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Nós estamos dando continuidade à nossa série de mensagens na carta de Paulo aos

Efésios, uma das cartas mais importante do apóstolo Paulo, e nessa noite estaremos
falando especificamente em Efésios 2:11-22, onde poderemos aprender princípios
eternos para nossas vidas.
Revisão da mensagem passada
Na mensagem anterior nós tivemos a oportunidade de aprender os seguintes princípios:

Nó podemos sintetiza Efésios 2.1-22 em quatro pontos distintos: 1) da morte para a vida;
2) da escravidão para a liberdade; 3) do túmulo para o trono, e 4) da separação para a
reconciliação.
Para nossa melhor compreensão do texto bíblico podemos dividi-lo em três partes
principais:

(11) Portanto, lembrai-vos de que, outrora, vós, gentios na carne, chamados incircuncisão
por aqueles que se intitulam circuncisos, na carne, por mãos humanas, (12) naquele
tempo, estáveis sem Cristo, separados da comunidade de Israel e estranhos às alianças da
promessa, não tendo esperança e sem Deus no mundo.
a. (11) Portanto, lembrai-vos de que, outrora, vós, gentios na carne, chamados
incircuncisão por aqueles que se intitulam circuncisos, na carne, por mãos
humanas,
Em primeiro lugar, o desprezo – Note meus irmãos que os gentios
eram objeto do desprezo dos judeus.
(i) Primeiro, o desprezo que os judeus sentiam pelos
gentios era tão grande que não era lícito a um judeu
assistir a uma mulher gentia dar à luz.
(ii) Segundo, o casamento de um judeu com uma gentia
correspondia à morte dele, e, imediatamente, celebrava-
se o ritual do enterro do moço ou da moça.

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(iii) Terceiro, entrar em uma casa gentia tornava um judeu
impuro e o deixava inapto para participar do culto
público.
(iv) Quarto, para os judeus, os gentios eram apenas
combustível para o fogo do inferno.
Aplicando para vida:
1. Quando Deus chamou a Abraão e lhe deu um sinal na
carne (a circuncisão), não era para que os judeus se
gloriassem disso, mas para que fossem uma bênção
para os gentios. Mas Israel falhou em testemulhar para
os gentios. Israel corrompeu-se como e com as nações
gentílicas.
2. Muito provavelmente os cristãos dos nossos dias tem
feito a mesma coisa, pois o fato de sermos salvos,
fazermos parte de uma igreja, não nos tornar melhores
que os outros, mas que simplesmente a graça de Deus
nos alcançou e que diante dessa benção em nossas
vidas, devemos testemunhar de Cristo para outros –
pregar, falar.
3. Antes de Cristo éramos incircuncisos, ou seja, não
tínhamos a marca de Deus em nossas vidas, e sem a
marca de Deus, o que se podia ver em nós era as
marcas do pecado.
b. (12) naquele tempo, estáveis sem Cristo, separados da comunidade de Israel
e estranhos às alianças da promessa, não tendo esperança e sem Deus no
mundo.
Em segundo lugar, a falência – Observe meus queridos irmãos que
os gentios eram espiritualmente falidos. E a palavra mais apropriada
para descrever os gentios é sem, e essa carência revelava-se em
vários aspectos:
(i) Primeiro, sem Cristo – “... naquele tempo, estáveis
sem Cristo” – Note que os efésios adoravam a deusa
Diana e, antes de ouvirem o evangelho, não sabiam coisa
alguma a respeito de Cristo, ou seja, os que afirmam que
as religiões pagãs são tão aceitáveis para Deus quanto a
fé cristã terão dificuldade em aceitar essa passagem, pois
Paulo refere-se à situação dos efésios sem Cristo com o
uma tragédia incontestável.
(ii) Segundo, sem cidadania – “... separados da
comunidade de Israel” – Note que os gentios
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permaneciam fora do círculo daqueles que adoravam o
Deus verdadeiro. Precisamos lembrar que Deus havia
chamado a Israel e lhe dado sua lei e suas bênçãos, e a
única maneira de um gentio desfrutar dessas bênçãos era
se fazer um prosélito.
(iii) Terceiro, sem alianças – “... estranhos às alianças da
promessa” – Note que essas alianças foram os acordos
relativos à promessa do Messias feitas a Abraão e aos
seus descendentes, e os gentios eram estranhos e
estrangeiros, ou seja, não havia alianças com eles.
(iv) Quarto, sem esperança – “... não tendo esperança”
– De acordo com os historiadores, uma grande nuvem de
desesperança cobria o mundo antigo, ou seja, as filosofias
eram vazias; as tradições estavam sumindo; as religiões
mostravam-se incapazes de ajudar o ser humano a encarar
tanto a vida quanto a morte. As pessoas ansiavam por
trespassar esse véu e encontrar do outro lado alguma
mensagem de esperança, mas tal mensagem não existia
(1Ts 4:13-18).
(v) Quinto, sem Deus – “... sem Deus no mundo” –Note
que embora Paulo tenha usado a expressão “sem Deus”,
não devemos concluir que os gentios eram ateus, pois,
eles tinham muitos deuses (Atos 17:16-23; 1Co 8:5), mas
não conheciam o Deus verdadeiro nem tinham relação
alguma com ele (1Co 8:4-6).

