Você está na página 1de 17

ARGUMENTO: MULTIPARENTALIDADE

Tribunal Nº do Processo Autor Réu Pedido Data do Ementa


julgado

TJMG 1.0702.12.014771-6/001 G.N.S. e M.G.O.L. M.M.S. Reconhecimento de 18/12/2012 APELAÇÃO CÍVEL - AÇÃO DE
parentalidade socioafetiva e a RECONHECIMENTO DE
Tios da requerida Mãe da expedição de ofício ao Cartório PARENTALIDADE
(moram com a menor de Registro de Pessoas Naturais SOCIOAFETIVA - PEDIDO DE
menor desde que de Uberlândia para elaboração DESTITUIÇÃO DO PODER
a mesma nasceu) de nova certidão de nascimento FAMILIAR - INDEFERIMENTO DA
na qual constem como pai e INICIAL - PERTINÊNCIA -
EXISTÊNCIA DE AÇÃO PRÓPRIA.
mãe da menor.
A destituição do poder familiar não
é conseqüência lógica do
reconhecimento da parentalidade
socioafetiva. A declaração da
ligação socioafetiva não está
elencada entre aquelas hipóteses
que extinguem o poder familiar,
conforme o disposto no art.1635,
do Código Civil. A ação de adoção
c/c destituição do poder familiar é o
meio próprio para os adotantes
perseguirem seus objetivos.1

1
Trecho do acordão nº 1.0702.12.014771-6/001 no qual é citado o argumento
“Desejam os apelantes então que ocorra o reconhecimento da existência da paternidade sócio-afetiva - inclusive com o acréscimo dessa condição no registro civil de
nascimento - sem que seja desfeita a menção da maternidade biológica, e, por isso, sem que seja necessário formular pedido de destituição do poder familiar e de adoção.
Não considero que seja possível declarar a impossibilidade jurídica do pedido mediante o exame aprofundado do direito material invocado pelos apelantes.
A realidade vivenciada pelo Direito de Família no que concerne à multiparentalidade implicou na quebra de uma série de paradigmas históricos, especialmente quanto às
relações de parentesco. A titularidade da autoridade parental não mais é oriunda somente do vínculo biológico, mas também da forma como ela é exercitada haja vista que
a criação, educação e assistência material e psicológica dada a alguém em sua fase inicial de desenvolvimento faz com a afetividade seja o elemento a ser considerado
nesse contexto.”
ARGUMENTO: PADRASTO

Tribunal Quantidade de decisões


encontradas sobre o assunto

TJMG 25 de 197

Autor (es) Réu (s) Pedido Nº do Processo Data do Ementa


Julgado

R.J.A. J.B.C. Guarda Provisória 1.0194.14.005341-5/001 16/04/2015 AGRAVO DE INSTRUMENTO - DIREITO DE FAMÍLIA-
GUARDA PROVISÓRIA - PADRASTO - PEDIDO DE
Padrasto do Pai biológico ANTECIPAÇÃO DE TUTELA - PRESENTES
adolescente REQUISITOS - RISCO DE DANO - PRINCÍPIO DO
MELHOR INTERESSE DO MENOR.

- Segundo o princípio do melhor interesse do menor,


deve-se preservar ao máximo aqueles que se
encontram em situação de fragilidade. A criança e o
adolescente figuram nesta posição por estarem em
processo de formação da personalidade. O menor tem,
assim, o direito fundamental de chegar à condição
adulta sob as melhores garantias. O fundado receio de
dano irreparável ou de difícil reparação em desfavor da
menor autoriza a sua guarda pelo padrasto, em
desfavor do genitor que se encontra em local
desconhecido, a princípio, e ante o falecimento da
genitora.
M.G.L.J. E O.P. Modificação de 1.0024.10.241227-7/001 20/11/2014 APELAÇÃO CÍVEL - AÇÃO DE MODIFICAÇÃO DE
M.T.S.L. guarda GUARDA - SITUAÇÃO EXCEPCIONAL PARA
Mãe biológica CONCESSÃO DA GUARDA À AVÓ PATERNA -
Pai biológico e (que mora SENTENÇA REFORMADA.
avó paterna com o
padrasto) 1. Tendo a própria adolescente ter confirmado em juízo
que seu padrasto consumo bebidas alcoólicas e fica
agressivo, gerando-lhe angústia e desconforto, aliado
ao fato de que, efetivamente, a avó paterna já vem
exercendo a guarda da neta há muito tempo,
proporcionando-lhe carinho, estudo e segurança,
caracteriza situação excepcional para conferir a guarda
daquela a avó.

