Você está na página 1de 3

A nova geração de submarinos brasileiros

Marinha lança ao mar o Riachuelo, mais avançado submergível já construído no País, e prepara a
construção da primeira embarcação nuclear nacional

Vicente Vilardaga - 23/11/18 - 09h30

A Marinha tem motivos para comemorar. Depois de dez anos de desenvolvimento e alguns atrasos, vai ao
mar, no dia 14 de dezembro, o submarino S-Br Riachuelo, uma adaptação do modelo francês Scorpène,
construído totalmente no Brasil no Complexo Naval de Itaguaí, no Rio de Janeiro, com a mais avançada
tecnologia disponível no mundo. O Riachuelo está em fase de acabamento e é o primeiro de uma série de
cinco submergíveis que serão produzidos no país nos próximos dez anos. Haverá mais três embarcações
convencionais com propulsão diesel-elétrica do mesmo modelo, que serão batizados de Humaitá, Tonelero
e Angostura, todos nomes de batalhas navais da Guerra do Paraguai, a serem entregues até 2023. E o
Programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub), que dá seu primeiro fruto agora, será coroado
pela construção do primeiro submarino nuclear brasileiro, previsto para ser entregue em 2029, o SN-BR
Álvaro Alberto, em homenagem ao almirante pioneiro na criação do programa nuclear. Apenas cinco
países do mundo detém a tecnologia para a produção de submarinos nucleares e o Brasil está mais
próximo desse seleto grupo.
TECNOLOGIA Montagem final do submarino Riachuelo atrasou em função do aumento de custos e
redução de verbas (Crédito:Valdenio Vieira/PR)
O Prosub faz parte da Estratégia Nacional de Defesa e prevê a autossuficiência na produção brasileira de
submarinos convencionais e nucleares. O projeto começou em dezembro de 2009, a partir de uma parceria
da empresa francesa DCNS, hoje Naval Group, dona do projeto do Scorpène, com a Marinha Brasileira e
envolveu a construção do estaleiro dedicado aos submergíveis em Itaguaí, na região metropolitana do Rio
de Janeiro. Hoje, a frota nacional tem 5 submarinos em operação, sendo que dois estão em período de
manutenção, o Timbira e o Tapajó. A frota é insuficiente para atender as necessidades de vigilância e
reconhecimento da chamada Amazônia Azul, como os militares chamam o território marítimo brasileiro,
que compõe uma área de 4,5 milhões de quilômetros quadrados. A Estratégia Nacional de Defesa prevê
um grande reforço na frota naval na próxima década. Prevê também a aquisição de uma embarcação
especializada em busca e salvamento. Essa preocupação se acentuou depois do desaparecimento do ARA
San Juan, na Argentina, em novembro do ano passado.

O Riachuelo possui algumas modificações em relação ao Scorpène. Enquanto o modelo francês pesa 1717
toneladas e mede 66,4 metros, a versão brasileira pesa 1870 toneladas e mede 72 metros. Ele submerge a
até 300 metros de profundidade e atinge uma velocidade de 32 quilômetros por hora. Segundo a Marinha,
o índice de nacionalização de peças da embarcação é de 20%, um percentual considerado baixo e atribuído
ao limitado desenvolvimento da indústria nacional de defesa. Segundo o almirante de esquadra Bento
Costa Lima Leite, há um esforço permanente para capacitar fornecedores e permitir que os outros
submarinos do projeto Prosub tenham um conteúdo local de componentes mais elevado. Se os
submarinos são pouco nacionalizados, as instalações da base de Itaguaí foram erguidas com 95% dos
equipamentos produzidos no Brasil. “O Prosub vai dotar o Brasil com tecnologia de ponta e a concretização
do programa vai fortalecer diversos setores industriais nacionais”, diz o contra-almirante Luiz Roberto
Cavalcanti Valicente, diretor do centro de comunicação da Marinha.