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Acção da neve: quantificação de

acordo com o EC1

Luciano Jacinto
Instituto Superior de Engenharia de Lisboa
Área Departamental de Engenharia Civil
Janeiro 2014

Índice
1  Introdução ............................................................................................................... 1 
2  Zonamento do território .......................................................................................... 2 
3  Situações de projecto ............................................................................................... 3 
4  Carga da neve ao nível do solo ................................................................................ 3 
5  Carga da neve em coberturas .................................................................................. 4 
5.1  Disposições de carga ....................................................................................... 4 
5.2  Situações de projecto a considerar no território nacional ................................ 5 
5.3  Coeficientes de forma da cobertura ................................................................. 7 
6  Efeitos locais ............................................................................................................ 9 

1 Introdução
i O presente documento constitui um resumo das principais disposições da Norma
NP EN 1991-1-3 (2009), representada aqui abreviadamente por EC1-1-3, ou mais
simplesmente por EC1, quando daí não resultar ambiguidade. Se não for indicado
nada em contrário, as cláusulas e as páginas citadas no presente documento
referem-se sempre a essa Norma.
i A Norma exclui as seguintes situações:
– cargas de impacto resultantes do deslizamento ou da queda de neve de uma
cobertura mais elevada;
– cargas em zonas onde há neve durante todo o ano;
– cargas devidas ao gelo;
– impulsos devidos à neve (por exemplo, provocados por deslocamentos);
– cargas da neve em pontes.

1
i A accção da neeve é classiificada com
mo acção variável
v fixa. No entaanto, as accções da
nevee associadaas a uma carga excep pcional e a um desloccamento exxcepcional, ambas
caraccterizadas por uma muito baixxa probabiilidade de ocorrênciaa, são classsificadas
comoo acções dee acidente (Cl. 2 (1), (3), p. 13).
i A vaariável bássica principal para a quantificcação da acção
a da nneve é a chamada
carga da nev ve ao níveel do soloo, expressa em gerral em kN N/m2, cujo valor
caraccterístico, sk , tem a seguinte d
definição (p
p. 11):

i As d
disposições de carga da d neve deefinidas no EC1 foram m determinnadas apen nas para
padrrões de deposição
d naturais. Assim, quando
q see prevê uuma remo oção ou
redisstribuição artificial da
d neve, taiis disposiçõ
ões de cargga poderãoo ser ajusta
adas em
confoormidade (Cl.
( 5.2 (5)), p. 17).
i Além
m disso, em
m determin
nados casoos, poderão
o utilizar-sse ensaios, além de métodos
m
num
méricos com
mprovados, para obteer as carga
as da neve nas constrruções (Cl. 1.5, p.
11).

2 Zo
onamen
nto do te
erritório
o
i Paraa efeito daa determin
nação dos valores da as cargas devidas
d à neve, o teerritório
nacioonal é dividido em 3 zonas, de acordo com
m o seguinte mapa:

i O EC
C1-1-3, p. 52,
5 fornece uma lista de concelh
hos por zon
na.

2
3 Situações de projecto
i Em todo o território nacional há que considerar SP persistentes, e no caso da zona
Z1 também SP acidentais. Nas zonas Z2 e Z3 não é necessário considerar qualquer
SP acidental.
i As SP acidental a considerar na zona Z1 são:
1. Ocorrência de um deslocamento excepcional de neve na cobertura.
2. Ocorrência de uma queda excepcional de neve, a considerar apenas em alguns
concelhos da zona Z1.
i Para todas as SP persistentes, é necessário considerar em geral dois casos de carga
distintos, a saber:
1. Carga da neve não deslocada: Disposição associada a uma carga
uniformemente distribuída na cobertura, resultante apenas da forma desta e
antes de qualquer redistribuição da neve devida a outras acções climáticas.
2. Carga da neve deslocada: Disposição da carga após ter havido uma deslocação
desta de um local para outro da cobertura devido, por exemplo, à acção do
vento.

4 Carga da neve ao nível do solo


i Os valores característicos da carga da neve ao nível do solo ( sk ), expressos em
kN/m2, são determinados por:

sk = C z (1 + (H / 500)2 )

em que H é a altitude em metros do local e C z um coeficiente dependente da zona,


tomando os seguintes valores:
⎧⎪0.30 zona Z
⎪⎪ 1
C z = ⎪⎨0.20 zona Z2
⎪⎪
⎪⎪0.10 zona Z3

Observação: o coeficiente C z representa a carga da neve, em kN/m2, ao nível
médio das águas do mar (altitude nula).
i Para os concelhos da zona Z1 em que é necessário considerar uma carga excepcional
de neve (acção de acidente), o respectivo valor de cálculo é dado por (cl. 4.3 (1), p.
16):

sAd = Cesl sk

em que Cesl = 2.5 , segundo o NA p. 54.


i De acordo com NA, p. 56, quando seja conveniente estimar cargas da neve no solo
a partir da altura de neve acumulada, poderão adoptar-se os pesos volúmicos

3
aparrentes consstantes do Quadro E
E.1 do Aneexo informa
ativo E, quue se repro
oduz de
segu
uida (p. 49)):

Nessse caso a caarga da neve é dada por:

sk = γ h ,

que γ é o peso
em q p mico da nevve e h a alttura da nev
volúm ve acumulaada.
i Valoores reduzid
dos da carg
ga da nevee (EC0, p. 47):

