Você está na página 1de 24

PUC - Campinas

CEATEC – Centro de Ciências Exatas, Ambientais e de Tecnologias

Faculdade de Engenharia Civil

Noções de Cartografia
Topografia B i

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. CINTRA, J.P. Sistema UTM. EPUSP, 2003.


2. IBGE. Atlas Geográfico. IBGE. Rio de Janeiro, 2002
3. Páginas na Internet:
www.cdbrasil.cnpm.embrapa.br/
www.embrapa.br
http://www.guiageo.com//
www.ibge.gov.br

Professor José Liberato Bozza


bozza@puc-campinas.edu.br
ftp: pub/professores/ceatec/bozza/Topografia B

PUC-Campinas Engenharia Civil


Topografia B 1

1 – Cartografia

1.1 - Introdução
A palavra cartografia tem origem na língua portuguesa, tendo sido registrada pela primeira vez
em 1839 numa correspondência, indicando a idéia de um traçado de mapas e cartas.
Cartografia pode ser definida como a ciência, técnica e arte que se ocupa na elaboração de
mapas de toda espécie, através do estudo e representação das situações espaciais da superfície terrestre.
Objetiva a reunião e análise de dados e medidas de diversas regiões da Terra e representação gráfica de
elementos que possam ser claramente visíveis.
As Projeções Cartográficas são representações da superfície curva da Terra sobre uma
superfície plana por meio de uma rede de meridianos e de paralelos. Essa rede é transposta da
superfície curva da Terra para a superfície plana de qualquer volume que possa envolvê-la, como
cilindros e cones. Existem mais de 200 projeções cartográficas e todas elas apresentam deformações,
porque é impossível reproduzir perfeitamente uma forma esférica em um plano. A projeção a ser
adotada vai depender de sua finalidade.
Elas podem ser de três tipos: conformes, equivalentes e eqüidistantes.
As projeções conformes mantêm os ângulos da natureza, ou seja, a forma exata dos
continentes. Nesse tipo destaca-se a projeção cilíndrica de Mercator, feita pelo geógrafo holandês
Gerhard Kremer, mais conhecido por Mercator. Foi elaborada em 1569, época da expansão marítima
européia.
As projeções equivalentes, por sua vez, preservam a proporcionalidade de áreas, conservando
assim uma relação constante com a sua correspondência na superfície terrestre. Uma das mais recentes
é a projeção cilíndrica do historiador alemão Arno Peters, criada em 1952.
Já nas projeções eqüidistantes os comprimentos são representados em escala uniforme.

Figura 1 – Projeções Cartográficas

PUC-Campinas Engenharia Civil


Topografia B 2

Um mapa, sob o ponto de vista gráfico, é um conjunto de sinais e de cores que traduz as
mensagens para as quais foi executado. Os objetos “cartografados”, materiais ou conceituais, são
transcritos através de grafismos ou símbolos, que se encontram relacionados na legenda do mapa.
A cartografia é portanto responsável pela produção de mapas, cartas, globos e modelos de
relevo que representem a expressão do conhecimento sobre a superfície terrestre a partir da utilização
de uma simbologia apropriada. Através da cartografia quaisquer levantamentos (ambientais, sócio-
econômicos, educacionais, de saúde etc.) podem ser representados espacialmente, retratando sua
dimensão territorial, facilitando e tornando mais eficaz a sua compreensão.
Cartografia também, num conceito moderno, pode ser entendida como a organização,
comunicação, apresentação e utilização da geoinformação nas formas visual, digital ou táctil, que inclui
todos os processos de preparação de dados, no emprego e estudo de todo e qualquer tipo de mapa.

VOCÊ ESTÁ AQUI

Figura 2 – Mapa Digital


Os mapas podem ser classificados em:
Quanto ao tipo de representação:
¾ Planimétrico: sem informações sobre o relevo
¾ Plani-Altimétrico: com informações sobre o relevo
Quanto ao objetivo:
¾ Mapas Gerais: mapa mural, mapa-múndi etc.
¾ Mapas Especiais: cartas de navegação aérea, marítima etc.
¾ Mapas Temáticos: mapas políticos, geológicos, de vegetação etc.
Quanto a escala:
¾ Carta Cadastral: escalas grandes (1:500, 1:1.000, 1:5.000, 1:10.000)
¾ Carta Topográfica: escalas médias (1:25.000, 1:50.000, 1:100.000, 1:250.000)
¾ Carta Geográfica: escalas pequenas (< 1:500.000)

