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Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações - MCTIC

Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - CNPq

Projeto “Construção de sistemas agroalimentares sustentáveis como


forma de consolidação das políticas de Segurança Alimentar e
Nutricional no Território Nordeste Paraense”

Chamada CNPq/MCTIC Nº 016/2016


1. Título do Projeto: Construção de sistemas agroalimentares sustentáveis como
forma de consolidação das políticas de Segurança Alimentar e
Nutricional no Território Nordeste Paraense

2. Coordenador do Henderson Gonçalves Nobre


Projeto:
3. Instituição Universidade Federal Rural da Amazônia – UFRA/Campus Capitão
Executora: Poço
4. Instituições Núcleo Puxirum Agroecológico da EMBRAPA, Núcleo de
Colaboradoras: Agroecologia Ajuri da UFPA, Núcleo de Agroecologia do IFPA,
Universidad Nacional Lomas de Zamora/Argentina.
5. Modalidade de Núcleo de SAN Núcleos nascentes ( )
apoio: Núcleos com 02 a 05 anos de existência ( )
Núcleos com mais de 05 anos de ( )
existência
Centro de Centros com até 05 anos de existência (X)
Referência de Centros com 05 a 10 anos de existência ( )
SAN
Centros com mais de 10 anos de existência ( )
Observatório Observatórios com menos de 05 anos de ( )
Interdisciplinar existência
de SAN Observatórios com mais de 05 anos de ( )
existência
Grupo de Grupos com até 05 anos de existência ( )
Pesquisa em Grupos com mais de 05 anos de existência ( )
SAN
6. Linhas LINHA 2 – ANTROPOLOGIA DA ALIMENTAÇÃO E CULTURA
ALIMENTAR
LINHA 3 – POLITICAS PÚBLICAS, REGULAÇÃO,
MONITORAMENTO E CONTROLE SOCIAL
LINHA 4 – SISTEMAS SUSTENTÁVEIS DE PRODUÇÃO DE
ALIMENTOS SAUDÁVEIS
LINHA 5 – GESTÃO PÚBLICA DA PRODUÇÃO E O
ABASTECIMENTO ALIMENTAR
LINHA 6 – EDUCAÇÃO ALIMENTAR E NUTRICIONAL (EAN)
LINHA 7 – TECNOLOGIAS SOCIAIS E INOVAÇÃO
(PRODUÇÃO, MANIPULAÇÃO E CONSERVAÇÃO DE
ALIMENTOS SEGUROS E SAUDÁVEIS)
7. Informações dos membros da equipe
Nome Instituição Formação CH/
Semana
Henderson Gonçalves Nobre UFRA Graduação em Agronomia pela 10
Universidade Federal do Mato
Grosso - UFMT; Mestrado em
Agroecologia e Des. Rural pela
Universidade Federal de São Carlos
- UFSCar e Universidad
Internacional de Andalucia -
UNIA/Espanha; Doutorando em
Meio Ambiente e Sociedade (Linha
em Agroecologia) pela Universidad
Pablo de Olavid de Sevillha -
UPO/Espanha. Coordena o Núcleo
de Agricultura Familiar e
Agroecologia - NEA
UFRA/Capitão Poço e também é
Coordenador Adjunto da Rede
Amazônica de Núcleos de
Agroecologia.
José Sebastião Romano de UFRA Graduação em Geografia pela 05
Oliveira Universidade Federal do Pará
(2002), mestrado em Agriculturas
Amazônicas pela Universidade
Federal do Pará (2006) e doutorado
em Ciências Agrárias pela
Universidade Federal Rural da
Amazônia (2011). Atualmente
professor e pesquisador da
Universidade Federal Rural da
Amazônia - UFRA/Capitão Poço.
Faz parte do Núcleo de
Agroecologia e Agricultura
Familiar NEA/UFRA/CPP.
Silvaneide Santos de Queiroz UFRA Graduada em Ciências Econômicas 05
Corte Brilho - UFPA (2002). Mestrado em
Desenvolvimento Sustentável do
Trópico Úmido - NAEA - UFPA.
(2007); Especialista em Gestão
Ambiental - NUMA - UFPA (2004)
e doutora em Planejamento e
Desenvolvimento Rural Sustentável
- Faculdade de Engenharia Agrícola
- FEAGRI - UNICAMP (2011-
2015). Faz parte do Núcleo de
Agroecologia e Agricultura
Familiar NEA/UFRA/CPP.
Adriano Vitti Mota UFRA Graduação em Medicina 05
Veterinária pela Universidade
Federal Rural da Amazônia-UFRA
(2002), mestrado em Medicina
Veterinária pela Universidade
Estadual Paulista-FMVZ-Botucatu
(2005) e Doutorado em
Agroecosistemas na Universidade
Federal Rural da Amazônia. Faz
parte do Núcleo de Agroecologia e
Agricultura Familiar
NEA/UFRA/CPP.
Marluce Reis Souza Santa UFRA Graduação em engenharia 05
Brigida agronomica pela Universidade
Federal Rural da Amazônia (1999),
especialista em manejo e
recuperação de áreas degradadas e
desenvolvimento sustentável pela
Universidade Federal do Pará
(1999) e mestrado em Agriculturas
Amazônicas pela Universidade
Federal do Pará (2002). Está
concluindo doutoramento em
Psicologia do Desenvolvimento
pela Universidade Federal do Pará.
Breno Pinto Rayol UFRA 05
Aparecida Hurtado Soares NEA/UFRA 05
Eduardo Rodrigues Araujo NEA/UFRA 05
Francisco Sérgio Neres da Silva NEA/UFRA 05
Leidiane de Oliveira Lima UFRA 10
Daiane Silva Oliveira UFRA 10
Paulo Renato Benevides UFRA 10
Raimundo Marly Carvalho de UFRA 10
Farias Neto
Ruth Kerlen Rodrigues de UFRA 10
Sousa
William Santos de Assis UFPA 02
Tatiana Deane Abreu Sá EMBRAPA 02
Osvaldo Ryohei Kato EMBRAPA 02
José Gomes de Melo Júnior NEA/EMBRAPA 02
Rosemeri Scalabrin IFPA 02
Roberta de Fátima Rodrigues IFPA 02
Coelho
Ana María Broccoli UNLZ/Argentina 02

