições religiosas, vivenciar a própria cultura e tradição
religiosa;
• A necessidade do educando estabelecer relações, interações, conexões entre os
conhecimentos do seu universo religioso, pessoal, com os conhecimentos religiosos de
seus colegas e os apresentados no ambiente escolar;
• Os encaminhamentos para aprendizagem: objetivo, conteúdo, metodologia, avaliação,
técnicas, recursos, estratégias...Todos esses elementos e outros se tornam critérios para
serem observados no Ensino Religioso.
No entanto é imprescindível para o processo de ensino-aprendizagem o critério da
adaptação aplicado ao método, a linguagem e ao conteúdo, garantidos pela ação do
professor, centrada na mediação entre o conhecimento do fenômeno religioso e a
realidade dos educandos

12. Catequese, Ensino religioso, aula de religião é a mesma coisa ou possui


diferença?
(Luzia Sena - São Paulo/SP)

Usados sem muita precisão ou preocupação de estabelecer distinções, os termos


catequese, ensino religioso e aula de religião, por muito tempo foram tidos por
equivalentes, pois, estava implícita a sua referência ao ensino da religião católica,
majoritária no país.
A distinção entre catequese e Ensino Religioso aparece, pela primeira vez, na literatura
da Igreja, num discurso do Papa João Paulo II aos Sacerdotes de Roma. A CNBB, no no
125 do seu documento Catequese renovada, orientações e conteúdo (Paulinas,1983)
traz uma breve citação desse discurso, em que se afirma que o ensino religioso deve
"caracterizar-se pela sua referência aos objetivos e critérios próprios da estrutura
escolar" (João Paulo II, Discurso aos Sacerdotes de Roma, em 3 de março de 1981), e
acrescenta que o ensino religioso nas escolas é distinto da catequese que é dada na
comunidade paroquial.
Hoje, com o avanço da reflexão catequética e das mudanças ocorridas no campo
educacional - inclusive, no que se refere à legislação que institui o ensino religioso
como disciplina curricular e área de conhecimento - essa distinção torna-se ainda mais
nítida.
Catequese é a educação ordenada e progressiva da fé, numa comunidade eclesial, para
um conhecimento mais profundo do mistério de Deus, da pessoa e da mensagem
salvadora de Jesus Cristo (cf. Sínodo dos Bispos, Catequese para o nosso Tempo , no 1,
1977), visando uma adesão de fé, ou seja, fazer das pessoas discípulas e seguidoras de
Jesus. Fundamentando todo o seu conteúdo na Palavra Deus contida na Tradição e na
Sagrada Escritura, "a finalidade definitiva da catequese é fazer com que alguém se
ponha, não apenas em contato, mas em comunhão, em intimidade com Jesus Cristo"
(Catechesi Tradendae, no 5, Paulinas, 1979), o revelador do Pai.
O Ensino Religioso na escola pública, entendido, no contexto da educação, como
disciplina curricular e área de conhecimento, visa a educação do cidadão, da dimensão
religiosa do ser humano para uma vida pessoal e social, aberta ao Transcendente. Não
pode ser entendido como mera informação a respeito de religiões ou manifestações
religiosas, mas, através do conhecimento das grandes experiências religiosas da
humanidade, e das suas expressões, em busca do sentido da vida, deve favorecer o
autoconhecimento do educando e seu posicionamento diante da vida, na inter-relação
respeitosa com os demais.
A expressão "aula de religião" utilizada, algumas vezes para indicar o Ensino Religioso,
é entendida, normalmente, como o ensino de uma religião ou mais religiões, com uma
conotação mais confessional.

13. Quem define os conteúdos do Ensino Religioso?


(Profª. Anísia de Figueiredo - MG)

1- A Lei nº 9475 foi sancionada em 22 de julho de 1997, ou seja, seis meses após a
publicação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, de nº 9394/96, que
incluiu o ensino religioso no art. 33, porém "sem ônus para os cofres públicos" e com
abertura para a sua operacionalização nas modalidades confessional e interconfessional.
A primeira Lei citada teve por objetivo alterar tais dispositivos, uma vez que trouxe
implícitas dificuldades de natureza administrativa, política, econômica e pedagógica.
2- A nova redação do art. 33 da LDB, com a sanção da Lei 9475/97, delega maior
responsabilidade aos sistemas de ensino quanto à definição de conteúdos para o ensino
religioso, abrindo espaço para a sociedade, representada pelas denominações religiosas,
uma vez constituídas em entidade civil, ou seja, com personalidade jurídica. Convém
destacar que a constituição desta entidade civil "pelas denominações religiosas" não tem
o mesmo significado de uma entidade civil constituída "de denominações religiosas",
como passou a ser interpretado, em muitos casos, ao ser implantada a citada Lei.
3- Na íntegra, os dois parágrafos contidos no art. 1º da Lei 9475/97 que trazem a
definição das responsabilidades, em se tratando dos conteúdos do ensino religioso: § 1º
- Os sistemas de ensino regulamentarão os procedimentos para a definição dos
conteúdos do ensino religioso e estabelecerão as normas para a habilitação e admissão
dos professores. § 2º - Os sistemas de ensino ouvirão entidade civil, constituída pelas
diferentes denominações religiosas, para a definição dos conteúdos do ensino
religioso".
4- A referida Lei não esclarece o que se pode entender por "denominação religiosa".
Porém, não exclui nenhuma delas, sejam cultos, movimentos, grupos, filosofias de vida
e outras que integram a uma sociedade pluralista, com as mais diversificadas tradições e
manifestações culturais presentes no Brasil. Conseqüentemente, os órgãos legislativos
não emitiram nenhum Parecer sobre a matéria. Considera-se, pelo senso comum, a
atenção necessária às diversificadas tendências religiosas, filosóficas e culturais em um
país que se considera democrático, republicano, aberto a todos. A atual LDB, por sua
natureza, deixa para traz o princípio da soberania, para dar lugar ao da autonomia,
incluindo o incentivo a participação da sociedade, especialmente da comunidade
educativa, de forma mais abrangente, em todo e qualquer projeto político- pedagógico
que envolva a escola como lugar privilegiado de educação.
5- Todos os setores que integram à comunidade educativa, ou que se interessam pela
melhoria da qualidade da educação, especialmente a família, os professores e alunos e
outros componentes da instituição escolar, devem ter a oportunidade de participar do
processo de definição dos conteúdos do ensino religioso a ser ministrado na Escola.