PUC-Campinas Engenharia Civil


Topografia B 3

Quanto ao processo empregado na obtenção do mapa:


¾ Levantamentos Terrestres (geodésico ou topográfico)
¾ Sensoriamento Remoto (emprego de imagens de satélite)
¾ Levantamentos Aéreos (emprego de fotografias aéreas)
O fato de o mapa ser um relato gráfico do meio físico em um determinado instante faz
com que exista um processo descontínuo de desatualização do mesmo. Assim, necessita-se de
fontes para sua atualização:
9 Informações provenientes de órgãos públicos que trabalham diariamente com feições do
meio físico (concessionárias de energia elétrica, saneamento, telecomunicações,
prefeituras etc);
9 Comparação com fotografias aéreas e imagens de satélites recentes;
9 Constatação direta no terreno.
1.2 – Modelos terrestres
No estudo da forma e dimensão da Terra, podemos considerar tipos de superfície ou
modelo para a sua representação. Um deles é o modelo elipsoidal.
Os cartógrafos buscaram uma figura geométrica, o elipsóide, que permite a realização
de cálculos necessários à representação cartográfica de nosso planeta.
Este é o mais usual de todos os modelos que serão apresentados. Nele, a Terra é
representada por uma superfície gerada a partir de um elipsóide de revolução.
Entre os elipsóides mais utilizados para a representação da superfície terrestre estão os
de Clarke (1858), Helmet (1907), Hayford (1909) e o Internacional 67 (1967).

a: é a dimensão que representa o semi-eixo maior do


elipsóide (em metros).
b: é a dimensão que representa o semi-eixo menor do
elipsóide (em metros).
f: é a relação entre o semi-eixo menor e o semi-eixo
maior do elipsóide, ou seja, o seu achatamento
a −b
(f = ).
a

No Brasil, o atual Sistema Geodésico Brasileiro (SIRGAS2000 - SIstema de Referência


Geocêntrico para as AméricaS) adota o elipsóide de revolução GRS80 (Global Reference
System 1980), cujos semi-eixo maior e achatamento são:
a = 6.378.137,000 m
f = 1/298,257222101

Uma vez analisados os modelos utilizados para representação da superfície terrestre e


tendo como princípio que o Elipsóide de Revolução é o modelo que mais se assemelha à figura
da Terra, é importante conhecer os seus elementos básicos.

PUC-Campinas Engenharia Civil


Topografia B 4

A figura abaixo permite reconhecer os seguintes elementos:

Figura 3 – Elipsóide de Revolução

1.3 – Coordenadas Geográficas


Coordenadas Geográficas (ϕ e λ): é o nome dado aos valores de latitude e
longitude que definem a posição de um ponto na superfície terrestre.

Figura 4 – a) Latitude b) Longitude

1.4 – Coordenadas UTM


As cartas normalmente utilizadas por engenheiros em diversos projetos ou obras
apresentam, além do sistema que expressa as coordenadas geográficas, um outro sistema de
projeção conhecido por Sistema UTM – Universal Transverso Mercator.
Coordenadas UTM (E e N) é o nome dado aos valores de abscissa (E) e
ordenada (N) de um ponto sobre a superfície da Terra, quando este é projetado sobre um cilindro
secante ao elipsóide de referência. A adoção de 60 cilindros de eixo transverso, obtidos através
da rotação do mesmo no plano do equador de maneira que cada um cubra a longitude de 6° (3°
para cada lado do meridiano central), mantendo as deformações dentro de limites aceitáveis,

PUC-Campinas Engenharia Civil


Topografia B 5

permite a obtenção de 60 arcos de 6° (60 x 6° = 360°). Cada arco representa um fuso UTM e um
sistema de coordenadas com origem no meridiano central ao fuso.
Os fusos são numerados de 1 até 60, começando na Linha Internacional de Data,
longitude 180° (que é o antimeridiano de Greenwich), e dirigindo-se para leste. O fuso 1 se
entende de 180°W até 174°W e é centrada em 177°W. Então, o fuso 30 tem limite 6°W – 0°W,
o fuso de número 29 tem limite de 12°W – 6°W, seguindo deste modo até o fuso de número 1,
isto para o lado oeste do Meridiano de Greenwich. Para o lado leste tem-se o fuso de número 31
com limite 0°E – 6°E, indo até o fuso de número 60 com limite 174°E – 180°E.
Se, em relação à longitude, os fusos são em número de 60, no que toca à latitude, a
divisão consiste em zonas de 4º, variando de 80°S até 80°N, pois acima desses valores as
deformações se acentuam muito. Além dos paralelos extremos (80ºS e 80ºN) a projeção adotada,
mundialmente, é a estereográfica polar universal.