2. Recurso provido.

MINISTÉRIO -- Retificação do 1.0223.12.022285-4/001 08/05/2014 PROCESSO CIVIL - AÇÃO DE RETIFICAÇÃO DO


PÚBLICO DO registro de REGISTRO CIVIL DE NASCIMENTO - ADOÇÃO
ESTADO DE nascimento UNILATERAL – PADRASTO - CÓDIGO CIVIL DE 1916
MINAS GERAIS -COMPATIBILIDADE - VÍNCULO MATERNO -
E PATRICIA EXISTÊNCIA - NOME DA GENITORA NO REGISTRO -
MARA DIREITO ASSEGURADO - RECURSOS PROVIDOS.
GONÇALVES
MENDES (filha). - A despeito da ausência de previsão legal, a adoção
unilateral é compatível com regramento estabelecido
pelo Código Civil de 1916.
- Em se tratando de adoção unilateral, é direito do
adotado fazer constar de seu registro de nascimento o
nome de sua genitora, uma vez que a adoção unilateral
não extingue o poder familiar (antigo pátrio poder).
- O art. 227, §6º da CR/88 proíbe quaisquer
designações discriminatórias relativas à filiação,
estabelecendo que os filhos, havidos ou não da relação
do casamento, ou por adoção, terão os mesmos direitos
e qualificações.

VITOR ARAUJO -- Retificação de 1.0680.10.001029-6/001 23/04/2013 APELAÇÃO CÍVEL. RETIFICAÇÃO DE REGISTRO


FONTENELLE Registro Civil CIVIL. ADIÇÃO DE PATRONÍMICO DO PADASTRO.
MENOR IMPÚBERE. POSSIBILIDADE DESDE QUE
(REPRESENTAD COMPROVADA A EXISTÊNCIA DE JUSTO MOTIVO.
O PELA MÃE IMPRESCINDIBILIDADE DA INSTRUÇÃO
SAYONARA PROCESSUAL. INADMISSIBILIDADE DO
ARAUJO JULGAMENTO ANTECIPADO.
SANTOS
MACHADO) - Possibilitando o art. 57, "caput", da LRP (Lei n.º
6.015/73) que o menor impúbere acresça a seu
sobrenome o patronímico do padrasto se comprovar
motivação excepcional para tanto, inconcebível, sob
pena de ofensa à ampla defesa (art. 5º, LV, CF), negar
a existência dessa motivação sem que antes se permita
ao menor a produção das provas por ele requeridas a
tempo e modo.

M.A.M.R. MINISTÉRIO Nulidade da 1.0518.10.025538-0/001 27/03/2012 APELAÇÃO CÍVEL. DIREITO DE FAMÍLIA.


PÚBLICO DO sentença que DECLARATÓRIA DE NULIDADE DE
Enteada ESTADO DE anulou o CASAMENTO. PADRASTO E ENTEADA. PARENTES
MINAS casamento POR AFINIDADE. CASAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
GERAIS ART. 1.521, INCISO II, DO CÓDIGO CIVIL. NULIDADE.
SENTENÇA MANTIDA. - O parentesco por afinidade em
linha reta não se rompe com o desfazimento do
matrimônio, sendo nulo o casamento contraído
por padrasto e enteada, nos termos do art. 1521, inciso
II cumulado com o art. 1.548, ambos do Código Civil.

MINISTÉRIO FELIPE Nulidade contra 1.0024.09.590426-4/001 24/06/2010 RETIFICAÇÃO DE REGISTRO PÚBLICO.