14. Quais são os eixos do ER e que conteúdos os integram?


(Prof. Antonio Boeing - São Paulo/SP)

O Ensino Religioso na sua articulação destaca alguns aspectos fundamentais para a sua
concretização, tais como: as contribuições das áreas afins, como a antropologia,
psicologia, pedagogia, sociologia, ciências da religião e teologias; a busca permanente
do sentido da vida; a superação da fragmentação das experiências e da realidade; o
pluralismo religioso; a compreensão do campo simbólico; e, a necessidade de evitar o
proselitismo. Tendo presente a riqueza e a complexidade do campo religioso, o Fórum
Nacional Permanente do Ensino Religioso, para a efetivação desta área do
conhecimento, definiu cinco eixos e os respectivos conteúdos:
- Culturas e Tradições Religiosas - desenvolve os temas decorrentes da relação entre
cultura e tradição religiosa, tais como: a idéia Transcendente na visão tradicional e
atual; a evolução da estrutura religiosa nas organizações humanas no decorrer dos
tempos; a função política das ideologias religiosas; e, as determinações da tradição
religiosa na construção mental do inconsciente pessoal e coletivo.
- Teologias - analisa as múltiplas concepções do Transcendente, dentre os conteúdos
destacam-se: a descrição das representações do Transcendente nas tradições religiosas;
o conjunto de muitas crenças e doutrinas que orientam a vida do fiel nas tradições
religiosas; e, as possíveis respostas norteadoras do sentido da vida: ressurreição,
reencarnação, ancestralidade, nada.
- Textos Sagrados e Tradições Orais - aprofunda o significado da palavra sagrada no
tempo e no espaço, com destaque para: a autoridade do discurso religioso fundamentado
na experiência mística do emissor que a transmite como verdade do Transcendente para
o povo; o conhecimento dos acontecimentos religiosos que originaram os mitos e
segredos sagrados e a formação dos textos; a descrição do contexto sócio-político-
religioso determinante para a redação final dos textos sagrados; e, a análise e a
hermenêutica atualizadas dos textos sagrados.
- Ritos - busca o entendimento das práticas celebrativas, por isso contempla: a descrição
de práticas religiosas significantes, elaboradas pelos diferentes grupos religiosos; a
identificação dos símbolos mais importantes de cada tradição religiosa, comparando
seu(s) significado(s); e, o estudo dos métodos utilizados pelas diferentes tradições
religiosas no relacionamento com o Transcendente, consigo mesmo, com os outros e
com o mundo.
- Ethos - analisa a vivência crítica e utópica da ética humana a partir das tradições
religiosas, por isso considera: as orientações para o relacionamento com o outro,
permeado por valores; o conhecimento do conjunto de normas de cada tradição
religiosa, apresentado para os fiéis no contexto da respectiva cultura; e, a
fundamentação dos limites éticos propostos pelas várias tradições religiosas. (Cf.
FONAPER. Caderno Temático Ensino Religioso, nº. 1, p. 31-32).
Os eixos e conteúdos do Ensino Religioso foram elaborados a partir da concepção de
que a atuação do ser humano não se limita às relações com o meio ambiente e as
relações sociais, mas sim, está sempre em busca de algo que transcende estas realidades.
Os eixos e conteúdos do Ensino Religioso em muito podem contribuir para que o ser
humano inacabado, inquieto e aberto ao Transcendente, siga na busca e encontre o
sentido para a vida e seja feliz.

15. Existe alguma avaliação no Ensino religioso? Como acontece?


(Profa. Ângela Holanda - Maceió/ AL)

A abordagem avaliativa no contexto escolar remete a concepção de ensino


aprendizagem construída na formação acadêmica e pedagógica de cada educador. Essa
concepção interfere e influencia no fazer pedagógico e no cotidiano escolar. O ponto de
partida para conceber a avaliação no ensino, está nos questionamentos que são
elaborados frente à avaliação que se pretende implantar para a formação básica do
cidadão.
Nesta ótica, a avaliação é condição para análise do educador e do educando, provocando
reflexões sobre as práticas e processos de aprendizagem, não podendo ser compreendida
como um ato meramente de aprovação e reprovação.
Neste contexto, o ensino religioso como área de conhecimento e componente da matriz
curricular integrante da Base Nacional Comum do Ensino Fundamental também inclui
no desenvolvimento do cotidiano escolar a avaliação, num conjunto de ações que tem a
função de aprofundar os conhecimentos, propondo questionamentos para informar,
esclarecer, opinar, discernir, participar e decidir orientando os educandos (as) para o
exercício da cidadania.
Logo, a definição dos planos com seus objetivos, conteúdos e prática didática são
elementos essenciais para dar sentido ao processo avaliativo no ensino religioso. Na
pedagogia desses procedimentos incluem-se os princípios éticos, estéticos e políticos
para a construção do pensamento crítico, criativo e sensível, de modo que cada
educando construa sua identidade e autonomia. Só há avaliação quando ocorre o ensino,
pois esta é parâmetro da aprendizagem dos educandos.
Nos Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Religioso apresentam-se
elementos que norteiam a prática avaliativa, classificando-a em avaliação inicial,
processual, formativa e final. Em cada eixo temático, Culturas e Tradições Religiosas,
Textos e Livros Sagrados, Teologias, Ritos e Ethos, há uma caracterização didática com
encaminhamentos pra avaliação da aprendizagem conforme blocos de conteúdos
trabalhados nesses eixos e explicitados como resultado da avaliação onde cada
educando e educanda possa:
• crescer no respeito às diferenças do outro, chegando a ser motivo de reverência;
• estabelecer o diálogo, convivendo de forma pacífica, aprofundando as razões
históricas da sua própria tradição religiosa;
• construir seu entendimento sobre o fenômeno religioso;
• entender o sentido da vida a partir das respostas elaboradas pelas tradições religiosas,
desenvolvendo o diálogo com segurança e sem proselitismo.
A avaliação nestes termos decorre da postura do (a) educador (a) em relação ao(a)
educando(a) e dos instrumentos utilizados durante o desenvolvimento das aulas para
obtenção da aprendizagem destes.
16. O Ensino Religioso está inserido na matriz curricular das 800 horas conforme
O QUE determina a atual LDBN?
(Profª Anísia de Figueiredo - MG)