Figura 5 – Fusos do Sistema de Coordenadas UTM

PUC-Campinas Engenharia Civil


Topografia B 6

Na América do Sul temos os fusos 17 a 25, como mostra a figura abaixo.

Figura 6 – Fusos do Sistema de Coordenadas UTM – América do Sul


A figura abaixo assinala quadrículas localizadas na região Sudeste, com o meridiano
central de 51° e os dois meridianos laterais de, respectivamente, 54° e 48°; e com o meridiano
central de 45° e os dois laterais de, respectivamente, 48° e 42°. Quanto aos limites em latitude,
temos os paralelos de 28°, 24° e 16°. Se fixarmos a nossa atenção em qualquer uma dessas
quadrículas, verificaremos que os 6 graus de longitude apresentam as seguintes características:
os dois meridianos laterais são múltiplos de 6°, assim como o meridiano central é de 6° mais 3°.

Figura 7 – Quadrículas Região Sudeste do Brasil

PUC-Campinas Engenharia Civil


Topografia B 7

A figura a seguir mostra um fuso de 6°, o seu meridiano central e o grid de


coordenadas UTM.

Figura 8 – Sistema de Coordenadas UTM


A origem do sistema UTM se encontra no centro do fuso. Para o Hemisfério Norte as
ordenadas variam de 0 a 10.000 km enquanto para o Hemisfério Sul variam de 10.000 km a 0
km. Para o meridiano central é adotada uma abscissa arbitrária igual a 500 km. Com esse valor
uma abscissa negativa nunca vai ocorrer.

1.5 – Transformações Geodésicas


Há situações em que são necessárias conversões de coordenadas de um determinado
sistema de coordenadas para outro requerido, como, por exemplo, coordenadas geográficas para
coordenadas UTM.
É importante ser definido qual o elipsóide de referência para fazer as transformações,
que é o elipsóide das coordenadas originais, ou seja, das coordenadas que se deseja transformar.
Os cálculos para isso são complexos. Vamos aqui nos ater somente aos softwares que
nos permitem fazer essa transformação.
Indicamos o DataGeosis – versão Júnior, disponível em CD e para download na
internet em http://www.datageosis.com/downloads/down_demos.asp.
O texto em itálico a seguir foi extraído do manual do DataGeosis 2.0 na parte referente às
transformações geodésicas (Capítulo 20).

Capítulo 20

Transformações Geodésicas
“Transformações Geodésicas” é uma ferramenta que se aplica em situações em que são

PUC-Campinas Engenharia Civil


Topografia B 8

necessárias conversões de coordenadas em um determinado sistema para um outro requerido, como


por exemplo, coordenadas topográfica para coordenadas UTM.
20.1 - Fornecendo os parâmetros do elipsóide
1 - Selecione no menu GEODÉSIA o comando TRANSFORMAÇÕES;

2 - Em Parâmetros na caixa Geodésia, selecione na lista, o elipsóide de referência para fazer as


transformações, que é o elipsóide das coordenadas originais, ou seja, das coordenadas que você
deseja transformar. No caso da utilização de outro datum que não exista na lista, selecione a opção
“Definido pelo usuário”.
∗ No caso da opção “Definido pelo usuário”, forneça os valores do semi-eixo maior (a) e o
achatamento (f), para que os outros parâmetros sejam calculados (excentricidades, semi-eixo menor,
etc.) e a transformação da coordenada sai correta.
∗ Abaixo será informado, passo a passo cada tipo de transformação.

4 - Para desativar o comando clique na opção .