Altittude H ψ0 ψ1 ψ2
H > 1000 m 0.70 0.50
0 0.20
H ≤ 1000 m 0.50 0.20
0 0

5 Ca
arga da neve em cobe
erturas

5.1 D
Disposições de carrga
i Deveerá consideerar-se quee a carga actua vertticalmente e que se rrefere à prrojecção
horizzontal da área
á da cob
bertura.
i As ccargas da neve
n em cob
berturas d evem ser determinad
d das da seguuinte forma
a:
a) p
para as SP
P persistenttes/transit órias:

s = μi Ce C t sk

b) p
para as SP
P acidentais correspon
ndentes a uma
u carga da neve exxcepcional:

s = μi Ce C t sAd

c) p
para as SP
P acidentais correspon
ndentes a um
u desloca
amento exccepcional:

s = μi sk

em q
que:
μi ccoeficiente de forma;
Ce ccoeficiente de exposiçção;

4
Ct ccoeficiente térmico.
Notaa: O coefficiente dee forma μi para deslocamen
d ntos exceppcionais de neve,
especificado noo Anexo B (normativvo), é difereente do coeeficiente μi a usar no
os casos
a) e b).
i Em relação ao a coeficieente de exxposição Ce o EC C1 refere que «deverá ser
conssiderado coomo 1.0, salvo especiificação diiferente em
m função dda topograffia». Os
valorres recomeendados são
o (p. 17):

i O ccoeficiente térmico Ct tem eem conta a redução o das carrgas da neve em


cobeerturas comm elevada transmissã
t ão térmica (> 1 W/m m2.K), em pparticular no caso
de ceertas coberrturas enviidraçadas, devido à fusão
f da neve provoccada pelo fluxo
f de
calorr. Nas situações correentes consiidera-se:
C t = 1.0 .

5.2 Situações de projecto a con


nsiderar no
n território nacio nal
i Reprroduz-se dee seguida o Quadro NNA-A1 quee especifica
a as SP e oos casos de carga a
considerar no território
t nacional.
n

5
i Em resumo:

Z
Zona Con
ncelhos C
Caso a conssiderar
1 Agu
uiar da Beiira, Fornoss de Algodrres, Mangu
ualde; B
B3
Nelaas, Penalva do Casteelo, Sátão e Viseu.
Resstantes B
B2
2 Tod
dos A
3 Tod
dos A

6
5.3 C
Coeficienttes de forrma da co
obertura
i Apreesenta-se de ntes de forrma μi a co
d seguida os coeficien onsiderar.
Notaa: Os coeeficientes de forma para carrgas assocciadas a uum desloccamento
excepcional deevem ser determinad
d dos de aco
ordo com o estabeleccido no Anexo
A B
(NA, p. 52).
i O qquadro segguinte especifica os coeficienttes de forma a usaar em cob
berturas
ordin
nárias.

α – ângulo qu
ue a coberttura faz com a horizo
ontal.

Notaa: Nos casoos em que existam gguarda-nev ves ou outrros obstácuulos, ou em


m que o
bord
do inferior da cobertuura tenha uma platib banda, o coeficiente de forma μ1 para
a carrga da nev
ve não deveerá ter um valor inferrior a 0.8.
i Cobeerturas de uma verteente:

Notaa: No caso de cobertu


uras de um
ma única vertente,
v co
onsideram--se coincideentes os
casos de carga da neve deslocada e não desloccada.

7
i Cobeerturas de duas verteentes:

Notaa: O caso (i) ( represennta a dispoosição de carga


c da neve não deeslocada. Os
O casos
(ii) e (iii) repreesentam ass disposiçõees de carga
a da neve deslocada.
d
i Cobeerturas mú
últiplas de duas verteentes:

Notaa: O caso (i) representa a disp posição de carga da neve


n não ddeslocada e o caso
(ii) rrepresenta as disposiçções de carrga da nevee deslocada
a.
i O EC
C1 trata ainda
a dos seeguintes caasos:
– C
Coberturass cilíndrica
as (secção 55.3.5, p. 21
1)
– CCoberturass em conta
acto ou mu
uito próxim
mas de con
nstruções m
mais altas (secção
55.3.6, p. 222)
 Exemmplo: Quantificar a acção
a da n
neve num edifício
e localizado naa cidade dee Braga,
a umma altitud
de de 500 m. A coobertura tem a incllinação inddicada na Figura
segu
uinte:
20º

C e =1.0
=
C t =1.0
=

8
Resolução:
0.32 kN/m2
Braga ⇒ zona Z2 ⇒ C z = 0.20 ; 0.32
0.16
0.32 0.16
Por se tratar da zona Z2 não é necessário considerar SP
de acidente.

H = 500 m ⇒ sk = 0.20 (1 + (500 / 500)2 ) = 0.4 kN/m2

Quadro 5.2 ⇒ μ1 = 0.8 ;

s = μi Ce C t sk = 0.80 × 1.00 × 1.00 × 0.4 = 0.32 kN/m2 ;

Observações:
1. A carga de 0.32 kN/m2 é inferior à carga prevista no EC1-1 para coberturas
ordinárias (categoria H) — 0.40 kN/m2. Assim no presente caso a carga da
neve não é condicionante tendo em conta a Cl. Cl. 3.3.2(1) do EC1-1-1 (p. 15),
segundo a qual «não é necessário aplicar as sobrecargas simultaneamente com
a acção da neve e/ou acção do vento».
2. O valor de 0.32 kN/m2 é equivalente a uma camada de neve consolidada com
uma espessura h de: 0.32 = γ h ⇔ h = 0.16 m . 

6 Efeitos locais
i A secção 6 da Norma (p. 24) contém disposições para a determinação da carga da
neve em zonas localizadas, nomeadamente:
1. zonas junto a saliências e obstáculos, onde a neve tendência para se acumular
2. extremidade das coberturas;
3. guarda-neves e outros obstáculos.