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SÃO PAULO, ABRIL DE 2018

Tecnologias sociais
para adequação
de imóveis rurais

REALIZAÇÃO
PATROCÍNIO Esta cartilha é uma das
publicações do Plantando Águas, um projeto
da organização Iniciativa Verde, patrocinado
pela Petrobras por meio do Programa
Socioambiental, que tem como objetivo
proteger e preservar os recursos hídricos, em
benefício de toda a sociedade. Durante dois
anos, irá promover a adequação ambiental
de diversos imóveis rurais do Estado de
São Paulo, envolvendo grupos de agricultura
familiar, assentamentos e áreas protegidas
(Áreas de Proteção Ambiental e Reservas de
Desenvolvimento Sustentável). Entre as ações
programadas estão a restauração de áreas
degradadas com Sistemas Agroflorestais
(SAFs), atividades de educação ambiental e
implantação de sistemas de saneamento rural
para tratamento de água e esgoto.

Sumário
REALIZAÇÃO

Apresentação......................................................................................................................................2
Tecnologias sociais .............................................................................................................................................. 2
PATROCÍNIO
Saneamento.........................................................................................................................................3
Fossa séptica biodigestora................................................................................................................................... 3
Jardim filtrante............................................................................................................................................................... 7
Clorador............................................................................................................................................................................. 9
Monitoramento.......................................................................................................................................................... 10
Cisternas para coleta de águas de chuva................................................................................................. 11
EXPEDIENTE Adequação ambiental......................................................................................................................14
Um pouco sobre as leis ambientais.............................................................................................................. 14
PAUTA TEXTO Aline Zaffani e Roberto Resende EDIÇÃO DE TEXTO Marina Vieira
CAR: Cadastro Ambiental Rural....................................................................................................................... 15
REVISÃO TÉCNICA Jaqueline Souza e Roberto Resende REVISÃO DE TEXTO ID 3611 PRA: Programa de Regularização Ambiental........................................................................................... 15
Bruna Martins Fontes SELEÇÃO DE IMAGENS Jaqueline Souza e Marina Vieira
Recomposição florestal........................................................................................................................................ 16
PROJETO GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO Cyntia Fonseca FOTOS Isis Nóbile Diniz,
Mudas......................................................................................................................................................................... 17
Jaqueline Souza, Marina Vieira, Pedro Barral e Roberto Resende ILUSTRAÇÕES
Espécies florestais............................................................................................................................................. 17
Patrícia Yamamoto
Conclusão...................................................................................................................................................................... 20

Agroecologia e sistemas agroflorestais.....................................................................................21


Iniciativa verde
Agroecologia................................................................................................................................................................ 21
Rua João Elias Saada, 46 - Pinheiros CEP 05427-050
(11) 3647-9293 contato@iniciativaverde.org.br Produção orgânica................................................................................................................................................... 22
www.iniciativaverde.org.br Sistemas agroflorestais....................................................................................................................................... 24
Conclusão...................................................................................................................................................................... 27

Para saber mais................................................................................................................................28

2 3
adubar plantações com os efluentes trata- para diversas publicações, que estão dis-
dos; e a recuperação de florestas protege poníveis para download gratuito no site
os mananciais e melhora a água disponível. www.iniciativaverde.org.br/plantandoaguas.

Essas ações também acabam fortalecendo Entre essas publicações da primeira fase
a ação coletiva da comunidade, unindo to- estão três cartilhas temáticas – uma sobre
dos sob um mesmo propósito. adequação e legislação ambiental, outra
sobre manejo da água, e uma terceira so-
A primeira fase do Plantando Águas, que
bre agroecologia e sistemas agroflorestais.
aconteceu de 2013 a 2015, trouxe muitos
Esta publicação agora traz um resumo des-
resultados. Foram desenvolvidas ativida-
sas cartilhas, com o intuito de apresentar
des em 163 imóveis rurais, contemplando
as tecnologias e ajudar na implantação de
sete assentamentos da reforma agrária,
novas ações do Plantando Águas.
uma comunidade quilombola e 47 sítios de

Apresentação
pequenos agricultores. Foram implantados Nesta nova etapa, o projeto vai continuar
75 hectares de SAFs e matas ciliares, 145 implantando as tecnologias aqui descritas,
sistemas de saneamento e 18 pontos de oferecendo oficinas e acompanhamen-
monitoramento da água. to técnico, mas deve também desenvolver
Atividades de educação ambiental foram outras tecnologias, adaptando-se às con-
feitas com agricultores e estudantes, to- dições das comunidades participantes e

Q
talizando 1.712 participantes em oficinas incorporando novos conhecimentos. Nossa
uando se fala em meio ambiente, es- O Projeto Plantando Águas busca o desen-
e intercâmbios e 3.964 visitas monitora- visão é que esses processos são orgânicos,
tamos tratando não só da natureza, volvimento sustentável no meio rural consi-
das ao CEA. Além disso, as atividades e e vão se definindo de acordo com as neces-
mas também de todos nós, pois tudo derando todas as suas dimensões: ambien-
técnicas desenvolvidas geraram conteúdo sidades e ideias das pessoas envolvidas.
se relaciona. É como a água, um recurso fun- tal, social e econômica. Seu objetivo maior é a
damental para as plantas, os animais, a pro- conservação dos recursos hídricos a partir da
dução de alimentos e as pessoas. adequação ambiental de imóveis rurais. Para
isso, promovem-se o saneamento rural com
No meio rural, pensar a questão ambiental tecnologias sociais, a adequação ambiental
se torna mais e mais relevante. Além da im- atendendo à legislação, a recuperação e a
portância do bom uso dos recursos naturais conservação das florestas nativas, a produ- TECNOLOGIAS SOCIAIS
para as atividades agrícolas, as políticas am- ção sustentável e a educação ambiental de
São produtos, técnicas ou metodologias reaplicáveis desenvolvidas na interação com
bientais estão cada vez mais presentes. Mais estudantes e trabalhadores.
a comunidade e que representam efetivas soluções de transformação social. Reúnem
do que um desafio, ela representa uma opor- saber popular, organização social e conhecimento técnico e científico.
No final, essas ações se completam, me-
tunidade para os agricultores. Podem ser aplicadas em diversas condições, como alimentação, educação, energia,
lhorando, além do ambiente, a renda e o
habitação, renda, recursos hídricos, saúde e meio ambiente. Alguns dos exemplos são
A melhoria das condições ambientais, o bem-estar das pessoas. Ter saneamento
as tecnologias desenvolvidas no Centro de Instrumentação da Empresa Brasileira de
cumprimento da legislação e a oferta de no sítio, por exemplo, facilita conseguir a Pesquisa Agropecuária (Embrapa): o jardim filtrante (tratamento de águas cinzas), a
produtos e serviços de boa qualidade po- certificação orgânica; os Sistemas Agroflo- fossa séptica biodigestora (para tratar águas negras) e o clorador.
dem contribuir para o aumento da renda e restais incrementam a renda com o plantio
melhorar a qualidade de vida. de árvores; o cuidado com o esgoto ajuda a

4 5
Não deve ser usado em hortaliças; apesar de o
tratamento ser bastante eficaz, é mais seguro
não usar esse biofertilizante em alimentos que fi-
cam perto do solo e que vão ser consumidos crus.

Se estiver funcionando corretamente, a fossa


não se enche de lodo nem dá cheiro.