8. Área do conhecimento predominante e áreas do conhecimento correlatas


8.1. Área Predominante: Ciências Ambientais
8.2. Áreas Correlatas: Extensão Rural, Recuperação de Areas Degradadas, Ecologia Teórica,
Antropologia Rural, Políticas Públicas, Geografia Agrária, Sociologia Rural, Economia Agrária,
Manejo e Conservação do Solo, Manejo e Tratos Culturais.

9. Dados gerais do projeto

9.1. Título: Construção de sistemas agroalimentares sustentáveis como forma de consolidação


das políticas de Segurança Alimentar e Nutricional no Território Nordeste Paraense.

9.2. Resumo: A presente proposta tem por objetivo principal construir e consolidar sistemas
agroalimentares sustentáveis junto à agricultura familiar e conectar estes atores sociais com as
principais políticas públicas em SAN. Para isso este projeto utilizará a estratégia metodológica da
Pesquisa Ação Participante e instrumentos metodológicos participativos. Espera-se com esta
proposta consolidar o Núcleo de Agroecologia da UFRA/Capitão Poço como Centro de Referência
em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional, proporcionando conhecimentos técnicos e
científicos que sirvam de referência para o Território Nordeste Paraense, bem como auxiliar na
qualificação e expansão do acesso às políticas públicas de SAN e Educação Alimentar.

9.3. Palavras Chave: Agroecologia, Agricultura Familiar, Soberania Alimentar, Segurança


Alimentar e Nutricional.