PÚBLICO ALVES sentença que ASSENTAMENTO DE NASCIMENTO.
ESTADO MINAS PAIXAO julgou procedente PROCEDIMENTO DE JURISDIÇÃO VOLUNTÁRIA.
GERAIS FERREIRA a retificação de AUSÊNCIA DE VISTA AO MINISTÉRIO PÚBLICO
registro público. PARA PARECER DE MÉRITO. MANIFESTAÇÃO EM 2º
(ASSISTIDO GRAU. SUPRIMENTO. ACRÉSCIMO DE
PELOS PAIS PATRONÍMICO DO PADRASTO. PREVISÃO LEGAL.
IVAIR AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. POSSIBILIDADE.
CARLOS I - A manifestação do Ministério Público em segundo
FERREIRA E grau de jurisdição supre a nulidade por falta de
DEBORA pronunciamento do 'parquet' sobre o mérito da
RAQUEL pretensão em primeira instância. Precedentes do STJ.
ALVES Rejeitar a preliminar de nulidade da sentença.
PAIXAO DE II - Nos procedimentos de Jurisdição Voluntária o juiz
ALBUQUERQ não fica adstrito a critérios de estrita legalidade, sendo
UE) permitida a adoção de solução mais conveniente e
oportuna para a 'quaestio iuris' apresentada.
III - É admitida a adição de patronímicos ao prenome,
por favorecerem a identificação social da estirpe e
aprimorarem, por conseqüência, o próprio fim
teleológico do nome civil.
IV - O acréscimo de patronímico do padrasto ou
madrasta encontra previsão legal no art. 57, §8º da Lei
6.015/73, fazendo-se possível quando houver
concordância expressa daqueles e não implicar prejuízo
aos apelidos de família do requerente.

M.J.B.V. D.A.B. Guarda definitiva 1.0024.04.496035-9/001 15/06/2010 PEDIDO DE GUARDA DE MENOR PELA AVÓ
MATERNA - INTERESSE DA CRIANÇA - LAUDO QUE
Avó materna Mãe biológica RECOMENDA A GUARDA DA MÃE.
- A guarda de menor é direito que deve sempre estar
condicionado ao seu próprio interesse, decorrendo, em
princípio, da lei, como consequência natural do pátrio
poder, e, excepcionalmente, de decisões judiciais,
conforme acordo entre as partes ou a situação fática.
- É preciso considerar a necessidade de proteção dos
interesses das menores, que não têm maturidade
suficiente para fazerem suas próprias escolhas e que
necessitam de orientação estável para tornarem-se
adultas equilibradas.
- Se a prova produzida demonstra que a mãe das
menores reúne condições de ter as filhas em sua
companhia, e não comprovado o abuso sexual pelo
padrasto, razão pela qual foi pedida a guarda pela avó,
a guarda deve ser deferida à mãe das mesmas.

A.S. J.M. Guarda definitiva 1.0324.06.046767-1/001 04/02/2010 CIVIL - APELAÇÃO CÍVEL - PEDIDO DE GUARDA -
CERCEAMENTO DE DEFESA - INOCORRÊNCIA -
Padrasto Pai biológico EXCEPCIONALIDADE DA MEDIDA - COMPROVAÇÃO
- REGULARIZAÇÃO DE SITUAÇÃO DE FATO -
CABIMENTO - RECURSO NÃO PROVIDO.
A despeito de requerimento da parte, cabe ao juiz
deferir a produção de prova, podendo dispensá-la, se a
reputar inútil ou dispensável, a fim de zelar pelo bom
andamento da marcha processual, o que não configura
cerceamento de defesa. Pertinente a atribuição da
guarda de menores em favor de seu padrasto, a fim de
regularizar situação de fato, notadamente diante da
omissão do genitor biológico.
MINISTÉRIO M.P.M. Regulamentação 1.0702.08.497693-6/001 28/04/2009 AÇÃO DE GUARDA DE MENOR POSTULADA PELO
PÚBLICO da guarda PADRASTO - LEGITIMIDADE - SENTENÇA
ESTADO MINAS Pai biológico CASSADA.
GERAIS E
LITISCONSORT Sabe-se que o bem estar da criança e a sua segurança
E: S.G.O. econômica e emocional devem ser a busca para a
(padrasto) solução do litígio, nos casos em que há pretensão de
guarda de menor. Assim, não parece de melhor solução
o indeferimento liminar do pedido de guarda aviado pelo
padrasto, porquanto este pode, atendidas as
circunstâncias a ensejar o seu deferimento, atender ao
interesse da menor, que deve prevalecer sobre qualquer
outro que o contraponha. Ademais, por outro lado, se o
próprio julgador menciona a possibilidade de ser
pleiteada a adoção, como forma de conquistar, por outro
meio, o fim pretendido pelo requerente, não há que se
falar em ilegitimidade deste, tampouco que lhe falta
interesse processual.