1- A razão de muitos legisladores encontrarem dificuldades em dar ao ensino religioso,


o mesmo tratamento dispensado às demais áreas do conhecimento, remonta de uma
problemática secular. Os Estados Republicanos, regidos pelo princípio da laicidade,
salvaguardam, por sua vez, outro princípio: o da liberdade religiosa. No Brasil, tão logo
é instalada a República, a questão da liberdade religiosa se faz presente nos debates que
circundam a separação entre o Estado e a Igreja e se prolonga em todos os processos
constituintes. Inspirada na Carta Magna Americana, a 1ª Constituição dos Estados
Unidos do Brasil mantém o princípio da liberdade religiosa na intenção de salvaguardar
o direito do cidadão em se manifestar, pública e livremente, a sua crença. No entanto,
por influência francesa, há interferência na forma de se interpretar o dispositivo "ensino
leigo", § 6º do art. 72. O ER, entendido como ensino da religião na escola, é marcado
por essa tendência. Como religião, há de se respeitar a liberdade dos cidadãos que
freqüentam a escola . A Carta de 1988 salvaguarda o princípio da liberdade religiosa
sob vários aspectos, incluindo o ensino religioso facultativo, mesmo garantido na escola
como disciplina dos horários normais. A Lei Maior é regulamentada sem nenhuma
revisão desta concepção.
2- A Lei de Diretrizes e Bases da Educação é alterada em seu art. 33, para dar nova
redação ao dispositivo que regulamenta o ensino religioso, considerando esta disciplina
como parte da formação básica do cidadão. Se básica, torna-se imprescindível, eficaz,
oportuna e necessária. No entanto, o Parecer nº 12/97, aprovado em 8/10/97, ao
esclarecer dúvidas sobre a Lei nº 9476/96 (LDB), no item 2.3, traz à tona a questão da
relação ensino religioso e carga horária mínima de oitocentas horas a que todos alunos
estão obrigados. Se facultativo, alguns alunos estarão aquém deste mínimo. Assim, o
ER não é computado para a totalização do mínimo de oitocentas horas, segundo o
referido Parecer.
3- A própria LDB, em seu teor geral, reforça - pelo princípio da autonomia - que os
sistemas de ensino não se contentem com o "mínimo", mas pela conveniência de se dar
o que amplie e melhor qualifique a formação integral dos educandos. O ER, se bem
compreendido, segundo critérios de um projeto pedagógico eficiente, pode incentivar a
cada Estado, Município, Unidade Regional ou Local de Ensino a usar da liberdade
permitida pela mesma Lei, em corrigir esse equívoco ou tendência restritiva do mesmo
Parecer, incluindo o ER dentro das oitocentas horas, com atividades alternativas de
formação para os alunos que não optarem pela freqüência a esta disciplina. Por outro
lado, se trabalhada com a metodologia própria de uma área de conhecimento, segundo a
Resolução nº 02/98 de CNE, não haverá motivo para a não opção pela freqüência, pois
não se trata mais do ensino de Religião.

17. Como se efetiva o fazer pedagógico do Ensino Religioso? (Profa. Ms. Marilac
Loraine R. Oleniki - Curitiba/ PR)

O fazer pedagógico de qualquer área de conhecimento se efetiva na escola a partir de


conhecimentos produzidos, acumulados e sistematizados historicamente de forma a
possibilitar aos educandos conhecer o passado e o presente numa perspectiva de criar
novos conhecimentos.
O fazer pedagógico no Ensino Religioso deverá se efetivar no serviço ao educando, na
forma de diálogo inter-religioso para oportunizar a informação, a interpretação do
conhecimento acumulado, a ressignificação de conteúdos e conceitos - dos quais
decorre o processo de ensino-aprendizagem - sobre as diferenças, diversidades e
pluralidade, numa ênfase histórica, que permite o entendimento de si e do outro,
viabilizando a formação do cidadão. Portanto, o fazer pedagógico no Ensino Religioso
dar-se-á em nível de análise e conhecimento da diversidade cultura religiosal,
respeitando-se as diferentes expressões religiosas dos educandos.

18. Os professores de Ensino Religioso recebem orientações pedagógicas e


administrativas de quem?
(Profa. Ângela Holanda - Maceió/ AL)

As Secretarias Estaduais de Educação como instâncias máximas que organizam o


ensino têm a incumbência de cuidar da formação dos docentes, da situação funcional,
assim como assessorar, acompanhar e avaliar as escolas na formulação de seus planos
didáticos.
As unidades escolares têm no seu quadro do magistério, equipes pedagógicas, e nestas o
(a) coordenador (a) pedagógico, com atribuições diversas que vão desde a elaboração da
matriz curricular até a formação continuada dos professores e professoras. Essa
construção se dá de forma coletiva na escola. As atividades desenvolvidas são através
de: estudos nas diferentes áreas de conhecimento, articulação para implantação dos
conselhos de classe, implantação e implementação da formação em serviço dentro da
carga horária de cada professor(a), envolvendo todos que fazem o ensino nas
respectivas unidades escolares.
O ensino religioso está inserido neste contexto, pelo fato de ser um componente
curricular e os professores pertencerem ao quadro do magistério público dos sistemas de
ensino. A lei nº 9.475/97 explicita que são de competência do citado sistema de ensino
regulamentar os procedimentos deste, tanto na esfera administrativa como na
pedagógica.
De forma mais precisa e consistente esse acompanhamento torna-se efetivo e eficaz
quando no currículo das escolas, o ensino religioso está previsto no Projeto Político
Pedagógico e descrito nas matrizes curriculares dos níveis e modalidades de ensino
onde se dá a sua oferta