20.2 - Transformação de coordenadas geodésicas em planas UTM
1 - Selecione no menu GEODÉSIA o comando TRANSFORMAÇÕES;

2 - Após definir o Elipsóide de Referência selecione:


- Geodésica na caixa Entrada;
- UTM na caixa Saída;

3 - Digite os valores angulares originais da Latitude, Longitude e Altitude;

∗ Os valores negativos de Latitude e Longitude indicam W e S respectivamente.


PUC-Campinas Engenharia Civil
Topografia B 9

4 - Nas caixas de textos da Saída serão mostrados os valores das coordenadas planas no Sistema
UTM Norte e Este, o Meridiano Central e o Fuso;

∗ Os valores são calculados automaticamente; quando se insere os valores geodésicos, os valores


UTM irão se modificando, somente podendo ser utilizados após a inserção de todos os valores
geodésicos.

5 - Para desativar o comando clique na opção .


20.3- Transformação de coordenadas planas UTM em geodésicas
1 - Selecione no menu GEODÉSIA o comando TRANSFORMAÇÕES;

2 - Após definir o Elipsóide de Referência (Conforme item 19.1), selecione:


- UTM na caixa Entrada;
- Geodésica na caixa Saída;

3 - Digite os valores das coordenadas Norte e Este, sendo que estes valores deverão ser digitados
completo, sem omissão das casa dos milhões;
4 - Forneça o Meridiano Central ou o Fuso (que são as chamadas Zonas UTM, que no mundo inteiro
são de 1 a 60, a partir do antemeridiano de Greenwich para leste e o Brasil está entre as Zonas UTM
18 a 25);

5 - Nas caixas de textos da Saída será mostrado os valores das coordenadas Geodésicas: Latitude e
Longitude (que poderão ser apresentadas negativas – ou positivas + , de acordo com seu quadrante);

PUC-Campinas Engenharia Civil


Topografia B 10

6 - Para desativar o comando clique na opção .

FIM

Para a cidade de Campinas - SP, por exemplo, o ponto geodésico PMC-0 (na
Prefeitura Municipal) tem coordenadas 22°54’00,77144”S e 47°03’25,56624”W e altitude
geométrica 730,509m (o Elipsóide de Referência nesse caso é de Hayford). A transformação
de coordenadas para o Sistema UTM fica:

Figura 9 – Transformação de coordenadas ponto geodésico PMC-0

1.6 – Leitura de uma carta do sistema cartográfico


Carta Internacional do Mundo, ao Milionésimo – CIM é um esquema de articulação
a partir da carta em escala 1:1.000.000 (daí o nome), com vista a uniformizar os mapas em
outras escalas e permitir a padronização das referências cartográficas a nível internacional. Para
isto, foram elaboradas especificações adotadas pela Conferência Técnica das Nações Unidas

PUC-Campinas Engenharia Civil


Topografia B 11

sobre esse assunto, realizada em Bonn, em 1962, após uma revisão das resoluções de Londres
(1909) e Paris (1913).
O globo foi dividido em fusos de forma conveniente que cobrem uma região de 4° de
latitude por 6° de longitude.
Quanto a denominação e localização das folhas, foi estabelecido um código
combinando letras e números:
¾ N ou S para indicar norte e sul;
¾ letras A a V para indicar os limites de latitude;
¾ números de 1 a 60 para indicar os fusos que partem do antimeridiano de Greenwich na
direção oeste-leste.
A projeção cartográfica escolhida inicialmente foi a policônica, com a modificação do
traçado dos meridianos para retas a fim de que a junção das folhas adjacentes pudesse ser
facilitada. Apesar de tudo, ainda foram encontrados problemas para esta junção. Hoje em dia,
está sendo usada a projeção cônica conforme de Lambert, matematicamente mais simples, de
acordo com a recomendação da Conferência das Nações Unidas sobre a CIM, em agosto de
1962.
Criou-se um índice de nomenclatura para designar cada carta. O índice de
nomenclatura de uma carta é uma sucessão de letras e números que servem para identificação
das cartas no mapeamento sistemático.