9.4. Objetivo Geral: construir e consolidar sistemas agroalimentares sustentáveis junto à


agricultura familiar no Território Nordeste Paraense, proporcionando conhecimentos técnicos e
científicos para a consolidação destes, e conectando-os com as principais políticas públicas que
potencializam uma maior Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional e Educação Alimentar das
famílias rurais e urbanas.

9.5. Objetivos Específicos:


 Identificar, sistematizar e analisar os principais aspectos da cultura alimentar e suas
influências no desenho e redesenho dos sitemas agroalimentares e sua contribuição para o quadro
atual de SAN nos municípios de atuação do projeto;
 Identificar e avaliar a implementação das políticas públicas de SAN e o impacto no
cotidiano da agricultura familiar nos municípios de atuação do projeto;
 Implementar e/ou consolidar sistemas agroecológicos de produção de alimentos que
potencializem a soberania e segurança alimentar e nutricional da agricultura familiar e sirvam de
referência para o território de atuação;
 Intermediar o diálogo entre os atores sociais e os gestores das políticas públicas de SAN,
principalmente as relacionadas às compras institucionais (PNAE e PAA) qualificando o processo de
gestão e melhorando o acesso por parte dos produtores e consumidores;
 Potencializar circuitos curtos de produção, abastecimento e consumo de alimentos de base
agroecológica, integrando produtores e consumidores em redes solidárias de comercialização e
consumo;
 Construir espaços de formação, capacitação e intercâmbio em políticas públicas de SAN e
Educação Alimentar e Nutricional.
9.6. Metas











