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Viagens • Literatura Portuguesa • 11.

º ano
Sugestões de resolução das Fichas Formativas

SUGESTÕES DE RESOLUÇÃO Fichas formativas

SEQUÊNCIA 3

FICHA FORMATIVA pp. 242-243


2. A apóstrofe, através da qual o sujeito poético
Grupo I se interpela a si mesmo através do seu nome
1.1. A pergunta retórica, que, portanto, não é para próprio – “António” (v. 5) – contribui, por um
ser respondida, produz, pela sua insistência (vv. lado, para conferir ao poema um registo de
1 a 12), um efeito de convicção: a resposta às coloquialidade típico do lirismo de António
sucessivas interrogações, que seria, por Nobre e, por outro, para intensificar a
exemplo, “ninguém” (v. 16), sublinha a sensação de estranheza e de quebra de
predestinação que parece conduzir todas as expectativas do sujeito poético face às suas
coisas e todos os seres, e cuja força é revelada aspirações. Nomeando-se e relembrando-se
pelo “instinto” (v. 20). a si mesmo, numa interrogação que adquire
contornos de repreensão, os desejos de um
2. As referências a elementos da natureza, isto é, à tempo pretérito, o “eu” demarca-se deles e
“estrela” (v. 1), à “ave” (v. 4), à “planta” (v. 5), ao assume que o presente veio a revelar como
“verme” (v. 6), à “abelha” (v. 9), ao “prado” (v. inexequíveis “Quimeras, sonhos, bolas de
10), à “flor” (v. 11) e aos seus movimentos ou sabão” (v. 6) do seu passado.
modos de vida funcionam como a demonstração
de uma capacidade, intrínseca a todos os seres, 3. O último terceto funciona como conclusão do
de serem fiéis ao seu destino. Através destas soneto. Depois de, nas estrofes anteriores, o
referências, pretende-se transmitir a ideia de sujeito poético refletir sobre as desilusões
espontaneidade e de inevitabilidade do amor que marcaram a sua vida e de
que o “eu” sente, como se esse amor fosse uma aparentemente concluir que “Toda a dor
força da natureza, independente da sua vontade. pode suportar-se, toda!” (v. 9), a conjunção
coordenativa adversativa introduz a única
3. O “tu” é o objeto do amor apaixonado do “eu”, exceção à regra enunciada. Face à
num sentido que parece indicar a total impossibilidade de suportar a “dor do
identificação entre ambos. Do “tu” é destacado pensamento” (v. 12), em que, afinal, se
um elemento concreto, os “olhos” (v. 14), que incluem “Quimeras, sonhos, bolas de sabão”
são o que melhor pode caracterizar a (v. 6) que marcaram a existência do “eu”, a
intensidade dessa identificação. Além disso, o alternativa possível para alcançar “A Paz” (v.
adjetivo que marca a expressão “no teu seio 14) desejada parece ser a morte. O poema
divino” (v. 21) é um traço da qualidade única e termina, pois, com a referência à “Morte” (v.
sagrada de que o “tu” se reveste aos olhos do 14), por oposição à menção inicial à “Vida”
“eu”. (v. 1), numa construção que remete para o
ciclo da existência humana.
4. O título do poema, “Destino”, palavra que depois
é repetida no verso 22, desta vez associada ao 4. São traços característicos da linguagem e do
amor que o “eu” sente, é a resposta às estilo de António Nobre evidentes no soneto:
perguntas retóricas colocadas na primeira parte – o tom coloquial e a oralidade do discurso
do poema, resposta reforçada pela palavra conseguidos pelo recurso ao vocativo, às
“instinto” (v. 20), extensiva a “todo o ente” (v. interrogações e às exclamações;
19). Sentido essencial do poema, o “Destino” – a simplicidade da linguagem, com
marca uma visão romântica da natureza, predomínio de vocábulos de nível corrente e
animada por uma ordem perfeita e associados à realidade quotidiana;
predeterminada, e do amor humano como parte – o ritmo diversificado, conseguido pela
dessa harmonia. variedade de pausas no interior dos versos e
pela conjugação de frases de tipos e
(In Critérios de Correção do Exame Nacional de Literatura extensão distintos.
Portuguesa 2011, 1.ª fase)

Grupo II
1. O primeiro verso do poema, que conjuga o
polissíndeto com a enumeração, coloca em
evidência, de uma forma que poderemos
qualificar como gradativa e de conotação
disfórica, os efeitos da passagem do tempo
sobre a vida do sujeito poético, com o
reconhecimento de que vive no presente em
(des)”ilusão” (v. 2), e que ela se manterá no
futuro.

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