NB 20

NA 19 NA 20 NA 21 NA 22
Equador
SA 19 SA 20 SA 21 SA 22 SA 23 SA 24

SB 18 SB 19 SB 20 SB 21 SB 22 SB 23 SB 24 SB 25

SC 18 SC 19 SC 20 SC 21 SC 22 SC 23 SC 24 SC 25

SD 20 SD 21 SD 22 SD 23 SD 24

SE 21 SE 22 SE 23 SE 24

SF 21 SF 22 SF 23 SF 24

SG 21 SG 22 SG 23

SH 21 SH 22

SI 22

Figura 10 – Cartas do Brasil

PUC-Campinas Engenharia Civil


Topografia B 12

Pode-se usar uma relação matemática para encontrar o número do fuso ao qual pertence
um ponto, em função da sua longitude e, conseqüentemente a posição da carta ao milionésimo a
que este ponto pertence.
número do fuso= 31° + longitude/6º pontos a leste de Greenwich
número do fuso= 30° - longitude/6º pontos a oeste de Greenwich
Para a obtenção do resultado obtido dessas equações deve-se utilizar apenas o número
inteiro da divisão da longitude por 6º. Por exemplo, para a cidade de Campinas, cuja longitude é
47°03’W, o seu fuso correspondente como vimos é o de número 23.
Para calcular a longitude do meridiano central (MC) em função do fuso (F) pode-se
utilizar a expressão MC = 183 – 6.F. Para encontrar os limites do fuso basta somar e subtrair 3°.
As zonas estão dispostas no sentido das latitudes, faz-se a divisão dos Hemisférios
Norte e Sul em zonas de variação de 4°. As zonas são identificadas por letras do alfabeto, tanto
para o hemisfério Norte como para o hemisfério Sul. Assim, a zona A fica delimitada pelo
paralelo 0° e pelo paralelo 4°, tanto para Norte quanto para Sul, faz-se o mesmo para as demais
zonas até a zona de letra T cujos limites são 76° - 80° ao Norte e ao Sul. Para a cidade de
Campinas, cuja latitude é de 22°54'S, a zona correspondente será a F.
Para designar o hemisfério, usa-se a letra inicial que o identifica N para o hemisfério
Norte e S para o Sul. Pelo índice de nomenclatura, as cartas de 1:1.000.000 são identificadas
com a letra do hemisfério, a letra da zona e o número do fuso. Deste modo para a cidade de
Campinas encontra-se a seguinte nomenclatura para a carta em que está localizada: SF-23.

20°S

48° 45° 42°

25°S
52°W 45°W

Figura 11 – Estado de São Paulo

48°W 45°W 42°W

Exemplo: Esquema da Zona 23


Esta zona está limitada pelos meridianos de 42 e
48 graus oeste. Seu meridiano central é o de 45 graus.
Como ocorre para todas as demais zonas, esta também está
dividida em faixas de 4 graus de latitude, que são
identificadas pelas letras A, B, C, etc. Uma folha cuja
referência seja SF-23 quer dizer:
¾ S = hemisfério sul;
¾ F = faixa entre 20 e 24 graus de latitude;
¾ 23 = número da zona que fica entre 42 e 48 graus
de longitude oeste.

PUC-Campinas Engenharia Civil


Topografia B 13

Esta carta SF-23, na escala de 1:1.000.000, é a carta básica para a articulação das
demais folhas do mapeamento sistemático. Ela tem 6° de longitude por 4° de latitude. Os limites
das folhas são as coordenadas que limitam zonas e fusos.
20°S

SF

24°S
48°W 42°W
carta 1:1.000.000 – SF-23

Figura 12 – Carta SF-23


A folha da escala 1: 500.000 é encontrada dividindo a folha básica em quatro folhas de
2° x 3° designadas pelas letras V, X, Y e Z.
20°S

V X

22°S

Y Z

24°S
48°W 42°W
carta 1:500.000 – SF-23-V ou X ou Y ou Z

Figura 13 – Carta SF-23 V ou X ou Y ou Z


A folha da escala 1: 250.000 é o resultado da divisão da folha na escala 1: 500.000 em
quatro folhas de 1° x 1°30' designadas pelas letras A, B, C e D. Por exemplo, a SF 23 Y fica:

22°S

A B

23°S

C D

24°S
48°W 46°30’W 45°W
carta 1:250.000 – SF-23-Y-A ou B ou C ou D

Figura 14 – Carta SF-23-Y-A ou B ou C ou D

PUC-Campinas Engenharia Civil


Topografia B 14

A folha da escala 1: 100.000 é o resultado da divisão da folha na escala 1: 250.000 em


seis folhas de 30' x 30' designadas pelos algarismos romanos I, II, III, IV, V e VI. Por exemplo,
a SF-23-Y-A fica:

22°S

I II III

22°30’S

IV V VI

23°S
48°W 47°30’W 47°W 46°30’W
carta 1:100.000 – SF-23-Y-A-V
Figura 15 – Carta SF-23-Y-A-V

Figura 16 – Posição da Carta SF-23-Y-A-V


A folha da escala 1: 50.000 é o resultado da divisão da folha na escala 1: 100.000 em
quatro folhas de 15' x 15' designadas pelos números 1, 2, 3 e 4. Por exemplo, a SF-23-Y-A-V fica:
22°30’S

1 2

22°45’S

3 4

23°S
47°30’W 47°15’W 47°W
carta 1:50.000 – SF-23-Y-A-V-4

Figura 17 – Carta SF-23-Y-A-V-4

PUC-Campinas Engenharia Civil


Topografia B 15

Figura 18 – Posição da Carta SF-23-Y-A-V-4


A folha da escala 1: 25.000 é o resultado da divisão da folha na escala 1: 50.000 em
quatro folhas de 7'30" x 7'30" designadas pelas letras dos quadrantes NE, SE, SO e NO. Por
exemplo, a SF-23-Y-A-V-4 fica:

22°45’S

NO NE

22°52’30”’S

SO SE

23°S
47°15’W 47°07’30”W 47°W
carta 1:25.000 – SF-23-Y-A-V-4-SE

Figura 19 – Carta SF-23-Y-A-V-4-SE

Figura 20 – Posição da Carta SF-23-Y-A-V-4-SE

PUC-Campinas Engenharia Civil


Topografia B 16

Deste modo torna-se possível localizar determinada carta conforme a escala desejada,
em função das coordenadas geográficas do ponto em questão.

Figura 21 – Comparação entre as representações de uma localidade para diferentes escalas

1.7 – Diagramas de orientação


As cartas topográficas têm um diagrama de orientação impresso. Tal diagrama contém
três direções indicando o norte verdadeiro, o norte magnético e o norte da quadrícula.
A direção entre dois pontos é expressa por um ângulo do qual um dos lados é uma
direção base. Existem três direções base, a saber: As do Norte Verdadeiro ou Geográfico, do
Norte Magnético e do Norte da Quadrícula representados respectivamente por NG, NM e NQ.
1.7.1 – Direção do Norte Verdadeiro ou Geográfico (NG) ou de Gauss
Os meridianos de uma carta representam as direções do norte e do sul verdadeiros. Com
direção tangente ao meridiano (geodésico) passante pelo ponto e apontado para o Pólo Norte.
1.7.2 – Direção do Norte Magnético (NM)
A direção do norte magnético é indicada pela ponta "N" da agulha da bússola. Com
direção tangente à linha de força do campo magnético passante pelo ponto e apontado para o
Pólo Norte Magnético.
1.7.3 – Direção do Norte de Quadrícula (NQ)
O norte de quadrícula é indicado pelas verticais das quadrículas, geralmente feitas nas
cartas topográficas. Com direção paralela ao eixo N (que coincide com o Meridiano Central do
fuso) do Sistema de Projeção UTM no ponto considerado e apontado para o Norte (sentido
positivo de N)
1.7.4 – Declinação Magnética e Convergência de Meridianos
Os ângulos formados pelas direções do Norte Verdadeiro com as do Norte Magnético e
Norte da Quadrícula são chamados respectivamente declinação magnética e convergência
meridiana plana.
1.7.4.1 – Declinação Magnética é o ângulo formado pelas direções Norte Verdadeiro e
Norte Magnético. Nos locais onde a ponta da agulha da bússola estiver a leste do norte
verdadeiro, a declinação magnética será leste. Onde a ponta da agulha estiver a oeste do norte
verdadeiro será oeste e, onde o norte verdadeiro e o magnético coincidirem, a declinação será
zero. A declinação magnética, em qualquer localidade, está sujeita a uma variação cujo valor é
dado em tabelas, como as do Anuário do Observatório Nacional. Essa variação é normalmente
dada com o respectivo sentido para evitar confusão.
PUC-Campinas Engenharia Civil
Topografia B 17

1.7.4.2 – Convergência Meridiana Plana ou simplesmente convergência, é a


diferença, em direção, entre o Norte Verdadeiro e o Norte da Quadrícula. Ela é variável para
cada carta. Na realidade, ela varia nos diferentes pontos de uma carta qualquer.
As cartas topográficas tem um diagrama que contém as três direções indicando o Norte
Verdadeiro (NV), o norte Magnético (NM) e o Norte da Quadrícula (NQ).