M.L.X.C. D.A.S.B E Regulamentação 1.0051.07.020501-1/001 08/04/2008 MENOR - PAI DA CRIANÇA FALECIDO - ADOÇÃO
OUTRO(A)(S) de visitas PELO PADRASTO - DIREITO DE VISITAS DA AVÓ
Avó paterna BIOLÓGICA PATERNA - LEGITIMIDADE ATIVA -
Mãe biológica SENTENÇA CASSADA. - A adoção efetivada pelo
e padrasto cônjuge da mãe (padrasto), em virtude do falecimento
do pai biológico, não tem o efeito de romper
definitivamente o vínculo estabelecido pela filiação
natural da criança com a família paterna, conforme
prescreve o art. 1626 do Código Civil. - A realidade
material dos fatos não é anulada pela ficção do ato legal
da adoção, devendo ser preservados os vínculos
afetivos e familiares do menor, cuja individualidade não
é atingida por presunções artificiais da realidade que a
lei, com outras razões, estabelece.
ARGUMENTO: MADRASTA

Tribunal Quantidade de decisões


encontradas sobre o assunto

TJMG 3 de 13

Tribunal Nº do Processo Autor Réu Pedido Data do Ementa


Julgado

TJMG 1.0338.13.013154-7/001 A.L.M.B.G. M.J.F. Regulamentação 20/11/2014 AGRAVO DE INSTRUMENTO -


de visitas REGULAMENTAÇÃO DE VISITAS -
Avó biológica Madrasta MENOR ADOTADA UNILATERAMENTE
PELA MADRASTA- AVÓ BIOLÓGICA -
ANTECIPAÇÃO DE TUTELA -
POSSIBILIDADE - MELHOR
INTERESSE DO MENOR - RECURSO
DESPROVIDO.
- A adoção unilateral, em razão do
falecimento da mãe biológica, não tem o
condão de romper definitivamente o
vínculo de filiação natural da criança
com a família materna, nos termos do
art. 1626 do Código Civil.

- O Estatuto da Criança e do
Adolescente preconiza em seus artigos
4º e 19º o direito da criança à
convivência e manutenção dos laços
familiares.

- Prevê o Código Civil Brasileiro, de


forma expressa, o direito de visita dos
avôs (art. 1589, Parágrafo Único), de
modo que presentes os requisitos legais,
deve ser mantida a r. decisão
impugnada, que a concedeu.

- Agravo desprovido.

TJMG 1.0144.07.021738-1/002 J.C.V.G. P.M.C. Modificação de 14/02/2012 AÇÃO DE MODIFICAÇÃO DE GUARDA


guarda - PRINCÍPIO DO MELHOR INTERESSE
Pai biológico Mãe DA CRIANÇA - MENOR JÁ ADAPTADA
biológica AO CONVÍVIO COM O GENITOR, EM
CUJO LAR TAMBÉM RESIDE A IRMÃ
MAIS VELHA - EXISTÊNCIA DE
PERFEITAS CONDIÇÕES MATERIAIS
E PSICOLÓGICAS PARA O
EXERCÍCIO DA GUARDA
PRETENDIDA - VONTADE DE
PERMANECER COM O PAI,
EXTERNADA PELA PRÓPRIA MENOR
- PROCEDÊNCIA DO PEDIDO, EM
RELAÇÃO A ELA.

- O objetivo maior para o deferimento do


pedido de modificação de guarda é o
bem estar do menor, devendo este deve
ficar com aquele que tiver melhor
condição de propiciar o seu bom
desenvolvimento. Nessa orientação, se o
estudo social revela que, não obstante a
ausência de qualquer fator a desabonar
a pessoa da genitora, a criança não
teve, na maior parte da sua infância,
convívio próximo e contínuo com a mãe,
o que dificultou, até o momento, a
formação de laços sólidos de confiança
e cumplicidade com a mesma, e, por
outro lado, já estando a menor adaptada
ao lar do genitor, com quem também
residem a sua irmã mais velha e
sua madrasta, onde recebe todo o
amparo material e psicológico
necessários à sua felicidade e à sua boa
formação, o que, inclusive, tem refletido
positivamente na sua vida escolar e no
seu equilíbrio emocional, o pedido de
reversão da guarda em favor do genitor
deve ser acolhido, tal como desejado
pela própria infante.