Caso alguma dessas coisas esteja acontecen-

Saneamento
do, deve ser feito o reabastecimento da mistura
de esterco fresco e água. Se continuar, deve-se
procurar assistência técnica.
Fossa montada em quintal de sítio em Iperó
O gás produzido por fossas desse tipo é mui-

Fossa Séptica Biodigestora que atende uma casa com até cinco pessoas, é
composto por duas caixas de biodigestão (que
to pouco para ser aproveitado para queima. A
produção de gás por biodigestão pode produzir
As caixas de biodigestão são vedadas, mas não
devem ficar cobertas pelo solo. Deve-se deixar
devem ficar sempre fechadas) e uma última bastante gás no caso de criação de porcos, que
aproximadamente 15 cm para fora da terra;
Este é um sistema desenvolvido pela Embra- para depósito do esgoto tratado. Se o número produzem muitos dejetos.
pa para o tratamento das águas negras, que de moradores for maior do que cinco, o núme- As tampas devem ficar expostas ao sol. Assim
transforma o esgoto doméstico em adubo or- ro de caixas de fermentação deve aumentar na é melhor, para garantir a temperatura interna e
gânico pelo processo de biodigestão. proporção de 1 caixa para cada 2,5 moradores. MONTAGEM facilitar o processo de biodigestão;
Primeiro, deve ser escolhido o melhor local, de
Na Fossa Séptica deve ser colocado apenas o Para instalar esse tipo de fossa, deve-se ter es- Se for preciso aquecer mais, uma opção é pintar
acordo com o tamanho das caixas e do desnível
esgoto dos vasos sanitários. Ela não deve re- terco fresco (de vacas, búfalos, cabras e ove- a tampa das caixas de biodigestão de preto.
do terreno. Este local:
ceber as águas das pias, dos chuveiros e de ou- lhas), para garantir a fermentação do material.
tros usos, pois o grande volume de água e os O terreno deve ser firme e as caixas devem ficar
O esterco deve ser fresco para que as bactérias Deve ser seco, distante de cursos de água e do
produtos de limpeza interferem na biodigestão. niveladas, para que não se mexam, prejudicando
das fezes desses animais ainda estejam vivas lençol freático (pelo menos um metro);
a vedação ou mesmo acarretando vazamento
quando forem adicionadas à fossa. Se o ester-
O sistema imita o funcionamento do estôma- Deve ficar no mínimo 40 cm abaixo do nível do dos efluentes.
co for velho, as bactérias já terão morrido.
go de animais ruminantes, como, boi, búfalo e vaso sanitário;
cabra. As bactérias fazem um processo de fer- Na fossa deve ser ligado apenas o esgoto do
A cada mês deve ser colocada uma mistura de 5
mentação que gera calor e elimina boa parte Deve ser instalado perto da casa (a no máximo vaso; o restante deve ir para outros sistemas
litros de água e 5 litros de esterco fresco.
dos micróbios. 30 m de distância) para facilitar a manutenção (como o jardim filtrante). O esgoto de pias, tan-
O produto gerado no final do processo é um (lembre-se de que, se estiver funcionando cor- ques, chuveiro e outros prejudica a biodigestão,
Dentro da fossa, os resíduos são transforma- adubo rico em nitrogênio, fósforo e potássio, retamente, não terá cheiro ruim); pois tem sabão, detergente e outras substân-
dos em gás metano, que é eliminado pelos res- que pode ser usado puro no solo ou misturado cias, além da grande quantidade de água.
piros, e em esgoto tratado, que vira o adubo A posição da última caixa deve facilitar a retira-
com outros adubos orgânicos.
chamado biofertilizante. da do esgoto tratado por meio de baldes, bom- O prazo para a última caixa encher é de 20 dias.
Ele deve ser colocado no solo para que este faça bas ou permitir que ele escorra para áreas onde Se encher em menos tempo, deve-se instalar
O sistema é dimensionado de acordo com o nú- o filtro final. O ideal é o uso em pomares, em pés o adubo será usado; mais uma caixa ou, então, colocar um pouco de
mero de moradores da casa. O sistema básico, de frutas como banana, limão, goiaba e outros. cloro na última, para completar o tratamento.

6 7
ESQUEMA DE MONTAGEM
MATERIAIS As caixas (5) são ligadas por canos de PVC,
As caixas devem ter forma arredondada, Item Quantidade Descrição com curvas de 90° longas (3) e conexão “T”
para melhor biodigestão; devem ser de fi- para inspeção (4). O sistema de alívio dos
bra de vidro ou de manilha de concreto. tubos cola de silicone
12 2
de 300g
gases é feito com tubos colocados nas
Caixas d’água de plástico (PVC) podem tampas das caixas de biodigestão (apenas
deformar e não funcionar direito. Adesivo para PVC –
13 1 a última fica sem tampa), com CAPs (tam-
100g
Os materiais e as ferramentas são facil- pas de PVC) nas pontas (2). Os CAPs devem
litro Neutrol (se usar caixa
mente encontrados em lojas de material de 14 1 de concreto, para passar ter quatro pequenos furos (de 2 mm cada)
construção. do lado de fora) para o gás sair.

As tabelas abaixo listam o necessário para 15 1 Aplicador de silicone O esterco é colocado no início do processo
um sistema com três caixas. para facilitar a biodigestão. Depois, deve
Arco de Serra
ser reposto uma vez por mês, usando-se a
16 1 com lâmina
Se for preciso, deve-se aumentar os itens de 24 dentes válvula retenção (1).
para uma caixa de biodigestão extra.
17 1 Pincel de 3/4” Na saída pode ser instalado um registro
de esfera (6) para facilitar a retirada do
Item Quantidade Descrição 18 1 Pincel de 4” adubo líquido, se houver desnível. Senão,
podem ser usados baldes ou outro siste-
19 1 Estilete ma para escoar.
01 3 Caixa de 1.000 litros

folhas Lixa comum


Outros modelos dependem de terreno, es- Montagem da fossa biodigestora
Tubo PVC 100 mm para 20 2
02 12 metros nº 100 paço disponível, materiais e recursos.
esgoto
Válvula de retenção O’ring 100 mm
03 1 21 10
de PVC de 100 mm (anel de borracha)

Curva 90º longa Flange de PVC soldável


04 2 22 2
de PVC 100 mm de 25 mm 1 2 3 4 2 3 4
Flange de PVC soldável
05 3 Luva de PVC 100 mm 23 1
de 50 mm

“T” de inspeção de PVC Borracha de vedação


06 2 24 10 metros
de 100 mm 15x15 mm

metros Tubo PVC Pasta lubrificante para


08 1 soldável 25 1 juntas elásticas em PVC
rígido – 400g
de 25 mm A B C
CAP de PVC soldável
09 2 26 1 Serra copo 100 mm
de 25 mm 1000 L 1000 L 1000 L
metro Tubo PVC soldável
10 1 27 1 Serra copo 50 mm
de 50 mm
Registro de esfera
11 1 28 1 Serra copo 25 mm
de PVC de 50 mm

5 6

8 9
Jardim Filtrante calculado dependendo da quantidade de pes-
soas: dois metros quadrados para cada mora-
dor. O tanque precisa ser mais comprido do que
O Jardim Filtrante é uma alternativa para largo para que o sistema seja mais eficiente.
dar destino adequado ao esgoto rico em sa-
bões e detergentes, proveniente de pias, tan-
ques e chuveiros.
5m
Essas águas, chamadas de cinza, são
separadas das águas negras (dos vasos
sanitários) e levadas para um pequeno tanque,

2m
forrado por uma membrana e preenchido
com brita, areia e plantas, que agem como
absorventes de nutrientes e de contaminan-
tes. As plantas que ajudam nesse sistema de-
vem gostar de solo encharcado e ser resisten-

0.5 m
tes à presença de poluentes.