9.7. Contextualização e justificativas


A região onde está inserido o Território do Nordeste Paraense é uma das mais antigas áreas de
colonização Amazônica, oriundas das expedições exploratórias dos portugueses no interior do
Estado durante os tempos da Colônia via os cursos dos rios Guajará, Guamá e Capim. O Território
do Nordeste Paraense é o mais populoso dos Territórios do Estado do Pará, com 446.856 habitantes,
sendo predominante a população rural, dentre elas comunidades indígenas, quilombolas,
extrativistas e de assentamentos de reforma agrária.
Mesmo sendo a região mais antiga do Pará, as estratégias pautadas no difusionismo tecnológico não
deram conta de proporcionar à população predominantemente rural do território o desenvolvimento
de suas potencialidades, e como consequência, tem se na região, baixos índices de desenvolvimento
humano (ex: Capitão Poço IDH 0,615, Garrafão do Norte IDH 0,578, Irituia IDH 0,674, Santa
Luzia do Pará IDH 0,594), resultado do pouco acesso à políticas públicas promotoras de
desenvolvimento rural, e da estratégia equivocada de uso desenfreado dos recursos naturais
(CODETER, 2006).
A sobrevivência dos agricultores depende basicamente do extrativismo de açaizais nativos nas áreas
ribeirinhas; e na derruba, queima e plantio de roçados de milho, feijão e mandioca, nas áreas de
terra firme; proporcionando desta forma pouca diversidade, baixa estabilidade e produtividade dos
cultivos dos agricultores familiares. Ademais, a baixa organização social por parte das comunidades
rurais, dificulta a cobrança ao acesso às políticas públicas hoje disponíveis à agricultura familiar
(crédito, compras institucionais e assistência técnica).
É neste cenário que se insere o Núcleo de Agricultura Familiar e Agroecologia - NEA da
UFRA/Capitão Poço em dezembro de 2012, com a proposta de articular a construção do
conhecimento acadêmico construído dentro dos muros da universidade com o conhecimento
tradicional e empírico acumulado nas comunidades rurais. Utilizando dos princípios da
Agroecologia, a equipe do NEA buscou visibilizar e potencializar as estratégias produtivas e
organizacionais desenvolvidas pelos agricultores da região, agregando aportes de conhecimento
agroecológico acumulado em outras experiências do estado e do país.
Ao conciliar uma formação humanística e com um olhar além da técnica aos estudantes, o NEA
vem diminuindo a distância entre o que se aprende dentro da universidade, e o que é praticado pelos
agricultores. E ao mesmo tempo, dando respostas concretas aos principais gargalos enfrentados
pelos agricultores familiares.
Em um primeiro momento, foram realizados diversos diagnósticos para identificar e aprofundar na
realidade da agricultura familiar da região, identificando lacunas de conhecimento, e de demandas
organizativas. Foi assim, no Assentamento de Reforma Agrária Carlos Lamarca, que homologado
em 2010, ainda nos dias atuais não acessaram políticas de fomento, habitação, acesso à água,
energia e assistência técnica. Também juntamente aos agricultores periurbanos de Capitão Poço, que
em pequenos quintais obtinham sua subsistência na produção de hortaliças e careciam de técnicas
básicas de adubação, e controle de pragas e doenças, bem como de uma estratégia de organização e
comercialização de valorize sua produção. De igual forma, se deu nas mais de 20 associações
organizadas pelo Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Garrafão do Norte, que congregam
remanescentes de quilombos, ribeirinhos e assentados, e mesmo num processo coeso de
organização, ainda carecem de uma estratégia produtiva que lhes garanta autonomia, segurança
alimentar e sustentabilidade. Outro exemplo são as aldeias da terra indígena Tembé, que
demandavam no manejo dos açaizais nativos a manutenção da sua alimentação e aumento da
produção para comercialização, e assim terem uma alternativa à supressão das poucas áreas de
floresta primária da região. Igualmente na Cooperativa dos agricultores familiares de Irituia, que
num processo ascendente de organização social, via na formação dos jovens uma das preocupações
no processo de sucessão de seus cooperados, bem como necessitavam de canais de comercialização
que absorvessem a diversidade de sua produção de alimentos.
Situações como estas e outras mais, pautaram a ação do NEA, que em cerca de quatro anos,
construiu cerca de 80 espaços de formação e capacitação em Agroecologia como cursos, dias de
campo, oficinas e seminários, capacitando mais de 800 agricultores diretamente e beneficiando
indiretamente mais de 3200 pessoas. Também proporcionou dezenas de intercâmbio de experiências
que serviram para romper o paradigma do roçado de derruba e queima e vislumbrar a possibilidade
de utilização dos sistemas agroflorestais como estratégia produtiva e de conservação do bioma
amazônico. Implantou diretamente 17 áreas demonstrativas, de observação e/ou experimentação,
que vem servindo de referência e inspiração a diversos agricultores a mudarem seus sistemas
produtivos. Está presente, e vem estimulando a organização social de mais de 30 comunidades
rurais. Potencializando a organização de grupos de mulheres agricultoras, construindo canais curtos
de comercialização de hortaliças, fomentando o acesso às políticas públicas como PAA e PNAE. E
por último, e não menos importante, vem qualificando a formação direta de mais de 30 estudantes
de graduação, e sensibilizando mais 400 estudantes na UFRA/Capitão Poço.
Desta forma, este processo contínuo e ascendente, que em 4 anos vem mostrando que é possível
fazer frente e dar respostas a décadas de exclusão e ausência de apoio à estruturação, organização e
formação para a construção de sistemas agroalimentares sustentáveis na Amazônia paraense, bem
como consolidar o campus da UFRA/Capitão Poço como formador de profissionais comprometidos
nesta construção.