Figura 22 – Diagramas de orientação


1.8 – Leitura de coordenadas
Na leitura de coordenadas geográficas ou planimétricas de um ponto, em uma carta ou
mapa, empregamos conhecimentos matemáticos elementares tais como conceito de segmentos
proporcionais e regra de três simples.
A leitura de coordenadas é uma tarefa que deve ser executada com cuidado e atenção.
A determinação de um ponto na carta, mediante as suas coordenadas planas E e N ou a
sua latitude e longitude é um processo usado no sentido de situar um detalhe cartográfico, como
o cruzamento de estradas, a foz de um rio, a torre de uma igreja, etc.
No caso de se ter os valores das coordenadas e quando se precisa marcá-lo na carta, é
necessário em primeiro lugar, verificar, de acordo com os valores das coordenadas em questão
quais os dois pares do grid (UTM) ou paralelos e meridianos (geográficas) que abrangem o ponto
a ser determinado.
Para fazermos as medições, escolhemos preferencialmente uma extensão em centímetros
(ou milímetros) que corresponda a um múltiplo do valor encontrado no intervalo entre os pares
do grid (metros) ou paralelos e meridianos (graus, minutos, segundos) e que exceda a medida
entre eles.
O exemplo a seguir foi obtido no site do IBGE – Noções Básicas de Cartografia.
1.8.1 – Coordenadas geográficas
Locar na escala 1:1.250.000 o ponto correspondente à Faz. Água da Prata, cujas
coordenadas são:
ϕ = 22º 50' 42" S
λ = 53º 47' 34" W.Gr.
Os pares de paralelos em questão são os de 22º 45’ e 23º 00’ e os pares de meridianos,
53º 45’ e 54º 00’.

PUC-Campinas Engenharia Civil


Topografia B 18

Usamos uma régua graduada com extensão de 15 cm (150 mm) e medimos o intervalo
entre os paralelos e meridianos, com a finalidade de estabelecermos uma relação entre este
intervalo, em graus, minutos e segundos e a distância gráfica entre eles, em milímetros.
A medição deve ser feita fazendo coincidir o início da graduação da régua (zero) com o
paralelo ou meridiano de menor valor e a maior graduação escolhida (quinze), com o de maior
valor.
1º) Marcação de latitude:
Verificar: Intervalo entre os paralelos: 15’ = 900” 150 mm --------- 900”
Distância gráfica entre eles: 150 mm ---------1 mm = x”
x = 6”
Ou seja, a cada 1 mm correspondem 6”
Latitude indicada na carta: 22º 45’
Latitude da Fazenda: 22º 50’ 42”
Para a latitude desejada faltam: 5’ 42” = 342”
Como 1 mm = 6”, logo, x = 57 mm
Posicionamos a régua e marcamos dois pontos afastados um do outro, com o valor
encontrado (57 mm), ligando-os a seguir e traçando uma reta horizontal, ou marcamos um único
ponto e, com um esquadro, traçamos uma reta horizontal paralela ao paralelo.
2º) Marcação da longitude:
Verificar: Intervalo entre os meridianos: 15’ = 900” 150 mm --------- 900”
Distância gráfica entre eles: 150 mm ----------- 1 mm = x”
x = 6”
Ou seja, a cada 1 mm correspondem 6”
Longitude indicada na carta: 53º 45’
Longitude da Fazenda: 53º 47’ 34”
Para a longitude desejada faltam: 2’ 34” = 154”
Como 1 mm = 6”, logo, x = 25,7 mm
O procedimento é o mesmo que o adotado para a latitude, ou seja, posicionamos a régua e
marcamos o valor de 25,7 mm em dois pontos diferentes, ligando-os e traçando assim, uma reta
vertical, ou marcamos um único ponto e, com um esquadro, traçamos uma reta vertical paralela
ao meridiano.