A água que sai desse sistema deve ser enca-


minhada para o terreno, para infiltrar e irrigar
pomares, pastos e jardins. Como ela tem ainda
alguns elementos químicos (do sabão, principal- Jardim filtrante em construção
mente), é bom espalhar bastante, não jogando Exemplo de medidas para um Jardim Filtrante,
sempre nos mesmos lugares. para uma casa com cinco moradores:
Jardim filtrante em quintal
O dimensionamento do jardim também é fei- Note que o buraco de 5 m x 2 m tem as late-
O cano de saída deve estar na parte baixa, na ca-
to de acordo com o número de moradores da rais chanfradas (inclinadas) com uma angulação
mada de brita, terminando em uma caixa de con-
casa, sendo indicado 2 m2 por morador. O sis- de 45o. Dessa form,a o buraco diminui 0,5 m de
- Caixa d’água de 100 l com tampa; trole de nível da água (tipo o monge da piscicultura).
tema básico, que atende até cinco pessoas, cada lado no fundo, ficando com 4 m x 1 m.
tem 5 m x 2 m. - Caixa de gordura DN100 ou equivalente Após a colocação da geomembrana e da manta
O buraco deve ter o fundo impermeabilizado.
com tampa geotêxtil, o Jardim Filtrante deve ser preenchido
Para isso, indica-se forrar o tanque com uma
com brita grossa (como a número 3) e areia gros-
geomembrana, que é um material plástico resis-
MATERIAL NECESSÁRIO tente, como o policloreto de vinil (PVC) ou com
sa. Não se pode usar terra ou areia fina para não
(PARA JARDIM DE 5 M X 2 M): MONTAGEM entupir o sistema. Já com materiais grossos de-
borracha de etileno-propileno-dieno (EPDM), es-
Escolha um local da propriedade para instalar o mais, a água pode correr muito rápida.
pecial para esse uso.
- 6 m x 3 m de geomembrana de EPDM ou PVC; Jardim Filtrante.
O sistema deve garantir que a água demore
As tubulações de entrada e saída são ligadas
- 6 m x 3 m de manta geotêxtil; Ele deve ficar em nível mais baixo do que a casa alguns dias no jardim, para que haja tempo
em pontos opostos da caixa.
para facilitar o fluxo da água. Todos os esgotos de tratamento pelas raízes das plantas e mi-
- 2,5 m3 de brita nº 2;
da casa devem ser ligados ao Jardim Filtrante, Antes da entrada do Jardim Filtrante, deve ser crorganismos.
- 2,5 m3 de areia grossa; menos o do vaso sanitário, que deve ir para a instalada uma pequena caixa de decantação (de
Para completar, são colocadas plantas macrófi-
Fossa Séptica Biodigestora. 50 até 100 litros) e uma caixa de gordura, para
- Tubos e conexões de esgoto de PVC; tas aquáticas, que suportam um ambiente com
separar os resíduos maiores e as gorduras.
Faça um buraco no solo com aproximadamen- muita água, como taboa, papirus, inhame, copo-
- Mudas de plantas adequadas para áreas úmidas;
te 50 cm de profundidade. O tamanho deve ser A água deve entrar por cima, pela camada de areia. -de-leite e lírio-do-brejo.

10 11
Essas plantas limpam a água, retirando nutrientes. Cuidado com plantas de alto poder de disper-
são, como o lírio-do-brejo. Suas raízes brotam
Monitoramento
As plantas escolhidas devem ser preferencial-
com facilidade e, por isso, não devem ser joga-
mente nativas da região.
das em qualquer lugar. Monitorar é acompanhar, medir a quanti-
Podem ser plantas que produzam flores e folha- dade e a qualidade das águas, para po-
De vez em quando, verificar e limpar as caixas
gens para formar um jardim ornamental, que tam- der entender os problemas e as soluções
de retenção de sólidos e de gordura.
bém podem ser produzidas para corte e venda. que couberem.

A quantidade pode ser medida de várias


CUIDADOS formas.
O jardim deve ficar sempre com água, mas evi- Clorador Para saber quanto de água sai de uma
tando a existência de uma camada de água
nascente ou passa por um rio, a princi-
sobre o chão, para não permitir a procriação de
É um sistema simples para a cloração da água pal forma de medição é a vazão. Essa é
mosquitos e o mau cheiro.
antes de ser utilizada nas residências. a medida de um volume que passa por
O nível do sistema é controlado por um monge um ponto em um determinado espaço de
O sistema pode ser montado pelo próprio usuá-
(tipo os de açudes) na parte final. tempo. As medidas mais comuns são os
rio, utilizando dois registros, uma torneira, uma
litros por segundo (l/seg) ou os metros cú-
O jardim deve ser conservado para evitar danos redução com tampa (para servir de receptor de
bicos por segundo (m3/seg).
à membrana e não perder a impermeabilização. cloro) e pedaços de tubos. Todas as peças po-
dem ser de PVC, e o clorador deve ser montado No caso da chuva, o jeito mais comum de
Como em um jardim comum, não deixe que as
antes da entrada da caixa de água. medir a chuva (o índice pluviométrico) é em
plantas cresçam demais. De vez em quando é
Jardim filtrante em construção
milímetros (mm).
bom fazer podas e retirar o excesso. A água da caixa é clorada diariamente, de pre-
ferência pela manhã, colocando-se no recep- Ele representa a altura que seria acumu-
tor uma colher de cloro para cada 500 litros de lada de água da chuva em um lugar se ela
água. Precisa ser usado cloro, de preferência não escorresse ou infiltrasse.
granulado, a 60%. Ao longo do dia, esse cloro é
dissolvido, tratando a água. Um índice pluviométrico de 10 mm significa
Caixa para que essa foi a altura da lâmina de água me-
Caixa de retenção dida em uma área de 1 m2. Esse total é o
Camada Tela de
resíduos de gordura equivalente a 10 litros por m2.
de areia proteção
sólidos

FOTO: Embrapa
Volume = 1 m2 x 0,01 m de altura (ou 10 mm)
Casa = 0,01 m3.
Monge
Esse volume pode ser determinado em li-
tros, lembrando que 1 m3 é igual a 1.000 li-
tros. Assim, uma chuva de 10 mm equivale
a um volume de 10 litros a cada metro qua-
drado: V = 0,01 x 1000 = 10 litros.
Resíduos saída
Geomembrana
sólidos de água
A qualidade da água é avaliada por um con-
Gordura Camada Nível junto de características físicas, químicas e
Entrada de água de brita da água tratada
de uso geral da casa biológicas, que podem mudar por ações do
(menos do vaso sanitário) homem ou por causas naturais.
Clorador montado

12 13
Cisternas para coleta
CARACTERIZAÇÃO DA ÁGUA de águas de chuva
As principais características da água que são analisadas são:

Essa é uma tecnologia simples, de baixo custo e


adaptável a qualquer região. A água é captada
Categorias Principais exemplos das chuvas por meio de calhas instaladas nos
telhados das casas e outras construções, e ar- ENTRADA DE
Tubo superior
Turbidez - presença de sólidos em suspensão, tais como partículas mazenada em depósitos. ÁGUA DA CHUVA de 75 mm com a
Físicas boca alargada
inorgânicas (areia, silte, argila) e detritos orgânicos, tais como
cor, turbidez, temperatura, Estes podem ser feitos de diversos materiais:
algas, bactérias, plâncton, etc. Ela pode ser causada pela erosão,
série de sólidos e Lombada interna
que traz terra e outros materiais para os rios e lagos, e também alvenaria, plástico, metal ou lona. Tela (empurra a água mais
condutividade elétrica
pela poluição. mosquiteiro forte para o centro da tela
Alguns pontos importantes: sobre a boca do proporcionando melhor
tubo inferior aproveitamento)

1 Calcular o tamanho da cisterna conside- Abertura


Organolépticas rando o telhado de onde vai ser recolhida e a Tubo inferior (saída de sujeiras
A água limpa não deve ter gosto nem cheiro. de 75 mm com grossas para descarte)
sabor e odor quantidade média de chuvas. A cada 100 mm a boca superior
cortada em 45º
de chuva caem 100 litros por metro quadrado. SAÍDA PARA DESCARTE
Por exemplo: Se em um lugar a chuva média é
SAÍDA PARA Pequena calha
Indicadores como a DQO, a DBO e o carbono orgânico indicam de 1.300 mm/ano, uma casa com 100 m2 então em forma de meioa lua
SEGUNDO ESTÁGIO
os teores de matéria orgânica. Em excesso, ela pode induzir o vai receber 130.000 litros no telhado ao longo
esgotamento do oxigênio na água, prejudicando os peixes do ano. Assim, nesse caso, o volume de água
e outras formas de vida. Também podem produzir sabor
que pode ser armazenado é mais de 10 mil litros
Químicas e cheiro desagradáveis.
por mês.
pH, carbono orgânico total, Já os níveis de oxigênio dissolvido indicam a capacidade
Demanda Bioquímica de de um corpo d’água natural para manter a vida aquática 2 Posicionar a cisterna de acordo com o des-
Oxigênio (DBO), Demanda Um exemplo importante da construção
e se depurar (limpar). nível dos telhados, a distância da casa e onde a
Química de Oxigênio de cisternas no Brasil é o Programa
Algumas substâncias, como o nitrogênio e o fósforo, são água vai ser usada. Um Milhão de Cisternas (P1MC), da
(DQO), Oxigênio Dissolvido
(OD), nitrogênio, fósforo, nutrientes, mas se estiverem em excesso na água são poluentes, Articulação Semiárido Brasileiro (ASA).
estimulando o rápido crescimento de algas, que por sua
3 Evitar que sujeira dos telhados e calhas, como Esta é uma rede formada por várias
presença de metais, óleos,
vez consomem todo o oxigênio da água. Isso é chamado de poeira, folhas, restos de animais, entre nas cisternas. organizações da sociedade civil que
pesticidas e outros
eutrofização. Para isso podem ser usados vários sistemas de atuam na gestão e no desenvolvimento
Também existe a poluição por elementos químicos, como metais, filtragem e separadores das primeiras águas. de políticas de convivência com a região
que podem ser um grande risco à saúde, e por óleos e pesticidas, Estes devem ser montados dependendo das con- semiárida do Nordeste. Neste programa,
como os agrotóxicos. dições de cada local. Alguns exemplos: as cisternas são de cimento pré-
moldadas, feitas pela própria comunidade.
4 É fundamental evitar que a água possa abrigar Essas cisternas podem armazenar até 16
Coliformes Termotolerantes: é um conjunto de micro-organismos mosquitos. A cisterna deve ser coberta, pelo me- mil litros de água, o suficiente para uma
(bactérias). O principal exemplo é a Escherichia coli, ligada à nos, com uma tela resistente ao sol (tipo sombrite). família de cinco pessoas beber e cozinhar
Biológicas contaminação por fezes de pessoas e animais. por um período de seis a oito meses,
O uso dessa água vai depender da necessidade e
presença de organismos época comum da estiagem na região.
vivos, como as bactérias A presença desses microrganismos na água indica a possibilidade da manutenção de sua qualidade. Essa água serve
de transmissão de doenças causadas por bactérias e vermes que para lavouras, criações e limpeza. Sem tratamento,
PARA SABER MAIS:
estão presentes nas fezes. ela nem sempre pode ser usada para uso domés- http://www.asabrasil.org.br
tico. Nesse caso, devem ser feitos tratamentos
como cloração e filtragem.

14 15
centes, entre outros. Nesse tipo de reserva,
são permitidas poucas atividades, que devem
CAR: Cadastro
ser de utilidade pública, interesse social ou de Ambiental Rural
baixo impacto.

Descrição na lei: É o registro público eletrônico de âmbito nacio-


nal, obrigatório para todos os imóveis rurais,
“Área protegida, em zonas rurais ou urbanas, co-
com a finalidade de integrar as informações
berta ou não por vegetação nativa, com a função
ambientais das propriedades e posses.
ambiental de preservar os recursos hídricos, a
• Permite acesso às inovações da Lei, como
paisagem, a estabilidade geológica e a biodiver-
a regularização do uso consolidado de
sidade, facilitar o fluxo gênico de fauna e flora,
APPs, compensações e uso de Reserva
proteger o solo e assegurar o bem-estar das po-
Legal, desobriga a averbação de Reserva
pulações humanas.”
Legal no Cartório de Imóveis, etc.
Na Reserva Legal são permitidos alguns usos
econômicos. Ela é definida como uma percen- • Obrigatório para conseguir licenças e auto-

Adequação ambiental tagem da área do imóvel, que no caso do es- rizações.


tado de São Paulo deve abranger 20% da área. • Desde dezembro de 2017, é condição para
Essa área de uma propriedade ou posse rural conseguir crédito rural.
deve assegurar o uso econômico de modo sus- • O CAR é gratuito, feito pela internet. Não
Adequação ambiental é o processo de fazer um As principais leis, nesse caso, são o Código
tentável dos recursos naturais, auxiliar a conser- é preciso um técnico responsável para
imóvel rural atender à legislação ambiental. Se- Florestal (ou Lei Florestal), que vale para todo
vação e a reabilitação dos processos ecológicos se inscrever nele. Mas sempre é bom ter
guir a lei é importante, mas não é o único motivo o país; o Sistema Nacional de Unidades de
e promover a conservação da biodiversidade, apoio, para evitar imprecisões, atender me-
para prestar atenção à conservação do meio Conservação (SNUC), que trata de grandes ter-
bem como o abrigo e a proteção de fauna silves- lhor à lei e ajudar no planejamento do uso
ambiente. Isso também é importante para que ritórios que podem ser de Proteção Integral,
tre e da flora nativa. das terras.
a atividade rural seja sustentável. como os Parques, ou de uso Sustentável, como
as Áreas de Proteção Ambiental (APAs) e as Re- • Para os agricultores familiares, o Poder Pú-
servas de Desenvolvimento Sustentável (RDS); blico deve ajudar a fazer o registro no CAR.
e a Lei da Mata Atlântica. No Estado de São
Um pouco sobre Paulo existe ainda a Lei do Cerrado. • Para se cadastrar e ter mais informações,
acesse www.ambiente.sp.gov.br/car
as leis ambientais
CÓDIGO FLORESTAL
As leis ambientais existem para tentar combi- Uma das regras do Código Florestal se refere às O QUE EU PERCO NÃO FAZENDO O CAR?
nar os interesses e direitos de todos –da socie- áreas protegidas dentro das fazendas e sítios
Além de uma obrigação, o CAR é a porta de en-
dade e dos proprietários. É importante lembrar – as Áreas de Preservação Permanente (APP) e
trada para benefícios e políticas públicas de au-
que as leis no Brasil consideram as florestas as Reservas Legais (RL).
xílio aos produtores rurais. Com ele, o agricultor
como bens de interesse comum de todo o país.
APPs são definidas por sua posição, como pode, por exemplo, fazer uma agrofloresta com
Ou seja, o direito de propriedade sofre limita-
margens de rios e córregos e entorno de nas- uso econômico em sua APP.
ções, mesmo em locais particulares. Para usar RL para plantar é preciso ter CAR

16 17
PRA: Programa de Hídricos e de Mudanças Climáticas, a outras,

Regularização Ambiental como a de Agroecologia e Produção Orgânica.