9.8. Referencial teórico


A região amazônica se caracteriza, além de sua extensão geográfica, pela sua diversidade de
agriculturas, bem como variadas expressões e formas dos atores sociais se relacionarem com o meio
ambiente e seus recursos naturais.
Historicamente, a população amazônida, caracterizada por populações indígenas, ribeirinhas,
agricultores tradicionais, seringueiros, e outros grupos étnicos, desenvolveu um sistema de
coexistência com a floresta, e dela retiravam os bens necessários para sua subsistência. Porém, com
a expansão de políticas públicas, que tinham como objetivo "integrar" a Amazônia ao cenário
político e econômico nacional, a complexidade destas relações socioculturais e dos modos de fazer
agricultura pelas populações tradicionais, muitas vezes desprezadas e desvalorizada pela visão
tecnicista de construir ciência e tecnologia, foi colocada a margem das estratégias de
desenvolvimento pautadas pelo Estado (MORAN, 1990; COSTA, 1998; CLOVIS CAVALCANTE,
1994).
O reflexo desta estratégia desenvolvimentista adotada nas últimas décadas vem se caracterizando
pela gradual transformação da identidade amazônica (COSTA, 1998), dando lugar a processos de
degradação e de perda de sua funcionalidade como reguladora do clima no continente (NOBRE,
2014).
A agricultura dita "moderna" vem avançando floresta a dentro, substituindo os sistemas de produção
e de relações socioculturais camponesas mais resilientes, pela frágil monoculturização dos cultivos,
promotora da degradação dos recursos naturais.
Neste sentido, urge o resgate das relações mútuas entre sociedade e natureza, construídas
historicamente pelas populações amazônidas, ademais, para evitar o colapso climático previsto, se
faz necessário ampliar a consciência da população em relação à importância da floresta, zerar o
desmatamento, acabar com as queimadas, recuperar os passivos ambientais e principalmente
aumentar o investimento e impacto das políticas públicas que colaboram para mudar este cenário
(NOBRE, 2014).
Como alternativa para promover esta mudança e proporcionar bases para o desenvolvimento mais
sustentável na região amazônica, se faz necessário fortalecer a Agroecologia como estratégia de se
fazer agricultura, e de induzir ações transformadoras do cenário atual (SÁ e SILVA, 2014).
A Agroecologia é aqui entendida como a ciência transdisciplinar que utiliza conceitos e princípios
ecológicos no desenho e manejo de agroecossistemas sustentáveis, proporcionando as ferramentas
teóricas e práticas necessárias para a transição da agricultura convencional para outra mais
ecológica e menos impactante, passando pelo redesenho dos agroecossistemas de modo que os
mesmos alcancem seu equilíbrio dinâmico. (ALTIERI, 2002; EMBRAPA, 2006; GLIESSMAN,
2009; SEVILLA GUZMÁN, 2013).
Segundo Guzmán Casado et al. (2000), a Agroecologia é vista em seu sentido mais amplo como
uma matriz tecnológica que requer, ao menos, a articulação de três componentes básicos: o técnico-
agronômico, modelado desde uma perspectiva ecológica; o sociocultural, contemplado desde uma
perspectiva histórica; e o político, construído através do projeto de busca da igualdade. Sua
estratégia tem uma natureza sistêmica, ao considerar a propriedade rural, a organização comunitária,
e os demais marcos de relações sociais rurais articulados em torno da dimensão local, no qual se
encontram os sistemas de conhecimento portadores do potencial endógeno que permite
potencializar a biodiversidade ecológica e sociocultural (ALTIERI, 1989; GLIESSMAN, 2009).
Desta forma, acompanhando a expansão na construção do conhecimento agroecológico em nível
nacional, na Amazônia a Agroecologia proporciona um campo de possibilidades para transformar os
sistemas de uso atual da terra, buscando soluções para os problemas reais e cumprindo com o papel
de promover a sustentabilidade da agricultura na Amazônia brasileira (SÁ e SILVA, 2014).
Assim, levando em conta as diferentes origens dos agricultores e os sistemas nos quais estão
inseridos, os princípios agroecológicos podem tomar formas tecnológicas diversas, dependendo das
condições ambientais e sócio-econômicas de cada sujeito e região, podendo se materializar em
tecnologias sociais do tipo hortas medicinais e alimentares, quintais agroflorestais, integração de
plantas e animais nos sistemas produtivos, cultivo diversificado de outras culturas agrícolas,
diferentes formas de adubação e manejo agroecológico do solo, controle biológico de pragas e
doenças, dentre outras. Desse modo, não existe a preocupação em estabelecer um modelo que seja
padrão para todas as realidades, mas sim a de promover de forma gradual a construção do
conhecimento agroecológico adequado às condições locais de cada comunidade atendida.
Porém, o desafio de conduzir o processo de transição agroecológica perpassa pela necessidade de
extrapolar o alcance local, e galgar mudanças no plano regional e nacional. Desta forma, nos
últimos anos, um conjunto de políticas públicas vem dando suporte para esta transformação, como é
o caso da Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica - PNAPO e o Plano Nacional de
Agroecologia e Produção Orgânica - PLANAPO que vem direcionando esforços entre a esfera
pública e a sociedade civil organizada para consolidar e ampliar a Agroecologia como estratégia
viável na construção do Desenvolvimento Rural Sustentável.
A articulação da PNAPO e PLANAPO com a Política Nacional de Segurança Alimentar e
Nutricional - PNASAN, o Programa de Aquisição de Alimentos - PAA, o Programa Nacional de
Alimentação Escolar - PNAE, dentre outras, vem para formar o arcabouço de estratégias que
viabilizam esta mudança na esfera macro brasileira.
(paragrafo da politica de ATER)
(paragrafo resumido da politica de SAN)
(Politicas institucionais de aquicição)
Porém, se faz necessário garantir as condições de execução destas políticas públicas e de sua
atuação integrada e perceptiva às diferentes realidades locais da Amazônia (SÁ e SILVA, 2014).
Por isso, temos que avançar em estratégias efetivas de integrar a produção agroecológica, o
abastecimento dos mercados locais e o consumo de alimentos em quantidade e qualidade
satisfatórias, construindo assim sistemas agroalimentares sustentáveis. Muitas destas políticas não
chegam à grande parte dos agricultores, seja pela reestruturação em curso dos sistemas de ATER,
seja pela falta de tecnologias adaptadas às distintas realidades dos agricultores familiares, seja pela
incipiência dos conhecimentos científicos que caminham um passo atrás dos conhecimentos
empíricos dos agricultores e suas organizações sociais. Neste sentido, esta proposta vem a
apresentar elementos sólidos para atender a esta demanda.