TJMG 1.0607.09.048219-3/001 E.D.S. M.G.O Regularização de 25/08/2011 APELAÇÃO CÍVEL - GUARDA DE


guarda de fato FATO - REGULARIZAÇÃO -
Mãe Madrasta ADOLESCENTE - MORTE DO PAI -
biológica PERMANÊNCIA COM A MADRASTA -
MELHOR INTERESSE DO MENOR -
IMPROCEDÊNCIA.
1. Na definição da guarda, o julgador
deve levar em consideração os
princípios do melhor interesse do menor,
da parentalidade responsável e da
proteção integral, observando, diante
das peculiaridades do caso concreto,
aquele que possui melhores condições
de atender às necessidades dos
incapazes, não apenas financeiras, mas,
primordialmente, psicológicas e afetivas.
2. Filho que vivia com o pai e sua
companheira desde 2005, continuando
com esta após a morte de seu genitor,
ocorrida em 2009.
3. Comprovada a assistência afetiva,
material, moral e educacional prestadas
pela madrasta em favor do adolescente,
e manifestando ele sua vontade de
permanecer com a madrasta, é de se
manter a sentença que a concede.
4. A atribuição da guarda do adolescente
à sua madrasta em nada alterará o
poder familiar da genitora, e virá apenas
a regularizar uma situação de fato já
existente entre as partes, em benefício
dos legítimos interesses do menor.
5. Recurso não provido.
ARGUMENTO: DOIS E PAIS

Tribunal Quantidade de decisões


encontradas sobre o assunto

TJMG 2 de 6

Tribunal Nº do Processo Autor Réu Pedido Data do Ementa


julgado

TJMG 1.0024.05.737489-4/002 MINISTÉRIO MINISTÉRIO Provimento ao 09/11/2006 APELAÇÃO CÍVEL -


PÚBLICO PÚBLICO reconhecimento da REIVINDICAÇÃO DA
ESTADO ESTADO paternidade a PATERNIDADE - EXAME DE DNA
MINAS MINAS GERAIS Flavio Junqueira COMPROBATÓRIO -
GERAIS Vale. PATERNIDADE BIOLÓGICA X
(PRIMEIRO) FLÁVIO PATERNIDADE SÓCIO-AFETIVA -
JUNQUEIRA Reconhecimento PRINCÍPIO DO MELHOR
FLÁVIO VALE da paternidade e INTERESSE DO MENOR -
JUNQUEIRA manutenção do ALTERAÇÃO DO REGISTRO DE
VALE - Pai LUIZ registro de NASCIMENTO - POSSIBILIDADE.
afetivo FERNANDO DE nascimento (pai O reconhecimento dos filhos através
(SEGUNDO) FARIA afetivo) de registro público é irrevogável. No
TAVARES entanto, tal fato não implica na
LUIZ Reconhecimento vedação de questionamentos em
FERNANDO JOANA DAR"C da paternidade e torno da filiação, desde que haja
DE FARIA TOSTES alteração no elementos suficientes para buscar a
TAVARES - FERNANDES - registro de desconstituição do reconhecimento
Pai biológico Mãe biológica nascimento (pai anteriormente formulado. A primazia
(TERCEIRO) biológico) da dignidade humana perante todos
LUCAS os institutos jurídicos é uma
FERNANDES característica fundamental da atual
VALE - Constituição Federal. Nesse sentido,
Filho/Menor e em face da valorização da pessoa
humana em seus mais diversos
ambientes, inclusive no núcleo
familiar, surgiu o Princípio do Melhor
Interesse do menor. A Constituição
Federal tornou equivalentes os laços
de afeto e de sangue, acabando com
a discussão sobre qual dessas é a
verdadeira filiação. Na hipótese de
conflito entre a paternidade biológica
e a paternidade afetiva, deve-se
priorizar aquela em detrimento desta,
desde que, o filho mantenha também
com o pai biológico laços de afeto.2

TJMG 1.0024.03.927886-6/001 JOSÉ MARIANA Afastamento do 7/04/2005 Investigação de paternidade.