É importante envolver a Assistência Técni-


São as regras para a adequação dos imóveis ca e a Extensão Rural necessárias para as
às exigências da lei, que definem, por exemplo, várias atividades de conservação, manejo e
como pode ser o uso das Reservas Legais. É recuperação ambientais.
instituído pelo órgão estadual de meio ambiente.

• Adesão deve ser feita pelos agricultores


em até dois anos;
Recomposição florestal
• Inclui assinatura do termo de compromisso;
Recomposição é o processo de recuperar a
• Suspende punições pelo não atendimento vegetação degradada ou alterada para que
do Código Florestal; esta possa cumprir suas funções ambientais,
mesmo que não fique em uma condição igual
• Prazo de até 20 anos para recompor a à do ecossistema original.
Reserva Legal.
Ela deve ser feita, por exemplo, nos casos
Área em recomposição no sítio São Nicolau, em São Carlos
em que o imóvel não tiver toda a vegetação
devida nas Reservas Legais e APPs (como
APLICAÇÃO DA LEI as faixas perto da água, que não são de uso • Plantio de mudas de espécies nativas de dade de se regenerar. Também observar o
Para a aplicação completa do Código Florestal consolidado). ocorrência na região; que pode impedir o desenvolvimento das
no estado de São Paulo, ainda é preciso algu-
mas definições pelo governo: o Regulamento Também pode ser necessária como uma exi- espécies nativas (os fatores de degradação,
• Condução da regeneração natural de espé-
CAR e a definição do PRA. gência para um processo de licenciamento ou como fogo, erosão, acesso do gado, espé-
cies nativas;
de reparação (caso de multas e penalidades cies competidoras exóticas, como os capins
Os órgãos públicos devem ainda ajudar os peque- conforme a Lei de Crimes Ambientais). • Enriquecimento: quando já existe alguma braquiária e colonião).
nos proprietários a fazer o CAR, especialmente os regeneração de espécies nativas e é feito o
agricultores familiares. Sendo voluntária a recuperação, não é preciso plantio de mudas para completar a diversi-
MONTAGEM DO PROJETO
obter autorização. dade e o fechamento da área.
São previstas diversas linhas de apoio e de cré- • Decisão das técnicas, escolha dos insu-
dito para a adequação ambiental, como o Pro- Quando for obrigatória, deve ser feita pelo • Manejo agroflorestal, quando em áreas da mos (principalmente mudas adequadas);
grama ABC (Agricultura de Baixo Carbono) e al- menos uma comunicação ao órgão ambiental. agricultura familiar, conforme definição legal.
• Definição de orçamento, responsáveis
gumas linhas do Pronaf (Programa Nacional de
É importante contar com a assistência de um Os principais passos para fazer um projeto e prazos, dando prioridade para plantar
Fortalecimento da Agricultura Familiar).
técnico para fazer esse tipo de projeto. desse tipo são: durante a temporada de chuva;
Outra questão são os pagamentos e incentivos
Para fazer a recomposição florestal, podem ser • Deve-se prever a conservação de espé-
por serviços ambientais (PSA). Para isso, é impor-
usadas diversas técnicas inclusive de forma AVALIAÇÃO DA SITUAÇÃO DA ÁREA cies nativas existentes e medidas para
tante acompanhar e combinar as diversas políti-
combinada, que devem ser escolhidas conside- Verificar qual é a vegetação, como está o solo, conservação e atração de animais nati-
cas, como a do Meio Ambiente e a dos Recursos
rando as condições do local. As principais são: o entorno, se a vegetação nativa tem capaci- vos que tragam sementes;

18 19
• Fazer a manutenção das cercas e dos aceiros;
• O plantio de mudas pode ser feito em • Em algumas situações, também pode
linhas, se isso facilitar a manutenção, ser feito o plantio com sementes de • Adubação de cobertura: o ideal é fazer pelo
principalmente das roçadas; espécies nativas, como quando a in- menos duas vezes durante o crescimento das
tenção é aumentar a diversidade em árvores, para acelerar o crescimento das mu-
• Atentar-se à conservação do solo.
áreas que já têm algumas árvores se das, plantadas ou mesmo as regenerantes;
desenvolvendo;
• Irrigação, se necessária;
CONTROLE DOS FATORES DE DEGRADAÇÃO • Adubação inicial: apesar de não existir
• Por exemplo: cercar a área, fazer aceiros, uma referência exata de adubação para • Controlar as formigas;
controlar as formigas, se necessário. espécies nativas, é importante fazer uma
• Replantio de mudas mortas.
análise de solo antes de começar o projeto.
PREPARO DA ÁREA E IMPLANTAÇÃO Quando a análise não está disponível, em
• Se necessário, controlar as competido- geral são usados adubos com mais fósforo.
MUDAS
ras (roçada e coroamento); Podem ser usados adubos químicos, orga-
As mudas de árvores podem ser produzidas em
nominerais ou orgânicos, e calcário.
• No plantio de mudas, o preparo do solo diferentes formas:
normalmente é feito em sulcos (com sul-
cador ou com subsolador) ou fazendo MANUTENÇÃO
apenas a abertura das covas (ou ber- São os cuidados após a implantação, que po- TUBETES
ços), com ferramentas manuais ou me- dem durar meses ou alguns anos, até que a São embalagens reaproveitáveis. Podem ter di-
Mudas em condição ideal
canizadas; área se desenvolva por si. As principais ativi- ferentes tamanhos. Os mais comuns são o “tu-
dades são: betinho” (com volume de 50 cm3) e o “tubetão”
• Na condução da regeneração natural
(280 cm3).
das nativas, deve-se fazer o coroamen- ESPÉCIES FLORESTAIS
• Controlar as plantas competidoras, com
to das mudas e a roçada entre elas; São menores, mais baratas e mais fáceis de Devem ser usadas mudas de arvores nativas da
roçadas e coroamento;
transportar e de plantar. região, adequadas aos locais (por exemplo, se
são mais úmidos ou secos).
Evitam o enovelamento das raízes.
É importante ter mudas dos dois tipos, de
Têm um custo maior na implantação do sistema
preenchimento e de diversidade (ver quadro abai-
USO DE HIDROGEL no viveiro, mas a muda é mais barata.
xo), misturadas. Se o plantio for feito em linhas,
Sempre que possível é bom colocar um pouco de devem ser plantadas alternadas na mesma linha.
hidrogel, já com água, no momento do plantio junto
com a muda. Esse é um produto que retém água para SACOS PLÁSTICOS Para montar um projeto de recomposição de
o desenvolvimento da planta. Hidrogel O volume pode variar, sendo os mais comuns de floresta nativa, as espécies são divididas em
250 a 500 cm3; dois grupos:
Cuidados no uso de hidrogel:
As quantidades dependem do tamanho da muda, e Solo As vantagens são o baixo custo no viveiro e o
se ela é de tubete ou saquinho; melhor desenvolvimento das mudas;
PREENCHIMENTO
Ele deve ser aplicado já hidratado (molhado) no Adubo
Já as principais desvantagens são que pode ha- Plantas que possuem bom crescimento e boa
momento do plantio; cobertura de copa, para fechamento rápido da
ver o enovelamento das raízes e o maior tama-
Não aplicar junto com o adubo químico. nho e peso, tornando o transporte e o plantio área plantada. Em geral são espécies pioneiras,
mais complicados. que crescem melhor em lugares abertos, ao sol.