19. Como é admitido o professor de ensino religioso na rede pública?


(Profa. Ângela Holanda - Maceió/ AL)

O quadro do magistério público é regido através dos critérios estabelecidos na


Constituição Federal, no Regimento do Servidor Público e no Plano de Cargo e Carreira
do Magistério de cada Unidade da Federação.
Os Estados através dos sistemas de ensino nos termos das citadas leis regulamentam a
admissão dos profissionais da educação.
Para a admissão do professor de ensino religioso o processo é o mesmo conforme artigo
33 da LDBEN nº 9.394/96 alterado pela Lei nº 9.475/97 determinando aos sistemas de
ensino o estabelecimento de normas para habilitação e admissão desses profissionais.
No Brasil há diferentes formas para o ingresso na carreira do magistério público, tanto
para os professores de ensino religioso como para outras áreas de conhecimento, sendo
processado através de concurso público e ou contratação temporária quando ocorrem
carências de professores nas respectivas áreas de conhecimento, obedecendo aos
critérios mencionados nas leis de cada Estado.
Pensar na admissão é pensar na formação exigida que é acadêmica, portanto a
licenciatura plena. Esta definição situa-se numa discussão bem mais ampla em todos os
sistemas de ensino e nas instituições de ensino superior das unidades da federação. No
entanto, ainda são considerados habilitados para o exercício do magistério público para
o ensino religioso, os portadores de diploma em quaisquer ano do ensino fundamental:
• os portadores de licenciatura em ciências da religião;
• os licenciados em pedagogia, com habilitação para o magistério de 1º a 4º ano do
ensino fundamental;
• os portadores de diploma de curso normal superior;
• os docentes licenciados portadores de curso de especialização lato-sensu em ensino
religioso;
• os portadores de diploma de História, Filosofia, Ciências Sociais, Psicologia;
• os portadores de diplomas em cursos de licenciatura plena para Formação de
professores para o Ensino Religioso
Desta forma, a concepção de ensino religioso como área de conhecimento estabelecida
na Resolução nº 02/98 da Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de
Educação que trata das Diretrizes Curriculares para o Ensino Fundamental, aponta para
a necessidade de se ter um profissional . Não se trata mais de uma pessoa voluntária,
representante de denominações religiosas, mas de um profissional com formação
acadêmica.

20. Quem é o responsável pela habilitação do professor de ER?


(Prof. Antonio Boeing - São Paulo/SP)

Os pesquisadores que refletem sistematicamente sobre o Ensino Religioso, como área


do conhecimento, pontuam que o profissional deste campo deve responder à algumas
exigências, especialmente que: tenha sensibilidade e carisma para lidar com as
diferentes dimensões da vida e com os antagonismos provenientes da diferença, sem
pré-conceitos; amplie a cosmovisão a partir do conhecimento de outras linguagens
dentro da multiplicidade dos sistemas e tradições religiosas; esteja aberto para elaborar
junto com os alunos as respostas para a existência, respostas que dêem sentido à vida;
crie empatia com os alunos e, a partir do diálogo respeitoso, seja referencial ético;
respeite o processo dos educandos e não defina apriori o que os alunos devem ou não
fazer; e, entenda que já tem uma experiência maior de vida, mas também está em busca.
O profissional do Ensino Religioso para responder à estas e outras exigências de cada
contexto necessita de uma formação específica.
É preciso reconhecer que a identidade do Ensino religioso durante a história nunca
esteve bem definida, por isso a formação do profissional deste campo também não foi
tão tranqüila. A definição do Ensino Religioso como área do conhecimento tem
contribuído para avanços na definição de programas de formação dos docentes. Neste
processo, surgiram muitos debates sobre quem efetivamente habilita o profissional desta
área. A própria legislação afirma que o sistema de ensino tem a incumbência de
estabelecer normas para habilitação e admissão dos professores do Ensino Religioso. E,
em outro parágrafo, a legislação também determina que seja ouvida entidade civil
constituída pelas diferentes denominações religiosas. É neste dinamismo que o Fórum
Nacional Permanente do Ensino Religioso exerceu importante papel e, em 1998,
reconhecendo a urgência e necessidade de uma formação consistente, propôs um projeto
de Curso de Licenciatura em Ensino Religioso. Mesmo que o Fórum tenha insistindo
para que em diferentes lugares se efetivassem os cursos de Licenciatura em Ensino
Religioso, apenas no Estado de Santa Catarina concretizou-se nesta perspectiva. Em
outras regiões do país, as habilitações reconhecidas pelos sistemas de ensino têm suas
variações de um estado para outro, no geral perpassam a Filosofia, Teologia, Ciências
Sociais, História e Pedagogia.
Surgiram também, em diferentes, contextos outros projetos com o objetivo de qualificar
profissionais, com destaque para os cursos de Extensão e Especialização, Lato Sensu,
em Ensino Religioso. Outra frente importante tem sido os cursos de graduação em
Ciências da Religião reconhecidos pelo MEC. É necessário considerar que estes cursos
qualificam, mas não habilitam para o exercício da profissão. Ainda não há muita clareza
quanto às normas para habilitação dos profissionais do Ensino Religioso, pois nos
próprios sistemas de ensino existem grandes dificuldades no sentido de reconhecerem o
Ensino Religioso com área de conhecimento. Sendo assim, para que o Ensino Religioso
se concretize com qualidade é preciso levantar a bandeira das licenciaturas,
especialmente, em Ciências da Religião. É preciso avançar, pois neste campo há muito
ainda por caminhar.