(13) Mas, agora, em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, fostes aproximados pelo
sangue de Cristo. (14) Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos fez um; e, tendo derribado
a parede da separação que estava no meio, a inimizade, (15) aboliu, na sua carne, a lei
dos mandamentos na forma de ordenanças, para que dos dois criasse, em si mesmo, um
novo homem, fazendo a paz, (16) e reconciliasse ambos em um só corpo com Deus, por
intermédio da cruz, destruindo por ela a inimizade. (17) E, vindo, evangelizou paz a vós
outros que estáveis longe e paz também aos que estavam perto; (18) porque, por ele, ambos
temos acesso ao Pai em um Espírito.
a. (13) Mas, agora, em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, fostes
aproximados pelo sangue de Cristo. (14) Porque ele é a nossa paz, o qual de
ambos fez um; e, tendo derribado a parede da separação que estava no meio, a
inimizade, (15) aboliu, na sua carne, a lei dos mandamentos na forma de
ordenanças, para que dos dois criasse, em si mesmo, um novo homem, fazendo
a paz,
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Em primeiro lugar, a inimizade entre os judeus e os gentios –
Antes, sem Cristo, os gentios estavam distantes, mas, agora, por
estarem em Cristo, se aproximaram. Essa aproximação não se deu
pelos ensinos de Cristo, mas pelo sangue de Cristo.
(i) Primeiro, a abolição das leis dos mandamentos não
está em contradição com o que Jesus ensinou no sermão
do monte. Ele aboliu as leis cerimoniais que separavam
as pessoas umas das outras: circuncisão, sacrifícios,
alimentos, regras acerca de pureza, festas, sábado (Cl
2:11,16-21). A cruz cumpriu todas as prefigurações do
sistema cerimonial do Antigo Testamento.
(ii) Segundo, a lei fazia distinção entre puros e impuros.
Os gentios eram impuros (Lv 11.44-47). No templo,
havia uma parede que separava os gentios dos judeus (At
21.28-31). Para que judeus e gentios fossem
reconciliados, essa parede foi derrubada, e o véu do
templo foi rasgado. A maldição da lei caiu sobre Jesus.
Ele se fez maldição em nosso lugar.
(iii) Terceiro, agora Jesus é Senhor de judeus e gentios
(Rm 10.12,13). Jesus derrubou o muro que separava os
judeus dos gentios. Ainda há muros que separam uma
pessoa da outra. São os muros do preconceito, das
ideologias e do racismo.
Aplicando para vida:
1. Agora em Jesus Cristo, judeus e gentios se tornaram
um. Cristo estabeleceu a paz, pois ele é a nossa paz;
ele fez a paz e ele proclamou a paz.
2. Agora, tanto judeus como gentios, em Cristo, são um
novo homem, ou seja, os gentios não apenas subiram
para a posição dos judeus, mas ambos se tornaram
algo novo e maior;
3. Um fato relevante é a palavra “novo” aqui ser kainós,
que quer dizer novo não apenas no tempo, mas novo
no sentido de que traz ao mundo um novo tipo de
criação, uma nova qualidade de criação que não
existia antes.
b. (16) e reconciliasse ambos em um só corpo com Deus, por intermédio da cruz,
destruindo por ela a inimizade. (17) E, vindo, evangelizou paz a vós outros que
estáveis longe e paz também aos que estavam perto; (18) porque, por ele, ambos
temos acesso ao Pai em um Espírito.

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Em segundo lugar, a inimizade entre pecadores e Deus – Note
meus amados irmãos que não apenas os gentios precisam ser
reconciliados com os judeus; mas ambos, judeus e gentios, precisam
ser reconciliados com Deus (At 15.9,11). O mesmo ensina Paulo
(Rm 3.22,23).
(i) Primeiro, a cruz de Cristo destruiu a inimizade do
homem com Deus, ou seja, a cruz de Cristo matou a
inimizade que existia entre o homem e Deus, e foi na cruz
foi onde Deus puniu o nosso pecado, além de ser lá que
Deus satisfez sua justiça.
(ii) Segundo, a cruz é onde nossos pecados foram
condenados, ou seja, foi por intermédio da cruz somos
reconciliados com Deus. Pela cruz, Deus é justo e ainda
o nosso justificador. Não é o mérito do homem, mas o
mérito de Cristo nos torna justos.
(iii) Terceiro, não é Deus que se reconcilia com o homem,
mas o homem que se reconcilia com Deus, pois foi o
pecado que criou a separação e a inimizade. A iniciativa
da reconciliação, entretanto, é de Deus (Ef 2.15,17; 2Co
5.18), ou seja, é por meio de Jesus, judeus e gentios têm
acesso ao Pai em um Espírito.