20 21
Nas áreas em recomposição também pode ser problemas. Além de aumentar a quantidade binando de árvores nativas e exóticas com espé-
feito o plantio consorciado de espécies nativas de cercas, podem aumentar as erosões e a cies agrícolas, conforme regulamento estadual. No
produtoras de frutos, sementes, castanhas e poluição da água. estado de São Paulo, essa regulamentação ainda
outros produtos vegetais, para depois fazer a está em discussão.
Além disso, para o gado sempre é melhor não
extração sustentável não madeireira.
beber água muito fria, direto do córrego. Esse manejo não deve descaracterizar a cobertura
vegetal nem prejudicar a função ambiental da área.
Sempre é bom pensar em bebedouros, para
USO DE AGROTÓXICOS Para isso, deve obedecer a alguns princípios, como:
onde a água chega por gravidade ou por bom-
O uso do herbicida para controlar as gramíneas bas (como as de roda d’água ou do tipo carnei- • Controlar a erosão;
no preparo e na manutenção de reflorestamen- ro, que não usam eletricidade).
to não tem proibição específica na legislação. É • Manter permanentemente a c
importante verificar antes se não existe alguma obertura do solo;
objeção dos órgãos ambientais competentes MANEJO AGROFLORESTAL
ou por parte do proprietário, como certifica- • Limitar o uso de insumos agroquímicos,
SUSTENTÁVEL NAS APPS
ções. Todo cuidado é pouco, até porque essas priorizando-se o uso de adubação verde;
Na pequena propriedade, posse rural familiar ou
Jatobá é uma dos exemplos de muda de diversidade áreas estão próximas da água. nas comunidades tradicionais, as APPs podem • Não usar exóticas invasoras;
ser usadas com o manejo agroflorestal susten-
Alguns exemplos de espécies: aroeira pimen- Muitas vezes também é necessário fazer o con-
tável. Este pode ser feito com o plantio de espé- • Não usar a área para pasto de animais
teira, babosa branca, canafístula, capixingui e trole de formigas. É importante acompanhar
cies lenhosas, perenes ou de ciclo longo, com- domésticos (apenas acesso à água).
sangra d’água bem a situação para evitar maiores danos e di-
minuir o uso de formicidas. Se forem usados, é
preferível usar iscas que são levadas pelas for-
DIVERSIDADE migas para dentro dos formigueiros.
Nem sempre têm crescimento rápido ou boa co- O uso de agrotóxicos e demais produtos con-
bertura de copa, mas são importantes para con- trolados deverá obedecer aos procedimentos
tinuidade da floresta, substituindo depois as de técnicos e legais pertinentes, em especial: o
crescimento rápido. Em sua maioria são espécies Receituário Agronômico; a escolha das condi-
mais tardias, que crescem melhor na sombra. ções ambientais adequadas (dias sem vento e
Exemplos: canelas, cedro, embaúba, guanandi chuva, por exemplo); o uso dos Equipamentos
e ipês. de Proteção Individuais (EPIs) e Equipamentos
de Proteção Coletiva (EPCs) necessários e a
destinação correta das embalagens.
CULTIVO INTERCALAR
Para facilitar a manutenção e diminuir os custos,
pode ser feito o plantio em consórcio com espé- ACESSO AO GADO
cies agrícolas de cultivos anuais (horta, milho, etc.) Conforme a lei, é possível deixar corredores
por até cinco anos entre as árvores nativas. dentro das áreas de APP que estão sendo re-
compostas para o gado chegar até a água.
Nesse caso, o plantio não pode prejudicar a re-
cuperação da floresta e deve ser apresentado Entretanto, é importante planejar bem esses
um projeto ao órgão ambiental competente. corredores, pois eles podem trazer alguns Recomposição feita em APP de mata ciliar

22 23
Agroecologia • Enfoque sistêmico no planejamento e no
trabalho na propriedade rural;

• Foco na saúde do solo como um organismo


A agricultura começou a ser praticada pelo ho-
vivo que sustenta a produção agrícola e a
mem há muito tempo, entre 10 mil e 12 mil anos
nossa vida;
atrás. Nos últimos anos, cada vez mais a agri-
cultura moderna tem usado insumos industriais • Foco na saúde do sistema e no bem-estar
(adubos e agrotóxicos) e maquinário agrícola. dos elementos envolvidos na produção;
Apesar disso, aumentar a produção traz muitos
problemas ambientais e sociais, como a degra- • Busca por uma crescente autonomia da
dação de solos, a poluição ambiental, a perda família e do sistema produtivo;
da biodiversidade, a redução do emprego no • Segurança alimentar e nutricional;
campo e a perda de variedades de plantas e de
práticas agrícolas tradicionais. • Valorização da agrobiodiversidade local
(conjunto de espécies, variedades e raças
A agroecologia surge como uma proposta para utilizadas pelas comunidades);

Produção sustentável: apoiar a transição dos modelos convencionais


de agricultura para um modelo de uso do solo e
de desenvolvimento rural sustentável. O objeti-
• Valorização da participação de jovens, adul-
tos, mulheres e homens nos processos;

Agroecologia e Sistemas Agroflorestais vo é ter um sistema ecologicamente equilibra-


do, socialmente justo e economicamente viável.
• Fortalecimento de canais de circulação (ven-
da e troca) direta e solidária dos produtos,
fortalecendo a sociobiodiversidade.
Ela é uma soma dos saberes de agricultores,
O Plantando Águas apoia atividades produtivas Agricultura orgânica é um sistema de agricultura dos técnicos e das agriculturas conhecidas
que protegem e melhoram os recursos naturais, que não permite o uso de produtos químicos sinté- como alternativas – orgânica, biodinâmica, na-
geram emprego e renda com alimentos mais ticos ou geneticamente modificados, com enfoque tural, entre outras – para propor um conjunto
saudáveis e uma melhor qualidade de vida para em técnicas específicas buscando a otimização do de práticas e princípios a serem aplicados no
as pessoas no campo e na cidade. uso dos recursos naturais e socioeconômicos. Para manejo do Agroecossistema. Este compreende
sua comercialização, os produtos orgânicos devem a unidade produtiva e o entorno dela _ as pes-
A produção agrícola sustentável tem vários soas, suas casas, os animais, as estradas, os
ser certificados.
componentes. Agroecologia, Agricultura Orgâ- rios, as florestas etc.
nica e Sistemas Agroflorestais são ideias próxi- Os Sistemas Agroflorestais (SAFs) são formas de
mas, mas nem sempre são a mesma coisa. uso da terra e de produção que reúnem, no mes-
mo espaço, espécies agrícolas, arbóreas e ani-
A Agroecologia é um conceito mais amplo, en- PRINCÍPIOS
mais. Existem vários tipos de SAFs, uns mais sim-
tendido como uma ciência e um movimento so- * Ações coletivas e construção participativa do
ples, outros mais complexos, mas nem todos são
cial, com dimensões tecnológicas, sociais, polí- desenvolvimento por meio do diálogo de saberes
de base agroecológica ou orgânicos. Por exemplo,
ticas e econômicas. entre agricultoras e agricultores com os técnicos;
existem sistemas chamados Integração Lavoura,
Pecuária e Floresta (ILPF) que não são orgânicos, • Desenvolvimento regional a partir dos re- Troca de sementes crioulas no assentamento
usando agrotóxicos e adubos químicos. cursos locais; Carlos Lamarca, de Itapetininga