21. Quais os requisitos/critérios para abertura de cursos de graduação?


(Prof. Sérgio Junqueira - Curitiba/ PR)

O ensino superior inicia-se com cursos de Graduação ou Seqüenciais os quais podem


oferecer diferentes possibilidades de carreiras como acadêmica ou profissional. Cursos
que preparam para uma carreira acadêmica ou profissional podendo estar ou não
vinculado a conselhos específicos. São os mais tradicionais e conferem diploma com o
grau de Bacharel ou título específico (ex.: Bacharel em Física), Licenciado (ex.:
Licenciado em Letras), Tecnólogo (ex.: Tecnólogo em Hotelaria) ou título específico
referente à profissão (ex: Médico). O grau de Bacharel ou o título específico referente à
profissão habilitam o portador a exercer uma profissão de nível superior; o de
Licenciado habilita o portador para o magistério no ensino fundamental e médio. É
possível obter o diploma de Bacharel e o de Licenciado cumprindo os currículos
específicos de cada uma destas modalidades. Além das disciplinas de conteúdo da área
de formação, a licenciatura requer também disciplinas pedagógicas e 300 horas de
prática de ensino. Os cursos de graduação podem oferecer uma ou mais habilitações.
As Licenciaturas destinam-se à formação de professores para atuar na Educação Básica
( Educação Infantil - Ensino Fundamental - Ensino Médio). Para a Educação Infantil e
das Séries Iniciais do Ensino Fundamental os cursos ocorrem nos Cursos Normais
Superiores, podendo também realizar-se em cursos de Pedagogia, quando oferecidos
pelas Universidades e Centros Universitários; para as séries finais do Ensino
Fundamental e no Ensino Médio a formação se dá nas Licenciaturas das áreas
específicas do conhecimento - Licenciatura em Física, em Matemática, em Geografia,
etc. A Coordenação de Formação de Professores da SESu/MEC supervisiona o
cumprimento da legislação específica aplicável aos cursos de formação de professores
para a Educação Básica. Essa formação, de acordo com Artigo 62 da LDB, far-se-á em
cursos superiores de licenciatura, de graduação plena, admitindo-se, como mínima, a
formação em cursos normais de nível médio. Os pedidos de autorização e
reconhecimento de Curso Normal Superior devem obedecer aos procedimentos exigidos
para os demais cursos de graduação. A Coordenação oferece apoio técnico e pedagógico
à implantação das diretrizes para a formação de professores da Educação Básica.
Para orientar todo este trabalho foram traçadas as Diretrizes Curriculares para os Cursos
de Graduação:
a) Princípios das Diretrizes dos Cursos de Graduação: a ssegurar às instituições de
ensino superior ampla liberdade na composição da carga horária a ser cumprida para a
integralização dos currículos, assim como na especificação das unidades de estudos a
serem ministradas; indicar os tópicos ou campos de estudo e demais experiências de
ensino-aprendizagem que comporão os currículos, evitando ao máximo a fixação de
conteúdos específicos com cargas horárias pré-determinadas, as quais não poderão
exceder 50% da carga horária total dos cursos; evitar o prolongamento desnecessário da
duração dos cursos de graduação; incentivar uma sólida formação geral, necessária para
que o futuro graduado possa vir a superar os desafios de renovadas condições de
exercício profissional e de produção do conhecimento, permitindo variados tipos de
formação e habilitações diferenciadas em um mesmo programa; estimular práticas de
estudo independente, visando a uma progressiva autonomia profissional e intelectual do
aluno; encorajar o aproveitamento do conhecimento, habilidades e competências
adquiridas fora do ambiente escolar, inclusive as que se referiram à experiência
profissional julgada relevante para a área de formação considerada; fortalecer a
articulação da teoria com a prática, valorizando a pesquisa individual e coletiva, assim
como os estágios e a participação em atividades de extensão, as quais poderão ser
incluídas como parte da carga horária; incluir orientações para a condução de avaliações
periódicas que utilizem instrumentos variados e sirvam para informar a docentes e a
discentes acerca do desenvolvimento das atividades didáticas.
b) Objetivos e Metas: conferir maior autonomia às IES na definição dos currículos de
seus cursos, a partir da explicitação das competências e as habilidades que se deseja
desenvolver, através da organização de um modelo pedagógico capaz de adaptar-se à
dinâmica das demandas da sociedade, em que a graduação passa a constituir-se numa
etapa de formação inicial no processo contínuo de educação permanente; propor uma
carga horária mínima em horas que permita a flexibilização do tempo de duração do
curso de acordo com a disponibilidade e esforço do aluno; otimizar a estruturação
modular dos cursos com vistas a permitir um melhor aproveitamento dos conteúdos
ministrados, bem como, a ampliação da diversidade da organização de cursos,
integrando a oferta de cursos seqüenciais, previstos no inciso I do artigo 44 da LDB;
contemplar orientações para as atividades de estágio e demais atividades que integrem o
saber acadêmico à prática profissional, incentivando o reconhecimento de habilidades e
competências adquiridas fora do ambiente escolar; contribuir para a inovação e a
qualidade do projeto pedagógico do ensino de graduação, norteando os instrumentos de
avaliação (Texto elaborado a partir das informações do site www.merc.org.br).

22. Os profissionais do Ensino Religioso são formados pela Teologia? Ou quem os


prepara?
(Prof. Antonio Boeing - São Paulo/SP)