10. Relevância e impacto da proposta para o desenvolvimento científico, tecnológico ou de


inovação
Implantação e consolidação dos safs
Percepção do processo de inocação nas práticas agroecológicas pelos agricultores(as) familiares
Monitoramento dos principios agroecológicos nos sistemas agroalimentares sustentaveis
Possibilita revelar os reais entraves nas esperas da produção agroecológicas, comercialização,
acessos às politicas de SAN, em especial nas compras institucionais (PAA e PNAE)

11. Relevância e impacto da proposta para o fortalecimento da Política Nacional de


Segurança Alimentar e Nutricional, conforme as suas diretrizes

parte produtiva… safs… práticas agroecológicas e seus links com identidade/cultura alimentar local
Superar os gargalos entre parte produtiva (agricultores), consumudores (relacoes e mercados locais)
e agentes gestores das Políticas Públicas de SAN
12. Perspectivas concretas de colaborações com instituições da UNASUL durante a
execução do projeto
Este projeto reforçará parcerias colaborativas já existentes entre os participantes da proposta,
construídas ao longo dos últimos anos de participação na Sociedade Científica Latinoamericana de
Agroecologia – SOCLA. Nesta proposta está previsto o efetivo intercâmbio entre os participantes
dos diferentes países, juntamente com representantes do público beneficiário (agricultores)
contemplando espaços de formação e capacitação em Segurança Alimentar e Nutricional e visitas à
experiências de referência.

