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DA NECESSIDADE EXTINÇÃO DA PRESENTE EXECUÇÃO FISCAL POR FORÇA DO

DISPOSTO NO ART. 267, INCISOS II E III DO CPC

No caso em tela observa-se que a ação de execução fiscal, após a sua


propositura, permaneceu parada por mais de 1 (um) ano, por negligência da Fazenda
Pública Nacional, conforme se extrai da análise do andamento processual da presente
ação.

De igual forma, não foram promovidos os atos e diligências necessárias ao


andamento do processo no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data da prática do
último ato processual.

Sendo assim, deve se atentar para o disposto no art. 267 do CPC:

“267 – Extingue-se o processo, sem resolução de mérito:


(...)
II – quando ficar parado durante mais de 1 (um) ano por
negligência das partes;
III – quando, por não promover os atos e diligências que lhe
competir, o autor abandonar a causa por mais de 30 (trinta)
dias;” (grifo nosso)

Vale ressaltar que a Lei 6.830/80, que dispõe sobre a cobrança judicial da
Dívida Ativa da Fazenda Pública, estabelece que o Código de Processo Civil possui
aplicação subsidiária às ações de execução fiscal. Vejamos:

“Art. 1º - A execução judicial para cobrança da Dívida Ativa da


União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Municípios e
respectivas autarquias será regida por esta Lei e, subsidiariamente,
pelo Código de Processo Civil.”

Assim, aplicando-se o art. 267 do CPC ao caso em tela verificar-se-á que a


ação de cobrança em epígrafe deve ser extinta sem resolução do mérito, conforme
determina o art. 267, incisos II e III do CPC, haja vista que a Fazenda Pública não
promoveu os atos necessários para o regular andamento do processo, o que atesta a sua
negligência.

Nelson Nery Júnior1, lecionando acerca da matéria, já se posicionou em


idêntico sentido:

1
JÚNIOR, Nelson Nery. NERY, Rosa Maria de Andrade. Código de Processo Civil Comentado e legislação extravagante. 9a
ed. Revista dos Tribunais: São Paulo, 2006. P. 435.
“Contumácia das partes. A contar da prática do último ato
processual, depois de um ano paralisado, há objetivamente causa
para extinção do processo sem julgamento do mérito,
independentemente de alegação da parte, de que não se houve
com negligência. Neste sentido: Moniz de Aragão, Coment., 504,
378/379.”

Outrossim, o próprio STJ prevê, por meio de sua Súmula 240, a


possibilidade de extinção do processo por abandono de causa pelo autor, havendo
requerimento do réu nesse sentido:

“Súmula: 240
A extinção do processo, por abandono da causa pelo autor,
depende de requerimento do réu.”

Por fim, vale transcrever o entendimento já pacificado pelo próprio STJ


acerca da matéria sub judice:

“Origem: STJ - SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA


Classe: RESP - RECURSO ESPECIAL - 840255
Processo: 200600839505 UF: RS Órgão Julgador: PRIMEIRA
TURMA
Data da decisão: 15/08/2006 Documento: STJ000704254 Fonte DJ
DATA:31/08/2006 PÁGINA:271 Relator(a) FRANCISCO FALCÃO
PROCESSUAL CIVIL. EXECUÇÃO FISCAL. ANDAMENTO DO
FEITO. INTIMAÇÃO PESSOAL DO ENTE FAZENDÁRIO.
TRANSCURSO IN ALBIS DO PRAZO FIXADO PELO JUIZ.
EXTINÇÃO DO FEITO POR ABANDONO DE CAUSA (ART. 267,
III, DO CPC). RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AO ART. 40 DA
LEI Nº 6.830/80.
AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA Nº 211/STJ.
APLICAÇÃO.
(...)
III - Ademais, apenas a título de registro, o acórdão recorrido
solucionou a balda de acordo com o entendimento já pacífico
neste STJ no sentido de que a sanção processual do art. 267,
III e § 1º, do CPC, aplica-se à Fazenda Pública quando esta
deixa de realizar diligência de sua alçada. Uma vez intimado
pessoalmente o representante da Fazenda para dar
prosseguimento ao feito e permanecendo este inerte, cabe ao
juiz determinar a extinção do processo, sem julgamento de
mérito, por abandono de causa.
Precedentes: REsp nº 757.000/RS, Rel. Min. FRANCIULLI
NETTO, DJ de 13.03.2006; REsp nº 654.340/PB, Rel. Min. TEORI
ALBINO ZAVASCKI, DJ de 27.06.2005; REsp nº 737.933/MG, Rel.
Min. JOSÉ DELGADO, DJ de 13.06.2005; AGA nº 524.148/SP,
Rel. Min. JORGE SCARTEZZINI, DJ de
16.11.2004; AGREsp nº 449.178/RJ, Rel. Min. LUIZ FUX, DJ de
03.02.2003; REsp nº 56.800/MG, Rel. Min. ELIANA CALMON, DJ
de 27.11.2000.
IV - Recurso especial NÃO CONHECIDO.” (grifo nosso)
Destarte, em obediência ao art. 267, incisos II e III do CPC, e também à
Súmula 240 do STJ deve se determinar a extinção da presente ação executiva sem
julgamento de mérito.