Presenciamos o esfacelamento e a fragilização da identidade do ser humano que


resultada, em grande parte, dos sistemas excludentes e da falta de referencias éticos. É
diante dessa realidade que a educação deve oferecer referenciais que contribuam
efetivamente para a construção do ser integral. Por isso, cabe ao processo educativo
despertar o potencial das crianças, adolescentes e jovens, para que na vivência cotidiana
aprendam a atuar na sociedade e exercer a cidadania. Neste dinamismo, o profissional
do Ensino Religioso tem uma grande contribuição a dar no sentido de: auxiliar os
alunos a enfrentarem as questões que estão no cerne da vida, despertando-os para que
possam desenvolver a religiosidade presente em cada um; orientar para a descoberta de
critérios éticos, para que possam agir desde uma atitude dialógica e de reverência no
processo de aproximação e de relação com as diferentes expressões religiosas. Para
responder à estas exigências é fundamental e indispensável que o profissional do Ensino
Religioso tenha uma formação específica que o habilite e qualifique nesta área do
conhecimento.
Tendo presente estas inquietações, verifica-se que os curso de Licenciatura em Ensino
Religioso e os de Ciências da Religião têm uma grande contribuição a dar no sentido de
formar profissionais para melhor decodificar o fenômeno religioso. Isto porque estas
áreas analisam e pesquisam o campo religioso dentro de sua complexidade e a partir de
um olhar interdisciplinar. Dentro desse debate, muitos profissionais da Teologia seguem
reivindicando para si a tarefa de formar os profissionais para atuarem no Ensino
Religioso. Mas há entraves, pois por mais científica que sejam as pesquisas e
sistematizações teológicas, elas sempre são confessionais e aí esbarram na legislação. É
preciso considerar que não há teologia a-confessional ou supra-confessional, isto porque
a teologia sistematiza experiências religiosas e afirma em que os adeptos de uma
denominação religiosa devem crer e como devem agir na organização de sua vida para
então, serem considerados membros daquele grupo religioso. A sistematização da fé
normatiza o modo de vida de um grupo religioso. Enquanto que as pesquisas e
sistematizações no campo pedagógico do Ensino Religioso e das Ciências da Religião
são mais abrangentes, pois estas áreas interessam-se por tudo aquilo que os seres
humanos crêem, como suas manifestações, ações, instituições, rituais e tudo o que tem a
ver com o universo religioso. Claro que o profissional da teologia também deve atuar
com respeito à diversidade religiosa, mas sem dúvida, que as pesquisas
interdisciplinares, poderão abrir perspectivas mais abrangentes do que as doutrinais, por
melhores que estas sejam.
É importante considerar que somente as pesquisas não garantirão a qualidade do
profissional do Ensino Religioso, pois são necessárias outras qualidades, especialmente
o carisma para lidar com esta área fascinante e desafiante do conhecimento. Por isso, o
perfil do professor deve ser o de profundo respeito, com agir ético e que crê nas
potencialidades das pessoas e de que é possível, apesar das adversidades, construir
relações saudáveis. É preciso que veja além do senso comum, que sonhe, acredite e
viabilize caminhos alternativos, ciente das possibilidades e dos limites que a realidade
impõe. Mas, crer que sempre é possível ir além, isto é, Transcender

23. Existem experiências de organização dos professores para refletir e articular o


ER? (sindicato, ASPER...)
(Profa. Lurdes Caron - São Paulo/SP)

O Ensino Religioso (ER) na história da educação brasileira, foi desenvolvido dentro de


modelos próprios de cada época. Em cada modelo, professores buscaram adaptar-se. É
importante destacar que professores de ER, principalmente, a partir da década de 70,
procuraram se organizar para desenvolver ações conjuntas, visando a formação global e
a personalização do educando e a em busca dos direitos de professores na sua inclusão
no quadro do magistério público.
No entanto, a organização de professores, no quadro do magistério público, é uma
questão muito difícil, tendo em vista, as políticas educacionais que se estabelecem em
cada Estado e a cada mudança de governo. Para os professores de ER, torna-se mais
difícil ainda, porque estes, até bem pouco tempo, na sua maioria, eram/são professores
de outras áreas e/ou disciplinas do currículo que na carga horária de trabalho, dão aulas
de ER, ou então, na modalidade de professor Admitido em Caráter Temporário.
Situação esta, ainda presente em vários Estados. Há Estados, cita-se como exemplo, o
Pará que, já anterior a década de 90, possibilitava através de concurso público, o
ingresso e efetivação de professores, habilitados em ER, através de curso de
licenciatura.
No Brasil anterior a década de 90, registra-se a experiência de professores do Pará e os
de Brasília/Df, que buscaram organiza-se em associação. A Associação de professores
de Brasília, por um tempo, conseguiu se articular. Os do Pará, a tentaram organizar-se
como Comissão de Professores fazendo parte da Associação Interconfessional de ER do
Estado do Pará, porém, não conseguiram articulação como tal.
A partir de 1997, registra-se a criação de cursos de licenciatura plena com a habilitação
de professores para o ER, como é o caso de SC, Pará e Amazonas. O Estado de SC, a
partir de 2000, oportunizou, nos concursos públicos para o quadro do magistério, o
ingresso e efetivação de professores para a disciplina de ER. Atualmente, sabe-se que
Estados como: SC, PA, AL e outros, incluem no concurso de ingresso para o quadro do
magistério público, vagas, para professores de ER. No entanto, ainda são casos
esporádicos. Têm-se a esperança, que logo, logo, em mais Estados, professores de ER,
sejam incluídos, com tratamento de igual direitos aos demais professores, no Plano de
Carreira do Quadro do Magistério Público.
Hoje tem-se como experiência de organização de professores de ER, a Associação de
Professores de SP (ASPERSP) e recentemente, a ASPERSC. Em nível Nacional tem-se,
a partir de setembro de 1995, o FÓRUM NACIONAL DE REFLEXÃO
PERMANENTE DO ENSINO RELIGIOSO (FONAPER), que integra como seus
associados, pessoas físicas (professores) e jurídicas. O FONAPER desenvolve
importante papel , na educação brasileira, buscando acompanhar, organizar e subsidiar o
esforço de professores, associações e pesquisadores no campo do Ensino Religioso.