13. Orçamento detalhado

14. Recursos financeiros de outras fontes aprovados para aplicação no projeto


A presente proposta terá inicialmente o apoio da Rede Amazônica de Núcleos de Agroecologia (R-
NEA), projeto aprovado pelo edital CNPq 39/2014 (01/2015 a 06/2017) com um montante de
R$440.000,00, que tem como um dos princípios norteadores o trabalho com a Soberania e
Segurança Alimentar e acesso à Políticas Públicas do público da Agricultura Familiar.

15. Metodologia detalhada

15.1 Perspectivas metodológicas gerais


Dentro de uma perspectiva metodológica geral do projeto, incluem-se procedimentos diretamente
relacionados ao método científico, os métodos de pesquisa, avaliação participativa e ao diálogo
entre os saberes dos/as pesquisadores/as, técnicos/as e agricultores/as, através da aplicação de
métodos mistos de experimentação e construção do conhecimento de base ecológica (ARNING,
2001).
O desenvolvimento de sistemas complexos, como são os sistemas de produção agroalimentares,
depende dessas integrações de conhecimentos dos diversos atores/as sociais – agricultores/as,
pesquisadores/as e extensionistas – deixando de ser uma atuação pontual de repasse tecnológico
(THIOLLENT, 1986). A articulação entre os/as especialistas de diversas áreas do conhecimento é,
nesse contexto, fundamental para oferecer soluções científicas.
Os beneficiários diretos do projeto são agricultores familiares que desenvolvem ou almejam
desenvolver sistemas de produção agroalimentares sustentáveis e a articulação destes sistemas com
os agentes públicos que gestam e promovem as políticas públicas de Segurança Alimentar e
Nutricional. Para cumprir com o objetivo estratégico, apresenta-se nesta proposta uma metodologia
que privilegia o envolvimento e a participação ativa do grupo beneficiário do projeto na maior parte
das atividades.
A intervenção aqui proposta se dará a partir dos instrumentos da Pesquisa Ação Participativa,
visando liberar o potencial endógeno local para o desenvolvimento sustentável. Na Pesquisa Ação
Participativa o objeto sobre o que se intervém passa a ser o sujeito da intervenção, através de formas
participativas de investigação e de ação, no qual o pesquisador e o técnico passam a ser
“dinamizadores” dos processos de construção/validação/irradiação do conhecimento,
acompanhando a população local, mais que as dirigindo. Esta intervenção se realiza mediante uma
combinação de ferramentas participativas, sendo que a análise desse processo se dará a partir de
técnicas quantitativas e qualitativas de investigação social e agronômica. (THIOLLENT, 1986;
GEILFUS, 1997; GUZMÁN CASADO et al., 2000; GUZMÁN CASADO & ALONSO MIELGO,
2007).