24 25
PRÁTICAS • Redução e eliminação do uso de insumos Na OCS, os produtos não têm um selo específi-
• Manejo racional da vegetação espontânea industriais sintéticos (adubos e agrotóxicos). co de orgânico.
e manutenção da cobertura do solo;
Dentro da agroecologia pode acontecer a tran-
• Preservação da estrutura do solo com a sição agroecológica, que é quando o agricultor
redução da aragem para manter a saúde deseja uma mudança em sua terra e em seu
dele e do cultivo; sistema produtivo dentro de uma visão mais
integrada e ecológica, com a racionalização do
• Valorização, resgate e troca de sementes uso de insumos externos, a gradual redução e
e de variedades adaptadas localmente (se- eliminação do uso de agrotóxicos e insumos
mentes crioulas); sintéticos, a aplicação de insumos orgânicos
• Rotação de culturas e adubação verde e, por fim, um replanejamento ou redesenho do SISTEMA PARTICIPATIVO
(plantas utilizadas para melhorar a fertili- agroecossistema. DE GARANTIA ( SPG )
dade da terra); No Sistema Participativo de Garantia (SPG),
a certificação é de responsabilidade coletiva
• Promoção da reciclagem de nutrientes dos membros. Produtores, consumidores, téc-
dentro da propriedade com adubação ver- Produção orgânica nicos e demais interessados formam uma Or-
de, reúso e compostagem de resíduos; ganização Participativa de Avaliação da Con-
• Foco na saúde dos cultivares (variedade de Atualmente, o mercado de alimentos orgânicos formidade (Opac).
espécies vegetais) e das criações animais cresce no país. Em muitos casos, produtores Para ser considerado orgânico, o alimento deve Não há custo direto, e sim uma responsabilidade
a partir de ambientes menos estressantes que fizeram a transição e conseguem articular ser cultivado em um ambiente de produção com coletiva de seus membros, que devem fazer trocas
e de uma nutrição equilibrada; a venda têm tido retorno econômico, devido à o uso responsável do solo, da água, do ar e dos e vistorias mútuas nas propriedades envolvidas.
redução de custos externos e à agregação de demais recursos naturais, respeitando as rela-
• Uso de barreiras de vento, de policultivos e O agricultor pode vender para outros mercados
valor nos produtos. ções sociais e culturais. O sistema de garantia de
de Sistemas Agroflorestais; ou para intermediários se tiver o selo de certi-
produtos orgânicos do Brasil tem três categorias:
• • Produção local de insumos como compos- ficação para isso. Também pode participar dos
to, bokashi (um tipo de composto orgânico programas de compras do governo.
enriquecido com microrganismos benéfi- ORGANIZAÇÃO DE CONTROLE
cos), biofertilizantes e caldas naturais para SOCIAL ( OCS )
o controle de pragas e doenças; OCS é um grupo de agricultores que troca expe- CERTIFICAÇÃO
riências e visitas para verificar se cada membro POR AUDITORIA
• Uso racional dos recursos minerais como do grupo está cumprindo as normas de produ- Nesse sistema, a avaliação é feita por uma em-
pós de rochas (rico em fósforo e micronu- ção orgânica. Essa organização é cadastrada presa certificadora credenciada no Ministério
trientes); no Ministério da Agricultura, e os agricultores da Agricultura. Em geral, este é um serviço que
passam a fazer parte do Cadastro Nacional de é cobrado. Nesse sistema, o agricultor paga so-
• Integração da criação de animais no sistema;
Produtores Orgânicos. zinho ou forma um grupo para dividir os custos
• Preservação das matas e de áreas de re- do processo.
Serve como um reconhecimento que permite ao
fúgio próximas ao cultivo, favorecendo o
agricultor vender sua produção diretamente em Os produtos podem ser comercializados com
aparecimento e a manutenção de inimigos
feiras e nos programas de compras do gover- um intermediário ou via venda direta usando
naturais das pragas da lavoura;
no (Programa de Aquisição de Alimento, PAA, ou selo próprio. Também é possível participar dos
Venda de orgânicos deve ser certificada Política Nacional de Alimentação Escolar, PNAE). programas de compras do governo.

26 27
COMO USAR Também é preciso analisar quais vão crescer
O planejamento é o primeiro e um dos mais primeiro e o espaço ocupado por suas copas.
importantes passos para o agricultor que pre- Espécies com a função de adubação podem ser
tende implantar uma agrofloresta. A prática do inseridas depois, já que serão podadas com al-
planejamento, ainda que para alguns seja um guma frequência e, assim, introduzidas na área
desafio no início, ajuda o agricultor a melhorar com maior densidade.
sua estratégia de instalação e, principalmente,
a evitar equívocos na distribuição das espécies O agricultor pode até reunir em um quadro as
– o que poderia gerar mais trabalho no futuro. características das plantas, para pensar como
elas deverão ser plantadas e em que época da-
Deve-se fazer um desenho mostrando o espa- rão frutos, entre outros aspectos.
çamento e a distribuição das diferentes espé-
cies no campo. Vale fazer símbolos com cores As características do terreno são cruciais, e o
ou com letras diferentes para identificar os agricultor sempre conhece melhor a sua área
distintos elementos. Comece o desenho pelas do que outra pessoa. Se optar por implantar
plantas de porte maior, ciclo mais longo e maior o SAF em um solo mais degradado, deve con-
interesse, pois no futuro o agricultor precisará siderar que demandará mais esforços e mais
Modelo de SAF com plantio em linhas
definir qual manterá na área se forem inseridas tempo para recuperar a fertilidade do local. Ou,
muito próximas. Depois, coloque as plantas de se o agricultor dispuser de mais recursos, pode
ciclos mais curtos e menor porte. utilizar insumos externos no momento da insta-
lação (como pó de rocha e composto, por exem-
Sistemas agroflorestais grupos funcionais e a sucessão ecológica (altera-
ções graduais na composição, na estrutura e no
É importante pensar em diferentes etapas para plo), deixando que o manejo do SAF dê conta da
sistemas sucessionais (aqueles que se modifi- melhoria do solo em médio e longo prazos.
funcionamento dos ecossistemas resultantes da
cam com o tempo). Desenhamos como o siste-
Os Sistemas Agroflorestais (SAFs) são formas interação contínua entre os organismos e destes As agroflorestas sucessionais biodiversas são
ma deverá estar com um, dois, quatro ou dez
de uso da terra e de produção que reúnem, no com o ambiente) são alguns dos princípios do SAF. sistemas com uma grande diversidade e densida-
anos. Isso porque, a cada etapa, haverá um con-
mesmo espaço, espécies agrícolas (agro), arbó- junto diferente de plantas ocupando o espaço
Os objetivos gerais do SAF são a recuperação do
reas (florestais) e animais. Todos são maneja- (estratos verticais e espaço horizontal) e po-
equilíbrio e da fertilidade dos agroecossistemas,
dos em conjunto em um mesmo local, de acordo demos pensar em quais serão favorecidas em
a diversificação de produtos, a geração de fonte
com os objetivos do agricultor. cada momento, ajudarão a criar as espécies do
de renda para a família e o melhor aproveitamen-
Os SAFs melhoram as condições socioeconô- to da mão de obra e dos recursos disponíveis. ciclo seguinte e poderão competir entre si den-
micas e contribuem significativamente para o tro de um mesmo ciclo.
Existem SAFs mais simples, com menor biodiver-
aumento da biodiversidade das unidades fami- É interessante avaliar o tamanho das copas e,
sidade e serviços ecológicos, e outros comple-
liares, colaborando também para a adequação consequentemente, colocar as plantas com co-
xos, mas todos trazem uma diversidade maior de
à legislação ambiental. pas muito parecidas distantes umas das outras
produtos e de benefícios ambientais. O mais im-
Existem várias formas de aplicar os Sistemas portante, afinal, é que o agricultor compreenda e para que não haja competição por luz entre elas.
Agroflorestais, atendendo a diferentes objeti- valorize alguns princípios e faça um bom planeja- É importante também lembrar sempre das ca-
vos e situações. mento. A ideia é seguir o que ele considera melhor racterísticas das plantas, seu porte e ritmo de
para si e avaliar como os Sistemas Agroflorestais crescimento, observando também as posições
O aumento da ciclagem de nutrientes, a produção podem ajudá-lo em curto, médio e longo prazos. delas em relação à trajetória do sol pela área.
de biomassa, a diversificação de espécies e de SAF na Fazenda Ipanema, Iperó