24. Existem experiências de organizações religiosas para refletir e articular o


Ensino Religioso? (AEC, CNBB, CONIC, CELADEC...)
(Profa. Lurdes Caron - São Paulo/SP)

Estamos vivendo num tempo que exige uma nova compreensão, nova leitura no fazer
Ensino Religioso (ER) enquanto disciplina escolar, da área do conhecimento e direito
do cidadão. Para chegar a este novo tempo do ER, houve uma longa caminhada na
história da Educação e do Ensino Religioso no Brasil, toda ela, carregada de tentativas e
novas experiências, porém, com rara exceção, conservando, mais ou menos, a mesma
modalidade na sua prática.
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), desde sua criação em 1952,
destacou-se na preocupação com o ER. Ao organizar-se, em 1952, criou o "Dep
artamento de Educação e o "Secretariado Nacional de Ensino da Religião, isto,
referindo-se a catequese, como ensino da doutrina católica. A partir de 1974, promoveu
Encontros Nacionais de Coordenadores e Professores de Ensino Religioso (ENERs). De
1974 a 1998, realizou 12 ENERS, com os mais diversos temas. Destaca-se que a tônica
em todos os ENERs, foi a identidade do ER e a formação de professores para tal. Estes
Encontros Nacionais, favoreceram aos professores a conhecerem-se, fazer a partilha de
experiências, a aproximação e organização dos mesmos. Assim, a partir de 1985 criou-
se o Grupo de Reflexão sobre Ensino Religioso (GRERE), e, sem sombra de dúvida
alguma, foi a partir dos ENERS, que professores se organizaram e em 1995, com apoio
de entidades interessadas com o ER, instalaram o Fórum Nacional de Reflexão
Permanente sobre Ensino Religioso (FONAPER), que em setembro de 2005, estará
completando 10 anos de existência. Em 1995, a CNBB criou junto à sua sede em
Brasília, o Setor de Ensino Religioso. A partir de 2000, a CNBB, em parceria com a
AEC do Brasil, iniciou a realização de Encontros Nacionais para professores de ER das
escolas Católicas.
Outras denominações religiosas de matriz cristã, na sua organização, assumiram como
prioridade a educação, quer familiar, quer eclesial, quer escolar. E nesta organização, o
ER, como prioridade. Assim, registra-se a realização de Encontros Nacionais de
professores de ER, promovido pela CELADEC (1989), e pelo CONIC (1993). Em nível
regional e/ou estadual, foram realizados, inúmeros outros eventos em vista do ER.
A AEC do Brasil, bem como AECs Regionais preocupadas com o ER nas escolas
católicas, , desenvolveram e continuam organizando Encontros, Seminários, Editoriais
visando a formação de professores de ER. Outras entidades religiosas e/ou
educacionais, vem desenvolvendo atividades em vista da formação de professores.
O ER está exigindo que sua leitura seja a partir do pedagógico, a partir da escola. Isto
exige investimento na formação de professores. As ações realizadas em prol desta
formação, até o presente, no seu tempo, tiveram sua validade. Hoje, porém, só terá
efeito, se for investido na organização de políticas públicas que garantam a efetiva e
contínua formação de professores, para uma educação que promova e colabore na
implantação da cultura da paz.

25. Qual o papel do CONER?


(Profa. Lurdes Caron - São Paulo/SP)

A Lei nº 9.475 de 22 de julho de 1997, deu nova redação ao artigo 33 de lei nº 9.394, de
20 de dezembro de 1996, que estabeleceu as diretrizes e bases da educação nacional, no
§ 2º, diz - " Os sistemas de ensino ouvirão entidade civil, constituída pelas diferentes
denominações religiosas, para a definição dos conteúdos do ensino religioso ."
A redação deste parágrafo ficou garantida, em vista de experiências já existentes, na
organização de denominações religiosas, em função do Ensino Religioso. Na década de
90, em 18 Estados da federação, havia a organização de denominações religiosas,
interessadas com a educação integral do educando, na qual, se dedicavam mais com o
Ensino Religioso. Entre outras cita-se: a ASSINTEC do Paraná, o CIER de Santa
Catarina, CIERES do Espírito Santo, CIERGO no Estado de Goiás e outros.
A Lei nº 9.475/97, garante o Ensino Religioso como "parte integrante da formação
básica do cidadão, constitui disciplina dos horários normais das escolas públicas de
ensino fundamental, assegurado o respeito à diversidade cultural religiosa do Brasil,
vedadas quaisquer forma de proselitismo." E no art. 1º, § 2º, fala da entidade civil
constituída pelas diferentes denominações religiosas, no entanto, não define quais e nem
qual a forma de organização. Cada Estado, busca organizar-se, conforme a sua
realidade. A partir desta nova lei, hoje em 17 Estados da federação existe o CONER
(Conselho do Ensino Religioso do Estado do ...). Cada CONER, leva o nome do seu
Estado e/ou, município. Exemplo CONER/RS, CONER/SC, CONER/SP, CONER/SE,
CONER/AM e outros.
O CONER, em cada Estado e/ou município, define quais suas funções, porém, em
linhas gerais , conforme sugestão de Estatuto , divulgado pelo FONAPER e CNBB, em
1997, tem por finalidade: I - congregar as denominações religiosas interessadas, com o
objetivo específico de constituírem-se em entidade civil, para fins previstos no § 2º, do
artigo 33, da Lei nº 9.394/96, com a nova redação que lhe dá a Lei nº 9.475/97; II -
articular a ação conjunta de todas as denominações associadas, com o objetivo de somar
forças na busca de meios e condições que assegurem a tutela do direito à liberdade de
consciência e confissão religiosa e do direito ao ensino religioso, como parte integrante
da formação básica do cidadão; III - colaborar com as competentes autoridades na
regulamentação dos processos para a definição da formação e execução dos conteúdos
básicos, urgindo o cumprimento dos mesmos; IV - apoiar a formação de professores
para o Ensino Religioso.
Convém lembrar que dentre a alguns princípios que regem a relação entre Estado e
denominações religiosas. Um, é de que o Estado não é religioso; porém, no seu papel de
instituição laica, assegura os bens do povo, incluindo o substrato religioso de que este
povo é portador. Em síntese: cabe a entidade civil , zelar junto ao Estado, para que a Lei
seja cumprida, tendo como prioridade, o estabelecimento de políticas públicas para a
formação de professores e que todo o educando, no seu direito de cidadão, tenha Ensino
Religioso que favoreça à sua personalização e a construção da cultura da solidariedade e
paz.

