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ANDAR NO ESPÍRITO É NÃO ANDAR NA CARNE

LER Gl 5.16-25

A única maneira de vivermos em plena liberdade é andando no Espírito. Todo crente que nasceu de novo
recebeu o Espírito Santo dentro do seu espírito humano

Mas o que se ajunta com o Senhor é um mesmo espírito. 1Co 6.17

Digo, porém: andai no Espírito e jamais satisfareis à concupiscência da carne. Gl 5.16

No capítulo 3.2, Paulo já tinha perguntando aos gálatas: “Vocês receberam o Espírito pelas obras da lei ou
pela pregação da fé?”. Paulo estava mostrando que eles tinham recebido o Espírito Santo quando creram.
E depois, no verso 3, ele prossegue: “Tendo começado no Espírito, vocês estão, agora, se aperfeiçoado na
carne?”. Eles tinham começado a vida cristã pelo Espírito, entretanto tinham sido desviados do Espírito
para a lei e consequentemente para a carne. Agora, no capítulo 5, Paulo conclui esse mesmo pensamento:
“Vocês começaram no Espírito, agora devem continuar andando no Espírito. Basta andar no Espírito. Se
vocês andarem no Espírito, jamais satisfarão ao desejo da carne”.

Andar na lei nos leva a andar também na carne. Se tentarmos novamente guardar a lei nos esforçando
para fazer o bem a fim de agradar a Deus, inevitavelmente estaremos na carne. Isso mostra que a carne se
manifesta não somente quando fazemos o mal, mas também quando tentamos fazer o bem. Sempre que
agimos por nós mesmos, estamos ativando a carne.

Não existem fórmulas na vida cristã. Tudo o que precisamos é andar no Espírito. Essa é uma lição básica
crucial. Não há necessidade de procurar métodos. Temos um único método: estar no Espírito. Isso,
porém, não é algo que aprendemos facilmente. Muitas vezes durante o dia, somos tentados a sair da
esfera do Espírito, por isso precisamos continuamente exercitar o nosso espírito humano a fim de andar
no Espírito Santo.

Quando somos jovens não nos importamos muito com a necessidade de vigiar e orar, mas quanto mais
crescemos, mais percebemos o quanto precisamos vigiar com espírito de oração para andarmos sempre
no Espírito (Mt 26.41). A vida cristã é uma vida de permanência no Espírito.

Em Colossenses, Paulo nos ensina a maneira prática de andarmos no Espírito. Ele diz: “Perseverai na
oração, vigiando com ações de graças”(Cl 4.2). Em Efésios 6.18, ele reafirma essa verdade, dizendo:
“...orando em todo tempo no Espírito e para isto vigiando com toda perseverança e súplica”. Somente com
uma atitude constante de oração podemos andar no Espírito.

Fora do Espírito, não existe vida cristã. É por isso que Paulo teve ousadia para dizer que se andarmos no
Espírito jamais satisfaremos aos desejos da carne.

O conflito entre carne e o Espírito – vv. 16-23

Porque a carne milita contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne, porque são
opostos entre si; para que não façais o que, porventura, seja do vosso querer. Gl
5.17

Existem duas forças opostas lutando dentro de nós. Elas são chamadas carne e Espírito. A carne se refere
a aquilo que herdamos de nossos pais, a nossa condição caída, aos desejos da nossa natureza humana
distorcida pelo pecado. Do outro lado temos o Espírito, que é o próprio Espírito Santo. Depois que cremos
no Senhor, o Espírito veio habitar em nós e nos fez ser novas criaturas. A carne é o que trazemos pelo
nascimento natural, o Espírito é o que recebemos pelo novo nascimento. E estes dois, a carne e o Espírito,
vivem em oposição.

A carne e o Espírito apontam para dois princípios de vida opostos que lutam entre si. Vamos ver quais
tipos de comportamento expressam esses dois princípios de vida.

As obras da carne – vv.18-21

Paulo começa dizendo no versículo 19, que as obras da carne são conhecidas, ou seja, são bem óbvias.
Ainda que a carne em si seja invisível, as suas obras são bem conhecidas. Daí ele prossegue elaborando
um tenebroso catálogo das obras da carne.

Essa lista não é completa, Paulo termina falando a respeito de “coisas semelhantes a estas”. Mas a lista
abrange quatro áreas diferentes: sexo, religião, relacionamentos e alimentação.