15.2. Instrumentos metodológicos específicos.

15.2.1. Plano de trabalho de Extensão

15.2.2. Proposta de investigação

15.2.3. Curso de Formação Continuada


Será oferecido durante o projeto um curso de Formação Continuada em nível de aperfeiçoamento,
com carga horaria de 180 horas, sob a égide metodológica da Pedagogia da Alternância. O curso
tem por objetivo promover o diálogo entre diversos atores envolvidos no processo de integração
entre as politicas de segurança alimentar e nutricional - SAN e as famílias agricultoras, responsáveis
pela produção dos alimentos, nos municípios de Capitão Poço, Garrafão do Norte e Irituia, ambos
localizados no Nordeste do Pará. Ao término do curso espera-se que os diversos atores municipais
envolvidos com as politicas de SAN consigam dinamizar a execução as politicas publicas de forma
efetiva, tendo em vista os ganhos para as famílias fornecedoras de alimentos e para a população
geral beneficiaria das politicas de SAN.
O curso será realizado em cinco módulos de 27 horas (três dias), caracterizando o Tempo Escola –
TE, perfazendo um total de 135 horas. Já o Tempo Comunidade – TC, será vivenciando após o
termino de cada módulo, nos ambientes onde cada participante incide, direta ou indiretamente, nas
politicas de SAN nos municípios de Capitão Poço, Garrafão do Norte e Irituia, com carga horaria de
9 horas por intervalo entre módulos, que totalizará carga horaria de 45 horas. Em suma, o curso de
180 horas ocorrerá em 135 horas de Tempo Escola e 45 horas de Tempo Comunidade.
Os módulos desenvolverão as seguintes temáticas:
Módulo1: Aspectos gerais e introdutórios sobre o Direito Humano a Alimentação Adequada,
Segurança Alimentar e Nutricional e Soberania Alimentar.
Módulo 2: Sistemas Agroalimentares e Agroecologia
Módulo 3: Sistemas Agroecológicos de Produção. Sistemas agroflorestais – SAF’s
Módulo 4: Agregação de valor aos produtos agropecuários. Beneficiamento. Processamento.
Manipulação de alimentos. Valorização da cultura alimentar e regional.
Módulo 5: Politicas Públicas de promoção de Segurança Alimentar e Nutricional – (PRONAF, PAA
e PNAE). Articulações locais e/ou regionais em prol das politicas públicas de SAN.

16. Etapas de execução do projeto com respectivo cronograma de atividades

Mês
ATIVIDADES 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 2 2 2 2 2
1 2 3 4 5 6 7 8 9
0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 0 1 2 3 4
X X X
X X X
X
X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X
X X X X
X X X X X X X X X X
X X X X X
X
X
X

X X X

X X

17. Resultados e produtos esperados como resultado do projeto de pesquisa

18. Colaborações ou parcerias já estabelecidas para execução de atividades em rede

O Núcleo de Agroecologia da UFRA Capitão Poço coordena e anima a Rede Amazônica de Núcleos
de Agroecologia (R-NEA), projeto em Rede aprovado pelo edital CNPq 39/2014, que articula a
construção do conhecimento em Agroecologia nos estados do Acre, Rondônia, Roraima, Amazônas,
Pará, Amapá, e Tocantins, composto por mais de 15 Núcleos de Agroecologia e diversas instituições
parceiras. Diversas atividades já foram desenvolvidas no âmbito da R-NEA como encontros,
seminários, congressos e atividades de formação, dentre elas podemos destacar a construção do IX
Congresso Brasileiro de Agroecologia realizado em 2015 em Belém-PA, que teve como tema
central a “Diversidade e Soberania na Construção do Bem Viver”.

19. Disponibilidade efetiva de infraestrutura e de apoio técnico para o desenvolvimento do


projeto

Para a realização desta proposta a UFRA/Capitão Poço disponibilizará a infraestrutura de auditório


e salas para reuniões e realização de cursos, bem como alojamento para técnicos e agricultores.
Conta também com sala para abrigar as atividades do projeto e sua equipe, com mesas, cadeiras, 4
computadores desktop. O Núcleo de Agroecologia também conta com uma área experimental e
demonstrativa com tecnologias sociais (Sistema Agroflorestal, Horta orgânica, produção de
compostagem, biofertilizantes e minhocultura) utilizada para formação, intercãmbios e
demonstração de tecnologias de base agroecológica. Dispõe de 3 ônibus para transporte dos
beneficiários do projeto (agricultores, estudantes e técnicos) para atividades de intercâmbio de
experiências, bem como dois veículos exclusivos para desenvolvimento das ações do Núcleo de
Agroecologia. Conta também com laboratórios (multifuncional, solos, e fisiologia vegetal) para
análise experimental, bem como recursos humanos como professores e técnicos para participar do
projeto. Ademais, contaremos também com a infraestrutura física e de recursos humanos das
instituições parceiras que compõem o projeto.

20. Referências Bibliográficas