26. Qual o papel do FONAPER?


(Profa. Lurdes Caron - São Paulo/SP)

O Fórum Nacional de Reflexão Permanente de Ensino Religioso (FONAPER), foi


instalado no dia 26 de setembro de 1995, em Florianópolis/SC, por ocasião da vigésima
nona (29ª) Assembléia Ordinária do Conselho de Igrejas para a Educação Religiosa
(CIER) de Santa Catarina, que comemorava seus vinte e cinco anos (25) de existência.
O FONAPER, em setembro de 2005, estará completando 10 anos de existência.
O FONAPER, constituído como sociedade civil de âmbito nacional, sem vínculo
político-partidário e sindical e sem fins lucrativos, congrega pessoas jurídicas e pessoas
físicas identificadas com o Ensino Religioso Escolar e se constitui em um organismo
que trata questões pertinentes ao Ensino Religioso (ER), sem discriminação de qualquer
natureza. Rege-se por "Carta de Princípios, elaborados na data de sua instalação, na qual
contém o contrato moral que todo signatário estabelece consigo mesmo e com seu
comprometimento ético com a Educação.
O papel principal do FONAPER é de consultar, refletir, propor, deliberar e encaminhar
assuntos pertinentes ao ER, com vistas às seguintes finalidades: I- exigir que a escola,
seja qual for sua natureza, ofereça o ER ao educando, em todos os níveis de
escolaridade, respeitando as diversidades de pensamento e opção religiosa e cultural do
educando, vedada discriminação de qualquer natureza; II- contribuir para que o
pedagógico esteja centrado no atendimento ao direito do educando de ter garantida a
educação de sua busca do Transcendente; III- subsidiar o Estado na definição do
conteúdo programático do ER, integrante e integrado às propostas pedagógicas; IV-
contribuir para que o ER expresse uma vivência ética pautada pelo respeito à dignidade
humana; V- reivindicar investimento real na qualificação e habilitação de profissionais
para o ER, preservando e ampliando as conquistas de todo o magistério, bem como a
garantia das necessárias condições de trabalho e aperfeiçoamento; VI- promover o
respeito e a observância da ética, da paz, da cidadania, dos direitos humanos, da
democracia e dos outros valores universais; VII- realizar estudos, pesquisas e divulgar
informações e conhecimentos na área do ER.
Neste sentido, vem desde sua instalação, buscando acompanhar, organizar e subsidiar o
esforço de professores, associações e pesquisadores no campo do Ensino Religioso.
Num primeiro momento, ocupou-se com a promulgação da Lei de Diretrizes e Bases
(1996 - 1997), simultaneamente com a estrutura do Ensino Religioso através da
produção do Parâmetro Curricular Nacional do Ensino Religioso (1996 - 1997),
publicado pela Ed. Ave Maria. Desde o seu início, vem articulando ações em vista da
formação de professores. Para celebrar os 10 anos do FONAPER, estamos organizando
a XIII Sessão, que será na UFSC, em Florianópolis/SC de 05 a 07 de outubro de 2005.
E ao mesmo tempo: o III Congresso Nacional de professores de ER, o III Seminário
Catarinense de professores de ER e os 10 anos da Revista "Diálogo" Ensino Religioso.

27. O ENSINO RELIGIOSO nas escolas católicas pode ser confessional ?


(Prof. Antonio Boeing - São Paulo/SP)

O Ensino Religioso nas escolas católicas concretiza-se basicamente a partir de três


concepções: há as que entendem o Ensino Religioso como sendo o espaço privilegiado
para a catequese, lugar para viabilizar os princípios fundamentais da doutrina católica;
uma outra maneira se dá a partir de uma concepção ecumênica, por isso articula tanto
nos objetivos como no conteúdo programático os aspectos comuns das igrejas cristãs; o
terceiro grupo é formado pelas escolas que compreendem o Ensino Religioso como
espaço curricular para reler o fenômeno religioso no contexto da realidade sócio-
cultural, respeitando o pluralismo, sendo assim, desenvolvem as atividades como área
do conhecimento que integra o projeto político-pedagógico como as outras disciplinas.
A compreensão do Ensino Religioso como área do conhecimento valoriza a diversidade
cultural religiosa presente na sociedade brasileira e, em decorrência, na sala de aula.
Dentro dessa concepção não tem como objetivo levar os alunos a se tornarem adeptos
de uma ou outra religião, mas sim, despertar o potencial presente em cada educando e
motivá-los a abrirem-se para a dimensão da religiosidade. O que se verifica é que
quanto mais se trabalha o Ensino Religioso como área do conhecimento, tanto mais
cresce o interesse dos educandos no sentido de conhecerem a própria religião. É a partir
dessa realidade que a Pastoral Escolar e a Catequese adquirem maior relevância.
Entendendo Pastoral Escolar como o espaço que procurará envolver toda a comunidade
educativa em torno do carisma congregacional e missão eclesial, para que atuem e
promovam os princípios e razão de ser da escola, enquanto que a catequese, entendida
como ensino confessional, contribuirá para a iniciação dos educandos dentro da doutrina
católica.
A distinção entre Ensino Religioso, Pastoral Escolar e Catequese, dentro dessa
perspectiva, dará uma grande contribuição para a formação do ser humano integral, por
isso, é preciso que as escolas católicas não se fechem unicamente no confessional.
Devem sim, oferecer espaços qualificados em que o ensino seja confessional, mas não
dentro do currículo, pois mesmo que a escola seja privada, ela é plural na sua
composição e jamais poderá esquecer que a educação é sempre pública. Quanto mais as
escolas católicas estiverem abertas ao diálogo e considerarem a pluralidade religiosa,
maiores serão as possibilidades de vida de toda a comunidade educativa e
conseqüentemente, abrirão novas perspectivas, métodos, objetivos e conteúdos que
contribuirão para fundamentar a importância do Ensino Religioso como área do
conhecimento e indispensável no espaço educacional, como também da Pastoral Escolar
e do Ensino Confessional.
FONTE: ENSINO RELIGIOSO EM QUESTÃO – Boletim do Setor de Ensino Religioso da CNBB –
2005.