CARLOS DA LUCIANO reconhecimento da Registro de nascimento. Anulação.
SILVA GUIMARÃES paternidade Cumulação. Possibilidade. Pedido.
PEIXOTO Procedência. Relações sexuais.
Filha Concepção. Coincidência. "Plurium
Pai biológico concubentium". Ausência de prova.
Exame de DNA. Recusa.
É desnecessária a prévia anulação
de registro de nascimento para o
requerimento de investigação de
paternidade. No caso de procedência
deste, o cancelamento do assento é
consectário lógico e jurídico do
reconhecimento do vínculo biológico
entre investigante e investigado. A
falta de elemento contrário à
coincidência das relações sexuais
com a concepção do investigante e,
ao tempo desta, de demonstração da
"plurium concubentium", aliada à
recusa do investigado em se
submeter ao exame de DNA,

2 Trecho do acordão nº 1.0024.05.737489-4/002 no qual o argumento “dois e pais” é citado:


“No entanto, reconhecer Flávio e Fernando, simultaneamente, pais da criança, á algo extremamente absurdo, pelas sequelas emocionais que pode acarretar
à criança com o passar dos anos. Toda pessoa deve ter um referencial materno e outro paterno. É a consequência natural da vida em família, por mais
avançada e liberal que a sociedade esteja. Sujeitar uma criança a este disparate seria o mesmo que sujeitá-la a inúmeros questionamentos ao longo de sua
vida, tendo em vista a anormalidade da situação de ter em seu registro o nome de dois pais e de uma mãe, e, até mesmo, submetê-la a constrangimentos
em sua vida social e profissional.
autorizam a procedência do pedido
de investigação de paternidade.
Rejeita-se a preliminar e nega-se
provimento ao recurso.3

3
Trecho do acordão nº 1.0024.03.927886-6/001 no qual o argumento “dois e pais” é citado:
“...Não se pode ter dois pais, e, por isso, não se pode demandar a paternidade quando do registro já consta o nome do pai. Assim, para a propositura da
ação investigatória, será necessário, antes, a propositura e o sucesso ...”
ARGUMENTO: DUAS E MÃES

Tribunal Quantidade de decisões


encontradas sobre o assunto

TJMG 3 de 5

Tribunal Nº do Processo Autor Réu Pedido Data do Ementa


julgado

TJMG 1.0699.03.027967-2/001 L.O. M.C.D. E SEU Guarda 17/03/2009 APELAÇÃO CÍVEL - ADOÇÃO -
MARIDO A.A.D. DESCUMPRIMENTO DOS DEVERES
Mãe biológica PREVISTOS NO ARTIGO 22 DO
Pais adotivos ESTATUTO DA CRIANÇA E DO
ADOLESCENTE - GENITORA - USO
REITERADO DE BEBIDAS
ALCÓOLICAS - DIVERSOS
ESTUDOS PSICOSSOCIAIS
REALIZADOS - CRIANÇA QUE JÁ SE
ENCONTRA PLENAMENTE
ADAPTADA AO CASAL ADOTANDO -
REGULARIZAÇÃO DE UMA
SITUAÇÃO DE FATO -
DEFERIMENTO DO PEDIDO.
Se as circunstâncias fáticas denotam
que a genitora do menor apresenta
comportamento instável,
preponderando o uso contumaz de
bebidas alcoólicas e o desinteresse
em relação à situação vivenciada pelo
infante, somado ao vínculo de
afetividade formado com a família
substituta, impõe-se a confirmação da
decisão que destituiu o pátrio poder da
genitora e deferiu a adoção pelo casal
apelado, tendo em vista o ,superior
interesse da criança.4

TJMG 1.0083.04.001548-5/001 D.F.D. E SUA P.I.M.F. Adoção 15/02/2007 DIREITO CIVIL. PEDIDO DE
MULHER ADOÇÃO. NECESSIDADE DE
Mãe biológica PROCEDIMENTO PRÓRPIO PARA
Pais adotivos DESTITUIÇÃO DO PODER
FAMILIAR. IMPOSSIBILIDADE
JURÍDICA DO PEDIDO.
PRECEDENTE DO STJ. PROCESSO
EXTINTO, DE OFÍCIO, SEM
JULGAMENTO DO MÉRITO. O
Superior Tribunal de Justiça, quando
do julgamento do recurso especial n.
283.092 - SC, firmou o entendimento
de que "o deferimento da adoção
plena não implica automaticamente na
destituição do pátrio-poder, que deve
ser decretada em procedimento
próprio autônomo com esse fim, com a
observância da legalidade estrita e da
interpretação normativa restritiva,
cautela essa imposta não só pela
gravidade da medida a ser tomada,
uma vez que importa na perda do
vínculo da criança com sua família
natural, como também por força das
relevantes repercussões em sua vida
sócio-afetiva, sob pena de serem
ainda desrespeitados os princípios do
contraditório e do devido processo
legal (artigos 24, 32, 39 a 52,