O fruto do Espírito – vv. 22,23

O que a carne faz é chamado de obras, mas o que o Espírito gera é chamado de frutos, porque procede de
vida. Assim como a carne é tudo aquilo que herdamos de Adão, o fruto do Espírito é tudo aquilo que
temos em Cristo quando somos cheios dEle. O fruto do Espírito é produto dessa nova natureza, e aponta
para o caráter de Cristo em nós. Essas virtudes não são naturais, mas espirituais. Não precisamos exercer
nenhum esforço, pois o Espírito é residente em nós e faz com que esses frutos se manifestem de maneira
espontânea em nós. Diferente das obras da carne que é resultado de um esforço por agirmos contra a
nossa nova natureza.

É interessante que as obras da carne são muitas, estão no plural, mas o fruto do Espírito está no singular,
indicando que todo fruto do Espírito é amor.

A Palavra de Deus não nos desafia a lutar contra a carne, mas ordena que andemos no Espírito. Quando
andamos no Espírito, espontaneamente vencemos os desejos da carne. A vitória cristã é uma vitória sem
esforço, pois não sou em quem luto contra a carne, mas o Espírito de Deus que habita em mim.

O caminho da vitória – vv. 24,25

Paulo diz que os que são de Cristo fazem duas coisas: eles crucificam a carne e eles andam no Espírito.
Essas são, portanto, as duas condições para experimentarmos vitória em nossa vida cristã.

E os que são de Cristo Jesus crucificaram a carne, com as suas paixões e concupiscências. Se
vivemos no Espírito, andemos também no Espírito. Gl. 5:24-25

Paulo diz que “os que são de Cristo Jesus crucificaram a carne, com as suas paixões e concupiscências.
” O verbo crucificar no grego está no tempo aoristo, indicando que isso é algo que nós fizemos de uma vez
por todas no momento da nossa conversão.

No momento em que cremos em Cristo estamos nos identificando com a sua morte. Dessa forma nós
declaramos que a nossa velha natureza, o nosso velho homem juntamente com os seus desejos
pecaminosos foi crucificado juntamente com Cristo. Isso acontece porque a nossa fé vem acompanhada
de arrependimento do nosso estilo de vida antigo.
Uma vez que já crucificamos a carne devemos mortificá-la diariamente. Devemos a cada dia tomar a
nossa cruz e rejeitar toda ocasião do pecado em nossas vidas.
O grande segredo da santidade está no grau do nosso arrependimento. Uma vez que eu sei que a carne já
foi crucificada eu preciso me considerar como morto. É exatamente isso que Paulo diz em Gálatas 2:19-
20.

Estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora,
tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim. Gl. 2:l9-20.

A vida cristã é caracterizada por duas substituições: a primeira é aquela que foi realizada na Cruz quando
Cristo morreu em meu lugar. A segunda é aquela que deve ocorrer no meu dia-a-dia quando Cristo vive
em meu lugar conquistando por mim a vitória sobre o pecado e me levando a fazer a vontade de Deus.

O sangue de Jesus já eliminou todos os nossos pecados, mas Deus quer algo mais, ele quer resolver a
questão daquilo que somos. Todos nós éramos como um limoeiro que só produzia frutos azedos de
morte. Pelo sangue da Cruz o Filho de Deus eliminou todos aqueles frutos de morte. Assim nos tornamos
um limoeiro limpo, mas ainda continuávamos com a mesma natureza de limoeiro. O que ele fez então?
Ele nos incluiu nele. Nós éramos limoeiro e ele videira. Quando nós limoeiro, fomos enxertados nele,
videira, um milagre aconteceu, a nossa natureza foi mudada. O galho de limoeiro enxertado no tronco da
videira passou a receber a seiva de vida e, em lugar de produzir limões azedos de morte passou a
produzir uvas, frutos de vida. O sangue pode tirar os meus pecados, mas não pode mudar a minha
natureza. É necessário a Cruz para me crucificar. O sangue trata com o pecado, mas a Cruz trata
com o pecador.

Incluídos na morte de Cristo

Todos nós nascemos pecadores. A maneira como nos tornamos pecadores é pelo nascimento. Como
podemos então deixar de ser pecadores? O raciocínio é simples, desde que nos tornamos pelo
nascimento, a única maneira de sermos livres é pela morte. Mas como podemos morrer? Devemos nos
matar? É claro que não! Precisamos apenas reconhecer que já estamos mortos.