(19) Assim, já não sois estrangeiros e peregrinos, mas concidadãos dos santos, e sois da
família de Deus, (20) edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo ele
mesmo, Cristo Jesus, a pedra angular; (21) no qual todo o edifício, bem ajustado, cresce
para santuário dedicado ao Senhor, (22) no qual também vós juntamente estais sendo
edificados para habitação de Deus no Espírito.
a. (19a) Assim, já não sois estrangeiros e peregrinos, mas concidadãos dos
santos,
Em primeiro lugar, uma só nação – Note que Israel era a nação
escolhida de Deus, mas eles rejeitaram seu redentor e sofreram as
consequências disso.
(i) Primeiro, o reino foi tirado deles e dado a outra nação:
“Portanto, vos digo que o reino de Deus vos será tirado e
será entregue a um povo que lhe produza os respectivos
frutos” (Mt 21:43).
(ii) Segundo, a outra nação é a igreja: “Vós, porém, sois
raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de

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propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as
virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua
maravilhosa luz; vós, sim, que, antes, não éreis povo, mas,
agora, sois povo de Deus, que não tínheis alcançado
misericórdia, mas, agora, alcançastes misericórdia”. (1Pe
2:9,10).
(iii) Terceiro, em relação ao povo da aliança de Deus, os
gentios eram, “estrangeiros” e “imigrantes”, isto é,
pessoas que, ainda que vivessem no mesmo país, tinham,
contudo, os mais superficiais direitos de cidadania.
(iv) Quarto, “estrangeiros” e “imigrantes, essa era a
situação anterior, mas, de agora em diante, já não o é, ou
seja, nas palavras do apóstolo, agora são “concidadãos
dos santos”.
(v) Quinto, o pecado dividiu a humanidade, mas Cristo
faz dela uma nova nação. Todos os crentes das diferentes
nacionalidades formam a nação santa que é a igreja.
b. (19b) ... e sois da família de Deus,
Em segundo lugar, uma só família – Pela fé, entramos para a
família de Deus, e Deus tornou-se nosso Pai. Essa família está no
céu e também na terra.
(i) Primeiro, os crentes vivos na terra e os crentes que
dormem em Cristo no céu; não importa a nacionalidade,
somos todos irmãos, membros da mesma família.
(ii) Segundo, não deve haver mais barreira racial,
cultural, linguística nem econômica, ou seja, nós somos
um em Cristo e temos o mesmo Espírito.
(iii) Terceiro, nós fomos salvos pelo mesmo sangue, e
temos o mesmo Pai, ou seja, nós somos herdeiros da
mesma herança, além do mais moraremos juntos no
mesmo lar.
c. (20) edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo ele mesmo,
Cristo Jesus, a pedra angular; (21) no qual todo o edifício, bem ajustado, cresce
para santuário dedicado ao Senhor, (22) no qual também vós juntamente estais
sendo edificados para habitação de Deus no Espírito.
Em terceiro lugar, um só templo –
(i) Primeiro, no livro de Gênesis, se relacionou com o
homem todos os dias na viração do dia, mas este veio a

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pecar, mas logo depois Deus andou com seu povo (Gn
5.22,24; 6.9).
(ii) Segundo, no livro de Êxodo, Deus decidiu morar com
seu povo (Ex 25.8). Deus habitou no tabernáculo (Ex
40.34-38) até que os pecados de Israel afastaram a glória
de Deus do tabernáculo (1Sm 4).
(iii) Terceiro, no livro de 1Reis, Deus habitou no templo
(1Rs 8.1-11). Mas, novamente, Israel pecou, e a glória do
Senhor abandonou o templo (Ez 10.18,19).
(iv) Quarto, novo testamento, Deus, então, habitou no
corpo de seu Filho (Jo 1.14), a quem os homens despiram
e pregaram na cruz.
(v) Hoje, por meio de seu Espírito, Deus habita na igreja,
não no templo de pedra (At 7.48-50). Ele habita no
coração daqueles que confiam em Cristo (1Co 6.19,20) e
na igreja coletivamente (Ef 2.20-22).