PUC-Campinas Engenharia Civil


Topografia B 19

No cruzamento entre as duas retas traçadas estará o ponto desejado, determinado pelas
coordenadas dadas, ou seja, a Fazenda Água da Prata. O procedimento está indicado na figura a
seguir.

Figura 23 – Marcação de coordenadas geográficas


1.8.2 – Coordenadas planimétricas
O procedimento para marcação de um ponto de coordenadas planas conhecidas é o
mesmo utilizado para coordenadas geográficas.
Ex: Locar o ponto A, em uma carta na escala 1:50.000, cujas coordenadas planimétricas
são:
N = 7.368.700 m
E = 351.750m
1º) Marcação da Coordenada N:
Para marcarmos a coordenada N, as linhas do grid em questão são as de valores
7.368.000m e 7.370.000m representados na carta por 7368 e 7370, respectivamente.
O intervalo entre as linhas do grid é de 2.000m. Se usarmos uma distância gráfica de 10
cm (100 mm), a cada 1 mm corresponderão 20 m, sendo este o erro máximo que poderá ser

PUC-Campinas Engenharia Civil


Topografia B 20

cometido. Estabelecemos uma relação entre o intervalo de 2.000 m (distância real no terreno) e a
distância gráfica estabelecida:
100 mm ---------- 2000 m 1 mm ------------ x
portanto x = 20 m
Ou seja, a cada 1 mm na régua, correspondem 20 m no terreno.
Já temos na carta a linha do grid de valor 7.368.000m (7368), precisamos portanto
acrescentar 700m para a coordenada dada.
Como 1mm = 20m, logo, x = 35 mm
Medimos 35 mm na carta, dentro do intervalo entre as linhas do grid, partindo da menor
para a maior coordenada, ou seja, 7368 para 7370 e marcamos um ponto, traçando a seguir uma
reta horizontal passando por este ponto.
2º) Marcação da Coordenada E:
As linhas do grid em questão são as de valores 350.000m e 352.000 m cujos valores na
carta são representados por 350 e 352 respectivamente.
Assim como no caso da coordenada N, encontraremos os mesmos valores de intervalo
entre as linhas do grid e a distância gráfica entre elas, portanto a relação é a mesma, ou seja, a
cada 1 mm correspondem 20 m.
Na carta já temos a linha do grid de valor 350.000 m (350), portanto, para a coordenada
do ponto precisamos acrescentar 1750 m.
Como 1mm = 20m, logo, x = 87,5 mm
Medimos 87,5 mm na carta, dentro do intervalo entre as linhas do grid, partindo da menor
para a maior coordenada, ou seja, de 350 para 352 e marcamos um ponto, traçando a seguir uma
reta vertical passando por este ponto.
No cruzamento entre as duas retas traçadas estará localizado o ponto A desejado,
determinado pelas coordenadas dadas.

PUC-Campinas Engenharia Civil


Topografia B 21

Figura 24 – Marcação do ponto A através das suas coordenadas UTM.


Para lermos as coordenadas (geográficas ou planimétricas) de um ponto qualquer em uma
carta ou mapa, o processo é o mesmo, apenas, ao contrário de acharmos a medida em milímetros
para marcamos na carta, mediremos a distância da referência (linhas do grid ou paralelos e
meridianos) até o ponto desejado e calcularemos em metros ou graus, minutos e segundos
obtendo assim as coordenadas desejadas.

EXERCÍCIOS
Na próxima página temos impressa parte de uma folha cartográfica do IBGE da região de
Bragança Paulista – SP.
1) Identificar o Meridiano Central e o Fuso UTM que ela está contida.
2) Qual a escala da folha?
3) Qual a identificação da folha?
4) Escolher dois detalhes cartográficos e determinar as coordenadas geográficas e as
coordenadas UTM desses detalhes.
5) Locar os pontos A e B, cujas coordenadas planimétricas são, respectivamente:
NA = 7.481.☺00 m e EA = 343. ☺50m e NB = 7.474. ☺00 m e EB = 339. ☺00m
6) Locar os pontos C e D, cujas coordenadas geográficas são, respectivamente:
ϕC = 22°48’☺0”S e λC = 46°30’☺0”W e ϕD = 22°46’☺0”S e λD = 46°34’☺0”W
onde ☺ é o último algarismo do RA.

PUC-Campinas Engenharia Civil


Topografia B 22

PUC-Campinas Engenharia Civil