Quando Cristo morreu fomos incluídos na sua morte. “Sabendo isso, que foi crucificado com ele
(Jesus) o meu Velho homem...” (Rom. 6:6). A lógica de Deus é muito simples: “Um morreu por todos, logo
todos morreram...” (II Cor 5:14). Existe uma grande verdade: “Cristo morreu por você! ” Mas há outra
verdade igualmente grande: “Você morreu com Ele!” Ele morreu para que você pudesse morrer. Talvez
isso pareça estranho para a mente, mas quando estas verdades são reveladas no espírito, então podemos
experimentar a realidade da plena libertação da escravidão do pecado.

O fruto do Espírito não pode ser o resultado de um grande esforço pessoal. Não é uma questão de nos
violentarmos para tentar ser aquilo que não somos. Não é uma questão de maquiagem ou de mudança
exterior, mas é uma questão de mudança íntima no coração.

É verdade que o sangue nos purifica dos pecados, mas Deus quer mais que pecadores perdoados, Deus
quer filhos que se pareçam com ele e tragam dentro de si a sua natureza. Muitos buscam se parecer com
filhos de Deus através dos esforços da lei e da religião. Mas a única maneira de sermos feitos filhos de
Deus é recebendo a natureza do Pai e vivendo pelo Espírito.

Não obtemos a vitória sobre o pecado pelo nosso esforço, o que nós precisamos é entender que
recebemos uma nova natureza. Todos nós éramos filhos da serpente e tínhamos dentro de nós a natureza
da serpente, mas Deus nos amou e resolveu fazer de nós seus filhos. Ele planejou um milagre. Ele nos
matou e nos fez ressuscitar em forma de filho, trazendo a sua natureza no interior.

E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas
(II Cor 5:17).
Devemos andar no Espírito

A primeira condição colocada por Paulo é assumir pela fé que a nossa carne foi crucificada com suas
paixões e concupiscências. A segunda condição é andar no Espírito. Ele diz que devemos ser guiados
pelo Espírito (verso 18) e também devemos andar no Espírito (verso 16 a 25).

Lembre-se que a carne possui obras, mas as virtudes do Espírito são frutos. Não é difícil perceber a
diferença entre obras e frutos. A obra depende do meu esforço, mas o fruto é algo que flui
espontaneamente enquanto estou vivendo no Espírito.

Isso não significa, contudo, que devemos ter uma submissão passiva ao controle do Espírito. Não vivemos
passivamente, pelo contrário, nós temos de “andar” de maneira deliberada no caminho da
verdade. O Espírito é o caminho e é também aquele que nos guia no caminho.

O verbo usado para “andar” no verso 25 poderia ser traduzido literalmente por “estar alinhado”. Isso
significa que deliberadamente nós andamos de acordo com o caminho que o Espírito estabelece para nós.
Nunca pense que a disciplina contradiz a vida no Espírito. Na verdade, a disciplina nos faz mais livres
para andarmos no Espírito. É preciso exercer disciplina para andarmos no Espírito.

A disciplina se torna mais visível quando nos envolvemos na oração e na meditação da Palavra de Deus,
na comunhão com os irmãos, nos cultos e na célula. Sempre que nos envolvemos nas coisas espirituais
teremos necessidade de disciplinar nossa vontade natural para se submeter à vontade do Espírito.

Para toda necessidade nossa a provisão está no Espírito Santo. É no nosso espírito humano que devemos
contatá-lo pois, somente por meio do Espírito Santo podemos ter comunhão com Deus. A vida do próprio
Deus está em nosso espírito e é por isso que devemos andar no espírito.

A ordem bíblica é que devemos andar no Espírito, entretanto, muitos cristãos sinceros pensam
que o padrão de Deus é primeiramente não satisfazer a carne para depois andar no Espírito. Mas nada
poderia estar mais equivocado. Não temos de vencer a carne para sermos espirituais, mas sim, sermos
espirituais para vencermos a carne. O padrão é bem simples, se andamos no Espírito não haverá lugar
para provisão da carne. Se andamos no Espírito, na dependência do Espírito, então naturalmente
vencemos a carne, sem esforço natural.