28 29
SISTEMAS SILVIPASTORIS
de de espécies e de grupos funcionais. Por meio Espécies arbóreas, culturas agrícolas e animais
delas, busca-se uma similaridade com a dinâmica podem ser integradas nos sistemas silvipasto-
e com o funcionamento da floresta nativa local e ris (árvores e pasto) e agrossilvipastoris (agri-
uma grande diversidade de produtos. cultura, árvores e pasto).
Nela, cada planta ajuda a criar a outra que nas- Há diversas formas de fazer essa integração,
cerá a seguir (a chamada sucessão ecológica). que podem ser:
A evolução do sistema ocorre desde um estágio QUINTAIS
inicial, com plantas rústicas e de crescimento
AGROFLORESTAIS • o uso de árvores para a divisão de piquetes
POMARES
Estes visam diretamente o consumo no pasto, ou o plantio de faixas ou espalha-
rápido. Estas dão espaço a outras espécies de AGROFLORESTAIS
da família. Por isso, normalmente, o das no pasto, para dar sombra e alimento
ciclo mais longo, transformando gradualmente São sistemas de cultivos perenes seme-
grupo de plantas que faz parte dos aos animais e ajudar na recuperação do
a área em um sistema com porte maior e com lhantes a pomares. A diferença está em
quintais agroflorestais é diverso: er- solo;
mais complexidade. conterem espécies com funções produ-
vas usadas como temperos, plantas
• a integração da criação de animais em tivas e outras com funções ecológicas,
Cada planta ocupa um “andar” (estrato). Ou medicinais; plantas olerícolas (de hor-
áreas de cultivos perenes de porte grande fornecendo sombreamento e reciclagem
seja, plantas com tamanhos diferentes ocu- ta), como couve, taioba, milho e man-
e espaçamento largo; de nutrientes. Podem ter as espécies “car-
pam vários níveis de altura dentro do consórcio. dioca; e espécies tardias, como frutí-
ros-chefes”, ou seja, presentes em maior
Plantar árvores com alturas e ritmos de cresci- feras, palmito e lenha. Além disso, nos • o uso de algumas espécies de árvores quantidade, visando à produção comercial.
mento distintos estimula a cooperação por luz quintais muitas vezes existem espé- como alimento para os animais;
em vez da competição. Desse modo, um maior cies utilizadas unicamente com a fun-
número de plantas pode ocupar a mesma área. ção ornamental ou de gerar sombra. • o plantio de espécies que alimentam as
abelhas (o pasto apícola).

30 31
QUEBRA-VENTOS
Mesmo com pouca mudança na forma de traba-
lhar a terra, traz vantagens para o agroecossiste-
ma por impedir a ação de ventos excessivos que
roubam a umidade do solo e das plantas e que
trazem doenças para a lavoura. Os quebra-ventos
podem incluir outros elementos produtivos, como
madeiras, frutas, forragem e pasto apícola.

Para instalar um quebra-vento, deve-se primeiro


identificar a face onde o vento predomina e plan-
tar pelo menos duas faixas de árvores de diferen- ALEIAS
tes alturas, para aumentar o efeito de proteção. É uma prática agroflorestal bem simples,
Em propriedades em transição agroecológica, que consiste no plantio de linhas de ár-
os quebra-ventos devem isolar a propriedade vores em faixas, em um espaçamento
também de vizinhos que aplicam agrotóxicos que permita o cultivo de culturas anuais,

Para saber mais


em suas terras. de forma mecanizada, entre as faixas.
Os objetivos principais são: melhorar a
fertilidade do solo com baixo custo, com
a poda das árvores servindo para adu-
Todas as publicações do Plantando Águas estão disponíveis no endereço:
bar a terra; criar abrigo para predadores
naturais de pragas; e “quebrar” o vento. www.iniciativaverde.org.br/biblioteca-nossas-publicacoes.php

Desenvolvimento Rural Sustentável: Agroecologia e Sistemas Agroflorestais


São Paulo (SP), 2014
Água: usos, conservação e monitoramento São Paulo (SP), julho de 2015
Sustentabilidade Adequação e Legislação Ambiental no Meio Rural - 2ª
edição, São Paulo (SP), julho de 2015

CAPORAL, F.R. & COSTABEBER, J.A. Agroecologia: para a Mata Atlântica. Brasília: Ministério
alguns conceitos e princípios. 2ª ed. Brasília: do Desenvolvimento Agrário, Secretaria de
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MDA/SAF/DATER, 2007.
MILLER, R.P. Construindo a complexidade: o
GÖTSCH, E. Importância dos SAFs na Recuperação
encontro de paradigmas agroflorestais. Instituto
de Áreas Degradadas. In: Anais do IV Congresso
Olhar Etnográfico, Brasília (DF). 2009
Brasileiro de Sistemas Agroflorestais. Ilhéus,
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do produtor rural. São Paulo:
MAY, P. H. (Coord.), TROVATTO, C.M.M.,
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ANA - Agência Nacional de Águas. Relatório da da Saúde, Manual de Saneamento. 3ª edição
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ANA - Agência Nacional de Águas. Panorama do
enquadramento dos corpos d’água do Brasil e Lei 9.605/1998: Lei de Crimes Ambientais;
Panorama da qualidade das águas subterrâneas Lei 9.985/2000: Sistema Nacional de Unidades de
no Brasil. / coordenação geral, João Gilberto Lotufo Conservação (SNUC);
Conejo; coordenação executiva, Marcelo Pires da
Costa, José Luiz Gomes Zoby. Brasília : ANA, 2007. Lei 11.326/2006: Agricultura Familiar;
124 p. : il. (Caderno de Recursos Hídricos, 5). Lei 11.428/2006: Lei da Mata Atlântica;
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