4
Trecho do acordão nº 1.0699.03.027967-2/001 no qual é citado o argumento “duas e mães”:
Nesta linha, tem-se que o menor se adaptou à situação de modo a ter como referência de "mãe" tanto a requerente como a requerida, mantendo, com
ambas, saudável relação. Neste sentido, observe-se o laudo de f. 59 e de f. 104, registrando, este último que “na convivência diária com a família substituta,
M. recebe cuidados adequados e convive em ambiente harmonioso, sendo poupado das inconstâncias do comportamento materno. Sua adaptação
transcorre tranquila, convivendo naturalmente com a existência de duas mães, ao mesmo tempo em que é poupado de presenciar L. alterada pelos efeitos
da bebida alcoólica.” E, a convivência no lar dos apelados, além do ambiente harmonioso e livre dos efeitos causados pela bebida alcoólica, trouxe-lhe,
também, a figura paterna, visto que nunca manteve contato com o pai biológico (f. 107), dado que não pode ser desprezado.
destacando-se o artigo 45, e ainda, os
artigos 155 a 163 do Estatuto da
Criança e do Adolescente)." Note-se
que, no caso, que o pedido de adoção
está sendo formulado contra a vontade
da mãe biológica, situação que só vem
a reforçar a necessidade de
instauração do procedimento
autônomo ao fim almejado, visando
até mesmo impedir violação a direitos
personalíssimos relativos à
maternidade. Por tais motivos, de
ofício, julgo extinto o processo sem
julgamento do mérito, por
impossibilidade jurídica processual do
pedido, com a ressalva de que a
situação da criança não será alterada,
permanecendo ela na guarda dos
autores.5

TJMG 000.185.181-5/00 LÚCIA DA DAIRSON Guarda 15/06/2000 MENOR. GUARDA. FAMÍLIA


SILVA ALVES BRITO SUBSTITUTA. MODIFICAÇÃO.
BARBOSA E S/M INCONVENIÊNCIA, DIANTE DO
SUPERIOR INTERESSE DA
Mãe biológica Tios paternos CRIANÇA.
Reconhecendo, a criança, como
própria, a família substituta, que a
acolheu na primeira infância, e
perdurando a convivência
harmoniosa com ela por mais de
nove anos, não se mostra
recomendável a alteração de tal
situação, para alterar a guarda,

5
Trecho do acordão nº 1.0083.04.001548-5/001 no qual é citado o argumento “duas e mães”:
" A criança, numa lucidez que merece destaque, narrou que sabe ter duas mães, e que só veio a ter aos cuidados de REJANE porque TEREZINHA não
tinha condições para mantê-la, mas nem por isso afasta a possibilidade de conviver por mais tempo com a genitora, posto ter afirmado que sente saudades
dela e do irmão gêmeo RAFAEL ", tendo ainda enfatizado a magistrada que a autora" não conseguiu fazer prova concreta de que TEREZINHA não dispõe
de condições para continuar com o pátrio poder da filha."
concedendo-a à mãe biológica.
Pedido de formalização formulado
pelos guardiães de fato acolhido.
Sentença confirmada.6

6
Trecho do acordão nº 000.185.181-5/00 no qual é citado o argumento “duas e mães”:
“Os trabalhos técnicos revelaram a capacidade de ambas as famílias e a perfeita adaptação da menor nos dois ambientes, nos quais se vê cercada de afeto,
contando com boa alimentação, conforto, cuidados de higiene e demais requisitos de uma vida saudável. Em audiência, a criança manifesta o entendimento
de possuir duas mães, desde que considera a família substituta como se fosse própria e enfatiza preferir permanecer com ela.”